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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura Universidade Estadual de Campinas Campinas, São Paulo, Brasil 6 a 8 de março de 2012


1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura - Campinas, São Paulo, Brasil 6 a 8 de março de 2012

Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo Instituto de Estudos da Linguagem Universidade Estadual de Campinas


UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS 1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura 6 a 8 de março de 2012 Reitor Prof. Dr. Fernando Ferreira Costa Pró-Reitoria de Graduação Prof. Dr. Marcelo Knobel Pró-Reitoria de Pós-Graduação Prof. Dr. Euclides de Mesquita Neto Pró-Reitoria de Pesquisa Prof. Dr. Ronaldo Aloise Pilli Pró-Reitoria de Desenvolvimento Universitário Prof. Dr. Paulo Eduardo Moreira Rodrigues da Silva Pró Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários Prof. Dr. Mohamed Ezz El Din Mostafa Habib Realização Programa de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural (MDCC) Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo Instituto de Estudos da Linguagem Coordenação MDCC Prof. Dra. Susana de Oliveira Dias Comissão Organizadora Aline Câmara, Camila Delmondes, Daniela Araújo, Danilo de Abreu, Fábio Sanchez, Lucas Guedes, Patricia Santos, Raphaela Miquelete, Susana de Oliveira Dias, Tainá de Luccas e Vanessa Fagundes Identidade Visual Cristiane Delfina Diagramação Camila Delmondes

Campinas 2012


ÍNDICE

Apresentações livres ............................................................................................ 13 Patch em Preto e Branco ................................................................................................................... 15 Furacão: vida e tempo em proliferação ............................................................................................ 17 A natureza vivenciada por meio das danças brasileiras e da cultura popular: estratégias para educação ambiental ............................................................................................................................. 19 Deus Ex Machina ................................................................................................................................ 21

Arte, ciência, cultura e experimentações ....................................... 23 Hilda Hilst - Respiros: uma experiência de divulgação .................................................................. 25 Proliferações de Piet Mondrian pelas imagens da divulgação científica: experimentações entre o laboratório científico e o ateliê do artista (análise das composições do artista Piet Mondrian, projeto para montar um “laboratório-ateliê” de experimentações em ciência e arte) ............... 26 Interação entre ciência e arte na divulgação científica: proposta de uma agenda de pesquisa . 27 Deslocamentos e descolamentos sonoros por entre ciência e cultura.......................................... 28 Transdisciplinaridade na linguística aplicada: um processo de desterritorialização - um movimento do terceiro espaço .......................................................................................................... 30

Imagens na divulgação de ciência e cultura

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Cultura científica e arte no ensino superior (relação entre arte e ciência, exposição de charges sobre a ciência ...................................................................................................................................... 33 Vida e tempo em proliferação - potencialidades das imagens na divulgação científica das mudanças climáticas (fotografia, mudanças climáticas) ............................................................... 34 A instalação Memento mori como artefato de divulgação científica: entre arte e biologia ...... 35 C:\tecnozoica – Lixo, fotografia e consumo (livro-fotográfico sobre lixo e consumo) ............. 37

Divulgação cultural e cultura popular

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A trilha sonora como gênese do processo criativo na obra de Moacir Santos ............................ 41 Orquestra de Berimbaus Navio Negreiro......................................................................................... 42 A divulgação cultural na Escola de Capoeira Angola Resistência ................................................ 42 Investigação e experiências de aprendizagens não-formais de música entre Ogãs de um centro umbandista de Campinas-SP ............................................................................................................. 46 As danças populares brasileiras, ontem e hoje ................................................................................ 49

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Literatura e divulgação cultural .............................................................. 51 Piauí, um convite à narrativa ............................................................................................................. 53 Sobre performance e sofrimento na narrativa pós-ditatorial brasileira ....................................... 56 Jornalismo e ficção, acredite se quiser .............................................................................................. 59 Portal Cronópios: uma análise da produção literária contemporânea na internet .................... 62 A internet como instrumento de divulgação da literatura ............................................................ 64

Divulgação científica e ensino, questões políticas ............... 67 Devir-criança em face da biopolítica ................................................................................................ 69 Exposição Energia & Vida e prática pedagógica: uma avaliação de mérito e impacto .............. 70 Concepções de ciência presentes na divulgação e prática de instituições não formais de ensino de ciências............................................................................................................................................. 73 Fases do exílio, sob as faces do tempo – processos da pesquisa (em andamento) sobre Elza Freire ..................................................................................................................................................... 74 Urbanismo e educação: a teoria urbanística de Luiz Ignácio de Anhaia Mello (São Paulo, anos iniciais do século XX) ......................................................................................................................... 77 EJA no Acampamento Elisabeth Teixeira: a construção coletiva de um calendário como instrumento de divulgação da vida e luta de trabalhadores/as rurais .......................................... 79 A percepção sobre a função e importância dos museus e centros de ciências para a compreensão dos conhecimentos científico-tecnológicos presentes na vida cotidiana ............ 81 La divulgación científica en la Universidad Nacional de Córdoba. Políticas y formas de comunicación para su apropiación social (2004-2010) .................................................................. 84 O papel da universidade na educação científica: a experiência do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp .......................................................................................................................... 86

Educação não formal, museus, exposições.................................... 89 A história do computador no decorrer do tempo........................................................................... 91 A Olimpíada Brasileira de Geociências e sua contribuição para a popularização da ciência.... 92 Encontro Natura Comciência: uma experiência de divulgação científica na indústria ............. 95 Explorando a biodiversidade no Museu de História Natural “Hortêncio Pereira da Silva Júnior” no município de Itapira, SP ................................................................................................. 97 A divulgação em Museu de História Natural: o papel das exposições Rosângela Celina Cavalcante .......................................................................................................................................... 100 Garimpando informação no museu................................................................................................ 101

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Entre museu–escola–ponto de cultura: esquetes teatrais e cultura popular na popularização das ciências ......................................................................................................................................... 102 Meu bairro tem história! Passeando pelo Bairro Imperial de São Cristóvão ............................ 105 Manipulação comportamental em Nephila clavipes (Araneae, Nephilidae) induzida pelo parasitoide Hymenoepimecis bicolor (Hymenoptera, Ichneumonidae) ................................... 107 Um relato do projeto "Novos Olhares para o Museu de História Natural da Universidade Federal de Lavras" e suas práticas culturais de ensino e divulgação em Ciências ..................... 110 Questões sobre a biodiversidade divulgadas em espaços não formais: um relato de experiência como modelo das atividades do Museu de História Natural da Universidade Federal de Lavras, MG ......................................................................................................................................... 113

Divulgação científica, blogs e novas mídias............................... 117 Coabitando ......................................................................................................................................... 119 Elaboração do site do Hospital de Ruminantes da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo ............................................................................................................... 120 O empoderamento da sociedade por meio da apropriação do conhecimento científico: estratégias de comunicação colaborativa ....................................................................................... 121 Divulgação da engenharia de superfícies usando mídias sociais ................................................ 123 A divulgação científica da nutrição e o adolescente: (des)encontros em redes sociais online? ............................................................................................................................................................. 126 Novas mídias, novas linguagens - estratégias para atrair o interesse do público geral pela ciência ................................................................................................................................................. 127 A contribuição das redes sociais para a disseminação do conhecimento e no apoio à inovação ............................................................................................................................................................. 129 Blogs de ciência - divulgação científica e participação ................................................................. 131 O uso de portais corporativos para a disseminação do conhecimento: a experiência do Portal GAIA/CTI .......................................................................................................................................... 134 O blog como meio de divulgação científica e cultural: um estudo sobre a rede ScienceBlogs™ Brasil ................................................................................................................................................... 136 Newsgames: uma nova linguagem para a divulgação da ciência ................................................ 139 Alcscens e as redes sociais: divulgação científica e as mudanças climáticas globais ................ 141 Tempo e espaço: a relação técnica/mídia/contemporâneo .......................................................... 142

A comunidade escolar caminhou do lápis ao teclado virtual: quais foram e quais são os desafios do Canal Ciência? ..................................................................................................... 143

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Divulgação científica e análise do discurso ................................ 147 Comunicação Comunitária no Bairro Eldorado dos Carajás: Processos de Construção Discursiva e Ideológica ..................................................................................................................... 149 Graus de popularização da ciência na mídia ................................................................................. 150 A física nas revistas Ciência Hoje e Pesquisa Fapesp: leituras de licenciandos......................... 151 A construção de objetos-de-discurso em textos de divulgação científica midiática para crianças ............................................................................................................................................... 152 A produção de sentidos no Barracão: discurso, inclusão e subjetivação ................................... 155 Análise das cartas do leitor de duas revistar de divulgação científica ........................................ 156 Imagem que divaga, identidade que se divulga: olhares sobre o sujeito cidade-campo .......... 158 Vozes na Educação: um espaço virtual para discutir o ensino das matemáticas ...................... 161

Divulgação científica e ensino ................................................................. 165 O ensino das ciências naturais para alunos surdos no ensino médio: desafios e práticas dos professores da Escola Aloysio Chaves ............................................................................................ 167 Pibid: relato de experiência numa feira de ciências no ensino fundamental ............................ 168 Física e competências em uma educação participativa, a escrita como método de avaliação     ............................................................................................................................................................. 169 Taller de Electromagnetismo y Sonido para docentes e investigadores .................................... 171 Biosferas: a experiência da divulgação científica na universidade e na escola .......................... 173 Uma leitura de divulgação científica sobre Física Quântica no Ensino Médio......................... 176 Do espaço para a sociedade - difusão de conhecimento no INPE .............................................. 177 CInAPCe, rádio nômade, comunica-brincadeira: Uma metodologia de comunicação científica em neurociências para alunos do ensino básico ........................................................................... 180 Projeto Cultivar como ferramenta de divulgação científica ........................................................ 182 Projeto “Conheça um Investigador” como ferramenta de divulgação científica ...................... 185 A Carta na Escola e a escola no aluno: processos possíveis na divulgação cultural ................. 187 Leitura de um pequeno texto de divulgação científica por ingressantes na Unicamp ............. 190 Programa Ciência Vai à Escola: construindo uma visão de ciência na educação básica ......... 192 Imunologia nas escolas ..................................................................................................................... 194 Cultura científica universitária e a epistemologia das ciências ................................................... 197 Oficina didática “Conhecendo As Aves”: divulgando ciência em um voo pela história evolutiva das aves .............................................................................................................................. 198

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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Experiências escolares em contexto de mobilidade internacional.............................................. 200 Relato de experiência em divulgação científica: evento “Em clima de saúde: prevenindo com ciência”, integrante da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2011 .............................. 201 Ciliares: um jogo cooperativo .......................................................................................................... 203 Descrição poética - um projeto empreendedor ............................................................................. 206

Percepção pública e recepção da ciência ....................................... 207 Percepção pública da ciência: uma das vias da divulgação científica no México ..................... 209 A divulgação científica para dentro da ciência .............................................................................. 212 A psicanálise como instrumento do mapa noturno que leva ao receptor de notícias ............. 215 A simplificação da linguagem jurídica: os paradigmas para a efetivação dos direitos fundamentais e o acesso à justiça .................................................................................................... 217

Divulgação científica e saúde .................................................................... 219 Site - disseminação e difusão de um sistema minimamente invasivo para o monitoramento de parâmetros médicos .......................................................................................................................... 221 Isolamento compulsório de hansenianos em São Paulo: ciência, imprensa e política............. 222 Publicação de pesquisas relacionadas à saúde em dois prestigiados jornais brasileiros .......... 225 Registro de ensaios clínicos: implicações científicas e políticas da comunicação da ciência 227

Divulgação, TV e história ............................................................................. 229 A Globo Filmes e as novas configurações do audiovisual brasileiro na pós-retomada ........... 231 Divulgação científica da pesquisa histórica: entre a escrita da história e a narrativa jornalística ............................................................................................................................................................. 232 Ver Ciência: 18 anos incentivando mais ciência na TV ............................................................... 234 A visão de ciência propagada por Carl Sagan ................................................................................ 235

Jornalismo e assessoria de imprensa ................................................. 239 A ciência nos telejornais ................................................................................................................... 241 Implantação de assessoria de imprensa em editora universitária ............................................... 242 Mapeamento e análise da C&T na mídia impressa filiada à Associação Paulista de Jornais (APJ): tendências evidenciadas em 15 jornais diários .................................................................. 245 Jornal Comunitário A VOZ DO GUETO ...................................................................................... 246 O artigo de divulgação cientifica: elementos textuais e linguísticos para a facilitação da leitura ............................................................................................................................................................. 247

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Página de C&T no Jornal Cruzeiro do Sul ..................................................................................... 248

Divulgação científica/cultural para crianças ............................ 249 Ciência na Infância e na Juventude: Divulgação Científica das Revistas “Mundo Estranho” e “Ciência Hoje das Crianças” ............................................................................................................ 251 A explicação na divulgação científica dirigida a crianças ............................................................ 253 Meninos Românticos: Olhares sobre uma experiência poética na convulsão do universo das ruas ...................................................................................................................................................... 256 Universidade das Crianças e o espaço para o conhecimento e o re-conhecimento ................. 258

Biodiversidade e meio ambiente ........................................................... 261 Um centro de pesquisa dialoga com a comunidade ..................................................................... 263 Levantamento e caracterização de materiais de comunicação do município de Cubatão (SP), como subsídio à elaboração de projetos de educação socioambiental e divulgação científica266 Biodiversidade: fique de olho! ......................................................................................................... 269 A imagem da Ecologia em alunos do ensino médio na cidade de Ribeirão .............................. 271 Educação ambiental para a conservação da biodiversidade em museus e estações de ciência no Brasil ................................................................................................................................................... 272

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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Apresentações Livres

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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Patch em Preto e Branco Jose Eduardo Fornari Novo Junior (NICS) tutifornari@gmail.com Patch em Preto&Branco é uma instalação/performance, construída sob um modelo computacional escrito em PD (PureData); um ambiente livre de programação, especialmente desenvolvido para o processamento de parâmetros de controle e dados de mídia (áudio e vídeo) em tempo-real. Em PD, um modelo computacional é desenvolvido em um ambiente visual de conexão de blocos de processamento de dados em tempo-real. Cada estrutura visual é chamada de “patch”. O nome “Patch em Preto e Branco” faz uma referência poética às teclas do piano, ao pentagrama musical e ao ambiente visual do PD (também desprovido de cores; ou seja, em preto e branco). Todos estes são canvas monocromáticos desenvolvidos para viabilizar a criação de estruturas artísticas e musicais. Neste trabalho foi desenvolvida uma estrutura virtual de um octágono móvel, com nove retângulos de tamanho variável e variante (nos oito lados do octágono e no seu centro da figura, que variam continuamente de tamanho). Cada retângulo é um objeto sonoro determinístico (tonal) e cada haste que conecta dois retângulos é um objeto sonoro estocástico (ruidoso). O resultado inicial (sem a interatividade com um instrumento musical) pode ser visto no link: http://www.youtube.com/ watch?v=qYaBdmVcfQ8. Esta estrutura é controlada em tempo-real através do som externo, captado pelo microfone do laptop onde o patch é executado. O pitch (altura musical) do som captado controla os objetos sonoros tonais (dos retângulos) e estocásticos (das hastes). Nesta performance, o patch é controlado pelo som de uma flauta transversal. O músico/compositor inicia pela execução de um improviso, que incita a estrutura visual a movimentar-se na tela e a gerar uma resposta sonora, baseada no estímulo recebido pelo som da flauta. Com isso cria-se um diálogo sonoro, contextualizando uma performance musical auto-organizada e improvisacional. Esta performance foi inicialmente apresentada no Festival de Arte e Tecnologia (FAT 2010) em Campo Grande, MS. A apresentação pode ser assistida no link: http://youtu.be/DC1UUL4440E (a perfromance musical inicia em 1:20min e tem aproximadamente 7 minutos de duração). - 15 -


O autor desse trabalho, José Fornari (Tuti), é pesquisador carreira PQ do NICS – UNICAMP desde 2008. Tem dois PósDocs; o primeiro em Computação Evolutiva para Síntese Sonora, no na UNICAMP, em 2004, e o segundo em modelos computacionais para cognição musical, na Universidade de Jyvaskyla, Finlândia, em 2007, onde participou do projeto Braintuning (www.braintuining.fi). Seu doutorado é sobre o tema da computação evolutiva aplicada a processos de síntese sonora musical. Tem duas graduações; uma em Música Popular, modalidade Piano, pelo Instituto de Artes, e em Engenharia Elétrica na Faculdade de Engenharia Elétrica, ambas pela UNICAMP. Palavras-chave: música computacional, interatividade, performance

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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Furacão: vida e tempo em proliferação Coletivo multiTÃO. Susana Oliveira Dias (Labjor-Unicamp); Tainá Mascarenhas de Luccas (IEL-Labjor-Unicamp); Elena Manbrini (PICJr.); Fernanda Avelar (PICJr.); Helen Camilo (PICJr.); Tainá Chicão (PICJr.); Mariana Barbosa (PICJr.); Thiago La Torre (Labjor-Unicamp)., Ricardo Avelar (Labjor-Unicamp); Luana Lopes (IFCH-Labjor-Unicamp). multitaocorrespondance@gmail.com Tela após tela, página após página, cartadas obsessivas de imagens que querem dizer de um objeto: as mudanças climáticas. Que desejam ser ilustrações perfeitas, explicações convincentes, que ganham status de dignas representantes. Fotografam a vida. Saltamos de umas para outras e encontramos um tempo contínuo e homogêneo em que se insinuam as narrativas de um jogo dado. Convidamos o público a experimentar essas imagens como cartas de um jogo em que as narrativas de passado e futuro grudam nas imagens e arrastam a vida num redemoinho de significações. Lances que insistem nas dualidades entre as forças do bem e do mal e que são capturados por uma câmera invisível, de modo que as jogadas parecem influenciar no tempo projetando na tela. Mas que tempo é esse? Um tempo em que as palavras não capturam as imagens, em que as imagens não capturam as palavras, submetidas que estão a uma ventania devastadora. Um tempo esvaziado de narrativas, ilustrações, explicações. Quase um tempo sem tempo. Um tempo furacão, devastador e violento. Que vida pulsa desse furacão de palavras-imagens? Trata-se de uma instalação artística, interativa e itinerante, elaborada a partir do intercruzamento de imagens das mudanças climáticas produzidas por cientistas, jornalistas, fotógrafos e artistas, que circulam na divulgação científica. Procuramos, através da interface entre arte e ciência, estabelecer interações entre o público, as imagens e palavras que se encontram na instalação. Durante a realização das nossas primeiras instalações, o público foi incentivado a escrever sobre a pergunta: que vida e tempo pulsam dessas imagens? Esses relatos estão sendo inseridos nas montagens das instalações seguintes que irão acontecer em diferentes locais. A ideia é construir um ambiente que possa agregar as impressões do público, onde os fragmentos de seus relatos irão compor um tecido em constante transformação. - 17 -


A instalação foi elaborada durante as atividades do projeto “Vida e tempo em proliferação: experimentações na divulgação científica das mudanças climáticas” (FAEPEX nº829/11). Palavras-chave: imagens, mudanças climáticas, divulgação científica

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A natureza vivenciada por meio das danças brasileiras e da cultura popular: estratégias para educação ambiental Sara Monise de Oliveira (UFSCar) saraoliveira_ea@yahoo.com.br A sabedoria e a cultura popular têm muito a nos ensinar sobre a natureza, as pessoas e a vida. Por meio do canto, da dança e da música, expressamos nossos conhecimentos, crenças, sonhos, medos e alegrias. Por trabalhar não apenas com a razão, mas também com a emoção, a expressões artísticas e culturais são fundamentais para o crescimento, para a socialização e para a formação de seres humanos mais conscientes, respeitosos e felizes! Neste sentido, as danças brasileiras constituem um universo muito interessante para o trabalho de Educação Ambiental. Partindo de uma dança ou de uma brincadeira da cultura popular podemos chegar a um tema socioambiental de interesse de um grupo e trabalhar com eles aspectos relacionados ao seu cotidiano que se relacionam com o conteúdo da dança e da música. O contrário também é válido, partir de um problema ou questão ambiental para se trabalhar com a sensibilidade, a cooperação e a convivência por meio das músicas e danças populares. O importante é buscar estratégias que busquem ir para além dos conhecimentos fragmentados, que relacionem conhecimentos populares e científicos em seu trabalho pedagógico, pois esse é um grande desafio da Educação Ambiental. Assim a proposta dessa performance é proporcionar aos participantes do evento um momento de vivência de algumas danças da cultura popular que tratam de temas relacionados à temática socioambiental. A proposta se baseia no trabalho e no repertório do Grupo de Pesquisa e Prática em Danças Brasileiras – Girafulô (http://www.youtube. com/watch?v=6Qschsc6JBU). O grupo possui um trabalho norteado pelas manifestações culturais tradicionais de várias regiões do país e a partir da cultura popular, ressignifica cenários, valorizando os processos dinâmicos e criadores que estão presentes nas brincadeiras e danças do nosso país (vídeo de uma música criada para o contexto de são Carlos http:// www.youtube.com/watch?v=gI384cbChxY). Entre os ritmos populares trabalhados pelo grupo temos: cacuriá, coco, congada, ciranda, jongo e caroço. O grupo desenvolve um trabalho permanente de formação, prática e pesquisa, apresentações, oficinas, cursos de formação e vivências. - 19 -


A performance a ser realizada no 1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura não será uma apresentação e sim um momento de interação, mais próximo a uma oficina, que incluirá a participação do público em todos os momentos. Primeiro apresentamos o ritmo, a dança, a música e a brincadeira para que todos possam participar, então dançamos, cantamos e brincamos juntos. É importante que seja reservado um momento e um espaço específico para a atividade, pois a mesma se dará como uma oficina, sendo necessário criar um ambiente que estimule as pessoas a participarem. Para isso será necessário um espaço amplo, sem cadeiras, para que possamos fazer uma roda, que seja coberto ou sombreado e que possua um piso que permita que todos participem sem dificuldades. O tempo da atividade é de 30 minutos e os instrumentos serão levados pelas educadoras. Palavras-chave: danças brasileiras, educação ambiental, biodiversidade

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Deus Ex Machina Edson Eduardo de Sena Lopes (Companhia Teatro Mundi) edson_sena@yahoo.com.br SINOPSE: Num certo dia um homem desgostoso com a vida e pensando em se matar, pára a determinada hora para fazer sua rotineira oração, quando é abordado pela sua própria imagem projetada em seu televisor. A imagem se identifica como “Deus”! A partir daí decorre um diálogo que questionará o significado da vida e refletirá sobre o homem em seu mundo. CENÁRIO: Uma sala de estar com uma tevê e um vídeo ou DVD player, uma poltrona ou cadeira, uma pequena estante com alguns livros, uma pequena mesa com um laptop, um cabideiro com algumas roupas e ao fundo uma porta (com um espelho do outro lado). DURAÇÃO: 20 min Palavras-chave: Comédia, monólogo, multimídia

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Apresentação de trabalhos (arte, ciência, cultura e experimentações)

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Hilda Hilst - Respiros: uma experiência de divulgação Mariana Garcia de Castro Alves (IEL-Labjor-Unicamp) marianalagarcia@gmail.com Será apresentado um relato sobre a exposição HILDA HILST – RESPIROS, realizada em 2010, no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. A mostra foi composta de desenhos da escritora em diálogo com trechos de sua literatura e teve o objetivo de produzir uma leitura poética da obra. Foi a primeira vez que suas ilustrações, algumas de quase quarenta anos, foram expostas de modo conjunto. A poeta desenhava quando o exercício da escrita se lhe tornava pesado, e assim, traçava no papel suas atribulações para “dar uma respirada”. Feitos na maioria das vezes com esferográfica, os desenhos, seus "respiros", esboçam um universo de moluscos, aves, águas, caules, heras, onde perduram figuras etéreas, fantásticas, híbridas, sempre imperfeitas, coladas ou mutiladas. Em traços contínuos e delicados, espirais do tempo, da morte, da poesia, do amor, do prazer, do charco e de deus envenenam os papéis de sua iconografia. A mostra deu origem a uma dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural, do Labjor/Unicamp. Como um convite à leitura, o trabalho apresentou essa experiência de divulgação e refletiu sobre a produção literária de Hilda Hilst em relação às suas ilustrações, tocando nas relações entre obra, autor e público. Apesar do reconhecimento de crítica, atingindo excelência nos três gêneros, a obra de Hilda Hilst ainda é pouco conhecida, o que poderia ser atribuído a muitos fatores, entre eles a reiteração do mito da artista excêntrica. O trabalho traçou uma geografia hilstiana e, no campo da divulgação, apostou na materialidade de seus desenhos como espaço de produção de sentidos outros em/para Hilda Hilst. A versão virtual da exposição Hilda Hilst – Respiros encontra-se em: http://www.iel.unicamp.br/cedae/Exposicoes/Expo_HildaHilst/index. html Palavras-chave: Hilda Hilst, divulgação, desenhos - 25 -


Proliferações de Piet Mondrian pelas imagens da divulgação científica: experimentações entre o laboratório científico e o ateliê do artista (análise das composições do artista Piet Mondrian, projeto para montar um “laboratório-ateliê” de experimentações em ciência e arte) Fernanda Cristina Martins Pestana (IEL-Labjor-Unicamp) ferfer.fernanda@gmail.com Esta proposta é vinculada ao projeto maior de pesquisa “Por entre ciências, divulgações e comunicações, as configurações políticas de cultura e de público” (Processo Fapesp: 2010/50651-0, do Labjor-Unicamp), e propõe-se a pensar as proliferações das imagens das composições abstratas do artista holandês Piet Mondrian pela ciência, e as possíveis relações dessas imagens com as produções de laboratório e suas divulgações. O projeto baseia-se no conceito de uma ciência aberta, de Ilya Prigoggine e Isabelle Stengers, que permite contaminar-se por culturas diversas, e provoca desdobramentos que problematizam a arte e a ciência na sociedade. Para articular as proliferações do trabalho de Mondrian com o conceito de ciência aberta, este projeto propõe a criação de um “laboratório-ateliê” itinerante, a fim de provocar a criação de novas imagens como desdobramentos do diálogo entre arte e ciência. A proposta é que o “laboratórioateliê” aconteça no formato de oficinas a serem realizadas com alunos de ensino médio, para que nelas seja trabalhada a ideia do laboratório como ateliê de experimentação em ciência e arte, dentro da abordagem dos conceitos estudados, resultando na produção de uma peça gráfica (catálogo, livreto, folder, etc) que reunirá as imagens produzidas nas oficinas. Palavras-chave: arte, ciência, Mondrian

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Interação entre ciência e arte na divulgação científica: proposta de uma agenda de pesquisa Rojanira Roque dos Santos; Camila Carneiro Dias Rigolin (UFSCar) rojaniraroquesantos@gmail.com Este trabalho busca investigar a interação entre ciência e arte – concebidos aqui como campo científico e campo artístico – em projetos de divulgação cientifica. O referencial teórico é construído a partir de construtos propostos pelos autores dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, em especial no conceito de campo social desenvolvido por Pierre Bourdieu. Tem como objeto de estudo projetos de divulgação científica, recentemente desenvolvidos no Brasil, que têm como fundamento a fertilização cruzada entre os dois campos. Contemporaneamente, com o advento das novas tecnologias, verificamos que a aproximação entre o campo científico e o campo artístico tem se intensificado de maneira que é possível reconhecer diferentes níveis de interação, desde a apropriação de conceitos e técnicas, por ambos os campos, até a construção conjunta de conhecimento. O aumento do número de projetos voltados para divulgação científica que tem buscado na interação entre ciência e arte o fundamento de suas atividades evidencia esta aproximação. A partir do desenvolvimento de propostas interdisciplinares e transdisciplinares, tais projetos representam uma modificação na concepção estritamente disciplinar que justificava o afastamento entre ciência e arte. Contudo, a interação entre os dois campos não está livre de conflitos, uma vez que, segundo Bourdieu, um campo social é caracterizado pela existência de atores sociais em permanente disputa, movimentando-se no sentido de acumular “capitais” - institucionais, científicos, artísticos (Bourdieu, 1996). Estes agentes internalizam disposições específicas (habitus), levando à formação das estruturas objetivas dos campos. Partindo do princípio de que as relações internas características de cada campo já denotam conflitos específicos, como são os processos e qual é o produto da aproximação entre os dois campos? Como os agentes de cada campo reagem a esta interação? Quais os benefícios advindos da aproximação entre os campos científico e artístico para a divulgação científica? Na tentativa de responder a estas questões, as autoras apresentam uma proposta de agenda de pesquisa voltada para a investigação deste processo de interação. Palavras-chave: Arte, ciência, interação, campos sociais - 27 -


Deslocamentos e descolamentos sonoros por entre ciência e cultura Ana Paula Camelo (DPCT-Unicamp) apc.camelo@gmail.com A proposta desta comunicação nasce da expectativa de diálogo entre um filme sem imagens, um projeto de pesquisa que resiste a significar a divulgação científica e uma pesquisa de mestrado em busca de uma divulgação científica radiofônica esquizofônica. Em comum, eles têm o desejo de provocar reflexões acerca da potência das imagens, dos textos e dos sons. O que queremos com eles: discutir as possibilidades de encontros entre arte, ciência, divulgação científica, filosofia a fim de explorar e extrapolar os sentidos, as representações já fixadas acerca das coisas, do mundo. Neste momento, com enfoque especial nos assuntos relacionados à ciência e tecnologia. Como pensá-los e discuti-los para além de dicotomias, julgamentos, pré-conceitos? Como conversar com as representações presas às imagens, às palavras e aos sons a fim de alcançar outros limites, alcançar pensamentos-palavras-sons-imagens antes embaçados, impossibilitados de acontecer? Diante do fato de estarmos acostumados com a relação de complementação entre o som-palavraimagem que apostamos neste encontro: “Blue” (Derek Jarman, 1993), um filme-experiência sonora e visual, marcado por uma contínua imagem azul protagonizada pelo som que faz acontecer uma espécie de relato autobiográfico das experiências e reflexões do seu autor enquanto homossexual na luta contra a AIDS. “Escritas, imagens e ciências em ritmos de fabul-ação: o que pode a divulg-ação científica?” (Edital MCT/CNPq Nº 14/2009), um projeto de pesquisa que aposta e se dedica a questionar o que pode a divulgação científica, especialmente quando as imagens e textos não se restringem a explicar as coisas e que busca, no encontro com a literatura, com as artes, com pesquisadores de diversos campos do conhecimento, uma divulgação científica que se permite fabular, que escapa às lógicas representacionais, fixadoras de conhecimentos e pensamentos. “Imagens-escritas (feitas) de sons: Ouvindo as bio-tecno-logias de rua” (Fapesp) uma pesquisa de mestrado que insistiu em resistir aos modelos de comunicação-recognição através do conceito de esquizofonia (SCHAFER, 1979) e rádio-arte (CAMACHO, 2004), a fim de pensar (des) conexões entre o que se ouve e o que se vê, o que se espera dessa audição - 28 -


1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

e dessa visão em busca de uma escuta distinta sobre/com/das biotecnologias. Uma das grandes apostas dessa pesquisa se deu em torno de uma ideia-radio que não se configura somente como meio de transmissão de conteúdos, de conhecimentos relacionados à ciência e tecnologia, mas que é também máquina de expressão, que desloca significações estabilizadas, pensamentos organizados e reproduzidos sem serem questionados e, por isso, estabilizam fatos e verdades. Reinvenção estética tentando construir e desconstruir padrões da escuta, da comunicação, da relação entre imagem, palavra, som. Textura híbrida. Ex-pressão de pensamentos que exploram e extrapolam a audição. Possibilidades entre rádio, arte, ciência, comunicação, educação, sensação. Ins-piração para a possibilidade de “trazer o rádio para dentro do rádio. Um rádio livre, de invenção(...) percorrendo diversos códigos e multiplicidades estéticas (...) ruptura do tempo linear dessas convenções sonoras(...) o rádio não linear, rizomático sem trajetórias fixas...” (HAOULI, 2009). CAMACHO, Lidia. “El arte radiofónico en América Latina”. TELOS Cuadernos de Comunicación e Innovación, n° 60, 2004. Disponível em http://sociedadinformacion.fundacion.telefonica.com/telos/articulocuaderno.asp@idarticulo=3&re=60.htm. Acesso em jan. 2021. HAOULI, Janete El. “Ideias (delírios?) para o Rádio”. In: ZAREMBA, Lilian (org.) Entre ouvidos, sobre rádio e arte. Oi Futuro/SOARMEC, Rio de Janeiro, 2009. JARMAN, Derek. Blue. New York: Overlook, 1994. SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1992. Palavras-chave: Som, representação, divulgação científica e cultural

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Transdisciplinaridade na linguística aplicada: um processo de desterritorialização - um movimento do terceiro espaço Camila Lawson Scheifer (IEL-Unicamp) camilawson@yahoo.com Neste artigo, a noção de transdisciplinaridade no campo da linguística aplicada é rediscutida à luz das noções de terceiro espaço (Bhabha, 1998; Kostogriz, 2004 e desreterritorialização (Haesbaert, 2009), em uma tentativa de desenvolver um projeto teórico que não poderia deixar de se propor transdisciplinar. Tendo como referência a ideia trazida da geografia de que todo processo de desterritorialização significa uma reterritorialização em novas bases, proponho que uma transdisciplinaridade plena não se faz possível. Entretanto, isso não significa que a transdisciplinaridade não deva ser abordada como uma alternativa epistemológica para lidar com a complexidade do mundo contemporâneo. Para tanto, inicialmente, retomo a discussão sobre transdisciplinaridade já instaurada no contexto da linguística aplicada (Moita Lopes 2008; Signorini & Cavalcanti 2004), de modo a propor uma tradução da noção de transdisciplinaridade nos termos da teoria do espaço de Haesbaert (2009). O que autoriza tal tradução é o fato de a produção do conhecimento científico ser comumente concebida e organizada por meio de metáforas espaciais do tipo “campo”, “área”, “território”, entre outras. Em seguida, considerando o desafio da complexidade proposto por Edgar Morin (Morin et al 2003), defendo que a transdisciplinaridade só é relativamente possível se acompanhada de uma reforma do pensamento que abarque a religação dos saberes e inclua um movimento de legitimação de saberes ditos marginais e uma discussão sobre ética. Por fim, penso o terceiro espaço, entendido como espaço agonístico de hibridismo, como o locus para um pensamento transdisciplinar e defendo uma “educação do entorno” para a transdisciplinaridade. Palavras-chave: transdisciplinaridade, terceiro espaço, desreterritoralização

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Imagens na divulgação de ciência e cultura

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Cultura científica e arte no ensino superior (relação entre arte e ciência, exposição de charges sobre a ciência) Graciela de Souza Oliver (UFABC) graciela.oliver@ufabc.edu.br A presente comunicação tem por objetivo relatar e discutir um evento de divulgação científica realizado no âmbito da Semana Nacional de C&T de 2011 na Universidade Federal do ABC, intitulado Exposição "Ciência com Humor". A exposição contou com charges e quadrinhos originais e análises de charges, elaboradas pelos alunos da disciplina de Ciência, Tecnologia e Sociedade, por mim ministrada. Os alunos foram orientados a expor à comunidade acadêmica conhecimentos científicos e tecnológicos relativos ao tema da Semana de forma questionadora e criativa. O evento foi registrado por meio de assinaturas, vídeo, avaliação de mérito artístico e fotografias. Como resultado e avaliação do evento compreendem-se a importância de espaços de expressão e visibilidade, como as exposições dentro do meio acadêmico, os meandros da relação entre Arte, Ciência e Tecnologia, e ainda, os valores, posturas e conceitos que permeiam a cultura científica dos alunos, os quais não aparecem com facilidade nas expressões e discussões de sala de aula. Palavras-chave: Exposições, ciência, tecnologia e sociedade; cultura científica e arte

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Vida e tempo em proliferação - potencialidades das imagens na divulgação científica das mudanças climáticas (fotografia, mudanças climáticas) Tainá Mascarenhas de Luccas (IEL-Labjor-Unicamp) tainadeluccas@gmail.com Atualmente, cientistas, jornalistas e artistas têm produzido um vasto material imagético sobre o tema mudanças climáticas que circula com intensidade na sociedade, tornando-se um assunto relevante para análise e reflexão. Desta forma, esta pesquisa de mestrado pretende se debruçar sobre o tema mudanças climáticas através do contato com imagens fotográficas e o estudo de suas potencialidades. Para isto, optamos por caminhos metodológicos que permitissem trabalhar as imagens como abertura para novos significados e possibilidades, apostando na força da imagem enquanto questionamento e dimensão social. Buscamos uma aproximação das imagens como máquinas de visão, que dão a ver e falar, e que tanto nos permitem estabelecer significações já dadas na cultura, como têm potência de libertar o sentido das determinações e fixações. Buscamos um saber e pensar por imagens para questionar a nossa história e nos questionar ao mesmo tempo. Experimentamos a potência da fotografia como intensidade para proliferar novas questões e pensar conceitos que perpassam a complexidade do tema mudanças climáticas, como tempo e vida, e os seus desdobramentos. Palavras-chave: imagens, mudanças climáticas, divulgação científica

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A instalação Memento mori como artefato de divulgação científica: entre arte e biologia Maria Lívia Conceição Marques Ramos Gonçalves (IEL-Labjor-Unicamp) mlivia_bio@hotmail.com Apresento nesse trabalho meu relato sobre as experiências vivenciadas durante o desenvolvimento da minha dissertação no mestrado em Divulgação Científica e Cultural (IEL-Labjor-Unicamp). Exponho minhas expectativas no início do curso, como se deu meu encontro com as obras de Walmor Corrêa, e falo sobre as potências encontradas nesse descaminho. Empresto essa palavra, descaminho, dos escritos de Bujes. Essa autora, por sua vez, vale-se de Foucault para constatar que: “Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê é indispensável para continuar a olhar ou a refletir (FOUCAULT, 1998 apud BUJES, 2002, p.12). Essa frase fala muito sobre essa trajetória. Meu trabalho foi intitulado: “A instalação Memento mori de Walmor Corrêa como artefato de divulgação científica”. Detalhes dessa instalação podem ser encontrados em: <http://www.walmorcorrea.com.br/ tpl/obras2007-b1.htm>. Poderia apresentar esse artista plástico de diferentes maneiras, porém, acho interessante trazer uma frase sugestiva de sua autoria: “O meu primeiro contato com o universo da arte aconteceu na escola, durante as aulas de Biologia”. Dentre as principais características das obras de Corrêa, estão criações que se fazem no entre arte-ciência, possível-impossível, verdade-ficção, realidade-imaginação. À primeira vista, seus desenhos remetem à estética naturalista, porém suas ilustrações representam figuras fabulosas. No caso específico de Memento mori, ela conta com Atlas anatômicos de figuras do folclore, como a sereia Ondina, o Curupira, entre outros. Assim como, esculturas feitas de ossos de “verdade” para retratar pássaros com bicos (im)possíveis. A exibição se passa em um cenário que remete aos Gabinetes de Curiosidades, espaços/ coleções considerados os embriões dos museus modernos. Sob e sobre esses preceitos a dissertação foi sendo feita. As principais discussões presentes em meu trabalho habitam o entre arte-ciência, principalmente a biologia. Sua construção foi pautada em referenciais teóricos dos Estudos Culturais e pela aproximação com - 35 -


alguns conceitos da filosofia. Nesse movimento, acabei por discutir a construção do discurso biológico e alguns sentidos postos em circulação por ele. As obras de arte de Corrêa incitaram pensamentos críticos sobre esse “modo de ver o mundo”, definido pelo discurso biológico e, consequentemente, muitas dessas críticas resvalaram na(s) divulgação(ções) científica(s) pautada(s) em modelos de recognição. Essa(s) atividade(s), através de suas práticas discursivas – textos/imagens/sons que explicam, ilustram, representam a ciência – reforçam e perpetuam os regimes de verdade estabelecidos pela/na ciência. Com isso, a complexidade do mundo é editada em uma(s) realidade(s) que exclui(em) cargas sensíveis, limita(m) os possíveis e ainda passa(m) a classificar, julgar, negativar aquilo/aqueles que possam apresentar linhas de fuga a esses regimes de verdade. Essa constatação se desdobra ao longo das experiências/escritas proporcionadas por esse trabalho, lançando luz também para formas de recuperação do que o é excluído pela hegemonia do discurso científico; as potências da arte nessa vontade/necessidade de resistência, dentre outros pontos, sugeridos pelas obras de Memento mori e por encontros com pessoas, ideias e escritas ocorridos durante o curso de mestrado. BUJES, M. I. E. Descaminhos. In: COSTA, M. V. (Org.) Caminhos investigativos II: outros modos de pensar e fazer pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. Palavras-chave: Walmôr Correa, arte, ciência

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C:\tecnozoica – Lixo, fotografia e consumo (livro-fotográfico sobre lixo e consumo) Renato Salgado de Melo Oliveira (IEL-Labjor-Unicamp) renatosmo@gmail.com A comunicação se pretende um relato de experiência de um grupo de alunos: Renato Salgado de Melo Oliveira, Alessandra dos Santos Penha, Giancarlo Pellizzari, Pamela de Paula Piovezan e Tatiana Plens Oliveira; que tiveram o desafio de inventar um livro-fotográfico na durante a disciplina ES – 657, Oficina de Multimeios, ministrada pelos professores Doutores Adilson Ruiz, Fernando Tacca e Paulo Martins durante o segundo semestre de 2011 no curso de Especialização em Jornalismo Científico oferecido pelo Labjor, Unicamp. A proposta para o grupo na disciplina era criar um livro-fotográfico com o tema “Lixo e consumo”. Logo a princípio a proposta já se mostrou um desafio diante da imensa massa de imagens e palavras que já marcam anteriormente o assunto e induzem certas formas de apresentar imageticamente esse desafio: fotos de lixões, paraísos naturais contaminados com resíduos, pessoas trabalhando em aterros sanitários são alguns exemplos, dessa massa que se estabelece como opção de trabalho antes mesmo de começar. Porém o grupo optou por buscar imagens outras que trouxessem outros sentidos para “lixo e consumo”, tentar escapar de formas morais e didáticas que marcam o assunto e especialmente o jornalismo científico. Por isso investiu na idéia de potência. Ou seja, forças e signos que emergem e proliferam das zonas lixo e consumo: desaparecidos, arquivos esquecidos, lixo criação, lixo humano, lixo corpo... entre tantos. Diante de nosso experimento “lixo e consumo” não se direcionavam mais para um problema a ser denunciado e combatido, ao contrário, as possibilidades que se abriram foram infinitas. Diante de tantos lixos e consumos não cabia mais escolher pelo “ou” “(...) o “ou” seria a relação estabelecida por um tempo linear, quando o mundo nos oferece dois ou mais possíveis, a escolha seria “ou um, ou outro” (...)” (c:\tecnozoica, 2011). Buscamos por uma outra relação de tempo que já estava indicada desde o início no próprio tema proposto: “lixo e consumo”. Assim desejamos “(...) arriscar por outra força-tempo: a do “e”. Diante das possibilida- 37 -


des dos mundos escolhemos “uma e outra” (...)” (c:\tecnozoica, 2011). Não esperávamos com isso buscar a essência do tema proposto, atingir a profundidade, ou uma suposta verdade escondida, que aguardava a revelação e com isso trouxesse algum tipo de conscientização. O desafio era consumir os signos do lixo. “Lixo e consumo como forças que produzem signos vários: miséria, resistência, esquecimento, proliferação... Que desejam escapar de velhas dicotomias: certo/errado; doente/ sadio; consumo/temperança; lixo/limpeza.” (c:\tecnozoica, 2011). O resultado foi um livro-fotográfico com 13 imagens (capa e internas) bem diversificadas. Inspiradas e produzidas por lixos e consumos vários: fotos antigas, jornais de poste, chapas de radiografias, loucos urbanos, desaparecidos, abismos e pastas de arquivos. O nome que demos a esse livro errante foi: c:\tecnozoica, inspirados pelas camadas de sedimentos que desejamos acumulados entre suas páginas. Palavras-chave: fotografia, lixo, consumo

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A divulgação cultural e cultura popular

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A trilha sonora como gênese do processo criativo na obra de Moacir Santos Lucas Zangirolami Bonetti (IA-Unicamp) lucas@lucasbonetti.com.br O presente trabalho pretende discutir os processos de composição amalgamados por Moacir Santos (1926-2006) na concepção de sua obra a partir das diversas trilhas sonoras que assinou, a maioria nos anos 60. Tais trilhas carregam todo um direcionamento estético seguido por Moacir ao longo de sua carreira, sem contar as inúmeras melodias e temas nascidos por essa época e que iriam figurar em grande parte de sua produção de música instrumental. O tema foi escolhido principalmente por ser bastante prolífico e pouco explorado, sob esse prisma, em trabalhos acadêmicos anteriores. Essa pesquisa pretende discorrer sobre a relevância da composição das trilhas sonoras feitas por Moacir Santos na década de 60 para a posterior compreensão de sua obra, percebendo suas referências, seu posicionamento estético e possibilitando desta forma, em um só trabalho, a percepção de diferentes e influentes estilos composicionais. Sendo assim, procura-se delinear uma linguagem expressiva no processo de composição de Moacir Santos, trazendo à tona aspectos socioculturais e vertentes estilísticas (musicais) desde suas trilhas para cinema e comparando-a com seus discos lançados posteriormente. É de grande interesse nesta pesquisa abordar a inter-relação dessas vertentes musicais no processo de construção e sedimentação de sua obra, por meio da análise auditiva e visual (filmes e partituras). Palavras-chave: Trilha sonora, composição, Moacir Santos

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Orquestra de Berimbaus Navio Negreiro Leonardo Lopes Ferreira (Faculdade Anhanguera / Escola de Capoeira Angola Resistência) orquestranavionegreiro@gmail.com A Orquestra de Berimbaus Navio Negreiro é um coletivo formado por pessoas interessadas em refletir sobre os fenômenos de resistência à escravidão no Brasil, tendo como ponto de partida o aprendizado das formas tradicionais de confecção do instrumento, seus preceitos e manuseio na execução dos toques e cantigas tradicionais do universo da Capoeira Angola. O grupo é formado por pessoas de diversas origens: etnias indígenas, afros, portuguesas, japonesas, italianas, que atuando na sociedade das mais diversas maneiras. A primeira fase do projeto aconteceu em abril de 2007 a junho de 2010, em trabalho de Educação Social junto a meninos e meninas em Situação de Rua no município de Campinas/SP. E dentro deste período, desenvolveu um projeto de aulas de Capoeira Angola embaixo de viadutos, praças e calçadas voltadas para a molecada que vive na rua. Por conta do uso exacerbado de drogas, a debilidade física, eles não conseguiam dar seguimento nos treinos, então observando que a musicalidade da Capoeira era algo que os contagiava, um dos modos que encontrou para dar continuidade ao projeto foi propor a formação de uma Orquestra de Berimbaus. O projeto foi apoiado pela Secretaria de Cultura do Estado de SP, através do Edital de seleção de Projetos de Promoção da Continuidade das Culturas Tradicionais no Estado de São Paulo. Aprovado em 2010 e em exercício em 2011 no período de oito meses. Após o mês de outubro de 2011, mês de término do apoio, o grupo continua as atividades e ensaios. Palavras-chave: Orquestra Navio Negreiro

