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Expediente Terra & Negócios é uma publicação para o TCC da Unitri

Editorial

Sumário

A agropecuária e a bioenergia oferecem uma histórica janela de oportunidades (renda, divisas, emprego) para o Brasil e para os brasi-

Conselho Editorial:

leiros, do campo, ou das cidades. Por outro lado,

Natália Manfrin, Gustavo Ribeiro

tais objetivos podem e devem ser lastreados na sustentabilidade em seu sentido mais amplo, que

Edição:

articula compromissos ambientais, econômicos

Gustavo Ribeiro

e de inclusão social. Valores que tornam a atividade mais equilibrada, gerando alimentos mais nutritivos e saudáveis, produzidos em maior

Projeto Gráfico:

DEZEMBRO 2013

ANO 1

Nº 1

quantidade, com uso mais inteligente e racional dos recursos naturais,

Jonathan Santana Jonathan@uberlandia.com

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A expansão canavieira

com preços mais acessíveis para a população. Num mercado global cada vez mais competitivo, em que outros

Jornalista Responsável:

segmentos encontram sérias limitações, a agricultura brasileira figura

Gustavo Ribeiro

como uma apólice de seguro de crescimento econômico já contratado. Cientes desse enorme potencial que cada produtor rural tem em mãos,

Redação:

nós temos a nobre tarefa de levar informações precisas e de credibilidade,

Camilla Medeiros

para alavancar seu negócio e colocar o Brasil, definitivamente, como o

Fernanda Naves

celeiro mundial da produção de alimentos.

Julliana Tavares

Nesta primeira edição, o leitor vai navegar em terra firme e produ-

Marcela Pires

tiva, conhecendo novas variedades de soja para Minas Gerais, as oportu-

Natália Manfrin

nidades da pecuária leiteira e a importância da raça Nelore para o Brasil.

Rodrigo Silva

Vai ficar por dentro do Camaru 2013, que contou com a ilustre visita dos cantores Victor & Léo e Almir Sater, além de receitas tipicamente

Revisão:

mineiras, e de uma praga que está tirando o sono dos produtores de soja.

Paulo Henrique Souza

A Revista Terra & Negócios enxerga o agronegócio como o principal setor de geração de riqueza para este Brasil de tantas realidades.

Impressão:

Sugerimos a criação de um novo produto, inovador, que conecte

2mL Gráfica Expressa

seus leitores e consumidores a um jornalismo independente antecipando as transformações do meio rural, com esse objetivo, nasce a Revista Terra

Tiragem:

& Negócios.

2.000 exemplares A Revista Terra & Negócios não tem responsabi-

Propomos, neste projeto, realizar uma produção impressa que res-

lidade editorial pelos conceitos emitidos nos arti-

gate a identidade de quem vive no campo e, ao mesmo tempo, contribua

gos assinados e informes publicitários.

para seu conhecimento.

Rede Social /terraenegocios

Boa leitura!

@terraenegocios

Gustavo Ribeiro - Editor Chefe

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Entrevista com Paulo Horto

8 Na Mídia Empreendedorismo: 16 um aliado do produtor rural desafios na produção 18 Novos de leite 20 Bom momento para o leite

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Produtores rurais deverão compor o Cadastro Ambiental Rural

cultivares de soja para 24 Novas o Cerrado Agronegócio quebra recorde

28 e pode representar do PIB

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Empreendedorismo que cabe no bolso

30 Helicoverpa armigera no ecossistema 31 Vitalidade rural raça indiana com 32 Nelore: sangue brasileiro

34 Feijão tropeiro mineiro 35 Na Estante Camaru 2013 dedica espaço 36 ao Senepol 38 Coluna Social 39 Humor 1ª edição ano 2013

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NA MÍDIA

Gastos com importação de adubos sobem 10% ao ano

Os gastos das indústrias de fertilizantes com importações estão desacelerando. Mesmo com essa queda, no entanto, os valores são bem superiores aos do ano passado. Segundo dados da Secex (Secretária de Comércio Exterior), os gastos de janeiro a outubro subiram para US$7,4 bilhões, 10% a mais do que os US$6,7 bilhões de igual período de 2012.

Minas Gerais vai expandir a produção de grãos

A produção estadual de trigo deve atingir quase 120 mil toneladas, ou seja, 48,5% a mais que a colheita anterior. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que a produção estadual de soja pode alcançar 3,7 milhões de toneladas, aumento de 9,4% ante os 3,4 milhões registrados na temporada anterior.

Portos do Paraná movimentam mais Governo declara emergência em MT por ataque de lagartas

Os portos do Paraná movimentaram, de janeiro a outubro, 39 milhões de toneladas de cargas. O volume é 3,7% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Destaque para a soja, cuja exportação somou 7,7 milhões de toneladas, um aumento de 16% em relação a 2012. pág.

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O Ministério da Agricultura declarou nesta segunda-feira estado de emergência fitossanitária em Mato Grosso devido ao ataque da lagarta helicoverpa- armígera nas lavouras. Até o momento, Bahia e Mato Grosso tiveram a emergência reconhecida. A helicoverpa é uma lagarta que até recentemente estava restrita às lavouras de algodão, mas atacou com força plantações de soja na safra 2012/13, causando grandes prejuízos bilionários em todo o país, principalmente no oeste da Bahia. Em outubro, a presidente Dilma Rousseff autorizou o Ministério da Agricultura a adotar procedimentos para o controle da praga quando for declarado oficialmente estado de emergência fitossanitária. 1ª Edição ano 2013

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Paulo Horto

carne. A genética, nós temos. Falta o elo entre a genética e a tecnologia de produção, que resulta em melhor custo/ beneficio. Investir em qualidade de carne é a receita para navegarmos em mares calmos por muitos anos na pecuária brasileira.

Terra & Negócios - Ingresso no agronegócio e nos leilões. (Como tudo começou) Paulo Horto - O contato com o mundo rural vem desde a infância. Meu avô tinha uma casa de carnes em Tupã, interior paulista. Eu saía com ele para comprar, vender e abater gado. Ele tinha uma chácara e eu, com sete anos de idade, já vivia nesse mundo de cavalo, boi, casa de carnes, etc... Posteriormente, na adolescência, fui para São Paulo trabalhar no Bradesco, e, nos finais de semana, trabalhar nos leilões como freelancer, para ajudar no orçamento. Identifiquei-me muito com o trabalho e logo recebi uma proposta salarial da leiloeira, melhor que a do banco. Deixei o Bradesco (acho que fiz a escolha certa). A partir disso, comecei efetivamente minha carreira no mundo dos leilões, nessa época, com 18 anos. Este ano, faço 30 anos de carreira trabalhando efetivamente só com leilões. Comecei a carreira na Programa, em São Paulo, e, pouco tempo depois, abrimos uma filial em Londrina (PR). Eu acabei adquirindo a Programa e a Remate Leilões e hoje o grupo realiza mais de 700 leilões por ano. TN – Quais foram os caminhos percorridos para transformar a Programa Leilões na maior leiloeira do Brasil? PH - Não houve muita estratégia. Houve muita paixão, muita energia, vontade de trabalhar e as há até hoje. No nosso trabalho, você sempre precisa depositar muita energia, tem que gostar do que faz, pois toma muito tempo. A gente tem que abrir mão de fim de semana, de feriados e etc. Temos 30 dias de férias por ano, entre o fim de dezembro e o de janeiro. Depois, uma rotina pesada dentro da nossa agenda. Todo mundo que trabalha com isso tem que ter muita paixão, muita energia na atividade. E, é óbvio, tem que ter planejamento, uma boa equipe, retaguarda, ter muita organização, transparência na execução do trabalho e dar o maior equilíbrio possível entre quem vende e quem compra. Isso é uma receita básica para você ter sucesso nesse segmento. TN - Como é formada a equipe da Programa Leilões? PH - Hoje, contamos com uma equipe de 200 funcionários, todos devidamente registrados, espalhados pe-

