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CENTRO DE ACOLHIDA E INCLUSÃO COOPER ARTE


CAMILA BOMFÁ RODRIGUES RA 506675

CENTRO DE ACOLHIDA, CONVIVÊNCIA E DESENVOLVIMENTO COOPER AÇÃO Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos, na cidade de São João da Boa Vista SP, como requisito final da discilplina de TFG e conclusão do curso. Professor Orientador: Fabrício Godói.

UNIFEOB CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO DE ENSINO OCTÁVIO BASTOS SÃO JOÃO DA BOA VISTA - SP 2017


A G R A D E C I M E N T O S

Agradeço primeiramente a Deus, que é o verdadeiro arquiteto do universo, sem O Qual nada seria possível. Sou grata aos meus pais, Edison Rodrigues e Marta Bomfá, principalmente pela preocupação ao observarem as noites que passava em claro no decorrer do curso e compreensão com relação a minha ausência. Aos meus Professores, Mestres e Doutores que me ensinaram e auxiliaram durante todo curso, em especial ao meu Mestre e orientador Fabrício Godoy, por todo o incen vo e mo vação durante o úl mo ano. Um agradecimento especial aos meus colegas de sala e principalmente aos meus amigos Mariana Faria, Pamela Cardoso e Otávio Zan, que foram meus companheiros durante as inúmeras noites em claro desenvolvendo trabalhos acadêmicos, e que, com certeza, estarão presentes ao longo da minha nova jornada que se inicia com a conclusão desse curso. Deixo registrado o meu muito obrigado a todas as pessoas que cruzaram meu caminho no decorrer desse período e que de alguma forma contribuíram para que eu chegasse até aqui.


Antes de mais nada, para entrar nesse mundo oculto das pessoas que vivem nas ruas, é necessário deixar de lado os pré julgamentos instalados em nossas mentes referentes a esse grupo de pessoas que se encontra desprovido de, acima de tudo, atenção, interesse e valor não só das polí cas públicas, mas da sociedade em geral. Não é necessário se abster de todas as opiniões prévias e próprias, mas simplesmente dar abertura aos fatos e dados que serão vistos a seguir e u lizar um olhar mais humanizado e sem a pré-compreenção do mundo que é naturalmente instalada dentro de cada ser humano.


S U M A R I O

INTRODUÇÃO REALIDADE LEGISLAÇÃO QUANTITATIVOS CAUSAS DADOS EM SJBV ESMOLA X TRABALHO CONCENTRAÇÃO VISITA TÉCNICA PROPOSTA ENSINAR A PESCAR LOCALIZAÇÃO ENTORNO TERRENO TOPOGRAFIA REFERÊNCIA COOPERATIVA PROGRAMA DE NECESSIDADES SETORIZAÇÃO ESTUDO DE MASSAS CLIMA

4 7 9 10 12 14 17 18 19 21 23 24 26 28 29 30 31 33 34 35


S U M A R I O

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO PARTIDO ESTUDOS ESTRUTURA DISPOSIÇÃO NO TERRENO PLANTAS BLOCO A PLANTAS BLOCO B PLANTAS BLOCO C ANTES E DEPOIS PROJETO ELEVAÇÕES BLOCO A ELEVAÇÕES BLOCO B CORTES CÁLCULOS CONSIDERAÇÕES FINAIS ANEXOS REFERÊNCIAS

36 37 40 42 44 45 46 48 49 50 51 52 53 54


I N T R O D U C A O

O tema relacionado às pessoas em situação de rua é muito delicado, controverso e abrangente, já que envolve diversos aspectos, como psicológico, econômico, polí co, social e também urbanís co. São inúmeras as causas que influenciam não somente a imersão de uma pessoa à essa triste realidade, mas também a sua permanência nela. A própria denominação para esse grupo de pessoas já é muito discu da, pois há várias dis nções entre eles, como: “moradores de rua”, o qual é mais u lizado popularmente, “sem-casa”, “povo da rua”, “população em situação de rua”, “população de rua” ou ainda “população não domiciliada”. O termo oficial se tratando de polí cas públicas e ins tuições, para designar essa população é a denominação “população em situação de rua", como consta no Decreto Nº 7.053 DE NOVEMBRO DE 2009:

“Parágrafo único. Para fins deste Decreto, considera-se população em situação de rua o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória” 4


I N T R O D U C A O

Porém essa expressão nos transmite a sensação de que tal situação é momentânea e circunstancial, mas não precisamos nos aprofundar muito nessa pesquisa para notar quão heterogênea é essa população, e que de fato grande parte dela não quer mais deixar as ruas e a adotou como seu “lar”. Portanto não seria correto generalizar, tornando-o um grupo apenas, como se todas as pessoas inseridas nesse contexto es vessem nessa situação somente de passagem, o que não é uma realidade. A maneira mais adequada de classificar a parcela de pessoas as quais realmente adotou a rua como moradia, seria a denominação mais popular: “moradores de rua”, já que realmente optaram por essa situação e adotaram as ruas como morada. Caso haja a necessidade de englobar os dois grupos, a denominação de Endrigue (2002 p.3) é muito per nente:

“ A posição de grupos religiosos e fóruns ao utilizarem o termo “Povo da Rua” é totalmente coerente com suas propostas de organização e reintegração social da população de rua, A palavra “povo” traz os ideais de luta e de união. Porém, busca-se aqui uma denominação própria a este estudo e que abranja o total da população de rua. “ “Assim será adotada a expressão “População de Rua” definindo-a como aquela que “sobrevive da rua e tem a rua, de forma circunstancial ou permanente, como moradia.” (ENDRIGUE, 2002, p.3)

Dessa forma, nesse trabalho de pesquisa, serão u lizados os três termos: Ø População em situação de rua – para definir o subgrupo que está na rua, mas tem a intenção de sair dela; Ø Moradores de rua – será a definição para os que realmente adotaram a rua como “lar”, e; Ø População de rua – para quando houver necessidade de abranger os dois subgrupos acima, transformando-os em apenas um grupo.

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I N T R O D U C A O

Após serem feitas as observações necessárias para a definição das denominações do grupo e subgrupos, será possível fazer uma análise mais individual dessa classe que, segundo o sociólogo francês Robert Castel rotulou de “os mais vulneráveis desses vulneráveis” (CASTEL apud QUINTÃO 2012, p.18), já que estão no fim do que seria a linha da pobreza.

Figura 01 - Morador de rua. Foto: h p://www.imaginie.com/redacao-moradores-de-rua-nobrasil-uma-questao-social/

Grupo heterogeneo

Muitos, principalmente na área de urbanismo, possuem uma ideia generalizada referente a esse grupo. Acreditam que para esse “povo homogêneo” desprovido de tudo, qualquer coisa e caminho servem. E assim, lhes são ofertados “bene cios” sem um prévio estudo ou apoiados em uma análise superficial, o que torna esse ato ineficiente e ineficaz. Para esse trabalho será feita uma leitura aprofundada e um estudo minucioso para entender a abrangência do tema e estar ciente de que apenas uma proposta de solução para um grupo tão heterogêneo não é o suficiente. É de extrema importância saber para onde se quer ir e aonde se quer chegar para entender quais os meios necessários para alcançar tal obje vo. Sem critérios, podemos acabar como a personagem Alice, da ins gante obra do autor Lewis Carol “Alice no País das Maravilhas”, que se encontra perdida e não sabe qual caminho seguir e, ao ques onar o gato sobre o melhor caminho, o mesmo lhe responde:

“Para quem nao sabe para onde ir, qualquer caminho serve”. 6


R E A L I D A D E

Para conseguir entender aonde queremos chegar, é necessário saber primeiramente onde estamos, qual a situação atual, para posteriormente, traçar as metas que serão u lizadas afim de alcançar o obje vo final. O tema abordado traz com ele a dificuldade de se obter dados precisos, pois esse grupo está em constante alteração territorial, já que não possui endereço fixo. Além disso, ele aparenta ser “omi do” pela sociedade e pelas polí cas públicas. Segundo o dicionário Aurélio: “Omi r”: 1. Proterir, esquecer, postergar, olvidar; 2. Deixar de fazer ou dizer; 3. Deixar de lado, passar em claro. Paula Rochlitz Quintão em sua tese de mestrado, acredita que o termo define essa classe da população de forma mais asser va do que os mencionados no capítulo anterior:

“Este termo, embora não específico para o tema, nos parece apropriado, pois abrange um leque de definições e sentimentos subjetivos que vão além do sentido físico para estes sujeitos preteridos, postergados, no sentido de esquecidos, deixados para serem pensados depois” (QUINTÃO, 2012, p.28)

POPULACAO OMITIDA

Até mesmo trabalhos brasileiros publicados referentes a população de rua são raros. Uma das primeiras obras foi em 1994 “População de Rua – quem é, como vive, como é vista” de VIEIRA; ROSA; BEZERRA. E a primeira contagem de população de rua em São Paulo foi apenas no ano de 2000, realizada pela Fundação Ins tuto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Essa pesquisa foi um marco no direcionamento de pesquisas sobre essa classe, da qual, anteriormente a ela, não constava em nenhum levantamento do Censo, já que o mesmo apenas realizava contagem de pessoas domiciliadas. Logo, esses indivíduos estavam excluídos de todas as esta s cas oficiais.

ESQUECIDA

DEIXADA DE LADO 7


R E A L I D A D E

Outro fator que dificulta o controle dessa população, é a falta de documentação, o que também impossibilita a procura de emprego, bene cios governamentais e até mesmo no momento do sepultamento. O filósofo espanhol Antonio Reyes Mate u liza uma frase de um ministro da jus ça de seu país referente aos imigrantes ilegais: “Para o estado, o imigrante sem papéis não existe”. E o filósofo complementa: “Como não existe, sua morte – em úl ma análise – não fará a menor diferença” (COELIIO apud QUINTÃO 2012, p.54).

