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criando filhos melhores para o mundo

mai 2018 | nº 32 | Belo Horizonte

Manchas na pele entram na pauta DA INCLUSÃO Onde vão parar os

brinquedos QUE DOAMOS

COMO CRIAR FILHOS

melhores PARA O MUNDO?

Cortella, Jane Nelsen, Lidia Aratangy, Lorraine Thomas, Ruth Rocha, Tania Zagury, Tina Bryson e outras sete personalidades dão conselhos preciosos


Mais cuidado pra você, que já cuida de tudo.

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Porto Seguro Vida Mais Mulher é como você, múltipla e única ao mesmo tempo. Enquanto você realiza suas conquistas, nós cuidamos da sua tranquilidade. Proteção em vida para você, com segunda opinião médica, indenização em caso de diagnóstico de câncer, além de assistência residencial emergencial e descontos em academias, spas e clínicas de estética. Para a sua família, proteção na sua falta, com indenização em caso de falecimento e assistência funeral individual ou familiar.

Fale com a Porto Seguro www.portosegurovida.com.br Porto Seguro Cia. De Seguros Gerais S.A. - Al. Barão de Piracicaba, nº 618 - Torre B - 3º Andar - Campos Elíseos - São Paulo - CEP 01216-012 CNPJ 61.198.164/0001-60. Chat Online: www.portoseguro.com.br/a-porto-seguro/fale-com-a-porto-seguro/chat-on-line - Central de Atendimento: (11) 3366-3377 (Grande São Paulo) - 0800-727-9393 (demais localidades). Horário de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 8h15 às 18h30. Atendimento exclusivo para deficientes auditivos: 0800-727-8736. Ouvidoria: 0800-727-1184. SAC: 0800-727-2746 (24 horas). Acesse nosso site: www.portoseguro.com.br/vida. Processo Susep 15414.902184/2014-63 Vida Mais Mulher Anual. O registro deste plano na SUSEP não implica, por parte da Autarquia, incentivo ou recomendação à sua comercialização. A aceitação do seguro estará sujeita à análise do risco. As condições contratuais/regulamento deste produto protocolizadas pela sociedade/entidade junto à Susep poderão ser consultadas no endereço eletrônico www.susep.gov.br de acordo com o número de processo constante da apólice/proposta. M A I O 2 01 8 .

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4nesta edição

Seções

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Primeiras palavras Nossos leitores www.canguruonline.com.br Missão Instagram Corrente do bem Canguru viu e curtiu Moda, por Roberta Paes Comprinhas Mundo Kids Eles dizem cada coisa Padecendo no Paraíso, por Bebel Soares

Mães melhores, filhos melhores: especialistas e leitoras dão conselhos preciosos para a criação dos pequenos

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Na Pracinha, por Flávia Pellegrini Para ler com seu filho, por Leo Cunha Viagens, modo de usar, por Luís Giffoni Artigo, por Luciene Gomes Crônica, por Cris Guerra

Reportagens 21

Lançamento | Britânica Lorraine Thomas publica seu primeiro livro no Brasil com a scrittore, editora da Canguru

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Solidariedade | Saiba o que acontece com os brinquedos que você doa para as ONGs

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Educação | Comemorar datas como o Dia das Mães não é consenso entre as escolas

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Especial | 14 personalidades ajudam a esclarecer o que é preciso fazer para criar filhos melhores para o mundo

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Família | Os desafios das mulheres que optaram pela produção independente

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Inclusão | Crianças com marca de nascença enfrentam e superam bullying com ajuda dos pais

Calendário escolar: não é consenso entre famílias se escolas devem celebrar ou não datas como o Dia das Mães

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Caminho diferente: Karina Bacchi e outras mães que optaram pela produção independente falam sobre como foi o percurso em busca da maternidade

Nossa capa MELISSA, 3 anos, é filha de Alessandra Marques Ravnjak e Johann Frederico Ravnjak. FOTO: GUSTAVO ANDRADE

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FOTOS: [1] RICARDO BORGES; [2] JULIANA FRUG; [3] FABIOCERATI

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[1]


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4primeiras palavras

Mães melhores para o mundo A EDITORA-CHEFE da Canguru, a jornalista Cristina Moreno de Castro, já me cobrou o editorial da edição de maio várias vezes. A poucos dias de a revista ir para gráfica, ainda não fiz minha parte (a verdade é que isso acontece com muita frequência, só para deixar nossa Kika doida). Mas, neste mês, em especial, tenho uma desculpa boa. Uma desculpa ótima. Estou enlouquecida com os preparativos finais de mais uma edição do Seminário Internacional de Mães. Esse encontro, que já é reconhecido como o maior evento de maternidade do país, tornou-se um dos meus grandes orgulhos – e um dos momentos mais emocionantes do meu ano. Foi sentada na plateia da primeira edição, em 2015, que eu rascunhei o que seria a Canguru. No ano seguinte, me tornei sócia e uma das organizadoras do seminário. E, em 2017, virei também a moderadora. Aí entendi, de verdade, o que ele significa. O que eu vejo de cima do palco, quando abro o evento, é um privilégio para poucos: os rostos de mil mulheres movidas pelo mesmo desejo de serem mães melhores. Não, elas não estão ali em busca de perfeição. Já entenderam que ser uma mãe melhor não tem nada a ver com ser perfeita. Tem a ver, talvez, com ser mais leve. Ter tranquilidade para lidar com os desafios que virão a cada etapa de vida dos filhos. E a convicção de que os dilemas do dia a dia são só oportunidades para preparar os pequenos para a vida. Convidada internacional da edição de 2018, a inglesa Lorraine Thomas (uma das entrevistadas na nossa reportagem de capa) costuma dizer que as mães são a influência mais poderosa para os filhos. Por isso é tão importante que elas reflitam sobre como estão impactando a infância de suas crianças e como podem contribuir para que os pequenos se tornem adultos equilibrados, capazes de cuidar de si mesmos, conviver com os outros em paz e contribuir para uma sociedade mais harmônica. É exatamente isso que vejo quando olho para a plateia do Seminário Internacional de Mães: mil mulheres dispostas a refletir, compartilhar experiências, construir coletivamente um novo olhar sobre a maternidade. E sei que elas, as que estão sentadas diante de mim, são só uma pequena mostra de um movimento que vejo se espalhando por todo lugar, nos grupos de mães da internet, nas portas das escolas. A todas essas mulheres que estão imbuídas do firme propósito de se tornarem mães melhores para o mundo, minha mais profunda admiração. Vocês me inspiram todos os dias a tentar ser uma mãe melhor para o Pedro e o Gabriel.

Ivana e os filhos Pedro e Gabriel

Ivana Moreira, DIRETORA DE CONTEÚDO ivana@canguruonline.com.br

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Canguru Aprendo muito com as reportagens e as palestras da Canguru. Tenho orgulho de ter vocês aqui em BH. — Cherlen Aidano, de Belo Horizonte

Crianças desaparecidas Excelente matéria! Deveria ser obrigatório sair da maternidade com a carteira de identidade [da criança]. — Jane Gusmão Freitas, de Belo Horizonte

Parabéns pela iniciativa [de produzir a reportagem de capa]. É um assunto que sempre nos “assombra”, mas sobre o qual nunca se lê nada a respeito. Obrigada! — Ada Cortes, de Belo Horizonte

Muito obrigada pela reportagem [de capa da edição de abril] e parabéns à editora Luciana Ackermann, que nos tratou com muita sensibilidade e retratou com absoluta verdade o desaparecimento de pessoas. — Wal Ferrão, jornalista e fundadora e presidente da ONG Portal Kids, que oferece rede de apoio a familiares de desaparecidos do Rio de Janeiro

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Enquete do mês:

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Seu filho tem algum ritual na hora de dormir? Qual é? ALGUMAS RESPOSTAS DOS LEITORES: Aqui o ritual é simples: banho e cama! É assim desde bebê e sempre funcionou muito bem! — Mari Xavier, de BH

Dou o leite antes do banho e depois apago tudo e coloco para dormir. Sigo uma rotina durante o dia também. — Geyse Pereira, de BH

Às 19h45, vai para o banho quentinho, escova os dentinhos, bebe água, ora, e mamãe canta para dormir. — Ladjane Torres, de Jaboatão dos Guararapes (PE)

Quem me dera ter algum ritual! Aqui eles só param tarde e quando já não aguentam mais mesmo! — Patrícia Pereira , de BH

Que delícia a hora de ir para a cama! Escovamos os dentes juntas e fazemos caras e bocas na frente do espelho. De pijamas, lemos um livrinho, um processo lindo. Amadurecimento e descoberta todos os dias há 6 anos. — Maira Itaborai

Primeiro escolhemos uns dois ou três livrinhos para ler, depois rezamos, e eu me deito ao lado dele até ele dormir. — Cynthia Aguilar Paulino, de BH

Nesta ordem: fazer xixi, escovar os dentes, ler uma história, fazer uma oração e dormir com os anjos! — Patricia Ferreira, de Belo Horizonte

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Banho antes de dormir, independentemente da hora e da idade! Ela já aprendeu e não aceita dormir sem tomar banho, mesmo após chegar cansada de uma festa. — Leila Magda

Fique de olho em nossas novas enquetes!

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Elas são sempre divulgadas em nossa página do Facebook: www.facebook.com/canguruonline


Campanha da Canguru Neste mês de abril, demos início a uma campanha para que os pais façam o RG dos filhos desde bebês (não há idade mínima) e para que as escolas passem a exigir o documento de identidade com foto de seus novos alunos na hora da matrícula. Tirar o RG dos filhos desde bebês é uma medida simples que aumenta a segurança das crianças e diminui o risco de desaparecimentos, como os relatados na reportagem de capa de abril. Recebemos muitos retornos positivos de famílias e diretores de escolas, que disseram aderir às propostas. Que bom que divulgaram a ideia da Escola Vila Verde. Por aqui já pedimos essa documentação e vamos divulgar para outras escolas. Obrigada pelo apoio! - Fernanda Mancini, diretora da Escola Vila Verde, em Belo Horizonte Parabéns por mais essa iniciativa! Fico encantada ao ver o envolvimento de vocês em um assunto tão sério, de uma forma simples, inteligente e preventiva. Conte com o nosso apoio e com a divulgação dessa iniciativa. - Liara Sai Moreira Salles, diretora-geral no Colégio Logosófico, em BH

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www.canguruonline.com.br

Animação total e vários mimos na edição de 2017

Evento

Uma noite i-nes-que-cí-vel! QUEM FOI NOS outros anos sabe como é: a festa Mães de Folga, organizada pela Canguru, é simplesmente uma noite inesquecível! Uma reunião de mulheres que têm pelo menos uma coisa muito preciosa em comum: a maternidade. E claro que, junto com os filhos, elas ganharam também aquela falta de tempo básica para se divertirem só com as amigas. Pois nesta noite especial, a Canguru proporciona uma folguinha merecida, aquele momento para a mãe poder se esbaldar junto com as amigas, com muita música boa e comes e bebes incluídos no convite. Na edição de 2018, que vai acontecer no dia 22 de maio, a partir das 20h, o buffet Luminis deixará de ser um espaço normalmente alugado para festas infantis e se transformará em uma verdadeira boate, pronta para a diversão das mamães adultas com suas amigas. A animação será por conta da Charanga das Padês – que é conhecida por alegrar o Carnaval de Beagá, mas

também toca de tudo um pouco, de Beatles a músicas dos anos 80, de samba a rock. Haverá também show da dupla Marluce e Luciano, que na verdade é formada por uma superbanda com 15 pessoas, entre músicos, cantores e produtores. “Estamos preparando um repertório bem eclético, indo do sertanejo ao axé, do pagode ao pop rock. Vamos tocar o melhor da música nacional”, garante Marluce. O convite é, como sempre, all inclusive – e neste ano a fartura para as mamães será ainda maior, com espumante brut à vontade, chope Albanos e coquetel delicioso. O preço dos ingresso no primeiro lote, com vendas até 5 de maio, será de R$ 120 (+ R$ 12 de taxa). O segundo lote vai para R$ 140 (+ taxa de R$ 14). Quer garantir sua entrada neste superevento VIP que só acontece uma vez por ano? Acesse www.canguruonline. com.br, avise as amigas e faça suas compras!

