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SUSTENTABILIDADE E EDUCAÇÃO APLICAÇÃO DOS CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE EM ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL NA CIDADE DE SÃO PAULO


SUSTENTABILIDADE

E

EDUCAÇÃO

APLICAÇÃO DOS CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE EM ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL NA CIDADE DE SÃO PAULO Universidade

de

São

Paulo

-

Faculdade

de

Arquitetura

e

Urbanismo

Trabalho Final de Graduação realizado por Camila Barbuy Zaneti e orientado pela Professora Doutora Maria Cecília Loschiavo dos Santos. São Paulo, 24 de junho de 2010


DEDICATÓRIA E AGRADECIMENTOS Dedico este trabalho aos meus pais, por jamais medirem esforços para prover a mim uma educação formal de qualidade e apoio incondicional. Agradeço à minha orientadora, por sua grande inteligência e disposição para compartilhar conhecimento e oferecer todo o suporte necessário para meu sucesso.


ÍNDICE

CAPÍTULO Pesquisa Sobre a Sustentabilidade Sobre a Cidade Parque Ecológico do Tietê A Escola Aspectos Sociais Aspectos Físicos Referências Referências Bibliográficas Estudo de Caso Escola Estadual de Ensino Fundamental Anne Frank (Cicls I e II) Memorial Partido Implantação Programa Projeto Implantação Planta de Cobertura Referência para Planta do Térreo Planta Térreo Referência para Planta do Mezanino Planta Mezanino (nível 742,5) Planta Anexos Elevação 1 (Planificada) Elevação 2 (Planificada) Corte AA (Planificado) Corte BB (Planificado) Elevação 3 (Rua Guirá-Acangatara) Corte CC Corte DD Corte EE

Página 07 08 09 11 13 15 17 19 21 22 23 26 27 27 28 29 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15


OBJETIVOS

Este trabalho tem como fim a aplicação dos conceitos de sustentabilidade na criação do projeto de uma instituição de ensino que abrigará uma Escola Estadual de Ensino Fundamental – Ciclos I e II, inserida à margem do Parque Ecológico do Tietê, localizado no bairro do Cangaíba, Zona Leste da cidade de São Paulo. Valendo-se da Ciência Ambiental, é proposto o diálogo entre a ecologia, a arquitetura e a educação, na busca de apontar caminhos para intervir sobre os processos de aprendizagem e sobre o ambiente da escola, espaço educativo primordial para a formação da sociedade. Com isso, é intenção deste trabalho criar uma discussão sobre as potencialidades e os limites desta utilização do ambiente escolar enquanto objeto da educação ambiental, como forma de difundir princípios e práticas sustentáveis adaptadas às condições ambientais locais.

O uso do conceito de edificação sustentável atinge questões importantes no âmbito da arquitetura que foram perdendo relevância durante os últimos 50 anos e que agora, com os problemas resultantes do processo de degradação do meio ambiente pelo homem, vêm ganhando destaque. Questões como o diálogo entre o projeto e o local inserido, utilização de materiais que não agridem o meio (recicláveis, reciclados, não tóxicos e/ou de longa vida útil), eficiência energética, baixos índices de consumo de água, baixo custo operacional do edifício, minimização de impactos gerados ao meio ambiente, ciclo de vida da edificação (uso, manutenção, reciclagem e/ou demolição) e otimização da qualidade de vida por partes de seus ocupantes são largamente pensadas no processo de projetar a arquitetura. Assim, a proposta é unir valores sociais e culturais referentes ao meio escolar (qualidade de ensino, melhor aproveitamento do

Parque Ecológico do Tietê - Imagem de Satélite. Fonte: Google Maps

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espaço durante os períodos de lazer, criação de vinculo entre o projeto e a sociedade) aos valores ambientais (diminuição de degradação do meio, diálogo com contexto físico existente, entre outros), e dessa forma iniciar a conscientização não apenas dos profissionais – através da discussão dos pontos acima citados – mas também da população, que ao ser colocada em contato com uma a arquitetura de qualidade, começa a se influenciar deste espaço e formar jovens cidadãos habilitados a enxergar o mundo de forma mais consciente e difundir esse conhecimento de forma natural no meio em que vive, além de desenvolver um vínculo com o ambiente onde está inserida, o preservando. Para o local onde estaria situada esta “Escola de Ensino Fundamental – Ciclos I e II” foi escolhida a região do Parque Ecológico do Tietê, local de necessidades particularmente especiais, e quee carrega a marca ambiental, cultural e histórica da cidade, e que ao mesmo tempo inspira novas intervenções. Parque Ecológico do Tietê - Fonte:EMPLASA

ORGANIZAÇÃO

O estudo e as respectivas conclusões deste trabalho foram organizadas em duas partes: a primeira objetiva apresentar a base conceitual que fundamenta as reflexões propostas e estudo de caso do local em questão e a segunda visa apresentar o resultado destes estudos, oportunizando discussões contextualizadas e orientações específicas à realidade estudada.

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PESQUISA


SOBRE A SUSTENTABILIDADE

A noção de sustentabilidade implica uma inter-relação necessária de justiça social, qualidade de vida, equilíbrio da dinâmica ambiental e a reestruturação do atual padrão de desenvolvimento. Além disso, deve compreender os aspectos: social, econômico, político-administrativo, ecológico e cultural, todos inter-relacionados, e contemplar o respeito com as presentes e as futuras gerações, determinando uma visão de longo prazo. “A sustentabilidade social pode ser compreendida enquanto solidariedade e justiça social; a dimensão econômica é a capacidade de sustentar o ideal almejado [de desenvolvimento]; a cultural refere-se à valorização e ao fortalecimento da identidade cultural das comunidades, a ecológica se expressa na preocupação de minimizar ao máximo os impactos humanos negativos sobre o meio ambiente e, a dimensão política pode ser compreendida na perspectiva da ampliação da participação popular e na transparência dos processos de gestão”. (ALMEIDA, 2002, p.112, trecho retirado de FERRAZ, M. L. C. P. Tecendo a sustentabilidade das escolas municipais de Ubatuba, p.24) A primeira definição de desenvolvimento sustentável foi cunhada pelo Brundtland Report em 1987, afirmando que “desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer o atendimento às necessidades das gerações futuras”. Anos antes, porém, já havia sido organizadas a 1ª Conferência Das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento Humano (CNUMAD), em Estocolmo (1972) e a 1ª Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em Tibilissi (1977), onde já se pensava na educação como base para sociedades mais conscientes. Nas décadas seguintes, grandes conferências mundiais foram realizadas a fim de rever metas e elaborar mecanismos para o desenvolvimento sustentável, como a Rio’92, no Rio de Janeiro, em 1992, e a Rio+10, em Johannesburgo, em 2002. O desafio global era de melhorar o nível de consumo da população mais pobre e diminuir a pegada ecológica e o impacto ambiental dos assentamentos humanos no planeta.

