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www.canguruonline.com.br | jun 2017 | nº 21

Criando filhos em BH

E XE MP L AR G RAT U I TO PARA E S C OL AS PARC E I RAS

Acidentes em casa: os perigos em cada cômodo E COMO PREVENI-LOS

Quais são os distúrbios do sono

QUE ATINGEM AS CRIANÇAS

Entrevista com Cláudia Abreu, a mente por trás da NOVA SÉRIE INFANTIL VALENTINS

no coração DE BEAGÁ

Conheça Conheça os os tesouros tesouros para para toda toda a a família família escondidos escondidos dentro dentro do do Parque Parque Municipal, Municipal, patrimônio patrimônio da da cidade cidade criado criado em em 1897 1897


4nesta edição

seções

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Primeiras palavras

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Para ler com seu filho, por Leo Cunha

47 50

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Nossos leitores Missão Instagram Eles dizem cada coisa www.canguruonline.com.br Canguru viu e curtiu Corrente do bem Mundo Kids Moda Comprinhas Na Pracinha, por Flávia Pellegrini e Miriam Barreto

[1]

Centro das diversões: reportagem explorou o Parque Municipal e descobriu tudo o que há para as crianças lá dentro

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Viagens, modo de usar, por Luís Giffoni Padecendo no Paraíso, por Bebel Soares e Tetê Carneiro Artigo, por Gislaine Soares Crônica, por Cris Guerra [2]

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Lançamento | Guia Beagá Pra Brincar, das fundadoras do Na Pracinha, será lançado em julho Segurança | Saiba quais são as principais causas de acidentes domésticos e como preveni-los

Perigos dentro de casa: conheça os principais tipos de acidentes domésticos e os problemas mais comuns em cada cômodo

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Diversão | No centro da cidade, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti esconde tesouros incríveis Entretenimento | Série infantil Valentins, criada e protagonizada pela atriz Cláudia Abreu, estreia neste mês Evento | Veja o que rolou no 3º Seminário Internacional de Mães, que reuniu mais de 1 000 pessoas em São Paulo Saúde | Distúrbios do sono são realidade entre os pequenos, mas nem sempre significam doença

[3]

Roteirista e mãe de quatro: prestes a estrear sua série Valentins, Cláudia Abreu conta um pouco sobre suas inspirações

Nossa capa Lucas, de 1 ano, é filho de Dinara Cavalcanti de Medeiros e Guilherme Augusto Silva. FOTO: GUSTAVO ANDRADE

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Canguru

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FOTOS: [1] GUSTAVO ANDRADE; [2] ISTOCK; [3] JULIANA COUTINHO

Reportagens


Anúncio Menino - 001701 - JUNHO/2015

Kwell elimina piolhos e lêndeas e evita que seu filho compartilhe essa rede nada social com outras crianças.

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FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4primeiras palavras

Encontros que transformam vidas SE, DE REPENTE, um desconhecido te oferecer flores... Assim começava o texto de um famoso comercial de desodorante feminino dos anos 80. Eu nem usava esse tipo de produto ainda, era pouco mais que uma criança, mas adorava a cena romântica. Ficava imaginando o dia em que esse rapaz que eu nunca tinha visto antes ia me parar na rua para entregar rosas. Não, não aconteceu assim... Mas eis que, de repente, uma desconhecida me parou no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, para me oferecer o buquê mais lindo que alguém poderia preparar. Não era um buquê de flores, mas um buquê de emoções intensas e verdadeiras. A psicóloga Cláudia Manfrim me abordou quando eu saía do palco do 3º Seminário Internacional de Mães, no dia 6 de maio, um dos eventos que marcaram a expansão da Canguru. Com olhos marejados, me disse: “Eu só vim aqui para lhe dizer que minha mãe vai dever os netos dela a você. Eu nunca quis ter filhos, e isso era uma tristeza para a minha família, mas ouvir a sua história me fez descobrir que quero ser mãe!”. Quem não ficaria profundamente impactado com um depoimento desses? Eu fiquei. Pode ser que Cláudia e eu nunca mais nos encontremos. Mas nós duas já interferimos na vida uma da outra. Quando me entregou seus sentimentos mais íntimos, a psicóloga fez valer a pena todos os meses de trabalho árduo e todas as adversidades enfrentadas para produzir a Canguru e o seminário de mães. Ela me deu de presente uma deliciosa sensação de missão cumprida. Tenho certeza de que meu diálogo com a psicóloga foi apenas um dos encontros transformadores que aconteceram naquele dia marcado por emoções intensas. Para quem não teve a oportunidade de participar do evento, esta edição traz um resumo das mensagens deixadas pelos cinco palestrantes, numa reportagem produzida a muitas mãos por todo o time de jornalistas da revista. Outro destaque deste mês é a deliciosa entrevista com outra Cláudia, a Abreu – com seu olhar de mãe, a atriz global é a mente por trás da nova série infantil Valentins. E para cada cidade onde atuamos (Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo) preparamos matérias exclusivas, com serviços muito úteis para pais que têm crianças pequenas. Boa leitura!

Ivana Moreira, DIRETORA DE CONTEÚDO ivana@canguruonline.com.br

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Ivana e os filhos Pedro e Gabriel


UMA BOA NOTÍCIA PARA VOCÊ E SEU BEBÊ: O HOSPITAL SÃO CAMILO AGORA FAZ PARTE DA AD REDE PRÓPRIA UNIMED UNIMED.

Se você tem qualquer plano da Unimed-BH, agora pode contar com o mais tradicional hospital pediátrico de Belo Horizonte. Com 31 especialidades, 320 médicos e capacidade para mais de 200 mil atendimentos por ano, o Hospital São Camilo é referência nacional no atendimento a crianças e adolescentes. Unimed-BH. Todo dia, um jeito melhor de cuidar.

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DIRETOR EDITORIAL: Eduardo Ferrari DIRETORA DE PROJETOS ESPECIAIS: Ivana Moreira

www.canguruonline.com.br

A Canguru é uma publicação mensal da Scrittore Comunicação e Editora Ltda. CNPJ 12243254/0001-10 (Rua Alberto Bressane, 223. Belo Horizonte/MG. CEP 30240-470)

CONSELHO EDITORIAL Eduardo Ferrari, Guilherme Sucena, Ivana Moreira, Márcio Patrus e Suellen Moura DIRETORA DE CONTEÚDO Ivana Moreira (ivana@canguruonline.com.br) EDITORA-CHEFE Cristina Moreno de Castro (cristina@canguruonline.com.br) EDITORAS Luciana Ackermann (luciana@canguruonline.com.br) e Sabrina Abreu (sabrina@canguruonline.com.br) REPÓRTERES Rafaela Matias (rafaela@canguruonline.com.br) e Verônica Fraidenraich (veronica@canguruonline.com.br) ESTAGIÁRIAS Catarina Ferreira (catarina@canguruonline.com.br), Daniele Franco (daniele@canguruonline.com.br) e Gabriela Willer (gabrielawiller@canguruonline.com.br) EDITORA DE ARTE Aline Usagi (aline@canguruonline.com.br) PROJETO GRÁFICO Chris Castilho (Mondana:IB) (www.mondana.net) EDITORA DA TV CANGURU Juliana Sodré (juliana@canguruonline.com.br) REVISORA Shirley Souza Sodré COLABORADORES DESTA EDIÇÃO Cris Guerra, Leo Cunha e Luís Giffoni FOTÓGRAFOS Gustavo Andrade, Moacyr Lopes Junior/Malagueta e Ricardo Borges GERENTE DE COMUNICAÇÃO E MARKETING Camila Capone (camila@canguruonline.com.br) ESTAGIÁRIO DE MARKETING Filipe Cerezo (filipe@canguruonline.com.br) GERENTE ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Roberto Ferrari (roberto@canguruonline.com.br) DIRETORA COMERCIAL Suellen Moura (suellen@canguruonline.com.br) EQUIPE COMERCIAL Janna Souza (janna@canguruonline.com.br), Laura Ramos (laura@canguruonline.com.br), Norma Gabá (norma@canguruonline.com.br), Simone Dianni (simone@canguruonline.com.br), Luiz Póvoa (steve@canguruonline.com.br) e Vera Belini (vera@canguruonline.com.br) DIRETOR DE NOVOS NEGÓCIOS Guilherme Sucena (guilhermesucena@canguruonline.com.br) ATENDIMENTO A LEITORES E ESCOLAS PARCEIRAS Gabriela Linhares (gabriela@canguruonline.com.br)

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TIRAGEM TOTAL: 100 000 exemplares (BH: 25 000 exemplares, Rio: 25 000 exemplares, SP: 50 000 exemplares) IMPRESSÃO: O Lutador DISTRIBUIÇÃO: VIP BH* * Distribuição gratuita para as escolas parceiras Canguru, uma rede de instituições particulares de educação infantil que se comprometem a enviar a revista aos pais de seus alunos na mochila dos estudantes. A relação das escolas parceiras em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo pode ser consultada por anunciantes.

Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião da revista e de seus responsáveis.

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Quando crianças perdem pessoas que amam. O que fazer? Livro infantil aborda de forma leve e sensível o assunto que ainda é um desafio para muitos pais e educadores. Lidar com a perda de alguém que amamos é difícil até mesmo para muitos adultos, que vez ou outra ficam perdidos na hora de dar uma notícia como essa para uma criança, sem saber o que oferecer a ela para que vivencie a experiência de forma menos sofrida. Em momentos assim, os pais podem buscar alguns recursos. Um deles é a literatura infantil. A história de Augusto, narrada no livro de Julieta Lima intitulado Uma vida no coração, traz uma realidade inspiradora! O menino, de apenas 9 anos, precisa lidar com a morte da avó e, apesar da tristeza, encontra

uma forma muito bonita de encarar a ausência daquela que deu a ele tanto carinho e teve tantos cuidados. Esta obra será produzida por meio de um financiamento coletivo. Você pode ajudar acessando o infanciar.org.br e garantir antecipadamente o seu exemplar!

Para mais informações, acesse o site: www.educore.org.br

ILUSTRAÇÃO: VIRGÍNIA FROES

apresenta


Canguru Recebo a revista através da escola de minha netinha, onde também estudei. Adoro!!! Como educadora, quero parabenizar toda a equipe. Trabalho admirável e muito pertinente. Obrigada! — Laise Novaes, de Belo Horizonte

Gostei muito do conteúdo da revista, excelente! Parabéns a toda a equipe! Acabei de adicionar vocês no Instagram para ficar por dentro de tudo!! — Juliana Rosa D’Assunção Guaranho, do Rio de Janeiro

#MãeDeFolga2 Foi a primeira vez que participei do Mãe de Folga (evento organizado pela Canguru, que aconteceu no dia 17 de maio, no Minas Tênis Clube II, em Belo Horizonte). O evento foi excelente, pois proporcionou a mim e às outras mães uma noite muito agradável e com muitas diversões. O buffet estava ótimo e a banda estava superanimada, tocou até o fim do evento. As massagens, fotos instantâneas e o sorteio de vários brindes foram um grande diferencial e tornaram a festa ainda mais especial. Com certeza no ano que vem irei de novo. — Bruna Coelho de Oliveira, de Belo Horizonte

Expansão para o Rio e São Paulo

Parabéns pela expansão, pessoal da Canguru! Desde que vim morar aqui no Brasil, vocês fazem parte de meu suporte fundamental, ainda mais quando ganhei neném longe da minha família e amigos. — Paz García, de Santiago (Chile)

Estou gostando de ver como a Canguru está crescendo. Acompanho a revista desde que meu filho nasceu. Sempre tive acesso a escolas, clínicas médicas e outros pontos de referência para as mães. Gosto muito das informações e dos anúncios. Afinal, sempre precisamos desses telefones! Obrigada! Continuem crescendo! Amo a Cris Guerra e suas crônicas! — Karina Penido Rosa, de Belo Horizonte

58,8

31,4%

Seminário de Mães Tive a oportunidade de participar do 3° Seminário Internacional de Mães (que aconteceu no dia 6 de maio, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, organizado pela Canguru) e foi incrível! A Canguru veio abordar esse tema tão delicioso e cheio de preciosidades, que é a maternidade, de forma simples e ao mesmo tempo rica em conteúdo. Parabéns! — Keziah Correia, que mora em SP

O seminário foi show! Adorei! Quero muito voltar no ano que vem! Palestras ótimas e bela organização! Parabéns a toda a equipe! — Daniela Rocha Barbieri, analista de comunicação e educação no Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP)

FALE COM A CANGURU redacao@canguruonline.com.br

ou deixe um comentário em nossas redes sociais.

