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EDIÇÃO #07 | 05 2014


QUALIDADE COMPROVADA

busca pela perfeição

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“Você será lembrado pelas regras que quebrou.” Douglas MacArthur

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#07

CARTA AO LEITOR

Pois bem, ao longo desses 188 anos, a história vem mostrando que a fotografia pode apresentar-se através de diferentes formas, com o mesmo conceito básico, porém com diferentes fins e resultados, inclusive até sendo um meio e não um fim. Os anos de 1980 assistiram ao fortalecimento da união, que por muito tempo não se imaginava, entre a arte e a fotografia, referenciadas por fotomontagens e fotogramas dos anos 1920 - esses últimos disseminados por Man Ray (1890-1976), um artista múltiplo, como grande parte dos artistas das vanguardas. Fotógrafo, pintor, cineasta, desenhista e ilustrador, é o nome mais comumente associado à prática de fotogramas e um dos maiores expoentes do dadaísmo e surrealismo. Se tivemos - e ainda temos - tantas comprovações e referências de que a fotografia pode ser tratada como arte, por que ainda ouvimos a mesma pergunta pairando no ar?

Talvez seja pela facilidade de produzir em grande escala um número imensurável de fotografias ao redor do mundo sem que exista um controle sobre quem faz ou como se faz. Talvez pela questão da fotografia ter sido banalizada por conta de seu baixo custo de produção. Quem sabe até por alguns marchands que, vendo o surgimento de novos artistas fora de seu controle, acabam municiando o mercado com palavras negativas ao segmento fotográfico para valorizar o que ainda têm nas mãos e poder lucrar. Talvez esses sejam os que pararam no tempo e estão perdendo seu poder de fogo. Nós da BLACK&WHITE IN COLOR lutamos para mostrar os diferentes lados da fotografia como arte e sabemos que muitos têm nos buscado para entender um pouco mais sobre esse assunto pois, como nós, sempre aprendem a cada dia com o surgimento de novas formas. Mas apesar de todos questionamentos e explicações, a única pergunta que merece ser respondida é: “O que você acha da fotografia como arte?” E essa pergunta só você pode e deve responder, pois é a única pessoa que sabe se a 8ª arte pode ou não tocar seus sentimentos, independente de sua forma, cor ou apresentação. É desta forma que começamos a BLACK&WHITE IN COLOR #07 que completa um ano de existência. Descubra a respostas dentro de você e boa leitura Marcello Barbusci

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Apesar do passar do tempo, ainda escutamos indagações sobre a fotografia como forma de arte: uma arte pode ser tecnológica? Ou: uma imagem tecnológica pode fazer parte da categoria “arte”? Essas e muitas outras indagações que acompanham a fotografia desde o seu surgimento, em 1826, através do francês Joseph Nicéphore Niépce, se resumem para muitos na afirmação: “A fotografia é um meio documental”.


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OS COLABORADORES

Arlindo Namour Filho

Tiago Henrique

Fotógrafo profissional há 19 anos, oriun- Autodidata e de personalidade idiossindo de uma família de fotógrafos que tra- crática atualmente dedicado a Fotografia de rua e Design Gráfico é apaixonado por balha na área desde 1962. expressões artísticas, filosofia e coisas que Especializado em casamentos e por- desafiam nossa maneira de ver o mundo. traits, já fotografou casamentos em mais de 10 países.

Henrique Siqueira

Sociólogo e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Implantou a Casa da Imagem, museu voltado à imagem e a fotografia, onde é curador. É crítico e editor de livros na área fotográfica.

X Photographer da Fuji desde 2014. Palestrante e fundador do site Eh Namour, com conteúdo voltado para fotógrafos.

Clicio Barroso Filho

Paulistano, cursou a Camera Photoagenthur / Nikon School of Photography, nos anos 70. com passagem pelo estúdio Abril, trabalha para agências nacionais e internacionais. Por três vezes recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo, categoria Fotografia. Na área digital, estudou com Dan Margulis, Scott Kelby e Peter Krogh.

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Ministra cursos, palestras e workshops em faculdades e cursos de pós- graduação em instituições como o SENAC, UEL, Escola São Paulo, entre outras. Sócio do ADI-Atelier de Impressão, especializado em impressões fineart e metacrilatos. Associado da Fototech e REDE-RPCFB.

Edilson Dantas

Pepe Mélega

Repórter fotográfico desde 1989, acostumado com grandes coberturas nacionais e internacionais. Atualmente, editor adjunto de fotografia do jornal Folha de São Paulo e street photographer nas horas vagas.

Palestrante, consultor para treinamento e orientação para montagem de estúdios, ambientes para tratamento e montagem de exposições, também atua como editor de fotografia junto a editoras.

Estudou economia, mas é na fotografia que se sente bem.

Fotógrafo autodidata, profissional desde 1969. Apaixonado pela fotografia, pela representação da imagem captada e pela paixão de visualiza-la impressa.

Rui Costa

Profissional de TI desde 1999, apaixonado pela fotografia desde que se lembra. Em breve trocará definitivamente os teclados pelas lentes porque a vida deve ser vivida apaixonadamente. Colaborador internacional diretamente de Portugal

Erico Mabellini

Mais de trinta anos atuando como fotógrafo em diversas áreas. Jornalista e graduado em Direito, com especializações em Direito Autoral e Ambiental. Leciona Fotografia e História do Direito. Fundador e editor da ONG Tribuna Animal, atualmente dedica-se à fotografia de animais e natureza.


#07

Fotógrafo e aluno da Academy of Art University em San Francisco, California, com especialidade em Fine Arts e Prints. Colaborador internacional diretamente dos Estados Unidos.

Zeca Salgueiro

Luthier, músico e admirador da boa arte porém a arte que se entende não a que cria dúvida sobre ser ou não ser arte.

Paulo Kassab Jr.

Sócio fundador da Galeria LUME. Formado em Comunicação Social pela ESPM e com mestrado em Gestão Cultural e Artística em París.

Thomas Leuthard

Diretor de TI e apaixonado por fotografia.

Simão Salomão

Fotógrafo free-lancer. Paulistano apaixonado por sua cidade, dedica boa parte de seu trabalho autoral na docuColaborador internacional direta- mentação de São Paulo, suas mudanças mente da Suiça. e perenidade. Fotografa há mais de 30 anos.

Otavio Costa

Empresário nas áreas de produção de vídeo e interatividade. Há mais de 20 anos utilizando as mais recentes e inovadoras tecnologias na comunicação digital, produção de vídeo e multimedia interativa.

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Leonardo Souza


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A FOTOGRAFIA ANALÓGICA HOJE

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NAIR BENEDICTO

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CARACTERÍSTICAS DOS PAPÉIS FINEART

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APRENDENDO SEMPRE

080

LIÇÕES DE FOTOGRAFIA QUE O CINEMA ENSINOU

060

FOTOJORNALISMO OS JOVENS DE HOJE NA PROFISSÃO

008

044

KARIN DUARTE A FOTOGRAFIA TALVEZ SEJA UMA FORMA DE EXPRESSAR COMO VEJO O MUNDO


GOLDEN GATE

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ÁLBUNS, MEMÓRIA, VIDA E MORTE

#MyArtHas 54 ANOS DE BELAS LINHAS

NETWORKING NA FOTOGRAFIA

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ASSIM É SE LHE PARECE...

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ENSAIO BWINCOLOR ITACI BATISTA

FINE ART EM CASAMENTOS: APENAS MARKETING OU ARTE DE VERDADE?

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O DOURO NA LUZ, NA SOMBRA E NAS PISADAS DE DUSSAUD

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REALIDADES FICTÍCIAS

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056


GALERIA DO LEITOR Alexandre Canario

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Andre Bessa


Gerald Streiter

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Avik Sett


Eduardo Trauer

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Jaime Carvalho


Micael Aquillah

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Jasper Tejano


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C A FOTOGRAFIA ANALÓGICA HOJE

Erico Mabellini

omecemos criando polêmica: o correto é chamar a fotografia feita com filmes de “analógica”, o que abrange tudo o que não é digital, ou seria mais correto chamarmos de “fotografia química”, pois todo o seu processo, desde o filme até a revelação, tinha (e tem) por base o processo químico, em contraponto à “fotografia eletrônica”, que é a digital?

Creio que o importante é saber que as objetivas, mesmo com todos os avanços, continuam sendo construídas de vidro e cristal e seguem princípios físicos, assim como a impressão da luz sobre o filme, hoje feita sobre um sensor de fotodiodos.

Mas vejam que curioso, em um breve período de tempo alguns desses jovens entusiastas perceberam que poderiam ter fotos de maior qualidade se adquirissem antigas câmeras de filme, sejam elas compactas com lentes de qualidade, uma Reflex ou até mesmo uma câmera de objetiva dupla com filme de 120 mm. Os entusiastas uniram-se aos saudosos dos tempos da fotografia realizada com filmes e sua granulosidade que, para muitos, é muito mais bela do que o ruído dos pixels. Alguns até fazem um paralelo entre a música gravada em um disco de vinil e a gravada por meios digitais.

erico@mabellini.fot.br

Mais tarde, já trabalhando com fotografia, passar noites em claro ouvindo rádio enquanto fazia minhas ampliações também trazem boas recordações. Mas perder diversas fotos porque um filme foi mal revelado por mim ou por terceiros (que sempre tinham uma desculpa), ou passar horas respirando produtos químicos em um pequeno laboratório... isso certamente não traz boas lembranças. WWMas como tudo que é bom retorna, ou melhor, nunca morre, eis que surgiu há poucos anos um modismo chamado lomografia, que é uma fotografia que segue os moldes tradicionais. Na verdade, o modismo da lomografia não criou nada de novo, mas trouxe para a nova geração a fotografia analógica - e já apresentou resultados artísticos. Essa nova geração de lomógrafos convive com o prazer de fazer as fotos e aguardar algum tempo pela revelação e ampliação, para aí sim ver o resultado obtido.