NA BANDNEWS FM, às terças e sextas-feiras, às 13h40, com reprise às 16h17, e também aos sábados e domingos, ouça a coluna de Ivana Moreira, diretora de conteúdo da Canguru. Ouça as gravações em www.canguruonline.com.br/radio.

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FOTOS: GUSTAVO ANDRADE

Terceira edição do Mães de Folga será no dia 22 de maio


DIRETOR EDITORIAL: Eduardo Ferrari DIRETORA DE PROJETOS ESPECIAIS: Ivana Moreira

A Canguru é uma publicação mensal da Scrittore Comunicação e Editora Ltda. CNPJ 12243254/0001-10

CONSELHO EDITORIAL: Cristina Moreno de Castro, Eduardo Ferrari, Guilherme Sucena, Ivana Moreira, Márcio Patrus, Suellen Moura e Thiago Barros DIRETORA DE CONTEÚDO: Ivana Moreira EDITORA-CHEFE: Cristina Moreno de Castro EDITORAS: Luciana Ackermann e Verônica Fraidenraich REPÓRTER: Rafaela Matias ESTAGIÁRIA: Gabriela Willer EDIÇÃO DE ARTE: Aline Usagi e Filipe Cerezo PROJETO GRÁFICO: Chris Castilho (Mondana:IB) EDITORA MULTIMÍDIA: Juliana Sodré REVISORA: Thalita Braga Martins COLABORADORES DESTA EDIÇÃO: Bebel Soares, Cris Guerra, Leo Cunha, Luís Giffoni e Roberta Paes FOTÓGRAFOS: Gustavo Andrade, Juliana Frug e Ricardo Borges DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E MARKETING: Thiago Barros DIRETORA COMERCIAL: Suellen Moura (suellen@canguruonline.com.br) EQUIPE COMERCIAL: Edilene Pires Quintão (edilene@canguruonline.com.br), e Simone Peres (simone.peres@canguruonline.com.br) DIRETOR DE NOVOS NEGÓCIOS: Guilherme Sucena (guilhermesucena@ canguruonline.com.br)

ATENDIMENTO A LEITORES E ESCOLAS PARCEIRAS: Simone Dianni (simone@canguruonline.com.br)

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* Distribuição gratuita para as escolas parceiras Canguru, uma rede de instituições particulares de educação infantil que se comprometem a enviar a revista aos pais de seus alunos na mochila dos estudantes. A relação das escolas parceiras em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo pode ser consultada por anunciantes.

USE O CÓDIGO NO SEU CARRINHO DE COMPRAS

Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião da revista e de seus responsáveis. M A I O 2 01 8 .

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Choveram fotos mostrando o carinho infinito entre as crianças e suas mamães! Como não cabe tudo aqui, nossa homenagem vai se estender em galerias no nosso site e nas redes sociais, combinado?

@nina_torres Belo Horizonte (MG)

@alinebarbosarosa Belo Horizonte (MG)

Marina Torres, 30, recebendo a beijoca do filho Gael, de quase 3 aninhos.

@rechiarello Niterói (RJ)

Aline Rosa, 33, com a filhota Marina, de 1 ano e 9 meses: “Tem abraço mais gostoso?”, ela pergunta.

Próxima missão: Vamos comer mais frutas? FOTOS: REPRODUÇÃO INSTAGRAM

Seus filhos já cultivam o hábito saudável de comer uma (ou mais) frutas todos os dias? Então faça uma foto da criança em plena mordida e poste no Instagram com a hashtag #canguruonline. As imagens podem sair na próxima revista Canguru e em nossas redes sociais.

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Renata Chiarello, 37, na maior curtição e alegria com a filha Betina, de 3 anos, nos ombros.


Ajuda mensal

FOTO: FERNANDO BIAGIONI

Fachada do prédio da Casa Aura foi pintada por Alexandre Rato e Helder Cavalcante dentro do programa Corrente do Bem

O CORRENTE DO Bem, programa social do Instituto de Protesto-MG, associação que representa os cartórios de protestos do Estado, cresceu e agora beneficia mais de uma entidade por mês. Até então, o programa, que arrecada recursos pela Lei Rouanet, conseguia ajudar apenas uma instituição por ano. Só neste ano, duas entidades já foram agraciadas em Belo Horizonte: a Casa Aura, que acolhe e trata crianças e adolescentes com câncer, no bairro Santa Efigênia, e a Casa Beatriz Ferraz, que abriga e alimenta pacientes adultos em tratamento de câncer, no bairro Santa Teresa. Mais de 60 pessoas foram amparadas pelas duas ações. O programa existe desde 2014 e já beneficiou instituições de vários municípios mineiros, como Itapecerica, Ouro Branco, Santos Dumont, Jacutinga, Ubá, Ibirité, Santa Vitória, Santa Rita de Caldas e Aiuruoca, além da capital. Ao todo, aproximadamente 963 pessoas já foram favorecidas. Para ajudar a iniciativa, acesse protestomg.com.br/ corrente-do-bem/edicao-2018, onde constam todos os dados e formas de doação das entidades escolhidas para este ano. MAIS INFORMAÇÕES: correntedobem@protestomg.com.br Tel.: 2519-0500 (falar com Rafaela).

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EDIÇÃO Cristina

Moreno de Castro

O QUE ESTÁ ROLANDO DE ÚTIL, DIVERTIDO OU CURIOSO NA WEB E NAS REDES SOCIAIS

Ciúmes da daminha ESTA GAROTINHA ESTÁ muito chateada! Ela viu o álbum de fotos do casamento dos pais e ficou indignada ao ver a mãe dando um beijo em outra menina: a dama de honra da cerimônia. “Mas por que ela foi ao seu casamento?”, ela pergunta. O vídeo voltou a bombar na web, com 7 milhões de visualizações em apenas duas semanas, depois que a página Sim Eu Te Amo compartilhou-o no Facebook. A mãe da menina é habilidosa ao tentar explicar para a filhota que ela ainda nem havia nascido na época do casamento. Assista em bit.ly/CiumesDaminha.

Invencionices dentro de casa Que tal fazer um trenzinho elétrico a pilha com sucata? Ou um porta-escova de dentes dos Minions? Um robô? Um cofrinho em forma de casinha? Um jogo de tiro ao alvo com palitinhos e cotonetes? Essas e outras ideias divertidas são ensinadas em tutoriais no canal de YouTube Inventus, que acumula 215 mil inscritos e 28 milhões de visualizações desde que foi criado, em setembro de 2016. Cada um dos 72 vídeos pode ter de quatro minutinhos a quase meia hora de explicações, no caso de procedimentos mais difíceis. Com certeza, algumas ideias vão garantir muita diversão para o seu filho! Confira em bit.ly/Invencionices.

O jovem islandês Brynjar Karl Birgisson, de 15 anos, diagnosticado com autismo, ganhou fama mundial no último mês quando seu navio Titanic, todo montado com peças de LEGO, passou a ser exposto no Titanic Museum Attraction, um museu do Tennessee (EUA). Sua história saiu em todos os mais importantes veículos de mídia, como BBC, The Guardian, CNN e Fox. Ao site do museu, o garoto conta que começou a gostar de brincar de LEGO quando tinha apenas 5 anos e, aos 10, passou a se interessar por tudo o que diz respeito ao Titanic e resolveu iniciar a saga. Para construir o que hoje é a maior réplica do navio feita em peças de LEGO, com 1,5 m de altura por 8 m de largura, Brynjar usou 65 mil bloquinhos e 120 tubos de cola e levou 11 meses de trabalho. Ele chegou a quase desistir do projeto três vezes, principalmente quando a popa do navio desmoronou duas vezes, mas seguiu em frente. E que bom que não desistiu: sua história ajudou a inspirar crianças com autismo do mundo inteiro, e ele passou até a dar palestras. Conheça toda a história de Brynjar em bit.ly/TitanicLEGO.

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IMAGENS: REPRODUÇÃO

O construtor de LEGO


apresenta

FOTO:SHUTTERSTOCK

Cuide de si para poder cuidar deles A LISTA DE vacinas que os pequenos precisam tomar para ficarem protegidos nos primeiros anos de vida não é pequena. O cuidado com as crianças é tanto que algumas mães podem acabar esquecendo de cuidar delas mesmas. Segundo o médico doutor Adelino Melo, assessor científico do Grupo São Marcos, as mães também precisam tomar uma série de vacinas e é fundamental que elas se cuidem se quiserem manter os pequenos realmente protegidos. “Por estarem envolvidas de forma muito direta e intensa com a criança, as mães também devem se proteger, inclusive para evitar que os vírus e as bactérias atinjam a saúde do bebê”, explica. Já na gestação, uma série de doses são recomendadas com a finalidade de proteger mães e filhos pelos anos seguintes. Entre as vacinas indicadas para gestantes pelo calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) estão hepatite B, gripe e tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (difteria, tétano e coqueluche). Em casos de risco, também são recomendadas hepatite A, febre amarela, pneumocócica e meningocócica ACWY. “Um dos objetivos dessas vacinas durante a gestação

02/06

é passar os anticorpos para o bebê antes mesmo do nascimento, para garantir que ele esteja protegido já nas primeiras horas de vida”, explica o médico. Ele orienta ainda que, da mesma forma que a mãe, as pessoas que vão conviver diretamente com a criança devem se proteger com algumas doses, como a da coqueluche, para evitar que a bactéria passe para o pequeno. Um profissional da saúde, como o obstetra ou o pediatra, pode passar as orientações das vacinas específicas que devem ser tomadas em cada caso, respeitando as individualidades da família e a exposição a situações de risco. Outro ponto importante ao qual é preciso estar atento são as vacinas que são contraindicadas para gestantes e mulheres que estão amamentando. Entre elas estão as doses de HPV, varicela, dengue e tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). “Apesar de não haver nenhum caso de complicação relacionado a essas vacinas durante a amamentação, a sua segurança também não foi cientificamente comprovada e, por isso, essas doses são contraindicadas para mulheres nessa fase”, arremata doutor Melo.

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4moda

Mesclas e

Rajados Vocês já ouviram falar na cor mescla cinza, certo? Já faz mais de um ano que ela virou moda e, atualmente, é a “it cor” do momento. É mescla porque na sua composição tem poliéster, algodão e, às vezes, outra fibra. Sempre foi forte para os meninos, mas agora entrou também na moda das meninas em vestidos, leggings e também moletons. Entre nessa onda das mesclas e curta bastante o inverno que se aproxima!

TODO ESTILOSO O pequeno Eduardo Nogueira Fernandes Lemos, de 5 anos, ficou muito charmoso com a blusa em mescla cinza.

