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Universidade Federal do Rio Grande – FURG Centro de Atenção Psicossocial Conviver – Rio Grande/RS Projeto rR de Extensão “Programa de Rádio e Jornal Mensal no CAPS Conviver – Rio Grande: Uma Proposta de Reinserção Social e Promoção de Saúde” – Edital PROEXC/FURG 01/2012

Edição 4/2012 – mês de agosto

Um ano de “Maluco Beleza” É com muita alegria que compartilhamos com vocês, leitores, o aniversário do nosso jornal. Há um ano iniciávamos as atividades e, hoje, ele vai de vento em popa. Logo abaixo, você lerá um texto produzido em nossas oficinas, onde diversas pessoas que participam e contribuem como o Maluco Beleza, refletiram sobre essa atividade, pensando sobre o início onde tudo começou, dividindo suas opiniões de como o jornal contribui para si e muito mais. Aqui vai um pouco do que o jornal representa para cada pessoa que estava reunida conosco preparando esse texto. Então, lá vai um pouco da história do nosso Maluco Beleza... “O jornal começou no ano passado, com o André, um usuário que agora teve alta, participando bastante na oficina e sendo aquele que organizava o jornal. Na época, houve uma reunião com as estagiárias e a equipe do CAPS para escolher o nome do jornal, sendo escolhido por votação o nome “Maluco Beleza”, ideia do Paulo Ernandes. Ano passado quem participava muito era o Paulo, o Silvio, o André, a Dila, a Mara, dentre outros usuários. Muitas pessoas traziam textos de casa, mas era na segunda-feira, na oficina de atualidades, que muitas ideias surgiam para o jornal também. Ano passado ele era xerocado e sua produção era feita em escrita no papel, e depois colagens para montar o jornal inteiro. Dentre os assuntos falados nas edições, podemos citar temas como AIDS, doenças, saúde, culinária, tipos de vida, poesia, reportagens e entrevistas sobre diferentes profissões, assim como sobre esportes. Quem não escrevia, contribuía com desenhos. A mudança – deixando de ser manual para ser impresso pela gráfica da FURG- trouxe, segundo os participantes, evoluções para a valorização do jornal. Eles dizem que, agora quando se começa o trabalho, todos tem uma base, e que a partir dela se pode evoluir e melhorar. E foi isso que aconteceu com o nosso Maluco Beleza. Paulo Cruz refere-se ao momento dizendo que é muito bom participar dessa oficina, que é gratificante. Conta, ainda que em um encontro com o André Medeiros, mencionado acima, André disse que esse trabalho o ajudou muito, e que “não podemos deixar a peteca cair”. Quanto ao que mudou em cada um devido a participação no jornal, o principal, segundo o Moacir, foi a estabilidade dos que participaram naquela época e que participam agora. A sabedoria aumentou, a amizade entre todos, o esclarecimento e uma mente mais aberta... Parece que está tudo cada vez mais amplo. Paulo Ernandes, por exemplo, disse que não participava de nada no CAPS, não tinha muita vontade, e que, desde o surgimento da oficina, pôde participar de mais atividades. Já Silvio diz que foi um desabafo sua participação, sempre muito ativa, desde o início das atividades do jornal Maluco Beleza. Silvio comenta também que sentia que não tinha com quem se expressar, então expressou no jornal. O pessoal disse também que o que ajudou bastante foi que houve um incentivo à produção de materiais, de textos, e que, agora suas criatividades são utilizadas nas oficinas do jornal e da rádio. As expectativas para o futuro do jornal são que o barco siga andando e que os próximos estagiários continuem dando o mesmo passo, possam seguir com as atividades e os usuários evoluírem cada vez mais na atividade. É isso aí! A equipe parabeniza a todos os envolvidos nesse 1 ano de atividades e também agradece a cada um deles. Estagiárias do CAPS Conviver visitam CAPS Escola em Pelotas Na quinta-feira 02/08/12, três acadêmicas de Psicologia da FURG, estagiárias do CAPS Conviver e participantes do programa de rádio “Unidos Venceremos”, visitaram o CAPS Escola, localizado na cidade de Pelotas-RS. O CAPS é um dos sete Centros de Atenção Psicossocial existentes no município vizinho. Nesse dia, conheceram o funcionamento do programa de rádio “Gente como a gente”, que vai ao ar há 9 anos, e é produzido e guiado pelos usuários dos diversos CAPS da cidade, sendo transmitido pela rádio comunitária RádioCom 104,5 FM, aos sábados, das 13h30min as 15h. A troca de experiências levou à ideia de um novo encontro, possivelmente a ocorrer no CAPS Conviver dentro dos próximos meses. Oficina de Política Está acontecendo atualmente no CAPS uma oficina sobre política. Luiz Sá diz que as oficinas surgem da necessidade de que os usuários se tornem agentes políticos, se politizem. Sílvio diz que o Brasil é um país muito desigual, onde poucos têm muito e muitos têm pouco e dá sua opinião sobre o assunto. No CAPS, as oficinas acontecem de 15 em 15 dias, nas segundasfeiras, das 10h30min às 11h30min. Além de falar sobre política é também falar sobre cidadania, trazer a política para dentro do CAPS, pensar em como ela o influencia. A intenção é conversar sobre o tema, bem do início, conhecendo os candidatos, suas


