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Jornal do Cale

Edição nº 001

Ciências Econômicas UFSC, Junho 03, 2014

Jornal do Cale: botando no papel as ideias que estão saindo do papel.

A Gestão Ventania do Centro Acadêmico Livre de Economia lança a primeira edição do Jornal do CALE – parte da plataforma de comunicação que pretende levar ao máximo possível de estudantes as questões essenciais do seu Centro Acadêmico na sua luta pela melhoria do curso. Assim como apresenta uma proposta para divulgação de artigos de estudantes, o que pretende incentivar a produção escrita entre os mesmos. Conjuntamente ao Jornal, a Comissão de Comunicação Externa também lançou o Site do Cale: caleufsc.wordpress.com/. É muito impor-

tante que esses espaços sejam efetivamente acessados e contem com a participação de todos nós estudantes. O mais importante é que este Jornal sirva de ponto de referência nos debates e integração dos estudantes acerca das questões mais importantes do seu curso e ciência. Confira nesta primeira edição: Repasses e Notícias das Comissões Estruturais – Andamento da Próxima SAECO – A Luta do CALE por uma Sede – A Questão da Contratação de 3 Novos Professores Efetivos.

Kinder Ovo: mais caro ou mais barato? A “nova classe média”: um enfoque marginal ao centro do discussão

Como um assunto do cotidiano pode ser abordado de forma a utilizar categorias e conceitos econômicos importantes? Veja a maneira pela qual um fenômeno como o aumento do preço do Kinder Ovo pode ser analisado economicamente - trazendo a realidade de forma estimulante para o estudante de economia. Artigo por Luciano Neves Córdova

Há muito se vê um debate sobre a ascensão de uma nova classe média acontecer, seja na academia, nas instituições e no governo. No presente artigo se faz a tentativa de abordar o tema para além do debate atual, jogando luz no aspecto social do consumo e sua representatividade para o debate da “nova classe média”. Artigo por Bruno Haeming.


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Jornal do Cale

Notícias e repasses do CALE.

Próxima SAECO

O tema geral da SAECO foi escolhido em reunião geral do CALE: Os 20 anos do Plano Real. Esse tema é pertinente uma vez que carece de uma análise sólida dos economistas em relação às transformações econômicas engendradas no período, assim como as conjecturas que podem ser feitas para o futuro de nossa economia. A comissão organizadora da SAECO 2014 já iniciou os trabalhos, no sentido de pensar e planejar a estrutura geral do evento. As reuniões da comissão organizadora são abertas e serão convocadas via Facebook, no grupo da gestão Ventania e no grupo da Economia UFSC.

Comissão Financeira

Prestação de contas Happy Hour da Posse. O Cale finalizou a festa com R$ 250,66 de lucro e com um estoque de cervejas com 1128 unidades. Conforme realizado no ultimo dia 09 de maio , o Happy Hour da Posse do CALE contou com o custo total de R$ 4444,34 de cerveja, gelo, limão e açúcar. A receita da festa foi de R$4695,00 de vendas de cerveja e caipirinha. Prestação de contas detalhada no site do CALE.

Fique por dentro do CALE!

Junho de 2014

Nota do editor Esta é a Primeira Edição do Jornal do CALE, pretendemos que muitas ainda venham. É essencial entender a importância deste espaço para os estudantes de Economia da UFSC. Por mais que os jornais físicos estejam em geral desaparecendo devido à progressiva virtualização, a proposta do nosso Jornal não é de simplesmente sustentar-se comercialmente, o que seria de uma competição desleal com as mídias virtuais. Não, nós queremos que haja a distribuição palpável de conteúdo gerado por estudantes, um espaço capaz de divulgar as potencialidades criativas e analíticas de nossos colegas. Capaz de comunicar concretamente o que está acontecendo ao nosso redor. Reiteramos a escolha pela tangibilidade do papel: ela é diferente, melhor. Através dela é possível apontar conversando na Sala Multiuso, levar para conversar no futuro Calinho ou antes da aula começar. O acesso é total, todos os interessados podem pegar a sua cópia gratuitamente - que o façam conscientemente - o dinheiro é dos estudantes. O benefício também!

