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criando filhos melhores para o mundo

abr 2018 | nº 12 | São Paulo

DESAPARECIDOS Uma criança some no Brasil a cada 15 minutos. Veja as medidas essenciais para esse risco não bater à sua porta + Famílias que vivem essa dor denunciam omissão do Estado + Um raio X do drama no país

Daniel Becker:

Blogueiras indicam

É PRECISO MODERAÇÃO AO

AS 8 MELHORES PRAÇAS

montar agenda dos filhos

de São Paulo


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Porto Seguro Proteção Planejada. Protege você e sua família e ainda cuida do seu futuro financeiro. As decisões que tomamos hoje são os primeiros passos em direção a um futuro tranquilo e à proteção para a nossa família. Com o Porto Seguro Proteção Planejada, você combina as coberturas de um seguro de vida com investimento em previdência privada e faz um planejamento financeiro que cabe no seu bolso. Conheça as vantagens: • A parcela do seguro não aumenta com a idade* • Você escolhe por quanto tempo quer pagar • Inclui coberturas de morte e invalidez (opcional) • Possibilidade de resgates e contribuições extras • Acesso ao Clube Porto com descontos em teatros, academias, viagens Para saber mais, fale com seu Corretor ou acesse portoseguro.com.br/previdencia *Os prêmios e capitais são reajustados anualmente em função da variação do IPCA

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4nesta edição

seções Primeiras palavras Nossos leitores www.canguruonline.com.br Missão Instagram Comprinhas Moda, por Roberta Paes Canguru viu e curtiu Mundo Kids Eles dizem cada coisa Corrente do bem Passeios Kids, por Cá e Tatê Padecendo no Paraíso, por Bebel Soares Para ler com seu filho, por Leo Cunha

Esperança: famílias esperam por anos a fio pelo reaparecimento de seus filhos desaparecidos

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Viagens, modo de usar, por Luís Giffoni Artigo, por Mariana Cardoso Tudela Artigo, por Fabrízio Romano Crônica, por Cris Guerra

Reportagens 26

Educação | Um raio X do ensino infantil, segundo o Censo Escolar do MEC

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Entrevista | Pediatra Daniel Becker recomenda moderação na agenda dos pequenos

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Especial | Conheça o drama do desaparecimento de crianças no país, que deixa rombo na alma dos pais

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Diversão | Mães blogueiras indicam oito pracinhas deliciosas para passear em São Paulo

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Saúde | Lábio leporino afeta 1 em cada 600 crianças no Brasil

Daniel Becker: Pediatra comenta sobre agendas extracurriculares lotadas

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Brincar ao ar livre: pracinhas são passeio agradável para a família toda

Nossa capa Este balanço vazio representa todas as crianças brasileiras desaparecidas nos últimos anos e a nossa adesão incondicional à luta das famílias que esperam por respostas.

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FOTO: GUSTAVO ANDRADE

FOTOS: [1] RICARDO BORGES; [2] MARCO WEYNE / DIVULGAÇÃO; [3] WILLIANS DE MORAES

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FOTO: GUSTAVO ANDRADE

primeiras palavras

Qualquer família pode ser vítima PERDI O GABRIEL num parque de Beagá quando ele tinha uns 6 ou 7 anos. Eu me distraí conversando com um casal de amigos e, quando olhei para o lugar onde o havia deixado, ele não estava mais lá. Saímos eu, o pai e nossos dois amigos loucos pelo parque. Acionamos o serviço de segurança do lugar. Em menos de meia hora, já o havíamos localizado num brinquedo não muito distante, mas fora do nosso campo de visão. Foram alguns minutos que pareceram várias horas. Ainda revivo o desespero da busca cada vez que relembro o episódio. Impossível ler a reportagem de capa desta edição, assinada pela editora Luciana Ackermann, e não ser tomada pelo desejo de montar guarda permanente ao lado das crianças. Não pode haver dor maior para uma mãe do que o desaparecimento de um filho. Imagino que seja até pior do que a dor pela morte. Se a tristeza pela perda fatal pode congelar o coração de uma mulher, a incerteza sobre o paradeiro da sua criança pode levar uma mãe à loucura. Como conseguir dormir sem saber onde seu filho está ou o que ele está passando? Será que está com fome? Com frio? Sede? Está sendo vítima de maus-tratos, de violência física ou sexual? Como tocar a vida normalmente, levantar, tomar banho, comer, sair para o trabalho, com uma ferida dessas no meio do peito, sangrando todos os dias? As estatísticas (as poucas que existem) são estarrecedoras. Antes que você tenha terminado de folhear esta edição, pelo menos mais uma criança terá desaparecido no Brasil. Acontece todos os dias, em todas as classes sociais. Não é um problema exclusivo das periferias, embora aconteça com mais frequência nessas áreas. Qualquer família pode ser vítima. Quando decidimos apostar nessa reportagem de capa, nós, jornalistas da Canguru, estávamos honrando nosso maior compromisso profissional: o de jogar luz sobre o que não pode ficar às escuras para tentar provocar mudanças de comportamento. Se o meu Gabriel tivesse desaparecido naquele dia no Parque das Mangabeiras, eu certamente ia gostar que uma revista desse voz à minha luta e ajudasse a cobrar mais ação por parte das autoridades. Eu certamente ia querer transformar minha dor em um brado de alerta para outras famílias. Meu muito obrigada a todas as mães que aceitaram nos dar entrevista e estampar o sofrimento nas páginas da Canguru. Vocês não estão sozinhas nessa luta.

Ivana e os filhos Pedro e Gabriel

Ivana Moreira, DIRETORA DE CONTEÚDO ivana@canguruonline.com.br

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Canguru Eu adoro a revista e o site da Canguru! Sei o quanto tudo é muito sério, com artigos riquíssimos em conteúdo e credibilidade! Amo fazer parte desse universo que procura sempre fazer desse mundo da parentalidade um mundo melhor, com conexão! — Iara Mastine, de São Paulo, blogueira da Canguru Excelente revista on-line, com matérias ótimas e sempre com a opinião de especialistas no assunto tratado. — Rita Souza, de Belo Horizonte Acho excelente a página da Canguru no Facebook. Das fotos aos artigos, nos ensinam muito com vários temas. Parabéns a todos. — Marcelo Mendonça, de Belo Horizonte

Adoramos o conteúdo da revista Canguru! Sempre com informações e dicas interessantes. — Monica Almeida, de Belo Horizonte

Encontro Canguru Foi sensacional [o Encontro Canguru de São Paulo, em 10 de março]. Uma manhã muito rica de conhecimentos muito valiosos!!! — Bru Brandi Amei participar do Encontro Canguru, só palestrantes top! — Joyce Mello, de São Paulo

Reportagem de capa sobre youtubers Salvem nossas crianças dessa porcaria de YouTube. Isto não é profissão. É puro incentivo ao consumismo e ao trabalho infantil. — Raquel Mariano, de Belo Horizonte

Meu pequeno só tem 6 anos e já estava, digamos, viciado nesses youtubers. Mas nem sempre o conteúdo traz valores tão legais. — Kyrlah Jeronymo de Moraes, que mora em Belo Horizonte

Nada de ficar em casa Maravilhosa essa matéria [sobre atividades para as mães com bebês de até 1 ano]! Recomendo muito as aulas de dança materna!! — Paula Siems Giolito, do Rio de Janeiro

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Enquete do mês: Você desliga o celular quando está brincando com seus filhos? Consegue se desconectar?

33%

33%

33% Sim Não desligo, mas deixo longe ou no silencioso Não

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ALGUMAS RESPOSTAS DOS LEITORES: Tento deixar o celular longe enquanto estou brincando com meu filho. É um exercício, pois o celular faz parte da nossa vida e, sem perceber, usamos nesses momentos que devem ser únicos. Eu me policio e policio meu marido também!!!! — Renata Gontijo Não consigo desligar. Tenho consciência de que é errado, mas olho o celular estando com eles várias vezes. — Tadeu Meniconi Sim. Deixo o celular longe e curtimos muito nossos momentos! — Nilda Rocha

Fique de olho em nossas novas enquetes!

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Elas são sempre divulgadas em nossa página do Facebook: www.facebook.com/canguruonline


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DIRETOR EDITORIAL: Eduardo Ferrari DIRETORA DE PROJETOS ESPECIAIS: Ivana Moreira

A Canguru é uma publicação mensal da Scrittore Comunicação e Editora Ltda. CNPJ 12243254/0001-10

CONSELHO EDITORIAL Cristina Moreno de Castro, Eduardo Ferrari, Guilherme Sucena, Ivana Moreira, Márcio Patrus, Suellen Moura e Thiago Barros DIRETORA DE CONTEÚDO Ivana Moreira (ivana@canguruonline.com.br) EDITORA-CHEFE Cristina Moreno de Castro (cristina@canguruonline.com.br) EDITORAS Luciana Ackermann (luciana@canguruonline.com.br) e Verônica Fraidenraich (veronica@canguruonline.com.br) REPÓRTER Rafaela Matias (rafaela@canguruonline.com.br) ESTAGIÁRIAS Catarina Ferreira (catarina@canguruonline.com.br) e Gabriela Willer (gabrielawiller@canguruonline.com.br) EDIÇÃO DE ARTE Aline Usagi (aline@canguruonline.com.br) e Filipe Cerezo (filipe@canguruonline.com.br) PROJETO GRÁFICO Chris Castilho (Mondana:IB) (www.mondana.net) EDITORA MULTIMÍDIA Juliana Sodré (juliana@canguruonline.com.br) REVISORA Thalita Braga Martins COLABORADORES DESTA EDIÇÃO Bebel Soares, Cris Guerra, Leo Cunha, Luís Giffoni e Roberta Paes FOTÓGRAFOS Gustavo Andrade, Ricardo Borges e Willians Moraes DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E MARKETING Thiago Barros (thiago@canguruonline.com.br) DIRETORA COMERCIAL Suellen Moura (suellen@canguruonline.com.br) EQUIPE COMERCIAL Edilene Pires Quintão (edilene@canguruonline.com.br), Simone Dianni (simone@canguruonline.com.br) e Simone Peres (simone.peres@canguruonline.com.br) DIRETOR DE NOVOS NEGÓCIOS Guilherme Sucena (guilhermesucena@canguruonline.com.br) ATENDIMENTO A LEITORES E ESCOLAS PARCEIRAS Simone Dianni (simone@canguruonline.com.br) EQUIPE ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA Roberto Ferrari (roberto@canguruonline.com.br) e Gabriela Linhares (gabriela@canguruonline.com.br)

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Na edição de 2017, mais de mil pessoas nos prestigiaram em um sábado inesquecível

Evento

Está chegando o maior evento de maternidade do Brasil O SEMINÁRIO INTERNACIONAL de Mães é o maior evento sobre maternidade do Brasil e tem, entre seus organizadores, com muito orgulho, a Canguru. No dia 5 de maio, sábado, personalidades como Lorraine Thomas, Rita Lobo, Marcio Atalla e Laís Bodanzky, entre outras, vão discutir formas de exercemos nossos papéis de mães e pais de maneira mais leve. Quem fará a apresentação e a moderação das conversas é a diretora de conteúdo da Canguru, Ivana Moreira. Se você não puder comparecer

ao Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, nesse dia inesquecível e cheio de brindes, poderá conferir nossa cobertura ao vivo nas redes sociais da Canguru: www. facebook.com/canguru e instagram.com/canguru. Em nosso site é possível ver todos os detalhes da quarta edição do seminário e acessar o link para garantir sua vaga: www.canguruonline.com.br. MAIS INFORMAÇÕES: www.seminariodemaes.com.br

NA BANDNEWS FM, às terças e sextas-feiras, às 13h40, com reprise às 16h17, e também aos sábados e domingos, ouça a coluna de Ivana Moreira, diretora de conteúdo da Canguru. Ouça as gravações em www.canguruonline.com.br/radio.

