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/ 001 AZAMBE/ Vinテュcius PERES/ Jeremy Hindmarsh/ LAテ行 DORNELES/ FASHIONSEX/ WALVERDES/ FASHION

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Little trip to heaven issue


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No comeco dos anos 90 nasce uma nova expressao em materia de cabelos. Um salao que nao so corta cabelos, mas sim, cria imagens. O Sexton propoe uma mistura inovadora. Abra sua cabeca e adicione: 1 2 1 1 e

pitada de irreverencia; porcoes de precisao; dose de rock'and roll; quilo de charme; tesouradas a gosto...

Misture tudo com muita atitude e voila: esta pronta a mais nova receita do salao. A colecao Paparazzi, que sugere um movimento criativo.

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PORTO ALEGRE RS BRASIL

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Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África. Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África. Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África. Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África. Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África.

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Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África. Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África. Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África. Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África.


COLABORADORES

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CARTA DO EDITOR

Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África.

Lorean Ipsun potenti. Nulla imperdiet, velit pellentesque iaculis

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Contato. (51) 3222-2222 peng@magazine.com.br Av. Alnfdkasnd. KLNklndsd, 800 Porto Alegre - RS - CEP 90010-310


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QUER ESTOURAR UMA CAIXA DE SOM? PERGUNTE-ME COMO

Quer estourar uma caixa de som? Pergunte-me como. O baixista da Walverdes e guitarrista da PodiasErpior nos recebeu em sua casa e topou conversar sobre música. E a primeira pergunta não foi nossa, foi dele: “Vocês querem uma cerveja?”.

Por Gabriella Padilha Scott Por que motivo tu acredita que coisas como Restart fazem sucesso? Restart é que nem New Kids On The Block, que nem Dominó... Sempre vai ter umas bandas pop, meio infantis, pré-adolescentes, que vão fazer sucesso. É só um ciclo. Eu não fico nem um pouco chocado com o sucesso deles, por que sempre vai existir. Esse público vai engolir qualquer coisa que enfiar para eles em programas de TV, rádio, revistas. Eles vão consumir sempre.


FASHION QUER ESTOURAR UMA CAIXA DE SOM? PERGUNTE-ME COMO

Tu acredita que estão surgindo novas bandas boas? Todo dia, eu descubro um monte de banda nova de rock, de gurizada de fora, de qualquer lugar. Todos os dias tão surgindo um monte de banda afudê. Assim como vai surgir um monte de banda ruim também. Então, me dá um exemplo de uma boa banda nova? Eu poderia fazer uma cola ali do computador e te dizer uma lista gigante. Mas assim de cabeça... Brasileira, de Porto Alegre, tem a Mess, que é muito boa. Tem a Zeferina Bomba, que tá em São Paulo agora, que também é muito boa. Por que o nome “Walverdes”? Por causa do filme Comando para matar, do Arnold Schwarzenegger. Do Schwarzenegger ou do Stallone? Não sei agora, um dos dois. Nele, eles vão para um país chamado “Walverdes”, na América do sul, onde tem

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uma ditadura, eles tem que matar todo mundo lá e salvar o país. Ah, é o Schwarzenegger. O que tu acha do fato de vocês estourarem caixas de som durante os shows? Não acho legal. Isso aconteceu mais comigo. Aconteceu muitas vezes, acho que umas vinte. Eu toco alto, né. Então, eu colocava o grave e o agudo meio que no máximo, eu acho que era isso que estourava as caixas... Mas eu não sabia, fui me ligar nisso depois. A pior vez de todas, foi no aniversário da Ipanema, que a gente tocou no Pepsi on Stage. Na segunda música, estourou o ampli. Trocaram, daí eu só fiz um “téé” no baixo e estourou de novo. Tiveram que ligar meu baixo na voz. Ficou horrível. A gente tocou só mais uma música e acabou o show.

Uma banda que tu recomenda: Velho de câncer. Uma que tu não recomenda: Lady Gaga. Uma música que tu gostaria de ter feito: Possessed to Skate, do Suicidal Tendencies. Tem um clipe sensacional e a música é muito boa. É uma das minhas preferidas. Uma banda que tu gostaria que o Walverdes dividisse o palco ou abrisse o show: Mudhoney. E uma que já acabou: Ramones.