Surgem novos consumidores de filmes, que ainda podem ser encontrados à venda. Surgem também novos laboratoristas e ressuscitam-se antigos. E isso tudo só vem somar em favor da fotografia. Em meu entender, a fotografia precisa ser olhada em seu todo e sempre estará acima das inovações tecnológicas. As invenções, descobertas e aperfeiçoamentos não são uma característica exclusiva da era digital. Alguns fotógrafos antigos temem o novo, alguns dos jovens acreditam que são os grandes inventores e utilizadores das novidades. O que acontece é a evolução da captura e manipulação das imagens, com mais qualidade e rapidez no resultado. É isso o que sempre se buscou. O ato de fotografar há muito deixou de ser apenas uma representação da realidade, como afirmou Bresson. A fronteira final da fotografia ainda não foi atingida e a boa imagem fotográfica ainda demanda luz, sensibilidade, conhecimento e criatividade do fotógrafo. Qual será o próximo passo técnico/científico na jornada fotográfica? A Holografia?

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“Surgem novos consumidores de filmes...”

Alguns dirão que “a fotografia analógica era muito mais romântica do que a digital” e posso até concordar, porque o que plantou em mim a semente da paixão pela fotografia foi assistir e participar, aos 8 anos de idade, de algumas sessões de revelação e ampliação em preto e branco no laboratório de meu tio. Ver a mágica ocorrendo sob meus olhos, o papel em branco ganhando tons, imagens e contrastes, ficaram gravados para sempre.


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NAIRBENEDICTO


Foi a primeira mulher a participar de manifestações na década de 1970, até então só feita por homens.

Henrique Siqueira hsiqueira.03@gmail.com

Em seu trabalho como fotografa, Nair Benedicto modificou com enorme sensibilidade a visão que se tinha das classes minoritárias, fotografando a cultura popular noturna, embrenhando-se em forrós populares, dissecando a posição de mulher. Conheça nas próximas linhas um pouco mais sobre essa profissional reconhecida mundialmente. O olhar e postura de seus fotografados sugerem intimidade e troca. Como você constrói esta relação?

A primeira coisa, e a mais importante, é estabelecer uma relação de respeito e depois, de agradecimento. Nunca tive problemas com os fotografados. O contato dos fotógrafos com a Floresta Amazônica nas décadas de 1970 e 80 desenhou um capítulo no jornalismo brasileiro e trouxe o universo dos povos indígenas, a ocupação territorial e as questões ambientais para pauta do país e do mundo. Como esta experiência marcou sua vida e o seu trabalho?

“Exercer a cidadania....”

Não dá pra ir a Amazônia impunemente. Lá, todas as grandes questões estão escancaradas. Quando comecei a ir já havia a questão latifundiária, com os líderes ameaçados de morte - e muitos foram realmente assassinados. Havia uma enorme diferença entre os povos indígenas. Entre outros, os Kaiapó, com 40 anos de contato com os brancos. Os Araras, sobrevivendo à divisão que a Transamazônica operou em suas aldeias.

Eles tinham apenas um mês de contato. Em 70/80 também ocorreram os grandes projetos com os militares à frente. A Amazônia me ensinou muito. Aprendi na prática o que é um estado extrativista. Comecei a vislumbrar os desastres ambientais e a provável dimensão que tomariam. Hoje sabemos que não se brinca com impactos ambientais. Um desejo enorme de alertar, de discutir, de tornar público o que eu presenciava norteou de maneira muito firme meu trabalho. Você tem uma preocupação central quando está fotografando? O que busca expor nas suas fotografias além do objetivo da cena ou da pauta?

Exercer a cidadania. Sentir-se responsável por aquilo que você produz/faz. Estamos vivendo um período de auto-indulgência que não produz crescimento. Como sou fotógrafa, sempre procuro dar uma dimensão social ao que produzo, para ampliar as possibilidades de interação. Se pudesse editar uma missão de documentação para deixar como legado fotográfico da São Paulo em 2014, quais pautas escalaria?

São Paulo não é uma cidade, um estado, é um mundo! Seria obrigatório definir pra quem é a cidade; o que as pessoas esperam e necessitam dela. Locomoção e trabalho são sem dúvida necessidades. Mas é super importante também que ela ofereça locais de prazer, de ampliar conhecimentos, de leituras, jogos, danças, de encontros, sem neglicenciar os temas sexuais. Infelizmente, o que vemos o tempo todo são os interesses econômicos de grandes grupos se sobrepor às necessidades de vida saudável dos habitantes.

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NAIR BENEDICTO

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air Benedicto, fotógrafa paulista, formou-se em Rádio e Televisão pela Universidade de São Paulo em 1972, ano em que iniciou sua carreira de fotógrafa profissional trabalhando para a Alfa Comunicações.


D. Nair Fernandes.

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Esta fotografia integra a exposição de Nair Benedicto, Esta é a via que eu quis, Personagens de Paraty, em cartaz até o dia 1 de junho, na Casa da Cultura de Paraty.


Meninas brincando em Laranjeiras (Sergipe), 1985

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Amazônia – Migração: descendentes de alemães do sul em Tucumã, 1985


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Manoel “Biju”


Parada do Orgulho Gay na Av. Paulista, 2001

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Amazônia – Pintura corporal em criança Kayapó (Sul do Pará), 1985


DESIGN GRÁFICO: PAULO MORETTO

MUSEU DA CIDADE DE SÃO PAULO CASA DA IMAGEM

FOTOGRAFIAS DE SÉRGIO JORGE

DE 31 DE MAIO A 10 DE AGOSTO DE 2014 DE TERÇA A DOMINGO | DAS 09H ÀS 17H RUA ROBERTO SIMONSEN, 136-B SÃO PAULO SP (METRÔ SÉ) T (11)3106 5122 WWW.MUSEUDACIDADE.SP.GOV.BR


Paulo Kassab Jr. paulo@galerialume.com

Mise-en-scène Entre foto documental versus conceitual, e pelo nascimento de uma estética de fotorreportagem, inúmeros artistas contemporâneos passam a montar suas imagens com composições de fotografia documental. Um dos principais fotógrafos desta geração é o canadense Jeff Wall. Wall utiliza a narrativa para construir uma realidade ficcional e, a partir do jogo entre verdade, ficção e o uso do conhecimento da fotografia documental, amplia os limites daquilo que consideramos realidade, criando cenas que são plausíveis no mundo real. O método utilizado para a produção dessas imagens – apelidado pelo próprio Wall de cinematografia – consiste na realização de uma fotografia montada, produzida como em um filme. O artista constrói a cena, dirige os atores, tira inúmeras fotos até encontrar a que melhor lhe convém para a situação. Na fotografia Mimic (pg. 26), podemos facilmente aceitar a imagem como verdade. Talvez se publicada em jornais e revistas, causaria indignação.

  

Picture for Women (1979)

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REALIDADES FICTÍCIAS

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mbora a fotografia digital e os softwares de edição tenham finalmente acabado com a noção de realidade da fotografia, ela ainda é mantida regularmente como prova de veracidade ou documento. Mas qual é a verdade na imagem documentada? A fotografia nada mais é do que uma impressão luminosa. A luz marcada em um filme ou sensor, que evidencia a presença de um objeto em um ponto. Além disso, a foto não possui nada mais de real. O fotógrafo interpreta o caminho que lhe é oferecido, fazendo uso da técnica e do olhar. Assim, ele transforma o ambiente à sua volta e o torna mais dramático, triste, denso etc. O retratista vende sua visão. Ele vê aquilo que ninguém viu e cria situações que são representações de uma realidade que pertence somente a ele. Este é um dos pontos essenciais da fotografia e a resposta à questão sugerida no início do artigo. A imagem como uma concepção do artista, não como um fato, isto é, como uma técnica mecânica de produção de imagem que cria uma prova confiável daquilo que mostra - a realidade.


Na verdade a foto é uma representação posterior de uma cena vista pelo fotógrafo. Aliando técnicas de estúdio à fotografia de rua, ele consegue criar uma imagem que retrata uma situação cotidiana de maneira fictícia. A cinematografia “Mimic” é uma situação ilusória, pois foi montada e encenada, mas contém realismo por ser uma cena crível e habitual. As barreiras entre o verdadeiro e a ficção se rompem.

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Mimic (1982); transparência em caixa de luz; 198x228 cm

Observamos que a imagem fotográfica, percebida como documento, contém realidades e ficções. E é a partir dessa miscelânea que a fotografia pode ser considerada tanto um documento do processo de criação, como a representação de uma situação que aconteceu. O extraordinário está presente no ordinário e a ficção incluída no real, sem carecer de qualquer intervenção.


Foto só existe quando é impressa!

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NETWORKING NA FOTOGRAFIA


Thomas Leuthard Thomas@Leuthard.Photography

Quando envio uma foto para alguma plataforma, gostaria de chegar ao maior número possível de pessoas. Não é importante que curtam, é importante que olhem para a foto. Claro que nem todo mundo vai gostar de suas fotos, mas todos devem ser capazes de vê-las. Não é o gosto, mas os pontos de vista que são importantes para mim. Uso das mídias sociais Hoje, a melhor maneira de ficar conectado com outros fotógrafos é uma plataforma de mídia social como Facebook, Google+, Flickr, 500px ou qualquer outra plataforma relacionada à foto. É importante que você escolha uma plataforma que permita uma comunicação dupla, onde você possa compartilhar coisas de outras pessoas e outros possam partilhar o seu trabalho. Networking é sobre comunicação e partilha. Se você não pode se comunicar com as pessoas que seguem você, fica difícil. Seus seguidores não vão visitar o seu site pessoal todos os dias se as possibilidades de comunicação são limitadas. As pessoas não gostam de escrever e-mails - querem segui-lo em sua plataforma de mídia social favorita e querem ser parte do show. E uma só não é suficiente, você tem que estar presente em diferentes mídias sociais. Você tem que definir para si mesmo onde faz sentido você estar presente e onde não faz. Eu reduzi minhas atividades para três plataformas: Facebook, Flickr e Google+. Posso colocar o mesmo conteúdo e todas as minhas fotos (1 ou 2 por dia).