“O que você se lembra é muito importante porque é isso que faz de você o que você é.” (Teshome Habte Gabriel) – trecho de entrevista ocorrida em 2008, retirado de BARBOSA, Lara L. Design sem Fronteiras, p. 26)

A educação é um dos setores mais importantes para alcançar o desenvolvimento desejado. Pesquisas na área educacional apontam que um terço dos brasileiros freqüenta diariamente a escola (professores e alunos). São mais de 2,5 milhões de professores e 57 milhões de estudantes matriculados em todos os níveis de ensino no país. Apenas na cidade de São Paulo são mais de 150 mil docentes e mais de 2,8 milhões de matrículas.

Gráfico Sustentabilidade. Fonte: www.greennationfest.com.br

O nível educacional da população adulta de um país é o resultado de décadas de investimento em educação. Uma das grandes vantagens de investimentos em educação está no fato de que eles não apenas influenciam as condições de vida daqueles que se educam (efeitos privados da educação), mas também geram uma série de resultados positivos sobre o bem-estar daqueles que os rodeiam. Do ponto de vista privado, a educação tende a elevar os salários, a aumentar a expectativa de vida através da eficiência com que os recursos familiares existentes são utilizados, e a reduzir o tamanho da família (declínio no número de filhos e aumento na qualidade de vida destes), reduzindo, portanto, o grau de pobreza futuro. Logo, é amplamente notável que as externalidades geradas pela educação, em geral, superam em grande medida os seus efeitos privados, pois trazem consigo a idéia de bem estar social. A questão da sustentabilidade se insere nesse contexto, no sentido que busca através dos aspectos físicos e sociais a qualidade de vida da população a curto, médio e longo prazo, pois traz consigo a premissa cíclica e contínua com que a natureza funciona. É pela inserção de fatores geradores de bem estar, tanto físico-ambientais quanto sócio-econômicos, que se torna possível a criação de um senso comum que intencionam suprir as necessidades básicas da população de forma justa, natural e contínua, com ganhos para a sociedade, principalmente às gerações que estão por vir.

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SOBRE A CIDADE

São Paulo é uma cidade cuja população quintuplicou em menos de sessenta anos, e onde a ocupação irregular e desordenada do território combinou-se à ausência de uma política pública de desenvolvimento urbano. Esses fatores foram determinantes para a existência de graves problemas, como a insuficiência de infra-estrutura e de serviços básicos que devem ser ofertados pelo Estado. Quando pensamos nesta cidade, imaginamos imediatamente uma cidade mundial, sede de atividades produtivas geradoras de emprego e renda. Devido a tais características, é necessário que a administração municipal coordene suas ações na busca constante por um aumento da sua eficiência econômica, consolidação dos benefícios sociais conquistados e na ampliação da sua oferta às pessoas que de algum modo ainda se encontrem desassistidas. Tais benefícios estão diretamente ligados à qualidade de vida da população, particularmente no que se refere aos setores de saúde, educação, cultura, condições habitacionais, infraestrutura e serviços públicos em geral, e devem visar à inclusão social com redução das desigualdades econômicas e territoriais da cidade. Além disso, a cidade deve promover a preservação dos seus recursos naturais e dos seus patrimônios histórico, artístico, cultural, urbanístico e paisagístico, visando sempre à elevação da qualidade do ambiente urbano.

A mais caracterizada mudança no perfil econômico da cidade foi o surgimento do chamado vetor sudoeste, (Centro da cidade - Avenida Paulista - Avenidas Faria Lima e Eng°. Luis Carlos Berrini). Fora dessa região, outras áreas se destacaram, porém com menor intensidade, como os distritos e Santana, que também se desenvolveram e tornaram-se centralidades socioeconômicas regionais, funcionando ainda como pólo de comércio, serviços e lazer para outras localidades fora do eixo de desenvolvimento principal do município. As regiões que permanecem afastadas destas centralidades acabam, na maioria dos casos, servindo como bairros-dormitórios. Ao já citado crescimento demográfico estiveram associados processos de especulação imobiliária que aceleraram a ocupação de áreas periféricas com pouca infra-estrutura, em alguns casos fomentados pelos próprios programas urbanísticos estatais de habitação popular. Essa ocupação já toma grandes proporções, chegando a ocupar áreas de grande importância para a preservação da vida na cidade, como as regiões de mananciais e de preservação permanente, caso das margens de rios.

Ocupação irregular em São Paulo. Fonte: Google

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O European Union’s Susteneable Development Strategy considera uma sociedade saudável aquela sociedade onde o conceito de igualdade e coesão social é aplicado. Como igualdade e coesão social o EU entende “uma sociedade democrática, socialmente inclusiva, coesa, saudável, segura e justa, com respeito pelos direitos fundamentais e pela diversidade cultural que cria oportunidades iguais e combate a discriminação em todos os seus níveis” (Social Equity na Cohesion - EU, 2006) – trecho retirado de VEZZOLI, Carlo. Design For Sustainability - theory, methods and tools for a sustainable “satisfactionsystem” design, p. 20.

Segundo dados do Censo de 2000 do IBGE e da fundação SEADE no período 2000-2004, o município apresentava até aquele momento um déficit de aproximadamente 800 mil unidades habitacionais. Isto equivaleria, segundo tais pesquisas, a aproximadamente três milhões de cidadãos sem acesso à habitação formal ou em habitações precárias: nestes números constam, a população de loteamentos clandestinos e irregulares e a população moradora de favelas e população moradora de cortiços. Em 2006, dos 1.522,986 km² do município de São Paulo, 31 km² eram ocupados por mais de duas mil favelas. Como resultado temos a ocupação pelas populações de mais baixa renda das áreas nas bordas do município, mais desprovidas de infraestrutura, por não terem como arcar com o custo de vida dessas áreas infra-estruturadas e supervalorizadas (exceção do centro histórico da cidade, infra-estruturado, mas desvalorizado). Tais mudanças ocorridas na cidade de São Paulo vieram acompanhadas de outra mudança, relacionada às alterações tecnológicas de seus edifícios. Segundo estudiosos como Benedito Lima de Toledo, em um período de um século, entre meados de 1870 e 1970 a cidade de São Paulo foi praticamente demolida e reconstruída no mínimo três vezes. Estes três períodos são caracterizados pelos processos construtivos típicos de suas épocas: em um primeiro momento a cidade apresentava-se como um emaranhado de construções em taipa de pilão, situação que perdurou desde o período colonial até as últimas décadas do século XIX. No início do século XX, a cidade foi rapidamente transformada e passou a apresentar-se como uma cidade de , importando métodos de construção e arquiteturas européias. Enfim, com a necessidade de verticalização e expansão e a popularização de avanços tecnológicos, a cidade foi novamente demolida e reconstruída em concreto armado e metal, constituindo parte da paisagem atual. De cada um dos períodos anteriores restam poucos exemplares e muito desperdício.

