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bragança

elvas Lisboa

Açores

madeira

BY THE

BOOK

Museus do exército em portugal | PortuguesE Army Museums

Porto

BY THE

BOOK

Museus do Exército em Portugal História Cultura e Memórias

Portuguese Army Museums

History Culture and Memories

Augusto Moutinho Borges Luís Chaves


B Y TH E

BOOK

Edições Especiais, lda Rua das Pedreiras, 16-4º 1400-271 Lisboa T. + F. (+351) 213 610 997 www.bythebook.pt

©EDIÇÃO EDITION By the Book, Edições Especiais, lda para Estado-Maior do Exército TÍTULO TITLE Museus do Exército em Portugal: História, Cultura e Memórias | Portuguese Army Museums: History, Culture and Memories ©TEXTO TEXT Augusto Moutinho Borges REVISÃO REVISION Eda Lyra TRADUÇÃO TRANSLATION David Michael Greer FOTOGRAFIA PHOTOGRAPHY Luís Chaves Ribeiro | Centro de Audiovisuais do Exército (CAVE) APOIO TÉCNICO (CAVE) TECHNICAL SUPPORT Carlos Martins Prada, Major | Pedro Pereira Morais, Capitão | Hélder Alves Ribeiro, 1.º Sargento | Ana Fernandes, Fábio Felisberto, Lara Paixão, Soldado EDIÇÃO DE IMAGEM PHOTOGRAPHY POST PRODUCTION Maria João de Moraes Palmeiro CARTOGRAFIA CARTOGRAPHY (pp. 28, 29, 74, 75, 88, 89, 108, 109, 122, 123, 134 e 135) Cartas Militares do Centro de Informação Geoespacial do Exército INVENTÁRIO PATRIMONIAL HERITAGE INVENTORY Direção de História e Cultura Militar (DHCM) APOIO TÉCNICO (DHCM) TECHNICAL SUPPORT Aníbal Alves Flambó, Major-General | António Diogo Velez, Coronel DESIGN Forma, Design: Veronique Pipa | Margarida Oliveira COORDENAÇÃO EDITORIAL E PRODUÇÃO COORDINATION AND PRODUCTION Ana de Albuquerque | Maria João de Paiva Brandão IMPRESSÃO PRINTING PRINTER PORTUGUESA ISBN 978-989-8614-55-1 DEPÓSITO LEGAL LEGAL DEPOSIT 431958/17 AGRADECIMENTOS ACKNOWLEDGEMENTS Dr.ª Adelaide Nabais Patriarcado de Lisboa Centro de Informação Geoespacial do Exército


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Prefácio Preface

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Apresentação Introduction

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Museus Militares em Portugal Portuguese Military Museums

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História, Cultura e Memórias History, Culture and Memories

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Museu Militar de Lisboa, fundado em 1851 Lisbon Military Museum, founded in 1851

55

Núcleo Museológico do Buçaco / Museu Militar do Buçaco, fundado em 1910 Bussaco Museum Centre / Bussaco Military Museum, founded in 1910

71

Núcleo Museológico do Movimento das Forças Armadas, fundado em 2001 Museum Centre of the Armed Forces Movement, founded in 2001

75

Museu Militar de Bragança, fundado em 1929 Braganza Military Museum, founded in 1929

89

Museu Militar do Porto, fundado em 1977 Porto Military Museum, founded in 1977

109

Museu Militar dos Açores, fundado em 1993 Azores Military Museum, founded in 1993

123

Museu Militar da Madeira, fundado em 1993 Madeira Military Museum, founded in 1993