propostas. Silvio termina com um pensamento de Otto Von Bismarck: “Os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis.". Lembrando que Os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) surgiram a partir de uma lei que tenta implementar uma nova forma de cuidar das pessoas com sofrimento psíquico, buscando substituir o Hospital Psiquiátrico para que não seja mais preciso internar as pessoas. Quem quiser conhecer pode visitar o CAPS, que se localiza na Avenida Presidente Vargas, 688. O telefone é 32323258 e o email é capsconviver@hotmail.com. Nós também temos um blog para os internautas conhecerem um pouco mais dos trabalhos do pessoal. É www.capsconviveronline.blogspot.com. Escute todos os sábados, às 19 horas, na rádio FURG FM 106,7 o programa Unidos Venceremos, do CAPS Conviver. Os internautas podem ouvir o programa pelo site www.furgtv.furg.br e mandar email com sugestões, críticas ou comentários para capsconvivernaradio@hotmail.com.

A partir de uma solicitação dos usuários em continuar com os grupos iniciados no ano de 2011 de rádio e jornal, e também pelo aprendizado proporcionado pelos mesmos durante o ano de 2011, tanto para as acadêmicas quanto para os usuários, buscamos transformar essas ações em um projeto de extensão, pela FURG, com supervisão do Professor Alfredo Martín. O projeto foi aprovado em abril de 2012 e, assim, se pôde dar continuidade ao jornal e à rádio, que hoje contam com importantes modificações e têm a participação de cinco acadêmicas de Psicologia da FURG: Bianca Hameister, Fernanda Borges, Gessyka Veleda, Juliana Buonocore e Karen Côco.

A felicidade sem orgulho – por Paulo Cruz O sentido de ser pai Ser carinho amigo Da minha filha eu fui Orgulho dela, é pessoa Muito especial para mim E sinto saudade E quero que seja muito feliz No Rio de Janeiro Minha família é especial, para minha felicidade O dia dos Pais – por Ivan Soares O dia em que soube o que é ser pai e a importância do que é ser pai, senti uma emoção, uma alegria e uma felicidade no coração que eu nunca tinha sentido na minha vida e a partir desse momento eu comecei a dar valor para o meu pai porque eu aprendi muitas coisas com ele. Ser pai é uma benção de Deus é ter missão que o criador te deu nas tuas mãos para você criar e ensinar a ser futuramente um cidadão honesto, correto e justo a ser um ser humana humilde e andar sempre pelo caminho certo.

Dia dos Pais – por Marcelo Borges Quando chega essa data me vem na mente as partidas de futebol (que eu jogava na Álvaro Costa com o meu pai sr. Vilson) Vou ao cemitério e levo flores para ele. Hoje, com 40 anos sou pai de um menininho de 2 anos e me sinto feliz com o sorriso do Dani e suas brincadeiras. Como é bom o dia dos pais!

Pai – por Reginaldo Chaves Perdoa e compreende suas falhas Aceita você do jeito que você é Interpreta com bondade tudo que você diz

Aniversário do jornal e reflexões... – por Luiz Carlos Sá da Costa Cora Coralina nos brindou “Não podemos acrescentar dias a nossa vida, muito embora possamos acrescentar vida aos nossos dias”. Quanta reflexão nos remete essa frase não só pela profundidade, mas também pela autora. Uma poetisa que soube acrescentar vida a seus dias e nos brindar com essas verdadeiras pérolas. Nos inspiremos nestes exemplos e que possamos vencer preconceitos afim de acrescentar vida aos nossos dias. Nós que fazemos parte dessa equipe que compõe o jornal, estamos comemorando o primeiro ano de circulação. Quanta oportunidade se abriu a cada um de nós, quanta descoberta nos permitiu, quanta potencialidade que dormia em cada um está sendo descoberta. Que possamos comemorar outros tantos aniversário e que a cada um tenhamos acrescentado vida aos nossos dias.


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Os invisíveis – por Sílvio César Medeiros Eles saem às 6h da manhã e vão direto para a Secretaria de Limpeza Urbana. Começam a trabalhar às 7h varrendo as ruas. As pessoas passam por eles como se não existissem e outras mais solidárias cumprimentam. Eles são as pessoas invisíveis. Certa vez um estudante de Psicologia foi fazer a experiência de limpar os jardins da universidade. Colocou o macacão e pegou a vassoura e começou a limpeza. Foi um mês fazendo essa experiência. Quando terminava o trabalho, passava pelo refeitório dos estudantes, uns não reconheciam e outros reconheciam e faziam que não o conheciam. Existem outros tipos de pessoas invisíveis.