Gráficos de metabolismo linear e circular. Gráfico linear representa o metabolismo das cidades atualmente, em contraposição ao gráfico proposto para cidades sustentáveis, com metabolismo circular. (BARBOSA, Lara L. Design sem Fronteiras, p.12).

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PARQUE ECOLÓGICO DO TIETÊ

Unidades de Informações Territorializadas Com metodologia desenvolvida pela Emplasa, as Unidades de Informações Territorializadas (UITs) correspondem a polígonos territoriais delimitados com base nas características funcionais e urbanas predominantes em cada município. Critérios para Identificação e Delimitação das UITs: • Usos e padrões de ocupação territorial predominantes • Aspectos construtivos das edificações • Localização de áreas ou edificações expressivas dos usos industrial, comercial, serviços públicos e privados e agropecuária • Presença de equipamentos urbanos de porte significativo • Funcionalidade urbana ou rural das áreas • Malha viária e corredores comerciais • Polos geradores de tráfego • Aspectos ambientais • Características socioeconômicas

O Cangaíba é um distrito situado na zona Leste do município de São Paulo, tendo sua jurisdição administrativa pertencente à Subprefeitura da Penha. O distrito é habitado em geral por pessoas de classes média e baixa. Ao norte, faz divisa com o município de Guarulhos, através do Parque Ecologico do Tietê – região muito movimentado devido ao turismo (ocasionado pelo parque) e ainda por abranger parte da rodovia Ayrtom Senna, principal ligação da capital paulista com o Vale do Paraíba. Ao sul, faz divisa com os dois distritos: da Penha e Ponte Rasa, e ao leste, com o de Ermelino Matarazzo. O núcleo Engenheiro Goulart, fica situado no distrito do Cangaíba, nas margens da Rodovia Ayrton Senna sentido SP/Rio, altura do km15,5 (acesso pelo km17). Há diversos equipamentos sociais, recreativos, esportivos e de lazer, bem como a flora em constante recuperação que servem de refúgio para os animais silvestres.

Sua área total é de 12,5 milhões de m², ou seja, um dos maiores parques urbanos do mundo. Possui trilha para caminhadas, Centro de Educação Ambiental, Centro Cultural, Museu do Tietê, Biblioteca, palco para shows, 5 quadras poliesportivas, 17 campos de futebol, playgrounds, áreas de ginásticas, quiosques com churrasqueiras, aluguel de pedalinhos, barcos e bicicletas. Há também um trenzinho (serviço terceirizado) que percorre a trilha de 4km, onde o visitante pode conhecer melhor a fauna e flora do parque. Em 2004 o parque foi revitalizado e recebe atualmente entre 150 e 200 mil visitantes/mês. Com entrada gratuita o parque fica aberto de segunda-feira à domingo, das 08:00 às 17:00 horas.

Mapa UIT - Parque Ecológico do Tietê. Fonte: EMPLASA

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DISTRITO CANGAÍBA 1 SUBPREFEITURA: Penha. 2 LIMITES REFERENCIAIS: Norte: Limite do município de Guarulhos. Sul: Córregos: Tiquatira e Ponte Rasa. Leste: Avenida Olavo Egidio de Souza, Ruas: Luís Imparato e Cândido de Abreu, trecho entre a Rua Cândido de Abreu e a Linha 12 Safira da CPTM até a USP Leste, atravessando a Rodovia Ayrton Senna da Silva. Oeste: Viaduto Imigrante Nordestino, Avenidas: Doutor Assis Ribeiro e Cangaíba e Ruas: Malacacheta e Amorim Diniz. Em função da predominância do tipo de uso e ocupação, foram identificadas três UITs: UIT 241 – Cangaíba UIT 242 – Vila Sílvia UIT 243 – Parque Ecológico Tietê 1- LIMITES REFERENCIAIS: Norte: Limite do município de Guarulhos. Sul: Linha 12 Safira da CPTM. Oeste:Viaduto Imigrante Nordestino e Av. Doutor Assis Ribeiro. Leste: Linha 12 Safira da CPTM, USP Leste atravessando a RodoviaAyrton Senna da Silva 2- POPULAÇÃO 2000: 9.287 habitantes (6,76% em relação ao distrito – 137.442 habitantes) Mapa UIT - Parque Ecológico Domicílios 2000: 2 331 (6,06% em relação ao distrito – 38 do Tietê. Fonte: EMPLASA 464 domicílios) Área (km²): 8,608km² (51,91% em relação aodistrito – 16,582km²) Densidade demográfica: 1 079 hab./km2. EQUIPAMENTOS URBANOS REFERENCIAIS: Cultura, esportes, turismo e lazer: Parque Ecológico do Tietê. Educação: USP Leste. EE Anne Frank. Saúde: UBS Jardim São Francisco. Transportes: Linha 12 Safira da CPTM. Estação Engenheiro Goulart. Estação USP Leste. Uso especial: Igreja de Santo Onofre.

Mapa UIT - Parque Ecológico do Tietê. Fonte: EMPLASA

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A ESCOLA

A educação formal constituída num sistema escolar é oriunda do contexto de cada povo e do seu entendimento de mundo. Muitas sociedades existentes no planeta não utilizam a escola (ou somente ela) como forma de educar a futura geração. Para algumas comunidades tradicionais da América Latina, por exemplo, o conhecimento cultural acumulado ainda é transmitido oralmente, com auxílio de histórias, de músicas, ou mesmo do trabalho cotidiano das famílias e de suas comunidades. Por constituir-se uma construção histórico-cultural e um subsistema social, a escola transforma-se com o movimento das sociedades, em constante diálogo com outras instituições e estruturas sociais. É, portanto, um produto de cada tempo, tendo suas formas construtivas a expressão simbólica dos valores dominantes das diferentes épocas. No Brasil, o processo de inventar e de produzir a escola iniciouse durante o Estado Imperial, no século XIX, com períodos crescentes e decrescentes de investimento e valorização. Seu desenvolvimento sempre teve uma estreita relação com os fatores históricos e questões políticas de formação do povo brasileiro e desenvolvimento do país. A construção de edifícios especialmente projetados para abrigar escolas primárias no Brasil é, em termos históricos, relativamente recente. O estabelecimento do vínculo entre edifício-escola e concepções educacionais é tardio. Os diferentes projetos arquitetônicos das escolas ao longo dos anos, até os dias de hoje evidenciaram as preocupações do governo com as questões relacionadas à educação, o que refletiu nas diferentes políticas educacionais. Da política das décadas iniciais do século XX, que prestigiava o ensino primário e por isso construía edifícios escolares que ainda hoje exibem beleza arquitetônica, passou-se às políticas educacionais das décadas de 30, 40, e 50 que, para atender ao enorme crescimento demográfico e às novas exigências profissionais da sociedade industrializada, modificaram os projetos arquitetônicos, racionalizando-os e modernizando-os, com conseqüente perda na qualidade do ensino. O forte acanhamento da política educacional dos anos 60 evidenciou a incapacidade desses órgãos em acompanhar o crescimento demográfico e urbano. Tal falta de sincronia se refletiu no distanciamento ou até mesmo na ruptura entre os arquitetos e os pedagogos, que pouco ou quase nenhum contato tiveram entre si, o que resultou num ensino prejudicado pela falta de espaços adequados.