Em sua opinião, criança pode ter namoradinho ou namoradinha?

2% 7,8%

— Mariana Xavier, de Belo Horizonte

Entre em contato por e-mail:

Resultado da enquete

%

Parabéns a Canguru!!! Acompanho o trabalho desde o início e sei a qualidade e a preocupação de vocês com o conteúdo.

Não! Como diz a campanha #CriançaNãoNamora, crianças não devem falar que estão namorando nem de brincadeira e os pais e professores devem desestimular isso, para evitar a erotização precoce Se as crianças falam que têm um namoradinho, tudo bem, mas os pais e professores não devem estimular isso. Sim! Se for uma brincadeira, não vejo nenhum mal nisso, é uma coisa natural de crianças, que gostam de imitar os adultos, como o Chico Bento namora a Rosinha.

Leia a coluna Padecendo no Paraíso sobre o assunto, na pág. 46

Não tenho opinião formada sobre esse assunto.

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Canguru

Fique de olho em nossas novas enquetes! . J U N H O 2 01 7

Elas são sempre divulgadas em nossa página de Facebook: www.facebook.com/canguruonline


As crianças estão, sim, preparadas para o inverno, que começa em 21 de junho. Todas bem agasalhadinhas! Veja as fotos que chegaram pelo Instagram:

Lara, com quase 2 aninhos, incrementou o look com um colete próprio para o inverno. O clique é de @carlaefred.

Luísa, de 3 anos, sabe mesmo posar para uma

@luisalasan.

Beatriz, de 7 anos, teve de se proteger muito do frio nesta foto tirada por @renata_peret em Viena, Áustria.

Próxima missão: Festas Juninas Fotografe seu filhote vestido a caráter para as festas juninas ou se divertindo nas quadrilhas! Depois, basta postar a foto no Instagram, com a hashtag #canguruonline, e o pequeno ou pequena caipira pode sair na próxima revista Canguru e em nossas redes sociais.

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FOTOS: REPRODUÇÃO INSTAGRAM

foto com seu casaquinho de inverno e os óculos de verão! O clique foi divulgado na conta


POR Rafaela

Matias

Quan eu fo r gen do te g vou s er mé rande dic supe r-her o e ói!

ARTUR FELIPE, 3 anos, filho de Andreia de Jesus Santos e José Geraldo dos Santos

Então, com 8 anos, podemos dizer que eu sou quase pré-adolescente?!

Mam ãe vão d , será qu e do o ar o dinh eles fertó e iro Papa rio para i do C o éu?

O coe lhinho da Pá deve s scoa er gig ante p conse ara te guido r ovos d coloca e cho r os colate da ge em cim ladeir a a, não é?

CLARA, 2 anos, filha de Mariana Guimarães Costa Arruda Ventura e Thompsom Ventura

VITOR, 3 anos, filho de Camila Reis Silva de Abreu e Bruno Martins de Abreu, enquanto levava o dinheiro para a caixinha da igreja

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

ENZO, 8 anos, filho de Alessandra Rosa Petrassi e Wagner Petrassi

Se vai ter cachorroquente, temos que achar um jeito de esfriar ele!

LUCAS, 6 anos, filho de Flávia Rosana Munhoz Pereira Santos e Cleberson Pereira Santos

Se seu filho também diz pérolas, envie a frase para o e-mail redacao@canguruonline.com.br.

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Canguru

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Todos os meses, a Canguru promove seminários gratuitos sobre temas relacionados à educação dos filhos. Fique atento à programação dos próximos eventos.

www.canguruonline.com.br Evento

[1]

Como a alienação parental prejudica o desenvolvimento das crianças

A ALIENAÇÃO PARENTAL é a interferência na formação psicológica de uma criança induzida por um dos pais de modo a prejudicar o vínculo com o outro. Infelizmente, acontece com muita frequência. Sobretudo no caso de separação não amigável entre os pais. Especialista em direito de família, a advogada Juliana Lobato tem sido testemunha de casos graves de alienação parental e se lançou numa espécie de cruzada pessoal de alerta aos pais. “Eles não pensam no prejuízo que estão causando aos próprios filhos”, diz ela. Juliana falará sobre o tema no Encontro Canguru de junho. A palestra será realizada no dia 1º de julho (sábado), às 10h30, no Anfiteatro do Pátio Savassi. O evento é gratuito, com vagas limitadas. Garanta sua inscrição no site www.canguruonline.com.br.

Promoção

Tecnologia

Boliche em família

App da Canguru chega com novidades

Que tal juntar a família para uma sessão de boliche com lanchinhos deliciosos? Os baixinhos se divertem tentando fazer um strike e os adultos também. Em junho, a Canguru vai sortear um combo com seis convites especiais para o Boliche Del Rey. Acesse www.canguruonline.com.br e saiba como participar desta promoção. [2]

Ao longo de junho estará disponível para baixar o aplicativo da Canguru na versão Android e iOS. Além de ter acesso a conteúdo exclusivo e aos filtros de matérias, você poderá participar de promoções, como sorteio de convites para filmes, peças de teatro e parques. E ainda fazer uma busca avançada, com sistema de geolocalização, para encontrar os melhores programas da sua cidade para fazer com as crianças.

NA CBN Às terças e quintas,

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às 10h50, acompanhe ao vivo o boletim Canguru: criando filhos em BH. Todos os áudios estão disponíveis no portal canguruonline.com.br.

FOTOS: [1] JULIANA SODRÉ; [2] DIVULGAÇÃO

Especialista em direito de família, a advogada Juliana Lobato é a convidada do Encontro Canguru deste mês


EDIÇÃO Camila

Capone

O QUE ESTÁ ROLANDO DE ÚTIL, DIVERTIDO OU CURIOSO NA WEB E NAS REDES SOCIAIS

O que será que vem por aí? Pequena vegetariana Nem peixe, nem frango, nem carne. Isso mesmo! Veja a tristeza dessa fofura contando a sua mamãe o porquê de não querer mais comer animais. Use o QR Code Canguru ou acesse bit.ly/

nadadeanimais

[2]

Menino ou menina? A resposta para essa pergunta é superesperada por papais e mamães quando se trata de gravidez. Achamos a tabela chinesa ao lado, que pode amenizar a curiosidade. Acesse o QR Code Canguru, preencha a idade da mamãe e o mês em que ela engravidou. Se funciona mesmo, não sabemos. Mas é uma brincadeira divertida para tentar adivinhar!

[1]

Acesse também pelo link bit.ly/

oqueseraquevemporai

Quanto cabelo!

Lembra daquele menininho que fez o maior sucesso na internet por ter nascido com uma vasta cabeleira? Parece que ele ganhou um amiguinho. Veja que longas e vastas madeixas tem o pequeno com o QR Code Canguru ou acessando o link bit.ly/ quantocabelo.

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IMAGENS: [1] REPRODUÇÃO / FACEBOOK; [2] REPRODUÇÃO/TUASAUDE.COM; [3] REPRODUÇÃO / METRO.CO.UK

[3]


POR Rafaela

Matias

Para proteger os pequenos do frio LANÇADA EM 2015, a campanha #CalorHumano, do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), recolhe [1] agasalhos durante o inverno e direciona as roupas doadas para abrigos de crianças e idosos, além de distri­buí-las entre a população de rua. O objetivo é arrecadar agasalhos, calças, cobertores, calçados, meias e outros acessórios de inverno. Em 2016, foram doadas 24 427 peças. “Um dos itens mais disputados foram os sapatos”, afirma a diretora de assistência social do Servas, Cristina Aires. Neste ano, a expectativa é que o número de doações seja maior que no ano anterior, principalmente porque a previsão é de um inverno mais rigoroso. Na atual edição, a campanha contará com 26 parceiros e haverá 38 postos de coleta espalhados pela cidade. A lista completa dos pontos de coleta pode ser encontrada no site do Servas, www.servas.org.br, e em nosso site, www.canguruonline.com.br.

A L O C S E A SU JÁ FOI AO BOLICHE?

Que tal levar seus alunos para se divertir nas pistas do Boliche Del Rey? Temos um programa especial para receber excursões programadas de escolas, que tem como objetivo introduzir as crianças no esporte. Além disso elas aprendem valores importantes como respeito aos colegas, desenvolvem o raciocínio matemático e melhoram o desempenho escolar.

IMAGEM: PIXABAY

Seja um voluntário! O SERVIÇO ASSISTENCIAL SALÃO DO ENCONTRO, organização de direito privado e sem fins lucrativos que promove a cidadania por meio da arte, precisa urgentemente de voluntários para auxiliar nas atividades de estudos complementares oferecidas a 1 250 crianças e adolescentes, entre 0 e 18 anos, atendidos pelo projeto. Os interessados em atuar nas áreas de cultura e esportes, artes circenses, teatro, música, futebol e vôlei podem ajudar em uma das unidades de Betim (Rua João da Silva Santos, 34, Santa Lúcia). Quer participar ou indicar alguém? Entre em contato pelo telefone 3532-4911 ou pelo e-mail lourdesleite@salaodoencontro.org.br.

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POR Rafaela

Matias e Gabriela Willer

[1]

CADA VEZ MAIS presente no bercinho dos recém-nascidos brasileiros, o polvo de crochê surgiu nas maternidades na Dinamarca com o objetivo de ajudar bebês prematuros a se desenvolverem. Isso porque os seus tentáculos reproduziriam o cordão umbilical e o ambiente do útero da mãe, deixando, segundo os profissionais dinamarqueses, o bebê mais seguro e confortável. Com a disseminação da prática no Brasil, contudo, o Ministério da Saúde posicionou-se de forma contrária e decidiu alertar

Queijo de leite materno: você faria? Uma mãe americana teve uma ideia inusitada. Ela decidiu utilizar o seu próprio leite para criar uma receita de queijo e compartilhou o resultado na internet. Lacey, autora do blog Avocados and Ales, baseou-se em uma receita de queijo vegano e substituiu o leite de soja pelo materno. A atitude gerou polêmica entre os internautas, mas muitos deles disseram que repetiriam o preparo. Vale lembrar que o leite materno é altamente perecível e não há estudos que garantam que é seguro utilizá-lo dessa forma. Além disso, crianças com menos de 6 meses não devem ingerir nada que contenha outros ingredientes além do leite materno. Já para os papais e mamães que querem se aventurar e experimentar, podem ver a receita em www.canguruonline.com.br.

os pais sobre os seus perigos. Em uma nota de esclarecimento, o órgão questionou o uso do polvo para fins terapêuticos e ressaltou que o contato físico com os pais é a forma mais eficiente para tratar prematuros. Além disso, o documento informou que o polvo pode trazer benefícios ao criar um ambiente lúdico para o bebê, mas não é capaz de reproduzir as sensações intrauterinas e deve passar por um rígido controle hospitalar para evitar infecções nas unidades neonatais.

