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Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

AVALIAÇÃO DISCENTE DO CURSO DE JORNALISMO Relatório referente à primeira etapa – 2012.2

Centro Acadêmico Livre de Jornalismo Adelmo Genro Filho Abril – 2013 Florianópolis - SC


Relatório referente a 1ª etapa da Avaliação do Curso do Jornalismo da UFSC, por Centro Acadêmico Livre de Jornalismo Adelmo Genro Filho 1.

Apresentação Durante o semestre de 2012.2 o Centro Acadêmico Livre de Jornalismo Adelmo Genro Filho (CALJ) deu início à Avaliação do Curso de Jornalismo da UFSC e seus primeiros resultados estão apresentados na forma deste relatório. O método utilizado foi discutido por uma comissão especialmente formada para este fim pelo CALJ. Concluiu-se que a melhor forma de efetuar a Avaliação seria desenvolvendo e aplicando, ao maior número possível de estudantes do curso, um questionário (Anexo A) composto por 5 eixos principais e seus desdobramentos. O primeiro eixo é referente à Estrutura. O segundo é sobre o Ensino (subdividido entre o item “a”, Desempenho dos Professores, e “b”, Grade Curricular). A terceira parte é Pesquisa e Extensão. O quarto eixo é o Perfil do Estudante. O quinto trata das Entidades Discentes. O questionário foi aplicado presencialmente em nove salas, entre 15/10 e 13/11 de 2012, de modo a contemplar as oito fases do curso. Antes do preenchimento, os estudantes discutiram os problemas da graduação, com a participação de um representante do CALJ. Este relatório não se propõe a ser um artigo acadêmico ou um ensaio científico - é um trabalho feito por estudantes, a partir de opiniões de estudantes, para identificar problemas, iniciar discussões e melhorar o Curso de Graduação em Jornalismo da UFSC. Seu modelo é inspirado em métodos existentes em diversos cursos – mais notadamente, o curso de Psicologia da UFSC. A intenção é conseguir detectar a fundo os problemas que os estudantes enfrentam e o que eles acreditam que poderia ser diferente. Trata-se de um processo bastante importante porque, sem este tempo em sala de aula para a reflexão e discussão sobre o curso, muitos estudantes não teriam como expressar sua insatisfação com os diversos aspectos considerados problemáticos por eles. 2.

Estrutura 2.1 – Convivência No quesito 1 dos questionários, Estrutura, a questão da convivência foi, com uma grande margem, a mais citada pelos estudantes. A ausência de um espaço para estudo e integração durante períodos sem aula incomoda não só os discentes que citaram este fato na Avaliação como também os professores – destacadamente, a professora Maria José Baldessar, que trabalha a poucos metros do corredor onde os alunos se reúnem para conversar. Essa é uma demanda que tanto o JorUFSC quanto o Centro de Comunicação e Expressão deixam de cumprir.


2.2 - Necessidade de notebook As atividades requeridas pelo curso de Jornalismo da UFSC fazem com que seja indispensável possuir um computador/notebook com capacidade de executar softwares como os do pacote Adobe. Diversas disciplinas exigem, como trabalho final ou em exercícios cotidianos, tarefas que só podem ser realizadas com a ajuda destes programas - Planejamento Gráfico, Telejornalismo e Webdesign são alguns dos exemplos. 2.3 – LabInfo Relacionado ao ponto 2.2 (“Necessidade de notebook”), o LabInfo possui computadores com problemas de funcionamento e manutenção – e, mesmo que estivessem em perfeito estado, não seriam suficientes para suprir as demandas do laboratório. Soma-se a isso o fato de que a sala possui goteiras, infiltrações, instalação elétrica precária e tomadas que não funcionam. 2.4 – LabTele As câmeras, além de tecnologicamente defasadas, apresentam problemas de manutenção. É muito comum receber baterias viciadas ou perder takes devido à sujeira nas cabeças de gravação. Mesmo com os equipamentos em má situação, é difícil para os calouros ter acesso a eles. Nos questionários e discussões em sala, foi apontada a seguinte ordem de preferência nos empréstimos do LabTele: TJ UFSC > TCC’s > Tele I > Tecnologia em Telejornalismo. Ou seja, conforme algumas avaliações, o topo preferencial dessa escala é ocupado por um projeto de extensão em detrimento de disciplinas obrigatórias. Outros problemas são a decupagem das fitas – que os alunos precisam comprar, configurando outra defasagem do laboratório – e a edição das imagens. Além de os estudantes precisarem conciliar os horários das próprias aulas com o de funcionamento do Laboratório, é necessário encontrar momentos em que nenhuma disciplina é ministrada no local. 2.5 – Falta de comunicação entre laboratórios Os alunos apontaram que a falta de comunicação entre os laboratórios dificulta a dinâmica do curso. Como solução imediata, sugerem que os laboratórios mais equipados procurem suprir as demandas dos demais. 2.6 – Burocracia Para uma grande parcela dos estudantes, existe uma burocracia excessiva sobre o empréstimo de equipamentos dos laboratórios – em especial, do LabFoto. As câmeras, nesse caso específico, dificilmente são emprestadas para aqueles que não estão cursando disciplinas de fotojornalismo, e acabam ficando ociosas dentro dos armários.


