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criando filhos melhores para o mundo

nov 2017 | nº 7 | São Paulo

Entrevista com Mauricio de Sousa:

ele não pensa em SE APOSENTAR

Cartas:

um jeito poderoso de se COMUNICAR COM OS FILHOS

Novembro Azul:

pais também precisam SE CUIDAR

QUE FASE! Se a infância fosse um videogame, não faltariam níveis difíceis para enfrentar. Saiba como superar os desafios da etapa atual e o que esperar da próxima


4nesta edição

30

seções Primeiras palavras Missão Instagram Nossos leitores www.canguruonline.com.br Eles dizem cada coisa Canguru viu e curtiu Comprinhas Mundo Kids Moda, por Roberta Paes Corrente do bem Passeios Kids, por Cá e Tatê Padecendo no Paraíso, por Bebel Soares

26 30 36 38 40 43

4

26

[2]

Para ler com seu filho, por Leo Cunha Viagens, modo de usar, por Luís Giffoni Artigo, por Camila Queres Artigo, por Juliana Frozel de Camargo Alcoforado Crônica, por Cris Guerra

Reportagens

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Como num videogame: infância é permeada de fases, desafios e obstáculos

Roteiro | Conheça seis bibliotecas para passar a tarde com as crianças Entrevista | Aos 82 anos, Mauricio de Sousa segue inventando projetos inovadores

Pai da Mônica: Mauricio de Sousa fala sobre infância, a longevidade de seus personagens e os próximos planos

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[3]

Comportamento | Saiba em que fase da infância o seu filho está, como lidar com ela e o que esperar da próxima Memória | Mães se conectam com seus filhos por meio de cartas Entretenimento | Os bastidores da gravação da décima temporada de D.P.A. Diversão | Crianças aprendem receitas e se divertem com youtubers de culinária Saúde | Novembro Azul alerta para a importância de exames preventivos contra o câncer de próstata

Canguru

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Túnel do tempo: cartas que as mães escrevem para os filhos, como Cris Guerra fez com Francisco, criam conexão e resgatam memórias

FOTOS: [1] GUSTAVO ANDRADE; [2] DIVULGAÇÃO MSP; [3] DIVULGAÇÃO

7 8 10 11 12 14 15 16 18 20 44 45 46 47 48 49 50

[1]

Nossa capa

N

Enzo, 9 anos, filho de Fabiana Gomes Gaillardetz e Emilio Gaillardetz

M S V

Foto: WILLIANS MORAES

F


Nossa capa

Mariana, 4, é filha de Else Maya Suzuki e de José Fernandes Valares

FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA


www.canguruonline.com.br

DIRETOR EDITORIAL: Eduardo Ferrari DIRETORA DE PROJETOS ESPECIAIS: Ivana Moreira

A Canguru é uma publicação mensal da Scrittore Comunicação e Editora Ltda. CNPJ 12243254/0001-10

CONSELHO EDITORIAL Cristina Moreno de Castro, Eduardo Ferrari, Guilherme Sucena, Ivana Moreira, Márcio Patrus, Suellen Moura e Thiago Barros DIRETORA DE CONTEÚDO Ivana Moreira (ivana@canguruonline.com.br) EDITORA-CHEFE Cristina Moreno de Castro (cristina@canguruonline.com.br) EDITORAS Luciana Ackermann (luciana@canguruonline.com.br) e Sabrina Abreu (sabrina@canguruonline.com.br) REPÓRTER Rafaela Matias (rafaela@canguruonline.com.br) ESTAGIÁRIAS Catarina Ferreira (catarina@canguruonline.com.br) e Gabriela Willer (gabrielawiller@canguruonline.com.br) EDITORA DE ARTE Aline Usagi (aline@canguruonline.com.br) PROJETO GRÁFICO Chris Castilho (Mondana:IB) (www.mondana.net) EDITORA DA TV CANGURU Juliana Sodré (juliana@canguruonline.com.br) REVISORA Thalita Braga Martins COLABORADORES DESTA EDIÇÃO Bebel Soares, Cris Guerra, Leo Cunha, Luís Giffoni e Roberta Paes FOTÓGRAFOS Gustavo Andrade, Moacyr Lopes Junior/Malagueta, Ricardo Borges e Willians Moraes DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E MARKETING Thiago Barros (thiago@canguruonline.com.br) GERENTE DE COMUNICAÇÃO E MARKETING Camila Capone Durante (camila@canguruonline.com.br) ESTAGIÁRIO DE MARKETING Filipe Cerezo (filipe@canguruonline.com.br) DIRETORA COMERCIAL Suellen Moura (suellen@canguruonline.com.br) EQUIPE COMERCIAL Dária Mineiro (daria@dmineiro.com.br), Laura Ramos (laura@canguruonline.com.br), Simone Dianni (simone@canguruonline.com.br), Roberto Pinheiro (robertopinheiro@rcpinheiro.com.br) e Vera Belini (vera@canguruonline.com.br) DIRETOR DE NOVOS NEGÓCIOS Guilherme Sucena (guilhermesucena@canguruonline.com.br) ATENDIMENTO A LEITORES E ESCOLAS PARCEIRAS Janna Souza (janna@canguruonline.com.br) EQUIPE ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA Roberto Ferrari (roberto@canguruonline.com.br) e Gabriela Linhares (gabriela@canguruonline.com.br)

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Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião da revista e de seus responsáveis.

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FSC


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

primeiras palavras

Muito mais do que um slogan Ivana e os filhos Pedro e Gabriel

A CANGURU PASSA a registrar em sua capa, a partir desta edição, a mensagem que já estava implícita em tudo o que fazemos: “Criando filhos melhores para o mundo”. Nossa missão tornou-se nosso slogan. É o que queremos: ajudar pais e mães a educar meninos e meninas que se tornem adultos emocionalmente preparados para conviver em sociedade e contribuir para o bem coletivo. Segundo a inglesa Lorraine Thomas, pioneira mundial no trabalho de coach para pais, criar um filho é como colorir uma tela em branco. Cada pai e cada mãe é um artista com potencial para pintar uma obra prima: só precisa praticar. E nós estamos aqui para ajudar. Não só com esta publicação impressa, mas com todos os nossos produtos e serviços – os seminários que promovemos há dois anos, o clube de assinatura que acabamos de lançar e outras novidades que estão para chegar em breve. Ao longo de outubro, nosso mês de aniversário, convidamos nossos leitores a contar o que têm feito para criar filhos melhores para o mundo. E recebemos depoimentos de arrepiar. “Crio meus dois meninos para que sejam ‘homens feministas’ até o momento em que não seja mais necessária tanta luta para que as mulheres sejam respeitadas”, nos relatou Lilian Ribas, completando: “Para que levantem a bandeira da inclusão até que as pessoas com deficiência participem ativamente da sociedade”. Não há dúvida de que Lilian, como nós, quer crianças que pensem no bem coletivo mais do que em si mesmas. “Ensino que devemos fazer o que é correto, ainda que todos estejam fazendo o que é errado. Que devemos fazer o correto ainda que ninguém esteja vendo”, compartilhou Aline Souza Lima Petrillo. É isso aí, Aline. É em casa, com os pais, que os filhos aprendem os valores que vão carregar vida afora. “Faço com que milha filha, mesmo com apenas 4 anos, assuma a responsabilidade e as consequências de suas escolhas”, contou Letícia Lucas Ferreira. Com certeza, essa menina se tornará uma mulher preparada para lidar com os resultados de suas atitudes. “Crio filhos para que eles deem o melhor de si para o mundo, em vez de criar um mundo que dê o seu melhor aos filhos”, contou Anninha Vargas. É nisso que mais acreditamos, Anninha. Se as crianças de hoje se tornarem adultos melhores que nós mesmos temos sido, o mundo será naturalmente um lugar melhor. Todos nós que fazemos a Canguru, dos sócios aos estagiários, acreditamos que a transformação começa nas famílias. Para nós, “Criando filhos melhores para o mundo” é muito mais do que um slogan, é um movimento. Quer aderir?

Ivana Moreira, DIRETORA DE CONTEÚDO ivana@canguruonline.com.br

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@miguelele_bh Belo Horizonte / MG

Bola é o brinquedo favorito de meninos e meninas desde bebês – e até dos adultos, não é mesmo? Aqui separamos algumas fotos da última missão, mas tem mais em nosso site e redes sociais.

@rafaelamarkss Belo Horizonte / MG

Olha a carinha expressiva do Miguel, de 2 anos, brincando com sua bola! @entrerosaeazul Belo Horizonte / MG

Lara, 5, e Theo, 2, brincando juntos de bola, para provar que esse é um brinquedo universal.

Próxima missão: Homenagem aos músicos No dia 22 de novembro, comemoramos o Dia dos Músicos e de sua padroeira, Santa Cecília. Então, bora fotografar as crianças tocando ou brincando com algum instrumento musical? Vale chocalho, violão, bateria, tamborzinho... o que for! E, claro, pode ser de brinquedo ;) Depois, poste a foto em sua conta no Instagram com a hashtag #canguruonline, e ela pode sair na próxima revista Canguru e em nossas redes sociais.

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FOTOS: REPRODUÇÃO INSTAGRAM

Alice, de 8 meses, adora brincar com a bolinha que a titia deu.


apresenta

Cortar o cabelo

não é a solução VOCÊ JÁ DEVE ter vivido esta experiência ou, certamente, conhece alguém que viveu: os pais que se desesperam quando a filha pega piolho na escola e... zupt!, cortam o cabelo todo da criança, bem curtinho, no famoso estilo “joãozinho”. Dez em cada dez meninas ficam desapontadíssimas com o resultado – e, o pior, a eficácia do método é nula. Em outras palavras: cortar o cabelo não soluciona uma infestação de piolhos. Nas redes sociais, com a hashtag #cortarnãoésolução, a Canguru pediu aos leitores para compartilharem suas histórias e lembranças associadas às tesouradas mal-aplicadas que receberam após uma infestação de piolho. A mais curiosa foi enviada pela leitora Vilma Zanon, que mora em Belo Horizonte:

[1]

Vítima da tesoura: a diretora de conteúdo da Canguru, Ivana Moreira, ficou desolada quando teve os cabelos cortados, aos 4 anos, por causa dos piolhos

E o que funciona? Veja as dicas dos especialistas*:

» Xampus especiais e medicamentos à base de permetrina (lendo a bula com atenção!) » Água morna com vinagre, que ajuda a desprender as lêndeas » Em períodos de surto nas escolas, lavar a cabeça todos os dias, passar pente-fino após o banho, manter o cabelo preso em rabos de cavalo e tranças e lavar bem roupas, acessórios, lençóis e outros objetos usados pela criança, colocando-os para secar ao sol

FOTO: [1] DEPOSITPHOTOS; [2] ARQUIVO PESSOAL

Eu pegava piolhos, mas preciso confessar: eu gostava, já que minha mãe e irmãs me deitavam no colo para passar pente-fino. Eu gostava apenas por causa do carinho recebido. Um dia, quando eu tinha cerca de 7 anos, eu realmente quase morri, porque minha mãe passou um inseticida na minha cabeça por achar que não tinha outra solução. Fui para o pronto-socorro intoxicada e passei uma semana lá. Como perdi o colo da minha família, tive uma péssima ideia: avistei um piolho mergulhando na cabeça de uma coleguinha, o peguei e o coloquei na minha cabeça! No dia seguinte, falei: “Mãe, estou com piolho”. Na hora, ela respondeu: “Não é possível, passei veneno”. Então tive que contar a verdade. Ela não pensou duas vezes e cortou curtinho meu cabelo. Chorei muito, mas não pelo cabelo que batia na cintura antes do corte. Chorei porque não receberia mais atenção.

[2]

* Mariane Cordeiro Alves Franco, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), e Cláudia Márcia de Resende Silva, dermatologista, pediatra e presidente do Comitê de Dermatologia da Sociedade Mineira de Pediatria, em entrevista à Canguru de agosto de 2017.

