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UMA PUBLICAÇÃO DO INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO SOCIOCULTURAL CANTO DA IRACEMA | ANO 13 | Nº 80 | JULHO 2012

// LUCINHAMENEZES

a cultura cearense pertinho de você!


e d i t o r i a l l a i r edito

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QUEBRADO

TUDO COMEÇOU EM TORNO DE UMA CONVERSA SOBRE CULINÁRIA NUM BAR DE ESQUINA, ALIÁS “KINA DO FEIJÃO”, NA ALDEOTA POBRE. COMPANHEIROS RESOLVERAM FUNDAR UMA ENTIDADE QUE ESTIVESSE A FIM DE QUESTIONAR, DEGUSTAR, PESQUISAR E DIVULGAR AS DELÍCIAS DA COZINHA NORDESTINA. ISSO SERIA O PONTO DE PARTIDA. DAÍ EM DIANTE ABORDARIAM OUTROS TEMAS, FARIAM PALESTRAS E CONFERÊNCIAS E ATÉ CAMPANHAS DE CUNHO FILANTRÓPICO. ESTAVA FUNDADA A “CONFRARIA DO CHAPÉU DE COURO”. E AQUI VAI UM PEDIDO DE LICENÇA, FEITO HOMENAGEM, AO MESTRE J. BORGES PARA USARMOS DETALHES DE SUA XILOGRAVURA A ILUSTRAR ESTA PÁGINA BEM SERTANEJA, APESAR DA PUBLICAÇÃO SOPRAR BRISAS PRAIANAS. AFINAL A VIRGEM DOS LÁBIOS DE MEL MIGROU DAS BRENHAS DA IBIAPABA PARA ESTES VERDES MARES BRAVIOS. 04


NOMES AOS BOIS – Alguém teria que começar. E assim foi. Na mesa estavam Lellis Luna, aí posto em falsa xilo; Célio Cavalcante, pote da boca pequena; Josias de Melo, carioca da gema; Rosinan Gonçalves, cacique cariri, Hélio Leite, contraparente das margens do Coreaú, Everardo Souza, a eterna vigilância da dengue, Sóstenes Farias, grego com direitos romanos e os manos Régis e Roberto, filhos do Bonfim, parceiro da Padaria Espiritual do Monsieur Vincent. Roberto Bonfim, autor dos aplaudidos documentários “Charqueadas” e “Rio das Garças”, estava usando na ocasião um chapéu virado, o que talvez tenha motivado a aventura. Com a chegada de novos confrades, ideias foram incrementadas, dentre as quais o “Momento Cultural”, saída do quengo privilegiado de Lineu Jucá, sugerindo um sócio discorrer, nas reuniões, sobre tema de relevância. Os primeiros vaqueiros a dirigir a entidade foram Lellis, Roberto e Célio, respectivamente, presidente, secretário e tesoureiro. DO PATRONO – Patativa do Assaré já veio com o chapéu quebrado na testa. Entrou pela porta da unanimidade e da sabedoria. É a síntese do nosso povo. Ninguém melhor poderia apadrinhar congregação tão bem intencionada quanto ao resgate da nordestinidade. Bem diz o poeta Dideus Sales: “Sabemos que Patativa / Poeta por excelência, / É a maior referência / Da poesia nativa, / A verve mais expressiva / Dos poetas do seu chão. / Sem sair do seu rincão / Ficou famoso e amado. / E foi nascido e criado / Nos cafundós do sertão.” E nem foi preciso pedir licença, o Mestre já havia viajado. Da Serra de Santana para o oco do mundo. Com o devido chapéu sobre a cabeleira de algodão. TANGENDO A BOIADA – A atual diretoria da Confraria do Chapéu de Couro está assim constituída: Presidente, Paulo André Viana; Vice-presidente, Paulo Maurício Diógenes; Secretária, Lílian Trevisan; Tesoureiro, Francisco Lopes. Mantém sócios correspondentes em Brasília e nos estados de Rondônia, Paraná e Minas Gerais. E aqui dois membros honorários, presidente e secretário do Clube do Bode: Sérgio Braga (pai de chiqueiro mor) e este escriba, Audifax Rios (chiqueirador). Há uma estreita relação entre as duas irmandades. O Chapéu de Couro leva a coisa mais a sério e o Bode, pra não negar as tradições, um pouco anárquica e relaxada. Currais diferenciados mas o berro é parecido. CONSIDERAÇÕES FINAIS – A Confraria se reúne mensalmente, nos segundos sábados, lá no restaurante Carne de Russas, São João do Tauape. Qualquer dia o poeta e pesquisador Virgílio Maia vai lá proferir uma palestra sobre os ferros de marcar gado. Os vaqueiros esperam ansiosos. Enquanto isso outros assuntos vão sendo abordados, a boiada tem que ser tocada. Nesses encontros os sócios recebem a revista “Canto da Iracema” e trocam figurinhas. Convidados especiais comparecem e os laços são ampliados. O congraçamento é comovente, animador, sai-se de lá com vontade de fundar uma associação própria. Mas há que dividir. O conhecimento aí está para todos e essa troca é primordial para o saudável convívio da humanidade. 05


