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CAMILA COELHO SALES

UNIDADE DE TREINAMENTO DE MÃO DE OBRA JOVEM

Trabalho Final de Graduação (TFG) apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia, como requisito para obtenção do grau de arquiteto e urbanista Orientadora: Any Brito Leal Ivo

SALVADOR 2013


CAmILA COeLhO SALeS

UNIDADE DE TREINAMENTO DE MÃO DE OBRA JOVEM

Trabalho Final de Graduação para obtenção do grau de arquiteto e urbanista Salvador 08 de abril de 2013

BANCA eXAmINADORA Odete Dourado Silva Universidade Federal da Bahia Ceila Rosana Carneiro Cardoso Universidade Federal da Bahia maria do Carmo Baltazar Arquiteta convidada


Dedico esse trabalho a minha m茫e Anaide por me acompanhar e acreditar nas minhas escolhas e sonhos e ao meu pai edson (em mem贸ria) por ter me ensinado que com trabalho conseguimos chegar onde quisermos.


AgRADECIMENTOS

A Deus pela força nas horas que mais precisei; A Any pelas orientações e apoio constante; A AmACh pela ajuda e disposição; As professoras Odete e Ceila pelos conselhos enriquecedores na pré-banca; Ao professor eduardo Prado pelas muitas orientações quanto à solução estrutural; A minha mãe por querer sempre ajudar mesmo não sabendo o que fazer; A Federico pelo amor e sintonia que foram indispensáveis para a realização desse trabalho; Aos meus irmãos por entenderem a importância da conclusão de uma etapa; Ao Prof. Nivaldo pela gentileza te ter me possibilitado o acesso a sua tese de mestrado e textos; Ao pessoal do colegiado de Arquitetura e da biblioteca pela paciência e disponibilidade nas minhas inúmeras visitas; Aos meus amigos por entenderem a minha ausência neste período; A Fernanda e Aline pelo companheirismo durante os cinco anos de faculdade;


RESUMO

este trabalho tem como objetivo destacar o abandono do patrimônio e propor a implantação de uma atividade que vem se perdendo no Centro histórico de Salvador e na cidade como um todo; o treinamento voltado para atividades de restauro e preservação de monumentos históricos. Partindo da proposta de uma Rede formada por algumas unidades, instaladas nas ediicações abandonadas da conhecida Sétima etapa do Pelourinho” e chegando ao desenvolvimento arquitetônico de uma destas unidades. Após a vivência na área da sétima etapa e pensando na recuperação de uma leitura do tecido urbano, foi usada uma lacuna que existe na esquina da Rua São Francisco com a Rua Guedes de Brito e mais duas ediicações vizinhas como local de projeto. Quando o casarão, que antes ocupava o terreno agora lacunado, teve as partes de sua ru3na brutalmente demolida, a esquina icou totalmente "banguela" e foi andando pelas ruas do Centro que o desaio de completar um inteiro perdido foi escolhido. Palavras chaves: Centro histórico de Salvador, treinamento de mão de obra, sétima etapa do pelourinho, restauro.


SUMáRIO

1. INTRODUÇÃO 1.1 OBJeTIVO DO TRABALhO 1.2 PROBLemATIZAÇÃO 1.3 JUSTIFICATIVA 1.4 OBJeTIVOS 1.4.1 Objetivo Geral . . Objetivos espec3icos 1.5 ABORDAGem meTODOLÓGICA 2. EXPERIÊNCIAS NOS CENTROS HISTÓRICOS 2.1 A eXPeRIÊNCIA De VIVeR em Um PAÍS ONDe OS CeNTROS SÃO DINAmIZADOS 2.2 A ReALIDADe eNCONTRADA NO CeNTRO hISTÓRICO De SALVADOR 2.3 eXemPLOS DA FRANÇA e DA ITÁLIA 3. UM RáPIDO PASSEIO PELAS TEORIAS DO RESTAURO 3.1 Le-DUC, RUSKIN e RIeGL 3.2 CeSARe BRANDI 4. REFERÊNCIAS INTERNACIONAIS DE PROJETOS 4.1 mUSeU DeL CASTeLVeCChIO De VeRONA ITÁLIA 4.2 ReCONSTRUÇÃO DO PALÁCIO De SZATmÁRY em PÉCS hUNGRIA 4.3 PRÉDIO De VIGONOVO ''CAmPIeLLO'' ITÁLIA 4.4 TeATRO De SAINT-NAZAIRe FRANÇA 5. REFERÊNCIAS NACIONAIS DE PROJETOS 5.1 LADeIRA DA mISeRICÓRDIA e mUSeU De ARTe DA BAhIA SALVADOR 5.2 CeNTRO CULTURAL DANNemAN, SÃO FeLIX ReCÔNCAVO BAIANO 6. ANáLISES DA áREA 6.1 BReVe hISTÓRICO e OCUPAÇÃO 6.2 OS DADOS DO PLANO De ReABILITAÇÃO PARTICIPATIVO DO CeNTRO ANTIGO 6.3 LeGISLAÇÃO 6.4 ANÁLISe De PeRCUSOS 6.4.1 A rota turística e a Baixa dos Sapateiros . . As ediicações abandonadas 6.4.3 A barreira invisível 6.5 AS VISITAS 6.5.1 Visita do dia 28 de dezembro de 2012 acompanhada da AmACh 6.6 ANALISe De PROJeTOS DA SÉTImA eTAPA 6.6.1 Casarão n° 10 da Rua 7 de novembro 7. A PROPOSTA DA REDE DE TREINAMENTO DE MÃO DE OBRA JOVEM

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7.1 O eXemPLO DO LICeU De ARTeS e OFÍCIOS 7.2 O eXemPLO DA eSCOLA OFICINA 7.3 AS UNIDADeS DA ReDe De TReINAmeNTO De mÃO De OBRA JOVem 8. A LACUNA E A ESCOLHA COMO LOCAL DA UNIDADE DE TREINAMENTO 8.1 A PRImeIRA ImPReSSÃO 8.2 A PRImeIRA mAQUeTe - eSCALA 1:500 8.3 A PeRDA DO INTeIRO 8.4 DÚVIDAS e CONSTATAÇÕeS QUANTO À LACUNA 9. O PROCESSO PROJETUAL 9.1 PROGRAmA 9.2 FLUXOGRAmA 9.3 PRImeIROS eSTUDOS CONCeITUAIS 9.4 mAQUeTeS De eSTUDO 9.5 eSTUDOS De PLANTA 9.5.1 O primeiro estudo . . O estudo burocrático . . A tentativa de lexibilizar os espaços 9.5.4 O modelo de estudo com acessos aos diferentes níveis 9.5.5 O modelo apresentado na pré-banca 10. CONSIDERAÇÕES SOBRE O ANTEPROJETO DA UNIDADE DE TREINAMENTO DE MÃO DE OBRA JOVEM 10.1 O CONCeITO APLICADO A FORmA 10.2 mATeRIAIS 10.2.1 Concreto 10.2.2 Chapas metálicas 10.2.3 madeira tipo Pinus 10.2.4 Revestimentos das paredes 10.3 eSTRUTURA 10.4 ReFeRÊNCIAS De PROJeTOS 10.4.1 musashino Art University museum & Library _ Arquitetos da SOU Fujimoto _ Tokyo Japão 10.4.2 La Tellera Siqueiros _ Arquiteta Frida escobedo _ Cuernavaca morelos méxico 10.4.3 Pavilhão Italiano da eXPO 2010 _ Arquiteto Giampaolo Imbrighi _ Shangai China 10.4.4 Campus di Urbino _ Arquiteto Giancarlo De Carlo _ Urbino Itália 10.5 PeRSPeCTIVAS ReNDeRIZADAS 11. CONCLUSÃO 12. REFERÊNCIAS

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1. INTRODUÇÃO

1.1 OBJETIVO DO TRABALHO Este trabalho é o memorial descritivo do projeto de arquitetura da Unidade de treinamento de mão de obra jovem”, um equipamento educacional voltado para o treinamento de mão de obra de jovens entre 16 e 24 anos na área de conservação e restauro de ediicações. A futura unidade será localizada na Rua Guedes de Brito e Rua São Francisco no Centro Histórico de Salvador. O projeto usa duas ediicações abandonadas e um terreno vazio.

1.2 PROBLEMATIZAÇÃO O Centro histórico de Salvador vive um processo de degradação e depreciação f3sica do seu conjunto arquitetônico. A quantidade de ediicações abandonadas revela a situação que se encontra o centro que o turista não vê. esta medida de criação de um parque temático que o estado vem aplicando não soluciona os problemas do centro e não integra esta parte da cidade à dinâmica do soteropolitano. A barreira imaginária que divide o centro tur3stico do centro em ru3nas se materializa na diferença do estado de degradação das ediicações. De um lado o colorido Pelourinho vendido nos comerciais e campanhas do governo e do outro um Pelourinho a margem em ruínas, sem reboco, sem pintura e sem telhado. A área conhecido como Sétima etapa tem alto índice de usuários de crack e é conhecido como a cracolândia da parte central da cidade. O abandono neste local não é só patrimonial, mas também social e é mantido pela política do abandono aplicada pelo poder público.

1.3 JUSTIFICATIVA A unidade de treinamento parte de uma rede de equipamentos públicos pensada por esse projeto a ser implantada no Centro histórico com o objetivo de dinamizar o 9


transito de pedestre. essa rede propõe equipamentos complementares de treinamento proissional suprindo as perdas recentes: o fechamento do Liceu de Artes e Of3cios e da Escola Oicina que ofereciam aulas teóricas e práticas capacitando os jovens carentes tanto do centro histórico como de outras áreas da cidade. Foi pensando na perda desta formação, indispensável para manter a integridade do centro e do patrimônio ediicado, que a ideia do projeto da unidade de treinamento apareceu. Além disto, a experiência de viver na Itália e de poder comparar os centros europeus com o Centro histórico de Salvador revelou um quadro de completo abandono por parte do poder público. Através de analises e estudos foi poss3vel identiicar a área menos dinamizada e com a concentração de maior número de imóveis vazios em estado avançado de arruinamento – a Sétima Etapa. Acreditando que o uso pode inluenciar na realidade de um determinado local e de que, com uma atividade acadêmica proissionalizante, o centro possa mudar a dinâmica atual e se integrar a cidade, tendo como consequência a reversão do estado de abandono atual, é que foi localizado o empreendimento neste espaço. O estudo da teoria do restauro e fundamentalmente as visitas ratiicaram a Sétima etapa como o local do projeto da unidade.