135

Museu Militar de Elvas, fundado em 2006 Elvas Military Museum, founded in 2006

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Cronologia Chronology

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Bibliografia Bibliography


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O presente livro sobre os Museus do Exército em Portugal incide na história edificada dos imóveis onde se encontram e na salvaguarda do seu património museológico, pois reúne, numa só obra, a globalidade patrimonial e espólio existente nos referidos museus. Não é nosso objetivo aqui, fazer a inventariação das peças, mas permitir ao leitor desenvolver uma análise sobre o património, a cultura e as memórias castrenses à salvaguarda do Exército de Portugal, como herdeiros de um passado, que sabem honrar a história militar. Há em Portugal seis Museus Militares (Lisboa, Bragança, Porto, Açores, Madeira e Elvas) e dois núcleos museológicos (Buçaco e Pontinha) que são propriedade e gestão do Exército, através da Direção de História e Cultura Militar, preservando-se a História, a Cultura e as Memórias castrenses ao longo dos séculos, de aquém e além-mar. Reforçando a importância do tema em análise, a Direção de História e Cultura Militar, através do Museu Militar de Lisboa, tem desenvolvido a prática de cedência de peças em reserva a autarquias para a constituição de museus histórico-militares em território nacional (destacando-se Almeida, Chaves, Elvas e Ponte de Lima), muito contribuindo para a valorização dos centros históricos, como também na divulgação de tão belos espécimes da nossa cultura e da arte da guerra.

Apresentação

Portuguese Army Museums focuses on the history of the buildings housing the museum heritage of the Portuguese Army, since it brings together in a single work, all the heritage and collections safeguarded in these museums. The aim of the volume is not to inventory the various pieces, but to allow the reader to develop an understanding of the heritage, culture and military memories of the Portuguese Army: heirs of this past who know how to honour military history. There are six military museums in Portugal (at Lisbon, Braganza, Porto, Azores, Madeira and Elvas) and two museum centres (at Bussaco and Pontinha) owned and managed by the Army through the Direção de História e Cultura Militar (Directorate of History and Military Culture), which have been preserving military history and culture from both Portugal and overseas throughout the centuries. Reinforcing the importance of the subject in question, the Direção de História e Cultura Militar, through the Lisbon Military Museum, has developed the practice of loaning pieces in storage to municipalities to set up Historical-Military Museums around Portugal (Almeida, Chaves, Elvas and Ponte de Lima, for example), greatly contributing to the enhancement of historical centres, as well as the dissemination of such beautiful specimens of our culture and the art of war.

Introduction

Sala D. José I Museu Militar de Lisboa King José I Room Lisbon Military Museum

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Sala Infante D. Henrique, Museu Militar de Lisboa Henry the Navigator Room, Lisbon Military Museum

Cada Museu Militar tem as suas especificidades e particularidades, começando logo pela arquitetura desse mesmo património, além do significado histórico da sua implantação nos locais onde se desenvolve o percurso museológico, adaptando-se ou construindo-se edifícios para tão carismática função. Os edifícios são motivo de visita e despertar de atenções pelas artes decorativas e defensivas, desde a Fundição de Baixo, em Lisboa, pela totalidade espacial ricamente decorada, à capela no Buçaco com salas adjacentes e que incidem na evocação do acontecimento bélico das Invasões Francesas, comemorando a Batalha do Buçaco em 27 de setembro de 1810. O castelo de Bragança destaca-se na história de Portugal pelas suas ligações à defesa da portugalidade transmontana, assim como o palacete, no Porto, que acolheu as instalações da extinta polícia política do Estado Novo, PIDE . No espaço Atlântico evidenciam-se os Fortes de São Brás e São Lourenço, respetivamente nos Açores e na Madeira, que muito contribuíram para o sistema defensivo das Ilhas e representam o seu glorioso passado de esforço construtivo do sistema abaluartado. No núcleo militar da fortaleza de Elvas, o aproveitamento dos quartéis e área adstrita com fossos, baluartes e revelins, serviram para instalação do Museu Militar. No presente falaremos destes seis museus e núcleos museológicos, não esquecendo que outros exemplos foram constituídos em Coimbra e Aljubarrota, mas por motivos diversos foram ultrapassados no tempo e acabaram extintos ou mudaram de gestão e tutela, continuando em Aljubarrota a prestar serviço educativo para comemorar acontecimentos bélicos da nossa história. A forma de apresentação dos temas prende-se com o objetivo de focalizar, em cada museu, um conjunto selecionado de peças representativas de cada espaço museológico e, assim, constituirem motivo de melhor conhecer cada local. No seu contexto global, temos um conjunto de peças que representam a nossa história castrense desde a fundação, passando pelo alicerçar da nossa identidade, batalhas além-fronteiras, lançando os fundamentos da expansão e realçando momentos bélicos onde a participação lusíada é relevante, quer seja no passado, quer no presente. Nesta senda pela história militar, dedicamos a nossa atenção às figuras do passado, mas também aos padroeiros do Exército, quer em personalidades históricas, quer intimamente ligados ao sagrado e ao profano, mas de relevância militar, como o Rei D. Afonso Henriques, Condestável D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Conde Vasco da Gama, Vice-Rei Afonso de Albuquerque, poeta Luís de Camões, Duque da Terceira, Tenente-Coronel Augusto Mouzinho d’Albuquerque ou Santo António, Santa Bárbara, Rainha Santa Isabel e São João de Deus, entre outros.

