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pedro castro henriques

D O VA S T O E B E L O P O R T O D E L I S B O A T HE WIDE AND BEAUTIFUL PORT OF LISB O N


“Maravilhosa vida marítima moderna, Toda limpeza, máquinas e saúde! Tudo tão bem arranjado, tão espontaneamente ajustado, Todas as peças das máquinas, todos os navios pelos mares, Todos os elementos da actividade comercial de exportação e importação Tão maravilhosamente combinando-se Que corre tudo como se fosse por leis naturais, Nenhuma coisa esbarrando com outra!” ÁLVARO DE CAMPOS, Ode Marítima

“O wonderful maritime modern life All cleanliness and health! Everything is so well prepared, so spontaneously adjusted, All machine pieces, all ships crossing the seas, All the elements of the commercial activity of import-export Come together so marvelously, That everything runs as if commanded by natural laws, Not one thing bumping against another!” ÁLVARO DE CAMPOS, Maritime Ode


PAT R O C I N A D O R E S | S P O N S O R S

TÍTULO | TITLE

Do vasto e belo porto de Lisboa | The wide and beautiful port of Lisbon TEXTO | TEXT ©

Pedro Castro Henriques T R A D U Ç Ã O | T R A N S L AT I O N

Miguel de Castro Henriques R E V I S Ã O | P RO O F R E A D I N G

By the Book DESIGN

Forma, design | Margarida Oliveira FOTOGRAFIA | PHOTOGRAPHS ©

APL - Administração do Porto de Lisboa, SA - Centro de Documentação e Informação C O N S E RVA Ç Ã O E D I G I TA L I Z A Ç Ã O D E F O T O G R A F I A S | C O N S E RVAT I O N A N D D I G I TA L I Z AT I O N O F P H O T O G R A P H S

Lupa - Luís Pavão, Ld.ª T R ATA M E N T O D E I M A G E M | P H O T O E D I T I O N

Maria João de Moraes Palmeiro COORDENAÇÃO EDITORIAL | EDITORIAL WORK

Ana de Albuquerque | Maria João de Paiva Brandão IMPRESSÃO | PRINTING

Printer Portuguesa ISBN

978-989-8614-11-7 DEPÓSITO LEGAL | LEGAL DEPOSIT

Nota do Editor Em 1948, Pedro de Castro Henriques e Miguel de Castro Henriques, respectivamente autor e tradutor deste livro, viajaram a bordo do Cabo de Hornos desde Buenos Aires a Lisboa, aportando pela primeira vez em Portugal na Rocha do Conde de Óbidos.

365 230/13 Lisboa, Outubro de 2013 | Lisbon, October 2013 EDITOR | PUBLISHER ©

Edições Especiais, lda R. das Pedreiras, 16-4º | Lisboa • T. +351 213 610 997 bythebook@sapo.pt • www.bythebook.pt

Editors’ note: In 1948, Pedro and Miguel de Castro Henriques, respectively the author and translator of this book, sailed in the passenger ship Cabo de Hornos from Buenos Aires to Lisbon, where they disembarked for the first time in Portugal, in Rocha do Conde de Óbidos.


D O VA S T O E B E L O P O R T O D E L I S B O A

5

THE WIDE AND BEAUTIFUL PORT OF LISBON

DOMESTICAR A BEIRA-MAR

29

TA M I N G T H E WAT E R F R O N T

37

berthing of ships

44

strange floating objects

a evolução das docas o atracar dos navios guindagem estranhos objectos flutuantes o aeroporto marítimo de Cabo Ruivo esqueçamos por momentos a Torre de Belém N AV I O S D E PA S S A G E I R O S , D E C A R G A , D E G U E R R A

navios anónimos e desaparecidos veleiros no tempo do ‘peixe fresco’ os ‘cacilheiros’ ‘cinzento’ de guerra ou ‘branco’ de paz lágrimas… e, por vezes, um até nunca para as ‘ilhas’ e para as ‘colónias’

