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www.canguruonline.com.br | ago 2017 | nº 23

Criando filhos em BH

E XE MP L AR G RAT U I TO PARA E S C OL AS PARC E I RAS

Pais de meninas contam suas

EXPERIÊNCIAS

Caça ao saci mantém folclore vivo

NAS CRIANÇAS

Músicos consagrados adaptam clássicos para

OS OUVIDOS MIRINS

CHUPETAS:

AME OU ODEIE Vilãs da amamentação ou fadas da tranquilidade? Controvérsia existe até na comunidade médica

+ Veja dicas para fazer seu pequeno desapegar da companheirinha


4nesta edição

seções

6 10 11 12 15 16 18 20 21 22 43

Primeiras palavras

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Padecendo no Paraíso, por Bebel Soares

Nossos leitores Missão Instagram www.canguruonline.com.br Comprinhas Moda Mundo Kids Canguru viu e curtiu Corrente do bem Eles dizem cada coisa Na Pracinha, por Flávia Pellegrini e Miriam Barreto

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Para ler com seu filho, por Leo Cunha Viagens, modo de usar, por Luís Giffoni Artigo, Patrícia Lopes Alvares Artigo, por Marina Junqueira Nolasco e Wallana Coutinho Soares Crônica, por Cris Guerra

Reportagens

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Muito contestadas: chupetas são defendidas com unhas e dentes por algumas famílias e abominadas por outras

Debate | Chupetas são controversas até na comunidade médica; veja dicas para desapegar seu filho do bico

Pai de menina: experiências especiais no mês dos pais

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Família | As experiências que ilustram a forte conexão entre um pai e sua filha Diversão | As releituras de clássicos da música que artistas consagrados fazem para os pequenos Saúde | Como prevenir e tratar os piolhos, que muitas vezes se proliferam nas escolas Cultura | Caças aos sacis ajudam a preservar folclore e encantam os baixinhos Manual | Aprenda a fazer uma pipa em casa para aproveitar o mês dos ventos com as crianças

Música de brinquedo: Fernanda Takai e outros artistas se dedicam a criar memória afetiva para novas gerações

Nossa capa Mirelly, de 2 anos, é filha de Paloma Maciel da Silva e de Michel Martir Pereira FOTO: GUSTAVO ANDRADE

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FOTOS: [1][2] MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA; [3] NINO ANDRÉS

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FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4primeiras palavras

Música de pai (e mãe) para filho Confesso publicamente: está rolando um “ciuminho” da relação que meu filho mais velho, Pedro, de 13 anos, tem com o pai, Eduardo. Enquanto os diálogos comigo duram cada vez menos, vira e mexe flagro os dois entretidos numa conversa sem fim. Concluí que os videogames eram o tema mais frequente e me resignei: é que entendo bulhufas dos games. Mas eu estava enganada. Não é sobre jogos eletrônicos que pai e filho mais conversam. O que eles compartilham é a paixão pela música – sobretudo o rock. Vivem compartilhando vídeos. Só me dei conta disso quando, outro dia, cheguei em casa com o imenso livro dos 30 anos do festival Rock in Rio, presente de um amigo. Há tempos, meu “Pepê” não passava tanto tempo batendo papo comigo – e verdadeiramente interessado. Folheando juntos as lindas fotos da publicação, falamos sobre os meus ídolos e os dele. Gostamos de muitas coisas em comum, mais do que eu imaginava. Todo animado, ele deu o play nos vídeos das suas músicas preferidas. E, de repente, redescobri um canal de comunicação com meu primogênito já adolescente. Eu havia me esquecido do quanto, há uns cinco anos, o Pedro adorava ouvir Sonífera Ilha, no som do carro, quando voltava da escola para casa. Não era a versão original dos Titãs, mas a deliciosa recriação feita pelo Pato Fu para o álbum Música de Brinquedo. As músicas atravessam – e unem – as gerações. É desse sentimento poderoso e universal que trata a matéria assinada pela editora Luciana Ackermann. Ela entrevistou artistas consagrados que, depois de se tornarem pais e mães, foram invadidos pelo desejo de apresentar suas canções preferidas para os filhos. Música de Brinquedo, com releituras de clássicos que tanto sucesso fazem na minha casa, é um desses exemplos. O trabalho, que ganhou o Grammy Latino de melhor álbum infantil de 2011, vai ganhar agora uma segunda versão. Essa memória afetiva musical, que aproxima adultos e pequeninos, foi inspiração para nossa promoção deste mês de agosto. Vamos sortear um kit sob medida para pais roqueiros: o livro dos 30 anos do Rock in Rio, um par de camisetas para os roqueiros (adulto e infantil) e dois CDs: Música de Brinquedo e Beatles para Crianças. Acesse canguruonline.com.br e veja como participar.

Ivana Moreira, DIRETORA DE CONTEÚDO ivana@canguruonline.com.br

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Ivana e os filhos Pedro e Gabriel


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A Canguru é uma publicação mensal da Scrittore Comunicação e Editora Ltda. CNPJ 12243254/0001-10 (Rua Alberto Bressane, 223. Belo Horizonte/MG. CEP 30240-470)

DIRETOR EDITORIAL: Eduardo Ferrari DIRETORA DE PROJETOS ESPECIAIS: Ivana Moreira

www.canguruonline.com.br

CONSELHO EDITORIAL Eduardo Ferrari, Guilherme Sucena, Ivana Moreira, Márcio Patrus e Suellen Moura DIRETORA DE CONTEÚDO Ivana Moreira (ivana@canguruonline.com.br) EDITORA-CHEFE Cristina Moreno de Castro (cristina@canguruonline.com.br) EDITORAS Luciana Ackermann (luciana@canguruonline.com.br) e Sabrina Abreu (sabrina@canguruonline.com.br) REPÓRTER Rafaela Matias (rafaela@canguruonline.com.br) ESTAGIÁRIAS Catarina Ferreira (catarina@canguruonline.com.br) e Gabriela Willer (gabrielawiller@canguruonline.com.br) EDITORA DE ARTE Aline Usagi (aline@canguruonline.com.br) PROJETO GRÁFICO Chris Castilho (Mondana:IB) (www.mondana.net) EDITORA DA TV CANGURU Juliana Sodré (juliana@canguruonline.com.br) REVISORA Thalita Braga Martins COLABORADORES DESTA EDIÇÃO Cris Guerra, Leo Cunha e Luís Giffoni FOTÓGRAFOS Gustavo Andrade, Moacyr Lopes Junior/Malagueta e Ricardo Borges GERENTE DE COMUNICAÇÃO E MARKETING Camila Capone (camila@canguruonline.com.br) ESTAGIÁRIO DE MARKETING Filipe Cerezo (filipe@canguruonline.com.br) GERENTE ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Roberto Ferrari (roberto@canguruonline.com.br) DIRETORA COMERCIAL Suellen Moura (suellen@canguruonline.com.br) EQUIPE COMERCIAL Janna Souza (janna@canguruonline.com.br), Laura Ramos (laura@canguruonline.com.br), Simone Dianni (simone@canguruonline.com.br) e Vera Belini (vera@canguruonline.com.br) DIRETOR DE NOVOS NEGÓCIOS Guilherme Sucena (guilhermesucena@canguruonline.com.br) ATENDIMENTO A LEITORES E ESCOLAS PARCEIRAS Gabriela Linhares (gabriela@canguruonline.com.br)

PARA FALAR COM A REDAÇÃO Belo Horizonte Avenida Flávio dos Santos, 372, Floresta, CEP 31.015-150

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Brasília (Representação) Roberto Pinheiro robertopinheiro@rcpinheiro.com.br

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IMPRESSÃO: O Lutador DISTRIBUIÇÃO: VIP BH* (Belo Horizonte) SM Log (Rio de Janeiro e São Paulo) * Distribuição gratuita para as escolas parceiras Canguru, uma rede de instituições particulares de educação infantil que se comprometem a enviar a revista aos pais de seus alunos na mochila dos estudantes. A relação das escolas parceiras em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo pode ser consultada por anunciantes.

Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião da revista e de seus responsáveis.

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apresenta

Livro infantil sobre autismo ajuda a desmistificar o tema A Onda Azul fala de ­forma­­ envolvente sobre uma ­questão complexa [1]

perceberam, então, que elas precisavam de informação. Essa preocupação resultou numa ideia potente quando Adriano encontrou a amiga e escritora infantil Marismar Borém: “Que tal escrever um livro infantil sobre uma criança autista?”. Juntos poderiam tratar de forma leve uma questão complexa que ainda precisa ser desvendada. Então nasceu A Onda Azul – Azul da Cor do Mar, livro infantil publicado pela Editora Cora em parceria com a Associação Educore.

[2]

MAIRA ALVES E Adriano Machado são os pais de Bernardo, um menino que, como outros de sua idade (9 anos), vai todas as manhãs para a escola onde estuda. Um cenário cotidiano de muitas famílias, não fosse por um detalhe: Bernardo tem um jeito diferente de se comunicar e expressar seus sentimentos, não costuma olhar nos olhos das pessoas e fica muito incomodado quando as coisas saem da rotina. Ele tem o diagnóstico de autismo. Ter um filho autista é um desafio para Maira e Adriano, assim como o é para inúmeros pais no mundo. A complexidade não vem apenas pelas especificidades do comportamento do autista. As pessoas ao seu redor nem sempre estão preparadas para lidar com o diferente, e isso gera uma série de mal-entendidos. Maira e Adriano

Marismar – que também é fonoaudióloga – reuniu seus conhecimentos como escritora e profissional de saúde com as experiências de vida de Maira e Adriano. Eles focaram o conteúdo do livro nas vivências e nas descobertas de Lara, a irmã de Bernardo, que convive diariamente com o irmão que tanto ama e que é diferente de outras crianças da sua idade. Segundo Adriano, o livro elucida o tema e tem um importante papel social. “Ele pode atrair a atenção para o autismo, a fim de que tanto a sociedade quanto os governos compreendam melhor os desafios do transtorno e viabilizem leis e projetos que possam subsidiar os autistas e suas famílias nos complexos e caros tratamentos de cunho multidisciplinar”, conta com entusiasmo. Você pode adquirir o livro no site www.infancia.com.br. [3]

Para mais informações, acesse o site:

www.educore.org.br

IMAGENS: [1] VIRGÍNIA FROES; [2] REPRODUÇÃO; [3] ARQUIVO PESSOAL

Um livro que ajuda a desmistificar um tema complexo


Canguru Faz um tempo que conheci e estou gostando muito, as matérias são interessantes. Parabéns! — Viviane Costa, de Belo Horizonte (MG)

Adorei a matéria! Sou mãe de gemelares, minhas pequenas estão com 3 anos e não ficam doentes juntas... A conexão entre elas é fantástica. Parabéns pela reportagem. — Priscila Souza, do Rio de Janeiro (RJ)

Um projeto em família

Matéria bem rasa e superficial. Tenho gêmeos de 5 anos e sempre sempre sempre ficaram doentes juntos. Uma matéria que serve pra exemplificar um pouco esse universo para quem não faz parte dele, porque, para nós, pais de múltiplos, deixou muito a desejar, nada de novo.

Obrigada pelo carinho!