2.7 – Hemeroteca A hemeroteca foi apontada por muitos estudantes como subutilizada, tendo a capacidade de suprir (ao menos em parte) a demanda por espaços de convivência. 2.8 – Manutenção Além dos computadores – questão já apontada neste relatório -, existem outros equipamentos, mais simples, e espaços com problemas de manutenção nas dependências do JorUFSC. O bebedouro de água quebra frequentemente, os mictórios do banheiro masculino passaram muito tempo entupidos, existem diversas goteiras e o transformador passou os últimos meses exposto à água da chuva. 2.9 – Telefone para apuração Diversos estudantes apontaram a falta de um telefone fixo para uso exclusivo durante apurações. Embora alguns, como o do LabProjor, estejam disponíveis em alguns momentos, não há grande divulgação ou incentivo ao uso destes aparelhos. 2.10 - Tempo de funcionamento dos laboratórios Para estudantes que necessitam de alguns dos equipamentos dos laboratórios - em geral, computadores - o horário de funcionamento é insuficiente. No final do semestre esse problema se acentua. 2.11 - Geral Embora a estrutura física tenha sido elogiada pelos estudantes, também foram mencionadas deficiências neste aspecto. A mais recorrente é a necessidade de um espaço específico de convivência e estudo, ligada à demanda por um telefone para apuração e de um maior tempo disponível dos laboratórios. Estas exigências estão diretamente conectadas à necessidade de notebooks por parte dos estudantes, o pré-requisito oculto do curso. As diferenças entre laboratórios também foram lembradas na avaliação. Enquanto alguns estão bem (ou, ao menos, suficientemente) equipados, outros demonstram defasagem. Um equilíbrio maior entre eles poderia ser positivo para a graduação – e, mesmo não havendo um equilíbrio nas compras do departamento, essa diferença poderia ser resolvida através de interações entre os diferentes laboratórios. Um claro exemplo está nas situações do LabFoto e do LabTele: enquanto o primeiro possui câmeras Full HD, mesmo não necessitando de equipamentos de filmagem, o laboratório de Telejornalismo trabalha com equipamento ultrapassado e que falha frequentemente.


3. Ensino 3.1 - Geral Um grave problema apontado por diversos estudantes é o caráter tecnicista do JorUFSC, com uma lógica produtivista voltada à formação de mão-de-obra. Há pouco ou nenhum incentivo ao empreendedorismo, à inovação e ao “fazer diferente”. Segundo diversos questionários, o foco principal é a preparação do graduando para conseguir um emprego na redação de um jornal tradicional - outra crítica feita é a exagerada atenção à mídia impressa em detrimento de outros meios. Os estudantes do curso detectaram também a falta de experimentação, o que demonstra um curso - e professores - extremamente ligado a métodos e tradições antigas, sejam elas ainda válidas ou não. Os questionários que apontam para este problema também sinalizam que os estudantes anseiam por inovar e treinar novas técnicas - segundo relatos, a Universidade deveria ser um local propício para a experimentação. Há também insatisfação em relação à falta de debate sobre os produtos. No decorrer dos anos, nosso Curso se notabilizou por simular uma grande redação. Com os prazos e deadlines do jornalismo profissional, falta tempo para refletir com atenção o que é publicado. Os estudantes não são profissionais. Boa parte dos questionários trata de relembrar isso, mencionando que a Universidade é o lugar onde a discussão deve ter espaço primordial. Muitos, também, consideram que finalizar uma edição, não avaliá-la e começar a pensar na seguinte faz com que as aulas sejam subaproveitadas. Mesmo do ponto de vista producionista, na falta de uma avaliação, a tendência é que os erros se repitam. Esse problema foi apontado por alunos que passaram pela produção de Jornal do CCE, Quatro, Zero Revista e Conexão UFSC. Apesar disso, a área com maior atrelamento entre ensino e produtos - a de rádio - teve reclamações mais pontuais, como este relatório explica, na parte que diz respeito aos professores. Além disso, outros dois pontos foram levantados. Os acadêmicos acreditam que, hoje, o Curso se preocupa demais com a própria imagem, tendendo a mascarar problemas para preservar sua imagem positiva. Outra crítica feita pelos estudantes é a necessidade de esforços pessoais para que as ideias saiam do papel - falta apoio institucional à inovação. 3.2 Currículo Desde 1996 não há uma reforma curricular no Curso. A imensa maioria dos acadêmicos entende que, nesse currículo com 17 anos de idade, falta teoria e que ela deve ser rediscutida. Além disso, foi identificado que os momentos de reflexão e crítica não estão devidamente conectados com a prática - a crítica dos produtos, já citada, possivelmente seja a conexão ideal entre as duas. Também desconexas, segundo as respostas dos acadêmicos, estão as sete disciplinas obrigatórias de redação. Os estudantes, em grande parte, ainda entendem que as áreas de rádio e tele não têm seu devido espaço na grade curricular, já que depois da terceira fase só há prática obrigatória nas disciplinas de redação. Também negligenciada, de