[2]

[3]

Quando o refluxo se torna doença É comum que bebês sofram com refluxo, já que no primeiro ano de vida o sistema digestivo ainda está em desenvolvimento e não consegue executar todas as funções com perfeição. Em alguns casos, porém, o problema deixa de ser algo fisiológico e se torna doença, podendo atrapalhar o crescimento e o desenvolvimento do pequeno. De acordo com o Departamento Científico de Gastroenterologia da Sociedade Brasileira de Pediatria

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(SBP), perda ou não ganho de peso, choro, irritabilidade, recusa em se alimentar, anemia e vômitos com sangue podem ser sintomas de refluxo-doença, ou doença do refluxo gastroesofágico, como também é chamada. É necessário o tratamento do quadro com medicamentos antiácidos e, às vezes, exames diagnósticos. Por isso, se notar esses sintomas descritos acima em seu filho, procure um pediatra.

FOTOS: [2],[3]: REPRODUÇÃO / BLOG AVOCADOS AND ALES

são suficientes para sustentar até DEZ RECÉM-NASCIDOS.

FOTOS: [1] MATHEUS OLIVEIRA/GDF/DIVULGAÇÃO

Polvo polêmico

300ml de leite humano doados


eu já fui

criança

FOTOS: REPRODUÇÃO / INSTAGRAM.

Claudia Leitte HITS DE VÁRIOS carnavais, Claudia Leitte coleciona prêmios e indicações. A fluminense mais baiana que esse Brasil já viu embalou sucessos como Extravasa, Bola de Sabão, Beijar na Boca e Taquitá. Ex-vocalista da banda Babado Novo, desde 2008 ela segue carreirasolo. Para quem ainda não sabe, Claudinha nasceu em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em 10 de julho de 1980, mas mudou com seus pais para Salvador logo nos primeiros dias de vida. Ela se considera baiana. Desde muito cedo já dava indícios de que chegou ao mundo para cantar e brilhar. Aos 3 anos, subiu ao palco de uma churrascaria, fugindo dos olhos dos pais, e cantarolou no microfone: “Emília, Emília, Emília...”, música sobre a boneca de pano, eternizada na voz de Baby do Brasil, nos tempos da novelinha infantil Sítio do Picapau Amarelo. Espoleta e líder da turminha na hora de brincar, era Claudia quem escolhia os joguinhos, mas sua diversão preferida era sonhar em ser artista. A janela de seu quarto se transformava em um palco improvisado para apresentações da menina. Exibida, ela queria que todos a vissem. Mesmo com as dificuldades passadas na infância, como em quase todos os lares de classe média, o sonho da menina se tornou realidade e hoje a cantora tem uma carreira de enorme sucesso que a permite ajudar financeiramente sua família.


4moda

Pequenos urbanos Tênis no lugar de sapatos sociais, calças largas em vez de saias rodadas, moletons que substituem paletós. Surgido na década de 80, o street style veio para quebrar padrões e tem na autenticidade e no conforto os seus principais pilares. O Théo Papini, de 3 anos, com peças da loja Monnalisa e em meio aos grafites do Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte, mostrou que a criançada também pode ficar linda, charmosa e (muito) urbana! POR Rafaela

Matias

[1]

MOLETOM, R$ 409,00 Monnalisa www.monnalisa.eu

CALÇA ALARANJADA, R$ 179,00 Fábula www.afabula.com.br

BODY, R$ 89,00 Calvin Klein Jeans www.calvinklein.com.br

BONÉ, R$ 119,00 Reserva Mini www.usereserva.com BLUSA, R$ 25,99 C&A www.cea.com.br

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Preços pesquisados em maio de 2017. A Canguru não se responsabiliza pela alteração de preços ou pela falta de produtos. Imagens ilustrativas.

FOTOS: DIVULGAÇÃO; [1] GUSTAVO ANDRADE.

TÊNIS, R$ 84,92 Netshoes www.netshoes.com.br


EDIÇÃO Rafaela

Hora da historinha!

Matias

Selecionamos opções de livros para incentivar a leitura em cada faixa etária

1 E 2 ANOS

3 E 4 ANOS

UM ABRAÇO PASSO A PASSO

TELEFONE SEM FIO

Tino Freitas e Jana Glatt Ed. Panda Books, 4 págs.

Ilan Brenman e Renato Moriconi Ed. Cia das Letrinhas, 32 págs.

R$

35,90

R$

www.livrariacultura.com.br

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www.livrariacultura.com.br

5 E 6 ANOS

7 E 8 ANOS

A PRINCESA DA TORRE LONGA

MEU DINHEIRINHO Carlos Eduardo Freitas Costa e Fabrício Pereira Soares Editora Scrittore, 4 vol. de 32 págs. cada

R$

Tiago de Melo Andrade e Juliana Fiorese Ed. Melhoramentos, 56 págs.

39,00

R$

www.lojacanguru.com.br

39,25

www.walmart.com.br

DEDÉ E OS TUBARÕES

DIÁRIO DE PILAR NA AMAZÔNIA

Alessandra Roscoe e Leo Cunha Ed. Escarlate, 72 págs.

Flávia Lins e Silva e Joana Penna Ed. Pequena Zahar, 144 págs.

R$

25,52

www.ciadoslivros.com.br

Veja mais sugestões de livros em www.canguruonline.com.br

R$

39,17

www.buscape.com.br Preços pesquisados em maio de 2017. A Canguru não se responsabiliza pela alteração de preços ou pela falta de produtos. Imagens ilustrativas. J U N H O 2 01 7 .

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

9 E 10 ANOS


4Lançamento

As duas famílias por trás do Na Pracinha: Tiago, Cecilia, Olivia, Flávia, Miriam, Raul, Sara e Fabricio

Um guia para se divertir com as crianças na cidade

POUCAS MÃES BELO-HORIZONTINAS conhecem tantos lugares bacanas onde levar as crianças quanto a produtora cultural Flávia Pellegrini e a designer Miriam Barreto. Idealizadoras do movimento Na Pracinha, que incentiva o tempo livre para brincar na infância e o resgate da ocupação dos espaços públicos pelas famílias, as duas promovem, desde 2012, eventos brincantes gratuitos em parques da cidade e ainda compartilham na internet dicas de passeios pela capital mineira. Os encontros do Na Pracinha já fazem parte do calendário de Belo Horizonte e reúnem milhares de famílias com filhos pequenos a cada edição. Agora, Flávia e Miriam, que são colunistas da revista desde outubro de 2015, resolveram disponibilizar todo o conhecimento que acumularam num guia inédi-

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Canguru

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to para as famílias da cidade: Beagá Pra Brincar. A obra será publicada pela editora Scrittore, que também edita a Canguru, e reunirá informações completas sobre tudo o que há de mais bacana para fazer com os pequenos na cidade, dos parques e praças aos museus e teatros — e até shoppings. O guia será publicado com recursos de financiamento coletivo. Além de garantir exemplares de Beagá Pra Brincar, colaboradores da campanha poderão ganhar recompensas, como convites para participar de eventos exclusivos preparados pelo grupo Na Pracinha e por parceiros apoiadores do movimento. A obra será lançada em julho.

PARA COLABORAR com a campanha, acesse

www.catarse.me/beagaprabrincar

FOTO: DUORAMA

Beagá Pra Brincar, das fundadoras do Na Pracinha, será lançado em julho


4Segurança

OS PERIGOS QUE

MORAM COM A GENTE Saiba quais são as principais causas de acidentes domésticos, como preveni-los e de que forma agir se eles acontecerem Matias

PARA A CRIANÇA, tudo é novidade, e descobrir o mundo é o seu objetivo número 1. O problema é que tanta curiosidade pode expor nossos pequenos a riscos, e muitos deles estão dentro de casa. Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 122 000 crianças brasileiras são hospitalizadas anualmente devido a acidentes domésticos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, as

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regiões de maior perigo, por ordem decrescente, são: cozinha, banheiro, corredor, escada, quarto, sala e quintal. Iluminação deficiente, móveis ou objetos pontiagudos e tomadas elétricas sem proteção são alguns dos fatores que mais aumentam a prevalência de acidentes domésticos. No esquema feito pela Canguru, é possível identificar os principais perigos e saber como preveni-los. 4

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Canguru

FOTO: [1] ISTOCK

POR Rafaela

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Cozinha

Produtos potencialmente tóxicos: Objetos cortantes devem ficar fora do alcance das crianças (facas, garfos, pratos e copos de vidro, saca-rolhas, espetos), em gavetas e armários com trava.

O lugar mais perigoso da casa!

desentupidores, desengordurantes de fogão, desinfetantes, sabões, detergentes, saponáceos.

Use as bocas de trás do fogão e certifique-se de que os cabos das panelas estejam virados para dentro para que não sejam alcançados pelas crianças.

Tomadas elétricas devem estar protegidas e com os fios presos e recolhidos.

Mantenha sacos plásticos, fósforos, isqueiros, álcool e cerâmica fora do alcance das crianças. Não use toalha comprida na mesa de jantar. As crianças podem puxá-la para se apoiar e, se houver algo em cima dela, como líquidos e alimentos quentes, isso pode cair e atingir os pequenos.

O botijão de gás deve estar do lado de fora.

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Banheiro

Produtos potencialmente tóxicos: A fiação deve estar em bom estado e presa no alto. As tomadas elétricas devem estar protegidas. Aparelhos elétricos não devem ser mantidos nas tomadas ou ligados após o uso.

remédios, perfumes, cosméticos, talcos, desodorizadores de ambiente.

Guarde utensílios afiados e aparelhos como lâminas de barbear, tesouras e secadores de cabelo fora do alcance das crianças.

Controle o aquecedor se for a gás (com manutenções periódicas) e deixe o banheiro bem ventilado. Antes do banho das crianças, teste a temperatura da água para evitar queimaduras. Mantenha a tampa da privada sempre fechada, se possível lacrada com algum dispositivo de segurança, ou deixe a porta do banheiro trancada.

Nunca deixe a criança na banheira sem supervisão, nem mesmo por pouco tempo.

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Canguru

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Evite deixar o piso molhado e use tapetes antiderrapantes.

Tranque o armário de medicamentos, vitaminas, antissépticos bucais e demais produtos que ofereçam perigo de intoxicação.


sala

Produtos potencialmente tóxicos: bebidas alcoólicas e plantas ornamentais.

Cortinas ou persianas com cordas podem trazer o risco de estrangulamento, especialmente para os menores.

Mantenha os móveis longe de janelas e cortinas. Eles podem ser usados para escalar.

Instale grades ou redes de proteção em janelas, sacadas e mezaninos.

Bebidas alcoólicas devem ser acondicionadas em armário alto e trancado para evitar intoxicações.

Cuidado com quinas afiadas! Prefira móveis com pontas arredondadas ou use protetores. Plantas ornamentais e portas de vidro devem ser evitadas ou sinalizadas devido a riscos de intoxicações ou traumas.

