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QUAL O TEMPO QUE O SEU TEMPO TEM? “Da mitologia grega podemos extrair uma síntese dos “tempos” que temos ao nosso dispor e que simultaneamente nos valemos em nosso dia a dia, sem perceber. Aliás, fica aqui uma sugestão de leitura: conhecer mais sobre o mito de Chronos e Kairos”

GABRIEL SANTANA É Coach Corporativo profissional certificado e credenFoto: Asierromero / Freepik

ciado pelas mais renomadas instituições

internacionais.

Jornalista e acadêmico de Direito, é especialista em Direito Corporativo e Compliance. www.coachgabrielsantana.com.br 50 CAMPINAS CAFE

rganização. Para muitos, quando o assunto é ‘otimizar’ o tempo para aproveitá-lo melhor, a principal estratégia está em manter uma agenda organizada, cultivar hábitos para estabelecer uma disciplina ou planejar atividades em blocos. De fato, todos esses métodos são válidos e funcionais a depender de seu momento, da demanda e, principalmente, do tempo em que sua mente opera. Atualmente, o fluxo de informações, de atividades e compromissos têm despertado ansiedade e causado relações sociais mais fugazes, o que repercute no modo como se interage e se vive o momento presente. É verdade que essa questão de projetar outros tempos no tempo imediato é algo que há muito provoca reflexões, seja no âmbito familiar, profissional ou pessoal, sua mente responde a um tempo atemporal. Da mitologia grega podemos extrair uma síntese dos “tempos” que temos ao nosso dispor e que simultaneamente nos valemos em nosso dia a dia, sem perceber. Aliás, fica aqui uma sugestão de leitura: conhecer mais sobre o mito de Chronos e Kairos. No entanto, o que nos importa aqui é saber que temos dois tempos, sendo o de Chronos àquele limitado ao perceptível, passível de prova e mensuração, que nos envelhece e nos subtrai a energia vital, e o de Kairos, um tempo ilimitado, sentido naquele bate-papo que em três horas parece ter acontecido em cinco minutos, é aquele em que se carregam as energias vitais e no qual o “foco” e a “concentração” se fazem aliados. Todos vivem esses dois tempos alternadamente, às vezes, simultaneamente – já que um independe do outro -, mas, principalmente, todos optam consciente ou incons-

cientemente por um deles quando escolhem permanecer na razão (Chronos) ou na sensibilidade (Kairos), buscando quantidade (Chronos) ou qualidade (Kairos). E justamente essa escolha é que determina a velocidade dos afazeres, a vivência prazerosa ou desgastante e estressante. Temos, então, o primeiro impasse, onde possivelmente você se pergunte: “como distinguir em qual tempo tenho vivido?” Suas palavras e escolhas, certamente, são os principais indícios. Há quem, mais que recordar com alegria ou saudade uma viagem, um relacionamento, uma fase da vida, continuamente revive tais fatos externando aos familiares, compartilhando reiteradamente nas redes sociais, lamentando-se o que passou. Olhe suas publicações na internet, releia suas conversas e “desabafos” com amigos nos aplicativos virtuais, observe os lugares que frequenta ou que planeja ir. São os mesmos? Em qual tempo estão? Às vezes, mais que um fato continuamente recordado, a pessoa mostra que sua mente está no passado, pois sempre a sua linguagem, as suas fotos e outras atitudes se voltam a um momento que se foi, têm certo saudosismo. O contrário também frequentemente ocorre: o discurso de “no futuro”, as frases de efeito voltadas a projetar “dias melhores” e afins, revelam-se prejudiciais. Ambas intensificam a angústia do que se foi ou do incerto e atrapalham o desfrute do presente pelo aprendizado, bons resultados e experiências advindas de outros momentos, assim como desfazem o futuro pela pressa ou inconsequência no agora. “Mas como posso mudar isso, o descompasso temporal? E se for um vício?”, bem, sobre isso falaremos na próxima coluna. Por ora, responda para si: qual o tempo que o seu tempo tem?

Campinas Cafe | edição 282 | abril 2018  
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