KWELL® ( PERMETRINA 1%) INDICAÇÃO: TRATAMENTO CONTRA A INFESTAÇÃO POR PIOLHOS E LÊNDEAS (OVOS DE PIOLHOS). M.S. 1.3764.0154. PRODUTO REGISTRADO E FABRICADO POR ASPEN PHARMA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA. SAC: 0800 026 23 95 / SAC@ASPENPHARMA.COM.BR. KWELL É UM MEDICAMENTO. SEU USO PODE TRAZER RISCOS. PROCURE O MÉDICO E O FARMACÊUTICO. LEIA A BULA. SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO. N O V E M B R O 2 01 7 .

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O poder do rosa

Enquete Canguru

Sou fã da publicação de vocês. Tenho um filho de 4 anos, Pedro, e em breve chegará o Lucas! Acompanho sempre todas as matérias pelas redes sociais.

Que lindo o depoimento de Juçara Aparecida Reis. Que garra e força que ela tem.

Você é a favor do ensino religioso nas escolas? Por quê?

— Elaine da Silva Cruz

Recebi da escola da minha filha de 2 anos um exemplar da revista Canguru e adorei! — Fabiana Gonçalves, de São Paulo

Encontro Canguru Foi muito bom passar esse tempo com vocês na palestra da psicóloga Sônia Eustáquia da Fonseca [Encontro Canguru de 21 de outubro, em BH]! Excelente palestra! Além de ter deixado meus filhos com a Mariana, no Espaço Kids. Que gracinha de pessoa! — Fernanda Vargas, de Belo Horizonte

— Adriana Costa

15%

A doença não me venceu, nem vencerá, pois a vida é uma dádiva inesgotável de possibilidades e somos nós que escolhemos como tudo termina. Sigo o tratamento com meus lenços e laços, buscando dar glamour à vida e a mim mesma, pois ainda sou mulher e vaidosa. Ao terminar meu tratamento, espero ser um espírito melhor morando dentro do meu corpo. Abraço a cada um de vocês como abraço a mim mesma, com amor e fé, sempre!!! — Juçara Aparecida Reis, de Belo Horizonte

FALE COM A CANGURU redacao@canguruonline.com.br

Não Sim Sim, com ressalvas “Sim! Estudei em uma escola de freiras, convivi com pessoas de diversas religiões e aprendi a respeitar todas as crenças e a ver as pessoas como iguais. A educação religiosa é complemento do que os pais ensinam e ajuda na formação.” “Sou contra. Cada família tem sua religião e esse é um tema privado, particular. O Estado brasileiro é laico, segundo a própria Constituição, o que pressupõe que a religião não deve ser assunto desse Estado, mas de cada família.”

— Kellen de Castro

FOTO: GISELE SCHIAVETTI

ou deixe um comentário em nossas redes sociais.

Dou aula para o 4º ano do ensino fundamental na escola Ennio Voss e estamos trabalhando no projeto "Jornal". Meus alunos e eu [foto] lemos um dos artigos da diretora de conteúdo da Canguru, Ivana Moreira, no jornal “Metro” [publicados sempre às terças-feiras], “Sono de menos para as mães”, e resolvemos escrever para dar uma devolutiva. Estou mandando as fotos das cartinhas de meus alunos. Um grande abraço de seus leitores.

53%

— Tábata Caroline Entre em contato pelo e-mail

Metro

32%

— Gisele Schiavetti, de São Paulo

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Fique de olho em nossas novas enquetes!

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Elas são sempre divulgadas em nossa página do Facebook: www.facebook.com/canguruonline


www.canguruonline.com.br

Novidade

Site ganha três novas blogueiras NOSSO TIME DE blogueiros está cada vez melhor! Em outubro, estreamos o blog Mães que Educam, da pedagoga Cristina Cançado, o Moda Kids, com a consultora de moda Roberta Paes, e o Faz Sentido, escrito pela jornalista e editora da revista Vida Simples, Débora Zanelato. Acompanhe as novas postagens em nosso site, www.canguruonline.com.br, e em nossa página no Facebook (facebook.com/canguruonline). [1]

Feriado

Orgulho e celebração

Faz Sentido: Débora Zanelato escreverá sobre autoconhecimento em seu novo blog

Miniativista: a blogueira Elis, de 6 anos, incentiva outras crianças a gostarem dos cabelos crespos

Em 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra. A data é uma homenagem à morte do líder da resistência quilombola Zumbi dos Palmares e é pautada por reflexões sobre o espaço ocupado pela população negra na sociedade. Ela é a maioria, representando mais de 54% dos brasileiros (segundo o IBGE, em 2015). No nosso site, você confere a programação ligada à data. Aproveite a ocasião para abordar o tema com seu pequeno.

Para seguir

Já curtiu nossa página no Facebook?

FOTO: [1] ARQUIVO PESSOAL; [2] RICARDO BORGES

É ali que divulgamos os principais conteúdos produzidos pela equipe de jornalismo da Canguru, além dos vídeos incríveis da série #50Crises, com Cris Guerra, e as entrevistas que Ivana Moreira faz com diversos especialistas para a TV Canguru. Também divulgamos muitas enquetes, promoções-relâmpago e galerias de fotos dos filhotes dos nossos leitores. Acompanhe, você vai se divertir muito conosco: facebook.com/canguruonline.

[2]

NA BANDNEWS FM às terças e sextas-feiras, às 13h40, com reprise às 16h17 e também aos sábados e domingos, ouça a coluna de Ivana Moreira, diretora de conteúdo da Canguru. Ouça as gravações em www. canguruonline.com.br/radio.

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POR Cristina

Moreno de Castro

Esto

u faz prim endo um a de a arte !

BRUNO, de 4 anos, filho de Priscila Liu e Shinfay Liu, enquanto fazia uma pintura com guache.

e gosto qu Eu não e aís cham o meu p le devia Brasil, e Victor. chamar

Mamãe, você tem cheirinho de amor!

Colo ca pa ra m filme im o “Proc uran do LEM BO”?

LETÍCIA, de 4 anos, filha de Luana de Sena Del Maestro e César Zacarias Del Maestro. SAMUEL VICTOR, de 4 anos, filho de Vanessa Júlio Coelho de Castro Utsch e Vinicius de Castro Utsch.

Aquele é o fio de alta tomação?

RAFAEL, de 4 anos, filho de Kelly Almeida e Adriano Moreira, referindose ao fio de alta tensão.

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Se seu filho também diz pérolas, envie a frase para o e-mail redacao@canguruonline.com.br.

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

LUIZA, de 4 anos, filha de Rúbia Lira Cândido e Victor Gomes de Castro.


EDIÇÃO Camila

Capone

O QUE ESTÁ ROLANDO DE ÚTIL, DIVERTIDO OU CURIOSO NA WEB E NAS REDES SOCIAIS

Jeito certo

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SIM! Você carregou o bebê-conforto a vida toda de maneira errada. Olha essa superdica da mamãe e doutora em quiropraxia Emily Puente! Basta usar nosso QR Code Canguru ou acessar o link bit. ly/jeitocerto. [2]

Sozinho, no carro, nunca mais Criança esquecida no carro? Nunca mais! A Hyundai lançou um dispositivo que detecta movimentos no banco traseiro. A buzina dispara, os faróis piscam, e o veículo envia uma mensagem ao celular do motorista. Confira neste vídeo como funciona o dispositivo, usando nosso QR Code Canguru ou pelo link bit. ly/nocarrosozinho.

[3]

Igual à mamãe DOMINIQUE, AMELIA E PENNY se divertem no Instagram com looks iguais. Quer brincadeira melhor do que essa? Vamos copiar a mamãe! Vale a pena conferir. Use nosso QR Code Canguru ou acesse pelo link bit.ly/ igualamamae.

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IMAGENS: [1] DIVULGAÇÃO / HYUNDAI; [2] REPRODUÇÃO / BRIDGE FAMILY CHIRO; [3] REPRODUÇÃO/ INSTAGRAM: ALL THAT IS SHE

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EDIÇÃO Cristina

Moreno de Castro

Para não perder a hora O horário de verão, que começou no mês passado, teria sido ótima oportunidade para presentear os pequenos com um relógio. Mas ainda dá tempo de colocar um charme a mais no quartinho das crianças! Tique-taque, tique-taque... CHAMA OS BOMBEIROS R$

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POR Rafaela

Matias e Sabrina Abreu

90 a 99%

das mulheres que amamentam receberão pelo menos alguma medicação durante a PRIMEIRA SEMANA PÓS-PARTO. Estudos sugerem que o uso de medicamentos é uma das principais razões pelas quais elas interrompem a amamentação prematuramente, segundo publicação da SBP.

Além dos remédios

FOTO: [1] DEPOSITPHOTOS; [2] REPRODUÇÃO / DIVULGAÇÃO

UM RELATÓRIO DIVULGADO em agosto pela Academia Americana de Pediatria (AAP) analisou as terapias complementares mais indicadas pelos especialistas norte-americanos desde 2007 e a expansão das opções de tratamento para crianças e adolescentes que já possuem condições médicas, com o objetivo de conscientizar sobre esse campo e sua importância para a prevenção de doenças. O relatório destaca recursos e ferramentas clínicas. Um dado que chamou atenção foi a orientação para que os pediatras indicassem, além de suplementos dietéticos, produtos à base de plantas, dietas, exercícios e massagens, métodos orientais que, segundo o estudo, funcionam como terapias mentais e corporais. Alguns exemplos são a prática de ioga, acupuntura, tai chi e qigong. De acordo com a AAP, o campo de pesquisa ainda possui lacunas e exige um papel mais ativo dos clínicos nos aconselhamentos dos pacientes e de suas famílias. Por isso, o órgão encorajou os pediatras a aconselharem e orientarem pacientes e famílias sobre serviços e terapias relevantes, seguras, eficazes e apropriadas para a idade, tanto as consideradas convencionais quanto as complementares.

[1]

Estrela de jornal Seu filho possivelmente já possui álbuns de fotos e cadernos de recordações. Mas já imaginou uma lembrança dele nas páginas de uma publicação? A proposta do Pequenotas é produzir um jornal personalizado com reportagens que falem sobre a vida ou um momento marcante da história do pequeno. São quatro páginas escritas e ilustradas a partir de entrevistas com a família (e até com a própria criança, dependendo da idade), pesquisas de curiosidades sobre o nome e a data de nascimento e outras informações exclusivas. Para conhecer mais sobre o projeto ou encomendar um para o seu filhote, acesse www.pequenotas.com.br. As unidades saem a R$ 150 sem ilustração e R$ 190 com caderno ilustrado. A entrega é feita para todo o Brasil.

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eu já fui

Existem sinais A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou uma cartilha para orientar os especialistas dessa área sobre a disforia de gênero. De acordo com a SBP, pessoas cujas identidades de gênero não correspondem com aquelas designadas no nascimento são nomeadas transgêneras ou transexuais. Veja oito sinais da transgeneridade em crianças, segundo a SBP:

1.

Forte desejo de pertencer ao outro gênero ou insistência de que um gênero é o outro (ou algum gênero alternativo)

2. Em meninos, uma forte preferência por crossdressing (travestismo) ou simulação de trajes femininos; em meninas, uma forte preferência por vestir somente roupas masculinas típicas e uma forte resistência a vestir roupas femininas típicas 3. Forte preferência por papéis de outro gênero em brincadeiras de faz de conta ou de fantasias

4. Forte preferência por brinquedos, jogos ou atividades tipicamente usados ou preferidos por outro gênero 5. Forte preferência por brincar com pares do outro gênero

6. Em meninos, forte rejeição a brinquedos, jogos ou atividades tipicamente masculinas e repúdio a brincadeiras agressivas e competitivas; em meninas, forte rejeição a brinquedos, jogos e atividades tipicamente femininas

7. Forte desgosto com a própria anatomia sexual 8.

Desejo intenso por características sexuais primárias e/ou secundárias compatíveis com o gênero oposto (ou outra variação de gênero)

criança Angélica NESTE MÊS, ANGÉLICA Ksyvickis completa 44 anos. A apresentadora da Globo nasceu no dia 30 de novembro de 1973 e renasceu em 24 de maio de 2015, quando, junto à família, sobreviveu a uma queda de avião. A repercussão do acidente, do qual também foram vítimas seu marido, o apresentador Luciano Huck, e os três filhos, Joaquim, Benício e Eva (hoje com 12, 10 e 5 anos, respectivamente), acabou gerando mais provas do quanto Angélica é amada pelo público que a vê diante da TV desde que ela era criança. Quando tinha 4 anos, sua casa, em Santo André, na Grande São Paulo, foi assaltada, e o pai, Francisco, acabou sendo baleado duas vezes. Ele sobreviveu, mas a pequena ficou traumatizada. Ela só se distraía assistindo ao Programa do Chacrinha. Foi por isso que a mãe, Angelina, decidiu levar a loirinha para participar de um concurso de beleza na atração da TV. Angélica ganhou a competição, sagrou-se “a criança mais bonita do Brasil” e, a partir do título, passou a fazer comerciais publicitários regularmente, o que foi o início do estrelato, que passou pela extinta Manchete e pelo SBT, se desdobrou em conjunto musical e filmes de cinema e segue firme até hoje.