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“o diagnóstico atual da escola é sombrio e as referências à sua crise são recorrentes, por três razões principais: baseada em um saber cumulativo e relevado, a escola é, hoje, obsoleta, sofre com um déficit de sentido para os que nela trabalha, além de ser marcada por um déficit de legitimidade, na medida em que faz o contrário daquilo que promete, originando legiões de insatisfeitos”. (CANÁRIO, 2006, p. vii, trecho retirado de FERRAZ, M. L. C. P. Tecendo a sustentabilidade das escolas municipais de Ubatuba, p.34) Outras ainda são as causas da falência atual da escola: a precária organização dos sistemas de ensino (condições inadequadas ao funcionamento das escolas, falta de manutenção, condições sanitárias, ausência de material didático, falta de comunicação entre os sistemas municipal, estadual e federal, dentre outros), a aprendizagem do aluno não é o foco da escola (há desperdício de tempo com burocracias administrativas), a escola está dissociada do mundo e da vida, desmotivação e falta de qualificação dos profissionais de educação. Os professores, por sua vez, profissionais antes valorizados e bem quistos pela sociedade, assumem tanto o desencanto social pela escola, quanto os problemas sociais que emergem da crise ambiental. Sua formação profissional, baseada igualmente em uma educação transmissiva e conteudista, não consegue transcender em sala de aula aos preceitos exigidos pelo paradigma ambiental, além disso, não tem apoio do sistema educacional (seja em termos pedagógicos, administrativos, materiais e financeiros) e das famílias atendidas. “A educação precisa estar em consonância com esta nova visão do mundo, com a sociedade almejada no futuro e, para tanto, é necessário criar ambientes educacionais que extrapolem a questões puramente pedagógicas, que busquem o entendimento da condição humana, a preparação do cidadão para exercer sua cidadania, para participação responsável e planetária, tendo como prioridade o cultivo de valores humanitários, ecológicos e espirituais. Isso requer novos métodos de ensino, novos currículos e novos valores, enfim novas práticas educacionais absolutamente diferentes das que estamos acostumados a encontrar em nossas escolas” (MENDES, op. cit., p.112, trecho retirado de FERRAZ, M. L. C. P. Tecendo a sustentabilidade das escolas municipais de Ubatuba, p.36)

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A ESCOLA ASPECTOS SOCIAIS

Todo ser humano é condicionado pela sua situação regional, por seus condicionantes de vida, trabalho, recreação e cultura local. A falta de qualidade de vida observada nas regiões pobres da cidade, como no caso das favelas, serve como um incentivo inverso às práticas sociais, pois não permite a formação de vínculos com o meio (totalmente desestruturado) e entre os moradores. Quando não há essa conexão entre o local e as pessoas que ali habitam, é possível perceber o aumento do vandalismo e a falta de relações sociais entre seus habitantes. Não coincidentemente, as cidades que estão entre as que mais crescem no Estado, registram as maiores taxas de violência e vandalismo, indicadores da falta de identidade dessas populações com seu meio. Devido ao desenvolvimento desordenado da cidade de São Paulo e à aglomeração de infra-estrutura e serviços na região de centro expandido da cidade em detrimento das áreas periféricas, estas se tornaram locais com maior índice populacional infantil e de menor renda familiar, fator este que limita o contato das crianças à cultura, já que seu único meio de conhecimento vem da escola pública, atualmente degradada e defasada. Como então, criar nesta sociedade que faz parte da cidade, a consciência sustentável, foco deste projeto?

“LAR É ONDE SE INICIA” (Eliot, T. S. The Four Quartets) (”Home is where one starts from”. Trecho retirado de BARBOSA, Lara Leite. Design sem fronteiras. p.22)

Friedensreich Hundertwasser apresenta uma visão do indivíduo coberto por cinco camadas, “as cinco peles”: epiderme, vestuário, casa, meio social e identidade, e meio global (ecologia e humanidade), cada uma delas incorporada na sua personalidade desde seu nascimento. Tal idéia nos remete à consciência de que o meio em que estamos inseridos é, desde o início, parâmetro para nossa formação como futuros cidadãos. A escola é um ambiente de aprendizado por excelência, principalmente aquelas voltadas ao público infanto-juvenil, pois são formadoras de cidadãos. Nela são expressos, transmitidos, reforçados, reprimidos, criados e resgatados elementos e valores culturais, sabedorias e práticas acumuladas pelo sistema social onde está inserida. Ela tem, portanto, grande responsabilidade, não apenas no subsídio às reflexões e discussões sobre as sociedades, mas vivenciando e participando ativa e efetivamente no processo de sua construção. A escola se abastece destes objetivos, dos conhecimentos produzidos e dos recursos humanos, financeiros e materiais das sociedades. Por sua vez, as sociedades recebem da escola uma melhoria nas condições de vida da população, mediante o repasse e a difusão de informações e práticas, aperfeiçoamento e formação dos seres humanos, além dos resultados de pesquisas realizadas nas unidades escolares. É, portanto, um sistema, na medida em que formam um conjunto de elementos interdisciplinares, como um todo organizado.

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Toda essa experiência se dá no espaço. É na relação da criança com os materiais, cores, volumes, escalas, texturas, com seus pares e com os adultos que emerge o aprendizado significativo. Assim como a construção do conhecimento, ela é o resultado dessa vivência a três – crianças, espaço, objeto, mediado pela ação do outro.