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Sala Oriental, Museu Militar de Lisboa Oriental Room, Lisbon Military Museum

All the military museums have their specificities and particularities, starting with the architecture that is part of the heritage itself, besides the historical significance of their location, with adaption or construction works preparing them for such a charismatic function. The buildings are worth visiting in themselves, with their decorative and defensive arts, from the Fundição de Baixo (Low Foundry), in Lisbon, richly decorated throughout; to the chapel in Bussaco with adjacent rooms evoking the Peninsular War, commemorating the Battle of Bussaco on September 27th, 1810. Braganza Castle has a particular place in Portuguese history for its role in the defence of the Trás-os-Montes region in northern Portugal, as well as the mansion in Oporto that housed PIDE, the dictatorship’s political police force, during the Estado Novo. In the Atlantic, the São Brás and São Lourenço Forts, respectively in the Azores and Madeira, have contributed greatly to the defensive system of the islands, and whose glorious past is well represented by the major bulwark fortification. There is also the Elvas Fortress, where the barracks and the attached area with ditches, bulwarks and ravelins served as the location for the military museum. Although this volume focuses on these six museums and two museum centres, it should not be forgotten that other similar institutions were established in Coimbra and Aljubarrota. For various reasons, however, they are either no longer in operation or have changed management and governing body; although Aljubarrota still provides an educational service to commemorate military events in Portuguese history. Themes are presented in accordance with the analytical objective of focusing, for each museum, on a selective set of representative pieces for each institution and, thus, provide a particular incentive to get to know the place we are visiting. More generally speaking, there are a set of exhibits representing Portuguese military history, from the foundation of the country and the establishment of national identity, to battles beyond borders and the preparation for expansion; highlighting moments of war where the Lusitanian presence was especially significant, whether in the past or present. In studying this military history, we have dedicated our attention to figures of the past, including the patrons of the Army, both historical personalities and those of military importance whether closely related to the sacred or profane, such as King Afonso Henriques, Constable of the Kingdom, Nuno Álvares Pereira, Henry the Navigator, Vasco da Gama, Viceroy Afonso de Albuquerque, the poet Luís de Camões, the Duke of Terceira, Lieutenant Colonel Augusto Mouzinho d’Albuquerque, St. Anthony, St. Barbara, Queen St. Isabel and St. John of God, among others.

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Busto D. Pedro III Sala D. José I Museu Militar de Lisboa Bust of King Pedro III King José I Room Lisbon Military Museum

