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EDIÇÃO #03 | 09 2013


“Se não há razão para cor, então o trabalho é sem cor.” Joseph Kosuth


#03

CARTA AO LEITOR A fotografia teve várias interpretações nos últimos anos. Isso fica claro na forma como ela é praticada atualmente, ou seja, digitalmente, cobrindo os minutos no dia a dia de uma forma que antes não era possível ou mesmo desejável porém não tão evidente no modo como é apreciada. Desde os anos 1970, a fotografia passou a ser aceita como uma forma de arte amadurecida. Isso criou e cria um efeito dominó, pois o que nunca fora concebida como arte no passado e podemos dizer em sua grande maioria, hoje é exibido, colecionado e apreciado da mesma forma que outras artes. A cada dia um grande número de pessoas passam a adotar a fotografia como algo sério, como expressão criativa em vez de apenas para as tradicionais fotos da família e de amigos. Isso deixa a fotografia entre a linha do bem e do mal, sujeita a reações do tipo “eu faria isso”. Seria de se pensar que, com a adoção da fotografia por todos, nós seríamos ensinados desde cedo a acompanhá-la, como se fosse uma versão visual da alfabetização, certo? Longe disso. O que temos hoje é a entrada de novos profissionais ou melhor dizendo, novos atuantes que se vendem por qualquer preço criando um mercado onde a fotografia passa a ser apenas e simplesmente um mero serviço sem seu real valor.

Não estou criticando a livre concorrência pois somente ela pode tirar os acomodados de seu estado de inércia mas quero dizer que a culpa da prostituição do mercado não é dos novatos mas sim daqueles que estão comprando os serviços. Não temos mais a exigência nas solicitações pois os que a fazem ainda não tiveram tempo de criar uma bagagem profissional e seus superiores deixaram de trabalhar com a preservação da qualidade em detrimento da economia de budget. Esse estado poderia significar o aumento de receita para os fotógrafos que fornecem para bancos de imagens porém nesta conta, somente os bancos de imagens ganham e repassam uma mísera parte para o criador. Ai entra a questão da regularização da classe. Será isso a grande virada para o mercado? Não acredito. Acredito em criar o entusiasmo nos novatos para o estudo, para descobrir que a boa fotografia não é apenas o apertar de um botão mas sim ter o entendimento de que no ato de fotografar, levamos a bagagem adquirida e o entendimento do que está sendo feito independente da área de atuação. Fotografar precisa ser entendido como criar uma obra de arte. Só assim o esforço ira valer a pena. A BALCK&WHITE IN COLOR é apenas uma semente. Viemos para ajudar e ser ajudados na criação desta nova história. E como força para escrever essa nova história, a partir desta edição, teremos uma coluna especial de uma das maiores associações de fotógrafos do país, a Fototech. Uma parceria que certamente renderá ótimos frutos e um deles é a força do JUNTOS. Muito ainda está por vir. Boa leitura Marcello Barbusci


OS COLABORADORES

Beto Andrade

Cristiano Xavier

Erico Mabellini

Simão Salomão

Tiago Henrique

Otavio Costa

Designer gráfico e proprietário da Original Design. Premiado no London International Advertising Awards e em bienais de design e fotografia.

Fotógrafo free-lancer. Paulistano apaixonado por sua cidade, dedica boa parte de seu trabalho autoral na documentação de São Paulo, suas mudanças e permanencias. Fotografa há mais de 30 anos.

Mineiro de Belo Horizonte, Cristiano Xavier é fotógrafo atuante em publicidade, industrial, gastronomia e Fine art desde 2002. Na área autoral desenvolve a 14 anos um amplo trabalho de pesquisa em fotografia noturna, usando como meio de captura diversas câmeras digitais , películas 35 mm e grande formato 4x5.

Autodidata e de personalidade idiossincrática atualmente dedicado a Fotografia de rua e Design Gráfico é apaixonado por expressões artísticas, filosofia e coisas que desafiam nossa maneira de ver o mundo.

Mais de trinta anos de experiência como fotógrafo, trabalhou nas mais diversas áreas: moda, fotojornalismo, publicidade, eventos e documental. Jornalista e graduado em Direito, com especializações em Direito Autoral e Direito Ambiental. Leciona Fotografia e História do Direito. Fundador a editor da ONG Tribuna Animal, atualmente dedica-se à fotografia de animais e natureza.

Empresário nas áreas de produção de vídeo e interatividade. Há mais de 20 anos utilizando as mais recentes e inovadoras tecnologias na comunicação digital, produção de vídeo e multimedia interativa.


