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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE ARTES E LETRAS PPGART/ MESTRADO EM ARTES VISUAIS PPGA802 TEORIAS DA ARTE NA CONTEMPORANEIDADE (3-0)3 NOME: Jorge A. F. Gularte

A CRISE DA ARTE EM LORENZO MAMMI “A arte dos últimos trinta anos teria provocado uma fratura irrecuperável não apenas em relação às linguagens do modernismo, mas em relação à história da arte como um todo”. Essa frase que encerra o primeiro parágrafo do texto “Mortes recentes da arte” de Lorenzo Mammi refere-se a um princípio comum entre críticos e historiadores que debatem o fim da arte. E é também o prenúncio de uma analise acerca dos escritos de dois desses personagens considerados opostos por Mammi: o americano Arthur Danto e o italiano Giulio Carlo Argan, complementada com um ensaio do alemão Hans Belting. Mammi inicia seu raciocínio fazendo alguns paralelos entre Argan e Danto. Argan, primeiramente, é interpretado como um “historicista num sentido bem mais estrito”, por achar que o fim da história da arte, defendido por Danto, é também o fim da própria arte e da crítica. Para Argan a arte absorveu a função e de certa forma negou os parâmetros convencionais da crítica transformando a arte em uma tendência que se diluía na experiência de mundo e se identificava com a vida. A arte da década de 1970 possuía duas vertentes nesse sentido, a primeira negava qualquer tipo de análise formal enquanto que a outra apontava que não haveria diferença entre as atividades do artista e do crítico. Mammi faz uma provocação quanto a essa colocação, indagando se realmente a arte necessita da crítica e sugere outra hipótese possível: a de que a crítica absorveu as funções da arte e cria um objeto artístico ao invés de ser produzida por ele. A função do critico e do curador acabam ganhando mais evidência do que o do próprio artista. O princípio de o que Mammi chamou de uma crítica de arte sem arte. Danto é evocado para propor um contraponto. O filósofo defende que as questões oportunas à arte passaram para o campo da reflexão teórica. O caráter filosófico da arte rompeu a narratividade existente desde o renascimento fazendo com que não só questões de “o que


devemos fazer em arte” fosse levado em consideração, mas também “o que não se deve fazer em arte”. A declaração de que tudo pode ser arte leva Danto a crer que dessa maneira estingue-se a história da arte, por não possuir mais seu objeto de estudo. É claro que para Danto a arte não acaba por isso, mas adquire uma absoluta liberdade, que segundo Mammi causa dificuldades para definir a autonomia da arte, já que a principio não a há nada que a arte não possa fazer. Não existe mais uma necessidade de ênfase sensível, senão de reflexão. Filosofia e não história da arte como definiu. De uma maneira mais tendenciosa Mammi discute o papel do modernismo em relação à ruptura entre arte e história da arte. Para o italiano o modernismo não se mostrou normativo e narrativo como Danto afirma, pelo contrário, propunha a crítica a toda essa narrativa e normas impostas pela arte clássica. Para Belting é uma forma de manter viva a história da arte, através da negação da autonomia da obra de arte. Apesar de a arte tentar se deslocar de um âmbito de história da arte é justamente por isso que o historiador é impulsionado a reunir novamente os dois campos e resgatar sua função mantendo o que Mammi chama de “sobrevida da arte”. Antes de encerrar Mammi ainda discursa sobre a relação obra- espaço lembrando-nos da pré-disposição em conceber uma obra de arte por estar em um espaço que a defina como obra. O enquadramento em Belting traduz esse pensamento quando afirma que “somente o enquadramento instituía o nexo interno da imagem” e que “a era da história da arte coincide com a era do museu”. Mammi para finalizar deixa no ar uma frase pretenciosa, a meu ver quando tenta definir o interesse maior na arte: “É a partir de uma perspectiva histórica, e não de uma simples posição conceitual, que poderemos moldar novos instrumentos para a leitura da arte contemporânea e continuar fazendo aquilo que, afinal, é o que mais interessa: atribuir valor estético a obras singulares”.

A crise da arte em lorenzo mammi