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moda

Pequenos marinheiros O estilo navy ou náutico surgiu na França, nos anos 20, quando a estilista Coco Chanel fez uma camiseta listrada inspirada no uniforme da Marinha e arrasou nas suas férias na Riviera Francesa. A peça virou ícone de desejo depois que muitos outros famosos começaram a usar também. É um tema muito forte para o verão e a cada ano vem com algum detalhe diferente. Para a próxima temporada, além das tradicionais listras horizontais nas cores branco, azul e vermelho, aparecem também tons de ocre, amarelo e verde e muitos efeitos de estampas aquareladas, estonadas e ombré.

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DIRETO PRO MAR

A pequena Bianca Schaper Magalhães, de 7 anos, veste um biquíni modelo top com listras azuis e rosas e, para completar, uma saída, de praia também listradinha, que fazem um lindo composé. Pronto, agora é só ir para o litoral e arrasar no estilo navy!

R$ 59,90 (Saída) R$ 79,99 (Biquíni)

www.heringkids.com.br FOTO: GUSTAVO ANDRADE


FOTO: ARQUIVO PESSOAL

ATRAVESSANDO OCEANOS

Neste lindo conjunto da Brandili, podemos ver na camiseta de malha bouclê (esses pontinhos superfashion) o efeito ombré da estampa azul, que vai gradualmente clareando. A bermuda bem confortável de amarrar também está super em evidência.

R$ 79,99

Roberta Paes

www.tricae.com.br

LISTRAS TROPICAIS

Agora, sim, as listras estão renovadas: além de estarem praticamente em pinceladas, apareceram pelicanos e abacaxis para dar um clima bem tropical. Vestido de malha da C&A.

R$ 39,99

www.cea.com.br

BALEIA FELIZ

Desta vez, listrados só nas mangas, dando destaque à estampa da baleia feliz na frente. Este macacão da Comfy oferece segurança, conforto, praticidade e estilo para crianças de 3 meses a 4 anos.

R$ 89,99

www.comfystore.com.br LISTRAS E BABADOS

Claro que não podiam faltar os babados nessa batinha das Lojas Renner para as meninas. Também em malha bouclê, cheia de pontinhos, mostra toda a sua graça com babado na barra e na frente, dos dois lados.

R$ 45,90

www.lojasrenner.com.br MAR EM FÚRIA

Para os dias com muito vento e mais fresquinhos, nada como um moletom para acolher seu filho. Este da Richards Kids está bem navy com essas listras e o carimbo de marinheiro.

R$ 245,00

www.richards.com.br

Roberta Paes

PRODUTOS: DIVULGAÇÃO

MIL LISTRAS

Aqui de novo as listras em vários tamanhos, parecendo rabiscadas, com maxiflores, neste vestido de malha de viscose da PUC. E, claro, um babado em destaque no ombro!

R$ 119,99

www.puc.com.br

Preços pesquisados em outubro de 2017. A Canguru não se responsabiliza pela alteração de preços ou pela falta de produtos. Imagens ilustrativas.

é consultora de moda, estilista e palestrante. Atua no mercado de moda infantil há mais de 20 anos, em grandes empresas do varejo. Viaja para a Europa e os Estados Unidos conferindo as tendências de moda infantil que vai compartilhar nesta coluna. www.robertapaes.com.br @rpkids

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POR Catarina

Ferreira

Gol de Letra A FUNDAÇÃO GOL de Letra é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que em 2017 completa 19 anos desde sua inauguração. A instituição surgiu com o objetivo de promover a educação de crianças e jovens em comunidades socialmente vulneráveis a partir de iniciativas que utilizem o esporte, a cultura e a formação profissional. Hoje, a organização atende mais de 4.000 pessoas entre 6 e 30 anos, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2001, a Gol de Letra foi reconhecida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como instituição modelo. Para atender o público, a fundação atua com base em três pilares: o aprendizado, o convívio e a multiplicação do saber. O último tópico tem como objetivo formar as crianças e os jovens para que repassem o conhecimento e as atitudes aprendidas. Mantida a partir de donativos e parcerias, a instituição recebe doações tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. Para empresas, há a possibilidade de participar de um torneio de futebol beneficente no Morumbi ou no Maracanã. Pessoas físicas podem se associar à instituição fazendo doações únicas ou periódicas. Avenida Nova Cantareira, 5.078, Tucuruvi. Tel.: 2206-5520. E-mails: projetos@goldeletra.org.br / sociotitular@goldeletra.org.br / torneio@goldeletra.org.br.

Essa turma animada de atores-palhaços trabalha para aliviar e divertir a criançada internada em hospitais no Rio, em São Paulo e em Recife. Fundada por Wellington Nogueira em 1991, a associação já realizou mais de 1 milhão de visitas a crianças hospitalizadas. Com sede em São Paulo, a associação atua em sete hospitais da capital paulista, com um elenco de aproximadamente 30 palhaços (nove deles ocupando funções pedagógicas e de coordenação), além de mais 20 profissionais das áreas financeira, administrativa, acadêmica, de marketing, de comunicação e de serviços gerais. As apresentações são gratuitas para os hospitais e para o público, mas o trabalho dos palhaços e demais “doutores” não é voluntário, sendo mantido por doações de empresas e pessoas. Saiba como doar em www.doutoresdaalegria.org.br. Rua Alves Guimarães, 73, Pinheiros. Telefone: 3061-5523. E-mail: doutores@doutoresdaalegria.org.br.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Doutores da Alegria


apresenta

LEVAR AS CRIANÇAS para a escola, passar no supermercado para comprar o lanche da semana, ir para casa rapidinho antes de seguir para o trabalho. Depois do expediente, buscar as crianças na escola, passar na padaria para comprar um lanche e ir para casa se preparar para o dia seguinte. Com a rotina corrida, não reparamos na importância dos carros no nosso dia a dia. Só quem já foi surpreendido por algum problema sabe dos inconvenientes causados pela falta do carro. Pensando na rotina agitada dos moradores de

grandes cidades – e na importância dos carros para a praticidade dessa rotina –, unimos uma equipe com os maiores especialistas em veículos do Brasil para criar um assistente automotivo que se conecta com o restante da sua vida digital, o Nexer. Com ele, você pode tirar as preocupações com o seu carro da cabeça e se dedicar tranquilamente às outras tarefas. Cuidamos da segurança, das manutenções e do consumo de combustível do seu veículo, levando para a tela do seu celular tudo o que você precisa e quer saber sobre ele.

Seu assistente automotivo

Conheça algumas das funcionalidades do Nexer que podem facilitar a relação com o seu carro:

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local onde ele foi estacionado. » Avisa qual é o momento certo de realizar revisões e trocas de óleo. » Identifica milhares de falhas eletrônicas no motor, no chassi e na carroceria do veículo. » Emite alertas quando a bateria está fraca ou a temperatura do motor está anormal. » Além de informar o consumo real de cada mês, o aplicativo também aponta um resumo de cada trajeto realizado e detecta a duração, a distância percorrida, as velocidades média e máxima, o modo de direção e o gasto estimado para aquele percurso. Quer saber mais? Acesse www.nexer.com.br e descubra uma nova experiência com o seu carro. N O V E M B R O 2 01 7 .

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FOTO: DIVULGAÇÃO

Uma mão na roda


4roteiro

As mais belas

histórias

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Biblioteca Parque Villa-Lobos Localizada no Alto de Pinheiros, a biblioteca ocupa uma área de aproximadamente 4.000 m² dentro do Parque Villa-Lobos. Além do acervo voltado para o público infantil e de espaço para estudos, o local oferece programação mensal para atender adultos e crianças. A agenda inclui contação de histórias, cursos, oficinas, apresentações teatrais e musicais, exposições e saraus, entre outros. Avenida Queiroz Filho, 1.205, Alto de Pinheiros De terça a domingo, das 9h30 às 18h30 Telefone: 3024-2500 Site: www.bvl.org.br

Conheça seis bibliotecas para passar a tarde com as crianças POR Catarina

Ferreira

PARA ESTIMULAR O hábito de leitura nas crianças, uma boa estratégia é associar livros a passeios e diversão. Bibliotecas que oferecem espaços lúdicos, atividades de leitura mediada ou até mesmo perto de áreas verdes podem aproximar os pequenos do universo das letras. Pensando nisso, selecionamos seis bibliotecas de São Paulo para você conhecer com seu pequeno.

CCSP

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Ao lado da Estação Vergueiro, linha azul do metrô, está o Centro Cultural São Paulo (CCSP). Um espaço com mais de 46 mil metros quadrados que oferece ao público espetáculos de teatro, de dança e de música, literatura, mostras de artes visuais, sessões de cinema, oficinas e muito mais. O local abriga duas bibliotecas e uma gibiteca, além de salas de leitura voltadas ao público infantojuvenil. Há também a biblioteca de Culturas Surdas e acervo em braile. Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso De terça a domingo, das 10h às 20h Telefone: 3397-4002 Site: www.centrocultural.sp.gov.br

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Brasiliana A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin é administrada pela Universidade de São Paulo. Inaugurada em 2005, ela surgiu para abrigar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de 80 anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa, Guita. O local conta com amplo espaço verde ao redor, que agrada a crianças de todas as idades. Para aquelas acima de 10 anos, é possível agendar visitas guiadas com turmas escolares para conhecer o acervo que contém obras [3] raras. Rua da Biblioteca, s/n, Cidade Universitária De segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30. Sala de leitura: de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30 Telefone: 2648-0841 Site: www.bbm.usp.br


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Biblioteca Paulo Setúbal

FOTOS: [1][4][6] SP LEITURAS; [2] FLICKR / DIVULGAÇÃO; [3] MARCOS SANTOS; [5] DIVULGAÇÃO

Palestras, apresentações de teatro, oficinas, contações de histórias e muito mais fazem parte da programação da Biblioteca Paulo Setúbal. Localizada na Zona Leste de São Paulo, o espaço abriga salas de leitura e acervo para atender toda a família. Em dezembro de 2012, a biblioteca ganhou salas [4] temáticas de literatura policial. Desde então, as atrações do local exploram a relação com o tema. Avenida Renata, 163, Vila Formosa De terça a sexta, das 9h às 18h. Sábado, das 9h às 16h, e domingo, das 9h às 13h Telefone: 2211-1508 e 2211-1507 Site: bit.ly/PauloSetubal

Biblioteca Mário de Andrade Com mais de 300 mil livros no acervo e 2.000 visitas diárias, essa é a maior biblioteca da cidade. Em 2017, o espaço completou 92 anos. Saraus, espetáculos teatrais e contação de histórias fazem parte da programação cultural, pensada para atender o público de todas as idades. Rua da Consolação, 94, Consolação Segunda a sexta-feira, das 8h às 22h. Sábado e domingo, das 8h às 20h Telefone: 3775-0010 Site: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/ cultura/bma

[6]

Biblioteca de São Paulo Inaugurada em 2010, a Biblioteca de São Paulo está localizada na Zona Norte da cidade. O local conta com um piso equipado especialmente para o público infantojuvenil – o ambiente é separado por faixas etárias e dedicado à promoção de atividades culturais.