Em teoria, você poderia formar diferentes tipos de seguidores em diferentes canais, mas isso só funciona se você compartilhar conteúdo relevante no canal escolhido. Não faz sentido compartilhar suas fotos DSLR no Instagram se ele foi criado para hospedar fotos de celular. Conectado na vida real Não há nada como conhecer outros fotógrafos pessoalmente. Eu sempre tento conhecer fotógrafos locais quando viajo para cidades no exterior. Às vezes eu tento organizar passeios fotográficos através de mídias sociais para conhecer algumas pessoas e, também, para juntar fotógrafos locais. Uma boa plataforma para entrar em contato com fotógrafos locais é a www.meetup.com, mas você também pode postar suas informações de viagem em seus canais de mídia social normais. É muito fácil de alcançar as pessoas desses locais se eles já seguem seu trabalho. Compartilhe seu conhecimento Já escrevi vários e-books sobre fotografia de rua e sempre compartilho todas as minhas fotos com dados EXIF completos ou livres, sob a licença Creative Commons. Isso ajuda os outros a obter algum know-how e também para entender como suas fotos foram tiradas - pelo menos, as configurações usadas. Esse é um passo simples para ajudar os iniciantes. Escrever livros não é tão fácil, mas me ajudou a ficar mais conhecido na cena da fotografia de rua. Na era da internet, as pessoas não estão dispostas a pagar por conteúdo. Você vai alcançar muito mais gente pela boa qualidade disponibilizada gratuitamente do que de qualquer outra forma.

“Networking não é uma coisa para fazer uma só vez. ” 029

NETWORKING NA FOTOGRAFIA

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ós todos sabemos que apenas fazer boas fotos não é suficiente para ser reconhecido no mundo. Não importa o quanto você seja bom, você também precisa de um grande network e boas noções em marketing para sobreviver. Para mim, networking e marketing andam de mãos dadas quando você quer ser notado na internet.


Discutir on-line Há vários painéis de fotografia e fóruns de discussão na internet. Claro que nem todos são bons, mas você não precisa estar presente em todos os lugares. Escolha onde vai acompanhar o conteúdo e onde vai participar de discussões regularmente. A coisa mais difícil pode ser encontrar bons lugares, onde muitos de seus futuros seguidores podem estar. Incentive seus seguidores Se você é capaz de envolver e incentivar outras pessoas, isso irá ajudá-lo a construir uma for te comunidade on-line e resultará em uma rede. Eu fiz concursos de fotografia, foto - caminhadas, oficinas e “perguntas e respostas” on-line.

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Quando seus seguidores sentem seu compromisso, quando vêem que você os respeita e quer ajudá-los, começam a confiar em você. Aí o networking e todo tipo de vínculo social começa, pois quanto mais as pessoas confiam em você, mais forte a conexão fica. Sempre responda aos comentários, especialmente às perguntas. Há também a possibilidade de fazer revisões de portfólio e outras atividades on-line onde você pode dar algo de volta para seus seguidores.

Seja constante Networking não é uma coisa para fazer uma só vez. Você não pode trabalhar duro por um mês e achar que isso durará para sempre. Tem que ser parte de seu fluxo de trabalho diário. Seguidores querem ser bem tratados e entretidos todos os dias. É como uma boa amizade. Você tem que trabalhar duro para mantê-la viva e essa pode ser a parte mais difícil de todas. Sua estratégia de networking e marketing deve funcionar e você tem que fazer algo novo para seus seguidores de vez em quando. Fico conectado à internet quase todo o dia e me atualizo várias vezes ao dia. Às vezes é uma foto que eu envio, outras, um comentário. Publico uma citação de vez em quando, compartilho o conteúdo de outras pessoas que gosto. Mídia social pode tornar-se um trabalho full-time. É por isso que a maioria das pessoas são tão ruins nisso - não têm tempo suficiente. Conclusão Networking é um trabalho árduo e que não irá trazer dinheiro. As pessoas não estão dispostas a pagar por muita coisa mas agradecem se você compartilhar seu conhecimento de forma gratuita. Se você quer ganhar dinheiro com fotografia, pode ser difícil encontrar tempo para redes sociais e responder perguntas de pessoas que nunca serão seus clientes pagantes. Networking não tem nada a ver com qualquer retorno e é muito difícil de medir qualquer resultado. Só posso dizer que, quanto mais você investir em networking e marketing, mais terá resultados. Talvez não monetariamente, mas em forma de amizade, reconhecimento e fama. É claro que suas fotos não irão melhorar - isso é uma história completamente diferente...


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Para acessar o conteĂşdo extra da revista use o leitor de QR Code ou acesse www.bwincolor.com.br/app/


FINE ART EM CASAMENTOS: APENAS MARKETING OU ARTE DE VERDADE?


Conforme o colega, fotografar casamentos não tinha nada de arte e que fotógrafos declaravam que vendiam fineart como uma palavra de efeito para incrementar suas vendas, assim como há 15 anos utilizavam o termo fotojornalismo em casamentos. Arlindo Namour Filho arlindonamourfilho@gmail.com

“É preciso quebrar paradigmas”

Temos aí uma meia verdade. É fato que o mercado se apropria de termos e palavras de efeito para incrementar as vendas, e isso ocorre em todos os ramos. Na fotografia não poderia ser diferente. Infelizmente isso pode ter efeito negativo se considerarmos que a maioria dos clientes que não entende muito sobre o tema. Uma informação errada pode ser espalhada de maneira mais torta ainda e o cliente pode comprar gato por lebre. Como na briga de preços no mercado, o que um profissional sério tem que fazer é saber lidar com essa situação e tirar proveito disso apresentando o outro lado da moeda. A definição de fotografia fineart foi dada com muita propriedade pelo colega Clicio na edição passada desta revista. No artigo ele destacou que fotografia fineart é a não comercial, feita para expressar a visão criativa do artista, em contraste com a fotografia comercial e de eventos sociais. É uma analise correta. Muitos profissionais fotografam um evento com a visão documental e histórica daqueles momentos e o cliente pode ter, no futuro, esse registro de sua vida. Mas lanço um desafio a fim de quebrar este paradigma.

Eu trabalho com casamentos há 20 anos e durante muito tempo enxerguei meu trabalho como documental e foquei minha visão sobre a importância de fazer o registro mais fidedigno possível. Mas com o tempo senti que precisava de algo mais. Algo que me trouxesse satisfação, que me surpreendesse e - por que não? algo que valorizasse meu trabalho como arte, aos meus olhos e aos olhos de meus clientes. Afinal de contas, a arte, quando plenamente reconhecida, ganha um valor subjetivo que se transforma em um valor objetivo, isto é, financeiro. O fotógrafo de casamento vende seu registro em forma de álbuns, mas o artista vende algo que tem valor intrínseco, pois a arte adquire uma escala de valor que não pode ser avaliada facilmente. Quanto mais reconhecida como arte, mais valorizada e mais o fotógrafo tem condições de sair do lugar comum. A grande pergunta a ser respondida é: o que faz uma fotografia de casamento ser vista como arte? Eu acredito no uso da técnica aliada à criatividade que só um artista possui. E quando esse artista aplica esse olhar no que faz, mesmo que em um casamento, o resultado certamente poderá ser considerado artístico. A arte nos leva a algo além do que é claramente perceptível e nos faz pensar e sentir além. Escondida em uma imagem pode estar uma estética, um sentimento ou o uso de técnicas rebuscadas, a fim de alcançar a perplexidade do observador. Enquanto escrevo esse texto lembro dos quadros de Velazques que vi ao visitar o Museu del Prado em Madrid. Muitos eram retratos históricos, documentais de uma época, até encomendados, mas não deixavam de ser artísticos, pois as técnicas aplicadas pelo artista causam admiração devido a sua precisão, criatividade e beleza.

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FINE ART EM CASAMENTOS

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embro-me claramente de um debate com alguns fotógrafos palestrantes em um evento que participei em Caxias do Sul, em que um dos presentes no bate-papo levantou a questão da validade no uso do termo fineart para casamentos.


Por isso eu procuro um novo patamar a cada trabalho, cada casamento que fotografo. Certamente meu trabalho fica muito mais difĂ­cil - um verdadeiro desafio. Mas enfrento este desafio muito focado e consciente de meu dever.

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É preciso quebrar paradigmas. Arte pode estar em tudo, basta o olhar e a ousadia.


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CARACTERÍSTICAS DOSPAPÉIS FINEART


Clicio Barroso Filho clicio@atelierdeimpressao.com.br

“Um bom exemplo é o Baryta, fabricado pela Canson”

Longevidade Se os papéis usados por galerias e museus não tiverem garantia de durabilidade, tanto em ambientes com temperatura, umidade e iluminação controladas, quanto em ambientes domésticos (na parede de sua casa, por exemplo), o preço final da obra de arte pode ficar comprometido. Museus, por exemplo, precisam de obras que durem mais de 100 anos e um papel fineart impresso com tintas de pigmento mineral pode durar até 200 anos sem alteração visível nas cores, contrastes, ou amarelamento do substrato. Substratos Para garantir longevidade e estabilidade do material, os produtores procuram utilizar em sua fabricação o melhor substrato possível - fibras de plantas que sejam longas, sem traços de lignina (que é a cola natural que une as fibras curtas) e com brancura natural. A lignina deve ser evitada por ser responsável pelo amarelamento precoce dos papéis. A segunda preocupação é com a pureza e neutralidade da água. O produto final deve ter pH neutro ou levemente alcalino. Há três tipos de substratos mais utilizados pelos fabricantes: 1-) Papéis de celulose - contém lignina e são baratos, com durabilidade mínima. Sulfite é de celulo se e não papel finear t, mesmo que seja vendidos como tal. Todos os papéis com base resinada ou plastificada costumam ser de celulose e devem ser evitados.

