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A imigração alemã no Brasil foi o movimento migratório ocorrido nos séculos XIX e XX de alemães para várias regiões do Brasil. As causas deste processo podem ser encontradas nos frequentes problemas sociais que ocorriam na Europa e a fartura de terras no Brasil. Atualmente, estima-se que dezoito milhões ou 10% dos brasileiros têm ao menos um antepassado alemão. Os primeiros imigrantes alemães foram trazidos ao Brasil a mando do Rei Dom João VI. Em 1818, o governo assenta famílias suíças originárias dos Cantões Germânicos nas serras fluminenses. Estas fundam o município de Nova Friburgo. No mesmo ano, colonos alemães são mandados para a Bahia. Dom João VI tentava atrair mais imigrantes alemães. Em 1823, após a independência, foram criados os batalhões de estrangeiros, para garantir a soberania nacional. Então, a busca oficial por colonos (nesta fase, alemães) passou a ser uma política imperial. Em 1824, os primeiros alemães chegam ao Sul do Brasil, sendo assentados à margem sul do Rio dos Sinos, onde a antiga Real Feitoria do Linho Cânhamo fora adaptada para servir como sede temporária dos recém-chegados, na atual cidade de São Leopoldo/RS. Em 1828, colonos alemães se instalaram nas adjacências da cidade de São Paulo (Santo Amaro).


A Alemanha, no início do século XIX, passava por novos desenvolvimentos econômicos: a industrialização teve um grande impulso, necessitando de mão-de-obra especializada, o que causou a ruína de muitos artesãos e trabalhadores da indústria doméstica. Sem poderem desenvolver suas atividades artesanais, esses trabalhadores livres começaram a formar um exército de mão-de-obra (barata) assalariada para a indústria que estava nascendo. Com os novos maquinários, também houve o aumento de produtividade no campo junto à diminuição de mão-de-obra, causando o desemprego de camponeses. Como a Alemanha passava por uma desintegração de sua estrutura feudal, muitos camponeses que eram apenas servos ficaram sem o trabalho e sem o direito de morar nas terras, ao mesmo tempo em que a população aumentava. Sem a terra para viver, migravam para as cidades e somavam ao número de proletariados. A imigração também não acontecia somente por insatisfação social com as novas perspectivas do século XIX. Nessas mudanças econômicas que agitavam o continente europeu, a indústria desenvolveu as cidades e causou o despovoamento dos campos. À medida que a riqueza aumentava, a saúde e o acesso a novos gêneros alimentícios melhoravam, e a população aumentava. Então a princípio, os governos europeus incentivavam e encorajavam a emigração, como válvula de controle do aumento da população. Com a introdução da máquina a vapor e inovações como o transatlântico com propulsão a hélice, milhões de pessoas se movimentavam entre os continentes, em uma emigração que não obedecia a nenhum planejamento, dependendo somente de decisões pessoais, entre elas a insatisfação, o medo, ou o desejo de uma vida melhor. O governo alemão também encorajava grupos de empreendedores a conhecer novas terras para conseguir mercado para os produtos alemães. Para algumas colônias, chegou-se a fazer o planejamento, e a contratação de administradores e profissionais liberais para a formação das colônias, que vinham para o Brasil e formavam sua vida aqui. Embora desejadas, as relações comerciais entre as colônias alemãs e sua terra de origem foram modestas, muitas vezes restando somente aos colonos a identificação cultural com a terra de origem, pois não mais tinham contato com ela. Os alemães que imigraram para o Brasil eram normalmente camponeses insatisfeitos com a perda de suas terras, ex-artesãos, trabalhadores livres e empreendedores desejando exercer livremente suas atividades, perseguidos políticos, pessoas que perderam tudo e estavam em dificuldades, pessoas que eram “contratadas” através de incentivos para administrarem as colônias ou pessoas que eram contratadas pelo governo brasileiro para trabalhos de níveis intelectuais ou participações em combates. Os alemães não chegaram ao Brasil em grandes contingentes, como ocorreu com os portugueses e italianos. Porém, a imigração ocorreu durante longo tempo, desde 1824, com a chegada dos primeiros colonos, até aproximadamente a década de 1960, quando chegaram as últimas levas significativas. Alcançou seu número máximo na década de 1920, após a I Guerra Mundial. Houve, de certa forma, dois ciclos de imigração alemã no Brasil: o primeiro decorrente da política de colonização, sobretudo nos estados do sul do Brasil, incentivado pelo governo brasileiro, e um outro ciclo


posterior, sem incentivo oficial do governo brasileiro. Durante muitas décadas, os alemães chegaram a ser o maior grupo de imigrante a entrar no Brasil, superando inclusive os portugueses. Esse período aconteceu em grande parte do século XIX. A imigração alemã no Brasil foi, inicialmente, uma iniciativa de colonização e povoamento. Este projeto foi arquitetado pelo Rei D. João VI e, posteriormente, pelo imperador D. Pedro I. A colonização continuou a ser efetuada pelo imperador D. Pedro II, durante o Segundo Reinado. A concentração da colonização alemã no Sul do Brasil possui uma explicação: grande parte da região estava despovoada e as fronteiras com as ex-colônias espanholas ainda não estavam bem-definidas. Em consequência, a falta de povoadores na região poderia culminar numa fácil invasão estrangeira. Com a Independência do Brasil, a imigração portuguesa declinou por certo tempo. O governo brasileiro se viu obrigado a procurar novas fontes de imigrantes: vieram alguns suíços, porém foram os alemães aqueles que ficaram incumbidos de colonizar o Sul do País. Nova Friburgo foi, após os suíços, colonizada por alemães, tendo estes imigrantes, ao todo 332, chegado à cidade em 3 e 4 de maio de 1824, dois meses antes de São Leopoldo. A vida destes imigrantes pioneiros não foi nada fácil: encontravam-se, agora, num país diferente, com costumes e clima diferente, não falavam a mesma língua e foram assentados em terras praticamente impróprias para a agricultura. Em vista disto, grande parte destas famílias debandou e foi à procura de terras mais apropriadas nos municípios vizinhos. Muitas delas tomaram o rumo de Minas Gerais (Alto Jequitibá, Manhuaçu e Manhumirim).


Imigração alemã