// FOTOSGALBA SANDRAS

TERCEIRO CD DE LÚCIA MENEZES | POR SÉRGIO CABRAL Como escrevo pensando nos veículos de divulgação do meu país, peço atenção especial para essa cantora Lúcia Menezes. Não se trata de amizade entre mim e ela, mas de muita vontade de levar a todos os estados brasileiros a voz e a interpretação dessa moça, que oferece de cara uma grande vantagem: é uma cantora original. Ela é cearense e faz, com as suas gravações, uma espécie de ponte musical entre o Nordeste e o Sudeste, cantando o que encontra melhor e disponível nas duas regiões. No CD Lucinha, ela foi também a Brasília e recolheu duas preciosidades da mineira radicada no Distrito Federal, Ângela Brandão, o inédito Bola sete, que contou com Marcelo Lima como parceiro (“Eu sou seu feriado, seu dia de praia”, um verso de Bola sete), e Requebrado. Peço a atenção para a magnífica leitura de Lúcia Menezes dos dois sambas, ambos com aquele balanço que consagrou, por exemplo, Geraldo Pereira, em que a cantora parece 06

um Cyro Monteiro ou um Miltinho de saias, inteiramente à vontade para nos mostrar como é que se faz para interpretar um samba sincopado. Por falar em Geraldo Pereira, ele está presente no CD com uma das suas maravilhosas criações, Pisei no Despacho, além do fundamental Chico Buarque, que comparece com Injuriado. Não poderia faltar num disco de Lúcia Menezes, uma referência a Carmen Miranda, aqui presente com o samba Coração, do grande Sinval Silva. À vontade nos sambas e, sem dúvida, nas músicas nordestinas, como seria esperado de uma excelente cantora cearense. E caprichou muito na escolha do repertório nordestino, uma informação fácil de ser comprovada com a leitura dos nomes dos compositores: João Lyra, Joana Lyra (presentes com o inédito Sanfoneiro, toque), Tom Zé, Chico César, Luiz Gonzaga, Zé Dantas, Ednardo, Climério, Humberto Teixeira (com uma canção sobre os olhos de quem ama, velha fixa-


ção do grande Humberto, que, em Asa Branca, escreveu: “Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação”), Manezinho Araújo e Fernando Lobo. Que tal? E mais: na passagem da ponte musical do Nordeste para o Rio, ela, felizmente, lembrou-se de dar uma parada no Espírito Santo e recolher o blue Que Loucura, do saudoso Sérgio Sampaio. Para colorir todas essas belas canções, Lúcia Menezes cuidou de reunir um timaço de instrumentistas, entre eles dois craques em matéria de arranjo: Cristóvão Bastos e João Lyra. Produzido por José Milton e arranjos com a assinatura de Cristovão Bastos e João Lyra, Lucinha – assim carinhosamente batizado com o apelido desta cearense – é o terceiro CD de Lúcia Menezes e traz, mais uma vez, o mesmo time irretocável dos álbuns anteriores. Rodeada de grandes músicos e arranjadores, dos quais não abre mão, Lúcia vem acompanhada por Cristóvão Bastos (piano), João Lyra (violão), Adelson Vianna (sanfona), Jamil Joanes (baixo), Paulo Braga (bateria), Zé Leal (caixeta, tamborim, triângulo, ganzá e agogô), Rogério Caetano (violão 7), Alceu Maia (cavaco), Durval Ferreira (zabumba e pandeiro), Dirceu Leite (clarinete), Mingo Araújo (tambores e ferro) – e a participação mais que especial na guitarra de seu filho blueseiro Artur Menezes, que acabou de abrir os shows do Buddy Gay no Brasil.