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A divulgação cultural na Escola de Capoeira Angola Resistência Danilo de Abreu e Silva (IEL-Labjor-Unicamp/Escola de Capoeira Angola Resistência) Valdisinei Ribeiro Lacerda (Faculdades Anhanguera (FAC)/ Escola de Capoeira Angola Resistência) daniloabreus@gmail.com, topetecapoeira@hotmail.com Essa pesquisa busca compreender e estudar os processos de produção, divulgação e transmissão do saber popular, mais especificamente da Capoeira Angola, passando pelas novas mídias e formas de divulgação cultural. As políticas de apoio aos grupos de cultura popular, as redes de colaboração e o acesso a novos suportes tecnológicos, em especial o audiovisual e a internet, são cada vez mais utilizados por esses grupos para se mobilizarem e divulgarem suas ações e opiniões. A Escola de Capoeira Angola Resistência (ECAR), coordenada pelo Contra-mestre Topete, faz uso dessas facilidades para divulgar a capoeira angola. Baseada nos princípios herdados dos velhos mestres da tradição oral estabelece uma comunicação intercultural entre diversos públicos de maneira crítica e inovadora. Os processos de aprendizagem e transmissão desses saberes vão desde vivências culturais (ritual, oralidade, musicalidade, expressão e técnica corporal) até o uso de tecnologias digitais (fotos, vídeos, sites e redes sociais), o que nos motiva a estudar como se estabelecem essas ligações entre a tradição e a modernidade em uma escola de educação não-formal. Assim, as facilidades de acesso e de transmissão de informação cultural são assimiladas como possibilidades de somar conteúdos no processo de ensino e de aprendizagem em capoeira angola, aliando o conhecimento prático à pesquisa e ao conhecimento teórico. Pedro Abib reflete sobre esses processos de transmissão do saber popular, suas características e os princípios de aprendizagem social dos sujeitos de um grupo, como a memória, a oralidade, a ancestralidade, a ritualidade e as “estratégias sendo desenvolvidas por esses mesmos grupos, no sentido de se integrarem cada vez mais ao mercado da sociedade globalizada, como uma necessidade de sobrevivência política e econômica” (Abib, 2004, p. 56). A sede da ECAR está localizada no centro de Campinas, embaixo - 43 -


do Viaduto Vicente Ferreira Cury, onde fica o Terminal Central de Ônibus Urbano e por onde passam as principais vias de acesso aos diversos cantos da cidade. Os treinos, de segunda a sábado, em diversos horários, abordam os fundamentos da capoeira, sua história, musicalidade, princípios e ritual. Nas terças-feiras, o treino é direcionado para outras expressões de matrizes africanas, com ritmos percussivos (Ijexá, Barravento, Congo-de-ouro, Vamunha), cantos e danças (Maculelê, Puxada de rede, samba de roda e dança do fogo). Esses estudos são sempre divulgados em apresentações culturais, tanto em eventos e espaços que se interessam e convidam a ECAR, como em eventos organizados pela própria Escola. Nas sextas-feiras realiza-se, desde 2002, a Roda do Gueto, uma roda de rua que preza pelos princípios e fundamentos da capoeira angola. Ela acontece em uma das vielas que dá acesso ao terminal, bem próxima à sede da escola, rodeada de camelôs, bares e vendedores ambulantes. É uma das passagens para entrar no terminal, e isso faz com que passem por lá milhares de pessoas por dia. (SILVA, 2006) Outras modalidades de estudo e extensão que a Escola Resistência desenvolve são o “Núcleo de Estudos”, e o “Cinema Popular”, realizados bimestralmente aos sábados pela tarde, onde são discutidos e estudados temas e filmes relacionados com as temáticas pré-estabelecidas, todas relacionadas à história do Brasil, ao universo da capoeira e de outras expressões afro-brasileiras. Essas atividades são abertas e gratuitas para todas as pessoas interessadas. Em 2010 a ECAR foi contemplada pelo edital de Promoção da Continuidade das Culturas Tradicionais do Programa de Ação Cultural (ProAC/2009) da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Através dele, adquiriu equipamentos audiovisuais (câmera fotográfica, filmadora, projetor multimídia, telão), computador, mesas, armários, dentre outras estruturas que permitiram ampliar as atividades desenvolvidas. Além das atividades cotidianas da escola e das apresentações culturais, melhoramos nossas possibilidades de divulgação cultural como: a construção do site (www.escolaresistencia.com.br); o registro e a divulgação das atividades, através da internet (texto, fotos e vídeos), e de cartazes; e o jornal comunitário e coletivo “A Voz do Gueto”. Os processos de educação e transmissão de saberes presentes na ECAR são realizados a partir de uma relação dialógica entre todos - 44 -


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os alunos no dia-a-dia da Escola, orientados pelo Contramestre Topete. Pensando sobre esse engajamento intencional da educação e da comunicação, Paulo Freire fundamenta a possibilidade de conhecer nessas interrelações entre todos os participantes do processo: “O sujeito pensante não pode pensar sozinho; não pode pensar sem a co-participação de outros sujeitos no ato de pensar sobre o objeto. Não há um 'penso', mas um 'pensamos'. É o 'pensamos' que estabelece o 'penso' e não o contrário. Esta coparticipação dos sujeitos no ato de pensar se dá na comunicação” (Freire, 1975, p. 66). Essa produção de conhecimento e necessidade de divulgá-lo para a comunidade de uma maneira coletiva e inovadora nos motiva e inquieta a pensarmos nos limites em que se dá a divulgação de ciência e cultura, entre o acadêmico e o popular, e de que forma essa divulgação é pensada e feita pelo grupo e recebida pelo público. ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Capoeira angola: cultura popular o jogo dos saberes na roda. Campinas: Unicamp (tese de doutorado), 2004. FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? 2. Ed. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1975 SILVA, Danilo de Abreu e;. A Roda do Gueto: uma etnografia sobre a capoeira no Terminal Central de Ônibus Urbano de Campinas. 2006. 57p. Monografia (Conclusão do Curso de Comunicação Social com habilitação em Radialismo). Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, Unesp, Bauru. Palavras-chave: capoeira, divulgação, cultura

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Investigação e experiências de aprendizagens não-formais de música entre Ogãs de um centro umbandista de Campinas-SP Nathan Tejada de Podestá (IA-Unicamp) nathanpodesta@gmail.com Este trabalho tem como objetivo discutir alguns conhecimentos adquiridos através de estudos socioculturais e vivências práticas de aprendizagem não-formal de música entre os Ogãs da Comunidade Espírita Umbandista Girassol – CEUG. Tal vivência de aprendizagem faz parte da pesquisa de mestrado que desenvolvo junto ao Programa de PósGraduação em Música da Unicamp. A pesquisa consiste em investigar os processos de aprendizagem de dois músicos autodidatas, reconhecidos como mestres em seus meios de atuação. O principal objetivo é mostrar que eles passaram por um longo período de desenvolvimento das habilidades e aquisição dos conhecimentos. Assim, questionar a idéia da suposta espontaneidade, pré-disposição, ou dom “natural” que eles possam ter. A investigação do ambiente sociocultural dos músicos estudados evidenciou-se conforme a revisão bibliográfica apontou que a necessidade que os leva a organizar seu currículo é gerada socialmente. O envolvimento que leva um músico a se especializar, depende decisivamente da relação afetiva que ele pode desenvolver com a música. Neste sentido, os mediadores (pais, familiares, amigos e professores) são fundamentais no desenvolvimento musical individual. Compreendemos com Bakhtin (apud. Faraco, 2009), que as necessidades individuais refratam as necessidades coletivas, assim como a atitude valorativa e os gostos são influenciados decisivamente pela relação entre o “eu” e ou “outro”. Os autodidatas, apesar de não terem tido instrução formal, passaram por um processo de especialização, onde relação interpessoal foi decisiva. Além disso, Bourdieu (2003), mostra que a vivência prática da arte pode trazer o conhecimento tácito das regras implícitas ao saber-fazer artístico. E que a necessidade cultural varia conforme a prática cultural e reduplica na medida em que é satisfeita. Compreendemos que os músicos autodidatas devem ter tido um ambiente de formação sociocultural rico em estímulos musicais e que suas habilidades, longe de fazer parte da natureza individual são desenvolvidas conforme os estímulos ambientais. - 46 -


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Ao observarmos o processo de aprendizagem do Ogã Alabê (chefe dos Ogãs) da CEUG, destacaram-se como mediadores os familiares (adeptos da religião), outros Ogãs, entidades religiosas, além de mediadores virtuais com os quais ele teve contato através de discos, livros, vídeos e sites na internet. Pude constatar que o seu processo de especialização segue uma lógica que é similar a lógica escolar de aprendizagem musical. Ele separou a prática no ritual coletivo, do treinamento técnico individual e buscou objetivar modos de tocar e difundir os conhecimentos entre os Ogãs, isto resultou num grande domínio dos códigos musicais. Da experiência empírica posso destacar que para os Ogãs da comunidade não existe separação entre aprendizado e prática. A aprendizagem se dá na prática e envolve a situação particular de cada ritual. Não há uma objetivação do rito, pelo menos no sentido mais restrito. Embora haja uma orientação hierárquica sobre o direcionamento das atividades, cada trabalho (maneira como os adeptos denominam o culto) é único, pois há uma interação direta entre as entidades religiosas e as pessoas que buscam auxílio nelas. Ao que parece, o rito não é objetivado porque dependendo do resultado da interação entre adepto e entidade, ele pode tomar rumos completamente diferentes inviabilizando a objetividade escrita. As orações, os toques, os pontos cantados, tudo se altera em função da necessidade do dia que não pode ser programada. A música na comunidade serve a um fim específico e se realiza somente durante o ritual coletivo. Para os umbandistas ela é um canal de comunicação entre o mundo físico e o espiritual e o atabaque é um instrumento sagrado, cujas vibrações sonoras fazem a ponte entre os planos energéticos. Somente pessoas autorizadas pelas entidades podem tocar os instrumentos, pois a música pode interferir no rito. Deste modo, os Ogãs são vistos como tipos de sacerdotes, que manipulam as ondas sonoras (e energéticas) e conduzem a circulação das vibrações espirituais pelo terreiro. As letras cantadas, os toques, a dinâmica e o andamento variam conforme a situação particular do ritual. Isto exige que o Ogã altere sua forma de tocar, conforme os momentos de oração, incorporação e a dança de cada Orixá. Todos os Ogãs aprendem dessa forma, aproveitando a experiência religiosa para experimentar novas formas de tocar e improvisar sobre os toques. - 47 -


Contudo os ensinamentos têm uma lógica hierárquica e certa sistematização. Aprende-se pela totalidade da situação e o desenvolvimento da percepção da relação música-ritual, depende da vivência prática de cada indivíduo. Como esta relação não está sistematizada racionalmente, eles são movidos pelo ritual. Podemos dizer, de acordo com Lahire (2001), que eles são mais possuídos pelas normas e pelos saberes, que os possuem verdadeiramente. (LAHIRE, 2001, p. 20). A inconsciência pode ser observada na relação música-ritual, no processo de desenvolvimento musical e na tentativa de alguns Ogãs explicarem sua performance musical. Após firmar uma base de conhecimentos informais, um Ogã pode buscar mais conhecimentos em meios não-formais de ensino. Esta necessidade desenvolver-se-á conforme o interesse individual e a possibilidade de ascensão na hierarquia religiosa. Bibliografia Básica BOURDIEU, Pierre. O amor pela arte: os museus de arte na Europa e seu público – São Paulo; Editora da USP: Zouk, 2003. FARACO, Carlos Alberto. Linguagem & diálogo: as idéias lingüísticas do círculo de Bakhtin. São Paulo: Parábola editorial, 2009. GOHN, Daniel Marcondes. Auto-aprendizagem musical: alternativas tecnológicas. São Paulo Annablume/fapesp. 2003. LAHIRE,Bernard; GUY, Vincent ; THIN, Daniel. Sobre a história e a teoria da forma escolar. In: Educação em revista nº 33, Belo Horizonte, junho 2001. p. 7-45. MATTOS, Sandro da Costa. O livro básico dos Ogãs. São Paulo: Icone, 2005 WILLE, Regiana Blank. Educação formal, não-formal ou informal: um estudo sobre processos de ensino e aprendizagem com adolescentes. In: Revista da ABEM, nº13, setembro 2005, p. 39-48. Palavras-chave: educação não-formal, ensino-aprendizagem musical, umbanda.

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As danças populares brasileiras, ontem e hoje Roberta Cristina de Paula (Unicamp) rodepaula@hotmai.com Esta pesquisa de mestrado em andamento tem como objetivo: destacar as danças populares na obra de Mário de Andrade; apontar o papel ocupado por essas manifestações nas construções das identidades dos brincantes que as vivenciam; refletir sobre a permanência das danças, que são transmitidas de geração em geração. Para a apresentação das danças na obra deste intelectual delimito quatro momentos em sua trajetória, que chamo de: encontros de Mário com a dança, sendo eles: nos três volumes das Danças Dramáticas do Brasil (obra póstuma); na presença das danças nos programas dos parques infantis do município de São Paulo (política implementada no período entre 1935-38, anos em que Mário esteve na direção do Departamento de Cultura de São Paulo- DCSP); na pesquisa para o mapeamento das danças populares existentes no estado de São Paulo em 1937, realizado pela Sociedade de Etnografia e Folclore (órgão que foi dirigido por Mário de Andrade), também em 1937, e que foi apresentada no Congresso de Folclore em Paris; e finalizando com a Missão de Pesquisas Folclóricas, projeto coordenado por Mário de Andrade, ainda enquanto diretor do DCSP, em 1938, com o propósito de documentar o maior número possível das manifestações populares brasileiras, através da fotografia, registros sonoros e filmagens, resultando daí o que se pode considerar o primeiro documentário das nossas danças populares. Através da pesquisa teórica, em obras do autor e outras referências, busco evidenciar os elementos característicos dessas tradições, como o aspecto lúdico, e ressaltar o papel que desempenham na ressignificação das identidades dos sujeitos que as vivenciam. Andrade apontou, na primeira metade do sec. 20, que devido às influências européias, o avanço da industrialização e o processo de modernização, nossas danças populares estavam predestinadas ao esquecimento. Após essa contextualização histórica, trarei a fala de intelectuais e militantes das culturas populares sobre o papel dessas manifestações na atualidade, com o intuito de refletir e discutir a manutenção das danças populares pelos grupos sociais. Enfatizo que um dos dados levantados até o momento, e que considero fundamental para a continuidade dessas tradições é a presença da criança, - 49 -


da nova geração, na constituição dessas comunidades, grupos, coletivos, praticantes das danças populares. Assim, através de Mário de Andrade apresento o ontem das danças populares, e trago um dos pensamentos do intelectual para o hoje, indagando: Estariam as danças populares com o fim determinado? Por ser uma pesquisa em andamento, a questão encontra-se em aberto, pois levantarei elementos, para tal resposta, com base nas entrevistas que serão realizadas com os sujeitos citados acima. Palavras-chave: Mário de Andrade, culturas, identidades

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Literatura e divulgação cultural

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Piauí, um convite à narrativa Marina Lee Colbachini (IEL-Labjor-Unicamp) marina_lee_@hotmail.com Inserida na sociedade industrial do consumo, a revista piauí (lançada nas bancas em outubro de 2006) é antes de tudo é um produto cultural. Produto que se vende e que, ao se colocar à venda, constrói seus critérios de sedução. Mesmo considerando que seus mecanismos de sedução não são hegemônicos, ou melhor, que não atingem um público grande, é preciso percebê-los enquanto elementos que convidam à leitura do mundo, à reflexão, e ao mesmo estabelecem quem será convidado. Uma festa para poucos. Piauí também é um novo olhar para a cultura, a busca pela retomada do prazer e pelo tempo da narrativa. É interessante perceber o quanto a narração, apesar de amordaçada na contemporaneidade, constitui uma característica muito própria do ser humano. Basta andar por cidades pequenas para se notar o enorme número de bancos. Bancos para se sentar, mas que convidam a contar. Fatos, ‘causos’, sonhos. E não me refiro aos bancos institucionalizados das praças, presentes nos espaços públicos, mas aos bancos avulsos, feitos a mão, tijolo e tábua, cimento, caixote, debaixo de árvore ou de sol. Um convite a usufruir do tempo enquanto suporte da narrativa, da composição da memória. Escolhas íntimas, deliberadas, de sujeitos que querem contar, ou pelo menos observar para depois contar, inventar... Para Walter Benjamin, o tempo da narrativa oral se foi. No mundo contemporâneo não constituímos memórias coletivas, em vez disso experimentamos vivências esparsas, caóticas, sem sentido. Benjamin crê que o objetivo da narrativa oral é dar um sentido profundo à matéria bruta da vida. Ela era contada para um grupo no qual cada ouvinte forma uma significação. Contudo, a realidade da metrópole, a grande quantidade de produtores de informação convulsionou tal dinâmica. A publicação piauí não busca sentidos, pelo menos não sentidos fixos. Em vez disso traz um apelo muito forte à narrativa, à ficção, à fabulação. O interessante, é que ao não buscar sentidos revolve os paradigmas do Jornalismo, da Literatura e da Cultura. O que, por sua vez, constitui uma escolha política capaz de trazer a instabilidade para dentro do campo da narrativa. - 53 -


De certa maneira, piauí parece resgatar os tais bancos, essas memórias quase que escondidas pela rotina mortificante e apressada da reprodução de informações. Ela aposta num leitor, não num ouvinte, mas explora o “narrar” com profundidade, com mais cuidado em relação à linguagem, re/introduzindo, talvez, o tempo de despertar e não apenas de contemplar. O formato revista de tamanho ampliado, a ênfase no texto, na narrativa, corroboram a interpretação de que uma de suas propostas é resgatar e também exigir o tempo da leitura. O tempo enquanto suporte da narrativa, que é diferente do tempo da informação, em que a quantidade, a novidade e a agilidade para obtê-la ditam a regra. Enquanto o excesso de informação nos faz pesados, repletos de dados e de pouca compreensão, a narrativa nos faz andar mais leves, mais dispostos a usufruir a potência do pensar, do criar, do sentir. E narrar é criar, é compor teias ficcionais, por mais que as queiramos coladas ao real, dotadas de sentido concreto, bruto, intrínseco. A beleza está em saber que as teias ficcionais que escolhemos são o real que elegemos e que, portanto, criamos. Narrar para compor sentidos, - provisórios. E digo provisórios porque quanto mais sentidos eu puder explorar, mais potência de vida terei em mim. Narrar é fugir da morte. piauí foge da morte da leitura, da morte do papel, da morte do tempo para se jogar fora, para se desperdiçar, - reafirmando-os. Uma dinâmica em que não estamos sujeitos ao tempo, seu reféns, mas donos dele, capazes de rir do tempo. Isso é narrar. A presente pesquisa procurou traçar um cenário sobre as relações entre Jornalismo e Literatura. A partir da observação de outros estudos na área percebeu-se que ora impera um caráter pragmático na maneira como essa relação é vista, ora uma tentativa de estabelecer hierarquias, eleger quem pode mais no campo da narrativa. Ou seja, uma perspectiva crê que o Jornalismo e a Literatura, juntos, podem estimular a leitura, salvar-nos da sua morte, e a segunda, mais antiga e ultrapassada, defende uma modalidade em detrimento da outra. Uma verdadeira guerra, uma disputa pela reserva de significados. Ao identificar a guerra, talvez seja possível largar o escudo com o qual nos defendemos e se entregar a provisoriedade dos sentidos. A proposta é que a revista em grande medida empreende este movimento. Ao - 54 -


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se mostrar de bermuda, descontraída, ela abaixa o escudo da verdade e se entrega de forma mais passional à narrativa... Referências bibliográficas BENJAMIN, Walter. “O narrador” e “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica”. In: Obras Escolhidas: Magia e Técnica, Arte e Política. Tradução de Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 7ª edição, 1994. MONTALDO, Graciela. Propriedade da cultura, Chapecó: Argos, 2004. PELLEJERO, Eduardo A. A postulação da realidade - Filosofia, literatura, política. Lisboa: Vendaval, 2009. v. 1. ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental – Transformações contemporâneas do desejo. São Paulo: Estação Liberdade, 1989. Palavras-chave: revista piauí; narrativa; contemporaneidade

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Sobre performance e sofrimento na narrativa pós-ditatorial brasileira Carlos Augusto Nascimento Sarmento-Pantoja (IEL – Labjor) augustos@ufpa.br A presente pesquisa problematiza a relação entre performance e sofrimento com vistas a investigar a violência nas narrativas da memória traumática pós-ditatorial. Para tanto, será necessário entender os liames entre violência, memória e esquecimento envoltas nessas narrativas. Para este estudo consideramos a análise de Avelar (1998, p. 27), que define a “ficção pós-ditatorial” como um conjunto de textos que desvela “o impacto da derrota histórica” nas práticas de resistência. Em tais referências não estão implicadas somente as relações temporais, pois além da “posteridade destes textos em relação aos regimes militares” encontramos também a “incorporação reflexiva dessa derrota em seu sistema de determinações”, desse modo, podemos conceber, acompanhando o pensamento de Avelar, que a ficção pós-ditatorial não se restringe “tanto à época posterior a derrota (...) mas o momento em que se aceita a derrota como indeterminação irredutível da escrita literária”. A derrota e o sofrimento decorrente se apresentam de modo contundente nessas narrativas e assim Avelar fixa acertadamente o conceito de “pós-ditadura” como o termo capaz de abarcar a expressão do durante e do depois, mas devidamente marcado pela memória da ferida traumática. Observamos que se tratam desse modo de textos materializados como narrativas estilhaçadas, fragmentadas e constituídas por flashs de memória ambígua e resiliente, dispostas pelo testemunho. Nesta pesquisa, tomamos o documentário de Lúcia Murat, Que bom te ver viva, como aporte material sobre um período pós-ditatorial brasileiro, a ditadura civil-militar brasileira de 64. Entendemos que para estudarmos de maneira mais ampla esse tipo de narrativa devemos compreender como o trauma foi construído enquanto categoria, em particular pela psicanálise freudiana. Neste sentido, utilizaremos as postulações de Freud (1996) o qual define que "o conceito de trauma implica necessariamente uma conexão desse tipo com uma ruptura numa barreira sob outros aspectos eficazes contra os estímulos. Um acontecimento como um trauma externo está destinado a provocar um distúrbio em grande escala no funcionamento da energia do organismo e a colocar em movimento todas as medidas defensivas possíveis" (p. 19). Mesmo entenden- 56 -


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do, como Freud, que o trauma é irrepresentável, na análise das narrativas da memória traumática, fica evidente que o trabalho memorialístico leva as personagens a construir procedimentos de defesa relacionados aos efeitos psíquicos, resultantes do trauma. O trauma, assim, gera um estado de resiliência da memória, fazendo com que o indivíduo permaneça em constante estado de tensão, pois para ele o trauma sofrido envolve “a idéia de perigo mortal, de uma ameaça à vida” (FREUD, 1996, v.3, p. 16). Em busca de se defender das ressonâncias da ferida traumática os indivíduos costumam construir estratégias, entre elas o esquecimento e a falsa memória. Para Freud em O esquecimento de impressões e intenções, o “esquecimento de impressões pode ser acompanhado por falsas recordações, que, quando merecem crédito, são designadas de ilusões de memória [Erinnerungstäuschung]” (FREUD, 1996, v. 6, p. 98). São exatamente essas ilusões de memória que para nós constituirão a matéria-prima da memória traumática e a base de nossa investigação. Fundamentalmente, ao tomarmos o trauma como ferramenta analítica. Verificaremos como se dão algumas das medidas defensivas enfatizadas por Freud, ao explicar a ocorrência da memória ilusória, produtos das construções dos indivíduos acometidos por traumas psíquicos. Nas análises preliminares que realizamos identificamos, como se expressam alguns desses mecanismos de defesa psíquicas resultantes da ferida traumática, que chamamos aqui de performance do sofrimento. Consideraremos o entrecruzamento dos mecanismos de silenciamento, desenvolvidos como estratégia de defesa dos indivíduos que podem ser reconhecíveis por meio de performances que expressão a dor e o sofrimento. Por isso, consideramos necessário um estudo mais detido no entendimento da performance, enquanto categoria transposta das teorias do teatro contemporâneo para a crítica literária, com o intuito de constituir significados até então obscuros, em relação a expressão corpórea das personagens acometidos pela memória traumática. Marvin Carlson (2010, p. 45), considera necessário “reconhecer que todo comportamento social, é de certa forma, ‘performado’, e que relações sociais diferentes podem ser vistas como ‘papeis’ não é uma ideia recente”. Assim, é possível pensarmos a performance do sofrimento disposta nos indivíduos, entendendo-os como personagens, mesmo quando o gênero em questão é o testemunho. O sofrimento está associado à violência, como anuncia Arendt (2001, p. 49), que a diz “parteira da História”. Nes- 57 -


te entrecruzamento, violência e história estariam determinados pelo véu nefasto das guerras, mas consideramos que na “era dos extremos” (HOBSBAWM, 1995) existe uma necessidade da guerra para desmascarar a violência. Neste sentido, ao relacionar a memória da dor e da violência ao ato performático, compreendemos que a dificuldade de trazer a código sua dor e sofrimento, em grande parte porque se dá, pelo fato desse luto ser marcado pela culpa de ter sobrevivido, pois para eles seria mais fácil a morte do que a aceitação da derrota. Palavras-chave: performance, sofrimento, pós-ditatorial

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Jornalismo e ficção, acredite se quiser Aline Gastardeli Tavares da Câmara (IEL-Labjor-Unicamp) alinegtcamara@gmail.com Em minha pesquisa de mestrado, propus-me a tarefa de intensificar e explorar novas possibilidades de pensamento e de escrita, a partir das relações entre jornalismo e literatura. Para isso, procuro repensar e tensionar conceitos que são traduzidos à tona em discussões sobre jornalismo e jornalismo literário. Na minha apresentação, vou discutir um desses conceitos: o conceito de ficção. O jornalismo é quase sempre visto como um representante fiel da realidade. Embora muitos estudos sobre ele apontem a impossibilidade de se retratar fielmente a realidade em uma folha de jornal e outros pontos de vista sobre o assunto estejam cada vez mais presentes em pesquisas, artigos e cursos sobre o jornalismo; muitos jornalistas, redações, eventos e manuais da área ainda acreditam e pregam que o jornalismo precisa assumir esse papel, precisa assumir esse quase “dom” de dar a ver a realidade. No jornalismo literário, também há uma aposta muito grande na possibilidade da representação pela escrita e muitos estudiosos acreditam que essa vertente seria capaz de representar a realidade de maneira ainda mais fiel e abrangente. Diante dessa confiança depositada no jornalismo, literário ou não, questiono se o jornalismo seria mesmo capaz de cumprir esse compromisso. Ao discutir o conceito de representação, a partir dos estudos de Gilles Deleuze, Eduardo Pellejero (2005, p.323) diz que a representação é um conceito que aspira a totalidade e que seu problema reside no fato de que a realidade não é totalizável de forma alguma, e se não podemos conhecê-la completamente, não é por nossa incapacidade, mas por ela mesma ser incompleta, aberta, estar em construção, em permanente devir, em fuga constante. Se a realidade em si não é completa, nem totalizável, como poderíamos retratá-la fielmente, abrangendo sua complexidade e completude? Minha proposta é que as discussões sobre o assunto não se pautem na dualidade e na oposição entre verdadeiro-falso e realidade-ficção, mas tentem ver qual é potencialidade da ficção para o jornalismo, espe- 59 -


cialmente para o jornalismo literário. Para isso, é preciso suspender essas oposições, repensando o próprio conceito de ficção. Penso que seria mais potente pensarmos em uma ficção que não se opõe à verdade, mas que está em complexa relação com ela, que atravessa e interfere na realidade, que trabalha com esta realidade para construir discursos e mundos que estão para além do verdadeiro e do falso. A potência da ficção passaria por abrir espaços possíveis para a construção e proliferação de novos mundos, novas formas de subjetividade e permitir romper com as totalizações da realidade pelas formas de representação (PELLEJERO, 2009). “Livre da sua sujeição à verdade, o pensamento redescobre a ficção com uma força entre outras, e, ainda melhor, na ficção reconhece sua própria potência expressiva, para além da representação objetiva do real” (PELLEJERO, 2009, p.17). Pensar o jornalismo sob o viés da ficção parece ser uma possibilidade interessante, mas para isso não podemos nos basear em um sentido senso comum atribuído a este conceito, na ideia de que a ficção é um processo de invenção, criação de mentiras, em contraposição à verdade e à realidade do mundo e do jornalismo. Se assim fosse, a associação da ficção ao jornalismo geraria uma fuga da realidade, mas a intenção não é fugir da realidade, pois aquilo que não tem conexão com o mundo, não nos faz pensar. Melhor ainda seria dizer que tratar o jornalismo sob o viés da ficção não significa, de forma alguma, tentar fugir da realidade, pois esse pensamento baseia-se na ideia de que ficção e realidade se opõem e, dessa forma, seria impossível unilas. No entanto, como Piglia (2001) acredita, a realidade é, ela mesma, tecida por ficções e, portanto, realidade e ficção estão em complexa relação, mantém uma interferência mútua. Dessa forma, não se trataria de “ver a presença da realidade na ficção (realismo), mas de ver a presença da ficção na realidade” (p.123, tradução livre). Para Piglia, o mais interessante seria trabalhar na zona indeterminada, onde ficção e verdade se cruzam, pois é nela que reside o que a ficção tem de mais potente. Como pensar as potências do falso e da ficção para/no jornalismo? Para tentar responder a esta pergunta, trarei para a discussão o Sensacionalista – um jornal isento de verdade (jornal online) e O livro amarelo do terminal, de Vanessa Bárbara, vencedor do Prêmio Jabuti em 2009, pois ambos parecem apostar na ficção como possibilidade de desestabilizar as regras que regem o jornalismo e as totalizações da realidade pelas formas de representação, - 60 -


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investindo na proliferação de novos sentidos e novos mundos através/ pela ficcionalização da realidade. Bibliografia BARBARA, Vanessa. O livro amarelo do terminal. São Paulo, Cosac Naify, 2008. PELLEJERO, Eduardo. Deleuze y la redefinición de la filosofía. Apuntes desde la perspectiva de la inactualidad. 2005. 483 p. Tese (Doutorado em Filosofia). Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2005. p.245-420. __________________. A Postulação da Realidade (filosofia, literatura, política). Lisboa: Edições Vendaval, 2009. PIGLIA, Ricardo. Crítica y ficción. Barcelona: de. Anagrama, 2001. Palavras-chave: jornalismo, literatura, ficção

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Portal Cronópios: uma análise da produção literária contemporânea na internet Lucas Pereira Guedes (IEL-Labjor-Unicamp) emaildolucasguedes@gmail.com A exemplo de outras linguagens artísticas, a literatura apropria-se do ciberespaço para sua divulgação, uma vez que a quantidade de livros disponibilizados para download e o surgimento de novas revistas digitais e blogs com textos literários de poesia e prosa, corrobora o surgimento de novas formas de ler, escrever e interagir. Tais formas, dinamizadas em decorrência de um meio que permite fácil publicação, tornam possível ainda a mescla de recursos midiáticos (textos, som, vídeo, imagem) a um custo muito inferior ao tradicional. A fim de compreender as relações entre literatura e novas linguagens, tanto no plano estético como no plano dos sistemas culturais nos quais elas se configuram, o objeto de análise deste trabalho é o portal literário Cronópios, que mapeia, divulga e incentiva a criação literária contemporânea brasileira, além de ser um grande banco de dados, com acesso gratuito e ferramentas de busca de fácil acesso, da produção literária contemporânea brasileira e hispano-americana. Este trabalho tem por objetivo geral estudar a produção crítica literária realizada pelo portal Cronópios para as produções atuais ainda não - ou pouco - contempladas pela Academia. Interessa-nos entender o modo como Cronópios mapeia, divulga, produz e incentiva a produção literária contemporânea no Brasil, por meio de textos críticos diversos. Pretendemos compreender, com base nos pressupostos da análise de discurso, os processos de produção de critica literária, tanto no plano estético como dos sistemas culturais nos quais eles se configuram a partir de um novo meio. Criado em 2005, o nome do portal foi inspirado no famoso livro do escritor argentino Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas. Os cronópios são seres imaginários criados pelo grande mestre da chamada Literatura Fantástica. São seres criativos, meio anárquicos e de 'atitudes poéticas'. Representam a fantasia e a alegria de viver. Com acesso gratuito, atualmente o Cronópios é o mais influente portal do seu segmento no Brasil (Literatura e artes em geral), atingindo mensalmente, segundo estatísticas fornecidas pelo conselho editorial do portal, 110 mil visitas e 2 milhões de páginas visitadas. Criado em 2005, o nome do portal foi ins- 62 -


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pirado no famoso livro do escritor argentino Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e de Famas. Os portais de internet são mecanismos de difusão e que terminam por impor e alterar a própria estrutura clássica do texto, da mesma forma que um filme feito para televisão é distinto de um feito para cinema, de uma noticia de jornal se distingue de um livro-reportagem. Por meio das ferramentas da esfera pública virtual (grupos de discussão, e-mail, sessões de bate-papo on-line, conferências, mecanismos de busca, banco de dados, blogs) são facultadas aos escritores e críticos novas possibilidades, tais como distribuição gratuita, muitas vezes irrestrita, de informação e divulgação de textos publicados e não publicados no papel. Nesse sentido, queremos ainda estudar as relações entre literatura e internet, sobretudo a divulgação da critica literária por meio de revistas eletrônicas e como objetivos específicos pretendemos a) observar o tipo de gênero textual preponderante (ensaios, resenhas críticas, prefácios, posfácios, notas, entrevista e textos acadêmicos de reflexão), e de modo mais geral a linguagem e estilo destes textos, mapeando o processo de divulgação dos textos publicados no portal; b) identificar até que ponto a tecnologia altera – se é que altera – o modo de produzir (escrever) e consumir (ler) crítica literária com base também em “comentários críticos” de leitores e c) analisar o processo de interatividade estabelecida no portal por meio dos comentários. Palavras-chave: análise de discurso, internet, literatura

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A internet como instrumento de divulgação da literatura Juliana Bellini Meireles (IEL-Labjor-Unicamp) juliana.bellini@yahoo.com.br Esta pesquisa trata da cultura como exemplo de resistência e produção de novos sentidos políticos no Brasil, propondo que a literatura contemporânea também mostra algumas propostas e mudanças estruturais no sentido de sua criação e divulgação. Foram selecionadas algumas obras literárias nacionais e os blogs de seus respectivos autores, a fim de analisar o papel do intelectual no processo de divulgação. Tal veículo de informação foi escolhido porque dinamiza as atividades para gerar o diálogo entre a pesquisa, as diversas instituições de fomento e o público. Estamos vivendo um dos períodos mais efervescentes e impactantes das últimas décadas com o surgimento das novas vozes vindas das periferias das grandes cidades. Como afirma Hollanda (2011), com a produção de novos sentidos políticos em países em desenvolvimento inseridos no contexto da globalização, a literatura também mostra algumas propostas e mudanças estruturais no sentido de sua criação e divulgação. Nestes casos, a própria noção de cultura, e por tabela a de literatura, é forçada a repensar seus parâmetros e até mesmo, – o que mais interessante -, sua função social. Dentro da perspectiva contemporânea, assiste-se a um alargamento acerca do conceito de cultura, a qual passa a ser concebida como algo transversal, dando origem a recortes temáticos dentro da própria definição do termo que, no Brasil, segundo Mondiacult (1982), se caracteriza como conjuntos de rasgos distintivos materiais e espirituais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou grupo social, englobando artes e letras, modos de vida, direitos fundamentais ao ser humano, sistemas de valores, tradições e crenças. A figura do intelectual, influenciando, com argumentos afiados, a formação de opinião da esfera pública na sociedade moderna, como um todo, foi responsável pela produção e conceitos das ciências, das artes e da cultura. Porém, a esfera pública tem grande contribuição para construir a identidade num momento histórico de efervescências como fruto de transformações da vida social. Assim, o intelectual está experimentando uma ambígua experiência existencial num mundo que prioriza a raciona- 64 -


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lização como processo de afirmação: de um lado, foram os intelectuais os responsáveis pelos esforços que culminaram na produção das condições de afirmação; por outro, foram deslocados para fora de tais processos. Dentre as potencialidades da internet, a mais significativa é a possibilidade de acesso fácil e gratuito, que pode contribuir, de forma decisiva, para a formação de uma cultura. Logo, os processos de divulgação de tais formas de conhecimento e cultura, em conjunto com os novos meios de comunicação (mesmo sem esse intuito) dinamizam as atividades para gerar o diálogo entre a pesquisa, as diversas instituições de fomento e o público. Além de divulgar a produção, se faz que essa divulgação propicie a reflexão da sociedade. Quando a divulgação independente acontece em blogs, há uma multiplicidade de vozes, pois, além do autor, há os leitores que, de alguma forma, interagem seja com seu comentário ou buscando tirar dúvidas acerca do assunto. É fato que a diversidade de assimilações sobre blogs caracterizam a sua constância como um instrumento de socialização na web e como algo a ser estudado mesmo com o passar dos anos. O resultado esperado desse estudo tem como primeiro objetivo rever a questão dos novos papéis do intermediário. Hollanda (2011) caracteriza esse momento estamos vivendo como oportunidade de aprender a relativizar nossos espaços de fala, – até hoje um patrimônio pela tradição e pela academia -, para outras vozes que começam a surgir. Outro ponto seria o de procurar repensar as distinções tão estabelecidas entre o que seria uma cultura “alta” e uma cultura “baixa”, seja ela uma cultura de massa ou popular. O terceiro objetivo atenta à interessante mistura, e muitas vezes hibridização, de gêneros artísticos, mídias e suportes. Palavras-chave: internet, literatura, divulgação

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DivulgaçãoSessão científica 20 e ensino, (Educação/ensino questões políticas – além do local)

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Devir-criança em face da biopolítica Giane Aparecida Sales da Silva Mota (Uniso) gianesmota@gmail.com Quando se pretende estudar a relação entre infância e educação é preciso se desvencilhar das tramas do mesmo, o mesmo olhar sobre a criança, o mesmo conceito formado de inocência e necessidade de formação. Observa-se que a escola sempre esteve organizada para possibilitar uma educação para a infância, apresentando regras, estabelecendo conceitos, delimitando normas de conduta, bem como momentos para brincar. Mas será que o cerne do trabalho com a infância deve ter apenas este olhar capitalista do dominante e do dominado?Este olhar do controle, da constante subordinação? Será que não se faz necessário considerar um espaço para a infância na educação? Estas perguntas tornam-se oportunas principalmente com a decisão governamental de aumentar o ensino fundamental de oito para nove anos, pois com a implantação da lei a escola ganha espaço para pensar em como deve se organizar, principalmente para receber o novo grupo, que outrora pertencia à educação infantil- as crianças de seis anos. Ademais, busca-se investigar como esse processo político se consolida enquanto biopolítica/biopoder, controlando e governando a vida das crianças, considerando que esta mudança na educação básica não é apenas uma medida educacional adotada pelo Brasil, ela faz parte de um movimento mundial adotado por vários países. Buscando compreender os conceitos devir-criança e biopoder/ biopolítica, dois autores tornam-se essenciais à pesquisa: Deleuze e Foucault. Por meio de Deleuze se investiga a possibilidade de conceber a educação de modo que ela comporte uma retirada da infância da condição de “aquele que deve ser formado” (KOHAN, 2007), para a possibilidade de propiciar uma infância da educação. E, por meio de Foucault, busca-se compreender o que é biopolítica /biopoder na adoção do Ensino Fundamental de nove anos, e como essa política educacional interfere na gestão do tempo da infância. Palavras-chave: ensino fundamental de nove anos, devir-criança, biopolítica

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Exposição Energia & Vida e prática pedagógica: uma avaliação de mérito e impacto Irany da Silva Murta Fundação Cesgranrio irany.murta@ifrj.edu.br O presente estudo – desenvolvido junto ao Curso de Mestrado Profissional em Avaliação da Fundação Cesgranrio – objetivou avaliar o mérito da Exposição Energia & Vida – promovida pelo Espaço Ciência Interativa (ECI), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) – bem como seu impacto nas práticas pedagógicas de professores da Educação Básica. Para tal, três questões avaliativas buscaram conhecer com que objetivo o professor realizou a visita à Exposição; em que medida esta visitação refletiu-se em sua prática profissional, e até que ponto o docente mostrou-se receptivo a ela. A referida avaliação, de cunho formativo, buscou fornecer informações significativas à equipe responsável pela concepção e implementação do evento, tendo em vista a sua melhoria (SCRIVEN, 1967). Deste modo, fez uso da abordagem centrada nos participantes, que propicia compreender e retratar as complexidades de uma atividade, e responder às necessidades de informação dos interessados (WORTHEN; SANDERS; FITZPATRICK, 2004). Estudos relacionados à visitação de alunos e professores a Centros de Ciência e a consulta a stakeholders do ECI/IFRJ permitiram a autora precisar as cinco dimensões privilegiadas nesta avaliação, a saber: Qualidade da Exposição, Planejamento Didático e Participação Docente, Prática Pedagógica e Receptividade ao Tema. A partir delas, definiu o conjunto dos 17 indicadores que subsidiou a construção dos instrumentos (questionários) utilizados no estudo avaliativo. Após os processos de validação, a aplicação de um dos instrumentos, feita junto a 30 professores, foi mediada pela autora, por meio da realização de entrevista estruturada. Diferentemente, o outro instrumento, destinado a 16 mediadores, foi auto-aplicado. A análise do material coletado apoiou-se, predominantemente, no método qualitativo e na técnica de análise de conteúdos, que incluiu as seguintes etapas: transcrição das falas dos professores; validação da transcrição feita por profissional de Língua Portuguesa; organização do material decorrente da transcrição, segundo os indicadores e dimensões do estudo; realização de - 70 -


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leituras das transcrições objetivando a construção de impressões sobre as falas e a identificação de trechos significativos; conhecimento e apresentação dos fenômenos que se impuseram no estudo, a partir da frequência com que ocorreram; identificação e análise dos conteúdos explícitos e implícitos à fala dos interessados. Os resultados do estudo evidenciaram que os professores têm objetivos pedagógicos amplos, que traduzem o desejo de proporcionar aos alunos a vivência de situações de aprendizagem desafiadoras, criativas e contextualizadas num espaço de divulgação científica. Embora a maioria deles não tenha realizado atividades preparatórias para o evento, no contexto da escola, a visita à Exposição se refletiu em suas práticas pedagógicas. Os relatos docentes acerca da apropriação dos conteúdos da Exposição, na sala de aula, evidenciaram o desenvolvimento de atividades teórico-práticas significativas e diversificadas, conduzidas individual ou coletivamente. Desta forma, a visitação foi fator motivador e desencadeador de novas situações de aprendizagem, evidenciando o seu mérito e impacto na práxis pedagógica do professorado. A receptividade docente à Exposição ficou evidenciada através dos 98 aspectos positivos, de caráter técnico, didático, de conteúdo, procedimental e atitudinal (GUISASOLA; MORENTIN, 2010), atribuídos ao evento, quando: a) declararam o desejo de retornar com novos grupos de alunos à Exposição, para que outros possam beneficiar-se dela; b) disseram-se motivados para aprofundar o tema Energia & Vida, mediante a participação em cursos, oficinas e seminários, ofertados pelo ECI; c) apresentaram sugestões para que o evento seja aprimorado de modo a propiciar maiores ganhos para os próprios docentes, para seus alunos, para as escolas da região. A aceitação da Exposição pelo professor também ganha importância quando, por meio dele, o ECI - ao contribuir para a popularização e difusão da Ciência e Tecnologia nas regiões geoeducacionais de sua influência - possibilita novas conquistas pessoais e sociais. Deste modo, os resultados apresentados confirmam o mérito da Exposição Energia & Vida e seu impacto nas práticas pedagógicas dos professores visitantes. Dentre as recomendações, destacam-se a(o): diversificação do planejamento pedagógico da Exposição para atender interesses e necessidades de alunos de distintas faixas etárias, séries e níveis de escolarização; intensificação da divulgação do evento; disponibilização de materiais didáticos para professores informando os conteúdos pedagógicos abordados; concepção de projeto de - 71 -


avaliação contínua junto aos beneficiários, garantindo o aprimoramento permanente da Exposição; desenvolvimento e implementação de programa de visita guiada para professores, oportunizando o conhecimento dos objetivos, conteúdos, metodologias e materiais expostos; implementação de estratégias para mobilização de alunos das escolas públicas e privadas, de nível médio, favorecendo a extensão dos benefícios do evento também para este público; implementação de parcerias com escolas públicas e privadas, dos municípios vizinhos, atuantes em nível de Educação Básica; intensificação de contatos políticos junto às prefeituras da região, otimizando a participação de suas escolas no evento e em possíveis desdobramentos. Palavras-chave: avaliação, exposição, centros de ciência.

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Concepções de ciência presentes na divulgação e prática de instituições não formais de ensino de ciências Thayse Zambon Barbosa Aragão PECIM - Unicamp thaysezambon@gmail.com Esse trabalho busca investigar e analisar de que forma as instituições não formais de ensino apresentam a ciência. Parte-se da seguinte questão: de que forma instituições de ensino não formal, museus e centros de ciências, pensam, divulgam e ensinam ciências, suas concepções e paradigmas? Unindo sociologia, história, ciência e educação pretende-se realizar uma análise que permita novos olhares sobre o tema e que tornem possível vislumbrar respostas a essa questão. Tomando por base inicialmente a proposta teórica formulada por Thomas Kuhn, pretende-se analisar qual o papel dessas instituições no ensino de ciências, levando-se em conta a que esses espaços se propõem, quais os desdobramentos para a educação e quais suas contribuições na prática. A pesquisa contará com revisão bibliográfica pertinente ao tema, análise das práticas das instituições estudadas, assim como de seus discursos. Para definir as instituições estudadas será utilizada uma rede de indicações levando-se em consideração o número de visitantes que receberam no decorrer de 2011. A metodologia contará também com questionários, filmagens, observações in loco, análise de conteúdo e discurso para obtenção dos dados iniciais. Uma triangulação dos dados obtidos em cada centro e museu estudado também fará parte das conclusões e contribuições finais do trabalho. A pesquisa teve seu início em agosto de 2011 estando ainda na fase inicial, na qual foram definidos alguns parâmetros e foi iniciado o levantamento bibliográfico. Palavras -chave: ensino de ciências; divulgação; concepções de ciência

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Fases do exílio, sob as faces do tempo – processos da pesquisa (em andamento) sobre Elza Freire Nima Imaculada Spigolon (Unicamp) professoranima@gmail.com Este trabalho integra projeto de doutorado sobre Elza Freire, constituindo-se do percurso investigativo realizado até o momento e dos resultados parciais de pesquisa em andamento. O escopo da referida pesquisa tem início no Mestrado, com destaque ao que denominamos “Pedagogia da Convivência”, teoria formulada e cunhada por nós a partir das relações estabelecidas por Elza e Paulo Freire nos campos da Educação e Sociedade, após o casamento em 1944, cuja continuidade acontece no Doutorado. Sua caracterização se dá na investigação de suas contribuições e experiências político-pedagógicas que assumem também uma dimensão sócio-cultural, e o que possa advir desse processo iniciado por ocasião das circunstâncias ditatoriais no Brasil com o golpe militar em1964. O recorte temporal é o exílio de Elza Freire e sua família, compreendido entre o período de 1964 a 1980. Pensar o exílio dela como uma experiência particular, mas também coletivamente experienciada, é um dos desafios desta pesquisa. O período é um momento fecundo e de intensos movimentos, enquanto cenário nacional e mundial. Isso é significativo tanto em relação ao processo político e cultural, quanto com relação ao caráter social e histórico. O itinerário de sua vida se entrelaça a essa realidade, considerando que ela participa das transformações que ocorreram na Educação e na Sociedade, assumindo-se como partícipe desse processo. As décadas 1960, 70 e 80 são marcadas por desencadeamentos de fatos históricos, político-pedagógicos e sócio-culturais que provocaram rupturas e alteraram realidades de países e povos em vários continentes. A proposta contempla um percurso de investigação pautada em aspectos que consideramos significativos da vida de Elza Freire sem, no entanto se assentar numa perspectiva biográfica, e seu desenvolvimento se efetiva numa perspectiva histórica e sociológica, ou seja, pensar os sujeitos nos espaços e tempos sociais considerando as configurações de classe, gênero, geração, etc. O objetivo geral é prosseguir pesquisa sobre Elza identificando - 74 -


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como se estabeleceu nesses itinerários do exílio, suas experiências político-pedagógicas e sócio-culturais, seus desdobramentos na Educação. Dentre os específicos, destacam: *apresentar suas contribuições e influências para a construção da Pedagogia Freireana; *investigar sua participação na consolidação de metodologias para adultos analfabetos; *descrever a trajetória da Família Freire, nos diferentes tempos-espaços; *categorizar seus manuscritos e aprofundar as categorias Elzanianas. O caminho teórico-metodológico, embora se encontrem em permanente construção, se fundamentam nos aportes da abordagem qualitativa, estruturadas segundo uma lógica indutiva. Entretanto, esta possibilidade, permitida pela interação com e entre o sujeito da pesquisa, afigura-se como na medida em que a trajetória de vida de Elza Freire regula e configura as temporalidades da pesquisa. É necessário reconhecer que em muitos momentos as objetividades fundantes da pesquisa se mesclaram à subjetividade da pesquisadora. Nesse processo, Elza Freire nos conduz e se deixa conduzir pelas mãos da pesquisa e da pesquisadora, o que estabelece e permite a relação e a conexão entre a objetividade do mundo real e a subjetividade do ser que as realiza. Partimos do mapeamento bibliográfico, para legitimar as diversas fontes documentais e não documentais. Ao longo do percurso investigativo, propomos tarefas que conduzam nossas análises, por exemplo: a categorização dos manuscritos (fontes primárias) produzidos por Elza Freire, enfocando seus conceitos e suas concepções, numa dimensão histórica de cultura e política, suas múltiplas manifestações, com destaque para os fragmentos do seu pensamento. As décadas serão expostas em ordem cronológica, utilizando-se iconografias inseridas ao texto para a composição histórica, o que possibilitará movimento entre documentos, fatos e fragmentos, bem como para produzir significados dessa diáspora. Assim, configurar o exílio compartilhado com e por ela, pode ampliar a percepção da atuação de atores sociais no mundo público e seus efeitos revertidos para Educação. Novas partidas e chegadas... Os itinerários da pesquisa terão início a par- 75 -


tir dos locais onde Elza Freire e sua família estabeleceram residência: Santiago/Chile; Nova York/Estados Unidos e Genebra/Suíça. Nossa proposta para esse recorte abrange concomitantemente os desdobramentos para o Continente Africano e outras regiões. O exílio no exílio. Para Elza Freire ele se configura como o exílio não só do Brasil, mas depois da América Latina. Outras culturas e sociedades, diversificados valores, outros mundos, o Velho Mundo. Mais tarde, a África, outro continente, tão desconhecido e diferente e tão próximo dos brasileiros. A perspectiva de volta ia se afastando junto com a América Latina e, a necessidade de se adaptar ao novo país de exílio, o aprendizado de línguas estranhas, a luta pela sobrevivência material, a militância reavaliada. Daí, acreditamos esta pesquisa contribuir para o desvendamento do passado e para redefinições no presente, procurando partir de Elza Freire, das experiências e questões pessoais, que se constituem em coletivos, recorrendo a análises de diversos campos do conhecimento, ampliar a percepção do exílio e das experiências dessa periodização histórica. Afinal, o exílio sempre acompanhou a história da humanidade, se configurando como uma experiência primordial, ao mesmo tempo social e individual. Palavras-chave: Elza Freire; educação; exílio.

