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SETÚBAL JORNAL MUNICIPAL.janeiro | fevereiro | março 2014.ano 14.n.º 51

À descoberta do ambiente

pág. 22

Expoente do Sado

págs. 4 e 5

Operação recupera património

Concelho é o 13.º mais págs. 6 e 7 atrativo do País

Cheira bem na praça

pág. 24

Autarquia avança com obras na Casa das Quatro Cabeças

Município intensifica relações internacionais

Alojamento especial Exercício testa resposta a sismo págs. 10 e 11

pág. 8

Semente de bem-estar Hortas levam campo à cidade págs. 14 e 15


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SETÚBAL

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sumário 4  PRIMEIRO PLANO  A recuperação e reconversão da Casa das Quatro Cabeças é um dos principais projetos de Setúbal para 2014. A Autarquia decidiu inverter o processo de degradação do imóvel de interesse municipal. 6  LOCAL  O 13.º município português mais atrativo em termos de investimento, turismo e qualidade de vida é, segundo um estudo inédito, Setúbal. Um concelho que se afirma como capital da Margem Norte do Sado. 10  ESPECIAL  Um exercício de dois dias sem precedentes em Portugal testou a capacidade de resposta a um sismo, em particular o acantonamento de desalojados. O Setlog 2014 cumpriu com nota máxima. 12  SEGURANÇA  A ligação do Centro Municipal de Operações de Socorro à rede SIRESP foi apresentada nos 228 anos dos Sapadores. Os Voluntários preparam um Centro Internacional de Gestão de Emergência. 13  TURISMO  Aulas de cozinha ao vivo com pratos de polvo e de choco animaram os mercados municipais e ajudaram a esclarecer dúvidas. O choco esteve ainda em evidência em novo festival gastronómico. 14  PLANO CENTRAL  As Hortas Urbanas de Setúbal, a funcionar há menos de um ano nos viveiros das Amoreiras, já dão resultados visíveis. As produções ajudam em tempo de crise e servem para ocupar o tempo. 16  CULTURA  O Concurso de Fado Amador apanhou de surpresa o vencedor, um sintrense de 24 anos. O Fórum Luísa Todi continua a dar espetáculo e a Casa da Cultura recebe artistas como o ilustrador José Ruy. 19  AMBIENTE  O investimento municipal na defesa e proteção da Arrábida é um forte aliado do processo de candidatura da serra a património mundial da humanidade. A cidade está também atenta à higiene urbana. 20  FREGUESIA  Uma intervenção está a requalificar o Bairro Humberto Delgado, em S. Sebastião, enquanto um arranjo vai beneficiar a Quinta da Serralheira, no Alto da Guerra. Azeitão tem uma deusa do vinho. 21  DESPORTO  Os Jogos de Sado estão de volta, com a 12.ª edição, que conta com diversas novidades, com uma descida do rio em canoagem e ténis em cadeira de rodas. A tocha da Peace Run passou por Setúbal. 22  EDUCAÇÃO  Três hectares da Escola Secundária D. Manuel Martins são um bosque com um percurso interpretativo para crianças do pré-escolar e 1.º ciclo. Os mais pequenos estiveram animados no Carnaval. 23  ACADEMIA  O primeiro BlackBerry Tech Center português, espaço aberto à criatividade, funciona na Escola Superior de Tecnologia. Um aluno do mesmo estabelecimento criou uma trotineta elétrica inovadora. 24  RETRATOS  Um pequeno jardim de ervas aromáticas perfuma o Mercado do Livramento. A banca de Adriana Ganhão tem os temperos para a mais exigente das cozinhas e as plantas que ajudam a curar maleitas. 25  INICIATIVA  A Universidade Sénior de Setúbal, com sede nova no Parque do Bonfim, contribui para novos focos de interesse de quem tem a experiência da idade. Ao todo são 320 alunos, com idades dos 50 aos 90 anos. 26  MEMÓRIA  Setúbal já foi um dos mais importantes centros de produção e exportação de sal de toda a Europa. E é a terra onde nasceu Oceana Zarco, uma ciclista que é um exemplo de emancipação feminina. 28  PLANO SEGUINTE  O programa m@rço.28 tem no Concurso de Bandas de Garagem e na Meia Maratona Fotográfica os principais eventos. Os 40 anos da Revolução dos Cravos são celebrados com muita atividade.

informações úteis

Setúbal - Jornal Municipal Propriedade: Câmara Municipal de Setúbal Diretora: Maria das Dores Meira, Presidente da CMS Edição: DICI/Divisão de Comunicação e Imagem Coordenação Geral: Sérgio Mateus Coordenação de Redação: João Monteiro Redação: Hugo Martins, Marco Silva, Susana Manteigas Fotografia: Mário Peneque, José Luís Costa Paginação: Humberto Ferreira Impressão: Daniel & Lino, Lda. Redação: DICI - Câmara Municipal de Setúbal, Paços do Concelho, Praça de Bocage, 2901-866 Setúbal Telefone: 265 541 500 E-mail: dici@mun-setubal.pt Tiragem: 15.000 exemplares Distribuição Gratuita Depósito Legal N.º 183262/02

Sugestões e informações dirigidas a este jornal podem ser enviadas ao cuidado da redação para o endereço indicado nesta ficha técnica.

Câmara Municipal

Turismo

Paços do Concelho Praça de Bocage 265 541 500 | 808 200 717 (linha azul) Gabinete da Presidência gap@mun-setubal.pt Departamento de Administração Geral e Finanças | daf@mun-setubal.pt Gabinete da Participação Cidadã gapc@mun-setubal.pt

Casa da Baía de Setúbal Centro de Promoção Turística Av. Luísa Todi, 468 265 545 010 | 915 174 442

Edifício do Banco de Portugal Rua do Regimento de Infantaria 11, n.º 7 265 545 180 Departamento de Cultura, Educação, Desporto, Juventude e Inclusão Social Departamento de Recursos Humanos Edifício Sado Rua Acácio Barradas, 27-29 265 537 000 Departamento de Ambiente e Atividades Económicas daae@mun-setubal.pt Departamento de Obras Municipais dom@mun-setubal.pt Departamento de Urbanismo Gabinete de Apoio ao Consumidor Mercado do Livramento, 1.º andar 265 545 390 Gabinete de Apoio ao Empresário Av. Belo Horizonte – Escarpas de Santos Nicolau 265 545 150 gae@mun-setubal.pt SEI – Setúbal, Etnias e Imigração Rua Amílcar Cabral, 4-6 265 545 177 | Fax: 265 545 174 sei@mun-setubal.pt Gabinete da Juventude Casa da Cultura Rua Detrás da Guarda, 28 265 236 168 gajuve@mun-setubal.pt

Posto Municipal de Turismo - Azeitão Praça da República, 47 212 180 729 Loja municipal “Coisas de Setúbal” Praça de Bocage – Paços do Concelho coisasdesetubal@mun-setubal.pt

espaços culturais Biblioteca Pública Municipal Serviços Centrais Av. Luísa Todi, 188 265 537 240 Polo da Bela Vista Rua do Moinho, 5 265 751 003 Polo Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra Estrada Nacional 10, Pontes 265 706 833 Polo de S. Julião Pct. Ilha da Madeira (à Av. de Angola) 265 552 210 Polo Sebastião da Gama Rua de Lisboa, 11, V. Nogueira Azeitão 212 188 398 Fórum Municipal Luísa Todi Av. Luísa Todi, 61-67 265 522 127 Casa da Cultura Rua Detrás da Guarda, 28 265 236 168 Museu de Setúbal/Convento de Jesus Exposição de longa duração Avenida Luísa Todi, 119 265 537 890

Museu do Trabalho Michel Giacometti Utilidade Pública Lg. Defensores da República 265 537 880 Loja do Cidadão Av. Bento Gonçalves, 30 – D Casa Bocage 265 550 200 Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro Balcão CMS: 265 550 228/29/30 Rua Edmond Bartissol, 12 265 229 255 Piquete de água 265 529 800 Piquete de gás 800 273 030 Museu Sebastião da Gama Eletricidade 800 505 505 Rua de Lisboa, 11 Vila Nogueira de Azeitão Urgências 212 188 399 SOS 112 Casa do Corpo Santo Intoxicações Museu do Barroco 217 950 143 Rua do Corpo Santo, 7 SOS Criança 265 534 402 808 242 400 Cinema Charlot – Auditório Municipal Linha Saúde 24 Rua Dr. António Manuel Gamito 808 242 424 265 522 446 Hospital S. Bernardo 265 549 000 equipamentos Hospital Ortopédico do Outão desportivos 265 543 900 Companhia Bombeiros Sapadores Complexo Piscinas das Manteigadas 265 522 122 Via Cabeço da Bolota 265 729 600 Linha Verde CBSS 800 212 216 Piscina Municipal das Palmeiras Bombeiros Voluntários de Setúbal Av. Independência das Colónias 265 538 090 265 542 590 Proteção Civil 265 739 330 Piscina Municipal de Azeitão Rua Dr. Agostinho Machado Faria Proteção à Floresta 212 199 540 117 Capitania do Porto de Setúbal Complexo Municipal de Atletismo 265 548 270 Estrada Vale da Rosa Comissão Proteção Crianças 265 793 980 e Jovens de Setúbal 265 550 600 Pavilhão Municipal das Manteigadas PSP Via Cabeço da Bolota 265 522 018 265 739 890 GNR Pavilhão João dos Santos 265 522 022 Rua Batalha do Viso 265 573 212


editorial

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A importância das cidades não se mede aos palmos... Em março de 2013 escrevi nesta página, pouco depois de ter sido conhecida uma deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que reconhecia, a pedido da Câmara Municipal, a falta de rigor de um “estudo” da revista Proteste sobre a qualidade de vida nas cidades portuguesas e no qual Setúbal surgia em último lugar numa duvidosa classificação que resultava apenas de pouco mais de 150 inquéritos, que era frequente perguntarem-me se éramos ou não a terceira cidade do País. Na reflexão que então fiz, concluía que era “difícil saber qual o critério utilizado para atribuir esta, ou outra, posição a Setúbal, se partirmos do pressuposto que Lisboa e o Porto são a primeira e segunda classificadas”. Seria o critério da população? O do contributo para a economia nacional? Continuo a ter a mesma opinião, ainda que, muito recentemente, como damos conta nas páginas deste Jornal Municipal, um estudo realizado por uma consultora independente com base em indicadores estatísticos oficiais e consolidados ter classificado Setúbal, num ranking de atratividade urbana, em primeiro lugar entre os municípios da Península de Setúbal, em quinto lugar no contexto da Área Metropolitana de Lisboa, apenas atrás de Lisboa, Oeiras, Cascais e Sintra, e em 13.º a nível nacional. Ainda que assuma, com toda a clareza, que o nosso objetivo é continuar a subir nestas e noutras classificações como resultado do constante trabalho de modernização de Setúbal, continuarei a responder a quem me colocar a questão sobre qual a nossa posição nas classificações de importância das cidades portuguesas que somos, sem qualquer margem para dúvidas e sob todos os pontos de vista, uma das mais importantes cidades de Portugal. Julgo que, sobre isto, nenhum setubalense terá dúvidas, porque a importância das cidades não se mede apenas em rankings e classificações em que muitas realidades são esquecidas e ocultadas... A Região de Lisboa só será mais forte e competitiva quando for igualmente mais coesa. O reforço do desenvolvimento da Península de Setúbal é, por isso, essencial para um melhor posicionamento da Área Metropolitana de Lisboa (AML) no quadro das áreas metropolitanas europeias. Pela nossa parte temos plena consciência do papel e da importância que o concelho de Setúbal tem no reforço do desenvolvimento da Península de Setúbal. Por várias razões...: - Por ser o polo urbano mais autónomo e menos dependente das relações pendulares diárias com a cidade de Lisboa. - Por ser a cidade charneira de articulação da AML com o Litoral Alentejano. - Pelo enorme potencial ambiental e paisagístico da Serra da Arrábida e do Estuário do Sado, que nos confere enormes capacidades turísticas. - Por ser uma importante cidade portuária cujo porto tem vindo a desenvolver um papel crescente no contexto dos portos nacionais. - Por acolher na Península da Mitrena um conjunto de importantes atividades económicas, algumas delas responsáveis pelos bons resultados das nossas exportações. Por todas estas razões queremos aprofundar, de forma articulada com a estratégia de desenvolvimento regional e com a participação ativa dos diversos agentes económicos e sociais, uma estratégia de desenvolvimento baseada no compromisso entre a vitalidade económica de alguns setores de atividade e a necessidade de aprofundamento da dinâmica cultural e turística, da coesão social e da qualidade de vida. Neste contexto, consideramos centrais alguns objetivos e áreas de atuação que, sendo importantes para o concelho, são também decisivos para o desenvolvimento da região. Desde logo o desenvolvimento da estratégia para o Estuário do Sado e para a Frente Ribeirinha de Setúbal dando continuidade ao excelente trabalho de articulação com a administração portuária. Aqui, dois objetivos que têm clara importância regional. Em primeiro lugar, a instalação de uma plataforma intermodal, ferroviária, rodoviária e fluvial, que intensifique a articulação da Área Metropolitana de Lisboa com o Litoral Alentejano. Depois, o desenvolvimento de atividades náuticas desportivas, de turismo e lazer com a instalação de uma marina, para a qual estão a ser elaborados estudos para encontrar a melhor localização e a viabilidade técnica e económica. O complemento evidente destes dois projetos prende-se com a continuação do processo de reabilitação urbana na frente ribeirinha, com o duplo objetivo de melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes e de atrair atividades económicas, designadamente turísticas, para este território. Outro grande objetivo reside na aposta de tornar Setúbal um território mais competitivo e internacionalizado, pretendendo a Câmara Municipal retomar a proposta do Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa de criação do Parque de Ciência e Tecnologia de Setúbal. Portugal, e a Região de Lisboa em particular, precisam da Península de Setúbal mais desenvolvida, mais competitiva e socialmente mais coesa. O concelho de Setúbal tem, neste processo, responsabilidades acrescidas, não só por ser um inquestionável polo urbano regional, mas também por ser um território charneira e de articulação com uma região mais alargada e polarizada por Lisboa. Portugal e a Região de Lisboa precisam de uma Capital da Margem Norte do Sado que simbolize a força e as capacidades de toda a península mais do que uma imensa margem sul desconhecida que está ali ao lado, mas que é uma eterna desconhecida. Precisam de uma Margem Norte do Sado que jamais será um deserto.

Portugal e a Região de Lisboa precisam de uma Capital da Margem Norte do Sado que simbolize a força e as capacidades de toda a península

Presidente da Câmara Municipal de Setúbal


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‘Quatro Cabeças’ renasce no Troino primeiro plano

Vida nova para a Casa das Quatro Cabeças. A reabilitação do imóvel histórico, localizado no Troino, avança em breve, naquele que é um dos grandes investimentos municipais para este ano. Reabilitar para arrendar é o espírito que fomenta esta operação, integrada na estratégia de revitalização urbana em curso nos centros históricos de Setúbal e Azeitão

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uatro figuras esculpidas em pedra espreitam à passagem pela Rua Fran Paxeco. Resistiram ao passar dos anos, à evolução urbana, numa casa deixada ao esquecimento, em que permanecem vestígios da história de Setúbal. E vão continuar, numa nova realidade. A Câmara Municipal prepara-se para dar uma nova vida à Casa das Quatro Cabeças, um edifício situado no Bairro do Troino, classificado desde 1977 como Imóvel de Interesse Municipal. Depois de recuperado, este património renasce com um uso habitacional, em regime de arrendamento. O projeto dá continuidade ao trabalho de reabilitação urbana que a Autarquia tem vindo a desenvolver, nos últimos anos, nas áreas histó-

ricas da cidade. Da beneficiação do espaço público à revitalização de edifícios antigos, com novas funções urbanas, são já várias as ações concretizadas. A Casa da Cultura, criada a partir da recuperação do imóvel no qual funcionou o antigo Círculo Cultural de Setúbal, é um dos exemplos de maior sucesso na revitalização do centro histórico, a par da Casa do Corpo Santo. O Convento de Jesus, com obras em curso, é um dos pontos-chave da estratégia municipal. Na área nascente do Troino, depois de complexas operações de reabilitação urbana executadas no espaço público, incluindo a Praça Teófilo Braga, é a vez de a Casa da Quatro Cabeças ser intervencionada entre 2014 e 2015.

O projeto liderado pela Câmara Municipal surge após a apresentação de uma candidatura ao “Reabilitar para Arrendar”, programa promovido pelo IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana que impulsiona, com condições especiais, a recuperação de imóveis antigos. Neste contexto, a Autarquia aprovou, no início de fevereiro, em reunião pública, a contratação de um empréstimo, a conceder pelo IHRU, num montante máximo de 221 mil e 923 euros, até 50 por cento do investimento total, a amortizar em vinte prestações constantes anuais. Antes do avanço das obras, o Município promoveu um estudo geológico e geotécnico na Casa das Quatro

Apoio à reabilitação A revitalização da Casa das Quatro Cabeças, realizada no âmbito de uma estratégia delineada pela Autarquia para a recuperação de edifícios localizados nos centros históricos de Setúbal e Azeitão, é um dos exemplos positivos daquilo que pode ser feito nestas zonas. Através do ARU – Área de Reabilitação Urbana, um programa especial que estimula o potencial de renovação das zonas mais antigas do concelho, os proprietários de imóveis a necessitar de requalificação podem beneficiar de um conjunto de condições especiais para a execução de obras. A atribuição de benefícios fiscais, sobretudo associados a reduções de impostos e taxas municipais, bem como apoio administrativo são van-

tagens para quem decida recuperar edifícios nas áreas de reabilitação delimitadas, que, no concelho, são estimadas em mais de um quilómetro quadrado. Esta política de reabilitação urbana, resultante da constatação da degradação das condições de habitabilidade e salubridade, da estética e segurança dos edifícios no interior das cidades, fomenta a celeridade das iniciativas de reabilitação e promove o investimento de particulares. A aposta na consolidação, reabilitação e valorização da malha urbana existente é uma das prioridades da Autarquia, que, nos últimos anos, tem concretizado uma série de investimentos âncora que impulsionaram a regeneração urbana do centro histórico de Setúbal.