Invisiveis ate na morte “O primeiro passo para a degradação definitiva do ser humano é reduzi-lo a isso: um mero ser, sem papéis, sem língua sem mais que a roupa do corpo. Antes que sua aniquilação física seja vista como “natural”, “inevitável” e mesmo “desejável” (afinal, quem tem paciência para conviver com uma escória animalizada?), é preciso ocorrer a sua aniquilação civil” (COELIIO apud QUINTÃO 2012, p. 54). Figura 02: Morador de rua que não conseguiu evitar que sua esposa fosse enterrada como indigente devido a falta de documentos. Foto: Marília Camelo/ BBC Brasil.

“Para o Estado, o imigrante sem papeis nao existe... ...como nao existe sua morte”. 8


L E G I S L A C A O

No ano de 2009 foi ins tuída a Polí ca Nacional para a População de Rua e seu Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento, com o DECRETO Nº 7.053 DE 23 DE DEZEMBRO DE 2009. Ao analisá-lo, é possível observar o longo caminho que ainda deve ser percorrido para que haja o cumprimento da lei. Alguns itens são atendidos, mas a maioria deles deixam a sensação de que não saem do papel. Alguns deles são: Art. 5o São princípios da Polí ca Nacional para a População em Situação de Rua, além da igualdade e equidade: I - respeito à dignidade da pessoa humana; II - direito à convivência familiar e comunitária; III - valorização e respeito à vida e à cidadania; IV - atendimento humanizado e universalizado; e V - respeito às condições sociais e diferenças de origem, raça, idade, nacionalidade, gênero, orientação sexual e religiosa, com atenção especial às pessoas com deficiência. Art. 6o São diretrizes da Polí ca Nacional para a População em Situação de Rua: I - promoção dos direitos civis, polí cos, econômicos, sociais, culturais e ambientais; II - responsabilidade do poder público pela sua elaboração e financiamento; III - ar culação das polí cas públicas federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal; IV - integração das polí cas públicas em cada nível de governo; V - integração dos esforços do poder público e da sociedade civil para sua execução; VI - par cipação da sociedade civil, por meio de en dades, fóruns e organizações da população em situação de rua, na elaboração, acompanhamento e monitoramento das polí cas públicas; VII - incen vo e apoio à organização da população em situação de rua e à sua par cipação nas diversas instâncias de formulação, controle social, monitoramento e avaliação das polí cas públicas; VIII - respeito às singularidades de cada território e ao aproveitamento das potencialidades e recursos locais e regionais na elaboração, desenvolvimento, acompanhamento e monitoramento das polí cas públicas; IX - implantação e ampliação das ações educa vas des nadas à superação do preconceito, e de capacitação dos servidores públicos para melhoria da qualidade e respeito no atendimento deste grupo populacional; e X - democra zação do acesso e fruição dos espaços e serviços públicos. 9


Q U A N T I T A T I V O S

Dados e publicações referentes a essa população são raros e muitos são imprecisos. Para uma análise quan ta va do tema, a base foi a pesquisa realizada no município de São Paulo pela FIPE, pois além de ser uma das mais precisas, o município analisado é o mais próximo ao de São João da Boa Vista. Com fundamento nos dados levantados, podemos observar a triste realidade referente a essa classe de pessoas. Em 15 anos de pesquisas, o número da população nessa situação pra camente dobrou, como podemos analisar na tabela 1. O Censo 2009/2010, dividiu as “pessoas em situação de rua” em dois subgrupos: “Moradores de Rua”: pessoas que não têm moradia e que pernoitam nas ruas, praças, calçadas, marquises, jardins, embaixo de viadutos, mocós, terrenos baldios e áreas externas de imóveis “Acolhidos”: Pessoas que, também não possuem moradia, mas pernoitam em albergues ou abrigos. (FIPE, 2009/2010, arquivo 2, p.2). Com essas informações, é possível analisar a tabela ao lado. Nota-se que o número de pessoas acolhidas, ao decorrer dos anos, se tornou maior que o número de pessoas sem acolhimento. Porém, mais de 7 mil pessoas ainda carecem de moradias.

Tabela 01: h p://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/observatorio_social/2015/censo/FIPE_smads_CENSO_2 015_cole vafinal.pdf

Tabela 02: h p://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/observatorio_social/2015/censo/FIPE_smads_CENS O_2015_cole vafinal.pdf

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Q U A N T I T A T I V O S

Homens são a grande maioria nas ruas (82%), mas ainda existem muitas mulheres nessa situação (14,6%), podendo incluir até crianças, como pode ser visto na tabela a seguir, a qual consta 403 crianças (até 11 anos de idade) entre acolhidos e os que pernoitam na rua, ou seja, famílias inteiras sem ter um lar de verdade.

Tabela 03: h p://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/observatorio_social/2015/censo/FI PE_smads_CENSO_2015_cole vafinal.pdf

Tabela 04: h p://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/observatorio_social/2015/censo/FIPE_sma ds_CENSO_2015_cole vafinal.pdf

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C A U S A S

A população de rua é um grupo completamente heterogêneo, o que possivelmente é uma consequência dos variados mo vos que levaram essas pessoas chegarem às ruas. Geralmente, as pessoas em situação de rua se encontram nela devido a elementos essenciais que lhes foram rados, negados ou perdidos, e possivelmente irão se re rar das ruas assim que tais elementos lhes forem res tuídos. Nesse caso, Paula Rochlitz Quintão, indica alguns mo vos que incen vam o ingresso dessas pessoas às ruas: "Algumas destas causas são mais palpáveis e, portanto, nesse caso, citadas pelos entrevistados nos Censos: desemprego; perda de moradia, rompimento de laços familiares; imigração”. (QUINTÃO, 2012, p.53) A autora complementa em sua pesquisa que existem também outras causas, porém são mais di ceis de mensurar, como: doenças, problemas de saúde mental, alcoolismo, drogadição, fuga da polícia, entre outros. Na maior parte dos casos, as pessoas que ingressam na rua por esses mo vos, são as que tem maior dificuldade em sair dela.

“ Perdi meu pai e minha mãe. Minha filha morreu de câncer. Sou formado em educação física, mas não tenho mais projeto de vida. Moro aqui há nove meses. A polícia só leva nossos cobertores” (SEM TETO faz maloca debaixo da Câmara, apud QUINTÃO, 2010)

PERDA DE MORADIA

ROMPIMENTO DE LACOS FAMILIARES

IMIGRACAO 12


Quintão ainda cita que:

C A U S A S

“De acordo com a Pesquisa Nacional sobre a População de Situação de Rua (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2008), entre as “Razões da ida para a rua” (“Trajetória na Rua”), os principais motivos pelos quais essas pessoas passaram a viver e morar na rua se referem aos problemas de alcoolismo como também (35,5%); desemprego (29%) e desavenças com pai/mãe/irmão (29%). Dos entrevistados no censo, 71,3% citaram pelo menos um desses três motivos (que podem estar correlacionados entre si ou um pode ser consequência do outro).” (QUINTÃO, 2012, p. 53) (Figuras 3 e 4).

AUTONOMIA

PRIVACOES

LIBERDADE

Figura 03: Usuário de Crack na cracolândia. Foto: Werther Santana / Estadão

Figura 04: Morador de rua dorme ao lado de garrafa de álcool combus vel na praça no centro de Campinas - SP. Foto: Elcio Alves/Correio Popular

“A tragédia não é quando um homem morre, a tragédia é o que morre dentro de um homem quando ele está vivo.” (Albert Schweitzer)

Algumas pessoas acreditam que a rua traz uma sensação de “liberdade” e por isso nela querem permanecer, porém, qual liberdade pode-se ter diante a tantas privações que a mesma estabelece? Para haver liberdade é necessário exis r autonomia, não apenas a garan a de bens primários, mas condições que possibilitem a busca pela vida que almejam. 13


D A D O S E M S J B V

O município de São João da Boa Vista – SP, possui um controle da população de rua através da Assistência Social, da qual tem o obje vo de:

“Prover a garantia dos mínimos sociais, a inclusão e o desenvolvimento da pessoa humana; tarefa que executa diretamente por meio de programas e projetos e indiretamente por meio da sua capacidade de articulação como as outras políticas sociais existentes no município.” - (http://assistenciasjbv.blogspot.com.br/p/quem-somos-nos.html) A responsável por esse órgão na cidade é a Ilma. Sra. Eliane Buciman de Lima Ros, e sua equipe conta com uma psicóloga, um assistente social e 2 estagiários. Os estagiários realizam rondas supervisionadas, denominadas de “abordagem social”, onde é feito o contato com essa população (Figura 05). O intuito dessa abordagem é ir até as pessoas que estão na rua e convidá-las para o atendimento na Sede da Assistência Social, na tenta va de sensibiliza-las a fazerem os atendimentos e tratamentos disponibilizados pelo município, porém há uma certa dificuldade de alcançarem esse obje vo, pois quando a abordagem é feita, a maioria dos indivíduos não está sóbria. Segundo a psicóloga Thálita, em uma conversa com um morador de rua, o mesmo afirmou que: “É impossível morar na rua de cara limpa”. O atendimento a essa população engloba também os imigrantes, porém, os mesmos não possuem prontuários, apenas preenchem uma ficha de atendimento.

Figura 05: Abordagem dos estagiários da Assistência Social aos moradores de rua. Foto: Elder Ribeiro/ EPTV.

“E IMPOSSIVEL MORAR NA RUA DE CARA LIMPA”. 14


D A D O S

A Assistência Social (Figura 06) possui apenas 20 prontuários a vos, mas ao nos deslocarmos pela cidade, observamos empiricamente que o número da população de rua é muito maior. O que indica a falta de interesse de muitos em ao menos procurar um serviço de auxílio. Entre as 20 pessoas com prontuários cadastrados, 18 são homens e 2 são mulheres. Ao observarmos os dados citados acima, dos quais possuem certa discrepância com a realidade do município, é possível perceber que o item III do Art.7º do Decreto Nº 7.053 de 23 de DEZEMBRO DE 2009, não é pra cado: “ins tuir a contagem oficial da população em situação de rua”.