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TN – O ano de 2012 foi marcado por preços mais acomodados no mercado de leilões. Quais as perspectivas para este ano? PH - A conta para a pecuária está muito justa, apertada. Precisamos de um conjunto de ações para não desestimular o setor, e isso passa por melhoria no preço pago ao produtor. A agricultura, o reflorestamento, a cana, todos têm recebido subsídios para estimular a produção Falta isso à pecuária, por isso o produtor de carne e leite tem ficado desestimulado. O primeiro bimestre deste ano está melhor que o do ano passado, mas precisamos ter uma conta mais confortável para o produtor da pecuária brasileira.

los escritórios do grupo, sendo a matriz em Londrina (PR) e regionais em Campo Grande (MS), São Paulo (SP), Goiânia (GO), Cuiabá (MT) e, agora, o mais novo filho, em Marabá (PA). Além da equipe de freelancers em todo o Brasil, que trabalham durante os leilões, nos buffets, nos bastidores, etc. TN – Quais foram os maiores obstáculos ao longo dessa trajetória? PH - O Brasil ainda está longe de ter a melhor pecuária e a melhor agricultura. Estamos avançando muito, mas existem obstáculos e, como em qualquer negócio, temos que trabalhar para superá-los. Limitações como as que estamos assistindo na agricultura. O setor teve um grande avanço e agora não consegue escoar a produção, vive um grande caos logístico. Ou resolve o problema de logística do agronegócio, ou estamos simplesmente puxando o freio de mão com o carro acelerado. Temos uma estrada pela frente para percorrer, mas estamos com o freio de mão puxado. No caso da pecuária, nós precisamos de mais tecnologia. Os criadores tem feito o dever de casa, o melhoramento genético está acontecendo, o pessoal tem investido e obtido bons resultados. Agora, eu acredito que está na hora de focar em tecnologia para produzir mais carne em menos tempo, além de aprimorar a qualidade dessa carne. Temos que ter mais precocidade e aumentar a qualidade, esse é o nosso desafio. Dessa forma, poderemos exigir preço, que é o que falta na pecuária. A conta hoje para o pecuarista está muito difícil. A agricultura avançou. Ela tem seus problemas de logística, mas está tendo preço. Na pecuária, é difícil entregar a produção e não está tendo preço, por falta de qualidade. O pecuarista tem que investir em tecnologia o máximo possível para buscar qualidade de

Foto: Gustavo Ribeiro

eNTREVISTA

Um dos principais nomes do agronegócio brasileiro, a frente da empresa que realiza mais de 700 leilões por ano

TN – Muita gente pensa que a Programa só trabalha no mercado de leilões de elite. É verdade? PH - Os leilões de elite são os que mais aparecem. Estamos entregando um estudo, no qual foi mensurado que 50% dos nossos leilões são de melhoramento genético e a outra metade composta por arremates de cria, recria, engorda, pecuária extensiva e produção. Fazemos leilões de bezerros, touros, equinos, ovinos e avançamos muito no segmento de leite. É claro que esses leilões de elite, que na verdade são de melhoramento genético, tem mais visibilidade. Acabamos de vender uma bezerra em Londrina por quase R$400 mil, então, é obvio que todo mundo vai falar dela. Isso é ótimo, maravilhoso, mas nós já vendemos aqui 3.000 cabeças de gado de corte, vendemos touros, terminaremos vendendo cavalos Crioulo. A Programa é bastante diversificada: nós estamos em todas as raças e eu falo que na pirâmide da pecuária, nós estamos desde a sua base, que é a pecuária extensiva. Inclusive os nossos novos escritórios são voltados quase que exclusivamente para vender bezerros e touros de corte. Trabalhamos também na ponta da pirâmide, com os leilões de genética em Uberaba e por todo o Brasil, comercializando o que há de melhor no melhoramento genético. Esses são extremamente importantes, porque a pecuária funciona de cima para baixo. A genética vem da ponta da pirâmide e vai pulverizando até a sua base. Precisamos melhorar constantemente nossa genética aliada à tecnologia de engorda, ou deixaremos de ser competitivos. Não adianta produzirmos milhões e milhões de toneladas de carne, se não tivermos preço e qualidade. Quando tiver qualidade, teremos preço, é consequência. Aí, meu amigo, ninguém segura o Brasil, vamos abastecer o mundo com proteína vermelha.

Foto: Mário Knichalla

Por Gustavo Ribeiro

Gustavo Ribeiro em entrevista com Paulo Horto durante a Expoinel 2013

TN – Quais são os pontos fortes da Programa? O que a diferencia da concorrência? PH - Eu acho que concorrência é extremamente importante e salutar. Você precisa ter concorrência para estar sempre evoluindo. Nós somos muito apaixonados pelo que fazemos, o tempo todo estamos procurando aprimorar todo segmento do nosso trabalho, desde o primeiro contato com o criador, até a elaboração da melhor mídia. Investimos muito em informática, dentro da empresa: hoje temos um sistema de informação muito avançado, investimos muito para dar o máximo de ferramentas para quem está comprando e vendendo. Resume-se em gostar do que faz e depositar bastante energia no trabalho. TN – Os investimentos em leilões são altos. Como a Programa trabalha para minimizar os riscos do cliente? PH - Na verdade, esse investimento na realização de leilão, cada um faz como quer. É igual promover uma festa na sua casa, você pode fazer do tamanho que você quiser. Conseguimos fazer leilões com custos bem razoáveis em relação ao custo/benefício. Basta você ter uma linha, um foco. Agora, tem gente que, além disso, quer fazer uma festa diferenciada. Vai muito de cada um. Conseguimos fazer leilões em que o custo gira em torno de 10 a 15% para o criador. Se analisarmos, qualquer produto que você queira vender no mercado, em diferentes segmentos, o custo gira em torno disso. TN – Um dos grandes parceiros da Programa Leilões foi a televisão? PH - Tudo que é tecnologia é importante. Agora estamos iniciando um trabalho muito forte na internet. A internet é uma realidade dentro do mundo globalizado e agora está chegando ao campo com muita força, e a Programa está preparada para isso. Teremos leilão, no próximo mês, 100% virtual. Tudo que for tecnologia é bem vindo. Lá atrás, quem trouxe a televisão para os leilões foi a Programa, tudo que for ferramenta para melhorar a comercialização é positivo. 1ª Edição ano 2013

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Foto: Gustavo Ribeiro

Por Julliana Tavares

CULTIVAR

Colheita da cana-de-açúcar no Triângulo Mineiro

A expansão canavieira

As vantagens e desvantagens do cultivo da cana

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Brasil é hoje um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar. Seu cultivo é exemplo de cultura renovável e versátil, podendo ser utilizada como fonte de energia limpa e matéria-prima de produtos. A adoção de novas tecnologias desde o plantio até a produção de açúcar, etanol e bioeletricidade, fortaleceu o setor, o qual é reconhecido mundialmente por seu pioneirismo e eficiente produtividade. O Brasil foi responsável por 490 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano (safra 2011/2012) de acordo com a ÚNICA (União de cana-deO Brasil foi -açúcar). Cerca de 90% dessa produção é responsável por 490 colhida na região Centro-Sul, principalmilhões de toneladas mente no Estado de São Paulo, que é resde cana-de-açúcar ponsável por mais de 50% da safra. por ano (safra Segundo Tiago Moreira, Técnico 2011/2012) e Supervisor Agrícola da Bioenergéti90% dessa produção ca Aroeira, a cana é de fácil cultivo e se é colhida na região adapta facilmente a diversos climas. Ele Centro-Sul explica que nas décadas de 1970 e 1990, o cultivo era permitido somente em São Paulo, para ser mais exato na região de Ribeirão Preto onde os solos têm alto teor de argila, grande fertilidade, temperatura alta e pluviosidade bem distribuída. A expansão canavieira por causa da demanda de energia centro sul (Minas Gerais), sul (Paraná), centro oeste (Goiás) e nordeste (Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo) têm suas particularidades em relação ao clima. Segundo Tiago, atualmente Minas Gerais, contribui com cerca de 60 unidades produtoras distribuídas enpág.