INCIDENTES QUE FORAM NOTÍCIA

abre-se a porta ao ‘salvamento’ o ciclone de 1941 mergulhar era mesmo uma aventura hidroavião ao fundo! o estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos entre lançamentos à água e engenhosas reparações

32

dock’s evolution

40

lifting

48

Cabo Ruivo seaport

50

let’s forget Belém Tower for a moment

53

PAS S E N G E R S , C A RG O A N D WA R V E S S E L S

58

at the time of ‘fresh fish’

65

‘grey’ of war or ‘white’ of peace

55

anonymous ships and vanished sailing vessels

62

the ‘cacilheiros’

77

tears… and sometimes a never see you again

80

towards the ‘islands’ and the ‘colonies’

83

I N C I D E N T S T H AT L E D TO N E W S

88

the 1941 cyclone

96

the sinking of a seaplane

86

the door to ‘rescue’ is opened

94

to dive was indeed an adventure

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the Rocha do Conde de Óbidos shipyard

102 between launchings and ingenious repairs

O B U L Í C I O D E U M P O R T O 109 A P O R T ’ S H U S T L E A N D B U S T L E

couves e batatas, galinhas e porcos, lenha para o fogão… tudo a granel… ou outro modo de encarar a ordem a descarga do carvão o labor do cais: cliché datado olhar sobre a estiva uma marca inconfundível: a varina gente do cais: imagem obtida pelo engenheiro naval Álvaro de Campos

114 cabbages and potatoes, chickens and pigs, firewood for stoves… 120 All delivered in bulk… another way of interpreting order 126 unloading coal

128 working on the docks: old cliché 131 a look at the stowage

132 the ‘varina’: un unmistakable hallmark

134 People from the quay: image rendered by the naval engineer Álvaro de Campos

O E S P Ó L I O F O T O G R Á F I C O D A A P L 136 A P L ’ S P H O T O G R A P H I C A R C H I V E L E G E N D A S 140 C A P T I O N S


D O VA S T O E B E L O P O R T O D E L I S B O A THE WIDE AND BEAUTIFUL PORT OF LISBON Janela de há muito aberta para o mar largo, lugar de idas esperançosas, de retornos felizes e de um sem-número de partidas que jamais tiveram volta, último cais entre o quotidiano e o desconhecido a recordar descobertas antigas, amável refúgio de marinheiros e de há séculos espaço de mercancia – no sentido mais lato do termo – o porto de Lisboa associa-se intimamente aos sucessos de Portugal. A window since long open on the great sea, a place of hopeful departures and happy returns and countless departures of no return, last quay amidst the business of everyday life and unknown reminder of old discoveries, kind refuge of seamen and since centuries – in the broadest sense of the term – a merchandising area, the port of Lisbon is closely linked to Portugal’s successes.

Situado na foz de um grande rio, desde sempre se confundiu com a cidade que lhe empresta o nome, e com ela, partilhando águas de mar e águas de rio, fez-se palco de uma peça que jamais deixou de estar em cena e que ao longo do tempo – com êxito diverso é certo – foi interpretada pelas mais diversas companhias. O palco para a representação tinha condições das melhores: o vasto plaino marinho denominado Mar da Palha, albergando navios e regulando marés, foi sempre o bastidor ideal do porto de Lisboa. Olissipo foi o anteporto da rica região aluvial de Valada (o Ribatejo actual), onde a navegação marítima cedo se deteve por força das abundantes areias carreadas pelo Tejo, entulhando os canais de acesso. Muito mais tarde, Lisboa fez-se centro de poder e de comércio e em Quinhentos, impressionado certamente pela azáfama reinante, fruto de inúmeras trocas com um mundo que então se abria, Luís Mendes de Vasconcelos falava no “vasto e belo porto de Lisboa”, vasto porque amplo, desafogado, extenso; belo, o igual de bonito e talvez importante. Nessa época, a cidade era o verdadeiro bilhete postal da modernidade, tradução acabada dessa primeira globalização, como se diz hoje em dia, que nela fazia desembarcar novas gentes e coisas novas, farta cópia de novidades que extasiou a Europa do tempo e deu justa fama ao porto da capital portuguesa. 5