E M S J B V

Em São João da Boa Vista, assim como na cidade de São Paulo (u lizada como referência para a pesquisa), os principais mo vos para o ingresso dessas pessoas às ruas, segundo a psicóloga Thálita, gira em torno da drogadição, álcool, perda de vínculo com a família, perda de trabalho e problemas mentais. A permanência das pessoas na rua, altera seu comportamento. Quanto mais tempo nela, mais complicado fica a sua possibilidade de saída, além de mo var transtornos psicológicos. Dessa maneira, fica pra camente impossível iden ficar se o mo vo de estarem na rua foi devido a um problema de saúde mental ou se esse problema se desenvolveu durante sua permanência nas ruas. Dessa forma, incen vos devem ser feitos para que as pessoas em situação de rua saiam o quanto antes, caso contrário, muito provavelmente acabarão por adotar a rua como morada.

"A contagem só é feita por meio de números que chegam pela assistência e pela população encontrada nas praças e vias mais movimentadas. Mas a população de rua também está em terrenos baldios, buracos, lixões e outros lugares em que a assistência não chega", diz Leonildo Monteiro, do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). Figura 06: Assistência Social de São João da Boa Vista SP. Foto: Acervo do Autor

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Pensando nisso, a Assistência Social promove alguns projetos, como o Mu rão Social, que tem parceria com albergue e o CAPS Álcool e Droga (AD), mas somente a população de rua do município pode par cipar, onde realizam a vidades colabora vas e recebem remuneração pelo dia de serviço prestado (FIGURA 7). A assistência Social possui uma parceria com o Cipregim e com o Teatro municipal, onde esses moradores executam as tarefas sugeridas. A princípio, somente a prefeitura aceitou essa parceria, pois ins tuições privadas ainda possuem bastante resistência.

D A D O S

“Além de vir trabalhar aqui, eu frequento o Caps e a reunião de apoio. Eu tenho esperança em mim, abri a mente para o futuro, para viver. A vida é maravilhosa, a vida é linda”. (Moradora de rua Lúcia Helena Domingos) Figura 07: Após perder a guarda dos filhos, Lúcia Helena Domingos aceitou ajuda. Foto: Eder Ribeiro/EPTV.

E M S J B V

Figura 08: Inauguração do Centro POP em Poços de Caldas. Fonte: h p://www.pocosdecaldas.mg.gov.br/site/?p=23644

Existe a intenção de criar um local chamado “Centro POP” Centro de Referência Especializado no Atendimento à População em Situação de Rua, do qual é um serviço pificado que funciona em alguns municípios como, por exemplo, Poços de Caldas - MG (Figura 8), das 8h00 às 18h00, de segunda a sexta-feira, com atendimentos técnicos, oferece serviços para emissão de documentação, banho, café da manhã, lavagem de roupas, almoço, café da tarde, atendimento especializado aos imigrantes, além de oficinas de artes, pintura música e horta. O município de São João da Boa Vista não atende alguns requisitos necessários para implantar o projeto, como por exemplo, a questão de habitantes da cidade, que segundo a psicóloga Thálita da Assistencia Social: “é menor que o necessário, além de envolver uma série de gastos que ainda não possibilitam a estruturação desse serviço no município.” 16


E S M O T L X R A A B A L H O

A Assistência Social afirma que a maioria dos indivíduos não se interessa em trabalhar, pois além dos problemas já citados, existe o costume da contribuição de esmolas na cidade (Figura 9). Apesar de haver trabalhos de conscien zação para que a população não dê esmolas (Figura10), ainda assim é grande o número de pessoas que acreditam estar ajudando quando agem dessa forma. A psicóloga da Assistência Social defende a ideia de que essa a tude apenas reforça o comportamento dos indivíduos a con nuarem nas ruas, pois dessa maneira não há regras, horários e nem a necessidade de darem sa sfação a alguém. O nível de escolaridade da grande parte dessa população é o fundamental incompleto e o contato que poucos possuem com parentes, de acordo com a psicóloga Thálita, é muito “frágil e pobre”.

“CONTATO Um dado posi vo é que a maioria dos indivíduos possui documentação, e inclusive fazem questão FRAGIL em ter. AlgunsE documentos ficam arquivados na Assistência Social a pedido dos próprios moradores, junto aos seus prontuários para que não os percam, já que grande parte deles raramente está sóbrio e a possibilidade de perder o documento é grande.

Figura 09. Morador de rua recebendo esmola no centro de São João da Boa Vista. Foto: Elder Ribeiro/ EPTV.

POBRE”

Figura 10. Informa vo localizado na praça Joaquim José em São João da Boa Vista - SP. Foto: Elder Ribeiro/ EPTV.

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C O N C E N T R A C A O

A população de rua é flutuante, não possui uma localização fixa, pois se desloca a maior parte do tempo e essa é uma de suas principais caracterís cas. Os funcionários da Assistência Social acreditam que seja devido ao incômodo social, pois as possibilidades na área se esgotam e as reclamações dos moradores aumentam. As poucas pessoas que ajudavam com doações de roupas ou comida, param de ajudar. A maioria da população de rua está na localidade central, mas existe um rodízio entre os pontos mais u lizados por eles. Percebemos que os pontos em que há concentração de população de rua segue uma rota próxima aos pontos de atendimento, como Albergue e Assistência Social. Outros pontos com concentração de população de rua é na entrada da cidade, próximos à Rodoviária (Mapa 01).

LEGENDA PRAÇA DO ROSÁRIO PRAÇA CORONEL JOAQUIM JOSÉ PRAÇA DO PERPÉTUO POLICLÍNICA EM FRENTE AO CEMITÉRIO RODOVIÁRIA Mapa 01. Mapa das localizações dos moradores de rua de São João da Boa Vista - SP. Foto: Google Earth - Alterada pelo Autor.

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V I S I T A T E C N I C A

O local escolhido para a visita técnica foi o Centro de Convivência Boraceia, localizado na Barra Funda em São Paulo. Tal projeto havia sido u lizado também como uma das referências para o desenvolvimento desse trabalho devido ao conceito u lizado ser semelhante ao que será abordado neste Trabalho Final de Curso. An gamente era apenas um albergue com mais de 17.000m² (Figura 11), mas devido a várias denúncias por falta de higienização (leitos infestados de muquiranas/piolhos), pessoas deitadas no chão por não haver vagas suficientes e tratamento inadequado aos frequentadores, a prefeitura abandonou o an go albergue e reformulou toda a área. Hoje funciona um complexo composto por 7 serviços. Cada serviço possui um obje vo específico: um deles é denominado Espaço Núcleo de Convivência , onde os moradores, tanto os que pernoitaram no Centro de Acolhida (outro serviço oferecidos no complexo), quanto os que dormiram na rua, passam o dia para que não fiquem ociosos. Os outros serviços são os Centros de Acolhida (an go albergue) e se dividem em duas categorias: 1º - Os serviços que funcionam 24 horas, pois atendem idosos, acamados e pessoas com mobilidade reduzidas. Possui espaço para banho, alimentação, sala de TV, leitos e enfermaria. Seu público é fixo e, como o próprio nome já diz, podem ficar dentro dele 24 horas. 2º - São os serviços de 16 horas, onde entram às 16h00, podem tomar banho, jantar, repousar, tomam café da manhã e deixam o serviço às 08h00 do dia seguinte. Os usuários desses dois serviços possuem vaga fixa e são apenas homens. As regras são as mesmas para todos os centros de acolhidas: não podem se alcoolizar ou u lizar drogas e não podem se envolver em conflitos.

Serviço 16 horas

Serviço 16 horas

Atual Espaço Núcleo

Figura 11: Planta da An ga Oficina Boracéia. Fonte: NIGRO, Ana Paula, Arquitetura da Inclusão. Trabalho Final de Graduação. Mackenzie, 2015.

Serviço 24 horas

Cozinha e Refeitório

Serviço 24 horas

A visita foi permi da a apenas um serviço - o Espaço do Núcleo de Convivência. Esse núcleo é aberto pela manhã, sendo possível que os moradores tomem banho, lavem suas roupas, par cipem de oficinas sócio-educa vas diárias, almocem das 11h30 às 13h00. A tarde podem ficar até às 19h00. Algumas a vidades sócio educa vas são pra cadas nas salas de oficinas, como curso de mecânica de bicicleta, oficina de sabonete, informá ca e empregabilidade, entre outras, porém as mesmas são muito pequenas e algumas vezes, existe a necessidade de transferir as oficinas para o pá o. Nesse pá o fazem cultos, missas, recebem a visita de profissionais do Poupa-Tempo, palestras do Senac/Senai, atendimento social, karaoquê, etc. O foco do atendimento são as pessoas que estão nas ruas, porém famílias das comunidades carentes também são atendidas esporadicamente. Observamos com a planta an ga abaixo, que mesmo criando novos usos para o espaço, a estrutura permaneceu a mesma. 19


V I S I T A T E C N I C A

Figura 12: Corredor de ligação para o pá o.

O corredor de entrada é bem iluminado devido as telhas de polipropileno translúcidas. Essa iluminação possibilita a vegetação localizado ao lado esquerdo. Ao lado d i re i to, h á v i d ro s q u e promove a conec vidade entre o corredor X pá o.

Corredor de ligação para as 3 salas de assistência. Cada uma acomoda uma assistente social, mais 2 pessoas. cada uma possui aproximadamente 20m².

Figura 15: Corredor de ligação para salas de assistência.

Os banheiros são pouco iluminados, ven lados e bem úmidos, pois a demanda é grande e com isso não há tempo suficiente para o escoamento total da água. Apenas a noite, quando os portões são fechados, a higienização é realizada.