Apresentações teatrais, filmes, jogos de tabuleiro e cartas, entre outras atividades, são oferecidas pela biblioteca. Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, Santana De terça a domingo, das 9h30 às 18h30 Telefone: 2089-0800 Site: bsp.org.br

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apresenta

App educativo traz miniaulas para os pequenos Produtora mineira lança aplicativo Kidsα, o primeiro com videoaulas para as crianças DESENVOLVIDO ESPECIALMENTE PARA crianças de 3 a 10 anos, o aplicativo Kidsα traz centenas de miniaulas e programas que transitam por temas como alfabetização, esportes, música, arte, dança, teatro e brincadeiras, abordados de forma leve, aliando aprendizado a diversão, tudo em um ambiente totalmente seguro. “Hoje, o uso do smartphone por uma criança é praticamente inevitável. Desenvolvemos um canal que torna esse momento produtivo e educativo e que estimula a participação da família. Nossa missão também é estreitar laços”, afirma João Chequer, idealizador do Kidsα. O app segue uma fórmula simples, com estrutura limpa e intuitiva. Nele, as crianças encontram dois tipos de conteúdo:

1.

2. Episódios em série, que seguem um mesmo tema, têm duração de cinco a dez minutos e podem ser vistos na ordem que a criança desejar. A produção musical Kidsα é autoral. Por exemplo, a série ‘RocKidsα’ é uma releitura em rock’n’roll de clássicos infantis. Até o momento, mais de mil programas foram gravados, com mais de 50 educadores e artistas, contando com a participação de mais de 200 crianças.

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Como baixar O Kidsα está disponível para Android e iOS e pode ser acessado em tablets e celulares, com expansão prevista para Chromecast e Apple TV. O app é grátis para download e oferece um mês de experimentação ao conteúdo completo. Além da versão gratuita, o Kidsα oferece a assinatura a R$ 19,90 por mês. Como promoção de lançamento, aqueles que assinarem até 31 de dezembro de 2017 garantirão o valor de R$ 9,90 por 12 meses. Mais informações em www.kidsa.com. 

FOTO: DIVULGAÇÃO

Miniaulas semanais, que duram em média 15 minutos e servem como complemento ou iniciação às atividades que já são de interesse da criança, como balé, futebol, ioga, meditação, teatro, desenho, canto, inglês, culinária e espanhol, entre outras. A cada programa visto, a criança é premiada com um adesivo virtual para colar em seu “Álbum Kidsα do Conhecimento”.


O(e depaimuitos da Mônica outros) Cinco gerações já se deliciaram com as aventuras da Turma da Mônica, totalizando 1 bilhão de gibis. Aos 82 anos, Mauricio de Sousa segue a todo vapor, com diversos projetos inovadores POR Luciana

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FOTO: [1] LAILSON DOS SANTOS - DIVULGAÇÃO MSP; [2] BETE NICASTRO

Sem aposentadoria: Mauricio de Sousa tem 82 anos e quase 60 de carreira, mas não para de traçar novos planos para seus projetos

4Entrevista

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MUITO CEDO, POR volta dos 5 anos, ao ter contato com o universo mágico dos gibis (que encontrou no lixo), ele não teve dúvidas do que queria fazer de sua vida. Foi amor à primeira vista. A pedidos, seu pai levou mais revistinhas, que a mãe leu até que o menino aprendesse a formar palavras juntando letrinhas. Tempos depois, já adulto, passou a ajudar, com seus próprios gibis, um bando de gente de diferentes gerações a aprender a ler. Mauricio de Sousa, o criador dos personagens mais populares no Brasil, que fazem parte da Turma da Mônica, já teve suas tirinhas publicadas em 80 países. E, acredite: o gênio dos quadrinhos chegou a ter seus desenhos rejeitados em sua primeira tentativa de trabalhar como ilustrador, na Folha da Manhã – o sujeito da redação que o despachou ainda foi taxativo: “Desista. Desenhar não dá futuro pra ninguém, faça outra coisa da vida”. Ele acabou trabalhando como repórter policial, por cinco anos.

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seguir, Mauricio fala sobre a infância, a longevidade de seus personagens e narrativas e declara que a aposentaria não faz parte de seus planos. Desde pequeno o senhor quis ser desenhista? Como seus pais reagiram?

Mauricio de Sousa – Eu sempre gostei de desenhar, Meu pai e minha mãe sempre me incentivaram queria fazer gibis. Felizmente meu pai e minha mãe a ler gibis, mesmo quando isso era considerado sempre me incentivaram a ler gibis, mesmo quando prejudicial à educação (dá pra acreditar que isso era considerado prejudicial à educação (dá pra acreditar que havia gente que pensava assim?). Claro havia gente que pensava assim?) que o fato de serem adeptos de diversas formas de Mas, felizmente, seu antigo amor falou mais alto. artes contribuiu para isso. Meus pais foram me dando Mauricio de Sousa conta que fugiu da redação e voltou, confiança, e, depois, os professores. após uma semana, com sua primeira história e seu primeiro personagem, o Bidu, em 1959. E foi assim que O senhor aprendeu mesmo a ler com os gibis? as tirinhas do rapaz de Santa Isabel, interior de São Paulo, Realmente eu aprendi a ler com os gibis. E hoje, em passaram a ser publicadas na Folha. De lá pra cá, foram meus lançamentos nas livrarias, onde tenho contato criados outros 400 “filhos de papel”, entre eles, a Mônica direto com meus leitores, é comum algum pai dizer e a Magali, inspiradas nas próprias filhas (segundo ele, a que seu filho aprendeu a ler com a Turma da Mônica. primeira “é brava de verdade”, e a segunda, “gulosa até O lúdico sempre foi fonte de interesse da criança, e a hoje”). linguagem dos quadrinhos é especial nesse caso, pois O desenhista, que completou 82 anos no final de trabalha a memória visual juntamente com a de leitura. outubro, não para. Só neste ano já lançou a autobiografia O resultado é alguém interessado em ler apesar dos Mauricio - A História que Não Está no Gibi, fechou programas de TV, dos videogames e de outras diversões com a TV Cultura a exibição da Turma da Mônica na modernas que tiram o tempo de leitura. programação fixa da emissora, tem movimentado o YouTube com a Mônica Toy, chegando a atingir 3 bilhões Qual conselho o senhor dá a pais de filhos de visualizações e tendo a Rússia com líder de audiência, que não gostam de ler? e está em meio ao processo de realização do longaEstimulem ao máximo, lendo junto com os filhos metragem Laços, que, de forma inédita, terá crianças de desde bem pequenos, e eles nunca esquecerão desses carne e osso interpretando a turminha. Na entrevista a momentos da infância. 4

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Como é fazer parte de uma família tão grande – dez filhos, 12 netos e três bisnetos?

Uma alegria e fonte de muitas criações para o meu trabalho. Todos sabem que me inspiro muito em meus amigos de infância, em meus filhos e agora nos netos e bisnetos para criar os personagens da turminha. E meus filhos de papel já chegam a mais de 400! Como manter a "Turma da Mônica" sempre interessante diante de tantas novidades que surgiram nas últimas décadas?

O segredo de manter um público constante num mercado inconstante é sempre estar antenado na linguagem atualizada das crianças. Os pais curtem ter lido a Mônica, que falava com eles na linguagem da época e que se adaptou à linguagem do filho. Que pai não aprecia um filho que tem os mesmos gostos que ele teve na infância? Depois, criança é sempre criança. Pode ser em países e épocas diferentes. Gosta de descobrir e de brincar. Basta contar histórias em que elas se identifiquem e que as façam rir.

O segredo de manter um público constante num mercado inconstante é sempre estar antenado na linguagem atualizada das crianças A infância foi mesmo abreviada no Brasil, nas últimas décadas? O que os pais podem tentar fazer para reverter esse fenômeno?

Com certeza as crianças estão amadurecendo mais rápido e, por isso, encurtando a sua infância. Para os pais, basta dedicarem mais tempo aos seus filhos. Simples assim. O que o motivou a lançar a biografia "Mauricio - A História que Não Está no Gibi"?

Há alguns anos alguns amigos jornalistas queriam escrever minha biografia. Ameaçaram fazê-la, e fiquei meio preocupado. Decidi, então, fazer uma série de crônicas em um jornal contando vários casos da minha vida para deixar isso como legado. Queria dar a minha visão. Acabaram saindo dois livros com essas crônicas, e os jornalistas esqueceram o assunto. Agora resolvi fazer por inteiro. O jornalista Luís Colombini, indicado

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ou pode faltar energia elétrica, mas ainda teremos um lápis, que não depende de software, e sim da criatividade pura do ser humano. Como é a parceria da "Turma da Mônica" com a Unicef, abordando os direitos das meninas e dos meninos?

pela editora Sextante, me ajudou muito na busca por recordações dentro dos encontros semanais que tivemos ao longo de 2016. Na XVIII Bienal Internacional do Livro, o senhor afirmou que, assim como um pai não tem um filho preferido, o senhor também não tem um personagem preferido, mas enalteceu o Horácio. Por quê?

O Horácio sempre foi muito ligado ao meu pensamento filosófico. Posso até delegar historinhas dele, mas sempre terá que ter muito de mim ali. Como digo, às vezes me sinto realmente um dinossauro dentro desse mundão. O senhor teve receios ou dificuldades com os avanços da tecnologia?

Eu estou ligado na parte de comunicação que a tecnologia proporciona para exercer uma interatividade com o meu público. Temos que seguir junto com a evolução e as novas plataformas de comunicação, mas sem esquecer da base de nossa vida, que vai além disso. Mantenho, em meu estúdio, profissionais que ainda desenham sobre papel e preservo essa forma quase artesanal de trabalho. Um computador pode quebrar

O senhor fez 82 anos no final de outubro, quase 60 anos de carreira; a Mauricio de Sousa Produções já vendeu mais de 1 bilhão de gibis, criou mais de 400 personagens e tem mais de 3.000 produtos licenciados. O que vem pela frente? Pensa em se aposentar?

Esta palavra, “aposentadoria”, não existe no meu dicionário (risos). A cada novo sonho se renova o desafio da criação. Temos muitas novidades. Nosso primeiro filme live-action com a Turma da Mônica, com o nome de Laços, a respeito de uma história linda sobre amizade e solidariedade, estará pronto em 2018. Tem também a nossa série de animação no YouTube, estamos na TV Cultura, a Mônica Toy é um sucesso mundial, chega a mais de 3 bilhões de visualizações. E, para 2019, haverá outro live-action, que está em produção, com a Turma da Mônica Jovem. 

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FOTO: [3] JOSÉ CARLOS BULDRINI; [4] DIVULGAÇÃO

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Temos uma série de revistas com temas de importância educacional sobre ecologia, saúde e direitos das crianças. Geralmente são produzidas para a área educacional e de saúde. Mas a responsabilidade aumentou no final de 2007, quando a Mônica foi convidada a ser embaixadora do Unicef no Brasil, juntamente com Renato Aragão e Daniela Mercury. É a primeira personagem de quadrinhos convidada no mundo. Nossa revista especial com a Turma da Mônica dando dicas sobre o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) já foi distribuída para milhões de crianças.


