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EDIÇÃO #04 | 11 2013


“If you want to know what equipment I use, ask me. But if you want to know how I do my photos, ask my heart.”


#04

CARTA AO LEITOR Informação perdida. Você já pensou nisso quando fez alguma de suas fotos? A informação perdida se refere a contemplar a experiência tridimencional ao fotografar seu tema. São os pontos que atuam para criar a atmosfera que você deseja capturar, mas que não estarão visíveis na imagem. São reflexões de como esses pontos afetam o “silêncio” da sua foto e quais são os meios visuais que podem incluí-los em sua imagem. Apresento aqui alguns exemplos: Músicas, sons da rua, o cantar dos pássaros, cheiro de café, da grama, flores, o clima quente ou frio, a forma de falar, seus dialetos, entre outras coisas. Trazer a informação perdida e criar uma foto que contenha a humanidade do momento, a fotografia realista, o que na verdade não é suficiente pois é preciso haver a percepção, e os dois juntos podem fazer uma boa foto. E porque estou falando aqui de algo que poderia na verdade ser um artigo? Simplesmente porque para produzir a BLACK&WHITE IN COLOR, precisamos trabalhar inicialmente a informação perdida pois é nela que mora a essência para impulsionar a todos nós colaboradores a lapidar assuntos e transformá-los em artigos. Estamos sempre pesquisando o que está rodeando a boa foto. Buscamos as informações perdidas no tempo e espaço para apresentar o melhor de nós através das palavras e de imagens.

Queremos que a cada edição, você possa refletir e imaginar o que estava por trás do texto lido e o que tentamos transmitir. Uma coisa é certa; a cada publicação aprendemos mais sobre este mundo da fotografia e descobrimos que ainda estamos muito longe do real posicionamento da arte que circunda esta realidade. Porque? Simplesmente porque a cada dia que passa a fotografia toma novas formas de se apresentar, talvez querendo nos confundir ou para nos fazer aprender com a evolução que o “admirar uma bela imagem” nos proporciona. Esta edicão está recheada de histórias, de experiências e lições de vida de profissinais que vivem da arte e dos que a tem como uma forma de melhorar o seu dia a dia estressante. Espero que gostem da última edição de 2013. Boa leitura. Marcello Barbusci


OS COLABORADORES

Beto Andrade

Cristiano Xavier

Erico Mabellini

Simão Salomão

Tiago Henrique

Otavio Costa

Rui Costa

William Silveira

Designer gráfico e proprietário da Original Design. Premiado no London International Advertising Awards e em bienais de design e fotografia.

Autodidata e de personalidade idiossincrática atualmente dedicado a Fotografia de rua e Design Gráfico é apaixonado por expressões artísticas, filosofia e coisas que desafiam nossa maneira de ver o mundo.

Mineiro de Belo Horizonte, Cristiano Xavier é fotógrafo atuante em publicidade, industrial, gastronomia e Fine art desde 2002. Na área autoral desenvolve a 14 anos um amplo trabalho de pesquisa em fotografia noturna, usando como meio de captura diversas câmeras digitais , películas 35 mm e grande formato 4x5.

Empresário nas áreas de produção de vídeo e interatividade. Há mais de 20 anos utilizando as mais recentes e inovadoras tecnologias na comunicação digital, produção de vídeo e multimedia interativa.

Mais de trinta anos atuando como fotógrafo em diversas áreas. Jornalista e graduado em Direito, com especializações em Direito Autoral e Ambiental. Leciona Fotografia e História do Direito. Fundador e editor da ONG Tribuna Animal, atualmente dedica-se à fotografia de animais e natureza.

Profissional de TI desde 1999, apaixonado pela fotografia desde que se lembra. Em breve trocará definitivamente os teclados pelas lentes porque a vida deve ser vivida apaixonadamente. Colaborador internacional diretamente de Portugal

Fotógrafo free-lancer. Paulistano apaixonado por sua cidade, dedica boa parte de seu trabalho autoral na documentação de São Paulo, suas mudanças e permanencias. Fotografa há mais de 30 anos.

Fotógrafo professional e professor de fotografia desde 1997, William Silveira atuou em diversos campos, como fotojornalismo, publicidade, fotografia de vela oceânica e outros. Nos últimos 10 anos, leciona fotografia em um renomado estúdio e desde 2011 é o responsável pelos projetos NIKON SCHOOL e NIKON PROFESSIONAL SERVICES da NIKON DO BRASIL.


#04

Leonardo Souza

Paulo Kassab Jr.

Zeca Salgueiro

Walter Willets

Fotógrafo e aluno da Academy of Art University em San Francisco, California, com especialidade em Fine Arts e Prints. Colaborador internacional diretamente dos Estados Unidos.

Luthier, músico e admirador da boa arte porém a arte que se entende não a que cria dúvida sobre ser ou não ser arte.

Sócio fundador da Galeria LUME, formado em Comunicação Social pela ESPM e com mestrado em Gestão Cultural e Artística em París.

Thomas Leuthard

Marcos Sêmola

Diretor de TI e apaixonado por FMarcos Sêmola, Brasileiro nascido em fotografia. Colaborador internacio- 1972 na cidade do Rio de Janeiro e cidadão Italiano pela dupla cidadania. nal diretamente da Suiça. Autor de livros sobre gestão de riscos da informação, autodidata e fotógrafo, este, amador pela simples concepção do termo. Membro da ABAF e da London Independent Photography.

Transforma papel em impresso e impresso em resultados. Atualmente incorporando o mundo online ao mundo offline, com curiosidade pelos resultados que se podem alcançar a partir desta união.

PENTAX 67


MOSAICO MINUTO

FOTOGRAFIA NO MERCADO

A FOTOGRAFIA MAIS TECNOLÓGICA

IDENTIDADE! EU QUERO UMA

Os resultados de 2013 e o que está por vir em 2014

O desenvolvimento da fotografia no mercado de arte e suas implicações

Uma abordagem mais tecnológica do que é ser fotógrafo nos dias de hoje.

A onda humana galopa numa espumarada bravia, sem descanso

RUI PALHA

PEPE MÉLEGA

UM MUNDO DIGITAL NO PAPEL

ENSAIO BWINCOLOR

Sinônimo de streephoto esteja ele onde estiver

O Street Pescador que apresenta seu olhar em forma de arte

A evolução da impressão digital e o que ainda está por vir.

Tudo que é solido desmancha como areia por Geraldo Magela

PORQUE A FUJIFILM X-E1

CALIFORNIA SIERRA NEVADA

DIFERENTES CIDADES DIFERENTES REAÇÕES


DIREITO DA IMAGEM

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

É PRETO NO BRANCO

Terá o fotógrafo o direito de expô-los como bem lhe aprouver, em qualquer local ou momento?

E viva o Digital! Latas de cromo já meio oxidadas com a inscrição “For Professionals”.

É preto no branco... ...ou as cores da vida?

MÁRCIO PIMENTA E OS PESCADORES DE TAINHA

ALVERAZ RICARDEZ E O SUBMUNDO DE LOS ANGELES

A CIDADE MÁGICA

FRAGMENTOS DO NEGATIVO

CLICK E SAIBA MAIS Do meio de qualquer assunto, brotam outros interesses relacionados.


GALERIA DO LEITOR Luciene Zanette

Fernando Bernardes

Amauri Souza Santos


Frank Andrey

Mario Mancuso


J B Segundo

Mauro Adriano Maia

Alexandra Thomann


Melissa Hipolito

Paulo Moreira


Alexandre Urch

Edson Marcio Thomaz


Julien Sanine

Matheus JosĂŠ Maria


MUSEU DA CIDADE DE SÃO PAULO CASA DA IMAGEM

TESTEMUNHA OCULAR FOTOGRAFIAS DE JUCA MARTINS REPAISAGEM MARCELO ZOCCHIO ATÉ 04 DE MARÇO DE 2014 DE TERÇA A DOMINGO | DAS 09H ÀS 17H

RUA ROBERTO SIMONSEN, 136-B SÃO PAULO SP (METRÔ SÉ) T (11)3106 5122 WWW.MUSEUDACIDADE.SP.GOV.BR


N DIREITO DA IMAGEM

Erico Mabellini erico@mabellini.fot.br

os dois artigos anteriores discorri sobre os direitos dos fotógrafos, mas todo aquele que possui um direito também é responsável por uma obrigação. Escrevi nos artigos anteriores que as obras fotográficas são um direito do autor, mas e os personagens e objetos que as compõem. Terá o fotógrafo o direito de expô-los como bem lhe aprouver, em qualquer local ou momento? Para evitar prováveis dissabores para o profissional (ou não) da fotografia é que este artigo é redigido. Assim como o Direto do Autor, o Direito à Imagem está também protegido por nossa Constituição Federal de 1988, que garante a proteção do direito à imagem em seu artigo 5°, nos incisos ...”V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;... ...X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; ... e... ...XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;

b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;”... Partindo dos preceitos acima compilados da Constituição Federal pode-se afirmar que: a utilização da imagem de forma indevida traz consigo o direito à indenização, se o resultado for prejudicial à honra, a reputação ou se trouxer prejuízos materiais ao detentor desse direito. Também é possível afirmar que: a divulgação da imagem se dará, conforme os termos estabelecidos contratualmente, gerando obrigações para ambas as partes. Para utilização da imagem alheia há que se observar os termos do acordo pactuado. Atentando-se para o fato de que o uso da imagem pode ser revogado, como qualquer outra concessão de direito. São diversas as situações em que o fotógrafo estará perante uma situação a qual poderá ensejar um conflito referente ao Direito de Imagem, vejamos alguns deles: Ao fotografar políticos e artistas


Estes poderão estar inseridos na classificação de pessoas publicas e/ou notórias, e tanto as pessoas públicas quanto as notórias podem ter sua imagem divulgada, sem necessidade de autorização, desde que a veiculação ocorra em um contexto informativo. Contudo, mesmo com caráter informativo a publicação pode gerar constrangimentos. Ou seja, caso a atividade na qual a pessoa é fotografada não tenha uma relação direta ou indireta com sua atividade artística, politica ou profissional e o momento do registro da imagem enseje algum constrangimento, haverá a possibilidade de uma reparação. A divulgação da imagem de pessoa comum que esteja próximo à pessoa publica e/ou notória e que possa ser distinguido, poderá também ensejar uma reparação dependendo da situação. Se a pessoa retratada é pública ou famosa, é livre a utilização de sua imagem para fins somente informativos, ou seja, não comerciais. Também é permitida a utilização da imagem realizada com objetivo eminentemente cultural, haja vista que a informação deve prevalecer sobre o interesse particular do indivíduo. Isso tornará a utilização da imagem permitida, ainda que sem o consentimento do retratado. Modelos publicitários Assim decidiu o Supremo Tribunal Federal, especialmente depois da edição da lei de direitos autorais brasileira que cuidou da proteção à imagem da pessoa retratada “de 1982 - relator Ministro Rafael Mayer: Direito à imagem. Fotografia. Publicidade Comercial. Indenização. “A divulgação da imagem da pessoa, sem o seu consentimento, para fins de publicidade comercial, implica em locupletamento ilícito à custa de outrem, que impõe a reparação”. Os contratos de fotografia publicitária devem ser redigidos claramente quanto à quantidade de anúncios a serem veiculados, em que tipo de veículo ou local e por qual limite de tempo, além da dimensão em que será ampliada a imagem do fotografado. O tema também foi abordado por Rodrigues, em artigo publicado na Revista dos Tribunais: “A pessoa é conhecida e reconhecida mediante a imagem do próprio aspecto exterior ou imagem física. O direito a imagem assegura ao retratado o direito de impedir reprodução ou veiculação de sua imagem, dentro de certos limites. Possuí, portanto, duplo conteúdo, um positivo e outro negativo.

“O primeiro configurado pela faculdade exclusiva de o interessado difundir ou publicar sua própria imagem e o segundo, entendido como direito de impedir a obtenção ou reprodução e publicação por um terceiro.” (RODRIGUES, Cláudia. Direito autoral e direito de imagem. Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 827, p. 59-68, set. 2004). Miséria Tema bastante recorrente de fotógrafos brasileiros e estrangeiros é a miséria de determinado povo. Algum tempo atrás muitos de nossos colegas fotógrafos (no Brasil e exterior) já ganharam prêmios (inclusive em dinheiro) com fotos de miséria sem que nada recebessem os fotografados, salvo raras exceções. A lei portanto protege a imagem desses cidadãos que merecem o respeito à sua dignidade. Por isso ao serem fotografados também haverá a necessidade de sua anuência, caso isso não seja possível por escrito, é importante que o fotógrafo tenha um colega ou assistente ao seu lado para que sirva como testemunha em um eventual processo por danos morais. No caso de o fotógrafo estar só, também poderá fazer prova a filmagem na qual a pessoa fotografada aceita ser fotografada e para qual finalidade a fotografia será utilizada, hoje em dia isso é fácil de executar, haja visto que quase toda câmera digital também é uma filmadora. São estes direitos autônomos e passíveis de reparação independentemente de sua repercussão patrimonial – ou seja, de sofrerem dano moral. Firma-se portanto a ideia de que o princípio da dignidade da pessoa humana não visa apenas a assegurar tratamento não degradante e proteção da integridade física do ser humano, sua dignidade de imagem também deve ser protegida. Conflitos armados, manifestações, catástrofes e acidentes Existem fatos passíveis de divulgação independentemente de eventual violação aos direitos de personalidade ou imagem – como conflitos armados, manifestações populares, catástrofes e acidentes, que têm evidente interesse jornalístico. Quando a fotografia que expõe determinada pessoa está claramente vinculada a um momento deste tipo, de maneira geral não há que se cogitar a violação do direito à imagem. Assevera-se, contudo, que a pessoa deve figurar como acessória dentro do contexto – sem ênfase em sua individualidade.


Uso comercial ou institucional de fotos no local de trabalho O STJ já decidiu, que a simples veiculação de fotografia para divulgação, feitas no local de trabalho, não gera, por si só, o dever de indenizar, mesmo sem prévia autorização. No caso (Resp 803.129), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos contratou profissional em fotografia para a elaboração de panfletos e cartazes. O objetivo era divulgar o atendimento aos alunos e ao público frequentador da área esportiva. Além das instalações, as fotos mostravam o antigo técnico responsável pelo departamento no cumprimento de suas funções. O técnico entrou com pedido de indenização pelo uso indevido de sua imagem. Ao analisar o recurso da universidade, o ministro João Otávio de Noronha entendeu que as fotos serviram apenas para a divulgação dos jogos universitários realizados no local onde o técnico trabalhava. “Nesse contexto, constato que não houve dano algum à integridade física ou moral, pois a Universidade não utilizou a imagem do técnico em situação vexatória, nem tampouco para fins econômicos. Desse modo, não há porque falar no dever de indenizar”, explicou o ministro. Pessoas comuns em ambientes públicos Os fatos que ocorrem em locais públicos ou com amplo acesso a pessoas, como um restaurante ou um saguão de hotel, são em tese amplamente noticiáveis. Reproduzir imagens captadas em local público, ou em eventos de interesse coletivos, é viável, desde que a pessoa retratada, seja um acessório do acontecimento. Sabe-se que, uma vez que o titular de determinada imagem autorize sua utilização, esta se torna permitida. Ocorre, contudo, que o consentimento deve ser interpretado restritivamente, uma vez que o assentimento em se deixar fotografar não inclui sua publicação; tampouco a concordância com determinada publicação não abrange outros usos. Resumindo, uma vez autorizado você poderá fotografar aquela pessoa que lhe chamou a atenção para aquela determinada foto, mas não poderá utilizá-la à vontade e para qualquer objetivo que almeje. Para isso deverá existir uma autorização específica.

De qualquer maneira é sempre bom evitar fotografar os funcionários de uma empresa em seu local de trabalho, as fotos poderão inclusive fazer prova contra o seu cliente no caso de uma futura ação trabalhista. Para essa finalidade de preferencia a modelos profissionais que poderão atuar como se funcionários fossem. Animais e Objetos particulares - Licença de Uso da Imagem Para poder usar uma foto que contenha um animal ou objeto que possuam um proprietário específico, tanto você quanto o seu cliente deverão firmar um contrato com o proprietário, que será o contrato para Licença de Uso de Imagem. Ou seja, o cavalo de raça que está posando para uma foto de carros deverá ter o consentimento de seu criador, lembre-se de que os animais possuem características de objetos para a Lei Civil. E isso também acontece se na sua foto aparecer qualquer objeto de autoria conhecida (como uma garrafa da Coca Cola) – o responsável pelo objeto deve dar a Licença de Uso da Imagem deste objeto.


Foto: Erico Mabellini Felino: Kinder Animal resgatado e adotado pelo “Projeto SOS Felinos”- São Paulo - SP


é outra. A verdade é que o direito autoral tem um objetivo claro, preciso e reconhecido internacionalmente: proteger o autor e impedir a exploração ilícita de sua obra. Ora, se a obra colocada em logradouro público não está em “domínio público”, o autor continua exercendo sobre ela seus direitos patrimoniais e morais. A obra posta permanentemente em logradouro público pode ser representada. Não pode ser reproduzida em qualquer escala, notadamente se for para fins comerciais, como quase sempre - abusivamente- acontece.” (Direito Autoral Dúvidas & Controvérsias, Harbra, 4ª. Ed., págs. 97/98). Isto posto podemos concluir que a fotografia é permitida por lei, o que não poderá ocorrer é a cópia em qualquer escala das obras contidas no espaço publico. Arquitetura As leis são claras, se estamos na rua, e quisermos fotografar um prédio, temos esse direito e ponto. O que poderá ser discutido judicialmente é a questão da venda da imagem, mas não é discutível o direito de fotografar um prédio, um monumento etc. Foto: Erico Mabellini Exposição do fotógrafo Sebastião Salgado - SESC Belenzinho - São Paulo - SP

Obras localizadas em locais públicos A lei autoral vigente dispõe por seu art. 48, que: ...”Artigo 48- As obras situadas permanentemente em logradouros públicos podem ser representadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos audiovisuais.”... No entanto essa situação poderá gerar outros entendimentos contraditórios, principalmente como vem ocorrendo em parques públicos, o saudoso autoralista PLINIO CABRAL assim se expressou sobre o tema: “Não é assim. Trata-se de patrimônio público, sem dúvida. Mas um patrimônio sobre o qual existem direitos morais e materiais do autor. Pode a obra em logradouro público ser reproduzida? A lei não fala em reprodução. Fala em representação e exemplifica: por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos audiovisuais. Já de início temos uma conclusão: uma estátua pode ser representada, dentro daquilo que a lei indica, mas não pode ser reproduzida, ou seja: não se pode dela fazer cópias em qualquer escala, grande, pequena, ou mesmo minúscula, para adornar chaveiros ou lembranças do local, o que é muito comum. Portanto, a representação é uma coisa; a reprodução

Mas o problema é que as leis têm interpretações. Na prática, todo objeto que esteja na via publica poderá ser fotografado. Edifícios públicos podem ser fotografados internamente mas a imagem não pode ser comercializada ou ser utilizada como fundo em campanha publicitária. Já os prédios particulares precisarão de autorização caso o seu responsável venha a exigir. Para essa finalidade será necessário redigir uma autorização onde conste a intenção detalhada e sua responsabilidade e/ou de seu cliente sobre a imagem captada. Lenda Urbana Conta uma lenda urbana que ocorreu o seguinte fato com um fotógrafo de determinada publicação de grande circulação: “Estava o fotógrafo exercendo seu ofício em um bar muito badalado e frequentado pela elite da noite paulista, fotografava ele as instalações e seus clientes. Uma das fotos que realizou foi uma imagem de ângulo aberto que realizou do mezanino do estabelecimento, captando os frequentadores que estavam no piso inferior. Um casal de frequentadores que aparece na foto de mãos dadas não era casado civilmente entre si e sim com outros parceiros. A foto foi publicada e gerou a separação de ambos


Foto: Erico Mabellini Vista aérea do edifício Martinelli - São Paulo - SP


os casais, não sem antes um demorado e custoso processo judicial contencioso. Solucionada a separação, um dos envolvidos no caso de adultério que culminou na separação contenciosa, entendeu que o que dera inicio a tudo fora a fotografia, e em razão disso abriu um processo de indenização por Danos Morais e Patrimoniais contra o fotógrafo”. Bem, esta é uma lenda urbana, um tanto exagerada, e que não é sabido se de fato ocorreu, e se ocorreu qual foi o desfecho para o fotógrafo. De qualquer forma é bom estarmos atentos, pois uma ação judicial, seja ela ganha ou perdida sempre irá gerar gastos e perda de tempo para ambas as partes.