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tre triângulo mineiro, norte e sul de minas. No triângulo, temos unidades produtoras que se localizam as margens de rios, principalmente na divisa de São Paulo, entre as cidades de Delta e Frutal, que possuem altitude bem parecida com a recomendável. São cerca de 550 metros de altitude, solo com teor de argila considerável e temperatura alta. Também temos a região do cerrado, de altitude adequada com cerca de 850 a 950 metros, temperatura amena, teor de argila um pouco mais controlado, e evapotranspiração menor. Ainda segundo o técnico Tiago, há uma preocupação muito grande, quanto a evidências que comprovam que o produtor de gado, após a expansão do cultivo, arrenda suas terras e até desiste da criação de gado, deixando a atividade pecuária de lado, optando somente pelo cultivo da cana que consequentemente deixa o alimento em segundo plano. Segundo Oliveiro Martins de Deus, 53 anos, empresário agrícola e produtor de cana, Minas têm sua área bem diversificada junto à sua topografia e clima, e que culturas anuais como soja, milho, sorgo e atividade pecuária sempre terão seu espaço e valor por causa da demanda mundial de alimentos. Ele cita a China como exemplo, que não tem alimento para sustentar toda sua população. Nas áreas de difícil acesso a mecanização, a produção agropecuária toma conta. Principalmente o leite e o gado de corte também devem ganhar espaço no estado, devido à sua tradição genética. A cana em Minas Gerais briga por espaços e luta pelo subsidio do governo, pois em algumas regiões há falta de portos e logística, tornando as condições de produção bem complicadas. 1ª Edição ano 2013

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EMPREENDEDORISMO pág.

Por Fernanda Naves

Produtores rurais conseguem melhores resultados com o auxílio da Conteagro Jr.

Empreendedorismo que cabe no bolso Alunos da UFU apresentam soluções agronômicas para produtores rurais

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undada em 28 de Junho de 2011, a Empresa Júnior - Conteagro, surgiu da iniciativa de alguns alunos do curso de Agronomia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que compartilhavam o interesse em comum de aprimorar seus conhecimentos teóricos com a prática, além de desenvolver uma capacidade empreendedora. A empresa é a representante do Movimento Empresa Júnior (MEJ), dentro do Instituto de Ciência Agrárias da UFU (ICIAG-UFU) e é formada por acadêmicos com orientação e supervisão de professores. A proposta da Conteagro Jr. é levar conhecimento e informações à sociedade, com serviços de planejamento e administração ligados ao setor da agricultura, nas áreas de solos, fitotecnia, fitossanidade, economia, extensão e engenharia rural, ecologia, manejo ambiental, silvicultura, tecnologia de produtos agropecuários, paisagismo e implementação de novas tecnologias. Esses recursos são voltados para pequenos e médios produtores. De acordo com o estudante do 10º período do curso e integrante da empresa, Erickson Oliveira, o grande atrativo desse projeto são os trabalhos oferecidos a um custo bem menor. “ Nossos serviços de consultoria possuem um grande diferencial, pois, além de ter o respaldo de uma instituição como a UFU, não custam mais do que 50% do que é cobrado no mercado”, revela. Os valores arrecadados das consultorias realizadas pela Conteagro Jr. são totalmente destinados ao aperfeiçoamento dos alunos. “O preço cobrado é convertido na capacitação de nossos membros por meio da participação em congressos, palestras e cursos, pois somos, acima de

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tudo, uma organização sem fins lucrativos, a serviço da extensão rural”, conclui Erickson. A empresa Jr. ainda atua na execução de pesquisas com novos produtos em parceria com empresas, além de levantamento de dados e de informações atualizadas. Promove na cidade e região, eventos como palestras técnicas, dias de campo, cursos de atualização, fóruns, simpósios e encontros. Apesar dos agricultores de Uberlândia e região terem acesso a amplos serviços bancários, como as linhas de crédito rural e empresas que prestam soluções agronômicas como a EMATER e a EPAMIG, o produtor Antônio Carlos Pereira revela que falta um órgão que realmente fomente o empreendedorismo rural na cidade e que esses alunos estão no caminho correto. “É preciso ter educação nos negócios para um melhor aproveitamento de um empréstimo. Ter alguém para nos orientar e ainda por um valor menor que o mercado cobra”. O agronegócio é um dos principais responsáveis pelo bom desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Segundo o professor de Agronomia, Carlos Juliano Brant Albuquerque, é primordial que os agricultores tenham a ajuda desses serviços, já que a área está cada vez mais forte. Para ele, o cenário atual mostra que as universidades estão contribuindo para a geração de informações pertinentes ao empreendedor rural. “Costumo falar que é importante conhecermos da porteira para dentro e da porteira para fora”, conclui. 1ª Edição ano 2013

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oucos negócios correm riscos comparáveis aos das atividades agropecuárias. E se assumir riscos é a principal característica das pessoas empreendedoras, a figura do agricultor repre-

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EMPREENDEDORISMO

Por Camilla Medeiros

senta um grande exemplo. Para Marden Magalhães, Gerente Regional do Sebrae Minas, um bom empreendedor precisa saber enxergar oportunidades, ter habilidade para começar e recomeçar sempre que preciso, e ser capaz de “vender seu peixe” de maneira eficiente, além de muitas outras qualidades. Para o especialista, é importante desenvolver e estimular a competência pessoal dos empreendedores do agronegócio, de forma a ampliar os conhecimentos e as práticas em relação à gestão. Assim, o produtor fica dentro de uma perspectiva de visão empresarial profissional, e com essa visão, consegue de maneira mais eficaz desenvolver seu negócio. O produtor rural pode contar com várias ferramentas disponíveis por alguns órgãos públicos. O Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), realiza ações que promovem o desenvolvimento conjunto de todos os segmentos da cadeia produtiva do agronegócio. “O produtor é acompanhado por um consultor que, com base na compreensão das suas necessidades e de seus Mardem Magalhães, Gerente Regional Sebrae

empreendimentos, traça a melhor estratégia para auxiliar

Empreendedorismo: um aliado do produtor rural

a empresa a conquistar seus objetivos. Também faz parte

Ações empreendedoras podem ajudar o produtor rural a potencializar seus resultados

Mais informações acesse: eadsenar.canaldoprodutor.com.br www.senar.com.br www.sebrae.com.br

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o acompanhamento posterior dos resultados do trabalho desenvolvido”, afirma Mardem Magalhães. Outra ferramenta de fácil acesso é Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que realiza educação profissional e promoção social das pessoas do meio rural, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para o desenvolvimento sustentável do país. “Além dos consultores e dos cursos que são realizados em parceria com instituições de ensino, Sindicato Rural e Secretarias Municipais, o produtor pode fazer cursos à distancia, através do Portal EAD do Senar”, explica Renata Campos, Coordenadora. A atenção dos empreendedores nas mudanças de comportamentos e nos hábitos das pessoas também pode trazer ideias criativas e inovadoras. As recentes tecnologias para produzir, processar, conservar e, sobretudo, comercializar geram inúmeras oportunidades para grandes negócios. 1ª Edição ano 2013

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Prazo para se adaptar foi prorrogado para 2016

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leite é considerado um alimento de muita importância para o homem, além de gerar benefícios no mercado financeiro e no agronegócio. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de leite no ano de 2010 alcançou a margem de 30,6 bilhões de litros, e já em 2011 esse número passou para 32 bilhões. Criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em 1996, o Plano Nacional da Melhoria da Qualidade do Leite (PNQL) publicou, em 2002, a Instrução Normativa nº 51, IN 51, para controlar a identidade, qualidade, coleta e transporte do leite A, B, C, pasteurizado e cru refrigerado. A IN51 estaria em vigor até o final de Dezembro de 2011 e estabelecia a fiscalização da produção de leite, ou seja, a Contagem Bacteriana Total (CBT) e a Contagem de Células Somáticas (CSS) não poderiam ultrapassar o valor limite de 750 mil/ml. pág.