4Comportamento

Como em um jogo de videogame, as crianรงas passam por algumas etapas do desenvolvimento que apresentam desafios e exigem habilidades dos pais. Saiba em que fase o seu filho estรก, como lidar com ela e o que esperar da prรณxima POR Rafaela

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Matias


MARIO E BOWSER. Sonic e Dr. Robotnik. Donkey Kong e Tiki Tong. Zelda e Ganondorf. Claire Redfield e Nemesis. Um herói de videogame que se preze precisa enfrentar alguns vilões para cumprir o objetivo do jogo. Naturalmente, os desafios vão ficando cada vez mais difíceis e é preciso se superar para chegar ao final como vencedor. Alguns dos jogadores assíduos, que durante a infância não soltavam os manetes e faziam questão de manter em dia os seus cartuchos para zerar os clássicos do videogame, hoje precisam superar chefões da vida real na tentativa de alcançar objetivos pessoais e profissionais. Certamente a maternidade e a paternidade estão entre os maiores deles. Assim como nos jogos, as crianças passam por algumas fases de desenvolvimento – naturais e até necessárias, mas que vêm carregadas de um turbilhão de obstáculos os quais os pais precisam superar junto dos filhos. Segundo a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo Regazzoni, presidente do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a família precisa entender cada fase em que a criança se encontra para conseguir estimular a maturidade e a autonomia dos pequenos. “É comum, por exemplo, que birras aconteçam por volta dos 2 anos, mas os pais precisam contornar a situação para que elas não continuem nas próximas etapas do desenvolvimento. Ao entender cada estágio, as famílias podem ajudar a criança a passar por eles de forma natural e contribuindo para o amadurecimento saudável”, explica. Por falar em birra, o Mateus, de 2 anos, fez uma histórica no mês passado e deixou a mãe, a bióloga Adriana Alves Oliveira Paim, cheia de preocupação. Detalhe: o show aconteceu no meio do shopping e não deixou alternativa para a família senão ir embora. Lucas Pinho Musumeci Suarez, de 6 anos, já passou dessa fase. Agora, ele está na alfabetização, o que também não tem sido nada fácil para a mãe, a administradora de empresas Marcella Pinho. Apesar das dificuldades, Adriana e Marcella sabem que uma das etapas mais difíceis ainda está por vir: a transição da infância para a adolescência. É nela que o Enzo, de 9 anos, está. “Ele agora quer sair com os amigos, acha que sabe tudo,

não quer mais passar férias na casa da avó no interior. Precisamos ter muita paciência, pois sabemos que não durará para sempre. Daqui a pouco ele será um homem, e sentiremos saudades do garoto rebelde”, diverte-se a mãe, a publicitária Fabiana Gomes Gaillardetz. Com a ajuda de especialistas – a pediatra Marisa da Matta Aprile, professora afiliada da disciplina de pediatria da Faculdade de Medicina do ABC e membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP); a pediatra e psiquiatra Ana Maria Costa da Silva Lopes, membro do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da SBP e professora da Faculdade de Medicina da UFMG; o psicólogo e psicopedagogo Cássio Frederico Veloso, criador do Núcleo de Desenvolvimento Bora Brincar; a pediatra Laís Valadares, presidente do Comitê da Primeira Infância da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP); a psicóloga Cristina Eiras, especialista pela USP em violência doméstica; e a médica de família e comunidade Denize Ornelas, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), além da doutora Liubiana –, organizamos as principais etapas de desenvolvimento da meninada para que os pais consigam identificar em qual delas o filho está e se preparar para o que vem pela frente, além de, claro, entender como lidar com cada desafio da melhor maneira possível. Afinal, no game da criação de filhos, o objetivo principal sempre será a felicidade dos pequenos, e falhas técnicas devem ser evitadas com toda a habilidade de um bom jogador. 4

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FASE DA CÓLICA Em geral, dura até os 6 meses de vida. O sistema digestivo do bebê ainda está se desenvolvendo, e as cólicas podem ser motivo de muito choro noites afora. Além disso, é um momento em que mãe e filho precisam se adaptar à amamentação. “O bebê nasce com um potencial enorme, mas insuficiente para cumprir suas necessidades básicas sem auxílio, já que seu instinto, por mais que opere, não é capaz de lhe garantir a sobrevivência”, afirma a pediatra Laís Valadares. Por isso, o bebê precisa de cuidados intensivos, de alguém para alimentá-lo, agasalhá-lo e protegê-lo dos estímulos invasivos do ambiente. Ele está construindo as relações de vínculo com a mãe, e é importante o estímulo à amamentação e o suporte do pai e dos familiares como facilitadores da construção desses primeiros contatos afetivos. “Algumas medidas, como colocá-lo no charutinho, no sling ou no contato pele a pele, sentindo calor corporal e o batimento cardíaco da mãe, ajudam a acalmá-lo como se ainda estivesse no útero”, afirma Denize Ornelas.

FOTOS: [1] GUSTAVO ANDRADE; [2] RICARDO BORGES; [3] WILLIANS MOARES; ILUSTRAÇÕES: AINE USAGI

FASE ORAL A criança quer conhecer o mundo pela boca, e é preciso atenção para que ela não se exponha a perigos. Em geral, dura até o primeiro ano de vida, e, aqui, é provável que o seu bebê já esteja engatinhando ou dando os primeiros passinhos. Os pais precisam estar em constante alerta para que o pequeno não se machuque nem ingira objetos nocivos. Também começam a nascer os primeiros dentinhos, o que pode causar febres e desconfortos. “A continuidade do aleitamento materno deve ser estimulada, e, na introdução de novos alimentos, o vínculo afetivo do bebê com a mãe ou com o cuidador é essencial”, afirma a pediatra e psiquiatra Ana Maria Costa da Silva Lopes. Atitudes afetivas pela estimulação sensorial também são fundamentais (cantigas de ninar, toques, contato visual, sorrisos, embalar o bebê etc.) para uma transição mais tranquila.

Mateus, de 2 anos, deu um "show" bem no meio do shopping

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FASE DA BIRRA Também conhecida como “terrible two”, essa fase ocorre por volta dos 2 anos. A criança está aprendendo a lidar com as próprias emoções e não tem uma capacidade bem desenvolvida de verbalizar os seus sentimentos. Ela começa a se perceber enquanto indivíduo e, a partir disso, faz escolhas. Quando percebe que nem todo desejo será atendido, ela precisa lidar com as frustrações. Em situações em que algo que deseja não é alcançado, é comum (e tolerável) que a criança faça a temida birra. Nesse momento, os pais devem intervir de forma firme e afetiva, por meio do diálogo. “É importante que os adultos não tentem travar uma luta com a criança para mostrar quem pode mais. Entenda como um processo natural, e não como uma afronta”, alerta a pediatra Marisa da Matta Aprile.

FASE DO EGOCENTRISMO

[1]

É comum que aconteça junto com a fase da birra, mas existem algumas peculiaridades. A criança tende a se perceber como o centro do mundo e, algumas vezes, tem dificuldade de dividir e aceitar o não. Ela não concebe uma realidade da qual não faça parte, devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica. Mesmo assim, está progredindo na construção de sua autonomia e de suas próprias escolhas. Por exemplo: ela já manifesta como deseja se vestir. É importante que os pais respeitem essa construção e que negociem com a criança o que é permitido ou proibido em determinada situação. “Será no meio familiar, rodeada de pessoas que a amam, que ela deverá aprender a lidar com o não e ser preparada para os nãos que virão do mundo”, defende a psicóloga Cristina Eiras.

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FASE DO APRENDIZADO SOCIAL Em geral, é quando a criança larga de vez as fraldas e a chupeta. Começa o aprendizado social, e os exemplos dos pais são mais compreendidos, incorporados e imitados. A convivência no ambiente escolar e no meio familiar deve ser estimulada, para que o pequeno desenvolva noções do convívio em sociedade. A criança se formará como um espelho das relações familiares, por isso é preciso muito cuidado com o que é apresentado a ela. Os pais devem se preocupar com a construção de um vínculo positivo. “Nesse período, é importante uma relação conjugal harmoniosa, afetiva, estável e com certas interdições. É fundamental que, desde muito cedo, os responsáveis reflitam sobre as funções paternas e maternas para educar os pequenos de forma convergente”, explica o psicólogo e psicopedagogo Cássio Frederico Veloso.

[2]

FASE DA ALFABETIZAÇÃO Começa o aprendizado da leitura e da escrita. A curiosidade está aflorada, e as crianças querem saber as razões das coisas. Perguntas difíceis podem surgir e devem ser respondidas de acordo com a capacidade de entendimento do pequeno. A criança captura percepções e a aparência imediata dos objetos. Elas adquirem a capacidade de investigação. Os “porquês” são uma forma de construção de resposta às descobertas infantis. “É importante que as crianças sejam estimuladas juntamente pelos pais e pela escola, e que estes conservem um tempo para o brincar, que é a atividade mais rica e importante para o desenvolvimento delas em todas as fases”, orienta a pediatra Laís Valadares. Lucas, de 6 anos, vive um momento de curiosidade aflorada

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PRÉ-PUBERDADE A idade pode variar bastante, mas, em geral, acontece entre os 9 e os 12 anos. Eles tendem a se achar adultos, começam a questionar limites e comportamentos, os hormônios estão aflorados, o corpo começa a mudar e a se desenvolver. Tem início a preferência pelas atividades em grupo, o que será intensificado na adolescência. Aquela criança que antes era dependente apresenta sinais de maior autonomia e desejo de independência. “Cabe aos pais e aos cuidadores ter consciência de que ela ainda precisa de supervisão e acolhimento, apesar de suas tentativas de oposição e de impor sua vontade”, afirma a psicóloga Cristina Eiras. Os pais devem estimular a continuidade de construção de autonomia e de vínculos afetivos duradouros.

ADOLESCÊNCIA

[3]

Aqui, uma enxurrada de novos desafios marca a transição da infância para a vida adulta. Os pais precisam se reinventar em suas habilidades para lidar com questões sociais e emocionais que possam surgir. A puberdade traz mudanças corporais que marcam a construção de escolhas identificatórias, sexuais e profissionais, entre outras. Enzo, de 9 anos, dá sinais de que a adolescência se aproxima

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4memória

Cartas para

o futuro

Mães também se conectam com seus filhos por meio da escrita POR Gabriela

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ESCREVER É EXPRESSAR o sentimento do que foi vivido, imaginado e que transbordou em palavras. É também superação, força e compreensão. A carta é uma das práticas mais antigas de se comunicar, assumindo tom confessional, genuíno e carinhoso. Quando são mães que escrevem aos seus filhos, destinam relatos sensíveis e emocionantes, carregados de amor, afeto e um gigantesco sentimento de bem-querer. Os textos não só ficarão de legado e aprendizado aos rebentos, mas também dizem muito sobre as dores, as dificuldades, os anseios, os medos, as alegrias e a incrível transformação dessas mulheres como mães. São inúmeras as necessidades afetivas que fazem das cartas um instrumento de apoio e até de superação. Uma das pioneiras na arte de transbordar suas emoções em relatos endereçados ao filho é a mineira, publicitária e escritora Cris Guerra. Ela perdeu o companheiro Guilherme dois meses antes do nascimento de Francisco, fruto do amor do casal. Ao mesmo tempo em que vivia a imensa tristeza da viuvez, sentia o pulsar de uma nova vida dentro dela. Precisou escrever para entender emoções tão díspares e simultâneas. E foi assim, em 2007, que criou o blog Para Francisco, que, no ano seguinte, virou livro e agora está sendo adaptado para o cinema. No blog dedicado ao filho, que completou 10 anos, Cris fala sobre o pai de Francisco, discorre sobre episódios prosaicos e saborosos, como o primeiro café da manhã junto com Guilherme, além de trazer o lado carinhoso e cuidadoso do companheiro e suas emoções diante da paternidade. Claro, não faltam belíssimas declarações de amor, como esta dedicada ao filho:

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Dez anos de cartas A nova edição do livro Para Francisco, de Cris Guerra, será lançada neste mês pela Editora BestSeller. Comemorando o aniversário, Para Francisco (Edição Especial – 10 Anos Depois) acrescenta cartas escritas após o lançamento do primeiro livro, além de outras surpresas. “Trouxemos um olhar de alegria para o tempo que transforma as nossas dores e sempre nos surpreende”, diz Cris Guerra. Leia mais sobre esse livro na página 50, na coluna que ela escreveu para a Canguru deste mês.

“Ainda não acredito no milagre de haver você na minha vida. Agradeço como quem acaba de parir. Você nasce todos os dias quando o vejo acordar. E a dor de ser mãe me desperta cada músculo na busca de um dia melhor”.