Figura 13: Sanitário

Figura 16: Lavanderia

Figura 17: Cozinha

Diagrama 01: Planta de parte da An ga Oficina Boracéia. Fonte: NIGRO, Ana Paula, Arquitetura da Inclusão. Trabalho Final de Graduação. Mackenzie, 2015. (Altarada pelo autor).

A Lavandaria possui quatro tanques na área externa e uma cobertura translúcida. A cozinha é pequena, pois é u lizada apenas para a distribuição de marmitas aos moradores. Há uma abertura frontal, onde as marmitas são distribuídas e duas passagens: uma frontal e outra que faz ligação com a parte de trás do setor.

O pá o central é amplo (aproximadamente 30m x 15m), mas pouco ven lado. Há grande incidência de iluminação natural, devido às telhas de polipropileno translúcidas. Atualmente 350 pessoas almoçam nesse setor. Figura 14: Pá o

As salas de oficinas são pequenas e não possuem ven lação. A única fonte de entrada de luz natural e ven lação é pelas portas.

Figura 18: Sala de oficina 1

Figura 19: Sala de oficina 2 Figura 20: Sala de oficina 3

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P R O P O S T A

DETURPACAO PARA A IMAGEM DA CIDADE

A população de rua é uma das parcelas da sociedade mais necessitadas da atuação do poder público e, ao mesmo tempo, é muitas vezes esquecida na hora de formularem as polí cas sociais. Esse é um problema social que, de tão presente no dia a dia das cidades corre o risco de ser indevidamente visto como insolúvel. Vários fatores contribuem para o isolamento desses indivíduos, já que são vistos como uma deturpação à imagem da cidade. Parte da sociedade acredita que devem permanecer escondidos e empurrados para longe de seus quintais e de suas casas. A cidade e o Estado possuem alguns mecanismos implícitos de evacuação através da expulsão e reenvio à cidade de origem ou de maneira explícita, como super cies irregulares, grades, bancos convexos que os impedem ou os limitem de qualquer descanso. Nas cidades brasileiras, observamos apenas um amparo momentâneo a essas pessoas e um deles recebeu o nome de albergue, que na sua definição significa: “Refúgio para pernoitar ou repousar”. Mas essa não é uma solução defini va, é apenas uma forma de camuflar o problema.

Figura 21: Albergue em São João da Boa Vista - SP. Foto: Eder Ribeiro/EPTV.

Figura 22: Regulamento interno Figura 23: Leitos do Albergue do Albergue em São João da em São João da Boa Vista - SP. Boa Vista - SP. Foto: Eder Foto: Eder Ribeiro/EPTV. Ribeiro/EPTV.

Figura 24: Morador de rua em Figura 25: Morador de rua São João da Boa Vista - SP. Foto: pedindo esmola em São João Eder Ribeiro/EPTV. da Boa Vista - SP. Foto: Eder Ribeiro/EPTV.

Figura 26: Morador de rua dormindo na calçada em São João da Boa Vista - SP. Foto: Eder Ribeiro/EPTV.

PROBLEMA SOCIAL VISTO COMO INSOLUVEL 21


A intenção desse trabalho é u lizar a arquitetura para desmis ficar o status de albergue como espaço somente de repouso e transformá-lo em um território com valor de lar, buscando elementos que auxiliem o indivíduo na passagem da condição de excluído para sua reinserção na sociedade. Resgatar sua iden dade, dignidade e cidadania. Para isso, foram feitos 3 estudos de casos na p r i m e i r a e t a p a d o t r a b a l h o ( l i n k h ps://issuu.com/camilabomfa/docs/estudos_de_caso___camila_bomf__), onde foram e ainda serão extraídas várias referências, tanto projetuais como conceituais para que o obje vo da proposta seja alcançado. As necessidades das pessoas não se limitam apenas em uma cama para dormir. E albergues, por mais que sejam importantes para aqueles que estão nas ruas, funcionam apenas como um amparo momentâneo.

Vários itens do ar go 7º do DECRETO 7.053 deixam claro a intenção do projeto proposto: V - desenvolver ações educa vas permanentes que contribuam para a formação de cultura de respeito, é ca e solidariedade entre a população em situação de rua e os demais grupos sociais, de modo a resguardar a observância aos direitos humanos; VI - incen var a pesquisa, produção e divulgação de conhecimentos sobre a população em situação de rua, contemplando a diversidade humana em toda a sua amplitude étnico-racial, sexual, de gênero e geracional, nas diversas áreas do conhecimento; XI - adotar padrão básico de qualidade, segurança e conforto na estruturação e reestruturação dos serviços de acolhimento temporários, de acordo com o disposto no art. 8o; XIII - implementar ações de segurança alimentar e nutricional suficientes para proporcionar acesso permanente à alimentação pela população em situação de rua à alimentação, com qualidade; e XIV - disponibilizar programas de qualificação profissional para as pessoas em situação de rua, com o obje vo de propiciar o seu acesso ao mercado de trabalho.

P R O P O S REINSERCAO NA SOCIEDADE DIGNIDADE T A “Embora vulneráveis, se lhes forem ofer tadas oportunidades que alavanquem sua saída da vida nas ruas, provavelmente ele o fará. ”(QUINTÃO, 2012, p55)

A princípio, o intuito é dar início ao projeto em um município menor, para que possa ser analisado, estudado, corrigido e então ser projetado em diferentes escalas e inserido em outros locais, inclusive e principalmente nos grandes centros urbanos.

RESGATE DA IDENTIDADE

CIDADANIA 22


E N S I N A A R P E S C A R

COOPERATIVA OFICINAS Tal estudo está ligado ao combate à pobreza e os

Com base no provérbio que diz “Não dê o peixe, ensine a pescar”, foi publicada na revista EXAME (CALEIRO, 2015) uma matéria referente a um estudo conduzido por um grupo internacional de 9 economistas de renomadas universidades internacionais. O projeto se chama “Gradua on” e contou com 10.495 par cipantes de 6 países diferentes indicados como “os mais pobres dos pobres”, aonde metade deles sobreviviam com US$ 1,25 por dia. Primeiro, os par cipantes podiam escolher um “a vo produ vo” – como gado, galinhas ou ovelhas – e par cipavam de treinamentos para lidar com ele. As famílias também recebiam um apoio financeiro ou alimentar por um período de 4 a 13 meses. Todos ganhavam acesso a uma conta poupança, e alguns eram obrigados a fazer depósitos.

princípios u lizados em sua estratégia podem estar ligados diretamente com a proposta do tema abordado nesse trabalho. No caso, a proposta é: “dar o peixe” E também “ensinar a pescar”, uma combinação das duas sugestões, aonde não haverá apenas o leito, a comida e o banho, mas também ferramentas que colaborem e incen vem o crescimento com a possibilidade real da recons tuição do indivíduo, construindo a autonomia e reinserindo-o no convívio social àqueles que es verem dispostos – pessoas em situação de rua.

“A ideia é dar um “grande empurrão”, por um período limitado de tempo, com a esperança de destravar a armadilha da pobreza”, diz o estudo. Haverá oficinas profissionalizantes, salas de aulas e Em outras palavras: dar o peixe, a vara e o tempo para que a pessoa aprenda a pescar sem morrer de fome no caminho. O resultado foi que um ano após o fim da intervenção e 36 meses após a transferência do a vo, 8 dos 10 índices con nuavam apresentando ganhos consideráveis. Ainda segundo a reportagem, a renda e receita eram significa vamente maiores do que no grupo de controle e o consumo era maior em todas as famílias afetadas. E mais: o retorno sobre o inves mento foi posi vo, já que o dinheiro injetado na economia local superou o gasto inicial.

uma coopera va que abrangerá tanto a população de rua quanto pessoas de baixa renda. A coopera va será uma forma de gerar renda para os usuários e também para o próprio local. Já aos que não se interessam em se re rar das ruas, deverão ser propostas alterna vas na tenta va de acomodar essa população no município, já que para essa parcela, o trabalho proposto pode não ser tão efe vo.

SALAS DE AULA 23


L O C A L I Z A C A O

A prioridade da escolha do terreno foi a localização. O local deveria ser central e próximo aos principais pontos da cidade dos quais estariam dentro do contexto de uma ro na diária da população, para que dessa maneira haja maior visibilidade à existência desses indivíduos, ao invés de esconde-los e omi -los. A centralidade e a rota de acesso devem estar em suas imediações. Além disso, é necessário que haja sistema de luz, água e esgoto. Dessa forma, a área distantes do centro não estavam dentro da proposta.

OPÇÃO 1 A princípio, eram três as opções de escolhas de terreno: 1ª opção - Terreno localizado na via coletora São Geraldo, de propriedade da igreja do Perpétuo Socorro, próximo ao Albergue municipal. O terreno em questão fica ao lado da igreja. Nele há plantações de árvores fru feras que podem ser facilmente realocadas para outro espaço e muitas podem ser inclusas no projeto proposto. Não é uma área considerada comercial, mas as áreas próximas são movimentadas devido a ro na da igreja, além de serem u lizadas por fieis que possivelmente estão dispostos a colaborar, compreender e enxergar essa realidade de um modo diferente.

Mapa 02: Localização da 1ª opção de terreno.

24


L O C A L I Z A C A O

OPÇÃO 2

2ª opção - Terreno central localizado na Rua Olaia. Próximo à Avenida Dona Gertrudes da qual é uma via coletora, de mão dupla separada por canteiro central e faixa duplicada, localizada no centro da cidade possui comércio em toda sua extensão. A pologia nas construções tem uma caracterís ca predominante, térreo comercial e pavimentos superiores com apartamentos. O fato desse terreno estar inserido dentro de uma área comercial, contribui para o sucesso do projeto, já que o intuito é que a parte frontal dele seja composta por lojas. Outra caracterís ca posi va é a densidade acentuada da área que possibilita grande visibilidade ao empreendimento.

