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LISBOA DE OS MAIAS

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Museu de História Natural José Maria Eça de Queiroz nasceu na Póvoa do Varzim a 25 de novembro de 1845. Aos seis anos mudou-se para a Quinta da Torre em Verdemilho, propriedade de seu avô paterno, figura tutelar na vida do escritor. Na obra seguida neste percurso, também o avô, Afonso da Maia, tem a mesma ascendência e importância para o protagonista, Carlos da Maia: Pai, mãe, eram para ele como símbolos de um culto convencional. O papá, a mamã, os seres amados, estavam ali todos - no avô. Ao longo das cerca de 800 páginas d' Os Maias acompanhamos a vida de Carlos da Maia em Lisboa, desde a sua chegada no Outono de 1875. Terminado o curso de Medicina em Coimbra e depois de uma viagem pela Europa, vem morar com o avô na casa conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela

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LISBOA DE OS MAIAS

Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete. O itinerário tem início junto ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência, uma antiga casa religiosa jesuíta. Quase em frente, do outro lado da rua, encontra-se a Confeitaria Cister, que, nas paredes, exibe várias imagens do escritor. Aberta em 1838 com outro nome, a Confeitaria faria parte da rotina matinal de Eça de Queiroz que ali iria tomar o pequeno almoço antes da sua deambulação até ao Príncipe Real e ao Chiado.

1769. Por aí passava Carlos da Maia depois de um dos muitos encontros com a Condessa de Gouvarinho: Carlos apeava-se de um coupé de praça, que viera parar, devagar, à esquina da Patriarcal, com os estores verdes misteriosamente corridos (…) com efeito a velha traquitana de rodas amarelas acabava de ser uma alcova de amor, perfumada de verbena, durante as duas horas que Carlos rolara dentro dela, pela estrada de Queluz, com a senhora condessa de Gouvarinho.

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Jardim do Príncipe Real

Miradouro de São Pedro de Alcântara

O jardim do Príncipe Real, assim chamado em homenagem ao filho mais velho de Dona Maria II, era à época d’ Os Maias, popularmente conhecido como o sítio da Patriarcal. Na memória coletiva permaneceu a Basílica da Patriarcal que aí se ergueu depois do Terramoto de 1755 e que foi destruída pelo fogo em

(…) e agora, pelo passeio de S. Pedro de Alcântara, sob o ligeiro chuvisco que batia as folhagens da alameda (…). Anos antes das suas personagens, em 1866, Eça de Queiroz veio viver para Lisboa com os pais. Integrou-se no meio intelectual e literário da cidade que percorria com os amigos do Cenáculo,

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designação pomposa que era dada à casa de Batalha Reis e Antero de Quental, uma sobreloja na rua de S. Pedro de Alcântara, perto do convento. Vista daí, Lisboa impunha-se como uma personagem literária: Carlos, recostado no banco, apontou com a bengala, num gesto lento (…) E mostrava os altos da cidade, os velhos outeiros da Graça e da Penha, com o seu casario escorregando pelas encostas ressequidas e tisnadas do sol. No cimo assentavam pesadamente os conventos, as igrejas, (…) Mais alto ainda, recortando no radiante azul a miséria da sua muralha, era o castelo, sórdido e tarimbeiro (…) E abrigados por ele, no escuro bairro de S. Vicente e da Sé, os palacetes decrépitos, com vistas saudosas para a barra, enormes brasões nas paredes rachadas, onde entre a maledicência, a devoção e a bisca, arrasta os seus derradeiros dias, caquética e caturra, a velha Lisboa fidalga!

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