Nas fotos em que não seja possível identificar a pessoa, como em paisagens, e algumas fotos de praças não há com o que se preocupar.

Um caso real e semelhante Um erro na publicação de coluna social também gera indenização. O entendimento é da Quarta Turma, ao condenar a empresa jornalística Tribuna do Norte ao pagamento de R$ 30 mil por ter publicado fotografia de uma mulher ao lado de seu ex-namorado com a notícia de que ela se casaria naquele dia, quando, na verdade, o homem da foto se casaria com outra mulher (Resp 1.053.534).

Este artigo não tem a pretensão de exaurir o tema, nem mesmo de afirmar verdades ou certezas. O Direito é uma ciência humana, e como tal é passível de diversas interpretações e revisões.

Para o colegiado, é evidente que o público frequentador da coluna social sabia se tratar de um engano, mas isso não a livrou de insinuações, principalmente porque o pedido de desculpas foi dirigido à família do noivo e não a ela. “De todo modo, o mal já estava feito e, quando do nada, a ação jornalística, se não foi proposital, está contaminada pela omissão e pela negligência, trazendo a obrigação de indenizar”, afirmou o ministro Fernando Gonçalves, atualmente aposentado. CONCLUSÃO Apenas o ato de fotografar não traz o risco de uma ação indenizatória. Esse risco irá ocorrer caso haja a exposição ou a invasão da privacidade das pessoas ou a utilização comercial de um animal ou objeto particular. No caso de existir qualquer espécie de divulgação, tanto de natureza artística quanto de natureza comercial, a pessoa que teve sua imagem divulgada poderá requerer, judicialmente, o pagamento de utilização de imagem, exceto quando se tratar de pessoas públicas (políticos, celebridades, atletas, artistas, profissionais de destaque) que estejam em local público ou em locais particulares onde você, como fotógrafo tenha autorização para fotografar.

Para evitar aborrecimentos peça autorização das pessoas para fotografá-las. Capte o momento, faça a foto e, seja gentil, ofereça enviar uma cópia daquela foto, gratuitamente para a pessoa fotografada. Quando se tratar de menores de idade, muito cuidado. Para fotografar e exibir essas fotos você precisará de autorização dos pais ou responsáveis e é aconselhável que os mesmos estejam presentes no momento da foto.

Tal qual na Medicina, nas questões de Direito o importante é realizar corretamente a profilaxia, depois que a doença se instala não adianta nada culpar o doutor ou reclamar dos remédios amargos e de seus desagradáveis efeitos colaterais. Fontes: Casa Civil http://migre.me/gs2u6 Âmbito Jurídico http://migre.me/gs2Ad STJ - Superior Tribunal de Justiça http://migre.me/gs2CM APAMAGIS http://migre.me/gs2EL APIJOR http://migre.me/gs2Hi


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LÚCIO CARVALHO “AVESSOS” 28/NOV/2013 A PARTIR DAS 19h CONTATO@GALERIALUME.COM T: +55 11 3704-6268


U FRAGMENTOS DO NEGATIVO

ma busca, uma descoberta, um encontro. Seguindo minha intuição, vou me redescobrindo, evoluindo, auto me conhecendo. Assim, vou aprendendo e desenvolvendo a técnica na qual encontro as imagens dentro dos negativos. Um negativo pode ter várias, uma, ou nenhuma imagem. O processo de criação é natural e complexo, tenho a necessidade de me envolver com cada projeto. Gosto de conhecer pessoas, conversar, escutar suas histórias, trocar olhares, sorrisos, é essencial para eu ser aceito e não me sentir um estranho.

Leonardo Souza leonardo@leonardosousa.com

Sempre visualizo o projeto sendo finalizado com uma série de imagens que irão transcrever fragmentos da minha vida, das pessoas e dos lugares envolvidos. O que me encanta e fascina são as pessoas que conseguem transformar a realidade através da arte. Artistas de rua, celebrações religiosas, festas populares, festivais de arte e de cultura tradicionais. Tudo que tem como objetivo celebrar a vida, resgatar valores e tradições. Essa fé, vontade grande, força maior, capaz de mover multidões das mais diferentes tribos, consegue realizar sonhos e fantasias, criando coisas incríveis e muitas vezes jamais imaginadas antes. É contagiante a energia e basta olhar a expressão no rosto, o brilho nos olhos e ver as pessoas realizadas e vivendo toda sua alegria. Penso que elas queriam que esses momentos jamais acabassem. Imagino que esses raros fragmentos dão um sentido maior para nossas vidas e fazem parte dos melhores momentos de nossa história. Graças à liberdade e a sensibilidade da fotografia, posso ir além do que os olhos estão enxergando, viver tudo isso e eternizá -los. Isso para mim não tem preço. É nisso que me realizo. A nitidez não é meu foco, pois ofusca todo o mistério. Somente me interessam as imagens borradas, seja ela uma grande abstração ou os sincronizados e perfeitos movimentos.

Não utilizo flash, não faço fotometria, sempre utilizo a percepção e a compensação para controlar a quantidade de luz, às vezes uso tripé e muitas vezes não, o enquadramento quase sempre é apontado pela intuição, sem olhar o visor da câmera. A surpresa é sempre bem vinda e essa ideia de capturar as coisas que nem nós percebemos me fascina e dá um toque muito especial. Não utilizo photoshop para fazer montagens ou retoques, gosto das imagens como elas são e 90% de todo o trabalho de edição é realizado no lightroom. Sempre que sou escolhido para fotografar cada projeto, minha intuição fala: “Vai que é esse!” Nessa edição da BLACK&WHITE IN COLOR apresento a série Dance of Light que acabo de finalizar. Mostra a dança e seus perfeitos, sincronizados e suaves movimentos. Agradeço à Cia de Dança Tatiana’s Ballet e a toda sua equipe de professores e bailarinas (os) por terem me aceito. Durante 6 anos vivemos momentos repletos de alegrias, emoções e conquistas. Uma atmosfera motivadora toma conta de todos e juntos eles vivem um sonho através da arte da dança. Disciplina, amor e dedicação são palavras chaves que contagiam todos do grupo. É indescritível a força de vontade, união e esforço de todos em busca da perfeição. A coragem com que enfrentam as dificuldades e como conseguem superar todos os obstáculos que apareceram pela frente esforçando-se por meio de pés que vão ficando calejados e lesionados. O cansaço físico e mental, a dificuldade financeira e tudo que aparece são vencidos por paixão pela dança. É muito comovente presenciar tudo isso e ver o sacrifício que fazem para se apresentarem no dia do grande espetáculo e nos festivais. Acredito que esses são os momentos mais marcantes e importantes na vida dos bailarinos.


No dia do grande espetáculo uma energia diferente toma conta de todos. A adrenalina, a euforia, o palco, os familiares presente, a plateia agitando, não tem como explicar por palavras, somente quem já foi bailarina(o) sabe o que estou tentando definir. Essa energia fica ainda mais intensa nos Festivais Internacionais e Nacionais. O diretor Bess Kargman em seu premiado documentário “First Position” retrata muito bem o que eu tentei descrever. Toda a série foi realizada nesses dias especiais de espetáculos ou festivais e foi tudo muito emocionante e mágico! Conhecer o que acontece atrás do palco foi fundamental para eu conseguir criar essa série e dar vida à essas imagens. Para mim não existe satisfação maior do que ver tudo isso pronto e eternizado, penso que eles devem sentir o mesmo quando terminam a coreografia e a plateia bate aquela salva de palmas… “Emocionante viver tudo isso!” Apenas consegui desenvolver tudo isso graças a um workshop transformador e revelador de fotografia autoral com o magnífico Claudio Edinger. Foi de extrema importância aprender a dar às imagens coesão, visualizar o que fazer e como fazer para criar algo único, marcante e original. Tenho uma grande admiração pela sua pessoa e sua fantástica obra de arte. Edinger me ajudou a selecionar a série Dance of Light , tirou meus mimos, excessos e o mais importante: sempre me encorajou a seguir em frente com meu trabalho. Sou eternamente grato de tê -lo encontrado em minha caminhada, exemplo de humildade, conhecimento e um trabalho genial. Busco conhecimento e inspiração na história da arte. Sem estudar a história da arte é muito difícil desenvolver qualquer coisa. Essa dica é para quem pensa em começar um projeto de fotografia autoral. Na pintura, no maravilhoso do romantismo e no surrealismo encontra -se a base de todo o meu projeto. Gosto da parte lúdica dos romancistas, de suas fantasias e como eles conseguem sonhar com a arte, em especial do genial artista E.T.A Hoffmann (1776-1822) o qual eu admiro toda a obra e a considero surreal em todos os sentidos. Dois de seus fantásticos contos deram origem a dois famosos ballet: “Copelia” e “O quebra nozes”. No surrealismo descobri toda a liberdade da fotografia. O poder de acreditar na imaginação, escutar o coração e técnicas para captar além do que vemos.

Além disso, o mais importante são as pessoas que acreditam e vivem seus sonhos, meu trabalho apenas é possível graças à energia desses grandes e maravilhosos artistas a quem sou eternamente grato de ter vivido momentos inesquecíveis. Como disse Anais Nin “Não vemos as coisas como elas são, vemos como nós somos.” Palavras e sentimentos não saem das imagens a criamos a partir de nossas próprias crenças pessoais e nossas experiências únicas de vida. Não pretendo criar rótulos e a liberdade esta presente em todo o processo de criação. Sinta-se livre para observar e se expressar, essa é a beleza da arte da imaginação. Minha vida é a fotografia é onde me completo e realizo e sou grato a todos que fazem parte dela: amigos, artistas, minha família e em especial meus pais “Vasco e Marlene” e a você que esta lendo e acaba de me conhecer. Muito prazer, meu nome e Leonardo Sousa, atualmente moro na Califórnia, Usa. Neste mês fui aprovado na Academy of Art University em San Francisco, onde vou estudar e me especializar em Fine Arts e Prints. Agradeço o Barbusci pela oportunidade de publicar nessa fantástica e linda revista de fotografia voltada para a arte.

Meu sonho sempre foi pintar. A fotografia me realizou esse sonho, onde o Universo é a Tela, a camera é o Pincel e a Luz é a Tinta. Leonardo Sousa.


CALIFORNIA SIERRA NEVADA

Cristiano Xavier cristianoxavier@cristianoxavier.com

A

cadeia de montanhas de Sierra Nevada, localizada no leste da California, estende-se no sentido Norte-Sul por aproximadamente 640 km. Sua altitude chega ao máximo de 4421m ao sul e abriga vários ecossistemas e parques nacionais incluindo o emblemático Yosemite , quintal de Ansel Adams.

da manhã sem saber previamente onde ir e o tipo de foto esperar é perda de tempo. Sendo assim a rotina era essa . Dormindo em barraca , dentro do carro ou em motéis de beira de estrada ,acordar muito cedo era mandatório , mesmo sabendo que o frio intenso seria nosso companheiro inseparável.

Em fevereiro deste ano passei 12 dias na face leste deste maciço rochoso conhecida como Eastern Sierra. Esta parte da cadeia de montanhas tem um regime de chuvas muito menor do que a face Oeste pois as massas úmidas que vem do Oceano Pacífico são bloqueadas e geram um fenômeno chamado de Rain Shadow .Este tipo de situação produz um clima mais previsível que facilita planejar melhor as fotografias.

As primeiras fotos eram sempre as noturnas no final da madrugada , o que possibilitava a correção da exposição a medida em que a claridade começava a surgir, além da temperatura ambiente minimizar o ruído da imagem. Depois vinha a decisão de procurar um primeiro plano interessante para compor com os primeiros raios de luz vermelha que iriam pintar a neve no topo. Pra isso era importante este primeiro plano estar um pouco distante para que pudesse ser comprimido numa tele de 80 a 100 mm e as proporções ficarem mais harmônicas dentro do frame. Após estes momentos cruciais o que viesse era lucro. Por volta das 08:30 já estávamos tomando café.

Por motivos geográficos óbvios esta região tem sua melhor luz sempre ao nascer do sol e isso faz com que o conhecimento e a pesquisa prévia das locações e a previsão meteorológica sejam de grande influência no sucesso das imagens. Acordar as 03:30 Cristiano Xavier


Meu equipamento era constituído de duas Canon 5DMK3 , três lentes zoom (17-40 mm ,24-105 mm e 100-400 mm ), tripé Gytzo Explorer, filtros e cabo disparador. O mínimo possível para captar as imagens que eu pretendia. Já foi o tempo que eu saía com uma mochila gigante com todo equipamento dentro. Vale muito mais a pena planejar bem e enxugar no peso. Até porque minhas costas não são mais as mesmas. No final da viagem eu terminava com os cartões cheios , um back-up em Hd externo e outro no lap top. O Hd era despachado na mala e o restante vinha comigo no avião. Minha busca pelas imagens é gerida pela busca da luz. Estar numa locação interessante é um ponto a favor mas sem uma luz que dê o toque de refinamento, a fotografia não é a mesma. Fica incompleta. Já uma luz única num local sem graça pode acabar numa imagem extremamente potente. É minha filosofia , até porque prefiro não depender muito dos sotwares e sim realizar o máximo na captura. Ter o prazer de além de fotografar , vivenciar a natureza.

Cristiano Xavier


Cristiano Xavier

Ansel Adams


ALVERAZ RICARDEZ E O SUBMUNDO DE LOS ANGELES POR MARCELLO BARBUSCI


SUBMUNDO DE LOS ANGELES

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

S

empre que ouvimos falar de Los Angeles, lembramos da cidade do cinema, das artes e das estrelas, o puro glamour, da Disneylandia original e muita diversão. Além de ser a Capital Mundial do Entretenimento, também é considerada um dos maiores e mais importantes centros financeiros do mundo. É a segunda cidade mais populosa dos Estados Unidos (a mais populosa é Nova Iorque). Com uma população de 3 792 621 habitantes, segundo o censo de 2010, é a cidade mais populosa do estado da Califórnia e do oeste dos Estados Unidos. Além disso, a cidade se estende por 1 302 km² no Sul da Califórnia e é classificada como a 13ª maior área metropolitana do mundo, com 17 700 000 pessoas espalhadas por grande parte do litoral sul da Califórnia. Recentemente conheci um profissional em um fórum de discussão o qual me chamou bastante a atenção por seu trabalho diferenciado. Ele, diferente do tradicional que todos vemos, começou a fotografar o submundo do glamour, o outro lado de Los Angeles e isso me interessou. Este projeto que ele criou está sendo apresentado dentro e fora dos Estados Unidos e em primeira mão aqui no Brasil através da BLACK&WHITE IN COLOR. Nas próximas linhas teremos um pouco do trabalho deste profissional.

Alveraz Ricardez é um fotógrafo que vive em Inglewood, Califórnia, com sua esposa e dois filhos. Como equipamento para suas prdouções ele utiliza uma Nikon D5100 com lente 35mm e para pós processamento usa Lightroom 4. Onde e quando foi produzida esta série Alveraz? Foi em local mais desconhecido do turismo?

Eu produzi esta série de imagens nas proximidades do centro de Los Angeles entre 28 de fevereiro e 15 de julho de 2013. Passei cerca de 2 a 3 dias por semana, entre nove horas da manhã e duas horas da tarde. Por que você escolheu centro da cidade de Los Angeles para sua primeira série street?

Esta foi a minha primeira série de streetphoto, então eu queria escolher o local com cuidado. Eu queria escolher uma área com diversidade tanto cultural como social. E o centro de LA parecia ser o local ideal para essa experiência. Eu comecei com um plano simples me concentrando em quatro quarteirões específicos para que eu pudesse me tornar íntimo das pessoas desta área e, claro, ficar mais familiarizado com a iluminação e cenário. As ruas são sombreadas por uma mistura de edifícios históricos em ruínas e as monstruosidades mais contemporâneas de arranha-céus empresariais. Encontrei um lugar que me convenceu. Mas esta série de fotografias era sobre as pessoas e a paisagem tornou-se secundária para as histórias que eu estava tentando contar. Esta série tornou-se a tempestade perfeita de caos e de verdade para mim. Eu acho que também revelou o melhor, e o pior da humanidade. Quando você diz, o melhor e o pior da humanidade, o que quer dizer com isso?

No cruzamento dos 4 quarteirões que uso como cenário, fica a 5th Broadway, um local onde eu via o ápice do desespero e, por vezes, a alegria.


Você encontra-se cercado por pessoas que têm sido tão derrotados em suas vidas, que se tornaram marginalizados e muitos encontraram nas drogas o seu único consolo. Isso nem sempre é o caso, é claro, mas é um elemento da condição humana. Eu sempre fui capaz de encontrar momentos de raiva e dor, e na próxima esquina, esperança e felicidade. Foi o cenário perfeito para a streetphoto que eu queria fazer. Seu trabalho traz um peso no resultado final das imagens. Isso foi planejado?

Não foi planejado, mas eu não fiquei surpreso com isso também quando eu comecei a ver os resultados. Eu sou um cara grande e minha câmera não é das menores. Eu sou a antítese da maioria dos fotógrafos de rua. Muitos deles têm a capacidade de entrar e sair sem serem percebidos. Com o meu tamanho e câmera eu não tenho esse luxo. Então, eu usei isso como minha vantagem. Eu nunca fui o rato no canto da cena. Eu sempre fui o urso que invadia a multidão. Não por escolha, claro, é apenas por quem eu sou suponho. Então, quando eu via um momento, eu mergulhava nele e tornar-se parte da experiência, doando-me totalmente a tudo o que estava acontecendo. É por isso que a maioria dos meus retratos são de pessoas que olharam diretamente em minha lente. Eu estava lá retratando o instante em que fui notado. Alguns fotógrafos de rua preferem estar do lado de fora da ação, olhando para dentro. Isso não é uma opção para mim. Aprendi a me integrar na experiência. Quando eu tenho sorte com um retrato, eu capturo algo mais profundo em seus olhos, a verdade por trás de tudo o que eles estavam passando naquele momento. O que eles estavam pensando ou envolvidos eu tento traduzir na imagem final e assim vislumbrar sua experiência. Eu não tenho certeza se conseguiria isso a partir de uma distância e sem ter os personagens desta história olhando para a lente. Mas isso é apenas a minha opinião. Alguns fotógrafos de rua provavelmente irão discordar. Alguns dos seus retratados apresentam um olhar zangado. Você encontrou situações hostis em algumas vezes?

Claro. Fui perseguido, empurrado e ainda tive uma faca puxada para mim. Ter um fundo budista me deu um pouco mais de paciência com a agressão eu suponho. Mais quando eu conseguia explicar o que estava fazendo e mostrando-lhes

a imagem eles se tornavam um pouco mais calmos. Porém mesmo após as minhas desculpas e explicações eles se mantinham ignorantes, ai eu simplesmente saia caminhando. Por ser grande, o mais hostil dos assuntos não conseguiu me empurrar longe demais. Estes momentos de raiva foram muito raros. A maior parte do tempo as pessoas nem sequer sabiam que eu estava fotografando eles. Podiam me ver tirardo fotos, mas achavam que estava fotografando algo por trás deles ou outro assunto completamente diferente. O que você aprendeu depois de produzir esta série e você irá retornar ao centro de LA para fazer uma nova?

Eu entrei neste projeto simplesmente pela experiência. Entrei sem expectativas. Agora, o sair tem uma compreensão mais profunda recheada de emoções por ter vivenciado como as pessoas reagem a várias situações onde são confrontados com suas necessidades gerando o desespero. Eu me apaixonei pelas pessoas no centro da cidade e, apesar de muitos dos assuntos não serem exatamente felizes eu os estava registrando. Todos tornam-se parte da minha vida e na verdade o projeto é todo deles Eu aprendi muito sobre mim também. Gerenciando minhas próprias emoções quando sob circunstâncias extenuantes foi esclarecedor. Quanto a voltar ao centro da cidade, é claro que eu vou. Esta série está apenas começando para mim. Eu encontrei uma paixão por fotografar as pessoas do centro da cidade e vou continuar fotografando enquanto eu puder. Quais são seus planos agora com a série e onde podemos encontrar mais de seu trabalho?