1.4 OBJETIVOS 1.4.1 Objetivo geral Criação do projeto de arquitetura para Unidade de treinamento de mão de obra jovem . O projeto arquitetônico aqui relatado tem três desaios: a) Criação do centro de treinamento b) Restauração do conjunto arquitetônico uma vez que com a demolição de um casarão e a consequente criação de terreno vazio este tecido urbano encontrase esgarçado e descont3nuo, signiicando uma lacuna. c O restauro de duas ediicações que compõem o novo projeto. Para além da elaboração do projeto arquitetônico inserido a uma rede de 10


equipamentos públicos, esse trabalho por si só pode também servir de denuncia a situação de abandono do patrimônio arquitetônico e da população residente no Centro histórico de Salvador. Assim, a proposta do projeto visa também suscitar o debate sobre as políticas patrimoniais, a atuação dos órgãos de preservação, assim como desencadear a análise crítica de arquitetura e da qualidade de projetos de restauração, tomando como desaio a proposição de uma arquitetura contemporânea que restabeleça o inteiro do conjunto arquitetônico sem signiicar uma ruptura estética. . . Objetivos espec3icos a) Propor a criação de uma rede de treinamento de mão de obra b) Desenvolver arquitetonicamente uma unidade da rede, restaurando duas ediicações e projetar um novo edif3cio no terreno vazio. c) Propor o Centro de memória da cidade para catalocar e digitalizar os documentos que o cidadão tem direito de consultar. d) Denunciar o processo de degradação do centro histórico de Salvador.

1.5 ABORDAGEM METODOLÓGICA este Trabalho Final foi elaborado através do levantamento de dados publicados sobre o Centro histórico, visitas no local, bem como conversas com professores, moradores e com a instituição envolvida na luta por moradia no centro histórico (AmACh). A análise do local de projeto foi feita através da elaboração de mapas, maquetes e modelo 3D, análise de fotos e projetos chegando aos estudos de volume, planta e partido arquitetônico. A teoria do restauro e a legislação vigente quanto à proteção do patrimônio foi estuda e consultada sempre que necessário.

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2. EXPERIÊNCIAS NOS CENTROS HISTÓRICOS

2.1 A EXPERIÊNCIA DE VIVER EM UM PAÍS ONDE OS CENTROS SÃO DINAMIZADOS Vivendo durante alguns meses na Itália é fácil notar a diferença entre centros com usos cotidianos , centros tur3sticos, as chamadas cartolinas1 e centros abandonados. Os centros de algumas pequenas cidades na Toscana, por exemplo, vivem a dinâmica do dia a dia e abriga diferentes usos, o que transmite segurança e conforto. Jane Jacobs em seu livro, morte e Vida das Grandes Cidades, enfatizou a questão dos usos diversiicados nos bairros e como isso diminu3a a insegurança das pessoas. Em muitas cidades italianas é possível notar que nos centros existem atividades comercias, moradias, escolas e serviços, esta variedade de funções traz também diferentes pessoas, de idades diversas em horas distintas e assim os centros se dinamizam.

Imagem 01 Lucca, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 02 Lucca, Itália

Imagem 03 Praça S. maria Novella Firenze,Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 04 San Gimignano, Itália Fonte: Acervo pessoal

Fonte: Acervo pessoal

1 Palavra em italiano, a tradução literal para o português é cartão postal.

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Imagem 05 Pantheon Roma, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 06 Roma, Itália

Imagem 07 Coliseu Roma, Ilátia Fonte: Acervo pessoal

Imagem 08 Firenze, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 09 Líguria, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 10 Arena de Verona, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 11 Veneza, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 12 Firenze, Itália Fonte: Acervo pessoal

Fonte: Acervo pessoal

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2.2 A REALIDADE ENCONTRADA NO CENTRO HISTÓRICO DE SALVADOR No caso do Centro histórico de Salvador, a criação de um centro turístico expulsou os moradores na década de

para realizar os projetos de revitalização do centro.

Com o objetivo de dar uma nova vida ao centro foram restaurados, nas primeiras etapas, vários sobrados visando a criação de um centro para o turista e não para o morador da cidade.

Imagem 13 Igreja de São Francisco, Salvador BA Fonte: Acervo pessoal

Imagem 14 Largo do Pelourinho, Salvador BA Fonte: http://amachba.blogspot.com.br

A última das etapas que espera pela revitalização é a Sétima Etapa com poligonal que vai da Igreja de São Francisco até a Igreja d´Ajuda. este território está fora do circuito turístico e é rodeado por uma barreira invisível que se materializa a alguns metros da Igreja São Francisco, mas no sentido oposto da rota turística. Dentro desta

barreira

invis3vel, mas percept3vel, encontra-se o patrimônio

abandonado que grita por atenção e cuidado. A Sétima Etapa vive um abandono patrimonial e social muito grande que raramente passa na mídia.

Imagem 15 Sétima etapa, Pelourinho Salvador BA

Imagem 16 Sétima etapa, Pelourinho Salvador BA

Fonte: Acervo pessoal

Fonte: Acervo pessoal

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Durante o Urbicentros#32 foi discutida a questão do centro e do abandono do patrimônio, nesta ocasião foi possível saber notícias dos projetos que estão sendo realizados para o Centro histórico de Salvador e foi claramente exposto que a política adotada para os imóveis abandonados do Centro não valoriza o patrimônio e especula através do metro quadrado as potencialidades destes imóveis. Outro momento de discussão e exposição das questões do centro foi o Workshop Que cidade é essa? realizado na faculdade de arquitetura da UFBA, logo após o Urbicentro#3. O Workshop reuniu alunos para que fossem levantadas ideias de usos para os esqueletos urbanos do Centro Antigo tendo como usuário, não o turista, mas os movimentos por moradia do Centro histórico. Os alunos visitaram áreas que são tradicionalmente isoladas e as visitas revelaram a realidade escondida atrás das propagandas para atrair os turistas para a cidade. Aquele centro colorido e conservado está ao lado e rodeado por um centro que tem cor de tristeza e abandono.

Imagem 17 Sétima etapa Fonte: Acervo pessoal

Imagem 18 Sétima etapa Fonte: Acervo pessoal

Imagem 19 Sétima etapa Fonte: Acervo pessoal

Imagem 20 Sétima etapa Fonte: Acervo pessoal

Imagem 21 Sétima etapa Fonte: Acervo pessoal

Imagem 22 Sétima etapa Fonte: Acervo pessoal

2 Desdobramento do programa de Doutorado Interinstitucional Novas Fronteiras [DINTeR-CAPeS ] realizado entre a UFBA e a UFPB, realizado em outubro de 2012.

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O abandono ultrapassa as paredes das ru3nas e ediicações e chega até a população. No caso da Sétima etapa, esta população é representada pela AmACh (Associação de moradores e Amigos do Centro histórico) que luta pelo direito de voltar a morar no centro. É evidente a necessidade de uma medida de inserção do centro na dinâmica da cidade e também o reconhecimento de que o bairro não pode ser dissociado da cidade como um todo. A implantação desse centro temático que todos conhecem em Salvador não resolveu o problema e os projetos que estão sendo lançados cultivam a pol3tica do abandono

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como política de governo.

2.3 EXEMPLOS DA FRANÇA E DA ITÁLIA Viver em um lugar onde o centro histórico não está dissociado das atividades da cidade e onde uma dinâmica ativa e aberta faz parte da essência do centro é muito prazeroso. Ao contrário do Centro histórico de Salvador os centros da europa, na maioria das vezes, recebem um cuidado e é tratado com respeito pelas políticas de governo, que tentam inseri-los na dinâmica da cidade.

Imagem 23 Perugia, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 24 Perugia, Itália Fonte: Acervo pessoal

Nos centros italianos políticas de conservação e restauro são seguidas e acima de tudo a maioria dos centros abrigam diferentes usos e atividades. O dia a dia das cidades italianas conta com as inúmeras obras de recuperação e conservação do patrimônio. 3 Expressão usada no artigo: AIKOS ALERTA: "Metro quadrado" como instrumento perverso e devastador. Dispon3vel em http:// www.arq-chronos.com/2012/12/aikos-alerta-metro-quadrado-como.html)

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Os moradores são habituados a ver fachadas cobertas para realização de obras e a dinâmica do centro faz parte da dinâmica da cidade. A vida e a conservação dos centros estão diretamente ligadas às funções ali presentes, por exemplo, no caso de cidades universitárias como Pavia e Perugia na Itália, o centro faz parte da vida dos jovens que estudam na universidade, quando o período de férias começa a cidade muda totalmente porque a atividade mais simbólica é interrompida, porém a preservação do patrimônio é constante e ininterrupta. Já na França, por exemplo, desde o século XIX é cultivada a ideia de que os

Imagem 25 Pavia, Itália

Fonte: Acervo pessoal

Imagem 26 milão, Itália Fonte: Acervo pessoal

monumentos históricos e artísticos devem ser preservados. Com o passar dos anos as leis foram prevendo a proteção dos monumentos e do seu entorno. mais tarde a coerência do tecido urbano, nos quais estes monumentos estavam localizados, foi considerada como objeto de proteção e os conjuntos de espaços e ediicações foram protegidos pela Lei malraux (Secteurs Sauvegardés – Setores Protegidos) em 1962. Um exemplo de cidade francesa que têm Setores Protegidos é Rennes, onde os espaços públicos e a proteção dos espaços para o pedestre foram valorizados no centro. em Bordeaux, também na França, no centro protegido existem construções do sec. XVIII e XIX, mas além dos exemplares históricos e de alguns falsos históricos, existem arquiteturas contemporâneas, como é o caso do Palácio da Justiça, projeto do arquiteto Richard Rogers construído no coração do centro em 1998 e muito próximo da Catedral de Saint André. O exemplo francês mais conhecido de intervenção no centro histórico é o Centre 17


Imagem 27 Palácio da Justiça Bordeaux, França Fonte: http://www.richardrogers.co.uk

Pompidou dos arquitetos Renzo Piano e Richards Rogers. mesmo com todas as críticas quanto ao contraste do novo edifício, o Pompidou representou não somente a inserção de uma arquitetura nova em um entorno histórico, mas a possibilidade de uma nova dinâmica para uma área central.