more recently with Sines, with the port of Lisbon as the main entrance and exit door of people and goods. Sheltered by the capes of Roca and Espichel from the sometimes stormy seas, the Tagus estuary, is the most important accident in our maritime coast, and is also a broad and calm expanse of water, a space favorable to the settling of people. Its connection to the sea is made through the narrow and deep passage – the gargle of Tejo – which starts from Mar da Palha, for whomever is looking to the East, and is located between Cacilhas pontal and Ribeira das Naus, extending until the São Lourenço Fortress (commonly called the Fort of Bugio). Through this narrow channel, E-W oriented, strong tidal currents flow which, in times of yore, made difficult the departure of sailing ships when the West wind was blowing. In such cases they anchored in Restelo, an area in which it was easier to manoeuvre, and from there they departed as soon as the winds were favorable. A safe harbour, the Tagus anchorage provides “shelter in all quadrants almost during the whole year, with the only exception of five or six days, which is how long usually lasts the bad weather from SW“, says Baldaque da Silva. Curiously, the estuary´s inner part, the ‘Mar da Palha’, never hosted any human activity worth mentioning, and even today its shores have no significant human settlement. However, its irrefutable vocation to be 8

a postcard is clearly perceived from any of the highest points in Lisbon of which the Portuguese writer Fialho masterfully wrote: “The horizon vastness is wonderful and has supreme details in its after dawn transparency. Some ships in the distance, with oblique sails, fulvous under the light and surrounded by mists, seem to be put there precisely to speed up the heart rate. Yet far away, in the far distance, light mists soften Lisbon and the grave cordilleras of that shore, showing them as a succession of terraces over the Tagus. Notwithstanding its magnificence and panoramic farsightedness, this marina sea view keeps the clarity of an old intaglio engraving, it’s a gulf for magic, volatilized in golden dust and where only mermaids and tritons are missing, answering Neptune’s conch.“ Our present times, once some obvious flaws are forgotten, still keep some of the tonalities of the original alfresco. The harbour structure character is linked to the transformations that occurred in Portugal and the settlement of industries since the XVIII century in the right bank of the river Tagus shore is connected to several quays – from Pedrouços to Quinta da Matinha – where not long ago merchandises were transported from the localities along the river’s shore, and from the colonies and foreign countries. Near the mid-XX century, the greater part of the maritime traffic was processed via Port of Lisbon.


E N T R E L A N Ç A M E N T O S À ÁG UA E E N G E N H O S A S R E PA R AÇ Õ E S O casco é dado como pronto, seguem-se os discursos da praxe e o baptismo com direito a uma madrinha. Desprendem-se então as escoras, soltam-se os cabos, e o navio oscila e desliza suavemente para a água sob a acção do seu próprio peso. A multidão aclama e os barcos surtos no Tejo apitam festivamente. No caso de um navio de guerra, a banda de música toca a ‘Portuguesa’, a força de Marinha apresenta armas e a autoridade presente recebe a embarcação “em nome da Pátria e da República”. Com mais ou menos pompa, o porto de Lisboa assistiu ao lançamento de inúmeros navios, um dos quais – o bacalhoeiro Creoula (Parceria Geral de Pescarias) – iria perdurar até aos nossos dias. Construído juntamente com o Santa Maria Manuela, foi lançado à água em 1937, num tempo recorde de 67 dias. “O navio foi construído com uma perfeição de acabamento como não se faz já hoje no estrangeiro, onde se quer principalmente produzir depressa e barato.” diria, na circunstância, Alfredo da Silva. Utilizado na Terra Nova até 1973, o Creoula, adquirido pelo Estado em 1979 para museu da pesca, acabou por voltar ao mar como navio de treino. Em 1946, o Fort Fidler, com a proa danificada, foi levado para o Estaleiro Naval da CUF, onde se estimou serem necessários oito meses de trabalho para a reparação total. Perante tão longo período de imobilização no estaleiro optou o engenheiro João Rocheta por construir fora da doca-seca as partes da zona da proa danificadas. Cortou-se pois a proa em Agosto de 1946, reforçaram-se as anteparas de vante e a embarcação saiu da doca seca, reentrando em Dezembro, altura em que lhe uniram as estruturas metálicas pré-fabricadas. Fez-se isto em treze dias!

