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Pregação Poderosa para o Crescimento da Igreja David Eby

www.editoracandeia.com.br Iluminando vidas há 30 anos


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro. SP. Brasil)

Eby, David Pregação poderosa para o crescimento da igreja: o papel da pregação em igrejas em crescimento / David Eby; tradução de Else Lemmos. São Paulo: Editora Candeia, 2001. Título original: Power preaching for church growth 1. Igreja - Crescimento 2. Pregação 3. Teologia pastoral I. Título. 01-3111 COO-251

Índices para catálogo sistemático: 1. Pregação: Cristianismo 251 ISBN 85-7352-126-0 Copyright © 1977 : by the Lockman Foundation, La Habra, California, USA. Originalmente publicado: Christian Focus Publications Título original em inglês: Power Preaching for Church Growth Autor: David Eby Tradução: Else Lemmos Revisão: Marco Sant’Anna, Daniel da Silva e Paulo César de Oliveira Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados pela: EDITORA CANDEIA www.editoracandeia.com.br Gostaríamos de saber sua opinião sobre este livro. Escreva-nos.


Pregação Poderosa para o Crescimento da Igreja: O Papel da Pregação em Igrejas em Crescimento David Eby Dave Eby é o pastor de ensino da Igreja Presbiteriana de North City (Igreja Presbiteriana na América ou PCA) em San Diego, Califórnia. Casado há vinte e sete anos e pai de cinco filhos, Dave concluiu seu mestrado em Divindade pelo Seminário Teológico Fuller, em Pasadena, Califórnia, em 1971. Seus estudos teológicos avançados incluíram um mestrado em Teologia, na área de História da Igreja, no Seminário Teológico Westminster, na Filadélfia (1982), e um doutorado em Ministério da Pregação pelo Seminário Teológico Westminster, em Escondido, Califórnia, em 1995. A experiência ministerial de Dave inclui trabalho com jovens como diretor regional da Young Life no Colorado, implantação de igrejas e trabalho pastoral no Colorado e na Califórnia, além de conferências em Uganda, África. Pregação Poderosa para o Crescimento da Igreja é seu primeiro livro.


SUMÁRIO Apresentação

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Agradecimentos 13 Introdução 15 Prefácio 17 1 Aqui está o que você quer: o crescimento da igreja de atos

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2 Pregue para o crescimento da igreja

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3 O crescimento da igreja e atos 6:4

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4 Atos 6:4 e o ministério da palavra

51

5 Atos 6:4 - oração e pregação poderosa

57

6 Você é obcecado pela pregação poderosa?

67

7 O conteúdo da pregação poderosa(1)

75

8 O conteúdo da pregação poderosa (2)

83

9 Pregação poderosa: modo

91

10 Pregação poderosa: método

99

11 A pregação poderosa e devoção

103

12 A pregação poderosa e o espírito santo

109


13 Não saia dos trilhos

117

14 Trate com cuidado: o movimento de crescimento da igreja (1) 123 15 Trate com cuidado: o movimento de crescimento da igreja (2) 131 16 Promova a pregação poderosa em sua própria igreja

139

17 A pregação poderosa e suas expectativas de crescimento da igreja

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18 Pregação poderosa e reavivamento

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Conclusão

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Apêndice A: a pregação e as grandes confissões da reforma

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Apêndice B: Prepare-se e participe: sugestões práticas sobre seu papel no culto na igreja presbiteriana de north city

193

Apêndice C: orando por pregação poderosa

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Apêndice D: orando por reavivamento

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Bibliografia 211 Referências 213


DEDICATÓRIA A Darlene, provisão de Deus e auxiliadora extraordinária por 27 anos.