Em busca de um espaço ideal para o CALE e estudantes. Já foi iniciada a revitalização do Calinho, salinha entre as salas 111 e 113, e até julho planeja-se transformá-la em um espaço de confraternização dos estudantes. A revitalização do calinho é uma medida de curto prazo, pois não resolve a insustentável situação em que os Centros Acadêmicos do CSE se encontram, a saber, sem uma sede fixa. Nesse sentido o CALE, juntamente com os demais centros

acadêmicos do CSE, está articulando uma proposta de médio prazo em decorrência do atraso das obras do novo prédio do CSE, da ausência de uma data definitiva para o fim das obras, entre outros problemas que envolvem até mesmo licitação. Essa proposta, comungada por todos os Centros acadêmicos do CSE, visa comprar contêineres, como forma de resgatar uma sede própria às entidades. A im-

portância de um espaço físico é essencial, uma vez que permite que o estudante alcance sua plenitude acadêmica, entendendo que uma vida acadêmica deve transcender a sala de aula. O estudante deve ser capaz de pensar seu próprio curso e sua própria universidade. A sede é o espaço em que o estudante INTEGRADO pode pensar seu curso, e mais, transformar sua realidade.


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Núcleo de Estudos Curriculares e Pedagógicos. A metodologia e o cronograma do núcleo já foram estruturadas e podem ser encontradas no grupo da gestão ou no site do CALE. Foi iniciada a elaboração da metodologia da Avaliação de Curso e Currículo que ocorrerá no segundo semestre de 2014.

Nesse sentido estamos em parceria com o CARI (Centro Acadêmico de Relações Internacionais), uma vez que eles também realizarão uma Avaliação de Curso no segundo semestre, conjuntamente estamos estudando as metodologias de

avaliação aplicadas por outros centros da UFSC, esse levantamento metodológico pretende estabelecer uma avaliação sólida e representativa das necessidades reais dos estudantes.

discente na política universitária. Os encontros serão realizados nas quartas-feiras, às 16:00 horas e ocorrerão quinzenalmente. O primeiro encontro será no dia 11/06 e as leituras recomendadas são “A Universidade Brasileira” de Ruy Mauro Marini e o “Manifesto dos Estudantes da Universidade Nacional de Córdoba”, as quais estão disponíveis para download no grupo da gestão no facebook.

Responsável por lidar com a comunicação entre o CALE e os estudantes de forma a integrá-los o máximo possível, a CCE (Comissão de Comunicação Externa) já realizou três reuniões onde pôde operacionalizar o Site do CALE (caleufsc.wordpress.com) publicado nesta segunda-feira (02/06), assim como o Jornal que está em suas mãos. Além disso, a CCE agora terá o desafio constante de manter em funcionamento esses dois espaços importantíssimos para a comunicação entre os estudantes. Também nos ocuparemos da divulgação de eventos e atividades importantes do CALE. Realizamos reuniões semanais, nas sextas-feiras às 18:00.

Comissão Política. A Formação Política Estudantil é uma atividade que busca fornecer base teórica e prática aos estudantes interessados em compreender as dinâmicas políticas que envolvem a universidade, de forma a facilitar sua participação no Movimento Estudantil. Os encontros serão pautados em debates feitos a partir da leitura de obras que tratam da universidade brasileira e da atuação

Concurso para 3 professores. No último colegiado de departamento foram formadas as bancas que decidirão a contratação de mais 3 professores efetivos para o curso de economia. As três áreas do concurso são as seguintes: •Crescimento, flutuações e Planejamento Econômico, presidida pelo professor Hoyedo Lins. •Economia Industrial, presidida pelo professor Eraldo Sérgio da Silva. •Teoria Econômica, presidida

pelo professor Wagner Arienti. O CALE, nessa mesma reunião, deixou evidente sua motivação com o concurso e seu anseio em participar da escolha dos novos professores. Como institucionalmente não é permitida a participação discente nas bancas e nem o colegiado se mostrou favorável a isso, ficaremos restritos à participação com caráter ouvinte na prova didática dos candidatos ao cargo de docente. Mesmo sendo

Comissão de Comunicação Externa

restrita nossa participação, entendemos como fundamental a presença de um vultoso numero de estudantes nas provas supracitadas, como forma de fiscalizar o processo. É nesse sentido que convocamos todos os estudantes a assistirem as provas didáticas que acontecerão em breve. A data das provas ainda não foram definidas, mas serão divulgadas no site do cale e nas redes sociais. Fiquem atentos!