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Cabeças, conduzido por uma equipa especializada, com operações de perfuração mecânica para recolha de amostras do solo. Esta ação, uma imposição legal e uma medida fundamental para a elaboração do projeto de execução para a reabilitação do imóvel, permitiu, nomeadamente, fazer uma avaliação estrutural mais pormenorizada no edifício e detetar eventuais problemas de caráter geológico existentes na zona.

Proteção patrimonial O imóvel de três pisos, situado no coração piscatório da antiga vila de Setúbal, faz a esquina da Rua Fran Paxeco com a Travessa do Carmo. De planta quadrangular e com cunhais bem marcados em cantaria, é um exemplo da construção urbana citadina durante a Idade Moderna. A Casa das Quatro Cabeças, utilizada durante largos anos como habitação em forma de arrendamento, nunca teve qualquer tipo de intervenções de manutenção pelos proprietários, situação que conduziu a um severo estado de degradação do imóvel. Com a integridade estrutural comprometida e em face da inexistência de condições de habitabilidade, a Câmara Municipal decidiu requerer, com caráter de urgência, a declaração de utilidade pública da expropriação do imóvel e a respetiva posse administrativa, processo em fase de conclusão.

Muito modificado ao longo dos séculos, o edifício mantém as características essenciais das diferentes épocas de construção, nomeadamente a feição geral dos séculos XVII e XVIII. Os vãos harmonicamente abertos nos alçados são outra das particularidades relevantes. Destaque também para os testemunhos considerados manuelinos ao nível do piso térreo, constituídos por elementos arquitetónicos integrados no cunhal e no lintel da porta da fachada sul, mais precisamente os quatro bustos esculpidos, um deles representando um monarca.

Rostos do mistério A narrativa por trás da Casa das Quatro Cabeças é incerta. Ao longo dos tempos são várias as teses contadas a propósito do edifício. As versões deixam em aberto o mistério do imóvel situado na antiga Rua Direita do Troino. A história mais conhecida entre a população refere-se a um atentado fracassado à vida de D. João II, supostamente representado numa das cabeças esculpidas nas paredes do edifício, enquanto as restantes correspondem aos conspiradores. O episódio ali ocorrido ter-se-á passado em agosto de 1484, durante a procissão de Corpo de Deus, quando o rei, avisado do conluio e sabendo que o conspirador se escondia naquela casa, com o número 44, conseguiu escapar de um tiro.

É esta a história associada às inscrições em latim ali visíveis, nas quais se pode ler “Se Deus está connosco, quem poderá ser contra nós”, no lintel – pedra colocada sobre a ombreira da porta –, e “espero em Deus”, torneando a cabeça de maiores dimensões que figura na esquina do prédio. Vários historiadores apontam outros caminhos. No século XIX, o historiador local Almeida Carvalho

afastou a hipótese de atentado ao colocar a data de construção do edifício posterior ao terramoto de 1755, uma vez que a zona do Troino ficou devastada aquando da catástrofe natural. Também Manuel Maria Portela, contemporâneo do historiador, desfez a tradição referindo em jornais da época que tal episódio teria efetivamente acontecido, mas em Lisboa, tendo como protagonista

outro monarca, D. João IV, e, mais tarde, no século XVII. A própria arquitetura do edifício lança mais incertezas sobre a verdadeira história. Numa nota histórico-artística publicada no sítio do antigo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico é também avançada a hipótese de reaproveitamento de materiais de uma construção setubalense de finais do século XV.


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local

Dívidas dispõem de apoio especial

Um estudo publicado no final de fevereiro coloca Setúbal na 13.ª posição a nível nacional entre os municípios mais atrativos. A análise classificou a eficácia dos concelhos portugueses de acordo com vários critérios Setúbal aparece no 13.º lugar num estudo inédito, “Portugal City Brand Ranking”, que avaliou e classificou a eficácia dos 308 municípios portugueses de acordo com a atratividade nas áreas do investimento, turismo e qualidade de vida. Num Top 25 Nacional, Lisboa aparece no primeiro posto e Castelo Branco na 25.ª posição. Posicionado no 13.ª lugar entre os municípios portugueses, Setúbal coloca-se no 14.º posto no que respeita à área dos negócios, no 24.º a visitar e em 13.º para viver. Quanto à análise regional, Setúbal encontra-se em quinto lugar entre os 18 municípios de “Lisboa”, ficando em terceiro nos Negócios (Investimento), em sétimo no Visitar (Turismo) e em quinto para Viver (Talento). O ranking do espaço correspondente à Área Metropolitana de

Município entre os mais atrativos

Lisboa, a região que obtém melhor desempenho a nível nacional, é liderado por Lisboa, seguindo-se Oeiras, Cascais, Sintra e Setúbal. Em último está o concelho da Moita. O “Portugal City Brand Ranking”, realizado pela primeira vez pela Bloom Consulting, empresa de consultoria que analisa anualmente mais de 220 países em todo o mundo, pretende mapear e compreender a procura de cada investidor, turista e cidadão tendo em linha de conta a atratividade de determinado município português. O estudo, elaborado com base nos dados estatísticos sobre a economia, o turismo e a demografia, recolhidos junto do Instituto Nacional de Estatística, da Associação Nacional de Municípios Portugueses e do portal Pordata, permite, com base no desempenho e eficácia da estratégia na captação de investidores,

‘Ouvir a População’ de volta ao terreno O “Ouvir a População, Construir o Futuro”, projeto da Câmara Municipal que envolve e aproxima os munícipes da gestão autárquica, regressa em abril, numa segunda edição. Executivo, corpo técnico da edilidade e população local juntam-se num novo périplo pelo concelho, para visitas, reuniões de trabalho e atendimentos personalizados, com o novo ciclo a iniciar-se em S. Sebastião, freguesia visitada entre 28 de abril e 30 de maio. Ouvir as populações, partilhar dificuldades e encontrar soluções é

o lema do projeto, que ouve os anseios de cidadãos, autarcas locais, comerciantes, dirigentes associativos e escolares e responsáveis de instituições. A metodologia, adotada no âmbito da filosofia de Município Participado, transversal a todo o trabalho desenvolvido pela Autarquia, apura com precisão o que pode ser feito em prol do aumento da qualidade de vida. O levantamento dos problemas detetados é apresentado, posteriormente, em encontros públicos em cada uma das freguesias.

turistas e novos residentes, avaliar a “marca” (“branding”) de cada município. A metodologia do “Bloom Consulting Portugal City Brand Ranking” assenta em seis dimensões, embora o estudo agora publicado incida apenas em três – Negócios (Investimento), Visitar (Turismo) e Viver (Talento) –, aqueles que se aproximam mais da realidade dos 308 municípios portugueses. A medição do desempenho socioeconómico dos municípios portugueses é feita através de cálculos percentuais nas dimensões Negócios (Investimento), Visitar (Turismo) e Viver (Talento), tendo como principais indicadores o número de empresas, dormidas e população. Outros indicadores dentro dos três objetivos são os rácios de empresas e de dormidas por habitante e o número de habitantes por centros

de saúde e de estabelecimentos de ensino superior por cada 10 mil habitantes. A metodologia da Bloom Consulting vai mais longe em termos de objetivos essenciais. Além do fator atrativo nas áreas Negócios, Visitar e Viver, indica três dimensões consideradas determinantes para a gestão estratégica de cada município. São elas o aumento de orgulho, o aperfeiçoamento da diplomacia pública e o crescimento das exportações, não apresentadas neste ranking porque, indica o estudo, não é possível medi-las de forma tangível. A empresa destaca que este é o primeiro estudo do género realizado em Portugal baseado exclusivamente em critérios objetivos, ou seja, através de dados estatísticos concretos.

Um serviço de acompanhamento e de apoio personalizado para consumidores endividados é dinamizado, gratuitamente, nas instalações do Ninho de Novas Iniciativas Empresariais, localizado no primeiro andar do Mercado do Livramento, com a próxima sessão no dia 21 de abril. Depois de outros encontros já realizados entre janeiro e março, munícipes e funcionários da Autarquia podem ver esclarecidas questões sobre matérias de gestão de orçamento familiar e do crédito pessoal, numa última sessão deste ciclo, a realizar entre as 15h00 e as 17h00. O serviço tem origem num protocolo de cooperação celebrado entre a Câmara Municipal e o GEOC – Gabinete de Orientação ao Endividamento dos Consumidores, instituição que resulta de uma parceria entre a Direção-Geral do Consumidor e o Instituto Superior de Economia e Gestão. Integrado na Rede de Apoio ao Consumidor Endividado, o serviço procura informar os utentes sobre os direitos e deveres em caso de risco de incumprimento e apoiá-los na análise de propostas apresentadas por instituições de crédito. Através do protocolo celebrado pela Autarquia e o GOEC, os consumidores são acompanhados durante as negociações das propostas de crédito e recebem aconselhamento na avaliação da capacidade de endividamento que possuem. Os interessados devem fazer a marcação de atendimento até quatro dias úteis antes da sessão junto do Gabinete de Apoio ao Consumidor da Autarquia pelo telefone 265 545 393/0 ou através do endereço de correio gac@mun-setubal.pt.

Bispo celebra jubileu Os 25 anos da ordenação episcopal de D. Gilberto Canavarro dos Reis, bispo diocesano de Setúbal, foram celebrados a 12 de fevereiro, numa eucaristia especial na Igreja Catedral de Santa Maria da Graça, com a presença de bispos de todo o País. Na cerimónia, o bispo de Setúbal, ao destacar a importância de a Igreja ir ao encontro de toda a sociedade, realçou que a Diocese de Setúbal, tal como todas as outras, não pode estar fechada sobre ela mesma e deve procurar novos métodos de evangelização centrados nas pessoas. Na alocução, D. Gilberto agradeceu a presença da assembleia naquele momento especial, gratidão alargada à presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, que

também esteve no evento. Um dos momentos altos da cerimónia foi a leitura, pelo núncio apostólico em Portugal, de uma mensagem enviada pelo Papa Francisco, que congratulou D. Gilberto Canavarro dos Reis pelo jubileu episcopal e elogiou o vasto trabalho dinamizado pelo bispo de Setúbal. D. Gilberto Délio Gonçalves Canavarro dos Reis nasceu a 27 de maio de 1940, em Barbadães de Baixo, Vila Real. Foi ordenado padre em 1963 e bispo em 1989, numa nomeação feita pelo Papa João Paulo II. Lidera a diocese de Setúbal há mais de 15 anos, à qual chegou a 21 de junho de 1998 para substituir D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal, que também marcou presença na cerimónia.


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Setúbal aponta novos desafios Setúbal deve afirmar-se como a capital da Margem Norte do Sado. A estratégia foi defendida na primeira sessão de um ciclo de conferências temáticas. Novos desafios para o desenvolvimento regional foram apontados no encontro “Novos Desafios de Desenvolvimento para a Península de Setúbal” deu o mote ao primeiro encontro do Ciclo de Conferência Semmais, realizado a 7 de março, com a participação de personalidades de diferentes quadrantes sociais e económicos da região e do País. A afirmação de Setúbal como a capital da Margem Norte do Sado foi defendida pelo vicepresidente da Autarquia, André Martins, na sessão de abertura da conferência, promovida pelo jornal Semmais em parceria com o Município, dinamizada no Fórum Municipal Luísa Todi. “Não se trata de uma simples ideia bairrista, de afirmação da superioridade de Setúbal sobre os restantes concelhos da península, mas sim da afirmação da forte identidade de toda a região,

mais autónomo e menos dependente das relações pendulares com Lisboa”, constituindo-se como “cidade charneira de articulação da AML com o Litoral Alentejano”. O potencial de riqueza associado à Serra da Arrábida, ao rio Sado e à baía, assim como o porto da cidade e o facto de Setúbal acolher na Península da Mitrena um relevante polo de atividade económica e industrial foram outros argumentos realçados.

Afirmação sustentada

com vida própria, com cultura forte, com economia vigorosa e com vontade de se afirmar ainda mais.” André Martins sublinhou que a estratégia de desenvolvimento deve passar por um afastamento do conceito associado à expressão “margem sul” do Tejo, de uma região dependente de Lisboa, para se assumir, antes, com uma identidade própria e como parceira da capital do País. Crítico de uma Área Metropolitana de Lisboa (AML) que “progride a duas velocidades”, o autarca indicou que a realidade atual espelha uma AML “com o mais elevado nível de vida” do País, enquanto a Península de Setúbal “tem o PIB per capita que corresponde a apenas 70 por cento da média nacional”.

O protagonismo a assumir na afirmação da identidade sadina decorre, na ótica de André Martins, do facto de Setúbal “ser o polo urbano

No âmbito da estratégia de afirmação regional, André Martins, ao frisar que a Autarquia tem apostado no desenvolvimento do Estuário do Sado e na frente ribeirinha, indicou dois projetos a desenvolver, concretamente uma plataforma intermodal, ferroviária, ­rodoviária e fluvial, e o incremento das atividades náuticas através da criação de uma marina. Enquanto o primeiro projeto permitirá “intensificar a articulação da AML com o Litoral Alentejano e o Sul do País”, o segundo, para o qual “estão a ser feitos estudos para encontrar a melhor localização e viabilidade técnica e económica”, deverá focar-se na náutica desportiva, de turismo e de lazer. Tudo para que Setúbal se torne “num território mais competitivo e internacionalizado”, objetivo para o qual a Câmara Municipal pretende retomar a proposta do Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa de criação do Parque de Ciência e Tecnologia de Setúbal. A conferência incluiu vários painéis temáticos que abordaram questões relacionadas com reindustrialização, atividade portuária, requalificação ribeirinha, aposta na diferenciação, turismo local no quadro da região de Lisboa e economia social e políticas de solidariedade.

Arte encanta em toda a parte Novas produções artísticas embelezam o espaço público da cidade. Há máquinas estilizadas, um graffiti nostálgico, murais pintados e até um golfinho criado a partir de lixo. É o “Arte em Toda Parte”, dinamizado no âmbito da obra de construção do Alegro Setúbal. O projeto, a decorrer desde o ano passado, é promovido pela Immochan, empresa imobiliária do grupo Auchan, com o apoio da Autarquia, e tem como principal finalidade sensibilizar a população para a importância da preservação ambiental. Começou em outubro, com a iniciativa “Art

in Progress”, na qual street artists portugueses pintaram um conjunto de painéis de tapume que envolve a área de intervenção do futuro centro comercial. Seguiu-se o “Projeto.02”. A partir de duas toneladas de detritos recolhidos em duas ações de voluntariado para limpeza costeira nasceu “Bisnau”, uma escultura de um golfinho criada por um coletivo de artistas. A obra escultórica, com cinco metros, em exposição no Parque Urbano de Albarquel, é composta por 50 quilos de materiais reciclados. Foi criada por João Parrinha, Luis de Dios

e Xandi Kreuzeder, dos “Skeleton Sea”. O “Arte em Toda a Parte” continuou no início deste ano com o “Art in Motion”, no qual um conjunto de designers portugueses transformou em arte pública três betoneiras. “You are about to be Hypnotinzed!!”, de André Beato, “Watermelon by According to Panda”, de Cátia Tomé, e “Rabonaboca”, de João Dantas, são os títulos das intervenções artísticas realizadas nas viaturas. Mais recentemente, uma obra tridimensional de street art, pintada na técnica de graffiti, de grandes dimensões, foi reproduzida no Au-

ditório José Afonso, um trabalho a cargo do artista Sérgio Odeith. O mural, com 20 metros de altura, pintado na empena sul do auditório, localizado no Largo José Afonso, tem por base numa imagem antiga do Arquivo Fotográfico Municipal Américo Ribeiro que retrata um menino vendedor de pássaros. O “Arte em Toda a Parte” tem a finalidade de, durante mais de um ano, apoiar a realização de intervenções artísticas no concelho. Trabalhos produzidos são, posteriormente, integrados na arquitetura do Alegro Setúbal.


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Municípios ‘cavam’ cooperação Setúbal e Almendralejo são regiões próximas e com paralelismos em Portugal e Espanha que podem ser explorados. Os municípios repararam nas afinidades e celebraram um acordo de cooperação. O setor vinícola, com os vinhos moscatel e cava em destaque, é o elo mais forte. Mas esta é uma relação que se quer alargada A colaboração mútua e a partilha de experiências em projetos de diferentes quadrantes sociais e económicos servem de base de trabalho para um acordo de cooperação celebrado, a 14 de fevereiro, entre os municípios de Setúbal e Almendralejo. “Nos últimos anos, não apenas na região da Extremadura, mas como em toda a Espanha, tem persistido uma mentalidade errada, que ignora as potencialidades de um país tão próximo como Portugal. Julgo que isso está para mudar”, sublinhou o presidente do município espanhol,

José García Lobato, na assinatura do acordo, realizada em Setúbal, nos Paços do Concelho. A cooperação entre os municípios português e espanhol tem como ponto de partida a troca de experiências e o incremento das relações comerciais no setor do enoturismo, mas ambos os territórios desejam que o trabalho em parceria seja rapidamente alargado a outros setores, não apenas comerciais, como também sociais. “A proximidade e o afeto tudo unem. Nos dois concelhos há a preocupação e a vontade de resol-

ver problemas e esta é a chave, a de ajuda mútua, para que este acordo tenha potencial para ser um êxito e perdurar durante vários anos”, salientou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira. O concelho sadino e Almendralejo têm forte presença no setor de produção vinícola, com o moscatel e o cava, vinho espumante, a serem produtos diferenciadores no mercado. José García Lobato sublinhou que, além da cooperação direta no setor, o porto de Setúbal pode assumir um papel relevante na exporta-

ção de produtos espanhóis, nomeadamente dos vinhos extremenhos, para mercados em expansão, como Angola e Moçambique. Ambos os autarcas trocaram ainda ideias e experiências relacionadas com projetos de âmbito social. Maria das Dores Meira destacou estratégias com êxito local como a proximidade do Município a mecenas e políticas de participação cidadã. A título de exemplo nomeou os programas “Setúbal Mais Bonita” e “Ouvir a População, Construir o Futuro”.