apresentação Por várias décadas, o Movimento de Crescimento da Igreja tem tido uma profunda influência na evangelização protestante em todo o mundo. Filosofia ministerial, estratégia missionária, estilos de culto e até currículos de seminário têm sido moldados por esse tão influente movimento. Quem pode censurar o objetivo de crescimento da Igreja? Certamente todos os que verdadeiramente amam a Cristo desejam ver Sua Igreja crescer, prosperar e multiplicar-se. E certamente não há nada de errado em buscar o melhor meio para atingir tal fim. Mas uma vez que é somente o Senhor que acrescenta à Igreja, nosso foco no crescimento da Igreja deveria ser da maneira que Ele estabeleceu. As Escrituras são claras sobre o meio que Deus usa para acrescentar à Igreja: o evangelho é o poder de Deus para salvação (Romanos 1:16). Agrada-lhe que pela loucura da pregação salvem-se aqueles que creem (1 Coríntios 1:21). Seu programa para a Igreja? “… prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:2). No Novo Testamento, o registro da Igreja primitiva revela que a pregação deveria ser o coração de toda a atividade da Igreja. A pregação era a principal estratégia para o crescimento da Igreja primitiva – e o seu crescimento era mesmo mensurado pelo progresso e expansão da Palavra de Deus. Nos textos a seguir vemos como o historiador Lucas registrou o crescimento da Igreja primitiva: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número de discípulos…” (Atos 6:7). “Entretanto,


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palavra do Senhor crescia e se multiplicava” (Atos 12:24). “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (Atos 19:20). Por que, então, existe tão pouca ênfase na pregação no moderno Movimento de Crescimento da Igreja? Esta é a pergunta que estimulou Dave Eby a escrever este livro. O Pastor Eby analisou centenas de volumes da literatura do movimento. Ele escreve como alguém comprometido com o objetivo de crescimento da Igreja, mas profundamente desapontado com o critério convencional do Movimento de Crescimento da Igreja. Na verdade, este livro é uma análise perceptiva e sóbria do que certamente é a mais evidente deficiência do movimento – a quase total ausência de ênfase na pregação. A verdade pode ser ainda mais sinistra. Às vezes o Movimento de Crescimento da Igreja tem até mesmo parecido antagonista à pregação. “Especialistas” em crescimento da Igreja aconselham os pastores a encurtar seus sermões, torná-los informais, divertidos, não tão “teológicos” e dirigidos às “necessidades dos ouvintes”. Isso, infelizmente, é uma receita para uma pregação e uma igreja fraca, e não para a pregação poderosa e crescimento genuíno da Igreja. Às vezes chega a parecer que o Movimento de Crescimento da Igreja vê a pregação poderosa como um fardo. Sermões leves, superficiais e divertidos se apresentam como o objetivo, em vez da forte exposição bíblica –���������������������������������������� pregação de poder, como Dave Eby define. E como ele ressalta, essa tendência para minimizar a pregação é certamente o tendão de Aquiles do Movimento de Crescimento da Igreja.


Apresentação

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O Pastor Eby é um apaixonado pela pregação. Ama a Palavra de Deus; ama ouvi-la e ama pregá-la. Ele sabe que é numa pregação forte que o verdadeiro poder para o crescimento genuíno da Igreja é normalmente visto. Tanto as Escrituras quanto a História apoiam a tese de Dave Eby: igrejas que crescem são quase invariavelmente centros de ótima pregação. Esse é um fato que o Movimento de Crescimento da Igreja deve encarar. Assim, agradeço a Deus por este livro e sua ênfase na pregação. Repleto de sabedoria e discernimento bíblico, é um gentil chamado ao despertamento, não apenas para o Movimento de Crescimento da Igreja, mas também para a minha igreja e para a sua. A chave para a vitalidade de nossas igrejas é nosso púlpito, não nossas programações. E se a Igreja de nossa geração chegar a ver um tipo de crescimento significativo, este será marcado por um retorno à exposição bíblica poderosa. John F. MacArthur Jr., outubro de 1996.