MATERIIAL DISPONÍVEL ÀS ESCOLAS: http://revistaescola.abril.com.br/gestaoescolar/diretor/escola-sustentavel-meio-ambiente556464.shtml: desenvolvimento de temas relacionados ao meio ambiente abordados na linguagem adequada ao público infantil. Além disso, oferece suporte aos professores para inserir a educação ambiental na sala de aula, através de entrevistas e planos de aulas. http://planetasustentavel.abril.com.br/planosdeaula/: site com grande número de informações voltado à escola que oferece ao professor diretrizes para a criação de planos de aula mais condizentes à sua realidade, abordando questões de meio ambiente, saúde, educação, entre outros. http://planetasustentavel.abril.com.br/planetinha/test es/: através de vídeos, testes, livros entre outros, aborda o tema da educação ambiental, permitindo que crianças do ensino fundamental (ciclo I) estabeleça contato com elementos da natureza e aprenda a lidar com eles de forma correta. http://www.cidadeverde.org/About.aspx : site desenvolvido especificamente para escolas de ensino público, desenvolveu um jogo interativo voltado às crianças de ensino fundamental (ciclo II). Este jogo permite que cada criança forme sua própria cidade baseada nos conceitos de sustentabilidade e educação social.

Frente aos problemas atuais, cujas soluções têm exigido cada vez mais o trabalho conjunto e integrado dos profissionais das mais diferentes áreas, bem como da necessidade de uma visão criativa e de uma postura cooperativa, a escola precisa valorizar o trabalho dos alunos, estimulando a confiança e a solidariedade. “Não podemos seguir com o paradigma da modernidade que entende a atividade humana como transformação da natureza, a serviço do progresso linear ilimitado, sem a consideração da lógica interna da natureza. Hoje é imperativo: não modificar, mas conservar o mundo. Mas para conservar o mundo precisamos mudar de paradigma e converter mentes coletivas para outros objetivos menos destruidores.” (BOFF, 2004, p.263) – trecho retirado de BARBOSA, Lara L. Design sem Fronteiras, p.13. A educação, e em particular a ambiental, é potencialmente um instrumento de conscientização no processo de formação de cidadania, por sua capacidade de intervir no processo de construção social da realidade. Por meio de incentivos a práticas ambientalmente adaptadas ao meio e a uma cidadania ativa, possibilita a ampliação da participação e mobilização popular através da cooperação, da valorização do potencial criativo humano e da interconexão das áreas e formas do saber. A escola, por conseqüência é o espaço para a vivência deste processo. E estreita relação existente entre os processos educativos e os de desenvolvimento humano foi consensuada entre os países de todo o mundo, já na década de 70, quando a educação ambiental surgiu como estratégia fundamental para promoção da reconexão do ser humano com o cuidado com ele mesmo, com os outros e com a natureza, da qual é parte e depende. No Brasil, a Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA inseriu a Educação Ambiental em todos os níveis e modalidades do processo educativo, como componente essencial e permanente da educação nacional, incumbindo as instituições educativas a sua inserção de maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem.

Nesse contexto, a escola representa um período/local multifuncional que se institui como meio da vida até a idade adulta. Muitas crianças e jovens passam mais tempo em interação direta com os educadores e colegas do que com os pais. A escola se apresenta então, não como sendo um somatório de salas de aula, mas como um meio ambiente educativo que deve propiciar a multiplicação de oportunidades de aprendizagem de forma interativa, e não o ensino passivo. Uma questão, porém, é o desafio deste tipo de educação: a distância entre o discurso e prática. A educação ambiental defende uma gestão participativa da escola, contudo muitas não possuem um Conselho Escolar atuante ou mesmo valorizam a participação dos alunos; defende a necessidade de educar para a disposição adequada dos resíduos sólidos, contudo são poucas as escolas e redes de ensino que possuem um programa para redução do consumo de embalagens e descartáveis em suas próprias compras, não existe separação do lixo inorgânico nas escolas e tão pouco espaço para compostar o lixo orgânico. Além da ausência de uma definição precisa do conceito de educação ambiental, a escola de hoje apresenta graves problemas estruturais (recursos materiais e prédios sucateados), humanos (formação precária dos professores e gestores escolares, baixa remuneração e desvalorização profissional) e pedagógicos (conflito entre os métodos tradicional e contemporâneo de educação, mediante as inúmeras pressões mercadológicas). O amadurecimento e a efetividade das ações ambientais educativas estão vinculados às mudanças nas posturas e nas ações individuais e coletivas dos cidadãos e dos gestores públicos brasileiros, no sentido de readequar nosso modo de vida, frente a nossa realidade social e coerentes com nossa cultura e natureza. Sob essa ótica, a educação ambiental se direciona à compreensão de que a qualidade de vida depende da qualidade ambiental. Ao refletir sobre os processos intencionais educativos, como os que ocorrem na escola, é possível afirmar que a educação deve propiciar o florescimento de algo que já está dentro da pessoa e este florescimento deve ser estimulado por meio da reflexão-ação-refflexão sobre a própria realidade e seu cotidiano.

Em seu Artigo1º, define: “entende-se por Educação Ambiental, os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

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A ESCOLA ASPECTOS FÍSICOS

Quando pensamos nas questões da sustentabilidade que abrangem os apectos físicos de um projeto arquitetônico devemos considerar como ponto inicial o entendimento do contexto no qual o edifício será inserido. Projetos de arquitetura que apresentem soluções para lidar com as condições ambientais locais, envolvendo temperatura do ar, temperatura superficial, umidade, radiação solar, ventos, ruído e, ainda, qualidade do ar, aliadas a um bom aproveitamento da luz natural, contribuem para a realização de uma arquitetura de menor impacto ambiental. A estreita relação percebida entre o conforto ambiental e o consumo de energia, que está presente na utilização dos sistemas de condicionamento ambiental e de iluminação artificial, valorizou a arquitetura bioclimática dentro do conceito de sustentabilidade. “A arquitetura sustentável é a continuidade mais natural da Bioclimática, considerando também a integração do edifício à totalidade do meio ambiente, de forma a torná-lo parte de um conjunto maior. É a arquitetura que quer criar prédios objetivando o aumento da qualidade de vida do ser humano no ambiente construído e no seu entorno, integrando as características da vida e do clima locais, consumindo a menor quantidade de energia compatível com o corforto ambiental, para legar um mundo menos poluído para as próximas gerações.” (CORBELLA e YANNAS. Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos – conforto ambiental, p.17) Considerando o recorte do desempenho ambiental da arquitetura atrelado ao conforto e à eficiência energética adequados ao conceito de sustentabilidade, partindo da fase conceitual e da definição do partido arquitetônico, o projeto de um edifício deve incluir o estudo dos seguintes tópicos: 1- Orientação solar; 2- Forma arquitetônica, arranjos espaciais, zoneamento dos usos internos do edifício e geometria dos espaços internos; 3- Características, condicionantes ambientais e tratamento do entorno imediato; 4- Materiais da estrutura, das vedações internas e externas, considerando desempenho térmico e cores; 5- Tratamento das fachadas e coberturas, de acordo com a necessidade de proteção solar; 6- Áreas envidraçadas e de abertura, considerando a proporção quanto à área de envoltória, o posicionamento na fachada e o tipo do fechamento, seja ele vazado, transparente ou translúcido; 7- Detalhamento das proteções solares considerando tipo e dimensionamento; 8- Detalhamento das esquadrias.