2-) Papéis de alfacelulose - boa longevidade, que misturam fibras de celulose sem lignina com fibras mais longas, produzindo papéis de excelente desempenho e bom custo/benefício. Um bom exemplo é o Baryta, fabricado pela Canson. O custo médio em perda de longevidade é de aproximadamente 30%, o que é perfeitamente aceitável. 3-) Papéis 100% fibras longas - sem branqueadores ópticos, sem lignina, levemente alcalinos e que podem ser de fibras de algodão, kozo ou bambu. São os que costumam ter a maior longevidade, sem perda aparente de desempenho por mais de 100 anos e os preferidos por fotógrafos, artistas, galeristas e colecionadores. As marcas mais encontradas no Brasil são a francesa Canson, a alemã Hahnemühle e a japonesa Awagami. Todas produzem papéis de alfacelulose (mistos), mas principalmente papéis 100% de fibras longas naturais. Superfícies Podem ser divididos, em relação à sua superfície, em quatro grandes grupos, os quais vamos analisar em seguida. 1-) Superfície fosca (matte) - são os mais associados ao termo fineart, pois mostram as fibras naturais, sem brilho algum e podem ser texturizados ou lisos. Têm menos contraste, absorvem mais tinta e têm excelente desempenho de reprodução tonal, como os das famílias Photo Rag, da Hahnemühle e da Canson e Kozo, da Awagami. 2-) Superfície semi-brilho (satin, luster, semigloss, semimatte) - apresentam leve brilho natural, próximo aos papéis fotográficos químicos de antigamente e podem ter a textura mais ou menos acentuada. Entre eles estão o Canson Platine e o Epson Luster.

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CARACTERÍSTICAS DOS PAPÉIS FINEART

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s papéis fineart têm características definidas, que devem ser bem compreendidas pelos compradores ou consumidores de impressão; a longevidade, o substrato, a superfície, a textura, a gramatura (peso), a espessura.


3-) Superfície brilho (glossy, high-gloss) - apresentam superfície lisa e brilhante. O contraste é o maior dentre as superfícies citadas, mas seu uso é limitado pelo alto brilho, que produz reflexos indesejáveis na visualização da obra, principalmente quando emoldurados com vidro comum. Um bom exemplo é o Canson Photo High Gloss Premium RC. 4-) Papéis de tela (canvas) - são telas de algodão usadas na pintura, com superfície adequada a receber tintas de impressoras. Podem ser foscas ou semi-brilho, mas todas possuem características das telas convencionais. O Canson Museum Art Canvas e o Hahnemühle Daguerre Canvas são alguns deles.

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Texturas Finalmente, papéis de diferentes superfícies podem apresentar texturas mais ou menos acentuadas e isso é definido por uma soma de fatores: a textura natural do feltro onde o papel é transportado;

a quantidade de vezes que o papel passa pelos cilindros de metal, chamados de calandras - os mais calandrados são mais lisos. Os cilindros são aquecidos (mais liso) ou não (mais texturizado) ou feitos a mão, sem calandras com a própria textura natural das fibras (como no caso da Awagami). Alguns apresentam uma textura bastante marcante e original, como os Unryu da Awagamy, o Arches Aquarelle e o BFK Rives, da Canson, e o William Turner, da Hahnemühle. Na próxima coluna falaremos das outras características dos papéis (peso, espessura e tamanho) e das tintas, corantes e pigmentadas, que são utilizadas pelas impressoras de última geração.

Até lá!


KARINDUARTE


BWINCOLOR ENTREVISTA

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

“Eu me considero uma pessoa muito racional”

Karin, o que fez a fotografia entrar na sua vida?

Comecei a me interessar por fotografia em 1993, quando minha mãe comprou (coincidentemente em Nova York) uma câmera boa pela primeira vez na vida. Mas ela dizia que não sabia, nem gostava, de fotografar. Então herdei a câmera e entrei num curso de foto PB no Rio de Janeiro, com duração de 1 ano, onde aprendi todo o processo, desde a escolha de qual filme e qual papel fotográfico comprar até a revelação do filme, a ampliação das fotos no laboratório e a edição do material para um portfólio. Tive também aulas teóricas e aprendi a entender melhor o trabalho de mestres como Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, Robert Doisneau e Josef Koudelka, entre outros. Inspiração melhor, impossível! De lá pra cá passei a ser a fotógrafa oficial da família nos eventos e principalmente nas viagens. Recentemente, o surgimento do Instagram me fez voltar a ter vontade de fotografar cada vez mais. Você vive em uma cidade extremamente fotogênica, tanto pela arquitetura como por seus personagens. O que prende sua atenção no momento que sai para fotografar? Nova York me fascina pela incrível arquitetura. O moderno e o antigo dividindo a mesma calçada, os infinitos arranha-céus, a selva de pedra definindo a paisagem, o skyline de alguns dos edifícios mais famosos do mundo. E mais ainda pela diversidade de seus habitantes. Basta andar na rua pra sentir-se parte do mundo, afinal, o mundo inteiro está representando entre os seus oito milhões de habitantes e 50 milhões de turistas que a cidade recebe por ano. Aqui tento aprimorar meu estilo de fotografia de rua, ou street photography, e não faltam personagens pra isso. A que você atribui esse lado mais artístico na sua fotografia já que você, hoje, atua no mercado esportivo pela SportTV?

Eu costumo dizer que não sou jornalista esportiva - eu estou jornalista esportiva.

O jornalismo, este sim, faz parte de mim. Em abril completei 17 anos na profissão. O esporte é um meio. Quando fotografo, o jornalismo está nas minhas imagens também: na maneira de perceber a pauta, o tema, quando vejo uma cena acontecendo na rua, por exemplo. Curiosamente, nunca fotografei esporte. Quando você sai para fotografar já vai com um tema pronto na cabeça ou deixa isso ser resolvido pela espontaneidade?

Geralmente saio pra rua com uma ideia na cabeça, até para saber para onde ir, em qual bairro ambientar meu ensaio, qual tipo de gente fotografar e qual cenário quero para as minhas fotos. Ao chegar, espero sempre ser surpreendida positivamente. Em Nova York são tantas imagens boas passando à sua frente a toda hora, que não é raro fugir do tema pré-estabelecido e partir para uma ideia completamente diferente no meio do caminho! O que você leva quando vai para as ruas?

Minha câmera CANON 7D com uma lente 18mm-55mm, uma lente extra 75mm-300mm e filtro polarizador. Meu novo brinquedinho é o conjunto de lentes Olloclip para Iphone 5, que vem com uma olho de peixe, uma grande angular e duas lentes para macrofotografia. E para fechar, para você, o que é fotografar com o coração?

Acho que foi Cartier-Bresson que disse que “fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”. Eu me considero uma pessoa muito racional, que não deixa as emoções aflorarem com facilidade. A fotografia talvez seja uma forma de expressar como vejo o mundo. Fotografar com o coração é tentar deixar a racionalidade de lado na hora do clique e deixar a lente absorver o cenário com o mínimo de interferência possível. 045

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ornalista, viajante, esposa, filha, irmã, tia e, nas horas vagas, uma humilde fotógrafa amadora. Essa é Karin Duarte que você conhecerá nas linhas abaixo.


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“Estava na hora de ver a metrópole e seus personagens tão interessantes através das minhas lentes”

Karin Duarte

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ENSAIOBWINCOLOR ITACIBATISTA


I

taci Batista

Retornou a São Paulo em 1977 e trabalhou com editores brasileiros, publicando inúmeras matérias de moda para diversas revistas. Em 1979 fez uma breve passagem por Nova York. Em 1980 viajou para Munique onde publicou na Vogue alemã, Eltern e catálogos de moda. No mesmo ano, de volta a São Paulo, deu continuidade à fotografia editorial.

“Cada fotógrafo tem sua visão e expressão”

“A fotografia é um estado de espírito. Streetphoto (ou snapshots) é uma ramificação da fotografia que deve ser buscada individualmente. Cada fotógrafo tem sua visão e expressão, não existe fórmula nem modismo. Eu gosto do urbano por estar em constante movimento”. Suas fotos podem ser vistas no Youtube, nos vídeos “Keep Moving On - Parte I e II” e “Guerreiros do Viaduto”, também no www.itacibatista/flickr.com

Em 2001/2003, publicou dois livros de fine art photography com imagens em PB: Insights (Real Seguros) e Mutações (CMS Editora). Em 2008 participou da Segunda Bienal de Fotojornalismo da cidade do México com oito fotos do ensaio Guerreiros do Viaduto - o boxe embaixo do Viaduto do Café no Bixiga.

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ENSAIO BWINCOLOR

Nascido em 1947 no Rio de Janeiro, iniciou na fotografia profissional em 1965 no fotojornalismo da Bloch Editores. Em 1972 mudou-se para Paris onde residiu durante cinco anos, trabalhando na fotografia ilustrativa e de moda para grandes publicações e marcas famosas de cosméticos.

Desde 2009 atua como parceiro da Agência Estado, onde mantém suas fotografias consignadas. Além de trabalhos corporativos, editoriais e publicitários, dedica-se a streetphoto (ou snapshots) realizando um grande documento da cidade de São Paulo e de seus habitantes.


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GOLDENGATE


Leonardo Souza leonardo@leonardosousa.com

“Surgiu no mundo dos sonhos e é assim que cores lúdicas a descrevem.”

William Shakespeare

Surgiu no mundo dos sonhos e é assim que cores lúdicas a descrevem. Os pingos de ouro vão caindo ao longo dela, formando riscos paralelos e uniformes que representam as pessoas que perderam suas vidas em diferentes pontos ao longo da mesma - é uma homenagem às suas vidas. A torre vermelha representa toda sua força e estabilidade. As nuvens acima proclamam sua independência e descrevem sua liberdade retratando sua característica principal, que é flutuar sobre o horizonte. O sentimento de esperança vai além de nossa visão. A divisão de azuis do mar, em duas tonalidades, representam todo o mistério do canal. Na parte azul escura, um buraco negro dentro do mar. O risco amarelo na ponte representa a travessia, o vai e vem de carros e de pessoas. Esse risco pode ser visto no fundo do mar, que imagino ser também uma travessia, porém para outra dimensão, além da vida ou da imaginação. Antes da sua construção, foi motivo de zombaria e críticas. Todos que profetizaram sua vinda foram taxados como loucos. Joseph Strauss foi o poeta que sonhou e desenhou a obra prima. Ele queria construir algo grande, único e que nenhum homem jamais tivesse construído. Sua mãe era pianista e seu pai pintor e escritor - Strauss nasceu artista. Estudou design e engenharia. Não seguiu a carreira artística, foi além e utilizou toda ciência, teorias e leis em conjunto com seu dom e assim, conseguiu realizar seu grande sonho. A Golden Gate bridge foi inaugurada em 1937 às 06:00h da manhã com mais de 18.000 pessoas esperando a grande travessia. Foi a maior ponte suspensa do mundo até o ano de 1964. Uma escultura funcional e rentável. Por dia passam mais de 115.000 carros, chegando a mais de 43 milhões de veículos por ano. São cobrados US$ 7,00 por carro de passeio e arrecadados mais de US$ 300mi por ano. Mais 9 milhões de pessoas de diferentes partes do mundo visitam a ponte todos os anos.

