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criando filhos melhores para o mundo

ESPECIAL FÉRIAS

Meta para 2018:

que tal colocar

jan 2018 | nº 9 | São Paulo

Ingrid Guimarães

fala sobre seu lado mãe

ORDEM NA CASA?

NA VIDA E NA TELONA

Estrabismo

Masha e o Urso:

é muito mais que

diretor de estúdio russo

QUESTÃO ESTÉTICA

EXPLICA SUCESSO MUNDIAL

Brinquem, crianças Brincadeiras ajudam no desenvolvimento global dos pequenos e até curam doenças + veja as atividades ideais para cada faixa etária + como você pode se divertir junto


4nesta edição

seções Primeiras palavras Nossos leitores www.canguruonline.com.br Eles dizem cada coisa Missão Instagram Comprinhas Mundo Kids Moda, por Roberta Paes Corrente do bem Canguru viu e curtiu Passeios Kids, por Cá e Tatê Padecendo no Paraíso, por Bebel Soares Viagens, modo de usar, por Luís Giffoni

[1]

Bom para a saúde: brincar ao ar livre é fundamental para o desenvolvimento global dos pequenos e deve ser incentivado pelos pais

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[2]

Para ler com seu filho, por Leo Cunha Artigo, por Cris Kerr Artigo, por Pedro Monteleone Crônica, por Cris Guerra

Reportagens 22

Entrevista | Estrela do filme Fala Sério, Mãe!, Ingrid Guimarães fala sobre maternidade na vida e na telona

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Entretenimento | Diretor do estúdio russo responsável pela criação de Masha e o Urso explica sucesso do cartoon, que já foi visto 28,8 bilhões de vezes por crianças e adultos em mais de cem países

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Férias | Tão importante quanto comer ou dormir bem, brincar ajuda no desenvolvimento das crianças em geral e passou a ser prescrito por pediatras

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Saúde | Considerado uma doença, o estrabismo pode causar perda parcial da visão e deve ser tratado ainda na infância

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Ideias | Famílias organizadas são mais harmoniosas, e as crianças podem ser beneficiadas até nos estudos

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Inclusão | Conheça a loja em São Paulo que criou bonecas em que todas as crianças podem se reconhecer

Mãe dentro e fora da tela: Ingrid Guimarães dá entrevista exclusiva à revista Canguru

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[3]

Mais que estética: estrabismo é doença e deve ser tratada na primeira infância

Nossa capa Martim, 3 anos, é filho de Verônica Fraidenraich e Sávio Carneiro. FOTO: NIDIN SANCHES

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FOTOS: [1]DANIEL MELLO; [2] PAPRICA FOTOGRAFIA; [3] DEPOSITPHOTOS

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DIRETOR EDITORIAL: Eduardo Ferrari DIRETORA DE PROJETOS ESPECIAIS: Ivana Moreira

A Canguru é uma publicação mensal da Scrittore Comunicação e Editora Ltda. CNPJ 12243254/0001-10

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ESPECIAL FÉRIAS: DISTRIBUIÇÃO GRATUITA PARA PARCEIROS E COLÔNIAS DE FÉRIAS. Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião da revista e de seus responsáveis. Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião da revista e de seus responsáveis.

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FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4primeiras palavras

Por um 2018 mais brincante CRIANÇA PRECISA BRINCAR. Parece óbvio, mas não é. Os pequenos estão brincando pouco. Muitos pais parecem não saber que brincar é fundamental para o desenvolvimento físico, psíquico e emocional dos pequenos. É disso que se trata a reportagem de capa do mês, assinada pela editora Cristina Moreno de Castro. Nossa Kika tem um filho de 2 anos e anda atenta a essa discussão não só como jornalista. O que ela aprendeu na apuração desta matéria é que, quando a maioria das pessoas acha que o fofíssimo Luiz não “está fazendo nada”, na verdade, ele está fazendo muuuita coisa. Brincar mais com meus filhos. Esta é uma das minhas metas para 2018. Em dezembro, fiz aquela clássica avaliação do ano e concluí que, sem perceber, tinha sido a maior parte do tempo só a “mãe chata”. Aquela que manda escovar os dentes, confere as orelhas, reclama do comportamento, dos modos... Nas palavras de uma psicóloga com quem conversei, perdi a “conexão emocional” com meus dois meninos. Ficou tão chato para mim quanto para eles – e não pode. A relação entre pais e filhos não pode ser só “um saco”. É preciso brincar mais em família. Mesmo que eles já tenham 9 e 13 anos de idade. Porque eles aprendem muito sobre mim quando nos divertirmos juntos. E eu aprendo muito, muito sobre eles. Sabe o que nos dei de presente no Natal? Just Dance, um game para PS4. Pensei: o que pode divertir tanto a mim quanto aos meus filhos? O que o Pedro e o Gabriel mais gostam nessa vida é de videogame. Mas eles também adoram ouvir música juntos. Já eu não entendo nada de eletrônicos e mal sei quais são as bandas que fazem sucesso hoje em dia. Mas se tem uma coisa de que gosto nesta vida é dançar. Matou a charada? Just Dance é um game de dança. O objetivo é ver quem pontua melhor imitando a coreografia que aparece no vídeo – até quatro competidores podem participar de cada rodada. Virou a atração da casa. Não só eu e os meninos entramos na dança. O pai, as tias, os tios e os primos se divertiram até – crianças e adultos na mesma sala, dando gargalhadas ao som de sucessos do passado e da atualidade. E o melhor: ainda queimamos boas calorias. A coisa exige mais que academia! E quem não se arriscou nos passos deu boas gargalhadas vendo os outros dançarem. Para vocês que, como eu, estão tentando criar filhos melhores para o mundo, meu melhor desejo de ano novo é este: brinquem muito com seus pequenos. Vai fazer muito bem a eles. E mais ainda a vocês.

Ivana e os filhos Pedro e Gabriel

Ivana Moreira, DIRETORA DE CONTEÚDO ivana@canguruonline.com.br

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Canguru Revista pra quem não quer perder tempo com excesso de informações, mas se preocupa em estar sempre a par do que é importante na criação dos filhos, como a Canguru, são poucas no mundo! — Priscila Peres Horta Bezerra Quero expressar minha admiração pela revista e por sua proposta. Canguru agrega muito valor e conhecimento aos pais. — Nayara Costa Silveira Trancoso, de Belo Horizonte

Novas blogueiras Parabéns à revista Canguru por reforçar o time de blogueiros com esta excelente profissional que é Iara Mastine. Com seu apoio, minha família se tornou mais harmoniosa, e conseguimos nos conectar cada vez mais no dia a dia. — Katharine Gomes Espinosa, de São Paulo Que honra fazer parte desta revista tão importante para o futuro das nossas crianças! E vamos todos juntos aprender que a brincadeira só depende de uma atitude brincante! De querer falar as cores dos carros em vez de reclamar do trânsito. De dar uma volta no quarteirão e procurar formigas enquanto chega a hora do jantar, de entender que é mesmo “melhor ser alegre do que ser triste”! — Laura e Priscila, blogueiras do Entre Batons e Crayons

O velhinho sempre vem? Papai Noel sempre vem aqui em casa, mas negociado. "Mãe, neste ano vou pedir pro Papai Noel um videogame, sete Legos e um cachorro". “Olha, filho, acho que o Papai Noel talvez consiga trazer um Lego daquele maior, de 200 peças, igual ao do ano passado, sabe?". "Tá bom, gosto dele". Já minha filha mais velha acabou de dar o xeque-mate: "Mãe, se o Papai Noel trouxer os presentes com ESTE PAPEL DE PRESENTE que você acabou de comprar, vou desconfiar que tem algo errado". — Flavia Vianna, de Belo Horizonte

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Aqui em casa o Papai Noel passou nesta noite e, pela manhã, recolheu a carta e deixou algumas balinhas. Não tem coisa melhor do que ver a carinha de felicidade das crianças. Agora é esperar o bom velhinho voltar. — Christian Aparecida Lopes, de Belo Horizonte Na minha casa já expliquei que o Papai Noel não vem, mas familiares e escola insistem que sim! O que fazer? — Alice Pontes, que mora em São José da Lapa (MG) Aqui em casa o Papai Noel passa, sim, e mais cedo: no dia 24, durante o dia. É que ele sempre passa para os meninos obedientes primeiro (risos). A ideia é curtirmos mais tempo a chegada do Papai Noel antes de encontrar toda a família. E ele sempre apronta alguma: rouba um pedaço de bolo ou liga a árvore de Natal. Respeito quem não gosta, mas, aqui em casa, a gente ama o bom velhinho!! Fazemos até lanche para ele e para as renas. — Valdineia Rodrigues, de Belo Horizonte

FALE COM A CANGURU Entre em contato pelo e-mail redacao@canguruonline.com.br ou deixe um comentário em nossas redes sociais.

Enquete Canguru Qual é o seu autor favorito para ler com os filhos? Anote alguns nomes citados pelos nossos leitores: » Ana Maria Machado » Duda Machado » Eva Furnari » Hans Christian Andersen » Ilan Brenman » Ingrid Biesemeyer Bellinghausen » Jonas Ribeiro » Leo Cunha » Marismar Borém » Monteiro Lobato » Ronald Dahl » Ruth Rocha

 mais citada pelos leitores!

» Sylvia Orthof » Todd Parr

Fique de olho em nossas novas enquetes!

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Elas são sempre divulgadas em nossa página do Facebook: www.facebook.com/canguruonline


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Novidade

Site vai abrir espaço para tratar da adolescência A partir deste mês, o site da Canguru vai abrigar uma nova blogueira, Jacqueline Vilela, da Parent Coaching Brasil. Ela vai tratar do universo da adolescência, para pais que têm filhos mais velho ou para aqueles que já se preocupam com o futuro dos pimpolhos. Jacqueline é master coach, com certificação internacional em treinamento para pais e fundadora da Parent Coaching Brasil, empresa pioneira em certificar e formar profissionais em treinamento para pais, teen

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coaching e capacitação escolar e em grupo. Apaixonada por esse universo, ela produz materiais exclusivos para adolescentes, leva o aconselhamento vocacional para as escolas e fundou o primeiro curso on-line para pais de adolescentes. “Acredito que é na reaproximação com os pais que os filhos adolescentes conseguirão florescer para a vida”, ela diz. Acompanhe quinzenalmente, às quartas-feiras, em www.canguruonline.com.br.