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Pelas salas e exposições dos museus, podemos ver referenciados alguns destes ilustres de Portugal, transversais aos modelos de vida pela sua entrega à Pátria, guindados uns ao estrelato do seu tempo e outros à imortalidade. Na sequência editorial do livro Museus do Exército em Portugal, constatamos que o Museu Militar de Lisboa é, pelo espólio e edifício onde se encontra instalado, a grande referência museológica militar nacional, embora o museu com maior afluência de visitantes seja o Museu Militar de Bragança (um castelo), mercê da sua admirável localização. Em 2012, Francisco Amado Rodrigues e Mariana Jacob Rodrigues apresentaram maturado estudo sobre os museus militares em Portugal, obra primordial para o tema e que nos apresenta uma visão estratégica de um modelo museológico de gestão em rede, conceção partilhada pelas novas linhas programáticas, numa área tão particular como a que se nos depara: os Museus Militares em Portugal como um todo, embora cada um seja elemento da grande família evocativa da arte da guerra. O livro permite ter num único exemplar todos os Museus do Exército em Portugal, constituindo-se como obra institucional, mas também representativa de um grande e vasto património militar contado e desenvolvido pela grande qualidade fotográfica, da responsabilidade dos serviços militares CAVE (Centro de Audiovisuais do Exército). O Exército, quer pela Direção de História e Cultura Militar, quer pelos Comandantes das Unidades, tem demonstrado, ao longo dos tempos, grande sensibilidade para temas que afirmam e estudam o nosso passado militar, apoiando e publicando obras específicas como Igreja do Convento de Santa Cruz em Lamego (1992), da autoria de Cordeiro Laranjo, Os Jardins do Colégio Militar (2003), da autoria do Arquiteto José de Almada Negreiros, Pátio dos Canhões (2013), da responsabilidade do Professor Doutor Francisco Proença Garcia e do Coronel José Paulo Berger e, mais recente, a obra da minha autoria, com a chancela da editora By the Book, O Exército e o Azulejo: Tradição e Arte (2016), com o estudo azulejar propriedade do Exército em território nacional.

General Tamagnni de Abreu Condecorações do Marechal Óscar Carmona Sala da Grande Guerra Museu Militar de Lisboa Decorations of Marshal Óscar Carmona First World War Room Lisbon Military Museum


In the rooms and exhibitions of the museums, we find references to some of these illustrious Portuguese figures who became role models through their dedication to their country, some shining under the starlight of their particular time and others for all eternity. As we worked on Portuguese Army Museums, it became clear that the Lisbon Military Museum is, due to its collection and the building where it is installed, the great reference point for Portuguese military museums, although the institution with the largest number of visitors is the Braganza Military Museum, impressively housed, as it is, in a castle. In 2012, Francisco Amado Rodrigues and Mariana Jacob Rodrigues presented a fine study of Portuguese military museums, a key work for the subject under analysis, which presents us with a strategic vision for a museological model of network management, a concept shared by the new programmatic lines in an area as particular as the one we are dealing with: Portuguese military museums as a whole, although each one is a part of the great family of museums evoking the art of the war. Here we have all the military museums in Portugal in one volume. This book is both institutional and representative of an important and vast military heritage whose story is all the more impressive due to the great photographic work carried out by CAVE (Centro de Audiovisuais do Exército, or the Army Audiovisual Centre). Over the centuries the Army has shown, both through the Direção de História e Cultura Militar, and the Unit Commanders, great sensitivity for themes that affirm and study our military past, supporting and publishing specific works such as the Igreja do Convento de Santa Cruz em Lamego (1992) by Cordeiro Laranjo, Os Jardins do Colégio Militar (2003) by José de Almada Negreiros, Pátio dos Canhões (2013) by Francisco Proença Garcia and Colonel José Paulo Berger and, most recently, my own work, The Army and Tiles: Tradition and Art (2016), a book that studies tilework in the Army’s property in Portugal, and is a By the Book publication. Our conception for the book entailed compiling the history of each military museum that would, as a whole, give a broad view of Portuguese military heritage over the centuries through, for example, collections of armoury, uniforms, medals