#03

Rui Costa

Profissional de TI desde 1999, apaixonado pela fotografia desde que se lembra. Em breve trocará definitivamente os teclados pelas lentes porque a vida deve ser vivida apaixonadamente. (correspondente Internacional)

Kátia Martins

Já atuou na fotografia de casamentos por mais de 12 anos. Sócia fundadora de um dos principais e-commerces do país para os apaixonados por fotografia.

Robson Martins

Profissional de TI, já trabalhou em diversos projetos de e-commerce. Ao lado da esposa, Kátia Martins, fundou um dos principais e-commerces para o mundo fotográfico. Além disso ministram palestras sobre Marketing Digital.

Zeca Salgueiro

Luthier, músico e admirador da boa arte porém a arte que se entende não a que cria dúvida sobre ser ou não ser arte.

LEICA HERMES 8


PROVA DE AUTORIA

AO MESTRE COM CARINHO

O PODER DA LINGUAGEM

Como proteger suas fotos e seus direitos.

Não podemos falar de conhecimento sem falar daqueles que nos passaram boa parte do que sabemos.

O ser humano é obsessivo por comunicação, por sua própria natureza.

KOKEN Suas fotos como nunca as viu, servindo a arte e o artista.

UM BATE PAPO COM LIZ KRAUSE

THOMAS LEUTHARD

Se o seu cérebro diz Leica, você deve consultar o seu psiquiatra. Nenhuma câmera neste mundo vai fazer uma boa fotografia sozinha.

MARCUS LYON DE LONDRES PARA O MUNDO


BOCA A BOCA NA ERA DIGITAL

UM SINGULAR EM UM PLURAL

FOTÓGRAFA IMPRESSIONISTA

CAIU NA REDE É...

Eu postei, você curtiu, ele comentou, nós compartilhamos, essa é a nova linguagem dessa rede de pessoas.

Temos tudo em excesso atualmente, menos tempo o que significa, basicamente, que nos tornamos incapazes de prestar atenção.

Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem.

O ser humano está onipresente ou sempre presente nos dias de hoje?

GALERIA DO LEITOR

JOVENS E INOVADORES

GALERIA LUME FOTOGRAFIA E VIAGEM - ATACAMA


GALERIA DO LEITOR Chris Scott

Pepe MĂŠlega

Vitor Tripologos


Avi Perl

Derlin Zhang


Begawan Adiasa

Monty Giuseppe Florio

Fred Fogherty


Francileide Gama Mohammed Gharib


Hudson Capa

Paula Siqueira


PatrĂ­cia Andrade

Gustavo Hannun


Luiz Felipe Sahd

VirgĂ­nia Pohl


William Silveira Mitsuo Yamamoto


N PROVA DE AUTORIA

o tempo não muito distante em que todos os trabalhos fotográficos eram realizados em filme não havia problema, bastava que o autor apresentasse os negativos ou cromos e o litígio sobre a autoria estava resolvido, salvo furto ou roubo dos mesmos. Nos dias de hoje aonde quase tudo é feito de forma digital essa comprovação muda um pouco de parâmetros e exige maior cuidado devido às suas características intrínsecas.

Erico Mabellini erico@mabellini.fot.br

Foto: George Hodan - www.publicdomainpictures.net

A fotografia não importando se com base no celuloide ou digital é considerada pela lei como obra intelectual, que inclusive prevê futuros avanços em sua captura conforme consta em seu art. art. 7º, inc. VII da Lei nº 9.610/98: “Art.7º: São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: ...VII - As obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia.”

fiscal e até mesmo a sequencia do trabalho realizado incluindo o que não foi apresentado ao cliente. Mas e os casos das fotos que são expostas na internet apenas para divulgar o trabalho de seu autor ou simplesmente para mostrar aos amigos? Aí é que se inicia o problema, mas como veremos não faltarão soluções. O que ocorre é que não existe uma forma “prática” e indiscutível para comprovar de quem é a autoria de uma foto feita de forma digital. Um arquivo no cartão de memória não prova nada, por exemplo, já que ele pode ter sido inserido lá posteriormente. O EXIF, que contém as informações da imagem, pode ser adulterado por qualquer leigo em informática. O que fazer então? Dizem ou diziam alguns, que fotografando em RAW seria como ter o negativo das fotos, pode até ser para que se tenha o original tecnicamente mais adequado, mas para efeito jurídico, fotografar em RAW também não faz prova, uma vez que é muito fácil copiar de um computador para outro, e a posse não é comprovação de autoria. Mas, voltando à ideia inicial, fotografar em RAW já irá oferecer alguma garantia caso o fotógrafo mantenha esse arquivo consigo, pois aquele que se utilizou indevidamente da imagem não será possuidor do arquivo original em RAW. Bloquear imagens na web para que não possam ser baixadas é totalmente impossível, uma vez que, com pouco conhecimento de internet é possível baixar imagens até mesmo de sites que bloqueiam o download ou então realizar uma captura de tela com os pixels que desejar.