agradecimentos Este livro é escrito com profundo apreço por aqueles que tanto contribuíram para minha própria reflexão, vida e prática do ministério pastoral. Minha gratidão... A Jay Adams, professor, exortador, visionário e mentor na pregação, o maior chamado e privilégio na terra; A Joey Pipa, diretor do meu projeto de Doutorado em Ministério e encorajador leal e persistente para a conclusão do trabalho; Aos presbíteros e congregação da Igreja Presbiteriana de North City em San Diego, Califórnia, por me concederem, de bom grado, tempo para pesquisar e escrever; Ao já falecido Dr. Francis Schaeffer, que partilhou e exemplificou tanto a verdade e o amor e estabeleceu o firme alicerce; Ao já falecido John Gerstner, cuja palavra era sempre uma forma de pregar à consciência e ensinava 2 Timóteo 4:1-5 por preceito e exemplo com inigualável vigor e zelo; A Chuck Miller, que pregava e discipulava tão poderosamente; A R. C. Sproul, que estabeleceu um elevado padrão para a comunicação efetiva e didática destemida; A Al Martin, cujo ministério de pregação é um paradigma ímpar para uma exposição conscienciosa, para o ardor doutrinário e para a aplicação profunda; A Henry Krabbendam, cujo fervor e entusiasmo pelo evangelismo-pregação têm sido tão contagiantes; Ao grande número de professores na Igreja Congregacional de Lake Avenue, em Pasadena, Califórnia, Westmont College,


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Seminário Teológico Fuller, Seminário Teológico Westminster na Filadélfia e Seminário Teológico Westminster na Califórnia, que plantaram tantas sementes preciosas; Aos cooperadores na Young Life dos anos 60 e 70, que tão bem modelaram uma proclamação eficaz; A Vicki Smith, secretária fiel e ajudadora neste projeto; a Danny Song, datilógrafa cuidadosa e pronta a servir; A meus pais, Robert e Eleanor Eby, que me separaram para a pregação desde a concepção e, como todos os eleitos, jamais saberão todo o impacto que tiveram até o céu.


introdução Pastores e líderes de igrejas realmente precisam de um chamado ao despertamento para retomarem as prioridades apostólicas da pregação e oração como meio principal para alcançar o crescimento da Igreja? Os pastores estão realmente em perigo de serem enfeitiçados pelos modelos de sucesso e metodologias sociológicas para alcançar resultados? Os pastores estão verdadeiramente tentados a desvalorizar e negligenciar as armas da oração e da Palavra numa época que promete sucesso por meio de técnicas inovadoras de ensino? A resposta a essas perguntas é um retumbante “sim”. Eu sei porque sou um pastor e nos últimos trinta anos de ministério tenho sentido a pressão do pragmatismo. Tenho também ouvido e falado com um grande número de pastores que sentem o mesmo peso. O propósito deste livro é advertir e encorajar pastores e líderes de igreja a escapar da disseminada literatura de oportunismo e recomeçar uma ofensiva pelas prioridades e métodos bíblicos. A Igreja perdeu seu amor pela pregação. Ela se afastou de um compromisso firme e que não comprometa a exposição bíblica íntegra e sólida. A solução é que os líderes do corpo de Cristo se apaixonem novamente pela pregação. O caminho para o alívio é examinar cuidadosamente o livro de Atos, o manual para a evangelização e para o crescimento da Igreja. O único fundamento para a correta prática pastoral está em recuperar a verdade e a teologia. A paixão por uma prática íntegra e saudável é a única base para um ministério produtivo. A ortodoxia e a ortopraxis são inseparáveis. A chama da pregação precisa ser reavivada agora e em cada geração.