General Silveira Museu Militar do Porto Porto Military Museum

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Propusemos a criação de um livro onde reunissemos a história de cada Museu Militar e que, no todo, permitisse uma visão alargada do património militar em Portugal ao longo dos tempos. Das coleções de armaria, uniformes, falerística, transportes, miniaturas, cartografia, entre outros, realçamos peças-chave em cada museu, de forma a desenvolvermos o nosso percurso com um princípio condutor, independentemente da qualidade museológica dos espécimes. Representam momentos marcantes da nossa história e da interação militar em Portugal, constituindo-se como símbolos coletivos de epopeias, políticas aquém e além-mar ou atividades bélicas desenvolvidas em território nacional ou fora dele. Os espaços temporais que estudamos vão desde 1147 até ao presente, procurando ser muito abrangentes na informação, de forma a proporcionarem, ao público em geral, linhas de orientação e focos de interesse acrescido para entrar no âmago de cada coleção. No contexto inventarial, desenvolvemos entradas mais pormenorizadas de alguns espaços, sem contudo retirar o mérito aos outros. A metodologia utilizada para a apresentação de tão rico património, envolveu a escolha de temas e o que se entendeu ser de qualidade representativa da extensa coleção museológica no Exército, louvando os mentores da decoração dos museus ao longo dos tempos, com especial relevância para o Museu Militar de Lisboa, assim como a sua conservação e restauro para memória futura. Esperamos, com este livro sobre os Museus do Exército em Portugal, contribuir para um melhor conhecimento das artes decorativas, do património, da cultura e memórias do Exército Português, que muito enriquecem os espaços e dão a conhecer momentos da história castrense às gerações vindouras. De forma reconhecida, agradeço a todos os excelentíssimos senhores Oficiais Generais que abraçaram este projeto editorial, assim como aos Diretores dos Museus Militares em Portugal e seus colaboradores, a total cooperação no levantamento fotográfico, documental e bibliográfico e o empenho de todos os elementos envolvidos na recolha das imagens, que muito contribuíram para a boa execução deste livro. À Direção de História e Cultura Militar e à editora By the Book, profundos agradecimentos por todo o seu envolvimento científico e técnico no desenvolvimento desta obra.

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and honours, transportation, miniatures and cartography. The key pieces in each museum would be highlighted, acting as a guiding line, regardless of their quality as museum exhibits. They represent important military moments in Portuguese history: collective symbols of epics, domestic or overseas policies or military action at home or abroad. The periods studied range from 1147 to the present, and our aim was to be as comprehensive as possible in the information provided, so as to give the general public guidelines and trigger an increased interest to get into the heart of each collection. In terms of inventory, some spaces have particularly detailed entries, without, however, detracting from the importance of the others. The methodology used for the presentation of such rich heritage was developed by themes and what was considered representative of the Army’s extensive museum collection. The mentors of museum decoration throughout the ages are praised, with the Lisbon Military Museum receiving a special mention in this respect, together with its conservation and restoration for the future. With this book on Portuguese military museums, we hope to provide greater knowledge of the decorative arts, heritage, culture and memories of the Portuguese army, which greatly enrich the spaces and make significant moments of military history available to future generations. I would like to thank thank the military high command for their help in this project, as well as the Directors of the Portuguese military museums and their staff, for all their cooperation in the photographic, documentary and bibliographical surveys, as well as the commitment of all those involved in collecting the images that have contributed so greatly to the success of this book. I also wish to express my sincere gratitude to the Direção de História e Cultura Militar and to the publisher, By the Book, for their commitment to producing this volume, and increasing public knowledge of this aspect of Portuguese identity. Panóplia Militar, Sala D. Maria I Museu Militar de Lisboa Military Panoply, Queen D. Maria I Room Lisbon Military Museum

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28 | Lisbon Military Museum


L A RG O MU

SEU D A A R

T ILH A RIA

Museu Militar de Lisboa Lisbon Military Museum

Museu Militar de Lisboa | 29


30 | Lisbon Military Museum


O rei D. Manuel I (1469-1521) mandou construir em Lisboa as “Tercenas das Portas da Cruz” – local onde se encontra o Museu Militar de Lisboa –, com o objetivo de concentrar num único espaço a construção de embarcações. De forma a engrandecer as tercenas, construíram-se depósitos para guardar e conservar o material de guerra, e oficinas para a fabricação de pólvora. Em virtude das oficinas de fundição se localizarem em edifício próprio, mais abaixo que a “Fundição de Cima”, passaram a ser conhecidas como “Fundição de Baixo”. Após devastador incêndio no reinado joanino, nos meados do século XVIII, e o Terramoto de 1755, foi projetado novo edifício, o qual teve participação do engenheiro francês Maurice de Larre, exaltando obra notável de pedraria no pórtico a poente, atribuído ao citado engenheiro e também ao arquiteto húngaro Carlos Mardel (1695-1763). Desde essa altura até ao presente, desenvolveu-se no exterior, imponente conjunto decorativo, configurando, no seu todo, valorizações estéticas, entre as quais a coloração dos alçados, variando entre o ocre e branco. Foi em 1870 que se estabeleceu no edifício o Museu de Artilharia, mantendo, desde esta data até 1926, esse nome, passando a ter posteriormente a denominação de Museu Militar. Em 2006 foi renomeado como Museu Militar de Lisboa.