— Thaís De Campos Carradore, de Piracicaba (SP)

Participei do Seminário Internacional de Mães e recebi a Canguru. Adorei o conteúdo. Parabéns pela revista, com certeza ajuda muitas mamães. — Natália Moreira, de São Paulo (SP)

— Tania Khalill, atriz, de São Paulo (SP)

Desvendado os rótulos Como engenheira de alimentos, quero dizer que a reportagem sobre os rótulos dos alimentos ficou simples e bem explicativa. Adorei! — Daniela Soares Silva, de Belo Horizonte

Depressão Se nem um adulto tem maturidade para lidar com essa doença, imagina uma criança? — Amanda Amorim, do Rio de Janeiro (RJ)

Que reportagem interessante, principalmente a parte do espelho, um destro e outro canhoto. Faço exatamente o que o texto diz, "cada um é cada um". — Adriana Fernandes, de Belo Horizonte (MG)

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Entendo que a colunista usou de empatia para se colocar no lugar das noivas, explorando o outro lado da questão. Porém, não posso deixar de discordar totalmente das noivas que têm esse posicionamento. Crianças não são coisinhas alienadas da sociedade, elas são seres sociais e, como tais, devem aprender a se comportar nos diversos rituais que fazem parte da sociedade em que vivem. Daí cabe aos pais ensinarem os hábitos convencionais a cada grupo. Mas, se elas não vivenciarem, como vão aprender? — Talyta Andrade , que mora em Belo Horizonte (MG)

Gêmeos

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Padecendo no Paraíso

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Acho ofensivo para as mães que as crianças sejam proibidas de participar das festas de casamento. Onde não cabe meu filho não me cabe. Já fui a trocentos casamentos, e em nenhum a

criança estragou a festa. — Daya Rodrigues, de Belo Horizonte (MG)

Cada um tem o direito de dizer quem vai ou não vai à sua festa, seja lá o motivo. Daí o convidado decide se vai ou não por causa dessa imposição. Eu não levaria meus filhos a uma festa que vai até 1h, 2h, 3h da manhã, pois eles precisam dormir... Mesmo que tenham sido convidados. — Andrea Kfouri Janes, que mora na Holanda

FALE COM A CANGURU Entre em contato pelo e-mail redacao@canguruonline.com.br

ou deixe um comentário em nossas redes sociais.

Resultado da Enquete O que você pensa sobre o uso da chupeta?

11%

23%

66% A favor da chupeta Contra chupeta Em cima do muro

LEIA MAIS sobre chupetas na reportagem especial na página 23

Fique de olho em nossas novas enquetes!

Elas são sempre divulgadas em nossa página de Facebook: www.facebook.com/canguruonline


Em julho comemoramos o mês dos avós. Mas é uma delícia ganhar esse abraço todos os meses, né! Veja algumas fotos que chegaram até nós pela hashtag #canguruonline (e tem mais em nosso site e Facebook!).

“Uma troca de amor através do olhar”, segundo @lebergamo, entre o vovô Loris Bergamo e a netinha Maitê, de 3 anos.

Gustavo, de 2 anos, de papo com a bisa Nelita, de 86 anos. O clique é de @nathaliefernandes.

Próxima missão: Pôr-do-sol

O crepúsculo fica tão lindo no inverno...! Que tal fotografar seu filhote assistindo a um belo pôr-do-sol? Não se esqueça de postar a foto em sua conta no Instagram com a hashtag #canguruonline. Ela pode sair na próxima revista Canguru e em nossas redes sociais.

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FOTOS: REPRODUÇÃO INSTAGRAM

Vovô Pedro, de Corinto (MG), recebendo a visita de todos os netos, que moram em Beagá! Clique de @lenorapimenta.


www.canguruonline.com.br

Todos os meses, a Canguru promove seminários gratuitos sobre temas relacionados à educação dos filhos. Fique atento à programação dos próximos eventos.

Evento

O excesso de açúcar e suas consequências na infância O Encontro Canguru de agosto será com o endocrinologista Levimar Araújo CASA DOS AVÓS, festinhas de aniversário, agrado dos parentes. E, junto, uma gama de ofertas da substância mais temida pelos pediatras e odontologistas: o açúcar. Os pais tentam evitar o contato em casa, mas chega uma hora em que fica bem difícil controlar. Mas será que o açúcar é tão vilão assim? De acordo com nosso convidado, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, o açúcar sozinho não, mas o excesso dele sim. Então, como saber a dose certa? Quais as consequências ele pode trazer para a infância? E quando a diabetes é um diagnóstico real, como lidar com ela na infância? Essas e outras perguntas serão respondidas no Encontro Canguru deste mês, que será realizado no dia 2 de setembro (sábado), às 10h30, no anfiteatro do Pátio Savassi. As inscrições para a palestra são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Garanta sua vaga pelo site www.canguronline.com.br.

[1]

Roteiro

Anote na agenda desde já: será entre os dias 15 e 20 de agosto o Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais! O evento acontece no Parque Municipal e terá, como sempre, programação variada, como mesas-redondas, oficinas e várias novidades! A reportagem da Canguru estará lá para cobrir tudinho para nosso site, onde você também encontra uma entrevista com o premiado escritor de livros infantojuvenis Leo Cunha, nosso colunista. Acompanhe em www.canguruonline. com.br e em nossa fan page facebook.com/canguruonline.

[2]

Já baixou nosso app grátis?

O aplicativo da Canguru traz as notícias mais relevantes sobre a primeira infância, além da programação mais completa, e geolocalizada, para fazer com crianças em sua cidade. Baixe em bit. ly/appCanguruiOS e bit.ly/appCanguruGoogle.

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NA CBN Às terças e quintas, às 10h50, acompanhe ao vivo o boletim Canguru: criando filhos em BH. Todos os áudios estão disponíveis no portal canguruonline.com.br.

FOTOS: [1][2] DIVULGAÇÃO; [3] PIXABAY

Salão do Livro Infantil e Juvenil acontece em agosto


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Campanha

Agosto dourado pela amamentação É lei federal: agosto é o mês do Aleitamento Materno no Brasil. Desde 1992, a Semana Mundial do Aleitamento Materno já vinha sendo celebrada no início de agosto em mais de 150 países, por iniciativa da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), um órgão consultivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). No Brasil, quem promove as campanhas relacionadas ao assunto é o Ministério da Saúde, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria. O tema da edição de 2017 é “Trabalhar juntos para o bem comum”. A Canguru, é claro, apoia esta importante iniciativa de conscientização. Em nosso site você vai encontrar várias reportagens sobre a importância da amamentação ao longo de todo o mês de agosto. Acompanhe em www. canguruonline.com.br.

Locação de Artigos Diferenciados para Eventos 31 3384-2211

www.morielifestas.com.br

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www.canguruonline.com.br

Promoção

Sob medida para papais roqueiros [5]

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mês é para as famílias que agregam roqueiros de todas as idades e gerações, desde aqueles que participaram do primeiro evento, nos anos 80, até os que agora estão contando os dias para a edição de 2017! Vamos sortear um kit com o livro que conta os 30 anos de história do Rock in Rio, um par de camisetas* com uma declaração de amor pelo gênero mais cool da música, além de dois CDs com releituras de clássicos para os pequenos serem introduzidos no rock o quanto antes: Música de Brinquedo e Beatles para Crianças. Acesse www.canguruonline.com.br e veja as regras para participar dessa promoção.

* Imagens ilustrativas. A estampa da camisa vai depender do estoque e do tamanho.

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FOTOS: [4] PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO; [5][6][7] DIVULGAÇÃO

Foi em 1985 a primeira edição do Rock in Rio, com showzaços internacionais do naipe de Queen, Iron Maiden, Rod Steward, AC/ DC, Scorpions, Ozzy e Yes – além de bandas nacionais como Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Kid Abelha e Blitz. Passados 32 anos, o festival chega à sétima edição no próximo mês, e, em meio aos artistas que bombaram mais recentemente, como Lady Gaga e Alicia Keys, haverá também alguns atravessando gerações, muitas vezes com formações bem alteradas: Aerosmith, Guns N’ Roses, The Who, Red Hot Chili Peppers, Bon Jovi e Def Leppard. A promoção deste


EDIÇÃO Rafaela

Matias

Eles merecem ILUSTRAÇÕES: FREEPIK; FOTOS: DIVULGAÇÃO

Está chegando! No segundo domingo deste mês, 13 de agosto, celebramos o Dia dos Pais. E é claro que a data não pode passar em branco. Veja algumas sugestões de presentes para homenagear o primeiro homem de nossas vidas.

CANECA

PORTA-RETRATOS

R$

R$

39,90

Uatt? www.uatt.com.br

BLUSAS

QUADRO

R$

69,90

Imaginarium www.imaginarium.com.br

R$

59,90

81,90

Imaginário Roupas Personalizadas www.imaginarioroupas.com.br

Fábrica 9 www.fabrica9.com.br

ALMOFADA R$

14,90

Zona Criativa www.zonacriativa.com.br

KIT PARA BARBA R$

15,90

Arte e Aroma www.artearoma.blogspot.com.br

Preços pesquisados em julho de 2017. A Canguru não se responsabiliza pela alteração de preços ou pela falta de produtos. Imagens ilustrativas. AG O STO 2 01 7 .

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4moda

Unicórnios em todo lugar Poderia ser só mais um cavalinho, mas o inconfundível chifre único (e uma eventual crina nas cores do arco-íris) faz do unicórnio um dos bichos mais queridos das crianças. Um ser mitológico que combina com peças infantis, de pantufas a pijamas, criando cenas fortes de fofura. Por exemplo, neste modelo vestido pela pequena Nicole Lago Dutra, de 3 anos. POR Sabrina

Abreu

JÁ PARA A CAMA!

Boa pedida para a noite de inverno, o pijama de mangas longas faz par perfeito (e aconchegante!) com as meias, da mesma marca. Vai dar até vontade de passear pelo bairro com esse modelito.

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R$ 169,90 (pijama) R$ 24,90 (meias) Canguru

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www.puket.com.br


PARA ARRASAR NA CRECHE

A volta às aulas é ótima desculpa para comprar esta mochila Zoo feita em poliéster, com puxadores temáticos e alças acolchoadas ajustáveis.

R$ 180,00

petit-babies.lojaintegrada.com.br

BOM COMPANHEIRO

Com o sugestivo nome de Bichinho Unicórnio Algodão Doce, esse lançamento da Fom pode servir de companhia para as crianças, no banco de trás do carro ou nas brincadeiras da escola.

R$ 169,90

www.fom.com.br

ME AQUEÇA NESTE INVERNO

A manta em tricô faz bonito no berço do bebê ou como complemento numa cadeira do quarto de crianças mais crescidinhas.

R$ 270,90

www.amimanerastore.com.br

PÉ QUENTE

Com numeração a partir do 31, estas pantufas podem ser usadas por crianças e adultos. Que tal fazer dupla com seus filhos?

FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA PRODUTOS: DIVULGAÇÃO

R$ 149,99

mundialcalcados.com.br

PARA VIAGEM

A almofada Unicosmo serve para deixar as crianças viajantes confortáveis. Além do pescoço volumoso, tem um capuz que ajuda a tampar a claridade.

R$ 219,90

loja.imaginarium.com.br

Preços pesquisados em julho de 2017. A Canguru não se responsabiliza pela alteração de preços ou pela falta de produtos. Imagens ilustrativas.