Esta série está em exposição na Blackstone Gallery, em Los Angeles e será exibida em Nova York, no final deste ano em uma galeria ainda não decidida (estou negociando entre 2 espaços). Eu tenho um livro de edição limitada da série que sai ainda este ano pela RED FOX PRESS e meu trabalho também pode ser encontrado no meu site em www.ricardezphoto.com.


Walter Willets wwillets@alphagraphics.com.br

Sempre gostei muito de fotografia e de fotografar momentos peculiares do cotidiano. Atualmente estou retornando ao assunto fotografia porque assim como a tecnologia vem avançando a passos largos nesse assunto, vem avançando também e com muita qualidade no assunto impressão digital. Fotografia de qualidade e impressão digital – e neste caso falo da impressão a laser – estão cada vez mais de mãos dadas. Sempre tivemos demanda de impressão digital para fotos, mas era comum vermos os fotógrafos profissionais torcerem o nariz quando viam o produto final. Meios tons, tons de pele, contraste e brilho eram sempre os problemas. Hoje finalmente temos opções muito atraentes e a custos muito competitivos.

Há quem não goste da contribuição que a tecnologia trouxe para o ramo, mas temos que dar o braço a torcer que se não fosse ela, coisas como impressão lenticular(*) (3D e FLIP) não seria possível. É a publicidade que tem tirado maior proveito desses aspectos da fotografia, e aos poucos, outros mercados vão começar a explorar os nossos sentidos com isso. Até então, nossa imaginação era a responsável pelas viagens que fazíamos ao apreciar fotoarte. Hoje temos inúmeros recursos que podem ser aplicados sobre o impresso e que fazem os nossos sentidos serem provocados. A consequência disso é o “call to action” que podemos causar no publico. A partir daí, nosso trabalho será colher melhores resultados. (*) A impressão lenticular é aquela impressão tridimensional que todo mundo conhece, onde se você move a cabeça de um lado para outro a imagem salta aos seus olhos e ao tato a imagem é áspera.

© Marcello Barbusci

UM MUNDO DIGITAL NO PAPEL

P

reciso confessar que escrever pela primeira vez para os leitores da BLACK&WHITE IN COLOR me causa um frio na barriga que há um tempinho não sentia. Essa revista entrou na AlphaGraphics pela porta da frente e já está, em pouco tempo, mostrando para o que veio.


N FOTOGRAFIA NO MERCADO

Paulo Kassab Jr. paulo@galerialume.com

este primeiro artigo para a revista BLACK&WHITE IN COLOR irei falar sobre o desenvolvimento da fotografia no mercado de arte e suas implicações. Um assunto um tanto quanto delicado. Em 2011, a fotografia Rhein II, de 1999, do fotógrafo alemão Andreas Gursky, foi vendida por 4,3 milhões de dólares, o valor mais alto alcançado por uma fotografia. O preço é ainda mais surpreendente por se tratar de uma edição de seis cópias. A elevação nos preços das obras da americana Cindy Sherman é igualmente impressionante. Em novembro do ano 2000, um dos seus quadros foi vendido por 98.265* euros e, oito anos depois, a obra foi revendida na Christie’s por 236.040* euros. Historicamente, os preços para fotografia de arte tendem a ser muito menores do que aqueles alcançados por artistas que trabalham em outro meio , mas isso parece estar mudando, embora lentamente. Há uma lista relativamente pequena de nomes que sempre se destacam no mercado, entre eles alguns fotógrafos do século XX como Richard Avedon e Irvin Penn, e artistas ainda vivos , tais como Sherman e Gursky. A cada leilão os nomes se repetem pelo simples motivo dos colecionadores sentirem-se mais confortáveis investindo em algo já consagrado.

Rhein II, de 1999, do fotógrafo alemão Andreas Gursky

No entanto, as vendas não se resumem apenas a estes artistas e cresce anualmente o interesse de investidores por jovens artistas, com maior potencial de valorização. Os números mostram um amplo crescimento do mercado ao mesmo tempo que grandes museus também começam a dar mais atenção à fotografia de arte. As exposições hoje seguem a tendência do colecionismo e temos visto um aumento de pessoas que querem se tornar colecionadores sérios de fotografia e entrar neste mercado bastante profundo. O restauro na fotografia Apesar do rápido desenvolvimento da fotografia como arte, principalmente no Brasil, onde este tipo de colecionismo, há alguns anos, era pouco difundido e conhecido, ainda restam muitas questões a serem debatidas. Uma das mais controversas segue sendo a questão do restauro da fotografia. Qual é o direito do colecionador quando sua obra se deteriora? Ele pode refazer uma imagem ou deve restaurá-la?


Toda obra tem um tempo de vida útil e o que atualmente é discutido na arte fotográfica já foi também discutido em outros meios. O papel de um restaurador é o de fazer de uma obra resistente ao tempo, recriando partes danificadas da obra com o cuidado para não alterar suas qualidades físicas e estéticas e assim, honrar seu sentido original. A alteração na obra é inevitável, mesmo que quase imperceptível aos leigos. Recentemente o livro “O tubarão de 12 milhões de dólares” fala de peculiaridades do mundo da arte e usa o como ponto de partida às análises, a obra “The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living” (a impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo), um tubarão num tanque de formol, do inglês Damien Hirst, vendido por US$ 12 milhões, em 2004, e que com o tempo, deteriorou e teve de ser trocado por um outro tubarão, novo. O livro fala de assuntos econômicos muito mais profundos no mercado de arte, mas que não vêm ao caso neste artigo. O que se assemelha muito à fotografia neste episódio é a possibilidade de reprodução de uma obra danificada.

The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living

Conversei com inúmeros colecionadores de fotografia que já tiveram suas obras danificadas pelo tempo ou por acidentes e cada um relata uma saída distinta adotada pelo artista/galeria. Enquanto alguns conseguiram refazer suas obras, obviamente com a condição de entregarem e destruírem as cópias antigas, outros tiveram que recorrer a restauradores. O problema no segundo caso é o fato de ainda não existirem métodos eficientes e seguros de restauro de fotografias, ou seja, o colecionador é obrigado a ficar com a obra mal acabada. Incontestavelmente, no caso de fotografias vintages, a única solução é o restauro, porém qual deveria ser a solução adotada para as fotografias atuais? Creio que o caminho mais correto é o respeito ao colecionador, que tem o direito à longevidade e conservação de sua obra, o que só será possível com um controle mais formal e rígido das tiragens. Desta forma, quem sabe num futuro próximo, a arte será vista como arte, independente do meio. * dados do site www.artnet.com


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E DIFERENTES CIDADES

stive em vários países fotografando nas ruas e sou solicitado em diferentes ambiente, os fáceis e os difíceis. Bem, existem cidades e culturas fáceis e há de fato alguns lugares muito difíceis. Porém a cidade em que vivemos é, normalmente, não a mais difícil do que as demais mas sim o local onde nos sentimos mais a vontade. Neste artigo irei falar sobre Diferentes Cidades, Diferentes Reações. Vamos começar a lista com a cidade mais difícil que eu já visitei, Marrocos.

Thomas Leuthard thomas@leuthard.ch

Marrakesh, Morrocos Eu estava em Marrakesh, Marrocos no início de 2013 em uma estadia de 5 dias para fotografar nas ruas com um amigo de Berlim.

Marrakesh, Morrocos

Foi uma viagem muito interessante, com muito para ver. O único problema foi que as pessoas estavam completamente contra câmeras. Primeiro de tudo, pensei que era por causa dos muitos turistas, mas percebemos que estávamos errados quando também as crianças foram fortemente escondendo de qualquer câmera que apontava para elas. Haviam pessoas que poderíamos fotografar porém somente os que estavam pedindo dinheiro. Todo mundo estava pedindo dinheiro para tudo. Por exemplo: dar uma indicação para chegar em algum lugar. Estávamos tentando contornar o problema de não sermos capazes de fazermos nossas fotos, pedindo ou fotografando de longe e pelas costas. Depois de um bom tempo tentando, conseguimos fazer algumas boas fotos, mas foi uma experiência difícil.


Mumbai, India Eu tive uma experiência completamente diferente em Mumbai , na Índia. Primeiro de tudo , havia um monte de gente na rua, quase todas as horas do dia. Não havia tantos turistas em alguns lugares e as pessoas estavam olhando para mim, um homem branco com uma câmera na mão passeando pela cidade. Eu acho que eles estavam olhando, porque eles estavam curiosos sobre o que eu estava fazendo em seus bairros. Para ser honesto, eu normalmente prefiro os lugares onde consigo ver a vida cotidiana em vez de atrações turísticas. Então, comecei a andar pelas vielas dentro das favelas sem um guia, por conta própria. Foi uma das melhores experiências da minha vida.

No início, as pessoas me olhavam como um suspeito por não saber quem eu era ou o que eu queria. Mas depois que eu estava acenando e sorrindo, todos passaram a sorrir de volta. Quando eu pedia por uma foto, só tinha respostas positivas. Havia até mesmo pessoas me pedindo para tirar o seu retrato, antes mesmo que eu as visse. Eu vi um monte de pessoas interessantes e muito incomuns, situações que não via no país que vivo. Do ponto de vista fotográfico, os povos da Índia pertencem à cultura mais aberta que visitei até agora.

Mumbai, India


Bucareste, Romênia Em Bucareste, as coisas eram de fato um pouco diferentes. Apontar uma câmera para o rosto de alguém que parece ser incomum e com um regime ditatorial, todo mundo acha que você é um espião. Especialmente as pessoas mais velhas que desconfiam de tudo e de todos. Por isso, foi um pouco mais difícil do que em outras cidades, mas eu não diria que foi impossível. Eu conheci vários fotógrafos e eles me ajudaram a falar com as pessoas depois de ter feito algumas fotos mais próximas. Normalmente ficava melhor quando eles descobriam que eu era um fotógrafo de rua da Suíça. Sugiro a qualquer pessoa que aprenda um pouco da língua local ou entrarem em contato com alguns fotógrafos locais para andarem com você. Ele irá ajudar muito depois que você conseguir explicar que quer somente tirar boas fotos locais.

Bucareste, Romênia


Beirute, Líbano Quando disse a meus amigos e familiares que iria para Beirute, em 2010, todo mundo ficou chocado e foi logo perguntando, o que você vai fazer lá? Fui convidado a participar de um workshop como para falar sobre streetphoto.

O povo de Beirute não entendia por que alguém faria uma fotografia nas ruas de um estranho.

Beirute foi a minha primeira e verdadeira viagem turística onde não viajei ao lado de pessoas conhecidas. Quando fui para lá, não tinha muitas certezas e para completar, estava cheio de dúvidas. Eu não conhecia ninguém na cidade a qual só se ouvia notícias ruins ou pelo menos lembranças não tão boas de seus povos. Mas acabou por ser a melhor decisão e uma das melhores viagens que eu havia feito até agora.

Depois de algumas explicações, ficou claro que eu era apenas um cara simpático com uma câmera na mão e todo mundo se apresentava feliz e com uma atitude positiva. Conheci muitas pessoas de mente aberta nas ruas de Beirute. Uma viagem incrível.

Felizmente eu estava andando na maioria das vezes com pessoas locais que poderiam explicar tudo.

Beirute, Líbano


Yerevan, Armênia Quando viajei para Yerevan eu não havia criado expectativas alguma. Para mim era apenas uma viagem para a capital da Armênia, algo sem preparação. Para mim foi uma cidade muito interessante, onde você pode ver que a diferença entre o velho e o novo, ricos e pobres é muito maior do que na região onde eu moro. Vi coisas que não via em meu país há mais de 20 anos. As pessoas não estão acostumadas com a fotografia, mas são muito abertas e amigáveis. É claro que eles não compreendiam porque um estranho andava com uma caixa preta nas mãos tirando fotos de pessoas comuns. E lá descobri que ainda existem mesmo pessoas que não sabem o que é e-mail. Foi uma experiência única fotografar em Yerevan.

Yerevan, Armênia


Istambul, Turquia Em alguns países da Europa Ocidental, existiram turcos que imigraram a 30-40 anos atrás. Lembro-me também que tinham alguns turcos na escola e que viviam em harmonia com todos. O problema é que muita gente da Europa Ocidental têm uma atitude negativa com base nesta experiência de imigração. Portanto, quando os Europeus viajam para a Turquia vão com este estereótipo formado na cabeça. Normalmente tento não ter nenhuma expectativa ou criar estereótipos em minha mente quando viajo para um país que nunca estive.

Istambul, Turquia

O povo turco é muito simpático e sua hospitalidade é excepcional. Quando você está em lugares muito turísticos, a maioria dos locais tentam te vender algo. Mas quando você anda pelas ruas fora do circuito turístico, é completamente diferente. Fui convidado a tomar chá por várias vezes, só porque estava curiosos e amigável, mostrando-lhes o interesse para a sua cultura e seus conhecimentos. O único problema é a língua , eu não falo turco e a maioria dos habitantes não falam Inglês . A experiência fotográfica fora do caminho turístico não tem preço.


Berlim, Alemanha A Alemanha têm provavelmente uma das leis mais fortes sobre privacidade no mundo. Fotografar nas ruas é, portanto, conhecida por ser complicado ou pelo menos, os alemães pensam assim. Para mim não existe diferença entre um país com ou sem uma lei. Você pode me chamar de bandido, mas para mim a fotografia de rua é um tipo de arte e não tem relação com as leis. Se você esquecer a lei, você pode fotografar normalmente em qualquer cidade alemã e as pessoas normalmente não irão se importar por estarem sendo fotografadas. Os que mais se preocupam são os radicais alemães que pensam que ser os advogados e que precisam te convencer de que a fotografia de rua é um crime e não é ética. A Alemanha não é diferente quando se trata de fotografia de rua. É a mente do fotógrafo, que define a limitação de não ser capaz de fotografar, e não a lei do país.

Berlim, Alemanha


Conclusão

Eu amo viajar com minha câmera e chegar a uma cidade, sem qualquer preparação só para explorá-la com meu próprio caminho longe das atrações turísticas. Esta é uma abordagem maravilhosa e me trouxe muito mais do que qualquer coisa. Eu conheci pessoas de diferentes culturas, provei comidas diferente e testemunhei a vida de uma perspectiva diferente. A câmera não é uma barreira, às vezes é apenas a língua. Mas um sorriso é um sorriso em todos os países do Mundo. E quando você se aproxima das pessoas com um sorriso, eles vão abrir o seu coração e sua alma para você.


IDENTIDADE! EU QUERO UMA

Tiago Henrique tiagohqsilva@gmail.com

O público tem pressa. A vida de hoje, vertiginosa e febril, não admite leituras demoradas nem reflexões profundas. A onda humana galopa numa espumarada bravia, sem descanso. Quem não se apressar com ela será arrebatado, esmagado, exterminado. O século não tem tempo a perder.” Esta crítica sobre o cotidiano acelerado, a superficialidade na comunicação e as limitações do intelecto na sociedade, nos levaria aos ressentes editoriais sobre a crise da cultura e da mídia pontuada pela falta de reflexão, se não tivesse sido escrita em 13 de Janeiro de 1901 pelo poeta e escritor Olavo Bilac para Gazeta de Notícias que continua: “A eletricidade já suprimiu as distâncias: Daqui a pouco, quando um europeu espirrar, ouvirá incontinenti o ‘deus te ajude’ de um americano.” As reflexões de Bilac sobre as mudanças aceleradas da imprensa brasileira e a acensão da publicidade na virada do século XX, abrem o livro As Oringens do Fotojornalismo no Brasil – Um Olhar sobre O Cruzeiro (1940 – 1960) do Instituto Moreira Salles. Quando li esse texto a primeira vez pensei: “Wow! Parece que 112 anos não é tanto tempo assim!” E fiquei tentando imaginar o que Bilac escreveria se estivesse entre nós. No entanto, mais do que isso, me pergunto o que, realmente, ele quis dizer com as expressões “arrebatado”, “esmagado” e “exterminado”. Parece exagero! Mas as conseqüências desse avanço na comunicação pode significar algo muito mais engenhoso e sutil. Se a eletricidade suprimia as distancias em 1901, talvez nosso escritor jamais pudesse prever o que a internet seria capaz de suprimir. De fato, “a onda humana de bravia espumarada” da nossa vida cotidiana nos empurra à uma multiplicidade de papéis sobrepostos para nossas diferentes áreas de atividade. Até que ponto essa atitude conforma uma identidade autentica?  

O mundo da simulação transforma o computador em um laboratório onde podemos criar à vontade múltiplas personalidades. A cultura eletrônica nos obriga, de fato, a nos analisar em seu contexto. A “derealização” da nossa formulação de espaço e tempo, identidade e memória, a partir de uma perspectiva psicanalítica, por exemplo, não apenas afeta nossas vidas, como é capaz de nos transformar. Além de fazer parecer menos fantasiosas as previsões da ficção cientifica de uma identidade que abandona o corpo para penetrar nos circuitos de um sistema informático, como ocorre no filme de Jonathan Mostow, Surrogates (“Substitutos”aqui no Brasil) de 2009. Mas se é para por o dedo na ferida de forma profética como Olavo Bilac, Stanislaw Lem é quem cuida disso. Em Diarios de las Estrellas, Lem relata as viagens do astronauta Ijon Tichy, que, perambulando pelo espaço, se depara com civilizações que trazem muitos dos tiques que afligem nossa sociedade. Uma dessas é a de um planeta chamado Panta, habitado por estranhos seres que se caracterizam por ter um mesmo rosto. Poderia parecer que os pantianos escondem sua personalidade atrás de uma mesma mascara idêntica… mas a coisa é muito mais legal. Como intruso, Tichy é acusado de “crime de diferenciação pessoal”, ou seja, acusado de ser distinto. E finalmente sentenciado a “ pena de identificação perpétua”… isso significa afastá-lo da felicidade que a homogeneidade implica. O advogado de Tichy nos explica o que ocorre nesse processo: “Você deve saber, estrangeiro, que alcançamos o mais alto conhecimento das fontes de todos os sofrimentos, preocupações e desgraça que padecem os seres que vivem em sociedade. A sociedade, a coletividade, é eternal e regida por leis constantes e imóveis,iguais às que regem o poderio de sóis e estrelas. O indivíduo se caracteriza pela instabilidade pela falta de decisão pelo acidental de suas ações e, sobretudo, pela sua transitoriedade.


Nós suprimimos totalmente o individualismo a favor da sociedade. Em nosso planeta só existe a coletividade: nele não há indivíduos […] Sempre, em todo momento, existe na sociedade uma quantidade definida de funções, que aqui chamamos de papéis. São papéis profissionais como os de monarcas, jardineiros, técnicos, médicos, ou familiares como os de pais, irmãos, irmãs, etc.

Se hoje a internet e a televisão são os principais meios de comunicação, ultimamente definidos como criadores de uma segunda realidade ou realidade de ficção responsável por criar uma “cultura da distração”, é valido argumentar que a fotografia constitui a sua célula primordial, ou sua metafísica. E é à ela que vou me apegar.

Aqui em Panta, cada pantiano desempenha seu papel só durante um dia. À meia-noite se efetua em nosso país um movimento, como se todos os habitantes dessem um passo à frente ao mesmo tempo: é a rotação de papéis. Quem ontem era jardineiro se torna hoje engenheiro, o construtor de ontem hoje é juiz, etc. O mesmo acontece com as famílias… as funções ficam intactas, mas aqueles que desempenham mudam todos os dias. Assim, a única que não sofre mudanças é a coletividade, entende?”

Olavo Bilac defendia a fotografia como “espelho do real”, mas a fotografia está perdendo o valor de registro, verdade, memória, arquivo, identidade, fragmentação, etc. Seu aval e sua credibilidade passa a depender da confiança que os fotógrafos adquirem. A fotografia não mente, mas o fotógrafo definitivamente sim.

