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Special Dog faz 18 anos com muito a comemorar

Empresa de maiore destaque em Santa  Cruz  do Rio  Pardo,  onde está  sediada,  e  no  mercado  pet food, onde figura entre as quatro maiores em volume de vendas, a Special Dog, é um fenômeno que acaba de completar 18 anos. 

Os números impressionam em sua jovem trajetória. São quase mil colaboradores na sede que abriga a administração, laboratórios, quatro fábricas e o setor de logística, um  de  seus  diferenciais  de  mercado ao lado da alta qualdiade de toda a sua linha de produtos.   São 15 mil toneladas  por mês de alimentos para cães e gatos, num total de 50 itens distribuídos em milhares de pontos de vendas de 7 estados brasileiros e 10 países.  • Como conseguiram criar uma empresa tão diferenciada? • Quais foram os momentos mais marcantes até agora? • Vocês previam tanto sucesso? Essas questões nortearam a conversa que traz respostas rica em detalhes e em ensinamentos. Em linhas gerais, a Special Dog é fruto de resiliência, ou seja, da capacidade de se reinventar e seguir em frente, de coragem para mudar de rumo quando as coisas não saem como o esperado, de aprendizado constante e de muito trabalho. Veja como foi essa história. 1985: O mercado de meio arroz. A história da Special Dog remonta dessa época, quando a Cerealista Manfrin, empresa de origem cafeeira criada por Natal Manfrin, depois adquirida por três filhos, que migraram para o setor de arroz e gado, foi dividida em três e passou a atuar no mercado de meio arroz. “Isso começou com meu pai. Comprávamos meio arroz na cidade e região e vendíamos para a cervejaria Brahma de Agudos. Depois passamos a vender para a Antarctica de Marília. Isso foi se expandindo em termos de região de compra e de venda, seguindo para unidades das duas cervejarias, como Ribeirão Preto, Jacareí, São Paulo e Rio de Janeiro. Começamos a comprar de pequenas cerealistas daqui e fomos expandindo a compra para o Paraná e Minas Gerais. Isso nos deu volume. Também fazíamos uma seleção desse meio arroz e o que era maior, o arroz 3/4, era revendido para as arrozeiras. Só que fazia muito volume, dava muito trabalho, mas o ganho era pouco.” 1987: A fábrica de farinha de arroz. Meu irmão estava indo viajar e minha cu-

fotos: Flavia Manfrin | 360

Além crescimento constante e do estilo de gestão que a tem colocado  entre  as  melhores  empregadoras  do  país  ,  a  empresa  é sinônimo  de  alta  qualidade  em todos os setores: produção, produto final, logística, empregabilidade, remuneração e cidadania.

Em  2017,  a  empresa  faturou  R$ 600 milhões, tornando-se a maior arrecada-dora de ICMS do município. Desse total, somente o lucro didivido entre seus colaboradores chegou a R$ 7 milhões. 

As práticas de qualidade e cidadania somam altos investimentos e uma atuação efetiva em apoio à comunidade,  incluindo meio ambiente, educação, cultura, esportes e assistência social.

Muita gente pergunta como uma empresa familiar do interior conseguiu chegar a tão longe em tão pouco tempo. Quem responde é Erik Manfrim, sócio-fundador e diretor da Special Dog.

nhada comprou uma papinha da Nestlé para levar para um dos meus sobrinhos. Ele viu no rótulo que um dos ingredientes era farinha de arroz. Resolvemos ligar na Nestlé e por sorte eles tinham apenas três fornecedores e um deles estava sendo descredenciado. Então, um engenheiro de desenvolvimneto deles veio nos visitar. Ele disse que seria possível desenvolvermos uma fábrica de farinha e nos tornarmos fornecedores da Nestlé porque isso ia de encontro ao que ele precisa. Para completar, nós o levamos para almoçar na casa dos meus pais. Minha mãe o achou parecido com um padrinho de casamento do meu pai. Então descobrimos que o tio dele era amigo do meu avô.”

produzir a farinha para a Nestlé e, depois, também para a Mococa.”

var a fábrica. Foi uma grande frustração. Mas foi o melhor que podia nos acontecer.”