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Além dos pontos acima destacados, é necessário que o partido arquitetônico considere o tempo de deterioração da obra assim como o tempo de decomposição dos materiais como parte da sua concepção. Porque para avaliar se algo é ou não sustentável, é preciso responde essencialmente as duas questões: é sustentável em que lugar? Em qual intervalo de tempo? Os processos naturais, como a própria humanidade, são fluxos em movimento. É exigido do raciocínio do arquiteto o conhecimento de quanto seu projeto, depois de construído, irá durar. Ou, se será possível alterá-lo para se adaptar às mudanças do tempo. A responsabilidade do arquiteto deve abranger todo o ciclo de vida do edifício: concepção/projeto; construção; uso/ocupação; demolição. A complexidade adentra cada uma destas fases, exigindo diversidade ao uso dos recursos, respeito por cada trabalhador que faça parte desta cadeia, consideração aos hábitos e desejos daqueles que poderão desfrutar dos resultados. Para que um empreendimento seja sustentável, é necessário que sejam atingidos quatro requisitos básicos: seja ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. É possível organizar o ciclo de vida da arquitetura visando este desenvolvimento. Para isso é necessário o cuidado com diversos aspectos durante sua concepção, construção e uso. São eles: · cuidado com a escolha dos materiais durante o processo de pré-fabricação, preocupação com as pessoas envolvidas (aplicação das relações trabalhistas e de segurança); · controle do consumo energético; · preocupação com a distribuição/transporte de produtos; · preocupação com o descarte/abandono de materiais e lixo produzido após a finalização da obra; · manutenção constante do edifício, o que se torna possível através da capacitação de profissionais que participam deste processo de regeneração do sistema, e assim, administram os recursos existentes e estimulam o aprendizado da experiência, percebem e corrigem os erros.

“... o processo educativo não se restringe à relação individual entre professor e alunos. Quem realmente educa é um ambiente geral (...) que envolve, num mesmo processo educativo, alunos, professores, administradores da escola e população. O espaço físico da escola, sua fachada e estrutura, o jardim, as salas de aula, os corredores, a sala dos professores e do diretor, enfim, toda a organização arquitetônica do espaço é parte importante desse determinado ambiente que educa.” (NOSELLA, Paulo - trecho retirado de BUFFA, Ester. Arquitetura e Educação: organização do espaço e propostas pedagógicas dos grupos escolares paulistas, 1893/1971) “Estudos comprovam a relação de benefícios atingidos através da preocupação projetual de aliar o projeto ao meio (Green Design): melhores resultados obtidos em exames escolares, aumento da freqüência escolar, aumento e atendimentos diários, melhoria da performance e da satisfação dos professores, redução de custos operacionais, redução do impacto ambiental, aumento do tempo de vida do edifício.” (High Performance Schools, Volume 1, 2006, p.2 – obtido através do site www.epa.gov/iaq/schooldesign/highperformance.html, acesso em 20/09/2009).

Todos esses aspectos do projeto vistos em conjunto exercem um impacto no desempenho térmico do edifício, por terem um papel determinante no uso das estratégias de ventilação natural, reflexão da radiação solar direta, sombreamaneto, resfriamento evaporativo, isolamento térmico, inércia térmica e aquecimento passivo. O uso apropriado de uma dessas estratégias, ou de um conjunto delas, por sua vez, vai ser determinado pelas condições climáticas e urbanas locais, exigências de uso e ocupação, possibilidades construtivas, e parâmetros de desempenho. Pensando dessa forma, a escolha do partido arquitetônico de uma escola, assim como sua organização, forma, materiais, cores, etc. devem seguir a lógica da arquitetura bioclimática (que oferece conforto e qualidade do espaço concebido) aliada às necessidades pedagógicas e sociais, trazendo consigo qualidade do espaço para vivência, aprendizagem, interações/relações sociais e com o meio.

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REFERÊNCIAS

A gestão de uma rede pública de ensino abrange múltiplos e diversificados aspectos que merecem cuidados e preocupações. Não só a esfera educacional deve ser cuidada. Quando analisamos a situação atual da Escola de Ensino Fundamental em São Paulo, vemos que ela é herança do descompasso entre o poder público e as necessidades da população. Como justificativa é apresentada a inexistência de terrenos públicos, resultado da construção desordenada de conjuntos habitacionais ou pela invasão de áreas, que se tornam aglomerados populacionais. A solução adotada então, para obras por parte do Estado, tem sido utilizar áreas remanescentes de terrenos de escolas construídas em blocos térreos na periferia da cidade nas décadas de 1970 e 1980, atualmente regiões bastante populosas. Recorreu-se, inclusive, à demolição de algum bloco térreo, para permitir a construção de uma nova escola em vários pavimentos, 'otimizando' o terreno disponível e permitindo o atendimento à demanda na região. Porém, resolver apenas quantidade atende ao objetivo de minorar o problema de vagas, no entanto, e principalmente, perde-se a função principal a que o edifício foi pensado: oferecer parâmetros à criança que ali freqüenta para formação de senso crítico, já que não foram produzidos ali bens culturais que contribuam para a melhoria de nossas cidades com espaços mais apropriados à formação educacional e ao convívio dos cidadãos.

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A preocupação com a qualidade de todos os aspectos que envolvem a construção de uma escola, quando traduzida no prédio bem construído, funcional, agradável ao convívio e de melhor resultado plástico e espacial, poderá obter o reconhecimento dessa população, isto é, despertar o sentido de identidade desses moradores com seu equipamento público, contribuindo para sua preservação. Irá permitir, também, que as crianças utilizem esse espaço e usufruam dessa referência de edifício, diferente daquele que habitam. Num sentido mais amplo, ao construir o prédio destinado à educação, considerando também questões sociais e ambientais, o órgão público produz um ganho social e contribui para a formação da cidadania. Um bom exemplo de projeto implantado na cidade de São Paulo são os “Centros Educacionais Unificados – CEUs”, localizados nas áreas periféricas e carentes de grande densidade populacional, principais bolsões de pobreza da capital. O CEU foi concebido como espaço de estudos e construção do conhecimento, aliados ao espaço para receber e considerar a cultura da comunidade e irradiar outras formas de manifestações culturais: um espaço que permita a construção individual e coletiva da ação pedagógica e que, ao mesmo tempo, seja um espaço de participação e organização dos diferentes segmentos e movimentos sociais. Sua concepção atende a três objetivos específicos: 1- Desenvolvimento integral das crianças e dos jovens; 2- Pólo de desenvolvimento da comunidade; 3- Pólo de inovação de experiências educacionais. Além disso, sua arquitetura foi desenvolvida seguindo parâmetros da Escola Parque, idealizado na década de 50 por Anísio Teixeira, desenvolvendo o conceito de “praça de equipamentos”. Dessa forma, arquitetura, mobiliário, paisagismo, brinquedos, equipamentos, grades de atividades, acessos e fluxos foram pensados para tornar o espaço agradável do ponto de vista fisiológico, e também de maneira a potencializar os princípios de descentralização, autonomia e participação, de inclusão, humanização e de cidadania ativa. Devido à sua complexidade, a organização dos CEUs exige a implementação de uma nova concepção de gestão na área social, pedagógica e na relação com as demais instituições educativas da região, diferente do que foram aplicadas nas escolas municipais anteriores. A ação articulada entre instâncias governamentais e o desenvolvimento de parcerias com organizações da sociedade civil são a base desse modelo de gestão. A participação da comunidade na implantação dos CEUs se inicia com a escolha dos gestores destes centros.