Diz a lei que, o autor da obra fotográfica poderá ser identificado pelo seu nome civil, completo ou abreviado até por suas iniciais, pelo pseudônimo ou qualquer outro sinal convencional.

Aí é que entra outra controversa questão.

Em seu artigo 18, a Lei dos Direitos Autorais exime a obrigação de registro da obra. Pois, no caso especifico de obras realizadas por encomenda a autoria da foto pode ser comprovada de diversas maneiras: o orçamento que gerou a foto, o pedido do cliente, a nota

É importante salientar que acrescentar marca d’água, seja ela enorme ou discreta, não irá garantir a autoria e sim garantir o direito autoral da imagem com seu devido crédito.

A marca d’água é necessária? “Estraga” a foto? Protege o fotógrafo?


Foto: Erico Mabellini

Também existem fotógrafos que não gostam de inserir marca d’água em suas imagens. Isso é uma decisão que cabe a cada autor. O que posso dizer é que seja a marca d’água grande ou pequena, aquele que estiver mal intencionado se livrará dela com muita facilidade, basta se utilizar do clone stamp, ou então com maior facilidade, a partir do Photoshop CS 5 selecionar a região da marca d’agua e pedir para que o programa faça o preenchimento. Dois clics e pronto, lá se foi a marca d’água de qualquer tamanho. A não ser que você estrague completamente sua foto inserindo uma marca d’água por toda a extensão da mesma, mas nesse caso para que publicar?

Copyright No Brasil não temos copyrights. Nosso direito autoral tem uma característica muito mais ligada à pessoa do autor o que é mais abrangente. No entanto muitos (inclusive eu) se utilizam do símbolo © em suas marcas d’água. Isso em nada irá ajudar na garantia de seus direitos, mas dá um breve aviso de que aquela imagem possui um autor.

As vantagens de inserir uma marca d’água são duas. 1- Demonstra cabalmente a má intenção quando aquele que se utilizou da foto retira a mesma, e nesse caso grande ou pequena, no centro ou no canto o que importa é a intenção do indivíduo. 2- O crédito do fotógrafo estará sempre presente mesmo e principalmente com os compartilhamentos bem-intencionados.

Pela lei brasileira o registro é opcional, pois a proteção ao direito autoral de uma obra original é automática.

Exemplo de marca d’água

No entanto o registro pode ser efetuado perante a Biblioteca Nacional ou a Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e irá facilitar a prova de anterioridade, quando houver necessidade de se fazer a defesa contra alegações de plágio.


Tempo de validade do direito autoral: Os prazos de proteção do direito autoral são longos, o direito autoral dura a vida toda do autor e, mesmo depois de sua morte. “Os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao de seu falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei civil.” - art. 41 da Lei nº 9.610/98. Crédito - Art. 24, inciso II, da Lei nº 9.610/98. “Art. 24. São direitos morais do autor: ... II - o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;...” É direito do autor gozar dos benefícios morais e econômicos resultante da produção de suas criações. Ao criar uma obra o autor adquire dois direitos: o moral e o patrimonial. A lei 9610/98 observa que, a publicação de fotografia sem o crédito autoral gera danos morais. Algo que deve ficar bem claro é que o crédito da obra fotográfica não é uma boa ação e não pode ser negociado. Entenda que ninguém estará sendo gentil ao colocar seu crédito na sua foto, isso é uma obrigação legal. Outro ponto importante é que o seu nome no canto da foto não pagará suas contas, ou o custo de seu equipamento. Você é um profissional ou uma entidade de caridade para empresários? A devida inserção dos créditos além de ser obrigatório por lei é uma forma de prestigiar o profissional responsável pela captura da imagem. Para evitar desculpas, neste caso é sempre bom inserir os metadados nas fotos que seguirão para publicação, assim a editora, site ou jornal não poderão alegar que não existiam informações na foto. Utilizando o Photoshop, basta clicar na aba Arquivos e em seguida clicar em Info sobre Arquivo (ou então, Alt+Shift+Ctrl+I), preencher as informações que considerar necessárias, pressionar OK e salvar a imagem. Lembre-se, seu nome não é “Arquivo”.