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As prรกticas e crenรงas dos Azande:

um exame despretensioso


OS AZANDE

Os Azande são uma tribo extinta que habitou o norte da África central – precisamente entre as atuais divisas da República Centro-Africana, do Sudão e do Zaire. A teia de crenças culturais dos Azande possui dois nós centrais: ‘toda morte de um zande adulto é causada por bruxaria’ e ‘toda morte causada por bruxaria deve ser vingada’¹. Para cada acontecimento do dia-a-dia que escapa da normalidade e que, além disso, tem efeito negativo para a vida daqueles por ele afetados, os Azande acreditam que há forças sobrenaturais influentes, dentre elas, principalmente, a bruxaria. Satisfeitas essas duas condições, um evento é dito “de bruxaria”, e então o fator sobrenatural constitui e explica os fenômenos naturais. Por exemplo, um oleiro experiente produz um vaso que se quebra após cair de uma prateleira. O vaso foi feito com os melhores materiais e com a maior cautela possível (e os vasos não caem de prateleiras por vontade própria). Os Azande entendem que o impacto do vaso com o chão é um evento necessário para que ele tenha se quebrado, mas insuficiente para a sua quebra: se o oleiro e o seu produto não tivessem sido atacados pela bruxaria, o vaso jamais cairia, e, assim, jamais quebraria. (O braço do boxeador foi levantando porque uma corrente elétrica perpas-

sou seu sistema nervoso, mas também porque ele pretendia acertar o rosto do oponente. À primeira vista, dispomos de muito mais evidências para crer nas neurociências tal como as entendemos do que os Azande parar crer nos seus eventos sobrenaturais. Será?)

Para os Azande, a bruxaria é um órgão localizado no fim do intestino grosso, herdado de pai para filho e de mãe para filha. Se um homem é acusado de bruxaria e comprovase que ele é de fato um bruxo, então todos os homens da sua família também o são; portanto, eles também deveriam ser punidos. Assim, sempre

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que há uma inimizade entre dois sujeitos e um deles acaba morrendo antes do outro, o sobrevivente é tomado como principal suspeito da morte e é acusado, obviamente, de bruxaria (a morte de crianças é excluída desse esquema, pois crianças dificilmente possuem desafetos com adultos – tampouco podem praticar bruxaria, pois, visto que esta é um órgão, ela cresce com a pessoa, e a força da bruxaria depende do seu tamanho). A morte não é apenas um evento incomum, é o evento incomum na vida de uma pessoa, e sua repercussão negativa resume-se a ser o ponto final na linha da vida. A morte satisfaz as condições para que um evento seja bruxaria – e, sendo brux aria, há um bruxo a ser responsabilizado. A pena vai, nesses casos, de uma mera compensação material à misteriosa morte por magia letal. Devemos perguntar, então, como se descobre quem foi o responsável pela bruxaria. Por um oráculo, respondem os Azande, em que se envenena uma galinha (ou quantas forem necessárias), cuja reação indica, em caso de morte, uma resposta afirmativa ou, em caso de sobrevivência, uma resposta negativa a uma pergunta do tipo “Fulano é o bruxo responsável?”. Os Azande acreditam que o veredicto desse oráculo, o assim chamado oráculo do veneno, mostra


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OS AZANDE

Tudo, o tempo todo, é questão de bruxaria, diz EvansPritchard: “[...] se uma praga ataca a colheita de amendoim, foi bruxaria; se o mato é batido em vão em busca de caça, foi bruxaria; se as mulheres esvaziam laboriosamente a água de uma lagoa e conseguem apenas uns míseros peixinhos, foi bruxaria [...]”). quem é o verdadeiro culpado pela bruxaria. Assim, segundo suas regras, vem-se a saber se o acusado é de fato o bruxo a ser responsabilizado e punido. Os Azande buscam identificar um culpado. Buscam, mesmo que seu método de busca troque os pés pelas mãos, identificar alguém a quem responsabilizar, mesmo que a pena que recaia sobre o suposto bruxo seja demasiado pesada e acabe por violar nossas noções a respeito do direito à vida. Fazem isso porque não vêem a bruxaria com bons olhos, pois zelam por si mesmos. À noção de punição que empregam, subjazem as motivações de que quem faz algo de ruim passa a ser um risco aos demais e deve ser julgado, e que a segurança, a paz e a sobrevivência da tribo é algo a