R$ 49,90 vilamells.com.br FOTO: GUSTAVO ANDRADE

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FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Roberta Paes UNICÓRNIO

Blusa de moletom mescla grafite, com estampa de unicórnio e glitter na frente, ilhoses e fita nas mangas, supertendência! De 5 a 14 anos.

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Blusa de moletom, com estampa na frente e nas costas. Básico necessário! De 2 a 8 anos.

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Blusa de moletom com mistura de tons de mesclas. Da Nicoboco, de 2 a 8 anos.

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NEOPRENE

Com muito estilo, esta jaqueta de neoprene em mescla cinza é muito fashion! Com zíper frontal e babados, da Lilica Ripilica, de 4 a 12 anos.

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LISTRA ADIDAS

Também a Adidas, com suas famosas listras nas laterais, fez essa jaqueta infantil com capuz em mescla cinza e preto. De 7 a 10 anos.

MESCLA NOS PÉS

A Olympikus lançou este lindo tênis infantil, com tecido mescla cinza para entrar na onda da estação. De 28 a 36.

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RAJADO

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Calça jogger em moletom com felpa preta rajada de branco. Inspiração rock, tema forte da estação, da marca RPKids. De 4 a 10 anos.

R$ 188,00 www.rpkids.com.br

Roberta Paes é consultora de moda, estilista e palestrante. Atua no mercado de moda infantil há mais de 20 anos, em grandes empresas do varejo. Viaja para a Europa e os Estados Unidos conferindo as tendências de moda infantil que compartilha nesta coluna. www.robertapaes.com.br @rpkids

* Preços pesquisados em abril de 2018. A Canguru não se responsabiliza pela alteração de preços ou pela falta de produtos. Imagens ilustrativas.

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EDIÇÃO Cristina

Moreno de Castro

Hora de dormir!

Não existe presente de Dia das Mães mais desejado do que filhos que dormem rapidinho, a noite toda e sonhando com os anjinhos (se acordarem depois das 8h, a gente agradece mais ainda, não é?). Os produtos deste mês podem dar uma forcinha para uma noite mais tranquila de sono para os pequenos. ESTRELINHAS PARA O TETO Kit com cem unidades

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

NANINHA DE FOGUETE


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POR Cristina

Moreno de Castro, Verônica Fraidenraich e Luciana Ackermann

13%

da população no Brasil classifica o país como ALTO RISCO DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS, ficando à frente do México (11%), segundo pesquisa da ONG Visão Mundial divulgada em abril.

Para o Dia do Brincar NO DIA 28 de maio é comemorado em mais de 40 países o Dia do Brincar, ou World Play Day. Essa data reforça e celebra o artigo 31 da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas, que reconhece o direito da criança “ao descanso e ao lazer, ao divertimento e às atividades recreativas próprias da idade, bem como à livre participação na vida cultural e artística”. Que tal se tornar um signatário dessa convenção em sua casa? Veja abaixo três ideias de brincadeiras para promover em família:

#1

BRINCADEIRA EM LUGAR FECHADO: Jogo do Contrário - Uma criança conduz os colegas e, tudo o que ela disser, deverá ser feito ao contrário. Por exemplo, se disser “abaixa a mão esquerda”, os jogadores devem levantar a mão esquerda. Quem errar, sai da roda, até só sobrar o vencedor.

#2

BRINCADEIRAS COM PALAVRAS: Série de palavras - Quem começa diz uma palavra qualquer, e os outros devem dizer outras que estejam associadas, por exemplo “maçã” seguida de “fruta”, ou “bola” seguida de “chutar”.

#3

BRINCADEIRAS COM ÁGUA: Pinhata - Pendure balões com água em um varal. Vendada, a criança deve tentar estourar os balões com um bastão. [1]

Cantigas de ninar indígenas Estudiosa da língua dos jurunas desde 1989, a professora Cristina Martins Fargetti reuniu em um livro uma análise com base em 49 cantigas de ninar desse grupo, algumas delas cantadas pelos “bichos-gente”, categoria de animais que remontam à cosmologia ancestral dessa etnia, que ainda sobrevive no Mato Grosso. Conservadas pelas anciãs da tribo, hoje elas são cantadas pelas mães e pelas avós que embalam suas crianças e, ao mesmo tempo, resistem ao processo de aculturação. Cristina é doutora em linguística pela Unicamp e livre docente pela Unesp.

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O livro Fala de Bicho, Fala de Gente: Cantigas de Ninar do Povo Juruna é acompanhado por 49 partituras e um CD com registro sonoro. Ele pode ser comprado no site da Livraria do SESC por R$ 56 (consulta feita em abril): www. sescsp.org.br/livraria. Que tal compartilhar essa cultura com seus filhos?

[2]


eu já fui

criança

IMAGENS: [1] DEPOSITPHOTOS; [2] FREEPIK; [3] REPRODUÇÃO / INSTAGRAM

Bruno Mazzeo Fala se esta foto ao lado não é uma delícia? Além da fofura do Bruno Mazzeo pequeno, dá uma baita saudade do genial Chico Anysio, que faleceu em 2012 e fez história na televisão brasileira levando humor, inteligência, crítica e carisma por décadas a nossos lares – sem falar na profusão de célebres personagens. É com um DNA poderosíssimo desses que Bruno Mazzeo, filho de Chico Anysio e Alcione Mazzeo, esbanja talento e versatilidade. O peixinho começou cedo, aos 8 anos, quando criou um programa semanal de humor infantil para os amigos chamado O Show É Nosso. Com 11, participou da atração Grupo Escolacho, de 1988, da Globo, e, por volta dos 14, passou a colaborar com o roteiro da Escolinha do Professor Raimundo, quando passou a receber um cachê simbólico e preciosos ensinamentos do pai, que corrigia os textos ao lado do filho. Ator, roteirista e produtor, Bruno hoje se divide entre teatro, cinema e televisão. Vascaíno roxo e pai dos gêmeos José e Francisco, de quase 1 ano, e João, de 12, Mazzeo faz 41 anos no dia 3 de maio. Recentemente, levou ao ar e deu vida ao icônico professor Raimundo, personagem de seu pai por anos a fio. No final de 2016, a Nova Escolinha do Professor Raimundo recebeu o Prêmio Extra de TV de melhor programa de humor. Aliás, Bruno está com três projetos concorrendo ao Grande Prêmio Risadaria Smiles do Humor Brasileiro de 2018.

[3]

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POR Cristina

Moreno de Castro

Mam ãe mor tade , você é a la do meu p

ão!

GABRIEL, de 6 anos, é filho de Márcia da Silva Dias e Teotônio Rodrigo de Carvalho

Dá ré na televisão para eu fazer xixi?

Eu não disse “eca”! Disse que esse biscoito é delicioso, mas em inglês...

Esto u do ido p fazer ara 10 an os, p aí já or qu poss e o me um t reina t dor P ornar esco o kémo lher ne meu prim Poké eiro mon!

HELENA, de 3 anos, é filha de Aline Resende de Carvalho e Luiz Gonzaga Guimarães Carvalho

PEDRO, de 5 anos, é filho de Mariana Alves Duarte Martins e Adriano Richard Martins

Quero o pote “encho” e o pote vazio!

TÚLIO, de 2 anos, é filho de Liziane Lara e Marco Paulo Lara

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Se seu filho também diz pérolas, envie a frase para o e-mail redacao@canguruonline.com.br.

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

BEATRIZ, de 4 anos, é filha de Fernanda Marques Fernandes e Fábio César M. de Oliveira. Ela queria que a mãe desse “pause” na TV


4Lançamento

Coaching para mães na cabeceira Consultora do filme Divertida Mente publica seu primeiro livro no Brasil com a scrittore, editora da Canguru

seu mundo familiar, através de técnicas e ferramentas que nos ajudam, a partir de nós mesmas, a ser sempre melhores”, diz a psicóloga Iara Mastine, responsável pelo trabalho de adaptação da versão brasileira da obra. 

LIVRO: A Mamãe Coach - 10 Habilidades Essenciais para Você Ser uma Ótima Mãe AUTORA: Lorraine Thomas PREÇO: R$ 49,90 SELO: Filhos Melhores para o Mundo (scrittore & Literare Books Internacional) Adquira em www.lojacanguru.com.br

FOTOS: DIVULGAÇÃO

A AUTORA NÚMERO 1 em coaching para pais no Reino Unido, Lorraine Thomas, está lançando seu primeiro livro em português no Brasil. Neste mês, chega às livrarias e à loja virtual da Canguru o best-seller A Mamãe Coach, tradução do original The Mummy Coach, numa parceria entre a editora scrittore, que publica a revista Canguru, e a Literare Books Internacional, que lançam o livro no novo selo “Filhos Melhores para o Mundo”. Lorraine Thomas é diretora executiva da The Parent Coaching Academy – a principal organização de treinamento para pais do Reino Unido. É autora de vários livros publicados na Europa e nos Estados Unidos, abordando questões referentes à maternidade. Trabalha como porta-voz de assuntos relacionados a família para diferentes companhias globais. Um de seus trabalhos de destaque foi como consultora da Walt Disney no lançamento de filmes infantis, como Divertida Mente, ganhador do Oscar de Melhor Animação em 2016. Palestrante do 4º Seminário Internacional de Mães, Lorraine aproveitou a vinda a São Paulo para realizar sessões de autógrafo do livro A Mamãe Coach – 10 Habilidades Essenciais para Você Ser uma Ótima Mãe. A primeira delas será no dia 3 de maio, na Livraria Cultura Iguatemi. “Este livro permitirá uma nova visão do

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4solidariedade

O caminho dos brinquedos doados Saiba o que acontece depois que você faz contribuições para ONGs POR Verônica

Fraidenraich e Aline Usagi

MUITAS FAMÍLIAS COSTUMAM doar brinquedos a organizações não governamentais (ONGs). Mas para onde vão as contribuições? Conversamos com quatro

instituições* que atendem crianças com problemas de saúde ou em situação de vulnerabilidade social para saber o que elas fazem com os brinquedos que recebem.

TRIAGEM Assim que recebidos, os brinquedos são analisados. Os que estão em bom estado são aproveitados.

Os que se encontram quebrados ou que possam oferecer algum risco às crianças são descartados, enviados para a reciclagem ou revendidos.

RESERVA

BRINQUEDOTECA Os brinquedos que funcionam são levados para o espaço lúdico da instituição e ali são utilizados pelas crianças que frequentam a ONG.

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Eles também podem ser guardados em estoques – no caso de não serem adequados à faixa etária dos pequenos em atendimento ou de já haver muitos brinquedos bons na brinquedoteca.

* ONGs consultadas: Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC), Casas André Luiz, Exército da Salvação e LALEC.


VENDA

REFUGO Algumas instituições vendem em seus bazares os brinquedos em mau estado em pacotes, que alguns chamam de refugo porque não servem mais. As pessoas compram esses sacos para fins diversos, como o reaproveitamento do material plástico, por exemplo.

REPAROS Algumas entidades contam com um profissional para consertar os produtos antes de colocá-los à venda ou de levá-los para os espaços lúdicos.

Os brinquedos que funcionam também podem ser vendidos no bazar da entidade, onde são precificados, e o dinheiro arrecadado é destinado para o trabalho da ONG. Os quebrados que têm conserto também são postos à venda.

PRESENTES Em datas comemorativas, como Dia das Crianças e Natal, as organizações costumam arrecadar grandes quantidades de brinquedos novos ou em bom estado.