Breve história de vida – por Faustino Cabral Felix Eu estive baixado no Hospital Psiquiátrico, porque estava nervoso, vendo vultos. Fiquei 18 dias. Depois que saí meu pai e minha mãe estavam no hospital doentes. Agora a minha mãe deu alta e meu pai ainda está lá com minha irmã que está cuidando dele. Voltei para o CAPS e trocaram meus remédios. Agora estou bem. Relato - Paulo Ernandes “Cheguei muito mal aqui no CAPS, comecei a me tratar com médicos e psicólogos, fui melhorando aos poucos, inclusive agora a médica está pensando em tirar a injeção. Eu acho o CAPS excelente para tratar doenças mentais.” Agradecimento – Gilda Leite da Silva Gilda falou que não participava desde o ano passado da oficina do jornal, mas que participa do convívio diário do pessoal durante esse ano que passou, e que, essas pessoas que participam dessas atividades a ajudam sempre que ela não está muito bem, que cada um viu o quanto ela melhorou com o artesanato e com as oficinas, mas fundamental foi o abraço, o carinho, a união de cada um deles para que chegasse aonde chegou. Que isso não depende apenas do “eu querer”, tem que ter a ajuda, e que isso ela teve com os amigos do CAPS, e, por isso, queria dizer um muito obrigado a todos. Usuários e estagiários do CAPS Conviver prestigiando o estande de Gilda

Gilda recebendo o certificado de participação na FEARG

Nessa edição, Reginaldo Chaves entrevistou o colega Paulo Cruz para que nos contasse um pouco sobre sua história de vida. É natural de onde? Rio Grande. Como foi tua infância? Eu estive na casa da minha tia em Pelotas (RS), ela foi muito legal pra mim, tenho fotos da minha infância perto do campo do time Pelotas. Tive uns pais legais, sou de família pobre. Teve uma época em que fui muito arrogante com minhas coisas, mas ao longo da minha vida mudei muitas coisas também. Tive uma infância boa, minhas tias foram muito boas comigo. Aos 15 anos fui viajar para trabalhar, fui morar com minha irmã em Canoas (RS). Trabalhei em fábricas de peixe com 16, 17 anos. Também já tinha um problema de doença,

hereditário, que fui descobrir em Pelotas. Acabei baixado no Hospital Espírita em Pelotas, depois em Rio Grande, até que descobri que tinha esquizofrenia. És casado? Sou casado há 28 anos com minha esposa. Conheci ela aos 17 anos, éramos os dois muito jovens e estamos juntos até hoje. Temos uma filha, que foi criada pela família da minha esposa porque tive que viajar para trabalhar e, por isso, tive que ficar afastado delas. Sou feliz com minha esposa, temos companheirismo, a gente se dá bem, nos apoiamos um ao outro.


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Quem mais tem de importante em tua vida? Tem o pessoal do CAPS aqui também, que são meus amigos e me dão bastante apoio. Tua mãe te deu educação? Me deu, sim. Me ensinou coisas importantes da vida, minha tia também ajudou. Me ensinaram coisas básicas como sentar e comer direito. Estudei até o ensino fundamental e fiz curso de eletricista, cheguei a ser chefe em Canoas, e isso tudo faz parte da minha vida.

E quanto à educação da tua filha? Minha filha hoje está bem, a gente sempre conversou muito. Eu dizia pra ela que ela tinha que estudar, e hoje ela é formada em Letras e é professora de Inglês. Tenho muita saudade dela que está morando no Rio de Janeiro. Que educação tu daria pros teus netos hoje? Passaria pra eles essas coisas que aprendi, de passar coisas boas, meus valores, para serem pessoas boas.

O pai caipira fala para o filho, também caipira: - Fio, põe a sela no cavalo véio para eu! – Ah, pai, mas por que ocê vai num cavalo véio? – É que eu acho que nóis tem que gastar as coisas véias primeiro, ora! – Então por que o senhor não vai a pé? (por Reginaldo Chaves) O bêbado saiu do bar, aí viu uma igreja, abriu a porta e entrou. Aí tinha um padre rezando a missa, perguntando: “Quem quer ir pro céu?” Todo mundo levantou a mão, menos o bêbado. Então o padre, surpreso, foi até ele e perguntou: “o senhor não quer ir para o céu?” E ele, prontamente, respondeu: “quero, mas não nessa excursão!!” (por Sílvio César Medeiros)

Chuleta acebolada - Receita trazida por Vladmir que ganhou de sua sobrinha Maria de Fátima Germano. Ingredientes: Óleo 1 pitada de sal 1 cebola grande 1 cubinho de caldo de carne ¼ de copo de água 2 ovos

Modo de Preparo: Fritar as chuletas, colocar uma pitada de sal, tirar o óleo, colocar a cebola fatiada, fritar, colocar a água e deixar ferver. Quando estiver quase pronto colocar os ovos e mexer até ficar cozido.

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Bianca Hameister Cristiano Viana Faustino Cabral Felix Felipe Guidoti Fernanda Borges Gilda Leite da silva Geovana Aguiar Gessyka Veleda Ivan Soares Juliana Buonocore Karen Côco

Luiz Carlos Sá Marcelo Carvalho Manoel Godoia Maria Jurema Antiqueira Moacir Vieira Cézar Reginaldo Chaves Paulo Cruz Paulo Ernandes Sílvio César Medeiros Vladmir Viana Yolanda Escoto

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