1994: As cervejarias deixam de comprar arroz e a infruífera fábrica de glicose. “As cervejarias nos chamaram para informar que em cerca de quatro meses deixariam de comprar nosso arroz. Como eu comprava muito meio arroz para mandar para elas, desse volume nós tirávamos a matéria-prima para a farinha por um preço baixo. Então iríamos esse baixo custo. Eles explicaram que iam substituir o arroz por um xarope feito de amido. Perguntamos se dava para fazer o xarope de arroz. E a resposta foi que devia ser possível. Resolvemos então fazer uma fábrica de xarope de arroz. Fomos atrás de químicos e outros profissionais para montar a fábrica. Nesse período, avaliamos que estávamos nas mãos das cervejarias há um bom tempo. É na Nestlé, quando havia férias coletivas, deixavam de comprar. Tínhamos garantia de recebimento, mas não de compra. É bom você ter um cliente grande, mas é bom você atender o varejo.”

1999: A empresa se reinventa. “Depois da frustração com a fábrica de glicose e do fim do comércio com as cervejarias, como tínhamos uma grande rede de fornecedores de meio arroz, fomos atrás de novos compradores para vender o volume que não era usado na fábrica de farinha. Foi aí que começamos a atender o mercado de pet food, que comprava quirera de arroz. Começamos também a trazer os produtos desses fabricantes para os distribuidores, já que nossos caminhões levavam a quirera, mas voltavam vazios. Foi aí que um desses distribuidores nos disse: ‘por que vocês não montam uma fábrica pequena para fazer 100 toneladas/mês de produto para cães?’ Ele explicou que havia um novo nicho, de produtos mais baratos, e que ele não estava conseguindo atender a esse mercado porque a marca que ele representava não tinha produto barato. Resolvemos então criar uma fábrica alimentos para cães, mas foi por necessidade, não por empreendedorismo. Tivemos a coragem de empreender, mas fomos movidos por uma necessidade.”

• A pequena estrutura da fábrica: “A estrutura da cerealista não dava para abrigar uma fábrica de farinha. Então resolvemos fazer na chácara, onde hoje temos nosso parque industrial. Fizemos um barracão no meio do pasto e criamos uma pequena fábrica, de 120m2. Meu irmão Mario desenvolveu um esterilizador próprio porque não tínhamos como comprar equipamentos importados. Compramos moinhos, transformador, tudo usado. Apesar de simples, a fábrica foi um divisor de águas para o nosso negócio. Entramos na hora certa, porque a Nestlé queria um novo fornecedor. Além disso, fomos tendo que fazer as coisas segundo as exigências de qualdiade de órgãos certificadores que eram adotados pela Nestlé. Vinham auditores avaliar tudo. Passamos a trabalhar seguindo esses padrões para que todos incorporassem. Com a fábrica, nosso negócio incluía a venda de meio arroz e quirera para as cervejarias, o arroz 3/4 para as cerealistas daqui e passamos a usar o meio arroz para

“Resolvemos então fazer uma fábrica de xarope de glicose de arroz para vender para o varejo da indústria alimentícia. Nesse tempo, tudo que entrava na empresa ou da nossa fazenda era investido na montagem dessa fábrica. Foram três anos de investimento. Quando a fábrica ficou pronta, levamos mais uns 30 meses tentando tirar uma glicose de qualidade para atender o varejo. Mas não conseguimos chegar a um produto com a qualidade que esperávamos. Isso nos trouxe uma grande dificuldade, pois éramos quatro famílias dependendo do negócio. Então, depois de quase cinco anos de investimento, decidimos parar. Foi preciso demitir pessoas e desati-

• Formação constante. Mesmo em meio a essa dificuldade, Erik se preocupou em investir em sua formação, já que era o administrativo da empresa. “Fiz uma faculdade que não exigia muito, entrei com 17 anos, não aproveitei também. Então resolvi fazer um MBA em Gestão de Negócios na USP. Era 1997, e lembro que peguei uma apostila de matemática financeira e estudei, para não chegar lá sem saber pelo menos isso. Naquela época ninguém falava em MBA.” (Master Business Administration, um título de aprimoramento profissional

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Caderno 360. Jornal de boas notícias do interior de SP. #avaré #ourinhos #piraju #santacruzdoriopardo #assis #botucatu #chavantes #ipaussu #...

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