Substitua fios elétricos desencapados e proteja tomadas com tampas, fita isolante ou mesmo móveis

Pisos escorregadios e tapetes oferecem risco de queda. O ideal é usar material antiderrapante nos tapetes ou retirá-los do ambiente.

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quarto

Produtos potencialmente tóxicos: Evite posicionar camas e qualquer outro móvel perto da janela. Eles podem ser usados para escalar.

Se o quarto tiver beliche, as crianças menores de 6 anos devem ficar na parte de baixo. Se não houver escolha, instale grades nas laterais.

Sufocações podem ser causadas por brinquedos, travesseiros e lençóis dentro do berço. Mantenha-o o mais vazio possível.

inseticidas, naftalina, remédios, perfumes.

Cuidado com quinas afiadas e mantenha os móveis longe de janelas e cortinas.

Bolinhas de naftalina não devem ser utilizadas para evitar risco de intoxicação.

As grades do berço devem ter no máximo 5 cm de distância entre elas. J U N H O 2 01 7 .

Canguru

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área de serviço Mantenha materiais de limpeza em sua embalagem original e fora do alcance das crianças, em armários altos e trancados.

Produtos potencialmente tóxicos:

solventes, tintas, alvejantes, inseticidas, raticidas, álcool, gás de cozinha, sabão para máquina de lavar, ceras, fertilizantes.

Tanque de lavar roupa deve ter fixação adequada e não se deve deixá-lo cheio de água ou roupas, evitado o risco de trauma por sua queda. Após utilizar baldes e bacias, esvazie-os, guarde-os virados para baixo e longe do alcance das crianças.

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corredores e escadas Use portões de segurança no topo e na base das escadas. Caso ela seja aberta, instale redes de proteção.

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ILUSTRAÇÕES: [2], [3], [4], [5], [6], [7] ALINE USAGI

Manter a iluminação clara e constante e piso adequado, antiderrapante, sem tapetes ou objetos que atrapalhem a circulação.


quintal, varanda e garagem Janelas devem ter grades de proteção. Evite quedas não deixando móveis perto delas.

Churrasqueiras devem ter fixação adequada e mantidas longe das crianças. Não se deve utilizar álcool líquido por existir risco de incêndio.

sãO potencialmente tóxicos:

plantas ornamentais, aranhas, escorpiões, cobras, insetos, inseticidas, cloro, gasolina

Piscina deve ter muro, cerca ou grades de proteção, portão trancado, lona de cobertura e alarme, para evitar o risco de afogamento.

Lembre-se de trancar o carro, especialmente o porta-malas, e de manter as chaves e controles automáticos longe do alcance das crianças.

As garagens não são um local seguro, não permita que as crianças brinquem nelas. Ao manobrar o carro, certifique-se de que não há nenhuma criança por perto.

Quando a criança for usar a piscina, a supervisão de um adulto o tempo todo é essencial.

Esvazie piscinas infantis após o uso e guarde-as longe do alcance das crianças.

Não acenda churrasqueiras com crianças próximo nem permita que participem dessa experiência. [8]

E AGORA?

TELEFONES

›› Mantenha a calma

úteis

›› Verifique a situação da vítima

192

193

›› Mantenha a criança em um local seguro e procure auxílio médico se notar qualquer comportamento estranho

147

199

›› Em caso de queda, não tente carregar o pequeno ou fazer mudanças significativas de posição

190

Polícia Militar

150

Ambulância

Corpo de Bombeiros

Polícia Civil

Defesa Civil Vigilância Sanitária

0800-7077575

“Queimou Ligue”, do Instituto Pró-Queimados

›› Em caso de queimaduras, lave-as apenas com água corrente e procure auxílio médico, se necessário

0800-410148

›› Sempre que a vítima perder a consciência, peça ajuda ou ligue para o serviço de emergência (192 ou 193).

*VEJA MAIS DICAS

Centro de Controle de Envenenamentos (CCE)

de primeiros-socorros em

www.canguruonline.com.br J U N H O 2 01 7 .

Canguru

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ILUSTRAÇÃO: [8] FREEPIK

Aconteceu um acidente.


4Diversão

Bom,

bonito e barato No centro da cidade, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti tem enorme diversidade de fauna e flora e possui parque de diversões com brinquedos a R$ 2,50 POR Rafaela

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Matias

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NÃO HÁ QUEM não conheça. Bem no centro da cidade, com a entrada principal na avenida Afonso Pena, ao lado do Palácio das Artes, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti é imponente e faz parte da história de quase todos os cidadãos belo-horizontinos. Não só pela sua longevidade – ele foi inaugurado em 26 de setembro de 1897, antes mesmo da fundação de Beagá –, mas também por ter sido, por muito tempo, uma das únicas opções de lazer da cidade, especialmente para as crianças. Muito antes de o Parque Guanabara se instalar em Beagá (em 1964) e dos estacionamentos dos shoppings abrigarem periodicamente circos internacionais e grandes parques itinerantes, o circuito de brinquedos do Parque Municipal fazia a alegria dos pequenos. Hoje, mais de um século após a sua criação, o seu potencial de divertir a meninada não é menos relevante e o parque ainda guarda tesouros que muitas famílias desconhecem.


Um oásis na cidade

Para a criançada, vamos ao que interessa! O Parque Municipal conta com uma generosa área destinada à diversão. São 21 brinquedos, incluindo carrossel, pista automotiva, roda gigante, bate-bate, lagarta, samba e twister. Todos os ingressos são vendidos por R$ 2,50. Os quiosques recebem somente pagamento em dinheiro, por isso, vá preparado. Há também um parquinho tradicional gratuito, com escorregador, gangorra e torres. Os brinquedos são bem conservados e não deixam a desejar, exceto pelo chão de brita que poderia ser trocado por um emborrachado, mais seguro para os visitantes mirins. Outras opções para os pequenos são passeio nos burrinhos, quadra poliesportiva, pista de skate e patinação e quadra de tênis. Para os papais que querem se exercitar junto com os filhotes, há equipamentos de ginástica, barcos a remo e pista de caminhada.

Visitas guiadas Outra ótima opção de passeio para toda a família são as visitas guiadas ao orquidário e ao viveiro de plantas medicinais. O orquidário, construído e mantido pela Associação Orquidófila de Belo Horizonte, é aberto todas as quintas-feiras, às 20h, quando acontece a reunião semanal da associação. A população pode participar, agendando previamente pelo telefone 9.9393-7984. Já o viveiro de 750 metros quadrados, onde são cultivadas cerca de 180 espécies de plantas medicinais, é aberto nas últimas quintas-feiras de cada mês, das 9h às 13h, quando os interessados em aprender sobre utilização de plantas medicinais podem visitar a exposição. A atividade apresenta as espécies que são cultivadas no viveiro, distribui mudas e dá dicas sobre a maneira de conservação, utilização e preparo de receitas. Duas outras visitas estão temporariamente suspensas, mas, segundo a Fundação de Parques Municipais, serão retomadas em breve. São elas a trilha histórico-ambiental, que consiste em caminhadas pelas alamedas com paradas em locais importantes do ponto de vista histórico e ambiental, e a visita ao Jardim das Borboletas, um espaço criado para o cultivo de plantas que atraem e fornecem alimento a todas as fases da vida de borboletas e mariposas. Ambas são acompanhadas por guias estagiários capacitados para tal atividade e devem ser agendadas pelo telefone 3277-4161 ou pelo e-mail dpac@pbh.gov.br, com, no mínimo, uma semana de antecedência. 4

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FOTOS: GUSTAVO ANDRADE

Com uma área de 182 mil metros quadrados, a área verde do parque abriga 280 tipos de árvores de diversas partes do Brasil e do mundo, além de 330 espécies de plantas ornamentais, que complementam o paisagismo dos jardins. Árvores de grande porte, exóticas e nativas, como figueiras, jaqueiras e eucaliptos, ajudam a compor a flora e são responsáveis pela manutenção da fauna. Afinal de contas, a extensa vegetação serve como refúgio para vários animais silvestres que habitam a cidade. Vivem no Parque Municipal uma enorme variedade de aves, com cerca de 100 espécies, morcegos frutíferos, gambásde-orelha-branca e mico-estrela, além de insetos como abelhas, bichos-pau, besouros e mais de 60 espécies de borboletas. Além disso, vivem nas três lagoas e diversas nascentes espécies de peixes como dourados, cascudos, tilápias e carpas.


NÃO SE PERCA!

AVENIDA DOS ANDRADAS

Decidiu visitar o parque? Veja abaixo um mapa com as principais atrações e se localize em meio ao verde.

PORTARIA DA AVENIDA DOS ANDRADAS

ORQUIDÁRIO

BRINQUEDOS LAGOA DOS BARCOS

FUTURO ESPAÇO

QUADRA

VIADUTO SANTA TEREZA ILHA DOS AMORES

QUADRA DE TÊNIS PATINAÇÃO LAGOA

PORTARIA DA RUA DA BAHIA CORETO SANITÁRIOS PÚBLICOS

RUA DA BAHIA

TEATRO FRANCISCO NUNES

MERCADO DAS FLORES

PORTARIA DA AVENIDA AF

PORTARIA MERCADO DAS FLORES

AVENIDA AFONSO PENA

Pode melhorar Durante as visitas ao parque, a reportagem notou alguns pontos que podem (e devem) ser reparados pela prefeitura. Veja quais são eles e quais foram as soluções propostas pela gestão municipal, por meio da Fundação de Parques Municipais. Não há boa estrutura de fraldário. Nos sanitários localizados na área dos brinquedos há um sanitário infantil com fraldário. Esse sanitário será reformado no segundo semestre de 2017 e será adaptado para sanitário família.

A maior parte dos brinquedos não são adaptados para cadeirantes. Existe um balanço especial para cadeirantes e deficientes físicos dentro do parque. A FPM está estudando a implantação de novos brinquedos adaptados no local.

O carro da Guarda Municipal transitava em velocidade exagerada dentro do parque. O limite de velocidade no parque é de 20 km/h. Às vezes, a Guarda excede o limite para atender chamados dentro do próprio parque e evitar, por exemplo, evasão de infratores.

A condutora do trenzinho foi vista, por diversas vezes, falando ao celular ou mandando mensagens pelo mesmo (com o veículo em movimento). Todos os prestadores de serviços devem seguir as normas de segurança estabelecidas. A FPM vai encaminhar esta reclamação à empresa responsável pelo brinquedo para que sejam tomadas as providências.

O chão dos brinquedos é de brita (e não de borracha, como na Praça da Assembleia, por exemplo). A área onde estão os brinquedos é permeável e, conforme previsão original, não pode ser concretada. Há estudos em andamento para adaptação do piso para emborrachamento, sem comprometer a permeabilidade da área. Os jardins estavam com o mato muito alto. Já está programada atividade de manejo de jardins e roçada geral no parque.

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Antigo prédio do Imaco está sendo reformado para virar espaço multiuso (com áreas para evento, teatro, auditório e café), mas obra está parada. Já foram feitos contatos com a SUDECAP para viabilizar a continuidade das obras. Processo está em análise junto aos órgãos do Governo de Minas para repasse dos recursos. = * Caso algum usuário do parque verifique conduta inadequada dos prestadores de serviço, pode comunicar imediatamente à administração ou fazer a reclamação pelo telefone 3277-4161.


Informações importantes!