BETWEEN LAUNCHINGS A N D I N G E N I O U S R E PA I R S The hull is ready, and conventional speeches follow, as well as the ship christening with the presence of a godmother. Then walers are loosened, the ropes detached and the ship oscillates and glides smoothly to the water by the action of its own weight. As the crowd cheers, the ships anchored in Tagus blow their horns joyfully. In the case of a war vessel, the band plays the national anthem A Portuguesa, the navy soldiers present arms and the authorities welcome the ship “in name of the Homeland and the Republic”. With more or less pomp, the port of Lisbon was the witness of the launching of several ships, one of them – the cod-fishing sailing ship Creoula (Parceria Geral das Pescarias) would last until our times. Built together with the Santa Maria Manuela, she was launched in 1937, in the record time of 67 days.“

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“The ship was built with a flawless finish that is no longer done today in foreign lands, where they want mainly to produce cheap and as fast as possible.“ remarked then Alfredo da Silva. Used in Terra Nova until 1972, the Creoula was acquired by the Portuguese State in 1979 and was converted into a fishing museum and returned to the sea as training ship. In 1946, the Fort Fidler, with a damaged bow, was taken to the Estaleiro Naval da CUF where it was estimated that it would take eight months of work for a full repair. Faced with such a long immobilization period, engineer João Rocheta took the option to build the damaged bow out of the dry dock. Thus the bow was cut in August 1946, the forepeak bulkhead was reinforced and the ship went off the dry dock, reentering in December where the prefabricated metallic structures were united. This was done in thirteen days!


O ESPÓLIO FOTOGRÁFICO DA APL A P L’ S P H O T O G R A P H I C A R C H I V E As fotografias exibidas neste livro documentam parte importante das transformações por que passou o Porto de Lisboa até adquirir definitivamente uma feição ‘moderna’. Ao olhar para elas, facilmente se perceberá a razão que levou a Administração do Porto de Lisboa a proceder ao seu restauro e digitalização. Mais de 6.000 negativos sobretudo em vidro, a preto e branco, constituem uma memória visual não apenas imprescindível à reconstituição de muito do que se passou, como também um exercício associado à compreensão do presente e a todas as emoções que as imagens suscitam e transmitem.

A imagem fotográfica, tal como a pintura ou a literatura, é também um instrumento de descoberta do imaginário do porto. Os navios são sujeito de eleição, quase imóveis quando fundeados ao largo e ‘posando’ para o fotógrafo na majestosa lentidão das suas entradas e saídas do porto. Ao longo do cais, a mastreação e a própria disposição das mercadorias constituem uma geometrização da visão. Os operários, na tradição das imagens das ‘obras’, posam enquanto as fotografias tentam abarcar a imponência, o insólito da construção ou a grandeza das máquinas. À virtude documental da descrição das instalações industriais – armazéns, gares, guindastes – associa-se o ‘pitoresco’ da vida dos cais e o conjunto, num certo sentido, já antecipa a ideia de ‘vida moderna’, marcada por sucessivas partidas e chegadas.

The photos presented in this book are documents that show important aspects of the transformations that the port of Lisbon underwent during the sixties, a time in which it acquired its ‘modern’ semblance. Looking at them, it’s easy to understand the reason why APL - Administração do Porto de Lisboa undertook their restoration and digitalization. More than 6000 negatives and glass photo prints in black and white compose a visual memory not only essential for the reconstitution of much that happened, as also an exercise associated with the understanding of the present and of all the emotions that these images induce and transmit.