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POR Rafaela

46%

das crianças com idade entre 2 anos e meio e 6 anos apresentam BRUXISMO, segundo um estudo realizado em 2009 pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Aquele ranger de dentes

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O BRUXISMO É um problema caracterizado pelo ato inconsciente de ranger ou apertar os dentes, que acomete também as crianças e pode afetar a dentição e causar o amolecimento precoce dos dentinhos de leite. A odontopediatra Daphene Ozelame explica que crianças com obstrução de vias aéreas superiores, síndrome da apneia obstrutiva do sono ou que apresentam doenças neurais, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade têm mais chances de desenvolver o problema. “Os pais devem observar no dia a dia, sempre que o pequeno acordar, se há alguma reclamação de dor no dente, perto do ouvido ou na cabeça”, alerta. Se for o caso do seu pequeno, é melhor procurar um dentista.

Matias e Luciana Ackermann

(Per)feita pra mim Você já reparou que existem alguns tipos de produtos padronizados que simplesmente não funcionam para todo mundo? Foi na prática que a fotógrafa sul-africana Nomvuyo Treffers descobriu que esse era o caso das toucas de natação. Quando inscreveu suas filhas nas aulas do esporte, ela percebeu que os equipamentos [2] convencionais não comportavam o cabelo das meninas, que são volumosos, e que colocar a touca era um processo difícil e incômodo. Foi aí que ela teve a ideia de criar uma linha de toucas de natação especialmente desenvolvida para pessoas com cabelos volumosos. Os produtos da marca Swimma podem ser usados ainda por quem tem dreads, tranças ou cortes blackpowers. Viva a diversidade!

FOTO: [1][3] PIXABAY; [2] REPRODUÇÃO/INSTAGRAM @SWIMMA_CAPS

É um direito seu! Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, toda criança tem direito ao aleitamento materno e toda mãe tem o direito de amamentar seu filho. Mas vamos fazer as contas: a licença maternidade no Brasil garante um afastamento remunerado do trabalho de, no mínimo, 120 dias a partir do oitavo mês de gestação. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por outro lado, diz que o bebê deve ser amamentado exclusivamente por pelo menos seis meses. Ou seja, o mínimo de dias permitido para a licença não é compatível com o mínimo de dias pelos quais o bebê teria de ser amamentado. Por isso, segundo a advogada Luciana Dessimoni, especialista em direito trabalhista, as mães que retornarem ao trabalho após o período de 120 dias têm garantido por lei o direito de fazer dois descansos remunerados de 30 minutos por dia para amamentar seu bebê até que ele complete

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6 meses. Além disso, se a entidade empregadora tiver no mínimo 30 funcionárias, ela é obrigada a oferecer um espaço como berçário. Não existindo essa opção no local, a funcionária deve ser autorizada a sair do trabalho para amamentar seu filho. Atenção: os pais adotivos têm os mesmos direitos dos pais biológicos. [3]


eu já fui

criança

FOTOS: REPRODUÇÃO / INSTAGRAM.

Rodrigo Hilbert ACREDITA QUE O loirinho lindo aí da foto já foi serralheiro? Depois, Rodrigo Hilbert foi modelo, ator e, desde abril de 2013, arrasa à frente do programa de culinária Tempero de Família, exibido no canal GNT, que está na oitava temporada. De tão talentoso, o artista se tornou um dos assuntos mais falados na internet nas últimas semanas e virou tema de centenas de memes. Depois de construir uma casa de brinquedo para os filhos, “a competição ficou humilhante”, como diz a página Alguém Pare o Rodrigo Hilbert, que, em menos de um mês, já tinha mais de 180 mil seguidores no Facebook. Hilbert é de Orleans, interior de Santa Catarina. Aos 12 anos, passou a se interessar pela cozinha. Isso porque adorava X-salada – em especial, a maionese do lanche. Pouco depois de aprender o ponto certo da maionese caseira e esbaldar-se com sandubas caprichados, Hilbert, o caçula da família, herdou a função de terminar o almoço que a mãe deixava semipronto antes de sair para trabalhar. Ele detestava. Preferia a oficina do avô, ficar na rua, brincando com os amigos, ou qualquer outra coisa que não fosse cozinhar. Quem diria que Hilbert se transformaria em um grande cozinheiro, elogiado por críticos e leigos? De cara, ele encanta é pela beleza mesmo. Nas redes sociais, são recorrentes as comparações entre Hilbert na infância e os filhotinhos dele com a apresentadora Fernanda Lima, os gêmeos João e Francisco.

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EDIÇÃO Camila

Capone

O QUE ESTÁ ROLANDO DE ÚTIL, DIVERTIDO OU CURIOSO NA WEB E NAS REDES SOCIAIS

Eterna lembrança!

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HEATHER PERDEU SEU filho de 7 meses, Lukas, e decidiu doar todos os órgãos dele na esperança de salvar outras crianças. O coração do pequeno Lukas foi para uma menininha com problemas cardíacos, a pequena Drake. Após quatro anos, Heather teve a oportunidade de conhecer Drake e ganhou um presente inesperado, para sempre se lembrar do pequeno Lukas. Assista a esse emocionante encontro utilizando nosso QR Code Canguru ou por meio do link bit. ly/eternalembranca.

DES-PA-CI-TO ou um groove bem gingado, não importa! Esses papais e seus bebês gostam mesmo é de bailar juntinhos. Uma escola americana de dança está fazendo o maior sucesso no YouTube com vídeos das turmas de papai e bebê. Divirta-se com o desta aula, usando nosso QR Code Canguru ou pelo link: bit.ly/ dancandocompapai.

Coração à prova Coração de mãe e pai é sempre posto à prova com as estripulias que os pequenos aprontam. Assista a este compilado de marotices e comprove se o seu coração está em dia. É cada uma... Use nosso QR Code Canguru ou acesse bit.ly/coracaoaprova.

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IMAGENS: [1] REPRODUÇÃO / CNN; [2] REPRODUÇÃO/ FACEBOOK: GROOVAROO DANCE; [3] REPRODUÇÃO / FACEBOOK: EMEKA MBADIWE

Dançando com o papai

[2]


POR Rafaela

Matias

Um mundo de possibilidades DESMISTIFICAR A SÍNDROME de Down e acabar com preconceitos. Esse é o objetivo da exposição 47 Cromossomos e 1000 possibilidades, da fotó[1] grafa Cecília Schirmer. A mostra tem o objetivo de valorizar os indivíduos com a síndrome e mostrar que eles podem viver normalmente, trabalhando e divertindo-se. Os registros de Cecília mostram crianças e adultos em situações diárias, como namorando, praticando esportes, estudando, trabalhando, pintando e tocando instrumentos. A exposição já passou pelos shoppings Monte Carmo e Big Shopping, na Grande BH. Para ver as fotos e acompanhar as próximas paradas da exposição, acesse www.facebook. com/47cromossomos1000possibilidades.

FOTOS: [1] CECÍLIA SCHIRMER; [2] DIVULGAÇÃO

Com muita boa vontade Com atuação em dezenas [2] de cidades, a Legião da Boa Vontade presta atendimento a crianças e idosos. Em Beagá, a instituição atua há 59 anos. Crianças e adolescentes de 6 a 15 anos vivenciam atividades lúdicas, culturais, esportivas e artísticas. Os meninos e as meninas que participam desse programa são beneficiados com kits de material pedagógico e uniforme por meio da campanha Criança Nota 10! e assistem a palestras educativas sobre temas que envolvem suas realidades, além de poderem passar o dia em um local seguro e longe da violência. A instituição oferece, de segunda a sexta, aulas de capoeira, oficinas nas áreas de esporte, música, brincadeiras e artesanato. Pedagoga, educadores sociais, assistente social e psicóloga acompanham os atendidos. Para saber mais sobre a instituição e como ajudá-la, entre no site www.lbv.org.br.

A L O C S E A U S JÁ FOI AO BOLICHE?

Que tal levar seus alunos para se divertir nas pistas do Boliche Del Rey? Temos um programa especial para receber excursões programadas de escolas, que tem como objetivo introduzir as crianças no esporte. Além disso elas aprendem valores importantes como respeito aos colegas, desenvolvem o raciocínio matemático e melhoram o desempenho escolar.

Fisk - Unidade Barreiro e Riacho

Para maiores informações, entre em contato com nosso departamento de eventos. 6 7 8

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POR Cristina

Moreno de Castro

Cor ta deix r o cab e a tã o ad lo me ulto !

OCTÁVIO, de 6 anos, filho de Vera Lúcia Teixeira Damásio e Fábio Porto Diniz Reis.

JÚLIA, de 3 anos, filha de Bruna Carolina Gomes da Silva e Marcélio Soares Amaral.

, é quarta Amanhã ca em a cin depois v ! , a sexta e, depois

Mãe, por que tenho que comer arroz e feijão para crescer se você come e não cresce?

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Ador o ir o pa com i no supe rmer cad finan ceiro o !

THEO, de 5 anos, filho de Thaiz Rodrigues Pessoa (que tem 1,60 m de altura) e Eduardo Malfertheiner Cidade. MARIANA, 3 anos, filha de Marcela Poletto Vilas Boas e Michel Vilas Boas, que opera no mercado financeiro.

Nossa , estou vendo tudo e m HD !

ARTHUR, 5 anos, filho de Adriane Guimarães e Reinaldo Goulart, ao experimentar os óculos da mãe.

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Se seu filho também diz pérolas, envie a frase para o e-mail redacao@canguruonline.com.br.


4Debate

MAMÃE, EU

FOTO: GUSTAVO ANDRADE

QUERO!

Conheça os benefícios e os prejuízos do uso da chupeta e algumas dicas para desapegar seu filho do controverso acessório POR Cristina

Moreno de Castro e Rafaela Matias

Não prejudicou: Mirelly, de 2 anos, usa chupetas e amamenta até hoje AG O STO 2 01 7 .

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“O MINISTÉRIO DA Saúde adverte: a criança que mama no peito não necessita de mamadeira, bico ou chupeta. O uso de mamadeira, bico ou chupeta prejudica a amamentação, e seu uso prolongado prejudica a dentição e a fala da criança”. Essa mensagem de alerta consta em todas as embalagens de chupetas vendidas no Brasil, pelo menos desde 2002, quando foi publicada resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre esse assunto. A pasta atribui à chupeta problemas diversos, como sapinho e otite. Além disso, diz que “crianças que usam chupetas, em geral, são amamentadas com menor frequência, o que pode comprometer a produção de leite materno”. A posição é similar à da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que enumera várias razões para o abandono dessa tradicional peça de enxoval (veja ao lado). Apesar disso, o pequeno objeto de borracha ou plástico reina em grande parte dos lares brasileiros. Em enquete informal feita pela Canguru nas redes sociais, dois terços dos leitores responderam defendendo, total ou parcialmente, o uso da chupeta por seus filhos. O argumento da maioria dos adeptos da chupeta é que ela acalma o bebê, ajuda a tranquilizá-lo, facilita a indução do sono e reduz o choro durante a fase oral dos pequenos. Não é à toa que, em inglês, as danadinhas são chamadas de “pacifiers”, do verbo “pacify” (acalmar). Mas, considerando-se o que dizem todos aqueles experts da saúde, só resta aos pais a culpa? Não é bem assim. A chupeta é tão polêmica que até mesmo na comunidade médica e científica não há consenso sobre seu uso. A Associação Brasileira de Odontopediatria, por exemplo, defende que o hábito nos primeiros anos de vida não é necessariamente ruim. Está escrito em uma cartilha da entidade de orientação aos pais: “Nos casos em que a amamentação natural não pode ser realizada e, mesmo com a oferta do aleitamento materno, as necessidades de sucção da criança não estejam satisfeitas, o uso do bico é recomendado”. A associação diz que, se for retirada até os 2 anos, há boas chances de autocorreção de possíveis desarmonias nas arcadas dentárias. A fonoaudióloga Roberta Martinelli, especialista em bebês e motricidade orofacial, com mestrado e doutorado pela USP, concorda que o uso até essa idade não é determinante para desencadear problemas. Quanto à fala, a especialista afirma que a