PRAÇA MÃE MINEIRA

Entrada principal: Avenida Afonso Pena, 1377, Centro Horário de funcionamento: terça a domingo, das 6h às 18h Portarias alternativas: Avenida dos Andradas, Rua da Bahia, Avenida Afonso Pena e Avenida Carandaí Telefone: 3277-4161

LAGOA DO QUIOSQUE

PORTARIA DA ALAMEDA EZEQUIEL DIAS

PRAÇA DO SOL

O MULTIMEIOS

ALAMEDA EZEQUIEL DIAS PRAÇA FUNDADORES

POLIESPORTIVA

SANITÁRIOS PÚBLICOS JARDIM DAS BORBOLETAS E VIVEIRO DE PLANTAS MEDICINAIS MONUMENTO ESCOTEIROS

4VEJA A GALERIA DE FOTOS E CURIOSIDADES NO NOSSO SITE:

www.canguruonline.com.br

ADMINISTRAÇÃO DOS MARRECOS TEATRO DE ARENA PALÁCIO DAS ARTES

PORTARIA DA AVENIDA CARANDAÍ

AVENIDA CARANDAÍ

A FONSO PENA

A FOTOS: GUSTAVO ANDRADE MAPA: FUNDAÇÃO DE PARQUES MUNICIPAIS / ATUALIZADO EM AGOSTO DE 2016


4Entretenimento

Um legado de

amor à infância

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Elenco alegre: crianças protagonizam série criada pela atriz Cláudia Abreu

A série infantil Valentins, criada e protagonizada pela atriz Cláudia Abreu, aborda o medo, mistura suspense com comédia e traz quatro atores mirins POR Luciana

MÁQUINA DE CONSELHOS, capacete da memória, armário mágico — é só entrar e sair prontinho de lá — e telefone que anda pela casa, chamado de Graham Bell. Essas são algumas das “traquitanas” que dão uma dose extra ao universo lúdico e fantástico da série Valentins – Uma Família Muuuito Esperta, que estreia em 12 de junho, às 20h30, abrindo as comemorações dos cinco anos do Canal Gloob, da TV fechada. A superprodução marca o lançamento da atriz Cláudia Abreu na escrita, matando sua vontade de se dedicar a um projeto próprio e também de atuar nas criações de outras pessoas. Ao abrir a Zola Filmes com o marido, o cineasta José Henrique Fonseca, que assina a direção-geral da série, esse desejo se tornou mais forte. Mãe de quatro filhos, Cláudia começou desenvolvendo algumas ideias. “Quis escrever para crianças não só porque tenho filhos, mas porque sinto que há espaço. Falta conteúdo para o público infantil, apesar de existirem muitos bons programas”, conta ela. Em 2013, Flávia Lins e Silva, escritora de livros infantis e juvenis e roteirista do Detetive do Prédio Azul, esteve na Zola para falar sobre outro projeto. Após o

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Ackermann

encontro, Fonseca sugeriu que a esposa procurasse Flavia para uma conversa. E foi assim que as duas engataram a parceria, ao longo de 2013, e escreveram tudo juntas. “Ficamos tardes e tardes comendo bolo com café e juntando ideias, num processo criativo delicioso. Falamos sobre nossas experiências, infância, filhos, sobrinhos. De vez em quando, aparecia um dos meus filhos e a gente já aproveitava e fazia uma entrevista com ele”, relembra Cláudia, que levou a sinopse ao Gloob e, na véspera do Natal de 2014, recebeu a notícia da aprovação do projeto. A série, repleta de suspense, comédia e mistério, conta com duas temporadas, cada uma com 26 episódios. A história acompanha o dia a dia da família Valentins, formada pelo casal de cientistas Artur e Alice (Guilherme Weber e Cláudia Abreu) e pelos filhos Betina, João, Lila e Theo. O pai é uma espécie de gênio e todos ficam na expectativa de uma grande invenção. Já Alice faz alquimia culinária e seus bolinhos têm um efeito a mais, são capazes até de hipnotizar os moradores da cidade com seu cheiro. Sem um período de tempo definido, a trama


ocorre no passado. Em meio à história, pai e mãe desaparecem misteriosamente, e os quatro irmãos precisam aprender a lidar com os medos, tentando se virar sozinhos e descobrir o paradeiro dos pais. No elenco, também estão Luis Lobianco, que faz o engraçado vilão Randolfo, as atrizes Guida Vianna e Malu Valle, além das participações especialíssimas de Luiz Miranda e da atriz Malu Mader. “Esse programa tem embutido nele um grande afeto, uma dedicação amorosa. Daqui a 30 anos, a gente vai pegar Valentins e, sem dúvida, ver esse trabalho como legado amoroso à infância”, afirma a atriz e escritora Cláudia Abreu.

Entrevista

Apontada como uma das melhores atrizes de sua geração, Cláudia Abreu, 46 anos, fala da experiência de escrever um programa para crianças, sobre ser mãe de quatro filhos, as sutilezas da maternidade e a importância do trabalho para manter a individualidade. Cláudia nasceu em pleno dia 12 de outubro e não descarta certa influência dos pequenos em sua vida. Canguru – A maternidade inspirou você a escrever para crianças? Sim, me inspirou, mas sempre tenho o cuidado de dizer que, apesar de eu ter quatro filhos, as crianças da série têm idades e personalidades diferentes. Canguru – Você e o seu marido escolheram ter quatro filhos? Não foi uma escolha, não. Eu achava incrível ver pessoas com muitos filhos. Sempre olhei pelo lado divertido da grande família, não pelo lado da falta de liberdade. Gosto de gente, de festa, de amor, mas nunca planejei ter quatro filhos. Primeiro nasceu a Maria, depois, tentei engravidar de novo e não veio, cheguei a pensar que seria mãe de filha única. Quase seis anos depois, veio a Felipa. Aí o Zé queria muito um vascaíno, chegou o José Joaquim. Estava tudo certo para que ligasse as trompas, o médico desmarcou em cima da hora, e engravidei de novo.

Canguru – E é mesmo muito divertido? É bem divertido. Claro, há momentos caóticos, confusão, falam ao mesmo tempo, cada um quer atenção exclusiva... Gosto muito da hora de dormir, sempre leio, conto e invento histórias. Uma das coisas que mais lamento quando faço novela, que exige uma rotina intensa, é chegar em casa e já encontrá-los dormindo. Canguru – A maternidade é seu papel principal? Sem dúvida, é a minha prioridade, mas fico atenta para não perder minha individualidade. Meu trabalho me ajuda muito a ser eu mesma. Canguru – A maternidade transformou muito você? Claro, não tem como. Se não se transformar com a maternidade e a paternidade, há alguma coisa errada. Não dá para não se encantar ao ajudar na formação de outro ser humano e de se reespantar com as delicadezas e as coisas simples da vida. =

Conheça os quatro atores mirins em

www.canguruonline.com.br

FOTOS: [1] JULIANA COUTINHO, [2] GUTO COSTA

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UM EVENTO PENSADO PARA

ELAS

3º Seminário Internacional de Mães reúne mais de mil pessoas no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo POR Catarina

Ferreira, Cristina Moreno de Castro, Gabriela Willer, Juliana Sodré, Luciana Ackermann, Sabrina Abreu e Verônica Fraidenraich EMOÇÃO É A palavra que melhor traduz o clima que tomou conta do Hotel Maksoud Plaza no último dia 6 de maio, quando 917 mães e 89 pais se encontraram no 3º Seminário Internacional de Mães, que teve a Canguru como uma das organizadoras. A troca de ideias e experiências sobre criação dos filhos foi permeada por muito choro, risadas e abraços. E, claro, muita conversa. O evento foi mediado pela diretora de conteúdo da revista, Ivana Moreira, e teve a presença de palestrantes renomados: a jornalista Mara Luquet, a psicoterapeuta americana Tina Bryson, o médico Drauzio Varella, a cineasta Estela Renner e o escritor Marcos Piangers. Confira nas páginas seguintes um resumo dessas palestras incríveis! Na plateia, havia de tudo um pouco: grupos de amigas, casais com filhos pequenos, mães sozinhas com seus bebês, mulheres grávidas. Julyana Mendes, 40 anos, mãe de sete filhos e autora do Instagram @maedesete, com 227 mil seguidores, era uma das mais solicitadas para posar para fotos. “Gosto de assistir a palestras, pois sinto que aprendo e saio empoderada”. Leia outros relatos das participantes em www.canguruonline.com.br.

As organizadoras do evento: Flávia Fontes, Tamara Foresti, Ana Paula Menegatti e Ivana Moreira

Que plateia é esta Veja o perfil do público do evento TOTAL DE PARTICIPANTES: 1 006 PESSOAS DE 13 ESTADOS

Canguru

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2%

17%

41%

9% mulheres homens

91%

5% 20,5% %

15%

77,5% 34

8%

casadas solteiras divorciadas enroladas viúvas

32% 1 filho 2 filhos sem filhos 3 filhos 4 filhos ou mais

14%

de mulheres grávidas FONTE: ORGANIZAÇÃO DO EVENTO


‘Mães, cuidem de vocês e sejam independentes financeiramente’ Mara Luquet diz que é importante que as mulheres se protejam para o futuro e ensinem os filhos a fazer escolhas

FOTOS: GUSTAVO ANDRADE

“Q

ual é o melhor investimento que posso fazer pelo meu filho?” Essa é a pergunta que a colunista da rádio CBN e do Jornal da Globo, Mara Luquet, mais escuta. “O melhor investimento para seu filho é vocês cuidarem de vocês, se protegerem e estarem independentes financeiramente”, disse ela. Mara citou um estudo que mostra que as mulheres que vão morar com os filhos depois de aposentadas são as que têm os maiores índices de depressão. Em uma pesquisa mundial sobre o que as pessoas acham mais importante na aposentadoria, os brasileiros deram a resposta mais sensível: “o amor dos filhos”. “Estar bem fisicamente” aparece em uma das últimas posições, enquanto “ser independente financeiramente” está na lanterna. A colunista destacou a importância de as mães empreendedoras se formalizarem e de todas complementarem a aposentadoria com um plano de previdência privada. E como educar as crianças desde pequenas para que também saibam lidar com o dinheiro no futuro? “A melhor coisa que você pode dizer ao seu filho é NÃO. Esse é o grande legado que você vai deixar ao seu filho: não adianta dar casa, carro e dinheiro e não ensiná-lo a fazer escolhas.”

CANGURU FEZ MARA LUQUET

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PERGUNTAS

PARA

Por que ensinar aos nossos filhos desde pequenos a se relacionar com o dinheiro? É como escovar os dentes: há certas coisas que você tem que aprender para viver melhor. Aprender a fazer escolhas e a lidar com o dinheiro vai fazer uma diferença brutal na qualidade de vida do seu filho no futuro.

Quais as ferramentas para ensinarmos isso? A criança tem que entender quais são as prioridades Você tem que envolver seu filho no orçamento. Falar que, se ele apagar a luz ao sair do quarto, esse dinheiro vai ajudar a bancar a viagem do fim do ano.

Qual é o maior investimento que a mãe e o pai podem fazer pelo filho? O maior investimento para o filho é a segurança financeira dos pais, principalmente da mãe. Muitas têm investimento para os filhos, mas não têm para elas próprias, nem a aposentadoria. Quando a velhice delas não é pensada, isso vira um problema para o filho.