NA BANDNEWS FM, às terças

e sextas-feiras, às 13h40, com reprise às 16h17, e também aos sábados e domingos, ouça a coluna de Ivana Moreira, diretora de conteúdo da Canguru. Ouça as gravações em www.canguruonline.com.br/radio.


apresenta

Segurança, autonomia e cuidado para toda a família Pulseiras de acompanhamento já são forte tendência para todas as idades ACOMPANHAR SUA SAÚDE em tempo real, compartilhar dados com alguém de confiança, chamar ajuda quando necessário e guardar uma série histórica dos seus dados de comportamento são ótimas ferramentas para o entendimento do corpo. Para o público sênior, as pulseiras de monitoramento são geralmente utilizadas com o objetivo de segurança, cuidado à distância e autoconhecimento. Os resultados positivos da utilização dessa tecnologia no Brasil e no mundo já são comprovados. Algumas funcionalidades dessa tecnologia, como o GPS, o sensor de quedas e o monitoramento de dados biomédicos, podem ser muito interessantes para um público que também necessita de um cuidado muito mais de perto: as crianças. Convidamos duas usuárias da pulseira LinCare para compartilhar suas experiências e entender como elas enxergam a utilização dessa tecnologia por pessoas de outras idades:

FOTO: DIVULGAÇÃO

A aposentada MARIA DE LOURDES, 68, conhecida por todos com “dona Dilu”, utiliza a pulseira LinCare há oito meses e diz que, desde então, passou a se sentir muito segura e com mais autonomia: “Eu posso ir para qualquer lugar, porque estou sempre sendo monitorada, e isso me ajuda muito. Um adolescente ou uma criança com um tipo de relógio como esse deixaria os familiares mais tranquilos. Na verdade, eu acho que seria bom para qualquer idade, pois cuidado nunca é demais”. A escritora NEUZA CARMO (foto), 83, diz que a pulseira trouxe segurança e um entusiasmo muito grande: “Observei que eu andava muito pouco, e comecei a mudar os meus hábitos. Gosto de verificar na pulseira a minha pressão arterial, de ver quantos passos eu andei, se eu andei direito, e vigio também minhas horas de sono. Existem muitos filhos preocupados com pais que moram sozinhos, e acho que, para essas pessoas, esse produto será muito importante, trazendo mais liberdade e segurança”.

A sensação de ter ajuda sempre por perto aliada ao conhecimento do corpo pode trazer benefícios físicos e psicológicos para pais, filhos e netos. No caso específico da infância, é importante deixar as crianças livres para brincar e aproveitar essa fase tão importante da vida, mas sem abrir mão do cuidado e da segurança. E vocês, ficariam mais tranquilos com seus filhos utilizando a LinCare?

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POR Cristina

Moreno de Castro

eu te Mamãe , amo que mais mil c hoc bran olates cos!

ÁLVARO, 5 anos, filho de Andréia Gomes Barbosa e Emerson Barbosa.

ISABELA, de 6 anos, filha de Elisa Dal-Cere e Mário Dal-Cere

Os três reis MAGROS para levaram presentes Jesus!

Deveria ser ‘seja rico ou seja pobre o idoso sempre vem’, porque é um desrespeito chamar o Papai Noel de ‘velhinho’.

Pap vai c ai Noel n on ão os pr seguir co locar esen daqu t ela á es debaix rvo o pequ enini re de Na tal nha da vo vó.

GABRIEL, de 6 anos, filho de Fabiana Silva Nascimento e Marcus Vinicius Bezerra do Nascimento. ALICE, de 4 anos, filha de Adriane Nascimento de Brito e Daniel Moraes de Brito. FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Mãe, tô achando que você tá precisando de uma fada madrinha, viu?

VALENTINA, de 3 anos, filha de Giovanna Teixeira Bawden e Mario Teixeira Bawden.

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Se seu filho também diz pérolas, envie a frase para o e-mail redacao@canguruonline.com.br.


@antoniormnascimento Belo Horizonte / MG

Que bom ver as crianças com a mão na massa! Apareceram muitos minichefs de cozinha na missão deste mês, veja só.

@michelleolivamara Betim / MG

Rodrigo, de 6 anos, gosta muito de cozinhar. Vimos fotos dele fazendo biscoito, bolo e pastéis.

@vilmazanon Belo Horizonte / MG

Giovanna, de 8 anos, fazendo musse de maracujá com o Menino Maluquinho.

Fernando, de 9 anos, adora ir para a cozinha e é “ótimo cozinheiro”, segundo a mãe-coruja, que faz vídeos do filhote. FOTOS: REPRODUÇÃO INSTAGRAM

Próxima missão: Minha querida ‘dinda’ Fotografe seu filho abraçando a madrinha com todo carinho. Esta missão é uma homenagem às “dindas”, que são escolhidas a dedo pelos pais e pelas mães para paparicar e inspirar as crianças, não é mesmo? Poste a foto em sua conta no Instagram com a hashtag #canguruonline. A foto pode sair na próxima revista Canguru e em nossas redes sociais.

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EDIÇÃO Cristina

Moreno de Castro

Pra curtir a praia Janeiro é mês de praia, né? Até para quem mora longe do mar... Então bora preparar os brinquedos para deixar o passeio ainda mais divertido para os pequenos! KIT COMPLETO Vem com bola, prancha e boia

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

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POR Rafaela

Matias e Juliana Sodré

47 mil

é o número de crianças brasileiras que VIVEM EM ABRIGOS E ESTÃO AGUARDANDO ADOÇÃO, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA)

FOTOS: [1][2] DEPOSITPHOTOS; [3] ARQUIVO PESSOAL; ILUSTRAÇÕES: FREEPIK

Precisa mesmo de antibióticos? APESAR DA ABUNDÂNCIA de informações sobre os riscos causados pelo excesso de antibióticos, um texto publicado pela revista científica Pediatrics alerta para o alto índice de médicos que ainda prescrevem os remédios desnecessariamente. Pelo menos 30% de todos os antibióticos prescritos nos ambulatórios dos Estados Unidos são [1] considerados desnecessários, de acordo com a publicação. Essa estimativa aumenta para 50% para infecções do trato respiratório, que coletivamente são responsáveis pelo maior número de prescrições de antibióticos em geral. O problema prejudica não só os pacientes, com efeitos colaterais, custos desnecessários e complicações graves, mas também a comunidade global, já que contribui para a disseminação de infecções resistentes.

Cuidados no troninho Você já ouviu falar em dermatite do vaso sanitário? Pois bem, ela existe e é mais frequente do que se imagina. Muito comum no passado, a doença era considerada uma reação alérgica causada pelo contato com vernizes e tintas presentes nos vasos de madeira. O problema é que ela reapareceu recentemente, provavelmente por causa dos produtos de limpeza utilizados para a higienização dos assentos de plástico ou devido à reutilização de assentos de madeira. De acordo com a dermatologista Amanda Cohn Serra, o problema é mais recorrente entre as crianças por volta dos 3 anos e afeta principalmente as meninas. Coceira, vermelhidão e descamação nos locais de contato são alguns dos sintomas na fase aguda da doença. Se não diagnosticada a tempo, a dermatite pode causar grande desconforto, feridas e infecção. Para evitar o problema, basta:

» Utilizar assentos de plástico; » Higienizar os assentos com

produtos não irritantes para a pele, como o álcool; » Utilizar protetores de assento em banheiros públicos; » Procurar um dermatologista se notar qualquer sinal da doença.

Cozinhar? Só com amor Pais estressados estão menos propensos a preparar jantares caseiros e nutritivos. É o que aponta um estudo publicado em novembro pela Academia Americana de Pediatria. Os resultados da pesquisa mostraram ainda que a pressão e as restrições que os pais colocam na alimentação podem desempenhar um papel importante no peso da criança. Segundo os autores, as descobertas podem ajudar

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a identificar famílias com menos inclinação para oferecer refeições nutritivas e adaptar as intervenções, além de educar os pais sobre o impacto do estresse.

[2]


Contando carneirinhos Quantas horas seu filho precisa dormir e como deve ser o sono dele para garantir o descanso ideal? Os dados abaixo, fornecidos pelo Grupo de Estudos do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria, mostram exatamente como deve ser o descanso em cada idade:

RECÉM-NASCIDOS (até 30 dias de vida):

De 16 a 20 horas, em média, por dia – ciclos de sono de uma a quatro horas de duração, intercalados por período de vigília de uma a duas horas, seja de dia ou de noite; LACTENTES (de 1 a 12 meses):

De 14 a 15 horas, caindo para de 13 a 14 horas em torno do sexto mês — ciclos noturnos de sono começam a ficar mais longos que os diurnos entre 6 semanas e 3 meses; após os 6 meses, são comuns duas sestas diurnas por dia, de duas a quatro horas; DE 1 A 3 ANOS:

12 horas — sono noturno consolidado e uma sesta por dia (de uma hora e meia a três horas e meia); DE 3 A 6 ANOS:

De 11 a 12 horas — redução das sestas diurnas, que param de ocorrer em torno dos 4 ou 5 anos; DE 6 A 12 ANOS:

De dez a 11 horas — o sono noturno começa a ficar diferente nos dias de semana e nos fins de semana; ADOLESCENTES:

O ideal é ter nove horas de sono, mas o mais comum é haver esquema irregular de horários e apenas sete horas de sono por dia.

eu já fui

criança Renato Aragão ANTÔNIO RENATO ARAGÃO, o Didi, nasceu na cidade de Sobral, no interior do Ceará, no dia 13 de janeiro de 1935. Portanto, completa 83 anos neste mês. Além de ator e comediante, Renato é produtor, [3] dublador e escritor e ganhou notoriedade por liderar a série televisiva Os Trapalhões nas décadas de 70 e 80. Formado em direito e também oficial do Exército, sobreviveu a um acidente de avião em 1958, quando tinha 23 anos. Trabalhou na TV Ceará, na TV Tupi, na TV Excelsior e na TV Globo, da qual atualmente faz parte. Participou de inúmeras peças de teatro e filmes no cinema. Em 1991, tornou-se embaixador da Unicef em prol da infância brasileira. Pai de cinco filhos, atualmente é casado com a mãe da caçula Lívian, a fotógrafa Lílian Taranto. Religioso, escalou o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, para beijar sua mão e foi a pé de São Paulo a Aparecida com uma imagem da padroeira brasileira nas mãos. No mês passado, Aragão lançou sua biografia, Renato Aragão: Do Ceará para o Coração do Brasil, escrita pelo roteirista Rodrigo Fonseca. O depoimento fica como sugestão para conhecermos um pouco mais da infância e da trajetória de vida do humorista.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, modificado de Mindell JA, Owens J. A Clinical Guide to Pediatric Sleep. Editora Lippincott, Williams & Wilkins, 2003.

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4moda

Splash!!! Tem como não ficar na água nas férias? Não! Por isso algumas peças infantis de praia já têm sido feitas com proteção solar. Para meninas, além dos babadinhos superfofos, peças como maiô ou top cropped de manga longa ajudam a mantêlas protegidas do sol intenso. Para os meninos, o sungão liso ou estampado e a blusa de surfe são essenciais para o verão.

