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hoje, dia 15 de setembro de 2008 , em pé, ao balcão, lendo o jornal público, fixo, com a chávena, o artigo “no grande norte: termómetro do planeta”. o artigo é inusitado, por vários temas e motivos: a cidade mais setentrional do mundo, longyearbyen, na noruega; a geografia, biologia e meteorologia influentes nas regras peculiares dos seus escassos habitantes; a existência de uma instituição universitária; alguns dos hábitos insólitos dos investigadores que monitorizam as transformações climáticas; o seu vívido objecto de pesquisa: o árctico e o permafrost. quanto mais avanço no artigo, mais sou lido, e, na leitura, cresce a escrita de uma série de perguntas, de uma série de poemas. o solo gelado demonstra, sem dúvida, ser um terreno ubérrimo e nada inóspito.

permafrost 20+1 zeptopoemas sms Álvaro Seiça


permafrost n [U] subsoil that is permanently frozen, eg in polar regions. Oxford Advanced Learner’s Dictionary of Current English. Oxford: OUP, 1990.


1.

como é que se parte de um texto informativo – um texto informativo é real ou ficcional? – até se alcançar um texto ficcional? onde se inicia a zona transitória? 2.

como é que evolui o processo de afastamento e escrita do texto ficcional, se, em vez de prosa, se escreve poesia de aproximação? 3.

qual o trajecto que se opera desde uma fonte expositiva, com um foco tendencialmente objectivo e factual, até um alvo sugestivo e subjectivo? 4.

onde interferem e se intersectam estes dois mundos desconectados na sua conectividade? 5.

como se encena um local, um conceito e uma narrativa, apenas com um artigo jornalístico, uma definição de dicionário e um conjunto de noções (pre-)concebidas e (pre-)conceituosas sobre uma área geográfica, uma população e uma comunidade científica nunca presenciadas? 6.

quais são as palavras-chave, catalisadoras, que propulsionam o nosso manancial imaginativo? 7.

qual o papel da nossa auto-mitologia na recriação do mito? como elevar a densidade criativa, quando as nossas noções são formatadas pelos meios de comunicação? como é que se extrai uma construção singular a partir de material plural? 8.

qual o diâmetro que se atravessa quando já estamos em resposta, num terceiro plano, na ficção da ficção da ficção? qual é o grau máximo de uma metáfora – o seu limite? 9.

qual o papel da tecnologia privada na consciência pública ambiental? 10.

como comunicamos as nossas mensagens de desespero e esperança?


índice

10 zp sms enviados

8

antimonocromatismo

crono

[16.09.2008, 10:37:40]

. cobardia 9 uma mina na tundra . magnata

[16.09.2008, 10:43:25]

10

[16.09.2008, 10:59:58]

14

latitude branca segurança social grisu geopoesia zénite em azimute inlandsis

10 zp sms recebidos

16

11 12 13

.

[16.09.2008, 10:45:58] [16.09.2008, 10:46:55] [16.09.2008, 11:06:09] [19.09.2008, 11:26:04] [22.09.2008, 10:48:19] [22.09.2008, 14:08:55] [22.09.2008, 23:54:55]

pontos de observação

[16.09.2008, 11:07:40]

. manual em forma de crevasse

[16.09.2008, 10:53:48]

17

muro despido . reciclagem 18 quotidiano . encontro tenaz 19 receita para um alude 20 sms a10 21 estratificação . sagacidade

[16.09.2008, 11:06:22] [16.09.2008, 10:47:38] [16.09.2008, 11:12:13] [16.09.2008, 11:37:41] [19.09.2008, 12:43:28] [22.09.2008, 10:52:36] [22.09.2008, 23:49:16] [22.09.2008, 23:59:56]

+1 zp sms 23

sms silencioso

[

]


10 zp sms enviados


antimonocromatismo nova iorque é longyearbyen um táxi uma casa contra o ruído do fiorde

enviada: 10:37:40 [16.09.2008]

cobardia

92/1

os ursos ao relento e nós quentinhos cá dentro caçadores de ceroulas

enviada: 10:43:25 [16.09.2008]

8

92/1


uma mina na tundra pela neve largaste compota preta dos pĂŠs a madrasta vendeu-te as botas

enviada: 10:45:58 [16.09.2008]

magnata

115/1

que o permafrost derreta terei onde me banhar

enviada: 10:46:55 [16.09.2008]

9

90/1


The Proposal Series é um conjunto de propostas de experimentação do conteúdo e forma do livro, do texto e da imagem, incitando o questionamento do ‘textual’, do ‘literário’, do ‘visual’, do ‘artístico’, do ‘estético’ e do ‘gráfico’, numa perspectiva de produção independente. TPS é um projecto colaborativo da BYPASS Editions (Gaëlle Marques + Álvaro Seiça) e da Flatland Design (Paulo Freitas + Sofia Gonçalves). TPS # 1 : permafrost: 20+1 zeptopoemas sms, Álvaro Seiça

permafrost foi escrito por Álvaro Seiça, desenhado e produzido pela Flatland Design e publicado pela Bypass Editions. Composto com a fonte tipográfica DTL Nobel T, foi impresso numa Riso em Dezembro 2012, em Lisboa, com uma tiragem de 80 exemplares. www.bypass.pt | info@bypass.pt www.flatland-design.pt | flatland@sapo.pt Depósito Legal: 352709/12 ISBN 978-989-97189-2-0 © 2012 Álvaro Seiça, BYPASS Editions © 2008 José Manuel Fernandes, Público “No Grande Norte: Termómetro do Planeta” [15.09.2008] Reimpresso com a cortesia do jornal Público Todos os direitos reservados

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permafrost: 20+1 zeptopoemas sms (extracto), Álvaro Seiça  

'permafrost' é o novo livro de poesia de Álvaro Seiça, que inaugura a colecção 'The Proposal Series', um projecto editorial colaborativo da...

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