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:: DOENÇAS AUTOIMUNES Carine Schäfer

O lúpus se manifestou em Luciane no ano de 2009 e a acompanhará por toda a sua vida, mas isso não é motivo para ela se abater. Algumas celebridades como a cantora estadunidense Lady Gaga e o cantor britânico Seal, também convivem com a doença, pouco conhecida por grande parte das pessoas

Lúpus: um companheiro para a

VIDA TODA Por Camila Schäfer

Jornalista (MTB 15120) camila@trcomunicacao.com "Se Deus me trouxe essa doença, é porque eu tenho condições de vencer e conviver bem com ela. Não me sinto uma 'coitadinha'". É com esse pensamento que a auxiliar administrativa Luciane Maria Oliveira leva sua vida depois da chegada de um novo companheiro: o lúpus. A doença, que se manifestou em 2009, acompanhará Luciane por toda a sua vida, mas isso não é motivo para ela se abater. Fazendo o tratamento e tomando alguns cuidados, hoje a auxiliar administrativa leva uma vida normal e encara esse momento de forma muito positiva. Algumas celebridades como a cantora estadunidense Lady Gaga e o cantor britânico Seal, também convivem com o lúpus, doença ainda pouco conhecida por grande parte das pessoas e que não tem cura. O lúpus é uma doença autoimune do tecido conjuntivo que pode afetar qualquer 22 | janeiro de 2011 |

parte do corpo. Nesse tipo de doença, o sistema de defesa do organismo ataca as próprias células e tecidos, resultando em inflamação e dano tecidual. De acordo com a reumatologista Laura Souto (CRM 026715), o lúpus pode afetar qualquer pessoa e iniciar em qualquer idade, sendo mais comum nas mulheres jovens, entre 15 e 45 anos. As pessoas do sexo feminino são as mais afetadas, respondendo por 90% dos casos. Indivíduos com histórico familiar de lúpus também têm maior chance de desenvolver a doença. "Vários órgãos podem ser afetados, mas nem todos desenvolvem a doença da mesma forma. Nos casos leves, apenas a pele e as articulações são atingidas. Em outros pacientes, a enfermidade torna-se mais grave, podendo afetar o sangue, os pulmões, os rins ou até mesmo o sistema nervoso", explica Laura. No caso de Luciane, o lúpus trouxe outros proble-

mas, como o hipotiroidismo e a nefrite lúpica III (problema no rim). "As pessoas ficam com receio quando falo da minha doença e me tratam como 'coitadinha', mas eu reagi e estou seguindo em frente. Eu seria 'coitadinha' se tivesse desistido e baixado a cabeça", afirma. A evolução da doença é imprevisível, com crises e remissões a qualquer momento. A reumatologista conta ainda que há suspeita de lúpus quando a pessoa apresenta manchas vermelhas no rosto, que costumam piorar com a exposição ao sol, aftas frequentes na boca, queda de cabelo, febre persistente, dores articulares (nas juntas), anemia, episódios repetidos de pleurite (líquido na pleura, camada que envolve o pulmão), alterações no exame de urina, redução das células brancas (leucócitos ou linfócitos), redução das plaquetas (células da co-


:: DOENÇAS AUTOIMUNES Carine Schäfer

O lúpus se manifestou em Luciane no ano de 2009 e a acompanhará por toda a sua vida, mas isso não é motivo para ela se abater. Algumas celebridades como a cantora estadunidense Lady Gaga e o cantor britânico Seal, também convivem com a doença, pouco conhecida por grande parte das pessoas

Lúpus: um companheiro para a

VIDA TODA Por Camila Schäfer

Jornalista (MTB 15120) camila@trcomunicacao.com "Se Deus me trouxe essa doença, é porque eu tenho condições de vencer e conviver bem com ela. Não me sinto uma 'coitadinha'". É com esse pensamento que a auxiliar administrativa Luciane Maria Oliveira leva sua vida depois da chegada de um novo companheiro: o lúpus. A doença, que se manifestou em 2009, acompanhará Luciane por toda a sua vida, mas isso não é motivo para ela se abater. Fazendo o tratamento e tomando alguns cuidados, hoje a auxiliar administrativa leva uma vida normal e encara esse momento de forma muito positiva. Algumas celebridades como a cantora estadunidense Lady Gaga e o cantor britânico Seal, também convivem com o lúpus, doença ainda pouco conhecida por grande parte das pessoas e que não tem cura. O lúpus é uma doença autoimune do tecido conjuntivo que pode afetar qualquer 22 | janeiro de 2011 |

parte do corpo. Nesse tipo de doença, o sistema de defesa do organismo ataca as próprias células e tecidos, resultando em inflamação e dano tecidual. De acordo com a reumatologista Laura Souto (CRM 026715), o lúpus pode afetar qualquer pessoa e iniciar em qualquer idade, sendo mais comum nas mulheres jovens, entre 15 e 45 anos. As pessoas do sexo feminino são as mais afetadas, respondendo por 90% dos casos. Indivíduos com histórico familiar de lúpus também têm maior chance de desenvolver a doença. "Vários órgãos podem ser afetados, mas nem todos desenvolvem a doença da mesma forma. Nos casos leves, apenas a pele e as articulações são atingidas. Em outros pacientes, a enfermidade torna-se mais grave, podendo afetar o sangue, os pulmões, os rins ou até mesmo o sistema nervoso", explica Laura. No caso de Luciane, o lúpus trouxe outros proble-

mas, como o hipotiroidismo e a nefrite lúpica III (problema no rim). "As pessoas ficam com receio quando falo da minha doença e me tratam como 'coitadinha', mas eu reagi e estou seguindo em frente. Eu seria 'coitadinha' se tivesse desistido e baixado a cabeça", afirma. A evolução da doença é imprevisível, com crises e remissões a qualquer momento. A reumatologista conta ainda que há suspeita de lúpus quando a pessoa apresenta manchas vermelhas no rosto, que costumam piorar com a exposição ao sol, aftas frequentes na boca, queda de cabelo, febre persistente, dores articulares (nas juntas), anemia, episódios repetidos de pleurite (líquido na pleura, camada que envolve o pulmão), alterações no exame de urina, redução das células brancas (leucócitos ou linfócitos), redução das plaquetas (células da co-


