Issuu on Google+

Crescendo e não aprendendo Por Camilla Pereira Dado o início da venda de ingressos para o Rock In Rio, no último dia 4, viu-se a selvageria online. Os 455 mil ingressos postos a venda duraram quatro horas. Viu-se, também, uma série de problemas que não foi novidade. Aos poucos, nas redes sociais e até mesmo na página do festival, cresceram as reclamações, indignações e a raiva das pessoas que tentaram, tentaram e tentaram adquirir ingressos e não conseguiram, devido à problemas do site, ao grande tráfego que o site recebeu. A empresa não se manifestou sobre qualquer problema que possa ter ocorrido. Ocorrido que, aliás, não é novidade: em 2010, a Time For Fun, promotora do show da banda U2, foi até autuada pelo PROCON-SP, tamanha a confusão na venda online. E os problemas não se restringem apenas a vendas de ingressos. Ou ao mundo da música. O problema é que tentamos realizar eventos de grande porte sem medir as consequências. Cito como exemplo o show de Madonna em Porto Alegre, ano passado, marcado pela dificuldade na compra de ingressos, filas desorganizadas e atraso de quase 4 horas, que rendeu à Time For Fun outra autuação do Procon. Ou até mesmo o jogo Grêmio X LDU, realizado na Arena do Grêmio, que contou até com a queda de um alambrado, causando ferimentos a sete torcedores. O Brasil tem pressa. Nós temos pressa. Assumimos os compromissos de sediar a Copa mundial de futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016 sem sequer ter infraestrutura. Queremos crescer, queremos ser primeiro mundo, queremos evolução aqui e agora, e, por isso, tropeçamos na empolgação. Incidentes como o sucedido no jogo do grêmio levantaram discussões sobre a prontidão do estádio, se sua inauguração não teria sido precipitada, se haviam ocorrido erros em sua construção. Perguntas pertinentes pois, uma vez que inaugurado, assume-se que algo está pronto para o uso, correto? Não. Mais uma vez, tropeçamos na empolgação. Ao aparecer para o mundo como país anfitrião de eventos deste porte, somos todos adolescentes. Com pressa de viver, queremos o futuro hoje, esquecemos do passado e não temos qualquer consideração pelo presente. Esquecemos que temos maiores problemas com os quais lidar. Esquecemos que temos problemas com


eventos menores, os quais, a essa altura, já deveríamos ser mestres em realizar e mesmo assim, cometemos erros básicos. Deixamos tudo para trás. Tomara que, até 2014, a adolescência brasileira tenha passado e nós - finalmente - tenhamos resolvido nossos problemas e que façamos a melhor Copa que pudermos, ou continuaremos a ser tratados como criança.

Camilla Pereira Artigo para a disciplina de Jornalismo de opinião @ 2013/1


Crescendo e não aprendendo