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Urbanismo e educação: a teoria urbanística de Luiz Ignácio de Anhaia Mello (São Paulo, anos iniciais do século XX) Clecia Aparecida Gomes (FE-Unicamp) cleciag@gmail.com O trabalho focaliza a noção de educação presente na teoria urbanística e no conceito de cidade, expressos pelo engenheiro-arquiteto Luiz Ignácio Romeiro de Anhaia Mello, um dos principais teóricos do urbanismo paulista. Busca compreender como Anhaia Mello fundamenta e orienta seu pensamento urbanístico, como concebe o lugar do citadino no espaço urbano e como problematiza as práticas de educação das sensibilidades engendradas em sua teoria. Esta pesquisa fundamenta-se na produção do espaço urbano como propulsora de experiências culturais que possibilitam processos educativos, de formação sócio-político-cultural. Compreendendo os habitantes da cidade constituídos de razão e sensibilidade, buscamos compreender como as propostas de intervenção urbanística instituem processos educativos para a formação de cidadãos que atuam no espaço urbano dentro de uma perspectiva de cidade e qual o papel das intervenções urbanísticas na educação das sensibilidades e na formação do “cidadão” paulistano no início do século XX. Nosso recorte espaçotemporal abrange a cidade de São Paulo nas décadas de 1920 e 1930. Neste período a formação de um ideal de sociabilidade presente no modelo de cidade moderna ansiava a organização, reorganização e disciplinamento do espaço público. Podemos identificar as intervenções urbanas ocorridas na primeira república como embasadoras de novas formas de agenciamento das relações capitalistas, possibilitadoras de novas experiências culturais, que produziam um processo de educação das sensibilidades dos citadinos, atrelado ao discurso do desenvolvimento moral, social e material. Entendendo a cidade como elemento determinante na conformação da personalidade e mentalidade dos indivíduos e grupos, consideramos que toda e qualquer intervenção no espaço urbano carrega em si propósitos educativos. As relações e práticas de poder, expressas pela cidade, modelam as formas de viver do citadino, exercendo uma função educadora (formal, não-formal e informal) sobre seus habitantes, que se diferencia quanto à produção de significados, entre os diversos grupos sociais. A formação do pensamento urbanístico da cidade de São Paulo apresenta- 77 -


se, desta forma, como potencial campo de investigação, que possibilitará compreendermos as noções de educação presentes nas propostas de intervenção do espaço urbano paulista. Os procedimentos escolhidos, correspondentes aos métodos de investigação e pesquisa, situam-se, sobretudo, no âmbito da história cultural, tendo como principais expoentes os historiadores Peter Gay e E. P. Thompson. Trata-se de projeto de iniciação científica aprovado pelo Pibic-Unicamp. Palavras-chave: educação, urbanismo, Luiz de Anhaia Mello

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EJA no Acampamento Elisabeth Teixeira: a construção coletiva de um calendário como instrumento de divulgação da vida e luta de trabalhadores/as rurais Carolina Orquiza Cherfem; Gustavo Zullu; Paula Coelho; Rodrigo Taufic; Tessy Prscila Pavan; Yandara Pimentel Mendes; Vinícius Todorov; Ana Maria Masson Furlan; Ana Paula Mello; Bruno Sayão; Gabriela Carvalho Nascimento; Natasha Oliveira Mota. (Unicamp) carolinacherfem@yahoo.com.br O trabalho a ser apresentado refere-se à construção de um calendário desenvolvido por educadores-educandos, assentados/as e apoiadores/as dos Círculos de Cultura e Alfabetização realizados no Acampamento Elizabeth Teixeira durante o ano de 2011. O calendário conta a história de luta e construção do acampamento sem-terra Elizabeth Teixeira, através de um percurso fotográfico pelo cotidiano da moradia e do plantio; por seus depoimentos de vida, dicas do calendário agrícola e textos produzidos nos Círculos de EJA – Educação de Jovens e Adultos, mostrando um pedacinho da (sobre)vivência destes trabalhadores na relação com a Terra e com a sociedade. O EJA no acampamento em questão faz parte de uma jornada que se reiniciou em Março de 2011 pelo Coletivo de estudantes “Universidade Popular”, da Unicamp, depois de ter sido vivenciada entre os anos de 2008 e 2009. O Universidade Popular nasceu no ano de 2007, em meio a greve e indignação com a gestão e ensino universitários. Com a proposta de trabalhar com Educação Popular, se aproximou dos trabalhadores(as) e desde então tem realizado atividades junto à assentamentos e cooperativas. Em relação ao Acampamento em que o trabalho de EJA é desenvolvido, está localizado no município de Limeira, próximo ao km 138 da rodovia Anhangüera. A área de 602.867 hectares foi ocupada por cerca de 250 famílias em 21 de abril de 2007. Esta área é cercada por cana-de-açúcar, existindo alguns fragmentos de mata. Os acampados do Elisabeth Teixeira permaneceram na área até o dia 29 de novembro de 2007, quando foram expulsos de forma violenta pela PM, que cumpria uma ordem de reintegração de posse da área requerida pelo prefeito de Limeira. No dia 11 de dezembro do mesmo ano, após estudos sobre o caso, as famílias reocuparam a área, comprovando que a mesma era realmente da União. - 79 -


Contudo, até os dias atuais a área ainda não foi regularizada e as famílias não tiveram acesso aos créditos concedidos pelo INCRA. Dessa forma, o calendário busca divulgar o Acampamento mostrando o trabalho cotidiano de preservação da terra que é realizado no mesmo. Busca também contar a história do acampamento na tentativa de se fazer reconhecer na luta legítima de ocupação e regularização da terra em que vivem. Palavras-chave: EJA, acampamento Elisabeth Teixeira, calendário

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A percepção sobre a função e importância dos museus e centros de ciências para a compreensão dos conhecimentos científico-tecnológicos presentes na vida cotidiana Bárbara Pacheco C. S. Lopes UFSCar ba.lopes08@gmail.com A presente pesquisa de Iniciação Científica, ainda em desenvolvimento, investiga a percepção que a população de São Carlos possui acerca dos Museus de Ciências, no que diz respeito às suas funções e importância no cenário da divulgação científica. Objetiva-se com esse estudo, elucidar de que maneira os cidadãos percebem a ciência em suas vidas, como entendem os conhecimentos científico-tecnológicos vinculados em Museus e Centros de Ciências, e quais meios de informação buscam aqueles interessados em assuntos da ciência e da tecnologia. Na procura das relações que os sujeitos estabelecem, ou não, entre esses conhecimentos e sua vida cotidiana, tentamos compreender quais papéis a população atribui aos Museus de Ciências. Como evidenciado em vários trabalhos, a apropriação dos conhecimentos científicos por todas as parcelas da população é fundamental para a tomada de decisões mais autônomas e para a participação mais ativa dos sujeitos na atual sociedade do conhecimento. Noutra aresta, muitos estudos mostram que conhecer a percepção das pessoas acerca da ciência e entre a ciência e seus meios de comunicação, pode ser essencial para definição e adequação dos próprios meios e de políticas públicas democráticas, relacionadas à temática científica e tecnológica. Através do procedimento conhecido como amostragem por cotas, este estudo aplicou 380 questionários em duas etapas de entrevistas. A seleção dos indivíduos para a amostra e realização das entrevistas foi ao acaso, com um procedimento sistemático e objetivo de escolha, pela pesquisadora, dos entrevistados, em determinados locais públicos da cidade de São Carlos, em dias e horários variados, visando refletir os diferentes perfis socioeconômicos dos indivíduos na população. A pesquisa encontra-se na fase final e a análise segue o caminho quanti-qualitativo, permitido pelas questões abertas e fechadas do questionário e pela realização de algumas gravações de áudio na segunda etapa da tomada de dados. Os resultados preliminares desse estudo, obtidos através da análise - 81 -


das primeiras 170 entrevistas e das transcrições dos áudios, revelam que a grande maioria dos participantes considera a ciência presente em suas vidas, principalmente em aspectos cotidianos, profissionais e ambientais, e de forma majoritariamente positiva. Foi notável a dificuldade de muitos cidadãos para exemplificar e responder de que maneira a ciência se faz presente, a resposta: ‘há ciência em tudo’ foi muito encontrada. Os avanços na medicina e diversos aspectos relacionados à saúde foram bastante citados como exemplos da presença da ciência no dia a dia dos entrevistados. Além disso, foi possível verificar em diversas respostas, uma visão da ciência, atrelada à tecnologia, como facilitadora da vida humana e na forma de inovações tecnológicas materiais. O pouco interesse pelos assuntos da ciência e da tecnologia, declarado por menos da metade das pessoas, se deve à falta de tempo e à falta de compreensão e entendimento dos assuntos. Para os 120 entrevistados, da primeira etapa, de médio ou grande interesse pelos assuntos científicos, os principais meios de informação são a internet e a televisão, além de revistas, especializadas ou não, e jornais diários. Já os Museus e Centros de Ciências parecem ser vistos, principalmente como uma alternativa educativa para se levar a família e em seguida como um lugar para aprender ciências e instigar a curiosidade por assuntos científicos. Poucos consideram o Museu como um local de lazer, e esses espaços de divulgação científica ainda são os menos procurados por quem quer obter conhecimentos na área. Entretanto, para os visitantes mais frequentes, é notável que a possibilidade de observação e interação, uma das características dos museus, é o que mais agrada e instiga a construção de diversos aprendizados. Foi possível perceber que a população reconhece a importância da mediação humana e por meio dos textos, que ocorre nos museus, para levar um pouco mais de ciência para seu cotidiano e também que muitas vezes não se sente informada o quanto gostaria. Portanto, na perspectiva de que espaços como os museus e centros de ciências promovam efetivamente a comunicação científica com o público, esta investigação se vale da percepção pública da ciência encontrada na população são-carlense, na busca de contribuir com o debate sobre a necessidade de adequações destes espaços também para o público não-escolar, no que diz respeito, por exemplo, à adaptação da linguagem utilizada e de temas das exposições que ocorrem dentro destas instituições de divulgação científica. Assim, os Museus poderiam - 82 -


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caminhar no sentido de se tornarem uma opção ainda mais interessante e acessível para construir conhecimentos capazes de possibilitar o entendimento da linguagem da natureza, a leitura das probabilidades e a atuação crítica na sociedade, da população como um todo. Esta pesquisa é financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Cnpq. Palavras-chave: museus de ciências; divulgação científica; percepção pública

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La divulgación científica en la Universidad Nacional de Córdoba. Políticas y formas de comunicación para su apropiación social (20042010) Lisha Dávila Rodríguez (Centro de Estudios Avanzados -Universidad Nacional de Córdoba – Argentina) lishpam@gmail.com La creciente inserción de la Ciencia y la Tecnología (CyT) en la sociedad, no ha sido acompañada por una significativa participación pública en la toma de decisiones, emisión de opiniones y valoración de los impactos relacionados con acontecimientos, pensamientos, prácticas y productos científicos. Por lo tanto, comprender la evolución de ciencia y tecnología, a partir de prácticas de divulgación, en el marco de determinado espacio social, implicaría no sólo reconocer la problemática propia de los fenómenos científicos y tecnológicos; si no que debe ser identificada y enmarcada en un contexto histórico, económico, social, cultural y político. El análisis del escenario con frecuencia recae sobre el diagnóstico de la marginalización de gran parte de la población en relación con CyT, pasando por la falta de acceso a conocimientos científicos y técnicos y por el desconocimiento de sus formas de comunicación. Nuestro proyecto parte del presupuesto de que divulgación y comunicación científica desempeñan un papel fundamental, al propiciar el acceso y la construcción de una cultura científica, con el objeto de alcanzar una mayor y efectiva participación pública, afianzando la democratización del conocimiento En tal sentido, las configuraciones de la divulgación científica refieren a potencialidades, limitaciones y problemas, que necesitan ser más explorados y profundizados, con vista a amplificar las posibilidades de pensamiento sobre aquellos aspectos que contribuyen a una efectiva apropiación del conocimiento científico. Por su parte, entendemos que en el caso de América Latina, y en particular en nuestro país, se otorga un papel decisivo al desempeño de universidades y organismos autárquicos de investigación dependientes de los estados nacionales, en relación con la producción de conocimiento científico y tecnológico. Son las Universidades -y sobre todo aquellas de - 84 -


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origen estatal- los organismos educativos responsables de la mayor parte de la investigación académica que se hace en países de América Latina. De acuerdo con lo enunciado, el objeto del presente proyecto está orientado al estudio de las políticas de divulgación científica, de sus instrumentos de gestión y de las formas de comunicación utilizadas, en ámbitos de la Universidad Nacional de Córdoba, al efecto de problematizar algunos aspectos relevantes que contribuyan al estudio de la divulgación y comunicación científica, en el marco de un concepto amplio de apropiación social del conocimiento. Palavras-chave: divulgación científica, apropiación social, políticas públicas

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O papel da universidade na educação científica: a experiência do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp Adriana de Lima Barbosa IEL-Labjor-Unicamp aduana23@gmail.com O interesse crescente pela Ciência e sua interface com a sociedade, atestado por diferentes pesquisas de opinião pública, revelam a importância da Educação da e para a Ciência. A pesquisa científica brasileira vem galgando espaço e conquistando mais respeito de pares internacionais. Nesse contexto, a universidade é um ator estratégico de um movimento pró-cultura científica no país. Por outro lado, pesquisas educacionais, seja no âmbito internacional ou nacional, evidenciam o baixo nível de aprendizado de alunos de diferentes níveis de ensino na avaliação de conteúdos básicos de Português, Matemática e Ciências, áreas consideradas essenciais para a formação da cultura científica. Compreender o papel na universidade no ensino não-formal para estudantes do Ensino Fundamental, por meio de ações extra-curriculares e múltiplas atividades desenvolvidas em museus e centros de ciência, é o objetivo desta pesquisa. Trata-se de um estudo de caso do Museu Exploratório de Ciências, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), criado em 2003 e sua relação com a formação científica de estudantes de escolas públicas e privadas de Campinas. A missão do Museu da Unicamp é promover a disseminação da cultura científica, desmistificando antigos paradigmas, estimulando a curiosidade e a construção do pensamento crítico. A pesquisa contextualizará o papel das universidades brasileiras na estruturação de museus e centros de ciência. Discorrerá sobre a trajetória do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp desde sua criação, mapeando suas ações para a comunidade em geral e para as escolas, em particular. Tendo como base os Parâmetros Curriculares do Ensino Nacional de Ciências (PCNs) para o Ensino Fundamental, acompanhará as atividades em classe e durante visitas ao Museu da Unicamp de alunos de escolas públicas e privadas das duas últimas séries do Ensino Fundamental de Campinas. Dessa forma, pretende aferir em que medida o Museu Exploratório de Ciências da Universidade está contribuindo para motivar - 86 -


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professores e alunos na relação ensino-aprendizagem. Também será avaliado o apoio que o Museu recebe dentro da própria Universidade, como suporte de infra-estrutura e repasses financeiros. A hipótese central deste trabalho é que os museus e centros de ciência, por suas características lúdicas, contribuem para a divulgação de conceitos científicos e tecnológicos, além de motivar alunos e professores para melhorar o ensino de ciências nas escolas e formação do pensamento crítico. A escolha da Unicamp como objeto do estudo de caso se dá em função de sua projeção no cenário nacional como um dos mais importantes pólos científicos e tecnológicos do país. Há quase uma década vem desenvolvendo políticas contínuas de Educação não-formal como apoio à Educação formal. Na literatura revisitada não se encontrou, até o momento, estudos acadêmicos sobre o Museu da Unicamp. A opção em priorizar o Ensino Fundamental deve-se à importância dos anos iniciais de ensino para a formação de uma cultura científica sólida. Outro aspecto a ser considerado são os recentes resultados de pesquisas, como os da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), publicada em agosto de 2011, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). De acordo com seus resultados, metade das crianças de escolas brasileiras públicas e privadas, concluintes do 3.º ano (antiga 2.ª série) do Ensino Fundamental, não aprendeu os conteúdos esperados para esse nível de ensino. A Prova ABC é organizada pelo movimento Todos Pela Educação, Instituto Paulo Montenegro/Ibope, Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Palavras-chave: divulgação; educação; museu

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Educação não formal, museus, exposições

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A história do computador no decorrer do tempo José Carlos Valle Museu do computador curador@museudocomputador.com.br O Museu irá expor toda a história da computação e da informática no Brasil, embasado pelos contextos históricos, culturais, políticos, científicos, econômicos e sociais nos quais esteve presente em momentos distintos, bem como irá se dedicar constantemente à pesquisa, atualização e preservação da história e da evolução das diversas áreas da informática à medida que esta siga o seu curso de evolução atual. Todo conhecimento estará sempre acessível a toda e qualquer pessoa. Visamos também a publicação de livros e produção de documentários a respeito das diversas áreas relacionadas à evolução da informática no Brasil. Será objetivo do Museu do Computador desenvolver e aprimorar o ensino da computação e informática nas escolas. Através das melhores práticas criadas pelo Museu do Computador em colaboração com universidades públicas e privadas, bem como pedagogos e educadores, o museu desenvolverá ferramentas e materiais de ensino de uso livre em escolas que irão abranger a história e evolução da informática, mas principalmente, ensinará os conceitos científicos, técnicos, funcionais e legais por trás de diversas áreas da informática. Palavras-chave: museu, tecnologia, história

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A Olimpíada Brasileira de Geociências e sua contribuição para a popularização da ciência Eveline Milani Romeiro Pereira Aracri Marcia Cezar Diogo Aline Rocha de Souza Ferreira de Castro Patrícia Danza Greco Kátia Leite Mansur UFRJ eveline@geologia.ufrj.br A questão ambiental assumiu importância fundamental no final do século XX, época na qual em muitos lugares da Terra despertou-se a consciência para os problemas globais da poluição e deterioração ambientais. Vindo ao encontro desse maior interesse das questões relacionadas à natureza estão os cientistas e profissionais das geociências. Eles têm o conhecimento dos fenômenos inerentes à dinâmica natural da Terra e, consequentemente, podem opinar sobre o manejo tecnológico e social dos processos naturais que ocorrem em sua superfície. Contudo, este saber não pode ficar restrito a um único grupo, visto que suas implicações promovem a melhoria na qualidade de vida de todo o planeta. Uma das contribuições que os pesquisadores das ciências da terra podem oferecer para uma sociedade global sustentável é o uso da educação como ferramenta de conscientização e divulgação deste conhecimento. Afinal, divulgar a ciência tem sido no início do terceiro milênio, um objetivo cada vez mais difundido e necessário, exercendo um papel estratégico à mídia, à iniciativa privada e, especialmente, ao universo acadêmico. Sua relevância se deve ao fato de se perceber que um conhecimento útil e valioso, o qual demanda muita pesquisa e estudo, não pode ser de conhecimento restrito, mas deve ser compartilhado e desfrutado por toda a sociedade. Como disse Roald Hoffman, prêmio Nobel de Química de 1981, em entrevista à revista Ciência Hoje (v.14, n.82, 1992, p.45): "Acho que os cientistas têm a responsabilidade de ensinar ciência às pessoas. A razão principal para fazer isso não é atrair mais pessoas para a química, por exemplo, mas informar o público em geral. Quando as pessoas adquirem algum conhecimento científico, podem compreender melhor as decisões, o que é fundamental numa sociedade democrática. Caso contrário, po- 92 -


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derão se tornar vítimas de demagogos e especialistas." A fim de dar sua colaboração nesta missão de divulgação científica, o Instituto de Geociências (IGEO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, através do Museu da Geodiversidade, promove atividades educativas que possibilitam o acesso a este conhecimento por parte da sociedade. Uma das formas utilizadas foi a realização da 1ª Olimpíada Nacional de Geociências em 2011, a partir do tema “Geodiversidade: Conhecer e Conservar”, de forma que se pudesse compreender em que consiste a mesma e como podemos viver e usufruir dela de uma forma socioambiental. A geodiversidade compreende um conceito integrador fundamental que agrupa todos os materiais e fenômenos geológicos que dão corpo ao Planeta e o modificam (a sua estrutura e a sua superfície) e que, juntamente com a biodiversidade, define a essência material da Terra e o modo como ela se transforma e evolui. Dentro da biodiversidade que modifica a paisagem natural encontra-se o homem, principal responsável pelas mais significativas alterações existentes, o qual fundamenta sua evolução cada vez mais na ampliação de formas de extração e apropriação muitas vezes indevida dos recursos naturais. A subjugação cada vez maior da natureza sob o homem de modo nem sempre positivo tem levado a transformações perigosas para a continuidade da vida. É fato que a utilização de recursos naturais é necessária e indispensável nos dias de hoje para concretizar as mais diferentes obras humanas. Porém, tudo isto pode ser feito de forma consciente e sustentável. Partindo deste mote, esta Olimpíada abrangeu estas questões em seu evento que ocorreu no período de julho a dezembro de 2011. O conhecimento sobre a geodiversidade e sobre a melhor forma de aproveitá-la sem destruí-la completamente acarretou em utilizarse dos saberes de diferentes áreas do conhecimento. Até mesmo porque não apenas este, mas todo conhecimento é interdisciplinar. A Olimpíada procurou conseguir atingir tal meta de interdisciplinaridade, ao salientar que o conhecimento técnico-científico que se tem sobre qualquer área do saber só será válido se, juntamente com ele, forem ensinados valores e uma visão crítica e questionadora sobre a vida. Afinal, só se forma efetivamente um cidadão quando se leva pessoas a refletir sobre o seu passado e futuro para melhor atuação no presente, potencializando desta forma a interação com a sua realidade. O evento, financiado pelo CNPq e com patrocínio da Petrobras, foi voltado para os alunos do Ensino Médio. A - 93 -


escolha pelo Ensino Médio se deu por razões curriculares, já que os temas abordados na Olimpíada eram melhor contemplados nessa modalidade de ensino. A competição ocorreu de forma a distância em suas primeiras três fases e de forma presencial na última. Provas objetivas e tarefas foram realizadas de modo que a competição e a difusão do saber não ficasse restrito è equipe participante, mas se estendesse a toda a comunidade escolar. Apesar de dificuldades encontradas durante o percurso de realização da mesma, o principal objetivo foi alcançado: a utilização das Ciências da Terra como uma forma de atividade educativa e de entretenimento para os jovens brasileiros de modo que a sustentabilidade do planeta estivesse no centro do debate e da brincadeira. Palavras-chave: ciências da terra; olimpíada de ciência; divulgação científica

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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Encontro Natura Comciência: uma experiência de divulgação científica na indústria Luciana de Miranda Chaves Vasquez-Pinto Gilson Paulo Manfio Natura Inovação e Tecnologia de Produtos Ltda lucianavasquez@natura.net gilsonmanfio@natura.net O desenvolvimento científico e tecnológico pressupõe o compartilhamento de informações e conhecimentos que permita avaliação e a apropriação por outros públicos além dos seus geradores. Isso é especialmente importante na indústria, onde essa integração estimula a criação de parcerias que aceleram a obtenção de resultados, ampliam o potencial de aplicação dos conhecimentos inovadores e reduzem o tempo de desenvolvimento de um novo produto ou serviço. Pensando nisso, foi realizado o I Encontro Natura ComCiência, que permitiu a divulgação interna dos resultados de projetos de pesquisa em andamento para as diferentes áreas da vice-presidência de Inovação da Natura (Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento de Produtos, Gestão e Redes de Parceria e Segurança do Consumidor). Os pesquisadores foram convidados a inscrever os resultados de seus projetos, por meio de um resumo formal, similar aos enviados a congressos científicos. Os resumos foram avaliados por um grupo de gerentes científicos, agrupados por afinidade com suas áreas de expertise, e classificados segundo critérios de coerência técnica, multidisciplinaridade e relevância para o negócio. Os cinco melhores trabalhos foram apresentados oralmente e o restante foi apresentado no formato de pôster impresso ou eletrônico. Foi desenvolvida uma identidade visual para o evento, segundo o modelo das palestras TED (Technology, Entertainment, Design. Ideas worth spreading) e os autores dos trabalhos apresentados oralmente tiveram o apoio de uma agência de comunicação para estruturar suas apresentações. Isso foi importante para facilitar o entendimento dos resultados apresentados por pesquisadores de áreas não correlatas e da alta direção da empresa, que também participou do evento. Todos os pôsteres foram diagramados dentro da identidade visual criada e apresentados - 95 -


como versão impressa exposta durante o evento e/ou versões eletrônicas com informações adicionais. Todo o material (apresentações e pôsteres) foi estruturado em um site interno para consulta posterior. Além dos resultados gerados internamente, o evento contou com a participação de um palestrante que falou sobre o processo de inovação e seu fomento pelo capital de risco. O evento, considerado bem sucedido, foi avaliado pelos participantes como relevante para contribuir com a capacitação dos pesquisadores na redação de trabalhos científicos, divulgar a produção científica interna da Natura, valorizar as iniciativas e reconhecer os trabalhos dos pesquisadores da Vice-presidência de Inovação. Além disso, o evento promoveu um momento de troca de informações e experiências que enriquece o processo de inovação e contribui para o desenvolvimento da ciência e sua aplicação no desenvolvimento de novos conceitos e produtos. Palavras -chave: inovação, Natura, divulgação científica

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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Explorando a biodiversidade no Museu de História Natural “Hortêncio Pereira da Silva Júnior” no município de Itapira, SP José Carlos Simão Cardoso Júnior Museu de História Natural - Prefeitura Municipal de Itapira junior_simao@hotmail.com O Museu de História Natural “Hortêncio Pereira da Silva Júnior” (MHNHPSJ) que é vinculado a Prefeitura de Itapira, SP, através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo foi inaugurado em 24 de outubro de 1999. A tipologia do MHNHPSJ compreende principalmente material zoológico (animais empalhados, esqueletos e insetos) que em sua grande maioria são preparados na própria instituição museológica. Sua importância ultrapassa os limites do município, pois atende diversas instituições da região do circuito das águas paulistas, sul de minas e baixa mogiana, sendo o único nesse segmento. Todo o espaço físico do museu é utilizado para ampliar o conhecimento das relações entre homem, meio ambiente, preservação e biodiversidade. Sua missão é adquirir, conservar e divulgar espécimes da fauna brasileira e exótica para a comunidade do município e região. A aquisição de espécimes ocorre por meio de doação dos munícipes e permuta com outras instituições. Para todo exemplar adquirido é feito uma ficha de entrada com dados do doador e procedência do animal. A conservação do acervo se dá pelas seguintes técnicas: 1. Taxidermia artística; 2. Diafanização; 3. Montagem de esqueletos; 4. Fixação em via úmida e 5. Coleção entomológica. A taxidermia consiste na preparação da pele do animal de modo a se parecer o mais natural possível representando-o como em vida na natureza. Está técnica permite estudos sobre biodiversidade e interações ecológicas (http://www. panoramio.com/photo/66447934). A diafanização, cujos propósitos visam estudos de anatomia comparada, adaptação evolutiva e embriologia, é uma técnica de preparação de pequenos vertebrados e com esqueleto em formação, como fetos e filhotes, que consiste na pigmentação óssea por corante específico. (http://www.panoramio.com/photo/66447389). Nos animais que não são possíveis de serem taxidermizados, por apresentarem problemas na pele ou em início de decomposição, são preparados seus esqueletos completos ou partes deles, que assim como na diafanização permitem o entendimento de anatomia comparada e adaptação - 97 -


evolutiva. (http://www.panoramio.com/photo/66447744). Alguns órgãos também podem ser aproveitados fixando-os em formol 10% e conservando-os em álcool 70%, facilitando o entendimento de anatomia comparada e fisiologia. A coleção entomológica composta por insetos alfinetados e montados segundo a bibliografia específica compreendem estudos de biodiversidade e de interações ecológicas (http://www.panoramio.com/ photo/66447768). Assim que um espécime é preparado ele é registrado e fotografado, podendo ser incorporado à exposição permanente, à reserva técnica ou aos kits didáticos. Para atingir sua missão de divulgação, o MHNHPSJ abriga exposições permanentes e temporárias além de possuir um programa de atendimento à instituições de ensino e sociais. As exposições permanentes são organizadas por setores que incluem: 1. Diorama com animais silvestres taxidermizados; 2. Setor de animais domésticos e exóticos taxidermizados; 3. Setor de esqueletos e crânios e 4. Setor de coleção entomológica. Em todos os setores encontram-se painéis informativos sobre relações entre ambiente, preservação e biodiversidade, os animais possuem placas de identificação de espécie. Em datas comemorativas de cunho ambiental o museu realiza, em sala anexa, exposições temporárias com temas específicos onde são ressaltadas as interrelações entre o homem e o meio ambiente (http://www.panoramio.com/ photo/66447719). Nesta mesma sala que recebe exposições temporárias, ocorre a exposição do programa “Bicho do Mês” (http://www.panoramio. com/photo/66447978) em que os visitantes, através de enquete no próprio museu ou em redes sociais (https://www.facebook.com/MHNITAPIRA), escolhem o animal a ser exposto para o mês seguinte. O programa de atendimento institucional, que desde sua implantação no ano de 2004 já atendeu mais de 15.000 alunos, se dá de duas maneiras: 1. Visita monitorada no próprio museu (http://www.panoramio.com/photo/66448055) e 2. “Museu vai à Escola” (http://www.panoramio.com/photo/66448108). As visitas monitoradas são agendadas previamente, duram em média 40 minutos e atendem turmas de até 30 pessoas por agendamento. No final da visita são feitas avaliações com os professores objetivando o aprimoramento do atendimento. Os alunos também são questionados para que de forma qualitativa relatem o que eles acharam do atendimento e das exposições do museu. O “Museu vai à Escola” consiste em levar parte do acervo do museu até a instituição conforme um tema requerido pelo - 98 -


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responsável que realizou o agendamento. O museu possui ainda kits didáticos de apoio pedagógico para empréstimo, que contém diversas peças que ilustram alguns temas pertinentes ao acervo, como por exemplo o “Kit Aves” que aborda informações biológicas e ecológicas. Palavras-chave: Museu de História Natural, biodiversidade, Itapira – SP

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A divulgação em Museu de História Natural: o papel das exposições Rosângela Celina Cavalcante Felipe Alves Elias Maria Isabel Landim Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo rcelinacavalcante@gmail.com O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) é reconhecido internacionalmente pela produção de conhecimento em biodiversidade, sistemática e taxonomia animal, possuindo também uma das mais importantes coleções de história natural do Brasil. O MZUSP também tem um forte compromisso com a divulgação científica. Conta com uma Divisão de Difusão Cultural para a organização e realização de projetos de comunicação que contemplam as exposições de longa duração, temporárias e itinerantes, entre outras atividades de difusão cultural. Sua última exposição de longa duração foi inaugurada em 2002 e encerrada em 2011. Em 2004 inauguramos a galeria de exposições temporárias, possibilitando uma maior dinâmica no processo de comunicação com os visitantes. Nesta, abordamos temas atuais ligados a Biodiversidade e Evolução. O MZUSP vem também estabelecendo parcerias com diversas instituições, transformando exposições temporárias em mostras itinerantes, adequando-as ao perfil de cada local, de seu público e do espaço disponível. A exposição temporária ”Moluscos: Jóias da Natureza”, em cartaz no MZUSP em 2008, foi um marco institucional e já foi apresentada em cinco diferentes cidades e em dois estados. Em Fevereiro de 2012, a exposição temporária “Charles Darwin: Evolução para Todos”, exposta no MZUSP entre 2009 e 2010, foi levada ao Catavento Cultural e Educacional, um espaço de divulgação de ciências, que apresenta ao público a ciência e os problemas sociais de um modo participativo, diferente de um museu tradicional. Em parceria com a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, desenvolvemos o Projeto “Biodiversidade: fique de olho!” com estreia prevista para 2012 na Estação Ciência da USP. O MZUSP, desde agosto de 2011, encontra-se fechado ao público, em decorrência de uma reforma interna de infra-estrutura, mas suas atividades de difusão cultural não foram interrompidas no processo. Reabriremos ao público no final de 2012 com um novo projeto de comunicação com o público através da exposição de longa duração, contemplando a acessibilidade e qualidade como novas metas de nossa equipe. Palavras-chave: Museu de História Natural; divulgação científica; museologia - 100 -


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Garimpando informação no museu Marco Antonio Xavier História Social (MSc- FFLCH-USP) IBRAM - Museu do Diamante - MG lacenaire@ig.com.br O trabalho num museu, independente de seu tipo (de artes, ciências, histórico, etc) ou tamanho, é baseado no tripé de ações: coletar, preservar e expor. Apesar da divulgação do acervo (e das informações que ele contém) ser a principal interação com o público, há uma série de eventos interligados nesta relação entre o objeto/coisa (material ou imaterial) e o público receptor, intermediado pelo museu. Divulgar, então, é interagir, interligar e intermediar, mas não só isso; há o(s) momento(s) da pesquisa, um processo que começa antes e acompanha todo o trabalho no museu, indefinidamente. Chegar em um lugar novo (Museu do Diamante – Diamantina – MG) e ter a tarefa de divulgar sua(s) história(s) (ou estórias) foi (é) um aprendizado rico e envolvente. Por vezes, a tarefa do historiador lembra o trabalho de “apuração” de um garimpeiro, tentando identificar algo de valor em meio a uma grande quantidade de material; outra semelhança reside na observação da “lavra” e das ações dos “veteranos”. Desta forma, além das leituras de autores (que trataram da história do Distrito Diamantino, da Inconfidência Mineira e da sociedade escravagista) e de alguns documentos, houve a observação de hábitos e costumes próprios da cidade, além de conversas com antigos moradores e garimpeiros, para identificar temas recorrentes, que incluíam até mesmo lendas e mitos locais. Este painel forneceu as bases para um trabalho mais consistente, mas sem um viés acadêmico, abrindo várias possibilidades de pesquisa histórica. Acreditando que o trabalho num museu deva ser interdisciplinar e integrado a uma ação curatorial, paralelo às pesquisas foi feito um projeto para uma nova expografia, que está na fase de discussão e estudo de viabilidade. Este projeto é baseado numa forma mais democrática e abrangente de divulgação do acervo, onde é importante identificar o que será “escolhido” para enviar a (e qual) “mensagem”. Palavras-chave: museus, museografia, comunicação - 101 -


Entre museu–escola–ponto de cultura: esquetes teatrais e cultura popular na popularização das ciências Janecleide Moura de Aguiar (Departamento de Sociologia do Colégio Pedro II/UESC III) Andréa Fernandes Costa (Seção de Assistência ao Ensino, Museu Nacional/UFRJ) janesociologia.ma@gmail.com O relato de experiência apresenta uma ação desenvolvida na cidade do Rio de Janeiro, entre o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), o Colégio Pedro II (Unidade São Cristóvão III) e o Grupo Tá Na Rua (Ação Griô), apontando também alguns desdobramentos oriundos do exercício constante de práticas colaborativas e reflexivas. A referida ação pautou-se na narrativa de histórias por meio de esquetes teatrais, que se configura em importante estratégia de popularização da ciência, tendo em vista o seu grande potencial de sensibilização e de interação direta com o público. Entendemos que popularizar a ciência significa levar a ciência para o campo da participação popular, possibilitar que a mesma esteja a serviço de todos/as e adotar para isso práticas pautadas em uma ação cultural reflexiva e dialógica com base na valorização da vida cotidiana e do universo simbólico do outro (GERMANO; KULEZSA, 2007, p.19). O espetáculo encenado na XVIII Semana do MAST, no ano de 2010, buscava resgatar a importância do Imperador Pedro II na consolidação da Astronomia brasileira, sobretudo com investimentos e recursos para financiar pesquisas, expedições astronômicas, bem como para a aquisição de instrumentos científicos adequados para a observação do céu. Sendo assim, a proposta busca potencializar a dinâmica da cultura popular, contida na narrativa dramática sistematizada pelo Tá Na Rua, para espaços, na maior parte das vezes, exclusivamente ocupados pela cultura erudita e pelo conhecimento técnico e científico. Assim, os agentes de popularização da ciência, constituídos objetivamente na tríade institucional Museu–Escola–Ponto de Cultura, apresentam ao público a linguagem característica da cultura popular: a roda, o cortejo, a oralidade e a realidade local de forma contextualizada. Sempre tendo em vista a construção de um caminho dialógico que promova a aproximação entre a cultura popular e o conhecimento científico, especialmente através de - 102 -


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ações concretas, marcadas por vivências repletas de vínculo afetivo e encantamento, entendendo que nos processos de popularização da ciência é necessário considerar os saberes e fazeres oriundos do senso comum, dando visibilidade a uma enorme gama de conhecimentos que não estão contemplados nos museus de ciências, nas escolas e menos ainda na academia (GERMANO; KULESZA, 2007, p.21). Os caminhos trilhados na experiência anteriormente citada, apontam para desdobramentos que indicam a relevância de se promover a valorização das culturas ameríndias na construção de nossa brasilidade, muitas vezes escamoteada por explicações hegemônicas oriundas da cultura colonizadora européia. Nesse sentido, propomos a realização de esquetes baseados em mitos indígenas brasileiros. A opção por esquetes baseados em mitos leva em consideração o forte apelo emocional dos mesmos, sobretudo o seu poder de envolvimento e encantamento junto ao público, reforçados pela possibilidade de abordá-los por meio de uma expressão artística. A opção pela abordagem de mitos indígenas brasileiros é, antes de tudo, uma escolha política. Trata-se de promover a valorização da cultura popular, pautada no resgate e valorização de saberes desconhecidos de grande parte da população brasileira, tendo em vista a necessidade de enfrentamento dos esforços homogeneizantes e hierarquizadores empreendidos por diferentes instâncias da sociedade. Sendo assim, entendemos que o uso de esquetes teatrais pode compor, por exemplo, uma estratégia de mediação entre o público visitante do Museu Nacional - MN/UFRJ, os objetos (cultura material) que compõem a coleção do MN, os conhecimentos (cultura imaterial) produzidos por diferentes povos e etnias indígenas do Brasil; e as ciências, buscando dar destaque às referidas populações, assim como também promover a popularização do conhecimento científico produzido no campo da Antropologia e das Ciências Sociais. Entendemos a relação ciência-mitologia-arte como uma estratégia de popularização da ciência impactante e transformadora, tendo em vista a possibilidade de, ao mesmo tempo, se popularizar conceitos e conteúdos científicos, relacionando-os a elementos da cultura popular; e de também promover uma reflexão crítica sobre a ciência e seu papel na sociedade contemporânea, apresentando-a juntamente com a mitologia e com arte, como construção social e que propõe, assim como as demais expressões, um determinado olhar para a realidade. Enfim, a estratégia que propomos se pauta na - 103 -


interface entre ciência(s) e cultura popular, por meio da abordagem de narrativas dramáticas, inclusive ampliando as possibilidades de conexão de elementos da mitologia, sobretudo ao revelar a beleza e a diversidade dos aspectos astronômicos contidos nas culturas indígenas brasileiras. Bibliografia: GERMANO, Marcelo Gomes; KULESZA, Wojciech Andrzej. Popularização da ciência: uma revisão conceitual. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Florianópolis, v. 24, n. 1, p. 7-25, abr. 2007. PACHECO, Líllian. Pedagogia Griô: a reinvenção da roda da vida. Lençóis/BA: Grãos de Luz e Griô, 2006. PACHECO, Líllian. CAIRES, Márcio. Nação Griô: o parto mítico da identidade do povo brasileiro. Lençóis/BA: Grãos de Luz e Griô, 2009 Palavras-chave: cultura popular, esquetes teatrais, popularização da ciência

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Meu bairro tem história! Passeando pelo Bairro Imperial de São Cristóvão Fátima Denise Peixoto Fernandes Museu Nacional/UFRJ fatimadenise@mn.ufrj.br Sou moradora do Bairro Imperial de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro. Meu avô, assim como muitos outros imigrantes portugueses, adquiriu um imóvel nesse bairro nas primeiras décadas do século passado. A igrejinha do padroeiro, erguida em 1627 pelos Jesuítas, é testemunha das muitas mudanças que a região vem atravessando ao longo dos séculos. O bairro fica localizado próximo ao Centro da Cidade do Rio de Janeiro e teve grande importância durante um longo período da história do Brasil. O Paço de São Cristóvão, que pode ser considerado o mais famoso de seus prédios, serviu de residência para a Família Real Portuguesa de 1808 a 1821 e seguiu com a Família Imperial de 1822 até a Proclamação da República, em 1889. Depois disso, a importância histórica do bairro foi sendo deixada de lado, as indústrias chegaram, e mais tarde saíram em busca de áreas mais afastadas onde pudessem crescer. Por volta da década de 1980 chegaram as empresas de pequeno porte, notadamente as confecções. Nesse bairro, de localização privilegiada e fácil acesso a todas as regiões da Cidade do Rio de Janeiro, essas empresas encontraram imóveis com espaços mais amplos e preços mais baixos do que os localizados no centro ou na zona sul da cidade. Atualmente, São Cristóvão passa por um grande crescimento imobiliário, recebendo vários prédios residenciais voltados para a classe média, o que deve lhe conferir, em breve, um caráter mais residencial. Apesar de todas essas transformações, o bairro guarda, em muito dos seus espaços, instituições históricas, culturais e científicas. Como servidora de uma das mais expressivas dessas instituições, o Museu Nacional/UFRJ, tenho tido oportunidade de participar, anualmente, de uma experiência que busca resgatar a importância do bairro através de um evento chamado “Turismo Cultural no Bairro Imperial”. A primeira edição aconteceu em 2009 e vem passando por pequenas modificações ao longo dos anos. Em sua formação atual participam: o Museu Nacional/ UFRJ; o Museu Militar Conde de Linhares; o Centro Cultural Maçônico; o Museu de Astronomia e Ciências Afins – MAST e o Club de Regatas Vasco da Gama. Durante um fim de semana, preferencialmente na Se- 105 -


mana de Museus, as instituições envolvidas abrem suas portas ao público gratuitamente e a organização do evento providencia transporte, também gratuito, entre elas. O evento é organizado pelas próprias instituições e conta com parcerias estaduais, municipais e privadas para sua realização. O grande sucesso alcançado com o público tem motivado a continuidade do evento que durante sua segunda edição, em 2010, contabilizou mais de 23.000 visitas aos espaços participantes do evento, que já é bastante divulgado pela mídia. O ponto de apoio dos ônibus participantes do trajeto fica localizado na Quinta da Boa Vista, um parque municipal aberto ao público e de fácil acesso por transportes coletivos como trem e metro, o que permite um público bem diversificado, que vai muito além dos moradores da região. O Turismo Cultural tem conseguido muito mais do que levar o público a percorrer, gratuitamente, algumas das mais significativas instituições culturais do Bairro Imperial de São Cristóvão. Ele promove a interação entre as instituições envolvidas, criando uma rede efetiva de colaboração entre elas; incentiva e facilita o acesso aos espaços culturais de pessoas que não têm hábito de visitá-los, possibilitando a formação de um novo público; apresenta e valoriza um rico patrimônio histórico, cultural e científico, acreditando que ele poderá ser admirado e usufruído com mais intensidade pelos moradores do bairro, da cidade e do país. Palavras-chave: patrimônio; museu; instituições culturais

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Manipulação comportamental em Nephila clavipes (Araneae, Nephilidae) induzida pelo parasitoide Hymenoepimecis bicolor (Hymenoptera, Ichneumonidae) Jober Fernando Sobczak UFSCar jobczak@gmail.com Modificações comportamentais ocasionadas por parasitas foram documentadas em diversos taxa de hospedeiros. Peixes parasitados pelo cestode Ligula intestinalis, por exemplo, tem seu padrão de atividade e distribuição vertical na coluna d’água alteradas, tornando-se mais susceptíveis a predação por aves. Os aspectos ecológicos envolvidos na manipulação comportamental causada por insetos parasitóides nos seus hospedeiros, contudo, continuam ainda pouco estudados. A maioria das observações da manipulação comportamental feita por estes insetos incluem a mudança do hospedeiro de um habitat para outro, aumento da taxa de consumo de alimentos pelo hospedeiro, cuidado da prole do parasitóide pelo hospedeiro ou a construção de estruturas para suportar e proteger o casulo do parasitóide. O desenvolvimento, crescimento, e a sobrevivência do hospedeiro parasitado apresentam conseqüências diretas para o desenvolvimento do parasitóide. Desta forma o parasitóide regula os processos de desenvolvimento do hospedeiro injetando substâncias como venenos e hormônios que são capazes de alterar sua fisiologia, garantindo sucesso para completar o ciclo de vida. Aranhas construtoras de teias orbiculares são atacadas por uma grande diversidade de inimigos naturais, incluindo diversas famílias de Hymenoptera, como Sphecidae, Crabronidae, Pompilidae e Ichneumonidae. Dentro de Ichneumonidae, as principais vespas parasitóides que atacam aranhas e manipulam o seu comportamento pertencem ao grupo de gêneros conhecidos como Polysphincta. Esse grupo é formado por 21 gêneros e mais de 200 espécies descritas, todas exclusivamente ectoparasitóides cenobiontes de aranhas. Dentro de Polysphincta existe o gênero denominado Hymenoepimecis onde todas as espécies descritas são ectoparasitoides cenobiontes de aranhas adultas das famílias Araneidae, Tetragnathidae e Nephilidae. - 107 -


Em 2010, Gonzaga et al. publicaram um artigo sobre a manipulação comportamental da construção da teia de Nephila clavipes (Nephilidae) induzida por larva de terceiro instar de Hymenoepimecis bicolor. Após a vespa adulta ovipor na aranha, o ovo permanece aderido ao abdômen do hospedeiro. Nessa fase não ocorre forrageamento, o ovo passa para a fase de larva (primeiro instar). Com o passar de aproximadamente 10 dias da oviposição a larva atinge o segundo instar, exibindo com mais nitidez as divisões no corpo. No final do segundo instar a larva apresenta pequenos pontos amarelados em cada divisão do corpo. Ao atingir o terceiro a larva aparenta um tamanho corporal três vezes maior que a larva de primeiro. Nessa fase surge em cada divisão do corpo um tubérculo, estrutura composta de pequenos ganchos que serão os responsáveis pela fixação da larva ao centro da teia modificada. Desde o momento da oviposição até o final do segundo instar a aranha constrói a teia normal, contudo quando a larva atinge o terceiro instar, a aranha constrói uma teia modificada com pronunciada redução do número de raios e espiras. A modificação da estrutura da teia em N. clavipes, possivelmente é ocasionada pela injeção de compostos químicos pela larva quando esta atinge o terceiro instar de seu desenvolvimento. Após a construção dessa teia a larva entra no quarto e último instar, onde consome completamente a aranha e permanece fixa, com auxilio de ganchos existentes nos tubérculos, na porção central da teia modificada Após ter consumido o hospedeiro a larva inicia a construção do casulo, e finaliza o processo de construção em 24 horas. A vespa adulta emerge do casulo após 19 dias da morte do hospedeiro, para isso rompe, com o auxilio da mandíbula, a porção superior do casulo, formando uma “tampa”. Após a saída, a vespa adulta permanece um período de 3 horas esticando as asas para o vôo. Nessas duas observações a vespa só emergiu do casulo quando a temperatura ambiente estava acima dos 25°C. A teia de Nephila clavipes é composta por uma parte orbicular formada por um número variável de raios e espiras, uma parte central sem espiras onde a aranha fica posicionada, e uma teia de barreira formada por fios resistentes e posicionada na frente da parte orbicular. Já a teia modificada, apresenta uma redução significativa do número de raios e no número de espiras, e tem características de uma teia tridimensional. A - 108 -


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diminuição do número de espiras e raios das teias de aranhas parasitadas foi observado apenas três dias antes da morte do hospedeiro, com uma diminuição abrupta no tamanho da teia. Neste período a aranha com larva de terceiro instar deixa de construir a teia orbicular com vários raios e espiras e passa a refazer apenas a parte central da teia conferindo uma maior resistência nesse local, além de tecer fios em volta do centro da teia o que proporciona uma defesa adicional para o casulo do parasitóide. A modificação da estrutura da teia pode conferir uma maior proteção contra fortes chuvas e ventos. Desta forma a modificação da estrutura da teia pode ser considerado como um importante fator que contribui para a sobrevivência da pupa do parasitóide. (http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4351&bd=1&pg=1&lg) (http://www.youtube.com/watch?v=TBcX4LmPl5Y) Palavras-chave: manipulação comportamental, aranhas, vespas