Em Panta, a felicidade geral está garantida. Ninguém empreende ações para colher algo mais tarde, já que no dia seguinte cada um ocupará um cargo distinto que é imprevisível e que se ignora. Mas o advogado continua: “Quanto aos sentimentos, saciamos duas fomes que aparentemente não pode coexistir, arraigadas em todos os seres racionais: a da continuidade e a da mudança. O carinho, o respeito ou o amor eram turvados antes por uma inquietação incessante, pelo medo de perder a pessoa amada. Nós vencemos esse medo. […] O imutável começa a cansar depois de um tempo, tanto o bom quanto o ruim. Ao mesmo tempo que queremos proteger nossa sorte frente às adversidades e tragédias, desejamos a continuidade e certeza. Queremos existir e não transitar, nos transformar, mas permanecer, possuir tudo sem arriscar nada. Essas contradições, aparentemente irreconciliáveis, podem se realizar aqui.” Tichy, perplexo, recusa a defesa e é condenado à identificação perpétua e expulso do planeta. Quando recomeça a viagem, reflete sobre os acontecimentos, as utopias da identidade e do isolamento e a marginalização que nos proporcionará o futuro. De fato, assistimos aos embates entre o desejo e a realidade, que estratifica nossa identidade. Mas acredito nas palavras de Claude Lévi-Strauss quando disse “A mascara nega tanto quanto afirma.” E corrobora Chesterton: “A alguns homens as fantasias não disfarçam, mas revelam. Cada um se fantasia daquilo que é por dentro.” Mas essa reflexão fica para outro artigo.

No ápice dessa onipresença a imagem estabelece novas regras como real. Gostemos ou não a fotografia definitivamente já não serve tanto para armazenar lembranças, nem são mais feitas para serem guardadas. Falamos em “abrir” e “fechar” uma foto… A fotografia serve, nos dias de hoje, mais como uma exclamação de vitalidade. “Fotografo logo existo”. Transmitir e compartilhar fotos funciona então como um novo sistema de comunicação social. Em uma rede social na internet encontramos diversas mascaras e percebemos desejos ou a criação de realidades. Como disse Ortega: “Do querer ser ao acreditar que já se é passa do trágico ao cômico.” Encontrei esse garoto ensinando seus amigos a como enganar as pessoas fingindo ter uma namorada através da fotografia. Ele maquia as mãos e pinta as unhas e se fotografa em diversos ângulos que nos dão a ilusão de estar realmente acompanhado:

 


Entretanto, uma fotografia exige que acreditemos nela. Em qualquer caso o gesto de identidade a que a fotografia não renunciou até agora é o de fornecer dados confiáveis. Por isso a sensação de contrariedade que sentimos quando descobrimos que tal foto não é real. As análises acerca das imagens e, sobretudo, das imagens fotográficas, que caracterizaram o campo teórico até a década de 1980 já não parecem encontrar tanta ressonância na realidade do mundo contemporâneo. As investigações que, como sabemos, desejavam saber o que a fotografia era em si, pensar a fotografia contra o cinema, identificar o irredutível fotográfico, não parecem fazer tanto sentido diante dos processos atuais de produção, difusão e recepção de imagens. A pergunta do inicio ainda prevalece: Até que ponto essa atitude conforma uma identidade autentica?

 


MÁRCIO PIMENTA E OS PESCADORES DE TAINHA

Marcello Barbusci

A

través de uma amigo em comum, o Simão Salomão, recebi o contato de um profissional que me abordou de uma forma inusitada, ele foi simplesmente simples e direto. Não que a forma não seja correta, muito pelo contrário, eu prefiro mas ele deixou de lado aquela  característica tradicional de florear seu trabalho e sua história. Estou falando de Marcio Pimenta, fotógrafo curitibano que aos 37 anos resolveu documentar os Pescadores de Tainha de  Florianópolis passando praticamente 1 mês dividindo alegrias e tristezas com pessoas até então desconhecidas mas que passaram a fazer parte de sua história.

marcello@barbusci.com.br

Nas próximas linhas você terá um bate papo com esse profissional, simples, direto e grandioso.

Marcio, quem é Marcio Pimenta?

Nasci em São Paulo e quando ainda criança minha família mudou-se para Salvador, Bahia. Foi lá que criei minhas primeiras raízes antes de partir para outros mundos. Era um péssimo aluno na escola, meus pais estavam sempre procurando uma nova escola para mim, mas não adiantava, eu simplesmente não me adaptava ao sistema. Na universidade tudo mudou. As perspectivas que se abriram para mim foram gigantescas. Me formei em economia com ótimas notas. E, como sou muito intenso em tudo o que faço, me dediquei a ler de tudo. Fui muito influenciado pelo geógrafo Milton Santos e pelas leituras de artigos e revistas como a National Geographic. Mas sem a base que o curso de economia me deu, acho que não teria esta nova perspectiva. Conte um pouco da sua trajetória no mundo da fotografia.

Sou um ex-economista e ex-doutorando em relações internacionais que deixou o mundo acadêmico para trás para realizar um sonho de infância: descobrir o mundo e suas culturas. E a ferramenta que escolhi para mostrar ao mundo o que vejo por aí, foi a câmera fotográfica. Assim como acontece com todos os meus colegas de profissão, em cada fotografia que faço está a minha própria história. Adoro fotografar povos e culturas, então, ter começado tarde na profissão, mostrou-se ser uma grande vantagem para mim pois tudo que aprendi no mundo acadêmico estão nas fotos. Como surgiu a idéia de documentar os pescadores de Tainha de Florianópolis?

Após alguns anos morando fora do Brasil, fui convencido pela minha namorada a voltar ao país. Fizemos uma lista de cidades que poderiam ser interessante para os dois. No final ficamos com Curitiba e Florianópolis. Então fiquei alguns meses morando de frente para a Lagoa da Conceição. Já havia visto muitas fotos


que mostram a beleza da Ilha, a tradição da pesca, etc. Mas fiz uma pesquisa e verifiquei que faltava uma documentação fotográfica mais aprofundada sobre os pescadores de Tainha. O arrastão de praia, que tem na tainha seu principal alvo, é uma das mais antigas formas de pesca ainda praticadas no litoral do Paraná e Santa Catarina. E a vida cotidiana destes pescadores sempre passou ao largo no registro documental. Aquilo é um bem imaterial do povo brasileiro! É, um dos resquícios da ideologia da sociedade comunitária, na qual os valores e os interesses sociais, culturais, econômicos e políticos são compartilhados pela coletividade, vivendo-se em conjunto, unidos por uma consciência histórica. Como foi passar os 25 dias convivendo com os diferentes momentos do dia a dia dos pescadores?

Foi maravilhoso! Era um período sabático para mim. Eu estava sem fotografar de forma séria há uns 3 meses. Apenas fotos ocasionais aqui e ali, quase sempre voltadas para clientes de decoração de ambientes. Eu estava ansioso para contar uma história de verdade. Forte. Foi quando em um passeio pela Barra da Lagoa conheci um grupo de pescadores no momento em que eles faziam um arrastão. Aquilo era pura celebração. Voltei para casa e iniciei minhas pesquisas. Então percebi que todos meus colegas haviam se concentrado em fotografar a pesca da Tainha, mas não os pescadores. Voltei até esta comunidade e estreitei a relação com eles, que foram super receptivos. E então, durante um mês participei de suas vidas cotidianas. Tomávamos café-da-manhã juntos e só ia embora quando todos retornavam para suas casas. Foi assim todos os dias. As vezes, simplesmente nada acontecia. Nada. Nenhum arrastão, nenhuma celebração. Nada. Era um tédio terrível. E então eu fui descobrindo a virtude da paciência que tanto falam por aí. Eles dedicam três meses do ano a esta atividade, ou seja, participei de 1/3 da vida que eles dedicam a esta atividade. Ao final do projeto eu tinha um documentário completo. Mas você acredita que mostrei estas fotos para um editor de um jornal de Florianópolis e ele se recusou a publicar, pois “já temos muitas fotos de pesca de Tainha!”. Hahahaha! Ele não conseguiu compreender que as fotos não eram da pesca e sim daqueles homens que passam dias e mais dias esperando o momento certo. E que pode ou não acontecer.

Qual o seu projeto futuro Marcio

Neste momento estou para lançar um projeto que se chama “Eu te amo”. É um projeto social que estou tentando financiar através da plataforma de crowdfunding, Catarse. O objetivo deste projeto é fotografar mulheres que após sofrerem grandes traumas em suas vidas como o aborto, câncer de mama, estupro, envolvimento com drogas, etc., encontraram em seus parceiros, namorados, maridos, ou o que for, o apoio que necessitavam para recuperar a auto-estima. Este projeto é uma declaração de amor, num tempo em que a imagem do individualismo e da auto-suficiência são vendidas como virtudes, mas que na verdade separam famílias. Para 2014 tenho o apoio da Aliança Francesa para um projeto que ainda não posso revelar, mas que irá ser exibido nas unidades da escola em todo o país. Ainda precisamos de mais parceiros para fazer este projeto acontecer. Também tenho escrito dois outros projetos, mas que ainda necessitam de patrocinadores. Quero fotografar a Estrada da Morte, na Bolívia e os imigrantes brasileiros que vivem no Paraguai. O que você diria para esses jovens profissionais que querem ingressar no mundo da fotografia documental?

Estudem. Mas estudem muito. E não só sobre fotografias. Aliás, eu diria que deveriam dedicar apenas 20% do seu tempo de estudos com fotografias e os outros 80% para estudos gerais, como artes, política, economia, geografia, etc. Fotógrafos que conversam apenas sobre fotografia em geral possuem uma visão limitada sobre os temas que irão fotografar. Então o seu olhar fatalmente estará condicionado a imagens que se encontram aos milhares pela internet. É necessário também imersão. Mergulhar profundamente no tema proposto. Ao escolher um tema, mergulhe profundamente nele. Planeje, leia, estude, converse com especialistas de outras áreas e, acima de tudo, se permita interagir com os fotografados. Um bom projeto documental leva tempo para ser feito. Talvez você até consiga uma grande foto no primeiro dia de atividade, mas quanto mais tempo você ficar próximo ao assunto, melhores imagens irá conseguir.


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atas de cromo já meio oxidadas com a inscrição “For Professionals”.

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA VIVA O DIGITAL

William Silveira wsilveira@nikon.com.br

Tanques de revelação com seus pares de espirais metálicas e filtros “multigrade” com algumas provas impressas em 6x9cm, todos em uma mesma caixa de madeira. Um rolo de filme 120mm vencido em 2002 ainda sem uso. Foi abrindo algumas caixas que estavam guardadas há alguns anos, empoeiradas e escondidas atrás de outros velhos itens analógicos, que percebi o quanto a fotografia mudou nos últimos quinze anos.

Da primeira fotografia, feita em 1826 pelo francês Niépce, e do primeiro Daguerreótipo, registrado por Louis Daguerre em 1837, até as impressionantes câmeras que faziam quatro ou seis fotos por segundo, a fotografia mudou bastante, mas mudou lentamente. No princípio, era uma arte menor, que registrava a realidade e estava restrita aos retratos de família. Com as inovações tecnológicas que produziram câmeras menores e processos menos complexos para revelação, abriu-­‐se o leque de situações que poderiam ser fotografadas: guerras, manifestações, o cotidiano das pessoas nas cidades, o indivíduo comum levando suas vidas.


Hoje, quando olhamos para a história do mundo, vemos imagens estáticas, fotografias. As mudanças foram tão significativas, que hoje percebemos que foi a fotografia, a tal arte menor, que ajuda a contar a nossa história recente. A fotografia continuou se popularizando. Lembro‐me da pequena câmera “rangefinder” do meu tio, nos anos 80. Apesar de não ser profissional, ele a tratava como item da família e ninguém ousava fotografar com ela; claro que tentei. Nos anos 90, aprendi a fotografar no antigo” processo, analógico. Depois vi a revolução digital, que trouxe novos termos, como AWB, megapixel, sensor de imagem, CCD e CMOS, ao restrito vocabulário da fotografia. Uma nova história estava começando. O salto tecnológico foi gigantesco e criou um abismo entre o tradicional e o moderno. Tudo era novo e muitos fotógrafos profissionais deixaram de lado seu trabalho por não aceitarem ou não entenderem o novo processo.

A fotografia transformou-­‐se. As câmeras diminuíram, ficaram mais acessíveis, fáceis de usar e até se fundiram com outros aparelhos, como os telefones celulares, também filhos da revolução tecnológica digital. A linguagem baseada em imagem ganhou impulso. A nova fotografia, aliada à também inovadora Internet, deu força a à imagem. A forma de comunicar mudou. Nunca se fotografou tanto na história da humanidade. Nunca a imagem estática teve tanta relevância. A imagem seduz, vende, informa, registra o cotidiano, expõe o que os olhos veem no mundo todo, e tudo pode ser online. A fotografia agora não é mais restrita a poucos. Ela é popular e está nas mãos de todos. Por um minuto, abrindo aquelas minhas caixas analógicas, senti um pouco de saudade, mas confesso que o sentimento passou rápido. A única coisa que perdemos com a fotografia digital foi aquela reza para cada trabalho feito em filme que aguardava a revelação.


N MOSAICO MINUTO

a edição #02 da BLACK&WHITE IN COLOR, eu falei sobre o projeto MOSAICO MINUTO e agora venho nesta edição para apresentar os números da última edição. Antes disso, vou relembrar as edições passadas com seus interessantes números. QUAIS OS RESULTADOS DOS ULTIMOS ANOS? 2010 103 inscritos, 43 fotografias, 2 países e 12 cidades

2011 326 inscritos, 103 fotografias, 6 países e 41 cidades Marcos Semola marcos@semola.com.br

2012 985 inscritos, 409 fotografias, 11 países e 100 cidades

E AGORA, COMO FOI A EDIÇÃO 2013 2013 5099 inscritos, 277 fotografias, 12 países e 80 cidades

Em 2013 todo o processo de envio das fotografias foi simplificado e centralizado na fanpage do Facebook, onde foi possível também acompanhar os envios, desta vez, também feitos via Twitter e Instagram, e ainda votar na imagem mais espontânea e inusitada, espírito do projeto.

participante: Ana Martins | Blumenau | Brasil

Apesar do grande número de inscritos, o fato de a data comemorativa ter caído este ano em uma segunda-feira, provocou uma redução natural de participantes pela dificuldade de estar disponível no minuto decisivo.


QUAL O FUTURO DO PROJETO? Simplificar, simplificar e simplificar para poder crescer. É com esta mentalidade que o projeto está sendo pensado para 2014. Com o objetivo de conectar mais países, cidades e pessoas através da prática da fotografia, o que pudermos fazer para facilitar a participação, iremos fazer. Remover obstáculos, dificuldades, medos, melhorar a comunicação e ainda gerar ferramentas para facilitar a lembrança do “minuto decisivo” estão no plano. O uso do Instagram será ainda mais encorajado pelo efeito imediatista do clique e do envio para o projeto, o que maximiza a experiência do “estar conectado” com anônimos ao redor do mundo. Queremos enfatizar este espírito e principalmente, o conceito de que os registros devam ser mais e mais espontâneos, impensados e possam refletir o instante do participante, onde quer que ele esteja. Adoraríamos ver registros, por exemplo, em sala de aula, fila de banco, na cozinha, no dentista, no estádio, na reunião, no elevador e, literalmente, em qualquer lugar que você esteja no minuto decisivo.

Mosaico Minuto 2013 1 ) teaser video: http://goo.gl/hE2crg 2 ) fanpage: www.facebook.com/mosaicominuto 3 ) hotsite: www.s4photo.co.uk/mosaicomonuto2013 4 ) book http://goo.gl/LbzJWZ

POR QUEM? Marcos Sêmola é Ítalo-Brasileiro nascido em 1972 na cidade do Rio de Janeiro. Executivo de IT, professor de MBA e fotógrafo, membro da ABAF - Associação Brasileira de Arte Fotográfica, Getty Images e da London Independent Photography, Marcos vem produzindo imagens autorais encontradas em coleções e galerias de arte ao redor do mundo, especialmente, Londres, Paris e Brasil, e conta com exposições nacionais e internacionais onde seus mais conhecidos trabalhos no estilo street-noir, “Transitivo Direto” e “Mind your Step”, ganharam expressão e reconhecimento. É autodidata e entusiasta da arte fotográfica, seja filme ou digital, razão pela qual ele se dispõe também a idealizar projetos coletivos, compartilhar e trocar o máximo de informação com outros praticantes. Quase tudo sobre ele pode ser encontrado em www.s4photo.co.uk Suas fotografias são comercializadas com tiragem limitada, assinadas pelo autor e em papel algodão Hahnemuehle de qualidade museológica e com exclusividade no Brasil através da marchand Susi Cantarino, Galeria Metara, Rua Teixeira de Melo 25, Ipanema – RJ Tel. +55 21 25235225

5 ) e-book: http://goo.gl/B5vjwB 6 ) banner: http://goo.gl/TcgH3Z 7 ) exhibition video: http://goo.gl/ixoBos 8 ) instagram: #mosaicominuto2013 9 ) t-shirt: http://goo.gl/BNRbvX


RUI PALHA

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

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uando descobri que a minha grande paixão dentro da fotografia era o street, sai em busca de referências, dos grandes mestres, tanto no passado como no futuro. Do passado resgatei: Henri Cartier-Bresson, Robert Doisneau, Robert Capa entre outros e no presente me identifiquei com: Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Thomas Leuthard, Rui Palha, Alexandre Urch, Marcos Semola, German Lorca, Claudio Edinger, Valérie Jardim entre outros com estilos próximos. São pessoas as quais admiro suas formas de trabalho, a arte que fazem através de seus olhares, da forma que enxergam as ruas e os que transitam por elas. Já tive a oportunidade grandiosa de entrevistar alguns desses artistas ou como diz Sebastião Salgado, fotógrafos (para mim continuam a ser artistas) e para esta edição tive o prazer de entrevistar o fabuloso Rui Palha, um profissional que faz com que suas fotos conversem com o imaginário do espectador. Nas próximas linhas, um pouco deste profissional de streetphoto, Rui Palha.

Quem é Rui Palha, por Rui Palha?

O Rui Palha, por Rui Palha é de impossivel descrição. A opinião sobre nós próprios deve ser dada pelos outros e nunca pelo próprio. A única coisa que poderei dizer de mim é que Rui Palha é um homem vulgar, simples e que gosta das pessoas, por quem sente um enorme respeito.

Rui, você tem fotografias de rua em preto e branco fenomenais. Conte como surgiu para você a fotografia de rua?

Primeiro devo “dizer” que não sou muito bom a expressar os meus sentimentos, nem pensamentos através de palavras. Prefiro fazer isso através de imagens, mas vou tentar colocar em palavras o que quer saber acerca de mim. A fotografia é um hobby desde os 14 anos de idade. Tinha a minha própria câmara escura, mas para ser honesto, desde pequeno só gostava era mesmo de “clicar” nas ruas. Sentia-me sempre maravilhado, hipnotizado mesmo, com o movimento das pessoas, com as suas expressões, suas reacções… Sentia que era um desafio fantástico o registo de toda aquela animação da vida quotidiana e uma maneira de aprender sobre o ambiente que me rodeava. No meu “mundo fotográfico” todas as pessoas são únicas e a componente mais importante de minhas fotografias. Esta frase define o meu modo de estar na fotografia e… na vida: “A fotografia faz parte integrante do meu espaço…é descobrir, é captar, dando vazão ao que o coração sente e vê num determinado momento, é estar na rua, experimentando, conhecendo, aprendendo e, essencialmente, praticando a liberdade de ser, de estar, de viver, de pensar…” Há quanto tempo faz fotografia de rua e quais foram os obstáculos que você encontrou em sua trajetória?