Muita gente abre uma poupança para o filho assim que ele nasce. É um bom investimento? Poupança rende muito pouco, não é investimento de longo prazo. O que é? Ações, títulos de renda fixa no Tesouro, planos de previdência. 4

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‘Ao conseguir que a criança saia do caos, ela se sentirá calma e protegida’ Tina Bryson fala como ajudar a criança a equilibrar os lados racional e emocional do cérebro para garantir o seu bem-estar

C

omo entender a formação do cérebro pode ser útil aos pais e educadores para ajudar as crianças no processo de amadurecimento de sua inteligência emocional? Principalmente nas crianças menores, o hemisfério direito do cérebro e suas emoções tendem a ser dominantes sobre a lógica e a racionalidade, ligadas ao hemisfério esquerdo. Por isso é que, não raro, elas parecem e se sentem tão fora de controle. É o que explicou a psicoterapeuta americana Tina Bryson, coautora dos best-sellers Disciplina sem Drama e O Cérebro da Criança, que participou do seminário via videoconferência. Para manter o equilíbrio, os dois hemisférios têm de trabalhar juntos. Uma maneira de fazer isso é por meio da estratégia que a psicoterapeuta chama de conectar com as emoções para, depois, redirecionar o comportamento. Isso pode ser útil principalmente nos momentos de birra, quando os pequenos costumam espernear e se jogar no chão. Nessas horas, reagir com mais gritos e partir para a argumentação lógica na tentativa de acalmá-los provavelmente não fará efeito. Mais importante é abraçar a criança, usar um tom de voz sereno e praticar a empatia, pondo-se no lugar dela e tentando entender o que ela está sentindo. Todas essas ações favorecem a conexão com o lado direito do cérebro. Só depois deve-se partir para o uso das palavras e as explicações racionais. “Ao conseguir que a criança saia do caos para um estado de conexão, ela se sentirá calma, segura e protegida, sendo capaz de se integrar.”

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JOGO DE RELAXAMENTO Para tornar mais claras as suas teorias, Tina convidou a plateia a fazer um exercício que tranquiliza a mente, usando a mão com o punho fechado para simular o cérebro. O polegar é o piso inferior do órgão e deve ser coberto pelos demais dedos, que representam o piso superior. Ela explicou que, no alto, são tomadas as boas decisões e feitas as coisas certas. Embaixo, surgem as grandes emoções, a preocupação com os outros, o amor, mas também a chateação e a frustração. A ideia é que, ao se sentir fora de controle, a pessoa abaixe os dedos lentamente até cobrir o polegar. Esse será um lembrete de que é hora de usar o lado racional do cérebro para fazer boas escolhas e tranquilizar os sentimentos exagerados. A proposta de Tina é que os pais ensinem a brincadeira aos filhos para ajudá-los a se acalmar, mas os adultos também podem colocá-la em prática.


‘Não quero saber como você vai fazer para se exercitar. Isso é problema seu’ Drauzio Varella destacou a importância de as mães cuidarem mais de si mesmas

FOTOS: GUSTAVO ANDRADE

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pesar de ter diante de si uma plateia com mais de 1 000 pessoas, Drauzio Varella parecia se comunicar em particular com cada mulher presente. A voz calma e o carisma conhecidos de suas participações na TV deram o tom da palestra. Ele discorreu sobre problemas conhecidos de quase todas as mães: sobrecarga de trabalho com os filhos, a família, a casa e a carreira. Drauzio mostrou empatia pelas mulheres que se desdobram em tantos afazeres e ainda sentem culpa por não ser perfeitas. E criticou, mais de uma vez, homens que, como pais ou maridos, não dividem as tarefas. “Tenho muitas amigas que dizem ‘meu marido me ajuda tanto’. Mas nunca vi um amigo dizer ‘minha mulher me dá tanta força em casa’.” A divisão das tarefas, ele argumenta, é obrigação de ambos, e não um favor. Mas como quem cuida das crianças, dos pais idosos e de tanta gente pode cuidar de si? O médico reconheceu a dificuldade de as mulheres olharem para a própria saúde. Mas, sem meias-palavras, chamou atenção para os problemas que elas poderão enfrentar caso não abram um espaço na agenda para si mesmas. Citou o diabetes e a pressão alta, fazendo uma ligação entre esses males e o estilo de vida ultra-atribulado e sedentário. Contra essas e outras doenças, ele (que é maratonista e acorda às 5 horas da manhã para correr) receitou exercícios físicos. E disciplina militar para manter o corpo em movimento. “Não quero saber como você vai fazer para se exercitar. Isso é problema seu”, frisou.

Apesar de não se identificar como feminista, Drauzio recheou seu discurso com várias menções à desigualdade de gêneros. Lembrou que, em geral, são as filhas, e não os filhos, que cuidam dos pais quando eles ficam doentes. E que as esposas, filhas e mães de penitenciários não abandonam seus homens, enquanto nas casas de detenção feminina a fila de visitas é bem mais curta. “Vocês, da plateia, tentem não ser presas, porque, se acontecer, vão ser abandonadas pelos maridos e namorados”, disse, num misto de brincadeira e ironia. A relação íntima do médico com a realidade prisional do país remonta a 1989, quando ele começou a fazer trabalho voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru, e, há mais de uma década, na Penitenciária Feminina da Capital, também em São Paulo. Suas visitas a esses espaços renderam três livros: Prisioneiras, lançado no mês passado, Carceireiros (2012) e Estação Carandiru (1999), todos pela Companhia das Letras. Transitando com desenvoltura por diferentes círculos sociais, Drauzio compartilhou com o público o que vê de comum entre mulheres com passados tão distintos: o fato de serem, em suas palavras, “aprisionadas pela sociedade”, que lhes cobra tanto. O médico fez um chamado libertador contra o perfeccionismo e a culpa. A plateia agradeceu se emocionando, rindo, aplaudindo e, ao final, cantando parabéns para o palestrante, que poucos dias antes havia completado 74 anos. 4

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‘As crianças se formam a partir das histórias que contamos’ Estela Renner fez um balanço do que aprendeu com o documentário O Começo da Vida Um ano depois de lançar o documentário O Começo da Vida, a diretora Estela Renner fez um balanço do que os especialistas, os pais e as crianças que conheceu nos nove países em que o filme foi rodado lhe ensinaram. O filme mostra o cotidiano de famílias de classes sociais e de culturas distintas, mas que têm um forte objetivo em comum: amar seus filhos para que eles sejam capazes de crescer, seguir seus sonhos e realizar suas potencialidades. Sentimentos universais que prezam pela construção de um futuro melhor. Apesar de ter sido filmado em dezoito cidades, em países como Brasil, Canadá e China, Estela explica que o recorte escolhido por ela para contar sua história não foi geográfico, mas afetivo. Isso justifica o fato de os lugares das entrevistas não serem identificados no filme. Dentro do que chama de “recorte afetivo”, a diretora, mãe de três filhos, buscou igualar o conhecimento dos acadêmicos a respeito da primeira infância ao sentimento dos pais com quem conversou. Entre entrevistados está o especialista James Heckman, vencedor do prêmio Nobel de Economia em 2000, e mães de perfis variados, como Simone, mãe de doze filhos à época da filmagem, e a modelo Gisele Bündchen. O filme evidencia que, para além de sua carga genética, as crianças são fruto do meio em que vivem. “E nós

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somos esse meio, as crianças se formam a partir de nós, das histórias que contamos”, diz Estela. As descobertas das crianças sobre si mesmas e seu entorno foram outro destaque entre os aprendizados da diretora. “Elas não precisam ser entretidas o tempo todo. Ao contrário, podem passar um tempo sozinhas, com toda a segurança, e, nesse período, ouvir a própria voz, perceber seu peso no chão, um vento que bate no rosto.” A aprendizagem dos bebês vem desde o útero. Após o nascimento, cada passo é fruto de muita observação e experimentação desses pequenos cientistas. E isso vem mostrar que eles não são tábulas rasas, mas sim seres capazes de moldar toda uma percepção de mundo. Além de focar em seu aprendizado com O Começo da Vida, Estela relembrou sua trajetória como documentarista. Assinados por ela, os filmes Muito Além do Peso (2012), sobre obesidade infantil, e Criança, a Alma do Negócio (2008), a respeito das propagandas dirigidas ao público infantil, resultaram na mudança de posicionamento de grandes marcas e também de políticas públicas. Já O Começo da Vida foi exibido em mais de 7 000 salas de cinema ao redor do mundo e hoje é utilizado na campanha mundial da Unicef pela primeira infância.

VALE A PENA VER E REVER Pedimos a Estela Renner que indicasse outros filmes relacionados ao universo infantil. Seus escolhidos compõem uma lista heterogênea, que você pode ver em www.canguruonline.com.br.


‘Nossos filhos querem que a gente seja feliz para que se sintam felizes também’ Autor do best-seller O Papai é Pop, Marcos Piangers emocionou a plateia

FOTOS: GUSTAVO ANDRADE

F

oi em clima de muito humor, risadas e lágrimas que o jornalista, blogueiro e escritor catarinense Marcos Piangers, autor de dois best-sellers – O Papai é Pop e O Papai é Pop 2 –, encerrou o seminário. Piangers, pai de Anita, de 12 anos, e Aurora, de 5, enalteceu a experiência da paternidade e a importância de vivê-la intensamente, não apenas ajudando a mãe a trocar uma fralda. “Os homens também precisam passar por perrengues, ficar noites sem dormir, faltar ao trabalho por causa da febre dos filhos, se sentir constrangidos pela falta de trocadores nos banheiros masculinos em lugares públicos. Isso nos faz seres humanos melhores”, afirmou Piangers, que fez questão de reverenciar e pedir uma salva de palmas aos pais presentes, que representavam 9% da plateia do seminário de mães. “Criar filhos é um desafio. É cansativo, um misto de correria, choro, solidão, madrugadas em claro, mas também é saber que a cada dificuldade se formam a conexão e o afeto. O que parecia ser a pior coisa do mundo se transforma em uma das melhores experiências da vida. Eles nos ensinam a ser mais educados, pacientes, honestos e preocupados com a ecologia”, disse o escritor. Em meio à apresentação, Piangers levou a plateia

aos prantos ao compartilhar sua história de vida, marcada pela ausência do pai. Muito emocionado, disse que sua mãe não o abandonou, mesmo tendo sido expulsa de casa pelo avô por ter engravidado solteira. Essa é uma triste realidade de milhares de mulheres no mundo, que acabam assumindo o papel de mãe e pai ao mesmo tempo. O depoimento mexeu com o público. Uma das mães se manifestou ao final, e pediu para dar um abraço em Piangers, dizendo que seu relato lhe é muito familiar, sendo uma dessas mães “solteiras”. Para ela e todas as mães que se encontram na mesma situação, Piangers deixou um recado: “A culpa não é de vocês, é de quem as abandonou”. O escritor ainda afirmou que o maior desejo dos filhos é a presença dos pais. “Não se culpem, nossos filhos percebem nossa intenção. Eles só querem estar com a gente, e que a gente seja feliz para que eles se sintam felizes também”. Para terminar, um vídeo foi exibido apresentando os diferentes perfis de papais, assim como cenas de Piangers com suas filhas e sua esposa, Ana Cardoso, autora de outro best-seller, A Mamãe é Rock, e que também foi alvo de homenagem do marido: “Eu não nasci assim. Melhorei graças a ela”. =

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[1]

4Saúde

NEM CONTANDO

Carneirinhos Distúrbios do sono são realidade entre os pequenos, mas nem sempre precisam significar dor de cabeça para os pais Franco

FOTOS: [1] ISTOCK; [2] FREEPIK

POR Daniele

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DEITA, ROLA, LEVANTA, deita de novo e, quando se vê, já está amanhecendo. Essa é a realidade de muitos adultos que sofrem de insônia ou algum tipo de distúrbio do sono. Os pequenos também podem ter suas noites de descanso atrapalhadas por motivos que nem sempre são tão dignos de preocupação, mas exigem nossa atenção. Observar o sono das crianças é uma tarefa que os pais devem se preocupar em cumprir a partir do momento em que forem notados alguns sinais (veja no quadro), conforme ressalta a neuropediatra do Instituto Estadual do Cérebro e professora da Faculdade Souza Marques, ambos no Rio de Janeiro, Gilca Soares. De acordo com ela, mesmo que a criança não apresente sinais durante a noite que sejam suficientes para acordar os pais, alguns aspectos da criança durante o dia podem ser característicos de noites mal dormidas.

