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Há 20 anos

Mistau, um novo mundo Ao visitar o Mistau (Museu da Imagem e do Som de Taubaté), um estudante de sete anos viu o fenacistoscópio. Ele achou aquele nome estranho, até mesmo não conseguia pronunciar, mas se encantou com o efeito que os desenhos faziam ao se girar a placa, como se fosse uma imagem em movimento. Ao sair do Museu, tinha decidido: iria procurar na internet como fazer o fena... fena... – “Como se diz mesmo? - Fenacistoscópio! - Ah!” – e iria mostrar para os colegas na sala de aula. Este exemplo ilustra que um museu é muito mais que um lugar de antiguidades. Não que o Mistau não as tenha, afinal, além de equipamentos fotográficos, fitas magnéticas e rádios, o local abriga 870 discos de vinil, 15 mil compactos e um acervo de aproximadamente 20 mil fotografias de nomes como Paulo Camilher Florençano, José Spinach, Remedica Falco, Gaspar Falco, Didi, Hélio Rezende e Antônio Serra, esperando catalogação. Mas, para a coordenadora do Mistau, Shirley Santos, esse material só encontra função quando se pode depreender dele algum conhecimento ou experiência. Como professora que é, Shirley acredita que a simples visitação à exposição não é o suficiente para se assimilar o significado

Lincoln Santiago

do valiosíssimo acervo que dispõe no Mistau, por isso, aposta no monitoramento das visitas, feito por ela ou pela estagiária Carla Nienkoetter, para proporcionar a compreensão de um universo tão importante que é o da imagem e som. Inaugurado há 20 anos, em 6 de setembro de 1995, o Mistau fica em um complexo que inclui o Museu de História e o Museu dos Transportes e Tecnologia, além do particular Museu de História Natural. O visitante do Mistau encontra auditório e sala de projeções com capacidade para 50 pessoas, ilha de edição para imagens, terminal de áudio para reprodução de fitas, discos, CDs, laboratório fotográficos, biblioteca e hemeroteca. A maior parte das visitas é composta por crianças. Há algumas atividades, como oficinais bimestrais de cinema e fotografia, feitas em parcerias com o MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo, que reúnem

cerca de 30 participantes. Shirley aposta na cultura como formação da identidade, por isso, quer incentivar a população a visitar os museus da cidade e conhecer suas origens. Para isso, está lançando novos caminhos, sejam tecnológicos, como a página do Facebook (mistaubate) e o blog (www.mistaunoticiasdodia. blogspot.com), ou tradicionais, como exposições e mostras fotográficas. Além disso, Shirley participa de um quadro na rádio Difusora, nas manhãs de terça-feira, para leitura e debate das crônicas de Emílio Amadei Beringhs (1899-1989), fundador da emissora. Todo esse esforço é feito pelo Mistau para que cada vez mais pessoas, como aquele jovem que talvez tenha aprendido a falar fenacistoscópio, possam descobrir novas perspectivas e conhecer um mundo novo justamente em um lugar onde tudo é advindo do passado. Vai lá.

Mistau Avenida Thomé Portes Del Rey, 925 - Vila São José Aberto de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h

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Carla Nienkoetter e Shirley Santos: guardiãs de um acervo

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Orçamento O Mistau é subordinado à Secretaria de Turismo e Cultura e depende exclusivamente de recursos municipais. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2016 estipula recursos de R$ 2 milhões para manutenção e funcionamento dos museus do município – incluindo, nesta conta, a folha de pagamento. No entanto, não há menção de ações específicas para o Mistau. A LDO estima ainda o aumento de visitantes a museus, de 220 mil para 250 mil, sem detalhamento das unidades.

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