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regras, em consequência oferecer um produto de boa qualidade para as pessoas.” Entretanto, para o médico veterinário e especialista em controle, gestão de rebanhos leiteiros e qualidade do leite, Dr. Newton Pohl Ribas, estender o tempo da nova IN 62 pode trazer efeitos: a consequência de se postergar a produção de um leite de melhor qualidade. No momento, a nova legislação IN 62 estabelece o valor máximo de 600 mil/ml de CBT e CSS. Em sequência, a norma passa a diminuir os prazos Foto: Gustavo Ribeiro

Novos desafios na produção de leite

PECUÁRIA

Foto: Divulgação

Por Fernanda Naves e limites até o ano de 2016, sendo permitidos os números de 100 mil/ml e 400 mil/ml, respectivamente, além do controle sanitário do rebanho, higiene de ordenha, controle de mastite. A regra visa ainda aos aprimoramentos no controle sanitário de brucelose e tuberculose e a obrigatoriedade da realização de análises para pesquisa de resíduos inibidores e antibióticos no leite. Veja a tabela:

Prazos e limites para redução de CBT e CCS no leite de acordo com a IN 62 para as regiões Sul, Sudeste e Centro - oeste (para as regiões Norte e Nordeste acrescentar um ano ao prazo estabelecido). Imagem: http://www.itambe.com.br/download/2209/cadernoAgropecuario.aspx

Porém, a Instrução Normativa 62, IN 62, que está em vigência desde 1º Janeiro de 2012, veio para substituir a IN51, com o objetivo de aumentar os prazos e limites da CBT e CSS a fim de que o produtor leiteiro possa se adaptar às normas, oferecendo um produto de qualidade para à população. De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Rodrigo Alvim, uma das questões que mais preocupa é a qualidade do leite. “A substituição da IN 51 para IN 62 aumentou o prazo para os produtores rurais se adequarem as normas. A CNA, através do SENAE, em convênio com o SEBRAE, tem perspectiva de lançar nos próximos meses um grande programa de treinamento para todos os produtores de leite no Brasil”, conclui. Em processo de melhorias, o produtor leiteiro há 15 anos, Eurípedes da Costa, conta que está se adaptando à todas as exigências. “Acredito que foi importante esses novos prazos e limites. Agora eu consigo estar dentro das 1ª Edição ano 2013

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Por Rodrigo Silva

Bom momento para o leite Com variações no mercado, o litro de leite chega mais caro às gôndolas dos supermercados

Foto: Rubens Ferreira

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ara quem vive da produção leiteira, o momento é de comemoração. O criador Natal Fonseca, que gerencia uma produção diária de 1.000 litros de leite, afirma que o resultado alcançado é bem melhor em relação a 2012. “Este ano, conseguimos aumentar nossa produção leiteira graças a um manejo mais adequado. Fornecemos uma alimentação concentrada em proteínas e vitaminas. Alcançamos uma silagem de boa qualidade e, assim, melhoramos o desempenho”. Segundo o pecuarista, no ano anterior, as mesmas 60 vagas em lactação produziram 20% a menos. O poder de compra do produtor está sendo decisivo para esse aumento na produção, além de uma situação de mercado mais favorável. Nos últimos meses, o valor pago pelo litro do produto subiu mais de 20%, média registrada em muitos estados do país. O índice superou as expectativas dos produtores no período de entressafra. Em algumas cidades do estado de São Paulo, o leite tipo C estava sendo negociado com os laticínios ao preço de R$ 0,82 o litro. Com o aumento, o valor subiu para R$ 1,10. O fato tem animado o setor. Paulo Rangel, agrônomo responsável pelo projeto Educampo, do SEBRAE, revela que, além do aumento interno na produção leiteira, a queda na produção na Nova Zelândia e no Uruguai contribuiu para a elevação do preço do alimento. “Somos um bom importador de leite. Sem a oferta adequada do produto lá fora, em decorrência da baixa produção do produto nos principais centros de importação, e com leite sobrando aqui no Brasil, o resultado é matemático. O aumento é inevitável”,

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diz Rangel. Agentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP visualizam uma estabilidade nas cotações para novembro. Segundo consulta feita pelo mesmo instituto de pesquisa, as elevações dos preços estão sendo provocadas também pelo consumo da população, que, mesmo com os preços mais altos dos derivados lácteos, está comprando mais. Ainda segundo o Cepea, o preço bruto do leite pago ao produtor atingiu R$ 1,0861/litro – média ponderada pelo volume captado em julho nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA. Em relação ao mês anterior, a média registrou alta de 3% (ou de 3,2 centavos/litro) e, frente a agosto de 2012, o aumento, em termos reais, é de expressivos 20%. O preço líquido chegou a R$ 1,0143/litro, elevação de 3,5% (ou de

“Esse é um dos melhores momentos que a pecuária leiteira esta vivendo. Os numeros incentivam o produtor a aumentar a qualidade do manejo”. Alvaro Bladimir Ramón 3,5 centavos/litro) em relação a julho de 2013. Silvio Pedrosa, criador de Girolando, tem uma produção diária de 250 litros de leite em sua propriedade, próxima a Campo Florido. O pecuarista vende o litro por R$ 1,07. O preço, segundo ele, é satisfatório, mas os gastos estão mais altos. “O manejo diferenciado aumentou o custo. A ração ficou mais cara, e, com a estiagem longa deste ano, o regime de tratamento a cocho encarece o custo da produção. Caso o preço caia, vai ficar difícil manter a produção”. Se o valor pago ao produtor encarece, isso reflete diretamente no consumidor final, que não está muito contente com o que tem visto nas gôndolas dos supermercados. O peço pago pelo produto nas prateleiras está mais alto. Os valores praticados variam entre R$ 2.29 e R$ 2.70 e, mesmo com o aumento, as vendas não caíram. 1ª Edição ano 2013

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Saiba mais sobre o SICAR-MG Para auxiliar o produtor no CAR, em Minas

Foto: Agência Paim

Gerais, o Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) desenvolveu o SICAR-MG, integrante do Portal SISE-

proDutores rurAIs Deverão coMpor o cADAstro AMbIeNtAl rurAl

O registro eletrônico será obrigatório para os proprietários rurais de todo país. Em Minas Gerais, a expectativa é que o cadastro seja lançado até dezembro

N

MANET, que é o sistema oficial para o cadastramento das propriedades rurais do Estado. O primeiro passo é o proprietário do imóvel rural acessar o site (www.semad.mg.gov.br) baixar o programa em seu computador e cadastrar a propriedade no sistema do governo. Na tela, será exibido um formulário que deve ser completado com informações básicas: nome, documentos e coordenadas geográficas da propriedade. No segundo momento, aparecerá uma foto tirada por satélite da região na qual a propriedade se localiza. Depois, o dono da terra deverá fazer a demarcação: uma espécie de desenho da fazenda. Feito isso, o sistema vai analisar declaração. Para mais informações: (31) 39151782.