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FOTOS: GUSTAVO ANDRADE

Seminário Internacional de Mães ainda tem vagas; saiba como se inscrever


Os coelhinhos nos alegraram na Páscoa e também no Instagram! Veja as fofuras que chegaram pela hashtag #canguruonline.

@luaninhautsch Conceição do Mato Dentro / MG

@melissaravnjak Belo Horizonte / MG

Luana, de 8 anos, cuidou de todo o cenário de Páscoa.

@elisa.pirulita Belo Horizonte / MG

Melissa Ravnjak, de quase 3 aninhos, está um encanto com a roupinha toda a caráter!

Poste no Instagram uma linda foto do filhote abraçando ou beijando a mamãe, com todo o carinho do mundo! As imagens vão ilustrar a revista especial do mês das mães e também podem sair em nosso site e redes sociais. Não se esqueça de usar a hashtag #canguruonline ;)

FOTOS: REPRODUÇÃO INSTAGRAM

Próxima missão: Amor para a mamãe

A pequena Elisa, de 5 anos, caprichou no rostinho de coelha.

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Hora do banho Nem toda criança curte muito ir para o chuveiro, mas a obrigação fica muito mais prazerosa quando se torna divertida! TRADICIONAIS BARQUINHOS Com seis unidades

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LETRAS E NÚMEROS

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Nas figuras de sapo, hipopótamo, pato e peixe


apresenta

NÃO É RARO, especialmente entre as crianças, que surjam alguns episódios de resfriados, tosse e espirros ao longo do ano. Mas nem sempre o quadro é tão simples e muitas vezes merece uma atenção especial para que não evolua para algo mais sério. Entre as complicações mais comuns da gripe está a pneumonia bacteriana, uma doença que surge na sequência do episódio gripal e apresenta sintomas mais graves, podendo, inclusive, levar à morte. “É uma das complicações mais comuns e merece muita atenção, pois pode ter efeitos desastrosos em quem está no grupo de risco”, explica o médico Adelino Melo, assessor científico do Grupo São Marcos. De acordo com o especialista, outras complicações recorrentes são a pneumonia viral e a descompensação de doenças crônicas, ambas graves e com necessidade de internação. Para evitar a evolução da doença para quadros mais graves, a vacina é o principal recurso e deve ser tomada anualmente por pessoas que se encontram nos grupos de risco. São elas: crianças entre 6 meses e 5 anos, idosos acima de 60 anos, gestantes, obesos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, asma, insuficiência cardíaca, doenças imunodepressivas e doenças pulmonares. O acompanhamento de um médico também é importante para diagnosticar e tratar o problema, caso este se instale. Quando o diagnóstico é feito no momento adequado e de forma precoce, os medicamentos antivirais

ajudam a diminuir o tempo e a gravidade da doença. Para as crianças, uma boa forma de prevenção individual e coletiva é evitar o convívio com pessoas doentes, especialmente em ambientes fechados e de aglomeração, como as escolas.

Sem atchim! Veja alguns hábitos que ajudam a prevenir a doença

» Proteja o nariz e a boca. Cubra-os enquanto espirra ou tosse e use lenços descartáveis. » Evite tocar a boca e o nariz. » Mantenha-se hidratado. » Lave as mãos com água e sabão e use álcool em gel 70% regularmente, especialmente depois de tocar o nariz e a boca ou superfícies que possam estar contaminadas. » Melhore a circulação de ar abrindo as janelas. » Evite ficar por muito tempo em locais com grande aglomeração de pessoas. » Mantenha hábitos saudáveis: coma bem, durma bem e faça exercícios. Fonte: Ministério da Saúde

Responsável técnico: Dr. Ricardo Dupin Lustosa - CRM SP 179912

FOTO: DEPOSITPHOTOS

É só uma gripezinha?

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moda

PURO CHARME! Marcella Duarte Rosa Silva, de quase 5 anos, está linda com essa blusa de manga de pelinho.

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Pra ficar

quentinho!! Nesta nova estação, ser fashion é estar quentinho. O aconchegante e peludinho estão super em alta. O matelassê é geralmente de moleton com espuma dentro e com as costuras em losangos, mas também tem de várias outras formas. A pelúcia é a imitação do ursinho de pelúcia, que estamos chamando de “bear”. É muito usada em forros de casacos para esquentar, mas agora veio para fora e está arrasando em jaquetas, coletes, detalhes de golas e calçados. O frio pode chegar porque já estamos preparados!!!

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BOMBER DE PELÚCIA

Esta jaquetinha bomber tem uma pelúcia diferente, parece mais “crespinha” e dá um charme enorme nos looks da temporada. É da Marisol e vai dos tamanhos 4 a 14 anos.

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ONCINHA

Tricô animal print para meninas de 4 a 12 anos, da Le Lis Petit. Bem quentinha, com os fios mais soltos e a oncinha em jacquard!! Um luxo!!!

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FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Roberta Paes

PISCA-PISCA

Botinha em matelassê preta com a pelúcia na barra e ainda por cima com luzinha em formato de coração – alguém aguenta? Para tamanhos de 20 a 27.

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COLETE DE PELÚCIA

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Esse colete está lindo com o capuz em tricô e frente e costas em pelúcia. Muito fashion para colocar em cima de vestidos estampados. Nos tamanhos de 2 a 8 anos.

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MATELASSÊ

Casaquinho em matelassê de moletom mescla cinza, com capuz forrado e lindos patches para decorar. Para meninos de 1 a 4 anos.

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BATMAN

E não é que dá para se sentir o próprio Batman? Esse moleton da Kamylus com recortes em matelassê realmente parece dar superpoderes. De 4 a 10 anos.

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Roberta Paes

FOTOS: DIVULGAÇÃO

BOTA QUENTINHA

Toda forrada com pelúcia, essa botinha da Tricae deve ser uma delícia! Para os pequenos que calçam de 20 a 27.

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é consultora de moda, estilista e palestrante. Atua no mercado de moda infantil há mais de 20 anos, em grandes empresas do varejo. Viaja para a Europa e os Estados Unidos conferindo as tendências de moda infantil que compartilha nesta coluna. www.robertapaes.com.br @rpkids

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EDIÇÃO Cristina

Moreno de Castro

O QUE ESTÁ ROLANDO DE ÚTIL, DIVERTIDO OU CURIOSO NA WEB E NAS REDES SOCIAIS

Netflix para pensar “SEJA HOMEM!” QUANTAS crianças já não ouviram isso algumas vezes na vida? O documentário The Mask You Live In, de Jennifer Siebel Newsom, disponível na Neflix, mostra algumas pressões que os meninos sofrem desde bem pequenos e como poderíamos viver num mundo menos machista e homofóbico se o “padrão da virilidade” fosse diferente, com menos violência associada a “coisa de homem”. Vale a pena assistir, especialmente se você tem um menino em casa. Veja, se você for assinante, em www.netflix.com.

Representatividade MATTERS! Viralizou a foto da pequena Parker, de 2 aninhos, olhando hipnotizada para uma pintura de Michelle Obama exposta no Smithsonian National Portrait Gallery. Até a própria ex-primeira-dama se impressionou com a admiração da garotinha e resolveu se encontrar com ela. “Continue sonhando alto… e talvez um dia eu estarei, com muito orgulho, admirando um retrato seu”, tuitou Michelle. Veja a história toda em bit.ly/RepresentatividadeMatters.

IMAGENS: REPRODUÇÃO

Não é justo! Um vídeo divulgado pela página norueguesa Finansforbundet no Dia Internacional da Mulher fez a gente querer chorar. Ele mostra meninos e meninas executando uma mesma tarefa, mas os meninos recebem uma remuneração muito maior do que a delas. Ao fim, aparece a pergunta: “Pagamento desigual é inaceitável aos olhos das crianças. Por que deveríamos aceitar isso já adultos?”. É emocionante ver a reação dos pequenos! Assista no link bit.ly/NãoÉJusto.

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POR Catarina

Ferreira e Juliana Sodré

R$ 3 bi

Brinquedo em tempos de YouTube

foi o faturamento do mercado nacional de BRINQUEDOS em 2017, ou 45,5% a mais que em 2010, segundo a Abrinq

Para contar histórias Você tem o hábito de contar histórias para seus filhos ou alunos? E se houvesse um guia para te ajudar a tornar esse momento mais interessante? A Fundação Abrinq lançou um e-book com esse propósito, o Viaje sem Sair de Casa – Guia para Contação de Histórias. O livro mostra como preparar o momento e o ambiente para a contação e como conduzir a atividade, envolvendo os mais novos e permitindo, inclusive, que a criança interaja e contribua com as narrativas. O guia é gratuito e pode ser baixado no link conteudo.fadc. org.br/ebook-contacao-de-historias.