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OS PRÓS E CONTRAS

da chupeta PRÓS » É calmante imediato do choro, especialmente em momentos de dor » Tem efeito protetor contra morte súbita, desde que seja introduzida após a terceira semana de vida ou com a amamentação já estabelecida e utilizada só durante o sono » É indutora do sono; » O uso da chupeta é um prática mais fácil de eliminar do que o hábito de chupar dedo (que causa as mesmas alterações da chupeta)

CONTRAS » Está associada ao menor tempo de aleitamento materno » Psicólogos defendem que há formas melhores de acalmar o bebê, como carinho, colo, amamentação, música etc. » Estudos apontam problemas na mastigação e deformação da arcada dentária, além de atrasos na linguagem oral » Pode causar problemas na respiração, que incluem desvio do septo nasal, diminuição da saliva (que pode aumentar risco de cáries) e mais chances de irritação da orofaringe, da laringe e dos pulmões » Produz mais riscos de infecções de ouvido, rinites e amigdalites » Seu uso aumenta as chances de candidíase oral (sapinho) e verminoses » Pode conter materiais possivelmente carcinogênicos (N-nitrosaminas)  Fonte: Departamento de Pediatria Ambulatorial e Departamento de Aleitamento Materno da SBP e Ana Estela Fernandes Leite, secretária do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP


chupeta não é capaz de atrasar o processo, mas pode prejudicá-lo em alguns aspectos. “Se a criança chupar bico o dia todo, por exemplo, ela vai começar a falar com a chupeta na boca e a sua língua não será capaz de fazer os movimentos completos, já que ficará mais baixa na cavidade oral. Assim, é possível que ela se torne uma pessoa que fala com a língua entre os dentes”, explica. A Academia Americana de Pediatria (AAP) chega a recomendar o uso de chupetas nas sonecas dos bebês, com o objetivo de reduzir a incidência de morte súbita. Um dos comunicados da AAP diz o seguinte: “Chupetas não causam nenhum problema médico ou psicológico. (...) No entanto, ela não deve ser usada para substituir ou atrasar as refeições. Pode ser tentador oferecer à sua criança uma chupeta quando for fácil para você. Mas é melhor deixar seu filho decidir se e quando usá-la”.

CUIDADOS

Quer tirar o bico? Um dos poucos consensos que existem em torno da chupeta é que ela deve ser retirada até por volta dos 2 anos. Porém, como fazer isso sem tornar a perda muito traumática para os pequenos (e toda a família)? “A suspensão pode acontecer de forma gradativa, oferecendo a chupeta apenas quando a criança for dormir e retirando-a logo que a criança adormece”, diz Ana Estela Fernandes Leite, secretária do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Para crianças maiores, o reforço positivo com elogios e o incentivo com recompensas pelos dias em que não usa a chupeta pode ser uma prática também utilizada”, complementa a médica. “É importante que os pais e responsáveis fiquem atentos à demanda da criança, sem se antecipar a ela, ou seja, não ofertá-la a menos que a criança solicite”, prega a cartilha da Associação Brasileira de Odontopediatria. “Se a criança estiver dormindo, retirar de sua boca, se ela não apresentar resistência. Se estiver acordada, passado o choro, distrair a criança e guardar a 

importantes

ILUSTRAÇÕES: FREEPIK

A posição oficial da AAP é que o acessório não traz prejuízos, mas a entidade lista alguns cuidados que os pais devem tomar: » Usar chupetas com peça única, que não tenham pequenas partes que se desprendam e causem sufocamento; » Nunca amarrar a chupeta em uma corda, no pescoço ou no braço, por risco de estrangulamento; » Chupetas se deterioram ao longo do tempo. Inspecione-as periodicamente para ver se a borracha está descolorida ou rasgada e, nesse caso, substitua o acessório; » Siga a faixa de idade recomendada na chupeta, para evitar que as crianças maiores coloquem bicos muito pequenos na boca e engasguem.

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Companheirinhas: Gabriel, de 11 meses, adora suas chupetas azuis

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O livro Julieta Larga a Chupeta (2017, editora Cora), de Marismar Borém, com ilustrações de Leonardo Barros, pode ser uma boa leitura para este momento de desapego da chupeta. Veja em www.canguruonline.com.br o vídeo fofíssimo do garotinho que se despediu de suas chupetas soltando-as num balão de hélio. 

conta Paloma. O processo pode ser difícil, mas especialistas garantem que vale a pena o esforço para não prolongar o uso da chupeta além dos 2 anos. Segundo a psicóloga clínica e escolar Patricia Reis Candeias, mestranda em psicologia social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é nessa fase que a criança começa a usar com mais frequência a linguagem oral e a compreensão de comandos adquiridos. Além disso, ela começa a experimentar a autonomia para comer, escolher suas roupas, cuidar dos pertences e demonstrar suas insatisfações. “A retirada da chupeta proporciona à criança viver mais uma etapa do seu crescimento e enfrentar as dificuldades da interação social. Ela precisa encontrar outra forma de enfrentar as frustrações, como expressar o que sente e deseja através da verbalização”, afirma Patricia.

FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA;

chupeta, tirando-a do seu campo de visão”, orienta. Na casa da vendedora Paloma Maciel da Silva, ainda não foi possível tirar a chupeta da pequena Mirelly, de 2 anos, porque ela agora está passando pelo desmame. “Vamos só esperar ela se adaptar ao fim da amamentação para tirar a chupeta. Tirar os dois ao mesmo tempo seria uma grande perda emocional, então preferimos fazer por etapas”, explica a mãe. E não vai ser missão fácil. Ao perder de vista por alguns segundos a sua “bubu” favorita, entre as quatro que tem, a garotinha já fica ansiosa. Mesmo antes de nascer, ela já dava indícios de que seria uma fã das chupetas, aparecendo com o dedinho na boca em todo ultrassom. Por isso, a própria pediatra recomendou o uso do bico desde o nascimento. “Ela me explicou que seria mais fácil, com o tempo, tirar a chupeta do que impedir que ela chupasse o dedo”,


AS EXPERIÊNCIAS

das mães

Perguntamos em nossas redes sociais o que nossos leitores pensam da chupeta. Do total de respostas recebidas, 66% defenderam o hábito, total ou parcialmente. Confira alguns depoimentos: A necessidade de sucção da minha filha era desde a barriga, como víamos no ultrassom. Ela chupou o dedo até os 6 meses. Dorme sem peito também. Nunca senti necessidade de usar chupeta. – Gleimar Nascimento Meus dois meninos não usaram. Sempre amamentei em livre demanda. Mas sou a favor quando é usada com moderação e sabedoria. A criança não precisa ficar com esse plástico na boca o dia inteiro... Entenda o choro do seu filho antes de enfiar uma chupeta na boca dele. Além de prejudicar os dentes, atrapalha a fala e leva muitas bactérias para a boca do bebê. – Débora Esposito

Eu cresci com ela, meu filho, não. Cada um do seu jeito. Salve-se quem e como puder. – Rafaela Drumond Acho que não podemos ser radicais. A chupeta pode ser usada com moderação, principalmente para acalmar as crianças em momentos tensos. – Renata Gontijo Meu filho usou até quase 2 anos. Nunca trocou o peito, e na hora de tirar foi tranquilo, tiramos em um mês. – Fernanda Mello Sou contra! Não comprei no enxoval! Mas, devido a minha inexperiência, me rendi logo que chegamos em casa. Mesmo usando só para dormir e acalmar, acho que foi um dos motivos para o desmame precoce, aos 10 meses. Com o próximo filho pretendo não usar.  – Fernanda Rosa 4LEIA MAIS RELATOS EM NOSSO SITE: www.canguruonline.com.br

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4Família

Pai de

menina A psicologia e a sociologia já se debruçaram sobre o elo entre homens e suas filhas, mas nada como a experiência individual para ilustrar a forte conexão entre um pai e sua menininha POR POR Sabrina Abreu

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[1]

G

uillermo Kahlo (1871-1941) era um fotógrafo apaixonado por imagens de pessoas. Fotos de si mesmo, da família e de amigos eram sua preferência quando pegava a câmera em busca de mais um clique. Não por coincidência, uma de suas filhas, Frida (1907-1954), foi imortalizada por pintar retratos e, especialmente, autorretratos. Nos diários, nas cartas e nas entrevistas da pintora mexicana, que é uma das artistas mais influentes de todos os tempos, há pistas do relacionamento próximo que ela teve com Guillermo e de como a profissão e a presença paterna tiveram impacto em seu processo criativo, suas obras e sua vida. “Segundo a psicologia clássica do desenvolvimento, o pai é o responsável por possibilitar à criança a abertura para o mundo”, explica a psicóloga clínica Bettina Schaefer. Após o nascimento, durante a lactação e os primeiros anos de vida, a mãe e o bebê formam um núcleo que parece impenetrável. Mas é o pai quem consegue, a certa altura, furar o cerco. Introduzido na relação, ele amplia a percepção e a vivência do rebento, sinalizando que há “algo mais” para além do corpo e do conforto maternal. 

FOTOS: [1] MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA; [2] ARQUIVO PESSOAL

De novo: Designer Klauss Bernhoeft gostou tanto da experiência com a filhota Nina, de 3 anos, que chegou a torcer por uma segunda filha

Sem estereótipos: sociólogo Amaro Grassi não quis limitar a filha, Martina, de 2 anos, ao universo cor-de-rosa [2]

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identificação entre pai e filha foi tão grande que, na segunda gestação, Bernhoeft chegou a torcer de novo por outra menina. “Mas claro que, quando vi que seria um menino, foi tão maravilhoso quanto, muito bom ter um casalzinho”, faz questão de frisar. Assim como Grassi, Bernhoeft optou por não impor a Nina os padrões que, quando ele era criança, eram tão comuns. Na época, era normal achar que menina brincava apenas de boneca e gostava de rosa, que menino preferia azul e carrinhos, mas a busca por uma sociedade com mais liberdade para ambos os gêneros fez os pais da nova geração desconstruírem certos conceitos. “Numa festa junina, ela tinha direito a um brinde na pescaria, e eu falei para ela escolher entre as opções disponíveis. Tinha, sim, uma boneca, mas ela quis o carrinho. Tudo bem, dei o carrinho para ela. Em casa, ela gosta de brincar com os dois tipos de brinquedo. Não existe razão para ser diferente, está tudo certo”, resume Bernhoeft. Pais que se deliciam com a vinda de uma menininha podem ser considerados uma novidade na linha do tempo da sociedade. Não é à toa que aquele diálogo famoso do filme O Poderoso Chefão (1972) ecoa por décadas: “Que seu primeiro filho seja um filho homem”. A resposta para essa preferência está enraizada em sistemas de poder e status social. “O primogênito homem é a garantia da sobrevivência do sobrenome do pai”, esclarece Ana Lúcia Modesto, professora do departamento de Sociologia da UFMG. “Para os romanos e outros povos, é uma promessa de eternidade. Passado e futuro estão a salvo pelo nascimento de um bebê do sexo masculino”, completa. A especialista acredita que, enquanto vivermos numa sociedade machista, a tendência de valorizar o gênero masculino em detrimento do feminino deve permanecer. Mas pais de uma nova geração, da qual Amaro e Klaus fazem parte, querem contribuir para a transformação da sociedade. "A chegada da minha filha me tornou mais sensível a essas questões e me fez ficar atento ao machismo que existe em mim mesmo e ao redor, para tentar mudar isso", conclui o pai de Nina.

FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA; ILUSTRAÇÃO: FREEPIK

Para o sociólogo e jornalista Amaro Grassi, 32 anos, a tarefa de ampliar o horizonte de sua filha inclui o cuidado em evitar os estereótipos de menina. “Desde a escolha do enxoval, não quisemos comprar tudo rosa, rosa, rosa, porque parece que isso vai sendo imposto desde o início, e não queríamos limitá-la”, conta. Martina, hoje com 2 anos, teve o quarto e as roupas com tons neutros e brinquedos como animais e outros objetos de temática infantil que não se associam apenas a um gênero. “A tentativa é ir mostrando a ela, sem exageros, várias possibilidades. Depois, ela que escolha do que gosta mais”, diz. Gaúcho, Grassi é casado com a pernambucana Giulliana Bianconi, e o casal vive no Rio. Juntos, os dois encaram com naturalidade o fato de presentes de amigos e a influência das amiguinhas acabarem por adicionar uma dose extra de cor-de-rosa à vida de Martina. “Também não vamos tolher. Se ela gostar, se ela quiser se vestir de princesa ou se identificar com o universo tradicionalmente feminino, claro que vamos deixar. O importante é não frustrá-la nesse sentido”, compara. Depois de muito ouvir sobre a proximidade entre pai e filha, o designer Klauss Bernhoeft, carioca residente em São Paulo, se viu torcendo para que viesse uma menina quando soube que sua mulher, Carolina Eitelberg, estava grávida. Nina nasceu há três anos. Há um mês, o casal ganhou Jonas. A


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4Diversão

Músicas que

atravessam

gerações Artistas consagrados se dedicam a fazer releitura de clássicos para apresentá-los ao público infantil POR Luciana

Ackermann

MEMÓRIA AFETIVA. ESSE sentimento poderoso, profundo e universal foi um dos principais motivos para que diferentes artistas consagrados se dedicassem a releituras de clássicos, dos mais variados estilos musicais, para crianças e bebês. Zé Renato, Fernanda Takai, do Pato Fu, e Bruno Gouveia, do Biquini Cavadão, são alguns dos artistas que mergulharam nesse universo tão cheio de possibilidades e descobertas. Papais e mamães agradecem pelo empenho, afinal, eles esbanjam criatividade, qualidade e bom gosto. O Pato Fu, por exemplo, conquistou o prêmio de melhor álbum infantil no Grammy Latino, em 2011, com o disco Música de

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Brinquedo, que atingiu a marca de 40 mil cópias vendidas. Neste mês, a banda lança o Música de Brinquedo 2. Fernanda explica que dois critérios são essenciais para que a canção fique perfeita para a proposta do trabalho: “Ser muito conhecida e ter um arranjo muito conhecido também. Sabe quando escutamos um trechinho qualquer e já identificamos a música?”, diz a cantora, explicando como é feita a seleção do repertório. “Nossa escolha foi buscar esse tipo de canção pop de várias épocas e que, de alguma forma, fosse presente em nossa memória afetiva”, resume ela. Para dar mais graça e ludicidade ao trabalho, a


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Música de brinquedo: depois do sucesso da primeira edição, Pato Fu vai lançar segundo disco [2]

voltamos a escutar o disco, mas só quando ela tinha 6 anos é que retomamos essa ideia. Como pais, a gente sentia falta de algo que tivesse a camada interessante tanto para os adultos quanto para as crianças”, relata ela, complementando: “Uma coisa a ser destacada é que não é um trabalho voltado exclusivamente ao universo infantil. Como sempre, o primeiro público era a gente mesmo, e isso foi fundamental para que pudéssemos acessar nossa plateia de costume também. Usamos o mesmo filtro de qualidade e empenho”. Um dos objetos mais curiosos usados no Música de Brinquedo, segundo Fernanda, foi o "drawdio", um teremin feito com lápis e pilha, que emula um som de "motorzinho de dentista", presente na música "Frevo Mulher". Quanto ao novo álbum, a vocalista do Pato Fu faz suspense – é melhor esperar pelo lançamento mesmo.

Tons mais suaves e lúdicos Outro projeto que faz o maior sucesso entre pequenos e adultos é a coleção Rock Your Babies, cujas músicas de bandas e de nomes consagrados do rock brasileiro ganham versões instrumentais caprichadas para bebês. Bruno Gouveia, um dos idealizadores, conta que esse era um desejo antigo dele, que foi deixado de lado por anos. Mas o encantamento de Carlos Coelho, guitarrista do Biquini, diante da paternidade, reacendeu a vontade, que também contou com a participação do empresário da banda, Julio Quattrucci Junior. Em 2013, os três passaram a desenvolver e esquematizar o que seria​

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FOTOS: [1][2] DUDI POLONIS

banda incorporou instrumentos de brinquedo, em miniaturas, bonecos do Giramundo e um coro mirim, do qual a pequena Nina Takai participou. Entres as dificuldades, Fernanda listou dominar a pequena escala desses objetos, sem o mesmo padrão dos instrumentos normais, e lidar com suas imperfeições. A inspiração surgiu ainda na década de 90, quando Fernanda e seus parceiros de banda ouviram o álbum Snoopy's Beatles. “Achamos a coisa mais bonitinha do mundo, mas naquela época o Pato Fu estava começando sua carreira, era mais interessante construir antes um repertório próprio. Quando a Nina nasceu, em 2003,


[3]

a coleção: “Foi uma imersão para analisar os tipos de tons, buscando sons mais suaves e lúdicos, a escolha das músicas, os novos arranjos e pensar em como seriam as capas”, afirma Gouveia. De lá para cá, foram surgindo novos desdobramentos do projeto – um deles, prestes a ser lançado, é de animações: videolooping dos CDs. “As crianças gostam de repetição. Enquanto a música toca, animações curtinhas serão exibidas de forma contínua. São 144 vídeos, que seguem os elementos criados para as capas dos CDs feitas pelo Adolfo Castro, da Tutti Animati”, diz o vocalista, pai pela segunda vez com o nascimento de Letícia, que já está com quase 3 anos. Ao todo são 12 títulos,

entre eles as coletâneas, que reúnem composições de diversos artistas e grupos, como Cazuza, Legião Urbana e o próprio Biquini, e as coleções, com CDs inteiros dedicados a determinadas bandas ou nomes importantes do rock: Skank, Titãs, Paralamas do Sucesso e Rita Lee, por exemplo. Gouveia destaca que há músicas para embalar o bebê nas mais diversas atividades: brincar, ninar, amamentar, dar banho. “São discos movidos pela memória afetiva dos pais, que vão mostrando aos filhos o que eles gostavam de ouvir. Pude ver como eles se sentem felizes de poder apresentar desde o berço as bandas e músicas que eles curtiram, que fizeram parte de muitos momentos da vida deles”. Seguindo linha parecida, a coleção para os pequenos da gravadora Coqueiro Verde traz os CDs Beatles para Bebês, Rolling Stones para Bebês, Elvis Presley para Bebês, Pink Floyd para Bebês e Madonna para Bebês. [4]

A ligação com projetos infantis do cantor e compositor Zé Renato vem desde os anos 80, quando o grupo Boca Livre participou do especial A Arca de Noé, idealizado por Vinícius e Toquinho. Na ocasião, Zé Renato participou de A Casa, música que faz parte do repertório de muitos papais e mamães. Anos depois, em 2003, veio a vontade de compartilhar a gostosa vivência de sua infância. “Meus pais ouviam muito Dorival Caymmi, Zé Kéti, Silvio Caldas, que era amigo da família, e eu estava sempre ali, cercado de música brasileira de qualidade. Essa memória afetiva é muito importante para mim, não só porque sou músico, mas pela Samba pras crianças: Zé Renato, Maria Rita e as crianças do coro infantil que participam do projeto

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FOTOS: [3][4][5] DIVULGAÇÃO

Samba e forró


riqueza e pela diversidade cultural do Brasil. Com a música, a gente consegue conhecer melhor o nosso país. Idealizei e produzi o CD Samba pras Crianças. De forma intuitiva, reuni algumas canções que tinham conexões com os pequenos, inclusive contei com coro infantil. Muitas delas não conheciam aquelas músicas, e eu via a alegria delas ao descobrirem esse tesouro”,

resume Zé Renato, pai de quatro filhos, tendo o caçula 4 anos. O CD foi lançado pela Biscoito Fino, criadora do selo Biscoitinho, que, após três anos, sugeriu que Zé Renato gravasse um álbum só de forró, com boa parte do repertório com as músicas de Jackson do Pandeiro. É o Forró pras Crianças, que também contou com coro infantil. [5]

‘Filhos curtem porque veem os pais amando' Em 2011, o professor de música Fabio Freire foi convidado para tocar no intervalo das aulas das crianças na escola de educação infantil onde lecionava. Sem grandes pretensões, chamou alguns amigos, e eles fizeram a apresentação com canções dos Beatles. “As crianças se divertiram, pularam, cantaram, e foi um sucesso”, conta Freire, que passou a fazer apresentações em outras escolas. Num belo dia, o professor e músico mandou um vídeo desses shows ao Fantástico, da Rede Globo. Acabou sendo escolhido para conhecer Paul McCartney, em 2012. “Foi maravilhoso e mágico. Tivemos alguns minutos no backstage, ele foi muito simpático, cantamos juntos Yellow Submarine. Tudo isso me motivou a continuar com o projeto”, resume ele, que chamou outro amigo que também é músico, ator e professor para formar uma banda de fato. “Gabriel (Manetti) e eu criamos um roteiro, com intervenções lúdicas e histórias entre as músicas, colocamos tudo dentro de um grande mote: ‘Primeiro show de rock’ da criançada”, conta Freire, que não parou mais. Em três anos, eles já fizeram 300 apresentações e agora, em agosto, lançam o novo show, Beatles para Crianças 2 A Bagunça Continua! Pós-graduado em arte e educação e com sete CDs dedicados às crianças, com canções próprias, Freire diz que no Beatles para Crianças (BPC) há uma vertente pedagógica e que ele e Manetti continuam a dar aulas de música, mas em menor quantidade. “É uma fonte de ideias e de inspiração. Antes de sermos músicos de palco,

somos educadores e nos preocupamos com cada detalhe do projeto. Pensamos em oferecer música de qualidade e boas referências às crianças e às famílias”, diz ele, que tem um filho de 5 anos que sabe todas as músicas dos Beatles de cor. “Meu filho é um ótimo experimentador das nossas ideias, sempre vê os livros e as músicas e dá seus pareceres”, afirma. Uma das grandes preocupações da banda é a de não se colocar como "cover": os músicos não se vestem da mesma maneira que os ídolos, não tocam exatamente igual nem têm as mesmas atitudes e posturas da banda original. “Não somos cover dos Beatles. Tocamos as músicas respeitando a originalidade e a genialidade dos Beatles, mas colocamos um pouco a nossa mão nos arranjos. Aceleramos alguns andamentos, criamos vocais que não existem nas gravações originais e, principalmente, adaptamos as canções ao nosso show. Não somos personagens. Somos nós mesmos vivenciando algo incrível junto com as crianças e as famílias”, resume Freire. Também em agosto será iniciado o Projeto Escola, levando alunos a shows em saídas pedagógicas guiadas, além de espalhar por toda a rede de escolas particulares e públicas o livro de atividades dinâmicas relacionadas aos Beatles, à música e ao universo BPC. Nos shows, são apresentados diversos instrumentos, um pouco da história dos Beatles e relatos que têm conexão com as canções. “É pra toda a família, um círculo virtuoso. Os pais levam os filhos porque gostam, os filhos curtem porque veem os pais amando, os pais se emocionam porque percebem que os filhos amaram. Todos adoram, inclusive nós. Do palco, já nos emocionamos várias vezes”. AG O STO 2 01 7 .