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Pregação poderosa para o crescimento da igreja

Espero que este livro ajude pastores ocupados a recuperar seu fervor e devoção ao ministério da Palavra. Cada capítulo inclui citações de grandes pastores do passado e do presente. Cinco apêndices propõem-se fornecer informações importantes e exemplos concretos de aplicação dos princípios discutidos. Que a maravilhosa tarefa de pregar a Palavra seja posta em evidência de forma nova nestas páginas e que pastores possam abraçar uma duradoura, forte e consistente pregação de poder, para o avanço do Reino de Cristo.


prefácio Todo pastor e líder de igreja que leva a Bíblia a sério quer que sua comunidade cresça. Ele anseia estar em um lugar onde as pessoas sejam sensíveis às coisas espirituais. Ele deseja ver um constante movimento de homens e mulheres de todas as idades indo a Cristo e unindo-se ao corpo local de crentes. Na verdade, a ausência dessa aspiração seria motivo para desqualificação para o ministério. É por isso que o Movimento de Crescimento da Igreja encontrou solo tão fértil entre pastores. É por isso que os livros do Movimento de Crescimento da Igreja vendem. É por isso que seminários e faculdades teológicas têm criado cursos sobre Crescimento da Igreja. Todo pastor deseja ardentemente que a igreja cresça. O surpreendente não é que pastores estejam interessados no crescimento da Igreja ou que cerca de 340 livros tenham sido escritos sobre o tema desde 1972. Surpreendente é que livros sobre crescimento da Igreja tratem tão pouco sobre a pregação. Disso eu entendo. Examinei cuidadosamente as dezenas de livros em minha biblioteca pessoal. Explorei a biblioteca do Seminário Teológico Fuller, o centro nervoso do Movimento de Crescimento da Igreja. Em vez de encontrar montes de pepitas reluzentes sobre o papel e a prioridade da pregação para o crescimento da Igreja, garimpei apenas um punhado de pó de ouro de baixa qualidade – um breve comentário aqui, uma afirmação passageira ali, com uma anedota ou ilustração ocasional. Experts escrevendo para encher os ávidos ouvidos de pastores e líderes de igreja com conselhos sobre como igrejas crescem, aparentemente consideram a pregação de importância secundária no processo. Que eu saiba, nem um


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livro sequer foi escrito sobre a pregação e o crescimento da Igreja. Frequentemente me perguntava: “Quando isto vai acontecer?”. Nem um livro sobre Pregação para o Crescimento da Igreja, ou A Pregação Pode Aumentar sua Igreja, A Chave para o Crescimento da Igreja, ou O Tipo de Pregação que Aumenta Igrejas, ou Como Conduzir a Igreja ao Crescimento Saudável por meio da Pregação. Alarmante? Sim, absolutamente sim! Este embargo à pregação deprecia a herança da Reforma e sua ênfase na Palavra pregada.1 Esta negligência, intencional ou não, opõe-se à prática e preceito do Novo Testamento. Todo pregador deveria ficar perplexo com esta omissão. Todo líder de igreja deveria ficar confuso com esta evidente exclusão. Este livro foi escrito devido à escassez de material sobre pregação e crescimento da Igreja. Ele foi escrito para preencher este vácuo significativo. Surpreso com a deficiente oferta de material sobre pregação e crescimento da Igreja? Não deveria! Vivemos num tempo de técnica sociológica, metodologia, programações e pragmatismo. Bem francamente, a pregação representa uma difícil competição tanto para o pastor quanto para o membro. Há tantas outras boas coisas no calendário da Igreja. A pregação é de fato tão estratégica? Tão importante? Tão lucrativa? Hoje, há um desencantamento geral com a pregação. A atitude predominante é de negligência, presunção, tratando-se o púlpito levianamente como uma parte superficial do culto e do ministério. Em alguns lugares, há desprezo e até descaso. Ainda que o pastor comprometido com a Palavra certamente não deva ser tentado a desprezar a pregação, há uma centena de tentações sutis para afastá-lo de sua devoção a essa tarefa.