BOM PARA QUEM DOA

AS DOAÇÕES MAIS COMUNS:

POR QUE DOAR Incentivar que a criança se desfaça de coisas que não usa mais é uma forma de trabalhar com ela o desapego. Também permite abrir espaço para o novo.

Bonecas, eletrônicos como carros de controle remoto, videogames e jogos de tabuleiro. ONGs que atendem bebês costumam receber blocos de montar com peças grandes, bichos de pelúcia, bolas, caminhões de brinquedo, mordedores, andadores e outros objetos para recém-nascidos.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS Esse é um bom momento para ensinar ao filho valores como empatia e solidariedade. COMO ESCOLHER É importante envolver o filho, fazendo com que sugira quando e o que vai dar, para estimular sua autonomia. Faça-o priorizar objetos em bom estado e pouco usados. POR QUE DAR O EXEMPLO Se a prática de doar é comum em casa, a criança poderá querer fazer o mesmo ou ao menos não criar resistência.

ORIENTAÇÕES PARA A DOAÇÃO: Os brinquedos devem garantir o divertimento de forma segura. Algumas dicas do Inmetro: o material deve ser resistente e não pode conter peças pequenas. Tintas, se usadas, têm de ser atóxicas. O manuseio do brinquedo tem de ser seguro e não pode oferecer risco de acidentes como queimaduras ou choques elétricos. A embalagem deve conter o selo de garantia do Inmetro, não pode ter grampos, pontas agudas e outros aspectos que constituam risco à criança. M A I O 2 01 8 .

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4Educação

Festa na escola A comemoração (ou não) de datas como o Dia das Mães e o Dia dos Pais varia conforme o projeto pedagógico de cada instituição e deve fazer parte do processo educativo das crianças POR Verônica

Fraidenraich

MUITAS ESCOLAS MANTÊM a tradição de celebrar datas como os Dias das Mães, dos Pais e das Bruxas, o Carnaval ou o Natal. Outras preferem fazer apenas a Festa Junina ou uma atividade no Dia das Crianças. Há também as que passaram a comemorar o Dia da Família, como uma forma de abranger os diversos arranjos familiares. E existem, ainda, aquelas que não promovem evento algum. A escola tem autonomia para decidir se quer ou não fazer eventos, o que depende dos seus valores e objeti-

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vos. “O Plano Político-Pedagógico (PPP) deve trazer as concepções da instituição sobre a educação, os alunos e a família, definindo como serão organizadas as comemorações”, explica a pedagoga Silvana Tamassia, diretora pedagógica dos programas de formação da Elos Educacional, em São Paulo. Para Helena Machado de Paula Albuquerque, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), as festas são um momento importante para o processo educativo das


crianças. “Também servem para estreitar a relação entre a família e a escola e fazer com que os pais conheçam o ambiente onde o filho estuda”, afirma a professora. Na Constelação, na capital paulista, o Dia das Mães não passa em branco. Números musicais, peça de teatro ou dança podem fazer parte do evento. “Sempre comemoramos com uma festividade simples, que dura 15 minutos, no fim do período, e, em seguida, as crianças entregam às mães um presente”, explica a diretora Mara Gurgel Seijo. Já a Páscoa é celebrada internamente, sem a presença de familiares, e o Dia dos Pais não tem comemoração. “A gente não faz porque os pais normalmente não conseguem sair do trabalho mais cedo para chegar à escola às 17h30, que é o horário da festa”, afirma Mara. A supervisora de vendas na área de turismo Mara Atanásio de Freitas, mãe de Giullia, de 4 anos, que frequenta a escola Constelação, diz que já esteve em dois eventos do Dia das Mães e gosta da iniciativa. “As turmas se apresentam uma de cada vez, e, quando seu filho entra, é emocionante”, conta Mara. Com dinheiro enviado pelas próprias mães, a escola compra um presente que os filhos entregam no dia da festa. “Já ganhei um pijama, um colar, uma flor de madeira e cartinhas e adorei”, recorda Mara.

FOTOS: JULIANA FRUG

Opiniões diversas No Rio de Janeiro, a Atchim Creche Escola também costuma fazer eventos nos Dias dos Pais, das Mães, do Índio e do Meio Ambiente e na Páscoa. “Todos eles são explorados de acordo com o projeto pedagógico que está sendo desenvolvido”, destaca a coordenadora Sofia Helena Martins. O Dia das Mães deste ano será às 13h para facilitar a ida das mamães. Atividades de expressão corporal, inglês e psicomotricidade estão previstas, junto com um piquenique no pátio. A assessora de comunicação Susana Ribeiro, mãe de Daniel, 5 anos, que estuda na Atchim, acha que as festas são importantes, pois, mesmo quando é feito algo simples, o filho fica feliz com a presença do familiar na escola. “Eu sou divorciada, mas sempre vou à Festa das Mães, e o pai vai no Dia dos Pais. Se a composição da família é diferente, cabe muito a nós, pais, trabalhar isso na cabeça da criança”, acredita. Ela diz que, caso a escola resolva fazer o Dia da Família, não vai se opor. “Do mesmo jeito

que não me incomodo de ter festas separadas”, explica Susana. Se há quem esteja satisfeito com as festas, outros, nem tanto. A administradora Daniela Fernandes Deus, de São Paulo, diz ser a favor da Festa da Família, embora a escola da filha Nina, de 4 anos, comemore datas como os Dias das Mães e dos Pais. Ela conta que, devido a reclamações, a direção da escola chegou a fazer uma pesquisa para saber se os pais preferiam criar um evento só para todos os familiares, mas a maioria não quis. “Quando Nina tinha 1 ano, lembro que fizemos juntas uma receita de maçã do amor. Outra vez, havia vários cantos, com atividades como pintura e massinha, mas não percebo minha filha empolgada nesses dias, acho que ela não entende, por exemplo, por que o pai não pode ir junto comigo e vice-versa”, relata. A diretora da Escola Constelação diz não receber queixas por fazer essas festas e relata que, se a mãe ou o pai não puderem comparecer, orienta que outro familiar vá. Sofia, da Atchim, diz fazer o mesmo. “Se for o Dia dos Pais, por exemplo, sugerimos que venha alguma figura masculina, como o irmão mais velho, um tio ou avô”, explica. Para prevenir surpresas ao longo do ano, é importante que os pais questionem o assunto nas conversas com a direção na hora da escolha da instituição. “O responsável pela criança precisa conhecer a proposta educativa da escola, se ela é coerente com as suas expectativas, e pode, inclusive, questionar qual o sentido e o objetivo das festas para os alunos”, orienta a professora da PUC-SP. Ela sugere que isso seja feito antes do ato da matrícula.

Diferentes arranjos familiares Ainda assim, para evitar que os pequenos sintam-se excluídos nesses momentos, muitas instituições passaram a realizar o Dia da Família. O objetivo é abranger, principalmente, as crianças que fazem parte de composições familiares variadas – como as que vivem só com a mãe ou com o pai, com o padrasto ou a madrasta, com duas mães, com dois pais, com os avós ou cujos pais faleceram. Para alguns estabelecimentos, trata-se de uma prática recente. Para outras, faz parte da sua criação. No Colégio Logosófico, em Belo Horizonte, por exemplo, há mais de 30 anos a temática familiar integra um projeto realizado desde as turmas de educação infan-

A favor da iniciativa: Mara gosta de participar das festas na escola da filha Giullia, 4, onde já ganhou vários mimos, como este cartão e a flor de madeira da página seguinte M A I O 2 01 8 .

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til até o ensino médio. É uma proposta que dura cerca de um mês e culmina com uma atividade maior. A cada vez, são trabalhados elementos diversos, como a colaboração na família, o papel de cada um e o valor dos avós, favorecendo o cultivo dos sentimentos. “Procuramos ampliar a consciência do que estamos construindo na vida das crianças”, ressalta Vanessa Campos Nagem Araújo, coordenadora pedagógica geral do colégio. Entre as atividades propostas, já houve envio de carta pelos Correios para os pais, apresentações de música e de dança e piquenique, além de vales-presente de massagem, filme com pipoca e passeio de bicicleta para serem feitos em família. O servidor público mineiro Daniel Rocha Rimulo tem duas filhas no colégio – Raquel, de 8 anos, e Joana, de 6 – e conta que, desde a época em que estudou lá, havia esse projeto. “Acho muito válido, pois serve de estímulo para que os pais participem mais da vida dos filhos, e as crianças gostam de nos ver na escola, envolvidos nas atividades”, afirma Daniel. O engenheiro Cláudio de Melo Correia Pinto, cujas filhas Camila, 9 anos, e Olívia, 3 anos, também frequentam o Logosófico, diz apreciar a comemoração. “Elas reforçam o valor da família e trabalham com as crianças como elas podem colaborar em casa”, destaca Cláudio. Para ele, datas como os Dias dos Pais e das Mães têm um apelo muito comercial. “Acho que isso a gente deve comemorar ao longo do ano, ao nos dedicarmos aos filhos para eles reconhecerem esse papel”, ressalta Cláudio.

ENQUETE DA CANGURU Perguntamos aos nossos leitores o que eles acham das comemorações do Dia das Mães e de outras datas nas escolas dos filhos. As respostas mostram como o assunto divide os pais:

» A favor da celebração de Dia das Mães e afins: 59% » Contra a celebração (ou a favor do Dia da Família): 41%

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Sem festas Na instituição paulistana Espaço da Vila, não são realizadas comemorações, exceto a Festa Junina e um piquenique no fim do ano, para confraternizar com as famílias. “Não fazer festas é uma escolha consciente da nossa parte, porque a gente acha que tem alguns valores imbricados nessas datas com os quais não concordamos, mas a gente respeita as famílias que valorizam esses dias”, relata a diretora Ana Paula Yasbek. Ela lembra que, certa vez, uma mãe escreveu numa ficha que uma das expectativas que tinha era em relação à realização de comemorações na escola. “Conversei com ela que não fazíamos festas, mas que ela teria um convívio cotidiano com a escola e não só nas festinhas, e ela entendeu”, recorda Ana Paula. Ela conta que, às vezes, as famílias são convidadas a participar de uma situação com a turma, para fazer uma receita, cantar uma música. “Mas sem o caráter comemorativo”, completa a diretora. Seja qual for a prática adotada pela instituição, o principal é que contribua para o desenvolvimento dos alunos e para aproximar a família da escola.