Foi aceita pelo poderoso canal que liga Oceano Pacifico à Baia de San Francisco - o Golden Gate. Lugar misterioso e de energia incrível. Grande parte do ano é coberto por um denso nevoeiro. O Canal é conhecido por sua fúria. Fortes ventos, correntezas e água gelada, tornam o lugar muito perigoso. À frente está Alcatraz, famosa prisão de segurança máxima (desativada) dos EUA, onde os piores e mais cruéis criminosos ficaram no passado. Diz a lenda que quem tentava escapar morreria na travessia. Durante sua construção morreram 11 trabalhadores. Strauss começou a sentir-se mal, mental e fisicamente. Ele desapareceu por mais de seis meses e rumores diziam que ele tinha sofrido um colapso nervoso. Nesse ínterim, divorciou-se de sua esposa de longa data e casou-se com uma cantora muitos anos mais jovem. Após um ano da construção da ponte Strauss morreu. É um dos lugares mais populares do mundo para se tirar a própria vida e mais de 1.800 pessoas já cometeram suicídio saltando de lá. A combinação perfeita entre força e flexibilidade permitiu que superasse vários terremotos, enquanto sua irmã mais nova, a Bay Bridge, já foi praticamente reconstruída. Épica, surreal e atemporal. É assim que vejo a Golden Gate Bridge, uma escultura flutuante que simboliza esperança, força e superação. A prova viva que um grande sonho pode tornar-se realidade. + info: www.leonardosousa.art.br

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GOLDEN GATE

Enquanto houver um louco, um poeta e um amante haverá sonho, amor e fantasia. E enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança” -


MY TOWN MY TRACKS TITI FREAK COM UM MEXICO 66 NA AVENIDA PAULISTA, Sテグ PAULO


OS JOVENS DE HOJENA PROFISSテグ


FOTOJORNALISMO

Edilson Dantas edilsondantas99@gmail.com

Quando fui convidado a escrever para a BLACK&WHITE IN COLOR, o editor Marcello Barbusci sugeriu que eu falasse de fotojornalismo, de como vejo os jovens de hoje na profissão, cada vez mais competitiva. Comecei a fotografar para publicações jornalísticas em 1989 e tudo era diferente. A câmera ainda era analógica. As imagens eram publicadas em preto e branco em todos os jornais - somente as revistas já estavam imprimindo em cor. Nos anos 1990 chegou a cor também nos impressos. Junto vieram as primeiras câmeras digitais, caríssimas. Sim, os mesmos equipamentos que hoje qualquer um pode ter.

O baixo preço das máquinas de última geração democratizou o acesso à fotografia, mas vemos muitos dizendo ser fotógrafos. Talvez essa pessoa sobreviva mesmo da fotografia, mas eu considero repórter fotógrafico aquele que sai em busca da notícia, que faz o documentário, registra com precisão e enxerga de longe as transformações de uma sociedade. Não é só ir a uma passeata e registrar tudo. É possível fazer uma foto boa e a publicar em algum meio de comunicação, mas é preciso contextualizar o cenário atual. De um lado, há uma quantidade quase infinita de agências fotográficas; de outro, uma imprensa desesperada para dar a informação em primeira mão - principalmente os sites. Mas essa dicotomia nefasta não fará desse profissional um grande fotógrafo. Os grandes fotojornalistas têm um trabalho contínuo de bons resultados. Conversando com amigos que estão constantemente cobrindo manifestações, ouvi que há fotógrafos em passeatas i n s u l t a n d o p o l i c i a i s e m a n i fe s t a n t e s

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stou feliz por ter este espaço para compartilhar ideias com os leitores desta revista que não para de crescer pelo seu conteúdo de refinado gosto.


para provocar uma reação e ter o que fotografar e vender para as tais agências. Ora, se só através do insulto forjado ele consegue uma boa foto, então essa pessoa não está contando uma história. Fotografar é contar a história sem dizer uma palavra.

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Em 17 de julho de 2007, quando houve o acidente com o avião da TAM em Congonhas, um internauta enviou uma foto de uma pessoa se jogando de um prédio em chamas para um portal de notícias famoso de São Paulo. Era uma montagem. Mesmo assim o site publicou-a sem checar sua veracidade. A foto só foi retirada do ar quando alguns internautas que buscavam informação perceberem se tratar de uma montagem e avisarem a redação. O perigo está aí: a velocidade da informação deixa brechas para muitos erros.

Com muita gente querendo entrar no mercado, o que é do jogo, o valor da fotografia caiu muito, principalmente para quem deixa seu trabalho nas tais agências. As publicações impressas estão perdendo a competição para a internet (que paga muito pouco) e no futuro, quem vive da fotografia jornalística deve tomar outros rumos e achar seu caminho - um outro caminho. Em uma próxima oportunidade falaremos de como abrir essas novas trilhas e as várias formas de ver a notícia. Até lá!


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O DOURO NA LUZ, NA SOMBRA E NAS PISADAS DE DUSSAUD


Rui Costa ruijscosta@gmail.com

“A amplitude dinâmica! A sombra e a luz.”

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Aproveitando pequenas férias em família, dei início à missão seguindo pelas sinuosas estradas à beira-rio, onde os locais para observação e contemplação abundam. É como se o Douro quisesse ser fotografado a cada 250 metros da sua sinuosa existência. Ele quer ser visto e lembrado. Faz parte das coisas boas da nacionalidade (sem qualquer espécie de saudosismo). Faz parte do sangue que ergueu o país e está entranhado em cada alelo do DNA de gente simples e trabalhadora. Suas quintas e as figuras que arrasta até lá, podem fazer crer que muito é glamour, riqueza, abundância e qualidade de vida mas, verdade verdadeira, é muito trabalho, é uma luta respeitosa contra uma natureza implacável e vigorosa. A região é feita de gente que acorda pela madrugada, de homens e mulheres que carregam às costas cestas de uvas a partir dos locais onde as bestas de carga não chegam. O Douro é força, é gente. George Dussaud, a quem tão humildemente presto a minha homenagem, foi um dos homens da fotografia que mais cedo e mais objetivamente falou por esta natureza dos povos do norte do país. Dussaud e a sua Leica andaram por caminhos estreitos e corredores úmidos para descobrir a região. Francês de nacionalidade mas português de adoção, é um dos homens mais respeitados e celebrados por aquelas bandas. Sua fotografia está equiparada com a intervenção e awareness criados pelo mestre supremo da fotografia Werra Nevada ou ao Novo México: e l e é o A n s e l Ad a m s d o D o u ro.

Seu trabalho carrega uma extraordinária mensagem de memória: “Olhaí, este é o Vosso Douro que eu vos mostro”. Dussaud viu aquilo que tantos outros antes dele apenas olharam. Por isso sigo as suas pegadas. Não no componente técnico, temática, equipamento, tecnologia ou composição. O que me aproxima de Dussaud é muito menos daquilo que me afasta e, no entanto, a cada quilômetro de rio que bebi, era nele que pensava: na força da sua fotografia. Sigo suas marcas orgulhosamente no mesmo sentido, mas em direções muito diferentes. Nos próximos meses será o Douro a ocupar grande parte do meu pensamento. Mas o que guarda lá em termos de fotografia que não guarda quase nenhuma outra parte de Portugal? A amplitude dinâmica! A sombra e a luz. Deve ser fotografado ao nascer ou ao fim do dia. A obliquidade da luz torna cada canto encravado na encosta em uma linha funda e bem demarcada, dando uma oportunidade única para composições equilibradas e originais. A imensa escadaria carregada de vinhas permite explorar linhas de convergência, repetições e padrões. O rio dá, em quase todos os pontos do trajeto, a oportunidade de usá-lo como elemento de quebra de monotonia e fonte de luz. Suas tonalidades querem luz suave. Querem que se deite suavemente em cada pedaço da dureza rochosa. O problema, contudo, é que a inclinação do terreno não é semelhante à inclinação que encontramos na esmagadora maioria dos terrenos de Portugal e esse aspecto torna as coisas muito complicadas para o fotógrafo de paisagem. A gama de tons é tão vasta que a janela de oportunidade é de tempo reduzidíssimo.

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O DOURO NA LUZ, NA SOMBRA E NAS PISADAS DE DUSSAUD

ntreguei-me recentemente a mais um projeto autofinanciado de fotografia de paisagem em Portugal. Dessa vez, o destino que escolhi foi a região do Douro, zona mundialmente conhecida por sua beleza natural associada à intervenção humana que consiste, quase exclusivamente, na implantação de extensos vinhedos que povoam cada pedaço de um solo que dá ao mundo, entre muitas outras coisas, o famoso Vinho do Porto.


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Encontrei um período ótimo entre 06:30h e 07:30h, quando alguma da neblina ainda se apresentava como uma gigantesca softbox, ou mesmo como um belíssimo backdrop de tons próximos do branco.

Consigo perceber que suas encostas são só um imenso jogo de luz forte e sombra profunda que a qualquer momento podem trocar de lugar de acordo com a obliquidade da luz e o tipo de obstáculo que a ela se entrepõe. Tentarei encontrar o meu tom por lá. Prometo mais sobre a região do Douro nos próximos números da revista. Até lá... muita luz!


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54 ANOS DEBELAS LINHAS


#MyArtHas

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

“Teatro Nacional Claudio Santoro, outra obra projetada por Niemeyer...”