Adesão estratégica à Europa Nostra

Embaixador da Índia recebido O embaixador da Índia em Portugal, Jitendra Nath Misra, foi recebido, a 25 de fevereiro, pela presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, num encontro em que se abordaram as relações entre a Índia e Portugal. A receção consistiu na apresentação oficial do diplomata, a desempenhar o cargo desde janeiro. No encontro com Maria das Dores Meira, o Município de Setúbal foi convidado a integrar as comemorações do Dia Nacional da Índia em 2015 e debateram-se as relações entre ambos os países, nomeadamente ao nível cultural, empresarial e de negócios, como a exportação do vinho local. A promoção das raízes culturais indianas, como a dança clássica tradicional, a gastronomia e o cinema, esteve também na agenda da visita. Novo encontro entre o diplomata e a autarca setubalense ­ficou agendado para maio.

A Câmara Municipal aprovou, a 5 de fevereiro, a adesão do concelho à Europa Nostra, rede promotora de campanhas de salvaguarda do património cultural e natural europeu. A adesão, a convite da Europa Nostra, deve-se à recuperação do Convento de Jesus, processo para o qual a instituição deu um contributo decisivo ao ter inscrito o edifício numa lista restrita de sete monumentos em risco, o que encetou um procedimento de definição de um plano financeiro internacional de apoio à recuperação integral do imóvel. A candidatura do convento à lista de monumentos em risco, apresentada pela Associação Portuguesa das Casas Antigas, com o envolvimento da Câmara Municipal de Setúbal, ficou em primeiro lugar por unanimidade dos membros do painel consultivo constituído para o efeito, com representantes da Europa Nostra, do Banco Europeu de Investimentos e do Conselho da Europa.

Geminação dinâmica Uma comitiva da Câmara Municipal visitou, no início de ­fevereiro, a cidade francesa de Pau, com o objetivo de promover a troca de experiências nas áreas de desporto, cultura e turismo. A iniciativa, na qual participou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, realizou-se no âmbito de um protocolo de geminação existente entre o Município sadino e aquela cidade do Sul de França, situada a cem quilómetros do oceano e a 50 dos Pirenéus. Visitas a diferentes equipamentos públicos e a locais reabilitados na zona histórica de Pau, intervenções que permitiram melhorar a imagem urbana, à semelhança da linha estratégica definida para Setúbal, foram pontos de passagem da comitiva, a qual contou, além de técnicos, com a participação do vereador da Cultura, Educação, Desporto, Juventude e Inclusão Social, Pedro Pina. Outro dos objetivos da deslocação sadina consistiu na revitalização da geminação existente com Pau, celebrada a 15 de setembro de 1991.


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Uma nova fase de uma empreitada de grandes dimensões que a Câmara Municipal de Setúbal lançou na urbanização de Vale de Cães, localizada em Brejos de Azeitão, está em curso. As intervenções, centradas nesta fase na Rua Sociedade Musical de Brejo Clérigo, incluem a criação de redes de saneamento básico e de abastecimento de água, bem como a definição de novas zonas de circulação pedonal, com vista a requalificar toda a área. A empreitada de beneficiação geral de Vale de Cães representa um investimento superior a um milhão de euros para a construção de diversas infraestruturas.

Vanicelos prolonga passeio

O prolongamento de um passeio em cerca de 60 metros melhora as condições de circulação pedonal nas imediações de uma instituição de solidariedade, na zona de Vanicelos. A obra liderada pela Câmara Municipal, num investimento de perto de 10 mil euros, realizada por empreitada, inclui a execução de um conjunto de arranjos urbanísticos numa área descaracterizada, a criação de uma pequena rede de drenagem de águas pluviais e a construção de uma ligação pedonal entre este novo acesso e a Rua Conde Ferreira. A colocação de mobiliá­ rio e a plantação de árvores são opções em estudo pela Autarquia.

Praias do Sado otimiza rede

A otimização do sistema de abastecimento de água na Rua do Carteiro, nas Praias do Sado, é alcançada através de uma empreitada que visa a reabilitação de uma parte daquela rede. A intervenção, um investimento global de 17.017,26 euros liderado pela Câmara Municipal, inclui a substituição de uma conduta, numa extensão com cerca de 130 metros, a mudança de oito ramais, bem como a passagem dos contadores de água para o exterior das habitações. A obra soluciona as dificuldades de abastecimento e melhora o serviço prestado, medida concretizada pelo aumento do caudal de água.

Rotunda facilita trânsito

A melhoria da fluidez do trânsito automóvel é a principal vantagem alcançada com a introdução de uma rotunda provisória no cruzamento dos Quatro Caminhos, equipamento rodoviário instalado desde o final de janeiro naquela área de entrada de Setúbal. A medida surge no âmbito da profunda transformação urbana em execução na entrada norte da cidade, impulsionada pelo novo Alegro Setúbal, que inclui a criação de uma ampla rotunda no final da A12. A implantação dessa infraestrutura rodoviária, na ligação com as avenidas Antero de Quental, Pedro Álvares Cabral e Álvaro Cunhal, gera alguns constrangimentos à circulação automóvel na zona, o que justifica uma reformulação provisória do trânsito na área envolvente.

Uma das soluções adotadas minimizadoras do impacte da obra e de apoio a um maior escoamento do trânsito é a circulação no cruzamento dos Quatro Caminhos, servido pelas avenidas Pedro Álvares Cabral e do Alentejo e pela Rua António José Batista, por meio de uma rotunda. No local foram executadas algumas operações que visam tornar mais cómoda e segura a circulação, como trabalhos de pavimentação, a introdução de elementos fixos de definição da rotunda e a instalação de sinalética. A Autarquia pretende ainda realizar um conjunto de ações de reabilitação das redes de saneamento e abastecimento existentes na zona. O projeto Alegro Setúbal, um investimento global da ordem dos 110 milhões de euros,

com uma área bruta de construção de 137 mil metros quadrados, promovido pela Immochan, empresa imobiliária do Grupo Auchan, prevê um redimensionamento do sistema ­viário na área. Além da melhoria e do embelezamento da principal entrada rodoviária na cidade com a implantação da mencionada rotunda no final da A12, a reformulação envolve o reperfilamento integral da Rua Nova Sintra e da Avenida Antero de Quental, para a qual está ainda programada a construção de um viaduto de acesso ao Alegro Setúbal, com quatro vias de circulação. Estas vias ficam dotadas de características mais urbanas, com novos passeios, ciclovias, espaços verdes e locais para estacionamento.

Poda conserva arvoredo

Um conjunto de árvores de grande porte da cidade é alvo, desde o início de fevereiro, de vários trabalhos de manutenção e conservação que visam o arejamento das copas das árvores e a melhoria das condições de segurança na circulação na via pública. As operações, integradas no plano anual de gestão do arvoredo do município, são realizadas por uma empresa especializada, que executa podas sanitárias, com incidência na remoção de troncos secos, e de manutenção, direcionadas sobretudo para a redução de copas. A intervenção, a decorrer previsivelmente até ao final de março, materializa um investimento municipal superior a 40 mil euros. As ações da equipa, concretizadas em vários locais da cidade, são apoiadas por meios mecânicos extensíveis e feitas, quando necessário, com recurso à técnica de escalada. A madeira proveniente destas ações é recolhida pela empresa para tratamento adequado, enquanto os ramos mais pequenos são triturados imediatamente após o corte.

Intervenções beneficiam Azeitão A criação de redes de saneamento e de abastecimento de água é uma das ações de beneficiação urbana a decorrer em Azeitão, intervenções lideradas pela Câmara Municipal que incluem a reabilitação de arruamentos. Na Jardia, em três ruas daquela área residencial, decorrem operações que visam a melhoria das redes de drenagem de águas residuais domésticas e de abastecimento de água, ações com conclusão prevista para breve. A empreitada, um investimento de 26.826,13 euros, inclui o prolongamento das infraestruturas de saneamento nas ruas do Areal e Casal Verde, bem como na Rua dos Aventurosos, local no qual é também executado o reforço da rede de abastecimento de água. A ligação da Rua Cesário Verde até à Rua do Choilo, com o prolongamento e beneficiação deste arruamento localizado na zona habitacional das Galeotas, é outra das intervenções a decorrer em Azeitão. A obra, um investimento de 58.813,77 euros com conclusão prevista para abril, inclui a criação de passeios e lancis, a colocação de sinalização horizontal e vertical e a pavimentação do arruamento.

local

Nova fase em Vale de Cães

O sistema de circulação automóvel no cruzamento dos Quatro Caminhos é reforçado com a introdução de uma rotunda. A medida, implementada a título provisório, enquadra-se no âmbito da profunda transformação urbana associada à obra de construção do Alegro Setúbal


especial

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Treino ajuda a salva Foram 24 horas a sobreviver num cenário de catástrofe. O sismo pôs em perigo famílias inteiras, desalojadas e feridas. Mais do que um contingente preparado e treinado de meios de segurança, é preciso educar a população. O Setlog 2014 serviu para isso mesmo. Testar o dispositivo de emergência e ensinar jovens e adultos que se voluntariaram neste exercício a salvar vidas

“No play, no play, no play”, ouve-se do rádio transmissor do voluntário da Cruz Vermelha Portuguesa que acompanha o grupo de “desalojados” Alfa, no percurso de orientação pelo centro histórico de Setúbal, depois de pedirem auxílio junto da Câmara Municipal. Passam 48 horas do sismo de 6.4 na escala de Richter, com epicentro na Ribeira de Coina, que provocou estragos em 688 edifícios, sobretudo no centro da cidade, 3709 desalojados e 821 feridos. “No play, no play, no play”, repetem­ ‑se as palavras que indicam não se tratar de uma simulação, mas de algo que está realmente a acontecer. “Se fosse simulação, diziam exercício, exercício, exercício”, explica Mauro, voluntário da Cruz Vermelha. Pouco passa das três da tarde de sábado, dia 8 de março, e a temperatura sobe aos 20 graus. O exercício Setlog 2014 começou uma hora antes para os cerca de 150 voluntários, entre alunos, famílias e amigos, mas para a Comissão Municipal de Proteção Civil o exercício já está em marcha desde essa manhã com a ativação do Plano Municipal de Emergência, com o posto de comando localizado na Escola Secundária 2,3 Lima de Freitas, para onde são encaminhados os desalojados. Ainda o percurso do grupo Alfa vai a meio, tendo começado na Praça de Bocage, onde foi explicado o funcionamento do posto SOS 6 ligado diretamente ao Centro Municipal de Operações de Socorro (CMOS),

Heróis de verdade

um dos muitos pontos de encontro e informação em caso de sismo ou tsunami espalhados pela zona histórica, já os oito alunos dos 7.º e 8.º anos da EB 2,3 da Bela Vista apresentam os primeiros sinais de falta de computadores, consolas e por aí fora, embora a fase inicial do itinerário fosse pela zona ribeirinha. Avenida Luísa Todi, Doca dos Pescadores e Jardim da Beira Mar são alguns locais de passagem no início desta “aventura” para os alunos Susana, Érica, Carina, Rita, Vanessa, Igor, Ivan e Diogo, acompanhados pelo professor de Educação Visual Paulo Pisco e, a completar o grupo Alfa, os escuteiros Sofia e Marco, que, de mapa na mão, verificam o caminho a seguir.

Prontos a socorrer Pouco depois da Ladeira de São Sebastião e de uma miragem para o Sado, avista-se um aglomerado junto da igreja paroquial. É tempo para uma breve paragem, não só para descansar, mas para uma pequena formação sobre primeiros socorros.

“Este exercício faz parte de um processo desenvolvido ao longo dos anos. Hoje, corresponde ao ponto alto da capacidade de resposta” Vereador da Proteção Civil, Carlos Rabaçal

Sem mais demoras, o Alfa junta­‑se ao outro grupo de “desalojados”, já sentados em meia-lua. Os elementos da Cruz Vermelha explicam o que uma mala deve conter para

“Os verdadeiros heróis são os civis.” A certeza é de Ulisses, subchefe do Grupo de Resgate e Salvamento da CBSS, que explicou, numa das sessões de esclarecimento do Setlog 2014, como qualquer pessoa pode intervir em cenário de catástrofe. Pôr-se a salvo e salvar os outros requer alguma preparação e conhecimento. Por isso se fazem exercícios como o Setlog 2014 e outros, incidindo sobretudo junto da população escolar. Mais do que ter uma mala de primeiros socorros, lanternas, rádios transístor – porque a comunicação social tem um papel fundamental na informação e no alerta às populações – e enlatados, é necessário saber como cada um se deve proteger em cenário, por exemplo, de sismo. Colocar-se ao lado e não

responder a várias situações de socorrismo, como traumatismos provocados, por exemplo, por uma queda, e demonstram como se faz a mobilização cervical. Igor é o volun-

tário “escolhido” para a colocação da coleira cervical, para regozijo dos colegas, que desatam a fotografar com “ameaças” de postarem no Facebook. A gargalhada é geral, mas Igor posa para a fotografia. Hora de se porem ao caminho. Ainda há muito pela frente. Às cinco da tarde, outra paragem em frente do Convento de Jesus. É Mauro, o voluntário da Cruz Vermelha, que explica o que fazer quando se encontra alguém imóvel que pode estar a dormir ou ter tido, por exemplo, um AVC. “São pequenas avaliações que podem salvar vidas”, alerta, referindo-se ao batimento cardíaco e à pulsação, em contagens de um minuto, com o indicador, nunca com o polegar. Uma última formação, sobre desobstrução das vias aéreas, está guar-

debaixo de uma mesa, proteger-se nas ombreiras das portas em paredes­ ‑mestras, não sair imediatamente para a rua, não utilizar elevadores e, principalmente, não entrar em pânico são algumas medidas a ter em conta. “As forças de segurança locais são as primeiras a sair”, mas para junto das respetivas famílias. O bombeiro sapador Ulisses, acompanhado da filha, esclareceu que, nestas situações, não se deve ficar à espera de salvamento e, muito menos, “fazer turismo de catástrofe, porque é feio ver o sofrimento dos outros”. Estando-se a salvo, deve-se, sim, ajudar quem está encarcerado, seja o vizinho ou o desconhecido. Por fim, um outro conselho: nunca, mas nunca, sair descalço (no play, no play, no play).


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var vidas

Os intervenientes

O Setlog 2014 teve a participação da Cruz Vermelha, do Corpo Nacional de Escutas, da Associação de Escoteiros de Portugal, da Cáritas Diocesana, das Misericórdias de Setúbal e Azeitão, do Centro Regional de Setúbal da Segurança Social, da PSP, das juntas de freguesia, dos bombeiros Sapadores e Voluntários e de toda a estrutura da Câmara Municipal.

“O público-alvo da Proteção Civil tem sido sempre as escolas e os alunos. Assim, estamos a educar os pais” Comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, Paulo Lamego

dada para a parte final do percurso. Aquela em que a subida pelas íngremes ruas da Anunciada e do Viso parecem ganhar um grau de dificuldade máximo depois de três horas de caminhada. Finalmente, os desalojados Alfa avistam os portões da Escola Lima de Freitas, ansiando por pousar malas e mochilas e matar a curiosidade do local onde vão dormir.

As comparações entre esta e a escola que frequentam na Bela Vista são inevitáveis. “Parece um hospital”, atiram uns. “Não tem cor nenhuma”, dizem outros, ainda do lado de fora do portão. Está na hora de descansar um pouco antes do jantar, no acantonamento montado no Pavilhão Municipal João dos Santos, não sem antes de uma fotografia de grupo para mais tarde recordar os quilómetros calcorreados e também a boa disposição em cenário de catástrofe. Enquanto uns se esticam nas camas de campanha, outros jogam às cartas. Há ainda quem tenha fôlego para cantar e tocar viola. Não há muito tempo livre até ao jantar, marcado para as sete e meia, no refeitório da escola.

Visivelmente cansados, voluntários e elementos que acompanham este primeiro dia ainda resistem para assistir ao programa preparado para a noite. Antes da ceia e do fogo de conselho – momento de animação por elementos do Corpo Nacional de Escutas – há sessões de esclarecimento temáticas, após o jantar, como “À Descoberta da Terra: Sismos e Vulcões”, “Desfibrilhação Automática Externa”, “Intervenção Civil em Cenários de Catástrofe” e “Plano Especial de Risco Sísmico na AML”.

Resgate de vítimas Ao toque da alvorada às seis da manhã, preguiçosamente, um, depois outro e outro, toda a gente está de

pé, pronta para o pequeno-almoço. É com saudades do quarto, da cama, do conforto que os jovens do grupo Alfa expressam a experiência de uma noite fora de casa, de tal forma que Susana desabafa preferir ser acordada pela mãe para ir à escola. Não é tempo para lamúrias porque há ainda muito caminho para trilhar na Serra da Arrábida, pela Estrada Romana do Viso, embrenhados por

“Nestas atividades, pormenores fazem a diferença para salvar vidas” Coordenador do Serviço Municipal da Proteção Civil e Bombeiros José Luís Bucho

alguma desorientação, fustigados pelos chuviscos e cansaço. Por volta das onze, a chegada ao Auditório José Afonso, adivinhando o fim do exercício, renova o alento. Sofia, 19 anos, do Agrupamento 1117 – Escuteiros Marítimos de Setúbal, ainda tem forças para subir os 35 metros da escadaria do auditório, o equivalente a dez andares, para de seguida descer em rappel, numa demonstração da equipa de resgate da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal. Outros voluntários dão o corpo e a coragem para exemplificar o resgate numa maca, em slide, de vítimas ­politraumatizadas. Sãos e salvos, ­todos os participantes do Setlog 2014 não saem vencidos desta aventura.