Fundado em 1851 Founded in 1851 Classificado como Imóvel de Interesse Público, 1963 Classified as a Building of Public Interest, 1963

Tenente-General Barão de Monte Pedral João Baptista da Silva Lopes fundou o Museu de Artilharia

General de Divisão Eduardo Ernesto de Castelbranco 1.º Diretor do Museu de Artilharia

Lieutenant General Baron of Monte Pedral João Baptista da Silva Lopes founded the Artillery Museum

Division General Eduardo Ernesto de Castelbranco 1st Director of the Artillery Museum

Sala Vasco da Gama Vasco da Gama Room

It was Manuel I (1469-1521) who ordered the construction of the Tercenas das Portas da Cruz (or Portas da Cruz shipyards), where the Lisbon Military Museum stands today. The aim was that all kinds of vessels would be built in a single space. At the same time, and adding to the importance of the tercenas, deposits were created to save and conserve war material and workshops were set up for the manufacture of gunpowder. As the foundry workshops were lower than the Fundição de Cima, or ‘High Foundry’, they became known as the Fundição de Baixo, or ‘Low Foundry’. Following the devastating fire in the reign of João V and then the 1755 Earthquake, a new building was planned. This involved foreign specialists, including the French engineer, Maurice de Larre, who is credited with the remarkable stonework on the Western entrance; and the Hungarian architect, Carlos Mardel (born Martell Károly) (1695-1763). Since then, the exterior decoration has been impressive, enhancing the whole building, with the colouring varying between ochre and white. The Artillery Museum was founded in 1870 and kept this name up until 1926, when it became a military museum. In 2006, it was renamed the Lisbon Military Museum. It is the oldest museum in the capital, founded with the purpose of safeguarding the military heritage that was outdated and, therefore, no longer fit for use.

Museu Militar de Lisboa | 31


Portal Nobre do Pátio dos Canhões Cannon Courtyard’ Main Gate

É o museu mais antigo da capital, criado com o objetivo de salvaguardar o património militar que estava descontinuado e, porque fora de uso, perdeu relevância para o desempenho de funções bélicas. As salas, de grande beleza ornamental, com programas de talha, pintura e azulejaria, mostram-nos valiosas coleções de armaria, com destaque para a de artilharia, uniformes, capacetes e barretinas, falerística, pintura e escultura, sendo considerada, no seu todo, uma das coleções militares mais completas do mundo (FRANÇA, 1996), onde é possível reviver a história militar de Portugal. O edifício desenvolve-se à volta de um pátio central, que em 1905 foi decorado com pormenorizada coleção de azulejos, respeitante a momentos da história militar nacional (GARCIA, 2013, BORGES, 2016). É também desta altura a revalorização decorativa azulejar integral do museu, preenchendo-se algumas salas e escadarias com notável conjunto de azulejos. No pórtico de entrada, de 1908, voltado para o largo dos Caminhos de Ferro, onde se encontra a estação ferroviária de Santa Apolónia, grandioso conjunto escultórico da autoria de António Teixeira Lopes (1866-1942), representando uma alegoria à Pátria – figura feminina empunhando, na mão direita, uma espada e, na mão esquerda, uma bandeira, rodeada pelos filhos, simbolizando a nação portuguesa. (página à direita) Sala das Guerras Liberais: Duque da Terceira Marquês de Sá da Bandeira Rei D. Pedro IV Duque de Saldanha Sala América Sala Europa (right hand page) Liberal War Room: Duke of Terceira Marquis Sá da Bandeira King Pedro IV Duke of Saldanha America Room Europe Room