Prefácio

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Este livro foi escrito para ser um chamado ao despertamento para pastores e líderes de igreja. Pretende-se que ele seja um sinal de alerta a fim de que pregadores entusiasticamente abracem as prioridades de Atos 6:4 para o crescimento bíblico da Igreja. Pastores, suas tarefas prioritárias são pregar e orar pelo crescimento da Igreja. Por que tamanha desilusão com a pregação? O que há de errado com a pregação contemporânea? É claro, a resposta é������������� �������������� “muitas coisas”. Todas as reclamações típicas se aplicam. Todas elas se reduzem a isto: “A pregação simplesmente não resolve, não fala, não me alimenta. Não extraio muito dela”.2 Muito da culpa está na revolução da comunicação e no aparelho de TV. As pessoas não conseguem mais concentrar-se por longos períodos. Elas deixaram de pensar lógica e linearmente como costumavam sob a “quente” mídia impressa. Agora elas pensam visualmente, dominadas pela televisão, o “frio” meio de comunicação.3 “A pregação é antiquada.” Os pastores estão sendo tentados, por muitos lados, a minimizar o papel da pregação para alcançar o crescimento da Igreja. Eles estão sendo seduzidos a desistir da proclamação. É hora de olhar com retidão a verdade sobre pregação e crescimento da Igreja. ��������������������������������������������������� De acordo com o Novo Testamento, e particularmente o livro de Atos, não podemos ter crescimento da Igreja sem pregar. Lá descobrimos que pregar não é uma questão secundária. Antes, o ministério da Palavra é a arma fundamental no arsenal espiritual, a única semente para a implantação da Igreja, a ferramenta-chave no plano de Deus para discipular as nações. Sem pregação não há Igreja. Sem proclamação não há crescimento da Igreja. Pregar


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é o coração, o sangue, o sistema circulatório completo da vida e do crescimento da Igreja. É tempo de pensar corretamente sobre a pregação. Ela não é nem periférica nem antiquada. Ela não pode ser, não enquanto Deus for Deus e sua Palavra for a verdade. O efeit������������������������� o da televisão é superestimado. As pessoas têm ouvido e continuarão a ouvir a verdade de Deus pregada. A pregação veio para ficar. A pregação será fortemente pressionada. A pregação receberá reprovação injusta. Mas ela não tem que aceitar o castigo, ela pode derrotá-lo. Este livro não defende que toda e qualquer pregação produza o crescimento da Igreja. Não é uma apologia de que o Sr. Pregador precisa apenas apresentar e entregar seu sermão então Deus abençoa e a Igreja cresce. Vivemos numa era de pregação pobre, relaxada, mal preparada. Pregação frágil não trará crescimento à Igreja. Uma pregação depreciada e mal preparada não construirá nem expandirá o Reino de Deus. A Bíblia clama por uma pregação primorosa, nota A, da mais alta qualidade, de primeiro nível, que seja objetiva, nutritiva e efetiva. A Bíblia reclama uma pregação de poder. Todo domingo, há muitas refeições indigestas e horríveis servidas em púlpitos em todo o mundo. A fonte? As razões? O real problema da pregação são os pregadores. Uma igreja não obtém boa pregação da mesma maneira que alguém compra um carro novo – escolha seu fabricante (teologia), selecione seu revendedor (o seminário específico) e peça o modelo, cor e pacote de acessórios que deseja (o pastor). Por que não? Porque teologia não prega; seminários não pregam – pregadores pregam. E pregadores não são como carros do mesmo modelo, basicamente similares com diferenças