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Sapadores reforçam capacidade A ligação do Centro Municipal de Operações de Socorro, a funcionar no quartel da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, à rede SIRESP – Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal foi apresentada a 21 de fevereiro, nas comemorações dos 228 anos da instituição. A entrada de novos elementos da Cruz Vermelha para a equipa daquela central e a disponibilização de 25 equipamentos de comunicação com tecnologia que permite a utilização em atmosferas explosivas foram outras inovações asseguradas em matéria de proteção e segurança. “Esta modernização é um fator de enorme importância na melhoria das condições em que prestamos socorro às nossas populações, com mais agentes de proteção civil e melhores meios”, frisou a presidente da Câmara Municipal, Maria da Dores Meira, na visita às instalações ampliadas. O forte investimento da Autarquia nesta área não é apenas financeiro. Aposta também na qualificação dos recursos humanos e na transformação da CBSS numa referência nacional em matéria de proteção civil e formação. Nesta estratégia municipal en-

Operacionalidade fortalecida aos 228 anos. Um investimento municipal dota a Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal de novos recursos de resposta a situações de emergência. Na central de operações, um novo sistema de comunicação integrado reforça as ações em matéria de proteção e segurança

quadra-se a aquisição de novos e modernos equipamentos, meios que reforçam as capacidades operacionais dos Bombeiros Sapadores, alcançada por meio de uma

candidatura a fundos comunitários no valor global de 2,5 milhões de euros. Além dos equipamentos que já estão ao serviço, a Companhia de

Bombeiros Sapadores de Setúbal fica dotada de uma nova viatura autoescada de 45 metros, de uma viatura de desencarceramento pesado, de contentores multiusos e de

um veículo de combate a incêndios industriais e portuários. O Município vai ainda proceder, este ano, à beneficiação do quartel dos Sapadores, ação que engloba a instalação de novos portões, a melhoria dos balneários e do parque de estacionamento e a proteção solar do interior do edifício, bem como arranjos exteriores. Pelo 228.º aniversário, a autarca saudou os Sapadores “pelo saber que demonstram, dia a dia, em honrar o já longo passado da companhia, por continuarem a assegurar o futuro deste corpo de bombeiros profissionais” e por fazerem desta “uma das mais qualificadas e prestigiadas do País”. Na cerimónia foram condecorados operacionais pelos 10, 15 e 20 anos de serviço prestado e dado a conhecer um novo campo para treino, que está a ser criado no quartel, para a dinamização de exercícios em que são simulados cenários labirínticos, com altas temperaturas e pouca visibilidade. As comemorações do 228.º aniversário da instituição incluíram ainda uma cerimónia de hastear da bandeira e uma romagem ao Cemitério de Nossa Senhora da Piedade para deposição de uma coroa de flores no talhão dos bombeiros.

segurança

Prevenção defende Arrábida Máquinas militares desbravam, ao longo de quase 30 quilómetros, caminhos e trilhos no Parque Natural da Arrábida, uma operação sem precedentes, com conclusão prevista para o final de maio, enquadrada numa estratégia de prevenção de incêndios florestais. Trabalhos de desmatação manual e mecânica, de alargamento de plataformas e de execução de valetas, passagens hidráulicas e recarga e compactação de caminhos e trilhos são as principais intervenções asseguradas por operacionais do Regimento de Engenharia n.º 1 do Exército. Numa visita à Arrábida, no início de fevereiro, membros do Executivo e a presidente da Junta de Freguesia de Azeitão tiveram oportunidade de observar ações em de-

senvolvimento naquele território natural e conhecer procedimentos técnicos adotados em matéria de prevenção. Nesta intervenção, realizada no âmbito de um protocolo de colaboração entre a Autarquia e aquela unidade militar do Exército português, estão envolvidos, em permanência, nove militares e oito máquinas de engenharia. Além das zonas de circulação, uma área com 70 mil metros quadrados foi desmatada. Esta operação é um dos exemplos do sentido de responsabilidade pró-ativa assumida pela Câmara Municipal na defesa e proteção da Arrábida, ao substituir vários organismos do Estado nesta matéria, embora esteja limitada na gestão daquele território natural.

Centro forma em proteção O anteprojeto do Centro Internacional de Gestão de Emergência, infraestrutura inovadora em Portugal, a instalar em Setúbal, para formação na área da proteção civil, foi apresentado a 27 janeiro, num encontro realizado no Fórum Municipal Luísa Todi. O CIGE, a instalar na zona industrial da Mitrena, deverá ocupar uma área com 2,5 hectares, trantando-se de um projeto da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal (AHBVS) numa parceria com a Autarquia e a Sapec Parques Industriais. “Será único no País pela quantidade de simuladores” que albergará, reforçou o presidente da AHBVS, José Luís Bucho. O centro está vocacionado para dar formação teórica e prática na área da proteção civil a profissionais do setor, como bombeiros, mas também a empresas, com especial atenção às de natureza industrial, a instituições públicas e a tripulantes de navios. Ainda sem um valor de investimento determinado, as próximas etapas na criação do CIGE passam por acabar o projeto de maneira a que o mesmo possa ser apresentado a uma candidatura de fundos comunitários no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional. “É uma mais-valia para Portugal e para a Autarquia, detentora de um corpo de bombeiros profissional com elevadas necessidades de formação permanente”, sublinhou a presidente da Câmara, Maria das Dores Meira, sobre o CIGE, com capacidade para a formação simultânea de uma centena de pessoas. Neste âmbito, os Bombeiros Voluntários de Setúbal e a Associação para o Desenvolvimento do Conhecimento e Inovação assinaram, a 3 de março, em Lisboa, um protocolo de cooperação para a realização de ações no futuro CIGE. O acordo, de natureza científica e tecnológica, tem como finalidade principal o desenvolvimento de iniciativas que potenciem as capacidades do equipamento, apresentado no dia em que se comemorou 130 anos da primeira intervenção dos Bombeiros Voluntários de Setúbal.


turismo

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Mercado de produtos regionais

Produtos regionais e peças artesanais são atrativos do “Mercadinho do Moinho”, que se realiza no último domingo de cada mês, das 10h00 às 18h00, no Moinho de Maré da Mourisca. Queijo e enchidos, mel, compotas, licores e empadas e bolos encontram-se disponíveis. O artesanato está também no evento, com peças decorativas. O certame, de entrada gratuita, é uma organização da Autarquia, Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Junta de Freguesia do Sado e Reserva Natural do Estuário do Sado, com o apoio da Junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra.

Aula de cozinha ao vivo Três mercados, três aulas de cozinha ao vivo. O choco e o polvo pescados na costa portuguesa serviram para mostrar à população receitas originais. O público teve a oportunidade de interagir com mestres da culinária para esclarecer dúvidas Várias formas de confeção de receitas de choco e de polvo foram apresentadas em aulas gastronómicas abertas à população, dinamizadas, em março, nos mercado municipais 2 de Abril, da Conceição e do Livramento. Pastel de choco e poejo com arroz de tomate malandro e barco folhado de escabeche de polvo foram as propostas apresentadas na iniciativa “O melhor do nosso mar” ­realizada, a 6 de março, no Mercado do ­Livramento. “O objetivo é envolver as pessoas na gastronomia, despertar o interesse culinário e transmitir alguns conselhos nas formas de preparação e confeção dos alimentos”, sublinhou Vasco Alves, chef da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, acompanhado de alunos que frequentam o último semestre letivo. O pastel de choco e poejo foi o primeiro a

ser apresentado. Passo a passo, o chef foi demonstrando as diferentes etapas da receita. Destacou, logo no início, que a metodologia não é muito diferente da confeção de um típico pastel de bacalhau. A inovação está na “utilização de ingredientes diferentes”, afirmou. A adição de pão ralado ou de claras de ovo para se obter uma boa pasta foi uma das dicas reveladas aos “novos alunos” que marcaram presença no mercado, assim como o molde dos pastéis, que deve ser feito através de uma rotação forte e concisa das colheres. A utilização de poejo na receita foi igualmente explicada. “É uma erva aromática bastante intensa que confere um sabor muito agradável”, sublinhou Vasco Alves, para depois transmitir cuidados a ter na fritura dos pastéis, nomeadamente a temperatura do

óleo. Ao desafiar o público a questioná-lo sobre dúvidas gastronómicas, ouviram­ ‑se sobretudo perguntas relacionadas com a melhor forma de cozinhar o choco e o ­polvo. Na cozedura, esclareceu o chef, deve evitar­ ‑se a água e dar primazia ao vapor. “A utilizar, só um pouco de água do mar ­fervida.” Seguiu-se o barco folhado de escabeche de polvo. Esta entrada, cujos ingredientes base assentam na massa folhada e no polvo cozido, tem no escabeche o principal destaque. “É um molho típico e forte, muito avinagrado”, frisou, à medida que o público era desafiado a degustar a receita. A iniciativa de âmbito nacional “O melhor do nosso mar” é desenvolvida pela Docapesca e em Setúbal contou com as parcerias da Câmara Municipal e do Turismo de Portugal – Escolas.

O encanto do choco Os pratos de choco voltaram a ser reis na cozinha de mais de meia centena de restaurantes de Setúbal, envolvidos num festival gastronómico dedicado ao famoso cefalópode. O Festival do Choco, integrado num conjunto de eventos de promoção gastronómica e divulgação dos produtos regionais, realizado entre 22 de fevereiro e 9 de março, apresentou várias propostas de confeção. Os 57 restaurantes envolvidos nesta quinzena gastronómica, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, apresentaram ementas especiais

nas quais o choco foi servido de diferentes formas, do tradicional ao mais elaborado. No último dia do certame, na Casa da Baía, decorreu a sessão de cozinha ao vivo “Sabores de Choco”, dinamizada pela chef Fernanda Amaro. O Festival do Choco, organizado com o apoio das empresas Lallemand e Makro, é um dos eventos gastronómicos dinamizados pela Autarquia ao longo do ano com o objetivo de promover os produtos regionais e de apoiar a dinamização da restauração local.

Bolo-rei servido com música

O Dia de Reis foi celebrado na Casa da Baía, a 6 de janeiro, por uma centena de visitantes, iniciativa que incluiu gastronomia e música. Num ambiente de convívio, a tarde festiva começou com uma atuação da Classic Art Piano Academy, que interpretou temas natalícios. Seguiu-se uma mostra e degustação de bolos-reis confecionados com produtos locais por alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, iguaria acompanhada de moscatel. A iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, com os apoios de Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, Turismo de Portugal e Makro.

Oferta promovida em Espanha

A Câmara Municipal de Setúbal promoveu em Espanha atividades e recursos de vocação turística do concelho ao participar na 9.ª FIO – Feira Internacional de Turismo Ornitológico - Extremadura, o maior certame do género no Sul da Europa. No certame, realizado no Parque Nacional de Monfragüe, província de Cáceres, entre 28 de fevereiro e 2 de março, mostrou-se oferta turística nos segmentos da gastronomia e vinho, turismo da natureza e eventos culturais. A 6.ª edição da ObservaNatura foi um dos destaques apresentados pela Autarquia na feira, com a participação de mais de 10 mil pessoas.


plano central

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E

Horta com vista São hortas, mas são urbanas. A Câmara Municipal aproveitou espaço livre e disponibilizou-o para que munícipes semeassem legumes. Nos terrenos férteis dos viveiros das Amoreiras nasceram as Hortas Urbanas de Setúbal. Muitos percebem pouco de agricultura, mas a entreajuda resolve os problemas. Tudo biológico, tudo saudável, tudo ao sabor da Natureza

ncantada com a nova experiência, Eduarda Mateus fala com alegria da horta urbana que a Câmara Municipal de Setúbal lhe atribuiu nos viveiros das Amoreiras. “Parece que quando chegamos aqui as dores vão­ ‑se”, explica, por intermédio de um simpático sorriso. O vizinho hortelão Pedro Palhano percebe a graça da analogia, mas não evita uma coçadela no topo da cabeça e uma torcida dos lábios em sinal de reticências. “Olhe que comigo é mais ao contrário, dona ­Eduarda…” Na verdade, é assim com todos. Uma horta cobra muita dedicação e algum esforço físico, principalmente quando se prepara o terreno. A recompensa vem com os legumes a crescer e a ganhar vida. A colheita, mais tarde servida à mesa, representa o trabalho que havia sido plantado e que se assume como o milagroso efeito placebo a que dona Eduarda se refere. Para a maioria dos hortelões que conversaram com o Jornal Municipal o projeto das Hortas Urbanas de Setúbal é, antes de qualquer outra coisa, um passatempo. Uma forma

candidatos com situações socioeconómicas mais desfavorecidas, em particular desempregados ou com menor capitação financeira por agregado familiar. Cultivar com respeito No total foram distribuídas 72 parA Câmara Municipal inaugurou as celas com 30 metros quadrados Hortas Urbanas de Setúbal em julho cada, a que se juntam outras duas de 2013, localizadas em terrenos parcelas desenhadas especificacontíguos aos viveiros da Autar- mente para pessoas com mobilidade reduzida. quia, no Bairro das Amoreiras. Na fronteira entre a selva de pedra A procura rapidamente suplantou da cidade e a paisagem bucólica a oferta e, em julho, todas as hortas tinham donos com pintada pela Arrábida, estas hortas O êxito do projeto, idades compreendidas entre os 20 e comunitárias foram com menos de os 75 anos. Poucos criadas com o objeum ano, faz a meses depois registivo de promover e Autarquia pensar taram-se algumas incentivar as atividades de horticulna possibilidade desistências. tura em modo bioPedro Calhelha, que de levá-lo a outros atualmente faz a lógico. Com este projeponte entre serviços locais da cidade to são fomentadas camarários e horteformas ancestrais de trabalho do lões, fornecendo­‑lhes apoio técnisolo e o uso da partilha sustentável co sempre que solicitado, sente que da água, sempre em respeito pelas “algumas pessoas acabaram surprecaracterísticas e sazonalidade das endidas pela atenção que uma horta plantas. exige”. Em complemento, na seleção dos Saíram uns, entraram outros. hortelões foram beneficiados os Eduar­da Mateus e o marido, José, de descontração, em contacto com a natureza, numa estreita relação com a generosidade da terra.

são dos que entraram depois. “Foi logo no início disto, em agosto. É como se estivéssemos desde o primeiro dia e tem sido muito divertido desde então”, colhe dona Eduarda.

Cabaz saudável O cultivo divide-se em duas campanhas principais. Uma de primavera/verão, outra de outono/inverno, cada qual com características específicas. Na primeira é dada prioridade a hortícolas como alface, curgete, tomate, feijão, pimento e couve, em particular a portuguesa. Na segunda as plantações centram-se fundamentalmente nas nabiças, couve, alface, morangos, tomate, ervilhas e favas. “E os brócolos, que são tão bons, tão bons!”, acrescenta Eduarda Mateus. O vizinho Pedro é mais comedido nos elogios ao sabor dos produtos que colhe. “Não posso dizer que note grande diferença em relação aos legumes que compramos nos mercados. Pelo menos em relação ao sabor. Mas sem dúvida que os que cultivamos são de longe mais saudáveis. A agricultura


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ta sobre a cidade Factos no terreno

As Hortas Urbanas de Setúbal foram inauguradas a 4 de julho de 2013 e apresentam dados curiosos. O terreno atual está dividido em 72 parcelas, cada uma com 30 metros quadrados Há duas parcelas pensadas para pessoas com mobilidade reduzida. Estão sobrelevadas, tendo sido construídas em canteiros “gigantes”, em tijolo, para que pessoas em cadeira de rodas ou com dificuldades de locomoção não tenham de se baixar Os hortelões têm entre 20 e 75 anos A maioria dos utilizadores desloca-se às hortas ao fim de semana. Em média, há 40 hortelões aos sábados, da parte da tarde A água fornecida pelos serviços municipais provém de um furo artesiano feito especificamente para servir os viveiros das Amoreiras e o projeto das hortas urbanas Praticamente todos os hortelões cultivam através de transplantação, por ser mais rápido e os custos baixos. Uma minoria, em geral com mais conhecimentos técnicos, semeia as colheitas A Câmara Municipal empresta materiais e providencia espaço de arrumos. Alguns hortelões preferem guardar os utensílios em buracos escavados nas próprias hortas Na seleção dos candidatos foram considerados os casos de situações socioeconómicas mais desfavorecidas. Além disso, não podiam possuir mais nenhum tipo de exploração agrícola e tinham de ser maiores e residentes no concelho

biológica tem essa vantagem, afinal é o seu grande propósito”, analisa. Esta forma de agricultura caracteriza-se precisamente pela produção de alimentos de elevada qualidade, leia-se, muito saudáveis, ao mesmo tempo que promove práticas sustentáveis de impacte positivo no ecossistema. Os pesticidas estão completamente proibidos, tal como os adubos químicos de síntese e o recurso a organismos geneticamente modificados. Há uma lista de produtos e técnicas aceites como mecanismos de defesa das culturas. Por isso, os serviços técnicos dos viveiros municipais auxiliam os hortelões, facultando informações úteis sobre algumas “doenças” que podem aparecer nas hortas e os métodos mais eficazes e ecologicamente inofensivos de as combater. Tal não invalida que utilizadores como Manuel Silva se dediquem a limpar as culturas com recurso a uma boa dose de paciência. “As minhocas são catadas à mão, uma a uma”, explica. Por isso, um vizinho hortelão,

usando da boa disposição que impera nesta comunidade, mete-se com o colega septuagenário. “Hoje ainda não o vi a rezar em cima da horta”, semeia a pequena provocação, explicando ao grupo que Manuel Silva parece estar a orar enquanto cata as larvas das hortaliças. Natural de Torres Vedras, onde cresceu no meio do campo, Manuel Silva está à vontade com os desafios que a horta de que é responsável lhe lança. “Isto é fácil. Até porque o terreno é pequenito. Nem dá para aquecer. Basta fazer um bocadinho todos os dias para depois levar sacas cheias para casa”, esclarece o descontraído hortelão.