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PEQUENA SEREIA Puro charme, Maria Isabel Lorenzi Claudino, de 3 anos, veste este biquíni em conjunto com saia de praia superestilosa.

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FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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Agora dá para nadar igual às sereias com este kit da L’été. Vem com o biquíni, a cauda e a nadadeira com sapatinho de neoprene. Um luxo!!

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Sim, também no sungão podemos usar estampa floral tropical! Este da Puc está lindo nos tons azuis.

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Biquíni com parte de cima toda de babadinho, alças cruzadas e estampa de flores e caju. Tão verão!!!

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Nada melhor do que um boné para se proteger do sol escaldante. Este da Reserva Mini todo estampado arrasou!

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Sungão com listras azuis da Richards Kids, inspiração náutica com âncora e escrito laranja no cordão!! Show!!

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POR Luciana

Ackermann

Sem muros REFUGIADOS E IMIGRANTES da Venezuela, da República Democrática do Congo, do Haiti, da Nigéria, da Síria e de Cuba dão aulas de idiomas como uma forma de geração de emprego e renda. Eles fazem parte do projeto Abraço Cultural, criado em 2015, presente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com material didático e [1] método de ensino próprios, o projeto oferece aulas regulares de francês, inglês, espanhol e árabe. Além dos idiomas, o Abraço Cultural propicia a troca de experiências culturais com os professores de diferentes origens, que trazem histórias da terra deles, músicas, filmes, culinária, arte, política e festas típicas. O Abraço Cultural foi organizado pela plataforma Atados – Juntando Gente Boa e conta com uma equipe de voluntários de áreas multidisciplinares: pedagogos, administradores e comunicadores, entre outros profissionais. Saiba mais em www.abracocultural.com.br.

A hora da estrela Criado em 2014, o “Projeto Estrelinha, clicando felicidade” visa a incluir crianças com qualquer tipo de deficiência por meio da fotografia. Setenta fotógrafos participam como voluntários oferecendo um ensaio caprichado às famílias com crianças especiais. A ideia é ajudar a melhorar na autoestima, trazer alegria, além de também ser um coadjuvante no processo de tratamento de alguns distúrbios de socialização, abrindo uma janela para o mundo. “O nome Estrelinha veio da necessidade de ver esses pequenos brilharem, cada vez mais, na internet e na vida! Usamos nosso conhecimento e trabalho como uma forma de contribuir para inclusão dessas estrelinhas”, explica Vera Assaf, fotógrafa voluntária, que tem dois filhos especiais. No site www.projetoestrelinha.com.br é possível selecionar um dos fotógrafos em diferentes cidades do país para agendar o ensaio, sem qualquer custo para família. “Doamos nosso trabalho e entregamos as fotos editadas on-line, como se fosse um cliente nos pagando, sem qualquer distinção. É um projeto encantador, que nos faz crescer como pessoa. São tantas discriminações que as famílias passam ao longo da vida, e o projeto resgata a autoestima delas, que se veem incluídas. É muito gratificante mesmo”, completa Vera, que, entre outros registros, fez o ensaio de Rafael, de 4 anos, com síndrome de Alexander infantil.

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FOTOS: [1] VICTOR CURI; [2] VERA ASSAF

[2]


EDIÇÃO Camila

Capone

O QUE ESTÁ ROLANDO DE ÚTIL, DIVERTIDO OU CURIOSO NA WEB E NAS REDES SOCIAIS

Beat it, baby! Um pai, um bebê e um hit do Michael Jackson. No que dá essa mistura? Descubra usando nosso QR Code Canguru ou pelo link bit.ly/beatitbaby.

Diva cacheada SAI, RECALQUE! PARTIU moda! Esta pequena cacheada dá o seu recado: “Eu gosto do meu cabelo cacheado”. Assista a esta pequena diva usando nosso QR Code Canguru ou pelo link bit.ly/divacacheada.

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Pequenos coreógrafos Pula! Gira! Corre para a parede! As crianças são as coreógrafas e inventam danças sensacionais para os adultos neste vídeo superdivertido. Assista usando nosso QR Code Canguru ou pelo endereço bit.ly/pequenoscoreografos e treine em casa esses movimentos!

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IMAGENS: [1] REPRODUÇÃO FACEBOOK/ TATIANE LIMA; [2] REPRODUÇÃO/ FACEBOOK VT; [3] REPRODUÇÃO /FACEBOOK MINHA VIDA

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4Entrevista

Atriz e roteirista: Ingrid GuimarĂŁes estrela novo filme, interpretando mĂŁe superprotetora e batalhadora

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Maternidade maravilhosa,

mas real

Estrela do filme Fala Sério, Mãe!, Ingrid Guimarães se inspirou em sua própria experiência com a maternidade para compor a personagem; leia a entrevista exclusiva da atriz à Canguru

FOTO: JORGE BISPO

POR Rafaela

Matias

ELA É A atriz brasileira mais vista nos cinemas do país neste século e a terceira da história, atrás apenas de Xuxa e Sonia Braga. Na tevê, faz tanto sucesso que a sua última personagem – Elvira, da novela Novo Mundo, exibida pela TV Globo entre março e setembro de 2017 – teve a morte cancelada a pedido do público. Nos teatros, também garante bilheterias esgotadas e muito riso. Em meio a tantas realizações profissionais, a atriz Ingrid Guimarães também tem outro (relativamente novo) pilar importante em sua vida: a maternidade. Mãe da pequena Clara, de 8 anos, fruto de seu relacionamento com o publicitário Renê Machado, Ingrid acaba de estrear um novo filme que vai ao encontro de seu momento. Fala Sério, Mãe! conta a história de Ângela Cristina (Ingrid Guimarães), uma jornalista que precisa se desdobrar para cuidar dos filhos, especialmente a mais velha, Malu (Larissa Manoela). Baseado no livro homônimo da escritora Thalita Rebouças, o longa ganhou trechos próprios, que refletem um pouco das experiências de Ingrid como mãe. “Como também atuei como roteirista do fil-

me, quis incluir coisas novas e que acho importantes de serem faladas, como as dificuldades da amamentação”, conta. Leia a entrevista completa e exclusiva que a atriz deu à revista Canguru. Canguru – Como mãe, o que você tem da Ângela Cristina e no que você se considera bem diferente dela?

Ingrid Guimarães – Tenho várias coisas dela. Principalmente essa preocupação excessiva que toda mãe tem, esse exagero de achar que o filho é um neném e não perceber que ele já cresceu. Mas também temos uma grande diferença: a Ângela tem uma coisa um pouco maluca de querer se meter nos gostos da filha e tem muita dificuldade para manter um diálogo aberto. Ela fica tão preocupada e histérica que acaba afastando um pouco a Malu, fazendo com que ela prefira contar as coisas primeiro para o pai, porque sabe que a mãe vai dar algum escândalo. Tento ao máximo ser amiga da minha filha para que ela possa falar tudo para mim. Nós duas, 4

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eu e a Ângela, somos superprotetoras, até porque tenho uma filha única. Meu marido até fala que mimo a Clara demais, mas tento ao máximo incentivá-la para que ela se vire sozinha nas coisas. Mas não consigo fazer isso muito bem, porque eu trabalho muito e, quando volto, quero dar tudo de bom, acabo tratando igual a uma bebezinha. No filme, a sua filha se recorda de alguns momentos simples e marcantes da infância. Que momentos você acha que a Clara vai se lembrar com carinho quando for adolescente?

Acho que ela vai se lembrar das vezes em que eu a levei ao teatro comigo, deixei-a na coxia, ela já entrou no palco algumas vezes. Procuro levá-la para o meu trabalho para que ela possa ver o que eu faço, e, por isso, ela já viajou muito comigo, já foi a turnês de teatro, conheceu quase todos os Estados do Brasil. Desde bebê, sempre tinha um bercinho em todos os lugares para onde eu ia. Acho que ela vai se lembrar muito disso, de tão novinha já ter conhecido o país inteiro. E também das coisas que a gente faz juntas, só nós duas, e amamos. Viajar, dançar, desenhar, ir à praia, andar de patins, cozinhar, ouvir música, ver filmes. Inclusive, eu resolvi fazer esse filme por causa dela, porque é um dos nossos programas preferidos. Hoje, há uma tendência de se quebrar a glamorização da maternidade. Você acha que 'Fala Sério, Mãe!' vem com esse propósito, de mostrar um lado mais realista dessa relação?

Não vem exatamente com esse propósito. Como ele é baseado em um livro, seguimos bastante o que já estava lá, mas procuramos incluir algumas coisas, sim. Fizemos cenas que não estavam no livro que eu mesma, como também escrevi o filme, pedi para colocar – a parte da amamentação, por exemplo, que é exibida logo no início. A Ângela, como a maioria das mães, acreditava que amamentar seria uma experiência linda. Mas logo corta para ela chorando, o bico rachado, aquela dificuldade. Isso não estava no livro, e eu pedi para colocar, porque eu tive muito problema para amamentar. Consegui, mas foi uma luta diária. E se fala muito pouco sobre isso, é o tipo de coisa que ninguém te conta. Duas realidades dramáticas que conseguimos filmar: colocar o bebê para dormir e amamentar. Algumas mulheres vão

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Eu tive muito problema para amamentar. Consegui, mas foi uma luta diária. E é o tipo de coisa que ninguém te conta. bem; outras, não. Acho importante, já que vamos falar sobre maternidade, abordar essas coisas que são difíceis para quase todo mundo. Acabei colocando muito da minha própria experiência como mãe. O filme mostra uma visão um pouco estereotipada do homem que, após o divórcio, consegue ter uma vida plena e bem-sucedida e busca os filhos aos fins de semana para passear. Você acha que essa realidade está mudando? Qual é a sua experiência com a paternidade?

Não concordo que o filme tenha mostrado dessa forma. A mãe é uma trabalhadora, tem um emprego em um jornal e rala pra caramba. A relação não está dando certo, e eles se separam, mas em vários momentos o pai pega os filhos e participa. Acho que o estereótipo que realmente é mostrado é o dos homens de meia-idade que se separam e ficam com uma mulher mais jovem. Isso ainda é um clássico. O que eu acho que está mudando, e fizemos questão de mostrar no filme, é a mulher não depender do homem. A minha personagem trabalha e faz de tudo para se manter independente dele. E eu também acho que os homens estão participando cada vez mais da criação dos filhos. A maioria dos meus amigos que se separaram optaram pela guarda compartilhada. Os pais da minha geração, que inclusive foram filhos de pais ausentes, estão lutando cada vez mais para fazer diferente. Na minha casa, meu marido divide totalmente a criação da nossa filha comigo. Quando eu viajo, é ele quem faz tudo. Acho que o homem está se equiparando à mulher neste lugar, até porque nós também fomos trabalhar fora e não é justo ter filho para ser criado por babá. Acho que isso tem melhorado muito, está vindo aí uma geração de bons pais. A Canguru tem como slogan e missão “Criar filhos melhores para o mundo”. Por isso, queremos que você compartilhe com nossos leitores o que você faz para criar filhos melhores para o mundo.