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4Especial

Criar para o mundo 14 especialistas de diversas áreas, além de mães leitoras da Canguru, respondem à difícil questão: o que é preciso fazer para educar filhos melhores para a sociedade? Cristina Moreno de Castro, Juliana Sodré, Luciana Ackermann, Rafaela Matias e Verônica Fraidenraich

FOTO: FREEPIK

POR

PODE-SE DIZER QUE esta é a pergunta de um milhão de dólares: o que devemos fazer para criar filhos melhores para o mundo? São inúmeros os livros, as palestras e os filmes que procuram responder a esse dilema que acompanha pais – e especialmente mães – desde que o mundo é mundo. A Canguru transformou isso em missão, meta e slogan e tenta desde seu início, em outubro de 2015, trazer respostas relevantes. Portanto, esta reportagem especial de mês das mães não tem qualquer pretensão de esgotar o assunto. Porém, convenhamos: os conselhos vindos de referências em diversas áreas sem dúvida contribuem com a reflexão, não é mesmo? Estamos falando de personalidades como a criadora da disciplina positiva, a terapeuta e doutora em educação Jane Nelsen, que também é mãe de sete filhos e avó de 18 netos; Fernanda Lee, que é pioneira na divulgação da disciplina positiva no Brasil; e a coach para pais número 1 do Reino Unido, palestrante internacional e diretora do The Parent Coaching Academy, Lorraine Thomas. Nos referimos também à premiadíssima escritora paulistana de livros infantis Ruth Rocha, com mais de 200 títulos traduzidos para 25 idiomas em seu currículo; aos psicanalistas e escritores Lidia Rosenberg Aratangy, Rossandro Klinjey e Francisco Daudt; ao filósofo Mario Sergio Cortella; e às educadoras Tania Zagury, Tais Bento e Roberta Bento. Sem falar na psicoterapeuta norte-americana Tina Payne Bryson, coautora dos best-sellers Disciplina sem Drama

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e O Cérebro da Criança; em Fernando Dolabela, autor do best-seller O Segredo de Luísa; e no médico Daniel Becker, um dos pioneiros da pediatria integral e um dos criadores do Programa Saúde da Família. Foram esses 14 renomados especialistas que nossa equipe de reportagem consultou para tentar contribuir com o debate. Afinal, qual é a responsabilidade dos pais sobre as pessoas que os filhos vão se tornar ao longo da vida? Para Lorraine Thomas, simplesmente não há compromisso maior do que este: “O mundo que deixamos para nossos filhos depende das crianças que deixamos para o mundo”. A coach, escritora e palestrante britânica diz que os pais são capazes de criar verdadeiros super-heróis, que podem fazer a diferença no mundo. Como? “Seja um ótimo modelo. E nutra valores familiares fortes”, diz ela, que acredita que sempre é possível sermos pioneiros na criação dos nossos filhos. Ser bom exemplo para os pequenos também foi o principal ponto destacado pela psicanalista Lidia Aratangy, que é especializada em família e autora de mais de 20 livros – entre eles o best-seller Pais que Educam Filhos que Educam Pais. “Se você quer ter filhos melhores, trate de dar bons exemplos nas miudezas do cotidiano. Isso não se confunde com fazer belos sermões nem com enunciar sua posição diante dos grandes problemas da humanidade. Afinal a vida se define no varejo e no concreto, não no atacado e no abstrato”, afirma. Ela dá exemplos práticos: parar em fila dupla na frente da


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Para criar filhos melhores, deve-se ter uma educação baseada no respeito, na responsabilidade e, principalmente, no amor, com o fortalecimento do vínculo familiar. Isso fará com que nossos filhos explorem todo o seu potencial e se tornem pessoas melhores.

FOTOS: [1] JULIANA FRUG; [2] RICARDO BORGES; [3] GUSTAVO ANDRADE

— Manuela Moreira, mãe de Maria Eduarda, de 6 anos, de São Paulo escola demonstra pouco caso com os outros; não respeitar a faixa de pedestre é um ato de indisciplina; furar fila é um exemplo do malfadado “jeitinho”; dar gorjeta para se livrar de uma multa demonstra que, com dinheiro, tudo se resolve; mentir para a criança gera filhos mentirosos; assim como bater neles contribui para torná-los violentos. “Ou seja: se você quer ter filhos melhores, aja como uma pessoa melhor e um cidadão consciente”. Referência em educação e família no país, Tania Zagury, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora de 26 livros publicados no Brasil e no exterior, segue a mesma linha: “Você quer um mundo melhor? Para poder concretizar essa ideia, você tem que melhorar, começando dentro da sua casa. E precisa saber que isso tem um [2] custo alto e afetivo”.

Amor e carinho Foi mesmo no afeto e na dedicação que boa parte das respostas transitaram, de diferentes maneiras. “Crianças melhores são crianças amadas e respeitadas, não é preciso mais nada”, resumiu a escritora Ruth Rocha, que, no ano passado, foi laureada como Personalidade Literária no Prêmio Jabuti pelo conjunto de sua obra e por sua contribuição para a formação de leitores no Brasil.

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“Desde que a criança nasce é importante estimulá-la de todas as formas: cantando para ela, conversando, contando histórias, corrigindo seus erros com carinho e com toda a delicadeza”, defende. “Um vínculo afetivo forte pode superar qualquer conflito, erro ou dificuldade em qualquer fase da vida”, acredita Fernanda Lee, que é cofundadora da organização Disciplina Positiva no Brasil. “Demonstre aos seus filhos que você está ao lado deles ao assumir a sua parcela de responsabilidade do problema, ao praticar a escuta ativa e ao passar um tempo especial semanalmente dedicado a cada um deles. Quando a criança se sente


compreendida, ela é encorajada a ser [3] ela mesma”, diz. Mas é óbvio que os pais e as mães dedicam todo o seu tempo e afeto para as crias, não? Para o filósofo, escritor e doutor em educação Mario Sergio Cortella, não é bem assim. “É preciso uma dedicação maior do que aquela que se vem tendo, um esforço maior em relação ao exercício da maternidade e da paternidade”, afirma. Ele também diz que dois fatores são essenciais nesse exercício de criar os filhos: a humildade para buscar aprender com os outros (“e não supor que criar filhos seja uma atividade automática”) e a parceria entre as pessoas que formam as crianças, com reflexão e consenso prévios nas conversas entre pai e mãe. É importante também não confundir o carinho com a promessa de felicidade. Para o doutor em psicanálise Rossandro Klinjey, que é mais conhecido como palestrante e escritor, a última promessa que um pai ou mãe pode fazer ao seu filho é a de que ele será feliz. “Em vez disso, prometa dar o máximo que você pode para que seus filhos tenham competência de viver a vida da melhor forma possível”, aconselha.

de enfrentar na geração dos nossos filhos: a desigualdade Ensinamos a nossa filha e a sustentabilidade do planeta. “Eles vão o ‘aprendizado da escuser mais felizes se ta’, saber ouvir a necesforem pessoas conssidade do outro, o que o cientes dessas quescoleguinha tem a dizer, tões e virem os pais e sempre deixando-a lienvolvidos num ativre para explorar o meio vismo decente pela com muita criatividade. justiça social e pela Sonhos e potencial melhoria do meio Outros entrevistados também destacaram a impor— Alessandra Marques, mãe de ambiente”, defende tância de dar autonomia aos filhos para resolverem os Melissa, de 3 anos, de Beagá Daniel, que já atuou próprios problemas em casa e na escola. Foi a resposno Médicos Sem ta de Jane Nelsen, a criadora da badalada filosofia da Fronteiras e destaca a importância de as crianças experidisciplina positiva. Ela defende que as crianças sejam mentarem a natureza para aprenderem a amá-la. instadas a darem sua contribuição nas tarefas do lar e Já o escritor Fernando Dolabela acrescenta que os nas salas de aula. “Isso não apenas cria um mundo mefilhos devem transformar o mundo “por meio de inovalhor para as crianças, mas faz com que se envolvam na ções que gerem coisas boas para a sociedade”. Como os missão de criar um mundo melhor para todos”, afirma. pais podem contribuir com isso? Propiciando instrumenO médico pediatra Daniel Bectos para que os jovens sejam os atores dos novos temker aponta duas grandes questões do pos, muito além da educação convencional. “Os grandes nosso tempo que a coletividade terá protagonistas das próximas décadas serão os que estiverem dispostos a inovar, denCriamos a Maria Luiza sem rotular pessoas nem ter tro de princípios que respeitem toda forma de vida e a liberdade. Engenheiros, médinenhum tipo de preconceito, pois passamos para ela cos e demais profissionais de altíssimo níque todos são importantes como seres humanos, invel que se limitarem a operar rotinas serão

dependentemente de raça, cor ou classe social. — Andréa Luiza Belém, mãe de Maria Luiza, de 4 anos, do Rio

Leia um artigo de Daniel Becker sobre esse assunto em www.canguruonline.com.br

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substituídos pela inteligência artificial”, diz. É preciso, portanto, permitir que as crianças explorem seus sonhos e potencialidades para produzirem resultados relevantes para o mundo do futuro, para os filhos e os netos delas. Se os pais não sabem como fornecer esse tipo de base, ao menos uma ajuda já podem providenciar: ensinar aos pequenos a lidarem com a frustração e a autoestima. Esta é a receita das educadoras Tais e Roberta Bento, especialistas em neurociência cognitiva, autoras do livro Socorro, Meu Filho Não Estuda e fundadoras do portal SOS Educação: “As duas capacidades são importantes para uma boa relação com os estudos e com a aprendizagem. Saber lidar com a frustração ajuda para que reajam de forma mais tranquila aos obstáculos que certamente virão. E a autoestima em nível adequado evita que sejam vítimas e causadores de bullying”. Para elas, que são mãe e filha, as duas habilidades juntas formam a combinação perfeita de escudo protetor e de

combustível para que nossos filhos não desistam de alcançar seus próprios sonhos. Outras quatro habilidades são citadas como fundamentais pela psicoterapeuta americana Tina Bryson, que acaba de lançar o livro The Yes Brain: equilíbrio, resiliência, discernimento e empatia. “Essas quatro habilidades podem ser construídas pelos pais e pelos educadores e são fundamentais para o sucesso das crianças e para melhorar o mundo”, explica. Mas se seu dilema é justamente sobre como fornecer todos esses subsídios apontados por todas essas personalidades com seus preciosos conselhos, fica a regrinha do médico e psicanalista Francisco Daudt: “Tente se lembrar de sua própria infância e se perguntar do que gostou e o que lhe faltou, para então replicar e corrigir na criação de seus filhos”. Nada como a experiência real e prática para aprimorar o que sempre parecerá uma missão impossível. 

O que as mães dizem Veja algumas das respostas de leitoras da Canguru que chegaram até nós.

Para criarmos filhos melhores, precisamos de muita paz, amor e união na família. — Ciria Duarte, mãe de Júlia, 12, e Marcella, 4

Ofereço muito amor e tento mostrar a importância de compartilhar as coisas e agradecer sempre.