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Artigos Kinder Ovo: mais caro ou mais barato? Em certas ocasiões nos deparamos com a frase: “que saudades da época que o Kinder Ovo era R$ 1,00”. Muitas vezes essa afirmação vem acompanhada de considerações sobre a inflação no período e sobre os níveis de renda. Muitos de nós, enquanto futuros economistas, ficamos em dúvida sobre essas apreciações e com muita ânsia por saber a resposta. Será realmente que o Kinder Ovo ficou mais caro do fim da década de 1990 para cá? Perguntamo-nos. Para responder essa pergunta é necessário observar o contexto econômico de duas décadas atrás. Tomemos como base de comparação o ano de 1999, período de início do regime de metas de inflação que vigora até hoje. Nesse ano o real sofreu forte desvalorização. O sistema de câmbio foi alterado de semi-fixo para flutuante. Essa desvalorização foi necessária para corrigir distorções que o próprio Plano Real criou em 1994 ao controlar a inflação baseado num sistema de âncora cambial, ao qual equivalia o Real a 1 dólar norte-americano. Preço visivelmente sobrevalorizado. Portanto, a fim de manter a credibilidade desse esquema outras duas âncoras necessitavam de ser implantadas: a âncora monetária, ou seja, manter

uma política de elevadas taxas de juros com o intuito de atrair artificialmente recursos externos ao país, de modo a proporcionar os dólares necessários para sustentar a paridade com o Real; e a âncora fiscal, isto é, para captar recursos externos, era necessário nutrir os investidores estrangeiros com elevados superávits primários. Nesse sentido, a explosão da dívida, as políticas de privatizações e saneamento das contas públicas do período obtêm sentido dentro do arranjo arquitetado. A ideia de controlar o nível de preços, portanto era simples. Ao equiparar o Real a 1 dólar, o mercado interno seria inundado por produtos estrangeiros (como o Kinder Ovo, por exemplo ), pois as importações ficariam mais baratas. Assim os preços cairiam, mas não sem custos sociais pesa-

“Kinder Ovo, que em 1999 custava R$ 1,00 e atualmente custa ao redor de R$ 4,00.”

díssimos, entre eles, destruição de vários setores da indústria e elevadas taxas de desemprego. Além disso, com o real sobrevalorizado, a balança comercial passou a apresentar constantes déficits, bem como no saldo em transações correntes. O Brasil estava sendo continuamente descapitalizado, o esquema montando em 1994 ruía. Dessa maneira, a desvalorização de 1999 aliviou as contas externas e desafogou o capital, ao rebaixar o custo unitário do trabalho cotado em dólar . A partir daí, entende-se em determinada medida por que os produtos importados ficaram mais caros, quando comparados com os demais produtos da economia. Logo, estamos aqui falando de preços relativos. Para exemplificar esse movimento voltamos ao Kinder Ovo, que em 1999 custava R$ 1,00 e atualmente custa ao redor de R$ 4,00. Um aumento de 300%. Para comparação, o IPCA acumulado no período é de 161,61%.


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Mas para que nosso diagnóstico seja capaz de afirmar se o Kinder Ovo ficou mais caro ou mais barato em termos relativos é necessário observar o crescimento de rendimento do Brasil no período. Para isso tomamos outras três variáveis de análise Ano

Salário mínimo

do nível de renda, cada qual capaz de se associar com estratos diferentes da população, são elas: o salário mínimo, o salário mediano e o salário médio. A tabela e o gráfico abaixo mostra essas informações. Infelizmente, o salário mediano

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para o ano de 1999 não está disponível. Agregamos a ela também o preço da cesta básica, como maneira de representar o gasto mínimo de subsistência do trabalhador.

R$ 2.500,00

Salário mediano nominal

Salário médio nominal

Preço da cesta básica

Preço do Kinder Ovo

1999

R$ 130,00

-

R$ 449,00

R$ 125,34

R$ 1,00

2006

R$ 350,00

R$ 597,62

R$ 1.039,24

R$ 215,19

R$ 2,70

2014

R$ 724,00

R$ 1.198,28

R$ 1.983,80

R$ 345,63

R$ 4,00

R$ 2.000,00

Salário mínimo

R$ 1.500,00

Salário mediano nominal

R$ 1.000,00

Salário médio nominal Preço da cesta básica

R$ 500,00 R$ 1999

2006

2014

Na tabela a seguir estão as respectivas variações entre o ano de 1999 e 2014 dos valores acima: Comparação Variação 1999-2014