Imagem 28 Antes e depois do Pompidou, França Fonte: http://www.richardrogers.co.uk

Imagem 29 Centre Pompidou, França Fonte: Acervo pessoal

Imagem 30 Centre Pompidou, França

Fonte: Acervo pessoal

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Uma outra cidade francesa que aplica uma política de recuperação do centro é Bayonne. O plano de recuperação da cidade foi embasado na criação da Oicina de Formação, coordenada pela prefeitura para formar gratuitamente mão de obra especializada em recuperação de imóveis. modelos semelhantes são adotados por toda a europa e inclusive em alguns países como a Itália o curso de restauração está disponível para jovens que ainda nem iniciaram o ensino médio.

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3.

UM RáPIDO PASSEIO PELAS TEORIAS DO RESTAURO

3.1

LE-DUC, RUSKIN E RIEGL O francês Eugène Emmanuel Viollet Le-Duc no seu verbete Restauração airma

que restaurar um edif3cio não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo

em um estado completo que pode não ter existido nunca em um dado momento” (Le-DUC pg 29)4 . O restabelecimento de um inteiro ideal para Le-Duc considerava a possibilidade de voltar no tempo e restaurar algo que pode nunca ter existido. O exemplo mais conhecido é o castelo de Pierrefonds ao norte de Paris construído entre 1394 e 1407, restaurado inicialmente por Le-Duc em 1857 e concluído, depois de uma interrupção durante a guerra Franco-Prussiana5, em 1884 após sua morte. O castelo é uma versão nova de um castelo medieval onde foram inseridos novos elementos e não foi considerado no projeto nada referente ao estado de ruína que antecedeu o seu restauro.

Imagem31 Croqui rosto de Le-Duc

Fonte: Acervo pessoal

Imagem 32 Castelo de Peirrefonds, França Fonte: http://en.wikipedia.org

Já John Ruskin se opunha a Le-Duc e acreditava que os edif3cios guardam a história e por conta disso o restauro é a mais absoluta destruição que um edif3cio

pode sofrer” (Ruskin , 1989 pg 194) assim, as marcas do tempo ganham valor. Ruskin irá de certa forma, defender o restauro preventivo, pois a permanência dos edifícios dependerá da qualidade da construção. ele coloca o autor e sua obra como intocável 4 Dictionnaire Reisonné de L´architecture française du XI au XVI siècle. Paris, Lbrairies-Imprimeries Réunies, s. d. (1854-1868), vol 8, pp 14-34. Versão em português Verbete Restauração página 29.. 5 Conlito ocorrido entre França e o Reino da Prússia no inal do século XIX. A vitória dos alemães marcou também a queda de Napoleão III e do sistema monárquico..

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e por isso não caberia restauro, apenas evitar que os edifícios ruíssem. Alois Riegl em contra partida, levanta os valores dos monumentos do passado que é cultivado no presente, para ele o valor de antiguidade está presente em todas as obras do passado. Quanto ao valor histórico, Riegl sinaliza a importância do antigo, pois ele reconhece o valor do que é novo, desta forma cria uma hierarquia de valores.

Imagem 33 Croqui Riegl Fonte: Acervo pessoal

3.1

Imagem 34 Croqui Ruskin Fonte: Acervo pessoal

CESARE BRANDI O surgimento do restauro crítico na Itália após a segunda guerra tem como

principal referência a Teoria del restauro de Cesare Brandi. Na obra, publicada em 1963, questões como o tratamento de lacunas, a conservação das ruínas e a crítica à restauração "com´ era dov´ era"

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são expostos considerando primeiramente que a

airmação como obra de arte é a garantia à possibilidade de restauro para um objeto ou arquitetura.

Imagem 33 Brandi Fonte: Google imagens

Imagem 35 Brandi e Argan Fonte: www.giuliocarloargan.org

Imagem 34 Brandi Fonte: Google imagens

Brandi e Argan fundaram o Istituto Centrale del Restauro que desde 2007 se chama 6 Expressão italiana cuja tradução literal é como era, onde estava considerada por Brandi como a negação do princ3pio do restauro.

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Istituto Superiore per La Conservazione ed Il Restauro e que até hoje forma jovens restauradores. Para Brandi o tempo está na obra de arte não só no aspecto formal,

mas no fenomenológico, em três momentos diversos, e para qualquer obra de arte. Ou seja, em primeiro lugar, como duração ao exteriorizar a obra de arte enquanto é formulada pelo artista; em segundo lugar, como intervalo inserido entre o im do processo criativo e o momento em que a nossa consciência atualiza em si a obra de arte; em terceiro lugar, como átimo dessa fulguração da obra de arte na consciência.” (BRANDI, 2008 p 53-54) É então no terceiro tempo, o tempo atual, que Brandi diz que o restauro deve ser realizado e que;

a integração deverá ser sempre e facilmente reconhec3vel; mas sem que por isso se venha a infringir a própria unidade que se visa a reconstruir. Desse modo, a integração deverá ser invisível à distância de que a obra de arte deve ser observada, mas reconhecível de imediato, e sem necessidade de instrumentos especiais, quando se chega a uma visão mais aproximada.” (BRANDI,2008 p 47) Quanto ao preenchimento de lacunas na obra de arte, Brandi cita a técnica do tratteggio desenvolvida no Instituto Central de Restauração, que é em aquarela e se diferencia da técnica da pintura integral;

Ao fazermos isso, não ultrapassamos os limites da epoché 7

que nos impusemos, pois a nossa integração é fenômeno no

fenômeno e como tal não se esconde, mas, antes – mais do que se submeter à experiência do outro -, ostenta-se. [...] Portanto, o problema se delineia de modo nítido: deve-se reduzir o valor emergente de igura que a lacuna assume em relação à efetiva igura, que é a obra de arte. Assim posto, é claro que as soluções 7 Signiica interrupção, limite, parada. Na fenomenologia de Edmund Husserl seu sentido refere-se à redução fenomenológica e está relacionado com a suspensão prévia de qualquer juízo sobre o domínio do conhecimento em consideração.” (Beatriz mugayar K̈hl)

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caso a caso, que a lacuna exigirá, não divergirão no princípio, que é o de reduzir a emergência na percepção da lacuna como igura. BRANDI,

p

-

Brandi considerava as instâncias da historicidade e da estética e repudiava a cópia e o falso histórico, para ele a reconstrução não pode nem mesmo ser tratada como um tema do restauro. Não é à toa que a teoria de Cesare Brandi é a mais aceita atualmente, há mais de 60 anos ele já sinalizava quanto à importância de projetar no tempo presente. A teoria respeita o passado e valoriza o presente assim, uma arquitetura contemporânea tem que ser vista como tal e mesmo inserida em um entorno histórico deve se airmar como arquitetura contemporânea, porém sem desrespeitar o entorno e compondo harmonicamente um conjunto. Usando a metáfora do sorriso completo , as intervenções não podem ser um dente de ouro , onde o sorriso ica visivelmente alterado e o novo dente brilha mais do que o sorriso inteiro (ruptura por sobreposição e contraste), mas sim um dente que complete o sorriso, que seja percebido como um elemento que se difere dos dentes originais, mas que não se contrasta brutalmente como é o caso do dente de ouro . O sorriso completo tem que chamar a atenção como conjunto, senão o novo dente será tão chamativo quanto um sorriso banguela ruptura por ausência .

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4. REFERÊNCIAS INTERNACIONAIS DE PROJETOS

4.1 MUSEU DEL CASTELVECCHIO DE VERONA ITÁLIA O museu del Castelvecchio é um dos mais importantes da cidade de Verona e um exemplo fantástico de restauro. entre 1957 e 1975 foi realizado o restauro por Carlo Scarpa. O arquiteto veneziano realizou o projeto de restauro do castelo e da instalação do museu. Um detalhe muito inspirador e que deve ser destacado como referência é a diversidade entre materiais novos e antigos e a dinâmica criada pelas escadas e passarelas.

Imagem 35 Castelvecchio Verona, Itália

Imagem 36 Castelvecchio Verona, Itália

Fonte: Acervo pessoal

Fonte: Acervo pessoal

Imagem38 Castelvecchio Verona Fonte: Acervo pessoal

Imagem 37 Castelvecchio Verona, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 39 Castelvecchio Verona Fonte: Acervo pessoal

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4.2 RECONSTRUÇÃO DO PALÁCIO DE SZATMÁRY EM PÉCS HUNGRIA Concebido pelo escritório mARP, a praça aproveita as ruínas do antigo palácio húngaro e cria mobiliário, mirantes e passagens designando um novo uso ao complexo arruinado. O projeto respeita o estado atual da ruína e reverencia a história deste palácio de forma contemporânea, usando materiais e cores que mesmo se destacando da tonalidade das ruínas, valoriza a preexistência como elemento principal do projeto.

Imagem 40 Palácio de Szatmáry, hungria Fonte: http://europaconcorsi.com

Imagem 41 Palácio de Szatmáry, hungria Fonte: http://europaconcorsi.com

Imagem 42 Palácio de Szatmáry, hungria

Imagem 43 Palácio de Szatmáry, hungria

Fonte: http://europaconcorsi.com

Fonte: http://europaconcorsi.com

Imagem44 Palácio de Szatmáry, hungria Fonte: http://europaconcorsi.com

Imagem 45 Palácio de Szatmáry, hungria Fonte: http://europaconcorsi.com

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4.3 PRÉDIO DE VIGONOVO ''CAMPIELLO'' ITÁLIA A intervenção feita pelo escritório 3ndy Studio resgata o ritmo das antigas aberturas do prédio. A degradação da fachada é representada de forma artística através de rasgos nas novas chapas metálicas. essas pequenas aberturas na verdade são trechos de obras de famosos escritores. O efeito das perfurações aparece de dia e à noite, quando a fachada ica toda iluminada.