Crise existencial A gravidez não planejada e toda a mudança que ela traria na vida de Carynne Oliveira, de 20 anos, foram decisivas para que a estudante de jornalismo carioca começasse a escrever cartas ao filho Renato Augusto. Nelas, estão relatos íntimos sobre como enfrentou o momento da gestação, assim como as dificuldades e os prazeres que viveu e vive com o bebê, de 8 meses. “Passei por uma crise existencial, não sabia se seria uma boa mãe, como me adaptar à nova realidade, e aí me


veio a ideia de escrever”, conta Carynne, que já tem pelo menos 15 cartas concluídas. Ela diz que pretende continuar registrando cada momento vivido e deixar sua experiência para as diferentes gerações da família. “A memória no futuro tende a falhar, e essas cartas também ajudarão a contar a nossa história”, diz. Para a paulista Paola Rodrigues, redatora e roteirista de 24 anos, a escrita para a filha surgiu como uma tentativa de compensar a falta de diálogo que ela própria vivia, quando era criança, com sua mãe. No final de 2013, começou a escrever para a filha Helena, que hoje já tem 4 anos. “Escrevo para que minha filha

conheça uma mulher que, talvez, daqui a 20 anos, nem exista, para que saiba um pouco dessa história, das coisas que aprendi e vivi e, quem sabe, tire algum conselho dali”, explica Paola, que possui um blog chamado Cartas para Helena, com mais de 100 mil visualizações e quase 6.000 seguidores em sua página no Facebook. Através das cartas, Cris, Carynne, Paola e tantas outras mães decidiram se conectar e passar mensagens de amor e cuidado para os pequenos que, ao longo do tempo, vão entender que a utopia da perfeição das mães, sem erros ou falhas, abre espaço para outras definições.

De mãe para filh@ Leia alguns trechos de nossas mamães escritoras:

“Toda manhã, levo você à escola. Andamos dois quarteirões e, na esquina anterior, coloco a mochila finalmente nas suas costas e o estimulo a atravessar a rua sozinho. Você confia que possa ir. De coração trêmulo, eu treino a entrega. Sem segurar na sua mão, aviso: “Não vá ainda, espere esse carro passar”. O fluxo dos carros naquela rua não muito movimentada por vezes se assemelha à maré alta. E você, como todo menino, tem pressa. Temo por você, mas sei que não vou poder estar ao seu lado o tempo todo.” Cris Guerra, na carta “Travessia” “Quando chegou até mim, a primeira coisa que fiz foi te cheirar (um cheiro tão gostoso que eu nunca vou esquecer). Tão lindo, parecia um boneco de cera. (...) Eu nunca irei esquecer desse dia, do seu rostinho. Foi amor à primeira vista! Eu te amo ao infinito e além. Você me tornou mãe e me transformou como mulher.” Carynne Oliveira, na primeira cartinha: “Bem-vindo, meu bem” “Boas histórias com finais felizes não existem, existem boas histórias com muita felicidade, luta, tristeza, problemas e talvez uma piada no final. Somos misturados, complexos, densos, fracos e fortes. E se chorei por todos esses dias achando que falhei nesses últimos dois anos já que não alcancei todas as minhas expectativas sobre minha própria vida e fortaleza, tudo bem, foi necessário para entender isso também. Falhei. E agora? Agora a gente se recupera e continua menos imbatível, um pouco mais humana, gentil com os calombos. No final, podemos nos fortalecer sem fechar todas as portas, fazer cara feia e bater mais forte que a vida.” Paola Rodrigues, na carta “Histórias com Final Feliz”

Em vez de cartas, e-mails Desde 2002, o site FutureMe ajuda aquelas pessoas que querem enviar e-mails para o futuro. É uma maneira de mães e pais do presente conversarem com eles próprios (ou com os filhos, companheiros, amigos etc.) no futuro. Acesse www.futureme.org e faça o teste! 

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Crianças de sucesso: atores mirins chegam à 10ª temporada da série queridinha da meninada

4Entretenimento

Mistérios por toda parte A Canguru foi convidada a acompanhar os bastidores da gravação da décima temporada de D.P.A., que chega com elenco maior, mais crianças e muitos enigmas POR Luciana

Ackermann

“OS IMBATÍVEIS, OS invencíveis, os”... Certamente, você já ouviu esse bordão aí na sua casa, não? Afinal, a série Detetives do Prédio Azul (D.P.A.) já completou cinco anos fazendo o maior sucesso entre a criançada. Agora chega à décima temporada, repleta de novidades, mais crianças e muito mistério pela frente – com direito, inclusive, a um novo edifício, o Prédio Amarelo, onde moram os amigos Lia (Giulia Gatti), Joca (Dudu Varello) e Dudu (Kaik Brum). Dona Leocádia vai deixar de reinar sozinha na série, pois o Prédio Amarelo também terá

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uma síndica-vilã para chamar de sua: a Bruxa Marga, interpretada pela atriz Luciana Braga. A Canguru esteve nos estúdios do Gloob, no Riocentro, na Barra da Tijuca, acompanhando as gravações da nova temporada, que estreará em 2018, e conta tudo por aqui, para você compartilhar as novidades com seus filhos. Escrito pela autora Flávia Lins e Silva, D.P.A. é o carro-chefe do canal infantil. Para a diretora da série, Vivianne Jundi, é uma imensa alegria ver a produção nacional agradando tanto. Ela conta que os 26 episódios da nova temporada já estão na fase final de gravação e trouxeram diversos desafios à equipe, já que se trata de uma história mais complexa, toda encadeada e repleta de novos elementos, sem falar na chegada de uma nova turminha ao elenco: “Integrar as novas crianças ao ritmo e à dinâmica das gravações tem sido desafiador. Também ficou um pouco mais

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Os novos moradores Os três atores mirins que entraram nesta temporada já eram muito fãs da série e estão adorando tudo. Giulia Gatti, de 9 anos, explica que Lia é muito alegre e divertida e acredita que vai conquistar os pequenos espectadores: “Viemos pra quebrar, enfeitiçar e investigar. Não somos tão bons detetives quanto eles, mas somos diferentes”. Aos 13 anos, Kaik Brum já tem no currículo novelas como Joia Rara, Os Dez Mandamentos e Totalmente Demais. Ele será o nerd Dudu: “Fazer o D.P.A. está sendo muito legal porque é sobre crianças e voltado para crianças”. Superanimado também está Dudu Varello, de 10 anos: “O Joca é bagunceiro, líder da turminha do Prédio Amarelo, bom em fazer planos e vai aprontar bastante”.

AS LEITORAS CONVIDADAS

da Canguru

Curiosidade, carinhas de espanto e certa timidez diante dos “detetives” tão queridos foram alguns dos sentimentos que as irmãs Maria Eduarda Lirio, de 9 anos, e Marina, de 6, experimentaram durante a visita ao set de gravação do D.P.A. As duas acompanharam a reportagem de Canguru, conheceram os cenários e os atores, viram os bastidores da produção, passearam pelos diferentes espaços, assistiram a um pouquinho das gravações, tiraram fotos e cantaram parabéns, com a equipe, para a atriz Suely Franco, a Vó Berta, que fez aniversário justamente no dia em que as pequenas estiveram por lá. “O que eu mais gostei foi conhecer os detetives. Adorei”, resume Duda, que foi desvendando cantinho por cantinho dos apartamentos do Prédio Azul e dos novos cenários do Prédio Amarelo. Sem dúvida, a casa da vilã Leocádia foi o que mais chamou a atenção das pequenas. Afinal, é dali que saem feitiços mirabolantes, com ingredientes como “sangue de vampiro” e “bigode de bode”, além das poções para vida eterna e controle da mente. 

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FOTO: RICARDO BORGES

difícil fazer com que as seis crianças se concentrassem, às vezes vira festa”. Os atores mirins fazem coro ao entusiasmo da diretora. Letícia Braga, de 12 anos, que interpreta a intuitiva Sol, Pedro Henriques Motta, também de 12, que faz o bagunceiro Os novatos: Joca, Lia e Dudu Pippo, e Anderson Lima, serão os moradores do Prédio 14, que dá vida ao nerd Amarelo, novidade na série Bento, vibram ao falar da nova safra. No Beco Secreto das Ideias, sala onde é feita a preparação de texto com as crianças antes de entrarem em cena, Pedro e Anderson dizem que a trama vai exigir mais do público, porque haverá um mistério maior. Anderson revela que haverá rivalidade entre as bruxas, o que acabará afetando as crianças dos dois prédios, rendendo disputas pra lá de divertidas. Já no pátio do Prédio Azul, Letícia conta, com a maior desenvoltura, que está adorando as novidades. “Tem uma tensão maior. Eu gosto dessa ideia de transformar o medo em humor”, diz a pequena atriz, que acumula quase 4.500 seguidores em sua página oficial no Facebook, lançou o livro Cabelinhos de Anjo em plena Bienal do Rio e atuou em dois longas recentes: D.P.A. – O Filme e A Menina Índigo.

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4Diversão

Está na mesa, pessoal! Crianças aprendem receitas e se divertem com youtubers de culinária POR Catarina

Ferreira

SE VOCÊ PERGUNTAR a uma criança o que ela quer ser quando crescer, não se assuste se ela responder “youtuber”. Cada vez mais os pequenos estão assistindo a canais e se inscrevendo em seus prediletos. E um filão específico vem crescendo no gosto da garotada: o dos vídeos de culinária. As crianças reproduzem as brincadeiras e as receitas em casa com seus pais e utilizam a plataforma de vídeos on-line para aprender.

Para que você conheça um pouco do dia a dia e da história dos canais que as crianças mais acompanham, leia a seguir as conversas com a mãe da Sarinha (uma garotinha que hoje acumula mais de 800 mil inscritos e de 130 milhões de visualizações em seu canal), com as amigas Ivana e Sofia, do canal Cenoritas, e com as crianças do Tem Criança na Cozinha, do canal televisivo Gloob que é também transmitido pelo YouTube. [1]

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Cenoritas Apresentadoras do canal Cenoritas, com mais de 200 mil inscritos, as amigas Ivana Coelho, de 11 anos, e Sofia Bresser, de 14, também compartilham o amor pela culinária e pelos vídeos no YouTube. Elas se conheceram no MasterChef Júnior, exibido pela Band em 2015. “Minha mãe sempre cozinhou muito bem, até hoje ainda cozinha, então desde pequena sempre fui acostumada com esse ambiente. Fui crescendo, comecei a fazer as receitas sozinha e fui gostando cada vez mais”, conta Sofia sobre como se aproximou da gastronomia. O mesmo aconteceu com Ivana, que, a partir do que aprendeu em

Tem Criança na Cozinha O Mundo Gloob é um canal no YouTube que reproduz vídeos da programação exibida pelo canal Gloob na televisão. Um de seus maiores sucessos de engajamento on-line é o programa Tem Criança na Cozinha (TCNC), segundo Luciane Neno, gerente de marketing e novas mídias do canal. Luciane explica que o programa busca explorar o aumento do interesse das crianças pelo mundo culinário, mas sempre prezando pela diversão, pela inspiração, pela experimentação e pelo brincar. Ainda segundo a perspectiva da gerente, a presença do programa no YouTube aproxima o público do conteúdo que está sendo transmitido. Ela explica que parte das receitas apresentadas no TCNC é sugerida pelo público através da plataforma digital do canal. “Quando uma receita é escolhida e produzida, ela vai para o site com o nome da criança que sugeriu”, conta.

casa, viu intensificar sua proximidade com o universo culinário. Para continuar aprendendo, as amigas apostam em livros e tutoriais em vídeo. A dupla concorda que o Cenoritas deve permanecer no YouTube, mas Sofia não descarta a possibilidade de futuramente trabalhar com TV. Ela explica que gostaria de explorar outros gostos além da gastronomia, como desenho, moda e fotografia.

Assista à entrevista que a TV Canguru fez com as Cenoritas em: bit.ly/canguruCenoritas.