C UM BATE PAPO COM LIZ KRAUSE

onversei recentemente com uma profisisonal da arte em fotografar e especialista em saber o momento certo para atuar como mãe e fotógrafa. Com participações em exposições e várias premiações, Liz Krause conta um pouco da sua história na fotografia. Quem é Liz Krause?

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

Formada em Química, pela Universidade Mackenzie. Tive um casal de filhos, ambos casados há pouco tempo, a quem me dediquei praticamente integralmente, por todos os últimos anos. Era meu sonho constituir família, nunca senti necessidade nem desejo de seguir carreira na profissão. Meu maior projeto era mesmo a maternidade, a vida familiar. Entretanto, sempre achei que deveria ter alguma atividade paralela, que pudesse conciliar com o tempo e cuidados que queria dispensar aos filhos. Fiz cursos em diversas áreas e me dediquei ao comercio, por um longo tempo, mas nenhuma das opções até então, havia me trazido a realização que eu procurava. Até que um dia, comecei a rever e remontar álbuns de fotos que fiz depois do casamento, observei certos detalhes, principalmente nas fotos de viagens, me dando conta de como a fotografia era uma atividade constante, intensa e tratada com um cuidado muito especial. Mais tarde, entendi que se referia a enquadramentos, sombra e luz, perspectiva, coisas que eu sequer tinha consciência quando as fotos foram feitas, nem enquanto folheava os álbuns. Não sabia que a fotografia podia ser considerada uma arte e como tal, alguns critérios devem ser aplicados. Passada a infância, a atividade foi esquecida por alguns anos, talvez por não ter pessoalmente até certa idade, condições de comprar e mandar revelar meus filmes. Mas o que era para ser apenas mais um brinquedo descartável, certamente era algo bem mais serio no meu inconsciente, pois a vontade de fotografar, volta com força total, na idade adulta. A pequena Kodak, já obsoleta, foi sendo substituída por diversos modelos compactos e automáticos, no decorrer do tempo.

Finalmente, no ano de 2001, tive idéia de me matricular num curso de fotografia na Escola Panamericana de Arte. Lá, foram-se revelando entre as propostas, imagens ora desfocadas, ora abstratas, que  muito agradavam aos meus professores, por saírem do comum,  da mesmice, da “foto-registro”, mas que passavam alguma mensagem. Isso foi me estimulando a tentar criar sempre mais.  Assim, na entrega de portfólios, deixei não um, mas três portfólios para serem avaliados, sendo que um deles com imagens abstratas, de uma experiência com cores e outro com imagens oníricas e nostálgicas da cidade, em preto e branco, ambos com trabalho autoral,  além do portfólio obrigatório. Neste momento, entendi que era tudo o que eu sempre deveria e gostaria de ter feito. Agora, realmente, eu estava completa, em todos os meus sonhos. Eu não fazia economia de filmes. Eram muitos rolos deixados no laboratório, após cada saída fotográfica, ou minhas experiências caseiras com Still Life, retratos, etc... Não havia prazer maior, que aquela espera angustiante, querendo que tudo fosse revelado rapidamente , para depois me deleitar com cada imagem captada!


Com que área de fotografia você mais se identifica ou prefere trabalhar?

Não uso tripé e nunca fui fã do flash. Evito usá-lo, a não ser em eventos, quando necessário.

Gosto da luz natural ou de explorar as possibilidades de luz que encontro em cada ambiente. Aí, valem fotos de objetos, espaços, vultos, movimento, reflexos, sobreposição de imagens...são estas que gosto de fazer, além de fotos de rua. Mas sou muito inibida quando se trata de retratar pessoas, então durante o streetphoto, tento captar o momento, com as pessoas de costas, de longe ou mesmo reflexos e sombras das mesmas, inseridas no contexto. Gosto também imensamente, de arquitetura e formas geométricas, o que de certa maneira sempre acaba sendo uma imagem mais abstrata. E quando penso em fotografia, a primeira coisa que me vem à mente é: “Isto seria legal para pendurar na parede?” Este é meu foco, seja com fotos captadas em interiores ou externas.

O que você quer transmitir através da sua imagem?