OS BRINQUEDOS FAVORITOS entre as crianças de 6 a 8 anos são aqueles mais introspectivos e tecnológicos, segundo pesquisa feita pela consultoria Play – Pesquisa e Conteúdo Inteligente. Enquanto isso, dados da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) mostram que os brinquedos que envolvem relações sociais estão sendo menos produzidos – a queda foi de 4,9% entre 2016 e 2017. “Nessa idade, as crianças precisam de estímulo e de muita projeção e introjeção. Ou seja, elas vão se projetar no personagem, participar dessas vivências e avaliar seus medos e anseios. Tudo isso faz parte da brincadeira e afeta a relação com o brinquedo”, acredita a publicitária Ana Amelia de Castro, representante da consultoria Play. Mas, atenção: brincadeiras mais tradicionais, como pega-pega, não estão sumindo. Na pesquisa da consultoria, essa brincadeira aparece como segunda colocada na preferência das crianças, nas respostas de 60% dos entrevistados, seguida por brincar de bonecas e de super-herói. Mas o jogo perde para assistir a canais do YouTube, que esteve nas respostas de 75% dos pequenos.

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Pediatria para famílias Você ficou sabendo? A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou uma plataforma on-line para servir de referência a mães, pais, educadores e cuidadores de crianças, com informações sobre saúde vindas de fontes confiáveis. O site traz conteúdo original e textos atualizados sobre prevenção e cuidados, desenvolvidos com linguagem especialmente adaptada para facilitar a compreensão do público em geral. Entre os responsáveis pelas informações estão alguns dos maiores especialistas do país em diferentes áreas, como dermatologia, infectologia, imunizações, medicina do esporte e nutrologia, entre outras. Há textos sobre doenças, nutrição, vacinas, comportamento e desenvolvimento e cuidados com a saúde. E ainda: cuidados com o bebê, adolescência, medicina do esporte para crianças e adolescentes, prevenção de acidentes, gestação, parto e aleitamento materno. Conheça a plataforma pelo link www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias.

FOTOS: [1][3] DEPOSITPHOTOS; [2] DIVULGAÇÃO; [4] REPRODUÇÃO

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eu já fui

criança Junior Lima Se tem uma infância que o Brasil inteiro acompanhou foi a dos irmãos que formavam a dupla Sandy & Junior. Eles cantaram juntos de 1989 até 2007 e passaram um bom tempo da vida de criança viajando para se apresentarem nos palcos de todo o país. Durval de Lima Junior, o nome completo de Junior, ou Junior Lima, produtor musical na atualidade, cantou pela primeira vez na televisão em 1989, em uma aparição no programa Som Brasil (TV Globo), com a música Maria Chiquinha, ao lado da irmã. Dali, os dois ganharam projeção nacional, chegando a ser considerados verdadeiros fenômenos da música e do entretenimento. A dupla Sandy & Junior é recordista em vendas de discos no Brasil. Ao todo, são mais de 20 milhões de cópias vendidas entre CDs e DVDs, além de 500 mil singles digitais. Com mais de 300 produtos licenciados, a marca dos irmãos movimentava até R$ 300 milhões por ano. Nascido em Campinas, interior de São Paulo, Junior, que vive a experiência da paternidade há pouco tempo, completa 34 anos no dia 11 deste mês. Otto, seu filho com a modelo Mônica Benini, com quem é casado desde 2014, completa 6 meses.

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POR Cristina

Moreno de Castro

Eu a esse doro jogo “Eng do ana Jone s”.

joga r

ARTHUR, de 6 anos, é filho de Adriane Guimarães Costa Alves e Reinaldo Goulart Campos Alves.

MARIA ALICE, de 4 anos, é filha de Jéssica de Oliveira e Adenilson Lima Rodrigues.

Miojo é comida ou sobremesa?

Vou pedir ao vovô para fazer um 'furaco' na madeira e fazer um balanço.

Hoje eu do sozin rmi ha! F ingi q papa ue i não estav o a.

Hoje aprendi a brincar de “incêndio”!

MARIANA, de 4 anos, filha de Marcela Poletto Vilas Boas e Michel Vilas Boas.

MARCO TÚLIO, de 4 anos, filho de Nayara Costa Silveira Trancoso e Thairone Trancoso, no dia em que aprendeu a jogar queimada.

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Se seu filho também diz pérolas, envie a frase para o e-mail redacao@canguruonline.com.br.

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

BRUNA, de 5 anos, é filha de Mônica Castro e Marcelo Shirata.


POR Catarina

Ferreira

A cura na Tucca CRIADA HÁ 19 anos, a TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer é uma ONG que oferece tratamento multidisciplinar a crianças e adolescentes em terapia contra o a doença. Seu nome surgiu como uma sigla para “Tumor Cerebral em Crianças e Adolescentes”, mas se desvinculou disso, pois o atendimento passou a incluir diversos outros tipos de câncer. A associação proporciona aos pequenos e a seus acompanhantes alimentação, suporte educacional e também transporte até o ambulatório em dias de tratamento. O espaço mantém projetos de cultura

e lazer, como o Chef pela Cura e o Música pela Cura. Os concertos promovidos ajudam a custear as despesas do espaço, que também recebe doações de pessoas físicas e jurídicas e trabalho voluntário. SAIBA COMO AJUDAR:

Rua Santa Marcelina, 185, Vila Carmosina. Tel.: 2344-1050. E-mail: tucca@tucca.org.br; Site: www.tucca.org.br

Lar de amor

SAIBA COMO AJUDAR:

Avenida Indianópolis, 2.077, Planalto Paulista. Tel.: 2275-0713 (abrigo), 5051-2899 (bazar de presentes) e 5052-8085 (bazar de usados). Site: www.lalec.com.br

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

O LALEC – Lar Amor, Luz e Esperança da Criança foi fundado em 1999 para acolher crianças com HIV. Mas, com os avanços médicos, o número de chamados para acolhimento de crianças com o vírus caiu. Então, o espaço abriu as portas para receber crianças em situação de vulnerabilidade social. Ali, os pequenos encontram um ambiente seguro, com acesso a educação, cultura e assistência psicológica. O lar acompanha os desdobramentos jurídicos e sociais da situação das crianças até que estejam aptas a deixar o espaço. Geralmente, as crianças que lá residem são encaminhadas pelas varas da infância e da juventude de São Paulo. Mantida a partir de doações e trabalho voluntário, é possível contribuir com a instituição com produtos de higiene pessoal, brinquedos, roupas e alimentos. Um bazar beneficente funciona de segunda a sexta, das 12h às 17h.


Educação

Raio X da educação infantil no Brasil Conheça algumas estatísticas do Censo Escolar 2017, referentes a escolas públicas e privadas, divulgadas pelo Ministério da Educação no início do ano POR Cristina

Moreno de Castro e Aline Usagi

» ESTRUTURA

21%

das creches são de pequeno porte, atendendo até 50 alunos Há 116,5 mil escolas de educação infantil no Brasil

61,1% das creches têm banheiro adequado à educação infantil

71,5%

27,7%

Apenas 33,9% possuem berçário

71,5% das escolas dessa etapa são municipais, e 27,7%, são privadas. O restante é estadual ou federal

61,8%

38,2%

61,8% das escolas de educação infantil estão em zona urbana

26

Canguru

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Existe parque infantil em 57,6% das creches e 42,7% das pré-escolas

Apenas 29,6% das creches e 27,3% das pré-escolas dispõem de área verde


26,1% 25,1% das pré-escolas

das creches e

têm dependências e vias adequadas a alunos com deficiência

32,1%

das escolas de educação infantil possuem banheiro adequado a alunos com deficiência

3,8%

95,3%

97,6%

das escolas de educação infantil não são abastecidas com água

das escolas de educação infantil dispõem de sistema público de energia

das creches e 94,6% das pré-escolas dispõem de sistema de esgoto

» MATRÍCULA O número de matrículas na educação infantil cresceu 11,8% de 2013 a 2017, chegando a 8,5 milhões no último ano

O percentual de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades incluídos em classes comuns passou de 71,7% em 2013 para 86,8% em 2017

» PROFESSORES De 2013 a 2017, o número de docentes que atuam na educação infantil cresceu 16,4% Na educação infantil brasileira atuam 557,5 mil professores, sendo 49,1% em creches e 57,5% em pré-escolas

67,2% das

96,6% dos docentes da educação infantil são do sexo feminino

Dessas professoras,

54,4% têm menos de 40 anos. Apenas 1,8% têm mais de 60 anos

professoras possuem nível superior completo, 8,5% estão com o curso superior em andamento, e 18,1% têm curso normal/magistério. 5,7% têm nível médio completo, e 0,5% têm nível fundamental completo.  A B R I L 2 01 8 .

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4Entrevista

Com moderação Pediatra Daniel Becker recomenda bom senso ao montar agenda de crianças com atividades extracurriculares POR Verônica

Fraidenraich

MUITAS CRIANÇAS HOJE têm uma verdadeira “agenda de executivo”, complementando o horário na escola com atividades como inglês, natação, música ou judô. Fizemos sete perguntas ao pediatra Daniel Becker, do Rio de Janeiro, que tem quase 30 anos de experiência na área, para ajudar os pais a refletirem sobre até que ponto as atividades extracurriculares são benéficas ou se extrapolam para o estresse. Confira.

1. A rotina de atividades extracurriculares faz bem para as crianças?

Essas atividades podem ser úteis, contanto que sejam feitas com moderação e de acordo com a idade da criança. Lembrando sempre que esses momentos devem ser contrabalançados com tempo livre para brincar, que é a essência da infância. Se a criança não tem essa oportunidade, ela não vai ficar bem, pode se estressar, o que compromete o seu desenvolvimento.

ou psicomotricidade, com 8 meses, 10 meses, 1 ano, podem ser válidos, desde que seja com moderação.

3. A

escolha das atividades deve partir das crianças, dos pais ou de ambos?

A gente pode direcionar as crianças para atividades que achar adequadas para elas. Porém, é importante não colocá-las em atividades na ânsia de torná-las adultos mais bem preparados para o mercado. Esse é um critério muito pobre para que uma atividade seja escolhida para o seu filho. Atividades artísticas, como música, dança, balé e pintura, são válidas, pois ajudam a desenvolver habilidades emocionais importantes para o sucesso profissional na vida adulta. A criança também deve participar dessa escolha. Se ela não gosta de natação, tudo bem, só precisa aprender a nadar, depois pode ser liberada. As crianças têm que fazer o que gostam.

4. Qual é o limite de número de atividades ou 2. A partir de que idade os pequenos devem ter atividades extracurriculares?

A partir do momento em que eles vão para a creche, em torno dos 2 anos, podem fazer outra atividade, ou até antes, com 1 ano. Cursos de natação, musicalização

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horas por semana?

Não pode haver exagero de modo que a atividade preencha a agenda toda da criança. O ideal é uma vez por semana, no máximo duas, de atividade estruturada. Uma criança que fica das 7h às 17h numa creche não deve ser colocada em atividades extras. Nesse caso,


5. Há atividades inadequadas para crianças de 0 a 6 anos?

Nessa faixa etária, quanto mais lúdica a atividade, melhor. Evitaria coisas que envolvam muito treinamento e esportes que incentivem a competição.