ser prezado. Podemos, nós e eles, discordar de todo o resto (neurociência e bruxaria, inquérito legal e oráculo de veneno, prisão e morte por magia letal), mas certamente temos motivações parecidas. Se não é o bastante, acredito que todos em todas as culturas em todos os tempos também têm, sempre tiveram e sempre terão

as mesmas motivações operando tacitamente por detrás dos seus sistemas morais, por mais idiossincráticos que sejam. Corte a torta onde quiser: a moralidade se apóia na universalidade.

¹ EVANS-PRITCHARD, E.E, Op. Cit. p. 36. ² EVANS-PRITCHARD, E.E, Op. Cit. p. 49.


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    Desde o seu início, na Idade Média Tardia, a moda tem no cerne de seu sistema a lógica do efêmero. Com o surgimento das casas de Alta Costura, do meio para o final do século XIX, a moda - diferente do vestuário - existiu em função da dignificação do novo, da substituição do antigo pelo atual. As inovações dos grandes criadores eram copiadas através de um sistema de influências e, quando se tornavam populares, a tendência já era outra.       Dentro da indústria da moda, existem as modelos, os fotógrafos, os stylists e tipos de fotografia editorial e publicitária que estão “na moda”. Até os anos 1960, revistas como Vogue e Harper’s investiam exclusivamente

em uma imagem de beleza e feminilidade, muitas vezes austera. Não existia uma exploração de diferentes estilos e personagens. Com a perda da hegemonia da Alta Costura e o fortalecimento do Pret-à-Porter como verdadeiro lançador de tendências, as grifes passaram a anunciar com mais frequência - o que antes nem se fazia necessário, pois apenas 300 mulheres no mundo compravam vestidos de Alta Costura. De 2% de suas receitas, as marcas passaram a dedicar 25% destas aos publicitários, fotógrafos, modelos e stylists responsáveis pelos anúncios.       Todas usavam, como até hoje usam, o mesmo formato de anúncio: foto-


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grafia e logomarca. Com isso, a fotografia dá lugar à construção da fantasia, de modo que os consumidores poderiam se identificar mais com o clima e contexto da imagem do que com as roupas propriamente ditas. Esse movimento determina uma era de grandes produções na fotografia de moda, pelo menos até a década de 1980, quando a revista i-D abre espaço para pessoas normais, vestindo suas próprias roupas, em valorização da identidade e expressão individual. Nesse período, todas as revistas e marcas de moda participaram da tendência, que até hoje tem representantes, como as campanhas de Marc Jacobs por Terry Richardson. Entretanto, um

tema que hoje parece indissociável da publicidade e da fotografia de moda permanecia inexplorado: o sexo.       É certo que elementos de sensualidade e sedução já apareciam, mas sempre com um olhar para o corpo, e nunca com foco nas relações carnais. Nos anos 90 a grife italiana Gucci estava prestes a quebrar, em situação complicada tanto financeira quanto imageticamente. O estilista Tom Ford, então com apenas 32 anos, foi chamado para dar um novo direcionamento à marca. Sua posição ficou clara: “quem usa Gucci, faz sexo”.       Na ocasião do primeiro lançamento sob sua direção criativa, Ford chamou o fotógrafo Mario Testino e a stylist

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Carine Roitfeld, hoje editora-chefe da Vogue Paris. Não por acaso, Testino e Roitfeld compartilham com Ford o fascínio pelo lascivo. O fotógrafo peruano tem trabalhos importantes em seu portfólio, que privilegiam o corpo e a nudez. Ele é apaixonado pelo Brasil e, em 2009, lançou o livro “MaRIO DE JANEIRO Testino”, com modelos e atores famosos nas praias do Rio, em claro viés erótico. A francesa Carine diz que, em seu país, “sexo é o prazer mais básico da vida”. Ela é muito questionada sobre ser ninfomaníaca, pois seus trabalhos envolvem bastante a imagem sexual, mas responde que é apenas trabalho e, depois que acaba, toma um chá de camomila. O trio tra-