Fotografo desde os 14 anos de idade, com interrupções grandes até 2001, desde então, quase todo o meu tempo é dedicado à fotografia de rua e a projetos sociológicos de longo prazo em bairros problemáticos de Lisboa. Aqui em Portugal ser fotógrafo de rua não é muito fácil. Há muitos lugares “proibidos”… o metro, centros comerciais, bairros problemáticos, etc, mas provavelmente, é o perigo que de alguma forma me atrai, provoca e faz subir a adrenalina. Às vezes tenho


problemas com o pessoal de segurança ou com pessoas que não querem ser fotografadas, mas tudo pode ser resolvido com frontalidade e uma conversa franca e directa. De qualquer forma devo dizer que, por vezes, tive alguns problemas com pessoas mais agressivas e que, depois de algumas palavras (às vezes uma longa conversa), quase se tornam numa espécie de amigos, e desde aquele momento, acabo por não ter qualquer problema nesse lugar específico pois sou “eleito” como um “protegido”, um cúmplice. Tenho muitas experiências memoráveis​​ e histórias durante a minha fase de fotografia de rua mas não tenho tempo nem espaço suficiente para contar isso agora. Acho ou melhor, tenho a certeza, de que a rua é uma escola, uma grande parte do meu “eu” foi construído com o que tenho aprendido nas ruas. O que deseja transmitir através de sua fotografia?

Não sei, mas acho que tento ser um contador de histórias utilizando imagens, transmitindo aos outros o que “vejo” todos os dias durante as minhas caminhadas “na rua”. O meu “mundo” fotográfico é Lisboa, 90% das minhas fotos são feitas na minha própria cidade, onde as pessoas anónimas são os actores principais das minhas fotografias. Tento estabelecer uma ligação profunda com os seus sentimentos, pensamentos, com a ajuda dos seus gestos, movimentos… Tento sempre mostrar, entre as cenas da vida real e da vida quotidiana, a beleza que existe sempre dentro das pessoas desconhecidas, dos meus modelos “de rua “, a beleza da raça humana independentemente da cor, religião e política. Como sabe eu sou um amador e eu vou ter esse status até o final da minha vida. É a única maneira de fazer o que eu quero e não o que os outros querem que eu faça. Toda a gente tem que ter (e sentir) a liberdade de criar, para conseguir reflectir o que está dentro de si. Quando está nas ruas o que o inspira a capturar uma determinada cena?

Tantos factores… o momento em si, a magia da luz, um enquadramento que chama a minha atenção, uma cena que construí dentro da minha cabeça, o grafismo que as pessoas “desenham” enquanto se movimentam…Henri Cartier Bresson disse acerca da Fotografia “A cabeça, o “olho” e o coração devem estar no mesmo eixo”. Para mim esta frase significa, estar sempre “em cima” do momento e registar, o que foi vislumbrado à primeira vista (ou o que se conseguiu antever antes mesmo do momento

acontecer, ou que nos atraiu, sem se perceber bem a razão), sempre com um sentido composicional o mais coerente possível. Temos de ter a capacidade de antecipar, compreender, “ver”, “sentir” uma cena de rua numa fracção de segundo e devemos registar esse momento num enquadramento, se possível, perfeito. O sentido composicional é fundamental, não somente o registo do momento. Para isso dever-se-á ter a cabeça, o “olho”, o coração…e o dedo, no mesmo eixo. E eu penso que este eixo, esta característica, é indispensável para se ser um “Fotógrafo de Rua” e não, somente, um vulgar “caçador” de momentos, sem qualquer critério, “disparando” sobre tudo o que mexe. Muitas vezes, devemos ser invisíveis, fazer parte integrante do cenário, isto permitir-nos-á uma grande proximidade a certas situações mais problemáticas. Outras vezes temos de estabelecer uma ligação muito forte com os “modelos de rua”, falando com eles, escutando-os, respeitando-os. Temos que potenciar a nossa capacidade de “olhar” e “ver” os momentos interessantes… momentos engraçados, momentos diferentes, enquadramentos criativos… temos que entender a “iluminação” e tentar usá-la da melhor maneira possível. A fotografia de rua não é uma maneira fácil de fazer fotografia… temos que ser corajosos e astutos. E ter a capacidade de antecipar o momento antes que ele aconteça. Rui, qual é o equipamento que você utiliza em suas saídas para projetos street?

Eu uso vários tipos de equipamento, dependendo do que eu quero obter como resultado final e dos locais a que vou. Levo sempre no bolso uma câmara compacta para os “lugares proibidos”, como metro, grandes centros comerciais e “lugares problemáticos “. Ultimamente estou a usar uma Leica Dlux 5 e/ou uma Fujfilm X100. Com câmaras SLR/DSLR só uso lentes de 20mm, 35mm e 50mm. Às vezes, mas poucas vezes, com a minha Nikon D700 uso uma lente zoom Nikon 14-24 f/2.8. Concordo completamente e tento sempre seguir a citação de Robert Capa, quando fotografo: “Se as tuas fotografias não estão suficientemente boas, é porque não estás suficientemente perto”.


O que você tem a dizer sobre a fotografia como arte?

É mais provável conseguir uma fotografia interessante, quando faz parte da cena, reagindo às emoções e drama, do que estando fora dela.

E para fechar esse nosso bate papo, que dicas você daria aos que desejam engressar no streetphoto?

2. Seja natural com a sua câmara mantendo-a afastada do seu rosto, tanto quanto possível.

Não consigo isolar a Fotografia das outras artes. Arte, para mim, seja qual fôr a área, é tudo o que desperta emoções profundas nas pessoas.

Na minha humilde opinião, eu acho que não é possível “ensinar” fotografia de rua, pelo menos para mim, como sabe (eu sempre disse isso), sou e serei um eterno aprendiz…. cada dia aprendo algo de novo na ruas, com as pessoas, com a vida. A maneira que utilizo para aprender “fotografia de rua” é a maneira que todos podem utilizar para aprender também. Algumas dicas que li algures, e com as quais concordo:

1. Aproxime-se do assunto, torne-o no objeto principal do seu enquadramento. A fotografia de rua é toda sobre observar as pessoas, as suas acções e justaposições. Mantenha os olhos abertos, e procure ligações interessantes.

Tente evitar parecer um “fotógrafo”. Como efeito colateral, tentar esconder a câmara e fotografar ás às escondidas pode torná-lo suspeito. Como disse, seja natural com a câmara. 3. Não leve consigo muito equipamento. Vai torná-lo menos intrusivo se for capaz de se mover rapidamente. Antecipar momentos antes que eles aconteçam. Tenha sua câmara pronta para “disparar” em todos os momentos. As situações podem mudar rapidamente na rua por isso, se não estiver preparado vai perder muitas oportunidades.


:: Museu de Arte Moderna de São Paulo - Parque Ibirapuera, portão 3 - SP - Brasil :: Horário de funcionamento: Terça a domingo e feriados das 10h às 17h30. :: Tel + 55 (11) 5085-1300 / Fax +55 (11) 5549-2342 :: www.mam.org.br


PARANAPIACABA A CIDADE MÁGICA POR BETO ANDRADE


PARANAPIACABA A CIDADE MÁGICA

Beto Andrade beto@originaldesign.com.br

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embro perfeitamente do momento que avistei pela primeira vez, em 1987, a vila de Paranapiacaba, distrito de Santo André-SP, região da Grande São Paulo. Ao chegar na estação (naquela época o trem para passageiros chegava ao local), me senti em uma cidade remota inglesa do século XIX, com estruturas pesadas de ferro, a bilheteria, bancos e edificação rústicos e característicos, o famoso relógio que é uma imitação do Big Ben e a névoa peculiar, que se formava continuamente por causa de montanhas que envolvem toda a Vila. Pude já sentir o que eu sinto a cada vez que chego em Paranapiacaba. Sua magia, seu poder de tirar da mente a nossa referência de tempo e espaço, e seu charme apesar do abandono por parte da R.F.F.S.A. A sensação do cheiro da névoa, da ferrugem, de um tempo que tudo era infinitamente mais lento, e de que nada no mundo substituiria aquele momento, me invadia um sentimento de privilégio, de prazer, e minha então Minolta XG 9 e uma lata de 30 metros de filme Kodak Tri-X 400 já se revirando na mochila.

Foi o início de um casamento bem sucedido que dura até hoje, e que sem dúvidas perpetuará a paixão que tenho pela vila mais inglesa do Brasil. Paranapiacaba, termo Tupi que significa “lugar de onde se avista o mar”, e que esta incluída entre os 100 monumentos mais importantes do mundo, pelo Word Monuments Fund - organização internacional não-governamental que atua na área de preservação do patrimônio histórico, está localizada na alto da Serra do Mar e, em alguns pontos, pode-se avistar Cubatão e a Baixada Santista, em uma vista deslumbrante. A vila foi criada com a construção da ferrovia São Paulo Railway, e era destinada para controle operacional e moradia dos ferroviários. A ferrovia, que usa a única fissura que existe na serra e aproveitou um caminho ancestral usado pelos índios, tinha o objetivo de ligar o interior paulista ao porto de Santos, e havia uma grande dificuldade na contrução por causa do terreno extremamente íngreme da serra. O Barão de Mauá, então, solicitou a alguns sócios ingleses que dominavam a tecnologia necessária, a realização do projeto.


E nada mais propício do que uma região cercada de montanhas, com clima úmido e com o “fog” típico londrino. Foi inaugurada, então, a Estação Alto da Serra em 1874, que mais tarde seria denominada Estação de Paranapiacaba. Daí surgiu a arquitetura característica onde é hoje a Vila Inglesa, antes chamada de “cidade baixa” e que também inclui a Vila Martin Smith. A Vila Portuguesa, antes chamada popularmente de “cidade alta”, foi formada por portugueses vindos de Mogi das Cruzes, além de árabes, para suprir comercialmente os ferroviários, e se instalaram no local antes da criação da Vila Inglesa. A VIla Portuguesa não se assemelha com a paisagem londrina da Vila Inglesa, ainda que na minha opinião não deixa de ter seus encantos. Tudo muito mágico e interessante, porém a gestão pública fez questão de deixar sua marca para também ser lembrada, em seu rotineiro descaso com a cultura. No decorrer de 4 décadas, a vila de Paranapiacaba foi literalmente abandonada, e apenas sobreviveu graças à comunidade local e pessoas que jamais se conformariam com sua extinção, como veremos com mais detalhes em entrevista com uma antiga moradora, considerada o símbolo da luta pela revitalização de Paranapiacaba. Mas a “cidade mágica” não é só arquitetura típica inglesa, e diversos locais peculiares e ações culturais a sustentam e dão uma grande relevância para a sua preservação, hoje patrimônio histórico nacional e reconhecida por organizações internacionais. O Relógio de Paranapiacaba é um ícone local. Tido com um dos cartões postais, ele é uma réplica do Big Ben, famoso relógio localizado na cidade de Londres, Inglaterra. Está localizado sobre a torre construída após o incêndio na estação (1985). O relógio foi retirado antes do incêndio e, após manifestações, voltou ao local onde está hoje. Ficou 11 anos sem bater, mas passou por uma restauração e voltou a funcionar em 2002. O antigo mercado, localizado na R. Campos Salles, s/n, foi construído em 1899 para abrigar um empório de secos e molhados e, posteriormente, uma lanchonete. Após muitos anos fechado, foi restaurado pela prefeitura de Santo André e tornou-se um centro multicultural. Com sua posição central privilegiada, permite que os eventos realizados tenham um cenário charmoso na serra.

Igreja de Paranapiacaba (antiga Capela do Alto da Serra) na Vila Portuguesa. Vista a partir da trilha que leva ao Mirante.

O Clube União Lyra Serrano é uma das últimas construções inglesas erguida por volta de 1936, é o clube da vila, onde acontecem as atividades culturais e sociais. Chama atenção por sua ostentação e volumetria, composto do prédio com hall, salão de baile e cinema, além do complexo esportivo externo com campo de futebol. O Pau da Missa é um eucalipto centenário originalmente utilizado para avisos relacionados às missas de sétimo dia. Devido a sua boa localização, entre a Vila Portuguesa e a Vila Inglesa, esta árvore tornou-se um dos símbolos de Paranapiacaba, pois servia como suporte para informações da comunidade, integrando as duas partes da vila. As Casas dos Engenheiros é na verdade uma casa geminada de duas em madeira, com tijolos e telhas francesas, contruída entre 1897 e 1901. A opção pela execução de sanitários externos, paredes duplas, porão em pedra e tijolos, forros sobrepostos nos cômodos e treliçados na cozinha para facilitar o escoamento da fumaça dos fogões à lenha, revela a preocupação técnica com o conforto térmico e com o isolamento à umidade, típica da arquitetura produzida no século XIX. A edificação foi construída sobre fundações de pedras que proporcionam sua elevação, formando um porão.


Este porão garante a ventilação, possui aberturas laterais protegidas por grades de ferro com o símbolo SPR - São Paulo Railway. Este sistema construtivo tem por objetivo garantir a conservação do imóvel já que o eleva do solo evitando o contato da madeira com a umidade do solo, garantindo o isolamento térmico. Esta edificação foi igualmente restaurada pela prefeitura de Santo André em parceria com o World Monuments Watch. O Museu do Castelo, também chamado de “Castelinho”, foi construído para ser a residência do engenheiro-chefe da São Paulo Railway, em localização privilegiada no alto da colina e simboliza a liderança e hierarquia impostas pelos ingleses. Há quem diga que a casa, por ser abundante em janelas, servia para uma eficiente fiscalização das operações da ferrovia.

Vista do relógio a partir da passarela que liga a Vila Portuguesa à Vila Inglesa. Foto: Erika Martins

Museu do Castelo - Foto: Berenice Kauffmann Abud

Esta afirmação é equivocada pelo fato de que, na época, segundo relatos do Eng. Daniel M. Fox, era raro um dia de sol e a névoa e a chuva eram predominantes, de modo que seria impossível observar a movimentação dos ferroviários do alto da colina.


Depois que deixou de ser residência na década de 60, a casa serviu de seminário e posteriormente escritórios da R.F.F.S.A, não ficando ali nenhum pertence da casa, sendo utilizada para guardar móveis dos escritórios e peças ferroviárias, e mais tarde sendo replanejada para a implantação do museu. Localizado na rua Caminho do Mendes, s/n, o “Castelinho” tem hoje um bom acervo da rede ferroviária, com relógios da época, poltronas e a prancheta onde o engenheiro-chefe desenrolava seu mapa. O sistema funicular é composto por cinco patamares distribuídos pela Serra do Mar, sendo o 1º em Piaçaguera e o último na parada Alto da Serra, ou seja, Paranapiacaba. No Museu Funicular é possível ver como funcionava o sistema de tração, as máquinas, Maria-fumaça e outras peças ferroviárias. Características da arquitetura hierarquizada de Paranapiacaba, as Casas de Solteiros eram conhecidas como “barracões”. Foram construídas em madeira, exceto duas em alvenaria. Essa tipologia foi criada pela São Paulo Railway, e a Rede Ferroviária Federal deu continuidade, construindo-as em alvenaria. A planta dessas casas possui dormitórios, sanitários e cozinha para pequenas refeições, serviam para alojar o grande fluxo de homens solteiros, que preenchiam as vagas de ferroviários. Havia poucos sanitários e chuveiros, já que os trabalhadores se revezavam em turnos. Criado em 2003, o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba é uma Unidade de Conservação (UC) Municipal, com 4.261.179,10 m2 e conserva uma importante remanescente de Mata Atlântica no entorno do local. O parque tem como objetivo proteger a paisagem natural, destacando os contrafortes da Serra do Mar, as nascentes formadoras do Rio Grande, além de contribuir com a valorização do patrimônio histórico nacional. Localiza-se ao redor de mais duas UCs, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar, contribuindo na formação de um extenso corredor ecológico voltado a preservação e sustentabilidade da Mata Atlântica, integrante à área tombada como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Museu funicular (no centro à esquerda)

Paranapiacaba possui diversas trilhas, nascentes e serviços de empresas que formam grupos para caminhada. As principais são a Trilha das hortências, Trilha dos Gravatás, Trilha da Pontinha, Trilha do Mirante e a Trilha da Comunidade. A vila ainda conta com um posto policial, um bom centro de saúde, área para shows e eventos e diversas pousadas e restaurantes com bons serviços. Tenho uma especial preferência pela Hospedaria Os Memorialistas, não apenas pelo conforto e comida de primeira qualidade, mas também pela D. Zélia Paralego, proprietária da hospedaria, quem reservo um grande carinho e respeito principalmente pela sua entrega à preservação da Vila e pela sua extrema generosidade com as pessoas. Eu fui até lá para conversar com ela e compartilhar com os leitores da BLACK&WHITE IN COLOR um pouco do seu conhecimento e seu trabalho voltado para a vila mais charmosa do Brasil, como ela gosta de dizer.


D. Zélia, quando a Sra. chegou em Paranapiacaba e o que a trouxe para o local? Eu nasci em Cornélio Procópio-PR e cheguei em Paranapiacaba em maio de 1961, aos 9 anos de idade. Eu e minha família estávamos a caminho de Santos, mas devido a um problema na via férrea, o trem parou em Paranapiacaba e tivemos que aguardar algumas horas. Então resolvemos descer para conhecer o local e minha mãe, D. Idyma Fabri Paralego, se encantou com a vila. Por muita sorte, havia uma casa disponível, o que era raríssimo, e resolvemos ficar para sempre. Eu sofri muito com problemas para adaptação à chuva, neblina e muita umidade, mas acabei acostumando e hoje não vivo sem este clima maravilhoso. Como surgiu a idéia de abrir uma hospedaria?

Bom, eu adorava Paranapiacaba e com isso desejava a emancipação para Município. Mas isso somente é possível cumprindo algumas regras. Uma delas é que para que a vila sofresse o processo de emancipação, deveria se caracterizar como “cidade turística”, e para isso deveria haver possibilidade de pernoite para os visitantes. Então, eu resolvi abrir a hospedaria.

Eu desejava também compartilhar com as pessoas este lugar que considero mágico e que é um valioso patrimônio histórico nacional e mundial. Segundo uma hóspede, Paranapiacaba é considerada uma das 7 “cidades mágicas” do mundo, o que significa o mundo material estar mais próximo do mundo espiritual, onde as coisas são puras e originais. Eu comparo Paranapiacaba como uma flor, que a cada vez que você olha ela está diferente. Algo acontece que, com o tempo, mesmo que apenas alguns meses, a mesma coisa, o mesmo lugar, muda de alguma forma. Isso talvez explique o fato de você vir até aqui há 25 anos e sempre ter novidades para fotografar, sem nada mudar fisicamente. A Sra. também tem uma ONG. Qual o objetivo da instituição e quais as atividades que ela desenvolve?

A SPR foi fundada em 02 de dezembro de 1989 por um grupo de pessoas indignadas com o abandono a que nosso Patrimônio estava relegado. Desde então trabalhamos para o Resgate e Preservação de Paranapiacaba e sempre apoiamos outras lutas para preservação de nossos Patrimônios Municipal, Estadual e Nacional.

Veículos do grupo Mundo Off Road em frente a Hospedaria Os Mamorialistas


Durante todos estes anos a SPR, juntamente com outras ONGS da cidade, (Mãe Natureza, AMA, entre outros) tem participado com ações para preservação, divulgação, conhecimento e reconhecimento do nosso patrimônio. Podemos enumerar algumas: participação ativa para a compra da Vila Operária Ferroviária Inglesa, pela PMSA por ocasião da privatização da R.F.F.S.A. Ação Ministério Público de responsabilidade pelo abandono pela R.F.F.S.A. Promovemos grandes eventos como a ”Semana do Ferroviário” durante anos para valorizar, resgatar, mostrar a importância de Paranapiacaba, da ferrovia e do ferroviário. Com o PROJETO CONHECER PARA PRESERVAR, entramos com Estudo do meio para estudantes e grupos, monitorando-os, proporcionando vivências ambientais e culturais. Dentro deste projeto, temos colaborado com estudantes universitários em TCCS, Teses de Mestrados e Doutorados, fazendo também palestras e exposições em Universidades e grandes centros empresariais. Sendo conselheiros por diversas vezes instituídos pela Prefeitura Municipal de Santo André, hoje estamos no Conselho Municipal de Preservação (CONDEPHAAPASA). Também usamos nosso trabalho de Hospedagem e Restaurante, para “encantar “ o nosso visitante, fazendo que ele saiba onde está e a importância deste lugar tão mágico. Inclusive o nome da hospedaria, Os Memorialistas, foi inspirado aí. Sua escolha se deve pelo trabalho que fazemos dentro do Projeto Conhecer Para Preservar, do qual temos um sub projeto que se chama Casa da Memória, onde durante todos estes anos eu, meu marido Pedro e outros sócios colhemos a memoria verbal de atuais e antigos moradores. O que originou o abandono de Paranapiacaba?

