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N°4; 01/03/2011; CAFIS

.................................................................................................................................................................................................................... Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, entretanto a explicação para Frase do mês: o movimento aparente é válida para os dois grupos. “... os poderosos podem matar uma, duas ou três Sendo o movimento dos planetas bem definidos em orbitas estáveis rosas, mas jamais conseguiram deter a primavera surge então um antagonismo com a observação, pois um observador inteira.” localizado na Terra vê uma composição de movimentos. Composto Ernesto Che Guevara (em Diário) por avanços, paradas e retrogradações, por isso esses corpos celestes se chamam planetas, que é uma palavra de origem grega e significa estrela errante. ................................................................................................... Nesta situação o modelo Ptolomaico é posto em cheque, pois caso a Aconteceu nesta data: Terra fosse estática e ocupasse posição central no sistema 01/03/1982: A nave soviética não tripulada planetário tal movimento composto não poderia ser explicado, ou Venera 13 obtêm, pela primeira vez na história seja, não há como determinar a causa desse movimento. da humanidade, fotografias panorâmicas, em Já o modelo copernicano explica tal situação. Como os fundamentos cores, da superfície de Vênus, além de fazer da idéia copernicana (ou Heliocentrismo) são a centralidade do sol e diversas medições atmosféricas e determinar duplo movimento da Terra surge a possibilidade de explicar tal a composição química do solo. movimento composto como uma aparência, devida ao movimento da Terra em torno do Sol. Fonte: A Terra possui um período orbital de 365 dias enquanto Marte, por http://mercuriovenus.no.sapo.pt/menu/navespaciais/Venera13.htm. exemplo, possui um período de 387 dias, ou seja, a velocidade ................................................................................................... angular da Terra excede a de Marte, com isso a Terra pode Astronomia: “ultrapassar” Marte. Essa “ultrapassagem” é Um pouco de História: interpretada por um Carl Edward Sagan: observador na Terra como Nascido em 09 de Novembro de 1934 em Nova York, uma parada, seguida de um Estados Unidos da América (EUA), foi astrônomo, movimento em sentido astrofísico, cosmólogo, um dos maiores, quiçá o maior, divulgador contrário ao inicial que é de ciência até o momento atual, além de estudioso da possibilidade sucedido por outra parada e de vida extraterrestre inteligente. Morreu em 20 de Dezembro de 1996 que por fim retoma o devido ao câncer de medula. movimento inicial. Pertencente a uma família de origem russa judaica. Concluiu o Fonte: P. R. Mariconda, J. Vasconcelos, Galileu e a nova Física “ensino médio”, ou o equivalente, em Rahway High School, em 1951. (Odysseus Editora); P. I. Bakulin, E. V. Kononóvich, V. I. Moroz, Posteriormente freqüentou a Universidade de Chicago onde recebeu Curso de Astronomía General (Editora Mir). diploma de bacharel em artes em 1954, diploma de bacharel em ................................................................................................... Ciências em 1955, titulado mestre em Física em 1956 e doutorou-se em Astronomia e Astrofísica em 1960. Sagan trabalhou durante o Física: período de graduação com Hermann Müller (geneticista ganhador do Um pouco de História: Nobel de Medicina em 1946), de 1960 a 1962 trabalhou no programa Hermann Minkowski: Miller Fellow (programa de pesquisa básica em ciência), sendo um dos primeiros a participar desse programa, e de 1962 a 1968 no Um brilhante matemático alemão do final do século observatório Smithsonian Astrophysical Observatory. Lecionou na XIX e início do século XX, seus estudos, além de terem Universidade de Harvard em 1968 e em 1971 se tornou professor da grande importância para a Matemática, contribuíram Universidade de Cornell onde dirigiu o Laboratório de estudos bastante para o avanço da Física, principalmente no que diz respeito planetários. De 1972 a 1981 foi diretor adjunto do Centro de pesquisa à Relatividade Geral e Teoria Quântica de Campos. Minkowski em rádio física e espaço em Cornell. Além disso, ele participou do nasceu em 22 de junho de 1864 na cidade de Aleksotas, na Rússia, programa espacial estadunidense, participando, por exemplo, da entretanto se mudou para a Alemanha aos oito anos de idade. missão que enviou a primeira mensagem ao espaço através da sonda Talentoso, ganhou um prêmio da Academia de Ciências de Paris aos Pioneer 10, em 1972. 18 anos. Doutorou-se aos 21 anos, na Universidade de Königsberg. Produziu também a famosa série de televisão destinada a divulgação Durante sua graduação, Minkowski tornou-se muito amigo de Hilbert, científica “Cosmos: Uma viagem pessoal”. Além de escrever o na época também estudante da universidade. Minkowski, tal como célebre romance de ficção científica “Contato”. Hilbert, tinha a filosofia de que considerações matemáticas deveriam Foi reconhecido por Isaac Asimov (um dos três maiores escritores de dominar as teorias físicas. Para Minkowski, a Matemática poderia ficção científica que tem ao seu lado Robert Heinlein e Arthur Clark) fornecer novos princípios físicos. Nesta visão que ele forneceu a como um dos homens mais inteligentes que já conhecerá juntamente base matemática da Relatividade Restrita, onde foram estabelecidos com Marvin Minsky, construtor do primeiro computador baseado em os princípios matemáticos do espaço-tempo, entendido como um redes neurais. espaço não-euclidiano. Inicialmente, Einstein não viu com bons Recebeu diversas premiações entre elas: o prêmio da Academia olhos o trabalho de Minkowski. Entretanto, no desenvolvimento da Nacional de ciências, maior prêmio das Américas, a medalha Relatividade Geral, o trabalho de Minkowski foi de fundamental Tsiolkovsky, premiação da Federação cosmonáutica soviética, o importância. De fato, a visão de Einstein sobre o papel da Matemática prêmio Isaac Asimov do Comitê para a investigação científica de na Física havia mudado desde então. Minkowski morreu jovem, aos alegações paranormais, o prêmio Pulitzer de literatura e o Emmy. 44 anos. Seu trabalho mais original foi publicado apenas após sua Além das diversas premiações Sagan foi homenageado com a morte, sobre geometria dos números. Um fato interessante: foi denominação de um asteróide por 2709 Sagan. Minkowski quem, em sua troca de correspondências com Hilbert, Sagan publicou mais de 600 artigos além de ser autor ou co-autor de sugeriu a ele o tema de sua famosa palestra de 1900, em Paris. diversos livros. Minkowski escreveu: “O que teria grande impacto seria uma tentativa de prever o Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Sagan futuro, i.e. um esboço dos problemas em que futuros matemáticos Assunto do mês: deveriam trabalhar. Dessa maneira, talvez as pessoas falem sobre Movimento aparente dos planetas sobre o fundo sua palestra durante décadas.” O tempo certamente provou que Minkowski acertara. estrelado: Fonte: http://www-history.mcs.stTendo em vista os movimentos and.ac.uk/Biographies/Minkowski.html. aparentes dos planetas pode-se separálos em dois grupos com movimentos Assunto do mês: distintos. Esses são: os planetas Relatividade Restrita: internos (ou inferiores), Mercúrio e Einstein, ao conceber a teoria da Relatividade, fundamentou-se nas Vênus, e os externos (ou superiores), relações assimétricas existentes na eletrodinâmica, tal como ela era