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Um relato do projeto "Novos Olhares para o Museu de História Natural da Universidade Federal de Lavras" e suas práticas culturais de ensino e divulgação em Ciências José Sebastião Andrade de Melo Luciana de Matos Alves Pinto Antônio Fernandes Nascimento Júnior UFLA jsamelo@gmail.com O projeto denominado “Novos Olhares para o Museu de História Natural da UFLA” foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores, professores e alunos de graduação da Universidade Federal de Lavras (UFLA) ao longo do ano de 2011. Esse projeto contou com o apoio financeiro da Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Minas Gerais, sendo realizado em torno desse museu na forma de eventos. O objetivo deste trabalho é relatar e discutir quais foram esses eventos promovidos pelo Museu de História Natural (MHN) da UFLA ao longo do ano de 2011. Até o início do referido projeto, a única atividade que o MHN oferecia para a comunidade local eram visitas guiadas em seu acervo. A partir de 2011 novas dinâmicas para essas visitas guiadas foram elaboradas e complementadas por apresentações em um planetário insuflável, outro espaço não formal de educação presente no campus da UFLA. Não se limitando apenas a uma visitação ao museu, os grupos de estudantes das escolas convidadas participaram de uma série de atividades sobre ciências, que envolviam além da mediação entre público e acervo, palestras, simulações, atividades investigativas etc. Paralelamente às visitas guiadas foram realizadas mostras de filmes. A primeira delas, intitulada “Cinema Com Vida”, aconteceu durante todo o ano de 2011. Sua temática foi definida como “Grandes mestres da sétima arte”. Foram exibidas e trabalhadas as obras de Charles Chaplin, Luis Buñuel, Orson Welles e Ingmar Bergman. Na segunda mostra de filmes, intitulada “História da Ciência no Cinema – Ciclo Biografias, Descobertas e Documentários”, foram exibidas obras de ficção científica e documentários, onde o intuito era convidar a comunidade para discutir, através dos filmes selecionados, aspectos sócio-econômicos do desenvolvimento da ciência e tecnologia. A terceira mostra apresentou uma série - 110 -


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de filmes de super-heróis onde o grupo de ensino de física “A Magia da Física e do Universo”, discutiu alguns tópicos de física (Cinemática, Dinâmica, Conservação da Energia e Gravitação) visando assim despertar o interesse do público pelos conteúdos desta disciplina. Outra atividade constante no museu foi o “Ciclo de Palestras do MHN”. Seu objetivo foi promover palestras ministradas por especialistas renomados de diversas áreas, trazendo temas relacionados à ciência, tecnologia, meio ambiente, educação, cultura e sociedade. Voltada tanto para o público acadêmico quanto para a comunidade local, esta atividade contribuiu para a formação inicial e continuada de professores através da realização de uma série de debates sobre temas contemporâneos com repercussão social e que poderiam ser trabalhados nas salas de aula. Em comemoração à 9ª Semana Nacional de Museus, o MHN realizou uma série de atividades que atraiu a visitação da comunidade. Exposições, cursos, eventos culturais, palestras e workshops foram promovidos com o tema “Museu e Memória”. A exposição “Memória da Leitura e Escrita” chamou a atenção dos usuários da Biblioteca Central da UFLA e durante toda a semana, no MHN, o visitante pôde conferir a mostra de fotografia de Cléber Alexandre da Silveira, na Exposição “Avis Rara – Aves Cara, Aves do sul de Minas”. O MHN também integrou a programação da 5ª edição da Primavera dos Museus, que na ocasião enfocou a temática “Mulheres, Museus e Memória”. A programação contou com a exposição “Mulher na Ciência: fatos e curiosidades”, além de atividades de divulgação científica, palestras, mostra de filmes e sarau literário. Nos meses de Maio, Agosto e Outubro o MHN realizou três eventos itinerantes. Tais eventos denominados “Feira de ciência e Tecnologia no município” chegaram às cidades de Bom Sucesso (MG), Itumirim (MG) e Nepomuceno (MG) tendo como objetivo aproximar a universidade da comunidade. Foi desenvolvida uma série de atividades de ensino e divulgação em ciências visando a sua popularização, despertando assim o interesse da população pelas temáticas científicas e também divulgando os cursos da UFLA. De forma geral, é possível afirmar que o Museu de História Natural da UFLA ao longo do ano de 2011 pode contribuir para a disseminação e popularização do conhecimento científico no município de Lavras (MG) e região. Suas principais conquistas foram: (i) a realização de diversas atividades que propiciaram a difusão e popularização de conheci- 111 -


mentos de diversas áreas junto à comunidade local; (ii) a revitalização e o fortalecimento institucional do Museu perante a universidade; (iii) a consolidação de outras diversas iniciativas dentro deste rico ambiente, como por exemplo, as mostras de cinema e os ciclos de debates, que transformaram o MHN em um centro de cultura e informação, promovendo assim a melhoria da qualidade do ensino não formal de temas relacionados à Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente. Palavras-chave: museu de Ciência, espaços não formais de educação, divulgação científica

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Questões sobre a biodiversidade divulgadas em espaços não formais: um relato de experiência como modelo das atividades do Museu de História Natural da Universidade Federal de Lavras, MG Laise Vieira Gonçalves Antonio Fernandes Nascimento Junior Alessandra Angélica de Pádua Bueno José Sebastião Andrade de Melo UFLA laiseokda@hotmail.com Os espaços não formais de ensino têm sido considerados locais capazes de propiciar momentos de interação entre o indivíduo e as diversas formas de saber. Através de exposições, eventos de museus entre outros, pode-se despertar no individuo o interesse pelas ciências de forma dita não formal, ou seja, fora dos espaços escolares tradicionais. Podendo além de despertar a curiosidade, contribuir para a construção de conhecimentos necessários para a formação de indivíduos atuantes, assim como oportunizar atividades voltadas para a formação inicial e continuidade professores. Assim os participantes podem descobrir os prazeres de ensinar e estudar as Ciências. A proposta se fundamenta nas contribuições desencadeadas pelas pesquisas em educação e ensino de ciências as quais têm argumentado a favor da prática de ensino e divulgação em ciências em espaços não formais, como museus, exposições entre outros. O Museu de História Natural (MHN) da Universidade Federal de Lavras busca popularizar a ciência e favorecer uma aprendizagem que se caracteriza pela interação entre o novo saber e o conhecimento prévio. A todo tempo há conteúdos apresentados que ajudam o aluno a se familiarizar com os conceitos científicos. Nesse ambiente, o aprendizado acontece à maneira sociointeracionista. Atualmente o MHN possui, entre outras, uma coleção de espécies taxidermizadas que abrange os principais grupos animais e vegetais. Possui ainda um anfiteatro e alguns espaços abertos para a realização de oficinas e exposições programadas. O objetivo deste trabalho é apresentar um resumo das atividades gerais do museu a partir de um relato de experiências capaz de sintetizar os principais pontos de relevância de sua prática. - 113 -


A atividade refere-se a uma visita ao museu orientada por alunos do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de Licenciatura em Biologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Na ocasião 50 alunos do 7º Ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Padre Anchieta da Cidade de Coqueiral participaram de diversas atividades programadas cujo tema era a biodiversidade, sendo estas: 1. visita guiada às áreas de exposição para o conhecimento da forma de classificação e das características gerais de cada grupo taxonômico. 2. apresentação de um curta metragem “Guardiões da Biosfera: episódio Mata Atlântica”(Magma Cultural & Enjoy Arts, sd), cujo tema versava sobre a preservação da biodiversidade e a proteção ambiental; desenvolvido no anfiteatro 3. jogo pedagógico interativo denominado “Bingão da bicharada” constituído de figuras de animais típicos da mata atlântica confeccionado por Macagnan e Nascimento Junior (2008), cujo propósito era apresentar aos alunos alguns dos animais mais ameaçados da Mata Atlântica também desenvolvido no anfiteatro. Como procedimento os alunos foram divididos em 2 grupos de 25 integrantes. Um deles assistiria o filme enquanto o outro visitava as coleções zoológicas. Em seguida eram invertidos. Cada atividade completa perfazia o total de duas horas. 1. as atividades no anfiteatro - Durante a exibição do filme, os alunos se mostraram atentos e interessados. Após seu término eles foram questionados em relação aos assuntos abordados. Relataram experiências vividas e revelaram algumas preocupações com a natureza. Em seguida, passou-se para a segunda parte da atividade, o bingão. Antes do seu início foi apresentado aos alunos um conjunto de slides identificando os animais que faziam parte do jogo com a finalidade de lhes proporcionar sua familiarização. Os alunos iam acompanhando os animais nas suas cartelas. Alguns destes animais lhes eram totalmente desconhecidos, tais como: jaçanã, ratão do banhado, cachorro do mato vinagre... Durante a apresentação várias dúvidas foram surgindo e sendo esclarecidas com relação ao tamanho, hábitat, nicho trófico, comportamento e se estavam em extinção. Após o término da apresentação foi iniciado o jogo o qual, também, gerou muita atenção. As repetições das imagens dos animais e as su- 114 -


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cessivas descrições de conteúdo na identificação dos mesmos durante as jogadas forneceram aos alunos elementos para que pudessem falar sobre os mesmos. E, talvez, incorporá-los em seu conhecimento. 2. as atividades no salão de exposições - Durante a visita guiada à exposição zoológica, os alunos tiveram a oportunidade de entrar em contato com todos os grupos do reino animal e observar um tipo de ordenação classificatória destes vários grupos. Puderam, também, conhecer vários animais da região inseridos neste processo classificatório. Muitas perguntas foram surgindo no decorrer da visita. Assim, o trabalho expressa os procedimentos básicos das atividades desenvolvidas no museu incluindo as dificuldades encontradas tais como o processo avaliativo desenvolvido a partir de observações diretas. Palavras-chave: espaço não formal; museu de ciência; ensino de biologia

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Divulgação científica, blogs e novas mídias

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Coabitando Carolina Yonamine Faculdade de Direito de Ribeirão Preto – USP yonamine.carolina@gmail.com Ao realizar pesquisa para o trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre o tema regularização fundiária, a aluna Carolina percebeu a dificuldade para armazenar o excesso de informações de sites, relatórios e demais dados; bem como o problema para encontrá-los novamente. Dessa dificuldade surgiu o blog Coabitando. O blog divulga temas específicos: regularização fundiária; urbanização; direitos humanos; acesso à moradia. Embora recente, a fim de concentrar boas informações sobre outros sites, jornais, revistas e demais iniciativas sociais, o blog pretende centralizar para divulgar com quem pesquisa, contempla, capta os problemas de moradia urbana. O objetivo também é compartilhar projetos sociais, leis inclusivas e iniciativas de sucesso sobre a regularização de favelas. Link do blog: http://coabitando.blogspot.com/ Palavras-chave: blog, urbanização, pesquisa

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Elaboração do site do Hospital de Ruminantes da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo Gabriela Kämpf USP gabikampf@gmail.com O projeto consistiu na elaboração de um site da Clínica de Bovinos e Pequenos Ruminantes do Hospital Veterinário de Ruminantes (Hovet) da USP. O site pode ser acessado através da web, democratizando o caminho ao conhecimento e colaborando com o processo de atualização do público interessado. Um dos principais objetivos é orientar o proprietário que deseja trazer seu animal para consulta no Hovet de Bovinos e Pequenos Ruminantes, e aproximá-los dos profissionais envolvidos na rotina do hospital (residentes, pós graduandos e docentes). Seu conteúdo está alicerçado em eventos importantes (como as feiras), legislação e textos de divulgação científica, elaborados a partir da colaboração de pós graduandos e docentes, publicações e teses científicas. O seu público-alvo está direcionado a produtores e trabalhadores rurais, estudantes e profissionais. Embora não tenhamos conseguido implementar uma linguagem regionalizada, esperamos ter alcançado todos os tipos de público. www2.fmvz.usp.br/ruminantes-vcm Palavras-chave: site, ruminantes, veterinária

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O empoderamento da sociedade por meio da apropriação do conhecimento científico: estratégias de comunicação colaborativa Gabriela Villen Freire Malta IEL-Labjor-Unicamp gabrielavillen@gmail.com.br Esta pesquisa tem como objetivo investigar a divulgação científica a partir de uma perspectiva de empoderamento popular. Pretende-se por meio do mapeamento de meios de comunicação alternativa, buscar formas de comunicar ciência baseadas na inclusão social e no diálogo, em oposição à perspectiva de transferência de conhecimento. Partindo do pressuposto de que esta comunicação é imprescindível para ambos, cientista e sociedade, serão analisados os impactos e a potencia do trabalho do comunicador de ciências como mediador na capacitação do cidadão, para apropriar-se do conhecimento científico e tornar-se agente, desde sua comunidade até instâncias decisórias de governo. A partir dos resultados, objetiva-se elaborar uma proposta de estratégia comunicacional para o setor de divulgação científica, com a articulação uma rede de divulgação científica inclusiva e um centro colaborativo de comunicação científica. XII Reunião Bienal da Red-Pop, 29 de maio a 2 de junho de 2011, Universidade Estadual de Campinas: Campinas, 2011. ARBEX JR., José. “Uma outra comunicação é possível e necessária”, In: MORAES, Dênis de (org.)Por uma outra comunicação: mídia, mundialização e poder., Rio de Janeiro: Record, 2005. p.385-400. CASTELLS, Manuel. Comunicación y poder. Madrid: Alianza Editorial, 2010. DOWNING, John D. H. Mídia radical: rebeldia nas comunicações e movimentos sociais. São Paulo: Senac, 2002. FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1983. GREGORY, Jane e MILLER, Steve. Science in public. Comunication, culture and credibility. New York: Perseus Publishing, 1998. ISBN: 0-73820357-2 GUIMARAES, Eduardo (org.). Produção e Circulação do Conhecimen- 121 -


to: Estado, Mídia, Sociedade. Campinas: Pontes, 2001. HOUSE OF LORDS. Science and Society. Third Report os the Select Commitee on Science and Tchnology. Londres: The Stationary Office, 2000. KANSHIRO, Marta e EVANGELISTA, Rafael. Ciência, Comunicação e Sociedade no Brasil, a narrativa do défcit. Journal of Science Comunication, SISSA. dezembro, 2004. ISSN 1824 – 2049. Versão online: http:// jcom.sissa.it LIMA, Venâncio de. Comunicação e cultura: as ideias de Paulo Freire. Brasília. Editora Fundação Perseu Abramo e Editora Universidade de Brasília, 2011. MILLER, Steve. Public Understanding of Science at the Crossroads. Institute of Physics Publishing. Public Understanding of Science, 2001. Versão online: http://pus.sagepub.com/cgi/content/abstract/10/1/115 OLIVEIRA, Fabíola. Jornalismo Científico. São Paulo: Contexto, 2005. QUINTANILLA, Miguel. Entrevista a Sabine Righetti e Ana Paula Moraes. ComCiência Revista Eletrônica de Jornalismo Científico. 03/12/2010. REBOLLO, Eduardo. “Información y Conocimiento en la Sociedade de la Informacion”, In: Sociedade do Conhecimento: aportes latino-americanos. São Bernardo do Campo: UMESP: Cátedra Unesco para o Desenvolvimento Regional, 2005. VOGT, Carlos (org). Cultura Científica: Desafios. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Fapesp, 2006. Palavras-chave: divulgação científica, redes sociais, novas mídias de divulgação

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Divulgação da engenharia de superfícies usando mídias sociais Verónica Savignano Universidade de Caxias do Sul- RS vero.savignano@gmail.com Neste trabalho, relatarei uma experiência em divulgação de ciência que venho realizando desde junho de 2009, junto a parceiros, para o Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies. O Instituto reúne e articula grupos de pesquisa de treze instituições brasileiras para realizar, na área de engenharia de superfícies, pesquisa e desenvolvimento, transferência de tecnologia para a indústria e divulgação na sociedade. É um dos INCTs do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do CNPq. O plano de divulgação idealizado para o Instituto tem por objetivo principal disponibilizar conteúdo confiável sobre engenharia de superfícies e transferir conhecimento específico para públicos de interesse. O plano tem como alvos particulares os profissionais e potenciais profissionais que podem utilizar a engenharia de superfícies em atividades de produção, pesquisa ou desenvolvimento. Também são objetivos do plano aumentar a visibilidade do Instituto e seus participantes (competências e infraestrutura) e atrair novos parceiros. O plano tem três frentes de ação principais: a publicação de conteúdo na web, a realização de eventos e a presença em veículos segmentados. Comentarei neste trabalho a primeira. A estratégia estabelecida foi a de utilizar mídias sociais para publicar e divulgar amplamente conteúdo confiável sobre engenharia de superfícies, principalmente em português. Assim, criamos uma série de canais no final de 2009: um blog para publicação de resenhas e de textos mostrando as relações entre a engenharia de superfícies e diversos aspectos da sociedade; um canal no Slideshare para as apresentações técnicas; um canal no YouTube para vídeos institucionais, entrevistas e processos de engenharia de superfícies; uma galeria no Flickr para fotos de processos, equipamentos e ações do Instituto; verbetes na Wikipedia para as definições da área; uma página no Delicious para compartilhar os endereços na web relacionados à engenharia de superfícies. Além disso, criamos um site no endereço www.engenhariadesuperficies.com.br para agregar todos esses canais e publicar também notícias e reportagens sobre - 123 -


o Instituto, além da clipagem de mídia. Finalmente, lançamos um boletim digital mensal e abrimos uma conta no Twitter para levar as atualizações dos canais até os leitores. Todos os canais são alimentados regularmente (toda semana tem novidade em pelo menos um canal) com conteúdo produzido ou selecionado pelos pesquisadores do Instituto, por visitantes dos canais que decidem contribuir ou por mim. Com o objetivo de alavancar a disseminação do nosso conteúdo, escolhemos a licença Creative Commons, que permite o uso livre do conteúdo, sob condição de citar a fonte. Até janeiro de 2012, os arquivos do Slideshare receberam mais de 59 mil visualizações ou acessos (page views); o site, mais de 38 mil, e o blog, mais de 19 mil, para citar os canais com mais acessos. Entre os conteúdos mais visualizados, podemos citar uma apresentação usada em aula de pós-graduação, com mais de 10 mil acessos; as páginas institucionais do site sobre a produção científica (mais de 2.800) e os participantes (mais de 2.500); um post sobre as possíveis contribuições do Instituto para algumas das maiores empresas do Brasil (mais de 2.200), e um vídeo que mostra o belo processo de nitretação a plasma ocorrendo dentro do equipamento, ao som de música eletrônica, com mais de 1.100 acessos. Quanto ao posicionamento na primeira página do buscador do Google, com as palavras “engenharia de superfície” e “engenharia de superfícies”, após 15 dias de existência o site ficou no segundo e terceiro lugar, respectivamente, entre dezenas de milhares de resultados. Em menos de dez meses, chegou aos primeiros dois lugares, onde ainda permanece, em ambos os casos, ficando acima da multinacional Mahle, da empresa Ogramac, há 29 anos no mercado, e da biblioteca científica online ScIELO, por citar alguns exemplos. Seguem algumas reflexões sobre esta experiência, para fins de debate. A publicação de conteúdo científico ou de divulgação científica sobre engenharia de superfícies em mídias sociais tem dado resultados significativos em termos de acessos por estar inserida num círculo virtuoso de conteúdo de qualidade, diversidade de canais de divulgação e bom posicionamento das páginas no Google. As origens das mensagens recebidas através do formulário do site (54% empresas; 24% estudantes) coincidem com os públicos que se deseja atingir, o que é um bom sinal. Na questão de atrair parceiros, vale relatar o caso de uma grande empresa - 124 -


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que fez contato pelo formulário do site após encontrar material técnico no Slideshare, iniciando uma parceria para qualificação de seus funcionários e para desenvolver pesquisa. Na minha opinião, a publicação de conteúdo sobre engenharia de superfícies por meio das mídias sociais deve continuar, mas deve-se aprofundar o uso das mídias sociais no sentido de reunir os indivíduos e organizações relacionados à engenharia de superfícies. Seria também importante avaliar e, provavelmente, melhorar, a adequação do conteúdo aos públicos de interesse. Palavras-chave: mídias sociais, divulgação, conteúdo confiável

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A divulgação científica da nutrição e o adolescente: (des)encontros em redes sociais on-line? Luciana Sales Purcino IEL-Labjor-Unicamp luciana.purcino@ig.com.br No Brasil, nas últimas décadas, observa-se a intensificação do aumento do excesso de peso e da obesidade entre crianças e adolescentes, sendo que, no caso dos últimos, este fato tem forte relação com o hábito alimentar inadequado. A educação alimentar/nutricional é indicada como ação de saúde primordial no combate deste problema e a divulgação científica da nutrição e cultural da alimentação, uma de suas dimensões, é destacada neste projeto. Em vista da importância de se valorizar a internet por suas possibilidades técnicas e pelo interesse dos adolescentes por este meio e da necessidade de valorar suas expressões efetivas na prática real, pretende-se analisar uma rede social on-line relacionada à alimentação/nutrição e discutir suas possíveis relações com a educação alimentar/nutricional de adolescentes segundo o método “Análise de Conteúdo” orientado por Bardin (2009). Em conclusão, espera-se que este estudo possa contribuir para o aprimoramento ou construção de materiais digitais on-line específicos para educação alimentar e nutricional de adolescentes. Palavras-chave: divulgação científica, nutrição e adolescentes.

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Novas mídias, novas linguagens - estratégias para atrair o interesse do público geral pela ciência Marcelo Antoni USP marcelo.antoni.oliveira@usp.br O parque de Ciência e Tecnologia da Universidade de São Paulo (Parque CienTec – USP), como órgão atuante na área de pequisa, divulgação e difusão vem relatar a sua experiência ao longo de aproximadamente 10 anos na área de divulgação, feita através de seu jornal o Bugio e recentemente pelo seu blog e perfil nas redes sociais (facebook, twitter, tumbir, orkut). Desde a sua Fundação em 2001, o Parque CienTec busca levar a ciência ao público em geral de uma forma lúdica e utiliza-se de diversos meios para conseguir este objetivo. Ao longo de 10 anos, buscamos nos adaptar as transformações ocorridas no meio da comunicação, passamos a incorporar cada vez mais essas mudanças na forma de se comunicar com o nosso público. Ao invés de termos difíceis e textos longos, optamos por aforismos, ao invés de um jornal grande feito em linguagem científica, escolhemos um tabloid com linguagem simples. E assim surgiu o nosso jornal, o Bugio, que é feito por estagiários do Parque CienTec e por outros colaboradores. Ele começou a ser publicado em agosto de 2003 e sempre teve periodicidade irregular. Atualmente é trimestral, sendo distribuído em escolas da rede pública; museus e unidades da USP; e aos visitantes do Parque CienTec. Dado seu caráter institucional, é compreensível que os assuntos abordados sejam, na maioria das vezes, relacionados ao que ocorreu ou ocorrerá na instituição. Mesmo assim, seguindo a diretriz do Parque CienTec de divulgar ciência, procuramos sempre abrir espaço para textos com esta orientação. Com linguagem simples tangendo ao coloquial, os textos produzidos apresentam temas científicos de maneira fácil e agradável, pois o principal objetivo é aproximar o público em geral, principalmente crianças do universo da ciência, tecnologia e meio ambiente. As edições anteriores podem ser consultadas na página do Parque CienTec, o que resulta em uma facilidade de acesso ao jornal por qualquer leitor em qualquer lugar desde que tenha um computador ligado à Internet. Devido a determinadas limitações que impedem que o jornal te- 127 -


nha uma periodicidade menor, os estagiários do parque criaram um blog no qual possibilita um jornalismo em tempo real, publicando artigos feitos por colaboradores, notícias sobre ciência e meio ambiente, eventos ligados a ciência, links de órgão de produção e difusão científica, links de outros blogs, charges e vídeos. O blog possibilita não apenas o visitante escrever um comentário sobre o conteúdo apresentado, como também dele ser mais um colaborador enviando algum material para ser publicado, pois acreditamos que o conhecimento deve ser construído por todos e não ficar restrito a uma comunidade acadêmica. As redes sociais servem como veículo de comunicação com os nossos seguidores, servindo para divulgar as notícias do blog, eventos científicos, palestras no Parque CienTec. Optamos por criar perfil e não página no caso de algumas redes sociais, pois deste modo, possibilita um diálogo com os nossos seguidores, o que passa uma impressão de isonomia. Acreditamos que o êxito na utilização de novas mídias e novas estratégias com o objetivo de divulgar e difundir o conhecimento científico estão sendo alcançado gradualmente, pois a demanda por assuntos ligados à ciência ainda é menor que a demanda por outros assuntos como futebol por exemplo. Mas as recentes transformações na forma de se comunicar entre as pessoas contribuirão para ampliar o nosso espaço de difusores da ciência e paralelamente incluindo o leitor nesse processo no qual acreditamos não poder ser unilateral. http://www.parquecientec.usp.br/index.htm http://www.facebook.com/profile.php?id=100001970530429 http://parquecientec.blogspot.com/ http://www.parquecientec.usp.br/bugio/edicoes.htm Palavras-chave: jornal, divulgação, mídias

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A contribuição das redes sociais para a disseminação do conhecimento e no apoio à inovação Daniela Maria Cartoni Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer - CTI daniela_cartoni@yahoo.com.br Com o avanço e consolidação da Web 2.0, a utilização de ferramentas colaborativas firma-se como uma tendência que tem influenciado tanto a difusão de inovações quanto a propagação do conhecimento, com destaque para as redes sociais. Estas ganham importância devido ao seu caráter dinâmico e de interdependência dos relacionamentos, que propiciam o compartilhamento de informações e a construção de conhecimentos essenciais para o desenvolvimento da inovação, reconhecimento entre os pares e estabelecimento de contato entre seus usuários. Partindo da hipótese de que as redes sociais atuam complementarmente às ações formais para transferência de tecnologia – tanto as desenvolvidas por ICTs (Institutos de Ciência e Tecnologia) quanto as desenvolvidas por empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento –, este estudo tem como objetivo identificar e descrever as potencialidades de algumas das principais redes sociais utilizadas no Brasil (Orkut, Linked In e Twitter) como estruturas informais que contribuem para a geração de conhecimento e para a difusão tecnológica. Com o intuito de entender como as redes organizacionais se comportam no processo de compartilhamento de informações sobre inovação, este relato trata do mapeamento realizado pelos pesquisadores do GAIA (Grupo de Apoio à Inovação e Aprendizagem em Sistemas Organizacionais). É um grupo multidisciplinar de pesquisas aplicadas, que integra geração de conhecimento com foco na sustentabilidade organizacional e inovação e está sediado no CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer) — órgão do “Ministério da Ciência e Tecnologia”, localizado em Campinas-SP. A motivação para esse estudo é parte de um projeto de maior abrangência, voltado para o desenvolvimento e implantação de um portal corporativo diferenciado do grupo de pesquisa que visa integrar não apenas dados, mas também os diferentes atores responsáveis pela inovação no país; a saber, instituições de ensino/pesquisa (públicas e privadas), - 129 -


empresas, governo e agentes multiplicadores diversos (como professores universitários e gestores empreendedores). Utilizando a técnica de Análise de Redes Sociais (ARS) para mapear quais são e como se comportam as comunidades associadas ao tema, o estudo buscou-se avaliar nas redes sociais virtuais qual o perfil dos atores, temas de interesse, suas interações e os fluxos de informação entre eles. Para sustentar este mapeamento, o trabalho inclui uma pesquisa quantitativa realizada junto a uma população composta por pessoas diretamente ligadas às principais comunidades, com a finalidade de identificar os principais interesses e aplicações práticas da rede social informal como forma de sustentar e promover o processo de transferência e absorção do conhecimento para a inovação. Em outras palavras, são mapeados os temas mais debatidos e as formas como ocorrem a apropriação do conhecimento e sua adaptação para distintas realidades e interesses, de acordo com o perfil dos atores envolvidos. Os primeiros resultados desse estudo demonstram que as redes sociais, baseadas na relação de interdependência entre os atores, já se configuram como um instrumento relevante para o compartilhamento de conhecimentos específicos e para a geração de novas soluções, atendendo às expectativas das organizações e da própria sociedade. Palavras-chave: difusão do conhecimento, inovação, redes sociais

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Blogs de ciência - divulgação científica e participação Vanessa Oliveira Fagundes IEL-Labjor-Unicamp vafagundes@yahoo.com Para o filósofo da ciência John Ziman, a ciência não existe sem a comunicação. "O princípio basilar da ciência acadêmica é que os resultados da pesquisa devem ser públicos. Qualquer coisa que os cientistas pensem ou digam como indivíduos, suas descobertas não podem ser consideradas como pertencentes ao conhecimento científico se não forem relatadas e gravadas de forma permanente. A instituição fundamental da ciência é, então, o sistema de comunicação" (ZIMAN, 1987). Resultados, dados e fatos experimentais devem ser acessíveis a todos para que uma teoria sobre fenômenos naturais seja considerada científica. “Seja por meio de epistolários ou conferências públicas, de livros ou revistas, de museus, coleções, tábuas anatômicas, seja, hoje em dia, por meio de listas de discussão e open archives, congressos, workshops e networks, a ciência, em cada uma de suas fases, sempre foi ligada a formas variadas de difusão, arquivamento, discussão da informação e do conhecimento” (CASTELFRANCHI, 2008). Hoje, a comunicação da ciência é condição e também agente que molda o próprio fazer científico. As transformações pelas quais passa a ciência provocam reflexos em sua comunicação. Os modelos de divulgação científica são o que melhor indicam essas mudanças. Eles dizem respeito a formas específicas de se entender a comunicação pública da ciência, seus desafios e objetivos, e as melhores formas para se alcançá-los. As abordagens diferenciam-se pela postura dos cientistas, pela participação popular, pela integração social e pela interatividade com os diferentes grupos. Como destaca BAUER (2009), não falamos aqui de progresso ou evolução, mas de uma multiplicação de discursos. Na década de 1970, por exemplo, a palavra de ordem era alfabetização científica. Apoiados em pesquisas que apontavam um baixo nível de conhecimento da população sobre ciências, a divulgação orientava-se para o fornecimento de informações a um público cientificamente iletrado. Nesse modelo do déficit, o público é considerado uma massa homogênea passiva, com buracos cognitivos e informativos que devem ser - 131 -


preenchidos. A comunicação é unidirecional, linear, de baixo para cima. Aqui, todos podem escutar e entender, mas poucos estão aptos a contribuir para o debate. Em outro momento, identifica-se maior preocupação com as atitudes das pessoas e com o contexto. LEWENSTEIN (2003) fala de um modelo contextual, em que as pessoas não são mais vistas como receptáculos vazios, e são influenciadas pelo ambiente e por experiências prévias. As críticas levantadas (como buscar mais a concordância que a compreensão) deram origem a outro modelo, o de expertise dos leigos. Ele prega que o conhecimento das comunidades é tão importante quando o conhecimento produzido em laboratórios. As atividades de comunicação devem ser pensadas reconhecendo – e não menosprezando – a expertise dessas pessoas. Ambos os autores concordam que atualmente vivemos um momento diferente, em que predomina um novo tipo de discurso: o do engajamento. Martin Bauer chama-o de Ciência na Sociedade (Science in Society); Bruce Lewenstein de Modelo de Participação. Esse modelo ganha força a partir dos anos 1990 e carrega slogans que já aparecem na produção científica. Ao invés de “transmitir”, “ensinar” e “disseminar” a ciência, defende-se o engajamento e o diálogo com a população. O público é visto como ativo e dotado de conhecimentos e opiniões legítimas. A proposta deste trabalho é analisar a divulgação científica dentro de um contexto de participação. Será que as práticas de hoje realmente envolvem e escutam o público, como prega o discurso vigente, ou ainda reproduzem o velho modelo em que os cientistas falam e o público, passivo, apenas ouve? Mais importante, quem são as pessoas autorizadas a falar/participar? O que isso significa para a retórica atual da ciência? Com isso em mente, escolhemos como objeto de estudo os blogs de ciência. Blogs são uma categoria de sítio da web com formato de publicação em textos curtos, freqüentes, organizados em cronologia decrescente, em geral acompanhados de espaço para comentários de leitores. Mais especificamente, serão observados neste trabalho os blogs que compõem o ScienceBlogs Brasil, versão nacional do maior condomínio de blogs de ciência do mundo. O SbBr nasceu em agosto de 2008 e, atualmente, conta com 34 blogs de ciência. Por ser uma ferramenta que privilegia a participação, seja por - 132 -


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meio de comentários dos leitores ou indicações dos textos preferidos, o objeto permite uma análise mais profunda sobre a dinâmica interna de uma comunidade voltada para a divulgação científica. Entre outros, serão observados aspectos como o espaço de discussão, a interação entre os blogueiros, as escolhas e os conflitos existentes, muitos deles herdados do próprio ambiente acadêmico. Para sustentar a discussão, usaremos conceitos como a teoria da dádiva de Marcel Mauss e de capital social de Pierre Bourdieu. Pretende-se, a partir da investigação teórica e empírica, analisar o uso dos blogs de ciência como instrumentos não só de divulgação científica, mas também de construção compartilhada de conhecimento e formação de novas esferas públicas de debate. Os dados a serem apresentados referem-se a uma revisão bibliográfica inicial e às primeiras impressões do acompanhamento do ScienceBlogs Brasil. BAUER, Martin W. (2009) The evolution of public understanding of science - discourse and comparative evidence. Science, technology and society, 14 (2). pp. 221-240. BUENO, W. Jornalismo Científico – revisitando o conceito. Em: VICTOR, C.; CALDAS, G.; BOTOLIERO, S. (orgs). Jornalismo Científico e Desenvolvimento Sustentável. São Paulo: All Print Editora, 2009, pp. 157178 CASTELFRANCHI, Juri. As serpentes e o bastão: tecnociência, neoliberalismo e inexorabilidade. Tese de doutorado. Campinas: 2008. KOUPER, I. Science blogs and public engagement with science: practices, challenges and opportunities. Jcom 09(01), 2010 A02. LEWENSTEIN, Bruce. Models of public communication of science and technology. Version: 16 June 2003. Disponível em http://www.dgdc. unam.mx/Assets/pdfs/sem_feb04.pdf . Acesso em agosto/2011. ZIMAN, J. An introduction to science studies: the philosophical and social aspects of science and technology. Cambridge: Univ. Press, 1984. Palavras-chave: blogs, divulgação, participação

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O uso de portais corporativos para a disseminação do conhecimento: a experiência do Portal GAIA/CTI Nanci Gardim Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer –CTI nanci.gardim@cti.gov.br Os portais corporativos vêm ampliando ao longo do tempo suas funções no âmbito institucional, englobando e apresentando os setores e produtos/serviços de uma organização, tanto para seus clientes quanto para seu público interno. Contudo, esta visão tem se mostrado muito limitada quando pensamos em portais corporativos voltados para a efetiva geração de conhecimento e promoção da inovação. O termo “corporativo” sugere, em sua essência, ações predominantemente direcionadas aos interesses de uma única instituição em si, a “dona” do portal. Contudo, o uso da visão tradicional para a implementação de um ambiente que visa potencializar ações inovadoras corrobora para a segmentação da informação e escassez de atividades cooperativas dentro do sistema de C&T&I nacional, onde a palavra-chave deve ser “integração” e “colaboração”. Com o avanço e consolidação da Web 2.0, a comunicação mediada por computador tem se expandido e se fortalecido no ambiente organizacional. Nesse contexto, o uso crescente das práticas de Gestão do Conhecimento (GC) tem proporcionado às instituições o desenvolvimento de diferentes tipos de portais corporativos e a aplicação de ferramentas que auxiliam nos processos de criação e compartilhamento de informações. Dentre os diferentes tipos de portais corporativos, os desenvolvidos com a finalidade de gerir conhecimento se destacam, assim como as ferramentas colaborativas que a eles são associadas. Neste contexto, os portais corporativos centrados na gestão conhecimento são sistemas de software que, por meio de plataforma de acesso unificada, têm por finalidade prover de forma simples, rápida e integrada o acesso às informações, estruturadas e não estruturadas; internas e externas às instituições. Seu uso pode ser ampliado de contexto dos controles empresariais para uma aplicação direcionada ao compartilhamento de conteúdos e integração entre os diversos atores relacionados à política científica e tecnológica. Os portais, por permitirem a integração com sistemas aplicati- 134 -


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vos para suporte às comunidades de profissionais que compartilham dos mesmos interesses, assim como o uso de ferramentas colaborativas, pode ser utilizado como um canal para a construção de conhecimentos essenciais ao desenvolvimento da inovação, reconhecimento entre os pares e estabelecimento de contato entre seus usuários. Partindo desta hipótese, o presente trabalho traz o relato da experiência da construção do Portal GAIA-CTI, que visa integrar não apenas dados, mas também diferentes atores responsáveis pela inovação no país; a saber, instituições de ensino/pesquisa (públicas e privadas), empresas, Governo e agentes multiplicadores diversos. O GAIA (Grupo de Apoio à Inovação e Aprendizagem em Sistemas Organizacionais) é um grupo multidisciplinar de pesquisas aplicadas, que integra geração de conhecimento com resultados práticos. Tem como foco a aprendizagem organizacional que dá sustentabilidade à inovação e ao desenvolvimento socioeconômico de empresas. Com base no CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer) — órgão do “Ministério da Ciência e Tecnologia”, localizado em Campinas-SP —, o GAIA é aberto à participação de instituições e profissionais de diferentes áreas. Será abordada a trajetória da construção do portal desde a concepção, partindo-se da escolha das funcionalidades, definição dos atores e públicos envolvidos, acompanhando e controle do desenvolvimento, com ênfase na gestão compartilhada de conteúdo. O objetivo é apontar quais são os principais conceitos que envolvem a temática sobre os portais corporativos e como estes podem auxiliar a disseminação do conhecimento no apoio à sustentabilidade organizacional, a partir do exemplo prático sobre as primeiras etapas do desenvolvimento de um portal corporativo voltado para a “gestão do conhecimento”, o portal GAIA-CTI. Palavras-chave: difusão do conhecimento; inovação; portais colaborativos

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O blog como meio de divulgação científica e cultural: um estudo sobre a rede ScienceBlogs™ Brasil Maria Clara Vieira Jacheta Rabelo IEL-Labjor-Unicamp mariaclaravj@gmail.com Este projeto de pesquisa concentra-se na importância do uso de novas mídias para o processo de divulgação científica e cultural. Nesse contexto, uma alternativa independente e promissora para tal empreita – seja pelo seu poder de disseminação ou pela sua facilidade de acesso – faz-se através da internet, principalmente, por meio do chamado blog: página pessoal ou de grupo, cuja veiculação e acesso são gratuitos. Nele são publicadas postagens periódicas, também conhecidas por “posts” (pequenos textos de redação própria, ou não). A partir dessa proposta inicial, escolheu-se como objeto de estudo a rede ScienceBlogs™ Brasil [http://scienceblogs.com.br/]. Considerada a “maior rede de blogs de Ciências do mundo”, iniciou suas atividades em janeiro de 2006; contando, em 2009, com mais de 70 blogs em inglês [http://scienceblogs.com/], além das redes alemã (25) [http://www.scienceblogs.de/] e brasileira (22). Esta última, nascida em 2008, conta atualmente com 40 blogs, enquanto sua irmã alemã possui 34 e a americana, 60. Diante do objetivo de “criar um espaço onde é possível discutir Ciência de forma aberta e inspiradora”, as redes da Alemanha e do Brasil “são uma forma de tornar vozes locais em vozes globais”. Internamente, o desafio brasileiro reside em “discutir e popularizar” a ciência, dispersando o pensamento científico pela sociedade dele afastada, concentrando-se na tríade “ciência, cultura e política”. Na realização deste trabalho, os blogs vinculados à rede brasileira serão acompanhados através de suas postagens, bem como dos comentários e citações que lhes sejam referentes. Nesse sentido, ferramentas de busca (ex.: Google) e de comunicação instantânea (ex.: Twitter) são essenciais no diagnóstico de seu poder de disseminação e formação de opinião. Considerando-se que o processo de divulgação científica e cultural não é de fácil realização, devem-se estabelecer alguns critérios es- 136 -


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senciais para o desenvolvimento e conclusão desta pesquisa. O primeiro refere-se aos termos que compõe a expressão em destaque que, por sua vez, abrigam conceitos complexos e de definições relativas. Já o segundo, reconhece a ação divulgadora como um mecanismo de disseminação desses saberes, cujo trabalho resulta em iniciativas popularizadoras, apesar de não resumir-se unicamente a esse fim. Seja pela definição de um público-alvo ou pela linguagem e meios utilizados para a disseminação das informações, “divulgar” não é uma tarefa simples. Por isso, diversos estudiosos dedicaram seus esforços a fim de esclarecer a comunidade científica e leiga acerca da importância da divulgação sob diferentes aspectos: pela interação entre a comunidade científica; pelo processo educativo; pelo avanço tecnológico; pela formação da opinião pública; pela mobilização social em torno de uma questão de interesse geral; ou pela necessidade de criação de políticas públicas a fim de atender a determinadas demandas. Entre as pessoas que desempenham a tarefa de “divulgadores da ciência”, na sociedade atual, estão os próprios cientistas e os profissionais jornalistas. Entre o primeiro grupo, a atividade divulgadora destina-se à legitimação de saberes entre os seus pares, oriunda da necessidade de “fazer-saber” a respeito de uma idéia, seu desenvolvimento, suas metodologias e técnicas, além de suas conclusões e resultados. Porém, o envolvimento do segundo grupo – os profissionais jornalistas – na divulgação científica, trouxe à área novos conceitos que passaram a interferir diretamente na seleção do conteúdo a ser divulgado, bem como no próprio processo de pesquisa e produção científica. Pois, a busca pelo “fazer-notícia” tem a tendência de transformar uma informação inicial em algo que seja de interesse ou apelo social. No caso desta pesquisa – que tem como objeto de estudo a rede ScienceBlogs™ Brasil – o papel dos “divulgadores” é desempenhado pelos blogueiros (os mantenedores dos blogs) que integram tal comunidade. Devido às suas sortidas formações e atuações profissionais, é importante ressaltar a necessidade de levantamento e análise do perfil individual de cada um deles, estabelecendo – numa etapa seguinte – relações com os conteúdos por eles priorizados, o tratamento dado às questões abordadas, o formato escolhido (blog, no caso do espaço; e post ou postagem, para o caso dos textos ou mensagens) e a recepção por parte do leitor. - 137 -


Nesse sentido, também se faz necessária uma avaliação do processo de comunicação entre os blogueiros estudados e seus receptores, a fim de diagnosticar tal capacidade – inerente à sociedade atual – de interferência na produção do conhecimento científico, fato que é revelado durante a circulação deste saber. Essas etapas são imprescindíveis para a realização deste trabalho, pois permitirão que se compreenda a dimensão da representatividade que o blog – uma ferramenta eletrônica que, a princípio era utilizada essencialmente como uma espécie de “diário virtual” – agregou enquanto mídia voltada para a divulgação científica e cultural. A conclusão desta pesquisa se efetivará com a redação da dissertação de Mestrado. Nela serão expostos os princípios teóricos orientadores e as ideias desenvolvidas que nortearam o trabalho analítico; além dos critérios e métodos escolhidos para a avaliação dos blogs em questão. Palavras-chave: divulgação científica e cultura, novas mídias e ScienceBlogs™ Brasil.