6. Como saber se a atividade não está sendo benéfica à criança?

É preciso usar bom senso. Se ela chora para ir, reclama, se está parecendo infeliz, é obvio que tem que se reavaliar a rotina dessa criança como um todo. Incluem-se aqui aspectos como se ficam confinadas em casa ou na creche em tempo integral, se mal veem os pais, se têm uma alimentação muito industrializada. Tudo isso tem que ser revisto para que tenham uma vida mais sau-

dável. Moderação e olhar sensível para as crianças são fundamentais.

7. As

atividades extracurriculares podem ser uma forma de ocupar os filhos quando os pais não estão presentes?

Se os pais estão ausentes, mas contam com alguém para levar a criança numa atividade, essa mesma pessoa que leva pode ir até um lugar onde haja um pouco de natureza e deixar a criança brincar livremente, sozinha ou com outras crianças. Isso é muito mais importante na infância do que aulas de inglês, judô, jiu-jítsu, culinária, corte e costura, princesa, línguas, ioga, meditação etc. A brincadeira livre é formadora, pois permite que a criança aprenda uma série de habilidades que serão importantes para a vida adulta: ter coragem, tomar iniciativa, se autoestimular, explorar seu entorno e praticar atividade física de forma natural. Vai também se machucar um pouquinho, ralar o joelho, por exemplo, o que e ótimo, pois depois poderá acompanhar a cicatrização da ferida e perceber que é capaz de ser resiliente. Ao brincar com outras crianças, também terá de negociar regras e condições e aprender a trabalhar em equipe. Olha quantas habilidades sensacionais para a vida adulta a criança aprende sozinha! 

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ILUSTRAÇÃO: DEPOSITPHOTOS

é bom passar uma ou duas horinhas no parque antes de voltar para casa. Se não der, deixar que brinque em casa com seus bonecos ou livros. Que corra pela casa com papai e mamãe, que jogue bola, em paz, sem pressão, e aproveite os fins de semana para ir a praças ou parques. Agora, se for uma criança que não frequenta uma creche, aí, sim, ela pode ter uma parte do dia em atividades estruturadas – sempre contrabalançando com momentos de livre brincar.


Especial

Um rombo na alma Mães e pais vivem o drama do desaparecimento de seus filhos, tendo que lidar com a omissão do Estado e a dor das incertezas POR Luciana

Ackermann * COLABOROU Juliana Sodré

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FOTO: RICARDO BORGES A B R I L 2 01 8 .

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“MESMO QUE ELA esteja morta, eu preciso saber. Enquanto não souber o que aconteceu com a minha filha, não desisto.” A frase carregada de sofrimento, indignação e luta é de Elisabete de Lima Barros, que desde o dia 22 de dezembro de 2002 sobrevive ao desaparecimento da filha Thaís, raptada aos 9 anos por um homem em uma feira popular na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio. Doce e bem-cuidada, a menina, que não saía de casa sozinha, estava com o primo Daniel, de 5 anos, e com a tia, que tinha uma barraca de produtos trazidos do Paraguai. O pai de Elisabete morava no final da rua da feira, a família era conhecida na vizinhança. As crianças pediram à tia para comprar sorvete na venda a poucos metros dali. Ao voltar da cozinha com os picolés, o comerciante viu Daniel sozinho, dizendo que um moço tinha levado a prima. Para Elisabete, o criminoso ameaçou Thaís com uma arma, obrigando-a a segui-lo. “Meus filhos não precisavam de nada de estranhos. Eu estava comprando roupas para eles para as festas de Natal e ano-novo, como fazia todos os anos. Quando cheguei, vi minha cunhada chorando, as pessoas com cópia de uma foto da minha filha perguntando se alguém a tinha visto, eu não acreditava”, relata. Amigos do trabalho encomendaram 11 outdoors com fotos e informações sobre a menina. Elisabete pensou em se matar, tomou remédios controlados, fez terapias. Hoje, trabalha como líder administrativa de uma rede de lojas de departamento e é uma das coordenadoras do Mães do Brasil, um dos projetos do Portal Kids, que ajuda famílias de desaparecidos. “Preciso preservar a minha mente saudável para poder ajudar a minha filha, que sobrevive a tudo isso. Acho que ela foi levada para fora do Brasil, porque chamava atenção, tão bonita”, diz a mãe, desapontada com a Justiça do país. A seu ver, houve uma sucessão de falhas, desde a construção do retrato falado, feita sem o devido cuidado. Após suas andanças, chegou a um suspeito, um oficial da marinha mercante que trabalhou como mecânico de navios e ficou um tempo

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preso por causa de outros dois desaparecimentos de meninas. Hoje ele está em liberdade. Os casos de sequestros do Estado do Rio de Janeiro ocupam o segundo lugar entre os principais motivos de desaparecimento de crianças e adolescentes, 20,26% do universo total de 3.487, de acordo com os dados do SOS Crianças Desaparecidas, programa da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), órgão governamental do Estado do Rio. Perde apenas para a fuga do lar, com 62%. Crianças perdidas estão em terceira posição, com 10,34%. América Tereza Nascimento da Silva, presidente da FIA, destaca como um forte aliado para a localiza-


ção dos desaparecidos o cumprimento da Lei da Busca Imediata (11.259/2005): “É preciso romper com a cultura de esperar por 24 horas para registrar a ocorrência. É muito tempo, especialmente para uma criança. Quanto mais rápido as investigações se iniciarem, maiores as chances de encontrá-las”. Se a reportagem conseguiu alguns números sobre desaparecimentos no Rio, em São Paulo e em Minas (veja no gráfico da página seguinte), no âmbito nacional a Canguru deu de cara com a completa inexistência de dados oficiais e políticas públicas consistentes. Um número extraoficial e muito alarmante é aquele que o Conselho

Federal de Medicina (CFM) divulga em suas campanhas: 50 mil crianças e adolescentes desaparecem por ano no país, uma a cada 15 minutos. O cardiologista Ricardo Albuquerque Paiva, membro da Comissão de Ações Sociais do CFM, conseguiu apoio para a criação de uma resolução que determina uma série de procedimentos durante o atendimento médico, entre eles um olhar atento à possibilidade de se estar diante de uma criança retirada de sua família, com mais facilidade de adoecer, além da notificação compulsória, caso sejam identificados sinais de violência. Paiva apresenta dados da Organização das Nações Unidas (ONU) que apontam 25 milhões de crianças e adolescentes desaparecidos no mundo. Para Dijaci David de Oliveira, doutor em sociologia, coordenador no Núcleo de Estudos sobre Violência e Criminalidade e professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG), a prioridade é a normatização sobre o que chamamos de “pessoas desaparecidas”; a segunda, estabelecer um orçamento e um quadro técnico destinados ao assunto. “Vários países possuem instituições públicas que se responsabilizam pela investigação e pela produção de dados. Em vários deles, os organismos oficiais atuam em parceria com instituições privadas de interesse público que façam levantamentos e realizem acompanhamentos, assim como produzem relatórios rotineiros sobre o tema”, explica. Ele cita alguns números mundiais: nos Estados Unidos, há mais de 460 mil casos anuais; o Canadá tem mais de 45 mil casos por ano apenas de menores de 18 anos. “Sabemos muito claramente o perfil dos desaparecidos em várias partes do mundo, notadamente Canadá e EUA, mas infelizmente sabemos pouco sobre o Brasil. Os Estados deveriam criar mecanismos locais, realizar treinamentos de seus quadros e compreender que o desaparecimento deve ser tratado como um caso de polícia, pois é quem tem autoridade legal para investigação e treinamento especializado e conta com um corpo de pessoal e órgãos enraizados em todo o território”, expõe

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FOTO: RICARDO BORGES

Elisabete doou as roupas e os brinquedos da filha Thaís e guardou só um vestidinho: “Sei que ela iria preferir ver outras crianças felizes a deixar tudo empoeirando”


ALGUNS NÚMEROS Oliveira, ressaltando que os Estados são responsáveis pela gestão da polícia e, praticamente, não fizeram nada para cobrar aplicação da Lei da Busca Imediata.

Cada Estado tem sua forma de computar os dados, sem qualquer padronização, inclusive sobre o conceito de "desaparecido", ou convergência de informações

SÃO PAULO

9.528

Impressões digitais Uma medida simples pode ser tomada pelas próprias famílias para prevenir os desaparecimentos, segundo a promotora Eliane de Lima Pereira, assessora de Direitos Humanos e Minorias do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ): “Não existe prevenção maior do que a identificação biométrica (digital) das crianças”. Porém, culturalmente, o Registro de Identidade, documento no qual há as digitais, só é emitido por volta dos 16 anos. Uma criança que nasce em São Paulo pode ser roubada e atravessar o país a bordo de um carro sem grandes barreiras. Mesmo que a Polícia Rodoviária pare o veículo e peça os documentos de todos, o motorista pode apresentar uma certidão de nascimento de qualquer criança. Um caso ilustrativo ocorreu com a própria promotora, em 2000, quando a família viajou para o Nordeste. “Milha filha tinha 1 ano e 3 meses, pegamos um voo (Rio-João Pessoa), ficamos num hotel. Depois, pegamos um ônibus interestadual de João Pessoa a Natal, também nos hospedamos em um hotel e, na volta, pegamos outro voo (Natal-Rio). Em nenhum momento foi solicitado o documento dela. Ali caiu a ficha da absoluta vulnerabilidade em que uma criança se encontra. Penso que algo tenha melhorado, mas há muito a ser feito”, avalia Eliane.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESAPARECIDOS EM 2017

Até 7 anos: 314 8 a 12 anos: 1.101 13 a 18 anos: 8.113 No mesmo período, foram registradas 9.373 ocorrências de encontro de crianças desaparecidas, também em anos anteriores, sendo 202 ocorrências de crianças de até 7 anos, 798 daquelas de 8 a 12 anos e 8.373 com idade entre 13 e 18 anos.

RIO DE JANEIRO

2.143

CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESAPARECIDOS

DE 0 A 17 ANOS, COMPUTADOS PELA POLÍCIA CIVIL EM 2016

60,52% SEXO FEMININO

39,48% SEXO MASCULINO

21,37%

28,14%

48,95%

NEGRA

BRANCA

PARDA

NÃO HÁ DADOS DE 2017.

ATENÇÃO, LEITOR DA CANGURU: Você já fez o RG do seu filho? Não perca tempo, faça o quanto antes!