3ª opção - Terreno localizado na via coletora Dom Pedro II, com fundos para a Rua Professora Maria José Pavan, próximo à praça Coronel Joaquim José. Uma das poucas áreas centrais que ainda está parcialmente desocupada, além de estar próxima à uma praça com grande movimento de pessoas e inclusive de população de rua.

OPÇÃO 3 Mapa 03: Localização da 2ª e 3ª opções de terreno.

25


E N T O R N O

O terreno definido para o projeto foi o da 1ª opção. Localizado ao lado da igreja Perpétuo Socorro, na Rua São Geraldo. As opções 2 e 3 contavam com vários fatores posi vos, porém, a opção escolhida possui um público frequente, já que a igreja ao lado é uma das maiores do município. Um raio de 300m foi es pulado (Mapa 04)para que uma analise do entorno seja realizada, ou seja, uma área de 183.936m².

Diagrama 02: Usos do solo

Mapa 04: Limitação do raio para o estudo do entorno. Fonte: Google Earth - Alteração do Autor

No polígono estudado, é possível perceber que a predominância na área são de residências, das quais ocupam 63% do solo. Em sequência estão as áreas verdes, que incluem praças e terrenos vazios. Os comércios estão em 3º lugar com 13% da ocupação, seguidos pelas ins tuições e após, os usos mistos (Gráfico 1).

Gráfico 01: Usos do Solo

26


E N T O R N O

Na área de 183936m² , o domínio é de gabaritos térreos, dos quais representam 78.93% das construções. Construções de 1 pavimento ocupam 16,25%. Em seguida, os de 2 pavimentos com 2,68%, 3 pavimentos com 0,56% do total construído e apartamentos com 10 e 12 pavimentos com 0,48% e 1,10% respec vamente (Gráfico 2).

Gráfico 02: Gabaritos

Diagrama 03: Gabaritos.

Gráfico 03: Cheios e Vazios

Diagrama 04: Cheios e Vazios

A circunferência analisada está localizada em uma área central. Por esse mo vo, é uma área mais densa, porém ainda assim é possível encontrarmos vazios urbanos, que ocupam 12% do solo (Gráfico 3).

27


T O P O G R A F I A

ENTORNO

TERRENO PROPOSTO DESNÍVEL DE 5,50m

ENTORNO

96.46 m

CORTE DO TERRENO Diagrama 05. Corte da topografia da área Mapa 06: Curvas de nível da localização. Fotos: Google Earth - Alterado pelo Autor

São João da Boa Vista está na região cristalina da Serra da Man queira e próxima à depressão Periférica, que está a oeste do município, em direção a Aguaí. A cidade ocupa as primeiras colinas dessa área, que, se elevam grada vamente, até o chamado planalto de Poços de Caldas. As colinas urbanas possuem em média al tudes de 730 metros. Este sí o urbano, acidentado, explica a irregular malha urbana de São João da Boa Vista. O terreno proposto, faz jus a essa irregularidade existente, porém moderada. Possui um declive de 5,50m em uma extensão de 96,46m.

Figura 33: Ilustração em planta da topografia da área

29


O terreno definido para o projeto foi a 1ª opção. Localizado ao lado da igreja Perpétuo Socorro, na Rua São Geraldo. Possui uma área de 6090m². O terreno é arborizado e sua predominância são árvores fru feras, que serão aproveitadas no projeto ou realocadas em locais a serem analisados.

T E R R E N O Mapa 05: Implantação do terreno. Foto: Google Earth

Figura 27: Vista do terreno

Figura 28: Vista do terreno

Figura 29: Vista do terreno

Figura 30: Vista do terreno

Figura 31: Vista do terreno

Figura 32: Vista do terreno

Fotos 27a 32: Acervo do Autor

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R E F E R E N C I A

C O O P E R A T I V A

A coopera va proposta será de pequeno porte, voltada para o reaproveitamento do lixo inorgânico composto por papéis, plás cos, metais, couros tratados, tecidos, vidros, madeiras, isopor, parafinas, cerâmicas, porcelanas, espumas, cor ças, etc, coletados apenas pela população de rua e população carente. Na coopera va será feita a triagem desses resíduos para serem aproveitados nas próprias oficinas do local e/ou u lizados para confecção de artesanatos para serem comercializados. Dessa forma, a área des nada à coopera va não será extensa e tão pouco ocasionará transtornos ao entrono, já que serão tratados apenas resíduos secos e em escala reduzida, já que o local será des nado ao atendimento de aproximadamente 40 pessoas. Para haver um embasamento no dimensionamento da coopera va, algumas referências e estudos foram analisados. O site Arquiteturas Contemporâneas de 2012 apresenta um panorama referente ao tratamento de resíduos sólidos naquela época. Antes de mais nada, a reportagem reforça o que já é de conhecimento da grande maioria da população: Melhor do que qualquer descarte, a reciclagem contribui para uma cidade limpa, geração de empregos e renda, e reduz a u lização de fontes naturais, uma vez que muitos materiais podem ser reciclados. A reportagem apresenta um exemplo de um projeto na Lapa - SP localizado em um terreno de 3.202m², onde foi construído um galpão de 1.148m², com pé direito duplo. No diagrama 06 podemos observar de que maneiras os setores foram divididos. Outra referência de estudo de volume foi o da Arquiteta e Urbanista Silvia Lovemberguer que na tabela ao lado apresenta uma análise realizada para seu Trabalho Final de Graduação de 2012, referente aos espaços internos de um galpão para reciclagem que terá aproximadamente 40 funcionários.

Diagrama 06: Etapas de trabalho. Fonte: h ps://arquiteturascontemporaneas.wordpress.com/2012/08/page/2/

Tabela 05: Programa de Necessidades referente a um projeto de Centro de Triagem e Reciclagem de Lixo. Fonte: h p://silvialovemberger.blogspot.com.br/ (Modificado pelo Autor).

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P R O G R A M A

N E C E S S I D D A E D E S

Foram analisados alguns espaços entre coopera vas e abrigos, onde as dimensões e funcionalidades são eficientes e possuem fluidez, dessa forma foram u lizados como análise para o programa de necessidades, u lizando os valores para a escala do projeto proposto. Ressaltando que essas medidas foram u lizadas como base para o desenvolvimento do programa de necessidades e para determinar a dimensão do projeto no terreno, podendo haver alterações no momento do desenvolvimento do projeto. Qtd. max. de usuários / DIA 30 30

300m²

ÁREA ÍNTIMA DOS USUÁRIOS

270 30

6 Leitos 6 Sanitários

O único setor ligado diretamente aos moradores de rua é a área ín ma, que inclui leitos, sanitários, áreas de acesso aos leitos e jardim/circulação. Essa área é de uso exclusivo dos moradores. Será dividida em 6 dormitórios de 23,40m² com 4 beliches cada, incluindo um quarto para abrigar uma família de até 8 pessoas.

Tabela 06: Programa de Necessidades da área ín ma

Qtd. max. de usuários / DIA 60 20 10

812m² 227

15

360

5 25

25 200

ÁREA COMUM Auditório/ Sala de reunião Sala de jogos tv Quadra poliesportiva/ área para eventos externos Lavanderia Refeitório

A área comum foi pensada para que haja uma possível interação entre os usuários. Desde os moradores de rua, os funcionários do local, usuários da coopera va e possíveis visitantes.

Tabela 07: Programa de Necessidades da área comum

Qtd. max. de alunos / aula 20 8 5 5

400m²

200

5

100

5

100

ÁREA DE ATIVIDADES PROFISSIONAIS Sala de aula Sala de informática Sala de carpintaria Espaço para aula de elétrica Espaço para aula de técnicas construtivas Espaço para aula de CULTIVO

A área de a vidades profissionais será voltada para aulas, cursos profissionalizastes e oficinas gerais. O espaço terá capacidade para abranger 48 alunos simultaneamente, u lizando uma média de 400m². O espaço é denominado grande, se compararmos aos números de pessoas, porém ele abrangerá o espaço de cul vo e técnicas constru vas, das quais ocuparão um espaço maior, já que incluem área externa.

Tabela 08: Programa de Necessidades da área de a vidades profissionais

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P R O G R A M A

N E C E S S I D D A E D E S

Qtd. max. de usuários / DIA 5

250m²

APOIO

65 25 10

Cozinha Sanitários Despensa

10

50

Estacionamento p/ carretinhas

8 8

50 50

Canil Enfermaria

Qtd. max. de usuários / DIA 70 15 20 20 4 3 10

140m² 9 50 9 8 18 20 25

SETOR ADMINISTRATIVO Hall de entrada Sala de espera Recepção 2 Sanitários Administração Assistência Social Copa

Tabela 12: Programa de Necessidades da área do setor administra vo

Tabela 09: Programa de Necessidades da área de apoio

Qtd. max. de usuários / DIA

880m²

COOPERATIVA

10 20

150 150

20

150

15

150

10

150

Pátio de recepção de lixo Pátio de triagem Armazenamento de materiais separados Galpão de compactação Armazenamento de materiais compactados

-

30

Almoxarifado

-

20

Copa

3

30

Administrativo/ Pequenas Reuniões

-

50

Sanitários/Vestiários

O Apoio será u lizado principalmente pelos colaboradores locais, com exceção do estacionamento para carriolas, que comportará até 10 veículos de mão.

O setor administra vo será pensado para receber os moradores de rua, colaboradores, usuários da coopera va e visitantes.

A Coopera va será um espaço para atender uma média de 85 pessoas, que terá como prioridade os moradores de rua (frequentadores ou não do setor ín mo), mas comportará também as famílias de baixa renda e colaboradores locais.

Tabela 10: Programa de Necessidades da área da coopera va

Qtd. max. de usuários / DIA 1 2 40 10

670m² 24,5 24,5 98 343 180

ÁREA COMERCIAL Sanitários Caixa Escritório Área de exposição Estacionamento

A área comercial será voltada para a comercialização e exposição dos trabalhos realizados na coopera va. Possuirá um local de destaque, pois será o ponto de ligação principal entre o espaço interno e externo.