Procuro educar minha filha dando bons exemplos. — Marcia Goretty Souza e Silva, mãe de Sofia, 4

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FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

— Renata Duarte Santiago Gontijo, mãe de Miguel, 2


Preparo meu filho para viver no mundo da globalização, com respeito aos outros, à natureza e a ele mesmo. Trabalho com ele os valores da ética e da moral, muitas vezes esquecidos. — Maria da Conceição Zulcom, mãe de Giuseppe, 10

Tento mostrar para eles que mais vale ser do que ter, que somos todos iguais e que temos grande responsabilidade sobre tudo o que está ao nosso redor. — Carolina Ribeiro, mãe de Lucas, 14, e Julia, 4

O mundo precisa de esperança, por isso crio minhas filhas valorizando os princípios de caráter e com muito amor para transbordarem esse sentimento. — Camila Bastos, mãe de Helena, 8, e Elisa, 5

Dando muito amor e ensinando a ter empatia e respeitar o próximo, frisando sempre que somos todos iguais! — Rita Alcântara, mãe de Lara, 4, e Júlia, 10

Tento ensinar a importância de ter solidariedade e educação com o próximo. Trabalho a autoestima deles, mostrando o quanto eles são amados e capazes, mas sem privá-los das frustrações necessárias para o crescimento. — Samara dos Reis Archanjo, mãe de Davi, 7, e Letícia, 3

Procuro entender o que ele quer, sempre deixá-lo expressar suas emoções e tentar respeitar seus sentimentos. Prezo muito pelo diálogo. — Luciene Dos Santos Gomes Giordano, mãe de Henrique, 3

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4Família

Em busca da maternidade Conheça os desafios das mulheres que, determinadas a se tornarem mães, optaram pela produção independente POR Gabriela

Willer

A MATERNIDADE É um sonho para muitas mulheres desde a infância. Para outras, o desejo só aparece lá pelos últimos chamados do relógio biológico. A produção independente é um caminho real para ambas, possibilitando que se tornem mães mesmo sem um parceiro ao lado. Mas essa é uma decisão que precisa ser extremamente planejada e idealizada para que se possa iniciar uma família. Foi esse o caminho escolhido pela apresentadora, atriz, modelo, blogueira fitness e, mais recentemente, mãe de Enrico, Karina Bacchi, que sempre quis viver a experiência da maternidade. Ela decidiu engravidar aos 40 anos e optou pela produção independente devido a vários motivos pessoais, entre eles a descoberta da doença hidrossalpinge – o acúmulo de líquido nas trompas que a fez retirá-las, impedindo-a de ter filhos de forma natural –, além do fim de seu casamento. “Eu me vi diante do risco de não realizar o meu sonho de ser mãe, e isso me assustou. Precisei fazer escolhas, com os pés no chão e em pouco tempo”, contou Karina. Sempre quis ser mãe: Atriz Karina Bacchi recorreu ao método de fertilização in vitro

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Muito segura de sua decisão e com total apoio dos pais, a paulista recorreu ao método de fertilização in vitro (FIV). Foi em busca de bancos de doadores e acabou escolhendo uma clínica dos Estados Unidos, que oferecem mais informações sobre os possíveis concessores. Depois de muita análise, levou cerca de quatro meses para fazer sua opção. “Minha maior identificação foi com os dados [do doador] em que reconheci traços da minha personalidade. Nas fotos de infância, ele estava sempre muito alegre, com um brilho especial. Queria algo além dos traços físicos”, relata a mamãe de primeira viagem. Karina também preferiu ter Enrico fora do Brasil, por incentivo de familiares que vivem em Miami, garantindo mais uma nacionalidade ao filho, sendo que ela já tem cidadania italiana. No exterior, há maior interesse em apresentar as características dos doadores, já que eles recebem pela prática. “São oferecidos dados completos deles, o que inclui um extenso perfil, com histórico médico, testes genéticos e pessoais, além de transcrições de conversas, características físicas, etnia, religião, interesses, talentos e histórico educacional”, explica o médico Armando Hernandez, especialista em endocrinologia e em reprodução assistida do programa Ser Mamãe em Miami, por Passando adiante: Bettina Boklis escreveu um livro e criou um site para contar sua experiência e trazer informações sobre produção independente meio do qual Karina realizou alguns dos procedimentos. No Brasil, o banco de doação é limitado, e as inforeventos acabaram retardando a ideia de construir uma mações se restringem a raça, tipo sanguíneo e fenótipo. família. Após conquistas profissionais, o passo seguinte Além disso, a comercialização de sêmen é proibida. seria casar-se e ter filhos. No entanto, o relacionamento Karina conta que não se sente sozinha e acredita que da época não deu certo, e a carioca, que hoje vive em o filho terá a figura paterna exercida por quem estiver São Paulo, não abriu mão da vontade de ser mãe. Após ao seu lado. “Continuo desejando uma família complecompletar 41 anos, optou pela produção independente. ta, sonho com o casamento tradicional, véu e grinalda, Passou a ir atrás de informações e de médicos, preparoupapai, mamãe e quem sabe até um irmãozinho para o -se psicologicamente e levou mais de um ano até realizar Enrico. Meu namorado, Amaury Nunes, faz parte desse o tratamento para engravidar. “Foi a decisão mais difícil plano”, revela a atriz. que já tomei na vida, mas, ao mesmo tempo, foi o moJá a comunicóloga Bettina Boklis viveu a experiência mento em que deixei minha alma sonhar livre, leve e de colocar a estabilidade e a independência financeira solta. Valeu a pena tudo que fiz; me sinto recompensada à frente dos planos de engravidar. Viagens a trabalho e por isso”, diz Bettina.


Para Amanda Ferraz, psicóloga maternoinfantil de Belo Horizonte, o acompanhamento de profissionais da área auxilia na superação de conflitos e propicia apoio emocional, com uma escuta imparcial sobre as angústias e as questões dessa mulher que, naturalmente, vive muitas dúvidas e inseguranças. “É preciso entender as fases do processo e se sentir segura sobre a decisão tomada, duas coisas essenciais para os desenvolvimentos dela, do bebê e da relação que será construída entre mãe e filho”, afirma Amanda. A psicóloga cognitivo-comportamental Júlia Louback, também de Belo Horizonte, completa: “Elas precisam avaliar a intensidade do desejo de ser mãe, se preparar para lidar com um possível fracasso no tratamento, entender as mudanças que ocorrerão no corpo durante e após a gestação, além de considerar toda a mudança na rotina, nas relações interpessoais e, claro, nas responsabilidades de gerar e zelar por uma vida”. Houve momentos em que Bettina sentiu falta de ter alguém para dividir as decisões relacionadas à criança, mas ela destaca que o mais pesado tem sido os questionamentos da filha sobre o pai, mesmo diante das explicações da mãe. A menina se chama Catharina, está com 4 anos e também recebe atendimento psicológico. Uma das alternativas que a comunicóloga encontrou junto com a psicóloga para lidar com a delicada situação foi escrever o livro Sendo um Sonho, Acontece. “Fiz o livro porque meu discurso já não estava sendo suficiente para que ela pudesse entender a verdade. Meu objetivo foi fazê-la compreender que o pai existe e que ajudou a dar a vida a ela através da ‘sementinha’. E um dia ela também poderá ter um papai do coração que vai dar muito amor e carinho”, analisa Bettina. A psicóloga Amanda faz coro e diz que é fundamental ser aberta com o filho, contar sobre a história de vida dele – claro, respeitando sempre a idade da criança. “Dizer aos poucos, em uma linguagem que ele entenda, ajuda no relacionamento entre mãe e filho, e cria-se um laço de confiança e segurança por parte da criança”, complementa Amanda. Por considerar a produção independente um ato de amor e coragem, repleto de altos e baixos, Bettina Boklis também criou o site Maternidade Independente, que oferece conteúdo sobre o assunto. “Ser mãe é transformador, eu me sinto realizada. Por isso, fiz o projeto do site, que visa ajudar com informação, apoio e um bom exemplo”, afirma a comunicóloga. 

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ENTREVISTA O que uma futura mamãe de produção independente precisa saber? Armando Hernandez, especialista em endocrinologia e em reprodução assistida do programa Ser Mamãe em Miami, respondeu às perguntas da Canguru:

Canguru - Quais as recomendações para quem deseja fazer produção independente? Armando Hernandez - Mulheres que procuram doadores de esperma são aconselhadas a escolher um banco de sêmen com boa reputação. Os doadores precisam estar em conformidade com rigorosos padrões e se submeter a uma extensa, completa e ampla avaliação médica, familiar e psicológica.

E quanto à saúde mental da paciente? É aconselhável o acompanhamento psicológico em pacientes que realizam serviços de fertilidade para contornar possíveis problemas como o estresse e a ansiedade causados pela infertilidade. O atendimento individual ou em grupo possibilita estabelecer vínculos com outras pessoas que vivem a mesma experiência.

Como é o processo de fertilização in vitro? Qualquer mulher pode realizar? A fertilização in vitro (FIV) é o processo de reprodução assistida mais efetivo. O procedimento pode ser feito usando os óvulos da própria paciente e o esperma do parceiro ou, também, pode envolver óvulos, esperma ou mesmo embriões de um doador anônimo ou conhecido. Mulheres que buscam a FIV normalmente são diagnosticadas com infertilidade devido a uma causa subjacente ou ao histórico.


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4Inclusão

Marcas

para toda a vida Pessoas com manchas de nascença e suas mães se tornam ativistas em defesa de quem sofre na pele a não aceitação POR Juliana

Sodré

“O QUE É isso?” “Posso passar a mão?” “Coça?” Essas são perguntas que quem tem marcas de nascença provavelmente já ouviu. Os nevos, como também são conhecidas algumas manchas ou pintas, provocam estranheza e curiosidade nas pessoas. E quem tem essas marcas nem sempre sabe lidar com isso, sobretudo quando é criança ou adolescente. Preocupados com a falta de aptidão da sociedade em agir frente a essa singularidade, muitos jovens e mães de pessoas com nevos embarcam numa

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verdadeira campanha de aceitação do corpo e elevação da autoestima. A mineira Mariana Mendes, estilista, 25 anos, viu sua carreira dar uma reviravolta quando deu entrevista para o jornal britânico The Sun sobre a naturalidade com que lida com o nevo congênito que possui no rosto. Mancha observada em aproximadamente 1% dos recém-nascidos, de acordo com a Naevus Global, entidade que reúne associações de pessoas com nevos de 12 países. “Para


Bullying na escola nova: Laura, 9, se incomodava com comentários e risadas dos colegas por causa da pinta

mim é natural mesmo. Sempre fui assim e me aceito assim”, disse Mariana em entrevista à Canguru. A forma como lida com a pinta que toma conta da metade do seu rosto e os posts com a hashtag do movimento #bodypositivity, de valorização ao corpo do jeito que ele é, fizeram dela uma porta-voz de um movimento de aceitação, sobretudo para os que possuem os nevos e se consideram pouco vistos pela sociedade. “Acabei saindo da empresa onde trabalhava para fazer fotos de campanhas, palestras e dedicar-me ao canal do YouTube que tenho hoje, no qual falo sobre aceitação e autoestima. Tudo que quero é contribuir para que as pessoas se aceitem como elas são”, diz. E tem dado certo. As mensagens de Mariana ajudaram a estudante de Belo Horizonte Laura Moreno, de 9 anos. Ela possui uma pinta entre os lábios e o nariz e desistiu de esconder com maquiagem [1] ou tirar a manchinha: “Depois que vi a Mariana falando, vi que ela gostava dela do jeito que ela é, mesmo com a pinta”. Laura diz que se incomodava com os comentários dos colegas. “Eles me perguntavam se estava sujo e, quando viam que não saía, comentavam no ouvido do outro e riam”, lamenta. A mãe de Laura, Viviane Moreno, diz que o problema passou a existir para a filha quando ela mudou de escola. “Antes, os colegas tinham crescido junto com ela e nem ‘enxergavam’ a mancha, era natural. Na nova escola, os colegas começaram a comentar, e ela passou a me perguntar por que nunca a havia levado a um médico para tirar a manchinha”, conta a mãe. De acordo com a psicóloga e conselheira do Conselho Federal de Psicologia Iolete Ribeiro, isso acontece porque “a sociedade não se acostumou a olhar cada pessoa como única”. “O bullying só existe e incomoda porque fazemos a comparação com uma imagem padrão idealizada que nunca se alcança. Todos nós temos algo peculiar, não somos simétricos e somos únicos”, completa. Laura entendeu a mensagem e está decidida: “Eu não quero mais tirar. Passei a gostar da minha pinta”.