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Newsgames: uma nova linguagem para a divulgação da ciência Daniela Camila de Araújo IEL-Labjor-Unicamp daniela.camila.araujo@gmail.com Orientador: Marko Monteiro A divulgação científica, assim como outros campos ligados às atividades comunicativas, vivencia um cenário em que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) abriram espaço para novas formas de produção e distribuição de conteúdos. A multimidialidade e a convergência são alguns dos recursos mais frequentemente utilizados. O apelo para as novas tecnologias vem também do público, que cada vez mais habituado aos ambientes virtuais, exige conteúdos mais dinâmicos e atualizados. A participação e colaboração do leitor têm sido evidenciadas, desenvolvendo assim não um novo modelo, mas uma configuração para a comunicação de forma mais realista, deslocando o leitor de um lugar apático na relação. O objeto de estudo da pesquisa são jogos digitais, disponíveis online, com conteúdo relacionado a temas abordados pelo jornalismo e que são nomeados como newsgames. A pesquisa constitui-se num estudo de cunho etnográfico que busca interpretar a interação dos usuários com os jogos citados. Analisaremos o jogo CSI – Ciência contra o crime http://super.abril.com.br/jogos/crime/index.shtml, primeira experiência da revista Superinteressante na produção de newsgames. O jogo narra um assassinato fictício e o jogador deve descobrir pistas que solucionem o crime. Dessa forma, o newsgame procura demonstrar alguns passos de uma investigação criminal e exemplificar de que maneira os recursos da ciência forense contribuem para a solução destes casos. A partir da observação do comportamento dos voluntários enquanto se envolvem com o jogo procuraremos avaliar a interação entre a mídia e os sujeitos e interpretar as peculiaridades desta relação, que podem ou não favorecer a compreensão do conteúdo proposto no newsgame. De forma geral, entende-se que os newsgames, assim como outros jogos digitais, abrem a possibilidade de conciliar conteúdos sérios em uma plataforma destinada primeiramente ao entretenimento. Para a construção deste cenário que une ao mesmo tempo lazer e informação e procura fazer o leitor “viver a experiência”, dois aspectos do meio digital - 139 -


são fundamentais no processo: a imersão e a interatividade. A imersão consiste na sensação de transporte para um ambiente simulado, como se fizéssemos parte dele, sem, contudo, perder o sentido da realidade habitual (HUIZINGA, 2005; MURRAY, 2003). Na interatividade o leitor exerce participação ativa, reapropriando e recombinando a mensagem (LÉVY, 2000). Ao mesmo tempo, pressupõe-se que haja interação mútua entre emissor e receptor, de forma que o leitor receba um feedback para as ações que executar (PRIMO, 2000). Ao utilizar estes dois recursos, o jogo possibilita um reposicionamento do leitor, que migra de uma posição na qual recebia a informação pronta para um sujeito que atua sobre o conteúdo que está acessando, em algumas vezes assumindo um papel ou uma personagem de detetive, cientista etc. Da mesma forma que na leitura de hipertextos, o leitor assume aqui a condição de coautor. Os newsgames inovam frente às notícias, e também sobre os infográficos, ao permitir que o leitor não só visualize os dados, mas exerça de alguma forma influência sobre o conteúdo. Da mesma forma, as discussões mais atuais relacionadas à comunicação da ciência promovem um reposicionamento do público, dos próprios cientistas e dos jornalistas e demais divulgadores da ciência. Em ambos os casos, o debate leva a pensar em formatos mais interativos e participativos de comunicação e construção do conhecimento. O projeto relaciona as questões relativas à comunicação científica com o desenvolvimento das novas mídias de divulgação, procurando pensar a utilização destes novos meios como forma de dinamizar a disseminação de conteúdos a partir da construção de uma linguagem própria da divulgação da ciência na era digital. HUIZINGA, Johan. Homo Ludens. O jogo como elemento da cultura. 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. MURRAY, Janet. H. Hamlet no holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço. São Paulo: Itaú Cultural; Unesp, 2003. PRIMO, Alex Teixeira. Interação mútua e reativa: uma proposta de estudo. Revista da Famecos, n. 12, p. 81-92, jun. 2000. Disponível em: <http://www6. ufrgs.br/limc/PDFs/int_mutua_reativa.pdf>. Acesso em: 20 maio 2010. Palavras-chave: newsgames, divulgação científica, novas mídias - 140 -


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Alcscens e as redes sociais: divulgação científica e as mudanças climáticas globais Marcos Rogério Pereira IEL-Labjor-Unicamp marcosrp@gmail.com O objetivo desse projeto é produzir, compreender e avaliar a utilização de redes sociais como plataformas de divulgação científica do projeto Alscens - Geração de Cenários de Produção de Álcool como Apoio para a Formulação de Políticas Públicas Aplicadas à Adaptação do Setor Sucroalcooleiro Nacional às Mudanças Climáticas. Este pré-projeto tem como foco a divulgação das atividades desenvolvidas pelo grupo de pesquisas em mudanças climáticas AlcScens da Unicamp, integrante do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, nas redes e mídias sociais. O AlcScens é constituído de 10 núcleos temáticos de pesquisadores que estudam a adaptação do sistema agrícola brasileiro, em especial a produção da cana-de-açúcar, às mudanças climáticas em curso no planeta. O projeto consiste na criação, compreensão e análise do conteúdo divulgado e vinculado nas redes sociais. Ao final do projeto pretende-se verificar o aumento da eficiência da divulgação científica e o papel das redes sociais quanto à propagação das informações e conhecimento gerados pelo projeto Alcscens. Palavras-chave: divulgação científica, redes sociais, novas mídias de divulgação

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Tempo e espaço: a relação técnica/mídia/contemporâneo Maria Joana Brito da Silva Montes UFABC joanabsmontes@hotmail.com Às vezes, o homem utiliza-se da técnica para praticar medidas que despersonalizam o ser humano, transformando-o em coisa, com objetivo de trazer a eficiência e a ordem. Neste pensar, constroem-se máquinas sem analisar as possíveis consequências para o mundo. Trata-se do mercado assumindo lugar de destaque no contemporâneo. As representações invisíveis precisam ser apresentadas ao mundo. Pressupõe-se que o sujeito seja integrado a uma nova forma de ver as cenas contemporâneas, de maneira a organizar novas combinações de tempo e espaço na atualidade. Ao desconstruir os discursos, reconstrói-se um pensar novo e reflexivo. É necessário repensar para ter um espaço de socialização. Portanto, surge a ideia de redescobrir o ambiente midiático através das ferramentas da web, em um processo de trocas culturais através do You Tube. Percebe-se, assim, que o tamanho do mundo não depende apenas de sua extensão em si, mas das diversas “tecno/logias” que são criadas a cada instante e, através delas, diminuem-se as distâncias entre as diversas partes do Planeta. Tenta-se nesta pesquisa, pensar o tempo e o espaço contemporâneo midiático e colocá-lo como elo de suma importância. Neste contexto, a educação possui o compromisso de preparar o sujeito tecnológico, para vivências mais humanas. Pretende-se, com este trabalho, analisar a fragmentação social do sujeito diante da influência técnica proporcionada, sobretudo pela globalização e, consequentemente, pela fusão de tempo e espaço. Após este estudo, pretende-se sistematizar como os profissionais da área da educação poderão utilizar o You Tube e estabelecer técnicas, a partir das mídias e novas tecnologias, a fim de proporcionar o desenvolvimento cognitivo do aluno. Palavras-chave: técnica, mídia, contemporâneo

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A comunidade escolar caminhou do lápis ao teclado virtual: quais foram e quais são os desafios do Canal Ciência? Márcia Rocha da Silva, Joelma Fernanda Carneiro Silva e Otávio Borges Maia Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MTCI) mar_sea@ibict.br Com esta comunicação, visamos relatar, neste encontro de divulgação da ciência e cultura, algumas das experiências práticas bem sucedidas e/ou lições aprendidas, que o CanalCiência tem vivenciado junto à sociedade brasileira, desde 2004. “CanalCiência!? Que canal que é, professora?” Essa, durante alguns anos, foi uma pergunta trivial - de ser ouvir na comunidade escolar, quando o CanalCiência passou a ampliar o seu universo de usuários e atuação, realizando atividades presenciais. Tais atividades, de divulgação e popularização da ciência, consoante com o frutífero cenário da informação no país, atrelaram a competência em informação (ou alfabetização informacional), direcionada ao uso crítico-reflexivo da informação em ciência e tecnologia, que se encontra no meio virtual. O CanalCiência é um serviço de divulgação científica do Ibict/ MCTI (umas das unidades de pesquisas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), considerado um dos portais nacionais pioneiro em fazer, na Internet, a ponte entre ciência e tecnologia e a sociedade. Sua base de dados, além de divulgar resultados de pesquisas brasileiras em linguagem não especializada, busca disponibilizar produtos e serviços virtuais de informação em educação e divulgação científicas, realizados por instituições acadêmicas, centros de ensino e pesquisa e organizações da sociedade civil. O Portal é fruto de um momento em que no Brasil se discutia, de forma real e positiva, a construção de uma sociedade da informação mais justa, a educação para além dos muros da Escola, o papel da ciência, da tecnologia e da inovação nesse contexto, bem como as políticas públicas que passaram a focar suas ações no acesso de todo cidadão à informação pública e às novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Um passado não muito distante mostra como foi desafiadora a tarefa que vários cientistas, pesquisadores, educadores e comunicadores de ciência - 143 -


exerceram ao levantarem a bandeira em prol da extrapolação do conhecimento científico para além do seu círculo fechado, a fim de alcançar novos espaços sociais. No presente, é notável o uso de variadas mídias favorecendo a inclusão daquelas camadas sociais que, atualmente, experimentam dificuldades de acesso à informação de qualidade, sendo crescente a popularização de mídias ricas, como áudio e vídeo, para difusão do conhecimento científico, tecnológico e inovador. Ao partilhar e socializar ações que foram ou estão sendo desenvolvidas pelo CanalCiência, destacamos o sucesso do atendimento presencial a 5mil pessoas, de 2004 a 2011, em atividades de cunho informacional, educativo e interativo, por meio de oficinas pedagógicas, palestras, teatros científicos e contação de histórias, que reuniram educadores e estudantes de cidades como Rio de Janeiro, Petrópolis, Duque de Caxias, Paracambi e Quissamã (RJ), Natal (RN), Goiânia (GO) e Brasília (DF). Sublinhamos escolas de áreas rurais ou isoladas como a do Programa de Assentamento Dirigido (PAD/DF), e as da cidade de Nova Soure (BA), com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde há várias comunidades rurais carentes concentradas. Nessa última, as oficinas foram realizadas por três anos consecutivos, em parceria com a Biblioteca Comunitária Maria das Neves Prado, considerada a maior biblioteca rural do mundo, localizada no povoado de São José do Paiaiá. Vale destacar, ainda, que as ações educativas do CanalCiência nasceram de um processo natural, decorrente da revolução digital e da popularização da Internet nas Escolas, uma vez que professores, constantemente, queixavam-se à equipe do Portal de que seus alunos não sabiam buscar informação no meio virtual e usavam livremente a técnica do copia e cola, fazendo mau uso das informações eletrônicas. Assim, as oficinas e palestras de divulgação científica trataram de atender aos educadores, que se mostravam inseguros diante dos rápidos avanços das TICs, principalmente com a questão da ética na busca e na utilização de informações disponíveis na Internet. No mundo contemporâneo, é sabido que os avanços tecnológicos possibilitaram incorporar recursos cada vez mais modernos e sofisticados nas áreas da informação, da comunicação e da educação. Coube à Escola encarregar-se pelo desenvolvimento das competências e habilidades - 144 -


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necessárias para a transformação dos indivíduos em cidadãos ativos na sociedade. Por isso, a Internet é reconhecida como um dos instrumentos básicos de acesso à informação, e considerada uma espécie de “pedra fundamental” da Sociedade da Informação e do Conhecimento. Muitos ainda são os desafios do CanalCiência. Um deles, vencido em 2011, com o lançamento do Portal redesenhado, para ser mais dinâmico e permitir boa usabilidade, visualização e navegabilidade pelos usuários. Algumas melhorias ainda serão concretizadas, e seções em construção ou em fase de testes concluídas. Com base em diagnóstico realizado junto a usuários (pesquisadores, professores, estudantes, jornalistas), estudamos implementar novos itens de informação e pontos de acesso ao Portal. Buscando responder aos desafios da sociedade globalizada e melhor contribuir para inclusão informacional e social, combatendo o analfabetismo científico, tecnológico e digital, o CanalCiência tem como próximos passos, para o prosseguimento de suas ações presenciais, expandir as oficinas pelo Brasil, produzir materiais informativos, como vocabulários, jogos e livretos informacionais, na perspectiva da divulgação científica. Em 2012, algumas ações encontram-se em curso como a edição revisada da publicação “CanalCiência: guia informacional para professores”, nos formatos impresso e digital, bem como revisão e atualização da base Notáveis da C&T. No âmbito das ações virtuais, além da ampliação da base dos textos de pesquisas científicas, avalia-se a inclusão de mídias ricas na divulgação do conteúdo do Portal para aumentar sua difusão, sobretudo de mídias que possam enriquecer e melhor ilustrar a divulgação das pesquisas. Referências CANALCIÊNCIA (portal). Brasília: Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Disponível em: http://www.canalciencia.ibict. br. Acesso em: 17 fev. 2012. CANALCIÊNCIA: guia informacional para professores. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia (Ibict), 2008. 31p. Disponível em: http://ibict.phlnet.com.br/anexos/CanalCienciaGuiaProfessores.pdf . Acesso em: 17 fev.2012. - 145 -


HATSCHBACH , Maria Helena de Lima. Information literacy: aspectos conceituais e iniciativas em ambiente digital. 2002. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)- CNPq/IBICT-ECO/UFRJ, Rio de Janeiro, 2002. Orientador: Gilda Olinto. NORUZI, Alireza. Science popularization through open access. Webology, v.5, n.1, March 2008. Disponível em: http://www.webology.org/2008/ v5n1/editorial15.html . Acesso em: 17 fev. 2012. PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro, SILVA, Márcia Rocha da, SOUZA, Sonia Burnier, BARROS, Flávia Rubenia da Silva e GUERRA, Cláudia Bucceroni. Experiência inovadora do CanalCiência; instrumento pedagógico para aproximar ciência e sociedade, conhecimento e informação. DataGramaZero, v.10. n.9, out 2009. Disponível em: http://www.datagramazero.org.br/out09/Art_02.htm . Acesso em: 17 fev. 2012. SILVA, Márcia Rocha da; PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro. Análise de metrias para dimensionar o acesso, o uso e a repercussão do portal de divulgação científica CanalCiência. In: IX CONGRESSO BRASILEIRO DE JORNALISMO CIENTIFICO. São Paulo, novembro de 2007: Disponível em http://ibict.phlnet.com.br/anexos/silvamarcia2008.pdf Acesso em: 17 fev. 2012. SILVA, Márcia Rocha da; PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro. A popularização da ciência e as tecnologias da informação e comunicação no diálogo com a educação. IN: XII REUNIÃO BIENAL DA RED-POP: a profissionalização do trabalho de divulgação científica (Caderno de Resumos). Campinas (SP) : Universidade Estadual de Campinas, 2011. p 276-7. ISBN: 978-85-64376-00-7. Disponível em: http://www.mc.unicamp.br/ redpop2011/trabalhos/429.pdf . Acesso em: 17 fev. 2012. WAISELFISZ, Júlio Jacobo. Lápis, borracha e teclado: tecnologia da informação na educação = Lápiz, goma y teclado: tecnología de la información en la educación . Brasília: RITLA; Instituto Sangari; MEC, 2007. 108p. Palavras-chaves: CanalCiência, Internet, Divulgação e Educação Científicas

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Divulgação científica e Análise do Discurso

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Comunicação Comunitária no Bairro Eldorado dos Carajás: Processos de Construção Discursiva e Ideológica Andrea Klaczko (IEL-Labjor-Unicamp) klaczko@gmail.com Inserida no Projeto Barracão: Eldorado dos Carajás, desenvolvido pelo Laboratório de Estudos Urbanos (LABEURB/NUDECRI – UNICAMP), esta pesquisa se propõe a refletir sobre o funcionamento dos processos de produção discursiva e ideológica nas mídias comunitárias. Para isso, desenvolveremos atividades através de oficinas, junto aos adolescentes do Eldorado dos Carajás, bairro da periferia de Campinas, a fim de produzirmos um boletim de notícias impresso e um blog virtual. O material produzido nessas oficinas, bem com todo o processo de elaboração e desenvolvimento das mesmas, constituirão nosso objeto de análise do discurso, dos efeitos sócio-históricos e político do trabalho com as mídias comunitárias. Palavras-chave: análise do discurso, comunicação comunitária, projeto Barracão: Eldorado dos Carajás

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Graus de popularização da ciência na mídia Janaína Pimenta Lemos Becker (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS) jplbecker@gmail.com Este trabalho considera a popularização da ciência um amplo e complexo processo de comunicação dos conhecimentos provenientes da ciência à sociedade em geral (Hilgartner, 1990; Cornelis, 1998; Myers, 2003; Calsamiglia, van Dijk, 2004). Uma das instâncias responsáveis pela popularização da ciência é a mídia, que informa aos cidadãos os acontecimentos do mundo, o que possibilita a formação da opinião pública. Na mídia impressa, a popularização da ciência ocorre em revistas científicas, como, por exemplo, Ciência Hoje e Scientific American. Além disso, grandes mídias de informação, como jornais e revistas de grande circulação, podem proceder à popularização da ciência. Esta pesquisa assume a existência de graus de popularização da ciência decorrentes dos componentes das situações de comunicação e responsáveis por diferenças na materialidade linguística dos textos. Na lacuna dos estudos que postulam a gradação do processo de comunicação pública da ciência, este trabalho examina aspectos linguísticos e discursivos que indiciam a existência de graus de popularização da ciência na mídia. Assim, procura defender a tese de que há categorias linguístico-discursivas que possibilitam descrever graus de popularização da ciência na mídia, dentre as quais se elegem a referenciação, o discurso relatado e o emprego do léxico especializado. O texto é, nesta pesquisa, considerado uma expressão material do ato de comunicação, que ocorre em uma situação de comunicação específica e que é realizado por sujeitos que possuem determinadas finalidades. Essa concepção justifica a escolha da Teoria Semiolinguística do Discurso como esteio teórico a partir do qual serão considerados os elementos constitutivos da situação de comunicação em que se inserem os textos de popularização da ciência. Este trabalho apresenta resultados parciais de uma tese de doutorado atualmente em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Palavras-chave: popularização da ciência na mídia. graus. categorias linguístico-discursivas - 150 -


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A física nas revistas Ciência Hoje e Pesquisa Fapesp: leituras de licenciandos Ricardo Henrique Almeida Dias (FE-Unicamp) rhad@mail.com Este estudo teve por objetivo compreender interpretações de um grupo de estudantes do curso de licenciatura em física ao lerem textos de divulgação científica sobre física publicados nas revistas Ciência Hoje e Pesquisa Fapesp, bem como compreender aspectos do imaginário desses estudantes sobre a possibilidade de leitura desses textos por alunos do ensino médio. Para analisar as interpretações dos licenciandos, baseamo-nos em noções da análise de discurso, na vertente originada por Michel Pêcheux. Consideramos as condições de produção e a historicidade na produção da leitura e as categorias de repetição: empírica, formal e histórica, como explicitadas por Eni Orlandi. Nas análises também nos apoiamos em especificidades do campo jornalístico e do jornalismo científico, levantando algumas características dos textos propostos para leitura, com base em autores das áreas de comunicação e jornalismo, como, por exemplo, recursos linguísticos, aspectos textuais e critérios de noticiabilidade, com o objetivo de melhor compreendermos como esses estudantes construíram sentidos para os textos selecionados. Os textos foram propostos aos estudantes para leitura em uma aula de disciplina proposta em currículo para o primeiro semestre do curso. Pudemos notar como características do discurso jornalístico proporcionaram condições para o estabelecimento de sentidos pelos licenciandos e como essas condições contribuíram para que os estudantes manifestassem os três tipos de repetição, o que nos evidenciou a multiplicidade de modos como os licenciandos desta pesquisa leram. Quanto à possibilidade de utilizarem tais revistas no ensino médio, pudemos notar controvérsias nos seus posicionamentos, pois para alguns os textos de divulgação poderiam ser utilizados para a abordagem de outros aspectos da física distintos dos conteúdos normalmente contemplados no ensino médio, mas para outros os textos não poderiam ser utilizados, pois abordam tópicos que não fazem parte do vestibular ou porque não estão inclusos nos conteúdos usualmente estudados nesse nível de ensino. Palavras-chave: jornalismo científico; leitura; análise de discurso - 151 -


A construção de objetos-de-discurso em textos de divulgação científica midiática para crianças Marcos Filipe Zandonai (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS) marcosfilipe.zandonai93@gmail.com Este trabalho vincula-se ao projeto de pesquisa “Divulgação Científica: Estratégias Retóricas e Organização Textual” (DCEROT) orientado pela Profª. Drª. Maria Eduarda Giering. O projeto objetiva estudar as peculiaridades linguistico-discursivas de gêneros de divulgação científica midiática (doravante DCM) dirigidos ao público infantil. Para o presente subprojeto, investiga-se o processo de construção de objetos-de-discurso (KOCH, 2003; 2006; 2008b) – principalmente hipônimos e hiperônimos mediante suas diferentes formas de inserção nos textos de DCM que compõem o corpus. Muitos estudos já foram e continuam sendo desenvolvidos a partir da concepção de referenciação discursiva (CAVALCANTE, 2003; KOCH, 2003; 2006; 2008b; MONDADA, 2002), mas há uma lacuna quanto à concretização de tais preocupações descritivas, teóricas e analíticas aplicadas ao campo da DCM para crianças. O trabalho aqui proposto debruça-se sobre esse campo, ao propor a identificação e a descrição do funcionamento textual-discursivo de objetos-de-discurso presentes nos textos do corpus, cuja existência é marcada pelas restrições do contrato de comunicação midiático (Charaudeau, 2008b), como, por exemplo, as visadas de captação e informação. Por meio da análise da referenciação, busca-se compreender as operações sociocognitivas que estão envolvidas na escolha estratégica de anáforas que partem de expressões comuns e desembocam em termos científicos. Essas anáforas são concebidas, numa perspectiva discursiva, como recursos por meio dos quais o enunciador elabora uma adaptação do conteúdo científico, transformando os sistemas de enunciação da academia em esquemas inteligíveis para o público infantil. Investigam-se, então, as estratégias de captação, inseparáveis das proposições informativas e explicativas, que se instauram no texto em consonância com as expectativas do destinatário e dos requerimentos do contexto de comunicação. Partindo do pressuposto de que, normalmente, a relação de hiponímia mantém-se envolvida nesse processo, objetiva-se explorar os modos de construção de seus objetos. O corpus é constituído - 152 -


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de 75 textos de DCM publicados em versão impressa na Revista Ciência Hoje das Crianças entre o período de novembro de 2008 e julho de 2010. Foram selecionados os textos que tinham como fim discursivo explicar algum fenômeno científico ou informar uma descoberta científica e, posteriormente, esses textos foram segmentados e analisados quanto à referenciação. Para o subprojeto de pesquisa foram escolhidos os textos (artigos e reportagens) que apresentam relação de hiponímia. Esse enfoque do corpus permite explorar especificamente as contribuições da hiponímia nos sentidos que produz em prol de determinadas finalidades e expectativas dos sujeitos do discurso. As escolhas anafóricas são analisadas a partir de seus indícios estruturais (micro e macro) enquanto remetentes às condições e finalidades das cenas enunciativas, sustentadas por uma relação de colaboratividade (Mondada & Dubois, 2003) que faz com que a materialidade textual seja resultado de uma co-construção discursiva. Os resultados parciais da pesquisa mostram que o uso da hiponímia é fundamental na manutenção da tensão entre o informar e o captar - principalmente no início dos textos – e nas operações sociocognitivas que particularizam os sentidos expressos pelas anáforas. Essas operações revelam-se indicativas do uso de pré-construídos culturais, de estereótipos e de elementos próprios do senso comum como uma forma de capturar o interesse do leitor infantil e garantir sua compreensão dos conteúdos científicos na totalidade dos textos. Além disso, os resultados mostram que as anáforas sustentam uma relação com os diferentes estados de recepção do destinatário, correspondentes às cenas enunciativas que se desenrolam ao longo da progressão textual-referencial, observáveis nas distintas formas de tratamento do tema nas asserções do texto. CAVALCANTE, Mônica Magalhães; RODRIGUES, Bernadete Biasi; CIULLA, Alena (Org.). Referenciação. São Paulo: Contexto, 2003. CHARAUDEAU, Patrick (org). Du discours de vulgarisation au discous de médiatisation scientifique. La médiatisation de la science. Bruxelles,Éditions De Boeck, 2008b. ______. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2009. - 153 -


KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Desvendando os segredos do texto. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2003. _____. Léxico e progressão referencial. In: RIO-TORTO, Graça; SILVA, Fátima; FIGUEIREDO, Olívia (Orgs.). Estudos em homenagem ao Professor Doutor Mário Vilela. 1.ed. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2006. p. 263 – 276. _____. Como se constroem e reconstroem os objetos do discurso. Investigações (Recife), v. 21, p. 99-114, 2008b. MONDADA, Lorenza. Construction des objets de discours et categorisation: une approche des processus de référenciation. Tradução de Mônica Magalhães Cavalcante. Revista de Letras (Fortaleza), Fortaleza, v. 1/2, n. 24, p. 118-130, 2003. Palavras-chave: divulgação científica midiática; objetos-de-discurso; explicação

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A produção de sentidos no Barracão: discurso, inclusão e subjetivação Vinicius Wagner Oliveira Santos (IEL-Labjor e DPCT/IG- Unicamp) viniciusgnu@gmail.com Este trabalho visa compreender o modo de funcionamento do discurso da Inclusão Digital no “Projeto Barracão: Eldorado dos Carajás”, projeto de extensão na linha de Arte e Cultura, com vistas ao social, aprovado em edital pelo Ministério da Educação e executado pelo Laboratório de Estudos Urbanos da Universidade Estadual de Campinas. O projeto é desenvolvido na região do Ouro Verde, na cidade de Campinas. Lá está localizado o Núcleo Eldorado dos Carajás, uma comunidade que iniciou como um assentamento e hoje se configura como um bairro. Minha pesquisa teve as atividades do projeto Barracão como objeto de análise. Partimos da perspectiva teórica da Análise de Discurso de linha francesa, tendo como base teórica fundamental os conceitos e reflexões de Michel Pêcheux e Eni Orlandi. Outros autores ainda colaboraram com nosso quadro teórico, dentre os quais destaco Félix Guattari e suas reflexões sobre a subjetividade; e Michel Foucault com suas reflexões acerca do saber, do poder e da política. A partir de uma análise das atividades do projeto, buscamos compreender o modo de funcionamento do discurso de Inclusão Digital no processo de subjetivação dos sujeitos e individualização dos mesmos pelo Estado. Desenvolvemos tal questão a partir das seguintes perguntas: como o discurso da Inclusão Digital produz sentido no Barracão? De que forma(s) esse processo funciona na subjetivação dos sujeitos e na individualização dos mesmos pelo Estado, tendo em vista sua natureza contraditória constitutiva? Embasados por conceitos da Análise de Discurso como o de “equívoco”, “contradição” e “coisas-a-saber”, demos foco aos enunciados/dizeres produzidos durante as oficinas, principalmente durante as oficinas de informática que ocorreram em novembro de 2011, além dos questionários que foram utilizados nas mesmas. Pretendemos, com este trabalho, sustentar a posição de que o discurso da inclusão é essencialmente contraditório, na medida em que ele próprio produz os sentidos da “exclusão”. Palavras-chave: inclusão digital; subjetivação; análise do discurso. - 155 -


Análise das cartas do leitor de duas revistar de divulgação científica Izabella Campos Ocáriz (IEL-Labjor-Unicamp) iza.ocariz@gmail.com Este trabalho pretende mostrar os resultados preliminares da dissertação de mestrado, vinculada ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LABJOR) e ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), que objetiva analisar a sessão de “Cartas do Leitor” das revistas Minas Faz Ciência e Pesquisa Fapesp, no período de 15 meses, a contar de dezembro de 2010. A revista Minas Faz Ciência é um periódico jornalístico, trimestral, de divulgação científica, vinculado a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), com distribuição conforme cadastro de leitores. Ela está em circulação desde o ano 2000. Pertencente à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a revista Pesquisa Fapesp também é veículo jornalístico de divulgação da ciência. Ela está ativa desde 1995, é mensal e distribuída para pesquisadores bolsistas da FAPESP, assinantes e pode ser comprada em bancas de jornais. A razão para este estudo é verificar, como as publicações das fundações de amparo à pesquisa de Minas Gerais e de São Paulo lidam com o leitor (leitor é especializado) e vice-versa, qual é essa relação, considerando que se tratam de impressos especializados, voltados para público específico. Objetiva-se também destacar possíveis intenções tanto do emissor quanto do receptor. As revistas Minas Faz Ciência e Pesquisa Fapesp foram escolhidas como objeto da pesquisa, porque são revistas reconhecidas no meio acadêmico, são produtos de entidades sérias e voltadas para um mesmo público-alvo. A pesquisa é importante para levantar discussões em torno da função do espaço “Carta do Leitor” e seu potencial em uma revista especializada que lida com público de alto nível intelectual e argumentação apurada. Para a análise estão sendo usadas as teorias do jornalismo e a análise de discurso, levantamento de dados numéricos e recursos gráficos, como o mosaico de palavras, para mensurar a incidência de certos termos nas Cartas dos Leitores. A partir da Análise de Discurso e levantamento de dados. Entre a bibliografia utilizada para auxílio na pesquisa estão os au- 156 -


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tores Eni Orlandi Pucinelli, Eduardo Junqueira Guimarães e Sandra Regina Cecilio. De acordo com Bazerman (2006) o gênero discursivo carta surgiu como uma forma de suprir a falta de comunicação à distância e está ligada às relações sociais. O modelo de carta fragmentou-se e cada um desses fragmentos foi destinado para um fim específico. Um dos modelos de carta é a “carta do leitor”. Dolz e Schneuly (2004) propuseram um agrupamento de gêneros, no qual sugerem que a “carta do leitor” se enquadra na ordem do argumentar de assuntos e temas controversos dentro da comunicação. Nos mais diversos veículos de comunicação a “Carta do Leitor” é um espaço destinado aos leitores de uma determinada publicação para que o público possa opinar, sugerir, reclamar, debater, elogiar, refletir, tirar dúvidas, entre outras coisas. A “Carta do Leitor” se propõe ser um meio de contato do leitor com o veículo, no entanto, algumas barreiras são colocadas nessa relação. Geralmente os jornais, revistas e sites que possuem esse espaço, limitam a quantidade de textos que serão publicados, assim como sua extensão e, implicitamente, seu conteúdo. Aqui tentamos verificar como se dá esse processo e quais os interesses envolvidos. Palavras-chave: carta do leitor; revista de divulgação científica, análise de discurso

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Imagem que divaga, identidade que se divulga: olhares sobre o sujeito cidade-campo Marcelo de Albuquerque Vaz Pupo (IEL-Labjor-Unicamp) celo@riseup.net Em sua tese de doutorado João Francisco Duarte Jr. (2000) argumenta que se há uma crise nos dias de hoje, esta pode ser abordada como sendo uma crise da modernidade, notadamente de um certo modo de conhecer (e de se relacionar com) o mundo, característico dos tempos modernos. Esta compreensão embasa, conceitualmente, a Agroecologia, como deixa claro o pesquisador da Embrapa João Carlos Costa Gomes (2004) ao afirmar que o paradigma vigente é o maior responsável pela crise em que a humanidade encontra-se mergulhada, e que este mesmo paradigma gera uma "crise de percepção" que impõe obstáculos ao entendimento da relação direta entre a falência deste paradigma e as evidências da crise contemporânea, impedindo uma ruptura paradigmática. Quando os estados nacionais adotaram a agricultura industrial como modelo de desenvolvimento rural, o mundo passou a testemunhar grandes impactos socioambientais que vem alterando significativamente a geopolítica de países e continentes. No livro História das agriculturas no mundo Marcel Mazoyer (2001) traça uma genealogia dos sistemas que hoje são a herança agrária da humanidade, e a partir daí analisa a correlação entre a crise agrária e a crise geral. Essa linha argumentativa nos faz concluir que pensar e debater as atuais expressões agriculturais são tarefas relevantes na busca pela superação da crise contemporânea. Mas esta proposta deve estar atenta à articulação ético-política que Félix Guattari (1990) chama de "ecosofia". Segundo este autor, apenas uma articulação ente os três registros ecológicos (o do meio ambiente, o das relações sociais e o da subjetividade humana) é capaz de esclarecer a crise contemporânea no conjunto de suas implicações. O pesquisador Paulo Petersen (2009) apresenta alguns estudos que nos ajuda a evitar interpretações empobrecedoras e enfoques maniqueistas da atual realidade do mundo rural e de seu processo histórico. A noção de recampesinização apresentada por ele indica caminhos para a superação da crise, analisando a agricultura familiar em suas "matizes de campesinidade". Seu trabalho vem demonstrando que os territórios de agricultura familiar se desenvolvem e este avanço vem sendo documenta- 158 -


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do em várias regiões do país, onde diversos projetos de desenvolvimento local ganham impulso pela protagonismo de agricultores e agricultoras e suas organizações. As transformações implicadas por estas experiências conferem segurança e soberania alimentar às regiões que estão inseridas, e se opõem frontalmente à triste realidade denunciada por Robert Kurz (1998) em seu artigo "Fome em abundância", onde ele expõe a estratégia das grandes corporações e os absurdos cometidos pela indústria alimentícia em nome do lucro. A distinta racionalidade da agricultura familiar aponta para a recomposição do tecido social e tende a harmonizar as tensões campo-cidade. Neste sentido, o pensamento de Boaventura de Sousa Santos (2002) se faz importante diante da invisibilidade que envolve as ações transformadoras dos sujeitos do campo. Santos propõe "expandir o presente" para valorizar a experiência social que está em curso no mundo de hoje, evitando assim seu desperdício. O objetivo desta "ampliação do mundo" é transformar as ausências - que são produzidas como tal – em presenças. Milton José Almeida (1999) nos mostra que filmes e programas de televisão nos deixam ver e entrever mensagens existenciais. As imagens são também mensagens. Neste sentido, não é difícil relacionar os conteúdos das mídias imagéticas com o "catecismo de consumo", que sacraliza o mercado e ao mesmo tempo condena os movimentos sociais do campo, favorecendo a impunidade daqueles que reagem com violência e crueldade diante do trabalho dos atores que defendem o meio ambiente e a equidade na distribuição da terra, como demonstra o "Manifesto Contra a Violência e a Morte no Campo Brasileiro" (2011) escrito por conta do assassinato de vários ativistas em maio de 2011. Milton José Almeida (1999) também nos ensina que o conhecimento visual cotidiano participa da educação da memória num processo cuja configuração estética é política e cultural, como também é uma forma complexa do viver social - é um processo de educação cultural da inteligência. Este conhecimento visual cotidiano, portanto, infunde diretamente sobre como vemos e entendemos o mundo rural e seus sujeitos, como reaquecemos ou não nossa memória ancestral na formação de nossa identidade. ALMEIDA, Milton José. "A Educação Visual da Memória: Imagens Agentes do Cinema e da Televisão". Pro-Posições - Vol.10 n.2 (29), julho. 1999. - 159 -


DUARTE JR., João Francisco. O Sentido dos Sentidos: A Educação (do) Sensível. Programa de Pós-Graduação em Educação, UNICAMP, Tese de Doutorado. Campinas,SP. 2000. GOMES, J.C.C; BORBA, M. ""Limites e possibilidades da Agroecologia como base para as sociedades sustentáveis". Ciência e Ambiente, 29 (1): 5-14, 2004. GUATTARI, Félix. As Três Ecologias. Tradução: Maria Cristina F. Bittencourt. Editora Papirus, Campinas, SP. 1990. KURZ, Robert. "Fome em Abundância". Folha de S. Paulo, 26 julho, 1998. "Manifesto Contra a Violência e a Morte no Campo Brasileiro". Acessado dia 10/08/2011 em: http://contraagrotoxicosdf.wordpress.com/2011/06/08/ manifesto-deeducadores-e-estudantes-contra-a-violencia-e-a-morte-no-campo-brasileiro/ MAZOYER, Marcel. História das agriculturas do mundo: do neolítico à crise contemporânea. Lisboa : Instituto Piaget, D.L. 2001 PETERSEN, Paulo (org.). "Agricultura Familiar Camponesa na Construção do Futuro". AS-PTA. 2009. SANTOS, Boaventura de Sousa. "Por Uma Sociologia das Ausências e uma Sociologia das Emergências". Revista Crítica de Ciências Sociais, 63: 237-280. 2002. Palavras-chave: agroecologia, imagem, sentido

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Vozes na Educação: um espaço virtual para discutir o ensino das matemáticas Guilherme Adorno de Oliveira (Unicamp) guiadorno1@gmail.com Filiado a uma teoria conhecida como Análise de Discurso, este trabalho assume uma posição marxista, mais especificamente ao materialismo histórico fundado por Karl Marx e com desenvolvimentos, principalmente, em Louis Althusser e Michel Pêcheux. Este último é o fundador da perspectiva discursiva com a qual a experiência de divulgação científica, aqui apresentada, é baseada na construção de seus princípios teóricos e procedimentos de formulação de um produto, também processo, midiático-digital. Neste sentido, trata-se de um trabalho político. Além desta filiação aparentemente só teórica, ela permeia também práticas. Há um contínuo diálogo entre teoria e prática. E são as práticas os objetos de divulgação científica: prática teórica, prática pedagógica, prática digital e, permeando todas as outras, a prática política. O objetivo do relato de experiência é apresentar os primeiros gestos de divulgação científica em Educação Matemática, mediante o desenvolvimento de um produto midiático virtual, mais especificamente, um portal com conteúdos em mídias digitais, ainda em desenvolvimento. O portal, como uma tecnologia de linguagem, tem o intuito de criar um espaço virtual de discussão sobre o ensino das matemáticas. Dois princípios teóricos foram demarcados para sustentar os procedimentos de formulação de tal produto-processo nesta primeira etapa: o político do simbólico e a autoria. O objetivo futuro, com a continuidade e desenvolvimento do projeto, é conseguir criar uma possibilidade para que os discursos transeuntes na Universidade possam significar também além dela. Certos questionamentos também são possíveis quando pensamos que essa comunicação pode também não comunicar. Não basta, contudo, instituir uma técnica comunicativa, como pretende certos estudos dentro do jornalismo científico, para produzir sentidos entre locutores. Assim, a Análise de Discurso materialista (AD) insere-se na fundamentação teórica, re-trabalhando os pré-construídos do jornalismo científico. A perspectiva teórica da AD incita deslocar o olhar técnico para o modo de funcionamento dos sentidos. Assim, em todo o percurso de busca de novos materiais, teóricos ou técnicos, o entorno discursivo é objeto - 161 -


de pesquisa, o que nos leva a problematizar as linguagens, textuais, visuais e eletrônicas mediadas nos casos investigados, principalmente no referente ao jornalismo científico e divulgação da ciência. Nesta fase, tento conjugar a fundamentação teórica e as linguagens desenvolvidas a partir dela aos materiais informativos, pois estes já não são conteúdos prontos e acabados, mas discursos em continua (re)formulação, (re)constituição e circulação. As decorrências deste investimento levaram a formulação dos materiais audiovisuais que compõe os primeiros passos do objeto em Mídias Digitais apresentado neste relatório: Vozes na Educação: um espaço (virtual) para discutir o ensino das matemáticas (www.vozesnaeducacao. com.br). “Cálculo Mental” foi a temática que norteou o desenvolvimento dos primeiros materiais do portal. Um professor da Educação Básica e um professor da Universidade foram convidados para participar desta fase de elaboração. Em síntese, o envolvimento dos dois professores é dividido em três partes: 1) Reunião de Pauta, em que são discutidas as ideias e possibilidades de abordagem da temática; 2) Gravação das entrevistas, aulas e demais imagens necessárias para a edição final dos vídeos; 3) Discussão final do resultado parcial do trabalho e apontamento de perspectivas futuras. A última fase é a edição de todo o material e postagem no site da Internet. Depois das três partes desenvolvidas conjuntamente aos professores convidados e da edição final dos materiais, nove sub-temas fizeram parte do grande tema “Cálculo Mental”. O produto-processo “Vozes na Educação”, ainda um projeto bem inicial, não é considerado como transparente, isto é, como uma tela em que se pode ver marcas evidentes de tecnologia ou de mídias digitais. Existe materialidade na proposta: tem uma especificidade material, linguística e histórica e, portanto, é densa e é opaca. Um produto-processo com seu não-fechamento e estado embrionário. Os princípios e os procedimentos estiveram em confronto na práxis. Ademais, os procedimentos não possuem uma regularidade de sentidos, pois cada etapa esteve determinada por diferentes princípios ou diferentes conjunções da prática política, do político do simbólico e da autoria. Não existiu modelo a ser seguido. Apenas prática que ganhava sua materialidade no contraponto - 162 -


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teórico. Este cenário é também o complicador de uma proposta sem base textual de sustentação a priori. A Análise de Discurso materialista fornece os princípios, mas não apresenta afirmativamente os preceitos de formulação específica dos materiais. Ainda há vozes para serem escutadas. A falta é o impedimento da imobilização, portanto, condição de movimento. Palavras-chave: divulgação científica; educação matemática; discurso.

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Divulgação científica e ensino

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O ensino das ciências naturais para alunos surdos no ensino médio: desafios e práticas dos professores da Escola Aloysio Chaves Esilene dos Santos Reis (UEPA) esilene@hotmail.com A elaboração deste projeto foi motivada por uma pesquisa realizada na Escola Aloysio Chaves, na qual se descrevem as inúmeras dificuldades dos professores da área das ciências naturais para realizar atividades com alunos surdos no ensino médio, também relata o trabalho da interprete, que afirma ter dificuldades para intermediar a comunicação pela falta de sinais. A pesquisa também apresenta alguns sinais criados para aula de química. É válido ressaltar que o Trabalho de Neto et al (2005) que investigou teses e dissertações defendidas entre os anos de 1972 e 2004 sobre as tendências da pesquisa em educação em ciências no Brasil, mostrou que não há referencias a estudos na área de ensino de ciências para estudantes surdo. O site do jornal Ciência Hoje divulgou o resultado de uma pesquisa realizada pela FEMUP, revelando que as crianças surdas que frequentam a escola normal estão em desvantagem às que estudam em escolas especiais. Palavras-chave: ciências, Libras, surdez

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Pibid: relato de experiência numa feira de ciências no ensino fundamental Heloiza Navarro de Novaes (Universidade Estadual de Montes Claros) heloizanavarro@yahoo.com.br A educação consistente emerge da criação de oportunidades para que os alunos sejam sujeitos ativos na própria formação, assim, o ensino de ciências na educação básica deve servir de suporte para o início da mudança de postura, esperando mais do aluno e permitindo que ele seja participativo na própria formação. A dificuldade enfrentada pela maioria dos alunos do Ensino Médio na disciplina de Química pode ser reflexo de uma deficiência vinda da base introdutória dessa matéria apresentada dentro do conteúdo de Ciências do nono ano. Este trabalho exploratório-descritivo procurou relacionar o ambiente escolar, a implementação de uma Feira de Ciências e as concepções dos estudantes a respeito do conteúdo de Química no Ensino Fundamental, através de observação participante visando obter informações a respeito da configuração da aprendizagem desse conteúdo mediada por atividades prática. Objetivou especificamente explicar aos alunos como acontecem as reações químicas por meio de aulas práticas e expositivas, realizar em conjunto a montagem de experimentos que demonstrassem as evidências de reações para que fossem apresentadas na Feira de Ciências e refletir como a feira repercutiu na concepção dos alunos a respeito da Química e da disciplina de Ciências. Elaborou-se um questionário com quatro perguntas procurando entender quais concepções e considerações dos alunos tanto antes como depois, do acontecimento da Feira e do conteúdo ensinado. Por se tratar de estudantes em sua maior parte carentes, a realização do evento oportunizou a eles o contato com o conhecimento científico contribuindo para sua formação como cidadão. Sendo parte das atividades do Pibid, representou um importante contato para o acadêmico bolsista com a subjetividade existente na relação professor/aluno e de que maneira se desenvolve o processo de ensino aprendizagem numa perspectiva que lance mão de metodologias de ensino diversificadas. Palavras-chave: feira de ciências, educação, ensino

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Física e competências em uma educação participativa, a escrita como método de avaliação Wagner Garcia Pereira (FE - USP) wagfisic@yahoo.com.br Numa época em que se defende um ensino de ciências voltado para a cidadania (Santos, 2005), é essencial que se promovam práticas de sala de aula que estejam voltadas para o desenvolvimento de competências, como exemplo; a argumentação. Dessa forma, a escola estará contribuindo para o desenvolvimento de cidadãos que tenham a capacidade de avaliação crítica, através da análise de diferentes argumentos apresentados, permitindo-lhes tomar posições de forma democrática, responsável e cientificamente sustentada. Consideramos que a implementação de práticas de trabalho colaborativo envolvendo, nomeadamente, a interação entre os alunos, através do diálogo em sala de aula, contribuirá para o desenvolvimento dessas competências. Através de uma apreciação crítica da educação tradicional, marcada por uma trajetória pessoal de professor em um curso pré-universitário, dá origem a um questionamento que encontra eco em referenciais históricos, como os de John Dewey e Anísio Teixeira, que conceituam de uma educação democrática, assim como em proposições da educação dialógica e participativa de Paulo Freire e da que promove o desenvolvimento de competências dos alunos, como P. Perrenoud. Isso configura o cenário escolar desejável para a formação cientifica emancipadora. Tendo esse cenário como perspectiva a ser concretizada, mostra-se então como o aprendizado da Física pode ser conduzido no ensino médio, em escolas públicas ou privadas, de forma participativa, dialógica e em um ambiente democrático, sem prejuízo para a formação conceitual e prática dos conteúdos científicos e tecnológicos envolvidos. O presente trabalho foi desenvolvido em uma cooperativa educacional, com alunos de uma turma do primeiro ano do ensino médio, nas aulas de Física, procurando, através de implementação de práticas pedagógicas sustentadas pelos PCN, compreender a realidade complexa e dinâmica das interações sociais em sala de aula. Os dados foram recolhidos através de observação (o pesquisador elaborou um diário de observações; incluindo gravação áudio das diversas interações entre os pares de alunos - 169 -


ao longo de várias aulas), questionários e trabalhos desenvolvidos pelos alunos. Da análise qualitativa dos dados pudemos compreender que: (1) numa fase inicial, os alunos apresentavam competências de argumentação pouco desenvolvidas; (2) as interações em sala de aula contribuíram para o desenvolvimento de competências que possibilitam o desenvolvimento da argumentação; (3) os alunos foram desenvolvendo competências de argumentação, ao longo do tempo, ainda que com níveis de competência inicialmente muito diversificados, mas que foram melhorando no decorrer do tempo, devido a implementação das atividades de discussão durante as aulas. Palavras-chave: educação, competência, educação democrática

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Taller de Electromagnetismo y Sonido para docentes e investigadores José M. Triano Universidad Nacional de Entre Ríos - UNER jmtriano@arnet.com.ar El presente proyecto es una experiencia desarrollada en el año 2011 en la XII Bienal de la Red Pop llevada a cabo en la ciudad de Campinas la cual consistió en un Taller de Electromagnetismo y Sonido dictado para docentes de ciencias, investigadores y publico en general. Este taller de sonidos fue dirigido a todos los divulgadores de la ciencia y se pretendía que los mismos fueran capaces de reconocer los efectos del electromagnetismo y como producto de sus efectos descubrir la generación de sonidos en parlantes. Como producto del efecto mecánico/sonoro que se produce en aquellos lograr concientizarse de los riesgos del uso de equipos de reproducción sonora y del volumen excesivo. Esta experiencia pretendió proponer diferentes fenómenos físicos que involucraran al electromagnetismo en diferentes usos, entre ellos la reproducción del sonido para aprender más de él. Se mostró un equipamiento sencillo en donde la investigación de los alcances del fenómeno aparecieron de manera clara y muy amena. Los fines y alcance de esta experiencia pretendieron proponer diferentes fenómenos físicos que involucraban el uso del fenómeno electromagnético y sonoro para mostrar a docentes y educadores acciones que ellos fueran capaces de reproducir, como modelos de divulgación. Se propusieron experiencias sencillas y de fácil reproducción para estimular a los participantes a involucrarse y permitir que puedan luego ser divulgadores de la ciencia. El taller comenzó con una breve reseña del magnetismo natural presente en nuestro planeta para rápidamente introducir a los participantes en los principales conceptos del electromagnetismo. Se procedió a brindar a los participantes un material impreso en español y portugués que contenía los principales conceptos que dieron origen a este trabajo. Se les proporcionó, como 1º experiencia, un juego de imanes con las banderas de Argentina y Brasil pintadas en los mismos para comprobar la polaridad de los mismos. - 171 -


El principio dominante en esta experiencia estaba dado en la participación activa de todos los presentes, ante las dudas no salvadas por el material solicitado se explicaban las mismas en una pizarra al frente del recinto. Se procedió a repartir entre los presentes un rollo de alambre de cobre aislado y un par de pilas de 1,5 V. para comprobar el efecto electromagnético reversible de la corriente eléctrica sobre un alambre enrollado en forma de bobina. Los participantes implementaban bobinas de 20 a 30 vueltas del alambre que tenían a su alcance y luego se les alcanzaba un imán permanente presentado en la 1º experiencia y con el mismo probaban la interacción entre la bobina fabricada por ellos conectada a las pilas de 1,5 v. conectadas en serie (3V.) y el mismo. Comprobando que se producía una atracción de la bobina por parte del imán en un caso y si invertían los bornes de la bobina esta era repelida por el imán. Una vez comprobado esto se introducía el principio de funcionamiento de un parlante, similar a la experiencia desarrollada por los miembros del grupo. Se mostraba la bobina de un parlante, el cono del mismo y un imán empleado en estos dispositivos para completar la explicación de su funcionamiento. Estas experiencias se pueden comprobar por parte de docentes de ciencia y alumnos en el Museo Interactivo de Ciencias de nuestra Universidad (UNER), Puerto Ciencias. Con la ayuda de un amplificador de audio, un equipo Generador de Audio Good Hill un parlante de 70 W (de 4”) y un recipiente con agua se mostraba el efecto mecánico de las ondas sonoras producidas en el parlante al impactar sobre el recipiente con agua. En este punto, se procedió a variar la frecuencia y amplitud de la señal de excitación del parlante para poder observar los nodos y los antinodos que se producían en el agua producto de la potencia mecánica que proporcionaba Palabras Clave: sonido, electromagnetismo, experiencias.