Tabela 11: Programa de Necessidades da área comercial

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S E T O R I Z A C A O

SETOR ADMINISTRATIVO

ÁREA COMUM ÁREA ÍNTIMA DOS USUÁRIOS APOIO ÁREA COMERCIAL ÁREA DE ATIVIDADES PROFISSIONAIS COOPERATIVA Diagrama 08: Esquema de possível setorização do projeto.

A princípio, o projeto a ser desenvolvido terá uma taxa de ocupação de 58,16%, já que possuirá um total de área construída de 3542m². A maior área será des nada à coopera va, que estará próxima à área comercial, já que o des no final da produção será a comercialização e/ou exposição dos produtos. O setor administra vo estará localizado ao lado da área comercial, à frente do terreno, pois funcionará também como recepção e área de atendimento aos visitantes. Os dormitórios estarão localizados ao fundo do terreno, o que proporcionará maior privacidade aos usuários. Os setores profissionalizantes, comuns e de apoio, estarão dispostos no centro do terreno, promovendo maior interação entre os frequentadores.

Gráfico 04: Setorização

33


E S T U D O D M E A S S A S

No plano de massas é possível observar que a opção será a construção de blocos que irão separar os setores, como dormitórios, salas de aula, coopera va, lojas, etc. Há a previsão da formação de caminhos entre os blocos gerando um passeio entre eles. Além disso, a separação modular contribuirá com a ven lação e maior barreira sonora entre cada bloco.

IGREJA EXISTENTE

ÁREA DE INTERVENÇÃO

Diagrama 07: Programa de Necessidades da área da coopera va

RESIDÊNCIAS EXISTENTES

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S

N

C L I M A

Diagrama 09: Clima zação. Fonte: Do Autor.

Diagrama 10: Chuva orográfica. Fonte: h ps://www.infoescola.com/meteorologia/ pos-de-chuvas/

Figura 34: Zona Bioclimá ca 4. Fonte: NBR 15220, p. 06.

ESTAÇÃO

VERÃO

INVERNO

ESTRATÉGIA DE CONDICIONAMENTO TÉRMINCO PASSIVO H) Resfriamento evaporativo e Massa Térmica para resfriamento J) Ventilação seletiva (nos períodos quentes em que a temperatura interna seja superior à externa). B) Aquecimento solar da edificação. C) Vedações internas pesadas (inércia térmica).

Tabela 13: Diretrizes constru vas para Zona Bioclimá ca 4. Fonte: NBR 15220, p. 06. - Alterada pelo Autor.

Gráfico 05: Carta Bioclimá ca apresentando as normais climatológicas de cidades dessa zona, destacando a cidade Brasília - DF. Fonte: NBR 15220, p. 06.

Ao analisar a NBR 15220, é possível observar que São João da Boa Vista se encontra na zona bioclimá ca 4, assim como Brasília, porém Brasília possui um clima mais seco. Algumas diretrizes constru vas podem ser levadas em consideração de acordo com a NBR citada, como vedações externas, ven lação e sombreamento e estratégia de condicionamento térmico passivo (Gráfico 05, Figura 34 e Tabelas 13, 14 e 15), que serão aplicados na próxima etapa do trabalho. O clima da cidade de São João da Boa Vista é tropical quente com invernos amenos. Durante o dia possui temperaturas mais elevadas, porém as noites são frescas e agradáveis. Sua localização junto às serras faz com que as mesmas funcionem como barreiras interceptoras das massas de ar (Diagrama 10), o que ocasiona um maior descarregamento da umidade em forma de chuvas orográficas (pequena intensidade e longa duração), porém há também chuvas bastante volumosas. Há um vento local que sopra do leste ou às vezes do sudeste (Diagrama 09) ao qual os habitantes da cidade denominaram de: "Boqueirão do Prata. A história registrou geadas fortes causadoras de grandes prejuízos ao café, como as de 1870, 1886, 1902 e 1918. As geadas podem ocorrer em junho e julho, mas são fenômenos não habituais.

VEDAÇÕES EXTERNAS Parede Cobertura

Pesada Leve isolada

Tabela 14: Diretrizes constru vas para Zona Bioclimá ca 4. Fonte: NBR 15220, p. 06. Alterada pelo Autor.

VENTILAÇÃO E SOMBREAMENTO Aberturas para ventilação Médias Sombreamento das aberturas Sombrear aberturas Tabela 15: Diretrizes constru vas para Zona Bioclimá ca 4. Fonte: NBR 15220, p. 06. Alterada pelo Autor.

35


D E S E

P

N

R

V

D O

O L V

O J E T

I

O

M E N T O

36


O Desenvolvimento do Projeto se deu início com a definição do conceito, para assim, definir o Par do Arquitetônico.

P A R T I D O

CONCEITO

Segundo a equipe eCycle, o conceito de reciclagem é simples:

“ Trata-se de pegar algo que não tem mais utilidade e transformá-lo novamente em matéria-prima para que se forme um item igual ou sem relação com o anterior. Isso é feito de várias maneiras e vemos o resultado desse processo no nosso cotidiano.”

(Equipe eCycle - www.ecycle.com.br)

RECICLAGEM Para o desenvolvimento deste projeto, par remos do princípio de que reciclar é atribuir um novo uso à matéria, porém, como a proposta também é proporcionar novas oportunidades e mudanças na vida dos frequentadores, assim como atribuir uma nova visão para a sociedade referente a população de rua, não nos limitaremos apenas a matéria em si como alvo da reciclagem, mas esse feito será ampliado aos usuários e à sociedade em geral, já que haverá transformação pessoal/profissional e de julgamentos e conceitos pré estabelecidos.

MATERIAIS

Figura 35: Esquema do conceito

NOVOS CONCEITOS

TRANSFORMACAO PESSOAL

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O par do do projeto será a estrutura u lizada na coopera va, já que a mesma deverá vencer vãos maiores, ser consideravelmente sustentável, ter uma ligação direta com o terreno do qual é arborizado e ao mesmo tempo proporcionar um visual atra vo e elegante à obra. Por que o foco é a estrutura u lizada na coopera va?

P A R T I D O

Pelo fato de que a coopera va será o centro das a vidades do projeto. Ela estará localizada na frente do terreno e terá a maior visibilidade em termos de construção e também em conceitos.

MADEIRA LAMINADA COLADA (MLC) Com o obje vo de obter um projeto não somente sustentável, mas principalmente um local que proporcione uma nova visão no âmbito da reinserção social, a estrutura a ser u lizada deverá remeter aos usuários e também à sociedade uma sensação que desmis fique a ideia de que pessoas de baixa renda ou desprovida da mesma devam permanecer em locais compa veis com a sua atual realidade. Com isso, é necessário que a estrutura da coopera va, além de vencer grandes vãos, seja segura, flexível e também conte com uma esté ca favorável e que proporcione uma sensação de acolhimento. Ao seguirmos esses requisitos, encontramos a madeira laminada colada como principal opção . Segundo Dr. Carlos Alberto Szücs, Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Civil/Laboratório de Experimentação em Estruturas, a escolha de MLC para as estruturas, pode ser fundamental principalmente quando se trata de estruturas que devam vencer grandes vãos, expostas a um meio corrosivo, ou então, quando exis r o risco de incêndio.

Figura 36: Centre Pompidou-Metz. Fonte: Didier Boy De La Tour

Figura 37: Esquema de uma viga de MLC. Fonte: h ps://istoeengenharia.wordpress.com

Figura 38: Madeira Laminada Colada (MLC). Fonte: h p://www.megamoveleiros.com.br

38


Vantagens da MLC

P A R T I D O

Antes de mais nada, vale ressaltar que MLC é, antes de mais nada, madeira, e ela carrega consigo caracterís cas muito favoráveis já conhecidas como: - Baixa densidade; - Ausência de dilatação térmica; - Ser um baixo condutor térmico; - Grande resistência ao fogo; - Consome apenas energia solar para a sua produção; - Grande facilidade de manuseio, entre outras. Além das qualidades citadas acima, a MLC possui caracterís cas ainda mais posi vas, como cita o professor e Dr .Carlos Alberto Szücs: Em comparação com as estruturas de madeiras feitas com peças maciças, os elementos concebidos em MLC exigem um número bem menor de ligações, uma vez que são previstos para grandes dimensões. - A possibilidade de realizar secções de peças, não limitadas pelas dimensões e geometria do tronco das árvores. - A possibilidade de fabricar peças de comprimento limitado apenas pelas circunstâncias de transporte. - A possibilidade de obter peças com raio de curvatura reduzido, variável e até mesmo em planos diferentes. - A possibilidade de vencer grandes vãos livres. - A possibilidade de tratamento da madeira, tábua por tábua, em autoclave, o que confere enorme eficiência e garan a que pode chegar até 50 anos contra o ataque de fungo e insectos xilofagos.

- Um ganho nas tensões médias de ruptura e uma redução na dispersão esta s ca de seus valores. - Sob o ponto de vista a “normalização permite ainda a atribuição aos elementos estruturais de MLC, de uma resistência mecânica ligeiramente superior às da madeira maciça de qualidade equivalente (cerca de 10%). - A vantagem do pré-fabrico, o que pode ser traduzido em racionalização da construção e ganho de tempo na montagem e entrega da obra. - É de uma qualidade esté ca indiscu vel, o que pode ser largamente explorado pelos arquitetos e engenheiros, na composição de um conjunto agradável e perfeitamente integrado ao ambiente. - A leveza dessas estruturas oferece também maior facilidade de montagem, desmontagem e possibilidade de ampliação. Além disso, o peso morto sendo menor, se comparado com outros materiais, pode significar economia nas fundações. Energia para fabricação

A madeira, além de ser um material renovável, que auxilia no consumo de Co2, também u liza menos energia em sua fabricação como podemos observar na ilustração ao lado.