Memória de enxada ajuda Manuel Silva tem uma pequena vantagem em relação à maioria dos colegas. “Em miúdo ajudava o meu pai nas coisas do campo. Se não fosse cavar, levava com a enxada nas costas para não ter de pensar duas vezes da próxima que me mandasse fazer uma tarefa”, recorda. Já Eduarda e José Mateus apenas conviveram em crianças com as

hortas de família, mas sem grande proximidade com este tipo de trabalho. Pedro Palhano, 43 anos, cresceu na cidade e, embora tenha igualmente algumas afinidades ao campo, está à descoberta deste novo mundo. “Mais difícil é a gestão do tempo. Só posso vir uma hora por dia, dedicada muitas vezes à rega, em vez de fazer algum arranjo que precise”, explica. Mas Pedro, que encara o projeto com uma postura pedagógica de “tentativa e erro”, recorda-se da primeira vez que levou uma “salada” para casa. “Foi com alegria que pus os primeiros legumes em cima da mesa. E convém lembrar que os excedentes damos a vizinhos e amigos.” Cada horta e cada hortelão dá uma história diferente. Eduarda e José Mateus, por exemplo, vão todos os dias à respetiva parcela. “Moramos do outro lado da rua”, explica José, 65 anos. “Faça chuva ou faça sol, dá sempre para dar um pulo aqui e ver como vão as coisas.” Manuel Silva também aparece com regularidade, mas o mesmo não acontece com Pedro Palhano, que evita os dias de chuva, ou António

Madeiras, colega do lado oposto do terreno, que dedica uma a duas horas por dia “a não ser que o tempo esteja desgraçado”. António, se a expressão houvesse, seria “agricultor de água doce”, pois tinha apenas “alguns conhecimentos de miúdo da aldeia”, em Abrantes. De resto, amigos hortelões e internet dão a ajuda necessária para que a horta esteja o mais viçosa possível. A horta urbana está em nome da nora, mas é António Madeiras o único a trabalhar nela. “Reformado, há mais tempo livre. Além disso, este é o meu ginásio. É impossível não ficar em forma com este passatempo”, reflete, acrescentando ainda que “a família perdoa alguma inexperiência do que vai para a mesa”, garantindo de seguida que “o sabor não tem comparação” com o que é vendido. Raros são os casos em que os mais novos ajudam nas tarefas das hortas. Mesmo assim, os netos de António Madeiras já viram o avô a arrancar umas cenouras. “Ficaram maravilhados. Sabiam que vinham da terra ou ‘algo parecido’, mas mostrarlhes como é realmente acabou por ser uma experiência de vida para eles.”

Embora a produção da horta não seja suficiente para largar de vez as compras nos supermercados ajuda nas contas da casa. “Esta foi uma excelente ideia da Câmara. Deviam arranjar mais espaços destes, pois há ainda muitas pessoas a querer vir para aqui”, sentencia António Madeiras. A ampliação do espaço é algo que a Autarquia tem neste momento em projeto para o terreno dos viveiros das Amoreiras e encontra-se em fase de estudo a aplicação deste conceito noutras zonas da cidade, como na Alameda das Palmeiras. Cada titular paga atualmente 7,50 euros mensais para usar a parcela. O valor, simbólico, funciona como compensação parcial dos encargos relacionados com o funcionamento das hortas e do fornecimento de água. Além de apoio técnico e de ser dada prioridade na inscrição em cursos de agricultura biológica e na participação de campanhas de educação ambiental, a mensalidade inclui igualmente acesso ao adubo orgânico resultante das zonas de compostagem espalhadas pelo terreno das Hortas Urbanas de Setúbal.


Glória inesperada no fado Tem 24 anos e arrecadou os dois galardões a concurso numa prova para fadistas amadores. Pode ser o estímulo para optar pelo fado em detrimento de outros géneros musicais ou de uma carreira como instrumentista

O sintrense André Gomes conquistou os dois prémios em disputa no VI Concurso de Fado Amador de Setúbal, atribuídos pelo júri e pelo público, mas ficou surpreendido por vencer a competição. O êxito obtido pode ser o empurrão que faltava para enveredar em definitivo por uma carreira no fado, apesar de também gostar de outros géneros, como o hip-hop, e de ser músico numa banda filarmónica. O fadista amador preocupa-se agora com um dos prémios que ganhou. “Ainda não tenho bem a noção do que significa atuar na Feira de Sant’Iago. Nunca cantei para tanta gente junta. Ainda falta algum tempo,

MEMÓRIA. As comemorações dos 261 anos da cantora lírica setubalense Luísa Todi, a 9 de janeiro, conferiram “valor e significado” à identidade cultural de Setúbal e lembraram como é “importante que as gerações mais novas perpetuem a memória das grandes personalidades culturais da cidade”, assinalou o vereador da Cultura, Pedro Pina, em cerimónia evocativa. A homenagem à diva sadina incluiu ainda um concerto pelo Coral Luísa Todi.

mas já sinto uma responsabilidade enorme pela confiança que me é depositada”, referiu, após a consagração na final, realizada a 22 de fevereiro, na Sociedade Musical Capricho Setubalense. André Gomes, 24 anos, recebeu ainda um fim de semana para duas pessoas no Hotel do Sado e um prémio pecuniário. Tudo isto a dobrar, uma vez que arrecadou tanto o prémio do júri, como o do público. A setubalense de 16 anos Joana Lança ganhou a vaga restante no cartaz da Feira de Sant’Iago, por tido ficado em segundo lugar nas notas atribuídas pelo júri da prova, composto por João Pereira Bastos,

presidente, Joana Amendoeira e Carlos Jorge Espanhol. Raul Fernandes, 34 anos, da Costa de Caparica, ficou na terceira posição e, tal como Joana Lança, ganhou um prémio pecuniário. A final, com os fadistas acompanhados por Custódio Magalhães, na guitarra portuguesa, e Vítor Pereira, na viola de fado, conta ainda com as participações de Marília Pais, Francisco Valentim e Maria de Jesus Ferreirinha. O vereador da Cultura da Câmara Municipal, Pedro Pina, sublinhou na entrega dos prémios que o Concurso de Fado Amador de Setúbal “é mais um exemplo, entre muitos

possíveis, daquilo que é a estratégia delinea­da para uma cidade virada para a cultura”. Para o autarca, a aposta no desenvolvimento cultural passa também por fortes parcerias entre a Autarquia e outros agentes do concelho, nomeadamente do movimento associativo, realçando a estreita relação estabelecida com a Capricho Setubalense na organização do concurso. O presidente daquela coletividade sadina, Nuno Marques, salientou que, entre as duas semifinais e a final, passaram pela Capricho Setubalense cerca de 600 pessoas. A gala final contou ainda com a

cultura

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atuação especial da fadista Joana Amendoeira, que realçou a importância deste evento, ao “projetar novos intérpretes de fado”. O Concurso de Fado Amador contou com os apoios da empresa Gasvari, da Junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra, da Rádio Amália e da Fundação BuehlerBrockhaus. Hans-Peter Brockhaus, de naturalidade alemã e há vários anos a viver em Setúbal, realçou que o fado “merece todo o apoio, não apenas como divertimento, mas como uma arte maravilhosa que é, com todo o mérito, património imaterial da humani­ dade”.

Aula de mestre da guitarra

Sonho antes da obra O escritor José Eduardo Agualusa revelou em Setúbal, a 10 de janeiro, numa conversa com leitores, na Casa da Cultura, que o livro “A Vida no Céu” teve origem numa frase que lhe surgiu num sonho. “O livro começa com ‘depois que o mundo acabou fomos todos para o céu’. Sonhei essa frase inicial e todo o livro se constrói a partir dela”, adiantou o autor angolano no encontro, do ciclo “Muito Cá de Casa”. Este romance, ponto de partida da sessão literária, promovida pela DDLX em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal, é “uma parábola ecológica”, uma “reflexão sobre o

planeta”, escrito para os dois filhos, de 16 e 9 anos, que “foram dando sugestões”. A obra, sobre a transferência da vida humana para o céu, em cidades flutuantes, devido a um desastre ambiental que tornou impossível a existência na Terra, obrigou o autor a um exercício complexo. “Tentei colocar-me no lugar destas pessoas e pensar no que me faria falta no céu. O mais divertido foi construir todo esse mundo imaginário”, confidenciou. “Este livro funcionou como um espaço de recreio, depois de outros, como ‘Teoria Geral do Esquecimento’ e ‘Barroco Tropical’, mais sombrios, diria.”

O mestre da guitarra portuguesa António Chainho, além de um concerto, esteve em Setúbal a 31 de janeiro para uma masterclass em que revelou, com ponta de humor, o trajeto artístico de meio século de carreira. No encontro, na Casa da Cultura, o músico adiantou que fez um percurso atípico para um guitarrista de fado, ao passar por poucas casas de Lisboa. Começou na “Severa” e seguiu-se o restaurante “Folclore”, vocacionado para o turismo, que “era muito melhor” porque “ganhava mais e principalmente porque saía à meia-noite”, ao contrário das habituais três ou quatro da manhã. Amália, que tinha “uma voz que dava para tudo”, e Carlos Paredes, “um génio que não devia ter feito mais nada na vida além de tocar guitarra e representar Portugal e esta arte no estrangeiro”, foram recordados por António Chainho. O mestre, marcado por alguns momentos no início da carreira em que guitarristas que admirava se negaram a dar-lhe qualquer tipo de apoio, atitude, de resto, habitual na época, sentiu necessidade de abrir escolas de ensino de guitarra portuguesa, tendo sido o primeiro a fazê-lo no País. Foi uma conversa descontraída com admiradores, de cerca de uma hora, na qual marcaram presença o vereador da Cultura, Pedro Pina, e o diretor do Fórum Luísa Todi, João Pereira Bastos. Poucas horas depois, António Chainho subia ao palco do Fórum para um concerto em que participou o músico Rão Kyao e as fadistas Marta Dias, Inês Pereira e Ana Vieira.


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Fórum clássico e moderno

Janeiro trouxe uma opereta. Em fevereiro ouviu-se música lírica, em contraste com temas portugueses modernos e românticos. No mês de março vários artistas de renome celebraram datas especiais na carreira e no País. O Fórum Luísa Todi dá música. E da boa Operetas, lirismo, músicas do mundo e temas exclusivamente portugueses. O Fórum Municipal Luísa Todi começou 2014 a todo o ritmo e a variedade de espetáculos sucede-se numa catadupa de grandes artistas a passar pelo palco da principal sala cultural do concelho. Logo no segundo dia do ano, duas centenas de intérpretes do Coro do Teatro Nacional de São Carlos e da Orquestra Sinfónica Portuguesa apresentaram a versão semicénica da opereta “Candide”, da autoria de Leonard Bernstein.

O espetáculo, dirigido por João Paulo Santos, esgotou por completo o Fórum Luísa Todi. Num registo mais erudito, seguiu­ ‑se, em fevereiro, a Gala Luísa Todi – Jovens Clássicos, naquele que foi o primeiro concerto do projeto setubalense Luísa Todi – Jovens Clássicos, destinado à promoção de cantores líricos em início de carreira. A gala contou com a participação da Orquestra Metropolitana de Lisboa, conduzida pelo maestro Jean-Sébastien Bérau, e das solistas Cris-

tiana Oliveira, soprano, e Tamila Kharambura, violinista. Mas o Fórum Luísa Todi também vive de ritmos modernos. Camané passou por Setúbal para apresentar o espetáculo “O Melhor | 1995-2013”. Bastaram duas semanas para que a bilheteira esgotasse e uma hora e meia para que o público vibrasse em noite de inverno com o melhor do fadista. Ainda em janeiro, José Perdigão e Sons Ibéricos homenagearam poetas, músicos e compositores de Espanha, Brasil e Portugal, num concerto com a participação especial de José Cid. O Fórum Luísa Todi faz agora também parte da história da carreira de Toy, onde o cantor deu dois concertos especiais retrospetivos, gravando pela primeira vez espetáculos ao vivo para posterior lançamento de um DVD. Em Dia dos Namorados, João Pedro Pais trouxe “Improviso” a Setúbal. Perante casa cheia, o cantor e compositor recuperou muitos dos principais sucessos da carreira. Também com sala esgotada, padrão habitual nos espetáculos do Fórum Luísa Todi, Sara Tavares festejou com o público setubalense, a 8 de março, Dia Internacional da Mulher, duas décadas dedicadas inteiramente à música. Dias antes, os históricos UHF foram “Filhos da Flor de Abril”, quando apresentaram, ao som do rock, um concerto especial da banda para assinalar os 40 anos da Revolução dos Cravos. O espetáculo, que incluiu momentos de homenagem a José Afonso, serviu ainda de lançamento ao festival Rock no Sado, previsto para agosto, no Parque Sant’Iago.


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‘Peregrinação’ passa por Setúbal

cultura

Um dos maiores ilustradores portugueses expôs em Setúbal as pranchas de uma das maiores referências da história da banda desenhada de Portugal. A Casa da Cultura recebeu José Ruy e “Fernão Mendes Pinto e a sua Peregrinação”. Uma oportunidade rara para ver e ouvir a história do País contada em quadradinhos

Arte contemporânea

José Ruy, artista que se tornou uma referência na história do desenho e da ilustração portuguesa, passou pela Casa da Cultura em fevereiro para apresentar a exposição “Fernão Mendes Pinto e a sua Peregrinação”.

A mostra, patente entre 8 de fevereiro e 11 de março, consistiu na exibição de várias pranchas da versão em BD de “Peregrinação” criada por José Ruy na década de 50. Além da exposição, a iniciativa incluiu outros trabalhos do autor, as-

sim como objetos ligados à história da litografia em Portugal. José Ruy marcou presença não apenas na inauguração da mostra, mas em masterclasses realizadas na Casa da Cultura, em encontros com o público nos quais partilhou mui-

tas das memórias da longa carreira, iniciada em 1947 e desde sempre ligada à ilustração. “Primeiro era contra o digital e por isso mesmo continuei a insistir. Se não podemos vencer o inimigo, juntamo-nos a ele”, confessou José Ruy na masterclass realizada após a inauguração da exposição. Atualmente com 83 anos, o ilustrador abraçou a evolução das diferentes técnicas de desenho digital contemporâneas, motivo pelo qual, destacou, acabou por se render a programas como o Photoshop. A exposição, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal em parceria com o atelier DDLX, assinalou também os quatro séculos da obra do cronista português Fernando Mendes Pinto. Esta efeméride levou José Ruy a preparar uma quarta edição da banda desenhada, brevemente disponível numa versão que será acompanhada por um DVD. Neste trabalho, a epopeia portuguesa é contada através dos desenhos do ilustrador e da banda sonora criada a partir do álbum de 1982 “Por Este Rio Acima”, do músico Fausto.

O concelho à vista dos anos 40 O fotógrafo amador Álvaro Dias apresentou na Casa da Cultura “Percursos”, exposição que, entre 11 de janeiro e 4 de fevereiro, revelou imagens da sociedade setubalense nos anos 40. Numa organização da Câmara Municipal e da DDLX, a iniciativa surge a partir do livro “Em Terras de Rio Feito Mar”, uma edição da Universidade Popular de Setúbal que reúne, entre outras temáticas, imagens de bairros de lata, da pesca através da arte do cerco, de bar-

Obras de artistas da coleção de arte contemporânea do Museu de Setúbal/Convento de Jesus estiveram patentes na Galeria Municipal do Onze. “Além do Óbvio” mostrou, entre fevereiro e março, criações de Adão Rodrigues, António Alberto Osório de Castro, Carlos Eirão, Carlos Lança, Cláudia Hora, Laura Cesana, Luís Badosa, Manuel Vilarinho, Matos Cardoso, Moita Macedo, Paulo Rego, Sérgio Costa, Sofia Arez e Tomás Mateus.

Enterro com alegria

cos vistos de terra e de miúdos que esperavam a “rânchea”, como eram conhecidos os restos de comida dos homens do mar. Na inauguração da mostra do fotógrafo de 90 anos estiveram presentes o vereador Manuel Pisco, bem como Francisco Lobo, ex-presidente da Câmara Municipal, e Regina Marques, antiga vereadora da Autarquia, presidente da Universidade Popular e responsável pelo prefácio do livro que apresenta as fotos de Álvaro Dias.

O tradicional Enterro do Bacalhau marcou o fim das festividades carnavalescas. Um divertido cortejo no dia 5 de março, à noite, pelo Bairro Santos Nicolau, entre as sedes do Grupo Desportivo “Os Amarelos” e do Núcleo dos Amigos do Bairro Santos Nicolau, organizadores da iniciativa, foi encabeçado por elementos “solenes” do clero e levou várias dezenas de populares a despedirem-se com alegria do Carnaval de 2014.

Memórias da guerra

“A Memória da Grande Guerra (1914-1918): exposição bibliográfica e documental”, que assinalou os 100 anos do conflito, esteve patente entre 1 e 28 de fevereiro na Biblioteca Pública Municipal. Testemunhos portugueses na imprensa e noutros documentos históricos preencheram a mostra, apresentada por João Reis Ribeiro e organizada em parceria entre a Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama.

Alfaiataria intemporal

“O alfaiate através dos tempos” é o título de uma exposição, patente entre 3 de março e 6 de abril, na Casa da Baía, focada na alfaiataria do século XX. A mostra, de pintura e recriação, revelou o trabalho do antigo alfaiate e artista plástico Victor Gaspar e incluiu várias visitas guiadas. O projeto cultural, desenvolvido no âmbito do envelhecimento ativo, assinalou igualmente os 80.º aniversário do autor.