Fonte: Senad

os próximos dois anos, 551.621 mil proe Desenvolvimento Sustentável (Semad), Adriano Mapriedades rurais de Minas Gerais apresentagalhães Chaves, o documento será pré-requisito para a das no levantamento do Instituto Nacional obtenção de licenciamentos e autorizações ambientais de Colonização e Reforma Agrária (INpara quaisquer atividades econômicas, agropecuárias ou CRA/2012) terão de se adequar à florestais. nova legislação ambiental. O CaA não realização do CAR podastro Ambiental Rural (CAR) é derá restringir o acesso do proprieum registro eletrônico de âmbito tário a linhas de crédito federal ou nacional, declaratório, gratuito e programas de fomento oferecidos obrigatório. pelos governos federal e estadual. O cadastro foi o recurso enAssim, caso o proprietário não contrado pelo governo para auxifaça a inscrição até o limite do praliar as políticas de planejamento zo (de um ano, prorrogável por mais de meio ambiente e aumentar o um), Chaves frisou que o proprietámonitoramento, combater o desrio sofrerá sanções como advertênmatamento e outros crimes. Para cias ou multas, além de não obter isso, serão necessárias informanenhuma autorização ambiental ou ções pessoais do dono do imóvel, crédito rural. Além disso, apenas a comprovação da propriedade ou Secretário Estadual de Meio produtores rurais cadastrados podeposse e a identificação da área. Ambiente e denvolvimenrão aderir ao Programa de RegulariNo Estado de Minas Gerais, to Sustentável (Semad), zação Ambiental. o CAR é de responsabilidade da Adriano Magalhães Chaves De acordo com Chaves, se o Secretaria Estadual de Meio Amproprietário não fizer a inscrição até biente e Desenvolvimento Suso limite do prazo (de um ano, prortentável (Semad) e do Instituto rogável por mais um), sofrerá sanções como advertências Estadual de Florestas (IEF) e será feito exclusivamente ou multas, além de não obter nenhuma autorização amno Portal SISEMANET por meio do sistema SICARbiental ou crédito rural. Além disso, apenas produtores -MG. A expectativa é que o CAR seja lançado até derurais cadastrados poderão aderir ao Programa de Reguzembro, conforme o Ministério do Meio Ambiente. Segundo o Secretário Estadual de Meio Ambiente larização Ambiental. Foto: Divulgação

susteNtAbIlIDADe

Por Natália Manfrin

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Foto: Natália Manfrin

Por Natália Manfrin clo precoce com menos de 120 dias e são mais resistentes às pragas. A soja Villa Rica também apresentou um bom

Fases de crescimento da soja no campo experimental da UFU

resultado, com maior tolerância à seca. A previsão é que as novas variedades sejam comercializadas na próxima safra.

CAPA

UFUS 6901 - nova

Novas cultivares de soja para o Cerrado Lavoura de soja em um dos campos experimentais da UFU

Universidade de Uberlândia indica seis novas cultivares de soja convencional para a região do Cerrado

U

Foto: Natália Manfrin

m grão rico em proteínas, cultivado como alimento, tanto para humanos quanto para animais, ganhou espaço entre os produtores brasileiros: a soja. Hoje é considerada um dos principais itens da produção agrícola, sendo o país o segundo maior produtor mundial. “Este crescimento está tornando a atividade de sojicultor mais complexa e com problemas específicos nas diferentes regiões produtoras”, acredita o pesquisador e professor, Osvaldo Toshiyuki Hamawaki, do Instituto de Ciências Ambientais e Agrárias, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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Com a necessidade de minimizar os riscos para o produtor, investindo constantemente em novas variedades com características específicas e diferenciadoras, o pesquisador desenvolve técnicas de melhoramento genético para variedades de soja convencional. Os estudos acontecem na Fazenda Capim Branco, em Uberlândia. Segundo o professor, há um grande mercado interessado especificamente nesta oleaginosa convencional, sobretudo nos continentes europeu e asiático. Por isso, atualmente, os sojicultores intensificam a busca por sementes de soja convencional disponíveis para produção. Para a safra de 2013/2014, a instituição apresentou seis novas cultivares convencionais, também chamadas de soja livre, adaptadas para a região do Cerrado. As variedades oferecem maior produtividade de grãos e óleos, resistência parcial ou total à ferrugem asiática da soja, aos nematóides formadores de galhas, lesões radiculares e de cistos e ao mofo branco. Entre as novas variedades, três são direcionadas à região de Minas Gerais. O destaque é para UFUS 6901, UFUS Villa Rica e a UFUS Tupi. Todas possuem um ci-

Grupo de maturação

6.0

Cor da Flor

Branco

Cor do Hilo

Marrom Claro

Pubescécia

Marrom

Tipo de Crescimento

Determinado

Altura da Planta (cm)

78

Época de Semeadura

20/10 a 10/12

Teor de óleo (%)

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Teor de proteína (%)

38,0

Região Recomendação

GO, MG, MT

População plantas

250.000 a 300.000

DFC

MS

Oídio

MR

Manca Alvo

MR

Ferrugem Asiática

MS

Potencial Produtivo (Sc/ha)

52

UFUS Villa Rica- nova Grupo de maturação

7.4

Cor da Flor

Branco

Cor do Hilo

Cinza

Pubescécia

Marrom

Tipo de Crescimento

Indeterminado

Altura da Planta (cm)

75

Época de Semeadura

20/10 a 10/12

Teor de óleo (%)

18,0

Teor de proteína (%)

39,0

Região Recomendação

GO, MG, MT

População plantas

240.000 a 280.000

Antracnose

MR

DFC

MR

Ferrugem Asiática

MS

Potencial Produtivo (Sc/ha)

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De acordo com dados fornecidos pela instituição, cerca de 200 produtores brasileiros já produzem e comercializam a soja convencional. O professor destaca que a grande vanGrupo de maturação 7,0 tagem da soja convencional é a renda no bolso Cor da Flor Branco do produtor. A segunda vantagem é você não Cor do Hilo Marrom Claro ficar na dependência de tecnologias de emprePubescécia Marrom sas que estão monopolizando o mercado de Tipo de Crescimento Semideterminado sementes. Altura da Planta (cm) 68 A fim de fortalecer os estudos sobre as tecnologias de produção da soja, há 18 anos, Época de Semeadura 20/10 a 10/12 a UFU iniciou o Programa de Melhoramento e Teor de óleo (%) 18,0 de Estudos Genéticos em Soja. O resultado foi Teor de proteína (%) 38,0 fruto de pesquisa que registrou seis variedades Região Recomendação GO, MG, MT de grãos. As sementes das cultivares UFUS População plantas 250.000 a 300.000 Milionária, UFUS Impacta, UFUS Riqueza, DFC MS UFUS Xavante, UFUS Guarani, UFUS Carajás (7910) já estão sendo comercializadas. Merece Oídio MR destaque a variedade UFUS Tapajós desenvolManca Alvo MR vida para a região do Mato Grosso. De acordo Ferrugem Asiática MS com o professor Osvaldo, a variedade possui Potencial Produtivo (sc/ha) 62 uma característica inédita. “A semente Tapajós oferece resistência ao nematóide Pratylenchus A produção das sementes despertou o interesse de brachyurus, conhecido como nematoide das leoutros estados e hoje, além de Minas Gerais, a soja prosões radiculares, uma praga que causa lesões radiculares duzida pela universidade está presente em Goiás, Mato na planta e escurece a raiz”. Grosso, Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão. De 2009 a 2013, foram plantados cerca de 12 mil hectares de soja nos sete estados. Quem aprova a iniciativa é o produtor agrícola Cesar Cegatto. Na última safra, ele plantou em sete hectares a variedade Carajás. Colheu 62 sacos/hectares, enquanto que com outras variedades, o empresário conseguiu no máximo 48 sacos/hectares. “Fiquei satisfeito com a variedade, afinal com um menor clico, tive uma menor incidência de pragas, a lavoura ficou menos tempo no campo e, consequentemente, diminuí os custos”. disse Cegatto. Foto: Natália Manfrin

Foto: Natália Manfrin

CAPA

UFUS Tupi - nova

Variedade Tapajos

Mais informações sobre cultivares e comercialização podem ser encontradas no site www.pmsoja.iciag.ufu. br. Além das características dos materiais de diferentes espécies, nesta página é possível encontrar orientações e contatos para a aquisição de sementes de cada uma delas. pág.