CD Lucinha – Lúcia Menezes | Faixas: 14 Selo: Timbre Comunicações Preço médio: R$ 24,90

> MÚSICAS 1 – Bola Sete (Angela Brandão / Marcelo Lima) 2 – Sanfoneiro, toque (João Lyra / Joana Lyra) 3 – Coração (Sinval Silva) 4- O Amor é Velho – Menina (Tom Zé) 5 – Moer a Cana (Chico César) 6 – O Torrado (Luiz Gonzaga / Zé Dantas) 7 – Estaca Zero (Ednardo e Climério) 8 – Requebrado (Angela Brandão) 9 – Pisei num Despacho (Geraldo Pereira) 10 – Que Loucura (Sérgio Sampaio) – participação de Artur Menezes 11 – Casaca de Couro (Rui de Moraes e Silva) 12 – Injuriado (Chico Buarque) 13 – Dono dos Teus Olhos (Humberto Teixeira) 14- Vapô de Carangola (Manezinho Araújo / Fernando Lobo) > CONTATOS http://www.luciamenezes.com.br http://www.facebook.com/luciamenezes.cantora h t t p : / / w w w . y o u t u b e . c o m watch?v=O7F4OjhTk8w&feature=relmfu http://www.myspace.com/luciamenezes http://twitter.com/lucia_menezes

O repertório revela seu interesse pela busca de novos nomes e pelo resgate de importantes artistas da música brasileira. Lúcia juntou canções inéditas e outras antigas recém descobertas à aquelas de memória afetiva ou que sempre foram verdadeiras paixões. Sua voz é feliz; exala alegria. Sua forma particular de cantar e seu timbre próprio e especial – com personalidade e bem brasileiro – levam sua assinatura em todas as canções e preenchem este CD com sua identidade. Quase como uma criança descobrindo a música, com amor pelo seu ofício, Lúcia Menezes canta como quem borda um delicado tecido.

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PROTOCOLO DE KYOTO o que é, objetivos, ações, diminuição do aquecimento global, gases poluentes

> INTRODUÇÃO O Protocolo de Kyoto é um instrumento internacional, ratificado em 15 de março de 1998, que visa reduzir as emissões de gases poluentes. Estes são responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global. O Protocolo de Kyoto entrou oficialmente em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005, após ter sido discutido e negociado em 1997, na cidade de Kyoto (Japão).

> OBJETIVOS E INFORMAÇÕES No documento, há um cronograma em que os países são obrigados a reduzir, em 5,2%, a emissão de , entre os anos de 2008 e 2012 (primeira fase do acordo). Os gases citados no acordo são: dióxido de carbono, , óxido nitroso, hidrocarbonetos fluorados, hidrocarbonetos perfluorados e hexafluoreto de enxofre. Estes últimos três são eliminados principalmente por indústrias. A emissão destes poluentes deve ocorrer em vários setores econômicos e ambientais. Os países devem colaborar entre si para atingirem as metas. O protocolo sugere ações comuns como, por exemplo: - aumento no uso de fontes de energias limpas (, , e ); - proteção de florestas e outras áreas verdes; - otimização de sistemas de energia e transporte, visando o consumo racional; - diminuição das emissões de metano, presentes em sistemas de depósito de lixo orgânico. - definição de regras para a emissão dos (certificados emitidos quando há a redução da emissão de gases poluentes).

> EXPECTATIVAS Os especialistas em e esperam que o sucesso do Protocolo de Kyoto possa diminuir a temperatura global entre 1,5 e 5,8º C até o final do século XXI. Desta forma, o ser humano poderá evitar as catástrofes climáticas de alta intensidade que estão previstas para o futuro. 08


> BIBLIOGRAFIA INDICADA

O PROTOCOLO DE KYOTO E SEUS CRÉDITOS DE CARBONO AUTOR: SABBAG, BRUNO K. | EDITORA: LTR TEMAS: MEIO AMBIENTE, ECOLOGIA, AQUECIMENTO GLOBAL, DIREITO AMBIENTAL - PROTOCOLO DE KYOTO E OS MECANISMOS AUTOR: GRAU NETO, WERNER | EDITORA: FIUZA EDITORES TEMAS: GEOGRAFIA, MEIO AMBIENTE, ECOLOGIA - MERCADO DE CARBONO E PROTOCOLO DE KYOTO AUTOR: SISTER, GABRIEL | EDITORA: CAMPUS JURIDICO TEMAS: DIREITO AMBIENTAL