Eu penso muito sobre isso. Quero que a minha filha


seja uma menina legal, e para isso eu tento fazer com que ela tenha empatia, que se coloque no lugar do outro. Sempre peço para ela pensar, antes de fazer algo, se gostaria que fizessem com ela. Acho que quando você tem empatia, já é meio caminho andado para pensar antes de fazer. Colocar-se no lugar do outro, refletir sobre como seria se fosse com você. Outra coisa que tento é ensinar para ela o que eu penso em termos de igualdade. Desde essa coisa de respeito à natureza, que ela já aprende muito na escola, até aceitar as diferenças. Eu falo muito para ela sobre diversidade, que ninguém é melhor que ninguém. Incito a buscar o jeito dela sem se comparar, a saber viver em grupo respeitando o outro e, principalmente, se respeitando.  Assista ao vídeo da TV Canguru com Ingrid Guimarães em www.canguruonline.com.br

SAIBA MAIS SOBRE

o Filme FOTO: PAPRICA FOTOGRAFIA

SINOPSE: A história procura apresentar os dois lados da moeda de ser mãe, e, ao longo do filme, são descritas as queixas e as alegrias da mãe coruja e um tantinho estressada Ângela Cristina em relação à primogênita, Maria de Lourdes, a Malu, assim como as teimosias e o sentimento de opressão desta em função dos cuidados, muitas vezes excessivos, de sua genitora. Mãe e filha: que relação complicada é essa! Amor, carinho, compreensão e, claro, muitas, muitas brigas. Brigas importantes, brigas bobas, brigas engraçadas, brigas memoráveis. Só variam conforme a idade. Boletim, namorados, arrumação do quarto, legumes, viagens, festas, hora de chegar das festas... tudo é motivo para essas pelejas domésticas. DIREÇÃO: Pedro Vasconcelos COPRODUÇÃO: Camisa Listrada, Globo Filmes DISTRIBUIÇÃO: Downtown, Paris Filmes ROTEIRO: Ingrid Guimarães, Paulo Cursino, Dostoiewski Champagnatte Baseado na obra de Thalita Rebouças

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4Entretenimento

Da Rússia para o mundo Diretor do estúdio que criou Masha e o Urso explica o sucesso do cartoon, que já foi visto 28,8 bilhões de vezes por crianças e adultos em mais de cem países POR Cristina

Moreno de Castro

JÁ FOI VISTA no YouTube quase 29 bilhões de vezes em todo o mundo e é exibida em mais de cem países, traduzida para 35 idiomas. Um único episódio, “Receita para o desastre”, foi assistido mais de 2,58 bilhões de vezes e está na lista dos dez vídeos mais acessados da história do site. Estamos falando de Masha e o Urso, uma animação russa que conquistou crianças e adultos do mundo inteiro, inclusive do Brasil, onde o canal oficial do YouTube tem 750 milhões de views. O desenho também pode ser

“Bon appétit”: em vários momentos, a garotinha quer ajudar o urso a cozinhar

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visto no SBT, no Boomerang e no Cartoon Network, além de ter duas de suas três temporadas na Netflix. Fica a curiosidade: por que uma produção de um país tão distante e com uma cultura também tão diferente da brasileira faz tanto sucesso por aqui? Em busca de uma resposta, a reportagem da Canguru entrevistou Dmitriy Loveyko, diretor-geral do estúdio de animação Animaccord, de Moscou, responsável por dar vida ao cartoon criado por Oleg Kuzovkov.


FOTO: DIVULGAÇÃO

Ele nos revelou que o estúdio está produzindo uma nova série, com musicais envolvendo a dupla, e disse que os episódios da terceira temporada vão continuar a ser lançados até meados de 2019. Além disso, o Brasil vai receber o show ao vivo de Masha e o Urso ainda em 2018. “Também produzimos jogos com Masha, projetos educativos, parques de diversão... Tem muito mais para acontecer no universo de Masha e o Urso!”, diz Loveyko, que ainda lembra dois spin-offs, já na TV e na Netflix: Contos da Masha e Contos Assustadores da Masha. Um dos fatores que explicam o sucesso da marca, segundo Loveyko, é a alta qualidade técnica do desenho, que é todo feito em 3D, com trilha sonora criada especificamente para cada um dos episódios, que pode levar até seis meses para ficar pronto. Outros elementos que precisaram ser observados foram a dublagem – para manter o estilo original do tom de voz de Masha ao redor do mundo – e a tradução do alfabeto cirílico para o romano, usado na maior parte do mundo, para evitar estranhamento entre os pequenos ao ler, por exemplo, um enigmático “Скорая помощь” na ambulância dos lobos. Outra explicação, diz Loveyko, é o caráter universal do roteiro: “Masha e o Urso formam uma dupla de comédia clássica e apresentam o relacionamento básico pai-filho, universal e que é muitas vezes descrito na literatura clássica internacional. Por exemplo, o enredo do episódio ‘Criança com lobos’ é baseado no conto The Ransom of Red Chief, de um dos maiores escritores americanos, O. Henry”. Masha demorou a chegar ao Brasil, passando antes pelos países da ex-União Soviética, pelos países bálticos, pela França e pelos países de língua inglesa. Mas, hoje, os brasileirinhos formam grande parte de seu público. “Há características comuns entre as culturas russa e brasileira”, acredita Loveyko, que exemplifica: “Não somos tão organizados quanto os alemães, tendemos a pensar menos sobre o futuro, em geral gostamos de nos divertir. Também somos parecidos em relação aos feriados e aos esportes, e ambas as culturas adoram crianças”. Masha também é muito popular em outros países latinos e na Indonésia, em Taiwan, na Itália, em países árabes etc. “Para ser honesto, não há um país onde Masha não tenha fãs. É um conteúdo atrativo para todas as nações, independentemente de cultura, religião e idade”, regozija-se o produtor.

Para quem não conhece Masha e o Urso Masha é uma garotinha de 3 anos que mora em uma antiga estação de trem da Rússia, junto a um porco, um bode e um cachorro. Todos os dias, ela atravessa uma floresta, ora em seu triciclo, ora caçando borboletas, interagindo com o coelho, os esquilos, os ouriços e dois lobos muito esfomeados, até chegar à casa do Urso, um artista de circo aposentado que se tornou seu grande amigo, muitas vezes assumindo uma figura paternal em relação à menina. Juntos, eles vivem aventuras comuns a qualquer convívio entre pai e filha, como pescar, cozinhar ou passar por uma noite de chuva assustadora, mas também passam por situações mais mágicas e espetaculares – como quando Masha fica invisível, quando ela aprende a voar numa vassoura ou quando cresce a ponto de bater a cabeça na lua. O cartoon tem apenas esse pequeno núcleo de personagens – às vezes incrementado pela presença ocasional de outros dois ursos, um panda, um pinguim, um tigre ou uma prima da Masha. Os diálogos são restritos à menina: os outros só se comunicam por gestos, o que faz muito sentido para nossos bebês, que ainda têm vocabulário limitado.

Duas críticas ao desenho costumam chegar ao estúdio: o fato de Masha se comportar mal, às vezes, podendo dar um exemplo indesejado aos pequenos espectadores, e o fato de o urso ser muito gentil e condescendente com esse comportamento, apesar de, no desenho, assumir um papel paternal com a criança. Loveyko responde aos dois reparos: “É verdade que às vezes Masha se comportar mal, mas todas as crianças são assim. No entanto, ela sempre aprende com seus erros como, por exemplo, no primeiro episódio, quando ela limpou a casa do Urso depois que a destruiu. Nos últimos episódios da terceira temporada, podemos ver que Masha cresce e pode servir como exemplo”. Sobre o herói passivo, Dmitriy arremata: “Os heróis não são todos iguais. E não há apenas pessoas ruins ou boas neste mundo. Todos nós somos diferentes – e isso é incrível. Só precisamos aprender a lidar com a diferença.” 

» Leia a entrevista com Dmitriy Loveyko na íntegra em nosso site: www.canguruonline.com.br

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4Férias

Brincar é

fundamental Tão importante quanto comer ou dormir bem, praticar jogos lúdicos ajuda no desenvolvimento das crianças em geral e se tornou preocupação entre os pediatras Moreno de Castro

FOTO: NIDIN SANCHES

POR Cristina

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o paulistano Martim, de 3 anos, gosta de brincar sozinho e concentrado, às vezes por mais de uma hora. Também curte carrinhos, boliche e ioiô. . JA N E I R O 2 01 8


IMAGINE LEVAR SEU filho ao pediatra e, ao final da consulta, ler a seguinte prescrição na receita médica: “brincar mais!”. Pois esse “remédio” está sendo cada vez mais aplicado pelos especialistas modernos, que já descobriram que as brincadeiras são fundamentais no desenvolvimento global dos pequenos. São inúmeros os estudos científicos, em vários campos do conhecimento, que provam que essas atividades contribuem para a saúde, o neurodesenvolvimento, o aprendizado, o desenvolvimento linguístico, a criatividade, a criação da identidade, a socialização, o desenvolvimento afetivo – e um extenso “etc.” ao final de tudo isso. “Brincar, na primeira infância, é tão importante quanto a alimentação e o sono”, crava o pediatra Ricardo Ghelman, PhD, coordenador do Programa de Pediatria Integrativa do Instituto da Criança, da Faculdade de Medicina da USP, e diretor do Instituto Ghelman de Medicina Integrativa. “O que adianta ter uma criança bem-nutrida e que durma bem, se ela tiver uma série de problemas no seu desenvolvimento e na sua escolarização em função de ter ficado presa em experiências passivas, como ver televisão, sem poder criar e se movimentar?”, questiona o especialista. Ghelman diz que o brincar “não é um assunto pequeno dentro da pediatria moderna”. E a tendência é que seja cada vez mais prescrito no país, quando a pediatria integrativa – conceito que está sendo pioneiramente trazido pela USP e que foi apresentado oficialmente às entidades médicas há apenas dois meses – for implementada no Brasil. “O que a pediatria integrativa pergunta é ‘como podemos fazer para que a criança não fique doente, mas sim saudável e feliz?’. Isso inclui o brincar, dentro da pediatria”, explica o médico (leia mais sobre a especialidade no box ao lado). Além de serem recomendadas para que as crianças saudáveis permaneçam assim, as brincadeiras também ajudam a curar ou tratar os pequenos diagnosticados com alguma doença ou limitação. No estudo “A importância do brincar no desenvolvimento psicomotor: Relato de experiência”, publicado na Revista de Psicologia da UNESP em 2010, pesquisadores da área da neurociência