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Biosferas: a experiência da divulgação científica na universidade e na escola Marcia Reami Pechula; Fernanda Leite de Alcântara; Abigail Savietto; André Estevam; Arthur de Lima Silva; Erick Teixeira Rodrigues; Renato Augusto Corrêa dos Santos (Unesp-Rio Claro) fernanda.leite.alcantara@gmail.com; mreami@rc.unesp.br O Jornal Biosferas, instalado na página da Unesp (Rio Claro), insere-se no contexto das mídias de divulgação científica. Seu propósito é o de estender a produção dos alunos e pesquisadores da área de biologia a toda comunidade acadêmica (científica), às escolas de ensino médio e também aos usuários (leitores) interessados. A divulgação científica dos temas relevantes e polêmicos das diversas áreas da biologia e a própria questão da divulgação coloca os agentes envolvidos – docentes e discentes em sintonia e contribui para a “publicização” do grande desenvolvimento que a biologia proporciona à sociedade. A idéia de um jornal online de divulgação científica nasceu em 2008, com o intuito de divulgação dos estudos e reflexões produzidos, inicialmente, pelos alunos do curso de Ciências Biológicas da Unesp-Rio Claro. O projeto de construção do jornal Biosferas ganhou forma e conteúdo a partir de abril de 2009, quando foi ao “ar” a primeira edição, cujos artigos produzidos por alunos do curso de ciências biológicas da Unesp-Rio Claro, refletiam a produção científica produzidos por eles mesmos. Formada a primeira comissão editorial (composta por quatro alunos), os membros iniciaram a trajetória de formação, primeiro da página eletrônica do jornal, depois, da formação teórica sobre divulgação científica e linguagem jornalística. Naquele momento o jornal ainda não possuía um link na página principal e para poder acessá-lo era necessário digitar o endereço da Unesp/biosferas (http:// www.rc.unesp.br/biosferas). As funções desempenhadas pela comissão editorial incluem a revisão e edição de textos, editoração do jornal online e também confeccionam materiais visuais (botões, logotipos, banners), sua disposição e funcionalidade dentro da página e internet, bem como o desenvolvimento e manutenção das ferramentas da página. No início do segundo semestre de 2009 foi realizada uma edição especial impressa para registrar a comemoração dos 150 anos da Teoria da Evolução. A edição (com tiragem de 1000 exemplares) foi lançada no evento acadêmico “150 anos: a evolução da teoria”, realizado nos dias 24 e 25 de novembro - 173 -


de 2009. O jornal impresso contava com 18 artigos reunidos pelas autorias de alunos, docentes, pós-graduandos e “blogueiros” de várias instituições de ensino superior. Em dezembro de 2009 saiu a terceira edição de Biosferas. E em 2010 a proposta do jornal Biosferas foi aprovada como projeto de extensão e conseguimos um bolsista. Desde o ano de 2009 o jornal conta com uma comissão editorial bem organizada e estruturada, o que permitiu a divulgação do projeto em vários eventos acadêmicos, tais como: organização de mesas redondas, uma sobre divulgação científica na “XX Semana de Estudos de Ciências Biológicas” da Unesp-Rio Claro, em outubro de 2009 com a presença da profª Drª Graça Caldas (do LABJOR-UNICAMP) e da profª Drª Marcia Reami Pechula (coordenadora do projeto); e outra sobre “Mídia, discurso e educação” Lecomciência, realizado na Unesp, campus de Bauru, em novembro/2009. O jornal também foi divulgado por meio de comunicação oral em eventos acadêmicos: no 5º Seminário Nacional o Professor e a Leitura do Jornal, realizado na Unicamp em junho de 2010, com a comunicação “Biosferas – do jornal online à socialização do conhecimento” sobre a proposta do jornal. Em 2011 tivemos três trabalhos aprovados: no encontro do Caeb (Unicamp) em Julho, no XI CEPFE (Águas de Lindóia- SP) e no XI Congresso de Extensão Universitária da Unesp – “Horizontes da Extensão Universitária: Possibilidades, Caminhos e Realizações" (em Águas de Lindóia-SP), em Outubro. Importante ressaltar que no ano de 2011 contamos com um número significativo de membros na comissão editorial, seis no total e o acréscimo de mais um bolsista. Além da divulgação os esforços se voltaram à reestruturação da página do Biosferas. Outro fator relevante foi a organização de um evento de lançamento da nova plataforma do jornal, com a presença de quatro palestrantes convidados, resultando num debate envolvendo alunos de diversos cursos, docentes e blogueiros. O jornal já possui parcerias com outros projetos, tais como “Um minuto de Ciência em Vídeo”, “Mundo das Leveduras” e “Café Filosófico”, além do blog científico “Forma, Tempo e Espaço”. Iniciamos, ao final do último semestre de 2011, a produção de material didático voltado à escrita científica no contexto da divulgação e a realização de minicursos para alunos de ensino médio, com orientações sobre o uso da internet na pesquisa, a produção e compartilhamento de conteúdo digital, noções de fotografia, - 174 -


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produção áudio-visual e web design. Aí o jornal de divulgação científica Biosferas neste contexto promove um debate entre a comunidade acadêmica e as escolas, uma vez que o produto pode ser utilizado como material paradidático. O Jornal Biosferas possui importância significativa no campo acadêmico e contribui para o estreitamento das relações entre a universidade, o ensino básico e a sociedade. Palavras-chave: mídia; divulgação científica; ciência

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Uma leitura de divulgação científica sobre Física Quântica no Ensino Médio André Coelho da Silva (Unicamp) andco_8@yahoo.com.br A necessidade de introdução da Física Quântica no nível médio é bastante justificada dado o número de publicações na área de ensino de Ciências que defendem essa posição e as indicações de documentos oficiais da educação no Brasil, que também apontam nesse sentido. Entretanto, a Física Quântica, assim como o conhecimento da Física, é produzida numa linguagem matemática, muitas vezes de difícil compreensão por parte dos alunos devido à sua complexidade. Uma possível alternativa para superar esse empecilho é usar textos com pouca ou nenhuma linguagem matemática, trabalhando a leitura sobre Física Quântica em aulas de Física do Ensino Médio. E, dentro dessa possibilidade, destaca-se o uso de textos de divulgação científica, afinal, eles têm como principal propósito divulgar o conhecimento científico para um público não especializado, utilizando para isso, em geral, a linguagem comum. Assim, neste trabalho buscamos compreender de que forma estudantes do Ensino Médio produzem sentidos a partir da leitura de um texto de gênero divulgação científica que fala de forma bastante introdutória sobre a Física Quântica e algumas de suas aplicações tecnológicas. O texto foi montado a partir de recortes dos seguintes artigos: [CALDEIRA, A. A Física Quântica: o que é, e para que serve.; DE GROOTE, J. J. A Teoria Quântica depois de Planck.; MARTINS, R. A. A Física no final do século XIX: modelos em crise.], todos eles publicados no número 20, 2001, da revista de divulgação científica Com Ciência. Realizamos, também, uma sondagem a respeito do ensino de Física Quântica na escola de nível médio. Nossos resultados parecem indicar, sobretudo, que a leitura em aulas de Física pode contribuir: na construção de uma cultura sobre Física; para agir como pretexto para o interesse em estudar a Física Quântica e para tornar a leitura uma atividade em que se valorize a interpretação e a criticidade e não a pura e simples assimilação de informações, pois segundo teoria da Análise do Discurso na vertente iniciada na França por Michel Pêcheux, em nenhum momento há a simples transmissão de informação através da leitura e sim a produção de sentidos condicionada pelas condições de produção imediata e histórica. Palavras-chave: física quântica, divulgação científica, ensino médio - 176 -


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Do espaço para a sociedade - difusão de conhecimento no INPE Ana Paula Soares Veiga (IEL-Labjor-Unicamp) anapvsoares@gmail.com Este projeto de desenvolvimento de livretos temáticos ilustrados ( http://issuu.com/search?q=cartilha%20 inpe&si=0&ps=10&sb=visual&rp=*) tem como objetivo divulgar a ciência e a tecnologia produzidas no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, SP, ao público infanto-juvenil (10 a 14 anos). Até o momento, foram produzidos quatro títulos, com os temas: 1) Um passeio pelo INPE (http://issuu.com/magnostudio/docs/passeio_pelo_inpe), mostrando as diversas áreas de atividade do Instituto; 2) Mudanças Climáticas (http://issuu.com/magnostudio/docs/mudancas_ climaticas), apresentando as pesquisas da instituição nessa área; 3) Pesquisar o Universo para Entender a Terra (http://issuu.com/magnostudio/ docs/astrofisica), sobre as pesquisas em Astrofísica, e 4) INPE 50 Anos (http://issuu.com/magnostudio/docs/inpe50anos), que faz um paralelo entre a história do Instituto e os principais eventos de ciência e tecnologia no mundo, no mesmo período. O quinto e último livreto está em desenvolvimento e apresentará a área de Meteorologia do INPE. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais recebe cerca de 1.000 visitantes por mês, sendo 85% de alunos de escolas de ensino fundamental e médio. Além de conhecer o Centro de Visitantes, esses estudantes recebem material institucional sobre as atividades do INPE (folders, reproduções de imagens de satélite etc.). Porém, até o desenvolvimento dos livretos temáticos, nenhum dos materiais tinha conteúdo dirigido ao público infanto-juvenil. A partir de um projeto de reestruturação do conceito do Centro de Visitantes, visando adequá-lo a esse público (concluído em janeiro de 2011), surgiu a necessidade de produzir um material de apoio, com a mesma identidade visual da nova ambientação do local. Os livretos temáticos têm linguagem adequada ao público a que se dirige, com textos curtos e ilustrações do cartunista Jean Galvão, da Folha de S. Paulo e revista Recreio. São impressos em formato A5 (15 cm x 21 cm), em 4 cores e papel reciclado. Além dos visitantes do INPE, es- 177 -


colas públicas de São José dos Campos também receberam exemplares. O material é distribuído ainda em palestras, oficinas e exposições e está disponível na Internet. Os textos são desenvolvidos pela jornalista Ana Paula Soares Veiga, que atua na área de Comunicação Institucional e Difusão de Conhecimento do INPE, a partir de informações fornecidas pelos pesquisadores de cada área. O projeto gráfico é do Magno Studio, de São José dos Campos. A linha editorial adotada busca, essencialmente: 1) Contextualizar o leitor situando os temas abordados no tempo e no espaço 2) Trabalhar a intertextualidade dos temas abordados, apresentando a sua relação com situações e vivências do cotidiano 3) Utilizar linguagem de fácil entendimento, sem deixar de mostrar a complexidade e o elevado grau de ciência e tecnologia envolvido nas pesquisas, produtos e serviços apresentados 4) Utilizar a ilustração como contraponto ao texto, trazendo leveza e bom humor ao material, e não apenas como uma reprodução em desenho da linguagem escrita. A escolha do cartunista Jean Galvão se dá nesse contexto. Ao mesmo tempo em que ele cria charges para a página 2 da Folha de S. Paulo, portanto de cunho político e dirigidas ao público adulto, ilustra reportagens da revista Recreio, dirigidas ao público infantojuvenil, porém, sem jamais infantilizar seus desenhos. 5) Produzir um material despojado, sem sofisticação, para não inibir (ou “assustar”) o leitor. A empatia deve se dar logo no primeiro impacto e o jovem deve encarar o material como uma revistinha, um “gibi”, e não um livro de escola, ou um folder de linguagem complexa. Além disso, o papel reciclado se alinha perfeitamente às linhas de ação do INPE, em suas diversas áreas de atuação. Por serem redigidos por um profissional não-cientista, os livretos expõem aspectos e curiosidades inerentes àqueles que não estão familiarizados com o universo acadêmico, ou com a linguagem técnica e complexa da ciência. Ao mesmo tempo, houve a preocupação de manter o foco nas atividades do INPE, sem abrir o conteúdo para abordagens de ciência e tecnologia em seu conceito amplo, a não ser quando isso se fez necessário para con- 178 -


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textualizar o leitor. Nessa direção, também procurou-se apresentar informações inéditas em materiais para esse público e trazer novos conheci mentos, dando “um passo adiante” nas abordagens existentes atualmente. Assim, o leitor do livreto de Mudanças Climáticas, por exemplo, tem acesso a cenários de alterações de temperatura e de níveis de chuva até 2100 no Brasil – trabalho realizado por pesquisadores do INPE e que, na época da produção do livreto, acabara de ser divulgado. Além do objetivo maior de divulgar a ciência e o conhecimento produzidos no Brasil em geral e no INPE em particular, os livretos também buscam apresentar aos estudantes o universo acadêmico, incentivando a formação de jovens cientistas no país. Palavras-chave: difusão, conhecimento, educação

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CInAPCe, rádio nômade, comunica-brincadeira: Uma metodologia de comunicação científica em neurociências para alunos do ensino básico Juliano Luis Pereira Sanches (Labjor/IEL - Unicamp) julianoluis@ig.com.br A proposta é possibilitar a formulação de conjecturas sobre as neurociências a partir de leituras sonoras de “CInAPCe, rádio nômade, comunica-brincadeira: Uma metodologia de comunicação científica em neurociências para alunos do ensino básico”. Num primeiro momento, cabe afirmar que é construído um artefato sonoro, em duas edições, com foco no contato com as neurociências, e levado para o ambiente escolar. O artefato é disponibilizado entre grupos de alunos e professores do Ensino Fundamental, vinculados à escola pública da SME (Secretaria Municipal de Educação), EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental), Franciso Ponzio Sobrinho, Santa Odila, Campinas/São Paulo. São 50 minutos de produção, em dois arquivos em formato MP3. Os arquivos podem ser baixados no seguinte link: http://neurociencias1.podbean.com. A iniciativa tem como pressuposto entrar em contato com os diálogos que os alunos e professores fomentam, ao se situarem numa condição de audição dos temas epilepsia e AVC (Acidente Vascular Cerebral). O objetivo geral é verificar, numa perspectiva analítica, como a plataforma rádio nômade pode ser utilizada numa abordagem de introdução à neurociência. Assim, o projeto prevê a comunicação de noções básicas sobre as neurociências no Ensino Fundamental I, para alunos na faixa etária dos 10 anos de idade (5º ano ou antiga 4ª série). São duas salas de 5° ano. Cada sala tem cerca de 25 alunos, o que totaliza 50. O trabalho de campo recorre à pesquisa documental e bibliográfica. Utilizam-se questionários semi-estruturados com os alunos e professores, que participam da escuta e dos encontros/ formações. O estudo se baseia no modelo de pesquisa qualitativa/descritiva. Assim, os processos sociais são considerados meios de produção das relações audiovisuais da Rádio CInAPCe. A presente pesquisa parte da metodologia Análise de Conteúdo. O método qualitativo de verificação dos dados ajuda a entender a interferência da subjetividade no que diz respeito à produção social das falas no ambiente escolar que, consequentemente, reflete os aspectos educacionais e culturais. O uso do rádio, conforme se estrutura na presente condição, tem um foco na relação entre os alunos do Ensino Fundamental de uma escola pública e os respectivos professores, no que concerne às implicações do uso imaginário, através de narrativas sonoras, com fins de comunicação científica. Para compre- 180 -


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ender as questões inerentes ao uso da comunicação e da educação em propostas de contato com as neurociênicias, baseia-se, de antemão, em uma premissa de busca de referenciais na relação criança-conhecimentocognição-imaginário-desenvolvimento orgânico. Produzir sentidos sociais para o AVC e a epilepsia, pautados nos debates atuais sobre o conhecimento, e combater o estigma sobre as questões neurológicas, durante o processo de formação da criança, através de elementos lúdicos, tornam-se demandas indispensáveis, ao se pensar numa escola pública que não só maximiza qualitativamente os temas transversais no espaço que a constitui, mas, também, interage com insistência, de modo a estimular contrasensos e críticas, por parte de alunos e famílias sobre a condição social que os envolvem. Conhecer as neurociências é tomar posse de uma condição participativa/educativa sobre as questões, que fazem parte do meio, e que mantêm vínculos tênues com o acesso à informação sobre a saúde. Nessa dimensão, o contato com as neurociências impõe uma afirmativa de estímulo à pesquisa do próprio, que é paciente neurológico, e dos que não são, com um viés de melhorar os modos de lidar com as questões amplas, que envolvem o saber sobre a condição. A multiplicação de espaços e formas de trocas lúdicas, com fins de encontro e jogo com o conhecimento das neurociências, se torna uma aposta exequível, principalmente ao se considerar a transversalidade como ponto de partida e chegada, coprodutora de inscrições heterogêneas, outras, no campo social. A formação de novos pesquisadores em neurociências depende de trabalhos de base, como no caso da construção social de alternativas de diálogo entre os cientistas e os não-cientistas. Os resultados podem ter como efeitos a supressão do déficit de profissionais qualificados para o atendimento, o aumento do número de estudos, a criação compartilhada de espaços de troca de conhecimento em neurociências, entre outros fatores. Faz-se urgente ater-se às implicações profundas que possui o manejo da informação sobre o cérebro na forma como a sociedade está organizada. A presente visão envolve a reflexão sobre os dispositivos institucionais que, intrinsecamente, precisam, estar, cada vez mais, conectados, sob o ponto de vista das tecnociências, às perspectivas políticas dessa área de conhecimento. Palavras-chave: Comunicação científica, ludicidade, neurociências

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Projeto Cultivar como ferramenta de divulgação científica Alex Sandro da Cruz (Cepema-USP) jessica@cepema.usp.br O Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (Cepema-USP), dedica-se desde 2006 à pesquisa e educação ambiental. A missão é a solução de problemas ambientais em um ambiente multidisciplinar, em harmonia com os setores público e privado da sociedade (CEPEMA, 2009). O centro localiza-se na cidade de Cubatão: município do estado de São Paulo, na Região Metropolitana da Baixada Santista, cercada pela Mata Atlântica - uma das mais importantes florestas tropicais do continente Sul-Americano. Esta também é uma das mais ameaçadas de extinção, um dos “hotspots” da biodiversidade mundial e prioritária para sua conservação em nível global (LINO, 2003). Foi no viveiro de mudas do Cepema-USP que, em 2008, nasceu o Projeto Cultivar através de oficinas de cultivo de plantas nativas da Mata Atlântica para doação, recuperação florestal e arborização urbana. Com o passar do tempo o projeto foi crescendo e abrangendo outras áreas como a recuperação de praças públicas e construção de hortas comunitárias. Atualmente o projeto ministra oficinas com escolas da rede pública de ensino, casas de acolhimento e lar de idosos favorecendo a consciência ambiental e integração entre a Universidade, comunidade e empresas. De acordo com Thompson (2002), o objetivo central das ações educativas é que os indivíduos se apropriem de conhecimentos e valores e desenvolvam habilidades cognitivas e sociais que os tornem capazes de resolver problemas e agir com autonomia e responsabilidade dentro de uma determinada cultura. Sendo assim, esse projeto tem como objetivo a divulgação científica e educação de valores de pertencimento e cuidado com a Mata Atlântica, bioma que cerca a cidade de Cubatão. Esta apresentação visa relatar como a possibilidade de oferecer às pessoas atividades relacionadas o Bioma local contribui para a divulgação científica junto à comunidade de Cubatão, com a educação ambiental não-formal, estabelecimento de valores de pertencimento com a Mata Atlântica e desmistificação do senso-comum. O projeto Cultivar ministra oficinas a diversos setores da população. Entre elas estão: oficinas de cultivo de plantas nativas, reflorestamento, implantação de hortas, revitalização de praças públicas, exposição de - 182 -


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animais (conservados) e palestras. Durante essas atividades foram aplicados questionários aos participantes que foram posteriormente analisados, feitas observações, registros fotográficos e coletados os materiais divulgados na imprensa. Ao analisar os questionários, nota-se que 60% dos participantes de oficinas responderam que nunca tinham feito uma atividade semelhante e que não conheciam o Cepema ou seus trabalhos. Isto demonstra a carência de atividades práticas sobre a temática “Mata Atlântica” para com a população e a distância desta com a vivência científica. Este projeto foi bem avaliado pela população: quando requisitado que dessem uma nota para a atividade realizada 72% assinalaram a nota 10, 22% a nota 9 e 14% a nota 8. Não foram obtidas notas abaixo destas. Em geral, todos comentaram em suas respostas que a atividade que participaram foi um momento importante de aprendizagem tanto sobre conceitos e conteúdos ambientais mais amplos como em detalhes técnicos relacionados ao processo de plantar. As respostam também relatam que a atividade permitiu trabalhar em grupo e conhecer lugares novos. Ao observar as oficinas sendo realizadas percebe-se uma influência fortíssima do senso-comum contribuindo com a falta de cuidado com meioambiente de Cubatão por parte da população. Um exemplo foi em uma das exposições com animais, ao olhar as serpentes nas vidrarias foi escutado varias vezes que “ao se deparar com uma serpente na mata é necessário matá-la ou então ela te segue até em casa para atacar!” A lenda da “serpente vingativa” é apenas uma de várias em que a população deposita sua crença e acaba contribuindo para o desmatamento e a diminuição da fauna silvestre local. Compreender a natureza contribui para distinguir o conhecimento científico de outros construídos pelos seres humanos, como o filosófico, o religioso e o senso comum (MARTINS, 2002). O Projeto Cultivar já atendeu 15 Unidades Municipais de Ensino, 8 Escolas Estaduais, 7 ONG’s, 3 Casas de Acolhimentos e 1 asilo de idosos totalizando aproximadamente 2000 pessoas participantes das atividades. Foram feitas também 14 revitalizações de praças em colaboração dos alunos, professores e moradores de diversos bairros da cidade. Esse tipo de evento tem sido de grande importância para desmistificar conceitos do senso-comum, explicando à população o nosso papel como defensores da Mata Atlântica. Também através do Projeto Cultivar, o Ce - 183 -


pema-USP foi bastante divulgado em diversas mídias locais. Tal divulgação é essencial para o despertar do interesse pela temática ambiental na população, autoridades e empresas da cidade e favorece a consciência pelo cuidado dos bairros da cidade. Palavras-chave: divulgação, cultivar, educação

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Projeto “Conheça um Investigador” como ferramenta de divulgação científica Jéssica Araujo Silva (Cepema-USP) jessica@cepema.usp.br A cidade de Cubatão, localizada no estado de São Paulo, conta com aproximadamente 128 mil habitantes e não possui nenhum museu ou outro equipamento cultural destinado a abordar assuntos científicos. Possui apenas um teatro com condições precárias e uma biblioteca, o que dificulta a prática cultural, mesmo se tratando de uma cidade de grande importância para o país que, como destacado por Ferreira et al. (2007), conta com uma rica história industrial e ambiental. O Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente - Cepema-USP, se insere não apenas como um centro de pesquisa aplicada ao meio ambiente mas, também, como espaço de comunicação e troca com a comunidade do entorno por meio de atividades de educação não formal, ciência e tecnologia e educação ambiental. Segundo Massanero et al. (2002), a ciência é parte inerente da cultura humana, por isso torna-se indispensável seguir trabalhando pela comunicação da ciência à sociedade para incrementar sua compreensão pública. Neste contexto, criou-se o projeto “Conheça um Pesquisador” com o objetivo de aproximar a população do conhecimento científico bem como desmitificar a profissão da pesquisa provocando reflexões e a construção de relações sustentáveis entre a ciência e a sociedade, avaliando qualitativamente esse processo. Projeto consiste em receber alunos de escolas (nos diversos níveis de escolaridade) no Cepema-USP, para uma apresentação e iniciação dentro do mundo da pesquisa. Os alunos são recebidos, e uma coleta inicial de percepção sobre o que é pesquisar é realizada com estes visitantes. Em seguida, os alunos assistem um vídeo intitulado “Como seria o mundo sem as pesquisas?”, para iniciar assim a visitação aos laboratórios e conhecer os pesquisadores e suas linhas de pesquisas . Os visitantes têm a oportunidade de entrevistar um dos pesquisadores, questionar sobre suas pesquisas, profissão, a trajetória profissional e científica, mitos e verdades sobre o mundo da pesquisa, bem como curiosidades que os cercam. O pesquisador, além de responder e dialogar com os estudantes, prepara uma atividade prática relacionada à sua pesquisa onde os alunos podem vivenciar um pouco desta profissão. No início da visita são aplicados questionários de concepção prévia e, ao - 185 -


fim, questionários avaliativos para comparar as mudanças ocorridas durante a atividade. A pergunta central dos questionários era, tanto antes, quanto depois das visitas: “O que é pesquisar para você?” Nota-se que antes da experiência com o pesquisador, a maioria dos alunos responde que pesquisar é procurar algo sobre um tema, ou fazer uma pesquisa que o professor pede. Após a vivência no Centro de Pesquisa as respostam mudam para “tentar descobrir um conhecimento próprio”, “Criar uma coisa nova e que mais tarde alguém possa ver”, “Procurar respostas para qualquer pergunta”. Essa mudança de resposta nos remete a uma possível mudança de conceito e aproximação do aluno com o “fazer Ciência”. Os alunos, que não têm laboratório nas suas escolas, conseguem entrar em contato com o material científico pela primeira vez e despertar a sua curiosidade por novas aproximações ao mundo da ciência. Após a visita foi constatado que os alunos perceberam suas próprias aprendizagens de uma maneira diferente, que conseguiram identificar melhor as etapas de um processo investigativo, a significância da pesquisa e o espaço em que isto acontece. Segundo uma das pesquisadoras do Cepema-USP que participou da atividade, “essa atividade pode fazer com que os alunos tenham mais clareza na hora de escolher suas profissões” e “o lado bom desta atividade é poder mostrar para os alunos a sua pesquisa, as suas atividades diárias no laboratório, ajudando-os a definir sua vida profissional.” Os professores participantes também puderam avaliar sua conduta com os projetos escolares após observarem as pesquisas sendo feitas no Cepema. Essa atitude se expressa através de comentários do tipo: “Eu deveria ter feito isso [a visita] com os alunos desde o início de suas pesquisas [na escola], logo que eles escolheram os temas. Assim eles poderiam ter encontrado mais o foco de pesquisa” Embora o conhecimento de conceitos, princípios, leis e teorias não seja suficiente para interpretar a complexidade do mundo, é fundamental para dar suporte a uma argumentação com base científica. A partir da educação pela ciência, o estudante desenvolve valores sociais, culturais, humanistas e cívicos e a capacidade de pensar e aprender em uma sociedade científica e tecnológica (MARTINS, 2002). Conhecer as possibilidades que um Centro de Pesquisa oferece atrai a comunidade e permite também que a divulgação científica alcance a população facilitando um diálogo que geralmente não ocorre entre estes. Palavras-chave: divulgação, pesquisa, educação - 186 -


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A Carta na Escola e a escola no aluno: processos possíveis na divulgação cultural Stella de Mello Silva (IEL-Labjor-Unicamp) unicampmdcc@hotmail.com A presente proposta refere-se às questões filosóficas relativas à Educação, Comunicação e Cultura – tendo, esta última, uma vertente linguística. Ao mesmo tempo em que cada uma destas frentes encerraria em si mesma um trabalho único de pesquisa, considera-se, neste caso, que as três são indissolúveis e complementares, levando com elas três instituições-base: Escola, Mídia e Sociedade – esta última, por sua vez, impondose por meio de elementos linguísticos. Investigar uma sem esbarrar na outra seria hipocrisia, da mesma maneira que supor que serão achadas soluções para suas mazelas, respectivamente, é utopia. Entretanto, eis o papel de um pesquisador: acreditar que há respostas, em algum lugar – nos bancos de uma escola, nas páginas de uma revista, ou no seio de uma família. Esta é a justificativa deste trabalho: ainda acreditar que o professor e as revistas especializadas devam ser divulgadores culturais, bem como que os alunos/leitores precisem possuir nível de percepção cultural agudo, devendo interagir sadia e criticamente com os diversos níveis de fomentos culturais que lhe são apresentados. É partindo destes pressupostos que esta pesquisa busca sanar suas inquietudes; e são os Estudos Sociais e Culturais que permearão as ideologias postas nestas linhas, visto que eles discutem o exercício do poder, como na voz de Michel Foucalt. Há relações de poder no ambiente escolar, midiático e social, além de outros tipos de funcionamento de poder entre as mesmas três instituições. A esta ideia de exercício de poder associam-se, de maneira muito interessante, as palavras de Kerckhove (1997), após usar como epígrafe o excerto do livro bíblico de Gênesis (capítulo 11, versículos de 5 a 7) em que se lê sobre a Torre de Babel: Deus desce para ver a cidade e a torre que os israelitas construíam, sem Sua anuência. Por causa da desobediência, consequentemente, o Senhor confunde a língua deles, de maneira que não compreendiam uns aos outros. Sobre isso, Kerckhove diz Nesta passagem, o mais antigo livro da Bíblia admite o ilimitado, quase divino, poder da linguagem; o primeiro software a criar, moldar e - 187 -


comandar a matéria. É por serem dotados de linguagem, que nada, excepto a confusão das línguas, pode deter os “filhos dos homens”. Babel e Jericó foram ambas catástrofes de software, a primeira trágica, a segunda cómica. Ao colapso das comunicações em Babel correspondeu um caso clássico – quase grego – de hubris: os arquitectos de Babel foram punidos por aquilo que os tornava orgulhosos, a universalidade da sua linguagem. (p. 117) Concordando com a relevância da língua e da linguagem como diferencial dos seres racionais e entendendo que o poder circula e é exercido diária, indiscutível e intrinsecamente tanto na sociedade quanto na mídia e na escola, o objetivo deste estudo é analisar em que medida se dá – ou não – o exercício do poder por meio da linguagem em quaisquer que sejam seus trâmites dentro do contexto apresentado. Para tanto, no que diz respeito à pesquisa com a mídia, escolheu-se a revista Carta na Escola a fim de que esta fosse um instrumento para o estudo experimental realizado a partir do objeto de estudo: a Divulgação Cultural, manifestada, neste caso, por meio da linguagem. Como corpus – a partir do método de Amostra Intencional semestral – foram selecionadas as edições publicas durante um semestre letivo, de agosto a dezembro de 2011(vale colocar que em dezembro a editora não lançou volume impresso, visto que este é um período de férias escolares). Com tais exemplares serão enumeradas quantas reportagens envolvendo Língua e Linguagem foram publicadas e de maneira se deram suas abordagens. Já no campo da educação o corpus constitui-se, a princípio, de 315 alunos matriculados e cursantes de ensino médio em colégio interno do interior de São Paulo, com quem serão aplicados Grupos Focais com questões estruturadas para que se conheça o nível de percepção cultural relativa a temas como Língua e Linguagem dentro do ambiente escolar e/ou familiar. Concomitante a esta averiguação, os dois professores de Língua Portuguesa do mesmo colégio participarão também de Grupos Focais por meio dos quais serão arguidos sobre sucessos e fracassos acumulados como divulgadores culturais linguísticos dentro da escola em que lecionam. O caminho metodológico a ser percorrido nesta pesquisa é eclético devido a seus objetos serem extremamente abertos, possibilitando inúmeras leituras metodológicas. Em decorrência disto, optou-se pela - 188 -


1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

mescla entre Análise do Discurso (Orlandi, 2011; Ducrot, 2010; Fiorin, 2008; Guimarães, 2011) e Análise de Conteúdo (Bardin, 2004). Respectiva e rapidamente, cada qual trata, neste projeto: a) do dito e do não-dito pelos sujeitos da comunicação b) das categorias analíticas resgatadas de reportagens, entrevistas e questionários ao longo da sondagem dos objetos. Palavras-chave: comunicação, linguagem, aprendizagem

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Leitura de um pequeno texto de divulgação científica por ingressantes na unicamp Maira Lavalhegas Hallack (lavalhegas@gmail.com) Unicamp Este trabalho tem como questão de pesquisa compreender como estudantes de Ensino Médio lêem textos de divulgação científica com respeito à física moderna. Selecionamos um tema da física moderna, o paradoxo EPR (Einstein, Prodovysk e Rosen) e um livro “A revolução dos Q-bits: o admirável mundo da computação quântica” de OLIVEIRA & VIEIRA, (2009), de divulgação científica. Elaboramos um pequeno texto com trechos do livro e solicitamos a 20 estudantes ingressantes, no dia de suas matrículas na Unicamp, nos cursos de Licenciatura em Física noturno e Cursão (Matemática e Física) diurno, que lessem o enxerto e respondessem um questionário de quatro questões. Para analisar a primeira questão: “Se você fosse contar a alguém o que leu nesse texto, o que você contaria?”, montamos categorias, como: citam conceitos, 45%, apontaram o questionamento da quântica por alguns físicos, 40%, apontaram a previsão e descrição da realidade pela física, 20%, citaram os autores do artigo sobre o paradoxo EPR, 30%. Também, analisamos as respostas utilizando para classificação a noção de repetição (empírica, formal, histórica) da Análise do Discurso, segundo Orlandi (1998). Obtivemos que 25% deram respostas segundo critérios da repetição empírica, 50%, repetição formal, e, 15% repetição histórica e 10%, que as respostas foram alheias à questão. Para as demais questões apenas criamos categorias. Na questão dois “Que dificuldades você teve na leitura do texto?”, obtivemos: Nenhuma (40%). Dificuldade de interpretação (25%). Falta de conhecimento em quântica (20%). Na questão três, “Antes de ler este texto você já tinha ouvido falar alguma coisa de física quântica? O quê? Onde?”, 95% já tinham ouvido falar de física quântica e apenas 5%, não tinham. Sendo que 40% tinham ouvido falar no cursinho ou na escola, 30% em livros, 25% em mídias. Tiveram uma introdução à quântica, 30% e 15% disseram, que era uma matéria difícil. Na última questão, “Você gostaria de ter aulas sobre física quântica? Por quê?”. 95% dos entrevistados gostariam de ter física quântica na faculdade, 5% não sabiam. Os principais motivos foram por interesse (60%), por ser um tema em construção (20%) e 15% por ser complexa. - 190 -


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Como os estudantes eram ingressantes no dia da matricula, basicamente, com esse trabalho obtivemos alguns indícios sobre a possibilidade de se trabalhar essa temática no Ensino Médio com Divulgação Científica. OLIVEIRA, I. S.; VIEIRA, C. L. A Revolução dos q-bits: o admirável mundo da computação quântica. Rio de Janeiro: Zahar,,2009. ORLANDI, E. P. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis: Editora Vozes 1998, cap.6 Palavras-chave: divulgação científica, ensino médio, paradoxo EPR

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Programa Ciência Vai à Escola: construindo uma visão de ciência na educação básica Luciana Cristina de Carvalho, Victor Eduardo Pauliv, Rafaela Bobato,Camilla Felippe, Joyce Ana Teixeira, Heron Omar Arraya Cazón, Flávia Schlichta, Josiane Nunes Delfino, Ana Paula Farias Waltrick, Bárbara Valéria Andrade, Euclides Fontoura da Silva Junior (in memorian), Fernando Antonio Sedor (Museu de Ciências Naturais – Setor de Ciências Biológicas – Universidade Federal do Paraná) biomuseu@ufpr.br O Programa Ciência Vai à Escola (PCVAE) foi criado em 1997 em parceria com o Museu de Ciências Naturais do Setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná (MCN-SCB-UFPR) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – regional do Paraná, visando aproximar a universidade das escolas de educação básica. O PCVAE foi idealizado tendo como pilares: a educação para a ciência, a popularização e a alfabetização científica e a divulgação da ciência. Assim, visa contribuir para modificar as estruturas da educação científica brasileira, construindo uma visão de ciência entre estudantes e professores condizente com o progresso científico e tecnológico da sociedade, melhorando o ensino de Ciências e Biologia. O Programa é desenvolvido através de ações de ampliação do conhecimento científico de estudantes, de professores e da comunidade em geral. O propósito do PCVAE é levar ao ensino de Ciências a concepção do método científico por meio da interatividade com os participantes, pois “quando se educa para ciência, num sentido mais amplo, não só se ensina Ciências, mas está se introduzindo uma visão de ÉTICA, de VERDADE, de RESPEITO e de SOCIEDADE” (SILVAJUNIOR, 2007). As etapas utilizadas durante as ações do Programa são: observação, reflexão, formulação de hipóteses (a fim de explicar fenômenos), teste de hipóteses e experimentação. Esses procedimentos são trabalhados com os participantes durante todas as atividades, a fim de inserir o conhecimento científico no cotidiano dos mesmos. As atividades são realizadas por meio de palestras, cursos, exposições itinerantes e oficinas em universidades, colégios, praças e outros ambientes, com os seguintes projetos: “Paleontologia”, “Aquarismo Didático”, “Biologia e Hereditariedade dos Insetos”, “Conhecendo as Aves”, “E os Peixes??? Nadam!!!”, “Bio- 192 -


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mas Paranaenses”, “O Homem do Avesso”, “Na Teia da Aranha”, “Herpetologia”, “Vermes Plathyhelmintes”, “Descobrindo os Insetos”, entre outros. As atividades também abrangem a exposição permanente do MCN-SCBUFPR intitulada “Os Seres Vivos no Ensino Fundamental e Médio”, com visitações monitoradas por bolsistas e voluntários treinados, utilizandose de questões relacionadas ao cotidiano; confecção de modelos didáticos e organização de coleções de material biológico para empréstimo a docentes; orientação acadêmica e de professores do Programa de Desenvolvimento da Educação do Estado do Paraná entre outras atuações. O planejamento destas ações envolve pesquisa e estudo de assuntos científicos e educacionais, preparação do material, execução e realização de avaliações pelo corpo de bolsistas e voluntários, juntamente com a coordenação do PCVAE, sendo que essas avaliações são contínuas e periódicas, contribuindo para verificar a efetividade do PCVAE. Dois grupos de avaliação podem ser enfatizados: a avaliação direta, que é realizada pelo próprio programa e a avaliação indireta, que envolve os parceiros e outros participantes que não estão ligados diretamente. Ao longo dos 15 anos de atuação do PCVAE, já foram atingidos mais de 110.000 participantes. Os questionários aplicados aos alunos e docentes que visitaram o MCNSCB-UFPR mostram que menos de 10% já haviam visitado um museu, de modo que os objetivos de popularizar e divulgar a ciência estão sendo alcançados a cada dia. Por ser um programa de longa duração, as ações não são aplicadas como uma forma pontual de atender a necessidades de conhecimentos específicos em uma determinada área, mas como uma postura científica frente ao Ensino de Ciências. Isso, aliado ao Método Científico utilizado de forma interativa, tem mostrado através das avaliações (que são realizadas antes e depois das atividades) uma contribuição no desenvolvimento intelectual e cultural dos participantes. Palavras-chave: educação para a ciência, divulgação da ciência, ensino de ciências e biologia

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Imunologia nas escolas Paulo Cunha (iii-INCT) xptocunha@gmail.com Conhecimento e transformação são marcas das sociedades modernas. O mundo contemporâneo revela-se por constantes transformações e exige, cada vez mais, pessoas com conhecimentos diversificados e capazes de acompanhar e compreender as contínuas e aceleradas mudanças sociais, ambientais, econômicas e tecnológicas. Mudanças que refletem diretamente o impacto atual da ciência na tecnologia, na natureza, na indústria, no comportamento, na saúde e, de modo geral, na qualidade de vida das populações. A complexidade do mundo contemporâneo exige também a formação de pessoas com capacidades colaborativas, capazes de interagir, pensar e atuar em equipe a partir de questões e situações-problema. Nesse panorama, em uma sociedade pautada pelo conhecimento e inovação, e com grande fluxo de informação, é importante estimular e capacitar as pessoas para aprender a aprender, a partir das múltiplas fontes e experiências, compreendendo o processo de formação como contínuo e diverso. É nesse contexto que o projeto Imunologia nas Escolas se insere, como uma ação que visa atuar na interface entre ciência e sociedade. O projeto está integrado à Plataforma de Ensino e Interação com a Sociedade do Instituto de Investigação em Imunologia – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - iii-INC. O iii-INCT é um instituto virtual de trabalho em rede, dentro do programa dos INCTs do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Entre suas metas, os INCTs têm como missão estabelecer interações com a sociedade como um todo. Nesse sentido, nessa plataforma, temos como principal objetivo desenvolver atividades educacionais e comunicação com a sociedade, visando o compartilhamento dos diversos saberes existentes dentro do iii, criando um espaço aberto de debate científico/pedagógico na interação com a sociedade. O projeto Imunologia nas escolas tem como proposta desenvolver atividades de discussão, debates e oficinas de temas de imunologia, com professores e alunos do ensino médio de escolas públicas. Com este projeto, visamos compartilhar saberes científicos e discutir como a metodologia científica em diálogo com outros saberes pode contribuir para mais uma - 194 -


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leitura da realidade e para a busca de soluções de problemas. O projeto também se propõe despertar a curiosidade para o pensamento e descobertas científicos, identificando vocações, contribuindo para a construção de sujeitos mais críticos, criativos e transformadores da realidade. O desenvolvimento das atividades conta com uma equipe multidisciplinar tendo como participantes pesquisadores, alunos de graduação e pósgraduação. Essa condição favorece a formação de pesquisadores mais democráticos na relação com o conhecimento. O Projeto envolve ações educacionais voltadas à educação pública e ao desenvolvimento de temas relacionados à imunologia. Ao longo do ano de 2010 realizamos um projeto piloto junto à Escola Estadual Romeu de Moraes, no município de São Paulo, com 40 alunos de ensino médio e, com base nesta experiência, em 2011, ampliamos o projeto para 140 alunos. Realizamos atividades nos laboratórios de pesquisa do iii-INCT, no Instituto do Coração e Faculdade de Medicina da USP, visando oferecer aos jovens estudantes e professores da escola uma oportunidade de testemunhar um pouco da vida científica em nosso país, e desenvolver algumas atividades práticas de laboratório. No âmbito da escola, construímos um programa de encontros regulares com um rol diversificado e articulado de estratégias didáticas tratando de temas como: AIDS, transplantes, vacinas, câncer, resposta imune e asma. O desenvolvimento desse trabalho nos mostrou a necessidade de ações complementares à atividade desenvolvida na escola: estágios de pré-iniciação científica (Pré-IC) e formação continuada de professores de biologia. Nesse sentido, iniciamos em 2011 um programa de pré-iniciação científica com a seleção de 15 alunos da escola que passaram a desenvolver pequenos projetos de pesquisa nos laboratórios do iii-INCT e colaboradores, subsidiados com bolsas e com supervisão de nossos pesquisadores e alunos de pós-graduação. Essa ação tem possibilitado, para os alunos do Ensino Médio, um contato mais aprofundado com os temas e com o processo da produção do conhecimento. Para a escola, esse grupo de alunos tem possibilitado uma oportunidade de inserir a questão da ciência e da produção do conhecimento no cotidiano dos alunos e das salas de aula, - 195 -


uma vez que o grupo de Pré-ICs se reúnem periodicamente na escola. Aliado do programa de Pré-IC, iniciaremos um programa de iniciação ao Jornalismo Científico para um grupo menor de alunos com interesse na área. O objetivo do programa é capacitar os alunos para o registro criativo e comunicacional sobre a experiência da Pré-IC no “Projeto Imunologia nas Escolas”, desenvolvendo não apenas material de divulgação sobre os projetos, mas, sobretudo, sobre o impacto desta experiência na vida destes jovens. Palavras-chave: imunologia, pré-iniciação científica

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Cultura científica universitária e a epistemologia das ciências Rafael Guerreiro Lara, Oswaldo Cezar Duarte Silva, Fernando Souza Evangelista, Felipe Garcia Ken Kamiya, Guilherme Henrique Vermiglio, João Vitor Silva Colombo, Pedro Edson Martins Amaral, Rodolfo Akio Ushida, Graciela de Souza Oliver (UFABC) rafael-guerreiro@uol.com.br A presente comunicação tem por objetivo relatar a elaboração de um vídeo de divulgação científica realizada pelos autores, bem como discutir as compreensões sobre este produto em diferentes momentos e locais de sua exposição. O vídeo em questão buscou fazer uma ligação entre a filosofia das ciências com o cotidiano e conhecimentos dos alunos, abordando com linguagem simples um dos significados epistemológicos do termo Ciência. Tais definições foram trabalhadas na disciplina de Bases Epistemológicas da Ciência Moderna, da Universidade Federal do ABC, culminando na orientação e produção do vídeo em várias etapas ao longo do quadrimestre. Atualmente o vídeo encontra-se disponível no seguinte endereço eletrônico e passou a ser de domínio público: http://www. youtube.com/watch?v=9gHG0C2jyxY. Deixou de ser apenas um trabalho acadêmico para ganhar múltiplos significados perante outros públicos. Palavras-chave: divulgação científica; cultura científica; mídias e públicos

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Oficina didática “Conhecendo As Aves”: divulgando ciência em um voo pela história evolutiva das aves Rafaela Bobato, Fernando Sedor, Camilla Felippe (Universidade Federal do Paraná) camilla.felippe@yahoo.com.br rafaelabobato@gmail.com A grande diversidade de formas e abundância, inclusive em ambientes urbanos, tornam as aves um dos grupos de vertebrados mais populares. É o segundo maior grupo dentre os vertebrados, e o mais abundante dentro dos tetrápodes terrestres, chegando a mais de 9000 espécies viventes. Essa característica condiz com a facilidade de relacionar o grupo com a realidade dos estudantes, de modo a contemplar melhores resultados na alfabetização e divulgação científica. A Ornitologia é o ramo especializado das Ciências Biológicas que tem as aves como objeto de estudo. Parte do que se conhece sobre comportamento, morfologia e ecologia dos atuais tetrápodes são derivados de estudos realizados com aves. Estudos sobre cuidado parental, vocalização e morfologia, realizados com aves e com crocodilianos, têm revelado algumas características comportamentais e morfológicas que foram herdadas de seus ancestrais arcossauros. O estudo das relações entre animais atuais pode colaborar na compreensão das interações comportamentais que podem ter ocorrido no passado em nosso planeta. A maioria dos livros-textos que são utilizados no Ensino Médio não contempla satisfatoriamente as temáticas referentes à origem das aves, a relação existente entre elas e os dinossauros, assim como o grau de parentesco entre as aves e os répteis atuais. As abordagens muitas vezes se restringem a visões simplistas e por vezes incompletas sobre o grupo. Falta à maioria dos alunos e professores da rede de Ensino Médio familiarização com particularidades e características que distinguem as aves dos demais grupos de vertebrados tetrápodes (e.g. anfíbios, répteis, mamíferos), desconhecendo as características que as tornam mais próximas dos seus atuais parentes os crocodilianos, além da relação entre ambos. Assim como um entendimento geral do processo evolutivo. Dentre os déficits no ensino sobre as aves ressaltam-se aspectos sobre: sua origem como um ramo especializado dos dinossauros, origem e evolução das penas, adaptações do esqueleto aos diferentes hábitos e especialmente ao voo, es- 198 -


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trutura e função dos sacos aéreos, homeotermia, reprodução, assim como características comportamentais. Partindo destes pressupostos idealizouse uma proposta de extensão cujo objetivo é familiarizar o público com os diferentes aspectos e particularidades das aves utilizando-se da aplicação de conteúdos através de exposições orais, painéis e técnicas demonstrativas com o uso de espécimes taxidermizados, esqueletos, diferentes tipos de penas, modelos e réplicas. A oficina “Conhecendo as Aves” é aplicada em um período médio de 4 horas, onde se utiliza o método científico de maneira interativa com os participantes. Através de observações dos materiais utilizados na oficina, procura-se levantar os aspectos polêmicos com relação ao tema, onde o público alvo é estimulado a levantar hipóteses e a pensar em possíveis explicações lógicas para a problemática levantada. Para isso relacionam-se as características comportamentais das aves, crocodilianos e alguns fósseis da linhagem dos terápodes e sua ancestralidade. Assim procura-se instigar a curiosidade dos participantes de modo a tornar o conteúdo agradável e interessante. A oficina tem sido aplicada em eventos de Extensão e Cultura da UFPR, em Feiras de Ciências e para alunos de Colégios de Ensino Médio e Fundamental, além de escolas de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA). Esta proposta já atingiu cerca de 250 participantes e tem se mostrado eficiente. Como a oficina proporciona aos participantes uma compreensão sobre a origem das aves, animais com os quais estamos em contato diariamente, e sobre suas características morfológicas e comportamentais, percebe-se uma maior conscientização acerca da fragilidade do grupo perante as alterações que vem ocorrendo nos ecossistemas e uma crescente preocupação com sua conservação. Além disso, a integração de conteúdos aparentemente sem relação permite aos participantes perceberem seu lugar na natureza, e não apenas utilizá-la como fonte de recursos. A experiência relatada, mostra que é possível divulgar assuntos científicos ao público leigo de maneira interativa, permitindo a construção conjunta de conhecimentos e não apenas a exposição dos mesmos. Palavras-chave: aves, evolução, educação em ciências

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Experiências escolares em contexto de mobilidade internacional Viviane Silveira Monteiro (Unicamp) monteirovs@yahoo.com.br A população mundial está em constante movimento. Migrantes de todo o tipo são presenças significativas nas sociedades em todo o mundo. Conforme a Divisão de Populações das Nações Unidas, 3% da população mundial vivem fora de seu país natal. A história do lugar, a identidade da comunidade e as políticas públicas influenciam a adaptação dessas populações em mobilidade. E os educadores são convidados a pensar a Educação desse contingente populacional crescente. Os brasileiros também estão inseridos nos fluxos migratórios mundiais em várias áreas como no setor de serviços, Diplomacia, profissões liberais, estudantes de pós-graduação, militares, missionários, esportistas no exterior, etc. Para os que pretendem retornar ao Brasil com suas famílias após um período de curto/médio/longo prazo há a reentrada, adaptação, adequação educacional, entre outras questões. Essa pesquisa pretende estudar um grupo de jovens brasileiros em período de escolarização obrigatória que experenciaram circulações internacionais/ mobilidades humanas e vivenciaram o processo de escolarização em contextos internacionais diferenciados. A proposta metodológica ancora-se em fontes documentais e, principalmente, não documentais tais como, depoimentos, entrevistas, álbum de família. A pesquisa está em andamento. Palavras-chave: educação, migração e política educacional

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Relato de experiência em divulgação científica: evento “Em clima de saúde: prevenindo com ciência”, integrante da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2011 Walleska de Rezende Modena Barcelos Goes (Centro de Pesquisas René Rachou- FIOCRUZ MINAS) walleska.goes@cpqrr.fiocruz.br Neste trabalho são apresentados os projetos itinerantes “Conheça os cientistas da sua terra” e “Cientista ao vivo”, que aconteceram no evento “Em clima de saúde: prevenindo com ciência”. O evento integrou a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) de 2011, que é lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e cujo tema deste ano foi “Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos”. O objetivo principal dessa iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia é mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas e atividades de Ciência e Tecnologia (C&T), valorizando a criatividade, a atitude científica e a inovação. O público alvo foram alunos e professores da Educação Básica, principalmente das séries finais do ensino fundamental e médio de escolas municipais e públicas da cidade de Belo Horizonte, MG. A exposição sobre cientistas mineiros denominada “Conheça os cientistas de sua terra” é composta por 18 (dezoito) grandes painéis, com fotos e textos informativos sobre cientistas mineiros importantes no passado e no presente. Foram privilegiadas informações referentes às descobertas e objetos de pesquisa que de alguma forma influenciaram a sociedade, que são abordadas em linguagem simples e de fácil compreensão. Associada à exposição há uma “cruzadinha” chamada “Caça ao cientista” que foi preenchida pelos alunos participantes com as informações expostas na exposição. O projeto “Cientista ao Vivo” consiste em um bate-papo entre um cientista convidado e o público. O pesquisador pode divulgar suas pesquisas e comentar sobre estado atual da área da ciência em que atua. O objetivo dessa conversa é a aproximação entre os jovens e o cientista convidado, possibilitando o intercâmbio de ideias, a popularização da ciência e da tecnologia sobre temas de saúde e ambiente, o incentivo de vocações científicas e a desmistificação da figura do cientista. Ambos projetos são viabilizados pelo financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). As atividades foram rea- 201 -


lizadas pelo Laboratório de Educação em Saúde e Ambiente (LaESA) do Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR – Fiocruz/Minas) em parceria com a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG). As instalações da ESP-MG em Belo Horizonte sediaram o evento durante os dias 17 e 22 de outubro de 2011. Esta proposição se sustentou no compromisso que estas instituições têm com a socialização no âmbito da coletividade no que se refere à concepção de saúde em seu sentido ampliado. E, baseando-se na perspectiva da promoção da saúde, o espaço de popularização da ciência contemplou os temas da Semana em 2011. Em virtude do que foi mencionado, será feita uma descrição dessas exposições, fornecendo informações sobre o público visitante e um balanço geral do evento. Link do blog do projeto “Cientista ao vivo, Cientista online”: http://www.cientistaaovivocientistaonline.blogspot.com/ Palavras-chave: divulgação; cientistas; saúde

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Ciliares: um jogo cooperativo Luciana M. Monaco, Djana Contier Fares, Eliane Mingues, Luciana Martins, Ana Maria Navas (Percebe, Pesquisa Consultoria e Treinamento Educacional) djanacontier@percebeeduca.com.br Como resultado do edital lançado em 2010 pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo foi desenvolvido um jogo colaborativo sobre matas ciliares destinado a alunos do Ensino Fundamental II, equipes pedagógicas do ensino formal e não formal e agentes de organizações da sociedade civil envolvidos com questões ambientais. O objetivo do material era explorar aspectos ambientais, sociais e econômicos dos processos de intervenção e recuperação dessa formação arbórea. Denominado CILIARES o jogo tem por objetivo a recuperação de uma mata ciliar hipotética, situada em uma micro-bacia hidrográfica, na qual determinadas condições biológicas, ecológicas, geográficas e de ocupação humana estão representadas. De caráter colaborativo, CILIARES tem o formato de um jogo de tabuleiro e propõe a participação dos jogadores por meio de “personagens” que em uma assembléia devem tomar decisões para recuperar a qualidade socioambiental dessa bacia. Cada um dos jogadores deve assumir o papel de um ator social específico – agricultor, gestor de unidade de conservação, usineiro, quilombola, veranista, engenheiro de central hidroelétrica, entre outros – e deverá argumentar sobre que ações são mais efetivas para o restabelecimento da mata. Diante de situações-problema propostas no jogo, e apresentadas por um mediador, o grupo deve propor uma solução que represente um consenso entre os participantes. A intervenção dos jogadores ocorre por meio das competências de cada personagem – investimento, trabalho e conhecimento - e por ações especificas fornecidas pelas cartas do jogo. Antes da finalização do material foi realizada uma avaliação qualitativa com o objetivo de adequar a linguagem e a dinâmica proposta para o jogo (conteúdos, tempo proposto, número de jogadores, disposição dos recursos, etc.), bem como os aspectos relacionados ao envolvimento e à participação. A avaliação foi realizada em março de 2011 junto a quatro turmas de 5º e 6º anos de uma escola pública da cidade de São Paulo, com um total de 24 alunos. - 203 -