Imagem 46 Vigonovo, Itália Fonte:http://europaconcorsi.com

Imagem 47 Vigonovo, Itália Fonte: http://europaconcorsi.com

Imagem 48 Vigonovo, Itália Fonte: http://europaconcorsi.com

Imagem 49 Vigonovo, Itália

Imagem 50 Vigonovo, Itália

Fonte: http://europaconcorsi.com

Fonte: http://europaconcorsi.com

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4.4 TEATRO DE SAINT-NAZAIRE FRANÇA Respeitando a cor e criando uma textura particular o escritório K-Architectures explora no detalhe do revestimento da nova caixa construída atrás do antigo prédio. A delicadeza do desenho que é usado em relevo, recortado ou gravado no concreto compõe a arquitetura contemporânea.

Imagem 51 Saint-Nazaire, França Fonte: http://europaconcorsi.com

Imagem 52 Saint-Nazaire, França Imagem 53 Saint-Nazaire, França Imagem 54 Saint-Nazaire, França Fonte: http://europaconcorsi.com Fonte: http://europaconcorsi.com Fonte: Acervo pessoal

Imagem 55 Saint-Nazaire, França Fonte: Acervo pessoal

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5. REFERÊNCIAS NACIONAIS DE PROJETOS

5.1 LADEIRA DA MISERICÓRDIA E MUSEU DE ARTE DA BAHIA SALVADOR Os dois projetos de Lina Bo Bardi são grandes exemplos de intervenções contemporâneas que souberam deixar o sorriso8 inteiro novamente. em parceria com Lelé, Lina desenvolveu elementos pré-moldados que compuseram a fachada e ajudaram na estruturação da ruína de três arcos da ladeira da misericórdia. No mAm a escada em madeira se nota antes mesmo da exposição que se encontra no salão. A intervenção de Lina respeita o tempo de agora e o tempo que já passou.

Imagem 56 Ladeira da misericórdia, Salvador Fonte: Google Imagens

Imagem 57 Ladeira da misericórdia, Salvador Fonte: Google Imagens

Imagem58 mAm BA Fonte: Google Imagens

Imagem 59 mAm BA Fonte: Google Imagens

8 Referência a metáfora usada na página 23.

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5.2 CENTRO CULTURAL DANNEMAN, SÃO FELIX RECÔNCAVO BAIANO O restauro do prédio aconteceu entre 1987 e 1989 pelo arquiteto e prof. Paulo Ormindo. Os pilares em madeira e o guarda-corpo com ripas inclinadas são completamente harmônicos com o prédio antigo. A cobertura em telha ganha leveza com os rasgos transparentes que deixam entrar a luz.

Imagem 60 Centro Danneman, São Felix BA Fonte: Acervo pessoal

Imagem 62 Centro Danneman, São Felix BA Fonte: Acervo pessoal

Imagem 61 Centro Danneman, São Felix BA Fonte: Acervo pessoal

Imagem 63 Centro Danneman, São Felix BA Fonte: Acervo pessoal

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6. ANáLISES DA áREA

6.1 BREVE HISTÓRICO E OCUPAÇÃO Com fundação data de março de 1549, a cidade de Salvador teve a princípio dois objetivos; o de assegurar a proteção contra possíveis invasões e o de estruturar o funcionamento da colônia por um Governo-Geral. A construção da cidade fortaleza em um local estratégico coube ao primeiro governador geral Tomé de Souza. Seguindo o regimento português que especiicava como a cidade deveria ser construída, Luis Dias foi o construtor responsável pela execução das obras. O sitio foi escolhido pensando na estratégia de defesa da cidade. A aproximadamente 65m acima do mar um grande platô permitia um bom porto e a segurança desejada. A exceção da face voltada para o mar, toda a cidade foi cercada por um muro de pedra que tinha somente duas portas, uma ao norte e outra ou sul. A formação da cidade do Salvador começou onde hoje é o Centro histórico e cresceu ao longo dos séculos. Os primeiros quarteirões do centro se mantiveram quase que com o mesmo traçado urbano da fundação, já as ediicações sofreram muitas reformas, restauros e até demolições. A zona que hoje se mostra mais dinâmica no centro histórico é a tur3stica e vai do Terreiro de Jesus até o Largo do Carmo, neste trecho é possível notar uma aparente semelhança entre as ediicações no que diz respeito ao padrão construtivo. Já no entorno do Centro histórico é fácil notar a diferença de uso, tipologia arquitetônica e funcionalidade, mostrando assim a heterogeneidade do Centro Antigo de Salvador. A poligonal do Centro historico tombado pelo IPhAN passa pelos bairros do Centro histórico, Santo Antônio e Comércio. Os bairros acima citados, têm caracteristicas diversas, que vai desde a história ao uso e tipologia. A cidade cresceu em torno do Centro histórico9, hoje a cidade cresce afastando9 Delimitação do bairro segundo a Consultoria UNeSCO/SeCULT coordenada por Angela Gordilho Souza para o Plano Participativo

30


se não só isicamente mas funcionalmente do centro, conigurado como uma zona turística. entre 1938 e 1945, o Instituto do Patrimônio histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu o tombamento de vários monumentos isolados no centro histórico, o que não foi suiciente para impedir a degradação. Na década de

e posteriormente com

a mudança das funções administrativas do centro para o CAB (Centro Administrativo da Bahia), na década de 70, o degrado do centro histórico se acentuou. A cidade neste período já tinha se expandido e foi em 1975 que o Shopping Iguatemi foi criado dando início a uma grande expansão dos bairros do Iguatemi, Itaigara, Pituba etc. mesmo com alguns imóveis tombados o sítio do centro histórico só foi tombado em 1984 pelo Iphan e a Unesco considerou o sítio patrimônio da humanidade um ano após o tombamento. mesmo protegido legalmente os quarteirões da antiga Freguesia da Sé foram entregues ao abandono e se degradaram até a década de 90 quando foi iniciada a Revitalização do Pelourinho . Para o projeto de revitalização foram organizadas etapas de intervenção. O projeto previa a criação de um centro turístico e para que isso fosse possível a população que morava no pelourinho foi deslocada e até mesmo expulsa do centro. O projeto deste centro turístico foi executado até a sexta etapa. A última etapa do projeto de revitalização teve somente alguns imóveis restaurados e encontra-se abandonada com alto índice de marginalidade e inúmeros imóveis em estado de degradação. O pelourinho turístico conta somente uma parte da história, a outra parte que se encontra abandonada e esquecida segue isolada da dinâmica da cidade e espera pelas políticas de preservação que tardam a serem implantadas. O atual abandono patrimonial é também um abandono social porque as famílias que esperam pelas moradias prometidas para as ediicações da sétima etapa seguem sem os seus imóveis. Além disso equipamentos como creche, cozinha comunitária e centro esportivo ou ainda não saíram do papel ou ainda estão sem os equipamentos instalados, como é o caso da cozinha comunitária.

de Reabilitação do CAS, com base no Sistema Cartográico da Região Metropolitana de Salvador - SICAR/CONDER, 1984; PmS: Lei 3.289/1983; PmS: PDDU, 2004; Convênio SePLAm-SmA/PmS, CONDeR e UFBA, 2009;

; IPHAN,

31


6.2 OS DADOS DO PLANO DE REABILITAÇÃO PARTICIPATIVO DO CENTRO ANTIGO Os primeiros dados analisados para a realização do presente projeto foram obtidos no Plano Participativo do Centro Antigo, realizado pelo eRCAS (escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador) em 2009. Para realização do plano o Governo da Bahia contratou inúmeras consultorias para levantar os dados quanto ao estado das ediicações, o quadro de vulnerabilidade, os usos e muitos outros parâmetros usados na elaboração do plano. Foi elaborado inicialmente um diagnóstico com análise de potencialidades, ameaças e oportunidades. O plano propõem estratégias de atuação e projetos que segundo as analises dos elaboradores, atendem as necessidades da área. Os mapas do plano contêm dados quanto ao número de imóveis abandonados. mas apesar da realidade latente do abandono representado no mapa pelas hachuras, a dimensão deste abandono só é percebida de verdade quando vista pelos próprios olhos. A constatação dos dados e a primeira ideia de onde seria a zona menos dinamizada do centro foram feitas através do plano e com isso foi veriicado o lugar mais prop3cio para a instalação da rede de treinamento. Esta zona foi identiicada como o local onde o abandono patrimonial é concentrado, existem mais de 50 imóveis fechados, abandonados, vazios ou em ruínas. Segundo o plano, a área da Sétima etapa, acima citada, contará com a recuperação dos imóveis para abrigar habitações, comércio e serviços, para diferentes classes sociais. Até o momento poucos são os imóveis restaurados e o patrimônio ediicado encontra-se em situação de risco pela fragilidade f3sica das ediicações e o estado avançado de degradação dos imóveis. A cada dia o cenário de abandono avança pela ação do tempo e o risco de perder mais ediicações aumenta. A maioria dos prédios segue escorada, mas totalmente instável, e a perspectiva de intervenção segundo o escritório de Referência é: ... criar um fundo imobiliário, a partir desse patrimônio e atrair capital privado para recuperar e produzir principalmente habitação, mas não só habitação, habitação 32


comércio e serviço, quer dizer atraindo população pra cá. público no Centro Histórico"Futurama

"Iniciativa privada e poder

Edição

No mesmo programa, o estado de abandono dos imóveis é explicado:

se eles

estão nesta situação é porque a iniciativa privada não tem interesse sobre eles” "Iniciativa privada e poder público no Centro Histórico" Futurama

Edição .