Questão de saúde A paulista Tainá Cunha, de 8 anos, que tem um nevo gigante nas costas, também tira de letra quando o assunto é aceitação. “Nunca pensei em tirar, não!”, diz. Ela, inclusive, já figurou na campanha de um hospital na Suíça. Além disso, participa das atividades da Associação Nevus Brasil (em inglês, normalmente usa-se “nevus” ou “naevus”, o termo em latim) e é estrela principal da comunidade Nevus Gigante, ambas criadas por sua mãe, Brisa Cunha. Desde que Tainá nasceu, a dona de casa, que não conhecia nada sobre o assunto, passou a estudar e se informar sobre os nevos. Hoje, promove encontros de pais e pessoas com essas manchas no Brasil e no mundo, levando informação e dando espaço para que esclareçam e discutam o tema. “É importante ressaltar que as manchas não são uma questão só de aparência; algumas, mais graves, podem virar problemas de saúde”, diz. E quem tem os nevos sabe que o acompanhamento médico é indispensável. Quando uma criança nasce com uma mancha na pele, é importante que ela consulte um médico pediatra neonatologista ou um dermatologista especializado em crianças. “Ambos estão aptos a fazer Cuidado com a saúde: Tainá, 8, faz acompanhamento médico periódico de seu nevo gigante [2]

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o diagnóstico inicial da natureza da lesão e determinar a necessidade e a frequência de acompanhamento médico. Em geral, manchas vasculares ou lesões elevadas arroxeadas devem ser acompanhadas de perto e tratadas sempre que estiverem impedindo alguma função importante, como a visão ou a deglutição, por exemplo”, endossa a médica paulista especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia Tatiana Gabbi. A mancha de Tainá, apesar de gigante, não traz consigo nenhum problema de saúde, não dói e não infecciona. Porém, sabe-se que quem tem nevos tem uma propensão maior a desenvolver melanoma. Daí a importância do acompanhamento periódico. A Associação Nevus Brasil não recebe apoio financeiro de ninguém. É a própria fundadora e seus associados que a mantêm viva. E, se depender de Tainá, ela continuará por muito tempo. “Ela fala que quando eu cansar quem vai continuar na Associação é ela”, diz Brisa, orgulhosa da filha.

PARA ENTENDER AS MARCAS DE NASCENÇA Marcas de nascença são alterações da pele do bebê que podem surgir ao nascimento ou semanas após o parto. “Quando pensamos nessa definição ampla, estima-se que elas incidem em mais de 80% dos nascimentos e podem ser rosas, vermelhas, salientes, roxas, escuras, marrons-claras, com ou sem pelos, entre outros tipos”, define Tatiana Gabbi, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Há várias classificações diferentes quanto à natureza das lesões e também em relação ao seu aspecto clínico. Há lesões com alteração das células que produzem o pigmento que dá cor à pele, os melanócitos, e outras que são alterações dos vasos sanguíneos. Podem ser manchas mais claras ou mais escuras que a pele ou manchas arroxeadas, avermelhadas ou esbranquiçadas. Além desses dois tipos mais comuns, há marcas com alteração do tecido que dá sustentação à pele, o tecido conjuntivo. Quando isso ocorre, geralmente há uma variação do relevo da pele. Portanto, há muitos tipos e padrões diferentes. Os mais conhecidos são o nevo congênito, que pode ser gigante (afeta uma grande parte da pele), e o hemangioma (marca roxa ou avermelhada).

» NEVOS E MARCAS DE NASCENÇA: Somente as marcas de nascença derivadas de melanócitos são conhecidas como nevos. Nem todas as marcas de nascença são nevos, assim como nem todos os nevos são marcas de nascença. Há nevos congênitos e adquiridos. » PREOCUPAÇÃO COM A SAÚDE: Aquelas marcas que atrapalham funções, as que são muito grandes, possuem crescimento rápido, doem, ulceram ou infeccionam são as mais preocupantes em termos de saúde. » MELANOMAS: Alguns nevos congênitos gigantes podem evoluir para melanomas. Portanto, nesses casos, o acompanhamento deve ser feito de perto, e biópsias podem ser necessárias durante o seguimento. »

CUIDADO ESPECIAL: O acompanhamento médico é fundamental para determinar os riscos e se há necessidade de tratamento de cada uma das lesões.

» EXCLUSÃO: Dependendo do tipo de marca, é aconselhável o tratamento cirúrgico precoce. Algumas respondem ao laser, e outras, a medicações. Tudo vai depender de cada tipo e cada caso. Não há uma fórmula geral. Fonte: Tatiana Gabbi, médica da Sociedade Brasileira de Dermatologia

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FOTOS: [1] GUSTAVO ANDRADE; [2] ELIS TAGLIAMENTO / ARQUIVO PESSOAL; [3] ARQUIVO PESSOAL

Inspiração: Mariana criou canal de YouTube para contribuir para que as pessoas, especialmente as crianças, se aceitem como são


apresenta

Que conteúdo seu filho consome?

Uma obra pedagogicamente responsável Conteúdos que se preocupam em:

1. Plantar o bem. 2. Incentivar a busca por conhecimento. 3. Promover o contato com realidades construtivas. Tudo para inspirar atitudes que favoreçam a formação da criança, ao mesmo tempo que propiciam a alegria e o encanto próprios do universo infantojuvenil.

Princípios da linha editorial Educore A Educore criou o selo Pedagogicamente Responsável, concedido às produções educativas e culturais que estejam em sintonia com os princípios de sua linha editorial. Os conteúdos devem:

»» Incentivar o cultivo de valores e de nobres sentimentos humanos; »» Reproduzir situações reais e naturais da infância e da adolescência, inspirando ações de bem, encantando e divertindo; »» Direcionar o olhar do leitor para si mesmo, estimulando a observação e a reflexão sobre sua própria realidade psicológica; »» Favorecer a formação do ser pensante, para o exercício da cidadania e das elevadas finalidades da vida humana; »» Adotar linguagem clara, construtiva e adequada à faixa etária pertinente. IMAGEM: DPOSITPHOTOS

VOCÊ JÁ PAROU para pensar que os diversos conteúdos que os menores consomem, seja por vídeos, livros e jogos, podem repercutir em suas vidas e na vida dos demais? Movidos por essa preocupação, um grupo de pais, educadores e autores fundou a Educore, uma associação sem fins econômicos que apoia a criação de conteúdos voltados para uma formação sadia da infância e da juventude.

Não somos uma editora. Nosso trabalho consiste em avaliar conteúdos, apoiando autores e editoras. Envie seu material para conselhoeditorial@educore.org.br. M A I O 2 01 8 .

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ESTAMOS VIVENDO DIAS de extremismo e de indignação seletiva. As pessoas reclamam de alguns males da nossa sociedade e ignoram outros por puro interesse pessoal. Segundo pesquisa do Datafolha, 57% dos brasileiros acreditam que a mulher deva ser punida e ir para a cadeia por fazer um aborto. Mas ninguém menciona o pai nessas situações, e, que eu saiba, ainda é necessário que um espermatozoide chegue ao óvulo para que uma gravidez aconteça. Quando a mulher escolhe fazer um aborto, ela está matando uma pessoa – esse é o grande argumento. O contraditório disso é que, quando a mulher fica grávida e, por algum motivo, o bebê morre durante a gestação, aquele feto é tratado como “material a ser descartado”, e a mãe que perdeu o bebê não tem direito de viver o luto. Muitas mães/gestantes vão ao hospital para fazer o parto de um bebê sem vida ou uma curetagem e ficam na mesma área onde outras mulheres estão dando à luz. Dois momentos tão diferentes, o contraste entre a vida de um e a morte do outro. O encontro da alegria com a tristeza.

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Não é justo que as mães que estão perdendo seus bebês passem por isso ao lado das que estão tendo os seus filhos, que fiquem internadas ouvindo o choro dos recém-nascidos, que seus bebês sejam tratados como “material”. Elas passam por um momento muito delicado e merecem, tanto quanto qualquer mulher, um atendimento humanizado. O que acontece na maioria dos hospitais do país hoje é desumano. A mãe que perdeu consome-se na sua dor, a mãe que está com o bebê incomoda-se por não saber como acolher. Muitas vezes, além de terem perdido o filho, elas também são impedidas de ter um

Bebel Soares e o filho Felipe

acompanhante ao seu lado e têm que ficar ouvindo os sons dos recém-nascidos com suas mães. Uma feliz, não querendo transparecer a alegria para não aumentar a tristeza da outra. E a que perdeu querendo sumir do lugar onde vê as outras com seus bebês nos braços e felizes. Independentemente da idade gestacional, a mãe que perdeu o bebê precisa ser acolhida, se despedir e vivenciar o luto.

Bebel Soares é fundadora da plataforma de apoio a mães Padecendo no Paraíso. Na Canguru ela fala sobre educação, saúde, alimentação, sexo, inclusão e viagens. www.padecendo.com.br

FOTO: DEPOSITPHOTOS

O aborto e a perda gestacional

FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA

4padecendo no paraíso


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4na pracinha

Lagoa do Nado

às crianças curtirem as visitas de pica-paus, corujas, micos e esquilos, além de patos e gansos que habitam aquele local. No antigo casarão está o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional, um espaço aberto para lançar luz sobre as mais diferentes práticas culturais de Belo Horizonte, tão ricas em cores, sons, cheiros, sabores e sentidos. A Lagoa do Nado é um verdadeiro centro de lazer, sendo que é possível passar uma boa parte do dia lá, para desfrutar tudo o que é oferecido: parquinho, biblioteca, teatro de arena, quadras de peteca e poliesportiva, campos de futebol society e oficial, pista de cooper, pista de skate tipo bowl e muitas trilhas. Não deixe também de acompa-

nhar as diversas atividades voltadas para a educação ambiental, cultural e esportiva que são promovidas no espaço. QUER CONHECER? Rua Desembargador Lincoln Prates, 240, Itapoã Funciona de terça a domingo, das 8h às 18h Entrada gratuita

O Na pracinha é um movimento que incentiva o brincar na infância, próximo à natureza e em todo lugar. A ação promove eventos brincantes pela capital mineira, e suas idealizadoras, Flávia Pellegrini e Miriam Barreto, são autoras do guia Beagá pra Brincar. Na Canguru, a publicitária Flávia compartilha dicas de passeios e brincadeiras em família. www.napracinha.com.br

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FOTO: PATRÍCIA DE SÁ

UM ESPAÇO INCRÍVEL, que fica no bairro Itapoã, na região da Pampulha, e ocupa uma área de cerca de 311 mil metros quadrados. Frequentado por muitas famílias, o parque é desconhecido, infelizmente, para muitos moradores de outras regiões, estando fora do circuito turístico tradicional. Fica então o nosso convite, caso você ainda não o conheça, para que leve sua família para brincar em um parque com cara de fazenda. Afinal, brincar ao ar livre, perto da natureza, só traz benefícios para todos. Parte integrante da antiga Fazenda Engenho Córrego do Nado até os idos de 1960, nesse imenso espaço natural se encontra uma lagoa de 22 mil metros quadrados, cercada por um bosque, permitindo


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4para ler com seu filho

Os livros que você vai ler em breve HÁ 32 EDIÇÕES, esta coluna apresenta dicas de livros para você ler com seu filho, neto, sobrinho, vizinho, amigo, aluno. Mas neste mês vai ser diferente: a coluna foi à Feira do Livro Infantil de Bolonha, na Itália, a mostra mais importante do mundo no campo da literatura voltada a crianças e jovens. É ali que se encontram, todo

ano, milhares de editores, agentes literários, escritores, tradutores e ilustradores para definirem os livros que serão publicados ou traduzidos em breve e para debaterem os rumos da literatura infantil. Nas imagens abaixo, compartilho uma pequena amostra do que rolou nesse evento. Ana Cristina Melo, da editora Bambolê, conhece os lançamentos da chilena Zig-Zag e apresenta os seus. Ao longo dos quatro dias da feira, milhares de reuniões como essa definem os livros que serão traduzidos para cá e para lá. Estiveram em Bolonha Annete Baldi (Editora Projeto), Gil Vieira Sales (Editora do Brasil), Isabel Coelho (FTD), Julia Schwarcz (Cia. das Letrinhas) e Leila Bortolazzi (Melhoramentos), entre outros.