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Volta às aulas

sem coceira Piolhos são comuns na infância e se proliferam facilmente nas escolas. Veja como prevenir e tratar o problema POR Rafaela

Matias

NA PRIMEIRA SEMANA de agosto, é hora de reencontrar os amigos, matar as saudades que surgiram nas férias, rever as professoras e brincar muito no recreio. Mas essa chuva de abraços e beijos que marcam os reencontros pode criar o ambiente perfeito para a proliferação de um antigo vilão da infância: o piolho. Também conhecido como pediculose da cabeça, o problema (que já afeta a humanidade há milhares de

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anos) é causado pela infestação do parasita Pediculus humanus no couro cabeludo. São insetos pequenos, sem asas, que se alimentam de sangue e cuja transmissão ocorre principalmente pelo contato direto ou pelo uso de bonés, chapéus, escovas de cabelo, pentes ou roupas de pessoas contaminadas. Segundo a médica Mariane Cordeiro Alves Franco, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o piolho pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum na infância por causa de algumas características dessa fase da vida. “Os pequenos, principalmente durante os ensinos infantil e fundamental, brincam, suam, se jogam na terra, se abraçam, se beijam, trocam objetos e não têm tanto cuidado com a higiene pessoal”, afirma. Além disso, ela destaca o fato de as crianças passarem muito tempo em grupo nas creches, nas escolas e nos berçários, o que facilita o contágio e acaba gerando epidemias. Apesar da rapidez com que se espalha, o piolho pode ser curado facilmente, com o uso de xampus especiais ou, em casos mais graves, de remédios de uso oral.

FOTO: DEPOSITPHOTOS

4Saúde


DICA DE OURO: Piolhos são atraídos por odores como aqueles adocicados e cítricos dos xampus infantis, normalmente com cheirinho de frutas ou chiclete. O indicado, de acordo com a médica Mariane Cordeiro Alves Franco, é usar xampu neutro durante a semana, quando a criança vai à escola, e deixar os mais cheirosos para os fins de semana.

A médica Cláudia Márcia de Resende Silva, dermatologista, pediatra e presidente do Comitê de Dermatologia da Sociedade Mineira de Pediatria, afirma que o principal erro dos pais na hora de tratar o problema – e também o maior dificultador do processo – é o uso errado dos produtos. Para ela, os remédios tópicos, ou seja, aqueles aplicados diretamente na pele, são tão eficazes quanto os de via oral e causam menos efeitos colaterais, mas precisam ser usados da maneira correta para fazerem efeito. “Muitas pessoas aplicam o medicamento como se fosse um xampu comum, sem antes ler a bula ou o modo de usar”, afirma a especialista, explicando que, dessa forma, o remédio é diluído na água e a sua ação fica prejudicada. “O correto é lavar o cabelo com o xampu comum sem condicionador, tirar bem o excesso de água e, com os cabelos úmidos, passar o xampu especial como se fosse um banho de creme. Depois de deixar o produto agir por cerca de dez minutos, pode enxaguar e não se deve passar

mais nada, para deixar o efeito residual do remédio”, afirma. Após cumprir as etapas, é preciso esperar pelo menos 24 horas para lavar o cabelo novamente. Depois de dez dias, deve-se repetir o processo. Se, mesmo assim, o problema não for resolvido, é indicado procurar um pediatra ou dermatologista. Apesar de inofensivo na maioria das vezes, os piolhos podem acarretar complicações. “Especialmente nas crianças que sofrem com alergias ou dermatites, a coceira pode ser extrema, causando feridas maiores e abrindo espaço para infecções”, explica Mariane Cordeiro. Em casos de surto, a escola deve enviar um comunicado aos pais para que redobrem os cuidados e ajudem a evitar uma epidemia. Para fazer a prevenção, é indicado lavar a cabeça da criança todos os dias durante os períodos de infestação, fazer a busca pelos piolhos começando pela nuca (que é o local preferido desses insetos), passar pente fino após o banho, manter o cabelo preso em rabos de cavalo ou tranças e lavar bem roupas, acessórios, roupas de cama, travesseiros e outros objetos usados pela criança, de preferência colocando-os para secar ao sol. 

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ilustrações: freepik

“Esses produtos costumam ter preços bem acessíveis e são muito eficazes para acabar rapidamente com os piolhos e as lêndeas”, afirma Mariane Cordeiro, que destaca os xampus à base de permetrina, um composto sintético utilizado em inseticidas e repelentes. Remédios caseiros, como água morna com vinagre, também são eficientes, já que a acidez cria um ambiente inóspito para o parasita e ajuda a desprender as lêndeas.


PIOLHO:

MITOS E VERDADEs » O piolho pode PULAR de uma pessoa para a outra Apesar de ser um inseto, o piolho não possui asas para voar nem pernas adaptadas para o salto » LÊNDEA é o piolho morto A lêndea é o ovo do piolho. Quando o piolho nasce, deixa uma casca vazia, que muitas pessoas pensam ser uma lêndea "morta”

» PENTE FINO é a forma correta e segura para se eliminar os piolhos O uso de xampus específicos e medicamentos é comum, mas a melhor forma para dar fim aos piolhos é o uso diário de pente fino » O VERÃO favorece a infestação de piolhos A temperatura elevada pode acelerar a eclosão dos ovos e o ciclo de vida do inseto

» Para matar o piolho é necessário ESMAGÁLO Não se deve fazer isso em hipótese alguma. Após a retirada com o pente fino, os insetos devem ser mergulhados em uma solução contendo vinagre e água em igual quantidade

» COMPARTILHAR pentes, bonés, capacetes e travesseiros facilita a transmissão As principais formas de transmissão da doença são o compartilhamento de objetos pessoais e o contato próximo com pessoas infectadas

» É preciso AFASTAR AS CRIANÇAS DA ESCOLA quando apresentam piolhos A pediculose não é uma doença que é transmitida como a gripe, por exemplo. Basta que os pais tenham o cuidado de passar pente fino todos os dias

» As MENINAS têm maior incidência de piolhos que os meninos Isso acontece devido ao compartilhamento de pentes e o convívio mais próximo das meninas durante a infância

» Os piolhos são mais comuns em PAÍSES POBRES A pediculose está presente há milhares de anos em todas as partes do mundo

» QUALQUER PESSOA pode pegar piolho Ninguém está imune: crianças, adultos ou idosos podem ser infestados 

Fonte: Instituto Oswaldo Cruz / Fiocruz e Cláudia Márcia de Resende Silva, dermatologista, pediatra e presidente do Comitê de Dermatologia da Sociedade Mineira de Pediatria

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[1]

4cultura

Você já caçou um

A turminha que incentiva o folclore brasileiro, celebrado em 22 de agosto, ensina como podemos resgatar esse personagem em uma aventura tradicional em todo o país POR Juliana

Sodré

O SACI-PERERÊ É um dos personagens mais carismáticos do folclore brasileiro. As lendas que envolvem o pequeno menino de uma perna só mexem com o imaginário de muitas crianças pelo país. E, para fomentar o folclore, incentivar a leitura e disseminar as lendas do personagem, existe a brincadeira da caça ao saci, que é praticada no Brasil inteiro. Em Juiz de Fora (MG), por exemplo, a caça ao saci já é tradição e acontece desde 2012 no parque do Museu Mariano Procópio. Desenvolvido pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), o projeto foi vencedor

em 2014 do prêmio Ricardo Oiticica de Melhores Práticas de Leitura, tendo sido reconhecido como iniciativa eficaz na difusão de práticas leitoras no Brasil. A realizadora do projeto, Margareth Marinho, que é pedagoga e socióloga, comemora o sucesso da brincadeira, que “traz materialidade às histórias tradicionais”. A caça leva cerca de 40 crianças para procurar o saci pelo parque. E neste ano, acontecerá também no Rio de Janeiro, no Campus da PUC-Rio, no dia 30 de agosto. Adelino Benedito, ator que faz o saci escondido pelo parque, conta que o mais interessante da caça é o encantamento, o brilho nos olhos das crianças. “É como se a gente confirmasse aquele imaginário, elas falam que viram o saci, mas não viram. Como o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa”, diz. Na cidade paulista de São Luiz do Paraitinga (a 182 km de São Paulo), a Festa do Saci já é parte do calendário. Mas lá ela não é celebrada no dia do folclore nacional, e sim no dia 31 de outubro, como forma de combater a “invasão” norte-americana da festa das bruxas do Halloween. Neste ano, o evento será entre os dias 27 e

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FOTO: ALINE VIANA

saci?


29 de outubro, em três dias de muito gorro e cachimbo. Tem “saciata”, passeios “saciclísticos”, muita festa e fantasia. Toda a farra conta com o apoio da Sosaci, a Sociedade dos Observadores de Saci, que tem como um de seus associados o pesquisador de folclore e cultura popular Andriolli Costa. “Criei o site Colecionador de Saci para reunir o máximo de arquivos sobre as narrativas populares do país. E o saci me acompanha desde a infância”, conta o colecionador. Também fica em São Paulo, na cidade de Botucatu (a 199 km da capital), outra associação que fomenta o personagem, a Associação Nacional dos Criadores de Saci. Por lá, é difícil encontrar alguém que nunca tenha visto, brincado ou capturado um saci.

Como caçar o saci Você, leitor, ficou com vontade de caçar um saci com as crianças da família? Você vai precisar de uma peneira com uma cruzeta de madeira nas costas, uma garrafa de vidro e uma rolha. A peneira deve contar com um reforço de madeira em formato de cruzeta e servirá para capturar o saci. A garrafa de vidro é o local ideal para prender o danado. E não se esqueça de pôr a rolha para o saci não fugir! É preciso esperar pelo momento certo. O saci tem superpoderes e aparece e desaparece facilmente. Gosta de ficar em parques e florestas

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protegendo a natureza e adora pregar uma peça em fazendas e quintais. Em dias de vento forte, procure-o em redemoinhos de poeira e jogue a peneira. A lenda diz que em todo redemoinho mora um saci. Não se esqueça de remover o capuz do danadinho. Assim que a peneira segurar o saci, com muito cuidado, levante-a e remova sua carapuça, pois é nela que ele armazena seus poderes. Depois, prenda o saci na garrafa com a rolha. E não se esqueça de fazer uma cruz na rolha para ele não escapar. A captura está feita. Na caça ao saci realizada em Juiz de Fora, são formados grupos de crianças que, acompanhadas por monitores, recebem um mapa com diferentes direções a serem seguidas. Pelo caminho, os pequenos caçadores encontram pistas da passagem do saci, como raspas de fumo de rolo, carapuças, cachimbos e pegadas de um só pé, além de armadilhas instaladas ao longo do parque. “Com dó do saci, a criançada anda fazendo a soltura dele também”, compartilha o pesquisador Andriolli Costa. “Vira uma segunda festa, e a cultura vai sendo disseminada”, completa.