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ambiente

Campanha apela a boas práticas

Investimentos defendem património da Arrábida A partilha de responsabilidades é a chave do sucesso para a defesa da Arrábida. A estratégia ficou patente num seminário dedicado à prevenção e preservação daquele património natural. Setúbal dá o exemplo com um conjunto de investimentos centrados na proteção de um bem que é de todos e alerta para mais empenho do Estado “Parque Natural da Arrábida – da Prevenção à Preservação”. A temática focou atenções num seminário promovido no final de fevereiro, com destaque para os investimentos municipais na defesa e proteção da cordilheira candidata a Património Mundial Misto da Humanidade. A Arrábida é, “sem qualquer dúvida, um património que importa preservar em permanência, sem hesitações, sem falhas, sem estrangulamentos, sejam eles de que natureza for”, sublinhou a presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, na abertura do encontro, realizado no Fórum Municipal Luísa Todi. A autarca, ao realçar o empenho intermunicipal “em fazer da Arrábida um património de todos”, com ações direcionadas para a preservação e prevenção de riscos, frisou que os Municípios assumem, “muitas vezes, responsabilidades formais que são do Estado central e dos proprietários”. A postura da Administração Central “contrasta com uma muito maior pró-atividade na permanente fiscalização administrativa da atividade das autarquias”, afirmou, enquanto alertou que “também é necessária uma maior pró-atividade na resolução de problemas e na disponibilização de meios” para a defesa e proteção da Arrábida. A realização de um protocolo de colaboração com o Exército, através do Regimento de Engenharia n.º 1 da Pontinha, para a reabilitação de caminhos e o controlo da densidade florestal no

Parque Natural da Arrábida foi um dos investimentos destacados pela edil. A dinamização de iniciativas de sensibilização junto da comunidade escolar, o funcionamento do Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal e a elaboração de planos intermunicipais de defesa da floresta contra incêndios e de planos operacionais municipais foram outras medidas enunciadas. A proteção daquele território é feita também com “o financiamento e a manutenção de corporações de bombeiros profissionais e voluntários com elevado grau de operacionalidade”, destacou a autarca, para lamentar a “limitada possibilidade de intervir mais ativamente na gestão” da Arrábida.

Responsabilidade partilhada A procura de soluções e medidas para proteger o “precioso património da Arrábida”, feita com recurso a parcerias, regista efeitos muito positivos, referiu Maria das Dores Meira.

“Um dos indicadores é a reduzida área ardida no Parque Natural da Arrábida nos últimos anos.” A diminuição da área ardida no Parque Natural da Arrábida no ano passado, que se ficou pelos 1,29 hectares (noutros anos existem valores que ascendem às quatro dezenas de hectares) e o registo de apenas 14 ocorrências, as quais, em grande parte, se trataram de falso alarme, foram alguns dos números apresentados. O seminário, que incluiu, no final, uma visita de campo ao Parque Natural da Arrábida, continuou com uma série intervenções temáticas que deixaram patente o trabalho dinamizado por um conjunto de entidades e instituições com responsabilidades naquele território. O Plano Intermunicipal de Defesa da Floresta, instrumento direcionado para a gestão e planeamento de ações de defesa e prevenção de incêndios, atualmente em revisão, foi um dos assuntos em destaque no seminário realizado a 28 de fevereiro. O balanço das intervenções dinamizadas pelos militares do Regimento de Engenharia n.º 1 da Pontinha na defesa da floresta contra incêndios foi também apresentado no encontro. O seminário foi organizado pelas câmaras municipais de Setúbal, Palmela e Sesimbra, pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e pelo Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal da Arrábida.

“Setúbal em bom ambiente”. A campanha de sensibilização está em marcha e apela aos munícipes que adotem práticas ambientais sustentáveis, com o objetivo de melhorar a imagem urbana da cidade e o consequente incremento da qualidade de vida. A sensibilização para a recolha dos dejetos caninos na via pública, com particular incidência nos espaços verdes, onde o risco de contacto humano é maior, nomeadamente com crianças, é um dos enfoques da iniciativa promovida pela Câmara Municipal. Numa abordagem educativa junto das populações, foi enviado para todos os proprietários que cumpriram a legislação ao registar os canídeos na junta de freguesia de residência um documento com informação sobre os cuidados básicos a ter ao passear o cão. A higiene e a saúde do animal dentro e fora de casa, entre outros aspetos para a segurança de todos, são tópicos destacados no folheto “Cuide do seu Cão para o bem-estar da População”, que alerta, ainda, para as coimas existentes pelo incumprimento da lei, que variam entre os 50 e os 1000 euros.

Figueirinha em tons de azul

A Praia da Figueirinha é candidata, pelo sexto ano consecutivo, ao galardão Bandeira Azul. A prestigiada distinção, que atesta a qualidade de excelência de uma zona com uso balnear, é atribuída pela Associação Bandeira Azul da Europa. Este galardão tem como objetivo elevar o grau de consciencialização dos cidadãos em geral e dos decisores em particular para a necessidade de se proteger o ambiente marinho e costeiro e incentivar a realização de ações conducentes à resolução de problemas existentes. “Poluição dos Oceanos” é o tema de 2014 da Bandeira Azul, distinção atribuída mediante avaliação de 32 critérios, 28 dos quais de cumprimento obrigatório, repartidos pelos grupos “Informação e Educação Ambiental”, “Qualidade da Água”, “Gestão Ambiental e Equipamentos” e “Segurança e Serviços”. A Bandeira Azul começou a ser implementada à escala europeia em 1987, por iniciativa da Fundação para a Educação Ambiental, com o apoio da Comissão Europeia.


freguesia

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Bairro Humberto Delgado reforça qualidade urbana O Bairro Humberto Delgado viu reforçadas as condições de vivência urbana com um conjunto de intervenções que permitiu, entre outras, criar passeios em falta. Há também novos muros de contenção que impedem o deslizamento de terras para a via pública e o entupimento de sumidouros. A requalificação prossegue

Mais de mil metros quadrados de pavimentos pedonais foram instalados no Bairro Humberto Delgado no âmbito de uma intervenção, ainda com trabalhos no terreno, executada pela Junta de Freguesia de S. Sebastião, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal. As operações, realizadas em vários locais daquele bairro edificado no início da década de 70, sobretudo nas imediações de imóveis, materializam uma resposta direta às necessidades das populações daquele território que há largos anos aguardavam condições condignas de circulação pedonal. “Nesta intervenção conseguimos eliminar um conjunto de situações que afetavam o quotidiano dos munícipes. Agora, os moradores saem de casa e já não circulam por áreas descaracterizadas e lamacentas”, realça o presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, Nuno Costa. As requalificações no Bairro Humberto Delgado, em execução há cerca de um ano e meio, englobam um conjunto de outras ações de melhoria urbana, como a colocação de corrimões, a definição de bolsas de estacionamento, a criação de muros e o nivelamento de caixas de visita de águas residuais e pluviais. Nas traseiras da Rua Fialho de Almeida, além das operações de pavimentação em torno de edifícios, está a ser criado, numa extensão com cerca de 20 metros, um muro de contenção de terras, com uma pequena área verde, bem como um acesso pedonal. Com o novo muro de contenção, “evita-se o aluimento de terras para a via pública e o entupimento do sistema de drenagem de águas pluviais”, sublinha Nuno Costa, para adiantar que outras situações a resolver naquele bairro, já identificadas, são concretizadas em breve. “Esta é a pequena grande obra de proximidade. São estas intervenções para as quais as juntas de freguesia estão talhadas”, refere o presidente da Junta de S. Sebastião sobre as obras no Bairro Humberto Delgado, um investimento global que ultrapassa os 25 mil euros.

Arranjo beneficia Quinta da Serralheira Um arranjo urbanístico a criar num dos principais acessos à urbanização Quinta da Serralheira, obra que inclui a criação de uma rotunda, é uma das intervenções que a Junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra prevê executar em breve. A obra, um investimento de cerca de 5 mil euros, a concretizar com o apoio da Autarquia, visa a beneficiação de uma área daquela zona habitacional do Alto da Guerra, dotando-a de novas condições de utilização para as populações. A intervenção, com a duração prevista de dois meses, inclui a construção de zonas de circulação pedonal e a definição de pequenas áreas com vegetação, bem como a criação de uma

rotunda, com o intuito de facilitar o acesso à Quinta da Serralheira. “A melhoria da imagem e da mobilidade urbana são os principais objetivos desta obra”, salienta o presidente da Junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra, José Belchior. Além da criação de “condições mais condignas de usufruto naquela urbanização”, a operação permite a beneficiação do acesso automóvel à Quinta da Serralheira, realça José Belchior. Na urbanização Quinta da Serralheira, a junta de freguesia instalou recentemente um equipamento para a divulgação de informações para os munícipes. Estruturas semelhantes foram colocadas nas urbanizações Vale Ana Gomes e Quinta da Amizade.

Deusa alinda parque em Azeitão A atratividade do Azeitão Bacalhôa Parque é reforçada com uma peça de arte de grandes dimensões alusiva à atividade vinícola. A escultura está instalada desde o início de março numa área central daquele espaço de lazer de Vila Nogueira. “Deusa do Vinho”, da autoria do artista Pedro Marques, foi adquirida pela Junta de Freguesia de Azeitão, com o apoio de mecenas da região, num investimento global da ordem dos 4 mil euros que melhora a imagem daquele espaço muito utilizado pelas populações. A peça, construída em ferro, com a figura de uma mulher envolta em parras de videira, é “alusiva a um dos principais símbolos de Azeitão”, assinala a presidente da Junta de Freguesia de Azeitão, Celestina Neves. A obra escultórica, com cerca de dois metros

de altura, está instalada numa zona perto do quiosque existente naquele local. A base de suporte para a escultura foi construída por uma equipa da Junta de Freguesia de Azeitão, responsável, igualmente, pela preparação do terreno. “Esta peça vem embelezar ainda mais o Azeitão Bacalhôa Parque”, realça Celestina Neves, aludindo a uma série de outras intervenções já concretizadas naquele espaço de lazer e de recreio, como um anfiteatro para pequenos espetáculos e um circuito de manutenção. Além da intrínseca relação com Azeitão, a escultura “Deusa do Vinho” integra um outro simbolismo, a vertente feminina. A peça foi inaugurada a 8 de março, numa cerimónia englobada nas celebrações do Dia Internacional da Mulher.


Jogos abertos à população Aquilo que são os Jogos do Sado deste ano foi mostrado na cerimónia de abertura. Setúbal ficou a conhecer o que reserva a 12.ª edição de um programa marcado pela profusão de atividades para ver ou praticar. Até outubro há 33 eventos de 17 modalidades distintas. É só escolher Atividades abertas à participação popular e provas de competição oficial marcam o calendário desportivo dos “12.os Jogos do Sado”, ecletismo que ficou patente na cerimónia de abertura, realizada a 2 de fevereiro no Fórum Municipal Luísa Todi. No habitual ambiente de confraternização de atletas, dirigentes, clubes e associações participantes nos Jogos do Sado, organizados pela Câmara Municipal de Setúbal, com o apoio da Águas do Sado, o projeto arrancou com a exibição de algumas das perto de duas dezenas de modalidades que integram o calendário de 2014, iniciado em fevereiro. Perante um Fórum praticamente lotado, a presidente da Câmara ­Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, ao declarar oficialmente abertos os “12.os Jogos do Sado”, salientou a importância da dinamização deste evento desportivo para a região. “Este projeto desportivo assume um papel fundamental na dinâmica e nos objetivos do movimento associativo”, vincou, para afirmar que os Jogos do Sado, “além de um instrumento de afirmação do potencial do concelho, são uma das principais referências de atividade desportiva de Setúbal e Azeitão”. Uma apresentação pela Academia de Dança Contemporânea de Setúbal deu início à cerimónia de abertura, na qual as centenas de pessoas presentes assistiram a um vídeo de promoção das principais atividades agendadas.

Os jogos são também feitos de moda. Num desfile organizado por Ana Sobrinho, o público ficou a conhecer as indumentárias utilizadas pelos atletas nas 17 modalidades que integram o projeto desportivo, nesta edição com um total de 33 eventos programados até outubro. A autarca, ao frisar que “os Jogos do Sado materializam um importante fator de desenvolvimento desportivo no concelho”, afirmou que este projeto se assume, “desde o primeiro momento, como um vetor de conciliação entre o gosto pela prática física e o saudável espírito desportivo”. Maria das Dores Meira sublinhou que o “sucesso alcançado” ao longo de 11 edições “ultrapassa, em muito, a simples responsabilidade da Autarquia”, uma vez que a organização assenta “num modelo participativo” capaz de unir o Município e um

conjunto de parceiros, como associações, escolas e clubes. Em ritmo elevado, o espetáculo de abertura da 12.ª edição dos Jogos do Sado continuou com uma demonstração da modalidade de zumba pelo ginásio ProAventuras e uma exibição de dança jazz pelo Vitória Futebol Clube. Um “Ensemble de Violetas e Violoncelos” do Conservatório Regio-

Edição com novidades

nal de Setúbal proporcionou um momento de maior descontração na cerimónia, a que se seguiu uma demonstração de capoeira, pelo grupo “Água de Beber”, e novamente dança, pelo grupo “Salsa Setúbal”. Antes da apresentação dos parceiros, agraciados com pequenas lembranças do Município, e da declaração de abertura dos “12.os Jogos do Sado”, pela presidente da Autar-

Atividades náuticas, com natação, remo, vela, canoagem e uma feira dedicada à pesca, pedestrianismo e cicloturismo integram o calendário desportivo dos “12.os Jogos do Sado”, bem como modalidades de desporto adaptado, atletismo, patinagem artística e hóquei em patins. Nesta edição destaca-se a realização da IV Feira de Pesca de Setúbal, entre 24 e 27 de abril, da Regata de Vela de Cruzeiro, a 17 e 18 de maio, da Setúbal Bay 10 Km World Cup, a 28 de junho, da III Regata de Banheiras e Insólitos, 14 de setembro, do IV Setúbal Bike Tour, 5 de outubro, e do II Duatlo Jogos do Sado, a fechar, a 18 de outubro, assim como muitas iniciativas direcionadas para a comunidade escolar Como novidades, há uma Descida do Rio Sado, em canoagem, a 19 de julho, e um Torneio Internacional de Ténis em Cadeira de Rodas, de 25 a 28 de setembro, além do regresso, em moldes mais ambiciosos, da Travessia do Sado a Nado, a 21 de setembro.

desporto

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quia, houve tempo para a exibição de uma classe de “Cama Elástica” do Vitória Futebol Clube. “Este projeto não se concretiza apenas pelo conjunto de eventos organizados pela Autarquia para os seus munícipes, mas sim com os seus munícipes representados pelas suas associações”, destacou Maria das Dores Meira, para reforçar que os Jogos do Sado “vão além da promoção de hábitos de vida saudáveis”. Mais do que “proporcionar importantes e significativos momentos de lazer”, este projeto, “em especial nas suas mais recentes edições, tem associado a organização dos eventos às potencialidades dos recursos ambientais do concelho”, com iniciativas em vários espaços. “O vasto calendário de eventos continua a comprovar as múltiplas funções deste projeto”, enquadrado “nos campos da educação, cultura, economia, turismo e, globalmente, na qualificação dos hábitos de vida dos munícipes”, reforçou Maria das ­Dores Meira, ao lançar o repto: “Vamos fazer desporto!”

Corrida apela à paz mundial A tocha flamejante da Peace Run passou, a 22 de fevereiro, por Setúbal, numa etapa desta corrida de estafetas internacional que cruza fronteiras a promover valores como a paz, a amizade e a harmonia. A equipa de 15 atletas internacionais juntouse a outros desportistas locais para concretizar uma etapa do percurso, com 4,7 quilómetros, com origem em Palmela. De mão em mão, a tocha passou por alguns dos corredores que se uniram a esta iniciativa da Associação Peace Run. À chegada à Praça de Bocage, a primeira paragem da corrida, a equipa de atletas foi recebida pela presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, com a autarca, num momento de confraternização, a elogiar a importância do evento internacional, iniciado este ano em Portugal, na promoção de valores nobres. O período de descanso dos atletas serviu de

pretexto para uma demonstração de dança pelos utentes do projeto municipal “Desportivamente em (Re)Forma”, à qual se juntaram populares. Os atletas da Peace Run seguiram depois em direção à frente ribeirinha para, de barco, continuarem a corrida por Troia. A Peace Run, iniciada em Lisboa, passou por diversas localidades da Estremadura, do Alentejo e do Algarve. Em Setúbal, contou com os apoios da Câmara Municipal e da Associação de Atletismo Lebres do Sado. Depois de Portugal, a Peace Run prossegue por mais 46 países europeus, como Espanha, França, Itália, Croácia, Eslovénia, Reino Unido, Áustria, Polónia, Alemanha, Suécia, Finlândia e Roménia, ao longo de mais de 24 mil quilómetros. A Peace Run, fundada em 1987 por Sri Chinmoy, envolveu até ao momento mais de 10 milhões de pessoas em 150 países.


Ambiente de aprendizagem Na Escola Dom Manuel Martins funciona um local premiado na vertente de educação ambiental. O espaço tem muito para ensinar num bosque mediterrâneo com uma área que se estende por três hectares O Centro de Interpretação Ambiental das Manteigadas nasceu do espírito de iniciativa de professores da Escola Secundária Dom Manuel Martins, que decidiram aproveitar um bosque nas instalações escolares para criar um percurso interpretativo. O CIAM, principalmente orientado para crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo de estabelecimentos de ensino do concelho de Setúbal, funciona num terreno com uma área de três hectares e características de bosque mediterrâneo, onde se encontram várias espécies nativas e exóticas. A biodiversidade do bosque é o ponto de partida para a realização de um vasto leque de atividades de cariz ambiental. Além das mais-valias naturais proporcionadas pelo espaço, a organização do Centro de Interpretação Ambiental das Manteigadas foi acrescentando valências, como um charco, um lago, uma horta e um pomar. Em paralelo, foi criado um percurso que revela melhor a biodiversidade presente no terreno, adquiriu-se sinalética e equipamentos e celebrou-se uma parceria com a associação

ambientalista Quercus para a formação de monitores. O êxito com o projeto implementado já valeu ao CIAM o prémio Brigadas Verdes, do programa Eco-Escolas, em 2010, que distinguiu a criatividade e a inovação no âmbito da educação ambiental, enquanto, em 2011, o centro foi selecionado para a segunda fase do Prémio Ilídio Pinho e recebeu uma menção honrosa num concurso nacional de valorização do ensino das ciências. Ao longo do percurso existem postos de interpretação ambiental, onde os alunos par-

ticipantes podem realizar atividades de contacto com a natureza. Além destes postos de interpretação, os grupos podem realizar diferentes atividades, como observação do lago e vida subaquática ali existente e medição da profundidade e da temperatura da água. A sementeira na horta, aprender a fazer a compostagem, estabelecer contacto com cheiros e texturas da mata, observação de insetos à lupa e determinar a idade de uma árvore através da medição são outras atividades desenvolvidas no CIAM.

educação

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O centro permite ainda que as crianças participantes comparem ritmo de crescimento de árvores diferentes, observem plantas carnívoras, cheirem ervas aromáticas, pratiquem jogos didáticos, observem árvores com binóculos e conheçam os ciclos do azeite e da cortiça. Visitas ao Centro de Interpretação Ambiental das Manteigadas podem ser agendadas através do número 265 771 422 ou do endereço ciam.setubal@gmail.com. O CIAM também está presente na internet, em concreto no ­sítio http://ciamsetubal.webnode.pt.