No entanto, segundo o Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937 que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional no Capítulo 1 Art 1°: Constitue o patrimônio histórico e art3stico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interêsse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográico, bibliográico ou art3stico. A confrontação entre a expectativa do escritório de Referência de associar as políticas de restauro e preservação ao interesse da iniciativa privada e o reconhecimento do patrimônio como bem público nos permite questionar, a justiicativa do estado de abandono desses imóveis ao desinteresse da iniciativa privada. Ou, num outro sentido, airmar que a situação lamentável dos imóveis do centro e a constante depreciação física do conjunto arquitetônico tombado são culpa da falta de interesse da iniciativa privada, nos permite questionar ainda a política de preservação atual marcada pela ausência, sem efetiva atuação que garanta a integridade desses bens, indo, portanto, no sentido contrário ao que é estabelecido em Lei.

6.3 LEGISLAÇÃO Além do Decreto Lei n°25 que regula e organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico, o PDDU normalizado pela Lei 8.167/2012 apresenta as restrições de uso e ocupação da zona do centro histórico. A presente Lei classiica a poligonal tombada pelo Iphan como Centro municipal Tradicional CmT e ainda determina uma zona localizada na sétima etapa e que compreende a vizinhança do local de projeto da unidade de treinamento, aqui proposta, como ZeIS ( Zonas especiais de Interesse Social. ) 33


A ZEIS n.

, conforme deinição estabelecida no PDDU/

art.

, abrange

um conjunto de casarões que localizam-se na sétima etapa, situados às ruas São Francisco, 3 de maio, 28 de Setembro, 7 de Novembro, Saldanha da Gama e Guedes de Brito. Segundo dados de pesquisa cadastral realizada pelo governo do estado, os casarões são co-habitados por diversas famílias e encontram-se degradados, em estado de completo abandono, com banheiros coletivos e ligações irregulares de energia elétrica, apresentando risco de desabamento e de incêndio. (BAhIA, 2006).

"o estado de vacância, de conservação e qualiicação do uso habitacional para as ediicações desse parque imobiliário e para os vazios aí existentes. Demonstra não apenas o grau de esvaziamento e precariedade da ocupação, como também o potencial de renovação e requaliicação urbana, sobretudo no que se refere à inserção de novas habitações e equipamentos urbanos." (GORDILhO-SOUZA, 2010, p. 81). Para ilustrar o desejo de que as normas, Leis e as ações sejam não somente consideradas mas efetivamente elementos que auxiliam na a preservação do patrimônio, um trecho do artigo Patrimônio Cultural escrito por Maur3cio Chagas em O Ministério Público e a Proteção do Patrimônio Cultural” publicado em 2004 diz que:

Numa época em que se propaga o im da História, em que grassa o desencanto com as possibilidades do futuro e se questionam as noções de progresso e de desenvolvimento, acredito que temos plenas condições de irmos contra essa corrente. De airmarmos o nosso gosto pelo Novo, a nossa coniança no porvir, o nosso afeto orgulhoso pelo que nos tornamos, e que, enim, nos caracteriza como brasileiros: o Patrimônio Cultural entendido não apenas na materialidade monumental – ou documental – dos seus bens móveis e imóveis, mas também, e muito, na imaterialidade singular e sedutora do nosso imenso acervo de mitos, ritos, tradições, costumes, fazeres e comportamentos.”

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6.4 ANÁLISE DE PERCUSOS 6.4.1 A rota turística e a Baixa dos Sapateiros O mapa abaixo marca em vermelho algumas rotas de pedestres mais comuns do centro feitas a pé. A Av. J.J.Seabra mais conhecida como Baixa dos Sapateiros,e foi considerada como um local de circulação relevante de pessoas. Através do mapa é possível notar que uma parte do centro se mantém quase sem circulação de pessoas e é onde está localizada a Sétima etapa, representada no mapa com uma mancha d’água avermelhada.

35


. .

As ediicações abandonadas O mapa abaixo indica as ediicações consideradas pelo Plano do CAS como ru3nas

(em vermelho) e fechados (em laranja). Neste trabalho estas duas categorias serão consideradas como imóveis abandonados, partindo do entendimento de que se estes imóveis estão fechados, sem uso, ou seja, sem cumprir a sua função social. Sendo denominado pelo Plano do CAS; em ru3na e sem uso representando o patrimônio arquitetônico abandonado .

36


. .

A barreira invis3vel A análise e produção dos mapas revela: o local onde existe a maior concentração

de imóveis abandonados é também o local onde as pessoas menos caminham. Com o mapa abaixo é possível perceber uma única mancha, a do abandono. É possível também prevê a existência de uma barreira que a princípio não é física, mas considerando a quantidade de edif3cios abandonados pode-se airmar como facilmente percept3vel. A real dimensão desta barreira se revela muito mais impactante quando se visita o local.

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6.5 AS VISITAS Quando o local de inserção da rede de treinamento foi escolhido, pensando em utilizar a área menos dinamizada e mais excluída das atividades do centro-espetáculo, os primeiros alertas sobre a segurança do local apareceram. Para visitar a Sétima etapa e poder analisar, fotografar e ver de perto a situação atual, conhecendo a sua realidade e dos seus residentes, deve-se a contribuição da AmACh (Associação de moradores e Amigos do Centro histórico) que acompanhou uma visita e pode dividir a experiência de quem mora e luta pela integração da Sétima etapa na cidade. esta visita foi determinante para que a escolha do local de projeto pudesse compreender os critérios inicialmente desejados: um local de fácil acesso para o pedestre, que se conectasse com as outras possíveis unidades e que tivesse atualmente uma realidade de abandono. A escolha também buscou um local desaiador como intervenção, estimulante à criação de uma intervenção contemporânea dentro de um contexto tombado e histórico do centro. Andando pelas ruas do centro a mancha avermelhada dos mapas apontados anteriormente se mostrou realmente viável aos desaios previamente tomados como premissas de projeto e a situação de abandono foi constatada de fato. As perspectivas lamentáveis das ruas da Sétima etapa são muito distintas das do centro turístico, apesar da proximidade geográica dos dois locais. O baixo número de pessoas que andam pelas ruas daquele trecho, tirando alguns moradores, moradores de rua e pessoas literalmente perdidas diicultaram visitas mais constantes. . .

Visita do dia

de dezembro de

acompanhada da AMACH

Imagem 64 Sétima etapa do Pelourinho, Salvador Fonte: Acervo pessoal

38


Imagem 65 Rua 3 de maio, SĂŠtima etapa Pelourinho Salvador Fonte: Acervo pessoal

Imagem 67 Rua 3 de maio Fonte: Acervo pessoal

Imagem 66 Rua 3 de maio, SĂŠtima etapa Pelourinho Salvador Fonte: Acervo pessoal

Imagem 68 Rua 3 de maio Fonte: Acervo pessoal

39


Imagem 69 Rua Guedes de Brito, SĂŠtima etapa Pelourinho, Salvador

Fonte: Acervo pessoal

Imagem 70 Rua Guedes de Brito, Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

Imagem 71 Rua Guedes de Brito, Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

Imagem 72 Rua Guedes de Brito, Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

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Imagem 73 Rua São Francisco Fonte: Acervo pessoal

Imagem 74 Rua São Francisco

Fonte: Acervo pessoal

Imagem 75 Rua São Francisco Fonte: Acervo pessoal

Imagem 76 Rua São Francisco, Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

Imagem77 Rua São Francisco, Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

Imagem 78 Rua São Francisco, Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

Imagem 79 Rua São Francisco, Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

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Imagem 80 Rua 7 de novembro Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

Imagem 81 Rua 7 de novembro Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

Imagem 82 Rua 7 de novembro Pelourinho Fonte: Acervo pessoal

42


6.6

ANALISE DE PROJETOS DA SÉTIMA ETAPA Analisar alguns projetos executivos para a Sétima etapa foi indispensável para

o entendimento das medidas de restauro em andamento ou planejadas, permitindo a constatação que em lugar de projetos restaurativos, as intervenções alteram signiicativamente os imóveis, a ponto de nos permitir desconsiderá-los como ação restaurativa, reconhecendo ainda nessa ação, o abandono ao bem tombado. Os projetos datam de 2002 a 200610 e são, em sua maioria, compostos de planta de localização, plantas baixas, cortes e fachadas. Analisando as peças gráicas foi possível perceber que alguns projetos desconsideram, por exemplo, a recuperação de elementos na fachada que existem até hoje, como azulejos, balcões, molduras e em alguns casos, o desenho do telhado. Ou seja, as propostas na sua grande maioria, desconsideram a situação atual e o prédio em si mesmo. Avaliando as peças gráicas dos projetos, que se intitulam projeto executivo foi fácil recolher alguns exemplos que demonstram a opção por um projeto fachadista, apresentado nesse caso como restauro, em contraposição ao pensamento brandiano, que repudiava a cópia e o falso histórico, desconsiderando qualquer intenção de reconstrução como restauro. A qualidade desses projetos – a previsão de completa demolição do espaço interno, ou seja, demolição de pisos, escadas e as propostas de uso com espaços limitados nos permitem entender as intervenções propostas como descaso ao patrimônio por um lado, e por outro, nos permite questionar a arquitetura contemporânea. esses projetos também suscitam questionamento no que diz respeito ao modelo de contratação e a publicidade e debate sobre as propostas. Não se sabe quando os projetos serão amplamente divulgados, ou que premissas de projeto estão sendo adotadas como parâmetro à essas proposições. Nesse ponto a ausência de concursos para a realização destes projetos vai à contramão das práticas de contratação de obras e serviços com recursos públicos em todo o mundo, que faz dos concursos meio para o debate e para qualiicação dos projetos de arquitetura. Enquanto no mundo é veriicada 10 Datas encontradas nas pranchas dos projetos.