A cidade é considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO e eu ainda não a conhecia - a não ser através dos noticiários políticos - então resolvi ver sua beleza de perto. Como a viagem seria de apenas 2 dias, peguei somente o necessário para aguentar a correria dessa descoberta pessoal. Levei uma mochila e minha bolsa com uma Fuji X-Pro1 com duas lentes - uma 18mm para as grandes áreas e uma 35mm para as proximidades. Cheguei certo de que poderia caminhar à vontade e fazer os registros de uma cidade importante pelo que se fez e pelo que se faz em seus 5.802 Km² e fui direto à praça dos Três Poderes, onde um amigo havia me informado sobre uma cafeteria ao lado do STF. O café já não existe mais e hoje é o centro de informações turísticas. Lúcio Costa projetou o Eixo Monumental para se situar na Esplanada dos Ministérios. Esse é o corpo principal do “avião” que forma a cidade. O Eixo Monumental assemelha-se ao National Mall, em Washington DC e é a via pública mais larga do mundo, com 250 metros de largura. O gramado retangular da área é cercado por duas vias expressas que formam a principal avenida da cidade. Tudo em Brasília é grandioso. Talvez por isso os críticos a chamem de “Ilha da Fantasia”, pois entre a cidade e as regiões vizinhas existe um forte contraste com a pobreza e a desorganização das

cidades do estado de Goiás, no entorno do Distrito Federal. Dois taxistas me explicaram isso. Chegando ao hotel, localizado na asa sul, solicitei um quarto no ponto mais alto e de frente à Esplanada dos Ministérios. O atendente me perguntou se eu era fotógrafo e respondi dizendo que vivia com a fotografia mas não dela e, para clarear, disse que era apaixonado pela arte de fotografar. Ele fechou a conversa dizendo: entendi, o senhor é fotógrafo. Deixei para lá e peguei a chave do 14º andar, de frente para os Três Poderes - uma vista incrível. Tomei um banho, peguei minha câmera e fui encontrar um amigo, Guilherme Malheiro, que me apresentou alguns lugares naquela tarde. Ao invés de ir diretamente aos pontos mais conhecidos, fui a uma Igreja de pouca visitação, um pouco mais afastada dos demais pontos turísticos. Visitei a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, projetada por Oscar Niemeyer, construída em cem dias e inaugurada em 1958. O revestimento externo é a única obra de azulejos figurativos de Athos Bulcão, tombada em 28 de abril de 1982. Da Igreja para o Teatro Nacional Claudio Santoro, outra obra projetada por Niemeyer e complementada por Milton Ramos. O teatro tem forma de pirâmide com relevo em concreto intitulado “O Sol faz a festa”, por Athos Bulcão. Sua área externa com sinais claros da necessidade de manutenção indicam a falta de um olhar mais dedicado. Em todos os pontos que visitei pude perceber essa mesma situação. Caminhei até a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como Catedral de Brasília, primeiro monumento construído lá. Sua pedra fundamental foi lançada em 12 de setembro de 1958 e sua inauguração oficial em 31 de maio de 1970, já com os vidros externos transparentes. Em seu interior há três anjos suspensos por cabos de aço e são esculturas de Alfredo Ceschiatti e Dante Croce.

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B

rasília, capital do Brasil. Conhecida como a cidade projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurada em 21 de abril de 1960, pelo então presidente Jucelino Kubischek. O que poucos sabem é que foi o urbanista Lúcio Costa que elaborou o plano piloto e aproveitou o relevo da região, adequando-o ao projeto do lago Paranoá, concebido em 1893 pela Missão Cruls.


Azulejos figurativos de Athos Bulcão

No dia seguinte dei um pulo até a Câmara dos Deputados pelo lado interno. Como dizia o antigo apresentador Ataíde Patreze, ela é “simplesmente um luxo”. Poltronas em couro e mesas de madeira, tudo brilhando. Só fica em pé quem quer aparecer na TV, caso contrário estar sentado é o mais puro conforto. Como cheguei cedo ao local, fui convidado a tomar um café no terraço do anexo e conheci a passagem subterrânea entre o Palácio dos Três Poderes e o local onde ficam alguns gabinetes de nossos políticos.

Essa passagem teve seu momento de críticas e polêmicas, pois foi ali que instalaram uma moderna esteira de transição, item que nem os nossos aeroportos possuem ainda. Igual a essa eu só vi no aeroporto de Madri. Eu poderia ficar aqui escrevendo ainda várias linhas para falar do Banco Central, Centro Cultural Banco do Brasil, Conjunto Cultural da República, a Fonte luminosa da torre de TV, Memorial JK, Palácio da Alvorada, Palácio do Itamaraty entre outros, mas assim como na fotografia, cada um tem uma forma de enxergar o que está vendo. Por isso eu convido você a conhecer as linhas de Brasília. Reserve uns 3 ou 4 dias e conheça essa linda jovem de 54 anos.

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#MyArtHas Brasília


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ÁLBUNS, MEMÓRIA, VIDA E MORTE


Folhear um álbum é alinhavar momentos felizes e pessoas queridas; ignorar o real; preencher o vazio. É uma forma de resgatar aquilo que se foi através da imaginação e dos sentimentos.

Tiago Henrique tiagohqsilva@gmail.com

Quero me apropriar do livro “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, do escritor moçambicano Mia Couto antes de continuar: As memórias lhe fazem bem. A avó afaga uma mão com a outra como se entendesse retificar seu destino, desenhado em seus entortados dedos. - Agora, meu neto, me chegue aquele álbum. Aponta um velho álbum de fotografias pousado na poeira do armário. Era ali que, às escondidas, ela vinha tirar vingança do tempo. Naquele livro a avó visitava lembranças, doces revivências.

“crer na foto-

grafia como testemunho de alguma coisa...”

Mas quando o álbum se abre em seu colo, eu reparo, espantado, que não há fotografia alguma. As páginas de desbotada cartolina estão vazias. Ainda se notam as marcas onde, antes, estiveram coladas fotos. - Vá. Sente aqui que eu lhe mostro. Finjo que acompanho, cúmplice da mentira. - Está a ver aqui seu pai, tão novo, tão clarinho que até parece mulato? E vai repassando as folhas vazias, com aqueles seus dedos sem aptidão, a voz num fio como se não quisesse despertar os fotografados. - Aqui, veja bem, está sua mãe. E olhe nesta você, tão pequeninho! Vê como está bonita contigo no colo? Comovo-me, tal é a convicção que deitava em suas visões, a ponto de meus dedos serem chamados a tocar o velho álbum. Mas Dulcineusa corrige-me.

E vai repassando as folhas vazias, com aqueles seus dedos sem aptidão, a voz num fio como se não quisesse despertar os fotografados. - Aqui, veja bem, está sua mãe. E olhe nesta você, tão pequeninho! Vê como está bonita contigo no colo? Comovo-me, tal é a convicção que deitava em suas visões, a ponto de meus dedos serem chamados a tocar o velho álbum. Mas Dulcineusa corrige-me. - Não passe a mão pelas fotos que se estragam. Elas são o contrário de nós: apagam-se quando recebem carícias. Dulcineusa queixa-se que ela nunca aparece em nenhuma foto. Sem remorso, empurro mais longe a ilusão. Afinal, a fotografia é sempre uma mentira. Tudo na vida está acontecendo por repetida vez. - Engano seu. Veja esta foto, aqui está a avó. - Onde? Aqui no meio desta gente toda? - Sim, avó. É a senhora aqui de vestido branco. - Era uma festa? Parece uma festa. - Era a festa de aniversário da avó. Vou ganhando coragem, quase acreditando naquela falsidade. - Não me lembro que me tivessem feito uma festa… - E aqui, veja aqui, é o avô lhe entregando uma prenda. - Mostre! Que prenda é essa, afinal? - É um anel, avó. Veja bem, como brilha esse anel! Dulcineusa fixa a inexistente foto de ângulos diferentes. Depois, contempla longamente as mãos como se as comparasse com a imagem, ou nelas se lembrasse de um outro tempo. (…) Quem parte de um lugar tão pequeno, mesmo que volte, nunca retorna. (…) Os lugares não se encontram, constroem-se. (…) O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora.”

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ÁLBUNS, MEMÓRIA, VIDA E MORTE

T

odos temos uma relação particular com a fotografia. Quando estamos diante de uma foto somos imersos em sua história e passamos a reconstituir lembranças. Acreditamos que com isso não esqueceremos nossa história.


A foto de sua mãe, que Roland Barthes recusou-se a mostrar, e que o levou a escrever “A Câmara Clara”, teria evocado um sentimento de carícias ao despertar e beijos de boa noite, pois parecia estar em busca de um afago que só uma mãe poderia dar. No começo do segundo capítulo ele nos conta: “Em uma noite de Novembro, pouco depois da morte de minha mãe, estava organizando fotos (…)1 procurando a verdade de um rosto que havia amado”. Essa “verdade” só seria encontrada por ele. Os possíveis observadores, mesmo no maior esforço de empatia, nunca conseguiriam sentir o que ele sentira ao ver a foto de sua mãe. Aquela fotografia não está impregnada de uma memória comum entre Barthes e os outros. A isso ele deu o nome de punctum: uma imagem pode emocionar alguém e ser nada para outros.

Kodak-1928 Dulcineusa e seu neto constroem uma narrativa imaginária. Ela deixa de ser vista somente como um registro e passa a ser uma forma de se acessar momentos vividos, podendo ser tanto uma maneira de dar veracidade a construções fictícias, quanto de assumir o lugar do objeto que retrata.

A ideia de a fotografia ser algo que dá veracidade aos acontecimentos e comprova a existência das coisas começa com a sua democratização, em meados do ano de 1920, período em que a vida passa a ser registrada muito mais pelas imagens do que pelos livros, cartas ou diários. No período que sucede a Primeira Guerra Mundial, com o aparecimento dos monumentos aos mortos e comemorações funerárias, os retratos fotográficos passaram a ser valorizados como pequenas relíquias, evidenciando a união nacional de memória comum, ao glorificar os soldados mortos em terras distantes. No filme “Blade Runner” de 1982, de Ridley Scott, os replicantes carregavam falsas fotos de família para criar a ilusão de lembranças de seu próprio passado. Para os robôs quase humanos do filme, a fotografia era uma prova de convicção para assentar e edificar uma identidade. Mas crer na fotografia como testemunho de alguma coisa, implica em ter fé. Não há indício racional convincente que garanta que a fotografia, por sua própria natureza, tenha mais valor como recordatório do que um laço feito no dedo.