ATENÇ ÃO

!

A ESTES SINAIS

[2]

›› Desatenção e indisposição ›› Olheiras e cansaço aparente ›› Dificuldade de aprendizado ›› Dificuldade para alimentar ›› Agitação, mau humor, resistência a fazer as tarefas escolares

Se essas características são observadas enquanto a criança está acordada, é hora de prestar atenção ao sono dela. Alguns dos problemas fazem parte da fase pela qual a criança está passando, a exemplo do terror noturno e do sonambulismo, como explica Rogério Beato, neurologista, médico do sono e professor da Universidade Federal de Minas Gerais. São as chamadas parassonias, ou distúrbios fisiológicos do sono, que não são considerados doenças (conheça as mais comuns no quadro na página seguinte). Mesmo que sejam casos simples e que em sua maioria diminuam com a idade, Beato recomenda que sejam observados para verificar a necessidade de acompanhamento médico.

Quando fica mais sério Para além das parassonias, alguns distúrbios merecem maior cuidado dos pais. A apneia do sono é um deles. Lucila Bizari Fernandes do Prado, presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria e professora do setor de Neuro-sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta os problemas respiratórios como as principais causas das crises de apneia. Amígdalas e adenoide hipertrofiadas obstruem o canal por onde passa o ar e levam o diafragma a fazer um grande esforço, causando, ainda, problemas no tórax. “Durante o dia, o sistema neurológico encontra maneiras de respirar normalmente, mas durante o sono ele também dorme, e sobra para o diafragma fazer o esforço com todos os impedimentos”, afirma Lucila. Nesses casos, o profissional indicado para consulta é o otorrinolaringologista, que vai examinar e avaliar a necessidade de uma cirurgia de retirada das amígdalas e da adenoide. A partir daí, começa um tratamento multidisciplinar, no qual trabalham fonoaudiólogo, psicólogo, médico e dentista. Beato ainda aponta características faciais e a estrutura óssea do rosto como influências na respiração. “Crianças com síndrome de Down, por exemplo, têm maior tendência a sofrer de apneia por possuírem o queixo e a língua com um formato diferente, o que dificulta a respiração”. Outro problema que merece atenção profissional é a epilepsia, que, em alguns casos, pode manifestarse durante o sono. A privação do sono também pode ser um fator que desencadeia crises epiléticas nas crianças que já têm a doença, de acordo com Beato. Ainda segundo ele, é importante que, se forem notadas anomalias durante o sono, os pais procurem um médico para fazer uma polissonografia, um exame que analisa o comportamento da criança durante a hora de dormir e, se necessário, a polissonografia completa, que inclui um exame neurológico que diagnostica a epilepsia.

Neném não quer dormir “Quando chegam ao consultório queixas de crianças com insônia, a maioria delas não é associada a nenhum tipo de distúrbio”, conta Gilca Soares, que 4

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aponta os maus hábitos como os principais causadores da dificuldade de dormir dos pequenos. Se a rotina da família é confusa, ela pode levar à falta de limites das criança na hora de dormir, o que faz com que os pais procurem medicamentos para elas sem necessidade. Por isso, ter horários definidos é fundamental para o descanso ideal de todos. Quando as famílias só têm o período noturno para ficar juntas, é difícil esperar que os pequenos queiram ir cedo para a cama. “Mas não se pode colocar esse peso

É HORA DE SE

PREOCUPAR?

Parassonias primárias não estão associadas a distúrbios mais graves, mas as secundárias devem ser tratadas por um profissional de saúde. Veja abaixo as parassonias mais comuns em crianças que devem ser relatadas ao pediatra. ›› Terror noturno ›› Sonambulismo ›› Sonilóquio (falar enquanto dorme) ›› Síndrome das pernas inquietas ›› Pesadelos ›› Enurese noturna (fazer xixi na cama) ›› Despertar confusional Fontes: Dr. Rogério Beato, Dra. Gilca Soares e Dra. Lucila Bizari

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sobre os pais, que não têm culpa de só ter esses horários para estar com os filhos”, pondera Gilca. “A solução é procurar atividades mais calmas nos momentos juntos”, diz a neuropediatra. Ela compara as crianças a dimers de luz, que devem ser menos estimulados à medida que a hora de dormir chega, sem desenhos na TV, contato com tablets e smartphones ou atividades que as despertem. De acordo com Gilca, diferir o patológico do natural é muito delicado e precisa de uma observação atenta e cuidadosa. Até mesmo para os profissionais o diagnóstico não é fácil.=

DENTRO DA Normalidade Conheça as médias de sono de cada fase da infância: Até 3 meses: 16 a 20 horas por dia 12 meses até 3 anos: Entre 9,5 horas e 10,5 horas, com cochilos de dia 3 a 6 anos: Sono noturno com 9 a 10 horas, às vezes com cochilos 6 a 12 anos: 9 e 10 horas de sono, sem os cochilos

R

Betina Borges


4na pracinha

Biblioteca Pública Estadual De Minas Gerais “Sempre imaginei o paraíso como um tipo de biblioteca” Jorge Luis Borges, poeta argentino

Mendes Campos e Hélio Pellegrino. O acervo infantojuvenil da biblioteca conta com diversos títulos de obras literárias para todas as idades — inclusive bebês —, além de revistas, atlas, almanaques e gibis. Há livros de tecido, musicais, com abas, dobraduras, uma infinidade de recursos para encantar as crianças. A maior parte dos livros está disponível para empréstimo. O espaço é totalmente adaptado para acolher a meninada. Mesas e cadeiras pequenas compõem o ambiente de leitura, assim como grandes e confortáveis pufes e tapetes emborrachados. As obras ficam disponíveis em estantes de altura adequada para os pequenos leitores.

DICA BOA PRAÇA ›› Como fazer a carteirinha? Compareça à biblioteca levando documento com foto, comprovante de endereço (recente, de Belo Horizonte ou da região metropolitana, em seu nome ou sobrenome e que tenha passado pelos Correios). É necessário pagar uma taxa de contribuição simbólica. Menores de 16 anos

precisam da presença de um dos pais ou responsável ou de uma autorização assinada por eles. ›› Como pegar um livro? Cada carteirinha dá direito ao empréstimo de até três obras por catorze dias. O empréstimo pode ser renovado presencialmente ou via internet.

É possível estacionar carrinhos de bebê e há um fraldário. Ao fundo da sala principal há uma brinquedoteca e um amplo espaço para narrações de histórias. A programação mensal inclui atividades de estímulo à leitura e promoção da cultura para o universo infantil. Vale a pena agendar um passeio por lá. =

QUER CONHECER? Praça da Liberdade, 21 - Funcionários Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h e sábado, das 08h às 12h

O Na pracinha é um movimento que incentiva o tempo livre para o brincar na infância e o resgate da relação criança/cidade com a ocupação dos espaços públicos pelas famílias. O brincar e o contato com a natureza são fundamentais para a saúde física e mental da criança. Criado pelas mães Flávia Pellegrini e Miriam Barreto, o projeto promove eventos brincantes gratuitos e compartilha dicas de passeios pela capital mineira. www.napracinha.com.br J U N H O 2 01 7 .

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FOTO: TANTO MAR FOTOGRAFIA

A PRAÇA DA Liberdade é uma das mais belas de nossa cidade. Não há quem passeie por lá e não se renda a seus encantos. Ao seu redor encontramos inúmeros prédios de refinada arquitetura, que hoje abrigam museus e centros de cultura. À direita do Palácio, avistamos um edifício cujo traçado curvilíneo não deixa dúvida de que estamos diante de uma obra de Oscar Niemeyer. É ali que se encontra o setor infantojuvenil da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. O prédio-sede, Edifício Luiz de Bessa, data de 1954 e foi inaugurado pelo então governador do estado Juscelino Kubitschek. À frente de sua fachada há um gracioso jardim florido, com frondosas árvores e área gramada. Nos recepcionam quatro estátuas de bronze em tamanho natural: a obra Encontro Marcado, de Leo Santana, que homenageia os escritores mineiros Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Paulo


FOTO: GUSTAVO ANDRADE

4para ler com seu filho

Sem palavras, com muita fantasia

leo cunha e os filhos, Sofia e André

PARECE ENGRAÇADO UMA coluna chamada “Para ler com seu filho” indicar dois livros sem texto. Mas só parece, viu? Mesmo sem palavras, esses livros também podem (e devem) ser lidos. E as leituras possíveis são tantas! Histórias contadas só com imagens podem evocar emoções, reflexões e sentimentos bem variados. Faça uma experiência: veja o livro até o fim e (re)crie, em sua cabeça, a história que está ali. Em seguida, deixe a criança imaginar, interpretar, entender como quiser aquela narrativa visual. Ao final, conversem sobre o livro. Tenho certeza de que vai ser um diálogo muito rico e saboroso. O livro Faz de Conta foi criado pelo escritor Tino Freitas, que bolou o roteiro, e pelo ilustrador Romont Willy, que fez as imagens. Afora o título, é um livro sem palavras, mas com muita fantasia. Sua história é bem simples: um menino, um cachorro, uma vareta, um castelinho de areia... Ou não é tão simples assim? Seria um herói, um dragão, uma espada, um imenso palácio? Quantas aventuras e perigos podem surgir a cada página virada? A ilustração de Romont mistura diferentes técnicas, para nos conduzir — e, espertamente, nos iludir — nesse faz de conta. SOBRE OS AUTORES: Tino Freitas, cearense radicado em Brasília, é escritor, músico e agitador cultural. Mantém há mais de dez anos o projeto Roedores de Livros. Romont Willy, piauiense radicado em Brasília, é ilustrador de dezenas de livros.

O BALÃO, de Daniel Cabral. Editora Positivo, 2013.

FAZ DE CONTA. Roteiro de Tino Freitas. Imagens de Romont Willy. Editora Sesi-SP, 2015.

O Balão, de Daniel Cabral, tem algumas semelhanças com Faz de Conta, citado acima. Aqui também temos um menino que brinca com um objeto simples (um balão, ou bexiga). E que também solta a imaginação, empolga-se, viaja na fantasia, o céu é o limite. Até que uma hora... a brincadeira acaba. Mas sem traumas! Acabou a brincadeira, os afetos estão ali pra nos salvar (e nisso o livro lembra muito o Bárbaro, de Renato Moriconi (Cia das Letrinhas), meu livro sem texto favorito dos últimos tempos.

