CAAS - CENTRO DE APOIO AOS AMBULANTES DO SAARA
Camille Oliveira
Melina Ferreira
Atelie Integrado 1 - 2020.1 R
Atelie D - Daniella Costa, João Folly, Tiago Abdelhay e Silvana Nicolli
FAU UFRJ - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO
O Centro de Apoio aos Ambulantes do SAARA é um espaço público que visa atender às demandas dos comerciantes estabelecidos na Rua da Alfândega, Rua Senhor dos Passo e Rua Buenos Aires.
A partir de estudos sobre usos e apropriações locais, identidade histórico-cultural e fluxo de caminhabilidade, foi observado que estes indivíduos não possuíam lugar adequado que os permitissem fazer refeições, higienizar-se, ter acesso a sanitários ou armazenar mercadorias.
_A ESCOLHA DO LOCAL
Como citado anteriormente, o projeto busca atender os comerciantes locais, mais especificamente do SAARA. Por este motivo, era necessária a escolha de um lote que fosse próximo aos centros comerciais, para que os ambulantes pudessem facilmente caminhar até o espaço sem percorrer longas distâncias. Dentre as possibilidades disponíveis, foi escolhido o lote de esquina da Rua da Constituição e Rua República do Líbano. As potencialidades que favoreceram a escolha deste local foram a proximidade com o transporte público - VLT - e o curto trajeto - aproximadamente 230 metros (3 minutos a pé), pois ambos os fatores tornam o local acessível.
_CAMINHABILIDADE
Através de análises de fluxo dos ventos, trajetória solar e gabarito de altura das edificações do entorno, foi notado que o lote recebia ventilação no sentido Noroeste e apresentava sombras parciais no decurso do dia. Quanto ao lote, apresenta dimensões de 12 metros x 50 metros, portanto possui um perfil estreito (largura) e extenso (comprimento). Essas características propiciam a implantação do edifício à esquerda do lote, adjunto à empena pré existente da edificação vizinha, e a formação de pátios laterais. O objetivo era proporcionar conforto térmico e estimular a ventilação e iluminação natural dos ambientes sem a dependência de aparelhos elétricos. Deste modo, todos os ambientes foram posicionados voltados para os pátios.
RUAPRAÇADAREPÚBLICA
DO PAVIMENTO TÉRREO
RUA REPÚBLICA DO LÍBANO
_CORTE PERSPECTIVADO A
O térreo livre faz conexão com os pátios interno/externo, mesclando a ambiencia do edifício.
O Centro de Apoio dispõe de duas volumetrias bem definidas, interligadas por pátios (pátios usados como elementos estruturantes). O primeiro pátio, que conecta as espacialidades do Galpão e da recepção, possui um caráter mais público . Esse ambiente foi planejado como ambiente transitório - entre a Rua da Constituição e o Edifício, a separação entre dentro-fora / público-privado e de uso comum entre os indivíduos. Os consumidores têm a possibilidade de circular na Feira e nos eventos que ocorrerão no Galpão, usufruindo o mobiliário urbano.
Já o segundo pátio, apresenta um caráter mais privativo, para atender diretamente as necessidades e conforto dos usuários que utilizam o edifício.
Ambos os pátios foram pensados para serem espaços de permanência, acolhedores, ocupados de forma livre pelos seus visitantes e habitantes.
CORTE PERSPECTIVADO SEM ESCALAPÁTIO PÚBLICO, VISTO DA RUA DA CONSTITUÍÇÃO
_PLANO DE MASSAS
PISO INTERTRAVADO DE CIMENTO QUEIMADO
IPÊ ROSA
MOBILIÁRIO EM MADEIRA
GRAMA ESMERALDA
IPÊ AMARELO
CAMARÃO ROSA
RUA REPÚBLICA DO LÍBANO
MOBILIÁRIO EM MADEIRA
TREPADEIRAS MIRINDIBA
GUAIMBÉ
PISO DE CIMENTO QUEIMADO RESINADO
MATERIAIS
AMBOS OS VOLUMES DO PROJETO CAAS FORAM PENSADOS EM UM SISTEMA ESTRUTURAL DE MADEIRA LAMINADA COLADA, COM PILARES DISPOSTOS EM UMA MALHA MODULAR COM INTERVALO DE 5 METROS.
OS VOLUMES APRESENTAM PILARES QUE ALÉM DE SUSTENTAREM OS PAVIMENTOS SUPERIORES DO EDIFÍCO QUE ABRIGA OS DEPÓSITOS, COMPLETAM A LINGUAGEM ARQUITETÔNICA EXPRESSA PELA FACHADA, CRIANDO UMA AMBIÊNCIA LEVE E DESCONTRAÍDA PARA O GAPÃO E SUA FEIRA.
JÁ OS MOBILIÁRIOS, TAMBÉM DE MADEIRA (AMERICANA), FORAM PENSADOS PARA QUE OCUPASSEM O TÉRREO DE FORMA DELICADA E ORGÂNICA, PREENCHENDO O DESENHO DE PISO INTERTRAVADO DE CONCRETO, OCUPANDO MAJORITARIAMENTE AS LINHAS HORIZONTAIS DO PISO.
OS MOBILIÁRIOS EXPRESSAM UMA ATMOSFERA DE ESTIMULAR A SOCIABILIDADE ENTRE SEUS OCUPANTES.
OS MÓDULOS APRESENTAM BANCOS, QUE PODEM VIRAR MESAS, ARQUIBANCADAS, ESTEIRAS DE DESCANSO, ENTRE OUTRAS PERSPECTIVAS QUE POSSAM SER APROPRIADAS POR QUEM USA ESSE MOBILIÁRIO.
O edifício oferece 75 depósitos de uso individual com aproximadamente 3 metros quadrados, onde os comerciantes teriam a possibilidade de acondicionar seus produtos por um prazo pré- estabelecido.
O edifício CAAS possui uma fachada frontal histórica, localizada na Rua da Constituíção, que compõe o lote de quadra, juntamente das fachadas vizinhas remanescentes do século XIX. O tombamento e a revitalização dessa fachada frontal levam em consideração o valor histórico-cultural das arquiteturas presentes na Rua da Constituíção, visto que a preservação da identidade patrimonial do local de intervenção está diretamente ligada ao discurso fundamental fomentado pelo projeto: propor a construção de um espaço de acolhimento, com a identidade daqueles que habitam as ruas do centro.
Apesar da fachada apresentar algumas alterações, resquícios que delatam a passagem do tempo, pequenos detalhes de estilos arquitetônicos variados, a preservação deste corpo histórico agrega ainda mais valor ao projeto proposto, que ajuda a contar histórias que somente o passado poderia revelar.
O ritmo das esquadrias das aberturas pré-existentes foram algumas das especificidad es que precisaram ser estudadas a fundo. O estudo das fachadas remanescentes possibilitou a criação de uma de nova linguagem, que amarrasse o antigo ao novo, estabelecendo uma ponte harmônica entre a nova modelagem projetual e a fachada histórica, de modo que as suas diferenças dialogassem por meio de elementos comuns, como os pilares, ou de maneira espelhada para dentro do novo edifício.