Pediatria integrativa Esse é o termo recente de um conceito que é da década de 90, da medicina integrativa – já adotada pelo Ministério da Saúde. A pediatria integrativa busca ampliar o olhar de saúde para a infância, incluindo os educadores, os pais e os profissionais da área, para a promoção de uma saúde integral – focando não apenas este tema, mas o indivíduo: cada criança é única. O Instituto da Criança, que é o Departamento de Pediatria da USP, é o pioneiro em trazer esse conceito para o Brasil. Essa definição foi apresentada oficialmente para as lideranças da especialidade no país, pela primeira vez, no final de novembro, durante o 20º Fórum da Academia Brasileira de Pediatria. Exemplos de ações muito bem aceitas globalmente: colocar crianças hospitalizadas diante de árvores, em vez de voltadas para paredes brancas; e instruir enfermeiras a tocar mais os pacientes. Fonte: Ricardo Ghelman, PhD, coordenador do Programa de Pediatria Integrativa do Instituto da Criança, da Faculdade de Medicina da USP, e diretor do Instituto Ghelman de Medicina Integrativa.

e da fisioterapia fizeram um estudo de caso com crianças com paralisia cerebral e síndrome de Down e concluíram que “os jogos e as brincadeiras podem facilitar o desenvolvimento psicomotor, uma vez que estimulam sua criatividade, sua imaginação e seu espaço de exploração e melhoram a participação e a motivação da criança, diminuindo sua inadequação”. Outros estudos feitos por pesquisadores da Califórnia demonstraram que as brincadeiras podem até mesmo reverter quadros de déficit de atenção e hiperatividade. “Se4

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Temperamentos e idade a criança consegue brincar mais em ambiente outdoor e correndo, movimentando-se, entrando em contato com materiais diferentes, como areia e água, subindo em árvores, esse tipo de coisa, ela consegue reverter o transtorno”, afirma Ghelman. Os estudos que ele cita chegaram a uma receita médica exata: duas horas de parque, duas vezes por semana, podem bastar para reverter um quadro de TDAH. Segundo Ghelman, esta doença se tornou uma “epidemia” no Brasil, que ocupa o segundo lugar mundial em período pelo qual as crianças ficam em frente às telas (cinco horas e 35 minutos, de acordo com o Ibope), o que priva os pequenos dos movimentos e da exploração do mundo tridimensional. Por tudo isso, temos que levar as crianças e suas famílias para as ruas e os parques, defendeu o pediatra Daniel Becker, do Rio de Janeiro, que também aplica os conceitos da pediatria integrativa e foi um dos criadores do Programa Saúde da Família, em artigo publicado na Canguru. Ele escreveu que o brincar ao ar livre “reduz a obesidade, a hiperatividade, a agressividade, as alergias e os distúrbios do sono; melhora a imunidade, a atenção e a escolaridade”.

Diferenças de faixa etária É um consenso entre os especialistas ouvidos pela Canguru que cada faixa etária tem um tipo de brincadeira mais indicado. “As crianças com menos de 3 anos, mesmo na companhia de outras, estão brincando sozinhas. Para elas, as atividades devem 4

Existem quatro tipos de temperamento infantil:

» MELANCÓLICO: a criança é mais introspectiva, mais séria. As brincadeiras favoritas são aquelas com poucas crianças, pouco barulho, em que possa se aprofundar. Ex.: desenhar e fazer trabalhos manuais. » FLEUMÁTICO: Também não gosta de muito movimento e agito. É introspectiva, mas não é séria ou tristonha. Está de bem com a vida, gosta de comer e descansar. As brincadeiras que mais podem agradar: brincar que está cozinhando, brincar de boneca e com massinha ou lama. » SANGUÍNEO: Supermovimentada, a criança não consegue ficar parada, adora o ar, o vento, correr. Gosta de brincar com bola, pular corda ou se divertir com jogos rápidos. »

COLÉRICO: Pavio curto, pode explodir mais. Gosta de brincar de coisas fortes, com movimentos bruscos, como luta e cabo de guerra.

Fonte: Ricardo Ghelman, PhD, coordenador do Programa de Pediatria Integrativa do Instituto da Criança, da Faculdade de Medicina da USP, e diretor do Instituto Ghelman de Medicina Integrativa.

Sugestões de brinquedos e brincadeiras para a educação infantil:

» DE 0 A 1 ANO E MEIO: Chocalhos, móbiles sonoros, sinos, objetos para morder, bolas de 40 cm ou menores, blocos macios, livros e imagens coloridas, brinquedos de empilhar e encaixar ou que tenham espelhos. Peças com diferentes texturas e coloridas, que façam som, de movimento, para encher e esvaziar. Brinquedos de parque. »

DE 1 ANO E MEIO A 3 ANOS E 11 MESES: Túneis, caixas e espaços para entrar e esconder-se, brinquedos para empurrar, puxar, bolas, quebracabeça simples, brinquedos de bater, livros de história, fantoches e teatro, blocos, encaixes, jogos de memória e de percurso, animais de pelúcia, bonecos, massinha e tinturas de dedo. Materiais da natureza. Sacolas e latas com objetos diversos de uso cotidiano para exploração. Triciclos e carrinhos para empurrar e dirigir. Brinquedos de areia e água, estruturas para trepar, subir, descer, balançar, esconder. Bola, corda, bambolê, pipa, perna de pau, amarelinha. Materiais de artes e construções.

» DE 4 A 5 ANOS E 11 MESES: Boliches, jogos de percurso, memória, quebra-cabeça, dominó, blocos lógicos, jogos de profissões e com outros temas. Materiais de arte, pintura, desenho. Jogos de construção, brinquedos para faz de conta e acessórios para brincar, teatro e fantoches. Materiais e brinquedos estruturados e não estruturados. Brinquedos de parque. Papéis, papelão, cartonados, revistas, jornais, gibis, cartazes e folhas de propaganda. Bola, corda, bambolê, pião, pipa, cinco marias, bilboquê, perna de pau, amarelinha, varetas gigantes. Triciclos, carrinhos, equipamentos de parque. Livros infantis, globo, mapas, lupas, balança, peneiras, copinhos e colheres de medida. Fonte: Tizuko Morchida Kishimoto, livre-docente da Faculdade de Educação da USP, no estudo ‘Brinquedos e brincadeiras na educação infantil’, de 2010.

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FOTO: DANIEL MELLO

Longe de eletrĂ´nicos: a carioca Giovana, de 6 anos, adora fazer tirolesa e costuma brincar nos fins de semana em pracinhas ou hotĂŠisfazenda. Passar um tempo ao ar livre faz parte de sua rotina desde que saiu da maternidade.

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Ser criança é muito bom:

FOTO: CARLOS HAUCK

a mineira Sophia Victória, de 6 anos, gosta de brincar de boneca, tanto sozinha quanto com a mãe.

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estimular os sentidos. A partir dos 3 anos, elas já incluem o outro nas brincadeiras. Deixam de brincar ao lado de outra criança para brincar com elas”, explica Lais Maria Santos Valadares e Valadares, que é presidente do Comitê da Primeira Infância da Sociedade Mineira de Pediatria e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria. O doutor Ricardo Ghelman diz que há particularidades específicas para crianças de 0 a 6 anos, de 7 a 12 e adolescentes de 13 a 19. No caso das mais novas, o cérebro está em pleno processo de amadurecimento e elas percebem o mundo através de imagens e fantasias. Além disso, aprendem muito por imitação. Para essa fase, mais motora e sensorial, o ideal é fornecer materiais que tragam a capacidade de a criança criar um pouco, que não estejam completos e permitam variedades de texturas. Também é bom que os baixinhos possam correr e se movimentar junto com os jogos, explorando a tridimensionalidade (algo que os brinquedos digitais não oferecem). Na segunda etapa da infância, o médico diz que o ideal são as brincadeiras em grupo, como jogos de queimada e frescobol, mas de preferência sem muita competição. Já os adolescentes estão em pleno desenvolvimento da inteligência cognitiva e dos músculos e devem praticar jogos com mais desafios motores, que sejam mais elaborados e que estimulem a coragem.

Presença dos pais Que é fundamental que as crianças brinquem já ficou claro. Mas, e os pais, devem brincar junto? A maioria dos pesquisadores defende que sim, desde que se estabeleça um espaço para os pequenos explorarem a imaginação sozinhos. “Dependendo da criança e do local em que esteja brincando, será importante ter um adulto por perto para protegê-la dos riscos de acidentes. Mas também é fundamental o tempo livre para brincar sozinha e deixar

fluir a imaginação”, resume a pediatra Lais Valadares. Um dos grandes nomes da educação infantil no país, Tizuko Morchida Kishimoto, livre-docente da Faculdade de Educação da USP, escreveu em seu estudo “Brinquedos e brincadeiras na educação infantil”, de 2010, que “a criança não nasce sabendo brincar, ela precisa aprender, por meio das interações com outras crianças e com os adultos”. Para o pediatra Ricardo Ghelman, os pais devem permitir que os filhos até 3 anos possam explorar os materiais e o ambiente com segurança. Até os 6 anos dos filhos, os pais devem entrar na brincadeira, deixando-se envolver pela fantasia da criança. A partir dos 6, os pais vão brincar cada vez menos, mas devem “seguir a criança, aproveitando a oportunidade única da vida que é reviver o desenvolvimento humano junto com seus filhos”. Flávia Pellegrini, uma das criadoras do movimento Na Pracinha, de Belo Horizonte, traz outro aspecto do brincar junto com o filho: “É uma ferramenta para fortalecer a conexão entre as crianças, seus pais e cuidadores”. É também o que defende a Fundação Abrinq, que lançou, em novembro, o e-book gratuito Brincar Junto! – Guia de Brincadeiras para Crianças e Adultos. “Não basta aos pais dar o brinquedo, tem que sentar e brincar junto”, afirma Valdete Tereza da Costa, que é professora, ex-coordenadora pedagógica municipal de educação infantil e articuladora voluntária da Fundação Abrinq em projetos de educação. Confira a seguir três brincadeiras presentes no e-book e divirta-se junto com seus filhotes. 4

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Para brincar junto

#1 Boliche de quintal A partir de 2 anos Feito e acompanhado por adulto na hora de montar e brincar Grau de dificuldade: fácil

Para montar essa brincadeira você vai precisar de: » 10 garrafas PET com tampa vazias, limpas e sem rótulo. » Fita adesiva colorida » Areia » Bola

Mãos à obra:

1º Com a fita adesiva colorida, faça algumas tiras horizontais dando a volta na garrafa. 2° Depois que todas as garrafas estiverem prontas, basta colocar alguns dedos de areia no fundo e tampá-las. Isso ajudará a manter as garrafas de pé e deixará o jogo mais desafiante também!