43


a qualidade arquitetônica e a escolha da melhor opção, em Salvador essa prática não caracteriza as contratações de projetos para obras públicas. A seguir uma rápida análise ilustrativa de um dos projetos para a Sétima etapa. É importante resaltar que as fotos usadas foram feitas em dezembro de 2012 e as datas nas pranchas dos projetos são de

e

, portanto não é poss3vel airmar qual

era a situação dos imóveis quando os projetos foram realizados, mas é possível notar algumas distorções projetuais mediante a comparação da proposta com a situação atual das ediicações. . .

Casarão n°

da Rua

de novembro

Os azulejos que ainda existem na parte superior da fachada, acima das janelas rasgadas com vãos em arcos, são desconsiderados no projeto que indica como acabamento da fachada argamassa e pintura. Quanto às aberturas inferiores, o projeto prevê o regaste da abertura em arco no pavimento inferior, que não existe na imóvel atualmente. Desta forma, propor o resgate de elementos que podem ter existido, desconsiderar a existência de outros elementos, signiica, em parte, a proposição de um falso histórico”, quando qualquer tentativa de retorno ao passado é em vão.

Imagem 83 Fachada Rua 7 de novembro Fonte: Projeto Sétima etapa

Imagem 84 Fachada Rua 7 de novembro Fonte: Acervo pessoal

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7. A PROPOSTA DA REDE DE TREINAMENTO DE MÃO DE OBRA JOVEM

7.1 O EXEMPLO DO LICEU DE ARTES E OFÍCIOS Fundado em

com o objetivo de qualiicar operários e art3ices para o mercado

de trabalho o Liceu proporcionava o ensino prático e teórico. Como o país vivia a transição da mão de obra do trabalho escravo para o trabalho livre, o Liceu era aberto para qualquer homem livre sem distinção de cor. Dois anos após sua fundação o Paço do Saldanha passou a sediar o Liceu. Com o passar dos anos o complexo do Liceu ganhou a biblioteca pública e mais tarde no sec. XX o cinema. As aulas oferecidas eram inicialmente de letras, desenho, gramática ilosóica e francês. entre ascensão, decadência, incêndio e a recuperação em 1989-92 o Liceu treinou jovens e adultos por mais de um século e em 2007 foi fechado com dívidas altíssimas. A perda do Liceu representa mais do que perder uma instituição considerada de utilidade pública11 signiica a ausência de uma instituição de treinamento de mão obra que formava proissionais inclusive na área de restauro.

Imagem 85 Liceu de Artes Fonte: Google imagens

Imagem 86 Liceu de Artes Fonte: Google Imagens

11 em 1917 uma lei considerou o Liceu de utilidade pública e a instituição recuperou a vitalidade.

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7.2 O EXEMPLO DA ESCOLA OFICINA

A Escola Oicina de Salvador é um projeto do Centro de Estudos de Arquitetura da Bahia da Faculdade de Arquitetura da UFBA que visa a formação de mão de obra para a restauração de edifícios e a construção civil, incluído no programa espanhol escuela Taller para a ibero-américa.” (Texto retirado do site: http://www.eos. ufba.br/index.asp )

Imagem Alunos da Escola Oicina Fonte: http:´//www.eos.ufba.br

Imagem Alunos da Escola Oicina Fonte: http:´//www.eos.ufba.br

Imagem Alunos da Escola Oicina Fonte: http:´//www.eos.ufba.br

Imagem 90 Obra Faculdade de medicina Fonte: http:´//www.eos.ufba.br

7.3 AS UNIDADES DA REDE DE TREINAMENTO DE MÃO DE OBRA JOVEM A rede de treinamento se inspira nos exemplos do Liceu e da Escola Oicina. A criação de uma rede dentro do Centro visa instituir uma dinâmica onde hoje se encontra a zona mais isolada e com mais ediicações abandonadas na poligonal do 46


Centro histórico. Os elementos que compõem a rede são fundamentais para o treinamento dos alunos, mas também para suprir uma carência do bairro e dinamizar a área. A ideia de trabalhar em rede é justamente para mostrar como diferentes usos podem criar uma dinâmica nas ruas. O fato das atividades serem realizadas em diferentes edifícios faz que as pessoas se desloquem e usem as ruas. A determinação de possíveis imóveis para abrigar as unidades da rede foi feita usando critérios como; a área da ediicação em relação à função indicada para ela, o uso de quarteirões diferentes acreditando que uma intervenção pode criar uma nova dinâmica para o entorno e a triangulação das ediicações da rede em um raio menor que 100m. mAPA POLIGONAL SÉTImA eTAPA COm RAIO De ATUAÇÃO • mapa com a poligonal da Sétima etapa representada por vista de satélite (Google). • A escolha dos possíveis imóveis foi feita durante as visitas analisando os poss3veis percursos e as distâncias entre as ediicações.

47


mAPA TRIANGULAÇÃO DA ReDe De TReINAmeNTO ( Sem eSCALA) • Na indicação abaixo dos possíveis imóveis sugeridos para compor a rede, algumas unidades são compostas por mais de um edifício, formando assim um conjunto. • A distância entre os imóveis na triangulação é de aproximadamente 100m. • Os imóveis estão inseridos dentro da poligonal da Sétima etapa, no mapa indicada em vermelho. • A escolha destes imóveis se deu através das visitas ao local e analisando o espaço necessário para as atividades indicadas.

116 m 102 m

96 m

48


4

3 2

1 mAPA DA ReDe De TReINAmeNTO De mÃO De OBRA (Sem eSCALA) 1. Unidade de treinamento –abriga o Centro de memória da cidade, a Biblioteca, salas para aulas teóricas e pequenas práticas. . Oicinas – os imóveis vizinhos aos marcados no mapa podem ser usados de acordo com a necessidade de espaço para os equipamentos. 3. Unidade esportiva – abriga um centro esportivo que pode ser usado pelos jovens alunos e pela comunidade. 4.Unidade administrativa – local para realização de matrículas, administração da rede e gerenciamento das atividades e obras realizadas pela escola.

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A rede de treinamento é uma rede aberta e dinâmica que pode se expandir de acordo com a necessidade de novas unidades e serviços. A determinação de algumas unidades serve para ilustrar a ideia de criar percursos de pedestres, curtos, em uma zona fora do circuito mais dinâmico, que é o turístico. A unidade esportiva foi sugerida como uma crítica ao projeto do escritório de Referência que prevê uma quadra e alguns equipamentos de skate em um quintal da sétima etapa e classiica este projeto como centro esportivo . Através de visitas foi poss3vel constatar que existem alguns espaços livres e com ediicações em ru3nas, como é o caso do indicado no mapa para a unidade esportiva, que teriam potencial para receber um centro esportivo com equipamentos como salas de dança, piscina etc. No caso das oicinas foram indicados alguns imóveis, mas é poss3vel que, de acordo com a necessidade dos equipamentos, sejam incorporados imóveis vizinhos. Os elementos da rede pontuados acima servem para ilustrar um possível funcionamento da rede e o projeto que será desenvolvido arquitetonicamente será o da Unidade de treinamento, um dos equipamentos dessa rede.

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8. A LACUNA E A ESCOLHA COMO LOCAL DA UNIDADE DE TREINAMENTO

8.1 A PRIMEIRA IMPRESSÃO Durante a visita a escolha do local do projeto da unidade de treinamento se conirmou de fato. Inúmeras possibilidades apareceram durante a caminhada, já que, a Sétima etapa tem mais de 50 imóveis em estado de abandono. Ao passar pela Rua São Francisco um terreno visivelmente lacunoso12 na esquina com a Rua Guedes de Brito inspirava e desaiava mais do que os outros. Em dezembro de

o terreno estava

fechado com maderite. O vazio causa a interrupção da leitura do tecido urbano e as duas ediicações vizinhas, que se encontram escoradas, necessitam de restauro. O conjunto formado pelo terreno vazio e as duas ediicações foi o escolhido para a realização do projeto arquitetônico da unidade de treinamento. A perspectiva da Rua São Francisco também foi um elemento decisivo na escolha do local de projeto, pois revela a proximidade e conexão visual com a Igreja de São Francisco. O terreno, entendido como uma lacuna no tecido urbano é prova da política que vem sendo aplicada no centro e é uma imagem que ilustra muito bem o abandono das ediicações históricas. O centro como um s3tio tombado, paradoxalmente carece de ter sua integridade preservada e conservada e o terreno lacunoso expõem a ausência do poder publico como responsável por sua salvaguarda.

Imagem 91 Lacuna Rua São Francisco Fonte: Acervo pessoal

Imagem 92 Lacuna Rua Guedes de Brito Fonte: Acervo pessoal

12 A leitura do tecido urbano estava claramente interrompida naquele ponto.

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8.2 A PRIMEIRA MAQUETE - ESCALA 1:500 Logo após a escolha do terreno e das duas ediicações para o local do projeto da unidade de treinamento foi fundamental a realização de uma maquete física para entender como as duas ediicações estavam relacionadas com o terreno. Além disso, foi observado como o quintal pertencente à lacuna era um espaço que se relacionava diretamente com a ediicação que um dia existiu no local. A primeira constatação foi a de que a leitura do tecido urbano foi perdida no momento que a ediicação, que antes ocupava o terreno, deixou de existir. A outra questão importante percebida com a maquete foi a de que dentro dos primeiros quarteirões ediicados na cidade, a ocupação do lote e das ediicações na testada da rua é determinante para a leitura do conjunto ediicado.

Imagem 93 maquete física Fonte: Acervo pessoal

Imagem 94 maquete física Fonte: Acervo pessoal

Imagem 95 maquete física Fonte: Acervo pessoal

Imagem 96 maquete física Fonte: Acervo pessoal

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8.3 A PERDA DO INTEIRO mais uma vez com a ajuda da AmACh, foi possível descobrir o que ocupava a lacuna antes dela se tornar o vazio que é hoje. Na página da rede social Facebook da AMACH tem uma publicação com o registro fotográico da demolição da ediicação que existia no terreno. O acesso a estas fotos foi fundamental para entender a relação de implantação no terreno, ritmo de fachadas, gabarito e ainidade com a Igreja São Francisco que a antiga ediicação tinha. mesmo fundamentando este projeto no tempo atual, ou seja, tendo o presente como temporalidade do projeto como Brandi recomendava, como se trata de um restauro da leitura do tecido urbano e do restauro de duas ediicações históricas, é de extrema importância o entendimento de como era o tecido antes de perder a sua inteireza.