Câmara apoia escolas A Câmara Municipal aprovou no dia 19 de fevereiro a atribuição de apoios financeiros aos agrupamentos verticais de escolas do concelho, num montante global superior a 30 mil euros, destinado a subsidiar diversas ações educativas. Um dos apoios financeiros, uma verba de 19 mil e 520 euros, referente ao primeiro trimestre do ano letivo 2013-2014, destina-se a custos com despesas de funcionamento, aquisição de material de desgaste e realização de atividades de ação educativa para os alunos do 1.º ciclo do ensino básico. O subsídio, que abrange um total de 4880 crianças, é repartido pelos agrupamentos verticais de escolas, cabendo 2948 euros ao de

Azeitão, 3632 ao Barbosa du Bocage, 3196 ao Sebastião da Gama, 1464 ao Lima de Freitas, 4768 ao Luísa Todi e 3512 euros ao Ordem de Sant’Iago. A Autarquia decidiu ainda atribuir um apoio financeiro de 11 mil euros aos agrupamentos para fazer face a despesas de funcionamento, reparações e manutenção dos serviços de reprografia, correspondentes ao período compreendido entre setembro e dezembro de 2013. Os agrupamentos Barbosa du Bocage e Luísa Todi recebem 3000 euros, enquanto aos de Azeitão, Sebastião da Gama e Ordem de Sant’Iago são concedidos 1500 euros. Ao agrupamento de Lima de Freitas é atribuído o subsídio de 500 euros. JANEIRAS. Alunos do Externato Diocesano Sebastião da Gama cantaram as Janeiras, a 13 de janeiro, na Câmara Municipal. As crianças, entre os 6 e os 10 anos, deixaram votos de bom ano através da interpretação de quatro cânticos natalícios. A comitiva foi recebida pelo vice-presidente André Martins.

Carnaval de palmo e meio Cerca de mil crianças de jardins de infância e escolas do 1.º ciclo de Setúbal desfilaram mascaradas na manhã do dia 28 de fevereiro entre a Praça de Bocage e o coreto da Avenida Luísa Todi. A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal e a ACOES – Associação do Carnaval e Outros Eventos de Setúbal, incluiu um pequeno concurso de máscaras, que premiou os brócolos, nabos, pimentos, cenouras, couves e todos os outros “legumes” que desfilaram pelo jardim de infância “O Sonho”, numa parada intitulada “A Horta do Sonho”. O desfile “Legolândia e as Abelhinhas”, do infantário “Bonfim”, arrecadou o segundo lugar do pequeno concurso, que distinguiu ainda,

com a terceira posição, a participação do infantário “O Girassol”, com o título “O meu mundo é o teu mundo”, dedicada à educação ambiental. Os premiados receberam entradas gratuitas no espetáculo “Um Presente Especial”, que o Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico apresenta no Fórum Municipal Luísa Todi em sessões para escolas. Neste carnaval infantil participaram ainda a Academia de Música e Belas­‑Artes Luísa Todi, o infantário “O Côco”, o jardim de infância “Bichinhos de Conta”, a Liga dos Amigos da Terceira Idade, o Colégio Sant’Ana, o Centro de Atividades Ocupacionais da APPACDM de Setúbal e os BelaBatuke.


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A Escola Superior de Tecnologia de Setúbal acolhe o primeiro BlackBerry Tech Center de Portugal, um laboratório de portas abertas à criatividade. No mesmo estabelecimento de ensino, um aluno de mestrado desenvolveu um protótipo de uma trotineta elétrica com recursos mais eficientes na mobilidade urbana

Laboratório aberto à inovação

academia

A criatividade não tem limites no BlackBerry Tech Center. No novo centro tecnológico da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal, pioneira neste projeto, qualquer boa ideia pode ser transformada numa excelente oportunidade de negócio. No laboratório, aberto a estudantes, docentes e a outros interessados na área das aplicações móveis, há um novo mundo a descobrir. Além da possibilidade de experimentar equipamentos com tecnologia de ponta, o espaço está dotado de um conjunto de recursos para teste à inovação. “É um programa académico destinado a unir a comunidade de programadores da região e também de outros locais, uma vez que este é o primeiro, e até agora único, centro no País”, explica Renata Coutinho, bolseira de investigação e “embaixadora” da BlackBerry em Portugal. Um dos principais objetivos deste projeto, a funcionar desde meados de dezembro do ano passado, é despertar a capacidade empreendedora da comunidade em geral e, sobretudo, dos estudantes, com a criação de oportunidades para o desenvolvimento de novas aplicações. O desafio para a conceção de novas aplicações para telemóveis, tablets e outros dispositivos da BlackBerry, um mercado em larga expansão, já foi abraçado por mais de uma centena de alunos, que, individualmente ou em equipa, tentam cruzar a fronteira da inovação. “Além de despertar o espírito empreendedor, incentiva-se a inovação numa atmosfera de coworking”, destaca Renata Coutinho, ao adiantar as vantagens da criação do projeto em Setúbal. “Existem vários cursos ligados à in-

formática e ao desenvolvimento de software que facilitam a dinamização do centro.” O vice-presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, João Vinagre, ao reforçar a aposta académica do projeto, frisa que este pode ser conciliado com várias áreas curriculares. Neste momento, e porque ainda é uma novidade, está em fase de integração nos cursos da escola. “É um desafio de grande pertinência, até porque os alunos são o principal motor”, salienta João Vinagre. “Sabemos onde começamos, mas até onde podemos ir com o projeto é uma surpresa”, reforça. O BlackBerry Tech Center de Setúbal, único no País, é o quarto centro tecnológico desta

marca a funcionar na Europa, depois de Madrid, em Espanha, Milão, na Itália, e Bochum, Alemanha. A possibilidade de trabalho com equipamentos versão “beta”, não disponíveis no circuito comercial e utilizados exclusivamente para a investigação, é um dos atrativos do laboratório, espaço no qual os investigadores podem desenvolver pesquisas com recurso a equipamentos próprios. O contacto com a tecnologia de ponta da BlackBerry, uma das vantagens realçadas por Renata Coutinho, constitui um fator de motivação

extra para os investigadores desenvolverem novas aplicações, que podem, igualmente, ser experimentadas com recurso a software de simulação. “A meta é conseguir criar algo com utilidade e que possa ser posto em prática”, esclarece, para adiantar que, entre as várias ideias já apresentadas, está a ser desenvolvida por alunos uma aplicação na área da saúde. No centro tecnológico são ainda dinamizadas sessões periódicas formativas de programação com o intuito de dotar os investigadores de mais ferramentas técnicas que podem ser aplicadas neste campo, bem como maratonas de exploração coletiva da criatividade. “Hackathon” foi a primeira iniciativa realizada, logo após a inauguração do espaço, numa maratona com cerca de três dezenas de participantes, que pôs à prova a capacidade criativa de várias equipas que, em apenas dez horas, tiveram de desenvolver aplicações para dispositivos BlackBerry O sucesso da atividade e o número de interessados em participar na experiência motivaram o agendamento de uma nova iniciativa, que deverá ser rea­ lizada durante o primeiro semestre deste ano.

Trotineta otimiza mobilidade O aproveitamento de energia e a melhoria do controlo do veículo para tornar a experiência de mobilidade urbana mais agradável são novidades num protótipo de trotineta elétrica desenvolvido por um aluno de mestrado da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal. O estudo do fluxo energético gerado pelos vários componentes do veículo e a possibilidade de otimização dessa energia deram o mote ao desafio abraçado por Nelson Andorinha, no âmbito dos habituais projetos de colaboração entre o estabelecimento de ensino e as empresas. Da teoria à prática, o trabalho de investigação de um ano culminou na criação de um protótipo de trotineta elétrica. A introdução de um sistema híbrido, com baterias e supercondensadores, que permite o aproveitamento da energia cinética gerada nas travagens, é a grande inovação alcançada. “Conseguiu-se recuperar energia gerada pela travagem regenerativa da trotineta e transferi-la novamente para o motor. Contudo, para saber com precisão o aumento da autonomia conseguido, é necessário realizar ensaios em condução real”, explica Nelson Andorinha. A utilização de supercondensadores no protótipo, devido à capacidade destes de fornecer e receber potências elevadas em curtos períodos de tempo, permite efetuar arranques e travagens rápidas e de forma mais eficiente do que nas trotinetas elétricas comuns.

Esta opção introduzida no protótipo de trotineta elétrica possibilita, igualmente, um considerável aumento do tempo de vida útil das baterias, bem como a redução das travagens mecânicas, soluções que otimizam a experiência de condução do utilizador em meio urbano. Outro dos aspetos melhorados na investigação foi o comportamento e controlo do motor do pequeno veículo. Com a introdução de um “microcontrolador, que mede várias variáveis”, consegue-se uma condução mais flexível e com maior qualidade, com acelerações progressivas, adianta. Este projeto, com coordenação dos docentes Sérgio Sousa e Vítor Antunes, um pequeno contributo para solucionar os problemas de mobilidade urbana, ­valeu a Nelson Andorinha o prémio de mérito do Instituto Politécnico de Setúbal no ano letivo 2011/2012. Apesar dos aspetos positivos, a ambição é maior. “Queremos outros resultados práticos, com dados concretos, que possam ser fornecidos à empresa [Zac] para que estas inovações sejam, de facto, uma solução válida a implementar”, sublinha Sérgio Sousa. O professor acredita que o projeto de protótipo de trotineta elétrica, ainda com muita estrada para percorrer, “vai ter continuidade, com toda a certeza, e possivelmente com uma equipa mais abrangente e multidisciplinar”.


No ‘jardim’ de Adriana Ganhão há ervas aromáticas para todos os gostos. Frescas, perfumam a típica gastronomia portuguesa. Secas, para infusões, ajudam nos males do quotidiano. Ela sabe os nomes e as características de cada uma, a forma de colher e de preparar. Aposta nos hortofrutícolas do pequeno produtor, com pouca quantidade e muita qualidade

Aromas com paixão O olfato desperta ao se chegar à banca de Adriana Ganhão, no Mercado do Livramento. Sente-se uma mistura harmoniosa de cheiros, uns suaves, outros mais intensos. Emanam de diferentes ervas aromáticas, expostas entre outros produtos hortofrutícolas. Ali, apetece comprar de tudo. A rotina de Adriana começa ainda de madrugada. Na pequena carripana azul, companheira de longa data, faz-se à estrada, em direção à serra. Procura o que faz falta para a venda, colhendo herbáceas da época, apenas em zonas permitidas, salienta. Por vezes, o percurso é feito ao final do dia. Há mais de 15 anos que está na atividade. Já conhece os melhores locais da serra e as técnicas para encontrar e apanhar as ervas aromáticas. “Tive de estudar. As características, os locais mais propícios para as achar, a forma de as colher e, numa outra fase, de as secar”, adianta a comerciante. Nem sempre foi fácil. Os primeiros anos da atividade foram de descoberta, com vários dias de trabalho desperdiçados. “Lembro-me de num verão ter desperdiçado uma saca inteira de orégãos. Um dos galhos não ficou devidamente seco. Ganhou humidade e apodreceu tudo.”

Num pedaço de cartão, escrito à mão, dá a conhecer as variedades aromáticas disponíveis. Poejo, cidreira, malva, madressilva e hipericão são algumas das ervas secas que vende, a pouco mais de um euro e meio, em pequenos recipientes reaproveitados e preparados de forma artesanal. Os espargos selvagens são, por esta altura, uma das iguarias mais procuradas. “Tenho de os apanhar sem o orvalho da noite. Caso contrário, ficam negros e intragáveis”, explica Adriana, que também vende plantas em vaso, como framboesa, hortelã, arruda e alecrim. Em cestos de verga, espalhados ao longo da banca, há tomate chucha mini, aipo, cebolo e cenouras, produtos hortofrutícolas frescos que arranja em pequenos produtores da região. A quantidade nunca é muita, até porque a principal aposta é a qualidade. “Gostava de ter uma pequena horta e cultivar os meus próprios produtos. Eu até tenho um terreno, de herança de família. Mas é em Coimbra, de onde sou natural”, adianta, ao afirmar que ainda tem esperança de um dia poder vir a concretizar esse sonho. A alfarroba, o endro e o funcho, artigos para uma culinária mais es-

pecífica, também marcam presença na panóplia de produtos disponíveis, assim como malaguetas para fazer molho de picante, ovos caseiros, abóboras e as típicas ervas aromáticas utilizadas na gastronomia, como a salsa e os coentros. Trigo para gatos, para ajudar o processo digestivo dos bichos, também pode ser adquirido. Para os mais audazes e aventureiros na tarefa agrícola, há sementes e herbáceas para plantar em pequenas hortas de jardim ou de varanda.

Conversa à venda Qualquer transação feita na banca de Adriana é acompanhada de dois dedos de conversa. Questões sobre a frescura dos produtos são raras, até porque os fregueses regulares já sabem ao que vão. Outros aparecem à descoberta, para saber mais daquele mundo rural. Mesmo que não comprem nada, a comerciante não deixa de ajudar os curiosos. Seja sobre as características de determinada erva aromática ou as possíveis formas de utilização das mesmas, qualquer pergunta feita nunca fica sem resposta. Mesmo que não saiba. “Tenho sempre um sorriso pronto.

Detesto o egoísmo e a mesquinhez das pessoas”, salienta Adriana Ganhão, que, mesmo quando não tem algum produto procurado pelos clientes, não se inibe de indicar um outro local no mercado no qual esteja disponível. As conversas sobre gastronomia surgem, igualmente, com alguma regularidade. A comerciante partilha conselhos culinários com os fregueses, indicando formas de confeção de determinado alimento. Às vezes, é surpreendida e também aprende algumas coisas. “Os espargos selvagens ficam bem com ovos. Salteados, depois de grelhados, numa salada, também ficam ótimos”, exemplifica. Já os chás, para as variadas maleitas, também são alvo explicações mais demo­ radas.

Da rua ao mercado Adriana Ganhão, 42 anos, começou na atividade como vendedora ambulante, no espaço público. Antes disso, trabalhou no matadouro de Setúbal. Foi convidada a negociar uma saída amigável, até porque a empresa ia fechar portas. Teve ­sorte. Circunstâncias da vida, que pre-

retratos

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fere não recordar, levaram-na a abraçar o ofício que já era praticado pela mãe e a mudar radicalmente de vida. “Foi o que apareceu na altura. Não me arrependo, até porque gosto muito do que faço”, revela Adriana, a viver em Setúbal desde os 3 anos. Juntas, mãe e filha, vendiam nas imediações do Livramento, no final da Rua Oriental do Mercado. “Às vezes sinto falta desses tempos. Era um ambiente diferente, ao ar livre”, confessa, saudosista. Contudo, reconhece que agora tem melhores condições de trabalho. Na altura, só tinha pinhão torrado e ervas aromáticas, que apregoava. “Há orégãos, há louro, olha os chás!”, entoava, vezes sem conta, à passagem de transeuntes, uma arte que ainda hoje não esqueceu. Por vezes tinha de recolher a mercadoria, quando aparecia a autoridade. Mas nunca foi multada. A chegada ao Mercado do Livramento foi há apenas cinco anos, pouco tempo antes das obras de reabilitação e modernização executadas naquele espaço de comércio tradicional da cidade. Ali teve oportunidade de expandir o negócio, com mais variedade de produtos. É feliz no que faz.


Universo da idade Os alunos fazem da Uniseti de Setúbal uma universidade cheia de vida, saúde e aprendizagem. A Universidade Sénior não tem idosos, tem pessoas que têm em comum a situação de reforma, mas que se diferenciam pelas competências adquiridas ao longo da vida

O início está marcado para as 15h00. Ainda faltam dez minutos mas a sala polivalente da Biblioteca Municipal já está repleta de, maioritariamente, mulheres para assistirem a uma palestra sobre o desenvolvimento económico de Setúbal entre os séculos XVI e XVIII. O encontro, um entre muitos, é or-

ganizado pela Universidade Sénior de Setúbal e tem como convidada a professora e investigadora Laurinda Abreu. Não é preciso esperar muito mais para começar a sessão. Tudo está pronto minutos antes. A sala lotada e a imagem projetada na tela onde se pode ler o tema do encontro, que integra o ciclo de pa-

Presente de aniversário Em novembro de 2013, a Uniseti de Setúbal assinalou o 10.º aniversário, anos suficientes para consolidar os objetivos iniciais e apostar em novas metas no panorama das ofertas letivas e não letivas. Dois meses antes, a antecipar-se ao apagar das velas, a 15 de setembro, no Dia de Bocage e da Cidade, foi formalizada a cedência de um edifício camarário no Parque do Bonfim, através de um protocolo celebrado entre as duas partes. Com a concentração da universidade num único edifício, anteriormente distribuída por três espaços, e depois dos trabalhos de melhoramento das instalações, cresceu a oferta curricular e desenvolveram-se novos projetos. “Sem ruturas, com tranquilidade, assegurámos que a dinâmica criada não apenas não fosse quebrada, como recrudescesse”, refere o diretor pedagógico da Uniseti, Arlindo Mota.

lestras que, desde há dois anos, a Uniseti de Setúbal, através do projeto Centro de Iniciativas Manuel de Medeiros, promove junto dos alunos. Nesta universidade, que funciona desde 2013 num espaço do Parque do Bonfim, não se prepara alunos para o mercado de trabalho, até porque a situação de reforma é condição de ingresso. O que se aprende é à escolha de cada um, independentemente das habilitações literárias, consoante os interesses individuais. Após dez anos letivos, são agora 320 os alunos, com idades entre os 50 e os 90 anos, mais mulheres do que homens, que pretendem desenvolver capacidades, investir em novas aprendizagens, (re)descobrir interesses e, de igual forma importante, conviver socialmente. Desfaça-se a ideia de que as universidades seniores são feitas de e para

idosos. Mais do que uma ginástica à atividade intelectual são, acima de tudo, espaços lúdicos, de convívio e de ensinamentos.