3º Pronto! Agora é só enfileirar as garrafas em forma de triângulo, conforme indicado na figura, e começar seu jogo!

#2 Foguete turbo A partir de 4 anos Feito e acompanhado por adulto na hora de montar e brincar Grau de dificuldade: difícil

Para montar essa brincadeira você vai precisar de: » 2 garrafas PET » Papel de seda ou TNT vermelho e laranja » Tinta para artesanato cinza ou prata » Pincel » Cola quente » Papelão » Fita de tecido grossa » Grampeador 34

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Mãos à obra:

1º Pinte as garrafas por fora e deixe secar. 2° Depois, recorte o papel de seda ou TNT em formato de “chamas”, colando-o dentro do gargalo da cada garrafa com cola quente.

Agora, use a cola quente para fixar os “foguetes” deitados sobre um retângulo de papelão.

4° Faça alças com fitas, grampeando-as sobre a base de papelão, e pronto. As crianças já podem se divertir! Só cuidado com pequenos para que não se machuquem e boa brincadeira.


#3 Painel de fósseis A partir de 6 anos Feito e acompanhado por adulto na hora de montar e brincar Grau de dificuldade: fácil

Para montar essa brincadeira você vai precisar de: » Insetos de plástico ou de borracha » Argila escolar » Jornal para forrar a superfície de montagem Mãos à obra:

1° Amasse uma porção de argila com as mãos formando uma superfície plana e larga, com cerca de 2 cm de altura. 2° Coloque os insetos de brinquedo na argila, pressionando-os sobre a superfície da peça. Retire com cuidado e vire o painel de forma a deixá-lo de pé, pressionando-o sobre a mesa ou a superfície na qual está sendo montado. Dessa forma, você moldará uma base de suporte para que o painel permaneça de pé. Espere secar e coloque onde quiser.

ILUSTRAÇÕES: ALINE USAGI

3º Pronto! Agora você é um explorador pré-histórico! 

Acesse nosso site para ver as outras brincadeiras do guia! www.canguruonline.com.br

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4saúde

Muito além da estética Considerado uma doença, o estrabismo pode causar perda parcial da visão e deve ser tratado ainda na infância

FOTO: DEPOSITPHOTOS

POR Rafaela

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MOTIVO DE CURIOSIDADE e muitas dúvidas, o estrabismo chama atenção rapidamente por ser aparente. Caracterizado pelo desalinhamento dos olhos em alguma direção (veja os tipos no quadro ao lado), ele é uma doença que pode surgir tanto por fatores genéticos como em decorrência de outras doenças (diabetes e doenças neurológicas), problemas de visão, hipermetropia em um grau elevado e traumatismos na cabeça. E a incidência do distúrbio é considerável: afeta cerca de 3% a 5% das pessoas no mundo. De acordo com a oftalmologista Maria de Lourdes Tom Back, membro titular e ex-presidente do Centro Brasileiro de Estrabismo, a maioria dos casos se manifesta ainda na primeira infância, e o diagnóstico precoce é a melhor forma de garantir o sucesso do tratamento. “O desalinhamento esporádico é considerado normal até o sexto mês de vida, já que a visão ainda não está bem definida e a criança tem dificuldades para focar os olhos. Mas, se ultrapassar essa faixa etária ou tornar-se constante, pode ser sinal da doença e deve ser avaliado por um médico. É recomendável que os pais procurem um oftalmologista imediatamente se observarem qualquer diferença”, explica. Caso seja diagnosticado um quadro de estrabismo, o tratamento deve começar imediatamente e pode incluir uso de óculos ou tampão e cirurgia, dependendo da causa. Mais do que a correção estética, a intervenção médica tem o propósito de preservar a visão, que pode ser comprometida pela doença. “Um estrabismo não tratado pode acarretar a perda parcial da visão, mas, se corrigido

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Mais de um

Veja quais são os tipos de estrabismo e conheça suas características:

» CONVERGENTE OU ESOTROPIA: quando o olho é voltado para dentro, ou seja, para o nariz;

» DIVERGENTE OU EXOTROPIA: o olho é voltado para fora, ou seja, para a orelha;

» VERTICAL

OU HIPERTROPIA: o olho é voltado para cima, para a testa, ou para baixo, para o lado das bochechas;

» ALTERNANTE: o desvio alterna-se de um olho para o outro (ora o direito, ora o esquerdo);

» INTERMITENTE: há variação de alinhamento e desvio (ora com desvio, ora sem desvio), ocorrendo com mais frequência nos estrábicos divergentes.

até os 6 anos, é possível recuperá-la”, explica a médica, que ressalta ainda que o grau da doença não está necessariamente relacionado à gravidade de suas consequências. Por isso, de acordo o Centro Brasileiro de Estrabismo, é indicado que todas as crianças, mesmo com a visão aparentemente normal, sejam levadas ao oftalmologista até os 3 anos para fazer uma avaliação completa de sua condição visual e garantir a detecção precoce de quaisquer problemas oculares. 


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4Ideias

Para botar ordem

na casa

Famílias organizadas são mais harmoniosas, e as crianças podem ser beneficiadas até nos estudos POR Juliana

Sodré

JÁ ARRUMOU SEU quarto? Fez a lição de casa? Guardou os brinquedos? São muitas as cobranças ao longo do dia em uma família. A falta de organização do espaço físico e do tempo gera cansaço e estresse tanto para os pais quanto para as crianças. Por isso, especialistas defendem que os pequenos sejam conscientizados desde cedo para manterem a casa e a vida mais organizadas, com consequente ganho de produtividade e sentimento de satisfação. Estudos indicam que crianças que aprendem com os pais os conceitos básicos da educação organizacional podem se tornar estudantes mais eficientes e profissionais melhores. Então, vamos pôr ordem no “lar doce lar”? O início de 2018 pode ser uma boa oportuni-

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dade para isso. Crianças com 2 anos já conseguem estabelecer contratos de organização. “Acesso fácil aos brinquedos, rotina e cuidados com as próprias coisas são conceitos que já podemos aplicar aos filhos mais novos”, diz a home coach e presidente da Associação Regional dos Profissionais em Organização e Produtividade, Letícia Cordeiro. Fazendo isso desde a infância, a criança tende a automatizar a organização e a levar uma vida mais fluida. Mas, para atingir o objetivo de uma família organizada, os pais têm que fazer o seu papel também. Não se pode deixar de ir a um evento importante para a criança alegando não ter tido tempo, por exemplo. “Com a casa


FOTOS: [1] DEPOSITPHOTOS; [2][3][4][5] DIVULGAÇÃO

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em ordem, a família consegue ter tempo para o que é realmente importante”, diz a paulistana Cássia Graota, idealizadora do blog Fora Bagunça. Ela levou o assunto tão a sério que fez do hobby sua profissão. Dando dicas de organização e produtividade, resolveu se profissionalizar como organizer e, junto com uma sócia, fundou a Order4u para promover assessoria em organização de todos os tipos. “A organização do tempo e da casa traz para as famílias um ganho de produtividade e um sentimento de satisfação. O indivíduo cresce com mais confiança, leveza. Tudo flui melhor quando se é organizado”, defende. Na casa da servidora pública Thereza Tibau, o servi-

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ço foi muito bem-vindo: “A profissional ajudou a reorganizar o ambiente, levando em consideração não apenas a estética, mas a rotina e a praticidade. Proporcionou organização pessoal e comportamental aqui em casa, facilitando o dia a dia e garantindo mais qualidade de vida”.

Cuidados Como tudo na vida, organização também não deve ser excessiva. O ideal é a busca do equilíbrio. As pessoas também devem ficar atentas ao acúmulo de coisas. Muitos brinquedos, muitas roupas e muitos itens de decoração podem dificultar e até atrapalhar o processo de organização do lar. 

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4Inclusão

Representatividade

importa

Conheça a loja em São Paulo que criou bonecas nas quais todas as crianças podem se reconhecer POR Catarina

Ferreira

BONECAS QUE INSPIRAM representatividade. Esse é o carro-chefe das coleções de bonecas de pano da loja Preta Pretinha, um empreendimento que surgiu há 17 anos a partir da sociedade das irmãs Lúcia, Antonia Joyce e Maria Cristina Venâncio. Na coleção étnica há bonecas negras, orientais, ruivas e loiras, entre outras. A diversidade religiosa também está contemplada, com roupinhas e adereços típicos, por exemplo, da religião judaica, muçulmana, hindu e de matriz africana. Há ainda a coleção inclusiva, da qual fazem parte bonecas cadeirantes, com deficiência visual ou auditiva, com equipamentos como cadeira de rodas, pala, bengala e aparelho auricular, que ajuda a gerar identificação com crianças que os usem de verdade. A loja surgiu com o objetivo de trazer ao mercado bonecas negras, que de fato representassem a diversida-

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de da etnia. Com o passar do tempo, as sócias perceberam a necessidade de representar em seus brinquedos as mais diversas características das crianças, muito além da cor da pele. “Na nossa linha inclusiva, nós temos a boneca com síndrome de Down, um amputado e a que está em processo de quimioterapia. Essa última faz parte de uma parceria nossa com o GRAAC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) e, conforme o cabelo da criança vai crescendo, nós colocamos cabelo na boneca também”, diz Lúcia. Ela acrescenta que existem bonecos para meninos e meninas e também bonecas pensadas para representar crianças transgêneras. A empresa ainda investe em elementos que resgatem a ancestralidade africana, como turbantes, roupas, brincos e as bonecas abayomi, feitas a partir de retalhos de pano preto, sem costura alguma, que, durante a época


FOTOS: DIVULGAÇÃO

da escravidão, as mães africanas confeccionavam para distrair seus filhos. Lúcia conta que, quando crianças, ela e as irmãs sentiam falta de bonecas negras no mercado, e as opções que existiam eram limitadas e tinham preço elevado. “Na sexta-feira, que era o dia do brinquedo na escola, nós queríamos levar algo que fosse a extensão da nossa família para brincar, uma boneca negra. Então nossa avó, que trabalhava muito bem essa questão com a gente, começou a fazer bonecas de pano para nós”, diz. A ideia de resgatar a confecção de bonecos da avó foi de Joyce Venâncio. Formada em psicologia, ela estava desempregada e não conseguia encontrar nada em sua área de formação. Nesse momento, ela conversou com as irmãs e propôs uma parceria para investir em um negócio próprio. O ateliê Preta Pretinha começou a confeccionar e vender bonecas de pano em um espaço de 15 m² ao lado de onde hoje funciona a loja. O crescimento da marca fez com que as duas irmãs abandonassem seus empregos – Lúcia era bancária, e Cristina, secretária bilíngue – para se dedicarem exclusivamente à loja, já a partir do segundo ano. Em 2008, foi criado o Instituto Preta Pretinha, a partir da procura de muitas mães da região da Vila Madalena que queriam aprender a costurar para complementar a renda em casa. O instituto oferece cursos de capacitação para mulheres em situação de vulnerabili-

dade social, além de oficinas e atividades sustentáveis. O trabalho das irmãs ficou famoso entre professores, educadores e psicólogos, que passaram a visitar a sede para conhecer melhor a iniciativa. O ateliê também foi reconhecido internacionalmente, recebendo prêmios como o da Reatech (Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade). As empreendedoras ainda passaram a oferecer palestras, inclusive utilizando bonecos como ferramenta para falar de sensibilização, diversidade e inclusão.