REGISTRO DA FIA SOBRE CRIANÇAS DESAPARECIDAS

Desaparecidos: 3.487 Localizados: 2.955

MINAS GERAIS André Luiz de Souza Cruz, servidor do MPRJ e assessor técnico do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), chama atenção para um quadro assustador: cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes no Estado estão “prontos para desaparecer” devido à falta da biometria e, por consequência, dos

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CRIANÇAS DESAPARECIDAS (DE 0 A 11 ANOS) EM 2017 (JANEIRO A NOVEMBRO), SENDO 53 SÓ EM BELO HORIZONTE

Fonte: Polícia Civil de São Paulo – Boletins de Ocorrência registrados; Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio – Perfil das Vítimas de Grupos Vulneráveis; FIA; Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais


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FOTO: DIVULGAÇÃO

fatos da vida, dando entrada em hospitais, abrigos e até unidades do Instituto Médico-Legal (IML) sem nunca serem identificados. Após 30 dias sem que ocorra a reclamação do corpo, a legislação permite a doação científica às universidades e o sepultamento como indigente. “Há uma profunda falta de percepção desses riscos”, afirma Cruz, complementando que uma das principais recomendações dadas aos familiares de desaparecidos que recorrem ao MP é: “Façam tudo o que puderem, porque o Estado não tem a mesma capacidade de mobilização de uma rede de amigos e parentes sob comoção”. “Com o tempo, essa rede perde o fôlego, e o MP continuará. Não arquivamos inquéritos sem finalizá-los”, completa. Os especialistas Mães da Sé: Ivanise Esperidião, depois de perder a filha, desaparecida há quase 23 anos, fundou a ONG, que ajuda outras famílias entrevistados avaliam que o momento atual é promissor, já que as 27 unidades federativas do país com as devidas especificidades. No Pará, por exemplo, aderiram ao Sistema Nacional de Localização e Identifihá um histórico de tráfico de pessoas para o trabalho escação de Desaparecidos (SINALID), cada uma delas com cravo. Em Alagoas, 70% das vítimas de homicídios não o seu PLID, resultando na integração de dados naciosão identificadas. Cada PLID será capaz de articular esnais, um trabalho de inteligência. “A tarefa de cada um é sas conversas e formar uma rede de conexões e informaolhar para seu Estado, entender o que acontece quando ções”, resume Cruz. “Mais importante que sair nas ruas alguém diz que uma pessoa sumiu e articular a sua rede, procurado os desaparecidos é pegar os achados e devol-


FOTO: ARQUIVO PESSOAL

vê-los às famílias. Nossos problemas relacionados ao desaparecimento são mais básicos e elementares do que os crimes sofisticados que rondam o assunto”, avalia Cruz. Já para Wal Ferrão, jornalista investigativa e fundadora do Portal Kids, não há dúvidas sobre a existência de criminosos que atuam, especialmente nas áreas mais carentes e vulneráveis, “sequestrando, sem pedido de resgate, meninas bonitas, educadas e bem-tratadas entre 8 e 12 anos”. Em parceria com órgãos oficiais, Wal conta que já desvendou casos de crianças que desapareceram no Rio de Janeiro e foram descobertas vivendo em cárcere privado, sendo exploradas sexualmente, em Minas Gerais. Ela pontua que entre as finalidades do “desaparecimento” estão o tráfico humano (nacional e internacional) para diferentes fins: adoção ilegal, exploração sexual, retirada e venda de órgãos e trabalho escravo. “A falta de estrutura e de efetivo da Polícia Civil, a desconti-

nuidade das investigações e dos inquéritos e a morosidade nas decisões e nos andamentos acabam deixando criminosos e suas possíveis redes impunes”, resume Wal. Foi após uma reportagem sobre o desaparecimento e seus dobramentos que ela criou, em 1999, o Portal Kids, que oferece uma série de ações, entre elas uma rede de apoio aos familiares de desaparecidos, como serviços de psicólogos e cursos profissionalizantes.

Luto inacabado Outra iniciativa que oferece apoio a famílias com desaparecidos é a ONG Mães da Sé. Já faz quase 23 anos que sua fundadora, Ivanise Esperidião, dedica-se a descobrir o paradeiro de sua filha e de tantas outras pessoas. Aos 13 anos, Fabiana foi apenas cumprimentar uma amiga pelo aniversário, a menos de 20 m de sua casa, em Pirituba, Zona Oeste de São Paulo. Desapareceu no trajeto

No meio da rua: Bruna tinha 4 anos quando um carro de circo a levou, em plena luz do dia, segundo suspeita sua mãe

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de volta. Ivanise pensou que não conseguiria mais viver: “O tempo vai passando; a ferida, aumentando. Aprendi a conviver com essa dor. Cheguei à beira da loucura, passei a ter uma série de problemas de saúde, mas, ao ver que não era a única, transformei minha dor em luta. Vejo minha filha em cada uma das pessoas que ajudamos a localizar”, conta ela, que, além das diferentes ações de divulgação de desaparecidos, realiza palestras interativas e lúdicas em escolas para crianças e adolescentes para prevenir os riscos dos desaparecimentos. “Vivemos um luto inacabado, não queremos que outras famílias passem pela dor das incertezas. A única certeza que eu tenho é a de que Fabiana está viva”, afirma Ivanise, que chegou a compartilhar seu sofrimento na novela Explode Coração, da autora Glória Perez, em 1996, mas diz que, desde aquele ano, pouco avançamos para resolver esse problema tão avassalador. A promotora Eliana Vendramini Carneiro, coordenadora do PLID-SP e assessora do procurador-geral de Justiça, faz duras críticas à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), entre elas a dificuldade em conseguir informações para o programa. “Sabemos, pelo acompanhamento de alguns casos, que não havia nem cruzamento de dados, quanto mais investigação. O boletim de ocorrência servia, basicamente, para bloqueio do RG do desaparecido. Até 2013, uma única equipe policial era responsável por receber todas as notícias de desaparecimentos da maior cidade do Brasil. As famílias reclamam muito do atendimento e da inércia”, dispara Eliana, que também reprova o fato de o desaparecimento em si não ser considerado crime. Foi a partir do diagnóstico do PLID-SP que a Delegacia-Geral de Polícia editou uma portaria, descentralizando as investigações e determinando que estas passassem a ser feitas nas cidades ou nas proximidades de onde as pessoas desapareciam, bem como exigiu pesquisas mínimas. Em 2015, a portaria foi editada para exigir investigação formal – inquérito policial – para desaparecidos crianças ou doentes mentais, deixando de lado os adolescentes, o que descumpre a Constituição Federal. Em nota oficial, a SSP informou que, a partir do BO, é aberto um Procedimento de Investigação de Desaparecido, a foto da vítima entra no site da Polícia Civil e pesquisa-se o Banco de Dados da instituição e de outros

órgãos/estabelecimentos vinculados que possam auxiliar na localização da criança desaparecida. A pasta informa ainda que, havendo indício de crime, apura-se através de inquérito policial, cabendo à unidade que investiga o caso a comunicação à Polícia Federal, à Polícia Rodoviá-

CASOS EMBLEMÁTICOS DE DESAPARECIMENTOS NO BRASIL:

» “CASO CARLINHOS”, de Carlos Ramires da Costa, ocorrido em 1973, no Rio.

» “CASO PEDRINHO”,

de Pedro Rosalino Braule Pinto, em 1986, das dependências da maternidade Santa Lúcia, em Brasília

» “CASO AMARILDO”, de Amarildo Dias de Souza, ajudante de pedreiro, desaparecido em 2013 em crime com participação de agentes do Estado. Fonte: Dijaci David de Oliveira, coordenador no Núcleo de Estudos sobre Violência e Criminalidade da UFG

ria, aos portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários e às companhias de transporte intermunicipais, interestaduais e internacionais existentes ou que operem em sua respectiva circunscrição policial, além de outras comunicações que as diligências policiais indicarem. As investigações são encerradas somente com o Boletim de Encontro de Pessoa. O problema é que o reencontro de pessoas desaparecidas é extremamente raro. Desde o dia 23 de outubro de 2009, Joseli de Souza Melo tenta, sem sucesso, encontrar a filha Bruna, que desapareceu na rua de casa, em Frutal, interior de Minas Gerais, aos 4 anos. Ela brincava com o irmão gêmeo e outras três crianças, quando passou um carro de som anunciando a chegada de um circo. As crianças ganharam convites e, empolgadas, entraram para mostrar. Menos Bruna. Joseli perguntou pela menina e foi em direção à porta. “Só vi a bicicleta em que ela brincava jogada embaixo de uma árvore”, conta. A vida da família da cuidadora de idosos nunca mais foi a mesma. Mãe de seis filhos, Joseli viu-se devastada

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FOTO: RICARDO BORGES

Pesadelo e reencontro: Luciana teve a filha Izabela arrancada de seus braços quando bebê, mas ela foi resgatada

e dividida. “Minha vontade é fazer as malas e sair pelo mundo atrás dela, mas não posso abandonar meus outros filhos”, diz a mãe, que, na ocasião, contou com a ajuda da vizinhança para vasculhar a cidade. “Uma pessoa com deficiência mental disse ter visto Bruna com alguém do circo, mas não deram atenção. Eu acho mesmo que ela foi levada por eles”, conta. Revoltada com o descaso do poder público, Joseli diz não ter condições de ir à delegacia especializada de desaparecidos, que fica em Belo Horizonte, e que só em 2017 soube da existência do defensor público. Em Frutal, muitos consideram-na louca, e funcionários da delegacia minimizam o caso. Já os pensamentos dela não param: “Passam mil coisas pela minha cabeça, será que a levaram para criar? Para usá-la como força de trabalho?

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O que será que estão fazendo com ela? Onde ela está?”. Procurados pela reportagem, os ministérios da Justiça, da Segurança Pública e da Defesa responderam que o responsável pelo assunto seria o Ministério dos Direitos Humanos, que, por sua vez, informou por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que novas ações vêm sendo desenvolvidas em parceria com o Centro Internacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (ICMEC) e que, em julho de 2017, um Acordo de Cooperação Técnica foi assinado com o objetivo de prevenir e orientar medidas relacionadas ao desaparecimento e ao sequestro de crianças e adolescentes no Brasil, a partir da disseminação de informações, elaboração de conteúdos técnicos e materiais para os Conselhos de Direitos e Conselhos Tutelares,


bem como seminários, capacitações e campanhas. A pasta também informou que está em discussão o possível aperfeiçoamento da Lei nº 12.127, que criou o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos – que nunca funcionou de forma eficiente. A Polícia Federal respondeu apenas que não compete a ela casos de crianças e adolescentes desaparecidos.