Prefácio

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superficiais. Pregadores diferenciam-se enormemente. Eles podem fazer coisas muito semelhantes (estudar, visitar, administrar, etc.), mas nem todos os pregadores pregam bem. O que é preciso para pregar bem? O que é necessário para mudar da dominante categoria de medíocre a pobre para a escala do bom a excelente que está tão desesperadamente ausente em nossos dias? O que é essencial para interromper essa pregação do tipo “fast food” que é rapidamente preparada, de baixo custo, não muito nutritiva e não verdadeiramente satisfatória como uma dieta regular? Assumir o dom, assumir o chamado do Espírito Santo requer constante diligência, suor, motivação, objetivo e oração. A boa pregação exige trabalho extenuante e concentrado. É tempo de dar aos pastores uma palavra direta, honesta e proveitosa sobre pregação e crescimento da ����������������������� Igreja. É tempo de convidar os pastores a nunca desistir, a dar tudo à pregação. É tempo de chamar os pastores à pregação poderosa. Espero que este livro encoraje pastores. Esta é a intenção – inflamá-lo e motivá-lo, Pastor, a adotar as prioridades da pregação e oração para o crescimento da Igreja com toda sua força.


1 aqui está o que você quer: o crescimento da igreja de atos “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (Atos 2:42) Se você é um pastor ou um líder de igreja em qualquer parte do planeta Terra, deve admitir que fica boquiaberto quando lê o livro de Atos. Por quê? A resposta é muito simples: o que você lê é o que você quer ver acontecer em sua igreja. Você quer uma vida saudável, sólida, bíblica para a igreja e quer, ainda, seu crescimento. Você quer ver os membros de sua igreja comprometidos com ensino e pregação bíblicos. Você sonha com sua congregação, qualquer que seja seu tamanho, sendo composta de aprendizes ávidos que consistentemente chegam na hora às aulas dominicais e cultos, com ouvidos preparados para receber a Palavra. Você se entristece com pessoas estranhas que não levam a pregação muito a sério, que perdem os cultos, aparentemente sem dramas de consciência, quase sempre por qualquer pretexto insignificante. Você lamenta por uma geração de olhos avermelhados pelo videogames e pela TV, empanturrada de futebol, rede social, internet celulares, banheiras de hidromassagem e férias extravagantes, mas entediada com a Palavra de Deus. Até mesmo membros de longa data, em boa situação, parecem ter indigestão com qualquer coisa além da instrução simples, infantil. Mas graças a Deus por Atos 2:42, onde se descreve que os crentes “perseveravam na doutrina dos apóstolos”. Você pode insistir em seu


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sonho, porque se Deus assim o fez no primeiro século, Ele pode fazêlo novamente. Além disso, você imagina uma congregação onde há real comunhão entre as pessoas que se preocupam umas com as outras com amor verdadeiro. A devoção da boca para fora, a pura encenação de primeiro “amor” que falsamente se exibe como genuína koinonia cristã causa náuseas. Mas é possível que pessoas fechadas, superficiais e egoístas de uma cultura autossuficiente, que buscam somente o prazer e são individualistas se tornem servos que se sacrifiquem, que sejam conciliadores e praticantes da hospitalidade. Você sabe que isso é possível porque Atos registra: “E perseveravam na… comunhão… Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade… tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” (Atos 2:42, 45-46). E, é claro, você sonha com um corpo onde o culto seja praticado com júbilo intenso. Afinal de contas, não é isso que Deus merece? Ele é santo, portanto requer adoração santa de pessoas que estejam entusiasmadas de todo o seu coração. Liturgia seca, inconsistente, abstrata e meramente intelectual não conseguirá nada. Nem o sentimentalismo piegas, macio, do tipo “sinta-se bem”. Deus deve ser adorado com todo o coração, alma, mente e força. E é o que certamente deve ter sido a adoração tal como Lucas registra: vigorosa, requerendo ambos, mente e emoções, equilibrados e cheios de gozo. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão… Diariamente perseveravam unânimes no templo… louvando a Deus…” (Atos 2:42, 46-47).