Diversidade para além do brincar Formada em Letras pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), Patrícia Anunciada estuda relações étnico-raciais na Faculdade Campos Salles e vê com bons olhos a inserção de bonecas negras ou com outras característica físicas, além da pele branca e olhos azuis, pois elas ajudam a criar identificação com diferentes crianças e refletem a diversidade dos pequenos. No último ano, a professora se juntou à coordenação da Escola Municipal de Ensino Fundamental City Jaraguá IV para organizar uma oficina, que teve amarração de turbante e desfile de roupas afro. De acordo com a professora, os alunos e as mães receberam muito bem a atividade. “Foi a primeira vez que as crianças se viram com roupas assim”, conta. A professora nota que muitas das suas alunas estão assumindo os cachos e procurando elementos com os quais se identificam. 

Mariah com baixa visão

Mariah boliviana

Mariah cadeirante

Mariah cega

Mariah indígena

Mariah oriental

Tadeu autista

Tadeu com câncer

Tadeu morador de rua

Tadeu com andador

» MAIS INFORMAÇÕES:

Rua Aspicuelta, 474, Alto de Pinheiros, São Paulo. Telefone: 3031-5385

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4passeios kids

Aprendizados e dicas para acampar

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plantou uma árvore! Se eu voltaria? Não sei, mas essa experiência foi única e libertadora. Vale muito a pena se programar para conhecer o Voador, que tem planos (ainda não confirmados) de voltar em 2018 com três edições: abril, julho e dezembro. APRENDIZADOS E DICAS:

» Leve pouca bagagem. Dê preferência para as mochilas. » Mesmo no verão, levar roupa de frio e cobertor é essencial. À noite costuma esfriar, e o sereno deixa a barraca molhada e fria. » Para as crianças, o menos não é mais. Elas se sujam e se molham, por isso pense sempre em ter roupas extras para cada dia. » Não esqueça os remédios principais para qualquer emergência, assim como curativo. » Se você nunca acampou e não

sabe se vale a pena, recomendo a experiência. Só procure um local que ofereça o mínimo de estrutura para você e sua família aproveitarem. » Esqueça o celular. Só o use para registrar as imagens dessa aventura. Dedique um tempo à sua família, brinque e se jogue para ter lembranças inesquecíveis.  Saiba mais no site: www.voador.net.br

Cá é fisioterapeuta e apaixonada por leitura e escrita. É mãe de Júlia, de 3 anos. Tatê é jornalista de formação e blogueira por paixão. É mãe de Luiza, de 3 anos.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

ACAMPEI PELA PRIMEIRA vez mesmo depois de dizer inúmeras vezes que nunca passaria por essa experiência. E que experiência! Dan, meu marido, eu e Lulu embarcamos, a convite, para a segunda edição do Festival Voa Voador, um acampamento de um dia e meio em uma reserva ambiental em Atibaia. Ao chegarmos, nos deparamos com um lago lindo, árvores, flores, artistas circenses e algumas famílias circulando pela área. Eu suspirei e pensei: vai dar tudo certo! Encontrei uma barraca, em meio a tantas outras, com três colchões, travesseiro, manta e um bilhete de boas-vindas. Bem pertinho da área de camping estava um grande galpão para as refeições, ao lado de um parquinho bem-estruturado, galinhas, patos e cachorros circulando, os vestiários e os banheiros... químicos. Sei que em outros acampamentos a situação é diferente. O Voador ainda está se estruturando, e há planos de que em alguma das edições de 2018, provavelmente na última, haja uma estrutura melhor de banheiros e chuveiros. Mas, para minha sorte, no galpão havia um banheiro “de verdade” e passei a frequentá-lo. Uma grata surpresa do meu primeiro acampamento: a alimentação foi ótima. Lulu curtiu muito as atividades, andou de “jangada”, dançou ao som de grupos musicais, participou da trilha, da oficina e até


FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA

4padecendo no paraíso

O poder do ‘não’ Bebel Soares e o filho Felipe

“não” ensina muito! Não é apenas sobre educar nossas crianças, é sobre nos educarmos, ou nos reeducarmos, para um pensamento crítico, para não descontarmos nossas frustrações adquirindo bens materiais. Escolha o que é realmente importante, valorize o presente quando ele é um sonho da criança. Não alimente o consumismo. Reflita sobre a importância da presença, ela jamais substituirá um presente. Não é uma questão de poder aquisitivo nem uma questão do preço dos produtos. É uma questão de valores. Dar presente não vai fazer a criança se sentir amada, feliz. A criança não precisa ter o brinquedo da moda só para que ela se sinta parte de um grupo. A individualidade deve ser valorizada.

Dê presentes, dê brinquedos. Não deixe de dar. Mas procure valorizá-los. Procure dá-los nas datas comemorativas. Que eles sejam realmente esperados, sonhados, desejados. Que eles tenham significado e importância. Dê espaço para a imaginação e a criatividade. Que a palavra para este 2018 que começa seja “sustentabilidade”. A satisfação de necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.

Bebel Soares é fundadora da plataforma de apoio a mães Padecendo no Paraíso. Na Canguru ela fala sobre educação, saúde, alimentação, sexo, inclusão e viagens. www.padecendo.com.br

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FOTO: PIXABAY

NOSSAS CRIANÇAS SÃO vítimas de uma sociedade que não valoriza o ser e supervaloriza o ter. Você tem maturidade para educar seus filhos? A necessidade de refletir sobre o consumismo é urgente. Existe mesmo necessidade da realização imediata dos desejos das crianças? Elas pedem, nós damos, no dia seguinte já perderam o interesse e já estão pedindo outra coisa. Seu filho pede por modinha ou é você quem curte a modinha e dá sem ele pedir? Muitas pessoas deixam de dar porque não podem, outras dão tudo porque podem. É apenas uma questão de poder aquisitivo? É justo com as crianças dar a elas tudo o que desejam? O não faz um bem danado. Educar inclui ajudar a lidar com as frustrações, inclui dizer “não”. O


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4viagens, modo de usar

Londres de graça Luís Giffoni

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apresentações. Se quiserem esbanjar, cheguem até o Castelo de Windsor, percorram todas as fortificações, vejam uma das maiores coleções de casas de bonecas da Europa. Um segredo: aguardem o final do expediente para conseguir autorização para entrar na capela de São Jorge, onde os ingleses recebem o título de “sir”. Ali, se derem sorte, poderão sentar-se na cadeira-trono de Ricardo Coração de Leão. Se derem muita sorte, a rainha Elizabeth poderá aparecer para a missa das 18h e dar um tchauzinho. Ela mora lá. Se a curtição da família for ar livre, seu melhor destino sem desembolso é o Regent’s Park. Belas caminhadas, milhares de pássaros, esquilos, lagos, pontes, campos de futebol, casas de duendes e um

bônus extra: a vista gratuita de muitos animais do Zoológico de Londres, que fica dentro do parque. Ao final, um chá ou chocolate arrematam bem o dia. Uma pena: não são de graça. É possível passar semanas na capital britânica sem enfiar a mão no bolso. Basta se informar nos sites de atrações gratuitas. Os ingleses são especialistas em gastar pouco. Sobretudo com os fantasmas que, do nada, aparecem no meio do fog. Quem já viu diz que são mesmo de arrepiar. 

Luís Giffoni é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos. giffoni@canguruonline.com.br

FOTO: REPRODUÇÃO

QUE TAL FUGIR um pouco do calor do nosso verão e curtir o inverno londrino? Os moradores da cidade dizem que janeiro é a melhor época para ir à terra do fog e dos fantasmas. O clima incrementa o mistério. Em mais de 2.000 anos de história, muitas histórias se acumularam. Algumas de arrepiar. LONDRES também tem atrações fora da esfera ectoplásmica. Em geral, gratuitas. Os grandes museus, por exemplo, não cobram entrada. Você e seus filhos vão ao British Museum, visitam as múmias dos faraós e depois se encantam com as frisas do Pártenon e os templos assírios sem pagar um centavo. Ali perto, na British Library, todos verão um show de livros, com os mais velhos existentes no mundo como protagonistas. Também podem visitar a National Gallery e conhecer dezenas de quadros e estátuas famosas. Querem mais? Deem uma chegada ao Natural History Museum e vejam os dinossauros mais terríveis que já passaram pelo planeta. Tudo sem pôr a mão no bolso. Para gastar umas libras, que tal patinar em frente ao belo prédio do museu? Se a família apreciar corais e música erudita, passem no fim da tarde pela igreja St. Martin-in-the-Fields (foto) ou pela igreja de São Paulo e, nos horários corretos, curtam o coral adulto ou infantil ensaiando suas


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4para ler com seu filho

Histórias que tocam o ouvido

leo cunha e os filhos, Sofia e André

Os livros infantis adoram flertar com a música. Existem várias publicações com poemas musicados, assim como canções populares que foram transformadas em livros, como Oito Anos, de Paula Toller, e Família, de Arnaldo Antunes e Tony Bellotto. Mas poucas histórias escolhem como tema central, pra valer, os próprios sons, ruídos e melodias do mundo. É o caso das duas obras que destaco na coluna deste mês.

O português Alexandre Honrado e a brasileira Penélope Martins se uniram para escrever o poético Que Amores de Sons!, história inusitada de uma mulher que adorava os barulhinhos do mundo – como zuca bazaruca, zás catrapás –, cantava para dentro e chorava em ping-pong. Solitária, sonhadora, ela acaba por encontrar um homem que – veja a sorte! – percebia todos os sons e criava ruídos com folhas e gravetos. O que será dos dois juntos? Harmonia ou escarcéu? SOBRE OS AUTORES: Penélope Martins, paulista, já publicou uma dezena de livros e conta histórias pelo Brasil afora. Alexandre Honrado, português, é escritor e professor, com trabalhos no rádio e na TV. Nívola Uyá, espanhola, é ilustradora, artista plástica e QUE AMORES DE SONS! Texto cientista ambiental.

de Penélope Martins e Alexandre Honrado, ilustrações de Nívola Uyá. Editora do Brasil, 2017.