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balhou junto durante 7 anos, produziram as campanhas mais polêmicas da época e ditaram a pauta.       Agora que não trabalham mais juntos, os três afirmam que hoje em dia não se pode mais ir tão longe, mas consideram que seu trabalho ajudou a inserir o sexo na propaganda. “Nós forçamos a barra e depois todo mundo copiou”, diz Carine. Ela acredita que foi algo positivo na época, mas que agora isso se vulgarizou: “Não é mais divertido, não é mais chique”.       Juntos, Ford, Testino e Roitfeld deram forma a um período - a década de 1990 - em que moda e sexo pareciam inseparáveis. Depois de ter sido largamente explorado, o tema conti-

nua presente em algumas produções fotográficas, tanto publicitárias quanto editoriais. No entanto, como defende Svendsen, o pluralismo de estilos também atingiu a fotografia de moda, ainda que sua total liberdade (e ausência de censura moral) devam ser gratas ao trio amante da luxúria, que abriu caminhos, inovando antes que a atual saturação fosse atingida.

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Meu nome é Jeremy Hindmarsh

Meu nome é

Jeremy Hindmarsh Ando a cavalo, nado nas represas, rolo na grama. Por toda minha vida tentei evitar o trabalho, fazendo apenas artes e músicas e tudo mais, mas tenho que trabalhar para pagar por isso. Sou um DJ, e isso é tudo o que tento fazer. E às vezes ajudo as pessoas, faço trabalhos sociais, acho importante trabalhar ajudando pessoas, é inspirador ver o quão tristes as vidas das pessoas podem ser. Já trabalhei com deficiências e ajudando idosos que não podem caminhar.

Ser um DJ na Austrália é uma boa profissão? Sim, sim. Eu trabalhava em Brisbane, onde eu não chegava a lugar nenhum como DJ, eles só tocam o que está na moda. Eu nunca fui realmente interessado nisso, porque são as mesmas músicas o tempo todo. Não havia oportunidade para tocar o que


Meu nome é Jeremy Hindmarsh

Eles todos constroem seus próprios instrumentos. Tem uma banda do Congo, que começou tentando ser como todas as outras, com a diferença que eles construíam seus próprios microfones, alto-falantes e tal. E eles acabaram criando um novo tipo de som distorcido, fazendo tudo passar por um falante só. Então, às vezes quando você é pobre e só está tentando fazer algo a mais, pode soar fantástico.

compartilhar. Mas também pelo lado espiritual, para aprender mais sobre a cultura daqui, e poder conhecer novas pessoas. Eu gosto de viver uma vida muito espontânea, de aproveitar qualquer oportunidade que aparecer e deixar a vida decidir o que vou fazer no futuro. Eu não tenho planos. Eu não sei o que quero fazer no futuro.

Melbourne é uma cidade muito artística, e o que é popular não é legal lá. Temos tantas culturas diferentes que as pessoas se interessam por coisas novas. Se interessam por artistas que estão testando as fronteiras do que é arte. E se interessam por músicos que testam as fronteiras do que é e do que é considerado música. Então eu tenho muita sorte de ser um DJ lá, porque posso ser muito livre. E isso deixa as pessoas felizes, e faz a cabeça delas.

Bem, não sei, só Os Mutantes, esse tipo de coisa. Mas você me mostrou tudo.

amo. Mas agora, em Melbourne, eu toco em duas casas. Eu toco worldpsychedelic e estou constantemente em busca de nova música do mundo inteiro que as pessoas não conhecem e simplesmente compartilho isto. É na verdade meio que um approach de antropologia da música à profissão de DJ.

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Então foi assim que você acabou vindo ao Brasil? Por causa da música, ou só pela onda turística? Pela música, principalmente. Esta é a grande razão pela qual vim pra cá, para encontrar mais música para

E que tipo de música você descobriu aqui no Brasil? As pessoas te mostraram música? Você foi a lugares para saber o que estão tocando?