Em 1867 começou a funcionar a ferrovia funicular – construída por empresas francesas, incluindo a que construiu a Torre Eiffel em Paris – onde os trens se movimentavam via cabos por tração, como um elevador. Era a maior ferrovia do mundo e a com maior grau de dificuldade (10,5º  de inclinação). A segunda funicular veio a ser inaugurada em 1901, com 13 túneis e 16 viadutos. Este sistema exigia, além de alta especialização para a construção, diversos funcionários para movimentar e manter o movimento os trens.

Trem abandonado na via férrea

Em 1974 o sistema funicular foi substituído pela cremalheira-aderência, um sistema de tração, parecido com a operação de escadas rolantes, com engrenagens que se juntam e se ajustam às locomotivas que, além das rodas convencionais, possuem uma terceira roda dentada no meio da composição, que se ajusta às cremalheiras. Este sistema exigia, no entanto, apenas 2 homens para manter os trens em movimento. Foi a sentença de morte para Paranapiacaba e fez com que os ferroviários que alí moravam fossem embora, deixando a cidade praticamente vazia. Queriam tirar tudo daqui, e tiraram o SENAI, as cooperativas, comércio, tudo. A partir de 1957, a “cidade” passou a pertencer à Rede Ferroviária Federal, que tratou Paranapiacaba com desconsideração pela sua história. Virou apenas um “castigo” para os ferroviários considerados ineficientes e a tendência era que a vila não existisse mais. “Casa para ferroviário morar era coisa de inglês do século passado”, argumentavam.


Para evitar que a vila fosse desmontada, foi criado na década de 80 o Movimento Júlio Abe Hakamara com o objetivo de tombar a estação. Em 1985, a estação pegou fogo, evento atribuído por algumas pessoas à Rede Ferroviária para evitar que o local fosse mantido. Isso, no entanto, gerou revolta e uma mobilização junto ao Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – para que toda a paisagem local fosse tombada, incluindo a arquitetura, estrutura urbana etc. O movimento não foi capaz de manter a preservação em diversos aspectos, mas conseguiu fazer com que Paranapiacaba sobrevivesse. A Rede, mesmo assim, não destinou investimentos para a preservação. A única solução seria, então, a venda da “cidade” para a prefeitura de Santo André.

Outro problema é a consciência tanto de moradores quanto de turistas. Há um trabalho de conscientização do valor histórico mas quando moradores começam a ganhar mais conhecimento, vão embora em busca de “melhores oportunidades”. Esta questão dificulta muito a preservação das características locais. Os eventos como os festivais de verão trazem um público que nem sequer sabem que a Vila foi fundada por ingleses, e não reconhecem o fato de ela ser como é. Eles chegam aqui, comem, bebem, sujam, assistem a shows de música popular e vão embora. São eventos que poderiam ser realizados em qualquer lugar, não têm nenhuma relação com Paranapiacaba. E há muitos turistas que ligam aqui na hospedaria perguntando se temos banheiro no quarto, banheira com hidromassagem, TV no quarto e comodidades que são difíceis de se conseguir quando pensamos em preservação arquitetônica. Mas quando você passa a conhecer a história e os aspectos peculiares da Vila, isso passa a ser não tão importante para muitas pessoas, o que poderia melhorar o fluxo de turistas, que hoje é essencialmente de final de semana e feriados. Mesmo assim, muitos finais de semana Paranapiacaba fica vazia para a pernoite. É passando a noite que você tem acesso à informação, que você fica sabendo das características locais. E há muitos locais para se hospedar e boa comida. Então, falta incentivo e informação ao turista. E os próprios moradores, em sua maioria, inclusive comerciantes, desconhecem as melhores maneiras de agir aqui fazendo com que haja uma tendência de descaracterização. Isso é grave na minha opinião, pois o exemplo tem que partir de nós, que moramos aqui. Se nós não respeitamos, quem irá respeitar?

Casa abandonada na Vila Inglesa

Quais os problemas atuais enfrentados pelos moradores?

A vila está abandonada, como você sabe e por tudo que relatei, resultado de 40 anos de desconsideração pelo valor histórico e tecnológico das antigas ferrovias por parte da R.F.F.S.A. Hoje não há infra-estrutura de serviços, pois não temos nem 1.000 pessoas no local. Os moradores, quando necessitam de determinados serviços ou mesmo de procedimentos de saúde mais complexos, têm que conseguir isso fora da Vila. Inclusive o transporte é muito precário, dificultando a locomoção de pessoas que trabalham em cidades nos arredores, como Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá etc.

E quais as soluções viáveis para enfrentar estes problemas, em sua opinião? Fale sobre o projeto de revitalização.

Precisamos incentivar o turista não apenas para o fim de semana, vejo cidades históricas brasileiras receber pessoas em pacotes de 1 semana ou 4 dias durante o ano todo. Precisamos constar no catálogo de agências de turismo, inclusive de outros países, pois temos atributos de sobra para isso. As pessoas que moram aqui precisam também ter maior nível de instrução, aprender sobre Paranapiacaba, saber informar o turista, e é necessário que muitas delas como policiais e profissionais da saúde saibam falar inglês. Precisamos criar uma estrutura para que o turista venha, indique aos amigos e volte. O projeto de revitalização tem este objetivo, e ele tem sentido apenas se houver esta meta, de melhorar o turismo local e levar informação às pessoas, além de melhor qualidade de vida para nós moradores.


O PAC - programa de Aceleração de Crescimento – criado pelo Governo, inclui a recuperação do patrimônio histórico brasileiro. E conseguimos colocar Paranapiacaba em segundo lugar na captação de investimentos, que serão concedidos em etapas para o trabalho a ser realizado na Vila Martin Smith. Não somente arquitetura e urbanismo, mas também em trabalhos para resgatar a cultura local como estrutura para o Turismo, com eventos adequados e condições para recebê-los.

É diferente de um asilo, seria uma comunidade que incentiva a criatividade e bem-estar por meio de trabalho, seja profissional ou hobby. Mas sempre em paralelo com a hospedaria, onde recebo amigos, ofereço hospedagem e comida de qualidade que eu mesmo faço junto com minhas ajudantes e com o Pedro, meu marido. Temos uma família e estar com amigos lá é algo impagável para mim. São estes momentos que me motivam a continuar meu trabalho e a luta para a revitalização de Paranapiacaba!

Na primeira fase, com início previsto para agosto de 2014, será realizada a restauração das casas atualmente desocupadas, pintura, telhados e alguns edifícios públicos.

O recado da D. Zélia, e de todos os moradores com maior consciência e que lutam pela revitalização de Paranapiacaba, é claro.

Na fase seguinte, o investimento será direcionado para a infra-estrutura como rede de água e esgoto, calçamento, cercamento etc. Em seguida, o projeto estará focado em outras áreas como separação de tipos de lixo com latas coloridas, restauração dos totens, programas de conscientização entre outras. Além disso temos previstas ações como paisagismo e outras melhorias. O trabalho é longo, mas ambicioso e muito sério, inclusive quanto ao acompanhamento dos gastos. Quais seus planos para o futuro?

Eu conheço muitas pessoas na minha faixa etária, que não são jovens nem idosos, que se sentem muito sozinhas com a ausência dos filhos e a morte de seus cônjuges. E, sozinhas, tendem a entrar em depressão e a ficarem desmotivadas no caso de aposentados que não mantiveram uma atividade profissional ou um hobby. Há muito tempo penso em criar uma área com casas pequenas mas com bom nível de conforto, um quintal, quarto, sala, cozinha, despensa, lavanderia e tudo o que for necessário para uma boa qualidade de vida, além de áreas comuns como hortas, sala de jogos e outras relacionadas a atividades profissionais e entretenimento. As pessoas teriam novas oportunidades de realizar atividades de sua escolha e mostrarem seu talento, trazendo-lhes novas metas na vida e maior possibilidade de um convívio social intenso e saudável.

Todos são bem-vindos, desde que busquem conhecimento sobre a Vila ou que ao menos respeitem o local colaborando para que, no futuro, se torne uma referência de preservação, de sustentabilidade, de organização e de capacidade de desenvolvimento do turismo cultural e de aventura. É preciso reconhecer que a prefeitura de Santo André e o governo têm observado com mais atenção os anseios de Paranapiacaba. Mas também precisamos manter claro nosso recado que devemos dar para a gestão pública. O desejo da comunidade deve ser atendido quanto a revitalização e preservação de Paranapiacaba em todos os aspectos que envolvem qualidade e seriedade neste trabalho, para que o Brasil ganhe cada vez mais identidade e potencial turístico. Afinal, é o nosso dinheiro que é destinado para a preservação do patrimônio histórico nacional. Tudo isso faz também com que Paranapiacaba seja um cenário inspirador para artistas, em especial para os profissionais e amadores da fotografia. E nada melhor do que fechar este artigo com belas fotos de amigos fotógrafos!


Berenice Kauffmann Abud

Erika Martins


Lilian Shimoda

Liz Krause


Thais Jacob


Pepe MĂŠlega

Beto Andrade


É PRETO NO BRANCO OU AS CORES DA VIDA?

Simão Salomão simaosalomao@terra.com.br

E

m nosso encontro de comemoração aos mais de um milhão de leitores da nossa revista BLACK&WHITE IN COLOR já na edição #03 (e que aproveito a deixa para agradecer pessoalmente a cada um de vocês... ... valeu mesmo pessoal, vocês não são só 10, são 1.000.000 !!!), discutimos um assunto em meio a tantos outros que chamou a atenção do Barbusci, quem me pediu para escrever sobre o assunto nesta edição, então aqui seguimos falando um pouco sobre o porquê de fazer a foto em P&B ou Cor. Uns não abrem mão do P&B, e sempre fotografaram exclusivamente neste belo padrão de tons de cinza, como fizeram Cartier Bresson e Pierre Verger, e como fazem hoje Chema Madoz, Pierrot Men, Sebastião Salgado, entre outros grandes fotógrafos. Outros acabaram por se render à cor muito tempo depois de usar só a variação da possibilidade original da fotografia. Ansel Adams (possui um vasto trabalho em suas eternas paisagens, colorizadas no final da década de 40 ao início da de 50, tão belos quanto suas imagens em preto e branco), Robert Doisneau (ao ir aos EUA pela primeira vez em 1960), e Joel Meierowitz (que passou a fotografar apenas em cor a partir de 1972, época em que ainda havia uma certa restrição ao uso de cores no fotojornalismo).

A primeira fotografia, de Niépce

Mas, que eu saiba, nunca ouvi falar de um fotógrafo notório que só fizesse seu trabalho em cores, por outro lado, existem publicações que não aceitam outra possibilidade além da cor, se possível, em seu nivel mais saturado, como é o caso da revista National Geographic. A fotografia surgiu em P&B, isso fez com que, por muito tempo, o mundo as entendesse assim, e fim de papo, não havia outro modo de fazê-las. Com o tempo, para oferecer aos observadores mais características do assunto e da cena, ou mesmo como deslumbramento pela inovação tecnológica das cores, alguns fotógrafos começaram a colorir as imagens, fato que se sabe desde a época dos Daguerreótipos (se cobrava o dobro do valor da foto para que ela fosse colorida manualmente – seria o Photoshop da época ?) quando não, passaram a usar a cor automaticamente, com o surgimento dos filmes neste padrão.


Foto Ansel Adams

Foto Cartier-Bresson


Porém, além da característica física e tecnológica, quando falamos em composição, a escolha do padrão varia em função de mais de um quesito. E esta escolha se iniciava nas lojas de fotografia. Quando tínhamos a necessidade de comprar filmes, sempre acabávamos por comprar um determinado número de filmes em cor, outra quantidade deles em P&B, e em cada um dos casos, mais de uma sensibilidade e temperatura, o que gerava um orçamento pesado e que tornava a fotografia - neste âmbito - algo para poucos. Lembro-me que em minha ultima grande viagem utilizando filmes, levei comigo 16 filmes P&B (boa parte o famigerado Kodak Tri-x 400 asa, outros poucos eram Ilford Delta 100 asa) e 16 filmes em cor (Fuji Superia, com diversas sensibilidades), todos os rolos com 36 poses. Obviamente, dois corpos de câmeras, um apenas com P&B e o outro em Cor.

Foto Pierre Verger

Como advento tecnológico precoce, sabe-se de um experimento em 1909, na Rússia, produzido por Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii, que consistia em um equipamento que utilizava de três filtros nas cores vermelho, verde e azul entre o filme e a imagem, e posteriormente eram revelados em processo similar, utilizando lanternas com filtros nestas mesmas cores (que curiosamente são as cores do padrão RGB atual).

Isso era considerado um exagero em 1997... ...hoje, um cartão de memória de 16 Gb faz praticamente o dobro desta quantidade de imagens em alta definição, e você não precisa usar um filme inteiro para poder mudar a sensibilidade de uma foto para a outra, nem mesmo alternar entre cor e P&B !

Prokudin-Gorskii fabricou tanto a câmera quanto o ampliador para obter seus resultados interessantíssimos. O filme colorido só foi fabricado em processo industrial 26 anos depois, em 1935 (Kodachrome), mas utilizados em larga escala a partir dos anos 1960.

Foto executada com filme Kodak Tri-X 400 asa

Esta foto foi feita com o filmeFujifilm Superia 100 asa Foto de Prokudin-Gorskii


Hoje, com o digital, a maioria dos fotógrafos enxergam as imagens em cores todo o tempo, e depois convertem os arquivos que mais são pertinentes para P&B, mas isso nem sempre é verdade. Alguns poucos efetuam o setup para já registrá-la em preto e branco, com isso, a câmera elimina uma série de conversões, e se pode obter tons de cinza menos desviados do original. Quando não, efetuam este registro em cores “pensando” a foto em P&B, imaginando sua conversão a futuro.

Foto de Simão Salomão – P&B

Alguns equipamentos mais antigos efetuam o registro em P&B, e os arquivos são convertidos em cor pelo processador da câmera, que ao medir a intensidade de cinza de cada pixel, transforma o mesmo no comprimento de onda captado, definindo assim a imagem final.

Foto de Simão Salomão – COR

Neste caso, quando fiz a imagem, pensei a mesma com as cores por conta da possibilidade do uso dos semáforos de pedestres, que possuíam um vermelho que ecoava nas placas de transito. Posteriormente, pensei na conversão do arquivo em P&B, e também na possibilidade de uma terceira alternativa, que veremos mais à frente.

Neste caso, o processo da imagem já efetuada em P&B gera muito menos processamento de imagem, bem como elimina muitas perdas em processos de conversão para cor e posteriormente para o original em branco e preto. No entanto, para conversão das imagens em P&B, vários processos foram utilizados sempre buscando aproximar os arquivos digitais aos padrões aproximados aos dos filmes com os quais nos acostumamos por tanto tempo. Através dos tempos, desde o início da era digital, alguns se esmeraram em utilizar formas de copiar os resultados obtidos com os filmes no Adobe Photoshop, e com isso, hoje encontramos em diversos sites e blogs de fotografia uma tabela de alterações no Channel Mixer que trazem as porcentagens dos canais para cada tipo de “grão” e contraste, conforme poderemos ver na próxima página.


*Obs: Não se esqueça de marcar monocromático para obter o resultado em P&B.

Também se determina a escolha de Cor ou P&B através do assunto e da finalidade da foto. Dificilmente se utilizava filme P&B em publicidade, pois as cores sempre acabavam por fornecer mais de um apelo às necessidades do marketing, e em raros casos, quando havia um estilo mais clássico em relação ao produto, se fazia o uso de fotos sem cores. Quanto ao lado autoral, o P&B tinha sempre um apelo mais charmoso e era mais bem visto para Fine-art, retratos, e afins. E isso tem um porque: ao efetuar um registro para Fine-art, a finalidade da foto é ornamentar um ambiente, estando em lugar de destaque. Por isso, não deverá oferecer mais interferência ao local além da imagem que ali está. As cores neutralizadas limpam a imagem, deixando o assunto da foto muito mais destacado. No fotojornalismo, demorou a se utilizar o colorido em larga escala, e os jornais com imagens em cor começaram a rodar a impressão reticulada na década de 70, e os primeiros jornais totalmente coloridos, somente na década de 90. Mas e você, como você escolhe a cor de sua arte? Em sua ultima entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Sebastião Salgado respondeu à essa pergunta de uma forma com a qual compactuo: nós não enxergamos em Preto e Branco, enxergamos em cores. Com isso, quando você oferece ao observador uma foto que não tem cor alguma, a imagem que ele vê é entendida da forma que ele mais identifica em sua relação de “equivalência” (conforme postulou Minor White).

Portanto, para cada observador, a foto P&B acaba por se apresentar de forma distinta, e com certeza de forma que agrade tanto a quem enxerge o verde da grama ou o azul do céu, cada um com seu grau de saturação e padrão de cor enraizados em sua mente. Outrossim, ao desvincular a atenção dos pontos alheios ao assunto, como em um retrato, você determina mais ênfase ao que quer focar, e assim, consegue captar toda a “dignidade” do fotografado – palavras do próprio Salgado.


Fotos Sebasti達o Salgado


O interessante trabalho autoral de Chema Madoz, fotógrafo espanhol que evidencia a subjetividade e a subversão, usa o P&B de forma plástica. Sem cores, as fotografias assumem uma profundidade rasa, que ajuda a confundir o espectador, forçando suas indicações de dualidade e transformando suas fotografias em metáforas e paradoxos.

Fotos Pierrot Men

Um outro detalhe é que as cores possuem temporalidade. Elas entram e saem de moda, e ao efetuar um registro em cores, você pode determinar o período em que a mesma foi feita. Com o P&B, este mesmo registro tenda a ser atemporal. É muito comum observarmos algumas fotos antigas em P&B e se surpreender quando descobrimos a data em que foi feita.

Fotos Chema Madoz

Pierrot Men, africano de descendência chinesa e malgaxe, inicialmente compactuava com a questão das cores falsas de Ansel Adams, e não fotografava em cores pelo mesmo motivo, não conseguia ver as cores reproduzidas em cópias como na realidade. Porém, desenvolvendo seu trabalho, encontrou no P&B uma forma poética de apresentar cenas do quotidiano de regiões que conviem com a pobreza, descaso e incerteza, efetuando uma comparação com o mundo ocidental. Através de uma composição artesanal digna de Bresson, capta momentos espontâneos que apontam as conexões entre culturas tão diferentes, apesar das matrizes sociais distintas e da distância entre estes mundos.

Quanto às cores, quando feitas para publicidade, as imagens podem receber um tratamento para se adequar ainda mais ao período que se quer representar em uma campanha. As empresas que atuam com moda, decoração e estilo, bem como outros segmentos (como fabricantes de tintas e pigmentos) efetuam exaustivos estudos para se definir as tendências que devem ser seguidas a cada novo período, e assim produzir nas cores que serão mais requisitadas e menos rejeitadas. Um exemplo são as imagens vintage para moda e ambientações geralmente recebem uma tonalização para fixar mais as cores próximas aos tons primários, inclusive com luzes mais quentes e cores menos profundas, que oferecem certa impressão retrô e determinando um passado remoto à cena e personagens. Em algumas situações, não tem sentido efetuar um registro em P&B. Quando a cor é algo que se quer registrar, não tem outro caminho. Exemplo disso são as fotos científicas e biológicas, onde as cores fazem muita diferença para a classificação de esécies e observação de fenômenos naturais, como as fotos de satélites e telescópios espaciais.