Imagem 97 Antigo casarão na Rua São Francisco Fonte: AmACh

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Imagem 98 Demolição do casarão Fonte: AmACh

Imagem 99 Demolição do casarão

Imagem 100 Demolição do casarão Fonte: AmACh

Imagem 101 Demolição do casarão Fonte: AmACh

Imagem 102 Demolição do casarão Fonte: AmACh

Imagem 103 Demolição do casarão Fonte: AmACh

Fonte: AmACh

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Imagem 104 Demolição do casarão

Imagem 105 Demolição do casarão

Fonte: AmACh

Fonte: AmACh

Imagem 106 Demolição do casarão

Imagem 107 Demolição do casarão

Fonte: AmACh

Fonte: AmACh

Imagem 108 Demolição do casarão

Imagem 109 Demolição do casarão

Fonte: AmACh

Fonte: AmACh

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8.4 DÚVIDAS E CONSTATAÇÕES QUANTO À LACUNA

Imagem 110 Croqui lacuna Fonte: Acervo pessoal

Depois de veriicar que o terreno é uma lacuna no tecido urbano, cabe citar novamente Brandi:

Portanto, o problema se delineia de modo n3tido: deve-se reduzir o valor emergente de igura que a lacuna assume em relação à efetiva igura, que é a obra de arte. Assim posto, é claro que as soluções caso a caso, que a lacuna exigirá, não divergirão no princípio, que é o de reduzir a emergência na percepção da lacuna como igura. BRANDI,

p

Imagem 111 Casarão Fonte: AmACh

Imagem 112 Lacuna 2011

Imagem 113 Lacuna 2011

Imagem 114 Lacuna 2011 Fonte: Google Street View

Fonte: Google Street View

Fonte: Google Street View

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A dúvida de como recompor um inteiro perdido e da dimensão da perda do volume da ediicação que foi demolida, gerou um primeiro volume bruto que destaca a importância do restauro da esquina enquanto cheio . O volume que assume uma forma composta somente de arestas já sinaliza como um reaturo do tecido urbano pode proporcionar uma leitura mais clara da relação da rua com a Igreja de São Francisco e de como a composição cheia da esquina determina uma perspectiva que precisa ser restabelecida.

Imagem 115 esquema volumétrico Fonte: Acervo pessoal

Imagem 116 esquema volumétrico Fonte: Acervo pessoal

57


O preenchimento desta lacuna tem como elementos principais o restabelecimento o tecido urbano com um inteiro, a importância da ligação entre o volume novo e a Igreja, o tempo presente como tempo de projeto e a inserção de uma arquitetura contemporânea que considera o estado atual do terreno. esta arquitetura entende a importância da leitura de uma esquina cheia e não de uma esquina banguela .

Imagem 117 esquema volumétrico Fonte: Acervo pessoal

Imagem 118 esquema volumétrico Fonte: Acervo pessoal

58


9.

O PROCESSO PROJETUAL

9.1 PROGRAMA UNIDADe De TReINAmeNTO Ambiente

Quantidade

m² por unidade

m² total

Função

Sala de aula teórica

3

60

180

As salas são para as aulas teóricas de base, todos os alunos antes de passar para a parte prática devem frequentar o curso teórico e depois escolher entre prática em restauro ou levantamento de dados no Centro de memória.

Oicina de pequenas práticas

1

200

200

As oicinas antecedem as práticas em obra e fazem parte do treinamento de recuperação e reparo de pequenas peças.

Biblioteca

1

300

300

A biblioteca tem o caráter de biblioteca de bairro atendendo aos alunos da unidade, mas também a comunidade.

Sala de Pesquisa do Centro de memória

1

60

60

A sala de pesquisa serve para a consulta de material digitalizado, funciona associada a biblioteca e o acesso é público.

Sala de scaner do Centro de memória

1

50

50

A sala de scaner é um local de acesso restrito aos alunos em treinamento e aos funcionários, na sala os documentos originais são digitalizados e é onde acontece o cadastro dos documentos que serão disponibilizados na sala de pesquisa.

Sala de informática

1

50

50

Sala para aulas de informática faz parte do treinamento dos alunos para a catalogação de documentos do Centro de memória.

Sala de professores

1

35

35

Sala de acesso exclusivo dos professores e funcionários da unidade.

Sala da diretoria

1

20

20

Sala de acesso exclusivo dos professores e funcionários da unidade.

Secretaria

1

12

12

Sala para uma secretária que atende aos alunos e professores.

Sanitários

3

20

60

Localizados no térreo e subsolo e um exclusivo para professores.

Copa

2

15

30

Para apoio da biblioteca e Centro de memória e de possíveis eventos realizados na área comum da unidade.

Café

1

12

12

Aberto ao público deve ser colocado em local estratégico para uso da Unidade de Treinamento e do Centro de memória. TOTAL 989m²

59


9.2 FLUXOGRAMA

9.3

PRIMEIROS ESTUDOS CONCEITUAIS Os primeiros rabiscos e análises conceituais ajudaram no direcionamento formal

do projeto. Inicialmente pensou-se na importância da esquina e de como a ocupação no limite do lote era importante para o restabelecimento da integridade do tecido urbano. Por isso desde o início a solução pensada para recompor a esquina foi a criação de uma pele. A esquina foi constatada também como um elemento de entrada e de ligação com o quintal e com os dois edifícios vizinhos. Para materializar esta ideia de conexão o piso de acesso da nova ediicação deve ser também o de acesso dos dois edif3cios vizinhos. entendeu-se que o pavimento de acesso deveria ser mais livre remetendo ao estado atual do terreno.

Imagem 119 esquema conceitual Fonte: Acervo pessoal

Imagem 120 esquema conceitual Fonte: Acervo pessoal

60


Outro elemento conceitual do projeto foi a instalação de espaços mais fechados nos edifícios restaurados e os espaços mais amplos no novo edifício. Desta forma, as conexões entre os prédios serão mais claras e o estado atual de terreno vazio do novo edifício é considerado como elemento conceitual.

Imagem 121 esquema conceitual Fonte: Acervo pessoal

Imagem 122 esquema conceitual Fonte: Acervo pessoal

O estudo para chegar até o conceito do projeto passou também pela montagem das vistas das Ruas Guedes de Brito e São Francisco. Usando o cadastro feito pelo Escritório de Referência criou-se uma vista antiga , que tem a função de analisar o volume e o ritmo das aberturas que foram considerados elementos importantes para o restabelecimento do tecido urbano, e uma vista atual lacunada.

Suposta Vista Antiga da Rua Guedes de Brito

Suposta Vista Lacunada da Rua Guedes de Brito

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O confronto entre as duas vistas revela mais uma vez que a lacuna é vista como igura e a decisão de construir um novo ediicio tem a intenção de minizar a lacuna enquanto igura dentro do tecido urbano.

Suposta Vista Antiga da Rua São Francisco

Suposta Vista Lacunada da Rua São Francisco

9.4 MAQUETES DE ESTUDO As maquetes físicas de estudo foram muito úteis durante o processo de projeto para entender os espaços na terceira dimensão. As maquetes também serviram na compreensão dos diferentes níveis, para testar o quão livre poderia ser o pavimento de acesso e ver se a solução da pele era uma boa opção. Por im, ajudaram também no estudo da estrutura.

Imagem 123 maquete de estudo Fonte: Acervo pessoal

Imagem 124 maquete de estudo Fonte: Acervo pessoal

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Imagem 125 maquete de estudo Fonte: Acervo pessoal

Imagem 126 Fonte: Acervo pessoal

Imagem 127 maquete de estudo Fonte: Acervo pessoal

Imagem 128 Fonte: Acervo pessoal

9.5 ESTUDOS DE PLANTA Durante a elaboração do anteprojeto arquitetônico da unidade de treinamento foram realizados muitos estudos de planta até chegar à solução que está representada nas peças gráicas em anexo a este trabalho. Para ilustrar o processo e a evolução do partido foram selecionados alguns estudos que representam diversos momentos do processo de projetação. Os estudos abaixo listados não são completos, foram usados apenas alguns desenhos para representar as etapas.

63


9.5.1 O primeiro estudo O primeiro estudo de planta foi determinante para materializar as formas pensadas inicialmente de modo conceitual. Foi um estudo que ainda não atendia ao programa deinitivo.

Imagem 129 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

Imagem 130 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

9.5.2 O estudo "burocrático" A evolução do primeiro estudo de planta foi um modelo muito "r3gido" que pouco passava a idea do conceito do projeto e foi apelidado de burocrático porque parecia seguir regras.

Imagem 131 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

. .

Imagem 132 estudo corte Fonte: Acervo pessoal

A tentativa de lexibilizar os espaços Pensando em ser iel as primeiras análises conceituais este modelo foi o que

começou a dar forma ao modelo que mais tarde foi apresentado na pré-banca.

Imagem 133 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

Imagem 134 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

64


. . O modelo de estudo com acessos aos diferentes n3veis Juntamente com as maquetes de estudo, as plantas e cortes começaram a demonstrar o problema de acessos aos diferentes níveis dos edifícios. Desta forma, o projeto começou a se modiicar para atender a esta necessidade.

Imagem 135 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

Imagem 136 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

Imagem 137 estudo corte Fonte: Acervo pessoal

Imagem 138 estudo corte Fonte: Acervo pessoal

. . O modelo apresentado na pré-banca Ver parecer da pré-banca

Imagem 139 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

Imagem 140 estudo planta Fonte: Acervo pessoal

Imagem 141 estudo corte Fonte: Acervo pessoal

Imagem 142 estudo fachada Fonte: Acervo pessoal

65


10.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ANTEPROJETO DA UNIDADE DE

TREINAMENTO DE MÃO DE OBRA JOVEM

10.1

O CONCEITO APLICADO A FORMA O anteprojeto da unidade de treinamento propõe a criação de uma arquitetura

contemporânea no centro histórico tombado de Salvador. Usando a teoria do restauro de Brandi como principal embasamento teórico, o projeto toma como referência temporal o hoje. Por tratar de um restauro do tecido urbano foi fundamental o restabelecimento do volume de esquina, isto se deu através de uma pele que recebeu ainda a marcação através de molduras seguindo o ritmo das aberturas, consideradas elementos que compunham o tecido urbano.