CEU Rosas da China, São Paulo. Arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza. Foto Nelson Kon. Retirado do site www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq055/projeto2, acesso dia 09/11/2009

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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LEI FEDERAL Nº.4771/65 RESOLUÇÃO CONAMA Nº.303/02 RESOLUÇÃO SMA 18/07 RESOLUÇÃO CONAMA 369/06 DECRETO ESTADUAL Nº.42837/98-SP LEI ESTADUAL Nº.5598/87-SP PLANO REGIONAL ESTRATÉGICO SUBPREFEITURA DA PENHA LEI DE ZONEAMENTO DA CIDADE DE SP Lei_10257_Estatuto_da_cidade ABNT NBR-9050: 2004 ABNT NBR 14276: 2006 ABNT NBR13994 NBR 9077: 2001

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ESTUDO DE CASO


ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL ANNE FRANK (CICLOS I E II)

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Anne Frank localiza-se no bairro do Cangaíba e foi ela razão para a escolha do terreno escolhido para o desenvolvimento do projeto que será apesentado mais a frente. Construída na década de 60, essa escola, inicialmente pensada para abrigar alunos do Ensino Fundamental, observou o constante crescimento populacional ocorrido na região, resultado da ocupação irregular de áreas antes pertencentes ao Parque Ecológico do Tietê e que hoje já se tornaram áreas consolidadas de urbanização de baixa renda, com baixos índices de infra-estrutura e qualidade de vida. Mesmo localizada numa área limite a uma Zona de Proteção Permanente (APP) a escola foi construída sem nunca ter estabelecido um vínculo com seu entorno, se isolando da realidade que pertencia e seguindo um padrão carimbado em toda a cidade. Suas posteriores reformas nos últimos 10 anos, apesar de amenizar problemas como a falta de vagas para a população, não resolveram a questão do isolamento, se caracterizando por reformas de efeito imediatista, como ampliação de salas de aula e construção de uma área para atividades esportivas, necessidades que surgiram do grande crescimento demográfico resultante da ocupação irregular da região. A somatória destas medidas de curto prazo aliada à ausência do sustentável resultaram no mau aproveitamento do terreno, na ausência de conexão com o entorno, tanto nos pontos que tangem as questões físicas quanto as questões sociais, além de oferecer má qualidade no que se refere às questões climáticas e de ocupação do edifício. Outros são os pontos que merecem atenção na escola, por trazer prejuízo à formação dos alunos: - Grande variação de temperatura nas salas de aula (excesso de calor no verão, frio no inverno) - Ofuscamento devido ao excesso de claridade, resultado na má disposição dos caixilhos e da ausência de proteção solar (brises) - Falta de cobertura para proteção em dias de chuva - Ambientes velhos e/ou inadequados ao meio ou função (banheiros velhos, sala de informática instalada dentro do depósito de materiais esportivos, número insuficiente de equipamentos) - Rede hidro-sanitária inadequada ao meio, com fossa séptica instalada dentro da área de várzea de afluentes. Estes são problemas críticos apresentados por essa escola, interferindo na capacidade de aprendizado dos alunos, além de produzir danos ao meio ambiente. A escola, porém, apesar de apresentar tantos prejuízos socioambientais se caracteriza por ser pólo centralizador das atividades socias locais. Isso ocorre devido a falta de outros equipamentos na região, aliado ao baixo custo da população, que não tem condições financeiras para se deslocar entro da cidade. Todos estes pontos quando somados oferecem uma base para o desenvolvimento de um projeto que englobe as questões básicas: seja ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito.

Área pertencente a UIT - Parque Ecológico do Tietê, entre a Rodovia Ayrton Senna (ao norte) e Av. Dr. Assis Ribeiro (ao sul). Área em amarelo: ocupação irregular; área azul: terreno particular sem ocupação, mas com vegetação retirada; área vermelha: terrenos de uso institucional, voltados à educação infanto-juvenil.

Área destacada em vermelho: terreno pertencente à Escola Anne Frank e onde será proposto novo projeto para a escola. Em azul: córrego afluente do Rio Tietê; em amarelo: vias de acesso ao Parque Ecológico do Tietê e de acesso ao terreno; em lilás: Linha Férrea Safira (Estação Eng. Goulart).

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ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL – CICLO I E II DADOS GERAIS: FUNCIONAMENTO: segunda a sexta-feira, períodos matutino e vespertino NÚMERO DE SALA DE AULA: 14 CAPACIDADE: 954 alunos (440 – 1ª a 4ª séries / 514 – 5ª a 8ª séries) – 44 alunos acima da capacidade da escola (20 alunos do 1º ciclo e 24 alunos do 2º ciclo) ESPAÇOS DA ESCOLA: sala alunos, diretoria, secretaria, sala professores, sala leitura, pátio aberto, pátio coberto, quadra poliesportiva, banheiro alunos, cozinha, despensa, refeitório, sala de apoio pedagógico, banheiro PNE, cantina, rampa PNE, depósito de gás e zeladoria. ESPAÇO DETALHADO: Material Construção predominante: alvenaria Telhado: Eternit (maioria) e telhas de barro Piso: azulejo/cimentado (áreas externas) Entorno da Escola: construções densas, rua movimentada, acesso regular, não adequado a def. físicos

Acima, da esquerda para a direita: pátio descoberto entre as salas de aula, pátio coberto, área poliesportiva e edifício administrativo com estacionamento. A Escola Estadual de Ensino Fundamental Ciclos I e II possui 14 salas de aula, com 954 alunos inscritos. Está aberta de segunda a sexta-feira nos períodos matutino e vespertino, não tendo atividades nos finais de semana. Fonte: Camila Zaneti