Delícias como pão de queijo, esfirras e até escondidinho de frango fazem parte do cardápio de receitas ensinadas por Thiago Araújo, 12 anos, Adriano Silva, 15, e Lara Cariello, 10. Os três já gostavam de cozinhar em casa. Thiago conta que, antes do programa, já ajudava a mãe a fazer muitas receitas e foi nessa época que aprendeu a fazer seu prato predileto: panqueca de carne moída. Questionado sobre se houve alguma receita que não gostou de fazer, Adriano responde: “Eu gostei de todas as receitas e pude provar todas as gostosuras feitas no programa”. Já Lara diz não gostar de bananas, então prefere as receitas que não tenham a fruta, e Thiago conclui: “Algumas eu achei que não ia gostar, mas provei e me surpreendi. Acabei gostando de cuscuz marroquino, por exemplo. Por isso, eu aconselho aos meus amiguinhos que experimentem antes de dizer que não gostam”. 4

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FOTO: [1] DIVULGAÇÃO GLOOB; [2] DIVULGAÇÃO; [3][4] DIVULGAÇÃO YOUTUBE

Cozinhando com Sarinha “O canal começou depois da repercussão de um vídeo caseiro que fizemos, sem qualquer pretensão. Apenas queríamos registrar a nossa pequena, que na época tinha 4 anos”. É o que conta Taís Domingues, mãe de Sarinha, sobre o início do canal que leva o nome da menina. As duas não esperavam que os vídeos tivessem um alcance tão grande, a ponto de se tornarem, hoje, um trabalho fixo para a família. Bolinho de chuva, brigadeiros, cupcakes e biscoitos estão entre as receitas que a pequena, hoje com 7 anos, ensina junto de sua mãe em seus vídeos. Atualmente, o canal está mais diversificado, não se restringe à culinária. “Conforme ela foi crescendo, tomou conhecimento da existência de outros canais infantis e foi se identificando e sugerindo mudanças, que ocorrem o tempo todo”, diz a mãe. Sobre a rotina de conciliar as gravações, as tarefas escolares e a diversão, Taís conta que procura fazer com que o dia a dia seja o mais leve possível para a filha: “Ela brinca em frente às câmeras, o trabalho mesmo fica todo com a produção, boa parte comigo e com o pai dela”. 

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4saúde

Papais, vocês também

precisam se cuidar

Campanha Novembro Azul alerta para a importância de exames preventivos contra o câncer de próstata Matias

DEPOIS DE A CAMPANHA Setembro Dourado alertar para o câncer infantojuvenil e de o Outubro Rosa chamar a atenção para o câncer de mama, é a vez do Novembro Azul se encarregar de trazer informações sobre o câncer de próstata. O triângulo de meses coloridos pretende manter toda a família saudável e em constante busca pela prevenção dessas doenças. A próstata, uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen, é um órgão pequeno que envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina é eliminada. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o quarto tipo mais comum e o segundo com mais incidência entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A estimativa do INCA é de mais de 60 mil novos casos anuais no país. O especialista Thiago Jardim Arruda, membro titular da Sociedade Brasileira de

Radioterapia e médico dos hospitais Felício Rocho, São Francisco e Luxemburgo, em Belo Horizonte, diz que existem dois desafios para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. O primeiro é a dificuldade de acesso da maioria da população aos exames e aos tratamentos mais modernos, o que acaba atrasando o diagnóstico preciso e reduzindo as chances de cura. O outro é o preconceito, que ainda impede muitos homens de realizar o exame de toque retal, que é de grande valia para o diagnóstico e uma das mais eficientes formas de prevenção. “Quando detectado em estágios iniciais, as taxas de cura podem chegar a 90%, mas se o quadro já estiver avançado esse número cai para 10% a 20% de chance de sobreviver por 5 anos”, afirma o especialista. Normalmente, o câncer de próstata é silencioso e não apresenta sintomas. Quando ocorrem, eles são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata – como dificuldade para urinar ou necessidade de urinar muitas vezes durante o dia ou à noite. Na fase avançada, pode provocar dor óssea, outros sintomas urinários ou emagrecimento inesperado. Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos procurem um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. 

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ILUSTRAÇÃO: FREEPIK

POR Rafaela


4passeios kids

Casa das Ideias

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sua autoconfiança e adquiram autonomia. É uma verdadeira oficina de engenhocas onde todos aprendem brincando de forma inteligente e descobrindo que matemática e engenharia, por exemplo, podem ser muito bacanas. Indicado para pequenos a partir de 4 anos, nos deparamos com crianças maiores e adolescentes viajando nas suas criações, compartilhando ideias e objetos e trocando dicas com os menos experientes. Cada professor atende no máximo três crianças por aula, e os materiais são recicláveis e oferecidos pelo espaço. Porém, eles também estimulam que os alunos levem seus próprios materiais, que, em sua maioria, seriam jogados no lixo. Nas férias de julho e janeiro há uma programação especial, e eles também realizam festas de aniversá-

rio. Pelo que vimos, parece ser uma ótima ideia para quem quer sair do convencional. 

QUER CONHECER? Rua Fidalga, 174F, Vila Madalena. Funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 12h ou das 14h às 16h; e aos sábados, das 10h às 12h. Valor: R$ 120 por aula (duas horas) Classificação: a partir de 4 anos Telefones: 98947-8117 (WhatsApp) ou 2364-4847

Cá é fisioterapeuta e apaixonada por leitura e escrita. É mãe da Júlia, de 3 anos. Tatê é jornalista de formação e blogueira por paixão. É mãe da Luiza, de 3 anos.

FOTO: DIVULGAÇÃO

ESTIVEMOS RECENTEMENTE NA Casa das Ideias e adoramos o fato de existir um lugar como esse em São Paulo, dedicado a dar asas à imaginação das crianças e dos adolescentes, que podem construir, sozinhos ou com a ajuda de professores, o que tiverem vontade. O primeiro passo é dado com um planejamento junto ao professor, e as criações vão de brinquedos de madeira a casinhas com poste de luz que liga de verdade, carrinhos de controle remoto e até disco voador! Além disso, os participantes soldam fios, cortam madeiras, fixam pregos, instalam motores, pintam etc. Não há espaço para o “não pode” ou “não é possível”: os instrutores apenas ajudam a transformar as ideias nos objetos que os aprendizes desejam. O objetivo é que pouco a pouco eles aumentem


SABE ESSE PAPO de coisa de menino e coisa de menina? Brinquedo de menino e brinquedo de menina? E esse medo que temos das questões de gênero? E essa nossa necessidade de diferenciar os meninos das meninas até nas brincadeiras? Não é de hoje que a discussão foi aberta, mas ainda tem gente que acha que menino tem que ter cabelo curto e menina tem que ter cabelo comprido, que menina não joga futebol, que menino não brinca de casinha. Medo? De quê? De “induzi-los” a ser homossexuais? Se homens têm filhos e devem cuidar deles, os meninos deveriam ter o direito de brincar com bonecas. Se as mulheres dirigem, se tem um monte de “mãetorista” por aí, as meninas deveriam poder brincar de carrinho. E aquelas perguntas que as crianças fazem sobre namorado e casamento? Cuidado com as respostas que induzem a criança a achar que a verdade absoluta é que homem gosta de mulher e mulher gosta de homem. A questão de gênero não precisa vir na resposta. “Mamãe, um dia eu vou me casar?”. Você pode responder: “se você encontrar alguém muito legal, que você ame, pode ser que sim” (“alguém” não tem sexo, pode ser

homem ou mulher, nesse momento isso não vem ao caso). Por mais difícil que seja, precisamos lidar com a possibilidade de os nossos filhos gostarem de alguém do mesmo gênero, e, se isso acontecer, ele não merece sofrer por acreditar que se apaixonar é errado. Se a pergunta for mais específica: “Mãe, meninas podem namorar meninas?”. Aí, sim, a própria criança introduziu a questão. Nesse caso você não pode escapar da resposta. Claro que você vai responder de acordo com as suas crenças e princípios, mas, lembre-se: a verdade é que meninas namoram meninas, e meninos namoram meninos tam-

Bebel Soares e o filho Felipe

bém, quer você goste disso ou não. Ou seja, não imponha, mesmo inconscientemente, que a criança tem que ser heterossexual. Ainda que a possibilidade de seu filho não ser hétero seja desconfortável pra você, isso não é uma coisa que os pais definem. Nós educamos e orientamos, quem escolhe o caminho são eles. Amar nunca é errado.

Bebel Soares é fundadora da plataforma de apoio a mães Padecendo no Paraíso. Na Canguru ela fala sobre educação, saúde, alimentação, sexo, inclusão e viagens. www.padecendo.com.br

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FOTO: DEPOSITPHOTOS

Filhos e as questões de gênero

FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA

padecendo no paraíso


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

para ler com seu filho

O incrível livro que espichou! Como é bom ler um livro, passar as páginas, espichar, desdobrar, virar pelo avesso... “O quê? Será que o Leo Cunha pirou?” – você deve estar pensando. Não, nada disso: é que neste mês resolvi falar de livros que fogem ao modelo tradicional (aquele formato encadernado, grampeado ou colado). Estes aqui são livros que se desdobram e espicham. Quem disse que não pode?

leo cunha e os filhos, Sofia e André

Haicobra está saindo do forno – ou, melhor seria dizer, saindo do ovo! Impresso numa única folha de papel, espertamente recortada e dobrada, o livro se abre no formato de uma cobra e, a cada dobra, nos propõe um haicai. Para quem não sabe ainda, o haicai é um poema de origem japonesa, curtinho, com três versos, sem título. Os poemas de Fabio Maciel, com métrica mais livre do que os haicais orientais, exploram os vários sentidos da palavra "cobra", com direito a rimas e bom humor, como nos versos abaixo: Pobre cobra Má fama, mas o que dizer Daquela que usa escama? Pois confesso, moço Tenho medo Vai que eu viro almoço. SOBRE OS AUTORES: Fabio Maciel, carioca, é poeta, ilustrador e editor. Márcio Sno, paulista, é jornalista, editora, ilustrador e oficineiro.

HAICOBRA. Texto de Fabio Maciel e ilustrações de Márcio Sno. Ed. Bambolê, 2017.

TER UM PATINHO É ÚTIL, de Isol. Editora Cosac Naify, 2014

Ao contrário do Haicobra, que é lançamento de 2017, minha outra dica é mais difícil de encontrar. Ter um Patinho É Útil foi publicado em 2014 pela editora Cosac Naify, que, infelizmente, encerrou suas atividades. O jeito é procurar o livro numa biblioteca, num sebo ou numa livraria virtual que ainda o tenha em estoque. Mas vale a pena, pra conhecer e compartilhar essa delícia com seu filho, neto ou sobrinho. Criado pela escritora e ilustradora Isol, o livro mostra, com muito humor e bom senso (que às vezes vira nonsense), as mil e uma utilidades de um patinho para uma criança. O livro se desdobra até virar uma longa tira, e – surpresa! – no verso o que temos é outra história, contada sob o ponto de vista do patinho: Ter um Menino É Útil.

Leo Cunha O escritor Leo Cunha publicou mais de 50 livros, como Um Dia, um Rio (Ed. Pulo do Gato) e Cachinhos de Prata (Ed. Paulinas). Recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Jabuti, Nestlé, FNLIJ e João-de-Barro. leocunha@canguruonline.com.br

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IMAGENS: REPRODUÇÃO

SOBRE A AUTORA: Isol, escritora e ilustradora argentina, ganhou os principais prêmios mundiais do ramo, como o Astrid Lindgren, na Suécia.


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

viagens, modo de usar

A joia da Patagônia argentina

das Américas. Garotas e garotos poderão andar pelos senderos, as trilhas que acompanham os riachos de degelo onde o caiaque transforma as pequenas corredeiras em diversão. Uma dica: faça um cruzeiro pelo Lago Nahuel Huapi até a Ilha Vitória. Quando chegar, atravesse o Bosque dos Arrayanes, que teria inspirado Walt Disney para ambientar seu famoso filme Bambi. Também não deixe de subir pelo teleférico até o Cerro Otto. Lá de cima se curte uma magnífica vista da região. Na confeitaria giratória, tome o delicioso chocolate quente. Por falar em chocolate, Bariloche possui dezenas de fábricas. Duas delas são a Fenoglio, que mantém um museu do chocolate, e a Rapa Nui, também criadora de deliciosos sorvetes. Experimente o chocolate em rama, que dizem ter sido inventado na cidade.

Na Patagônia viveram alguns dos maiores dinossauros. No Parque Nahuelito, as crianças entram em contato com réplicas desses gigantescos lagartos pré-históricos. Para aquelas que amam um pouco mais de aventura, há tirolesas no alto das copas das árvores que deixariam Tarzan com inveja. As crianças também podem brincar de Indiana Jones nas cavernas de lava vulcânica do Cerro Leones. Depois de tanto passeio e beleza, vem a inevitável confirmação: Bariloche é a joia da Patagônia argentina. Uma joia com brilho para durar a vida toda. 