Salário mínimo nominal

Salário Médio nominal

Preço da cesta básica

Preço do Kinder Ovo

456,92%

341,83%

175,75%

300,00%

É possível perceber o aumento do poder de compra mais do que proporcional da parcela da população mais pobre em relação às outras parcelas a partir do incremento relevante do salário mínimo maior que os dos

demais. Também é observável que houve uma elevação real dos salários no período tendo em conta que a inflação acumulada foi de 161,61%. No que diz respeito ao preço relativo do Kinder é possível

afirmar que ele ficou mais barato, apesar do seu aumento de 300%. Isso fica mais claro na tabela a seguir que compara a razão entre o preço do Kinder Ovo e das demais variáveis.

Fatias Fatia do Kinder ovo 1999 Fatia do Kinder ovo 2006

Salário mínimo

Salário mediano nominal

Salário médio nominal

Preço da cesta básica

0,77%

-

0,22%

0,80%

0,77%

0,45%

0,26%

1,25%

Fatia do Kinder ovo 2014

0,55%

0,33%

0,20%

1,16%


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No salário mínimo a redução da proporção entre 1999 e 2014 foi de 0,22p.p. e no salário nominal foi de 0,02p.p. Com o salário mediano a comparação só é possível de 2006 para cá, aí a redução foi de 0,12p.p., contra os mesmos 0,22p.p. do salário mínimo e os 0,06p.p. do salário médio. Entretanto, é interessante dar-se conta que a participação do Kinder Ovo no preço da cesta básica subiu, e subiu 0,46p.p., mais que a queda das outras participações. Dessa observação se pode chegar à outra conclusão interessante e bem mais sutil: é possível afirmar que o Kinder Ovo se converteu em um produto mais elitista,

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um produto para os estratos superiores da população consumir. Isso porque em termos de preço relativo o Kinder Ovo ficou mais caro que os demais alimentos e certamente que os demais chocolates. Por isso, os estratos com renda mais baixa preferirão consumir outros tipos de doces e alimentos mais baratos, dada a natureza supérflua do Kinder Ovo, e utilizar o maior incremento de renda obtido no período para gastar com outras mercadorias mais essenciais, que essas pessoas não possuíam antes, como eletrodomésticos e automóveis. Talvez, essa última conclusão explique por que o Kinder Ovo, apesar de ter ficado mais

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barato em termos relativos a renda, converteu-se no exemplo máximo da alta do preços. Porque esse produto restringiu sua demanda. Antes, as pessoas compravam Kinder Ovo e não podiam comprar eletrodomésticos (e não podiam porque o preço da cesta básica, o limite mínimo de subsistência, correspondia a 96,4% do salário mínimo, atualmente corresponde a 47,7%); hoje as pessoas preferem comprar eletrodomésticos ao Kinder Ovo. Claro que essa expansão do consumo tem limites, mas isso é assunto para um próximo artigo. Luciano Neves Córdova Graduando em Economia UFSC

A “nova classe média”: um enfoque marginal ao centro da discussão. Um dos debates conjunturais das ciências sociais brasileira é o fenômeno designado de “ ascensão da nova classe média”. Sobre esse tema muitos intelectuais se debruçam a investigar a vigência desse movimento , o debate é candente e não existe nem um consenso em como tal ascensão é percebida; seja um aumento do consumo real das famílias, ou uma facilidade no acesso ao crédito . Tudo isso pensando nas bases materiais da discussão estritamente econômica. Nada de errado com tal perspectiva, e aliás é um caminho necessário a ser trilhado, todavia neste momento explorarei superficialmente eles ,e tentarei jogar luz a outro aspecto que o consumo tem, o de capturar e adestrar as massas. Pode-se defender que a ascen-

são da dita “nova classe média” é apenas um efeito ilusório. Promovido por um acesso ao consumo empurrado pelos programas de redistribuição do governo petista, seja o “Minha casa, minha vida” , “ Bolsa-Família”, “ Bolsa empresário”, ou melhor, crédito a juros baixíssimos - a perder de vista- para grandes corporações , enfim uma série de incentivos

financeiros e outros tantos fiscais utilizados para “aquecer” setores da economia que tem importante participação no PIB . Todos esses programas tem como objetivo aumentar a demanda efetiva, contornar períodos onde o capital tende a ser estocado, ficar ocioso ou sofrer com intempéries do mercado mundial e não conseguir valori