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Por Rodrio Silva

Agronegócio quebra recorde e pode representar metade do PIB Produção brasileira deve ultrapassar os EUA na safra de soja, levando o país a uma posição inédita em 2013

A

s projeções do mercado agrícola para este ano são tão otimistas que especialistas apontam o setor como sendo o responsável por quase metade da expansão da economia brasileira em 2013. O ano de 2014 está sendo aguardado com expectativa pelo segmento. O país pode liderar o ranking na produção mundial de soja; situação já prenunciada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A previsão e de que nosso mercado produza 88 milhões de toneladas de soja, frente a 85,7 milhões da safra americana. A agroindústria será responsável por um ponto no percentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano no Brasil, com fechamento estimado em 2,4%. O dado reflete o bom momento vivido pela agricultura nacional. O PIB do agronegócio de 2012 superou os R$ 988 bilhões. A estimativa é que o setor registre um aumento de 5% para este ano. Se as previsões se confirmarem, o PIB do agronegócio somará R$ 1,038 trilhão em 2013 e vai representar 23% de toda a riqueza gerada no Brasil. Economistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) ressaltam que os números previstos incluem todos os segmentos do mercado do agronegócio. “Há de se considerar toda a cadeia da agroindústria; não só os produtos primários da agricultura e da pecuária. Todas as riquezas geradas no processamento e na distribuição contribuem para o avanço previsto”, analisa Adriano Ferreira, economista do Cepea. No início do ano, o mercado de maquinário agrícola apontou médias abaixo das conquistadas em 2012. A expectativa era vender 54 mil máquinas até o fim de 2013, duas mil a menos que no ano anterior. Os núme-

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ros surpreenderam até os mais pessimistas. Só no fim do primeiro semestre, 44,9 mil unidades foram vendidas. A média alcançada traçou novas perspectivas. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a previsão e de que o ano feche com 60 mil tratores comercializados. “Esse novo tempo mostra a importân-

“O momento é um dos melhores vividos pelo agronegócio. O Brasil se prepara para abastecer os mercados interno e externo. A estabilidade econômica e a expansão do consumo pela população fortalecem a produção no campo e aumentam a responsabilidade do poder público”. ( Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, Agide Meneguette. cia do campo no cenário nacional. O produtor ainda encontra dificuldades em licenciar uma área para o plantio, além de conviver com uma ausência na política de estocagem, entre outras. Muitas vezes, acaba de fazer a colheita e é obrigado a vender o produto pelo preço que quiserem por não existir uma estrutura de estocagem adequada. Temos condições de crescer e ser um grande celeiro, sim, mas faltam políticas públicas voltadas para o agronegócio”, afirma o Deputado Domingos Sávio. 1ª Edição ano 2013

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Helicoverpa armigera

Vitalidade no ecossistema rural

Lagarta traz impactos e prejuízos à produção agrícola brasileira

A utilização da homeopatia aponta para recuperação da saúde no meio rural

A

Foto: Divulgação

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homeopatia é uma maneira de tratamento de doenças que se utiliza de diferentes métodos, medicamentos e acompanhamentos; uma ciência holística, ou seja, sendo necessária uma assistência focada no todo. Para tratar a doença, temos que cuidar também do ambiente que envolve o paciente. No âmbito rural, a homeopatia ganhou espaço e vem crescendo em razão dos resultados positivos, não somente para os animais, como em outras áreas. Devido ao uso mínimo de recursos naturais, essa ciência preserva a natureza, não causa impactos ambientais e nem aos seres vivos, pelo fato também de os preparados –que podem ser considerados como remédios homeopáticos, no que diz respeito às substâncias naturais utilizadas, aos processos de dinamização e a atuação através de forças e não de substâncias- serem feitos com doses mínimas de matéria. Para a engenheira Florestal e especialista em homeopatia humana e agrícola, Gisele Bazzo Piccirilli, “A homeopatia trata sintomas e não a doença. Assim, a necessidade é fortalecer a energia vital do ser vivo, que por diversos fatores pode estar baixa e/ou vibrando na frequência desses sintomas, para que o ser possa voltar ao equilíbrio e consequentemente obter a cura”. Ainda de acordo com Gisele, os medicamentos de uso convencional- os chamados alopáticos- no tratamento de pragas e enfermidades na agricultura, são causadores de diferentes efeitos colaterais no organismo e no meio ambiente, gerando um desequilíbrio no ecossistema e consequentemente aos seres vivos que nele habitam.

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EM PAUTA

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Brasil tem batido, ano após ano, recorSegundo Rafael Santos Finholdt, Mestre em Gedes de produção nas safras agrícolas. O nética e Melhoramento de Plantas, vale ressaltar que Agronegócio se destaca impulsionando uma característica peculiar desta espécie de lagarta o PIB nacional. Na safra 2012/13, seguné que ela é polifaga, ou seja, possui uma capacidade do a Companhia Nacional de Abasde alimentar-se de várias espétecimento – Conab – foram produzicies de plantas e de diversas pardos 186,82 bilhões de grãos no Brasil, tes, atacando tanto os frutos como o que significa um aumento de proas flores, folhas e hastes. Estudos dução na ordem de 12,4% em relação registram mais de 100 espécies de à safra 2011/12. Espera-se ainda um plantas que são atacadas por esta aumento 2,7 a 4,6% para a safra atual espécie de lagarta. Ela está pre2013/14. sente até mesmo em plantas daHelicoverpa armigera - Fase adulta Hoje, encontram-se disponinhas, o que dificulta ainda mais níveis uma gama de produtos que facilitam o dia a seu controle, já que, dessa forma, a lagarta passa a dia do agricultor como maquinários e implementos ter alimento durante o ano todo. modernos que asseguram precisão nas operações Desde o surto da lagarta, o Ministério da Agride plantio, proporcionando cultivares com altos pocultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA) e os detenciais produtivos agregados à biomais órgãos do Estado, buscaram tecnologia (resistência a herbicidas, alternativas e parcerias. Uma das resistência a insetos). Mas o clima ações importantes foi a declaratropical brasileiro favorece o desenção de Emergência Fitossanitária, volvimento de pragas e doenças que que acelerou o registro de alguns são um grande desafio aos produinseticidas para o controle da latores, pesquisadores e empresas. A garta. Para obtenção de um consafra 2012/13 foi marcada pela introle efetivo do problema, é netrodução de uma praga que causou cessária a adoção de estratégias A lagarta ataca todas as etapas do danos estimados em R$10 bilhões: a de monitoramento nas lavouras, crescimento da soja lagarta Helicoverpa armigera. A eso conhecimento de produtos quípécie foi regulamentada como praga micos e biológicos e suas dosagens. quarentenária A1, não presentes no país, consideraOs prejuízos com a praga já somam cerca de R$10 bidas de alto risco, e com potencial para causar imporlhões em todo país e impactam o setor agrícola. tantes danos econômicos. Os produtores terão de mudar hábitos e aderir Essa praga, até o início de 2013, não havia sido a tecnologias de mercado. Uma das alternativas de identificada no Brasil e seu aparemonitoramento é a instalação de cimento pegou desprevenidos muiarmadilhas, podendo ser lumitos produtores. Os primeiros relatos nosas ou com feromônio sexual. surgiram no oeste baiano, região A técnica captura os adultos, maagrícola de alta tecnologia e que, chos e fêmeas, enquanto a armamesmo assim, causou enormes dilha de feromônio atrai o macho. prejuízos. Estima-se uma perda de A intensidade de insetos captuprodução em torno de R$1,5bilhão rados nas armadilhas irá orientar em 2013l, sem contar os gastos exo produtor quanto o momento tras com aplicações de inseticidas. certo de controle do inseto. A rapidez e a agressividade desta lagarta são comentadas por todo País Com a preocupação e alerta das Outra forma de minimizar mídias, os Estados de Mato Grosos impactos seria produzir planso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná começaram a tas geneticamente modificadas com resistência a insetos ou cultivares com a tecnologia Bt, como são relatar o aparecimento da praga em várias culturas comumente chamadas. como milho, soja, algodão, feijão, sorgo e tomate.