Aqui está o que você quer: o crescimento da igreja de Atos

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Ademais, seu sonho certamente inclui uma visão de uma reunião de oração de casa lotada, o tipo ao qual Spurgeon certa vez referiu-se como o sistema aquecedor do Tabernáculo Metropolitano em Londres. No momento, o número de guerreiros de oração em sua igreja não é a questão. Dois ou três ardentes suplicantes reunidos para rogar “Venha Teu Reino” é uma multidão suficientemente grande para acender uma congregação e uma comunidade, pois a oração é o meio que Deus sempre usou para inflamar seu povo e edificar sua igreja. Lucas atentamente salienta que a oração coletiva era o fundamento e o estilo de vida da comunidade da nova aliança. Em seus primeiros dois capítulos ele registra por duas vezes que “todos estes perseveravam unânimes em oração” (Atos 1:14; 2:42). Você certamente imagina sua congregação avançando com mãos e braços fortes, levando boas ações e boas novas a todo canto e brecha de sua cidade, espalhando o aroma de Cristo em todo lugar; em chamas pelo evangelismo; espalhando o evangelho; chorando lágrimas de compaixão pelos fisicamente necessitados e espiritualmente perdidos; permanecendo firmes, lado a lado, empenhados num só pensamento pela convicção do evangelho (Filipenses 1:27). Você consegue enxergar isto: crentes causando um impacto na sociedade; a Igreja sendo tão vigorosa e viril, na Palavra e na ação, a ponto de que a placa de “não perturbe” do mundo não a faça calar. Esta é a descrição de Atos: “… contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2:47). Por fim, nosso sonho inclui crescimento numérico: números que falem de indivíduos que foram transformados pelo evangelho;


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números que representem pecadores trazidos das trevas para a luz, e do poder de Satanás ao poder de Deus, por meio da Cruz. O crescimento de conversões é seu forte desejo íntimo. E também era definitivamente de interesse para Lucas e para o Espírito Santo, porque está enfaticamente registrado para sempre: “… havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (Atos 2:41). Sonhe,�������������������������������������������������������� líder de igreja! Continuem salivando, ����������������� pastores. Não fiquem frustrados com seu apetite por uma igreja saudável. O próprio Deus criou e estimulou sua ânsia. Ele o fez através de sua confiável e perfeita inspiração da imagem apaixonante da Igreja em Atos. Sonhe! O que você deseja, todo verdadeiro cristão quer. O que você anseia, Deus alcançou muitas vezes na História, quando aprouve aos Seus propósitos reavivar Sua igreja pelo derramar de seu Espírito sobre o seu povo. Deus assim o fez em Atos. Atos é o seu modelo para a igreja saudável. Sua ânsia por uma congregação que deseja ardentemente a Palavra, que pratica vigorosamente a adoração, comunhão vibrante, oração forte, evangelismo robusto e trabalho abnegado vem de Atos. Seu apetite pelo crescimento da Igreja tem origem na própria Palavra de Deus. Continue sonhando. Deus pode tornar sua igreja saudável e dar a ela crescimento. Deus pode saciar sua sede. CITAÇÕES PARA SEU ENCORAJAMENTO O propósito de Atos… é convencer Teófilo de que ninguém é capaz de impedir a vitoriosa marcha do evangelho de Cristo. Por esta razão, Lucas relata… o progresso das Boas Novas de Jerusalém a Roma (Simon Kistemaker).5


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… Atos também é importante devido à inspiração contemporânea que nos traz… De fato, tem sido um exercício salutar para a igreja cristã de todos os séculos comparar-se com a igreja do primeiro século e tentar reconquistar algo daquela confiança, daquele entusiasmo, daquela visão e daquele poder (John Stott).6 As coisas que Lucas aponta aqui para nossa instrução são coisas excelentes e de grande benefício… Descreve-se o começo do Reino de Cristo e, tal como foi, o reavivamento do mundo… Além disso, mostra tanto o extraordinário poder de Cristo como a eficácia e força do evangelho em si. Pois nele Cristo deu prova clara de seu divino poder, porque, através de homens sem importância e tampouco dotados de habilidades, Ele trouxe o mundo inteiro em submissão a si mesmo tão facilmente pela força do evangelho, apesar de Satanás ter se levantado em oposição com tantos obstáculos. Nisso vemos também o incrível poder do evangelho porque, mesmo com a resistência de todo o mundo, ele não apenas venceu, mas também, com grande honra, trouxe todos os que pareciam invencíveis à obediência a Cristo. Portanto, mais foi alcançado por estes poucos e desprezíveis pequenos homens, contra todas as tempestuosas comoções do mundo, com o humilde som da voz humana, do que se Deus tivesse bradado abertamente dos céus (João Calvino).7

