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especial

mos ter pontos de vista diferentes e não é necessário querer convencer o outro, tampouco destruir quem pensa de outra forma. Caminhamos em direção a uma cultura de paz. É preciso ter cuidado com o que não é benéfico em nós porque isso é como um namorado ciumento, que vira controlador depois.

Fotos:Tatiana Ferro

O que fazer, então? M.C.: Temos que trabalhar um equilíbrio entre o que é prejudicial e o que é benéfico para o que é bom tenha espaço para crescer e não seja esmagado. Parte de cada um de nós, mas também depende de políticas públicas. Não é o ser humano separado do grupo. Precisamos que nossos políticos e as legislações tenham um olhar para a cultura de paz. Não tem cabimento odiar quem pensa diferente. Com as redes sociais, abriu-se a caixa de Pandora, mas talvez liberar os monstrinhos que há dentro de cada um seja necessário para um processo de amadurecimento da espécie. O que a gente joga no mundo, mesmo no virtual, volta para nós. Vamos aprender a usar melhor as redes sociais. A grande mudança será tirar do foco o “eu, individual” para percebermos que nós vivemos juntos em relação a tudo e a todos. Querer retribuir o mal é algo inerente ao ser humano? M.C.: Não acredito nas antigas teorias de Rosseau, que dizia que “o homem é bom, mas a sociedade o perverte” e de Cesare Lombroso que falava das características do as-

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Os autores do livro no camarim antes do debate, em que foram recebidos e aplaudidos de pé: autoconhecimento e equilíbrio para jogar a favor da cultura da paz

sassino nato. Nascemos com certas condições genéticas e há a influência das experiências do útero materno e do crescimento, mas podemos nos treinar para uma cultura de não-violência e para um autoconhecimento profundo. Meditação deveria começar na pré-escola para a criança entender que certos sentimentos, como o ciúme, são naturais, mas não devem ser desenvolvidos. Temos que nos conhecer e trabalhar nossas emoções e também ter sabedoria para não gerar sofrimento pessoal e coletivo. Depois da gratidão, estão muito em voga as palavras resiliência e sororidade. O uso dessas palavras no cotidiano é favorável? M.C.: Obrigada passou a ser uma palavra feia, que parece demonstrar “obrigação”. Mas é bom ter obrigação com alguém. Se uma pessoa me fez uma coisa boa, me sinto obrigada a retribuir. Gratidão, é meio como se fosse você lá e eu aqui. A palavra obrigada foi falada tantas vezes que

“Meditação deveria começar na pré-escola para a criança entender que certos sentimentos, como o ciúme, são naturais, mas não devem ser desenvolvidos” Monja Coen

perdeu o poder, então pegamos uma palavra nova e empoderamos um sentimento. É interessante empoderar o sentimento de ser grato. Resiliência também é nova e implica em como suportamos as dificuldades e não desistimos de nossos objetivos. É importante que você se pergunte o significado dessa nova palavra e se ela faz sentido em sua vida. E sororidade é irmandade. Não somos todos irmãos, filhos e filhas da Terra e do sol?

Campinas Cafe | edição 282 | abril 2018  
Campinas Cafe | edição 282 | abril 2018  
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