O essencial das fotografias, de autores desconhecidos à excepção de António Bettencourt, procura documentar – foi para isso que foram ‘tiradas’ – actividades directamente relacionadas com o porto de Lisboa: barcos atracados ou ancorados; embarcações em trânsito de e para a barra; uma draga em funcionamento lutando contra vasas e areias; navios acostados a descarregar/carregar mercadorias; carroças ou camionetas de transporte; grupo de personalidades em cerimónia de lançamento de navio ou outra inauguração; instalações industriais ou administrativas; os senhores engenheiros de chapéu e gravata a que se acrescentam turistas elegantes recém-desembarcados dum paquete; cinzentos operários esboçando um sorriso de ocasião; mulheres sentadas junto de canastras aguardando; o senhor guarda a ‘tomar conta da ocorrência; tipos a bater uma soneca; miúdos da rua brincando; um cão vadio; oficiais de marinha bem fardados e marinheiros; vendedores e mirones; uma gaivota perdida…

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O ‘preto e branco’, tão datado dir-se-á, traz à memória esses tempos em que presos às mãos dos pais – para não cair à água – sonhávamos com viagens, partidas e chegadas, ilhas encantadas e continentes exóticos, tudo aquilo que grandiloquentemente se denomina ‘o apelo do largo’. Muitos dentre nós fizemo-nos ‘viajantes’ sem abandonar o terraço da gare de Alcântara ou a varanda da Rocha do Conde de Óbidos. Mais tarde, com o avião a diminuir as distâncias, com estas imagens já arquivadas, e num porto que incessantemente se renova, muito do que este livro documenta passou à História. Entretanto, os escassos viajantes de outrora deram a vez às centenas de milhares de turistas que hoje passam por estes mesmos cais.

Photo images, just as painting and literature, are also tools for the discovery of the imaginary of the port. Ships are an elective subject when they are anchored offshore and ‘posing’ for the photographer in the majestic slowness of their entries and exits from the port. Alongside the quay, their rig and the placement of the merchandise itself and the disposition of goods compose a geometrization of the vision. Workers, in the tradition of images of work are posing as photographers try to embrace the imposing presence, the exceptional or the unusualness of the buildings or the machinery greatness. To the documental virtues of the industrial facilities description – warehouses, yards, cranes – the ‘picturesque’ of quay life is associated to the picture and the ensemble, in a sense, already anticipates the idea of ‘modern life’, marked by continuous departures and arrivals. The essential part of these photos, of unknown authors, except for António Bettencourt, tries to document – and it was precisely for this, that they were taken – activities directly related to the APL: berthed or anchored ships, vessels going and coming from the river bar; a dredger in her work fighting against sands and sediments; harboured ships unloading or loading their cargos; carts or trucks; a group of personalities in launching ceremonies or some other inauguration 138

of industrial or administrative facilities; respectable engineers with ‘jack and tie’ to whom we may add fresh off-the-boat elegant tourists; grey workers flashing an occasional smile; women sitting and waiting besides their wicket baskets; Mr. Policeman handling a case; some blokes having a nap; kids playing in the street; a stray dog; well uniformed navy officers and sailors; sellers and Peeping Toms; a lost seagull… The black and white photos, so outdated seemingly, bring back to memory all these times when holding hands with our parents – to avoid falling into water – we dreamt with big voyages departures and arrivals, enchanted islands and exotic continents, everything that grandiloquently is called ‘the call from beyond’. Many of us became ‘voyageurs’ even without leaving the terrace of Alcântara Terminal or the veranda of Rocha do Conde de Óbidos. Shortly after, whith aircrafts shortening distances, with these images archived, and in a port that never ceases to renew, much of what this book documents has had its day. Meanwhile, the few travelers of yore were substituted by the hundreds of thousands of tourists who pass through these same piers these days.



Do Vasto e Belo Porto de Lisboa