Mesmo em fotografias autorais, muitas vezes a cor se torna um item para determinada série, quando não um diferencial para se obter um “puctum” na imagem (conforme Roland Barthes). Alguns fotógrafos se esmeram em realizar uma imagem que terá um tratamento para se transformar um P&B que terá, em algum lugar definido, determinada cor destacando algum elemento. Com isso, parece que estamos voltando no tempo, fazendo o que os fotógrafos de nossas infâncias faziam ao colorir com lápis ou guache nossas bochechas com um tom de rosa diretamente no papel fotográfico.

Foto de Simão Salomão - Punctum

Doisneau, fotógrafo francês, quando iniciou seus registros em cores, começou a fazê-lo quando colocou os pés nos Estados Unidos pela primeira vez, com a proposta de retratar o estilo de vida burguesa “que era muito colorido e artificial”, como ele mesmo definiu. Curiosa esta impressão. Este argumento faz par com a opinião de muitos amigos que sempre disseram que a América é mais colorida que a Europa, que o velho continente tem mesmo ares mais pesados, mais voltado para as variações do cinza. Fotos coloridas de Doisneau


Já o americano Ansel Adams, que muitos imaginam só ter feito fotografias em P&B (produziu em torno de 3.500 fotos em Kodachrome e outros filmes coloridos que vieram depois), tem uma posição contrária a respeito: ele nunca publica nem amplia nada para seu publico durante sua vida. Apenas após sua morte (9 anos após) é que o público tem conhecimento de que ele havia feito imagens em cor através de uma publicação, Ansel Adams in Color, curada por outro fotógrafo, Harry Callahan. Sua justificativa é muito simples, dizia que para ele é muito necessário o fotógrafo controlar todas as características, elementos e etapas de um registro e processo de obtenção da imagem física, e que o colorido não permitia isso, em razão de que a cor estava mais definida no processo de revelação e ampliação da imagem, e dificilmente se conseguia repeti-lo, pois era definido por terceiros. E que o processamento dos filmes em cor não conseguiam chegar à riqueza da fina granulação de suas paisagens em cinza, bem como a cor influenciaria diretamente na riqueza visual da composição da imagem.

Foto colorida de Adams

E você, tem uma opinião sobre isso? Como você enxerga o emprego das cores ou a escolha do P&B ? Você utiliza filmes ainda ? Faz as imagens digitais já convertidas na câmera ou converte os arquivos à posteriori? Escreva para o e-mail salomaosimao@gmail.com ou publique em nossa fanpage (www.fb.com/bwincolor) para fazermos uma comparação entre o que dizem por aí e o que podemos dizer uns aos outros... ...após o balanço do que teremos, poderemos fazer um gráfico para constatar como é que o coletivo dos amantes da fotografia por aqui enxergam a vida, se em cores ou em tons de cinza, e publicaremos assim que tivermos um amostral interessante. Abraços à todos, e até o ano que vem !! Um grande 2014 pra todo mundo !!!


PEPE MÉLEGA O STREET PESCADOR POR MARCELLO BARBUSCI


Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

Ahhh Marcello Barbusci você me deixou uma tarefa complicado demais né! Escrever sobre si mesmo é muito diferente de escrever textos sobre pesca, mas vamos ao desafio.

Com o surgimento da revista e por fazermos parte da mesma associação, a AFFototech, resolvi conhecer pessoalmente esse profissional.

Sou um brasileiro, como muitos outros, tenho minhas paixões e passo pelas dificuldades também e como o assunto é fotografia vamos logo ao que interessa. Minha identificação com a fotografia começou aos 11 anos, foi nessa idade que ganhei uma câmera Kodak Instamatic 110 após meus pais usa-la em uma viagem, com ela um filme negativo de 24 frames ou como se dizia na época “24 poses” e comecei a fotografar o que vinha pela frente até fazer um acordo com minha mãe. Passei a ter direito a um filme por semana que era entregue em um quiosque de um supermercado Pegue a Pague (acabo entregar a idade) para ser revelado, ou seja deixava o filme exposto com ela e recebia as copias em formato 9 x 13cm, junto com outro filme para novas fotos toda semana e graças a esse trato foi alterado meu jeito de fotografar.

Marquei um café e fomos bater um papo no glamour de uma cafeteria nos Jardins. Ele sugeriu um espaço, o qual frequenta, sempre que está em São Paulo, entre uma viagem e outra pelo mundo a fora. Não podia ser diferente… sugeriu um lugar de nome “Pão”, isso mesmo, Pão. E foi no Pão que conheci esse grande profissional mas principalmente esse grande ser humano que é Pepe Mélega, que assina seus e-mails como Fotógrafo & Pescador mas que manda no final uma excelente frase: “Everyday is a street photo day”. Nas próximas linhas teremos um pouco do que vem sendo esses bate papos rotineiros cheios de história e aprendizado, e quem esse street pescador. Com vocês, Pepe Mélega.

Já não retratava mais os amigos ou a menina mais bonita da escola, usava-a para fazer cenas da pelada de futebol na hora do recreio e ou arriscava uma fotos da nossa turma que treinava tênis. Fui acertando algumas fotos de vez em quando, mas uma foi bastante marcante nesse época, uma imagem de um gato, dentro de uma caixa de correio do lado e um litro de leite - é daqueles de garrafa que em épocas passadas deixavam na porta das casas com o pão pela manhã, foi essa foto que pedi aos meu pais uma ampliação maior para poder inscrever em um concurso de fotografia que estava sendo promovido na cidade de Campos de Jordão, SP onde passava alguns dias com a família na época do inverno e acabou como foto vencedora, até hoje procuro por esse negativo que deve ter se perdido nas mudanças de endereço que fiz na vida. Acredito que por causa disso meu pai me presenteou com um livro da Life (revista americana) sobre fotografia, pensei que era o sinal, mas no fundo meu progenitor queria despertar meu interesse pela língua inglesa - manobra maquiavélica dele, mas infelizmente minha dificuldade com essa língua e outras permanece comigo.

Lester Scalon

PEPE MÉLEGA O STREET PESCADOR

J

á o conhecia de nome até porque ainda engatinho no mundo fotográfico e vi alguns de seus trabalhos nas listas e grupos de discussão das redes sociais.

Pepe Mélega

Mas algumas lições foram tiradas desse livro, talvez por tanto vê-lo, alguma técnica foi absorvida das figuras, gráfico e fotografias nele existente.


A mania e o trato continuavam e minha pequena câmera sempre estava por perto, perto de completar 15 anos fui apresentado a uma Asahi Pentax Spotmatic que me olhava de uma vitrine como se quisesse dizer algo mais. Joguei verde um dia e colhi maduro, mas de forma indigesta, nasci em dezembro, perto do natal e meu aniversário sempre acontecia depois do boletim escolar, já deu para perceber virou presente de aniversário e natal, mas só se o boletim estivesse de acordo. A primeira parte sem problema, mas as notas... estava no sufoco em duas, socorro. Deu certo, e consegui as notas necessárias e com o resultado entre o aniversário e o natal fui comprar com meu pai aquela peça na vitrine que me seduzia no meu caminho de ida e volta para o colégio. O gerente da loja foi atencioso e contou as varias vezes que foi buscar informações sobre a câmera e rapidamente se pôs a falar das qualidades, etc e eu querendo saber quanto era um rolo de filme e aonde revelar para refazer meu trato com a mamãe. Foi assim que tudo se iniciou, uma câmera com mais controles, uma lente 50mm e um golpe nas artimanhas de meu pai, encontrei o livro que tinha ganho em português. Some muita vontade de fazer, pesquisar e realizar. Óbvio, que ser fotógrafo não era o plano da família, mas era o meu. Surgiu uma oportunidade para fazer fotos profissionalmente aos 16 anos de idade, fotografar um evento de tênis para um jornal, foi meio por acaso e surgiu porque eu jogava tênis e conhecia a linguagem do esporte, não porque fotografa bem. Fiz o teste e foi convidado, recebendo, a cobrir o evento. Bingo, uma chance e comecei a fotografar eventos de esporte, mas nunca me mandavam para o futebol, grrrrrrrrr. Era lá que se ganhava melhor, mas aprendi muito tomando tapas na orelha e gozações do time de fotógrafos contratados. Abandonei aos poucos o jornal e foi tentar fotografar para revistas, surgiram alguns “freelas”, com o dinheiro o equipamento foi melhorando, com essa melhora as oportunidades também e comecei a fazer alguns cliques para revistas de surf, camping e de vez em quando algo da editora Abril. Continuei meu aprendizado. A necessidade de fotografar produtos (still) me levou a apreender como usar a luz artificial e o flash pequeno - tipo reportagem - que tornou-se um diferencial, eu os usavas bem e resolvia fotos de produtos para publicações na casa dos clientes, ou seja não precisavam mandar para o estúdio. Em virtude desse aprendizado montei um estúdio pequeno e mesmo trabalhando em uma empresa privada arrumava tempo para atender clientes que gostavam do meu trabalho. Em 1994 descobri a mídia sobre pesca esportiva e comecei a escrever sobre minha outra paixão - a pesca - e a fotografar, aos poucos tive fotos publicadas e vieram os artigos escritos e fotografados por mim na extinta Troféu Pesca, em 1996 tornei fotojornalista por tempo integral novamente e em 1997 me transferi para o titulo Pesca & Companhia onde me encontro até hoje.

A foto de natureza Fotografar pesca esportiva é estar num meio ambiente rico de imagens da vida selvagem e isso acabou me rotulando como fotógrafo de natureza, o que não é ruim, mas não é a única modalidade que pratico. Essa volta toda é para mostrar um pouco do Pepe Mélega, street photographer, ou o fotógrafo de rua, que é minha essência desde meus tempos de moleque com a Kodak Instamatic na mão que poucas pessoas conhecem ou vêem fotos minhas que remetem a esse tema. Ser fotógrafo de rua é mostrar as pessoas interagindo com os locais, que podem ser as cidades, o campo, estradas e tantas outras locações ou vice versa. As vezes as imagens têm o local como foco principal e as pessoa como forma a dar vida, movimento e dimensão a esse e há muitas de vários autores reconhecidas com boas excelentes. Fotografar as coisa da ruas é estar atento a tudo, como um bom fotojornalista, mas deixar de lado quem devemos agradar com a imagem o publico alvo e até o diretor de arte do veículo para quem estamos trabalhando. Fotografar na rua e colocar sua intuição, a sua forma de ver o comportamento, a interatividade das pessoas ou dos animais com o ambiente por onde elas passam, vivem ou simplesmente estão. A foto pode não ser nada, mas pode ser tudo resumido no momento do clique onde tudo o que se tem dentro do fotógrafo é aplicado para de alguma forma expressar uma ação vista. A técnica que carregamos aliada a tudo que Ansel Adans descreveu quando citou : “ Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos a todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.” e que nós faz fotógrafos. É a maneira que vemos e que gostaríamos de mostrar nossas imagens ao mundo que nós fazem ser fotógrafos. Não sou o fotógrafo só de natureza, muito menos um fotógrafo de rua, sou um fotógrafo pronto a fotografar o que precisar, o que me atrair, o desafio que poder aceitar se me avalio apto a executa-lo, pois a fotografia sempre foi, é e será uma paixão. É a paixão que me transformou num auto ditada a aprender com livros, fotógrafos e depois alguns cursos que me fizessem entender o que posso fazer com a câmera na mão. É a fotografia de rua, essa foto moleque que me faz sentir com tal quando estou com o equipamento em mãos me permitindo registrar o momento visto para que outros o vejam também. Sou só mais um fotógrafo apaixonado como vocês.


ENSAIOFOTOGRテ:ICO

Tudo que テゥ sテウlido desmancha como areia PRODUZIDO POR GERALDO MAGELA


G

eraldo Magela dos Santos, nascido em São Gotardo, MG. Fotógrafo auto-didata.

ENSAIO BWINCOLOR

Sou formado em História. Comecei a me interessar mais profundamente pela fotografia em 1993 quando comprei uma máquina Zenit , um livro sobre fotografia e uns filmes preto e branco. Desde então nunca mais parei. Meu trabalho é todo autoral, pois não vivo profissionalmente da fotografia. Procuro resgatar e desenvolver novas formas de revelação, fazendo algumas experiências aleatórias com filmes em diversos tempos de exposição, temperaturas e reveladores. Participei de algumas exposições coletivas e individuais, como: Bienal PB 2006 tendo as 4 fotos enviadas aceitas e duas menções honrosas, Exposição na cidade do Porto, Portugal, exposição no salão Consigo e FILE 2008 na FIESP.

Geraldo Magela

Tudo que é solido desmancha como areia. A idéia desse ensaio surgiu hoje, quando repassava umas antigas fotografias de meu arquivo. Uma pasta com algumas experiências me chamou a atenção. Negativos superexpostos, superevelados que eu havia scaneado e guardado. Notei que havia algo em comum entre fotos de temas tão diferentes, a granulação que salta aos olhos faz todas as fotos parecer que estão se desmanchando em areia. Me veio a idéia “Do pó viestes ao pó retornaras”.


PORQUE A FUJIFILM X-E1 POR MARCELLO BARBUSCI


PORQUE A FUJIFILM X-E1

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

Q

uando comecei a pensar na foto da capa, procurei algo que fizesse o cenário conversar com o ser humano sem ser invasivo mas sim algo que o integrasse. Passei a pensar em algo que remetesse a natureza mas que ao mesmo tempo pudesse lembrar um pouco o lado urbano do homem. Decidi por um parque onde poderia ter a visão das árvores, das vegetações nativas e a possibilidade de trazer o céu para dentro do contexto. Mas não poderia ser qualquer céu. Teria de ser um céu nublado para tirar a idéia de um momento feliz e tradicional e sim trazer um pensamento, uma reflexão do momento. Com a idéia de cenário já formatada no emocional, passei a procurar o local ideal para colocar isso na prática. Visitei alguns lugares aqui em São Paulo e o Jardim Botânico foi o que mais se aproximou da idéia. Passei um dia inteiro caminhando para conhecer seu espaço e ver como o sol se comportava durante o dia enquanto iluminava a vegetação por diferentes ângulos. Fiz alguns clicks e passei do digital para o papel. Uma forma antiga mas que para mim ainda é a melhor maneira de ver uma imagem. Procurei locais onde pudesse trazer a interação entre o espaço e o homem e para isso escolhi ambientes onde houvessem indicios de que ali existia esta interação. Espaços com bancos e caminhos eram os ideais e assim resumi meus locais em apenas 3 dentro do parque. Agora a decisão era qual equipamento usar para reproduzir o que o meu coração estava vendo e ter o dia ideal com o céu pretendido. Eu já sabia que deveria ser algo de fácil manuseio por dois motivos. Primeiramente o Jardim Botânico não permite a utilização de tripé sem uma autorização prévia e o segundo e para mim o mais importante, é por não gostar de carregar equipamentos pesados mas sim os de rápido acesso e manusei.

Além disso, como minha grande paixão na fotografia é a foto street, prefiro usar equipamentos com lentes fixas e de curtas distâncias. Por conta disso, para mim, as melhores lentes são a 35mm e 50mm. Como a minha intenção era fotografar no final do dia e com o céu nublado, precisava ter em mãos uma câmera com um sensor que trouxesse ótimos resultados mesmo usando um ISO alto. Logo pensei na linha X da Fujifilm que possui o sensor APS-C com apenas 50% de crop. Já a câmera escolhida foi uma X-E1, por conta de sua empunhadura e design. Junto a isso, optei pela lente 35mm 1.4 a qual equivale a uma 50mm em uma câmera fullframe. Já com o equipamento em mãos, sedido gentilmente pela Fujifilm do Brasil, agora era esperar pelo dia certo com o clima perfeito para criar o cenário pretendido. Não precisei esperar muito pois aqui temos as 4 estações do ano em um único dia. Fui para o Jardim Botânico e exerci a paciência aguardando a luz e o céu corretos nos locais que poderiam ser a capa desta edição. Trabalhei todas as fotos com pequenas aberturas e com ISO alto para poder usar uma velocidade suficientemente interessante mantendo a vegetação congelada mesmo com o vento de um final de dia em São Paulo. As fotos foram todas produzidas em Preto e Branco pois é neste tom que gosto de ver as cores através de suas texturas. A foto decidida já se sabe mas o porque explicarei agora. Desde o inicio eu queria um espaço onde o homem pudesse interagir com a natureza sem que a invadisse. Para demonstrar isso, achei que o banco no meio das folhagens era a imagem mais propicia para trazer essa idéia. Assim pude reunir o espaço, a interação e a reflexão em um mesmo quadro usando um equipamento de alta qualidade com extrema discrição e flexibilidade. As imagens contidas neste artigo juntamente com a da capa foram todas produzidas em preto e branco com a Fujifilm X-E1 utilizando a lente 35mm 1.4.


O A FOTOGRAFIA MAIS TECNOLÓGICA

Rui Costa ruijscosta@gmail.com

Colunista Internacional diretamente de Portugal

meu desempenho a bordo desta tremenda aventura que tem sido a BLACK&WHITE IN COLOR, atira-me despreocupadamente para o lado mais tecnológico da fotografia, melhor dizendo, para uma abordagem mais tecnológica do que é ser fotógrafo nos dias de hoje. Isto, claro, com tudo o que de bom e de mau isso mesmo traduz. Por essa mesmíssima razão, nada melhor para exorcizar qualquer tipo de demónio, do que mergulhar de cabeça num assunto que os mais puristas poderão considerar um sacrilégio digno de pena máxima. Uma espécie de atentado premeditado à sobrevivência da inocência artística e uma abordagem a um assunto que só deveria ter lugar numa edição de uma qualquer e-zine de tecnologia digital: falo dos tablets e smartphones e da a sua importância na fotografia atual. Dirão alguns que jamais poderá ser atribuída verdadeira “importância” a este tipo de dispositivos, naquilo que efetivamente diz respeito à fotografia profissional. Dirão mesmo que o aspecto mais íntimo da fotografia, o contacto verdadeiro entre o fotógrafo e o assunto estudado, fica de fora da equação quando intermediamos este processo com o uso de tecnologias “demasiado” modernas. Quase que entendo mas permitam-me que discorde. Negar a utilidade destas novas tecnologias no apoio à fotografia é como negar a importância do lançamento em massa do filme pancromático no início do sec. XX (Kodak), o surgimento da Polaroid em meados do século passado, ou mesmo negar a revolução que foi o surgimento da primeira câmara digital em 1975. Nos dias de hoje, como em qualquer das épocas anteriores, existe resistência à adopção imediata de novas tecnologias e a novas formas de encarar e representar a realidade. Naturalmente, todo este fenómeno se repete ad aeternum e nunca, passe a redundância, teremos uma novidade absorvida simultaneamente por todas as faixas de consumidores. É essa a nossa natureza e faz sentido que assim o seja.

O importante, estou em crer, será conseguir discernir entre o útil e o fútil, o essencial e o acessório. Saber onde começa a utilidade e onde esta dá lugar à completa dependência. Perceber que o gadget não substitui o conhecimento, apenas se molda como uma ferramenta mais rápida para a aplicação daquilo que já sabe. Possuir uma aplicação para o cálculo de uma distância hiperfocal sem saber o que diabo isso é, é na melhor das hipóteses, um caso de pura ignorância relativamente ao verdadeiro papel da tecnologia na sociedade. Aplique sem reserva o anterior a qualquer área do saber. Sem medo! A tecnologia é uma ferramenta, não um vil ditador ou uma desculpa para o desconhecimento. Posto isto, e sem qualquer reserva relativamente ao respeito que me merecem os grandes defensores do conservadorismo fotográfico, gostaria de vos deixar algumas sugestões de aplicações que já testei no meu tablet e/ou smartphone. Considerarei aplicações para iPad/iPhone por uma questão de experiência própria. Nada contra outro tipo de plataforma, que fique claro. Ressalvo contudo que a minha visão está naturalmente toldada por ser fotógrafo de paisagem. Assim sendo, tenha alguma paciência se muitas das minhas sugestões se aplicam essencialmente a esse tipo de destinatário. Ainda antes de avançar para as sugestões de aplicações, gostaria apenas de mencionar os tipos de uso que pode dar ao seu dispositivo móvel, especialmente a um tablet como o iPad: + Armazenamento (embora limitado aos 128GB); + Análise das fotos capturadas num ecrã mais capaz do que o LCD fornecido pela sua câmara; + Portfolio móvel; + Edição fotográfica; + Publicação de fotos em redes sociais quando em expedição; + Acesso a toda o seu arquivo fotográfico online (cloud); + Uma forma de ter sempre manuais, documentos e referências técnicas consigo; + Um dispositivo para registo de notas ou locais de interesse; + Um dispositivo de navegação (bem útil a fotógrafos de paisagem como eu próprio); + Acesso a um considerável número de ferramentas de cálculo (abaixo mencionadas); + Uma forma de ir registando o behind-the-scenes de todas as suas missões fotográficas e até uma forma de atualização do seu blog de campanha; + Outros usos que tenho a certeza que encontrará, faltando apenas uma necessidade que os gere.