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| GERSON IPIRAJÁ

// FOTOSDIVULGAÇÃO

18 ANOS DE TRAGETÓRIA!

| POR: NAUER SPÍNDOLA Toda caminhada se faz através de passos, embora nas artes visuais a jornada seja iniciada por muitos, vemos após certo tempo que poucos persistem percorrendo e fazendo o seu caminho. Agora passados 18 anos desde que foi iniciado e incentivado por Zé Tarcisio, em Aracati, podemos ver o artista Gerson Ipirajá trilhar sem hesitação o caminho que escolheu para si. Essa persistência talvez encontre em sua genealogia histórica, um fator determinante; pois sua mãe Terezinha Ipirajá durante muitos anos exerceu o oficio de pintura de retratos no Ateliê de Fotografia de Antonio Ipirajá, patriarca da família, tendo também enveredado pelo mundo da moda onde fez promissora carreira. O resultado desta jornada percorrida até agora; podemos ver no conjunto de sua obra; entre desenhos, gravuras e pinturas. Uma síntese do trabalho de Gerson Ipirajá nesses 18 anos. Através do uso do nankin, do pastel, do acrílico, da aquarela, e das técnicas calcograficas, Gerson Ipirajá 10

ARTISTA VISUAL

construiu uma simbologia que precisa atenção e paciência para ser compreendida. Sendo estes signos uma espécie de escrita com forte carga referencial às culturas negras e indígenas, de uma forma muito singular e bem elaborada, sem rupturas de coerência estética, evoluindo para um desdobramento dos trabalhos iniciais, que constituiu de grafismos elementares. A sua ligação atávica com as culturas ancestrais, possibilitam uma releitura de elementos ritualísticos de trabalho e até mesmo de batalha, que muitas vezes surgem como se fossem armas ou emblemas. Em suas obras em gravura, muitas vezes fazendo o uso da cor acentuou-se essa sua ancestralidade. Tendo alcançado um grau de expressividade singular na série de gravuras que teve importante reconhecimento na “VI Triennial International Of Graphic Art- Bitola/Republica da Macedônia, sendo adquiridas pelo National Art Institute And


Museum Of Bitola, possibilitando desta forma o convite para participar da “XVI International Print Biennial -Varna/Bulgaria e recebendo menção honrosa na”IX International Contemporary Engraving Biennial Exhibition -Ploiest/ Romênia,dentre outras mostras internacionais de gravura que vem participando nos últimos anos. Mas o reconhecimento alcançado não pode fazer o artista parar. sendo assim,em vez de uma acomodação , encontro Ipirajá dedicando-se ao pastel seco,aquarela e acrílica.onde os símbolos mantém uma continuidade e, hora apresentando uma leve passagem de cor como se estivessem se desmaterializando o que nos leva a pensar numa transição do seu trabalho, hora se avolumando na expressividade do acrílico sobre o canvas. Por enquanto apreciemos o melhor da produção de Gerson Ipirajá até o presente momento e fiquemos aguardando os desdobramentos que estão ocorrendo em sua obra.e que seja longa a sua caminhada.

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// DIVULGAÇÃO

“Misteriosamente as ruas transmitem amores”

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BANDA |

SÁTIROS Por TALLES LUCENA:

Já se vão alguns anos desde o lançamento do seu 1º Demo chamado “Quase sozinho” em 2007. De lá pra cá, os Sátiros já experimentaram diversos sons, ritmos e formações. O grupo atual é formado pelos fundadores da banda, o baterista (que já fora baixista) Álvaro Abreu; o vocalista, guitarrista e compositor Ravel Holanda e o mais novo integrante: Jonas Monte no baixo.

Todo o trabalho de gravação do “Misteriosamente…” foi feito no estúdio do Panela Rock, ao longo de 2011. Dirigido por Pablo Huascar, o disco tem a assinatura da própria banda, que conduziu a produção do mesmo em todas as etapas. A finalização (mixagem e masterização) foi feita pelo músico e produtor Gustavo Portela.

O powertrio apresenta influências que vão desde o rock brasileiro dos anos 70, do “Pessoal do Ceará”, The Beatles, até bandas atuais como Kings of Leon e Cachorro Grande, com melodias cativantes e letras que possuem um enfoque poético, falando sobre experiências, impressões do mundo e amores que se vive e se sente.

“Até o Sol” é a música que abre o disco. Seu refrão, com uma combinação estranha de acordes, remete muito ao que se fazia no rock brasileiro dos anos 70. A música apresenta, também, um trabalho discreto de teclados, executados por Ravel, que demonstra um novo rumo da banda em suas composições. Essa tendência acaba se revelando ao longo de todo o disco.

E são esses amores que motivam o título do primeiro disco cheio do grupo, chamado “Misteriosamente As Ruas Transmitem Amores” (Panela Rock / Brechó Discos – 2012). O trabalho é fruto da vivência musical adquirida pela banda nesses anos. De longe, o mais maduro e bem produzido disco do grupo.