É, te mostrei uma boa parte. [Aqui eu digo alguns sons que passei pra ele num DVD] Tentei encontrar coisas underground e experimentais, coisas de bossa nova-maluca que nós não conhecemos na Austrália. Nós conhecemos os brasileiros do popular/ psicodélico, os Brazilian Nuggets. Nós conhecemos compilações, mas não conhecemos bem os artistas, então estou tentando achar o “real thing”, o verdadeiro underground psicodélico brasileiro. Então, você define sua busca como uma busca pelo “real thing”? (risos) É, o real thing.


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E sua busca espiritual no Brasil, como isto te ocorreu? Que tipo de coisas você fez aqui no Brasil que te ajudaram neste sentido? Bem, eu sempre soube que o Santo Daime era aqui. Então eu sabia que se eu viesse pra cá, poderia experimentar. Ele existe na Austrália, mas tem muito pouco. Ninguém te dá nenhuma informação porque lá é ilegal mesmo. Conte-nos um pouco sobre sua experiência. Bem, o Daime (ayahuasca, yage, como você queira chamá-lo) te dá acesso ao plano espiritual. Ele permite que você

veja certas coisas, como os espíritos que estão presentes. Eu vi espíritos flutuando livremente, como se eu estivesse interagindo com eles, não apenas os observando. Sentei à fogueira e vi todas aquelas serpentes coloridas, em todo o lugar e todo o tipo de coisas doidas. Muitas coisas bonitas. O Daime te conecta com o estado transcendental definitivo do universo, aquele ponto em que seu cérebro estaria quando você estivesse para morrer. É exatamente entre a vida e a morte, bem no meio. É uma experiência muito intensa e bonita.


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O ritual te permitiu viver isso de uma boa maneira? Sim, todos em volta estavam ajudando. Só de estar lá te faz pensar “OK, eu não vou morrer. Está tudo bem.” E você acha que isso te ajudou com a sua arte? Sim, com certeza. Eu sempre admirei os quadros do Pablo Amaringo [fazer referência de onde ele é e tudo o mais], e beber o chá e ver exatamente o mesmo estilo de arte que ele retrata é incrível. Os padrões e as cores e as paisagens... A toda hora eu queria desenhar, mas no Daime eles querem que você se concentre. Me conte sobre a sua banda. Os Swamplords eram, originalmente, só eu gravando em Queensland, na Sunshine Coast, quando eu surfava. Quando parei de surfar, decidi fazer música que me fizesse sentir como se estivesse surfando, sem surfar. E então a coisa virou uma banda louca de 12 pessoas tocando algo como um punk ou jazz ou jungle-surf improvisado. Nos vestíamos com todo tipo de indumentária e nos pintávamos e enlouquecíamos mesmo. Foi algo relativamente grande em Brisbane. Foi muito divertido. Foi um sucesso local? Sim, inspirou uma nova mentalidade sobre música. Depois se tornou um trio e depois, um quinteto inspirado pela África e também pela bossa-no-

va, cheio de grooves e jams. Lançamos um CD com a última formação, auto-intitulado. Antes disso, eu só lancei meu álbum solo, “Mermaids of Tahiti”, sob o nome Swamplord. Então The Swamplords é minha banda e Swamplord é meu trabalho solo. Este disco recebeu crítica de uma revista australiana. Qual era o nome da dela? Mess+Noise, de Melbourne. Eles cobrem muita coisa boa, como quando os Strokes lançam álbuns novos, coisas assim. Eu tive muita sorte de ter meu álbum avaliado por esta revista, porque eles fizeram uma boa crítica, muito honesta. A banda (Os Bambinos Selvagens) é muito crua. Foi muito divertido. Eu fui a algumas das jams deles outro dia, eles gostaram de como eu toco, e isso foi tudo o que aconteceu. Eu gosto das energias deles tocando em direção a um bom rock n’ roll. Eles são muito apaixonados pela música deles, sabe. Foi fácil me encaixar.