Em meio a tantas dores, um final feliz Quem vê a mãe Luciana Rodrigues Vargas não imagina o horror que enfrentou. Após 24 dias do nascimento de sua filha Izabela, hoje com 9 anos, em pleno resguardo da cesárea e amamentando, Luciana foi vítima de um grupo de criminosos. Foi agredida, amarrada e abandonada num matagal próximo à estrada que liga São Gonçalo a Maricá, no Rio de Janeiro, e a bebê foi arrancada de seus braços. Um dos envolvidos trabalhava em uma agência de talentos, onde Luciana havia feito um book de sua filha mais velha. Ele ligou para oferecer a atualização das fotos. Na conversa, soube do nascimento de Izabela. Mentiu, convidando-as para um programa especial de Dia das Mães, que seria apresentado por Ana Maria Braga. Avisou que no dia seguinte ele e os produtores da atração buscariam para levá-las ao sítio, onde seria feita a gravação. Ele não foi, mas dois casais, com crachás falsificados da emissora, pegaram mãe e filha, já no final do dia. No trajeto, várias perguntas sobre o parto, a saúde da criança, o peso. Caía uma chuva fina, o grupo fingiu uma pane no carro, disseram para Luciana descer para ajudar a empurrá-lo. Ela se recusou. Uma das mulheres logo puxou a criança do colo da mãe. “Desesperada e sem acreditar no que estava acontecendo, fui jogada no chão e arrastada para o mato, levei chutes, fui xingada e amarrada. Colocaram éter para eu respirar, fingi ter desmaiado. Ouvi que eles tinham que correr porque um jatinho sairia às 7h da manhã. Ouvi o carro partir, clamei tanto a Deus e consegui estourar a fita que me prendia. Saí correndo atrás de ajuda, estava suja, com a roupa rasgada, liguei de um orelhão a cobrar para minha família, que logo acionou a polícia, a FIA e todos os jornais. Fiquei apavorada, escondida atrás de uma árvore, com medo de eles voltarem para me matar”, relembra, emocionada. Foram quase três dias de sofri-

mento, pavor e apreensão. Graças a uma denúncia anônima no Disque-Denúncia, a polícia conseguiu pegar os criminosos e resgatar Izabela, que estava vestida de menino, em uma favela em Maricá, na região dos Lagos. “Na delegacia, ainda tentaram dizer que eu estava envolvida. Eles iriam traficar minha filha, sim, ou para adoção, ou para venda de órgãos. Não quis mais saber notícias deles. Mudei de endereço e só estou falando com você por uma razão: é importante alertar outras mães”. 

PREVINA-SE!

Algumas medidas importantes para tomar na sua casa:

»

Ensine seu filho o nome dele completo e o telefone dos pais/responsáveis;

»

Faça a carteira de identidade dele e o ensine a sempre andar com ela;

»

Coloque pulseiras, etiquetas ou costure um tecido na roupa da criança com informações e contatos dos pais;

»

Ensine-o a nunca aceitar presentes ou caronas de estranhos;

»

Nunca deixe crianças sozinhas, em casa ou na rua, nem sob os cuidados de outra criança ou adolescente;

»

Mostre ao seu filho como buscar ajuda se necessário e fale sobre o 190;

»

Em locais de grande circulação, marque sempre um ponto de encontro;

»

Entenda os riscos da internet e oriente seus filhos sobre medidas de segurança;

»

Oriente seu filho adolescente a andar em grupos de amigos e pessoas de confiança;

»

Conheça os amigos do seu filho e as pessoas com quem ele convive (escolas, cursos, vizinhos etc.).

Fonte: SOS Criança – Fundação para a Infância e Adolescência

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Diversão

A pracinha é nossa! Mães blogueiras indicam oito praças de São Paulo para curtir com a criançada

FOTOS: WILLIANS MORAES

POR Catarina

Ferreira

VOCÊ COSTUMA LEVAR seus filhos para brincar em praças? O passeio pode ser uma boa pedida para passar as tardes com os pequenos, já que esses espaços geralmente contam com parquinhos e ampliam o contato com a natureza. Mariana Buffe, do blog As Aventuras de Luquinhas, é frequentadora assídua das pracinhas e recomenda o passeio para crianças de todas as idades. No ano passado, ela até decidiu celebrar o aniversário do filho Lucas, de 2 anos, na Praça Coronel Pires de Andrade, no Jardim Europa. “O local tem um parquinho pequeno, porém uma estrutura muito boa pra fazer piquenique. As crianças se revezavam entre o playground e os brinquedos que levamos”, conta. Quem também costuma frequentar praças com sua

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filha é Tatê Dantas, uma das fundadoras do site Passeios Kids e colunista da Canguru, que leva a pequena Luiza, de 4 anos, para brincar em praças e parques desde que ela era bebê. Apesar de as praças não contarem com estruturas como banheiro ou trocador de fraldas, o comércio ao redor geralmente é rico e serve de apoio. “Você pode levar seu filho para brincar lá e depois parar em alguma sorveteria próxima”, sugere Tatê. Outro ponto levantado pelas blogueiras é a possibilidade de contato dos filhos com outras crianças e delas mesmas com outras mães que estão aproveitando o tempo com os pequenos ao ar livre. Confira a seguir oito praças indicadas pelas blogueiras para os leitores da Canguru.


Ao ar livre: Luquinhas, de 2 anos, se diverte na Praça Coronel Pires de Andrade, onde comemorou seu aniversário

Praça das Corujas

Praça Sílvio Romero

Próximo à Estação Vila Madalena do metrô está a Praça Dolores Ibarruri, mais conhecida como Praça das Corujas. Local muito frequentado por mães, possui espaço amplo para piquenique.

Próximo aos shoppings Metrô Tatuapé e Boulevard Tatuapé. Local arborizado, possui diversas opções de comércio próximo e uma feira de artesanato organizada pela Igreja Nossa Senhora da Conceição.

Avenida das Corujas, 166, Vila Madalena.

Entre as ruas Tuiuti e Padre Adelino, na Vila Gomes Cardim.

Praça Horácio Sabino O espaço possui dois playgrounds: um para bebês e crianças menores e outro voltado para crianças maiores. A praça é arborizada e possui gramado e caixa de areia. Entre as ruas Penalva e João Moura, no bairro Pinheiros.

Praça Ituzaingó No bairro Tatuapé, a praça é arborizada, conta com playground de madeira e banquinhos e fica em frente à Biblioteca Pública Paulo Sérgio Duarte Milliet. Rua Demétrio Ribeiro, s/n.

Praça Sampaio Vidal

Praça Coronel Pires de Andrade

Localizada na Vila Formosa, a praça possui coreto, gramado e banquinhos. O playground é equipado com escorregadores, balanço e trepa-trepa.

Localizada no Jardim Europa, ela é dividida em dois lados, e cada um possui um playground. Conta com amplo espaço verde e gramado para piquenique. Entre a Rua Campo Verde e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva.

Avenida Doutor Eduardo Cotching, s/n.

Praça Conde de Barcelos Praça localizada em área residencial, possui playground com chão de areia. É ampla, o que possibilita a locomoção de carrinhos e bicicletas para os pequenos. Está localizada no Alto de Pinheiros, a cinco minutos do Shopping Villa Lobos. Entre a Rua Massacá e a Rua Orobó.

Praça Pereira Coutinho Brinquedos de madeira, tanque de areia cercado, bancos e espaço para correr fazem parte da estrutura da praça, localizada no bairro Vila Nova Conceição. Rua Domingos Fernandes, s/n. A B R I L 2 01 8 .

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Saúde

Todos merecem sorrir Lábio leporino afeta 1 em cada 600 crianças nascidas no Brasil; tratamento ainda depende de ajuda voluntária Matias

RIR É UMA DELÍCIA. Além de ser uma das mais genuínas expressões do corpo humano, traz diversos benefícios à saúde, como o fortalecimento dos músculos da face e a sensação de bem-estar. Em algumas crianças, porém, uma condição congênita dificulta os primeiros sorrisos. A fenda palatina e o lábio leporino são condições médicas consideradas comuns até os 2 anos, com incidência de um para cada 600 nascidos vivos no Brasil. O principal sintoma é uma abertura no lábio e no céu boca, de um lado ou dos dois, que dificulta a fala e a alimentação e causa alterações na dentição, nos ossos e na musculatura, atrapalhando todo o desenvolvimento do crescimento da face, da fala e da deglutição. De acordo com o médico Gabriel Basílio, que é voluntário do projeto Operação Sorriso (veja no quadro) e já operou mais de cem crianças com o problema, as causas são multifatoriais e podem estar relacionadas, além de fatores genéticos, ao uso de medicações anticonvulsivantes, deficiência de vitaminas, tabagismo, consumo de drogas ilícitas e abuso de álcool durante a gestação, principalmente nas primeiras semanas. “Evitar o uso dessas substâncias durante a gravidez, ter uma dieta saudável e balanceada e procurar um médico geneticista em casos associados à transmissão genética são as melhores formas de prevenção”, explica o especialista. O tratamento para restauração da fenda palatina e do lábio leporino é ci-

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rúrgico e multidisciplinar, com profissionais das áreas de pediatria, fonoaudiologia, nutrição, enfermagem, odontologia e cirurgia plástica. As cirurgias de fendas labiais devem ser realizadas na idade entre 3 e 6 meses, e a de fenda palatina, em torno de 1 ano. “Essas cirurgias são cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e todo o tratamento pode ser realizado gratuitamente, mas as regiões mais pobres ainda são muito afetadas pela desinformação ou pelo difícil acesso aos centros de saúde”, diz o médico. Além disso, outros tratamentos dentários e tempos cirúrgicos são necessários durante a infância e a vida adulta jovem para finalização da reabilitação completa. Caso não receba o tratamento adequado, a criança pode ser prejudicada com dificuldades de fala, deglutição, maior predisposição a infecções das vias aéreas e um possível prejuízo no desenvolvimento psicossocial.

Uma das maiores organizações voluntárias para ajudar a diagnosticar e tratar o problema, a Operação Sorriso possui sede em 60 países e mais de 5.000 voluntários cadastrados. Fundada em 1982 pelo cirurgião plástico norte-americano William P. Magee Jr. e sua esposa, a enfermeira e assistente social Kathleen S. Magee, a organização chegou ao Brasil em agosto de 1997, quando realizou a primeira missão humanitária em Fortaleza (CE). Desde então, a ONG já passou por 15 cidades, espalhadas por todas as regiões do país, e operou mais de 5.000 pacientes. No site www.operacaosorriso.org.br, é possível conseguir ajuda em cada Estado.

