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P R O J E T O

meio tempo eu viajei para a Europa e, quando eu voltei, já estava com a ideia da Associação montada, então formei o projeto social em 2008. Um ano depois fundei a Associação Esportiva Luta pela Vida”, contou. Para dar corpo à Associação, o lutador cedeu a garagem de sua casa para receber os alunos. “A maioria veio da primeira academia, mas decidimos, também, fazer parcerias com as escolas mais próximas. Os alunos são divididos em turmas por faixa etária, peso e modalidade”. Segundo Nogueira, o número é rotativo. “Tem alunos que vêm sempre, outros vêm a primeira semana, mas depois não volta. Se tivéssemos um incentivo maior para oferecer a eles, como um cesta básica todo mês, por exemplo, seria mais fácil a frequência. Esta era a ideia inicial”, disse. O idealizador explica que, além das artes marciais, a intenção do projeto é o de atuar na formação moral e psicológica dos jovens, contribuindo para o futuro de cada um. Porém, Andrezinho esbarra na falta de profissionais para atuar junto a ele na formação dos alunos.

Dificuldades Andrezinho Nogueira explica que, além dos

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professores de artes marciais, o projeto precisa do apoio de psicólogos, assistentes sociais e pedagogos. “Muitos alunos tem problemas familiares, envolvimento com drogas e até com o crime e aí não sei como lidar com certas situações. Uma orientação adequada seria primordial para que eles percebam que aqui, no tatame, ele pode vencer na vida”, contou. Ele diz que esbarra na falta de apoio. “Muitas empresas não querem

público para os professores que davam aula aqui, mas não foi aprovado. Não estou pedindo ajuda para formar atletas e sim para tirar os jovens do meio da rua. Eu nunca recebi um kimono da prefeitura nem do Governo do Ceará. Dou meu material pessoal e minhas roupas para os meninos virem treinar. A gente vai fazendo o que pode. Ninguém aqui tem luva e caneleira. Treinamos com medo de nos machucar. Fora isso, tem horas vagas que não temos professores,

Andrezinho e Alan Gomes parceiros dentro e fora do tatame Foto: Herson Miranda

investir, pois acreditam que é um papel do estado e o estado, por sua vez, não quer ajudar porque acha que é um trabalho que não vai dar resultado para acabar com a violência na cidade. Tenho vários alunos que podiam não estar assaltando. Eu vejo que, por muito pouco, eu poderia estar com este cara aqui, treinando todos os dias, longe do mundo da criminalidade. Nosso trabalho é sério. Já solicitei uma ajuda de custo junto ao poder

pois eles também têm que pagar as contas de casa e acabam arranjando outros empregos. A gente vive sem uma condição financeira que possibilite o crescimento do projeto, melhore e dê frutos, principalmente no combate a violência”, desabafou.

O campeão Alan Gomes. Grave bem este nome em sua memória. O jovem, de apenas 19 anos, é fruto do Projeto Luta pela Vida e, recentemente, estreou

sua carreira nacional vencendo o carioca Reyzinho Duarte, atleta da American Top Team (ATT), durante a 18ª edição do Bitetti Combat, no Rio de Janeiro. Com seis vitórias em sua carreira no MMA e um futuro promissor a sua espera, Alan começou a praticar artes marciais aos 15 anos. “Um amigo meu me chamou pra treinar numa academia próxima a minha casa. Fiz um treino e comecei no Muay Thai. Eu juntava o dinheiro da merenda pra pagar a mensalidade. Chegava pra pagar com o bolso cheio de moeda. Meus pais não tinham condições de pagar, mas eles também não gostavam muito, pois achavam que era briga. Mesmo assim eu não faltava, ia até escondido”. O professor Emanuel Marrom era seu instrutor e, vendo o potencial do garoto, o levou para fazer parte do projeto Luta pela Vida. “Quando eu cheguei lá, o Andrezinho me recebeu de braços abertos e me perguntou se eu queria ser lutador de MMA. Ele viu que eu tinha talento e, então, comecei a treinar o MMA e o Jiu-Jitsu lá”, disse Gomes. Alan conta que, se não fosse o projeto, talvez não estivesse onde está

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