Figura 39: Consumo de energia para fabricação da Madeira Laminada Colada (MLC). Fonte: h p://madeiralaminadacolada.com

39


ESTUDOS

LAJES

Longitudinal

E S T R U T U R A

CURVAS Cobertura em grelha ondulada Transversal

Figura 40: Croqui de parte da cobertura da Coopera va

MLC

com reforço EPOX

O material da estrutura foi definido (MLC), e a próxima etapa foi definir o formato da laje. As lajes curvas contam com uma estabilidade muito maior, pois suas ondas acompanham o sen do do vento e com isso o esforço aerodinâmico é reduzido. A estrutura em grelha é mais vantajosa, por possuir vários pontos de apoio e com isso, ganha-se mais resistência. Com base nessas informações a decisão foi unir a laje curva com a laje em grelha, obtendo assim, um resultado mais eficiente pra vencer grandes vãos.

Alvenaria

DIMENSIONAMENTO O cálculo para o pré dimensionamento da Não há necessidade de fundação profunda devido ao leve peso da estrutura.

espessura da viga em MLC, é 5% do vão, quando a mesma possuir reforço EPOX e algumas camadas forem de madeiras mais resistentes.

Figura 41: Croqui da possível fundação

40


ESTUDOS

E S T R U T U R A

Pilar em eucalípto Saída de ar laminado quente

Cobertura em MLC para vencer grandes vãos

Arborização

Figura 42: Croqui de estudo - Coopera va

Grande vão

GRANDES VAOS Cobertura em MLC

Pilar em MLC Alvenaria

MADEIRAS

Para esse po de vão, segundo o Prof. Me. Reinaldo Washington Moraes - Coordenador do Curso de Engenharia Civil do UNIFEOB, a classe de madeira mais indicada, são as de classe 40 - peroba, jatobá, imbuia e cedro, porém se houver apoios entre 20 e 30 metros, as madeiras menos resistentes, como cedrinho e eucalipto, podem ser u lizadas. São madeiras mais baratas, mas menos resistentes.

Figura 43: Croqui de estudo - Coopera va

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D I S P O S I C A O

ÁREA ÍNTIMA - localizados no fundo do terreno, proporcionando ambientes mais reservados.

APOIO - encontra-se mais próximo aos dormitórios e á área de lazer

N O T E R R E N O

ÁREA COMUM -Localizada no centro do terreno, colaborando assim, para maior interação entre a população de rua, pessoas de baixa renda e visitantes.

ATIVIDADES PROFISSIONAIS - Próxima à coopera va

SETOR ADMINISTRATIVO - Esse setor é des nado ao público, com isso houve a necessidade de posicioná-lo á frente do terreno.

COOPERATIVA - Instalada na frente do terreno, pois será acessada por visitantes, pessoas carentes e população de rua, porém, sua entrada não terá ligação com a rua.

PROPOSTA 1 A primeira proposta foi baseada no estudo de necessidades elaborado no módulo anterior, mas conforme os estudos avançaram, surgiram novas necessidades e ideias. Com isso a proposta de disposição do p ro j e t o n o te r re n o s o f re u a l g u m a s alterações, assim como as áreas reservadas para cada setor.

ÁREA COMERCIAL - Localizada na parte frontal do terreno, pois necessita haver fácil acesso e grande visibilidade. Diagrama 11: Primeira proposta de disposição do terreno

A s a l te ra çõ e s fo ra m re a l i za d a s d e nt ro d a s possibilidades do terreno, na tenta va de causar o menor impacto possível no mesmo e manter um projeto totalmente acessível às pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (PNE), o que foi um dos maiores desafios, já que o terreno em questão possui 7 metros de declividade.

ÁREA ÍNTIMA - Con nuaram no fundo do terreno, porém foram divididos em dois blocos: Feminino e masculino. APOIO - Permanece próximo às áreas comuns ATIVIDADES PROFISSIONAIS - Próxima à coopera va e com sua área expandida ÁREA COMUM - Mantém-se no centro do terreno, mas com área reduzida. S E T O R A D M I N I S T R AT I V O Permanece na frente do terreno, mas com sua área parcialmente reduzida devido a sua nova forma.

ÁREA COMERCIAL - Permanece na parte frontal do terreno, porém ocupa uma área menor.

PROPOSTA 2 Diagrama 12: Segunda proposta de disposição do terreno

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D I S P O S I C A O

ÁREA ÍNTIMA - Foram man das ao fundo do terreno, separadas em blocos - Masculino e Feminino / familiar)

N O T E R R E N O

PROPOSTA 3

ATIVIDADES PROFISSIONAIS - A área das salas de aula foi reduzida.

COOPERATIVA - Área frontal obteve leve alteração na inclinação

Diagrama 13: Terceira proposta de disposição do terreno.

Na terceira proposta (Diagrama 13), a topografia do terreno, a disposição dos setores e as áreas dos mesmos foram definidas. A maioria das áreas estabelecidas no programa de necessidades, sofreram alterações, e a principal delas foi a coopera va, da qual foi es pulada uma área maior para atender suas necessidades. A princípio ocuparia uma área de 880m², mas ao término do estudo, passou para 1380m² A área comercial também sofreu bastante alteração, já que uma área menor atenderá a possível demanda do local. Inicialmente contaria com 670m², porém, a mesma ficou com 289m² e seu estacionamento foi excluído, já que o mesmo permanecerá na rua, e não mais dentro do lote do projeto. Com o fim do estudo da locação das áreas, a parte externa (jardins, rampas de acesso, escadas e toda a circulação) já pôde ser resolvida.

Figura 44: Implantação

O terreno possui 6090m² e 2504,97m² de área construída, logo, sua Taxa de Ocupação é de 41,11%. 43


P L A N T A S B L O C O A

Figura 45: Planta Layout - Bloco A

Com a definição da disposição dos setores no terreno, a planta layout foi elaborada (Figura 45). Para ser possível uma melhor compreensão, análise e visualização das plantas, o terreno foi dividido em “BLOCOS”, dos quais serão A, B e C. A área demarcada em vermelho da figura ao lado pertencente ao Bloco A, do qual estão inseridos: - Área comercial - 288,00 m² - Área des nada à Coopera va - 1380,00 m² - Área administra va e de atendimento ao público - 145,00 m² Esse Bloco será de acesso direto ao público, com exceção da Coopera va, pois a entrada da mesma será dada de forma mais restrita, pela lateral esquerda, para que haja maior controle de seus frequentadores e visitantes.

Diagrama 14: Área do Bloco A.

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P L A N T A S B L O C O B

Figura 46: Planta Layout - Bloco B

No Bloco B estão inseridas as áreas de convivência e aprendizagem. Ela será u lizada principalmente pela população de rua e de baixa renda, mas visitantes também poderão fazer uso desse espaço. Na área pertencente ao Bloco B estão locados: - Quadra - 157,50 m² - Área para estudo de árvores fru feras (ou demais estudos agrícolas que futuramente for inseridos) - 452,15 m² - Salas de aprendizagem - 190,35 m² - Refeitório - 161,65 - Área de apoio (cozinha, área de serviço/DML, enfermaria e banheiros adaptados) - 72,35m²

Diagrama 15: Área do Bloco B

45


P L A N T A S B L O C O C

Figura 47: Planta Layout - Bloco C

O Bloco C será des nado aos dormitórios, porém a planta des nada a ele é apenas uma proposta para servir como base aos futuros projetos desenvolvidos pela população de rua e de baixa renda no local. Os possíveis materiais dos quais fizeram parte do desenvolvimento do projeto proposto foram: -Paletes, Garrafa PET / vidro e pneus. Figura 48: Proposta de dormitórios

Diagrama 16: Área do Bloco C

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P L A N T A S B L O C O C

O Comitê Técnico da ISO definiu o conceito de obra sustentável como:

Figura 49: Proposta de dormitórios

“Edificação sustentável é aquela que pode manter moderadamente ou melhorar a qualidade de vida e harmonizar-se com o clima, a tradição, acultura e o ambiente na região, ao mesmo tempo em que conserva a energia e os recursos, recicla materiais e reduz as substâncias perigosas dentro da capacidade dos ecossistemas locais e globais, ao longo do ciclo de vida do edifício. (ISO/TC 59/SC3 N 459)” Tomando como base esse conceito, os materiais foram escolhidos, porém, com algumas adaptações (como preenchimento e vedações), poderão ser aplicados em inúmeros ambientes, regiões e culturas. Palete - Eles serão envernizados, desmontados e remontados. Assim como os demais materiais que serão u lizados, ele é um material descatável ou comercializado por um valor ínfimo. No projeto será u lizado como parede, banco, deck e elemento decora vo.

Figura 50: Proposta de dormitórios

Figura 51: Proposta de dormitórios

Garrafas: Seja de vidro ou PET, ambas farão parte do projeto. As garrafas PET serão u lizadas na ver cal no lugar dos jolos. Poderão ser preenchidas com areia, terra, água ou terra, o que aumentará sua resistência. Já as garrafas de vidro, serão cortadas ao meio e posicionadas na horizontal, o que possibilitará a entrada de iluminação nos ambientes e também ser um elemento esté co. O reves mento será feito de uma mistura de calcário/barro ou argila e cal. A cal ajuda a evitar problemas nas épocas de chuva; Pneus - As paredes de pneu são feitas por sobreposição de camadas de pneus preenchidos com terra compactada. Seu reves mento também será feito com calcário/barro ou argila e cal. 47


TERRENO ATUAL

O projeto proposto foi pensado na tenta va de unir causas sociais, métodos constru vos e materiais mais sustentáveis e ainda assim oferecer um arquitetura contemporânea. O terreno definido é em uma área com grande quan dade de árvores fru feras. Todas elas foram realocadas no terreno e além de serem consumidas pelos frequentadores, ainda serão u lizadas para fins de aprendizagem em aulas agrícolas.