Oferta diversificada As disciplinas lecionadas são diversificadas e direcionadas para diferentes níveis de aprendizagem, como acontece com a informática e as línguas inglesa e alemã. A iniciação ao grego e ao latim fazem parte do plano curricular, que dispõe de disciplinas como “Filosofia Medieval”, “Lendas e Mitos”, “Mitos e Símbolos” e “História das Religiões”. Mas também “História Geral”, “Portugal do Liberalismo à República” e “Conhecer Setúbal”. Não só de outras culturas e sociedades se apela ao conhecimento dos que, há muito, têm a sabedoria da vida. Nesta universidade, cuja filosofia vai muito além do ensino

rosto Estória que dá gosto Aos 91 anos, Virgínia Palma Rodrigues é a aluna mais velha e também a que está desde o começo da Universidade Sénior de Setúbal. Ao longo destes dez anos aprendeu história, inglês, francês e muitas outras disciplinas mas que o tempo se foi encarregando de fazer esquecer. “Tudo o que é história gosto”, conta Virgínia, modista de profissão. Por essa razão, durante sete anos, a disciplina fez parte da “carga horária”, enquanto as línguas estrangeiras escolheu “para recordar”, uma vez que não lidou “com ninguém que falasse inglês e francês”. Ocupar o tempo e conviver, depois de enviuvar, há 27 anos, foram as razões que levaram Virgínia a ingressar na Uniseti. Continua a fazer a “lida da casa”, tendo como companhia a gata Marta, os seus trabalhos em renda e, dois dias por semana, conduz o automóvel até ao Bonfim para as aulas com o coral da universidade. E com 90 anos cheios de vida ainda canta no coral do corpo de voluntariado do Hospital de São Bernardo. Haja saúde para continuar ativa.

iniciativa

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cooperativo, oferece-se saberes nas áreas ligadas às artes, da plástica à escrita, à saúde e bem-estar e ao direito e cidadania. O leque é diversificado, tanto mais que as aulas de tricot, bordados, artesanato e até renda de bilros reúnem quem também quer combater a solidão e desenvolver as relações interpessoais. Se o trabalho desenvolvido dentro das portas da universidade é objetivo primário, aquele que se desenrola fora delas reveste-se de momentos importantes, quer na vertente lúdica, como sessões de cinema, quer nas atividades que envolvem uma perspetiva académica, como são os casos das visitas de estudo e a exposições, das palestras e das aulas abertas. Os projetos não param de brotar em pleno Parque do Bonfim, onde a Uniseti de Setúbal não para de crescer.


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Setúbal entrou na Idade Moderna como o mais importante centro salineiro da Europa. A vila cresceu ao compasso do desenvolvimento da produção e exportação do sal. Um negócio rentável que enchia os cofres do reino

História

O império do sal

SAL. Gravura de marinhas de sal, da Coleção Cunha Bento, in “História e Cronologia de Setúbal 1248-1926”, de Albérico Afonso Costa

Na atual situação de crise económica que Portugal atravessa talvez seja bom lembrar que Setúbal foi um dos mais importantes centros salineiros, não só do País como da Europa, entre os séculos XVI e XVIII. Numa altura em que uma outra crise económica tomava conta dos países europeus, a vila de Setúbal contrariou todas as tendências ao apostar na atividade salineira, da extração à comercialização, sobretudo para fins de conservação. O sal de Setúbal, com excelentes condições para a produtividade, abasteceu uma rede de países, do Norte da Europa ao Litoral brasileiro. A extração e o comércio de sal das marinhas do Estuário do Sado deram mesmo o grande impulso para o crescimento da urbe motivada por migrações de trabalhadores, mão-de-obra necessária para esta atividade económica em expansão desde 1525, destacando-se da principal área comercial até então, a exportação de peixe. Pinho Leal, em “Portugal Antigo e Moderno”, de 1880, menciona que o sal de Setúbal era “considerado o melhor do mundo” e que a exportação, “em quantidades espantosas”, se assumia no início do século XVII como uma importante fonte de receita para o tesouro público nacional. Num seminário internacional sobre o sal português, realizado em 2005,

no Porto, Laurinda Abreu, professora auxiliar do Departamento de História da Universidade de Évora, expôs alguns dos números que revelam a ascensão do setor na vila portuária. Se em 1558 estavam registadas sete embarcações carregadas de sal, na década seguinte eram 60 os barcos que partiam anualmente do porto de Setúbal. O crescimento não se esgota aqui. Ainda no século XVI, o número atingiu os 145 barcos. Embora a exportação de sal tenha decaído ligeiramente no início do período filipino, voltou a afirmar­ ‑se rapidamente. No final do século XVII, estavam estimados, anualmente, 150 barcos carregados de sal. Muitos episódios da História de Portugal, do século XV do XVII, de-

senrolaram-se em Setúbal, da ratificação do Tratado de Tordesilhas às cortes de D. João II e D. Manuel I, dando força ao investimento salineiro. O negócio do sal sofre, no entanto, com a pressão tributária de Castela e a concorrência estrangeira no setor. A industrialização, a invenção das conservas em azeite e, mais tarde, a conservação a frio foram ­alguns dos fatores que contribuíram para o declínio da salicultura em Setúbal e um pouco por todo o País.

Mão-de-obra migratória De pequeno burgo piscatório da Idade Média, a vila de Setúbal entrava com toda a pujança económica na Idade Moderna, fator decisivo

Puro e cristalino Mais cristalino, limpo e, frequentemente, considerado mais puro, o sal setubalense e de Alcácer destacou-se de outros grandes centros de produção portugueses, como Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa e Algarve. O segredo para a tão afamada qualidade deste mineral, composto por Cloreto de Sódio, Cloreto de Magnésio, Cloreto de Potássio, Sulfato de Magnésio e Brometo de Potássio, estava na flora do estuário. O fundo das salinas – ou marinhas – de Setúbal tinham a particularidade de produzir um tapete vegetal, também conhecido por feltro ou tecido, con-

para a expansão urbanística e mudança social. Numa espécie de levantamento de habitantes do reino de Portugal, a pedido de D. João III, estimou-se que, em 1527, Setúbal teria 1220 fogos e uma população aproximada de seis mil habitantes. A partir daí, com a exploração do sal em ascensão, o número de habitantes calculados em 1734 era de 13 mil e o de fogos duplicara. Um aumento populacional assinalável sobretudo entre 1580 e 1640, da ordem dos 139 por cento. Este crescimento demográfico está em absoluto associado à expansão da produção e do comércio do sal. Agosto era o mês da safra e com ele chegavam trabalhadores assalariados, acantonados na periferia da vila.

sistente e compacto, com dois a dez milímetros de espessura, constituído por uma alga, única nos estuá­rios do Sado e do Tejo, que limpa as impurezas em suspensão na água. O tráfego marítimo-fluvial gerado pela salicultura setubalense resultou, ainda, na adaptação de embarcações específicas para o transporte do sal. No Sado, começaram então a navegar Iates de Setúbal, Galeões do Sal e Laitaus, barcos destinados ao comércio do “ouro branco” e cujas silhuetas, com inspirações em embarcações holandesas, pintaram durante séculos o cenário do estuário.

Estas vagas migratórias surgiam, grande parte, da maior concorrente produtora de sal portuguesa, a zona de Aveiro, sendo que Setúbal não possuía mão-de-obra suficiente para o rápido desenvolvimento da atividade. Numa análise aos ritmos da população e do comércio do sal, a investigadora Laurinda Abreu refere o “crescimento sustentado a partir de meados de Quinhentos, que se prolonga durante as três primeiras décadas do governo filipino, para começar a quebrar por volta de 1630”.

Desigualdade social Durante séculos, o sal foi moeda de troca, o que terá dado origem ao termo “salário”. Enquanto crescia a população, na grande maioria assalariada, destacava-se uma minoria considerável de abastados que comprava ou usurpava as marinhas do Estuário do Sado, dominando o monopólio do comércio do sal, cujos preços eram regulados pela coroa. À medida que enriquecia, esta elite apoderava-se das áreas mais nobres da vila, construindo residências, por exemplo, nas imediações da atual Praça de Bocage. Por outro lado, duas novas freguesias, a da Anunciada e a de São Sebastião, onde se fixaram muitos dos trabalhadores vindos de Aveiro, iam sendo construídas na periferia rural.


memória

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Pessoa Mulher ao pedal Depois de aprender a dar as primeiras pedaladas no trajeto casa-escola, a ciclista Oceana Zarco entrou, aos 10 anos, para o Vitória Futebol Clube. Rapariguinha de feição, cabelo cortado à rapaz e de calções, aos 12 passeava-se por Setúbal numa bicicleta de modelo masculino ao lado dos rapazes que com ela treinavam. Oceana Rosa de Sousa Zarco, nascida em Setúbal em 1911, foi uma das primeiras mulheres ciclistas em Portugal e uma das mais importantes desportistas dos anos 20, num tempo em que o papel feminino estava talhado sobretudo para os deveres para com a família. Foi em contracorrente que iniciou a carreira de ciclista federada, em 1925, representando sempre o clube sadino até desistir do ciclismo, em 1929, por razões financeiras. Durante esses quatro anos, ganhou várias provas, como a III Volta a Lisboa e a I Volta ao Porto, ambas em 1926, e a I Volta a Setúbal, em 1929, deixando para lugares secundários os seus adversários masculinos.

A ciclista serviu de inspiração a muitas mulheres que, na época, lutavam pela igualdade de direitos e deveres e abriu caminho a novos projetos e atitudes. Ultrapassada a etapa de ciclista, Oceana dedicou­ ‑se à enfermagem, profissão que exerceu ao longo de trinta anos. A vida familiar foi ficando para trás, deixando o casamento para depois dos 50 anos, porque o Estado Novo não permitia que as enfermeiras casassem. Morreu em janeiro de 2008, quase a completar 97 anos. A 11 de setembro do ano seguinte foi descerrada uma placa, no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade, junto da sua sepultura, onde se lê “Homenagem de todos os setubalenses à Glória do Ciclismo Feminino Português, orgulho do Desporto Setubalense. Paz Eterna à Sua Alma.”

GLÓRIA. Capa da revista “Eco dos Sports”, de 5 de dezembro de 1926, dedicada a Oceana Zarco, na altura com apenas 15 anos

Estória Farpas por Bocage

ontem

Exatamente setenta anos afastam estas duas fotografias, tiradas na Rua Arronches Junqueiro, na Baixa da cidade, uma no final de fevereiro de 1944, a outra no início de março de 2014, respetivamente por Américo Ribeiro e por Mário Peneque. As imagens mostram que, não obstante a passagem do tempo, a cidade mantém muito do que é característico e que ajuda a formar a identidade cultural de Setúbal. A começar pela calçada portuguesa, acabando no casario.

Descrita pelas palavras de Ramalho Ortigão nas crónicas de costumes “As Farpas”, a inauguração da estátua de Bocage, programada para dali a um mês, em dezembro de 1871, constituiu um ato de penitência de Setúbal por deixar o poeta morrer pobre, sem glória e sem sepultura na terra onde nasceu. “A cidade de Setúbal, não tendo dado jamais durante a vida do poeta nem um passo nem um ceitil para o livrar ou da perseguição política e religiosa que se lhe fez, ou da penúria que o consumiu, não querendo mesmo saber dos restos mortais do vate, que se não sabe onde repousam, parece-nos que fez bem petrificando em mármore para própria lição o seu arrependimento e o seu remorso”, lê-se no texto escrito por Ortigão. A ideia de erguer o monumento surgiu no Rio de Janeiro, a 15 de setembro de 1865, durante as comemorações do centenário do nascimento do poeta sadino. Os promotores foram os irmãos José Feliciano de Castilho Barreto e Noronha e António Feliciano de Cas-

tilho, que recolheram fundos junto da comunidade brasileira. A estátua, do escultor Pedro Carlos dos Reis, assente numa coluna coríntia sobre quatro degraus oitavados, foi inaugurada a 21 de dezembro de 1871, com a presença do ministro do Reino, de representantes das academias e da imprensa, bem como do escritor Eça de Queirós e do Marquês de Ávila e de Bolama, entre outros. Ramalho Ortigão tece largos elogios a Bocage, que “tinha mais dignidade do que a maior parte dos seus companheiros e confrades nas letras” e que pertenceu a uma “sociedade empoçada e pútrida”. Ortigão pormenoriza as injúrias cometidas em vida a Bocage, o abandono do poeta no cárcere do Limoeiro e a apreensão dos manuscritos de Elmano Sadino. “Em tal meio social o talento não tinha onde fincar o pé. Bocage serviu a civilização derrocando como pôde o seu velho mundo carunchoso, tabaquento e inepto. Honra lhe seja! Ninguém no seu lugar teria feito mais.”

hoje

REPARO  Na edição anterior do Jornal Municipal, a rubrica Ontem & Hoje saiu com um lapso prontamente detetado pelos leitores. Na comparação entre duas imagens do edifício do Banco de Portugal, indicámos que havia uma diferença de “sessenta décadas”. Obviamente, deveríamos ter escrito sessenta anos, ou seis décadas.


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Juventude conhece vencedores Revolução de gume afinado O programa das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, que se assinala ao longo do ano numa parceria entre Câmara Municipal de Setúbal, juntas de freguesia e movimento associativo, é festejado, nomeadamente, com um concerto de A Naifa. O espetáculo, marcado para o dia 25 de abril, às 21h30, no Fórum Municipal Luísa Todi, tem como título “As Canções d’A Naifa”. O grupo sobe ao palco com nove versões de outras tantas canções criadas e interpretadas por outros artistas. Ao longo de dez anos do projeto,

plano seguinte

Um mês inteiro dedicado à juventude. O m@rço.28 soma um conjunto diversificado de atividades, com destaque especial para o Concurso de Bandas de Garagem de Setúbal e a Meia Maratona Fotográfica

A Naifa foi apresentando versões próprias desses temas nos concertos ao vivo. Chegam agora a Setúbal para apresentar, como músicas novas, temas que são antigos. O reportório inclui “Sentidos Pêsames”, dos GNR, “Subida aos Céus”, de Três Tristes Tigres, “Bolero do Coronel Sensível que fez amor em Monsanto”, de Vitorino, “Alfama”, de Mler Ife Dada, “A Tourada”, de Fernando Tordo, “Libertação”, de Amália Rodrigues, “Imenso”, de Paulo Bragança, “Desfolhada Portuguesa”, de Simone de Oliveira, e “Inquietação”, de José Mário ­Branco.

Setúbal expõe o sol nascente Enquanto o m@rço.28 decorre em velocidade de cruzeiro com um vasto número de iniciativas no concelho, o final de março e os próximos meses reservam ainda mais atividades que colocam em destaque o Mês da Juventude promovido pela Câmara Municipal. Com um programa comemorativo cheio de iniciativas, está reservada para os últimos dias de março, mais precisamente a 29, a final do 10.º Concurso de Bandas de Garagem de Setúbal. A competição musical, com eliminatórias em todos os fins de semana do mês, termina com uma grande final na Sociedade Musical Capricho Setubalense, parceira da Autarquia na organização do ­evento. O primeiro lugar atua a Feira de Sant’Iago e no Festival Rock no Sado, além de gravar um single, oferta da EP Produções – Rock no Sado, e receber um cheque de mil euros. O concurso, que recebeu este ano um total de 56 inscritos na fase de pré-seleção, entrega 700 euros ao segundo lugar, 500 ao terceiro, 200

ao quarto e 100 euros ao quinto. A Banda do Público é premiada com uma atuação na Feira de Sant’Iago, prémio atribuído, igualmente, à Melhor Banda do Concelho, que ganha ainda a oportunidade de gravação de quatro temas numa produtora e um cheque de 500 euros. Também no âmbito do programa m@rço.28, conhecem-se no dia 3 de maio, numa cerimónia agendada para a Casa da Cultura, os vencedores da 11.ª Meia Maratona Fotográfica de Setúbal, na qual participou um total de 43 fotógrafos amadores. Durante a prova, realizada a 1 de março, os participantes procuraram captar as melhores imagens que refletissem o tema “Reabilitação Urbana”. A Meia Maratona, de âmbito nacional e aberta a aficionados da fotografia digital e analógica, incluiu 12 subtemas que constituíram desafios adicionais para os partici­ pantes. Os melhores trabalhos apresentados no âmbito da prova, organizada pela Câmara Municipal, integram uma exposição itinerante.

O Japão visita Setúbal através de uma megaexposição de arte contemporânea nipónica, patente em vários locais da cidade entre 18 de maio e 30 de junho. A “Arte Atual do Japão – Exposição”, inaugurada no Dia Internacional dos Museus, conta com 225 obras de várias expressões artísticas de criadores japoneses da atualidade. A mostra passa pelo Museu do Trabalho Michel Giacometti, pelas galerias municipais do Onze e do Banco de Portugal e nas casas da Cultura e d’Avenida. A iniciativa, com caráter itinerante internacional desde 1973, altura em que se realizou a primeira edição, já passou por países como Es-

tados Unidos, Canadá, Chile, Cuba, México, China, Espanha, Bélgica, França, Alemanha, Holanda, Itália e Suíça. Além de mais de duas centenas de obras de arte em exposição, a mostra inclui várias formas de expressão artística moderna, muitas delas inspiradas em técnicas tradicionais, como pintura a óleo, caligrafia e origami. Em paralelo com a exposição, decorrem outras iniciativas criadas com o objetivo de promover a partilha cultural com a população setubalense, nomeadamente através de workshops de caligrafia japonesa, reconhecida como uma expressão artística.

Jornal Municipal - Jan|Fev|Mar'14  

Edição de janeiro, fevereiro e março de 2014 do Jornal Municipal de Setúbal

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