32 | Lisbon Military Museum

The rooms, each vividly bringing Portuguese military history to life, are filled with beautiful carvings, paintings, sculptures and tiles. With its remarkable examples of weaponry and uniforms, and its outstanding examples of artillery, helmets and hats, medals and honours on show, the museum’s collection is considered one of the most complete in the world (FRANÇA, 1996). The building has a central courtyard decorated with highly detailed tiles in 1905, depicting events in Portuguese military history (GARCIA, 2013, BORGES, 2016). It was also at this time that the museum lined a number of rooms and the main staircase with remarkable tilework. In the entrance porch, from 1908, facing the Santa Apolónia train station, there is a major sculptural group by António Teixeira Lopes (1866-1942), representing an allegory to the Patria. It features a female figure wielding a sword in her right hand and, in her left, a flag. She is surrounded by her sons, symbolizing the Portuguese nation. In the King Carlos Room, Master Victória Pereira (1877-1952) produced a decorative programme based on the penultimate Portuguese king’s reign, featuring events not only in Europe but also in Africa, especially the Pacification Campaigns.


Museu Militar de Lisboa | 33


Pátio dos Canhões

Integrado no Museu Militar de Lisboa, dando serventia a outros departamentos, Estado-Maior do Exército e Arquivo Histórico Militar, desenvolve-se grande pátio central retangular que, nos primórdios do século XX, se embelezou com painéis historiados azulejares das grandes batalhas da história de Portugal e de figuras da história castrense, reis, oficiais e soldados do Exército e da Marinha (BORGES, 2016).

Cannon Courtyard

Part of the Lisbon Military Museum, and giving access to other departments, the Army Chief of Staff and Historical Military Archives, there is a large rectangular central courtyard that, in the early 20th century, was embellished with narrative tile panels depicting the great battles, as well as prominent figures in Portuguese military history: Kings, as well as officers and other ranks from the army and navy (BORGES, 2016).

O pátio está enobrecido com variada gama de canhões, motivo pelo qual lhe advém o atual nome de Pátio dos Canhões, todos eles em bronze, com variadas dimensões e motivos decorativos e de origem nacional, fundidos, maioritariamente, em Portugal ou no Oriente, desde o século XVI até ao século XIX. Em complemento aos espécimes do Pátio dos Canhões, a coleção reparte-se pelas Caves Manuelinas e Sala Vasco da Gama, havendo ao longo do percurso museológico, desde o vestíbulo, piso térreo e 1.º andar, vários exemplares coetâneos dos períodos evocativos das salas.

The courtyard gets its name, Cannon Courtyard, from the wide range of cannons on display there. They were all cast in bronze, with varying dimensions and decorative motifs, mostly in Portugal or in the East, and date from the 16th century to the 19th century. In addition to the examples in the Cannon Courtyard, the collection is divided between the Manueline Cellars and the Vasco da Gama Room. There are several contemporary exhibits from the periods evoked by the various rooms in the museum, from the vestibule, to the ground and 1st floor.

Monogramas: Rei Luís I (1838-1888) e Rei Carlos I (1863-1908) Monograms: King Luís I (1838-1888) and King Carlos I (1863-1908)

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Museu Militar de Lisboa | 43


Espada de Honra do Tenente-Coronel Joaquim Mouzinho de Albuquerque

Joaquim Augusto Mou-

Condecorado com os graus de Grande-Oficial da Ordem

zinho

Albuquerque

Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito;

(1855­‑1902), Patrono da

Comendador da Ordem Militar de Avis; Grã-Cruz da Or-

Arma de Cavalaria. Oficial

dem do Império Colonial (título póstumo a 14 de julho

de Cavalaria. Represen-

de 1932), e agraciado Comendador da Ordem da Águia

tado, maioritariamente, a cavalo galopante com sabre em

Vermelha, da Prússia; Comendador da Ordem dos Santos

riste, aludindo à campanha de Chaimite, Moçambique,

Maurício e Lázaro, de Itália; Comendador da Ordem de

ocorrida em 1895. Herói de Chaimite e de Gaza, durante as

São Miguel e São Jorge, da Grã-Bretanha e Irlanda; Comen-

campanhas de África (1894-1895), foi um dos mais notáveis

dador da Ordem de Leopoldo I da Bélgica e Comendador

administradores coloniais portugueses.

da Ordem de Carlos III de Espanha; Oficial da Ordem Na-

SÉCULO XIX

de

cional da Legião de Honra de França, entre outras.