A N T E S E

D E P O I S

Figura 52: Implantação atual

Manga (Mangifera indica) Abacate (Persea americana) Carambola (Averrhoa carambola) Goiaba (Psidium guayara) Pitanga (Eugenia uniflora) Caqui (Diospyros Kaki) Jaca (Artocarpus heterophyllus) Mamão (Carica papaya) Banana (Musa) Coqueiro (Cocos nucifera) Palmeira Imperial (Roystonea oleracea)

Igreja Área verde Passeio Público Área vazia Área construída Rua pavimentada

FINAL PROPOSTA

Figura 53: Proposta de implantação

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P R O J E T O

Proposta de dormitórios feitos de paletes e garrafas.

Proposta de dormitórios feitos de pneus.

Perspectiva dos Blocos A e B. Cobertura do refeitório, salas de aula, atendimentos e comércio serão em MLC, porém, sem ondulações.

Cobertura da Cooperativa: Grelha ondulada em MLC. Figura 54: Planta de Cobertura

Perspectivas da fachada, onde observa-se pneus aparentes utilizados na parede da Cooperativa. e as coberturas em grelha - onduladas na cooperativa e retas nos demais estabelecimentos. 49


E L E V A C O B E L S O C O A

ELEVAÇÃO Bloco A - Posterior

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

Bloco A - Lateral Esquerda

Bloco A - Lateral Direita

ELEVAÇÃO Bloco A - Frontal

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E L E V A C O B E L S O C O B

ELEVAÇÃO Bloco B - Posterior

ELEVAÇÃO ELEVAÇÃO

Bloco B - Lateral Esquerda

Bloco B - Lateral Direita

ELEVAÇÃO Bloco B - Frontal

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CORTE AA

C O R T E S

CORTE BB

CORTE DD

CORTE CC

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REFEITÓRIO E APOIO

SALAS DE AULA 22.70

.90

1/15 da dist. entre eixos 0.072 0.22 1/4 da altura

22.40 / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 20.36 eixos (aproximar para 21 eixos). 22,40m / 21 eixos = 1,06m de distância entre eixos.

0.55m (4% do vão)

10.10 9.90

1/15 da dist. entre eixos

0.36m

0.073 0.09

1.10

(4% do vão)

1/4 da altura

C A L C U L O S

9.90 / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 9 eixos (aproximar para 8 eixos). 9.90m / 9 eixos = 1.10m de distância entre eixos.

13.50 13.20 1/15 da dist. entre eixos 0.073

0.55m (4% do vão)

1.10

0.14 1/4 da altura

13.20 / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 12 eixos (aproximar para 12 eixos).

12,90m / 12 eixos = 1,10m de distância entre eixos.

30.95 / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 28,13 eixos (aproximar para 29 eixos). 30,95m / 29 eixos = 1.04m de distância entre eixos.

ATENDIMENTO

6.90

1/15 da dist. entre eixos 0.069

0.60m (4% do vão) 1.10

0.15 1/4 da altura

Foram utilizadas as mesmas medidas da cobertura da área comercial (vão maior), por questões estéticas.

ÁREA COMERCIAL 14.80 14.50

1/15 da dist. entre eixos 0.069 1.04

14.50m / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 13.18 eixos (aproximar para 14 eixos). 14.50m / 14 eixos = 1,036m de distância entre eixos.

0.15 1/4 da altura

0.60m (4% do vão)

26.70

1/15 da dist. entre eixos 0.071

14.60

26.70m / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 24.27 eixos (aproximar para 25 eixos). 26.70m / 25 eixos = 1,068m de distância entre eixos.

0.265 1/4 da altura

0.58m (4% do vão de 14.60)

COOPERATIVA 25.00

1/15 da dist. entre eixos

1.00m (4% do vão)

0.071 1.08

0.25 1/4 da altura

24.70m / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 22,45 eixos (aproximar para 23 eixos). 24.70m / 23 eixos = 1,074m de distância entre eixos.

1/15 da dist. entre eixos

1.00m (4% do vão)

0.071 1.09

67.70m / 1.10 (dist ideal entre eixos) = 61,54 eixos (aproximar para 62 eixos). 24.70m / 23 eixos = 1,091m de distância entre eixos.

0.25 1/4 da altura

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C O N S I D E R A C O E S

Com esse projeto pôde-se apresentar uma arquitetura que demonstrou ser possível desenvolver e criar soluções não somente projetuais, mas também de âmbito social, defendendo o que alguns profissionais e estudiosos afirmam, como:

“ A arquitetura é antes de tudo servir as pessoas e a sociedade. Esta é a responsabilidade do arquiteto: projetar prédios que cumprem com seu propósito prático, unir pessoas e nos conectar ao mundo natural, preservando recursos preciosos.“ - Steven Ehrlich em Metropolis .

F I N A I S

“Arquitetura não é apenas uma coisa. Não é apenas uma arte. ... Tem que lidar com a situação real; Tem que fazer algo de bom para a sociedade.“ Xiaodu Liu em “What Can Architecture Do? An Interview with Xiaodu Liu“em ArchDaily . No termino desse trabalho, foi possível perceber que arquitetura de verdade vai muito além de prédios monumentais, ou ambientes elegantes. Arquitetura é arte de arquitetar meios que conectem seres vivos de forma aprazível e que traga bene cios para os mesmos, independente do projeto a ser realizado. No caso desse trabalho, o obje vo foi além. A intenção é proporcionar uma evolução no indivíduo, resgatar sonhos e trazer a esperança de ter uma vida digna de volta. Projetar um local que além de tudo isso, tenha o cuidado de zelar pelo futuro das pessoas e do planeta. Fazer a diferença e transformar vidas. Isso é belo, isso é arquitetura!

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Abaixo consta o link para acessar os anexos: Pranchas e Caderno do Estudo de caso.

A N E X O S

https://drive.google.com/ďŹ le/d/14LN-oaLdyL7G0_dfvm6jdRoHe2NGkioU/view

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B I B L I O G R A F I A

SITE OFICIAL. Oficina Boracea. Disponível em: <https://moradorderua.wordpress.com/2012/06/28/projeto-oficina-boracea/>. Acesso em: 20 ago. 2017. ARQUITETURA, Escritório de. Loeb Capote. Disponível em: <http://www.loebcapote.com/projetos/19/memorial>. Acesso em: 20 ago. 2017. FIGUEROLA, Valentina. Bibliografia Roberto Loeb. Disponível em: <http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/145/entrevista-fabrica-humana-2865801.aspx>. Acesso em: 21 ago. 2017. O ESTADO DE SÃO PAULO. Conhecer a População de Rua. Disponível em: <http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,conhecer-a-populacao-derua,70001684957>. Acesso em: 10 set. 2017 NATALINO, Marco Antonio Carvalho. ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO BRASIL. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/26102016td_2246.pdf>. Acesso em: 05 set. 2017. QUINTÃO, Paula Rochlitz. Morar na Rua: Há Projeto Possível? 2012. 151 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Usp, São Paulo, 2012. Disponível em: <https://issuu.com/anapaulanigro/docs/merged__2_>. Acesso em: 01 set. 2017. ENDRIGUE, Taisa da Costa, Repensando o Projeto Boracea: proposta de abrigopara moradores de rua na cidade de São Paulo. Trabalho Final de Graduação. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, FAU/USP, São Paulo, 2002. ANDERS, Gustavo Caminati. Abrigos Temporários de Caráter Emergencial. 2007. 118 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Usp, São Paulo, 2007. Disponível em: <https://issuu.com/luisacangussu/docs/tfg_viver_na_rua_-_arquitetura__urb>. Acesso em: 06 set. 2017. CAMPOS, Ana Paula Nigro. Arquitetura da Inclusão: Proposta de Rede de Equipamentos Para Moradores de Rua. 2015. 90 f. TCC (Graduação) Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2015. Disponível em: <https://issuu.com/anapaulanigro/docs/merged__2_>. Acesso em: 02 set. 2017. ESPECIALISTAS debatem políticas para a população em situação de rua. São Paulo: Diálogos na Usp, 2016. P&B. Disponível em: <http://jornal.usp.br/atualidades/moradores-de-rua-vivem-uma-situacao-limite-e-sem-politicas-publicas/>. Acesso em: 10 set. 2017. JOÃO PEDRO CALEIRO. Solução para pobreza: dar o peixe e ensinar a pescar: : Experimento com 10 mil pessoas em 6 países conclui que apoio direto somado com ativos produtivos é a melhor forma de superar a armadilha da pobreza. Exame, São Paulo, 24 maio 2015. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/economia/solucao-para-pobreza-dar-o-peixe-e-ensinar-a-pescar/>. Acesso em: 15 out. 2017. POÇOS DE CALDAS. PREFEITURA DE POÇOS DE CALDAS. . Prefeitura inaugura Centro POP Direito e Cidadania. 2015. Disponível em: <http://www.pocosdecaldas.mg.gov.br/site/?p=23644>. Acesso em: 30 out. 2017.

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B I B L I O G R A F I A

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B I B L I O G R A F I A

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/44-guia-da-reciclagem/2046-reciclagem-o-que-e-como-surgiu-reaproveitamento-upcycle-origemcomo-reciclar-coleta-seletiva-onde-reciclar.html https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/estrutura-de-madeira-e-opcao-para-vencer-grandes-vaos_10034_0_1 24/02/2018 http://rewood.ntn.ag/madeira-laminada-colada 24/02/2018 https://www.archdaily.com.br/br/617797/centre-pompidou-metz-slash-shigeru-ban-architects https://istoeengenharia.wordpress.com/2014/08/29/madeira-laminada-colada-mlc/ http://portaldamadeira.blogspot.com.br/2010/03/madeira-lamelada-colada-mlc.html

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Fabricio godoi cooperacao camila bomfa  
Fabricio godoi cooperacao camila bomfa  
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