LUSTRAÇÃO: ALINE USAGI

POR Rafaela


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4passeios kids

Passeios para bebês e crianças pequenas Aqui listamos seis lugares que conhecemos e recomendamos para você se inspirar:

BRINCANDO NO PÉ: o espaço tem um café charmoso que serve almoços e quitutes saborosos e saudáveis. A área destinada ao brincar livre reúne brinquedos antigos para despertar a curiosidade da criançada. Rua Pedroso de Camargo, 319, Chácara Santo Antônio.

CADÊ BEBÊ: o espaço é lindo e cheio de atividades para os pequenos. É uma ótima opção para as mães deixarem os bebês enquanto trabalham ou apenas para eles brincarem por um determinado tempo, incluindo os sábados. Rua Emanuel Kant, 175 A, Itaim Bibi.

CASA DO BRINCAR: o mais antigo espaço destinado ao brincar livre da cidade merece nosso respeito e atenção. O lugar é lindo e lembra muito os quintais de casas do interior. Os donos são responsáveis pelos sensacionais eventos itinerantes Tudo É Brincadeira, que também promovem o livre brincar em espaços diversos da cidade. Rua Ferreira de Araújo, 388, Pinheiros.

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MAMUSCA: a casa de brincar promove várias oficinas e eventos muito bem-estruturados para crianças de até 6 anos e suas famílias. O jardim é lindo e superconvidativo às brincadeiras. Na frente do espaço, há um café muito charmoso. Rua Joaquim Antunes, 778, Pinheiros.

PITANGA BRINCADEIRAS: no local, as crianças encontram massinha, piscina de areia, teia de escalada, oficinas multiculturais, horta e muita criatividade. Com área total de 600 m², a casa é uma das maiores, se não a maior, casa de brincar que conhecemos. Rua Conde de Itu, 652, Alto da Boa Vista. TERRA DE BRINCAR: é o primeiro espaço de brincar no bairro do Brooklin. A ideia é deixar a criança se sujar de terra, de tinta, de areia e do que mais a imaginação permitir. Oferece um almoço delicioso e saudável. Rua Guaraiuva, 1.527, Cidade Monções.

Cá é fisioterapeuta e apaixonada por leitura e escrita. É mãe de Júlia, de 3 anos. Tatê é jornalista de formação e blogueira por paixão. É mãe de Luiza, de 4 anos.

FOTO: DIVULGAÇÃO

SE VOCÊ TEM bebê ou criança pequena em casa já deve conhecer ou ter ouvido falar das casas ou espaços de brincar. Todas elas foram criadas para incentivar o brincar livre – quando uma criança se deixa levar pela sua imaginação e explora o momento em seu próprio tempo, criando atividades que não sejam direcionadas por regras, nem focadas no aprendizado, nem que tenham estímulo para uma determinada intenção, como por exemplo, a estimulação sensorial. Claro que atividades direcionadas fazem parte do pacote e são importantes, mas nada como ver uma criança criar sua própria brincadeira e curtir esse momento. Juju e Lulu, ambas com 4 anos, frequentam esses espaços antes mesmo de o Passeios Kids existir e continuam aproveitando até hoje. Vale dizer que todos os espaços fazem festas de aniversário, e a maioria promove cursos voltados aos cuidados dos filhos.


DIZEM QUE É insanidade fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. Sendo assim, eu esperava que, fazendo a mesma coisa, eu obtivesse os mesmos resultados. Dois mais dois, quatro. Caso encerrado! O problema é que maternidade não é matemática! Sempre tentei usar a disciplina positiva, mas tem dia que eu ganho mesmo é no grito. Filhos são caixinhas de surpresas, ou talvez bombas-relógio. A hora do almoço exige uma criatividade do tamanho de um elefante. Vai ao sacolão com a criança, apresenta os alimentos, pede ajuda para escolher, leva tudo para casa e é um sucesso! A comida sai, a criança come tudo rapidinho, maravilha! No dia seguinte você usa a mesma fórmula: “Filho, você quer carne ou peixe? Alface ou rúcula? Macarrão ou arroz?” A pessoinha escolhe tudo, como no dia anterior. Na hora que se senta para comer, olha para o teto, inventa assunto, cada garfada vem com 200

mastigadas de brinde... O tempo passa, o prato não esvazia. Você mostra o relógio e lembra que já passou a metade do tempo, esperando que ele acelere. Nada. O tempo acabou, você avisa: “Agora você precisa se arrumar para a escola, não dá tempo de terminar o prato”. E o bichinho chora... Terceiro dia, você repete tudo outra vez. Pessoinha escolhe entre comida A e comida B, você prepara, põe no prato e chama para comer. Pessoinha diz: “Mas não era desse jeito que eu queria o peixe”.

Bebel Soares e o filho Felipe

Quarto dia, você faz o que tem na geladeira, manda comer sem reclamar e depressa para não se atrasar para a aula. Ele come rapidinho, depois deita na cama e fala que está cansado para vestir o uniforme. Quinto dia, você larga a alimentação saudável, faz logo um macarrão instantâneo, despacha a cria para a escola e medita a tarde toda para conseguir voltar à disciplina positiva e aos bons hábitos alimentares no sexto dia! Disciplina positiva funciona, mas não é fazer uma vez e pronto. Dá trabalho. Tem que ser todo dia, toda hora. Cansa. Mas funciona e vale a pena. Com o tempo, vai ficando mais fácil deixar de seguir o modelo da nossa criação. Os frutos que plantamos hoje serão colhidos no futuro.

Bebel Soares é fundadora da plataforma de apoio a mães Padecendo no Paraíso. Na Canguru ela fala sobre educação, saúde, alimentação, sexo, inclusão e viagens. www.padecendo.com.br

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FOTO: DEPOSITPHOTOS

Maternidade não é matemática

FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA

padecendo no paraíso


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

para ler com seu filho

A volta ao mundo em um monte de histórias

leo cunha e os filhos, Sofia e André

Que tal rodar o mundo sem sair de casa? Os livros destacados nesta edição propõem bem isto: descobrir outras culturas, conhecer personagens distantes, embarcar em histórias de outros tempos e lugares, mas que, muitas vezes, se parecem com os nossos próprios causos, nosso folclore e nossas lendas!

A coleção Cordéis de Arrepiar, da editora Imeph, já conta com três volumes – África, Europa e América. São histórias de assombro, dessas que a meninada gosta de ouvir no escurinho, só pro medo aumentar. Como os relatos foram recolhidos da tradição oral de cada continente, a coleção fez a ótima opção pelo texto em cordel, com sua cadência envolvente, suas rimas e sua linguagem coloquial. O volume sobre a Europa, com texto de Marco Haurélio, foi finalista do Prêmio Jabuti. SOBRE OS AUTORES: Marco Haurélio, baiano, é escritor, editor e pesquisador, especializado em cultura popular. Rouxinol do Rinaré e Evaristo Geraldo, cearenses, são dois importantes cordelistas da atualidade. Edusá, mineiro, artista plástico e ilustrador, criou as imagens de todos os livros da coleção. COLEÇÃO CORDÉIS DE ARREPIAR. Textos de Marco Haurélio, Rouxinol do Rinaré e Evaristo Geraldo, imagens de Edusá. IMEPH, 2015/2016.

O escritor Rogério Andrade Barbosa adora viajar, aprender e contar histórias de todos os cantos do mundo. Com dezenas de livros publicados sobre personagens africanos, Rogério abriu ainda mais seu abraço e nos traz, agora, os Contos de Amor dos Cinco Continentes. São histórias de amor que comovem e encantam, falando de imperadores e nobres, mas também de camponeses e gente simples. Uma curiosidade da edição é que cada conto foi ilustrado por um artista diferente, morador daquele continente.

CONTOS DE AMOR DOS CINCO CONTINENTES. Texto de Rogério Andrade Barbosa, ilustrações de vários artistas. Editora do Brasil, 2016.

Leo Cunha publicou mais de 60 livros, como Cachinhos de Prata (Ed. Paulinas), Um Dia, um Rio (Pulo do Gato) e Só de Brincadeira (Positivo). Recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Nestlé, FNLIJ e Jabuti. leocunha@canguruonline.com.br

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IMAGENS: DIVULGAÇÃO

SOBRE OS AUTORES: Rogério Andrade Barbosa, carioca, publicou cerca de cem livros e ganhou diversos prêmios literários. Maurício Negro, brasileiro, Daniel Gray-Bernett, australiano, Setor Fiadzigbey, ganense, Suntur, tailandês, Brooke Smart, estadunidense, e Elisabet Ericson, sueca, são os ilustradores da obra.


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

viagens, modo de usar

Descobrindo a Serra do Cipó

plantas do caminho. Explore os rios em canoas canadenses e, após um passeio no meio da mata, conheça um tesouro: pinturas rupestres deixadas por gente que viveu há 8.000, 10 mil anos. Os paredões e os abrigos são enfeitados por bichos, alguns que não mais existem, caçadas, danças e sinais indecifráveis. Uma curiosidade: essas pinturas, feitas com óxidos e barro de cupinzeiro, foram executadas por adolescentes, pois a vida de então costumava não passar dos 18 anos. Ali perto fica a Lapinha da Serra, um vilarejo cravado no tempo e na natureza, onde se desfrutam a paz, o ar puro, o Pico do Breu, as águas de uma represa e as caminhadas curtas e longas. Os mais valentes podem fazer a travessia até a cachoeira do

Tabuleiro, a maior de Minas Gerais. A jornada, no topo de uma chapada, vale cada passo que se dá. Os olhos, a mente e o corpo agradecem. Os hotéis e as pousadas do Cipó atendem todo tipo de exigência. Também existem opções no Airbnb. Os restaurantes oferecem comida mineira e internacional. A Serra do Cipó se formou há mais de 1 bilhão de anos. Uma pena que só agora estejamos descobrindo sua beleza. 