entendida na época. Essas assimetrias não pareciam inerentes a estes fenômenos. Como exemplo disso, temos a interação eletrodinâmica entre um imã e um condutor, onde o fenômeno observável depende somente do movimento relativo entre eles. Entretanto, na visão costumeira, existe uma distinção teórica entre os dois casos (movimento do imã ou do condutor). Se o imã estiver em movimento e o condutor em repouso, surge um campo elétrico com uma energia bem definida nas vizinhanças do imã, produzindo corrente elétrica no condutor. Porém, se é o imã quem está em repouso e o condutor em movimento, não há surgimento de um campo elétrico na vizinhança do imã. Mas, no condutor, surge uma força eletromotriz, na qual não há uma energia correspondente, mas que gera (supondo que o movimento relativo é o mesmo nos dois casos) correntes elétricas idênticas ao caso anterior. O que Einstein tinha em mente ao formular problemas deste tipo, junto com diversas tentativas de se verificar o movimento da Terra em relação ao éter (meio hipotético em que a luz se propagaria), era validar o princípio da relatividade de Galileu. Assim, os fenômenos da eletrodinâmica, tal como a mecânica, não possuíam propriedades relacionadas à idéia de repouso absoluto. Entretanto, era preciso um segundo postulado, aparentemente não compatível com o primeiro: a velocidade da luz no vácuo é constante independente do estado de movimento do observador. Dessa maneira, Einstein redefiniu a eletrodinâmica dos corpos em movimento, tomando como base a teoria de Maxwell para corpos estacionários, o que acabou revolucionando a mecânica. Nascia a Relatividade Restrita. Fonte: On the eletrodynamics of moving bodies, Albert Einstein – The Principle of Relativity, Dover Publications (1952). ...................................................................................................

A palavra ao estudante:

O que é ciência?