O instrumento de análise foi desenvolvido por meio de “questões guias” sobre o comportamento e a compreensão dos alunos frente ao jogo e sobre aspectos relacionados ao seu funcionamento como regras, tempo de jogo, número mínimo e máximo de jogadores, uso das cartas e uso dos recursos. Entre as questões que orientaram a observação da aplicação do jogo, ou pré-teste, podem-se elencar: (I) receptividade do jogo pelos alunos mediante o tipo de reação propiciada: surpresa, curiosidade, rejeição, etc.; (II) capacidade de leitura: diagramação do texto, compreensão do conteúdo, uso do glossário, entre outros; (3) papel do mediador: se teve ou não um papel ativo, se facilitou ou não a tomada de decisão, se promoveu a discussão; (IV) envolvimento e participação no jogo: se houve ou não manifestações de interesse pelo material; (V) colaboração: se os jogadores realizaram as ações em colaboração com os demais participantes e (VI) concentração durante a atividade: se o jogo manteve os alunos voltados ao seu desenvolvimento. Foram realizadas, ainda, observações sobre cada turma em relação à idade dos participantes e o conhecimento prévio sobre o assunto. Um primeiro aspecto resultante da avaliação foi o interesse e a surpresa despertados pelo aspecto físico do jogo. Observou-se a curiosidade de todos os alunos em manusear o tabuleiro e tentar descobrir os seus componentes. Aspectos ligados à ludicidade, ou seja, despertar a vontade de explorar uma nova linguagem que não apenas a escrita, por meio de sentidos visuais e táteis parecem ter sido amplamente atingidos bem como aqueles ligados à funcionalidade do jogo. Outro ponto a ser destacado das observações do pré-teste foi a ocorrência de debates acerca da escolha das ações entre os participantes. Um importante critério adotado pelas turmas foi a inclusão do maior número possível de personagens, ou seja, um critério cooperativo. As ações que tinham “todos” os envolvidos foram eleitas pelos jogadores em detrimento de ações que exigissem a presença de apenas um personagem. A avaliação nos possibilitou concluir, ainda, que nas escolas o jogo deverá ser encaminhado pelo professor. Em outros espaços, como organizações da sociedade civil, um responsável pelo grupo poderá realizar esse papel de mediador, apresentando o tabuleiro e discutindo seus diferentes elementos, como a localização das áreas e suas características físicas, sociais, biológicas, históricas, etc. Além da apresentação e do re- 204 -


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conhecimento do jogo, caberia ainda ao mediador a apresentação sucinta das regras gerais à turma e a escolha de um líder que durante o jogo ficará responsável por encaminhar a discussão do grupo. Ficou evidente durante esse processo avaliativo que CILIARES é um jogo com grande potencial de articulação interdisciplinar, possibilitando o trabalho conjunto de diferentes áreas, como ciências, história e geografia, além de português e matemática. Dessa forma ele pode ser usado dentro de inúmeros projetos de ensino que articulem, várias disciplinas ao longo de um conjunto de aulas. Palavras-chave: jogo cooperativo, mata ciliar, ensino fundamental

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Descrição poética - um projeto empreendedor Maria Joana Brito da Silva Montes (UFABC) joanabsmontes@hotmail.com Este trabalho é um relato de experiência desenvolvida na EMEF “Profª Ildete Mendonça Barbosa”, com alunos da Sala de Recursos (Multifuncional). A escola em questão é situada na cidade de São José dos Campos e funciona com dois períodos, sendo que, pela manhã, atende ciclo II (6º ao 9º ano) e à tarde, ciclo I (1º ao 5º ano). Numa reflexão com um grupo de alunos, deixou-se transparecer um sonho em comum: o de poder trabalhar e atingir o sucesso que estão vivenciando com as atividades de Arte. Nesta busca coletiva de reconhecimento e inclusão no âmbito social e profissional, pensou-se no projeto empreendedor da Sala de Recursos. Para desenvolvê-lo, houve uma sequência de atividades com leitura/escrita e conhecimentos de arte/pintura. O tema “O mar e a sustentabilidade” trata-se de uma proposta interdisciplinar, iniciando pela descrição de imagens, estudo de textos informativos, meio ambiente e sustentabilidade, entre outros eixos curriculares. No primeiro momento, procuraram na internet imagens marítimas; depois, fizeram a descrição destas imagens; por fim, uma releitura utilizando técnicas diferenciadas de textura e pintura com tinta acrílica e guache. As imagens foram digitalizadas e colocadas como pano de fundo dos textos descritos. Palavras-chave: interdisciplinaridade, arte, descrição poética, empreendedorismo

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1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Percepção pública e recepção da ciência

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Percepção pública da ciência: uma das vias da divulgação científica no México Milagros Varguez Ramírez Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterrey milagrosvarguez@gmail.com Nas últimas décadas, o desenvolvimento acelerado da ciência e da tecnologia tem mostrado, cada vez e de maneira mais evidente, a inter-relação entre ciência e tecnologia com a vida cotidiana. Seu impacto sobre os modos de vida das pessoas tem sido tanto que se faz necessário conhecer seu alcance, acertos e falhas, assim como as implicações que aconteçam a partir desses. Mesmo assim, as agendas políticas assinalam a necessidade de entender de que maneira a sociedade percebe a ciência e a tecnologia, seus produtos, instituições, processos, os riscos e benefícios, entre outros a fim de determinadas propostas. Vogt, Righetti, Figueiredo, Castelfranchi et al. (2008) afirmam que o caminho escolhido para responder estas questões tem sido o desenvolvimento de indicadores que permitam avaliar o jeito em que envolve a percepção pública, a participação dos cidadãos e a cultura científica em geral. A aplicação de enquetes de percepção pública da ciência e tecnologia é uma das vias para conhecer as tendências de opinião de um grande número de pessoas e ajuda a medir o grau de legitimidade que a ciência e a tecnologia gozam dentro de uma sociedade. “O terreno da percepção social da ciência é um exemplo de esse novo tipo de indicadores que necessitam ser construídos para afrontar de maneira mais adequada a relação ciência-sociedade e melhorar as estratégias de comunicação da ciência e a tecnologia” (Polino, López Cerezo, Fazio y Casletfranchi, 2006, p.53). O interesse por saber o que os cidadãos opinam sobre a ciência teve lugar não somente no Ocidente, senão que pouco a pouco se foi convertendo numa necessidade por parte de alguns acadêmicos e dos governos interessados em melhorar suas políticas públicas de ciência e tecnologia. Do mesmo modo que outros países, o México também teve a necessidade de saber o que opina a sociedade mexicana sobre a ciência e a tecnologia. No México, o Consejo Nacional de Ciência e Tecnologia (CONACYT) realizou, em 1997, a primeira Enquete sobre a percepção - 209 -


Pública de ciência e tecnologia, também conhecida como ENPECYT. Em 2001, o CONACYT levou a cabo sua segunda Enquete sobre a Percepção Pública da Ciência e Tecnologia em colaboração com o Instituto Nacional de Estadística, Geografia e Informática (INEGI) com a finalidade de dar continuidade ao levantamento de 1997 e de melhorar os indicadores que se tinham utilizado. A partir dessa data, os estudos de percepção pública de ciência e tecnologia no México se realizam de maneira continua cada dois anos: 2001, 2003, 2005, 2007, 2009 e 2011. Os resultados e a metodologia utilizada são postos à disposição pública através do Informe General de Ciencia y Tecnología, o qual pode ser encontrado de maneira electrónica em a rede através do portal do CONACYT (http://www.conacyt. mx). Um dos benefícios da Enquete sobre a Percepção Pública da Ciência e Tecnologia é que esta pode servir para fortalecer, mudar ou criar novas estratégias de divulgação científica e participação social onde os cidadãos não somente sejam receptores, senão que também sejam emissores e se envolvam nas atividades relacionadas com a ciência e a tecnologia. Na página oficial de Internet do CONACYT, na sessão de Divulgação e Comunicação, faz referencia à Enquete de Percepção Pública da Ciência e a Tecnologia realizada no ano 2001 a qual revelou que, apesar de que existir certo interesse por parte da população mexicana por temas científicos e tecnológicos, as pessoas não compreendem a relevância da ciência e a tecnologia em sua vida diária. Por isso, o CONACYT (2011) assinala que “é necessário fazer maiores esforços para que a difusão e divulgação dos conhecimentos científicos e tecnológicos cheguem de melhor forma a um maior número de pessoas, sendo o desejável que todas as pessoas estejam bem informadas”. Para isso, o CONACYT tem posto em prática diversos programas que têm como finalidade aproximar a ciência à sociedade: a revista Ciencia y Desarrollo, a Semana Nacional de Ciencia e Tecnología, Noti-niños e as publicações de CONACYT são exemplos de tais iniciativas. Embora os resultados ainda não sejam frutíferos, existem projetos de divulgação científica que devem ser avaliados para poder definir sua permanência ou bem sua reforma e ditos projetos possam assim aproximar a ciência e a tecnologia da sociedade mexicana CONACYT. (2011). Divulgación y Comunicación. Acessado em 12 de - 210 -


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fevereiro de 2012 http://www.conacyt.mx/comunicacion/Paginas/default.aspx POLINO, C., LÓPEZ, J., FAZIO, M., e CASTELFRANCHI, Y. (2006). Nuevas herramientas y direcciones hacia una mejor comprensión de la percepción social de la ciencia en los países del ámbito Iberoamericano. In: RICYT, Principales Indicadores de Ciencia y Tecnología Iberoamericanos / Interamericanos 2006 (pp. 51-60). Buenos Aires. VOGT, C. et al. Percepción Pública de la ciencia. Estudios Realizados en São Paulo y en Brasil y la búsqueda integrada de estándares nacionales e internacionales. Congreso Iberoamericano de Ciudadanía y Políticas Públicas en Ciencia y Tecnología, Madrid, 2008. Palavras-chave: percepção pública da ciência, divulgação científica, enquetes

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A divulgação científica para dentro da ciência Bruno Lara de Castro Manso UFRJ/IBICT bruno.lara@yahoo.com.br Os conhecimentos em Ciência e Tecnologia (C&T) têm sido enraizados no cotidiano social de forma mais intensa a partir da segunda metade do século XX, fruto de mais investimentos no setor, cujos recursos em sua grande maioria, no Brasil, são oriundos do Estado. Este cenário amplia significativamente a responsabilidade e a importância de desenvolver também a estrutura da divulgação científica, permitindo aumentar os esforços para a inclusão social, a justiça, a igualdade, educação, a transparência e a democracia. A apropriação deste conhecimento é elemento-chave na ascensão social e conquista (partilhada) do poder, o que significa a substituição do tradicional “K” (capital) pela sabedoria em C&T. Comumente, observa-se na literatura o emprego do termo science literacy para se referir, resumidamente, à alfabetização científica pelos cidadãos leigos em conhecimento de C&T. O ato de popularizar a ciência insere-se no permanente ciclo da espiral da cultura científica, composta pelas fases: 1) produção e difusão da ciência; 2) ensino da ciência e formação de cientistas; 3) ensino para a ciência; 4) divulgação da ciência. As duas primeiras etapas correspondem mais estritamente à comunicação científica, ou seja, produção e circulação do conhecimento científico entre os pares, através de código fechado e linguagem especializada. Já as outras duas etapas, principalmente a quarta, dizem respeito à socialização da ciência, portanto, relacionamento do meio acadêmico com o ambiente externo. Este elo é estabelecido essencialmente por pesquisadores das ciências humanas e sociais, mais engajados no desenvolvimento das funções da divulgação científica: a) educacional, b) cívica e c) de mobilização popular. A literatura sempre destaca a questão educacional, seja por meios informais, como museus de ciência e a mídia (principalmente o jornalismo científico), ou formais, como atividades nas salas de aula dos ensinos fundamental e médio. Os cientistas das humanas e sociais adotam com mais frequência a produção de livros, cuja linguagem, geralmente, é mais - 212 -


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extensa e acessível, de modo que um público amplo possa entender o conteúdo com mais facilidade. Por outro lado, os pesquisadores das áreas exatas e naturais são, em geral, mais adeptos às práticas internas de autonomia do campo, motivo pelo qual a comunicação deles é mais restrita e seleta. Esse perfil foi fundamental para a institucionalização e (relativa) autonomia científica em relação à sociedade. Porém, a divulgação possui grande responsabilidade de evitar que esse saber fique enclausurado entre os pares. Mais do que traduzir o conhecimento em C&T, é preciso explorá-lo criticamente, apresentando vantagens e desvantagens da atmosfera acadêmica, bem como os resultados e andamentos das pesquisas, os métodos, as parcerias, a cultura, a ética, os conflitos etc. O desenvolvimento da ciência pós-moderna requer esse diálogo (sensocomunicativo) com outros interagentes sociais. Essa tarefa pode ser bastante complicada, pois muitos cientistas enxergam a popularização como uma atividade de menor importância, dificultando o trabalho do divulgador e comprometendo o ciclo da cultura científica, que se amplia a cada complemento (por isso o conceito de espiral). As tensões entre comunicação científica e divulgação científica se referem mais precisamente: ao público; ao nível do discurso; à natureza dos canais; e à divergência das intenções. Um conflito tradicional é o que envolve a imprensa e os pesquisadores, devido às barreiras para compreender os trabalhos alheios, pois os atores possuem diferentes prioridades, tempos de atividades, metodologias, visões de público etc. Por exemplo, o caráter espetacular e sensacionalista da mídia gera desconfiança em quem produz C&T. No que diz respeito a esse tópico, sugere-se a aplicação da teoria do agir comunicativo, do filósofo alemão Jürgen Habermas. A proposta é permitir que os planos de ação entre os atores do processo sejam baseados no mútuo entendimento, ou seja, levando em consideração também o ponto de vista do interlocutor, em vez de privilegiar apenas a própria perspectiva (agir estratégico). Diante das divergências, há espaço para a busca de interpretações e objetivos comuns em que Alter e Ego utilizam o potencial de ligação da linguagem e compartilham a situação. Vários autores criticam também a falta de incentivo político-institucional para a prática e estudos da divulgação científica, o que configura - 213 -


um desnível no ciclo, pois os aspectos relacionados aos quadrantes da produção têm sido mais privilegiados. Embora iniciativas importantes tenham sido postas em prática, como a criação do Departamento de Popularização e Divulgação da Ciência do Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2004, há a necessidade de movimento maior que agregue atividades e atuantes na área, de forma a ampliar, também, a força dos quadrantes “3” e “4” da espiral da cultura científica. Assim, a divulgação científica deve ser popularizada também dentro da própria ciência, não apenas exteriormente, pois o acesso à fonte da produção e o bom relacionamento com os respectivos atores são fundamentais para concretizar a sociedade da informação, na qual os cidadãos sejam capacitados informacionalmente para os desafios cotidianos. Palavras-chave: divulgação científica, compartilhamento, entendimento

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A psicanálise como instrumento do mapa noturno que leva ao receptor de notícias Fábio Lúcio Sanchez IEL-Labjor-Unicamp fabio@prometeu.com.br A proposta de retirar a recepção e o receptor da posição de uma das partes do processo de comunicação, para instalá-los como um lugar de onde se observa o processo, uma proposta de Jesus Martín-Barbero, ilumina esta pesquisa. Esta se baseia no percurso de busca da subjetividade, para a qual caminha a teoria da comunicação, e busca colaborar com a constituição do “mapa noturno” proposto por Barbero, ou seja, busca indícios teóricos e empíricos da ação da subjetividade do receptor de notícias e os efeitos de sua criação de sentidos. Além da aproximação da comunicação com as teorias de recepção, o pano de fundo para essa pesquisa é a busca que tem se dado, em alguns campos do pensamento, pelo sujeito cartesiano, que Slavoj Zizek definiu como sendo hoje um sujeito ‘incômodo”, porque ao valorizar a individualidade contraria diversas linhas de pensamento contemporâneas que estão acomodadas em seus paradigmas por motivos políticos ou morais. Para compor esse ambiente, esta pesquisa lança mão da psicanálise, que estrutura a subjetividade de forma a que ela possa ser aplicada ao contexto social, o que vem sendo feito desde Freud. Diversos pressupostos psicanalíticos, como nossa pesquisa vem constatando, podem ser prismados com as teorias da comunicação de modo a explicá-las e a ampliar sua compreensão. Tome-se, por exemplo, a espiral do silêncio, hipótese de Elisabeth Noelle-Neumann, que denuncia a opressão do outro sobre a emissão da opinião, em nada distinta da opressão do superego coletivo freudiano. Outra teoria, a do efeito terceira-pessoa, segundo a qual um sujeito tende a achar que uma notícia intencionalmente persuasiva sempre influenciará mais os outros do que ele próprio, convoca a ideia psicanalítica de “realidade psíquica”. Por ser baseada numa teoria coerente e firmada no empirismo, a psicanálise permite também evitar o império do significante e o exagero relativista, onde o receptor seria senhor do processo. O sujeito psicana- 215 -


lítico é mais frágil do que supõe esses exageros, não é senhor nem de si mesmo. Acreditamos que a teoria psicanalítica pode ser de grande valia para o estudo da comunicação e do receptor de notícias, como tem sido para o estudo do receptor na literatura (que avançou mais do que a comunicação neste estudo do subjetivismo do receptor). Esta pesquisa busca um cimento empírico e teórico para esta interdisciplinaridade na análise do mal-estar psíquico trazido pela crise da democracia representativa. Trata-se aqui de pensar a reação das pessoas ao noticiário político, considerando as teses expostas por um Freud focado na interligação do subjetivismo com o social, como em “O mal-estar na civilização”, “Psicologia das massas e análise do eu” e “Totem e Tabu” entre outras, mas também a teoria das pulsões que surge em “Além do princípio do prazer”. Sem exilar a cosmologia lacaniana, de grande contribuição para compreensão da interface sócio-psíquica. Experimentaremos um modelo de investigação empírica que buscará opiniões sobre a cobertura de um “mal-estar” emblemático, o do deputado federal Tiririca. A riqueza da teoria psicanalítica parece permitir a detecção não só do emblema, mas também da ambivalência do comportamento do sujeito receptor com relação a ele. O noticiário e a cobertura sobre seu surgimento como ente parlamentar geram um evidente gozo, a ponto de merecer a criação de dezenas de perfis fakes nas redes sociais com seu nome. Por que é tão prazeroso falar mal de Tiririca? A ambivalência, uma teoria belíssima da psicanálise que enlaça o sujeito com seu inimigo, pode oferecer chaves para acessar a compreensão desse fenômeno e de outros que permeiam o dia-a-dia da imprensa. Palavras-chave: comunicação, psicanálise, receptor

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A simplificação da linguagem jurídica: os paradigmas para a efetivação dos direitos fundamentais e o acesso à justiça Priscila Silva Montes Unesp priscilas.sm@gmail.com A sociedade pós-moderna é caracterizada por ser fragmentada, plural e incerta. Em meio a essa diversidade encontram-se como barreiras para efetivação da democracia e para a concretização de outros direitos importantes consagrados no texto constitucional, a universalização de princípios e valores bem como a aceitação do outro diante de conflitos de identidade. Neste cenário, o Estado encontra a difícil tarefa de organizar estruturas de poder que reconheçam esses grupos de forma equânime. O presente trabalho pretende analisar a interferência da linguagem técnica, utilizada por operadores do direito, durante a decorrência do processo judicial para o entendimento pela parte leiga, em que pese a sua representação por advogado, a fim de que esta possa lutar para que se apresente diante do magistrado a verdade real. Neste mesmo sentido, observa-se que tal problemática é inerente a sociedade técnica. Esta coloca as ciências jurídicas à margem dos problemas concretos do homem. Conforme leciona Jacques Ellul (1976), é impossível para um técnico o reconhecimento do conhecimento doutrinário, de uma jurisprudência de conceitos e de um direito que se estabeleça apenas em princípios, em virtude de ser a pretensão deste a construção de uma sociedade extremamente organizada em que não apenas a sociedade obedeça às normas exatamente do modo que ele idealizou, como também os juízes e outros aplicadores do direito e funcionários da justiça, de modo que não haja espaço para interpretações e deformações da norma original. Para tanto, é observada uma proliferação de leis, a grande maioria com uma linguagem específica e de difícil entendimento, visando atender tal necessidade dos técnicos. Isso sintetiza um direito que diz respeito a uma sociedade organizada, porém cujo funcionamento, muitas vezes, não é coerente com a realidade da população, bem como não contribui para a efetivação de direitos e princípios constitucionais. Nesta perspectiva, apresenta-se o conceito de acesso à justiça, um dos pilares do Programa Nacional de Direitos Humanos. Este consiste em um princípio mais abrangente que o simples direito - 217 -


de demandar e ser representado por um patrono. Significa, assim, o direito da parte de ter uma compreensão mínima do que está acontecendo e poder exigir quando estiver se sentindo lesado. O direito deveria ser instrumento de luta para as promessas da modernidade e, muitas vezes, não é o que ocorre no Brasil, em que se mostra de forma arcaica, liberalindividualista e, por conta de seu engessamento, tem se deslegitimado. Desse modo, o objetivo desta pesquisa é identificar os problemas que a comunicação deficiente entre emissor e receptor, durante o processo judicial, ocasionado pela linguagem técnico-jurídica, pode trazer para concretização da democracia, para o acesso à justiça e para a real efetivação de direitos fundamentais. Para tal estudo, utilizam-se como referências teóricas as leituras antagônicas, mas complementares, de Habermas e Rorty. A metodologia deste trabalho é a dedutiva. Pretende-se, ainda, no decorrer do estudo, realizar uma pesquisa empírica a fim de apurar dados acerca da comunicação entre operadores do direito e partes processuais. Não há resultados parciais disponíveis, uma vez que a pesquisa encontrase em andamento. Palavras-chave: linguagem jurídica, acesso à justiça, democracia

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Divulgação científica e saúde

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Site - disseminação e difusão de um sistema minimamente invasivo para o monitoramento de parâmetros médicos Maria Vicentini IEA-USP/SC m.vicentini7@gmail.com O site picmi objetiva divulgar o sistema minimamente invasivo para monitorar a Pressão Intracraniana. O equipamento, que é uma inovação em saúde, foi desenvolvido pelo Prof. Sérgio Mascarenhas, físico da USP de São Carlos, e está em fase de registro na ANVISA. O site disponibiliza acesso às informações para especialistas, profissionais de saúde e publico em geral, com enfoque nas doenças que apresentam elevação na pressão intracraniana, tais como: traumas, AVC, epilepsia, hidrocefalia, entre outras. Orienta em situações de emergência e contribui para criar uma rede de profissionais no âmbito da neurociência e neurocirurgia. O apoio concedido pela OPAS- Organização Pan Americana de Saúde compreende a divulgação em toda a América Latina, através do site e dos cursos disponibilizados no endereço www.difusaopicmi.com.br. Palavras-chave: pressão intracraniana, disseminação, inovação em saúde

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Isolamento compulsório de hansenianos em São Paulo: ciência, imprensa e política Guilherme Gorgulho Braz IEL-Labjor-Unicamp guilherme.gorgulho@gmail.com Nas primeiras décadas do século XX, o Estado de São Paulo foi palco de uma endemia de hanseníase que se alastrou com os fluxos migratórios, obrigando o governo a estabelecer uma política de saúde pública de combate à doença. Apesar da ausência de um consenso científico sobre a gestão do controle endêmico, a opção que prevaleceu foi a do confinamento compulsório em asilos-colônias para todos que manifestassem a moléstia. No caso paulista, a austeridade do modelo de profilaxia foi um caso à parte porque se estendeu até 1967, cinco anos depois de o governo brasileiro já ter extinguido o degredo. Apesar da rigidez das medidas, a ação intransigente foi justificada em nome do “bem comum”, o que contribuiu para uma reafirmação do estigma medieval da “lepra”. A política isolacionista perseverou por quatro décadas em São Paulo com poucas vozes dissonantes no meio acadêmico e com o apoio fundamental da imprensa, que refletia a opinião dominante da época. Apesar de o primeiro dos cinco leprosários paulistas ter sido inaugurado em 1928, o isolamento compulsório começou efetivamente a ser implantado a partir de 1933, quando um decreto transferiu ao controle do Estado todos os cinco asilos-colônias existentes no território paulista. Formada a rede asilar, o controle sobre os hansenianos passou a ser exercido efetivamente pela Inspetoria de Profilaxia da Lepra (IPL), órgão estadual que centralizava as ações contra a doença. Até o início da década de 1940, a hanseníase era considerada uma doença incurável, mas em 1941 foi descoberta a eficácia das sulfonas no combate ao bacilo causador do mal de Hansen. Divergências sobre a política de isolamento compulsório foram manifestadas em conferências científicas internacionais ao longo das décadas de 1940 e 1950, mas o modelo paulista não se alterou. Esta pesquisa pretende investigar como se sustentou o quadro de perseguição aos hansenianos, privados do convívio social em estabelecimentos similares a presídios ou campos de concentração, por meio da compreensão do papel exercido pela imprensa paulista no fortalecimento - 222 -


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da política pública de internação compulsória. A hipótese que se coloca é que a mídia impressa se engajou na defesa dos interesses do governo estadual, apesar dos claros descontentamentos entre os pacientes e de vozes discordantes entre os cientistas. Monteiro destaca que, enquanto o governo paulista aplicava a internação em massa, outros Estados adotavam um modelo seletivo, que exilava apenas os casos contagiantes, como preconizado em congressos internacionais. A imprensa em São Paulo era também muito próxima do serviço profilático oficial, que recebia cobertura elogiosa dos jornais paulistas. “O doente, de forma geral, era reportado ou como alguém digno de compaixão, quando estava dentro dos muros das instituições asilares, ou com um ser malévolo e perigoso, caso estivesse solto ou intentasse fugir. (...) O pânico contribuía para vender jornais e garantir o endosso da população às medidas de arbítrio” (Monteiro, 1995). Igualmente a comunidade científica paulista manteve majoritariamente uma postura de adesão ao modelo isolacionista, conforme análise do principal veículo de divulgação científica do setor na época, a Revista de Leprologia de São Paulo, criada em 1933 e que passou a se chamar Revista Brasileira de Leprologia em 1936. Conforme Monteiro, “a adoção do isolamento compulsório não foi fruto de unanimidade entre os especialistas da época, e sim consequente ao fato de o grupo médico que galgou o poder, após a Revolução de 1930, endossar a tese da necessidade da segregação”. A manutenção do modelo de degredo de São Paulo foi possível graças a uma confluência de interesses entre ciência, governo e sociedade civil. Esta pesquisa vai analisar notícias divulgadas, entre 1933 e 1967, pelos jornais Folha da Manhã, Folha da Noite, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Além disso, serão analisados notícias e artigos científicos publicados nas edições trimestrais da Revista de Leprologia de São Paulo/ Revista Brasileira de Leprologia em relação a quatro períodos considerados significativos. O primeiro vai de junho de 1933 – quando o Estado encampou os cinco leprosários – a março de 1938 – quando a 4ª Conferência Internacional de Lepra ainda recomendava o isolamento. O segundo período vai de novembro de 1943 – quando a eficácia das sulfonas foi inicialmente descrita na literatura – a agosto de 1945 – quando uma revolta armada se espalhou pelos estabelecimentos asilares. O terceiro perí- 223 -


odo vai de abril de 1948 – quando o 5º Congresso Internacional de Lepra recomendou que se isolassem somente os casos infectantes – a novembro de 1958 – quando o 7° Congresso Internacional de Leprologia classificou o isolamento como “obsoleto” e “anacrônico”. O quarto e último período vai de maio de 1962 – quando o governo brasileiro determinou o fim do isolamento compulsório – a agosto de 1967, quando uma portaria determinou que as internações indiscriminadas fossem proibidas no Estado. ARAÚJO, Heráclites Cesar de Souza. História da Lepra no Brasil (15001952). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1956, 3 volumes. CAPELATO, Maria Helena. Os Arautos do Liberalismo: Imprensa Paulista – 1920-1945. São Paulo: Editora Brasiliense, 1989. MONTEIRO, Yara Nogueira. Da Maldição Divina à Exclusão Social: Um Estudo da Hanseníase em São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 1995. (Tese de doutoramento em História Social) Palavras-chave: Hanseníase; isolamento; imprensa.

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Publicação de pesquisas relacionadas à saúde em dois prestigiados jornais brasileiros Marcela Carlini IEL-Labjor-Unicamp majornalista@gmail.com A divulgação por jornais de notícias relacionadas à saúde pode influenciar o comportamento de pacientes e de profissionais de saúde e é presumido que o tópico pesquisa científica é um dos mais explorados. Os meios de comunicação utilizam alguns modelos de apresentação de notícias que podem influenciar seus leitores, entre eles, o framing (enquadramento), utilizado por jornalistas e outros comunicadores para apresentar a informação de uma maneira que ela corresponda a esquemas subjacentes já existentes entre o seu público (SHOEMAKER;REESE, 1996). Isto não quer dizer que a maioria dos jornalistas tenta distorcer uma história ou enganar o público. Na verdade, o framing, para eles, é apenas uma ferramenta necessária para reduzir a complexidade de determinado assunto, de acordo com as limitações de suas respectivas mídias, relacionadas às lacunas de notícias e de tempo (GANS, 1979). Buscando evidenciar a presença de enquadramentos na divulgação de ciências da saúde na mídia brasileira, este trabalho tem como objetivo destacar como as matérias sobre ciência em saúde foram enquadradas em dois jornais de maior circulação no país. Analisou-se as características das notícias relacionadas à saúde publicadas nas versões eletrônicas dos jornais brasileiros Folha de S. Paulo (FSP) e o Estado de S. Paulo (OESP), por um período de três meses. Foram incluídos apenas os artigos que mencionaram pesquisas e estes foram categorizados de acordo com o assunto, fonte, local do estudo e natureza do título do artigo. Foram analisadas também a presença de conhecimento prévio sobre o assunto, citação do periódico científico, contextualização nacional e referência a produtos/empresas. Os resultados mostraram que artigos sobre pesquisas científicas corresponderam a 56.7% e 20.4% de todos os artigos relacionados à saúde publicados pela FSP e OESP, respectivamente. FSP publicou mais artigos sobre estudos nacionais (FSP 56.4%; OESP 7.9%) e teve a maioria dos artigos (98.2%) escritos pelo staff do jornal. FSP também contextualizou - 225 -


melhor seus artigos à realidade brasileira. A maioria dos artigos do OESP (93.1%) era originada de agências de notícias. OESP apresentou uma maior tendência em citar o nome do periódico onde o estudo foi publicado, tinham títulos mais otimistas, mas houve pouca contextualização nacional do tema em seus artigos, mesmo entre aqueles originados de agências de notícias nacionais. Cerca de um terço dos artigos em cada um dos jornais foi dedicado ao tema “estilo de vida e comportamento”, desconstruindo uma velha crença de que o jornalismo em saúde é voltado de forma predominante às doenças. Os temas “câncer” e “doenças cardiovasculares” foram mais abordados pela FSP, enquanto o tema “genética e pesquisa experimental” foi mais explorado pelo OESP. Artigos que mencionam produtos e equipamentos de forma positiva foram mais presentes no OESP, mas essa diferença não foi significativa. A importância da mídia para a saúde da população não deve ser subestimada, já que ela é uma das principais fontes de informação sobre saúde. O conteúdo divulgado influencia comportamentos, efeito que é ainda mais relevante numa sociedade que cada vez mais lida com a saúde como se fosse um produto de consumo. Entretanto, o objetivo do presente trabalho não é desmerecer ou exaltar qualquer um dos jornais, mas sim mostrar resultados que possam contribuir para a criação de estratégias para a uma melhor comunicação em saúde e consequente promoção da saúde no país. Palavras-chave: divulgação científica, saúde, enquadramento

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Registro de ensaios clínicos: implicações científicas e políticas da comunicação da ciência Alessandro Luís Piolli; Maria Conceição da Costa; Josué Laguardia DPCT/IGE/Unicamp piolli@unicamp.br A defesa de um registro compulsório para pesquisas com seres humanos – que ganha força em meio a uma série de escândalos envolvendo grandes indústrias farmacêuticas – está alicerçada, entre outros argumentos, na necessidade de controle ético sobre esses procedimentos, bem como para disponibilizar as informações e conhecimentos gerados como resultado de ensaios clínicos não publicados em revistas científicas, devido a desinteresse dos patrocinadores, problemas ou ineficiência da droga testada. Um grande avanço no sentido da obrigatoriedade do registro foi a criação, em 2007, da International Clinical Trials Registry Platform (ICTP), portal da Organização Mundial de Saúde com informações dos protocolos e resultados de pesquisas clínicas, que integra as bases de vários países, inclusive o Registro brasileiro de ensaios clínicos (Rebec). O objetivo do presente trabalho, que é parte de uma pesquisa de doutorado em andamento, é discutir as implicações e desafios do Rebec para as tentativas de criação de espaços para melhorar a governança global e local da pesquisa clínica, que começam a tomar corpo nos debates, códigos e declarações internacionais sobre o assunto. A premissa desta pesquisa é a de que o registro de ensaios clínicos constitui um mecanismo que pode atingir seus objetivos centrais – contribuir para o controle social e disponibilizar informações e conhecimento que não seriam publicados – e ainda, com isso, servir como uma das principais fontes de informações de um espaço de governança da pesquisa clínica a ser construído. No entanto, defendemos que o registro deve ser pensado como um dos vários mecanismos (científicos, regulatórios, éticos, econômicos) para a integração de diferentes interessados – médicos e agentes da indústria farmacêutica e de pesquisa clínica, agências reguladoras, comitês de ética, governos, portadores de doenças sem tratamento, sociedade – em um espaço de governança a ser criado, de caráter consultivo e deliberativo, a exemplo do que acontece na gestão das águas por comitês de bacias hidrográficas. Entre outros exemplos, o desenvolvimento de um tratamento contra o - 227 -


vírus da Aids é usado para ilustrar que os problemas éticos e científicos ligados à pesquisa clínica se manifestam em uma arena internacional, que envolve diferentes governos, populações, organizações, instituições e novos tipos de experts. Alguns desses novos experts – especializados em regulação, bioética, ativismo, comunicação, procedimentos técnicos ou burocráticos, entre outros – entram em jogo na tentativa de compatibilizar a gestão de ensaios clínicos internacionais com os princípios éticos e regulatórios da pesquisa clínica que começam a ser desenhados. Para analisar esse contexto e apontar possíveis caminhos para a governança da pesquisa clínica, serão usadas em conjunto – e de forma inovadora – duas perspectivas teóricas distintas. A primeira, dos estudos sociais da ciência e tecnologia, foca a expertise em suas bases e implicações políticas e epistemológicas. A segunda perspectiva teórica, inicialmente criada para estudos econômicos de gestão e governança de empresas, é a teoria Agente-principal, que tenta explicar e apontar caminhos sobre como os acionistas e os gestores das empresas, mesmo com interesses conflitantes, conseguem estabelecer mecanismos de governança corporativa. No caso da governança da coisa pública, assim como nos processos que resultam na liberação para a comercialização de um determinado medicamento, as relações de conflitos de interesses tornam-se ainda mais variadas e complexas do que no caso das empresas privadas. Na análise das decisões acerca desses processos que envolvem múltiplos atores e interesses nos testes clínicos de medicamentos, evidencia-se uma nova e complexa configuração política e epistemológica do fenômeno da expertise, onde diversos experts-agentes representam de maneira conflituosa os interesses próprios e de terceiros. Palavras-chave: pesquisa em seres humanos, comunicação da ciência, governança

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Divulgação, TV e história

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A Globo Filmes e as novas configurações do audiovisual brasileiro na pós-retomada Juliana Sangion Antonelli Unicamp julisangion@yahoo.com A tese de doutoramento lança um olhar sistêmico e integrado sobre o campo do audiovisual brasileiro na primeira década dos anos 2000, a pós-retomada. A partir da abordagem da Economia Política da Comunicação e da Cultura, chega-se ao panorama atual do cinema no país e sua relação com a televisão. O estudo aborda o impacto da entrada da Globo no cinema, por meio da Globo Filmes, sob diferentes aspectos: produção, distribuição, exibição, relação entre profissionais, bem como os reflexos nos conteúdos estético e narrativo. A pesquisa analisa os fatores que contribuíram, ao longo dos anos, no Brasil, para uma cultura de convergência, em que a televisão se coloca como produtora de conteúdo também para o cinema. A tese aponta para a entrada da Globo no cinema nacional estar relacionada com o fortalecimento de sua imagem corporativa enquanto principal apoiadora do conteúdo audiovisual nacional e enquanto conglomerado midiático sintonizado com as tendências globalizantes, além de sua busca pela maximização dos ganhos por meio do superaproveitamento dos conteúdos audiovisuais. Palavras-chave: cinema, pós-retomada, Globo Filmes

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Divulgação científica da pesquisa histórica: entre a escrita da história e a narrativa jornalística Alice Mitika Koshiyama alicemit@usp.br Como historiadora e jornalista vemos todos os tipos de textos sobre o passado como meios que influenciam os leitores na sua formação como cidadãos e no campo da informação para decidir e agir sobre fatos da vida quotidiana. O trabalho com a docência para estudantes do curso de Jornalismo em graduação e em pós-graduação em Ciências da Comunicação na ECA-USP comprova que acontecem múltiplas leituras sobre o passado. Conforme destacou o historiador E. H. Carr (1996) o historiador seleciona e interpreta dados de documentos para responder a hipóteses de pesquisa investigadas, e entendemos a íntima relação entre os autores e suas obras de história (CARR, pp.. 43-65). Carr, um competente historiador das ideias, dos personagens e dos processos referentes à construção da Revolução Comunista de 1917 na Rússia, reconhecia aos historiadores ter valores e crenças, inclusive as religiosas. O que não pode ser acatado é o uso deles para validar uma interpretação da história, pois isso contraria a metodologia científica (CARR, pp. 91-120). Por exemplo, quando estudamos a história do Brasil de 1964 a 1980, temos conceitos referendados pelos estudos da teoria política para classificar aquele momento histórico como uma ditadura e não como uma democracia, dado imprescindível para compreender em que consiste um estado democrático de direito. Saber em que consiste um estado democrático de direito contribui para as pessoas serem estimuladas a viver suas vidas quotidianas sob novos valores. Lembramos a filosofa Agnes Heller e as relações entre processos históricos e construção, conservação e destruição de valores na organização das sociedades (1989). Mas como saber se uma pesquisa histórica é uma narrativa resultante de um trabalho decorrente do uso de metodologia científica? Uma forma de avaliar pesquisas é a partir do exame que Michel de Certeau definiu como “operação historiográfica” (1982). Podemos então estabelecer a divisão entre o trabalho de pesquisadores com narrativa em escrita da história construída a partir de uma teoria da história e de uma metodologia de trabalho com questões para investigar, hipóteses de pesquisa, e novos conhecimentos demonstrados a partir da interpretação de documentos revelados e/ou organizados por eles. Exemplo: Fabio Koifman (2002) conhecia várias pessoas que imigraram depois da data do decreto da ditadura de Vargas que proibia a entrada de judeus no Brasil. - 232 -


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Como conseguiram e quantas eram as pessoas? O autor enfrentou o desafio de confrontar o conhecimento empírico pessoal com a busca de provas documentais. No trabalho ele descobriu que a proibição de entrada de imigrantes de origem judaica não foi respeitada pelo Embaixador do Brasil na França, Souza Dantas, e teve a conivência do chanceler Osvaldo Aranha. Koifman organizou o rol de documentos indo aos arquivos da entrada de imigrantes nos portos brasileiros e no contato com imigrantes e suas redes de apoio. E provou a operação de alto risco para Souza Dantas, ameaçado de demissão pelos seus superiores no Itamarati e confinado na França depois da invasão dos nazistas e salvo pela vitória dos aliados na 2ª. Guerra Mundial. Outro campo de textos é o dos divulgadores de pesquisas históricas que constroem narrativas acessíveis a leitores não especializados nos temas a partir de leituras de obras de pesquisadores científicos. Um exemplo é o premiado autor de best-sellers Laurentino Gomes com seus estudos: 1808 e 1822, duas obras que o transformaram em escritor profissional, um narrador reportando obras de historiadores (entrevista dada em Roda Viva, Tv Cultura, em 26 de dezembro de 2011). Ou Ruy Castro que escreve biografias como livros-reportagem em textos magníficos, por exemplo: O ANJO PORNOGRÁFICO – a vida de Nelson Rodrigues – (1993). Temos ainda a divulgação científica, na definição de Luciano Figueiredo da Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN): “Tratase da apresentação de conhecimento acadêmico, acompanhada por especialistas da área, sob novas formas e suportes para um público ampliado” , <http://cpdoc.fgv.br/mosaico/?q=entrevista/entrevista-com-lucianoraposo-de-almeida-figueiredo>, dentre outras considerações sobre a RHBN; Ou especialistas em divulgação da ciência a reportar sobre pesquisas científicas de historiadores em periódicos como Revista Pesquisa Fapesp e na versão online :<http://revistapesquisa.fapesp.br/index.php>. E, finalmente, temos os jornalistas que abordam os temas do passado em reportagens, editoriais,comentários, crônicas, resenhas, críticas. Ressaltamos que todos os tipos de textos servem à ampliação do conhecimento e o desafio é questionar o uso mistificador e manipulador do passado. Palavras-chave: divulgação científica, escrita da história, jornalismo - 233 -


VerCiência: 18 anos incentivando mais ciência na TV Maria Isabel Landim; Sergio M. C. Brandão & José Renato Monteiro Museologia em ciências (MZUSP) isabel@verciência.com.br Desde sua criação, em 1994, o Projeto VerCiência tem como objetivo promover a disseminação do conhecimento e da cultura científica, principalmente através da televisão. Os programas de TV do Brasil e de diversos países selecionados para as mostras anuais são exemplos de como a ciência e a tecnologia podem ser apresentadas ao grande público de forma compreensível, atraente e também como entretenimento cultural de qualidade. São programas de diversos formatos, linguagens e estilos: desde documentários e reportagens a dramatizações ("docudramas") e programas voltados para o público infantojuvenil, que têm como objetivo comum informar e despertar o interesse do público por temas de ciência e tecnologia. A busca de novos formatos, estilos e linguagens atraentes para o público é um desfio constante para os realizadores e comunicadores de ciência. Uma tendência que se nota nos últimos anos, principalmente nas produções britânicas, é uma participação cada vez maior de cientistas jovens e carismáticos no papel de apresentadores de programas de televisão. Em suas quase duas décadas de existência, as mostras VerCiência vêm acumulando um precioso acervo de séries e programas de TV do mundo inteiro, consolidando seu papel como referência nacional e internacional em Ciência na TV. Os idealizadores do Projeto VerCiência são o psicólogo e publicitário José Renato Campos Monteiro e o jornalista Sergio Moraes Castanheira Brandão, que respondem respectivamente pelas curadorias nacional e internacional. Em 2010 a Professora Maria Isabel Landim, atual Diretora da Divisão de Difusão Cultural do Museu de Zoologia da USP, assumiu a curadoria São Paulo. Se por um lado constatamos que 70% dos brasileiros nunca entraram em um museu, por outro, sabemos que 78% assistem TV diariamente. Mesmo nos tempos de internet a TV ainda tem o poder de reunir milhões de pessoas simultaneamente em torno de um dos veículos mais poderosos de comunicação. Nestes 18 anos de Mostra o panorama de produções nacionais mudou e hoje um número cada vez maior lida com esta temática. Desde 2004 a Mostra é uma das atividades vinculadas à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia o que garante seu alcance nacional. Palavras-chave: televisão, Mostra VerCiência, internacional - 234 -


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A visão de ciência propagada por Carl Sagan Danilo Nogueira Albergaria Pereira IEL-Labjor-Unicamp daonap@terra.com.br A atenção sistemática devotada à compreensão, caracterização e delimitação do conhecimento científico acompanhou o crescimento das ciências naturais no último século. Pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento acadêmico continuam a se debruçar sobre os problemas que cercam a ciência moderna sem, contudo, estabelecer acordos significativos até mesmo quanto a questões básicas: o que é a ciência? Como o saber científico é construído? A ciência tem status epistemológico privilegiado? Diante disso, não é raro que os próprios cientistas sintam-se encorajados a expressar o que distingue seu ofício de outras práticas e o que separa seu conhecimento de outros domínios do saber humano. Embora a disputa acerca do status da ciência seja primariamente acadêmica, sua arena é toda a cultura. Compreendendo este aspecto – mas, certamente, não resumindo a ele suas motivações – alguns cientistas procuraram dedicar parte importante de seu tempo e energia a falar sobre o que constitui a ciência para um público bastante amplo. A obra de divulgação de Carl Sagan (1934-1996) é um exemplo desse impulso. Sagan foi um dos mais aclamados divulgadores da ciência no século passado. Cientista e autor multifacetado, arriscou-se na ficção científica e utilizou os meios de comunicação mais poderosos de seu tempo para divulgar e advogar sua visão pessoal da ciência. Sagan não apenas procurou tornar o conhecimento científico compreensível para o público não-especializado, mas também se ocupou de defender, justificar e analisar criticamente a ciência, apesar de não ser profissionalmente um filósofo ou historiador da ciência. Suas credenciais acadêmicas são essencialmente de áreas das ciências naturais: astronomia planetária e biologia. Referências textuais a pesquisas do campo de estudos filosóficos e/ou das ciências humanas sobre as ciências naturais não são numerosas. Mesmo assim, em suas obras de divulgação e, especialmente, em sua série de TV Cosmos, exibida originalmente nos Estados Unidos em 1980, abundam considerações não-sistematizadas ou semi-sistematizadas acerca de tópicos marcantes da filosofia e da história da ciência, como os méritos e limi- 235 -


tações do método científico e seu suporte epistêmico lógico-empírico. De maneira simples, Sagan discorre sobre o que chama de “maneira científica de pensar”. Em minha apresentação, serão analisados trechos selecionados dos treze episódios de Cosmos e procurarei definir e esclarecer suas concepções implícitas sobre filosofia e história da ciência. O que é a ciência, segundo Sagan? De chofre, poder-se-ia responder: a ciência é uma forma de pensar que exercita a auto-crítica e abre-se à verificação empírica; é uma ferramenta, invenção humana, desenvolvida pela seleção natural no córtex cerebral porque funciona. A ciência é frequentemente apresentada de maneira muito ampla. Sagan não faz distinções bastante significativas entre processos históricos por vezes radicalmente diferentes a que dá o nome de ciência. Dependendo do contexto, essa categoria abarca todo conhecimento humano sujeito à crítica e à observação/experimentação. Em outras, a palavra ciência se refere à ciência moderna ou mesmo à big science pós-Segunda Guerra Mundial. Em boa parte das ocasiões, ciência designa uma seleção, orientada por um pensamento de inspiração racionalista avesso ao misticismo e à capacidade cognitiva das religiões, de determinadas passagens da história do conhecimento humano desde o surgimento da filosofia na Grécia antiga até o tempo presente, com especial desdém pelo período medieval. Além disso, ocorre com muita frequência uma representação a-histórica da ciência como capacidade inerente ao animal humano, faculdade mental enraizada no mais profundo saber venatório destilado desde tempos imemoriais e sua disposição para interrogar a natureza nos mínimos detalhes. Em consonância com muito da tradição intelectual ocidental moderna mas na contra-mão do zeitgeist acadêmico das últimas décadas do século passado, Sagan defendeu um status epistemológico privilegiado para a ciência. Também advogou uma visão da capacidade e necessidade humanas de progredir, melhorar suas condições materiais, evitar sua extinção, semear-se pelas estrelas. No drama humano desenrolado por esta espécie de ideário iluminista atualizado, a ciência continua protagonista. Não mais fonte de certezas absolutas, mas ainda um farol visível em meio à tempestade, ou uma vela na escuridão. Por vezes, a ciência é retratada quase como uma bússola, um instrumento que por si mesmo não aponta para o caminho - 236 -