acordo com parte das respostas dos questionários, está a área de Comunicação Institucional e Assessoria de Imprensa, assim como História do Jornalismo. Além da falta de algumas matérias, os estudantes apontaram disciplinas que consideram deslocadas: Legislação e Ética, segundo boa parte dos questionários, deveria estar numa fase anterior - preferencialmente, antes ou simultaneamente a primeira participação num produto. Para Teoria e Método de Pesquisa em Comunicação, os discentes sugeriram o inverso: que a matéria fosse atrasada para a 6ª fase, facilitando a normatização na ABNT de projetos e TCC’s. Ainda sobre disciplinas obrigatórias, Comunicação e Realidade Sócio Econômica e Política Brasileira I foi apontada como renegada: está no semestre adequado, mas o conteúdo programático varia muito e a ementa é abrangente demais. Essa disciplina também é problemática por ser ministrada por uma variedade muito grande de professores, que não mantêm um padrão de qualidade. Também parte do currículo, as Optativas têm sido uma preocupação de todos os estudantes do Curso, principalmente dos que ingressaram de 2011.1 em diante, quando a carga mínima para integralização foi aumentada. Os acadêmicos estão insatisfeitos com a quantidade de disciplinas optativas oferecidas pelo JorUFSC, suas áreas de conhecimento e seus horários. Cursar disciplinas fora do Jor e “montar sua própria graduação” é algo difícil, uma vez que diversas matérias são bastante concorridas. Para estudantes que estão nas fases iniciais, o desafio torna-se ainda maior, já que estes são preteridos pelo CAGR na matrícula. Há dificuldades técnicas em alocar ou criar disciplinas mais gerais (principalmente, Sociologia, Direito, História, Economia e Semiótica) dentro do próprio Jor, mas outra solução foi sugerida: institucionalizar a política de disciplinas para o Jornalismo fora do Jornalismo, de maneira semelhante a que fazem cursos como o de Relações Internacionais. Com a dificuldade de conseguir optativas fora do Departamento e a necessidade de cursar no mínimo 45% delas dentro do Jor, o estudante tem duas opções: cursar disciplinas que não lhe interessam ou atrasar sua formatura esperando que suas demandas sejam atendidas. Para aqueles que escolhem a primeira opção, as disciplinas optativas oferecidas acabam se tornando “obrigatórias”, pois o estudante precisa desses créditos de um jeito ou de outro. Nos últimos semestres, o CALJ consultou os estudantes para saber quais as disciplinas mais desejadas. No entanto, a lista final desse levantamento pouco foi atendida: foram oferecidas somente duas das doze pedidas. 3.3 - Professores De modo geral, os estudantes do Jornalismo da UFSC avaliam os professores do Curso como individualmente bons. Quanto ao corpo docente, foram identificados problemas: falta conversa e interação entre os professores. Mais do que isto, diversos docentes possuem entre si problemas do âmbito pessoal que interferem em suas relações profissionais e, portanto, no ensino. Também, segundo os questionários, falta disposição para alguns dos docentes, chegando ao ponto de marcarem para o horário de aula oficinas, seminários e afins, ministrados por terceiros, sem a presença do professor.