Leo Cunha O escritor Leo Cunha publicou mais de cinquenta livros para crianças e jovens, como Um Dia, um Rio (Ed. Pulo do Gato) e Cachinhos de Prata (Ed. Paulinas). Recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Jabuti, Nestlé e João-de-Barro. leocunha@canguruonline.com.br

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IMAGENS: REPRODUÇÃO

SOBRE O AUTOR: Daniel Cabral, paulista, trabalha como designer e ilustrador há cerca de vinte anos


4viagens, modo de usar

[1]

As calmas ondas de Vancouver

[2]

cai de hora em hora. Por falar em chuva, Vancouver tem o apelido de Raincouver entre outubro e março, graças à precipitação pluviométrica local, por sinal menor que a brasileira no verão. Se você quiser se assegurar de tempo seco, viaje entre maio e setembro. Vancouver é o destino para quem busca um pouco de aventura. Por exemplo, na Ponte Suspensa de Capilano, que balança a quase 100 metros de altura sobre o cânion do Rio Capilano e oferece uma vista magnífica da mata de pinheiros e samambaias no fundo. Se as crianças quiserem mais, podem passear pelas copas das árvores em outras pontes oscilantes e ainda fazer escalada de montanha. Vancouver também é o destino se seus filhos se interessam por ciência e arte. No arrojado Science World, eles aprenderão ciência fazendo experimentos, observando

cientistas em seu trabalho, vendo apresentações no teatro ou filmes no domo do cinema Omnimax. Na Vancouver Art Gallery, há uma ampla coleção de arte moderna, com exposições didáticas. A garotada é motivada a criar. Para papais e mamães, ao fim do dia, já que ninguém é de ferro, conhecer algumas das cervejarias artesanais é um programa que vai agradar. Ao fim da viagem, crianças e adultos irão querer voltar em breve. Afinal, curtir uma das melhores cidades do mundo sempre deixa um gostinho de quero mais.=

Luís Giffoni é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos. giffoni@canguruonline.com.br

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FOTOS: [1] GUSTAVO ANDRADE [2] PIXABAY

DE VEZ EM quando são publicadas listas com as melhores cidades do mundo para se viver. Há uma presença constante nelas: VANCOUVER, na costa oeste do Canadá, diante das calmas ondas do Pacífico. Muitos a julgam simplesmente a melhor cidade do mundo. De fato, ela tem credenciais para isso: beleza natural, temperaturas amenas, calor humano, dezenas de atrações, limpeza, segurança, diversidade cultural e, para as crianças, muita diversão. Diversão, com frequência, gratuita. A começar por aquela que julgo a joia da coroa: o Parque Stanley. Entre e saia dessa magnífica reserva quantas vezes quiser sem pagar um tostão. Lá existem florestas que parecem ainda virgens, trilhas que chegam a quase 25 quilômetros de extensão, lagos cheios de flores e castores, trenzinhos para poupar caminhadas, bikes e charretes para alugar, restaurantes para todos os gostos, além do Parque das Águas e das piscinas cobertas para a garotada. Uma dica: bem ao lado do Stanley, na orla, há hotéis confortáveis cuja diária custa menos do que se imagina. Na parte oriental do Parque Stanley fica o imperdível Aquário de Vancouver, que aloja 800 espécies de animais marinhos e terrestres. O foco das atrações são o contato com os bichos e o aprendizado sobre os ecossistemas. Assim, há tubarões caçando em recifes de corais e bichos-preguiça numa recriação da Floresta Amazônica, onde a chuva

Luís Giffoni


4padecendo no paraíso

Criança namora? Soares

MEU FILHO TEM 8 anos, ele adora ler, adora Minecraft, adora cinema, adora andar de bike, tem muita imaginação e namora. Mas ele namora assim: “Mãe, criança namora! Mas não igual adulto! É igual ao namoro do Cascão com a Cascuda!” Sou obrigada a concordar com ele. Criança imagina, criança brinca que é adulta, que tem casa, que tem filhos, que tem marido, que está em Marte, que voa, que tudo! Criança namora, namoro de criança, que é muito diferente de namoro de adulto, e ela sabe disso. Isso não é sexualizar nem adultizar, isso é imaginar. Que bom que elas podem viver nesse mundo de imaginação e aprender entre si. Errado é adulto namorar criança, isso é doentio. Errado é adulto ficar incentivando criança a namorar. Errado é adulto reprimir o namoro inocente e puro de uma criança. Meu filho namora! Eu também namorava quando tinha a idade dele! Ah, eu tive tantos namorados quando era criança! Nunca beijei nenhum, vários deles nem sabiam que eu namorava. Mas eu namorava! Eu suspirava por eles! Eu combato a pedofilia, quantas vezes já debati sobre esse tema? Quantos livros já li sobre isso? Quantos eventos já fiz? Quantos textos já escrevi? Quantas orientações já dei sobre isso? Nem sei contar! Mas meu filho namora quem ele

quiser, se ele quiser; sim, namoro de criança pode! Namoro de criança é inocente. Eu não incentivo, não estimulo, não fico me metendo, mas também não reprimo, não proíbo e não julgo. Deixem as crianças serem crianças. Não fiquem incentivando namoro, mas não as reprima se elas falarem que estão namorando. Vamos viver nossa vida de adultos e dar liberdade a nossas crianças para ser quem elas quiserem! =

Veja a opinião

dos leitores da Canguru sobre esta polêmica na página 10.

Coordenado pela arquiteta Bebel Soares e pela designer Tetê Carneiro, o grupo Padecendo no Paraíso nasceu em março de 2011, no Facebook, e é formado atualmente por mais de 6 000 mães. Na Canguru, as fundadoras do Padecendo discutem assuntos como saúde, alimentação, sexo, viagens, educação, estética e beleza. www.padecendo.com.br

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FOTO: PIXABAY

POR Bebel


FOTO: ARQUIVO PESSOAL

4artigo | Gislaine Soares

Maternidade e suas emoções

M

É da mulher a responsabilidade de cuidar-se fisicamente, emocionalmente e mentalmente e, caso sinta necessidade, de buscar ajuda

inha rotina como mãe e a caminhada psicoterapêutica com os pais dos pequeninos que atendo, com as mães e gestantes, sempre me fazem refletir sobre os aspectos emocionais intrínsecos à maternidade. Como ser uma “boa mãe” em meio a tantos sentimentos, muitas vezes antagônicos ou socialmente rotulados como impróprios? Ser mãe implica “experienciar” diariamente um “boom” de emoções desde o período gestacional. Pesquisas apontam que essa é a fase de maior incidência de transtornos psíquicos na mulher. Apesar disso, atualmente tem-se a consulta de pré-natal e grupos de incentivo ao parto natural e à amamentação, mas são ações quase que exclusivamente educativas (conhecimento do que ocorre nas fases gestacionais, alimentação ideal, como cuidar do bebê, como amamentar, benefícios e malefícios de cada tipo de parto etc). São ações de muita importância, mas que na maioria das vezes não envolvem um cuidado com a saúde emocional das gestantes. E esse cuidado com a mãe e consequentemente com seu filho? Não é relevante? Sabe-se que o acompanhamento psicológico durante a gravidez, parto e pósparto contribui muito para a organização emocional da mãe e seu bem-estar, sendo fundamental em casos de stress, ansiedade,

perturbações psicossomáticas, depressão, gravidez de risco, gravidez não desejada ou não planejada, em casos de dificuldade de engravidar ou abortos recorrentes etc. Entretanto, nossa cultura ainda apresenta preconceitos e uma desconsideração com a saúde psíquica. Então, a mulher precisa superar essa barreira. É dela a responsabilidade de cuidar-se física, emocional e mentalmente; de se perceber e, caso sinta necessidade, de buscar ajuda e recursos para se prevenir de transtornos psíquicos, melhorar as relações e vínculos com o bebê, com os familiares e com as pessoas próximas. Buscar um acompanhamento com um olhar e uma escuta que possa acolher as experiências, amenizar as aflições, culpas, ansiedades, queixas e medos. E, dessa forma, tornar-se ativa em sua vida, mais segura e menos vulnerável aos conflitos inerentes à maternidade. Cuidar-se! Esse é o meu desejo para cada mãe ou futura mamãe. =

Gislaine Soares é mãe da Sophia e do Arthur, psicóloga, consultora de gestão de mudanças, palestrante e psicoterapeuta infantil, de adulto, de casal e de grupos.

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FOTO: FLÁVIO DE CASTRO

4crônica

Na bolsa cris guerra e o filho, francisco

O QUE TEM na sua bolsa? Se você é mulher, provavelmente vai precisar de um parágrafo para a resposta. Se é homem, nem deve usar bolsa. Não há ilustração mais clara para a nossa necessidade de controle. Se uma bolsa feminina já é um prato cheio para o ladrão, o que dirá para o terapeuta. Sim, tem kit de costura. E tem chupeta, absorvente, batom, caderninho de anotação, caneta, documento, lenço, remédio, bombinha de asma. Agarradas às nossas bolsas, vamos pensando que somos Deus. Até que um dia um fato nos prova que não, na bolsa não há solução para tudo. E nos lembra uma palavrinha importante que a gente normalmente esquece de levar. Carregamos sins pesados a vida toda, mas esquecemos que os nãos é que costumam aliviar o peso. Já reparou como um bebê aprende a falar “não” com rapidez? De tanto ouvir a palavra, começa a devolvêla, sem cerimônia. Com o tempo, de um modo ou de outro, vai entendendo que o mundo à sua volta não está exatamente à sua volta. E terá de aprender a ouvir mais e mais nãos, em lugar de só dizê-los. Só que essa inversão acontece rápido demais. No caso das mulheres, a situação é mais grave: fomos educadas para o sim. O sim do cuidado, da doação, da concessão. O sim de quem espera ser escolhida. O sim da mãe zelosa, que não pode falhar porque não pode ser considerada nada menos que a melhor mãe. Sins parecem moldar o nosso valor no mundo. Nãos são muito arriscados. Podem trazer rimas indigestas como rejeição e solidão. Dizemos não para nós mesmas em consecutivos sins para os outros – filho, marido, emprego, família, expectativas. A fim de evitar problemas no futuro, vamos engolindo indigestos sapinhos diários. Muralhas

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Carregamos sins pesados a vida toda, mas esquecemos que os nãos é que costumam aliviar o peso de sins se voltam contra nós em nãos robustos, nos isolando do mundo e nos separando de nós mesmas. E vamos, supostamente, nos encaixando. Como quem entra no banco de trás de um carro, bem apertadinha, e passa a viagem rezando pra chegar logo, sofrendo com uma dor no pescoço. É preciso balançar esse pescoço vigorosamente para um lado e para outro. Positivamente: não. Não sou perfeita. Não posso estar em todos os lugares, não dou conta de todas as coisas e, por mais multitarefa que eu seja, sou humana. “Sim | são três letrinhas | todas bonitinhas | fáceis de dizer”, diz a música cantada por Marisa Monte. O não também só tem três letrinhas, mas nós vivemos com medo dele. Ou talvez o medo seja de nós mesmas. Imagina que estrago, que trabalho, que confusão será descobrir o tamanho do nosso poder. Se é tão importante ensinar ao meu filho que a vida é fazer escolhas, por que eu mesma não aprendo? =

Cris Guerra é publicitária, escritora e palestrante. Fala sobre moda e comportamento em uma coluna na rádio BandNews FM e a respeito de muitos outros assuntos em seu site www.crisguerra.com.br. Na Canguru, escreve sobre a arte da maternidade. crisguerra@canguruonline.com.br


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As crianças também


Canguru | BH | Junho de 2017 | Número 21  

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