Desde a escolha de timbres, passando pelas letras e construção de arranjos, o disco mostra uma banda muito mais madura se comparado ao último EP “Natureza Noturna”, de 2009. Faixas como “Um lugar”, “Vestido Azul”, “Gosto Muito”, e as excelentes “Devaneios”, “Caio na Noite” e “Não vou mentir” (esta última, uma


“MISTERIOSAMENTE AS RUAS TRANSMITEM AMORES”

CANÇÕES regravação do single lançado em 2010 pelo Panela Rock) já colocam os Sátiros na condição de um dos grupos mais férteis da cidade. Isso ficou provado durante os shows da tour MOVACE, em que o trio (mesmo sem poder contar com o disco em 80u da viagem, por conta de problemas na finalização) não se abateu e conquistou vários fãs ao longo de todo o trajeto. Ser três, mas soar como mais. Isso é um dos grandes desafios de se ter uma banda em formação de trio. Se você consegue encontrar as três “pernas” corretas, conseguirá manter um bom nível musical; convincente. Os Sátiros pertencem a esse universo. A complexidade das composições de Ravel não fica comprometida por uma possível fragilidade de execução. A entrada de Jonas no contrabaixo foi uma das melhores novidades do grupo nos últimos tempos. Mesmo sem contribuir incisivamente nas composições, o cara é perfeito pra cozinha do grupo.  As linhas de baixo foram criadas e tocadas, em sua maioria, por Álvaro, quem costumava ser o baixista da formação antiga da banda. Há também no disco a participação de Gustavo Portela no baixo da música “Por Alguém que Já se Foi”. Ouvir o “Misteriosamente As Ruas Transmitem Amores” é passear pelas obras dos Beatles, Police, Alceu Valença, Zé Ramalho, dentre outras grandes referências, bem digeridas pela sensibilidade de Ravel Holanda, compositor da banda. Ele não cai na armadilha dos minimalismos (tão comuns hoje em dia) de apenas apresentar frases de efeito e textos fúteis. A poesia é forte e casa perfeitamente com um trabalho de guitarra calcado na formação de acordes mais complexos, até fora do lugarcomum do rock moderno. Daí, surgem verdadeiras canções originais, sem recortes superficiais, influências bem digeridas em nome de uma nova música.

ATÉ O SOL – Psicodelia pop na abertura, apresentando uma camada de teclado simulando um Fender Rhodes. Música pop, meio termo entre o complexo e o frívolo, que é a tônica do disco. UM LUGAR – O refrão é uma prova da releitura de atalhos dos Beatles. No Brasil, o Cachorro Grande segue a mesma tendência. Devaneios – Uma das melhores do disco. Balada pop com os pés fincados no passado da música brasileira, não necessariamente rock. Ouve-se claramente “A cor do som” e “Alceu Valença” nos degraus do refrão. CAIO NA NOITE – Rock cru, com uma letra que parece negar a subjetividade amorosa das que passaram, notoriamente “Devaneios”. Trabalho de baixo e solo que remetem muito ao The Police. Única música do EP “Natureza Noturna” a ser regravada. VESTIDO AZUL – A música que mais remete ao passado da banda. Bem dançante, saindo um pouco da linha mais rock que marca a nova fase da banda. GOSTO MUITO – Mais uma balada do disco. Letra existencialista transportada por um trabalho de guitarra bem “viajadão”. NÃO VOU MENTIR – Música lançada originalmente em 2010, aqui regravada para ficar mais próxima da qualidade das demais. Também aparece como clipe oficial no DVD “5 anos de Panela Discos”. Uma canção Jovem-Guarda mais nervosa. SEM SABER DE MIM – Cozinha bem trabalhada, referências à Niesztche e guitarra com cromatismos bem hard anos 70. POR ALGUÉM QUE JÁ SE FOI – Uma das mais legais de se ouvir ao vivo. Balada que realça o trabalho de voz de Ravel, que alcança um tom bem alto em determinado momento da música. Ravel tem uma característica bem interessante em sua voz: ele sempre parece estar caindo para a desafinação, mas não o faz. Assim, acaba criando algo bem singular, algo parecido com o que o Kings of Leon tem. CACHEADO DOS CABELOS – Uma escala de guitarra que soa como algo bem nordestino, como baião mesmo, acaba por enganar o ouvinte, pois a partir daí surge um rock bem definido e com diversos caminhos para se trilhar.

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APOIO:


FEITO arte

ENQUANTO ISSO...

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Revista Canto da Iracema - Edição julho 2012