Ainda, a grande maioria dos docentes realiza apenas uma chamada em disciplinas de quatro créditos. Os alunos entendem como injusto participar de, por exemplo, três quartos da aula e ter quatro faltas computadas na lista de presença. Abaixo, avaliação individual de cada professor segundo as respostas dos alunos: Antônio Brasil Alguns alunos elogiaram seu ânimo, experiência profissional e incentivo à produção de telejornais em sala. Outros criticaram o tempo destinado à produção do telejornal, a falta de avaliação do que é produzido - devido à preocupação do professor com a edição seguinte - e a atenção desproporcional dedicada aos alunos que gostam de televisão. Áureo Mafra de Moraes A disciplina de Redação para TV foi classificada como muito pouco produtiva: os estudantes esperam uma aula mais dinâmica, que renda mais e desejam que o professor se atualize. Cárlida Emerim Os alunos elogiaram sua educação, contribuição para a área de telejornalismo e dedicação aos alunos. Carlos Augusto Locatelli Foi elogiado por sua dedicação. Seu método é controverso: enquanto alguns estudantes consideraram sua aula boa, outros classificaram a disciplina de Teoria da Comunicação como “desorganizada”. Daisi Vogel Alguns estudantes criticaram sua pontualidade. Houve elogios à professora por sua competência. Eduardo Meditsch Para uma parte dos alunos, as aulas rendem menos do que deveriam, pois muitas vezes um grupo de alunos acerta os últimos detalhes da produção de um programa enquanto os outros esperam a hora de entrar no ar. Também foi dito pelos alunos que os programas deveriam ser mais avaliados. Elias Machado Em todas as menções foi criticado. Em especial, foram relatados problemas graves de tratamento com os estudantes (desrespeito, ausência de critérios para avaliação). O atrelamento da disciplina de Redação II ao Jornal do CCE, que extinto há dois semestres, foi alvo de reclamações pelo foco maior dado ao projeto de extensão do que à disciplina. A questão aparece de modo mais completo na quarta parte (Pesquisa e Extensão) deste relatório. Fernando Crocomo Os apontamentos de alguns alunos foram de que a teoria e a prática são mal dosadas em suas aulas e que seu tratamento com os estudantes é bom.


Francisco Karam Foi elogiado em relação ao método de ensino e tratamento dos estudantes. Gislene Silva O tratamento com os estudantes, seu método de ensino e sua dedicação foram vistos de maneira positiva. A única reclamação é, na verdade, um elogio: diversos estudantes gostariam que ela ministrasse um número maior de disciplinas. Ivan Giacomelli Parte dos alunos criticou sua metodologia por ser repetitiva e pouco estimulante. Também houve questionários sugerindo que deveria haver mais prática do que teoria na disciplina de Fotojornalismo I. Jorge Ijuim Alguns alunos disseram que o professor deveria aprofundar o conteúdo de suas aulas, consideradas superficiais. Luiz Alberto Scotto de Almeida Alguns estudantes se sentem inibidos com o tratamento dado pelo professor e disseram que ele deveria ser mais respeitoso. Suas aulas foram citadas de modo positivo, inclusive por alunos que criticaram seu tratamento. Maria José Baldessar Foi a professora do departamento mais criticada pelos estudantes. Alguns alunos criticaram as disciplinas de Redação para Internet e Jornalismo Online por terem o mesmo conteúdo e serem mal exploradas. Foi apontado por alguns relatórios que, no semestre de 2012.1, as notas da disciplina de Redação para Internet foram publicadas antes da entrega do trabalho final, situação que ainda não foi totalmente esclarecida. Há também estudantes que criticaram: o método de ensino adotado pela professora; a falta de assiduidade; falta de domínio de conteúdo; descompromisso com a aprendizagem dos alunos. Mauro César Silveira Citado uma vez de maneira individual. Esse aluno comentou que o professor poderia incentivar os alunos e cobrar as atividades realizadas. Raquel Ritter Longhi Estudantes criticaram a ausência de domínio de softwares gráficos e de conteúdo da área em que está alocada. Ricardo Barreto Segundo os alunos, tem domínio do conteúdo, embora sua desatualização - a falta de prática no software InDesign, usado em Planejamento Gráfico - tenha sido criticada. Sugeriu-se que haja um monitor para a disciplina supracitada. Alguns alunos esperam do professor critérios mais claros e objetivos para as notas. Outros acreditam que ele deveria trata-los com mais educação e respeito.