Sword of Honour of Lieutenant-Colonel Joaquim Mouzinho de Albuquerque

Joaquim Augusto Mou-

Mouzinho de Albuquerque was decorated with the Grande-

zinho de Albuquerque

Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade

(1855-1902). Patron of

e Mérito, Comendador da Ordem Militar de Avis, Grã-Cruz da

the Cavalry and a cavalry

Ordem do Império Colonial (awarded posthumously on 14th

officer himself, Mouzinho de Albuquerque is depicted riding

July 1932). He was also made Commander of the Order of

a galloping horse and brandishing a sabre in allusion to the

the Red Eagle of Prussia; Commander of the Order of Saints

1895 Chaimite campaign, in Mozambique. During the Afri-

Maurice and Lazarus of Italy; Commander of the Order of

can campaigns (1894-1895), he became known as The Hero

St. Michael and St. George of Great Britain and Ireland;

of Chaimite and Gaza. He was also one of the most remark-

Commander of the Order of Leopold I of Belgium; Com-

able Portuguese colonial administrators.

mander of the Order of Charles III of Spain and an Officer

19TH CENTURY

of the National Order of the Legion of Honour of France, among other decorations.

44 | Lisbon Military Museum


Museu Militar de Lisboa | 45


74 | Braganza Military Museum


Museu Militar de Braganรงa Braganza Military Museum CASTELO DE BRAGANร‡A

Museu Militar de Braganรงa | 75


76 | Braganza Military Museum


Fundado em 1929 Founded in 1929 Classificado como Monumento Nacional, 1910 Classified as a National Monument, 1910

O Castelo de Bragança localiza-se no centro histórico da cidade, constituindo-se como um dos elementos arquitetónicos mais emblemáticos da província de Trás-os-Montes, sendo um dos castelos que melhor está preservado em território nacional. Foi o Rei D. Sancho I (1185-1211) que dotou a povoação com a primeira cerca amuralhada em meados de 1188. O Rei D. Dinis (1279-1325) mandou construir o segundo perímetro amuralhado em 1293. O Rei D. Fernando (1367-1383) promoveu obras de beneficiação face às constantes campanhas militares contra Castela. A partir de 1409, o Rei D. João I (1357-1433) procedeu à modernização e consolidação das defesas, com o reforço da fronteira mais a norte do reino. O casamento de D. Afonso (1377-1461), 1.° Duque de Bragança, filho legitimado do Rei D. João I, com D. Beatriz Pereira de Alvim (1380-1412), filha de D. Nuno Álvares Pereira, inaugurou a Casa de Bragança. É deste período a construção da imponente torre de menagem, tendo as obras ficado concluídas por volta de 1439. Braganza Castle is set in the town’s historic centre. Among the best preserved castles in Portugal, it is one of the most emblematic buildings in the province of Trás-os-Montes. It was King Sancho I (1185-1211) who gave the settlement its first defensive walls, in 1188. This was followed by King Dinis (1279-1325) ordering the second defensive perimeter wall built in 1293. King Fernando (1367-1383) improved the defences in the face of the constant military campaigns against Castille. From 1409 onwards, João I (1357-1433) modernised and consolidated the defences, reinforcing the kingdom’s northern border. The House of Braganza was inaugurated with the marriage of Afonso (1377-1461), 1st Duke of Braganza, the legitimated son of João I, to Beatriz Pereira de Alvim (1380-1412), daughter of Nuno Álvares Pereira. It was in this period that building on the imposing keep was begun, with the works being completed around 1439.

Museu Militar de Bragança | 77

Museus do Exército em Portugal  

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