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E as festas? Você tocou em uma festa porto-alegrense, no Laika Club. Como foi essa experiência? Foi boa. Toquei coisas um pouco diferentes, 60’s, psicodélico indiano, e rock n’ roll estranho. Não foi o que eu normalmente toco, já que a noite inteira era meio que de hits do rock. É meio estranho ir dos hits a algo que é completamente porra louca. É como cruzar do lado direito do cérebro para o esquerdo de repente. As pessoas não sabem o que pensar, elas se sentem meio tontas ou coisa assim, e não gostam disso. Então, em Melbourne, as pessoas são relativamente abertas a esse tipo de sons? É, especialmente hoje em dia, as pessoas em Melbourne são muito abertas ao psicodélico de todo lugar. A música africana está bem grande, porque temos muita população africana. Na maioria dos cafés eles tocam coisas como Fela Kuti. Tem muita coisa sulamericana também. Mas eu ainda


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Meu nome é Jeremy Hindmarsh

procuro muito mais. Não temos nossa própria cultura, então temos que achá-la em outros lugares do mundo. Não há música tradicional australiana? Não. A música indígena da Austrália não é música de performance, eles a usam em cerimônias. Eles vendem CDs, pelo turismo, mas são muito ruins. Eles colocam batidas oitentistas na música. Você chegou a Porto Alegre em um ótimo momento da cidade, temos algumas coisas interessantes acontecendo: a Cow Parade, a Feira do Livro, muitas boas exposições... Você foi a algum desses? É, eu fui a estas exposições hoje. O Iberê Camargo é fantástico. Eu nunca tinha visto tanta arte brasileira antes. Eu adorei o estilo e as cores, são tão diferentes da arte europeia. Com certeza é tudo inspirado na arte europeia, mas é diferente. Tem sua própria cultura em termos de tinta e estilo, de expressão. Eu gostei muito daqui. Muitos australianos não saem para conhecer o resto do mundo, por

achar que a Austrália é o melhor país que existe. Eles dizem “por que você quer ir a outro lugar do mundo, quando podemos viajar em nosso próprio país?”. Alguns australianos são muito teimosos em relação ao mundo que os cerca.

Brisbane tem a cena musical mais forte da Austrália, porque lá estão a maioria das bandas assinando com gravadoras e tal. Brisbane tem mais bandas surf do que qualquer lugar no mundo. Tem 15, provavelmente 20 bandas de rock psicodélico sessentista fortemente inspiradas pelo surfe. E os Swamplords eram uma das mais famosas por lá. Vemos nas revistas, ouvimos no rádio, então é uma boa cena. É engraçado, porque Brisbane na verdade não tem surfe, não tem praia. Antes de vir pra cá eu estava trabalhando em 3 empregos por dia. Eu pintava a casa de um cara, na floresta. Começava de manhã e terminava ao pôr-do-sol. Depois eu trabalhava limpando um armazém, lavava uns pratos, e depois ia trabalhar de DJ, até as 3, 4 da manhã. Chegava em casa e

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ficava sem sono, com a música ainda zunindo nos meus ouvidos, eu ficava doido. Era difícil, valeu muito a pena. [...] Eu acredito que vivi muito mais do que a maioria das pessoas se permite, apenas sendo espontâneo e pensando “que se dane, vou pro Brasil”. Acho que mais pessoas devem fazer isso. É a vez do Brasil vir à minha casa. Como você define arte? Um desejo por sexo profundo e psicológico. (risos) É isso o que Freud diria. Pessoalmente, estou tentando pensar para além disso. Existe muita gente que toca rock só porque quer transar com uma garota depois do show. Arte é algo de uma dimensão diferente, é sobre ir a novos mundos para tentar fazer arte e música. Isso é muito mais fascinante. Todos fomos feitos para procriar, isso é vida básica. A vida de artista é de uma responsabilidade muito alta da qual as pessoas esquecem. É como o xamã, você está inspirando as pessoas, e se você não está inspirando as pessoas com algo novo, não está fazendo um trabalho tão bom.


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ILUSTRAS/ POR LAテ行 DORNELES


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Little trip to heaven


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Mariana Korman


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XXXXXX veste, casaco XXXXX, blusa xXXXXX e pirulito XXXXX.

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XXXXXX veste, casaco XXXXX, blusa xXXXXX e pirulito XXXXX.