A medicação homeopática sendo ministrada para o animal através da alimentação.

O produtor rural e proprietário da fazenda Pôr do Sol, Rêniton Lourenço da Costa, iniciou em sua propriedade o tratamento homeopático para carrapato, mosca de chifre, mastite, mamite e casco; entre outras enfermidades. Os cuidados iniciaram em março deste ano com cerca de 100 animais. Segundo Rêniton, os benefícios trazidos pela homeopatia foram observados por ele ao passo que se trata de um produto que não exige carência nem no leite e nem na carne, não deixa resíduos no solo, não possui risco à saúde através do contato. É menos agressivo e estressante para o animal que, no caso, não precisa de imobilização para receber a medicação, que é ministrada via oral, podendo ser adicionada ao sal, ração ou mesmo puro. De acordo com o produtor, a boa aplicação dos medicamentos homeopáticos representou uma economia de até 20% durante o período compreendido entre março e julho deste ano. Em compensação, o resultado não é imediato se não for bem administrado e o custo se torna mais elevado, concordando com a especialista Gisele Piccirilli. “O bom resultado depende muito da metodologia, do que está se tratando e principalmente da intoxicação que solo, planta e animal podem estar submetidos”. Os especialistas concordam que o método convencional de tratamento de pragas e enfermidades em animais gera um desequilíbrio no ecossistema e por consequência no ser humano, agente primário na relação de aplicabilidade do tratamento, seja ele homeopático ou alopático. Com a utilização do tratamento convencional medicamentoso, pragas e agentes patogênicos começam a adquirir resistência aos agrotóxicos. Dessa forma, a única solução é intensificar a aplicação bem como os níveis químicos da medicação. Sendo assim, além de nocivos às pragas, ao solo, e águas que acabam se contaminando pelo constante uso desses produtos tóxicos, os defensores agrícolas são também prejudiciais ao “agente de ligação”, ao ser humano, o elo entre cura e enfermidade, pois é ele quem cria conexão e possibilita o tratamento. 1ª Edição ano 2013

Foto: Divulgação

Por Marcela Pires

Agroecologia

Por Juliana Tavares

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O Nelore é selecionado no Brasil desde 1880

raça Nelore corresponde à Ongole da Índia, mas não é exatamente igual, pois no rebanho Nelore brasileiro há também sangue da variedade Misore. É o gado branco-cinza, de orelhas curtas, com extraordinária expansão nas últimas décadas, mas que foi desprezado, inicialmente, na época do “culto às orelhas” (período no qual se avaliava o grau de pureza do gado zebuíno pelo tamanho da orelha). Era o Zebu de “orelha de colher”, suspeito de não ser puro. Hoje, é a raça mais difundida no Brasil. Tem-se destacado nos concursos de boi gordo e sua rusticidade permite a criação extensiva. A pecuária seletiva do Nelore, alicerçada pelos Programas de Melhoramento Genético da Raça Nelore – PMGRN, da USP, e Melhoramento Genético de Zebuínos - PMGZ da ABCZ/Embrapa, vem demonstrando organi-

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zação e objetividade. A raça destina-se, exclusivamente, ao corte, e por isso a seleção no Brasil assumiu rumos diferentes dos da Índia, onde não há tal preocupação. Além disso, tem sido, em grande parte, responsável pelo aumento da oferta de carne bovina em nosso país. O Nelore é a raça indiana que apresenta o mais antigo trabalho de seleção, já que, em 1880, tal trabalho já se concretizava em Sapucaia (RJ), de onde saíram animais para a Fazenda Indiana. O Nelore predomina em todo o país com 75,32% do Registro Genealógico de Nascimento entre todas as raças zebuínas, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). O rebanho “cara limpa”, ou seja, de Nelore puro, mas sem registro genealógico, que congrega muitos milhões de animais. Segundo dados do IBGE, o rebanho bovino brasileiro é formado por aproximadamente 210 milhões de cabeças, sendo que 80% são raças zebuínas. Dentre essas raças, o gado Nelore representa mais de 90% desse contingente. Tal número traduz-se, sem dúvida, no maior rebanho de corte comercial do mundo. Existem dois tipos de Nelore: o de elite, selecionado por um algumas centenas de criadores, com animais que nada ficam a dever aos melhores espécimes europeus; e o comum, mantido nos campos, criados de forma extensiva e que precisam usufruir de uma genética mais apurada, desenvolvida no topo da pirâmide pelos selecionadores do dito O Nelore é selecionado no Brasil desde 1880 gado de elite, que nada mais são que animais

Foto: Gustavo Ribeiro

O “gado branco” representa hoje mais de 70% do rebanho nacional

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melhorados geneticamente. O mundo inteiro tem os olhos voltados para o magnífico rebanho Nelore brasileiro. Esse rebanho vai ser responsável pela produção da carne tão desejada pela humanidade. Cada 1% de melhoramento genético na raça Nelore corresponde a milhares de toneladas de carne a mais para o mundo. Esse é um compromisso fantástico para uma única raça. O trabalho de seleção do Nelore realizado no Brasil segue um caminho de progresso, cumprindo exigências zootécnicas que solidificam essa seleção. A evolução qualitativa da raça pode ser percebida a cada exposição, com apresentação de animais fortes, pesados e precoces. É preciso atentar para que essa busca incessante por produtividade não prejudique as características naturais, principalmente a rusticidade, Cada 1% de melhoramento genético na raça Nelore corresponde a milhares de toneladas de carne a mais que foi determinante para a expansão do Nelore no para o mundo. Brasil. Segundo dados da FAO, foi introduzido no convincente da adaptabilidade e capacidade reprodutora Brasil cerca de um milhão e meio de reprodutores da do gado indiano. Ele foi concebido para os trópicos, e espécie “bos taurus” contra, aproximadamente, sete mil e será a principal alavanca para colocar o país como o celeiquinhentos reprodutores “bos indicus”. 80% do rebanho brasileiro é, hoje, Zebu. Não pode haver argumento mais ro do mundo em produção de proteína vermelha. Foto: Gustavo Ribeiro

Foto: Gustavo Ribeiro

Nelore: rAçA INDIANA coM sANGue brAsIleIro

Foto: Gustavo Ribeiro

INforMAtIvo tÉcNIco

Por Gustavo Ribeiro

A ExpoZebu é a vitrine mundial das raças zebuínas, especialmente o Nelore

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Doutor Agro O livro mostra de maneira simples e direta, a pujança e o desenvolvimento deste que é o setor mais respeitado do Brasil no mundo, grande promotor da economia brasileira e das exportações, fazendo propostas para ampliar este desenvolvimento e liderança.