Quem é o saci? Com uma perna só, de meia estatura, um gorro vermelho e um cachimbo na boca. Brincalhão, ele prega travessuras e faz sumir as coisas. O Dossiê Saci,


livro organizado pela socióloga e pedagoga Margareth Marinho, explica que são muitas as versões para a origem do saci. No Norte do Brasil, ele é descrito como um menino negro africano que perdeu a perna lutando capoeira. A carapuça, um gorro vermelho, teria vindo da Europa – um gorro que o escravo ganhava quando recebia a liberdade. Essa carapuça deu a ele poderes mágicos, e quem conseguisse pegar seu gorro conseguiria transferir para si os poderes mágicos do saci. Por causa disso, o saci promete tudo para reaver o gorro, inclusive que dará montanha de ouro e até que trará de volta o amor perdido. Trata-se de uma mistura de culturas que deu origem ao garoto, destinado a proteger as florestas.

FOLCLORE...

é o conjunto de tradições e manifestações populares constituído por lendas, mitos, provérbios, danças e costumes que são passados de geração em geração. A palavra tem origem no inglês "folklore" (povo + sabedoria ou conhecimento). Alguns exemplos de manifestações culturais do folclore brasileiro, que é comemorado no dia 22 de agosto: » FESTAS POPULARES:

Carnaval, Festas Juninas, Cavalhadas, Festa do Divino » LENDAS E MITOS:

Saci-Pererê, Negrinho do pastoreio, Mula sem cabeça, Lobisomem, Curupira, Bicho-papão, Boitatá » MÚSICA E DANÇA:

Frevo, Samba, Fandango, Xaxado, Xote, Maracatu, Pau-de-fita, Quadrilha Atirei o Pau no Gato, Escravos de Jó, Ciranda-cirandinha, O Cravo e a Rosa, Sapo Cururu.  Fonte: Brasil Escola

FOTO: ALINE VIANA

» CANTIGAS DE RODA:


4Manual

Agosto, o mês dos ventos Ainda está em tempo de ensinar seus filhos a soltarem pipa; aprenda como fazer a sua e prepare-se para essa brincadeira milenar POR Juliana

Sodré

Passo a passo:

1.

COLA

» Corte um quadrado de 30 cm x 30 cm de papel de seda ou plástico. » Pegue uma das varetas e cole com fita adesiva ou cola na diagonal. » Com a outra vareta e um pedaço de linha, faça um arco e cole-o cruzando por cima da vareta já colada, de forma que elas façam um "X".

2. LA

» Para fazer as barbatanas, dobre outra folha de papel de seda ou plástico e recorte duas tiras. Com elas ainda dobradas, faça pequenos cortes laterais, abra-as e cole na base da pipa.

3. LA CO

Materiais necessários:

CO

A ÉPOCA DOS ventos intensos, do céu limpo e de poucas chuvas está aí, e o momento é propício para soltar pipa. Não sabe o que é? Então talvez você esteja em algum lugar do país em que essa diversão é chamada de papagaio, raia ou pandorga. É tudo a mesma coisa e é bem divertido. A brincadeira é uma ótima opção para colocar as crianças ao ar livre e em contato com a natureza. Isso porque os espaços ideais para empinar as pipas são aqueles longe da rede elétrica e bem abertos, como campos, parques, fazendas e praias. Preparamos um passo a passo para você fazer uma pipa em formato de raia e sair por aí empinando com as crianças. Compre os materiais e divirta-se.

» Para as rabiolas, corte tiras de papel de seda ou plástico de tamanhos diferentes, unindo-as pelas pontas e fixando-as na parte inferior da pipa.

4. » Para fazer o cabresto ou o estirante, pegue um lápis e faça dois furinhos, um de cada lado, próximo ao “X” do encontro das duas varetas. Faça um nó com a linha nos dois furinhos e amarre a outra ponta no final da vareta, próximo à rabiola. Depois, dê um nó nessa linha de maneira que se forme um triângulo. » A partir daí, amarre cerca de 15 m a 20 m de linha para soltá-la.

» Papel de seda colorido e/ou plástico (30 cm x 30 cm) » Duas varetas (madeira ou fibra) » Cola branca ou fita adesiva » Tesoura » Linha para pipa nº 10

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Veja em www.canguruonline.com.br: vídeo com o passo a passo para fazer sua pipa!

ILUSTRAÇÕES: ALINE USAGI

COLA


4na pracinha

Parque Cássia Eller: reduto na Pampulha

ocalizado no bairro Castelo, até pouco tempo atrás o parque Cássia Eller era desconhecido pelos moradores da cidade. Atualmente, está entre os mais frequentados pelas famílias belo-horizontinas. O nome é em homenagem à cantora, que morou na cidade durante a infância. O parque tem um amplo espaço para brincar e explorar, inclusive com diversas espécies de pássaros – vale ficar de olho! Com 28 mil metros quadrados, há brinquedos de madeira, ciclovia e quadra esportiva. Há muita sombra, o que permite ganhar horas de descanso e desfrutar de um bom piquenique.

FIQUE POR DENTRO DAS REGRAS DO PARQUE:

» É permitido brincar de bola, andar de bicicleta de aro 12,14 e 16 e soltar pipas de papel nas áreas autorizadas. » Os cães devem utilizar sempre guia de condução e coleira. Importante: os cães da raça pit-bull devem utilizar focinheira, conforme a Lei Municipal 8.198/2001 (vale considerar que o parque é frequentado por crianças, então cães de grande porte em geral deveriam usar a focinheira); a remoção e a destinação das fezes dos animais são de responsabilidade de seus donos; os animais não devem entrar nos jardins ou nos lagos. 

QUER CONHECER? Av Presidente Tancredo Neves, 2900 - Castelo Funciona de terça a domingo das 8h às 18h

O Na pracinha é um movimento que incentiva o tempo livre para o brincar na infância e o resgate da relação criança/cidade com a ocupação dos espaços públicos pelas famílias. O brincar e o contato com a natureza são fundamentais para a saúde física e mental da criança. Criado pelas mães Flávia Pellegrini e Miriam Barreto, o projeto promove eventos brincantes gratuitos e compartilha dicas de passeios pela capital mineira. www.napracinha.com.br AG O STO 2 01 7 .

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FOTO: PATRÍCIA DE SÁ

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FOTO: MOACYR LOPES JUNIOR / MALAGUETA

4padecendo no paraíso

Pai presente

FOTO: [1] PIXABAY

Bebel Soares e o filho Felipe

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m filho transforma nossa vida. No Brasil, culturalmente, o papel de cuidar deles é nosso, das mães. Mas isso está mudando! Colocar filho no mundo é fácil, mas cuidar é um investimento de tempo, paciência, dinheiro, amor. Os pais de hoje estão tornando-se mais participativos, têm tentado dividir as tarefas. A psicóloga Daniela Bittar contou-me que, numa roda de pais, eles disseram que sua maior frustração é que eles querem

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fazer, querem aprender, mas nós não damos espaço. Nós temos mania de achar que só o nosso jeito é certo. Já brincamos muito de casinha e temos mais noção que eles. Eles só querem ser orientados. Eles querem poder dividir as tarefas. Essa geração está passando por uma transição. O pai de antigamente chegava do trabalho e ia ver o jornal. Pagava as contas e não precisava ir além.

Amores, quem quer marido modelo Rodrigo Hilbert tem que dar espaço para ele fazer as coisas, e do jeito dele. Vai dar tudo certo! Mesmo que pareça que ele está fazendo tudo errado, não fique vigiando, não reprima! 

Bebel Soares é fundadora da plataforma de apoio a mães Padecendo no Paraíso. Na Canguru ela fala sobre educação, saúde, alimentação, sexo, inclusão e viagens. www.padecendo.com.br


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4para ler com seu filho

A cor que nos habita

leo cunha e os filhos, Sofia e André

A CIÊNCIA JÁ comprovou que o DNA de todos os humanos é 99,9% idêntico, independentemente da cor da pele de cada um. Ainda assim, muita gente por aí trata os outros de forma diferente, dependendo da cor de sua pele. É um assunto oportuno, atual e, claro, não podia ficar fora da nossa literatura infantil, como mostram dois lançamentos de 2017.

A história do livro A Cor de Coraline começa quando um garoto pede: "Me empresta o lápis cor de pele?". A partir daí, embarcamos no pensamento da menina Coraline, que se põe a tentar descobrir o que é, então, a tal "cor da pele". Afinal de contas, basta qualquer um de nós olhar ao redor que veremos dezenas de variações na tonalidade da pele de nossos amigos, vizinhos e mesmo dentro da mesma família. Isso para não falar dos marcianos, lembra Coraline. E dos peixinhos dourados! O autor Alexandre Rampazo trata um tema espinhoso com inteligência, leveza e bom humor. SOBRE O AUTOR: Alexandre Rampazo, paulista, é escritor, ilustrador e designer, com cerca de 50 livros publicados.

Embora com tema similar ao livro de Rampazo, Gente de Cor, Cor de Gente não evoca leveza nem humor: é mais poético e provocador. Sem recorrer às palavras, o autor Maurício Negro escancara situações e dilemas do cotidiano e nos faz pensar: por que uma pessoa sofre mais do que a outra se sangramos do mesmo jeito, se somos construídos pelos mesmos sonhos, desejos e paixões? Como já tinha feito em obras anteriores, como Balaio de Gato, Maurício questiona a relação paradoxal de amor e ódio que o ser humano tem com seu semelhante (e põe semelhante nisso!). SOBRE O AUTOR: Maurício Negro, paulista, é artista gráfico, ilustrador e escritor, com trabalhos expostos no Brasil e no exterior.

Leo Cunha O escritor Leo Cunha publicou mais de 50 livros para crianças e jovens, como Um Dia, um Rio (Ed. Pulo do Gato) e Cachinhos de Prata (Ed. Paulinas). Recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Jabuti, Nestlé e João-de-Barro. leocunha@canguruonline.com.br

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IMAGENS: REPRODUÇÃO

GENTE DE COR, COR DE GENTE, de Maurício Negro. Editora FTD, 2017.

A COR DE CORALINE. Texto e ilustrações de Alexandre Rampazo. Editora Rocco, 2017.