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correto, mas pode nos ajudar a encontrá-lo. Nas ciências naturais, nada é absolutamente certo. Por isso, esse ramo da atividade humana muito provavelmente estará para sempre fadado a ser provisório, tentativo, um work-in-progress. A certeza absoluta sempre vai nos escapar, não importa o quanto necessitemos dela. Mas por motivos a serem explorados, além de reconhecer as limitações da ciência, Sagan acredita no progresso do conhecimento científico: nosso entendimento do mundo é capaz de melhorar, refinando-se, aprofundando-se. É uma visão progressista no sentido mais preciso do termo, embora talvez possa ser tachada de conservadorismo por seu ardor na defesa da ciência como o melhor conhecimento que podemos obter. Examinarei os alicerces dessa visão. HEMPEL, C. G. The Philosophy of Natural Science. Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1966. KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2005. LAUDAN, L. Progress and its Problems. Berkeley, University of California Press, 1977. SAGAN, C. Cosmos. Random house, 1980. POPPER, K. R. Conjectures and Refutations. 4.ed., revised. London: Routledge and Kegan Paul 1972. VAN FRAASSEN, B.C. The Scientific Image. Oxford, Clarendon Press, 1980. Palavras-chave: astronomia, divulgação, televisão

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Jornalismo e assessoria de imprensa

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A ciência nos telejornais Bárbara Martins Zaganelli Universidade Estadual do norte Fluminense Darcy Ribeiro barbarazaganelli@hotmail.com No Brasil observa-se que a população é carente de informações ligadas à CT&I desenvolvidas nas universidades e em outras instituições integradas ao sistema de pesquisa nacional. A mídia apresenta características de comunicação que ajuda na desmistificação e popularização do conhecimento científico na sociedade, principalmente, a televisão que é capaz de difundir as informações para um público vasto e heterogêneo. O foco deste projeto é a difusão do conhecimento científico nos telejornais diários da Rede InterTV, afiliada da Rede Globo, no Estado do Rio de Janeiro. A partir da uma observação dos noticiários veiculados durante um ano, a pesquisa tem entre os principais objetivos identificar as informações relacionadas à CT&I nos telejornais regionais, categorizá-las por tipos de inserção, discutir o interesse de cada telejornal pelo assunto e o seu papel na formação de uma cultura científica na percepção do público. Palavras-chave: políticas sociais; telejornalismo regional; divulgação científica

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Implantação de assessoria de imprensa em editora universitária Maria Fernanda Marques Fernandes Fiocruz | Editora Fiocruz fernanda@fiocruz.br As editoras têm hoje um grande desafio: reinventar o livro, compreendendo seu novo lugar em uma sociedade cada vez mais baseada no digital e on-line. As editoras universitárias têm, ainda, um desafio adicional: reinventar o livro acadêmico, em um mundo onde os artigos em periódicos com opção de acesso via internet são a principal forma de disseminar e medir a produção científica. Para fazer frente aos desafios, é fundamental aumentar a visibilidade do livro acadêmico, enfatizando seus diferenciais, as transformações pelas quais vem passando e sua importância para o fortalecimento da ciência. Uma estratégia é investir em uma assessoria de imprensa, com o intuito de transformar em notícia o trabalho da editora universitária e, assim, torná-lo mais conhecido pelos diferentes públicos. Este texto descreve a experiência de implantação de uma assessoria de imprensa na Editora Fiocruz. Esta Editora surgiu em 1993 a partir da necessidade de tornar público e ampliar o acesso ao conhecimento científico produzido nas áreas da saúde, criando um espaço para dar visibilidade aos resultados de pesquisas. Sempre teve como objetivo difundir livros em saúde pública, ciências biológicas e biomédicas, pesquisa clínica, ciências sociais e humanas em saúde. Hoje, contabiliza mais de 300 títulos: obras que disseminam não só a produção acadêmica da Fiocruz, mas qualquer estudo de importância e impacto para a área da saúde em âmbito nacional e internacional. Até 2010, a divulgação das atividades da Editora Fiocruz ficava a cargo da Coordenadoria de Comunicação Social da Presidência da Fiocruz. Em 2011, esta função começou a ser exercida por um profissional específico dentro do quadro da própria Editora. A primeira tarefa deste assessor de imprensa foi se familiarizar com as rotinas de trabalho da Editora, que incluem áreas variadas: direção, conselho editorial, editorias (executiva e científica), assistência às editorias, produção (revisão e projeto gráfico), administração, comercial, estoque, eventos e tecnologia da informação. - 242 -


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Uma vez conhecidos os fluxos, estabeleceu-se contato regular com as diferentes áreas, para a prospecção de ocorrências relativas à Editora com potencial de se converterem em notícias. Editorias e produção – mais diretamente ligadas aos novos projetos e aos lançamentos – são as principais fontes de novidades. Todas as áreas, porém, podem gerar notícias. Na verdade, uma ocorrência se converte em notícia se ela for de interesse para determinado público. Portanto, lembrar-se dos diferentes tipos de público é particularmente importante. Por isso, ao construir seu mailing, o assessor de imprensa da Editora Fiocruz buscou não apenas a grande mídia (sobretudo as editorias de saúde e ciência, cadernos de cultura e literários), mas também a mídia segmentada, bem como associações profissionais, sociedades acadêmicas, secretarias de cursos de pós-graduação etc. Também mereceram atenção especial os veículos de comunicação interna da própria Fiocruz – como a intranet, a webtv e o jornal Linha Direta –, na medida em que os funcionários e estudantes da Fundação são parte significativa do público-alvo da Editora. Ainda em relação à diversidade de públicos, observou-se também a necessidade de fortalecer a comunicação entre as áreas dentro da própria Editora, estimulando o diálogo e as trocas entre a equipe. Para tanto, foram lançados um ambiente Intranet Editora e um boletim mensal enviado por e-mail. Estabeleceu-se contato regular também com os autores e organizadores dos livros para preparação de press releases, orientação em caso de entrevista e elaboração de um guia de fontes para jornalistas. Os autores e organizadores da Editora Fiocruz são especialistas em temáticas variadas e o guia de fontes tem como objetivo torná-los referências para a imprensa, de modo que tenham a oportunidade de conceder entrevistas e divulgar seu trabalho em outros momentos, e não apenas por ocasião do lançamento do livro. Além disso, o assessor de imprensa acompanha o noticiário e sugere aos jornalistas entrevistas com autores e organizadores que, por conta de suas pesquisas, podem contribuir para o debate dos temas em pauta. Outra tarefa foi cuidar do site da Editora. Sem recursos para uma reformulação profunda, optou-se por ajustes pontuais, sobretudo a atualização de conteúdos antigos; a eliminação de seções ultrapassadas; e - 243 -


a criação de uma área de notícias, regularmente alimentada com novos textos e imagens. Para conferir ainda mais dinamismo à comunicação, criou-se também uma página da Editora Fiocruz no Facebook, iniciativa que tem possibilitado aumentar e agilizar a interação com diferentes públicos. O número de internautas que curtem, comentam e compartilham os conteúdos da página da Editora no Facebook é uma boa medida do retorno do trabalho da assessoria de imprensa. Outras maneiras de aferir os resultados incluem o clipping; as estatísticas de visitas ao site da Editora; e o diário de bordo – planilha onde são registrados os contatos com jornalistas, as demandas geradas a partir desses contatos, as providências tomadas e os desfechos dos atendimentos, para posterior análise e aprimoramento do serviço. Palavras-chave: editoras universitárias; assessoria de imprensa

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Mapeamento e análise da C&T na mídia impressa filiada à Associação Paulista de Jornais (APJ): tendências evidenciadas em 15 jornais diários Marcel Stefano Tavares Marques da Silva IEL-Labjor-Unicamp marcelstefano@gmail.com A pesquisa inventariou a presença de ciência e tecnologia no espaço cotidiano publicado por 15 jornais do interior do Estado de São Paulo, sendo que 14 deles são afiliados à Associação Paulista de Jornais (APJ). Analisou as diferentes regiões que receberam a cobertura desses 15 jornais na publicação das notícias científicas. O cenário do Interior do Estado de São Paulo (Brasil) é representado por uma região dividida socioeconomicamente com diferentes cadeias produtivas e especificidades tecnológicas que podem influenciar de alguma forma na divulgação científica nos jornais. Juntos, esses periódicos estudados atingem 7,2 milhões de habitantes somente nas 15 cidades-sedes (não considerando as cidades de influência das áreas de desenvolvimento) e 15,4 milhões de pessoas somadas as cidades de influência das macrorregiões. A tiragem diária destes supera os 200 mil exemplares. No domingo, essa tiragem somada ultrapassa os 380 mil exemplares. O objetivo da pesquisa foi compreender como a ciência está presente nestes jornais. O estudo foi realizado em duas etapas. A primeira foi realizada no período de 14 a 20 de setembro de 2009, analisando toda a edição publicada pelos jornais. A segunda etapa compreendeu o mês de setembro de 2009 e setembro de 2010 com a análise feita apenas das páginas de ciência. Utilizando a metodologia da Análise de Conteúdo e do Jornalismo Comparado apresentamos como o jornalismo regional estabelece suas relações com a divulgação científica. Palavras-chave: jornalismo científico, jornalismo

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Jornal Comunitário A VOZ DO GUETO Gabriela Pereira Pardim Escola de Capoeira Angola Resistência avozdogueto@gmail.com O jornal comunitário A VOZ DO GUETO é um veículo de comunicação impresso sem valor comercial de caráter popular voltado à difusão cultural, artística e política apartidária. A publicação tem como principio a circulação de informação nos âmbitos populares de modo geral com especial atenção a demanda de pessoas não usuárias dos meios de comunicação eletrônica, contribuindo para superação de desigualdades no acesso aos bens culturais. Atualmente, o jornal conta com três edições já produzidas e uma quarta aguardando recursos para impressão. As duas primeiras foram publicadas com patrocinada de recursos advindos da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em uma iniciativa apoiada pela Escola de Capoeira Angola Resistência. No entanto, a terceira edição foi publicada com recursos da solidariedade de pessoas e entidades do movimento social. O jornal se encontra publicado em meio eletrônico através do blog: http://avozdogueto.blogspot.com em formato de postagens para reuso dos materiais. O jornal está sem mantendo publicado no meio eletrônico, devido a falta de recursos para impressão e distribuição das publicações nas comunidades. Palavras-chave: jornal; comunitário; avozdogueto

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O artigo de divulgação cientifica: elementos textuais e linguísticos para a facilitação da leitura Alessandra Fabiana Cavalcante Universidade Cruzeiro do Sul alefabiana@hotmail.com O presente resumo apresenta o percurso realizado durante a pesquisa de mestrado, cujo tema está voltado para a divulgação do discurso acadêmico em revistas especializadas. A pergunta de pesquisa consistiu em observar se os elementos organizacionais, paratextuais e linguísticoenunciativos dos artigos de divulgação científica contribuem para a facilitação da compreensão e, consequentemente, para a divulgação da ciência. Como objetivos foram estabelecidos: investigar tanto a organização textual desses textos quanto a linguagem utilizada na sua redação. O corpus se compõe de artigos de divulgação científica publicados na Revista Língua Portuguesa, que abordam o uso da língua nas mais diversas situações de comunicação. Assim, o trabalho se justifica pela originalidade em analisar textos de divulgação científica da área da linguagem. Para cumprir os objetivos, fundamentamo-nos nos postulados teóricos da Linguística Textual de linha sócio interacional cognitiva nos ensinamentos de Koch e Elias (2006) e em teorias que consideram a Enunciação, especialmente em Coracini (1991) e Maingueneau (1996). Com respeito às questões relativas ao texto jornalístico, tomamos como base os estudos de Bonini (2003). No que se refere ao texto de divulgação científica, utilizamos como referência, principalmente, os estudos de Zamboni (2001). Como estratégia de análise, estabelecemos três categorias que se dividem em elementos organizacionais do texto, elementos paratextuais e peculiaridades linguístico-enunciativas. Essas categorias se subdividem em outras. A análise consistiu em identificar de que maneira o texto de divulgação científica compreende esses elementos. A pesquisa realizada nos permitiu observar de que maneira um texto de divulgação científica necessita ser organizado para que o leitor compreenda os conceitos abordados e interagir com o conhecimento. Palavras-chave: texto de divulgação científica; texto jornalístico; leitor. - 247 -


Página de C&T no Jornal Cruzeiro do Sul Marcel Stefano Tavares Marques da Silva IEL-Labjor-Unicamp marcelstefano@gmail.com O jornal Cruzeiro do Sul, um dos mais importantes matutinos do interior paulista, publica semanalmente, sempre aos sábados, uma página temática de divulgação de ciência, chamada Ciência & Tecnologia. A página é publicada no Caderno de Economia desde 8 de setembro de 2007 e serve para levar aos leitores do matutino informações das pesquisas realizadas no mundo todo. O material divulgado semanalmente é obtido por meio de entrevistas e conteúdo editorial produzido por repórteres do Cruzeiro do Sul, bem como, por releases das agências de notícia tradicionais do ramo jornalístico (Agência France Press, Agência Estado), como também pelas assessorias das universidades ou ainda das agências de fomento à ciência. A equipe é formada atualmente por um editor e dois repórteres da editoria de Economia. Dessa equipe, o editor é o único que teve formação em divulgação de ciência. A página temática foi criada para atender a uma possível demanda na área de divulgação surgida com a crescente comunidade científica na região de Sorocaba. Apesar da página ser temática, muita informação sobre ciência, tecnologia e inovação ainda é publicada nas demais páginas do Cruzeiro do Sul. Palavras-chave: divulgação de ciência, jornalismo regional, jornalismo

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Divulgação científica/cultural para crianças

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Ciência na Infância e na Juventude: Divulgação Científica das Revistas “Mundo Estranho” e “Ciência Hoje das Crianças” Raquel Juliana Prado Leite de Sousa e Carlos Roberto Massao Hayashi (UFSCar) quel.prado@yahoo.com.br Analisa a divulgação científica feita para crianças e adolescentes pelas revistas Ciência Hoje das Crianças (CHC) e Mundo Estranho (ME), a fim de verificar qual a imagem da ciência é difundida por essas publicações e comparar o modo como jornalistas e cientistas se portam ao comunicar a ciência. A hipótese é que o cientificismo domina as duas publicações, corroborando para a idéia de neutralidade e superioridade científica, apagando a existência de ambiguidades, controvérsias e erros e neutralizando o processo científico-tecnológico. Outra hipótese é que a autoridade do cientista para falar sobre ciência e a do jornalista para seduzir o leitor pode acarretar em divergências de discursos. A pesquisa de mestrado, que se encontra em andamento, tem como embasamento o arcabouço teórico da área de Ciência, Tecnologia e Sociedade, valendose da concepção metodológica da análise de conteúdo com abordagem qualitativa. O corpus é constituído das edições publicadas entre os anos de 2009 e 2010, sendo vinte e quatro (24) números da Mundo Estranho e vinte e dois (22) da Ciência Hoje das Crianças, totalizando 46 edições. A revista CHC, publicada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência desde 1986, é redigida em sua maioria por cientistas com o auxílio de jornalistas; na contramão, a revista ME, publicação da editora Abril que surgiu de um especial da revista Superinteressante em 2000, é feita por jornalistas. Os resultados obtidos até o momento apontam para uma divergência entre as duas publicações. Em Ciência Hoje das Crianças, ocorre predominância de visões unívocas da ciência, uma vez que os textos, sendo escritos por um único cientista ou por um grupo de pesquisadores, apresentam apenas a visão do grupo de pesquisa. Os resultados de pesquisa aparecem predominantemente, em detrimento do processo e do método científico. O conhecimento tradicional aparece em raríssimas exceções, fruto não de um posicionamento da revista, mas da contribuição pontual de determinados pesquisadores. A divulgação científica faz parte do projeto editorial da revista CHC, que se autodenomina “revista - 251 -


de divulgação científica para crianças”. Os temas mais frequentes são os ligados à biologia, em especial à biodiversidade, e à astronomia, ficando as ciências humanas praticamente invisíveis no corpus estudado, indicando para a big science, que as pesquisas são feitas por instituições de renome e com o auxílio de grandes maquinários (em especial telescópios). Ressaltese que os pesquisadores mais ativos na CHC, revista editada na cidade do Rio de Janeiro, são filiados a instituições fluminenses. O enfoque é dado no texto, atuando as ilustrações e fotos como auxiliares. Na revista Mundo Estranho os textos são redigidos por jornalistas, com a citação constante de fontes consultadas - entre documentos e especialistas - sendo comum a utilização de fonte única para o embasamento da matéria, mas com uma presença de opiniões controversas em matérias pontuais. A maioria dos pesquisadores consultados é afiliada a instituições paulistas. O conhecimento científico institucionalizado divide espaço com o conhecimento tradicional, o esoterismo e a cultura pop, mas com inclinação ideológica à ciência ocidental como forma de contrabalançar assuntos místicos. O apelo visual é mais contundente, com um uso muito grande de infográficos, que são complementados por textos curtos e não lineares. Palavras-chave: Divulgação científica, crianças, adolescentes, neutralidade científica.

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A explicação na divulgação científica dirigida a crianças Elizabet Beatriz Follmann (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) elizabetfollmann@gmail.com O objetivo deste estudo é contribuir para o avanço da compreensão sobre a divulgação científica dirigida a crianças, ao analisar a presença/o funcionamento da explicação nesses textos. Massarani e Neves (2008, p. 8) acreditam que “a divulgação científica bem feita pode ser um instrumento útil para a consolidação de uma cultura científica na sociedade” e afirmam que são poucos os espaços para a discussão da DC dirigida ao público infantil, o qual “tem grande capacidade de lidar com temas de ciência”. O corpus é composto por 34 textos publicados online pelas revistas Ciência Hoje das Crianças, Recreio, Mundo Estranho e pela Folhinha. São focalizados três níveis de análise: primeiramente, o corpus é analisado sob a perspectiva da sua composição seqüencial, conforme proposta de Adam (2001, 2008, 2011), verificando como ocorrem os movimentos explicativos. Em um segundo nível de análise, em uma perspectiva comunicacional, conforme proposta de Moirand (1999), examinamos traços que permitem identificar na materialidade textual formas da explicação. No terceiro plano de análise, verificamos como as restrições de visibilidade, legibilidade, seriedade e emocionalidade, oriundas do contrato de midiatização da ciência, conforme Charaudeau (2006, 2008), manifestam-se no texto. Da análise dos dados, ressaltamos que, embora nem todos os textos do corpus apresentem a sequência explicativa, todos os 10 textos que foram escritos por cientistas/especialistas apresentam essa sequência como dominante seqüencial, com o uso do “Por que” explícito, realizando diretamente a esquematização do problema já no título do texto ou na chamada linha fina, abrindo uma estrutura canônica completa da sequência explicativa, a qual muitas vezes contém ainda uma sequência explicativa encaixada, conforme exemplo, retirado do texto “Por que os insetos cantam?”, de Mews e Szinwelski (2008). Nesse exemplo, observamos também marcas lingüísticas que sinalizam a seguinte estrutura comunicacional: A [produtor textual, que apaga as marcas de sua enunciação] explica a B [leitor] que (X explica Y) [X: o fato de só ouvirmos sons na freqüência de 20 a 20.000 Hz, Y: faz com que ouçamos o som de apenas alguns insetos]. Observamos ainda que a linearidade das explicações é, muitas vezes, interrompida para a inserção de um saber que o produtor textual julga que o leitor necessitaria ter para compreender melhor o fenômeno/processo, e o produtor textual marca isso no texto, conforme podemos observar tan- 253 -


to no excerto a seguir, quanto na sequência explicativa abaixo: “Mas, para entender como ambas se formam [a nata do leite industrializado e a do não-industrializado], é importante conhecer melhor esse alimento que estamos tão acostumados a consumir” (SILVA, 2007). Segue-se, então, uma breve descrição do leite. Sequência explicativa encaixada Esquematização inicial - “Você provavelmente conhece o barulho de uma cigarra ou de um grilo.” Problema (pergunta explícita) - “Mas será que já se perguntou POR QUE esses insetos cantam e outros não?” Captação/credibilidade - “Se VOCÊ é um CURIOSO nesta área, veio ao TEXTO CERTO.” Interrupção do fluxo do texto para apresentar informação considerada relevante para a compreensão da explicação que se segue - “Muitos insetos produzem sons, mas só alguns deles podem ser ouvidos pelo homem. PARA CAPTAR A EXPLICAÇÃO A SEGUIR, você precisa saber que hertz (Hz) é a unidade de medida do som.” Explicação (resposta) - “AGORA, ENTENDA: o nosso aparelho auditivo capta sons na freqüência de 20 Hz a 20.000 Hz, enquanto os insetos produzem sons numa freqüência que varia de 1Hz a 100kHz.” Ratificação-avaliação - “EIS A RAZÃO pela qual só ouvimos alguns insetos.” Nesse exemplo, pode ser observada também uma estratégia de captação e construção de credibilidade que é recorrente nos textos do corpus e que, de acordo com Charaudeau (2008), reflete a situação específica do discurso de midiatização científica, que partilha da dupla finalidade de informar e de captar (suscitar o interesse), mas em uma relação contraditória, uma vez que esse informar não busca suscitar uma opinião, como no discurso midiático, mas a sua finalidade situa-se em uma perspectiva mais ampla, educativa e cultural: trata-se da interlocução direta do produtor textual com o leitor [captação], ao mesmo tempo em que busca construir uma imagem de si como aquele que sabe [credibilidade]. - 254 -


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Bibliografia ADAM, Jean-Michel. Les textes types et prototypes : récit, description, argumentation, explication et dialogue. 4. ed. Paris: Nathan, 2001. 223 p. __________ . A lingüística textual: introdução à análise textual dos discursos. São Paulo: Cortez, 2008. __________ . A lingüística textual: introdução à análise textual dos discursos. 2 ed. revista e aumentada. São Paulo: Cortez, 2011. CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006. CHARAUDEAU, Patrick (org.). Du discours de vulgarisation au discours de médiatisation scientifique. La médiatisation de la science. Bruxelles : Éditons De Boeck, 2008. MASSARANI, Luisa; NEVES, Rosicler. A divulgação científica para o público infanto-juvenil: um balanço do evento. In: MASSARANI, Luisa (ed.). Ciência e criança: a divulgação científica para o público infantojuvenil. Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2008. MEWS, Carina Marciela; SZINWELSKI, Neucir. Por que alguns insetos cantam? Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro. Disponível em: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/revista/revista-chc-2008/188/por-quealguns-insetos-cantam. Acesso em: 20/11/2011. MOIRAND, S. (1999). ‘L’explication’. In : BEACCO, J.C. (ed.). L’astronomie dans les médias. Analyses linguistiques de discours de vulgarisation. pp. 141–66. Paris: Presses de La Sorbonne Nouvelle. SILVA, Joab Trajano. Por que o leite tem nata? Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro. Disponível em: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/revista/ revista-chc-2007/185/por-que-o-leite-tem-nata. Acesso: 20/11/2011. Palavras-chave: Explicação, sequência explicativa, divulgação científica para crianças.

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Meninos Românticos: Olhares sobre uma experiência poética na convulsão do universo das ruas Leonardo Lopes Ferreira (Faculdade Anhanguera, Escola de Capoeira Angola Resistência) negoindio@yahoo.com.br O presente artigo reflete sobre o Projeto Meninos Românticos, iniciativa de incentivo a leitura e escrita poética que desenvolvi entre os anos de 2007-2010, junto a crianças, adolescentes e jovens em situação de rua, na cidade de Campinas/SP. “Meninos Românticos”: “Olhares sobre uma experiência poética na convulsão do universo das ruas”, é um trabalho que tem suas raízes em julho de 2008, com a publicação de um livreto que desenvolvi naquele momento, objetivando realizar uma avaliação participativa do primeiro ano de atividades do projeto, apresentando um breve histórico, seus conceitos norteadores e uma coletânea de textos de pessoas que haviam tomado contato com os trabalhos desenvolvidos pelos garotos e suas impressões a respeito. Além disso, este material tinha como parte integrante um vídeo curta metragem de sete minutos com a avaliação dos meninos e meninas participantes do projeto. A elaboração do presente texto concluído em novembro de 2010, sob orientação do Professor Marcos Donizette Forner Leme, no entanto, tomou outros rumos, alçou vôos em direção a um aprofundamento teórico e tomou como sua matéria base de discussão a produção poética dos meninos e meninas, sua interação dialógica com o mundo através da poesia. A questão da situação de rua de crianças, adolescentes e jovens é um tema que tem sido consideravelmente debatido dentro do universo acadêmico, no entanto poucos são os trabalhos que abordam a produção cultural desenvolvida por estes sujeitos sociais. Reconhecer o potencial de criação e comunicação destes indivíduos é fundamental para a superação dos estigmas que orientam os olhares da sociedade sobre os mesmos. Eis um dos propósitos fundamentais do artigo que fora publicado. O trabalho em sua primeira parte faz uma contextualização teórica acerca dos dispositivos sociais desencadeantes do fenômeno da situação de rua. Na segunda parte aborda a questão da produção cultural entre as - 256 -


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camadas populares da sociedade brasileira. Na terceira versa sobre o contexto social em que me formei e que me conduziu a atuar como educador no contexto da situação de rua. Na quarta parte discorre sucintamente sobre a cidade de Campinas no contexto nacional e a especificidade do Educador Social de Rua, apresentando o ambiente que proporcionou a emergência do projeto. Na quinta parte aborda especificamente sobre a comunicação desencadeada através da poesia entre os meninos e a cidade, partindo do conceito bakhtiniano de dialogismo. E finaliza no que nomeei por considerações afins. Palavras-chave: Educação, rua, crianças

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Universidade das Crianças e o espaço para o conhecimento e o re-conhecimento Meghie de Sousa Rodrigues (IEL-Labjor-Unicamp) meghie@gmail.com Falar em enzima, troca de gases, formação rochosa e fotossíntese não precisa ser algo árido e insosso – especialmente para crianças, que estão aprendendo a conhecer o mundo ao redor delas. Muito pelo contrário: o funcionamento das coisas pode ser muito mais intrigante, envolvente e interessante do que a capa de nomenclaturas e fórmulas complicadas pode deixar transparecer. E como ajudar crianças e adultos a enxergar além desta “capa”? Uma forma encontrada pelo projeto de extensão Universidade das Crianças (UC) é estimular a curiosidade e deixar com que ela seja o combustível e matéria-prima das descobertas, do conhecimento e do reconhecimento por parte do seu público-alvo: crianças e pré-adolescentes do ensino fundamental. Elas se encontram principalmente distribuídas por escolas públicas de Minas Gerais, em cidades além do perímetro de Belo Horizonte – Caeté, Morada Nova de Minas, Cardeal Mota e Diamantina, por exemplo, já receberam oficinas do projeto. Deste trabalho resultam diversos textos ilustrados, curtas-metragens animados e pílulas radiofônicas (estas também transmitidas pela Rádio UFMG Educativa), todo o conteúdo veiculado através do website do projeto (http://universidadedascriancas.org). O material produzido pelo UC vem recebendo crescente atenção dentro e fora do mundo acadêmico, com participações em congressos científicos (Intercom e Red Pop em 2011, por exemplo) e festivais de animação (ANIMA MUNDI e Mostra MUMIA em 2010, além do primeiro lugar geral no festival CINECIEN, em Buenos Aires, 2011). Iniciado em 2006, o UC é um projeto de extensão associado ao Núcleo de Divulgação Científica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cujo trabalho consiste na divulgação científica para o público infantil. O esforço se dá em fazer esta comunicação de forma lúdica e envolvente, fazendo com que a informação não siga apenas um fluxo unidirecional, “de quem sabe para quem ainda não sabe”. Ao invés disso, existe uma intensa troca de vivências, impressões e conhecimentos entre - 258 -


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equipe e crianças através das oficinas desenvolvidas pelo UC. Além de ajudar os pequenos a conhecer o mundo através da ciência, também é objetivo principal do projeto fazer com que eles se re-conheçam através dos textos, áudios e animações do UC, e assim se emocionem com o que estão aprendendo por conseguir identificar algo deles mesmas naquilo que vêem, escutam e lêem. As oficinas desenvolvidas pelo UC, um dos pontos principais do projeto, proporcionam espaço para que as crianças usem massinha de modelar, lápis de cor, canetinhas, quebra-cabeças, livros diversos, cheiros e texturas para libertar a imaginação. Depois disso, a ideia é fazer com que elas também consigam visualizar o funcionamento do corpo através das animações, bonecos de pano, um cérebro de verdade e um modelo de resina - que elas podem tocar e desmontar - para que, através desse contato, as crianças se sintam à vontade para externar suas dúvidas sobre o que acabaram de ver ou fazer outras perguntas que lhes vierem à mente. Depois disso, a equipe discute as perguntas e esboça algumas ideias para respondê-las, os textos resultantes são rediscutidos com as crianças, novas ideias surgem e daí surgem os textos finais, que vão ser transformados em pequenos programas de rádio (as “pílulas de áudio”), animações ou serão acompanhados de ilustrações. Todo este material vai para o site e pode ser acessado de qualquer lugar do mundo, e o interesse é que sejam acessados principalmente a partir das escolas onde os trabalhos do projeto são realizados. O UC acredita que proporcionar este espaço tem um efeito positivo sobre a auto-estima destes meninos e meninas, que têm a oportunidade de se perceber como pessoas capazes de questionar, pensar e duvidar, e não apenas receber informações transmitidas pelos professores nos bancos da escola. E não apenas isto, mas também, como dito anteriormente, ajudar com que as crianças se reconheçam no nosso trabalho e se emocionem ao se identificar com aquele conhecimento produzido, que é, em primeiro lugar, parte delas também. Desta forma, o projeto contribui para a inclusão social deste público infantil, que se encontra longe dos grandes centros urbanos e tem um acesso um pouco mais restrito a museus de ciência e outras atividades que lhes ofereçam contato com o mundo científico. Apesar de a ação do Universidade das Crianças soar como bastan- 259 -


te localizada através desta pequena descrição, a ideia é fazer com que não apenas as crianças das cidades visitadas pelo projeto façam parte dele. Por isto, o UC está empreendendo esforços para se comunicar mais e melhor com seu público, espalhado por todas as camadas da sociedade e por todos os estados do Brasil (e fora dele): através do novo website, já no ar, é possível que crianças de diversos lugares enviem suas perguntas e façam comentários sobre o material disponibilizado na página on-line, mantendo assim, em certo grau, o diálogo proporcionado pelas oficinas. Palavras-chave: Crianças, ciência, inclusão

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Biodiversidade e Meio ambiente

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Um centro de pesquisa dialoga com a comunidade Marcela Fejes, Jéssica Araujo Silva, Talita Carbonese, Alex Cruz e Ana Maria Navas (USP) Núcleo de Educação e Divulgação do Cepema-USP e PERCEBE: Pesquisa, Consultoria e Treinamento Educacional. fejes@cepema.usp.br A cidade de Cubatão, que abriga uma grande densidade de indústrias petroquímicas, teve através da Petrobras, uma compensação ambiental que permitiu a criação e construção do Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (CepemaUSP). As pesquisas desenvolvidas dentro do Centro podem oferecer aos cidadãos acesso sobre estas temáticas e sobre as pesquisas desenvolvidas. Com o intuito de estabelecer um diálogo com a comunidade, permitir o acesso ao centro de pesquisa e de alguma forma interagir com os visitantes, foram planejadas e implementadas diversas estratégias de divulgação. Do ponto de vista da teoria que as sustentam, estas ações buscam se aproximar de modelos participativos de comunicação pública da ciência, isto é, modelos que estabelecem as relações entre ciência e sociedade por meio de, não apenas a transmissão de informação (como ocorre com o modelo de déficit, ou modelo passivo de transmissão de informação), mas também por meio de atividades que buscam a reflexão, o engajamento da sociedade e a tomada de decisão (Trench & Buchhi, 2010). Assim, as atividades promovidas pelo centro de pesquisa envolvem: - “Projeto Cultivar”: a comunidade local e alunos das escolas, orientados por pesquisadores do centro de pesquisa, desenvolvem práticas de o paisagismo de praças, transplantagem de mudas nativas e a implantar hortas escolares com espécies cultivadas no próprio centro de pesquisa. - “Projeto Conhecer um pesquisador”: os alunos visitam o Centro e entrevistam pesquisadores em seus laboratórios tendo a oportunidade de desmistificar a figura dele e de conhecer as linhas de pesquisa institucionais. - “Projeto Investigações Ambientais na escola": o Centro implementa projetos investigativos colaborativos nas escolas na área de ciências, nos diversos níveis educacionais para introduzir os alunos ao mundo da investigação como estímulo e prática de metodologias e processos - 263 -


científicos. As escolas têm um espaço de diálogo e uma base de dados com os resultados das pesquisas dentro do site elaborado para esta finalidade (www.cepema.usp.br/investiga). - “Projetos investigativos junior": Desenvolvimento de projetos que exploram as diferentes etapas de pesquisa dos projetos desenvolvidos pelos investigadores do centro para que alunos, especialmente de escolas técnicas, possam vivenciar estes processos.Anualmente os alunos participam do Encontro Juvenil de Investigadores em Ciências de Cubatão - Website aberto à comunidade: Criação, desenvolvimento e manutenção de um website atualizado do Centro permitindo espaços de comunicação e diálogo entre a comunidade, o núcleo de Divulgação e os pesquisadores - www.cepema.usp.br. - Boletins mensais: Elaboração e publicação de boletins mensais com as informações relevantes. - Cursos de formação contínua: realização de cursos para professores sobre como introduzir diferentes etapas de pesquisa nas escolas. - Exposição sobre a Qualidade de Ar: produção e montagem de uma exposição itinerante sobre a história ambiental da cidade, a qualidade do ar na região, as técnicas de monitoramento do ar e a instalação de uma usina termelétrica cujo funcionamento utilizando o petróleo passou a ser a gás, no intuito de reduzir a emissão de poluentes na cidade. A exposição visitou diversos bairros de Cubatão e várias escolas, contando com material explicativo utilizado pelos monitores e professores para otimização das visitas. - Jogo Caçada Ambiental: jogo de cartas elaborado com temáticas ambientais para que os alunos possam relacionar informações, imagens e curiosidades relacionadas a fenômenos e problemas ambientais específicos. - Exposições ambientais , palestras e workshops se realizam durante determinados períodos do ano em colaboração com as instituições locais e regionais de acordo com o calendário ambiental estabelecido pelo município e o estado. - Vídeos científicos: produção de vídeos de curta duração mostrando atividades desenvolvidas nas diferentes linhas de pesquisas do Cepema. - Mostra de Cinema Cientifico: seleção, apresentação e discussão - 264 -


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de filmes sobre temas atuais e polêmicos relacionados a ciência e tecnologia A avaliação faz parte de todas as atividades mencionadas e ela acontece por meio de diversos instrumentos de coleta de dados, como questionários, entrevistas e observação. Os resultados obtidos ao longo de dois anos de funcionamento do Núcleo de Divulgação reforçam a necessidade e importância de promover ações de caráter permanente no centro de pesquisa para oferecer aos cidadãos elementos relacionados às pesquisas desenvolvidas, prover mais informações sobre os temas centrais dos estudos realizados estimular práticas de diálogo e reflexão sobre os sentimentos que estas ações provocam e favorecer espaço para posicionamentos críticos. Bibliografia TRENCH, B. e M. BUCCHI. Science communication, an emergent discipline. Jcom, v 9, n3, 2010, CO3 Palavras-chave: centro de pesquisa, divulgação científica, meio ambiente

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Levantamento e caracterização de materiais de comunicação do município de Cubatão (SP), como subsídio à elaboração de projetos de educação socioambiental e divulgação científica Danielle Samagaia Correa (INCT-EMA/Cepema-USP) danisamagaia.biomar@hotmail.com As iniciativas de Educação Ambiental em Cubatão estão inicialmente relacionadas a situações de controle de poluição, projetos e instituições que criaram experiências comunitárias articulando agentes locais (CAMARGO, 2011); sendo que o INCT–EMA/Cepema, desenvolve de forma interdisciplinar ambientes de educação formal e informal que possam subsidiar os projetos e atividades de pesquisa junto à comunidade em geral e as escolas do município de modo estratégico e aplicado. Com a globalização, o grande desafio das indústrias é se adequar cada vez mais às novas exigências do mercado internacional com maior aperfeiçoamento tecnológico e respeito ambiental [...] (PINTO,2005). Baseado nessas informações vale ressaltar que o aperfeiçoamento tecnológico e o respeito ambiental devem ser conhecidos para que a sociedade possa se favorecer do conhecimento, deste modo o principal veículo para esta disseminação de dados são os meios de comunicação em massa, que devem ser transformados em um canal privilegiado de educação de bases igualitárias, promotora de intercambio de experiências, métodos, valores, atitudes e ações. Por isso varias indústrias elaboram e distribuem material considerado promocional sobre as atividades em prol da educação ambiental. Diante disso o presente trabalho teve como objetivo avaliar os materiais de educação e divulgação socioambientais criados nos últimos 5 anos de diversas instituições públicas e privadas de Cubatão, através de um levantamento. O presente estudo foi desenvolvido no período de 12 meses, subdivididos em 5 etapas: levantamento e mapeamento das instituições, coleta de dados, análise/ categorização /catalogação, criação de um acervo virtual e de uma hemeroteca e avaliação dos resultados/diagnóstico; sendo que durante as visitas as instituições foram informadas sobre a missão e as áreas de pesquisa do INCT-EMA/CEPEMA. Foram analisados materiais de 43 instituições de poder público - 266 -


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e privado que possuem sede no município de Cubatão, nas quais foi entregue uma carta, contendo as intenções do projeto, informações para contato e solicitando os materiais de divulgação. Os contatos com as instituições foram feitas por e-mail, informações telefônicas, informações pela web e contato pessoal. Ao caracterizar e catalogar os materiais cedidos pelas instituições, disponibilizamo-os para consultas publicas; afim de que estes materiais possam servir de subsídio à elaboração de projetos de educação socioambiental e divulgação científica. Esta avaliação permitiu diagnosticar os temas e as características dos materiais produzidos a fim de poder contribuir nas decisões de viabilidade de produção e aproveitamento sobre a sua utilização. A análise foi realizada através de uma investigação exploratória qualitativa, na qual os materiais impressos cedidos, foram reagrupados em 16 categorias: guia, cartilha, relatório, folder, folheto, calendário, apostila, caderno, campanha, expedição, gibi, informativo, jornal, revista, texto e palestra. Os temas considerados foram: educação, sustentabilidade, meio ambiente, saúde, institucional e cultura. Já as instituições que não foram visitadas foram analisadas quanto à produção de algum tipo de material socioambiental, que poderia ser feito download através do site ou realização de algum projeto social. Após as etapas citadas acima, foram quantificados o total de materiais 339 materiais que foram digitalizados para o acervo virtual. Entre as práticas socioambientais, neste trabalho o foco foram os materiais de divulgação/informação de uso público que desenvolvem formas sofisticadas de comunicação, integrando linguagens e caminhos diferentes de acesso ao conhecimento. A importância desses materiais está no modo em que são utilizados, pois é necessário selecionar o público, os temas e aderir um planejamento sofisticado para se investir e fazer o bom uso de cada tipo de material existente e que nos são disponibilizados de forma demasiada. Deste modo, concluímos que ainda existem instituições que não possuem material próprio impresso, mas são patrocinadoras de algum tipo de publicação e estão condicionadas a divulgar suas ações através do site da instituição. Cabe também ressaltarmos que todo material produzido está ligado ou relacionado à área de atuação da empresa e - 267 -


que em sua maioria destaca a responsabilidade, a missão e os objetivos da ação, o que demonstra transparência e compromisso. Pelo fato de serem ações isoladas a uma determinada comunidade, a um evento e/ou escola, muitas vezes não são bem aproveitados pela falta de planejamento e sistematização do que se quer abranger e deste modo não integra a parte mais importante da comunicação que é a associação e disseminação de informação através do conhecimento. Este trabalho cria um vínculo de compreensão da realidade local, associado ao uso dos recursos disponíveis e ações registradas, na qual busca-se integrar, através da parceria com as instituições, o fornecimento de materiais para elaboração do acervo virtual e da hemeroteca para ser subsídio e funcionar como material de apoio e de desenvolvimento científico, crítico e investigativo nas dependências do CEPEMA. Palavras-chave: materiais de comunicação, educação ambiental, divulgação cientifica.

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Biodiversidade: fique de olho! Maria Isabel Landim & Felipe Alves Elias (MZ-USP) milandim@usp.br O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) é uma tradicional instituição na produção de conhecimento sobre Biodiversidade, Sistemática e Taxonomia Animal. Sua coleção centenária é uma das maiores do mundo de fauna brasileira. Nos últimos anos, o MZUSP também vem chamando a atenção sobre seus programas de comunicação com o público, através de exposições (longa-duração, temporárias e itinerantes) e outras atividades (Dia de Darwin, ciclo de palestras, etc). Isso se refletiu no oferecimento de uma nova linha de pesquisa dentro do Programa de Pós-graduação do museu com o tema Museologia em Ciências. Em 2011 o MZUSP foi convidado pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária a montar um projeto expositivo para a Estação Ciência da USP. Decidimos falar de Biodiversidade no ano da Rio+20. Apresentamos aqui os desafios encontrados por nossa equipe muiti-disciplinar (docentes, técnicos em museografia, designer, arquiteto, etc) na preparação de uma exposição de um museu de história natural em um espaço interativo. O projeto Biodiversidade: Fique de Olho! assume os desafios e provoca o visitante a refletir sobre a realidade em que estamos inseridos na maior metrópole do país: "O Brasil é um país megadiverso - abriga ca. de 20% de toda a biodiversidade do planeta. Estamos na maior metrópole do país - 4ª maior do mundo - com cerca de 20 milhões de habitantes. Haja superlativos! Infelizmente nem todos são positivos quando falamos da biodiversidade brasileira. Alguns dos nossos biomas estão ameaçados e nos tornamos foco de políticas de conservação. Diariamente uma boa parte da cobertura vegetal de nosso país desaparece para dar espaço a pastagens e agriculturas para alimentar a “fome” de 7 bilhões de seres humanos. Espécies desaparecem sem que sequer tivéssemos conhecimento de sua existência. Na metrópole paulistana, somos um centro de referência no estudo da biodiversidade. Somos guardiões de uma das maiores coleções mundiais da nossa fauna. Corremos contra o tempo para gerar conhecimento sobre o que desaparece a uma velocidade assustadora. Convidamos vocês a encararem de frente as opções que nosso país tomou no passado e toma no presente, para tentar projetar o país em um futuro - 269 -


mais distante que o dia de hoje. Através das estradas nacionais, avenidas e ruas, vocês são convidados a vislumbrar a nossa biodiversidade e a lutar para que ela não se torne apenas objeto de museu. Fique de olho!" Palavras-chave: Biodiversidade, Museu de História Natural, exposição

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A imagem da Ecologia em alunos do ensino médio na cidade de Ribeirão Cristiane Contin (FFCLRP-USP) cristiane_contin@hotmail.com A divulgação científica (DC) auxilia no progresso econômico, social e tecnológico de um país. Uma das formas que a DC age é por meio de uma educação indireta, complementando o ensino das escolas. Dentre os diversos benefícios desta para com o ensino, está o aumento na diversidade de ideias e linguagens, encontradas nos diferentes meios de divulgação; a familiarização dos alunos com a construção da ciência e com a formação do pensamento científico; bem como a disponibilização de informações científicas mais contextualizadas e aplicadas ao cotidiano destes estudantes. Buscamos analisar em nosso trabalho qual a imagem que os alunos de ensino médio de escolas públicas de Ribeirão Preto têm da ciência Ecologia. Para isso, entrevistamos 17 alunos de ensino médio de duas escolas públicas de Ribeirão Preto. Em nossas entrevistas, fizemos perguntas que objetivavam elucidar o grau de interesse dos alunos pela Ecologia, bem como o entendimento e a aplicação da mesma por estes. Além disso, perguntamos quais os meios de divulgação que os estudantes acessam para obter informações de ciências e de Ecologia. Por fim, tendo em mãos as entrevistas transcritas, utilizamos diversas bibliografias das áreas de “ensino de ciências/ecologia”, “divulgação científica” e “papel da divulgação científica na educação” para analisar os resultados. Desta forma, buscamos com o estudo visualizar qual a imagem de Ecologia dos jovens de ensino médio, bem como relacionar a divulgação científica e a escola na construção da imagem de Ecologia nos alunos de ensino médio. Palavras-chave: Divulgação científica, ensino de ecologia, imagem da ecologia

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Educação ambiental para a conservação da biodiversidade em museus e estações de ciência no Brasil Sara Monise de Oliveira (UFSCar) saraoliveira_ea@yahoo.com.br As estações de ciência e os museus de história natural e de zoologia possuem grande potencial para atuação com a temática da conservação da biodiversidade. Este também é um tema de relevância para a educação ambiental (OLIVEIRA, 2004). Atualmente a pesquisa educacional nestes espaços vem se fortalecendo, visando o desenvolvimento de novos conhecimentos e o aperfeiçoamento de suas ações (MARANDINO, 2005). Muitos estudos vêm sendo feitos no âmbito da educação científica, buscando avançar no uso de ferramentas didáticas, enfocando principalmente sua complementaridade ao ensino de ciências e biologia (CHAGAS, 1993; FAHL, 2003; VALENTE, CASELLI; ALVES, 2005). No entanto, poucos trabalhos analisam estes espaços quanto a sua potencialidade para programas educativos para a conservação da biodiversidade na perspectiva da educação ambiental, a exemplo do estudo das relações entre educação ambiental e o ensino de ciências feito por Guimarães e Vasconcelos (2006). Neste o autor e a autora fazem uma reflexão sobre o processo formativo de educadores com base na abordagem relacional sobre realidades complexas como alternativa para superar a tendência formativa baseada na fragmentação do conhecimento que é considerada insuficiente para o enfrentamento dos problemas socioambientais. O acúmulo nesse campo do conhecimento pode contribuir para abordagens participativas, contextualizadas e críticas em ações ou materiais educativos de vocação biodiversa (BRANDÃO; OLIVEIRA, 2002). Assim, o objetivo deste trabalho é fazer um levantamento junto à literatura, das principais questões e avanços dos programas educativos relativos à biodiversidade desenvolvidos nestes espaços nos últimos anos no país e identificar aspectos importantes para a conservação da biodiversidade que são pouco abordados e que podem ser analisados a partir de pressupostos do campo da educação ambiental crítica. Para tanto, será feito levantamento de artigos, teses e dissertações publicados a partir de 1990, que tenham como foco a análise de programas educativos para a conservação da biodiversidade em museus e estações de ciência brasileiras. Os resultados - 272 -


1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

serão analisados qualitativamente, com base na literatura internacional, publicações de referência e a produção do campo da educação ambiental. Com isso, esperamos identificar contextos, estratégias, metodologias e materiais didáticos que vem se destacando no cenário nacional por seus resultados significativos no envolvimento e comprometimento das pessoas com a conservação da biodiversidade. Este estudo é parte de uma pesquisa de doutorado sobre estratégias de educação ambiental em espaços educadores para a conservação da biodiversidade. Esta pesquisa se doutorado está associada ao projeto “Educação Ambiental para a Conservação da Biodiversidade: o papel dos predadores de topo de cadeia” que faz de parte de uma iniciativa de pesquisa em rede sobre efeitos da perda desse grupo funcional em diversos ecossistemas, proposta contemplada no Edital MCT/CNPq/MEC/CAPES/FNDCT, Ação Transversal/FAPs Nº 47/2010 do Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade - SISBIOTA BRASIL. Referências BRANDÃO, C. R.; OLIVEIRA. H. T.; A terceira margem do rio: a experiência de traduzir textos científicos sobre biodiversidade como material de educação ambiental de vocação biodiversa. Biota Neotropica, v(2) n(2), 2002. Disponível em: http://www.biotaneotropica.org.br/v2n2/pt/ abstract?article+BN02002022002. Acessado em 10/05/2011. CHAGAS, I. Aprendizagem não formal/formal das ciências: relações entre os museus de ciência e as escolas. Revista de Educação. Lisboa, v.3, n.1, p. 51-59, 1993. FAHL, D. D. Marcas do ensino escolar de ciências presentes em museus e centros de ciências: um estudo da Estação Ciência e do MDCC. Dissertação (Mestrado em Educação) Faculdade de Educação. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003. GUIMARÃES, M.; VASCONSELOS, M. M. N.; Relações entre educação ambiental e educação em ciências na complementaridade dos espaços formais e não formais de educação. Educar, n(27), Curitiba, p147-162, 2006. MARANDINO, M. Educação em Museus de História Natural: possibili- 273 -


dades e desafios de um programa de pesquisa. In: Enseñaza de las ciências, VII Congreso, Número Extra. 2005. Anais... Disponível em http:// www.rc.unesp.br/museutecnologia/artigos/marandino_036.pdf. Acessado em 10/07/2011. OLIVEIRA, H. T. (Bio)diversidade, sustentabilidade e solidariedade: conceitos centrais para a formação de educadores ambientais. In: Seminário Pluriculturalismo y Globalización: produción del conocimiento para la construción de ciudadanía latinoamerica, IX Seminário APEC, 2004, Anais... Barcelona: APEC, 2004, p. 57-62. VALENTE, M. E.; CAZELLI, S.; ALVES, F. Museus, ciência e educação: novos desafios. História, Ciências, Saúde, v. 12 (suplemento), Manguinhos, p. 183-203, 2005. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/%0D/ hcsm/v12s0/09.pdf. Acessado em 20/06/2011. Palavras-chave: Educação Ambiental, conservação da Biodiversidade, espaços educadores não escolares

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Realização Programa de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural (MDCC) Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LABJOR) Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) Financiamento Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

Caderno de Resumos Edicc1  

Caderno de Resumos do 1º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

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