FATORES AMBIENTAIS CONDICIONANTES: - Luminosidade: luz artificial (predominância de lâmpadas fluorescentes) e ofuscamento por excesso de luminosidade e má orientação dos caixilhos - Calor: varia com a estação (frio no inverno e calor no verão) – necessidade constante de uso de controle artificial de temperatura (ventiladores) - Vento: não há problema - Chuva: não há cobertura entre as salas de aula nem fechamento lateral para proteção contra chuvas - Poluição: não há problema com poluição do ar ou sonora - Segurança: alguns casos de invasão

INFRA-ESTRUTURA: - ÁGUA: Sistema único de abastecimento (banheiros, cozinha, consumo e uso geral) Entrada: SABESP Maior consumo: banheiros (válvula com vazão > 6 litros) – não há chuveiros Saída: fossa séptica - ENERGIA: Elétrica Ambientes com maior uso: administração, salas de aula, cozinha, sala de leitura, pátio interno, banheiros Ambientes acessos toda a noite: área externa e pátio interno Eletrodomésticos ligados durante maior tempo: geladeira e freezer - RESÍDUOS SÓLIDOS: Limpeza: terceirizada Separação dos resíduos: parcial (papel, plástico e alumínio) Lixo: coleta (não-seletiva) 3 vezes por semana Produção: plástico: pouco (recicla) papel: muito (queima) vidro: pouco (não recicla) metais: pouco (recicla apenas alumínio) orgânico: muito MERENDA ESCOLA: - Cardápio: seguido conforme cronograma, com pequena quantidade de sobras, sem reaproveitamento. - Estrutura do refeitório insuficiente (muito pequeno) - Utilização do recreio para separação das turmas para ocupação do refeitório ALUNOS: Quantidade: 954 alunos Chegada na escola: sozinhos / a pé Moradia: mesmo bairro (grande proximidade da escola) Principais problemas relacionados os alunos: higiene (falta de asseio, piolhos) e problemas respiratórios (inverno)

ENTORNO

Da esquerda para a direita: Estação Eng. Goulart, Rodovia Ayrton Senna, Av. Dr. Assis Ribeiro, Rua Guirá-Acangatara (acesso ao Parque e à escola), acesso ao Parque Ecológica do Tietê, Parque Ecológico do Tietê, vista do Bairro São Francisco, cuja população utiliza a escola. Fonte: Camila Zaneti

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ÁREA ADMINISTRATIVA ÁREA DIDÁTICA ÁREA DE VIVÊNCIA ÁREA DE ESPORTES ÁREA DE SANITÁRIOS/FUNCIONÁRIOS

Planta da Escola Estadual Anne Frank com setorizações de uso Fonte: FDE SEM ESCALA

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MEMORIAL


PARTIDO

IMPLANTAÇÃO

Como primeira intenção este projeto propõe a adequação de um edifício voltado à educação infantil de acordo com a proposta apresentada pela Fundação para o Desenvolvimento (FDE). Seguindo as necessidades e limitantes locais, o projeto parte do gabarito baixo (h=7,00m), condição imposta pela Lei de Uso e Ocupação do Solo e se desenvolve ao longo do terreno de 175m de profundidade. Essa horizontalidade, marca do projeto e resultado da forma do terreno (50x175m), permite a criação de espaços de permanência que permeiam todas as áreas que compõe projeto - área administrativa, educacional e de vivência. Nessas áreas foram desenvolvidos pátios que permitem a interação entre seus usuários. Alinhado à esquerda do terreno, o recorte do edifício favorece a interação com a área restante, um grande pátio aberto, remetendo à idéia de parque, com áreas de descanso, lazer e atividades extra-curriculares. A criação de um mezanino voltado para esta área intenciona aumentar o vínculo entre o edifício e seu entorno, que extrapola a área do terreno, abrangindo o Parque e se interligando a ele. Foram criados também anexos (casa do zelador e galpões de reciclagem e compostagem), união da necessidade do programa e elementos que compõem a forma obtida na grande área verde.

O terreno escolhido situa-se dentro da UTI 243 – Parque Ecológico do Tietê, demilitado ao norte pela Rodovia Ayrton Senna e pelo Parque Ecológico do Tietê, a leste pela Escola Municipal de Educação Infantil, a Sul pela Rua Guirá-Acangatara e a Oeste por terrenos privados não ocupados. Devido à Rua Guirá-Acangatara ser o único meio de acesso ao terreno, seu acesso só poderá ocorrer por ela. O entorno do Parque apresenta hoje uma carência de equipamentos urbanos, havendo apenas uma estação de trem da CPTM no local (Estação Engenheiro Goulart) - forte eixo de divisão da área do Parque com a cidade - e linhas de ônibus próximas, que circulam da Avenida Doutor Assis Ribeiro, via que margeia o Parque e serve de acesso a ele. A Rodovia Ayrton Senna se apresenta eixo centralizador de indústrias na região e como limitante para a expansão da cidade no sentido norte. Esta é uma região classificada como Zona Mista de Baixa Densidade, com o entorno predominantemente residencial, de média e baixa renda, com formação de favelas (público que faz uso da escola local), sem pontos de cultura e apenas um eixo de comércio degradado, que se desenvolve ao longo da Avenida Assis Ribeiro. O Parque é centralizador das atividades de lazer da região. Porém sua localização fica limitada ao sistema de transporte local, dificultando seu acesso e impedindo sua expansão.

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PROGRAMA

O programa do edifício é pensado para uma escola pública (acesso universal ao conhecimento) e estadual. Por esse motivo segue os padrões exigidos pelo FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), o que não significa que serão padrões enrijecidos dentro de moldes obsoletos e apenas preocupados com questões financeiras e de capacidade de público. Esta escola deve ser composta por: BLOCO ADMINISTRATIVO - Direção - Vice-direção - Secretaria - Almoxarifado - Coordenação pedagógica - Sala dos Professores - Conjunto Sanitário Administrativo BLOCO PEDAGÓGICO - Salas de Aula - (14) - Salas de Leitura - (2) - Salas de Uso Múltiplo - (2) - Sala de Leitura - Sala de Informática - Depósito de Material Pedagógico VIVÊNCIA - Cozinha - Despensa - Refeitório - Cantina - Conjunto Sanitário de Alunos – (2) - Depósito de Material de Educação Física - Quadra Coberta - Quadra Descoberta - Pátio Coberto SERVIÇOS - Depósito de Material de Limpeza - Conjunto Sanitário de Funcionários Além das questões acimas citadas, serão consideradas outras de mesma importância, e que envolvem diretrizes socio-ambientais para o desenvolvimento deste projeto.

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PROJETO


TESE - SUSTENTABILIDADE E EDUCAÇÃO  

TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO TESE: 24/06/2010 Orientadora: Profa. Dra. Maria Cecília Loschiavo dos Santos Professor convidado: Prof. Dr. Ores...

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