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zação; a atual crise cambial que o Brasil enfrenta em conjugação com a queda da demanda externa por produtos primários é um exemplo, todos esses são programas estruturantes e medidas anticíclicas que foram concebidos com o objetivo de engendrar um programa de desenvolvimento com a ambição de ; 1)aumentar o mercado interno e 2), capitalizando a indústria com empréstimos e investimento em educação tentar gerar autonomia tecnológica e de inovação no Brasil. Com certeza o segundo ponto, o da tecnologia, está longe de ser concluído, o primeiro está em debate e creio que o aumento do mercado interno seja transitório em partes, mas o que polemizo é: O sustentáculo ideológico do governo, e que viabiliza sua ação política enquanto um governo “das massa” é passar a impressão de ascensão via consumo, é saber que ao dar as condições de melhoria no poder de compra a uma classe que , a

vidade e dependência na civilização industrial” apontava o comportamento das elites dos países dependentes em mimetizar os padrões de consumo externo ou da dita civilização industrial, e por consequência alocavam o excedente social em consumo perdulário. Pois bem essa ideia fora tirada de um intelectual brilhante chamado Thorstein Veblen, que apontava o padrão de consumo das sociedades como um sinalizador de uma classe social; grosso modo, a classe de um indivíduo, ou um grupo, era sinalizada pela sua capacidade de consumir, e logicamente as classes mais altas consumiam perdulariamente, conspicuamente, para assim mostrar sua “superioridade”. Logo, tentando apreender e dialogar com nossa realidade, é factível ver que uma melhoria no consumo -ou pelo menos, o sentimento de melhoria com a capacidade de consumir produtos de uma outra classe- se con-

poucos anos, não tinha acesso a nada além de uma subsistência, constitui-se uma peça fundamental para reproduzir as ambições políticas de permanência no poder. Celso Furtado em seu “ Criati-

figura como portadora de uma impressão de ascensão social. O trabalhador assalariado que agora consegue comprar; fogão, máquina de lavar de última geração, TV de LCD/Plasma, entra numa “Nova classe social”, que

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compartilha de um padrão de consumo similar ao das classes mais abastadas. Voltando ao Celso Furtado, ao ter um aumento na renda esse trabalhador busca sinalizar essa ascensão via consumo, e um consumo baseado no que as classes

“[...]ajuda a conservar as estruturas político-econômicas antitéticas vigentes no Brasil.” mais altas consomem; eletrônicos, eletrodomésticos de alto/ médio padrão, veículos . Por fim isso nos leva a pensar o problema que está no centro do debate; os limites desse modelo. Em textos futuros terei mais tempo para analisar as variáveis que constituem o problema, mas tentei aqui mostrar outro enfoque: o consumo enquanto validação social de um modelo de governo e do Estado que nele está inserido. Obviamente não é apenas o consumo que cumpre o papel de convencimento das massas em relação ao governo e Estado, mas é importante saber que a visão de uma ascensão à civilização industrial de consumo é eficaz e coopta muitas pessoas a aceitarem um Estado e o governo, mesmo ele imerso em contradições, ajuda a dar fôlego ao plano de desenvolvimento, e no limite, ajuda a conservar as estruturas político-econômicas antitéticas vigentes no Brasil. Bruno Haeming Graduando em Economia UFSC


CALEndário Junho, 2014 domingo

segunda-feira

terça-feira

quarta-feira

quinta-feira

sexta-feira

sábado

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ENEP - SEP

18h - Reunião CARI/CALE 22h - Reunião Ordinária

ENEP - SEP

ENEP - SEP

16h - Formação Política Estudantil 22h - DesenCALE 2.0

17h - Entregar Relatório do PAD 2014.2 18h - Reunião da CCE ENEP - SEP 18h - Reunião da CCE

DESENCALE 2.0 -

HAPPY HOUR DO DIA DOS NAMORADOS Onde eu desencalho? Bebidas: VARANDÃO DO CCE -Cerveja: duas por 5 reais -Tequila Que dia? -Vinho 11 de Junho Que horas? Das 22h até você sair do 0x0

Convidamos todos os estudantes a comparecer, mais informações sobre o evento podem ser encontradas no Facebook.


Primeira Edição do Jornal do CALE