[Nos primeiros capítulos de Atos] vemos os apóstolos e seus seguidores proclamando a ressurreição de Jesus com fé inabalável e absolutamente convincente. Eles têm absoluta certeza da ressurreição de Jesus e de sua entronização ���������������������������������������������� à direita do Pai. Portanto, eles sabem que ��� todos os homens devem arrepender-se de seus pecados e confiar n’Ele como seu Salvador e Senhor… sua energia de fé espalha o evangelho… como o movimento de um incêndio no campo levado pelo vento (C. John Miller).8 George Barna nos diz que estamos apenas substituindo os mortos, que o corpo evangélico não está crescendo. As igrejas estão crescendo pelo rearranjo dos santos. Os evangélicos estão simplesmente brincando de “igrejas musicais”, mudando-se para igrejas maiores e mais empolgantes. O sistema que alimenta as megaigrejas é a pequena igreja e os crentes descontentes que saíram de suas igrejas. O que vai acontecer quando esse


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sistema secar? O que não estamos fazendo é penetrar em nosso mundo por Cristo. Verdadeiro evangelismo, verdadeiro discipulado e verdadeira busca simplesmente não estão acontecendo em nenhuma instância séria, como os fatos plenamente demonstram (Bill Hull).9 Não devemos jamais nos perguntar: “Por que não tive maior sucesso em meu ministério? Por que minha congregação não é maior e minha igreja não cresce mais depressa? De que forma posso dizer que a verdade que acredito pregar, tal como é em Jesus, não é mais influente, e que a doutrina da cruz não é, como se intencionava que fosse, o poder de Deus para a salvação das almas? Por que não ouço com mais frequência daqueles que estão constantemente sob meu ministério a ansiosa pergunta: “O que devo fazer para ser salvo?”. Não estou em falta, até onde sei, no cumprimento de meus deveres ordinários, e até hoje acumulo poucos frutos de meu trabalho, e tenho que continuamente proferir a reclamação do profeta: “Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?”. Nós, de fato, damos vazão a tais reclamações? Temos sinceridade o bastante para emitir tais lamentações? Ou isto tem pouco efeito para nós, sejam os objetivos do ministério alcançados ou não, desde que recebamos nossos salários, mantenhamos nossas congregações em seu tamanho habitual e garantamos a tranquilidade em nossas igrejas? Frequentemente somos vistos pelos olhos oniscientes de Deus conduzindo nossos estudos em profunda reflexão, meditação solene e rigorosos autoquestionamentos? E depois de uma análise imparcial sobre nosso agir e uma triste lamentação que já não fazemos mais, questionando-nos dessa forma? “Não há nenhum novo método a ser tentado, nenhum novo esquema a ser planejado para aumentar a eficiência do trabalho ministerial e pastoral? Não há nada que eu possa melhorar, corrigir ou acrescentar? Não há nada em particular que esteja deficiente no conteúdo, modo ou método de minha pregação, e na direção de minha atenção pastoral?” Certamente supõe-se que tais questionamentos fossem frequentemente instituídos sobre os resultados de um ministério tão momentâneo quanto o nosso; que períodos fossem reservados com frequência, especialmente no final


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ou começo de cada ano, para um propósito como esse. Certamente, os resultados seriam muito benéficos (John Angell James).10



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