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Isso porque a memória é falha, omissa e conveniente. Então, como é possível ter a identidade alicerçada em terreno tão movediço? Em que medida posso falar de meu passado, se não me lembro de tudo e se não me reconheço no que lembro?


Perceber a diferença entre imagem e realidade torna-se uma tarefa complexa. Isso fez com que o tempo, hoje, torne-se mais fluído - a aceleração na duração das imagens afeta a memória e a lembrança - a aceleração produz um vazio de passado que as operações da memória tentam compensar.

O novo milênio começa nessa contradição entre um tempo acelerado, que impede o transcorrer do presente, e uma memória que procura tornar sólido esse presente. Recorremos à imagens de um passado que são, cada vez mais, imagens daquilo que é recente. Para sintetizar: trata-se de uma cultura da velocidade e da nostalgia, do esquecimento e da comemoração de aniversários. A massificação da fotografia aparece na sociedade contemporânea como uma tentativa de continuidade, para eclipsar a própria ideia de morte. 1 [BARTHES – A Câmera Clara: notas sobre a fotografia p 16]

Kodak-1920

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Nota: as imagens de propagandas da Kodak foram retirados do Site Dobras Visuais de Lívia Aquino.


LIÇÕES DE FOTOGRAFIA QUE O CINEMA ENSINOU


Simão Salomão simaosalomao@terra.com.br

“Quentin Ta-

rantino é um sujeito que tem uma forma particular...”

Prezados leitores da B&WinC, antagonizando essa frase, vamos falar um pouco sobre o quanto o cinema tem contribuído para a fotografia. Adoro cinema (penso como Kundera), e é inegável que quando diretores, roteiristas e fotógrafos, se propõe a discutir fotografia com seriedade, todos ganham. Na direção, é comum ver a continuidade de cada diretor em seus filmes. Alguns deles são usam enquadramento e composição mais constantes. Selecionei aqui cinco caras bons de frame. O primeiro é Wim Wenders, que dedica-se à grande angular com um afinco que pudemos testemunhar quando expôs suas grandiosas fotos (em tamanho e beleza) no MASP. A exposição de nome “Lugares estranhos e quietos”, é como a sinopse de muitos de seus filmes. Sua paixão em filmar em plano geral os lugares vastos e com ar de abandono, parecem contracenar com o lado psicológico de seus personagens. Quentin Tarantino é um sujeito que tem uma forma particular de encarar os fatos duros da vida de forma sutil e até mesmo cômica. Seu trato com a imagem nos posiciona como leitores de gibis, como o nome de seu mais famoso filme, “Pulp Fiction”. Abusa das cenas contra-plongeé, que é uma tomada vertical de baixo para cima, bem como altera de forma dinâmica a aproximação dos personagens, causando certa alternância de planos que nos faz checar cada quadro, para não perder o desenrolar da história. Francis Ford Copolla e Stanley Kubrick são dois cineastas que eu colocaria no mesmo cesto, embora muito diferentes em questões de registro e autoria. Ambos apresentam um estilo muito próximo do fotojornalismo, como se houvesse um curioso segurando a câmera, aguardando qualquer acontecimento tornar-se algo importante.

Os personagens sempre estão em um plano médio ou portrait, quando não em close up. Em filmes consagrados como “Apocalypse Now”, de Copolla, e “Full metal jacket (Born to kill)”, de Kubrick, é possível notar a respiração alterada desses personagens em algumas cenas, tão próximos estão da câmera. Também de Kubrick, “The Shining” (O Iluminado) oferece a mesma interpretação, porém com uma narrativa mais estranha, que arrepia até o mais corajoso dos homens! O suspense criado por planos simétricos, onde o personagem está quase sempre ao centro, nos traz uma sensação de sufocamento e inquietação. Enquanto os demais diretores de suspense fazem isso com cortes rápidos e figuras assustadoras aparecendo em close up, Kubrick vai causando mistério pelo caminho. Os elementos do suspense aparecem nos planos mais distantes, como na cena em que o garoto Daniel Torrance (Danny Lloyd) anda de triciclo pelos corredores do hotel. O terror está além do que está em foco. Diferente e igual à todos os demais, Federico Fellini tanto faz o uso de cada uma das aproximações dos já citados, como também foge delas. Com cenários produzidos com muita riqueza e extravagância, ele procura sempre posicionar seus atores em um mundo lúdico e surreal, mas centra sua narrativa nos personagens. E que personagens... personas sui generis, que ele escolhia a dedo, muitas vezes andando de metrô ou nas ruas de Roma. Sempre caricatos, fazia registros como quem fotografa modelos ao contrário. As interpretações do olhar Em referência aos roteiros, há uma lista de filmes que são praticamente elementos de discussão do olhar e do valor do momento decisivo. O mais evidente é “Janela da Alma”, um documentário dirigido por João Jardim e Walter Carvalho, que traz diversos pontos de vista de personagens e profissionais da arte que tentam definir o que é o olhar e a função da visão. Daqueles que fazem da imagem seu ganha pão (Wim Wenders usa a armação de seus óculos como framing, ou como limite de enquadramento de sua vida, do contrário enxergaria demais e de forma menos contida) até aqueles que não enxergam ou o fazem com dificuldade.

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LIÇÕES DE FOTOGRAFIA QUE O CINEMA ENSINOU

A memória não grava filmes, grava fotografias” - Milan Kundera, escritor tcheco, autor de “A insustentável leveza do ser”


O fotógrafo sérvio Evgen Bavcar, que se utiliza do tato e da prospecção de elementos presentes para fotografar - mesmo com cegueira total - apresenta-nos a fotografia de sua sobrinha que brinca, dança e corre em um campo que ele conhecia antes de ficar cego e, para fotografá-la, empresta-lhe um sininho. Ele diz que não fotografa a sua sobrinha, mas o ruído que não aparece, oferecendo uma imagem daquilo que é invisível. Hermeto Pascoal, músico completo e irreverente, tem desvios de ambos os globos oculares além de fotofobia, por ser albino. Ele brinca com o entrevistador dizendo que se olha para ele, enxerga quem está ao lado e fala: “Que vista rica... estou vendo vocês de uma vez!”. O prêmio Nobel de literatura, José Saramago, indica outro filme que nasceu de sua criação literária e também trata de nosso assunto. Em “Ensaio sobre a Cegueira”, já fazia postulações sobre ver e o olhare se perguntava como seria se fôssemos todos cegos. Falava que temos cegueiras pontuais sobre aspectos diversos, como razão, sensibilidade e convivência e que com essa cegueira tornamos-nos agressivos, egoístas e violentos.

há pessoas com casacos e galochas e há pessoas de camiseta e shorts. Às vezes são as mesmas pessoas, às vezes diferentes. A terra gira em torno do sol e todo dia sua luz ilumina a terra em um ângulo diferente... o tempo caminha em pequenos passos”.

O Projeto fotográfico de Auggie: “Mas são todas iguais...!” Há um filme interessante sobre o olhar. É “Cortina de Fumaça” (Smoke) de Wayne Wang e Paul Auster. Nessa pérola do cinema cult, Auggie (Harvey Keitel) é o gerente de uma tabacaria e todo santo dia, exatamente às 8:00 da manhã, monta um tripé com uma Cannon AE-1 em frente à sua loja, com o mesmo enquadramento do dia anterior, e faz um único disparo. Ele mostra seu projeto a seu cliente, o escritor Paul Benjamin (Willian Hurt) e diz que não tira férias para não comprometer seu projeto, que já tem mais de 4 mil imagens em P&B – em um tempo em que se usava filme.

Vejo vocês na próxima sessão. Saudações, meus caros!

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Paul vê as imagens com certa rapidez, até que afirma: “Mas são todas iguais!”. Auggie diz que deveria vê-las mais devagar e Paul pergunta o que ele quer dizer com aquilo. E de sua explicação vem a grande lição do olhar: “- Você nunca entenderá se não for mais devagar, meu amigo... mal está olhando as fotos. Elas são iguais, mas cada uma tem algo diferente das outras. Há manhãs brilhantes e manhãs escuras; há a luz do verão e a luz do outono; há dias da semana e fins de semana,

Paul, o escritor que está em crise para escrever, por conta da perda da esposa em um trágico acidente, acata o pedido do amigo e segue observando com mais cuidado aquele curioso projeto. Qual não é a sua surpresa ao ver, em determinada foto, que ela, a falecida esposa, aparece numa belíssima imagem sob um guarda chuva. Não é preciso dizer mais nada - em meio a lágrimas e reminiscências, o projeto passa a ter todo o sentido para Paul e a quem mais está assistindo ao filme. Não bastasse a sequência de imagens ser belíssima, a narrativa é acompanhada por um piano muito bem colocado. É de arrepiar! Bem, espero que tenham apreciado. Na próxima edição, falaremos de mais alguns filmes que tocam o tema e, de cara, o fantástico “A vida secreta de Walter Mitty” e colocarei uma lista de boas aulas interessantes para assistir e concluir por si mesmos se não são lições de fotografia amplas e valiosas.

Simão Salomão


Wim Wenders

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Tarantino


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Francis F Copolla

Stanley Kubrick


Smoke

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Federico Fellini


APRENDENDO SEMPRE


Pepe Mélega pepemelega@gmail.com

Odeio, sim odeio, não ser convidado e dar a aula; odeio usar o flash em cima da câmera - é minha última opção. Gal sempre me chamava para acompanhar as aula em seu estúdio e isso nem sempre conciliava com minha agenda. Mas no mês e ano acima mencionado - bingo! - pude ir. Sabia que a aula era sobre luz cênica - a luz usada em peças de teatros, shows etc. O formato é ótimo: os alunos são introduzidos e instruídos sobre o que é a luz e como usá-la e passam imediatamente a praticar. O normal é ter um ou dois modelos que vão fazer uma performance livre e deixa-se a criatividade livre para cada um ir criando suas ideias.

“Amei apre-

ender com os alunos de Gal...”