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4viagens, modo de usar

Sedução amazônica

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seu da Amazônia oferece o primeiro contato com a enormidade da floresta. A vista desde a sua torre mostra a diversidade das plantas e explica por que a Amazônia foi chamada de "inferno verde" ou "pulmão do mundo". O encontro das águas escuras do Negro com as barrentas do Amazonas dá uma ideia do tamanho desses rios que não se misturam. Navega-se no limite entre as águas por quilômetros. O arquipélago das Anavilhanas, o segundo maior arquipélago fluvial do planeta, tem caminhadas dentro da floresta, muitos bichos, árvores gigantescas e cardumes de piranhas. Índios guiam as visitas e explicam as propriedades medicinais das ervas. Há um programa na região que poucos conhecem. Ele atende a pais e filhos. É a pesca do tucunaré nos lagos Juma, Maçarico e Tracajá, perto de Manaus. Ali se mergulha na mata intocada. Sua beleza fascina. E o tucunaré vale o esforço para tirá-lo do lago. É um peixe de escamas, muito bonito, brigão, com até 15 kg. Nem bem sai da água, deve ser devolvido para que não morra. Assim não de-

saparecerá. O tucunaré apaixona. Dizem que Bill Gates vem todos os anos pescá-lo. No meio da floresta, à beira dos lagos, existem hotéis ecológicos com pensão completa. Os quartos se ligam por meio de pontes entre as árvores. Macacos, araras, papagaios e bichos-preguiça circulam entre os hóspedes em pacífico convívio. De manhã e ao anoitecer, ouve-se a algazarra dos animais. A gente se sente como no primeiro dia do mundo. A Amazônia é a maior reserva florestal da Terra. Ocupa mais da metade do Brasil. Vem sendo devastada. Ao conhecê-la, entendemos por que preservar as árvores centenárias com dezenas de metros de altura faz toda a diferença para o presente e o futuro. Manaus é a porta de entrada para esse mundo sedutor. Um mundo que ainda tem muito a revelar. 

Luís Giffoni é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos. giffoni@canguruonline.com.br

FOTO: PORTAL DA COPA / EMBRATUR

OS EUROPEUS DIZIAM que jamais uma grande metrópole ou civilização surgiria nos trópicos. MANAUS desmentiu a crença. Durante o auge do Ciclo da Borracha (1890-1910), a cidade viveu um fausto semelhante ao de capitais do Velho Continente. Muito dinheiro rolou por lá. Os mais ricos chegaram a mandar suas roupas para lavar em Paris, a fim de que ficassem mais brancas e cheirosas. Tanta grana deixou um precioso legado arquitetônico que hoje leva a Manaus milhares de turistas de todas as idades. Para a garotada, há muito de nossa história, além da exuberância da natureza. O ponto turístico mais conhecido de Manaus é o Teatro Amazonas. Inaugurado em 1896, em predominante estilo renascentista, recebeu os mais famosos artistas da época. Dá gosto visitar seu interior. Rebuscado, luxuoso, com acabamento, objetos e obras de arte vindos de diversos países. Os vários andares da plateia se associavam aos níveis sociais e ao preço dos ingressos. Dizem que seu interior é habitado por dezenas de fantasmas, sobretudo de cantores que ali se apresentaram. Uma ópera inteira já teria sido executada pelo elenco ectoplásmico. Uma atração a mais para as crianças. Quem sabe algumas terão o privilégio de ver no palco um tenor do ano 1900 em plena performance? Existem em Manaus outros prédios históricos dignos de visita, porém a natureza é a grande estrela da viagem. Para jovens e adultos. O Mu-

Luís Giffoni


FOTO: ARQUIVO PESSOAL

4artigo | Patrícia Lopes Alvares

Ler, escrever, um prazer! L

ivros, jornais, papéis, anúncios e latas de produtos “dizem coisas”. Tentativas da criança de explorar o universo escrito estão ligadas à necessidade de ter acesso ao significado. E, para ter significado, a criança busca e realiza diversas experiências de decodificação, como nos afirma Weiss (1980). Pais e professores devem trabalhar em conjunto para que a criança tenha acesso ao código em contextos significativos. Há muitas coisas que podemos fazer para que este período de alfabetização seja um momento de prazer e muito conhecimento entre as crianças e o mundo letrado. Assim sendo, devemos: » Tornar o contato com a leitura e a escrita prazeroso. Ler para a criança, contar histórias (pais com hábito de leitura incentivam a formação de filhos leitores)! » Disponibilizar materiais (revistas em quadrinhos, livros, revistas infantis com muitas gravuras e poucos textos). » Estimular a leitura de palavras que a princípio são ligadas a imagens. Esse tipo de leitura favorece o contato com a escrita. Anúncios, placas e rótulos de marcas conhecidas podem iniciar a decodificação dos fonemas de forma lúdica e prazerosa.

A criança necessita gostar de aprender, gostar de ler, gostar de escrever, e o primeiro passo é incentivar. » Nomear objetos de casa ou do quarto da criança. Usar letra de imprensa maiúscula. Essa prática tornará o ambiente alfabetizador e com diversos fonemas usuais do cotidiano da criança. » Solicitar que a criança leia o que escreveu, questionar, pensar no som do fonema para superar e ampliar o conhecimento. » Utilizar jogos pedagógicos, como jogo da memória, dominó, bingo, quebra-cabeça. Mediar o processo de construção da base alfabética de forma agradável e divertida. Enfim, a criança necessita gostar de aprender, gostar de ler, gostar de escrever. Então, o primeiro passo é incentivar, motivar e fornecer meios para enriquecer a aprendizagem. Com essas pequenas atitudes significativas, certamente estaremos contribuindo para a formação de um futuro leitor. = Patrícia Lopes Alvares é pedagoga, especialista em educação infantil e educação inclusiva e professora regente do 1º ano do ensino fundamental do Colégio Colibri.

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Criança vivencia o luto F

alar sobre perdas é, de modo geral, muito difícil, ainda mais quando se referem a pessoas próximas e de que gostamos. Mas, e as crianças? Elas sentem as perdas da mesma forma que um adulto? Como é vivenciado o luto por elas? Aliás, ele é vivenciado pelas crianças? É importante ressaltar que as crianças vivenciam a dor de perder pessoas assim como os adultos, mas a forma de demonstrar difere de acordo com a idade e com a relação com o ente falecido. Quando bebês e durante a pré-escola, as crianças não distinguem ausência temporária e morte. No entanto, entre 3 e 5 anos, passam a demonstrar uma emoção fortemente associada à tristeza devido às suas observações dos comportamentos e dos sentimentos do núcleo familiar. Mesmo assim, elas ainda não reconhecem a morte como algo irreversível. Isso se torna evidente devido às seguintes perguntas: “O fulano vai voltar?”, “Nossa, que viagem longa, pra onde ele foi?”. Nessa fase, há ainda uma mistura entre o real e o imaginário infantil, dificultando a distinção entre uma “viagem longa” e a morte propriamente dita. Cronologicamente, a criança passa a ter uma compreensão melhor da morte como algo irreversível entre 5 e 7 anos. Algumas demoram um pouco mais para entender o processo por não terem tido essas vivências ou por elas terem sido “apaziguadas” com omissões ou invenções sobre o paradeiro da pessoa, dificultando sua noção de finitude. Entre 9 e 12 anos, na passagem da infância para a pré-adolescência, é que a morte passa a ser entendida

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É importante que as crianças tenham o entendimento da morte como ela é: irreversível, dolorosa e que deixa saudades. como irreversível e universal, passível de acontecer com qualquer um (pessoas e animais). O ideal é sempre dizer a verdade, entretanto temos que levar em conta a idade da criança e o quanto ela era ligada ao ente falecido. Mas, caso seja um ente muito próximo, é importante que as crianças tenham o entendimento da morte como ela é: irreversível, dolorosa e que deixa saudades. Desta forma elas terão a possibilidade de desenvolver repertório para lidar com essa e outras situações de perdas, sejam elas temporárias ou definitivas. Além disso, a família tem um papel importante, pois deve acolher a dor e a tristeza sentidas por elas e esclarecer sobre a saudade, auxiliando, assim, as crianças a terem uma melhor discriminação sobre os diferentes sentimentos que as cercam. Após as explicações e os acolhimentos, se for perceptível que a criança ainda não conseguiu elaborar a perda, é de suma importância procurar um apoio para elas, como um acompanhamento psicológico, pois, como bem sabemos, esse é um dos sentimentos mais difíceis de lidar – e, se para nós é difícil, imagine para as crianças. 

Marina Junqueira Nolasco e Wallana Coutinho Soares são psicólogas analistas de comportamento e diretoras da CACO Psicologia – Clínica de Análise de Comportamento Infantojuvenil

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

4artigo | Marina Junqueira Nolasco e Wallana Coutinho Soares


Classificados

PARA ANUNCIAR

(31) 3656-7818

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FOTO: FLÁVIO DE CASTRO

4crônica

De ponta cris guerra e o filho, francisco

UMA CAIXA PEQUENA, com acabamento dourado, incrivelmente espelhada por dentro. Era ali que eu queria morar, saindo apenas para breves rodopios ao som de Pour Elise. Eu queria ser a bailarina, rápida e sorridente, em suaves aparições num reflexo de sonho. Ficar na ponta do pé seria mais que flutuar. Seria o mesmo que voar, para crescer e então deixar de ter medo. Eu pensava: quem sabe, pisando só com a ponta, a vida pese menos? Uma solução de delicadeza, uma vida em touch screen, como tocar o mundo sem dor. Entrar suavemente, deslocar-se pela superfície sem barulho, fazendo das pontas dos pés varinhas de condão. Sapatilhas de ponta seriam minhas asas, já que até as mais macias me pareciam robustas demais para a leveza que eu arquitetava. Pisar a Terra sem maiores estragos – e com a saia sempre aprumada. Sair protagonista e aplaudida. Tudo isso estava à venda ali na La Dance, pertinho de casa. Eu não levaria nem cinco minutos para entrar galinha choca e sair um cisne. Com minha mãe, usei o argumento de finalmente dançar conforme a música. Ela comprou a ideia, e a moça vendeu-me a sapatilha e bateu a meta do mês. Na sacola, meu laboratório de empoderamento. Um exercício para me tornar um clássico nessa vida que é mesmo uma dança. Na mesma tarde, lá estava eu empinada sobre os tacos encerados, tal qual a minibailarina deslizando sobre o espelho. Cinco minutos até que a realidade apontasse para os pés. Ali, a aridez de uma ponta pré-histórica continha, apertado e dolorido, o sonho de ser leve. Laço de fita na embalagem, tortura por dentro.

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Os passos delicados de um lado a outro da sala eram mágica, mas o truque era um estrago. Na base, o peso de todo um corpo mais o dos rótulos, enfiados numa cavidade primitiva e sombria. Nasceriam ali as unhas encravadas.

Eu pensava: quem sabe, pisando só com a ponta, a vida pese menos? Paciente e discreta, minha mãe vigiava. Sabia que qualquer tentativa de me prevenir transformaria o falso pas des deux em um manifesto heavy metal – e eu era menina demais para que me abreviassem. Lúcida, preparava seus gestos adocicados de refrigério (fora assim com as Fofoletes na saída do campeonato de ginástica olímpica, do qual eu quis a medalha, mas nem esbocei ensaiar a série de solo). A cada nova decepção, ela me aguardava, pronta para beijar a dor de me frustrar com o que eu mesma não fiz. Eu achava que tudo era simples. Que algo fora de mim apagaria o sofrimento, como super-heróis davam sumiço em vilões na TV. Na ponta, eu poderia tocar o mundo como quem toca o infinito. Que nada! A sapatilha de ponta seria meu primeiro laboratório de desapontamento. O começo de tudo. Desapontar para, então, aprender a dançar. 

Cris Guerra é publicitária, escritora e palestrante. Fala sobre moda e comportamento em uma coluna na rádio BandNews FM e a respeito de muitos outros assuntos em seu site www.crisguerra.com.br. Na Canguru, escreve sobre a arte da maternidade. crisguerra@canguruonline.com.br


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Canguru | BH | Agosto de 2017 | Número 23  

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