Imagem 143 Simulação dia Rua São Francisco Fonte: Acervo pessoal

Imagem 144 Simulação dia Rua Guedes de Brito Fonte: Acervo pessoal

Imagem 145 Simulação noite Rua São Francisco Fonte: Acervo pessoal

Imagem 146 Simulação noite Rua Guedes de Brito Fonte: Acervo pessoal

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A importância da esquina se relete no interior da nova ediicação e no tratamento da fachada. Internamente o atual vazio do terreno é referenciado no pavimento de acesso que é livre e tem um pé direito alto. este pavimento é usado como conector das três ediicações. Na fachada a parte da esquina é mais fechada em confronto com as outras partes, onde acontece um jogo com o concreto translúcido criando partes mais iluminadas ou menos iluminadas. Um elemento determinante no volume da ediicação é a cobertura, formada por um volume linear descolado da fachada que emoldura a parte superior do edif3cio e um elemento inclinado remetendo a cobertura de telha cerâmica. As escadas e passarelas do prédio são elementos de costura das três ediicações e a intenção é que esta ideia seja percebida já na entrada do prédio. A "caixa" que parece lutuar também é costurada pelas passarelas e é um volume de destaque no interior da nova ediicação.

Imagem 147 Detalhe cobertura Fonte: Acervo pessoal

67


10.2

MATERIAIS

. . Concreto O material escolhido para compor a pele da fachada é a placa pré-fabricada de concreto. Foram determinadas três versões das placas; a placa de concreto convencional que não permite a passagem de luz e será usada na "esquina", a placa de concreto translúcido com 25% e com 15% da superfície que permite a passagem da luz. A modulação de todas as placas é de 1,00 x 0,50 x 0,03 m considerando que as placas de abacamento seriam feitas sob medida. O uso deste material enfatiza a percepção da esquina reestabelezida e permite diferentes sensações durante o dia e durante a noite e interna e externamente. Durante o dia o concreto translúcido permite que a luz entre na ediicação, internamente a sensação é de um grande painel iluminado e externamente o concreto translúcido aparenta ser igual ao concreto tradicional. Por si tratar de uma pele, as portas foram projetadas para icar rente a pele de forma que externamente a pele se apresente mais uniicada. Ainda pensando na unidade da pele, foram previstos elementos metálicos feitos sob medida para suportar placas que podem ser abertas e assim permitir a ventilação, o sistema de abertura é bem simples no estilo maximar. Usando uma solução semelhante, as portas de entrada também são pré-moldadas e pivotam com o auxílio de uma estrutura metálica. ( Para facilitar o entendimento consultar pranchas 07 e 08 no Volume 2 ). . . Chapas metálicas O material escolhido para o guarda corpo das escadas, passarelas e mezanino é a chapa metálica com furo tipo moeda. A escolha do material metálico se deu também pela necessidade de um material que fosse leve para não sobrecarregar os cabos que sustentam as escadas e pela posibilidade de usar cor nas chapas. . . Madeira tipo Pinus A madeira também foi escolhida como um material do projeto. Como tanto o concreto das placas pré-moldadas quanto as chapas metálicas são usados para 68


diferenciar os elementos da ediicação, a madeira também é inserida com o objetivo de descacar um volume particular. A "caixa" que parece lutuar dentro do edif3cio recebeu revestimento em réguas de pinus para destacar ainda mais o volume no interior da ediicação. Mais alguns elementos são revestidos com pinus, como é o caso dos bancos do guarda corpo e degraus das escadas. . . Revestimentos das paredes Quanto aos materias escolhidos para revestir as paredes das ediicações existentes, tanto externamente quando internamente foi feita a escolha de tinta a base de cal permitindo assim que a parede "respire". Quanto a cor desde o in3cio do projeto os tons claros foram pensados com melhor opção, sendo deinido por im uma variação do branco. A escolha da cor branca possibilita a harmonia da ediicação nova com as duas vizinhas. Internamente o tom claro e texturada da tinta a base de cal usada nas paredes das ediicações existentes se integram com os materiais contemporâneas escolhidos para os elementos do novo edifícios e assim tanto a diferença quanto a "costura" dos três prédios é evidenciada.

10.3 ESTRUTURA A estrutura do novo edifício e a usada nos dois edifícios existêntes são metálicas. A escolha do mesmo tipo de material estrutural se deu para enfatizar que a intervenção acontece em três espaços distintos mas como resultado se tem uma unidade de treinamento. este carater de união é também demonstrado na escolha por limitar o acesso aos dois edif3cios existentes pelo novo acesso de esquina na ediicação nova. As

vigas

de

treliça

plana

que

sustentam

a

cobertura, possibilitaram

o uso desta como praça suspensa e mirante com vista para a Igreja de São Francisco. A escolha da treliça também foi para possibilitar que a "caixa" revestida em pinus fosse suspensa. A estrutura da "caixa" é constituida de peris metálicos que através do próprio peso da estrutura funciona tensionada e é ixada na treliça. Para estruturar as escadas, passarelas e o mezanino enfatizando o conceito 69


de "costura", foi escolhida como solução pendurar através de cabos de aço destes elementos. Desta forma, os elementos de ligação tentam realmente consturar os três volumes. Na praça suspensa localizada na cobertura, o desenho das vigas metálicas serviram para deinir as diferentes alturas dos pisos. Criou-se assim, patamares de diferentes n3veis com um desenho particular mas que é relexo da solução estrutural. Quanto a drenagem da ediicação nova, o volume da fachada foi pensado para esconder a calha metálica e possibilitar o escoamento da água. ( Ver prancha 07 e 08 do Volume 2 )

10.4

REFERÊNCIAS DE PROJETOS

. .

Musashino Art University Museum & Library _ Arquitetos da SOU

Fujimoto _ Tokyo Japão • Usado como referência para o mobiliário da biblioteca, pensando no máximo aproveitamento dos espaços para o acervo e também fazendo referência as escadas que servem como banco ou apoio para a leitura.

Imagem 148 mobiliário biblioteca Fonte: www.europaconcorsi.com

Imagem 149 mobiliário biblioteca Fonte: www.europaconcorsi.com

70


. . La Tellera Siqueiros _ Arquiteta Frida Escobedo _ Cuernavaca Morelos México • Projeto que brinca com a passagem da luz e a textura na fachada.

Imagem 150 Revestimento em concreto Fonte: www.europaconcorsi.com

. . Pavilhão Italiano da EXPO

Imagem 151 Jogo de luz Fonte: www.europaconcorsi.com

_ Arquiteto Giampaolo Imbrighi _ Shangai

China • exemplo de projeto que utilizou as placas pré-fabricadas de concreto translúcido.

Imagem 152 Placa translúcida Fonte: www.europaconcorsi.com

Imagem 153 Fixação da placa Fonte: www.europaconcorsi.com

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Imagem 154 Pavilhão Italiano da expo 2010 Fonte: www.europaconcorsi.com

Imagem 155 Vista da fachada do pavilhão Fonte: www.europaconcorsi.com

Imagem 156 efeito interno de luz Fonte: www.europaconcorsi.com

Imagem 157 Detalhe interno da placa Fonte: www.europaconcorsi.com

. . Campus di Urbino _ Arquiteto Giancarlo De Carlo _ Urbino Itália • Referência às escadas conectoras do projeto.

Imagem 158 Urbino, Itália Fonte: Acervo pessoal

Imagem 169 Urbino, Itália Fonte: Acervo pessoal

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10.5 PERSPECTIVAS RENDERIZADAS

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Imagem 170 Vista da Rua S達o Francisco Fonte: Acervo pessoal


74

Imagem 171 Vista da Rua S達o Francisco Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 172 Perspectiva interna Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 173 Perspectiva interna Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 174 Perspectiva interna Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 175 Perspectiva interna Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 176 Perspectiva interna Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 177 Perspectiva interna Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 178 Perspectiva interna Fonte: Acervo pessoal


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Imagem 179 Perspectiva mirante Fonte: Acervo pessoal


11. CONCLUSÃO

A depreciação física do conjunto arquitetônico do centro histórico de Salvador revela a situação alarmante do descaso com o patrimônio ediicado. A pol3tica do abandono é adotada como política de governo e cada vez mais o centro se afasta da dinâmica da cidade. Dentro da poligonal do centro se destaca não só o abandono, mas a segregação do próprio centro. De um lado o turístico e do outro o centro degradado, esquecido e sujeito a políticas que tardam a serem aplicadas. A sétima etapa, que faz parte desta segunda metade do centro, ainda espera ser lembrada e tratada como o patrimônio histórico merece. Confrontar o que diz o estado com o que diz a legislação serve para entender os caminhos que até então estão reservados para o centro e a partir deste conhecimento questionar as justiicativas do abandono do patrimônio. A integridade dos bens patrimoniais tombados é responsabilidade do estado e deve ser protegida independentemente da iniciativa privada. Na cidade de Salvador a história deve continuar a ser construída, preservando e cuidando do patrimônio e também fazendo jus ao tempo de agora nas restaurações e intervenções pensadas para o centro histórico. É importante lembrar sempre que o centro deve está inserido na dinâmica da cidade e de que não adianta isola-lo e limitálo a uma única função.

83


12. REFERÊNCIAS

ANDRADe JUNIOR, Nivaldo Vieira; AZeVeDO, esterzilda Berenstein de. Universidade Federal Da Bahia Faculdade de Arquitetura. metamorfose arquitetônica: intervenções projetuais contemporâneas sobre o patrimônio ediicado.

.

f Dissertação

Mestrado

-

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Unidade de treinamento de mão de obra jovem