Luís Giffoni é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos. giffoni@canguruonline.com.br

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FOTOS: CRISTINA MORENO DE CASTRO

ALGUMAS REGIÕES DO Brasil reúnem beleza e conforto. Poucas reúnem beleza, conforto e natureza única. Dessas, menos ainda têm beleza, conforto, natureza única e são quase desconhecidas. É o caso da SERRA DO CIPÓ, um parque nacional a 100 km de Belo Horizonte ou a 60 km do Aeroporto Internacional de Confins. Paulistas, cariocas e até os mineiros pouco aparecem por lá. Não sabem o que estão perdendo. Tanto as crianças quanto os adultos. O Cipó, como é mais conhecida a serra, possui dezenas de cachoeiras, como a do Véu da Noiva, a Cachoeira Grande, a da Farofa, a do Gavião, a dos Confins, a Serra Morena... Há ainda o Travessão, um rasgo na rocha provocado por eventos cataclísmicos ocorridos milhões de anos atrás, onde surge, após as tempestades, uma das mais altas e bonitas quedas-d’água do Brasil. Entre seus vários cânions, no das Bandeirinhas se curtem águas límpidas e rochas a prumo e se veem peixes que só o Cipó tem. O lugar oferece muitas trilhas, algumas bastante planas, que podem ser percorridas a pé, de bicicleta ou a cavalo (alugados na portaria do parque), alegria adicional para as crianças enquanto descobrem a beleza e o exotismo das

Luís Giffoni


FOTO: ARQUIVO PESSOAL

4artigo | Mariana Cardoso Tudela

Atividade física na infância

A PRÁTICA REGULAR de atividade física durante a infância traz diversos benefícios às crianças, ao contribuir para o seu desenvolvimento integral nos aspectos motor, cognitivo e socioafetivo. Também é importante para a continuidade da prática na adolescência e na idade adulta, com consequências positivas para a qualidade de vida e a prevenção de doenças crônico-degenerativas associadas a problemas como obesidade, diabetes e alguns tipos de câncer. A criança se exercita por meio das brincadeiras, ao correr, dançar, pular, subir numa árvore ou andar de motoca, por exemplo. Essa é a maneira natural através da qual ela interage com outros, com ela mesma e com o ambiente. É nesse período que a arquitetura do cérebro começa a se formar e é moldada pelas experiências vividas, e a partir daí ocorre o crescimento físico, o amadurecimento do cérebro e a aquisição dos movimentos, entre outros aspectos. Quanto mais experiências e oportunidades e maior a frequência dessas vivências, melhor será o desenvolvimento neuronal e motor, que atua positivamente na melhora da aptidão física, favorecendo aspectos como resistência cardiorrespiratória e flexibilidade.

A criança se exercita por meio das brincadeiras, ao correr, dançar, pular, subir na árvore ou andar de motoca No entanto, pesquisas têm chamado a atenção para o fato de as crianças de hoje não terem oportunidades suficientes para se exercitarem no dia a dia – em atividades diversas, das escolares àquelas em que a própria criança

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cria sua brincadeira, por exemplo. Tem-se verificado que o nível de atividade física durante o tempo livre vem declinando significativamente, apresentando-se abaixo das expectativas. Isso por conta das tecnologias, como o uso de tablets, computador e televisão, que acontecem cada vez mais cedo e tomam o tempo livre já na infância. Enquanto brinca, a criança trabalha diversos aspectos de seu desenvolvimento. Entre eles, o psicomotor, por meio do controle muscular, de equilíbrio e dos sentidos em geral; o intelectual, ao estimular capacidades de pensamento e de criatividade; e o social, ao se comunicar com iguais e conhecer novas pessoas, por exemplo. As habilidades amplas (conhecimento do próprio corpo e movimentação expressiva) e as habilidades motoras finas (movimentos com a mão que facilitam a escrita) também são trabalhadas. Os benefícios da prática de atividade física na infância se estendem ainda à vida adulta. Se bem estimulada, a criança desenvolve de maneira satisfatória as habilidades motoras fundamentais – entre elas correr, saltitar e deslizar –, que são a base e que serão depois requeridas para a prática de atividades físicas na adolescência e na fase adulta. Estudos têm mostrado uma relação direta entre a aquisição dessas habilidades e a prática regular de atividades físicas, projetando um adulto fisicamente ativo no futuro.

Mariana Cardoso Tudela é professora de educação física de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. É graduada e licenciada em educação física pela Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo e graduada em ciências da atividade física pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em desenvolvimento motor pela USP e especialista em neuroaprendizagem.


FOTO: DIVULGAÇÃO

4artigo | Fabrizio Romano

Outono e as doenças respiratórias COM A CHEGADA do outono, aumenta muito a incidência de doenças respiratórias nas crianças. Isso acontece por diversos motivos: queda da temperatura, diminuição da umidade do ar, maior concentração de poluentes atmosféricos e até o uso daquelas roupas guardadas no armário há muito tempo e cheias de ácaros e mofo. Além disso, existe uma maior tendência a se passar mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação. As doenças respiratórias dividem-se em dois grupos: doenças alérgicas e infecciosas. As crianças com predisposição às alergias respiratórias pioram bastante nesse período. Os sintomas de rinite alérgica, que são nariz entupido, coriza, espirros e coceira no nariz, nos olhos e na garganta, tornam-se mais intensos e frequentes. Para evitar as alergias, o ideal é frequentar ambientes arejados e sem acúmulo de poeira. Outras medidas úteis são retirar previamente as roupas de frio do armário e lavá-las antes de usar e utilizar com frequência soro fisiológico para lavagem nasal, que retira as substâncias alérgicas e irritantes do nariz. Além disso, hoje é bastante efetivo o tratamento da rinite alérgica, normalmente com uso de sprays nasais anti-inflamatórios. Como a rinite afeta a qualidade de vida, o sono e o desempenho escolar das crianças, é recomendável uma avaliação médica para definir o tratamento mais adequado. Agora vamos falar sobre as doenças infecciosas. A maioria delas é causada por vírus e dura em torno de cinco ou sete dias. Porém, em alguns casos, essas infecções virais podem evoluir para uma infecção bacteriana – otites (infecções do ouvido), sinusites e pneumonias. Esses casos são mais graves, com sintomas mais

exuberantes e maior risco de complicações sérias. Algumas medidas simples ajudam a evitar a infecção: alimentar-se e dormir bem; lavar sempre as mãos para evitar o contágio; e dar preferência a ambientes arejados, evitando aglomerações. Além disso, o ideal é tomar a vacina para gripe anualmente, para prevenir os casos mais graves.

Crianças com predisposição às alergias respiratórias pioram bastante nesse período Para evitar a evolução para doenças bacterianas, o ideal é ingerir bastante líquido, fazer repouso e lavagem nasal com soro fisiológico várias vezes ao dia, para auxiliar na remoção de secreções. É importante ter cautela com medicamentos antigripais, que, além de terem efeitos colaterais, podem espessar as secreções, tornando mais difícil a sua eliminação. Procure um médico se os sintomas persistirem por mais de três dias ou se houver sinais de maior gravidade, como dor intensa, febre alta, falta de ar ou sonolência. Finalmente, temos que ter em mente que a maioria das infecções respiratórias é viral e que poucas vezes elas evoluem para um caso bacteriano, que exige antibióticos. Lembrando que o uso indiscriminado de antibióticos leva ao aumento dos índices de resistência bacteriana e das chances de haver efeitos colaterais.

Fabrizio Romano é otorrinolaringologista do Hospital Moriah, em São Paulo, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Tem residência médica em otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da FMUSP e doutorado em otorrinolaringologia pela mesma instituição.

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FOTO: FLÁVIO DE CASTRO

crônica

Ressignificando cris guerra e o filho, francisco

“SÓ NÓS DOIS.” A expressão era música quando a nossa história começou. Mas nem sempre éramos só nós. Na romântica Tiradentes, éramos nós dois e uma ou mais garrafas de vinho, confissões enfileiradas para finalmente se verem libertas. Nós dois abraçados numa cama que crescia à nossa volta. Nós dois e risadas. Nós dois e um amor urgente na sala de um apartamento sem móveis. Nós dois em frente à cerveja gelada do sol de domingo. Nós dois, o silêncio e um jornal. O Jorge Drexler no violão, e nós dois bailando na sala de pijama. Nós dois, um céu estrelado e O Grande Sertão. Nós dois num quarto minúsculo em Ilha Grande, com uma janela por onde entrava o azul do mundo.

Um segundo, e já não éramos. Eu era uma, era só ou quase dois Nós dois, uma semana de chuva e um 31 de dezembro brindando ao sonho que geramos. Nós dois e a curiosidade. Não éramos só nós dois. Já éramos quase três. Um segundo, e já não éramos. Eu era uma, era só ou quase dois. Quase nada, quase muda, quase morta. Ou viva, porque ele estava a caminho. Só nós dois, mais uma vez. Um outro “só nós dois”. Nós dois e uma falta que fazia sombra em nós. Um silêncio que aniversariava a cada vela apagada. Nós dois, o medo e um gosto de absurdo. Nós dois e a sensação de não ter o direito. Nós dois e o eco de um sonho que ficou pelo caminho. Nós dois e um novo sonho a construir. Nós dois e as cólicas de fim de tarde, as tardes que não terminavam, um sono que chegava como alívio para logo gritar uma lacuna. Nós dois sós. Cada um

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camuflado em seus receios de primeira viagem. Se ele era melodia suave, o “só” era percussão. Cabia a mim insistir no ritmo, e ele acompanhava. “Vamos pra nossa casinha, mamãe?” – era a pergunta dos fins de domingo, desejosa do “só nós dois”. Eu mirava o relógio, exausta e vitoriosa, comemorando a coragem que eu não propriamente havia escolhido. Nós dois e o mesmo apartamento, cheio de móveis e vazio dele. Nós dois e alegrias diárias que eu engolia inteiras, sem ter com quem dividir. Nós dois e muitas janelas, quinas, perigos. Nós dois e a minha persistência em ser feliz. Nós dois, o cansaço e uma bateria ilimitada. Nós dois e o medo de não dar conta. E um tentar insistente, ávido por aprender. Nós dois e a Marisa, um samba, um monte. Nós dois e páginas em branco. A tela do computador. Nós dois e um blog. Nós dois e um mundo. “Vamos descer pra tomar um drinque?” – ele pergunta no quarto de hotel em Cancún, diante da janela turquesa de mar e céu. Nós dois e um menu de travesseiros. Nós dois em portunhol e inglês. E chantili no café da manhã, porque nas férias pode. Nós dois e as ruínas maias. E arraias, golfinhos sorridentes, pelicanos engraçados, borboletas multicoloridas e uma anta preguiçosa. Lá se vão 11 anos de só nós dois. Nós dois e mais um episódio de Friends. Nós dois e a alegria de um colo repleto. Os dois inteiros, plenos de amor e de nós. 

Cris Guerra é publicitária, escritora e palestrante. Fala sobre moda e comportamento em uma coluna na rádio BandNews FM e a respeito de muitos outros assuntos em seu site www.crisguerra.com.br. Na Canguru, escreve sobre a arte da maternidade. crisguerra@canguruonline.com.br


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Canguru | SP | Abril de 2018 | Número 12  

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