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Fotos/ Mariana Korman Produção/ Antônia Kowacs Mariana Korman cabelos/ Alexandre Paranhos MAQUIAGEM/ Hortência Guterres Modelos/ Fábio Balestro Clarissa Lütke Marques Lojas/ Aragäna, Casa de Tolerância, Disco, Folklore, Maria.i E Vulgo. apoio/ Sexton


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BUGIGANGSTER

BUGIGANGSTER Papel de parede interativo Criados pela empresa francesa de design CinqCinq, o papel de parede que imita um gigante jogo e passatempo chega para resolver os problemas de crianças riscando paredes (e dos adultos impulsivos). Feitos todos em preto e branco - deixando um visual mais clean -, os papéis de parede imitam labirintos, sudoku e caça-palavras. Além disso, permitem que o morador se divirta enquanto estiliza sua casa. Fonte: http://dornob.com

Bicicleta para chamar de sua A gente sabe que as bicicletas são o transporte do futuro (pelo menos do futuro próximo). Elas são ecologicamente corretas, saudáveis e já estão sendo utilizadas há tempos como principal transporte pela Europa e começando a se popularizar aqui no Brasil. Pensando em uma forma de cada um “tunar” sua bicicleta, tornando-a única, o designer suíço Juri Zaech criou o projeto “Write a bike”, que personaliza o corpo das bicicletas conforme o nome do dono. Massa, né? Fonte: http://freshome.com

Tempo bom eterno Já pensou viver em um lugar com o céu azul sempre? Certamente aquele mau-humor que vem com a chuva nunca apareceria. Como não temos notícia desse lugar na face da Terra, nos dias chuvosos a solução é usar um guarda-chuva que imita o céu limpinho no seu forro. Xeque-mate no Império Na era dos geeks, não é difícil ver as mais curiosas bugigangas relacionadas a Star Wars. O achado da vez foi um jogo de xadrez temático da série, colocando frente a frente no tabuleiro a República versus o Império. Desse jeito a gente até consegue colocar uma emoçãozinha nas longas partidas de xadrez. Fonte: http://geekchic.virgula.uol.com.br

BoomCase Se lembram daqueles americanos dos anos 80 que andavam pra lá e pra cá com seus BoomBoxes colossais? Pois é, parece que a onda pode voltar, mas em um outro nível de sofisticação. A criação é de um cara que se diz fanático por audio, que desenvolveu aparelhos de som portáteis em formato de maletas retrô de todos os tamanhos e cores! O resultado ficou muito bacana. As “bagagens musicais” são todas adaptadas para as novas tecnologias, como iPods, iPhones, carregador de bateria que usa luz solar e muito mais. O que pesa nisso tudo é o preço: custam na faixa de $250.


GUIDE FOR n00b’s

FOR NOOB’S

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1_LoREN IPSUN A gente sabe que as bicicletas são o transporte do futuro (pelo menos do futuro próximo). Elas são ecologicamente corretas, saudáveis e já estão sendo utilizadas há tempos como principal transporte pela Europa e começando a se popularizar aqui no Brasil. Pensando em uma forma de cada um “tunar” sua bici-

Gente sabe que as bicicletas são o transporte do futuro (pelo menos do futuro próximo). Elas são ecologicamente corretas, saudáveis e já estão sendo utilizadas há tempos coopa e começando a se popularizar aqui no Brasil. Pensando em uma forma de cada um “tunar” sua bicicleta, tornando-a única, o designer suíço.

2_LoREN IPSUN A gente sabe que as bicicletas são o transporte do futuro (pelo menos do futuro próximo). Elas são ecologicamente corretas, saudáveis e já estão sendo utilizadas há tempos como principal transporte pela Europa e começando a se popularizar aqui no Brasil. Pensando em uma forma de cada um “tunar” sua bici-

3_LoREN IPSUN A gente sabe que as bicicletas são o transporte do futuro (pelo menos do futuro próximo). Elas são ecologicamente corretas, saudáveis e já estão sendo utilizadas há tempos como principal transporte pela Europa e começando a se popularizar aqui no Brasil. Pensando em uma forma de cada um “tunar” sua bici-

Gente sabe que as bicicletas são o transporte do futuro (pelo menos do futuro próximo). Elas são ecologicamente corretas, saudáveis e já estão sendo utilizadas há tempos coopa e começando a se popularizar aqui no Brasil. Pensando em uma forma de cada um “tunar” sua bicicleta, tornando-a única, o designer suíço.


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TIRAS/ POR VINICIUS PEREZ


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