É fantástico ver os participantes interagirem buscando suas imagens. Fiquei bastante atento e fui aprendendo com tudo isso. O efeito da luz sobre o modelo, sobre o palco e, principalmente, sobre os movimentos. Lições importantes numa rara oportunidade de poder usufruir desse tipo de luz com tanta liberdade. Gal percebeu o fascínio em meus olhos e perguntou se eu havia trazido minha câmera. Foi a deixa. Já tinha notado a magia nos movimentos da modelo Samantha, esboçado em minha mente algumas fotos e reparado algumas coisas úteis de usar em minhas capturas. A pergunta do Gal foi como dizer à uma criança para pegar um brigadeiro em dia de festa. Câmera na mão e objetivo em mente: Eletric Lady começava a se materializar.

Eletric Lady É um ensaio. O objetivo era um conjunto de imagens formado por polípticos separados pela cromia que a luz criava. Os polípticos foram limitados a quatro (04) na edição dessas imagens e não no momento da captura. Ao realizar a captura, o objetivo estava bem definido em minha mente: dar representação em forma de imagens à performance de Samantha em minha visão de Electric Lady. A influência é clara: as música do Electric Ladyland, álbum de Jimi Hendrix Experience. Não havia a música no ambiente. Tudo era criação da minha mente. Ao ver a evolução de Samantha e as luzes em sua volta, foi surgindo a lembrança das músicas de Hendrix - era isso que tinha que fotografar. Amei a experiência. Amei apreender com os alunos de Gal nesse dia, ver a movimentação deles e ver como buscavam suas ideias. Observar o comportamento foi importante, concretizou melhor o planejar para captar e mostrou o quanto é importante olhar antes de clicar. Óbvio que se algo está acontecendo à sua frente não se deve perder o instantâneo, mas quando saímos para fotografar temos que ter um objetivo em mente. Observar o local onde vamos fotografar vai facilitar muito o trabalho. Nesse dia a celebre frase de Ansel Adams (1902~1984) materializava-se também: “Não fazemos uma foto apenas com a câmera, ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vemos, as musicas que ouvimos, as pessoas que amamos”

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APRENDENDO SEMPRE

E

m agosto de 2009 surgiu do nada, em minha mente, um objetivo. Explico: o fotógrafo e amigo Gal Oppido, há muitos anos possui um curso livre no MAM (Museu de Arte Moderna) de nome “Corpo Vago Procura Luz Marginal”. Por muitas vezes ele me convidou para fazer uma das aulas sobre o uso do flash portátil ou flash repórter - que é aquele que se usa em cima da câmera.


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ASSIM É SELHE PARECE...


ASSIM É SE LHE PARECE...

Otavio Costa otavio@flyview.com.br

Sua primeira câmera, de US$ 400,00 e que parecia um pequeno caleidoscópio, não foi muito mais do que um brinquedo exótico que permitia alterar o foco da imagem depois de registrada. Hoje, as câmeras de celulares fazem um truque parecido - Nokia, Sony, LG, HTC e Samsung são alguns dos fabricantes.

Porém, 175 anos depois da máquina de Daguerre, talvez estejamos próximos de um novo tempo na história da fotografia, onde poderemos deixar para trás certas limitações físicas e técnicas para alcançar um novo poder de interação entre o instante eternizado e os olhos de quem admira a imagem produzida.

Mas novidade mesmo é que a Lytro acaba de lançar sua segunda câmera, que já começa a demonstrar mais seriamente o que virá nas próximas.

Para Dr. Ren Ng, fundador e CEO da Lytro, estamos apenas no início de uma nova era, onde o software é muito mais relevante do que o hardware para permitir que fotógrafos possam ter mais controle em suas mãos. É o início de uma transformação do que entendemos ser fotografia.

“Essa tecno-

logia permite baixar muito o custo de equipamentos...”

É cada vez mais comum podermos fazer alterações em uma foto com ferramentas de software que utilizam matemática sofisticada para produzir uma nova imagem. Que tal capturar a informação de luz e interagir com ela depois que o “momento mágico” foi registrado? É o que se chama Light Field Photography (fotografia de campo de luz) e é produzido pelas câmeras da Lytro desde 2012. A teoria foi desenvolvida com base em estudo de mais de 20 anos da Universidade de Stanford. Tudo se baseia numa combinação específica de elementos óticos: um sensor digital baseado em uma enorme série de microlentes que produzem milhares de imagens simultâneas a partir de pontos de vista ligeiramente diferentes. E, é claro, um software, que através de técnicas de ray-tracing em 3D, recria a imagem com muito mais precisão do que nas fotografias tradicionais.

A Lytro Illum está em pré-venda por US$ 1.499,00 - provavelmente custará US$ 1.600,00 quando estiver no mercado - trazendo mais recursos em um formato mais tradicional. Com uma lente maior, zoom óptico de 8x, abertura constante de f/2.0, macro de 1:3, display de 4” e interface que permite testar a profundidade de campo, a Illum permite fotografias com velocidade de até 1/4000. Produz imagens extremamente definidas e oferece um grande possibilidade de pós-processamento. Permite ainda modificar a perspectiva da foto (efeito de paralaxe intencional), produzir imagens 3D, gerar animações ou permitir que a fotografia seja disponibilizada de forma interativa, para que qualquer um passeie pela imagem ou altere a mesma em seu próprio computador, tablet ou celular. Essa tecnologia permite baixar muito o custo de equipamentos, aumentar a qualidade das imagens e corrigir distorções das lentes e, num futuro não muito distante, permitirá gravar vídeo (ou cinema) e refinar o foco e a perspectiva de enquadramento durante a edição. Se a fotografia como conhecemos permite que grandes artistas nos transmitam o que foram capazes de enxergar, talvez as novas ferramentas nos permitam descobrir novas imagens nos passeios que poderemos fazer pelo trabalho desses artistas. E, como co-criadores, poderemos ver as imagens ainda mais como elas nos parecem ser.

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C

omo disse Cartier Bresson, “O ato criativo dura apenas um breve momento, um instante relâmpago, apenas o tempo suficiente para que você possa apontar a câmera e capturar a presa em sua caixinha”. Mas como é difícil, enxergar tal momento mágico e conseguir aproveitá-lo.


Lytro 1a geração - quase brinquedo

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Lytro Illum


PAÍS DA PIADA PRONTA – DE MAU GOSTO

Zeca Salgueiro zecasalgueiro@gmail.com

Gosto de escrever sobre fatos cotidianos e fazer piada com a realidade, mas desta vez prefiro um texto um pouco mais sério. Não sisudo, sério. Aqui no Brasil as pessoas estão perdendo o senso da realidade achando que tudo, tudo mesmo, é normal, que pode ser assim e, se sempre foi assim, não tem jeito. Realidade mistura-se com ficção, fazendo do nosso dia a dia uma comédia nonsense misturada com freak show. Duvida? Um leão fugiu de uma unidade de reabilitação de animais em Monte Azul Paulista (SP) e o seu ex-dono foi acusado de sequestrá-lo. Dias depois o mesmo foi encontrado na fazenda do ex-dono, em Maringá (PR), mas a polícia queria saber se era o mesmo leão. Quantos leões ficam andando por Maringá? E se havia mais de um leão na fazenda, como saber qual é qual? Pedindo documento de identidade? Uma juíza da cidade de São Paulo condenou um sem-teto à prisão. Prisão domiciliar. É. Um caso de roubo de galinha – não é figura de linguagem, duas galinhas foram roubadas – foi parar no Supremo Tribunal Federal. Já imaginou os ministros do Supremo julgando isso? Vai acabar em canja.

Sobre a Copa no Brasil: o representante da seleção de Portugal foi a Campinas (SP), para assistir a apresentações culturais portuguesas e também visitou as futuras instalações de treino de sua seleção. Seu comentário: “Fui até ao aeroporto e achei tudo muito parado; depois fui até o estádio e achei tudo muito parado. Ainda tem o problema da epidemia de dengue, mas acho que no final tudo dará certo!”. Como assim? Não dá pra dar certo. Pense no Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo atualmente, infectado com dengue. Você acha que ele vai jogar se estiver mais mole do que um pastel de Belém? Ainda sobre a Copa, cinco estádio não terão internet banda larga em suas dependências – inclusive o da abertura da competição, em São Paulo. E o consórcio que ganhou a concessão do aeroporto do Galeão, na cidade do Rio de Janeiro, disse que só terá tempo de modificar a sinalização, consertar as escadas rolantes e limpar os banheiros. Tá. E para fechar, domingo, dia 04 de maio de 2014, tivemos mais um triste caso de violência nos estádios, com a morte de um torcedor atingido por um vaso sanitário (!). É mais do que apatia, é psicopatia. É mais do que a banalização da violência. É morrer por merda! Sem piada.


BWINCOLOR EDIÇÃO #08 JULHO | 2014 ISSN: ISSN 2318-194X BLACK&WHITEINCOLOR CONTATO: | PHONE: 11 2532.0549 | MOBILE: 11 98208.3698 | EMAIL: CONTATO@BWINCOLOR.COM.BR A BLACK&WHITEINCOLOR é uma publicação bimestral para multiplataforma desenvolvida para web, iPads, desktops, laptops e também na versão impressa DISTRIBUIÇÃO DA REVISTA CANAL DIGITAL: WWW.ISSUU.COM/BWINCOLOR APP - APPLE STORE HTTP://MIGRE.ME/I2BSO SITE DA REVISTA WWW.BWINCOLOR.COM.BR

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ENTREVISTA COM: Mario Mancuso Italiano, 48 anos, residente em Nápoles. Este é Mario Mancuso, Streetphotographer que adora fotografar as ruas de sua cidade e as pessoas que ali transitam. NÃO PERCA NA PRÓXIMA EDIÇÃO DA BLACK&WHITEINCOLOR

Este produto é impresso na - uma empresa comprometida com o meio ambiente e com a sociedade, oferecendo produtos com o selo FSC©, garantia de manejo florestal responsável.


já estamos trabalhando na próxima edição

BLACK&WHITE IN COLOR #07 - Pt  

Versão em Português - 54 anos de belas linhas, lições de fotografia que o cinema ensinou, fineart em casamentos, fotografia analógica hoje,...

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