DÓ DE PEITO, RODOPIO. Texto e ilustrações de Mariângela Haddad. Editora Autêntica, 2016.

Dó de Peito, Rodopio. Certo dia nasceu a primeira filha de Nonato, pai carinhoso e artista frustrado. Para sua surpresa, a criança, em vez de chorar, soltou um “dó de peito", nota muito aguda, atingida por raros cantores, como o tenor Luciano Pavarotti. Ao ouvir aquilo, o pai logo previu que Una tinha talento especial para a música e faria o sucesso que ele não fez. Quando nasce a segunda filha, Duna, Nonato nem repara nos dons da menina, de tão empolgado que estava com Una. Já deu pra perceber que isso vai dar em confusão, não é? Ah, esses pais deslumbrados e seus planos irreais para o futuro dos filhos...

Leo Cunha publicou mais de 60 livros, como Cachinhos de Prata (Ed. Paulinas), Um Dia, um Rio (Pulo do Gato) e Só de Brincadeira (Positivo). Recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Nestlé, FNLIJ e Jabuti. leocunha@canguruonline.com.br

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IMAGENS: REPRODUÇÃO

SOBRE OS AUTORES: Mariângela Haddad, mineira, é escritora e ilustradora, com importantes prêmios no Brasil e no exterior.


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FOTO: DIVULGAÇÃO

4artigo | Cris Kerr

Estereótipos de gênero na criação das crianças O

s estereótipos de gênero são crenças generalizadas sobre as características e os comportamentos associados às mulheres e aos homens. Eles aparecem logo na infância, quando, normalmente, os meninos têm mais liberdade para brincar na rua e podem se aventurar em descobertas, enquanto as meninas ficam dentro de casa, brincam de boneca, casinha e de cozinha e devem se comportar como “mocinhas”. Outro estereótipo muito grave é o de que os meninos devem ser fortes e não podem chorar, já as meninas podem chorar por serem mais frágeis. Esses conceitos prejudicam muito o desenvolvimento das crianças, causando insegurança e baixa autoestima. Os brinquedos também são separados por gênero, a partir de um receio que os pais têm de que seus filhos sofram alguma discriminação por brincarem ou realizarem alguma atividade que é considerada do outro gênero – ou ainda por terem a crença de que os brinquedos e a forma de educar podem refletir na orientação sexual dos filhos. Outro fator que influencia os estereótipos de gênero é a divisão das tarefas domésticas, que reforça a atividade como responsabilidade das mulheres. Uma pesquisa da Plan International realizada com meninas de 6 a 14 anos no Brasil identificou que elas são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico em casa. Enquanto 81,4% das meninas arrumam a própria cama, apenas 11,6% dos meninos fazem a mesma tarefa. Entre as garotas, 76,8% lavam louça, mas somente 12,5% dos garotos realizam essa função. Com o objetivo de desconstruir esses conceitos e criar uma sociedade mais saudável e menos preconceituosa para as crianças, foi desenvolvida a pedagogia neutra, método que utiliza pronomes neutros e evita a diferenciação entre meninos e meninas – ou seja, todos

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estudam e brincam juntos sem separação por gênero. Uma escola na Suécia, que utiliza essa pedagogia, realizou uma pesquisa com crianças de 3 a 6 anos e identificou que esses estudantes são menos influenciados pelos estereótipos. A prática da pedagogia neutra é uma nova maneira de educar as crianças, mas também existem outros métodos que podem ser utilizados para acabar com a cultura estereotipada de gênero, como incentivar meninas e meninos a colaborarem nas tarefas de casa, promover mais brincadeiras conjuntas, evitando a distinção de cores ou brinquedos, e ainda estimular o aprendizado em áreas diversas.

Pesquisa com meninas de 6 a 14 anos no Brasil identificou que elas são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico em casa. É fato que os estereótipos de gênero têm de cair, e a mudança do nosso comportamento e mentalidade contribui para que isso acabe. Por isso, vamos começar a empoderar as meninas e incentivá-las a ser grandes profissionais, assim como incentivar os meninos a compartilharem seus sentimentos e emoções. A desconstrução começa com simples atitudes no dia a dia que, com certeza, vão gerar frutos promissores.

Cris Kerr é palestrante, especialista em diversidade, empoderamento feminino e familiar, CEO da Agência CKZ e idealizadora do Fórum Mulheres em Destaque e do Fórum Gestão da Diversidade e Inclusão.


FOTO: DIVULGAÇÃO

4artigo | pedro monteleone

Para engravidar novamente depois dos 35 anos UMA DAS DÚVIDAS que frequentemente surgem sobre fertilidade está relacionada às chances que uma mulher que já foi mãe na adolescência, ou bem jovem, tem de engravidar novamente após os 35 anos. Elas realmente são as mesmas das outras mulheres? Seriam necessários tratamentos de reprodução assistida? A primeira gravidez garante o sucesso da segunda?

As chances de uma mulher engravidar após os 35 anos não são as mesmas de quando era mais jovem. Sempre temos que partir da informação de que as chances de gravidez de qualquer mulher começam a diminuir a partir dos 36 anos. Isso é um fato, já que a mulher nasce com todos os folículos primordiais (óvulos) que usará durante a sua vida nos ovários, e, a partir da sua primeira menstruação, esses óvulos começam a diminuir em quantidade. A cada ciclo menstrual, alguns folículos são recrutados, e um deles se desenvolve e cresce, até a ovulação. Isso, por todos os meses da vida fértil. E os que vão restando no corpo da mulher, consequentemente, vão envelhecendo da mesma forma e, por isso, perdem qualidade. Esse declínio da função reprodutiva feminina fica patente e perigoso após os 40 anos e, a partir dos 45, a chance de gravidez tende a ser zero. Além disso, temos ainda que levar em conta o impacto de alguns fenômenos fisiológicos, como inflamações, infecções, alterações no endométrio, entre outros. Porém, é verdade que as mudanças nos hábitos de vida,

como uma alimentação mais balanceada, atividades físicas regulares e o combate ao fumo e ao estresse, têm contribuído de forma positiva para anular, ainda que parcialmente, o impacto do tempo. Podemos então afirmar que as chances de uma mulher engravidar após os 35 anos não são as mesmas de quando era mais jovem. Porém, o fato de já ter existido uma gestação anterior, mesmo quando a pessoa era muito mais nova, é favorável a uma próxima gestação, mesmo após os 35 anos. Isso porque a gestação anterior nos diz que aquela mulher ovula regularmente, que suas trompas, até então, funcionam de forma correta e que, por isso, provavelmente, não há outro fator de infertilidade intrínseco. Sendo assim, as chances de uma nova gestação são mais altas. Ainda assim, as chances de uma mulher necessitar de tratamento de reprodução assistida após os 35 anos, mesmo que já tenha tido uma gestação quando mais jovem, são grandes. Isso porque a natureza fala mais alto. Claro que não significa que será necessário realizar uma fertilização in vitro, por exemplo. Mas, por todos os fatores já citados, pelo natural envelhecimento do corpo, há maiores chances de a mulher precisar, pelo menos, de uma investigação mais completa, com a realização de exames minuciosos e indicações médicas. 

Pedro Monteleone é diretor do Centro de Reprodução Humana Monteleone e coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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FOTO: FLÁVIO DE CASTRO

4crônica

Ritual de passagem “AND SO THIS is Christmas”, cantaram eles em uníssono, acionando o botão infalível que nos faz chorar no fim do ano. Minutos antes, pintavam o rosto ao entoar uma roupagem recente de um grito milenar: “Passarinho de toda cor/ gente de toda cor/ amarelo, rosa e azul/ me aceita como eu sou”. Se naquela manhã eu enxuguei lágrimas que já me encharcavam o pescoço, o que eu faria na despedida? Dois dias depois, ele acordou cedo pra escolher a roupa. Mas a euforia de ir para a aula sem uniforme não falaria mais alto que a angústia de dar aquele passo difícil, deixando tanto amor para trás. Nem mesmo a velha alegria de entrar de férias. Ninguém é capaz de sorrir ao se despedir do Lúcia. Talvez tenha sido uma fuga chegar de fato mais tarde, como ele pediu. A torneira já se havia aberto, e ele buscava o meu olhar. Abraçamo-nos aos soluços, duas crianças com medo de crescer. O mundo me pareceu grande demais, e eu cheguei a desejar que ele fosse assim, miúdo, pacato, acolchoado de afeto como aquela escola em que ele subiu degraus tão importantes. Sua primeira vez ali foi a contragosto. Entrou ressabiado, negando-se a escrever em letra cursiva, como quem assina um protesto em letras garrafais. Não queria deixar para trás amizades construídas ao longo de um par de anos. Aquele litro de lágrimas amoleceu meu coração, mas não recuei. A decisão estava tomada. Bastou uma semana para ele compreender que ali era lugar de ser feliz – e enfim pude respirar. Expressou sua mudança de opinião num diário secreto, caligrafia caprichosa, maiúsculas e minúsculas dando-se as mãos em harmonia. Dois anos podem ser nada, quatro anos podem ser pouco – ou muito, depende do tamanho da vida. Não

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cris guerra e o filho, francisco

Estradas desconhecidas, passos nem tão seguros, lá vamos nós mais uma vez. sei nomear meu choro, se saudade ou gratidão, se orgulho, medo ou alegria. É mais um mundo que surge, mais um parto que dói e diz tanto. É Francisco que nasce de novo, agora maior. Estradas desconhecidas, passos nem tão seguros, lá vamos nós mais uma vez. Crescer é deixar para trás, ganhar é perder, fazer uma escolha é abrir mão de todas as outras. O que acabou é só começo, cada início vem sempre de um fim. Daqui a algumas décadas, pode ser que ele nem se lembre desse dia. Como não me lembro da minha despedida do Colégio Loyola, 30 anos atrás. Ironicamente, há poucos dias, um jantar reuniu meus colegas do ensino médio. Assistimos a cenas esquecidas, ouvimos vozes alheias recontando a nossa história. Descobrimos ser as meninas e os meninos de sempre, eufóricos em um inesperado recreio estendido. Escola é lugar de plantar gente. E com cada pé de menino que cresce de um dia para o outro, sem que a mãe note, espicha um molho de fé verde-vivo, com aroma de manjericão. Para Coli, Rô, Ju, Corina, Tidinha, Gabi, Dê, Marina e toda a equipe da escola Lúcia Casasanta. 

Cris Guerra é publicitária, escritora e palestrante. Fala sobre moda e comportamento em uma coluna na rádio BandNews FM e a respeito de muitos outros assuntos em seu site www.crisguerra.com.br. Na Canguru, escreve sobre a arte da maternidade. crisguerra@canguruonline.com.br


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Canguru | SP | Janeiro de 2018 | Número 9  
Canguru | SP | Janeiro de 2018 | Número 9  

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