Todos os estudantes de física estão familiarizados (ou deveriam estar) com trabalhosos cálculos teóricos. A deficiência no entendimento dos conceitos físicos por trás desses cálculos, assim como da visualização do conteúdo na realidade a volta do estudante é uma marca registrada de grande parte do alunato em física. Mas existe outra deficiência na formação do estudante, que é a quase nenhuma – para não dizer nenhuma – reflexão acerca do que ele está formando, que é a prática científica. Afinal, será que paramos para pensar: O que é ciência? Não podemos culpar apenas o estudante por essa deficiência, pois se trata de mais um “buraco” na formação do estudante. A ausência de mais disciplinas voltadas para a História e Filosofia da Ciência, assim como a escassez de professores habilitados para ministrar disciplinas desse cunho, acaba por contribuir para a formação de cientistas acríticos em relação à própria prática desempenhada. Como é desenvolvida a prática científica? Será que é por um procedimento indutivo, onde acumulamos observações com nossas mentes vazias, e destas formulamos teorias. Na visão indutivista, podemos colecionar um conjunto de observações que validem a teoria, e simplesmente generalizá-las a fim de estabelecer leis universais. E que, portanto uma teoria científica é validada como tal por sua verificação. Talvez, a maioria das pessoas, inclusive os estudantes de física creiam que são esses os critérios que definem a ciência, mas será que essa visão se sustenta. Dado a vastidão do universo, é humanamente impossível verificar se uma teoria científica tem validade universal. Por mais casos que colecionemos acerca da validade de uma teoria científica, nunca poderemos garantir logicamente que ela será válida universalmente. Mas podemos garantir que ela não é universalmente válida, ou seja, falseando-a. Tal análise, formulada pelo filósofo austríaco Karl Popper, que busca mostrar que nunca se faz ciência pela mera observação, mas sim por um processo dedutivo, de conjecturas e refutações. Ainda temos a visão do filósofo (e físico de formação) americano, Thomas Khun, em que a ciência é feita pelo estabelecimento de paradigmas, que seriam visões de mundo dominante, frutos do consenso da comunidade científica. A ciência não buscaria casos que contradigam a teoria para poder falseá-la, mas sim enquadrar essas contradições na teoria, mantendo o paradigma, o que caracterizaria a prática da “ciência normal”. Quando surgissem anomalias que não se enquadrassem, e uma nova teoria para explicálas, teria o que Khun chama de “ciência revolucionária”. E restabelecido o consenso, voltaríamos a ter a ciência normal. Assim, o “cientificamente válido” seria o mero fruto do consenso dos cientistas. Como podemos ver, não é tão simples assim responder a pergunta título desse texto. Estudante: Riis Rhavia Assis Bachega ...................................................................................................

A lógica da pesquisa científica, de Karl Popper. Neste livro, Popper traça um quadro do caráter lógico da pesquisa científica. Aqui não se apresenta a Ciência como empenhada em fabricar engenhocas ou em coletar observações para correlacioná-las por via de processos dedutivos ou indutivos. Ela é apresentada, antes, como uma tentativa de formular uma teoria do mundo com base em conjecturas audaciosas, disciplinadas por uma crítica penetrante. A estrutura das revoluções científicas, de Thomas Kuhn. À sua luz, as revoluções sociotecnológicas e políticas do mundo moderno são reintegradas no processo estrutural específico, assim como no contextual. Kuhn argumenta que a ciência é "uma série de interlúdios pacíficos pontuados por revoluções intelectualmente violentas”. ..................................................................................................

Indicação de Filme: Jornada nas Estrelas – A fronteira final, de Willian Shatner. Um vulcano renegado planeja secretamente roubar a U.S.S. Enterprise sob o pretexto de encontrar um lendário planeta. Kirk deve tentar impedir os planos desse renegado numa aventura que os levará até o centro do Universo e, talvez, encontrar Deus. Com a Enterprise controlada pelo vulcano, o capitão deverá fazer uma estranha aliança para salvar a Galáxia. ...................................................................................................

Questões do mês: Física:

Faça a dedução da lei de Faraday, a partir da força de Lorentz, para o caso de um condutor em movimento em campo fixo (imã em repouso). Verifique o que acontece se considerarmos agora o referencial em que o condutor está em repouso. Fonte: Curso de Física Básica 3 – Eletromagnetismo, H. Moysés Nussenzveig.

Matemática: Prove a lei dos co-senos partindo de

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Fonte: G. B. Arfken, H. J. Weber, Física Matemática. ...................................................................................................

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Indicação de Leitura:

Os despossuídos, de Ursula K. Le Guin. Em “Os despossuídos”, romance de ficção científica, há um paralelo entre duas sociedades: o mundo livre e anárquico de Anarres, de um lado, e a vida hierarquizada e materialista de Urrás, do outro lado.

Fonte: http://www.rebelion.org/ ................................................................................................... Visite nosso blog: http://cafisufpa.blogspot.com/ Fale conosco: cafisufpa@gmail.com


Jornal O FÍSICO #4