Rita Paulino Foi a professora do departamento mais elogiada pelos estudantes. Recebeu elogios em relação ao domínio dos softwares, tratamento aos alunos, didática, ânimo para dar aula e disponibilidade para atender aos estudantes, mesmo fora do horário das aulas. Rogério Christofoletti Recebeu elogios quanto ao tratamento, método e dedicação. Tattiana Teixeira Sem comentários individuais. Valci Zucoloto Alguns alunos disseram que esperam uma professora mais pontual e um aproveitamento melhor do tempo em sala de aula na disciplina de Redação para Rádio. Ângelo Ribeiro (substituto) Houve críticas em relação ao cumprimento do plano de ensino. Valentina Nunes (substituto) Alguns alunos a avaliam como uma professora que sempre procura melhorar suas aulas. Samuel Pantoja Lima (professor convidado) Segundo os estudantes, teoria e prática poderiam ser mais equilibradas em suas aulas. 4. Pesquisa e Extensão Tanto a pesquisa quanto a extensão - bem como a pós-graduação desenvolvem atividades das quais os estudantes não têm conhecimento (exceção para o TJ UFSC e os programas da Rádio Ponto). Além da falta de divulgação destes trabalhos, os discentes notam que as pesquisas e projetos desenvolvidos não são integrados e inseridos na graduação - ou seja, não percebem contribuições da pesquisa, extensão e pós para o ensino. Muitos núcleos são totalmente estranhos aos estudantes - não só em aspectos como participantes ou objetivos, mas até mesmo a existência destes núcleos. Além disso, os critérios para a seleção de bolsistas são percebidos pelos estudantes como pouco transparentes e relacionados apenas a preferências pessoais. Se os estudantes sequer têm notícia das atividades de pesquisa e extensão da maioria dos professores, é um sinal de que elas não estão devidamente integradas na graduação. A impressão geral do corpo discente é que, salvo exceções, as atividades de pesquisa e, principalmente, extensão servem apenas para completar o PAD dos professores no começo do semestre. O desconhecimento é o mesmo quando se trata da Pós-Graduação, com o agravante de que, para praticamente todos os alunos que falaram dela no questionário, o Programa chega a atrapalhar o ensino regular de jornalismo na


UFSC, tomando, segundo as respostas, horas de professores que poderiam oferecer disciplinas optativas. Por fim, do mesmo modo que produtos, projetos de extensão vinculados a disciplinas foram avaliados como prejudiciais para o ensino, desviando o foco do conteúdo da aula para detalhes do material a ser produzido. O exemplo mais citado foi o projeto de extensão Jornal do CCE, onde ocorriam desvios da ementa de Redação II (disciplina que era vinculada ao JCCE): a produção textual, foco original, perdia espaço para atividades como fotografia, diagramação e edição. 5. Perfil do Estudante Foi constatado, em todas as salas, que os estudantes de jornalismo não encontraram na graduação o que esperavam quando prestaram vestibular. Enquanto alguns têm uma percepção de jornalismo de acordo com a grande curricular do curso, outros não estão totalmente de acordo com essa grade. Foram demonstradas incertezas em relação ao mercado de trabalho - dúvidas que se intensificam nas fases mais avançadas. Há também alunos que preferem a comunicação institucional, por acharem mais interessante a opção de construir uma carreira nessa área. Eles entendem que poderia haver mais atenção no Jornalismo da UFSC a essa opção. 6. Entidades Discentes A Associação Atlética Graus Bons (AAGB), o Centro Acadêmico Livre de Jornalismo Adelmo Genro Filho (CALJ), a Comunica! Empresa Júnior e a Semana do Jornalismo possuem, em comum, um problema na comunicação com os estudantes - tanto que muitos dos acadêmicos preferiram não opinar sobre as entidades, alegando desconhecimento. Há também uma falta de integração entre as entidades, exposta pelos estudantes e evidenciada pelo fato de muitos destes responderem apenas sobre uma. Uma sugestão, citada mais de uma vez, foi a da vinculação mais direta entre Semana e CALJ. AAGB: Foi mencionado, por parte dos alunos, que a Atlética possui uma imagem de apenas festas e viagens. Por outro lado, outros disseram que realmente há esse viés, mas que a entidade está realizando cada vez mais atividades esportivas. CALJ: Alguns estudantes apontaram que o CALJ poderia ser mais comunicativo. Há alunos que não se sentem parte da entidade; outros disseram que houve melhora na representatividade do Centro Acadêmico em 2012. Comunica!: Houve estudantes que disseram não conhecer a empresa júnior ou que a comunicação com os alunos é pouco efetiva. Outros avaliaram como positivas as atividades da Comunica!. Semana do Jornalismo: Alguns estudantes disseram que a edição de 2012 poderia ter sido melhor, mas que foi prejudicada pela greve de STAs e professores no mesmo ano. As atividades foram elogiadas, mas foi citada a baixa participação dos estudantes e a necessidade de um trabalho de divulgação mais eficiente.


Avaliacao discente do jornalismo ufsc relatório referente à primeira etapa – 2012 2