:: DOENÇAS AUTOIMUNES agulação) entre outros. Antes de descobrir a doença, Luciane teve vários desses sintomas e consultou diversos especialistas. "Tinha dores nas juntas há três anos e achava que era só uma tendinite, mas os exames mostraram que não. O médico me orientou e explicou que eu poderia ter lúpus e aí eu já comecei a me preparar. Quando o diagnóstico mostrou que era mesmo, eu estava esperando, contudo, tremi na base e até chorei, mas continuei mantendo o pensamento positivo", conta. Como o lúpus pode se manifestar de muitas maneiras diferentes, deve-se prestar atenção em sintomas que não curam ao longo do tempo ou que retornam após o tratamento. "Muitas pessoas solicitam ao clínico 'exames para reumatismo' e com frequência se assustam ao ver resultados fora da faixa de referência. Gostaria de lembrar a todos que isto não é motivo para pânico, como já escutei algumas vezes. Nestes casos, o ideal é consultar um reumatologista e fazer os exames necessários (sangue, urina, RX), que poderão auxiliar no diagnóstico, seja de lúpus ou outra doença", disse a médica. Embora o lúpus não tenha cura, existe tratamento que varia de acordo com os órgãos afetados, com o grau de atividade da doença e com as características de cada paciente. De acordo com Laura, os medicamentos utilizados atuam bloqueando as células que produzem a inflamação nos diferentes locais. Uma vez combatida a infla-

"Os médicos ficam admirados com minha atitude e afirmam que grande parte da minha melhora é graças à forma como lido com a doença. Hoje em dia, a concentração dos medicamentos é menor porque estou reagindo melhor e o lúpus há tempo não se manifesta"

mação, mantém-se um tratamento específico, que é uma medicação que previne as recaídas da doença. O lúpus pode ter complicações fatais, no entanto, as fatalidades têm-se tornado cada vez mais raras. A doença não é transmissível e suas manifestações variam muito de pessoa para pessoa. Segundo Laura, a maioria dos pacientes convive bem com a doença, realizando os exames periódicos e tomando os cuidados básicos de não se expor ao sol, usar filtro solar, fazer exercícios físicos regulares para manter um bom condicionamento físico, evitar a osteoporose e o ganho de peso. "Como podemos perceber são orientações indicadas a qualquer pessoa, mesmo àquelas saudáveis", conta. A orientação ao paciente com lúpus em relação à sua doença, ao tratamento e aos sintomas que possam sugerir uma recaída é de grande importância no tratamento e na manutenção da qualidade de vida. Para entender melhor a doença, Luciane pesquisa e procura sempre por novidades na área. Manter o pensamento positivo também faz parte de seu tratamento, que nunca deverá ser interrompido. Essa forma de encarar a doença já refletiu nos exames, que aos poucos vão mostrando melhores resultados. "Os médicos ficam admirados com minha atitude e afirmam que grande parte da minha melhora é graças à forma como lido com a doença. Hoje em dia, a concentração dos medicamentos é menor porque estou reagindo melhor e o lúpus há tempo não se manifesta", afirma. A gravidez também é um assunto delicado para as pacientes com lúpus. Alguns médicos defendem que a mulher não pode engravidar, mas, segundo Laura é importante lembrar que o lúpus não reduz a fertilidade, mas costuma piorar durante a gestação, levando a complicações não apenas para a futura mãe, mas também para o feto. "Apesar do risco, a gravidez não é proibida, porém deve ser planejada, aguardando o momento em que o lúpus esteja fora de atividade por um longo período", afirma. De acordo com a reumatologista Laura, os exames frequentes, o fato de receber o diagnóstico de uma doença crônica ainda pouco conhecida, os próprios sintomas da doença e as altas doses de medicação costumam reduzir a qualidade de vida princi-

"Vários órgãos podem ser afetados, mas nem todos desenvolvem a doença da mesma forma. Nos casos leves, apenas a pele e as articulações são atingidas. Em outros pacientes a enfermidade torna-se mais grave, podendo afetar o sangue, os pulmões, os rins ou até mesmo o sistema nervoso" Laura Souto Reumatologista palmente nos doentes mais graves, gerando muitas vezes um quadro depressivo associado. A redução da imunidade causada não apenas pelo lúpus, mas também pelos medicamentos utilizados durante o tratamento aumenta o risco de infecções e também sua gravidade. Com esses novos cuidados, a vida de Luciane também mudou. Agora ela precisa evitar a exposição ao sol e diminuir o consumo de sal e carne vermelha, por exemplo. "A partir de agora vou conviver com esse parceiro pelo resto da vida. Eu sei que não tem cura, mas tenho fé e aprendi a conviver bem com o lúpus", finaliza Luciane. Divulgação

Asa de borboleta é uma das manifestações do lúpus

Luciane Maria Oliveira | janeiro de 2011 | 23


Lúpus: um companheiro para a vida toda