Roger Mello, único brasileiro a vencer o Prêmio Hans Christian Andersen (o mais importante da literatura infantojuvenil), ofereceu consultoria para dezenas de ilustradores, como ele, presentes na feira, vindos de Espanha, Itália, Portugal e outros países.

Mesa-redonda debate o processo de criação do livro Um Dia, um Rio (André Neves e Leo Cunha, editora Pulo do Gato), premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) como o melhor livro do ano na categoria poesia.

Em um dos pavilhões do evento, grandes estandes negociam os direitos de publicação de produtos inspirados em livros de sucesso: de Harry Potter a Goosebumps e Pokémon, tudo pode virar álbum, caderno, copo, lápis e mochila.

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Neste ano, o Brasil indicou para o Prêmio Hans Christian Andersen (uma espécie de Nobel de Literatura infantil) a escritora Marina Colasanti e a ilustradora Ciça Fittipaldi. Dessa vez, não levamos o prêmio, mas fomos muito bem representados. Na foto, Marina debate com Isabel Coelho, da editora FTD, o relançamento de um de seus primeiros livros, Um Amigo para Sempre, publicado originalmente em 1988.

leo cunha e os filhos, Sofia e André

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) faz uma seleção anual das principais obras publicadas no país no ano anterior. Estar no catálogo que a FNLIJ prepara para Bolonha é um importante selo de qualidade para editoras, escritores e ilustradores brasileiros e uma pista para pais, professores, bibliotecários e qualquer um que deseje montar seu cantinho de leitura.

Hall de entrada da Feira de Bolonha. Neste ano, os números impressionaram: por lá passaram mais de 26 mil profissionais em quatro dias. No total, foram 1.390 expositores de 77 países, ocupando mais de 20 mil metros quadrados de estandes.

Leo Cunha publicou mais de 60 livros, como Cachinhos de Prata (Ed. Paulinas), Um Dia, um Rio (Pulo do Gato) e Só de Brincadeira (Positivo). Recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Nestlé, FNLIJ e Jabuti. leocunha@canguruonline.com.br M A I O 2 01 8 .

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IMAGENS: ARQUIVO PESSOAL

Paraíso dos ilustradores, a Feira do Livro de Bolonha disponibiliza enormes murais onde os artistas apresentam seus trabalhos e deixam folders, flyers e cartões de visita. É uma ótima vitrine para serem descobertos pelos editores que circulam pelo evento.

FOTO: GUSTAVO ANDRADE

E qual livro foi a grande sensação da feira? Qual livro será traduzido em vários idiomas, em todos os cantos do planeta? Se eu tivesse que apostar, colocaria minhas fichas no emocionante e belíssimo Lucia, de Roger Olmos. Lançado em edição bilíngue (italiano/inglês), com capa dura e produção primorosa, o livro conta a jornada de uma garota cega, cuja imaginação e sensibilidade a transportam para universos fantásticos. Cartazes espalhados pelo centro histórico de Bolonha anunciavam, ainda, uma exposição com todas as ilustrações originais do livro, e Olmos esteve presente para autografar cada exemplar vendido.


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4viagens, modo de usar

Encantos de São Francisco

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instalações portuárias transformadas em mercados e restaurantes. Ali se conhecem os estranhos peixes, crustáceos e moluscos do Pacífico que a culinária consagrou. Quem preferir pode se deliciar com um suculento sanduíche de rosbife feito na hora com pão francês quentinho, capaz de saciar até a fome de adolescentes. Depois de forrar o estômago, que tal visitar um submarino da Segunda Guerra que afundou seis navios japoneses e virou museu? Ou um navio que também participou das batalhas? Nos arredores da cidade, no Muir Woods National Monument (foto), as crianças conhecem algumas das árvores mais velhas do mundo, com mais de 1200 anos, e mais altas também, com até 90 m de altura, isto é, 30 andares. São as redwoods, parentes próximas das sequoias. Caminhar no meio delas leva ao contato com

pássaros, veados e esquilos. A natureza ao redor parece ainda intocada. Para os pais amantes de vinho, uma esticada ao Vale de Napa também pode trazer uma bela confraternização familiar nos amplos espaços para piquenique oferecidos pelas vinícolas. O almoço ao ar livre é uma boa pedida. Em seguida, as crianças vão gostar de amassar a uva para fabricar o vinho. Ou colher os cachos maduros diretamente nas parreiras. São Francisco oferece muito mais. Tudo se soma para dar razão à velha canção: o coração da gente fica por lá depois de uma visita à cidade.

Luís Giffoni é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos. giffoni@canguruonline.com.br

FOTO: WIKIMEDIA

UMA ANTIGA CANÇÃO diz que o coração se rende a SÃO FRANCISCO no alto de uma colina, com sua neblina e seu arzinho frio. De fato, basta conhecer essa cidade da Califórnia para entender a canção. Privilegiada pela natureza e pelo gênio humano, São Francisco possui alguns dos cartões postais mais conhecidos dos Estados Unidos. Quem nunca admirou a Golden Gate, com sua estrutura de aço pintada na cor ocre, até hoje uma arrojada obra de engenharia? Quem nunca se encantou com o azul profundo do Oceano Pacífico na baía local? Ou não se impressionou com as curvas e as flores da Lombard Street? Ou não estremeceu ante a fama da Prisão de Alcatraz? Esses são apenas alguns dos pontos da cidade que atraem tanto as crianças quanto os adultos. Há muitos outros programas. Que tal perder-se no sobe e desce dos morros, deixar-se levar pelas ruas antigas, pelos “cable cars” centenários, explorar as vielas, curtir o clima de férias que rege essa metrópole? Depois de um dia inteiro de exploração, que tal parar com as crianças na Ghirardelli Square, experimentar um chocolate, tomar um sorvete, passear pelo cais e observar os leões-marinhos? Outro bom programa é ir ao Fisherman’s Wharf, com antigas

Luís Giffoni


FOTO: ARQUIVO PESSOAL

4artigo | Luciene Gomes

Benefícios do coach infantil

VOCÊ JÁ OUVIU falar em coach para pais e filhos? O método kids coaching é uma forma eficaz para atender crianças, totalmente formatado na singularidade do universo infantil, com o objetivo de desenvolver as competências e as habilidades da criança, da família e dos educadores. O coaching infantil visa ajudar crianças e famílias a viverem de forma mais harmoniosa e feliz, facilitando a identificação de seus melhores talentos e cuidando dos pontos de dificuldades, trazendo uma virada comportamental que se reflete em relações saudáveis, construtivas, felizes e com reconexão comunicacional. Para isso, utilizam-se ferramentas e técnicas lúdicas criadas e validadas especialmente para que a criança, muito rapidamente, encontre soluções para suas questões internas.

social, em situações de bullying, alimentação, organização de horários e comprometimento dos estudos, entre outros.

Luciene Gomes é nutricionista maternoinfantil, coach infantil e kids coach. Possui especialização em nutrição pediátrica e especialização em kids coach.

O coaching infantil visa ajudar crianças e famílias a viverem de forma mais harmoniosa e feliz É diferente da psicoterapia. Esta é realizada para tratar problemas, buscar sua causa, elaborar questões, descobrir traumas e tratar disfunções. Deve ser conduzida por profissionais habilitados na área da saúde. Já o coaching infantil é uma abordagem do que está acontecendo agora e do que se deseja mudar, não é considerado tratamento e não se aplica em casos de diagnósticos de disfunções. A criança pode ser beneficiada com o processo de coaching infantil em casos de medo, ansiedade, timidez, falta ou excesso de autoconfiança, relações de convívio

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FOTO: FLÁVIO DE CASTRO

4crônica

Caligrafia cris guerra e o filho, francisco

CANETA E PAPEL. É o que tenho comigo na aeronave, num voo de BH a São Paulo. Todos os prazos já se esgotaram e, mais uma vez, conto com a delicadeza da editora da revista. Com a agenda lotada, a bateria nas últimas e a lista de tarefas ocupando várias folhas frente e verso, coloco o fone e aproveito o modo avião para finalmente me concentrar. Alguém canta em inglês no meu ouvido para que eu possa finalmente me escutar. Com seus sinais de Wi-Fi, a cidade que ficou lá embaixo é ruído demasiado alto para que eu entenda o que eu mesma quero me dizer. Nunca fui boa em trabalhos manuais. Minha mãe me ensinou a fazer tricô quando eu ainda era criança, e minha cabeça fervia a cada vez que errava. Desmanchava a carreira inteira e lá se ia mais uma chance de completar uma peça. Minha perseverança não deu nem para um cachecol.

Coreografo os movimentos dos meus dedos, deixando marcas que ajudam o coração a entrar no ritmo Com o caderno pautado, finalmente me sinto artesã. Deslizar com a caneta sobre o papel é como bailar livremente no palco do Grande Teatro, patinar no Holliday on Ice, voar com o bando de andorinhas cortando o céu azul com linhas pretas. A caligrafia é uma dança que não se interrompe. Faz círculos no ar, lembrando os movimentos encadeados de crianças em roda. De mãos dadas, as letras sintonizam o que há de mais genuíno na mente que escreve. Cinco ou seis anos atrás, questionei na então escola

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do Francisco o fato de ele ainda não estar escrevendo em letra cursiva. Ele se expressava em quadradas maiúsculas de letra de forma, como se sua fala se resumisse a gritos e cartazes de protesto. A coordenadora me disse que escrever em letra cursiva estava em extinção. Que crueldade privar uma criança dessa chance de ser livre. A fala da educadora me ajudou a colocar um ponto final na trajetória do Francisco naquela escola. Em poucos meses, os manifestos primitivos deram lugar a uma escrita cadenciada, que libertou o menino e seu raciocínio. Valeu a pena insistir na letra cursiva. Não se trata de andar na linha, mas de manter, com a ajuda da pauta, o coração alinhado com o cérebro. A cursiva segue o curso, o fluxo, a trajetória riscada e arriscada que faz parte da vida. Como meu corpo potencializa as decisões do vestir, minhas mãos são antenas do sentir. Com elas forjo o texto que tocará a alma do leitor – ou a minha própria –, para depois contar com a ajuda dos teclados, onde as mãos ensaiam novos passos. Não sou bailarina, mas coreografo os movimentos dos meus dedos, deixando marcas que ajudam o coração a entrar no ritmo. Não sei bordar nem costurar, mas teço o afeto com as linhas. Escrever à mão é liberdade suave, fluida e ritmada. Um bom começo, a fala primeira, aquela para a qual o coração será todo ouvidos. Viajei sem meu computador, mas jamais viajaria sem papel e caneta. Meu primeiro e mais importante trabalho manual é escrever. E isso não deveria ser privilégio dos escritores. 

Cris Guerra é publicitária, escritora e palestrante. Fala sobre moda e comportamento em uma coluna na rádio BandNews FM e a respeito de muitos outros assuntos em seu site www.crisguerra.com.br. Na Canguru, escreve sobre a arte da maternidade. crisguerra@canguruonline.com.br


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Canguru

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Canguru | BH | Maio de 2018 | Número 32  

Leia em www.canguruonline.com.br

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