Começo por onde vulgarmente começo todos os meus planos – mesmo os mais falhados. Onde me inspirar? Aplicações que inspiram Sou, como certamente todos os nossos leitores, um ávido consumidor da imagem fotografada. O meu dia tem sempre uma considerável porção reservada para a observação do trabalho de terceiros. Como o tempo não sobra para ninguém, o tablet é uma fantástica opção para ir consumindo fotografia nos tempos mais mortos do seu dia, quer este seja passado em transportes públicos ou enquanto espera por alguém. Especialmente se for esperar por Godot! As minhas sugestões mais imediatas são apps como a fornecida pelo conhecido 500px (www.500px. com/apps) e o extraordinário The Guardian Eyewitness (bit.ly/guardianeyey) que, em detrimento da quantidade, lhe entrega apenas uma soberba imagem a cada dia que passa. Num registo bem diferente mas nem por isso menos interessante, aconselho vivamente praticamente todas as aplicações fornecidas pela Fotopedia (pt.fotopedia. com/products). Fotografias fantásticas em barda e numa cadência que dificilmente lhe permitirá esgotar esta fonte de inspiração.

Começo por onde vulgarmente começo todos os meus planos – mesmo os mais falhos.

Onde me inspirar?


Aplicações que processam Tudo o que fotografo vai normalmente parar a uma unidade de armazenamento antes de qualquer triagem criteriosa. É claro que pode (e deve) usar um dispositivo físico como a HyperDrive ColorSpace UDMA2 (bit.ly/hypershop) quando em expedição e garantir redundância não limpando os seus cartões até ter tudo em local mais ou menos definitivo. A HyperDrive é compatível com iPad, iPhone, Android, Mac, PC ou qualquer dispositivo dotado de Wi-Fi. Pode agora passar à escolha de aplicações que o(a) ajudem no processamento de ficheiros fotográficos. No entanto se quiser usar um iPad como unidade de armazenamento e processamento enquanto está em expedição, deverá considerar adquirir um Apple iPad Camera Connection Kit, um adaptador Lightning para USB ou Lightning para leitor SD Card, dependendo, do seu iPad e do seu tipo de cartões de memória. Depois de passar todos os seus ficheiros para o iPad, considere usar uma aplicação como o PhotosInfoPro (bit.ly/photosinfopro), uma forma bem séria para a edição de metadados em ficheiros RAW (ou no par RAW+JPEG). Como aplicações sugeridas para o processamento de ficheiros RAW recomendo vivamente que veja com atenção a piRAWnha (bit.ly/piRAWnha) ou a PhotoRaw (bit.ly/PhotoRAW). São ambas boas soluções e ambas comercializadas pelo mesmo valor, sendo este bem acessível. Sinta-se nas nuvens! Ser um fotógrafo que faz uso da tecnologia digital de captura de imagem apresenta uma série enormíssima de vantagens. A mais clara é que disparar 100 ou 1000 vezes tem, aproximadamente, o mesmo custo. O clique fácil dos tempos modernos dá contudo lugar a um considerável inconveniente: tudo ocupa muito espaço lógico, especialmente se falarmos de máquinas mais recentes, mais capazes e se fizer uso de ficheiros RAW. É tão fácil encher um cartão de 16GB que é até quase vergonhoso só ter um. Considerando que a porção da transferência das suas fotos para o seu tablet está dominada, que o processamento RAW e a edição de metadados é coisa do passado, é então hora de salvaguardar o seu trabalho. A palavra de ordem é redundância. Tenha mais do que um suporte físico como depósito do trabalho que não quer mesmo perder e tenha, acima de tudo, muita fé! À oração sugiro que adicione um bom serviço de Cloud Hosting. Não

apenas servirá o propósito de backup como será também um arquivo acessível a partir de qualquer ponto do globo considerando que esse tal “ponto”, terá acesso à rede. Como aplicações/serviços de Cloud Hosting poderia sugerir uma infinidade deles mas farei de questão de deixar apenas aqueles que uso pessoal e regularmente. O meu preferido, por uma questão simples de hábito, é o Dropbox (bit. ly/dropboxBW), bem conhecido de todos. A estes junto o uso cruzado da Google Drive, SkyDrive e MEO Cloud (este para Portugal). Por último, mas nem por isso menos importante, fica uma referência – que creio ser merecida - para o Copy (bit.ly/copycloudhost), serviço que tem recolhido muita atenção e que muitos consideram tão bom quanto o Dropbox.. Seja qual for a sua preferência não esqueça: na era do digital, redundância e segurança são os termos a reter. Como aplicações sugeridas para o processamento de ficheiros RAW recomendo vivamente que veja com atenção a piRAWnha (bit.ly/piRAWnha) ou a PhotoRaw (bit.ly/PhotoRAW). São ambas boas soluções e ambas comercializadas pelo mesmo valor, sendo este bem acessível. É a edição agora? Sim! Finalmente está na hora de editar as suas fotos. Algumas pelo menos. Não vou entrar num frenesim de sugestões por duas razões bem simples: são demasiadas (literalmente) as aplicações disponíveis para a edição de fotografias num iPad ou em qualquer outra plataforma. São tantas que é verdadeiramente impossível seguir todas elas e emitir uma opinião avalizada acerca de cada uma em particular. Em segundo lugar, vai longo esse texto! Sugiro por isso nomes que são sinónimo de segurança e confiança. Comece por testar apps como o Adobe Photoshop Touch (bit.ly/adobephototouch). Possui a grande maioria das ferramentas que necessita para a edição de fotografia e tem um interface que estou certo que muitos dominarão na perfeição. Snapseed (bit.ly/snapseedap) ou Filterstorm (bit.ly/filterstormapp) são nomes de relevo neste segmento e merecem igualmente a sua atenção. A Adobe Photoshop Express (bit.ly/adobeexpress) e a Photo Editor da Aviary (bit.ly/aviaryeditor) fazem também parte da bagagem que lhe sugiro adicionar ao seu tablet. Numa linha mais direcionada para as fotos de behind-the-scenes, atualização do blog ou para colocação rápida em redes sociais como forma de ir divulgando e registando as suas aventura fotográficas aconselho (e uso) aplicações como a Camera+ (bit.ly/camerapl), 645 PRO Mk II (jag.gr/645pro), Noir Pro (bit.ly/noirpro), ProCam XL (bit.ly/procamxl), a DerManDar (bit.ly/dermandar) para panoramas de qualidade e de forma muito simples, e, claro está, Instagram (www.instagram.com). Outros tempos, outros usos, outras ferramentas...


Naturalmente que este artigo jamais conheceria um fim caso decidíssemos enveredar pelo caminho da abordagem a todas as formas de uso de um dispositivo móvel no apoio à sua fotografia. Assim sendo, e porque o espaço por aqui é (felizmente) limitado, resta deixar-lhe algumas sugestões adicionais para apps que vou usando nas minhas incursões pela fotografia de paisagem. Uso muito regularmente uma app bem simpática denominada Field Tools (bit.ly/fieldtools), bem útil para cálculo de distâncias hiperfocais. O Depth of Field Calc faz mais ou menos o mesmo. São ambas gratuitas e uso-as no iPad apesar de a primeira ser nativa de iPhone. Sugiro aos mais iniciados uma app de referência chamada Expositor Lite (bit.ly/expositorlite) para o cálculo de valores de exposição para as mais variadas situações (é altura de estudar essa coisa da reciprocidade).

Depois há toda uma imensa paleta de aplicações que deve descobrir por si. Ferramentas de edição do seu blog, aplicações de sincronização de ficheiros, referência, tabelas de marés, fases lunares, fotoperíodo, enfim, se conseguir encontrar uma necessidade, estou certo que deverá haver uma aplicação que o ajude. Em jeito de conclusão resta-me sugerir que junte um bom par de jogos à sua lista de aplicações. Nem só de pão, perdão, de fotografia, vive o Homem.

Bons registos.


C CLICK E SAIBA MAIS

Otavio Costa otavio@flyview.com.br

lique e SAIBA MAIS Essa frase, tão presente em qualquer website, é uma das grandes marcas dos dias atuais, em que nos vemos sempre envolvidos numa overdose de informações. Do meio de qualquer assunto, brotam outros interesses relacionados. Um clique, um desvio, e lá se vai o caminho linear para o espaço... Talvez essa curiosidade seja uma característica comum da natureza humana. Outro dia me peguei lembrando, novamente, de uma frase de um filme do Woody Allen - acho que é de “Hanna e suas irmãs”, de 1986 – em que, a narração em OFF, na voz do próprio diretor, trazia uma história de alguém que perguntava a um Judeu: “Por que um judeu sempre responde uma pergunta com outra pergunta?” Ao que o judeu respondia: “E por que não?” Acabei de pesquisar na Internet e descobri que essa frase é uma variação de uma piada clássica do humor judaico, onde a resposta original era: “Quem te disse essa besteira?” Seja como for, embora eu não seja judeu, acho que perguntar “E por que não?”, é bem mais divertido. Afinal, quando perguntamos “Por que?” estamos querendo saber “COMO É”. Já quando nos peguntamos “E por que não...?”, queremos pensar “COMO PODE SER”. Acho que essa é a essência do pensamento criativo. Se aqui fosse um site, agora haveria um link para “saber mais” sobre um livro chamado “On Intelligence” - de Jeff Hawkins e Sandra Blakeslee - que explica muitas coisas de como funciona o cérebro humano (o Neo Cortex, na verdade) e o pensamento “criativo”. Segundo ele, e boa parte da torcida do Corinthians, não existe ideia nova. O que existe são ideias “velhas” reorganizadas. Mas onde conseguir as ideias velhas? Até antes da era da Internet, as enciclopédias em papel eram a melhor resposta para quase todo tipo de pergunta. Dizem que Bill Gates lia, verrbete por verbete, de tudo que encontrava pela frente nas gigantescas bibliotecas de seus pais, e em ordem alfabética - nada de “clique para saber mais”... Hoje, depois de ter produzido a Encarta, versão multimídia interativa, falida, das enciclopédias antigas, ele coleciona manuscritos de Leonardo da Vinci e continua a ser um dos homens mais ricos do mundo.

Outro ser “diferenciado” dos nossos tempos atuais, Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, diz ter lido, literalmente, milhares de livros antes de se tornar adulto. A julgar por exemplos como esses, parece que se inspirar nas “velhas” para criar “novas” ideias, é algo que pode dar certo... Seja como for, hoje em dia, bombardeados por informações e conexões que partem de todos os lugares e nos encontram na Internet e nos dispositivos móveis, estamos sempre a um clique de distância de matar nossas curiosidades. Assim, por exemplo, o hábito de assistir televisão vem mudando a todo momento, com um número crescente de pessoas que mantém suas televisões ligadas e seus olhos nas telas dos seus celulares e tablets. É o que chamam de fenômeno da segunda tela e já dá pra imaginar as oportunidades que esse fato representa. Há alguns anos, mais precisamente, em 2006, fui consultado por um amigo, a pedido de uma agência de publicidade daqui de São Paulo, sobre a possibilidade de inserir informações nos programas de TV que pudessem ser disparadas pelo controle remoto do telespectador. Alguém assistiria uma novela, se interessaria pela roupa da atriz ou o carro do galã e “clicaria” para saber mais sobre o seu objeto de interesse. Na época conheci uma empresa canadense que desenvolvia um software chamado Videoclix – que hoje virou um serviço e não evoluiu como seus fundadores esperavam – e apresentei para ele a demo que fiz para a tal agência. Minha demo rodava em uma página de Internet, exibia um trecho de “O diário de Bridget Jones” que transformei em clicável com o uso da versão de testes do tal Videoclix. Nele, em uma determinada cena, a atriz Renée Zellweger pegava um livro e sentava no seu sofá e etc... Você podia clicar no livro (com o vídeo em movimento) e era direcionado para uma página de um site de compras (na época usei o Submarino.com). Clicando na roupa da moça, era direcionado para outro link, e assim por diante. O maior entrave era que o vídeo clicável não rodava na TV e nem mesmo no Youtube. O problema do Youtube, como tentava me convencer o dono da empresa, seria resolvido “em breve”, em uma reunião já marcada com o pessoal do Google... Além do mais, a tecnologia ainda evoluiria muito. Então assisti a uma demonstração de sua próxima versão de tecnologia aplicada a transmissão de vídeo ao vivo... incrível. Bom, mas isso foi em 2006 e ainda não está no mercado.


Hoje é comum encontrar grupos de pessoas que acompanham programas de TV e transmissões esportivas, ligados em grupos do Twitter, Facebook e outros, discutindo nas telinhas móveis, sobre tudo que assistem na “primeira tela” (a TV). Por aqui, na TV brasileira, algumas emissoras já usam a ideia da segunda tela. O Jornal da Cultura tem um site correspondente (http://cmais.com.br/ segundatela) que apresenta informações complementares, em sincronia com as notícias apresentadas na TV. A TV Bandeirantes tem um aplicativo chamado Segunda Tela da Band (disponível para iOS e para Android), que permite seguir o programa “Quem fica em Pé” (do José Luiz Datena) e responder as mesmas perguntas que aparecem na tela da TV. É possível interagir e ganhar pontos, concorrendo com amigos. Mas e quando for possível antecipar o que o usuário pode estar pensando e oferecer para ele informações relacionadas. O Google já tem em testes o famoso Google Glass, que, com o uso da realidade extendida e de sensores que observam os hábitos do usuário, percebe o contexto no qual a pessoa está inserida e oferece opções para que ela possa encontrar informações, endereços e tudo o mais que estiver interessado em saber no momento. Nada conceitualmente muito diferente das informações, “tipo” painel de controle, que aparecem nos visores dos capacetes de pilotos de caça, ou da visão do android Arnold Schwarzenegger em o exterminador do futuro. Na verdade, com o uso do Google Now, já está mais parecido com o traje do homem de ferro, onde Tony Stark/Robert Downey Jr, conversa com o cérebro/ mordomo cibernético – Jarvis – que responde e/ou antecipa suas necessidades.

Ainda nessa linha, na cola dos lançamentos recentes dos relógios inteligentes, Pebble, Sony SmartWatch e Samsung Gear, entre outros, o Google deve lançar seu relógio com interface baseada no Google Now, seu serviço que até já se aproxima de poder ser chamado de Jarvis (Saiba mais => J.A.R.V.I.S – computador e inteligência artificial / personagem das histórias do Homem de Ferro, vem da sigla Just a Rather Very Intelligent System – algo como, Apenas Um Sistema Realmente Muito Inteligente). Mas, mesmo antes dessas aparente mágicas amadurecerem, o Google já tem, por exemplo, um programa baseado em transmissões ao vivo, em grupo, chamado “Shop the Hangout”, onde pessoas recebem convites para participarem de uma transmissão ao vivo (via Google Hangout on Air). Um endereço, no Youtube exibe o programa, uma conversa entre várias dessas pessoas (via Internet, ao redor do mundo) com um apresentador e especialistas em moda presentes no estúdio. Quem está assistindo pode clicar em diversos “saiba mais” e “compre agora” que aparecem numa janela sincronizada com a transmissão ao vivo, com fotografias e informações dos produtos apresentados no programa. Acho que agora é mais fácil entender porque a conversa da Videoclix com o Youtube não andou como seu fundador esperava... Bom, mas e o que a fotografia tem a ver com tudo isso... esse é um “clique e SAIBA MAIS” que não cabe nessa página. Sua curiosidade vai ter que esperar uma nova oportunidade.


serviรงos produtos peรงas compra venda troca classificados


P CRÔNICA SOBRE UM CASAL

Zeca Salgueiro zecasalgueiro@gmail.com

or que você não pergunta? - sugeriu Laura. - Por que seus pais tinham que mudar para Serra da Cantareira?!? - respondeu Sérgio, entre irritado e perplexo em ter concordado em visitar os sogros (principalmente a sogra) num domingo, em pleno verão e em dia de semifinal. - Minha mãe queria estar num lugar mais bucólico, agora que os dois se aposentaram; e se você pedisse informações a alguém, nós chegaríamos mais rápido e... - ...E eu estou seguindo as suas indicações. Pronto. - Sabia que Moisés passou quarenta anos no deserto por se negar a pedir informações? - atalhou Laura. - Sabia que Moisés era solteiro e fazia o que queria da vida, sem ter que visitar sogra em dia de semifinal?!? - provocou Sérgio. - Moisés não era solteiro, herege! - ela era crente. - Lógico que era! - ele não estava nem aí. - Não era, e... Olha! Biju! - Que é que tem? - perguntou Sérgio sempre espantado com a capacidade das mulheres de mudarem de assunto tão facilmente. - Você não vai querer biju agora,vai? - Por que? - Como por que?!? Simplesmente porque eu lavei o carro ontem! - E daí? - a pergunta veio com um manear de cabeça. Era típico da Laura. - Eu estou com vontade. Posso? - Não no meu carro! - No nosso carro! - Tá bom - disse Sérgio concordando. - Mas já é hora do almoço e você vai perder a fome se comer porcarias. Agora ele estava apelando para o senso estético de Laura, que como toda e qualquer mulher, estava “precisando perder dois quilos”. - Então eu compro e como depois.- disse já chamando o ambulante, que veio todo sorridente, mesmo debaixo de um calor...- Dá um saquinho por favor. E onde fica a Av. Sezefredo Fagundes?

- Olha (agora era o ambulante falando), cêis tão meio longe, mais é só quebrá a próxima direita... A explicação parecia não ter fim, nem o passeio, que aliás, nem de longe fazia jus ao termo. Era semifinal... Continuaram. Sérgio agora sentia um comecinho de fome, mas não podia dar o braço a torcer e comer biju no carro que ele lavou ontem, ora essa! - Acho que agora está perto - acalmou Laura, percebendo o avanço das horas, o sol a pino e a cara de fome de Sérgio, que não ia dar o braço a torcer e abrir o biju. Nem ela por já ter perdido a vontade de comer biju. - Bom, só falta sua mãe ter preparado dobradinha - resmungou o marido. - Imagina... - Como imagina? Seu pai adora e eu detesto. Quer melhor motivo? - Não sei por que você não come. É bom. - Quem come aquilo come carpete! E você também não gosta! - Não é que eu não goste... Eu estou querendo... - Perder dois quilos, eu sei. O “passeio” prosseguiu e eles chegaram à casa dos sogros de Sérgio, após mais algumas voltas e o saquinho inteiro de biju. - Dane-se o carro, depois eu limpo - pensou ele. - Dane-se os dois quilos, depois eu corro na academia - considerou ela. - Ooooooi filha, que demora - disse a sogra abraçando efusivamente a filha e nem aí pro genro. - Nossa, como o carro de vocês está sujo... Ainda bem que vocês chegaram. Eu estava preocupada e a dobradinha está esfriando! Entraram. - Oi filha! - disse o sogro já indo para a mesa. - Oi Sérgio! Seu time tá perdendo.


BWINCOLOR EDIÇÃO #05 JANEIRO | 2014 ISSN: ISSN 2318-194X BLACK&WHITEINCOLOR é uma publicação

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ENTREVISTA COM: Marco Maria Zanin Nascido em Pádua em outubro de 1983, e desde de criança, quando superou um problema cardíaco sério, tem experimentado uma relação íntima e profunda com a vida, que mais tarde viria a expressar através de sua arte. NÃO PERCA NA PRÓXIMA EDIÇÃO DA BLACK&WHITEINCOLOR

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BLACK&WHITE IN COLOR #04