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O des-país, de Gianni Rodari Após a leitura do texto na aula de Português, foi proposto aos alunos a elaboração de textos similares, usando o prefixo “des”. Prof. Eugénia Moura

2013, maio blog cais da escrita carla sofia araújo e josé manuel alho, revisão textual pedro trigo araújo, composição gráfica


Ana Lúcia Silva Magno Nº1 , 5ºB

Des-país O Senhor André, embarcou numa viagem a um país desconhecido. Quando lá chegou, viu coisas diferentes que não se faziam nos nossos países e, para ter uma orientação de onde estava, perguntou a um senhor:

- Olá! Ham…, sabe onde estamos? - Oh, oh, oh, oh… - riu-se ele – Mas é claro que sei! Quem é que não sabe? Nós estamos no Des-país. - Des-país!? – disse ele, um bocado atrapalhado. - Sim! Aqui existe a destristeza e as desdiscussões. – disse emocionado e com ternura. - O senhor não queria dizer tristeza e discussões!? – questionou o

Senhor André, franzindo as sobrancelhas. - Não! Eu quero mesmo dizer o que disse… - disse ele aterrorizado. - Então… o que quer dizer isso? – perguntou. - A destristeza é que aqui ninguém é triste! Somos todos felizes e não temos de pagar; e as desdiscussões é que nós não discutimos porque somos tolerantes uns para com os outros. – explicou-lhe. - E mais? – questionou-lhe o Senhor André. - Há as desplantas, que em vez de serem seres vivos, terem a clorofila e serem comestíveis ou não, são de papel e têm diversas cores em todas as suas partes. Não morrem! – disse.

- E as desplantas não se estragam na água, nem murcham? – indagou. - Não! Dizem que são mágicas… - disse sussurrando-lhe.


Duarte Ventura Vale Silva Pereira Nº5 , 5ºB

Desportugal Era uma vez um viajante que viajava de país em país até que um dia chegou a um país chamado Desportugal. Era um país estranho, confuso e irregular. As pessoas caminhavam sobre as nuvens, os edifícios estavam virados ao contrário a flutuar. Os homens tinham a cabeça virada para baixo e os pés de trás para a

frente. O viajante cruzou-se com um homem que lhe perguntou: - Bom dia, o senhor desmora aqui? - Sim, sou um viajante. – respondeu ele. - Não quer dizer antes, sim desmoro? – disse o homem – Vou-lhe desconder algumas coisas deste país. Está a ver aquilo? É um desbarco. - E para que serve? – perguntou o viajante. - Serve para remar no ar. - Maravilhoso! – disse o viajante – Assim não enjoamos tanto

como quando andamos de barco na água. - Aquilo é uma desárvore. - E qual é a sua função? – perguntou o viajante. - As desárvores, neste país, em vez de darem fruta dão chocolates. - Maravilhoso, então acho que finalmente encontrei o melhor país de sempre.

O viajante, continuou a sua visita pelo país e resolveu mesmo lá ficar.


Inês Rodrigues Santos Nº9 , 5ºB

A descasa Era uma senhora de nome DesClara. Com cabelos escuros e pele morena, de clara, não tinha nada. Vivia desacompanhada, pois era descasada. Já teve um marido, chamado DesValentim, era preguiçoso e pouco valente, e para trabalhar também era assim. Sua casa era desarranjada, mais parecia uma descasa. Desvarria o chão com uma desvassoura, quanto mais passava, mais sujava. Desfazia a cama, quando se levantava. E, durante o dia, nela descansava. Enquanto desarrumava a sua descasa, descantava uma descanção. Pois a letra não tinha, qualquer sentido para a audição. Para cozinhar, usava uma despanela. Descozia alimentos, que colocassem nela.

Descosia roupas, andava desfarrapada. Desvestia poucas, sempre descansada. Tinha uma destelevisão, toda desprogramada. Por isso estava, sempre desligada. No seu desfrigorífico, com descongelador. Dispunha alimentos quentes, por causa do calor. No verão queixava-se, que não tinha gelados. Punha-os no desforno, até ficarem desqueimados. Assim vivia Dona DesClara, muito desmaravilhada. Na sua descasa, cheia de trapalhada.


Mariana Marques Almeida Nº16 , 5ºB

Des-escola A Rosa, que não gostava de cor-de-rosa, era filha de um artista de circo, o que a obrigava a mudar constantemente de escola. De mudança em mudança, foi parar a uma des-escola. -Bem-vinda à nossa des-escola, cara des-colega – saudou o Simão, que era o des-sabichão lá do sítio. -Des-escola?! O que é isso?- perguntou a nova des-aluna. -A des-escola é como uma escola, mas com tudo ao contrário. Nas des-aulas brincamos e, nos des-recreios, aprendemos- respondeu o Simão. -Ah! Já percebi… Então, diz-me lá em que sala é a minha des-auladisse a Rosa. -Tens de apanhar o des-elevador….- começou a explicar o Simão Des-sabichão. -Não quererás dizer elevador?- inquiriu a Rosa, que odiava cor-derosa. -Se um elevador não sobe, não tem utilidade. Mas com o nosso deselevador podemos escorregar até à porta da sala de des-aulaexplicou o Simão. Depois de conversar com o Simão, ou melhor de desconversar, porque na realidade tudo lhe pareceu muito confuso, a Rosa entrou na primeira sala que viu. Foi parar à des-biblioteca. Sim, leram bem…. À des-biblioteca. As estantes estavam cobertas de des-livros. Em vez de serem as pessoas a ler os livros, eram os livros que liam as pessoas. Imaginem… A Rosa fugiu dali a sete pés, antes que os des-livros revelassem os seus segredos. Entrou noutra sala e reparou que estavam todos na brincadeira e, em vez de um professor, havia um des-professor, pois este não estava a dar matéria. Em vez disso, estava a ensinar as brincadeiras mais divertidas aos seus des-alunos. De repente soou o toque da campainha indicando que a des-aula tinha terminado e todos correram para o des-recreio. Era altura de aprenderem Inglês. - Que maravilha! Noventa minutos de brincadeira e quinze minutos de aprendizagem- exclamou a Rosa, com um enorme sorriso na cara. –Parece-me que vou adorar esta des-escola. Tenho é de me afastar da des-biblioteca, não vá um des-livro bisbilhoteiro desvendar os meus segredos…


O des-pais, de Gianni Rodari


O des-país