Luís Giffoni é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos. giffoni@canguruonline.com.br

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FOTO: DIVULGAÇÃO

BARILOCHE, NA PATAGÔNIA argentina, é conhecida como “Brasiloche”, tantos são os brasileiros que a visitam durante o inverno. Na primavera, quando a cidade fica mais encantadora, pouca gente aparece por lá. É a melhor época para a viagem. Não há neve, mas tem menos gente, melhores preços e a explosão de cores da estação, além de muitas atrações adicionais. Se houver condição de gastar um pouco mais, hospede-se com as crianças no Hotel Llao Llao (foto), localizado às margens do Lago Nahuel Huapi, num dos mais deslumbrantes cenários do país. A natureza, com muito verde, um lago azul e os Andes, tira o fôlego para qualquer canto que se olhe. O Llao Llao oferece atividades infantis monitoradas, passeios a cavalo e de barco, caminhadas e pesca. À noite, há jogos e brincadeiras nos enormes salões e nos corredores do hotel revestidos com toras de madeira. O Parque Nacional Nahuel Huapi merece várias visitas. Ali se vê a diversidade da natureza: picos com alguma neve, água cristalina, animais, aves e plantas únicas. Ao fundo, o imponente Cerro Catedral, principal centro de esportes de inverno na Argentina. Mais além, desponta o Cerro Tronador, um vulcão com mais de 3.500 m de altitude. No caminho, passa-se pela Ruta 40, sem dúvida uma das mais belas

Luís Giffoni


O que é o inglês ideal para uma criança?

Nosso bebê precisa se tornar um “native speaker” ou precisa dominar o inglês como ferramenta de comunicação?

O

que países como Holanda, Malásia, Portugal e Singapura têm em comum? Segundo a pesquisa global da Education First (EF), eles estão no topo da lista dos países em que melhor se fala inglês. “Mas falam com ou sem sotaque”, perguntariam alguns? As avaliações de proficiência mensuram questões relacionadas à pronúncia, claro, mas desconsideram o sotaque, ou seja, a interferência da língua materna no ritmo e na cadência da fala. No Brasil, por outro lado, encontro frequentemente pais que procuram berçários bilíngues para bebês de, pasmem, 4 meses. São pais ansiosos para oferecer aos filhos o inglês de um nativo, sem sotaque, e que acabam, muitas vezes, comprando gato por lebre. Ao mesmo tempo, conheci adolescentes bilíngues, com certificados de alta proficiência em inglês, carregando um lindo sotaque latino. No berçário, a educadora insere comandos, canta e brinca em inglês. Em família, o bebê recebe comandos, canta e brinca em português, sua língua nativa. Já me deparei com casos em que a educadora, usando batom vermelho, para chamar atenção para os lábios, tentava arrancar do bebê um “hi” ou um “bye”, sem que este fosse sequer capaz de falar “mamãe” ou “papai”, assim, em português mesmo. Pé no chão, bagunça na água, autonomia de locomoção e aquisição da língua materna devem mesmo ficar em segundo plano na rotina de um bebê? Essa é uma necessidade minha, enquanto mãe, de oferecer “o melhor”, ou é uma necessidade do meu filho? “Quero oferecer o melhor ao meu filho”. “Hoje posso dar ao meu filho oportunidades que eu mesma não tive”. Ouço frequentemente essas afirmações e, como mãe e educadora, me policio para entender o que é “o melhor

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para o meu filho hoje”, e não o que teria sido melhor para mim há 30 anos. Na Ivy League, grupo formado por oito das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos – Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Universidade da Pensilvânia e Yale –, sotaques diversos marcam o inglês de professores e alunos. No mundo dos negócios, o mesmo acontece com CEOs e empresários. Por que insistimos em eliminar por completo justamente o que hoje temos de mais interessante em relação ao inglês como língua global, que é a diversidade? Nosso bebê precisa se tornar um “native speaker” ou precisa dominar o inglês como ferramenta de comunicação? Sem ansiedade, com outra mentalidade, os pais devem refletir sobre o que e quanto seus filhos precisam aprender de biologia, física e também de uma segunda língua. Estamos no mundo do raciocínio, das redes sociais, do cidadão global. Aprender inglês na primeira infância é importante, mas sem pressa, a seu tempo, com carga horária suficiente, na escola certa para cada criança. 

Camila Queres é educadora infantil e mãe de Bento, de 1 ano e 8 meses, e Joaquim, de meses. É formada em letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e tem pós-graduação em gestão e educação. Trabalhou na Escola Britânica do Rio de Janeiro e na Chapel School, em São Paulo. Hoje está no comando do berçário-escola Toddler Desenvolvimento Infantil.

FOTO: DIVULGAÇÃO

4artigo | Camila Queres


FOTO: ARQUIVO FOTOS: DIVULGAÇÃO PESSOAL

4artigo | Juliana Frozel de Camargo Alcoforado

Guarda compartilhada: foco deve ser nos filhos

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A guarda dos filhos representa apenas um dos atributos do poder familiar e significa proteção, direito e obrigação dos pais de dar segurança e acompanhar o crescimento dos filhos

evolução social traz novas perspectivas ao instituto familiar. A antiga figura do Pátrio Poder deu lugar ao Poder Familiar, que deve ser exercido em igualdade de condições pelo pai e pela mãe, buscando atender o melhor interesse da criança ou do adolescente. No caso de dissolução do casamento ou da união estável, nenhum dos pais perde o poder familiar relativo aos filhos. Legalmente, tal vínculo só pode ser desconstituído pela morte ou por decisão judicial. O que pode acontecer é a perda da guarda. A guarda dos filhos representa apenas um dos atributos do poder familiar e significa proteção, direito e obrigação dos pais de dar segurança e acompanhar o crescimento dos filhos, proporcionando-lhes uma boa formação moral, física e mental. O ordenamento jurídico brasileiro prevê expressamente no Código Civil a guarda unilateral e, mais recentemente, a guarda compartilhada. A guarda unilateral é aquela deferida a um dos pais, de forma consensual ou por decisão judicial, tendo o outro apenas o direito de visita, o que pode torná-lo mero coadjuvante na vida dos filhos. A Lei 11.698/2008, alterando alguns dispositivos do Código Civil, introduziu a guarda compartilhada, trazendo de forma facultativa a possibilidade da corresponsabilidade dos pais na criação, na educação e no acompanhamento na vida dos filhos, mesmo em caso de ruptura conjugal. Mas foi em 2014 que a Lei 13.058 trouxe a aplicabilidade do compartilhamento como regra, propiciando a efetiva participação de ambos os pais no processo de desenvolvimento dos filhos.

Na guarda compartilhada, o menor convive com ambos os pais de forma equilibrada, sem uma divisão matemática de tempo, pois o filho tem uma residência única e é acompanhado e assistido ativamente por ambos os genitores, o que contribui para seu desenvolvimento. Há a valorização dos papéis materno e paterno, já que todas as decisões são tomadas em conjunto, exigindo que vivam minimamente em harmonia, o que diminui também os riscos de uma alienação parental. A aplicação da guarda compartilhada busca a proteção integral da criança e do adolescente e a manutenção dos laços decorrentes da relação parental e da igualdade entre os genitores. O foco deixa de ser o interesse dos pais e passa a ser o interesse dos filhos. É claro que não existe uma receita perfeita, pronta e acabada, porque essa dinâmica envolve sentimentos humanos ambivalentes, mas é inegável que a qualidade do relacionamento reflete diretamente na formação da personalidade da criança e do adolescente e no futuro da sociedade. 

Juliana Frozel de Camargo Alcoforado é advogada e coordenadora do curso de direito da Anhanguera de Campinas – unidade Taquaral.

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FOTO: FLÁVIO DE CASTRO

crônica

Dez anos depois ACORDAR. RESPIRAR. PENSAR. Existir. Não há um verbo que não doa durante o luto. Talvez dormir alivie, que é quando a dor adormece. Momento em que o medo desperta: será preciso enfrentar o dia seguinte. Perder quem amamos é morrer um pouco. O luto nos torna um lugar ruim. Queremos fugir, perder a memória, emprestar outra vida. Qualquer coisa que nos salve do horror de sentir que alguém foi amputado de nós. Em janeiro de 2007, uma parte de mim teve morte súbita. Mesmo que meu coração insistisse em bater. Foi viuvez, mas também foi aborto: a frase cortada em pleno gerúndio. Mas havia dentro de mim outro coração. E este batia convicto, com ânsia de estreia. Eu tinha de dar um jeito de renascer. Eu me lembro de olhar ao redor e me perguntar com que direito as pessoas sorriam, se dentro de mim as luzes estavam apagadas. Foi assim no primeiro mês. Uma dor que parecia fadada a nunca mais terminar. A morte se repetiu muitas vezes até que eu finalmente aceitasse. Mais um mês até Francisco nascer. Finalmente a vida. A cada instante olhar e ver: nasceu. Respira, mexe, chora, mama. É nosso filho. Eu era a mãe mais feliz. Eu era a mulher mais triste. Escrever foi minha máscara de oxigênio. E quando as palavras conseguiam fazer o outro vestir o que eu sentia, a tristeza virava alegria. Uma espécie de alquimia incidental transmutou dor em sorriso. Foi assim que renasci. O tempo mudou os afetos de lugar. Abriu meus olhos, me ensinou a mudar de assunto. Distraidamente, foi me

cris guerra e o filho, francisco

O livro é uma máquina do tempo. Capaz de entregar para o filho o pai que faz mais falta nos momentos alegres mostrando a vida de novo – agora outra. Nunca plantei uma árvore. Duvidava poder um dia gerar um filho. Mas o Gui fez bem mais que isso em mim. Preparou a minha escrita para nascer. Em novembro de 2008, chegou meu "segundo filho", o blog materializado em livro. Seu nome? Para Francisco. Anos depois, deitado no meu colo, Francisco tomou o livro nas mãos, leu a dedicatória em voz alta e filosofou: "Se a gente construísse a máquina do tempo, eu ia encontrar meu pai Guilherme, né, Mamãe?" É isso. O livro é uma espécie de máquina do tempo. Capaz de entregar para o filho o pai que faz mais falta nos momentos alegres. Na viagem, leva também outras histórias. Dores que são suas, minhas, de todos nós. Nossos medos e sorrisos. Como o amor, um livro é mais forte que a morte. Dez anos se passaram – e eu pensava que não ia dar conta. Será que fui eu quem pariu Francisco ou foi ele quem pariu as mulheres que eu não sonhava haver em mim? Em novembro, chega às livrarias o Para Francisco (Edição Especial – 10 Anos Depois). A nova edição, ampliada, traz os dez anos completos da história. Uma seleção de novas cartas e também das "Francisquices", cenas de um menino feliz. Tudo embalado com muito amor em papel azul turquesa. Para Francisco, para você.

é publicitária, escritora e palestrante. Fala sobre moda e comportamento em uma coluna na rádio BandNews FM e a respeito de muitos outros assuntos em seu site www.crisguerra.com.br. Na Canguru, escreve sobre a arte da maternidade. crisguerra@canguruonline.com.br

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Cris Guerra


Aqui tem sempre uma atração pra você. 1ª semana 03 (Sex) • 21h Filipe Pontes 04 (Sáb) • 21h Rodrigo Capella 05 (Dom) • 19h Fabiano Cambota 2ª semana 10 (Sex) • 21h Robson Nunes e Micheli Machado 11 (Sáb) • 21h Oscar Filho 12 (Dom) • 19h Victor Sarro

1ª semana

3ª semana 17 (Sex) • 21h Rafael Portugal 18 (Sáb) • 21h Diogo Portugal 19 (Dom) • 19h Rafael Cortez 4ª semana 24 (Sex) • 21h Maurício Meirelles e Daniel Zukerman 25 (Sáb) • 21h e 26 (Dom) • 19h Marcos Castro

1 MELHOR QUE O OUTRO Paulinho Serra, Marcinho Eiras, Dinho Machado e Mauricio Dollenz QUA 21h

BARBATUQUES DIAS 11 e 12

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Av. Roque Petroni Júnior, 1089 Jardim das Acácias, São Paulo Acesso pela loja Renner

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Canguru | SP | Novembro de 2017 | Número 7  

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