FeiJão tropeiro MINeIro

Tempo de Preparo: 1h 00minRendimento:10 porções INGREDIENTES: 1 kg de feijão vermelho 1 pacote de farinha de milho 500 g de lingüiça tipo calabresa defumada, da fina 500 g de lingüiça comum de porco 150 g de bacon 3 xícaras de farinha de mandioca crua, não da torrada 1 cabeça grande de alho socado com 1 colher de sopa de sal 150 g de bife de pernil picaco em forma de isca tirinhas 1 dúzia de ovos se for caipira melhor 2 cabeças médias de cebola da rôcha 1 pimenta pequena malagueta 10 folhas de couve manteiga Cebolinha e salsinha a gosto Pimenta do reino Coloral 1/2 copo de azeite virgem de oliva 1/2 copo de óleo de soja livre de colesterol 1/2 l mais ou menos de caldo do feijão cozido

5. Pique as cebolas e depois o torresmo pré-frito bem

MODO DE PREPARO: 1. Limpe e coloque o feijão em 1,5 l de água quente e deixe de molho por 30 minutios 2. Enquanto isso, pique as lingüicas, tentando esfarelar ao máximo, ou seja coloque-as em uma tábua de carne e comece rachando-as no meio 3. Depois picando ao contrário na horizontal, o bacom pique como o bife, em forma de iscar lirinhas 4. Depois coloque as tirinhas lado a lado e pique ao contrário na horizontal

13. Em seguida os ovos cozidos picados, frite os torres-

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NA estANte

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pequeno 6. Pique a couve bem fininha na horizontal, depois na vertical e reserve elas junto com as cebolas 7. Cozinhe 1/2 dúzia de ovos e reserve-os em água fria

Agronegócios (Gestão e Inovação)

O livro enfatiza aspectos do agronegócio relacionados à inovação tecnológica, à coordenação das cadeias produtivas e a várias áreas de gestão no que se refere ao desenvolvimento de produtos do tipo bens especiais agroalimentares (produtos certificados e/ou processados nas empresas rurais), além de conceitos básicos relacionados com a definição dos sistemas agroindustriais.

para facilitar descascar 8. Cozinhe o feijão por uns 40 minutos escorra e reserve o seu caldo 9. Coloque todas as carnes com o 1/2 copo de óleo e frite até torrar, escorra o excesso de gordura e coloque o azeite e o alho com a cebola, a pimenta malagueta amassada, uma pitada de pimenta do reino e o coloral 10. Deixe fritar até a cebola refogar, coloque o feijão e mecha se precisar coloque mais óleo até o feijão ficar bem solto 11. Coloque entao a couve e a salsinha e a cebolinha,

culturAl

Foto: Divulgação

DelÍcIAs Do cAMpo

Por Natália Manfrin

Agricultura no Brasil do Século XXI A publicação combina dois olhares complementares: um, analítico-sistêmico, resultante de ampla pesquisa realizada pelo cientista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Evaristo Eduardo de Miranda, e outro, um retrato visual garimpado na Pulsar Imagens, de Delfim Martins, complementado por detalhadas imagens do satélite GeoEye.

mexa bem coloque primeiro a farinha de milho 12. Vá mexendo e colocando o caldo do feijão, coloque então a farinha de mandioca minhos em óleo bem quente até pipocar, e coloque por último, experimente 14. Se precisar coloque mais 1/2 colher de sopa de sal, se preferir o tropeiro mais molhadinho 15. Coloque mais caldo de feijão, sirva com ovo frito caipira com a gema mole, ser preferir pode ser servido com arroz um pouco empaçocado ao refogá-lo tipo arroz japonês 1ª edição ano 2013

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Foto: Gustavo Ribeiro

Camaru 2013 dedica espaço ao Senepol A raça Senepol continua crescendo graças aos seus predicados inerentes e aos criadores que estão empenhados em promovê-la de forma sólida respaldada por pesquisa e genética

A

apresentação da raça Senepol durante a 50a Exposição Agropecuária de Uberlândia – Camaru demonstrou mais uma vez como a raça segue crescendo de forma sólida. O Camaru 2013 aconteceu entre os dias 30 de agosto e 8 de setembro e foi o ponto de encontro da raça Senepol. Ao todo, 14 criadores de diversos Estados brasileiros apresentaram 156 animais, configurando a Feira como a maior exposição da raça neste ano. O “Espaço do Senepol”, ambiente preparado pela ABCB Senepol para receber os associados e outros criadores e investidores interessados no animal, recebeu centenas de visitantes de diversas partes do Brasil e também do exterior - destaque para uma comitiva internacional com representantes da China, Vietnã, Holanda, Estados pág.

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Terra & Negócios

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1ª Edição ano 2013

Unidos, Canadá e Emirados Árabes. Além da ilustre visita dos cantores Léo Chaves e Almir Sater, ambos criadores de Senepol e membros da Associação. I Simpósio Brasileiro da Raça Senepol O I Simpósio da Raça Senepol foi realizado dia 5 de setembro, no anfiteatro do Sindicato Rural de Uberlândia. O Simpósio foi organizado pela S+ Senepol e Vine, com apoio dos Parceiros do Senepol. Com uma programação diversificada, que se estendeu durante todo o dia, o evento encerrou as atividades com saldo positivo. “Para nós foi uma grande satisfação pela resposta do público. Foi o primeiro ano de Simpósio, tivemos 120 inscrições, entre criadores e interessados na raça, que participaram e fizeram questionamentos. Trouxemos palestras que na-

Da esq. para dir. - Victor, Almir Sater e Léo no Espaço do Senepol

vegaram desde a área de genética, trabalhos de avaliação e terminamos com o programa de avaliação”, declara Júnior Fernandes, organizador do evento. Júnior acrescenta que o mercado está muito aquecido e que esse cenário pede cautela. “Temos que ter uma responsabilidade muito grande neste momento em que a demanda é maior que a oferta”, avalia. Outro ponto de destaque do I Simpósio da Raça Senepol, foi à chancela de técnicos e lideranças do setor reconhecendo a eficiência do Senepol para a pecuária de ciclos curtos e de resultados. Mercado aquecido A Agropecuária Nova Vida, este ano, promoveu o II Leilão Virtual Senepol Nova Vida e Convidados, sob organização da Central Leilões e transmissão do Canal do Boi. Sem reserva de preço, as doadoras leiloadas tiveram liquidez total. De acordo com o diretor da Nova Vida, João Arantes, o intuito é sempre de democratização, comercializando animais com “potencial para o desenvolvimento de genética ou para utilização na pecuária extensiva”. Junto à Nova Vida, os criatórios GoudSenepol, Senepol BFNT, Senepol 3G e KonaSenepol comercializaram, ao todo, 60 lotes, vendidos na expressiva média de R$19 mil. É o segundo ano que o leilão acontece em Uberlândia e, segundo o gerente da Nova Vida, Geraldo Freire Neto, dessa vez foi ainda melhor. “O Espaço do

Criador nos surpreendeu pela estrutura e pela quantidade de pessoas no local. O resultado foi 25% superior ao do ano passado”. Brasil: Território Senepol Desde que chegou ao Brasil, no ano 2000, a raça experimenta um avanço sólido e expressivo. O rebanho de Senepol Puro de Origem (PO) e Puro por Cruzamento (PC) registrados junto à ABCB Senepol, até agosto de 2013, já contabiliza aproximadamente 25 mil animais e 175 criadores, espalhados em 14 estados brasileiros mais o Distrito Federal. “A raça está consolidada no mercado brasileiro. Ela se adaptou muito bem ao nosso País e terá

Foto: Divulgação

Foto: Gustavo Ribeiro

EVENTOS

Por Gustavo Ribeiro

um papel fundamental para aumentar a qualidade e diminuir o ciclo da cadeia produtiva da carne”, avalia Gilmar Goudard, presidente da ABCB Senepol. De 2009 aos dias atuais, a raça cresceu 50% ao ano, contribuindo para o desenvolvimento da pecuária de corte extensiva, imprimindo precocidade, docilidade, rusticidade, qualidade de carne e rendimento de carcaça, características fundamentais para o sucesso na produção de carne, principalmente através do cruzamento industrial. 1ª Edição ano 2013

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Da Redação

Victor, Almir, Léo e Ricardo

Gilmar Goudard e amigos no Espaço do Senepol

Foto: Divulgação Paulo Henrique e Pedro Júnior

José Carlos e Claudionor Nunes

Almir e Léo com touro Torá

Gilmar Goudard e Rodrigo Debossam pág.

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1ª Edição ano 2013

Itamar e Alexadre

O agronegócio e a questão indígena

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação adaptado

Gustavo Galassi e amigo no rodeio Camaru

Gustavo Silveira e esposa

HUMOR

Família Senepol Tufubarina e Rodigo Debossam

Foto: Divulgação

Coluna Social

Camaru 2013

Juliano Fagundes e Guilherme

1ª Edição ano 2013

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Terra e negocio final duplas  

Publicação voltada para homem do campo.