Quero transmitir pela fotografia, o que vem de dentro da minha alma, algo que não precisa ser explicado ou compreendido num primeiro momento. Que seja apenas agradável ao olhar. Meu objetivo inicial é sempre conseguir uma imagem que cause algum impacto, que tenha um toque diferente do que eu já tenha feito. Primeiramente faço fotos para minha satisfação pessoal, que acabam servindo a outros propósitos. Assim vou criando meu material, que é utilizado principalmente em decoração de interiores, escolhido sempre do meu acervo, já que não trabalho com imagens encomendadas. A primeira “encomenda”, foi uma recente viagem pela Europa, quando colhi material para uma empresa de turismo alemã, que queria fotos para publicações. Nesta ocasião, tive oportunidade de também fazer as“minhas” fotos, ou seja, cada saída é sempre uma motivação, uma realização, um querer mais e sempre mais. Minhas horas de lazer, são sempre preenchidas pela fotografia, quer seja buscando ou editando imagens.


Quando você está nas ruas, o que te atrai para registrar uma determinada cena ou imagem?

Gosto de “cenas roubadas”,quer seja um lugar com pessoas, detalhes ou pequenos ambientes que revelem algo que vai além da minha própria compreensão imediata. Não me prendo a regras, embora as conheça, nem muita técnica, embora estejam presentes. Tudo sempre muito intuitivo e hoje, raramente faço vários clics do mesmo assunto. O momento é quase sempre único. Como você se sente praticando o streetphoto?

Para mim, é uma força que vem de dentro, uma vontade inesgotável, uma fonte de prazer contínuo! Que espero, me acompanhe por muitos anos! Qual o tipo de equipamento que costuma levar em suas saídas?

Uso recursos de diversas lentes - fixa, zoom, lensbaby ; filmes preto e branco, que adoro e aí incluo o Ilford SFX 200, que com filtro vermelho faz efeito infrared.

Quando coloridos, meus preferidos são cromos revelados pelo processo C41 (processo cruzado). Aprecio o resultado vindo do contraste e saturação de cores. Fã como sou de filmes, nem sempre acessíveis e hoje em dia bem mais caros, trabalho também bastante com câmeras lomográficas, como a Holga, Diana Pinhole e Fisheye. Para minhas saídas fotográficas, se possível, levo tudo que tenho: minha Canon EOS 5 analógica (que me acompanha desde 2001), muitos filmes e também a digital Canon EOS 60D, adquirida ano passado, já que posso usar as mesmas lentes para as duas. Incluo as lomográficas, conforme o local e condições para fotografar e carregar o material todo.


Quando faz saídas fotográficas você costuma planejar o que vai fotografar ou deixa a mente aberta para o que surgir?

Gosto de sair para fotografar sem planos. Qualquer que seja o lugar, nunca penso –“vou fazer isso, quero fazer aquilo”. Tenho um olhar rápido. Esquadrinho o lugar em segundos, componho e clico. Assim, quase sem pensar. E espero pela surpresa! Até um ano atrás, usei só filmes, então tudo era realmente uma surpresa e aí está para mim, o maior prazer! Já tenho alguns trabalhos e ensaios feitos com a digital, mas até esqueço de que é uma digital e raramente confiro o visor na hora.

O que você poderia dizer para os que estão iniciando no mundo fotográfico?

Minha dica para quem está iniciando na arte fotográfica, seria: clicar, clicar e clicar. Sem a preocupação de ver de imediato cada foto feita, nem mesmo deletar as “ruins” assim que feitos os registros, que podem acabar resultando numa imagem interessante, depois de uma edição. Mas na volta de cada saída e depois de descarregar os arquivos no computador, olhar uma por uma, atentamente, analisando cada resultado. E sempre que possível, repetir os temas, voltar diversas vezes ao mesmo local fotografado, tentar outros ângulos, enquadramentos, composições, alternativas de foco, etc... E para os que já estão ha algum tempo na fotografia mas perderam a paixão pela arte?

E para os que fotografam há algum tempo, mas perderam a paixão por essa arte, eu diria, sinceramente, que a paixão nunca existiu!


V FOTOGRAFIA E VIAGEM - ATACAMA

Cristiano Xavier cristianoxavier@cristianoxavier.com

iajar é mesmo um dos melhores investimentos pessoais.

Desta vez vou falar um pouco das minhas experiências no deserto de Atacama. Localizado na região norte do Chile , é considerado o mais alto e mais seco deserto do mundo. A presença de vulcões por todos os lados produziram durante milhões de anos cenários incríveis como gêiseres, campos de lava e lagoas altiplânicas de variadas cores. Além disso é considerado um dos melhores locais do mundo (senão o melhor) para se observar astros e estrelas. Altitude e clima extremamente seco se conjugam possibilitando uma visão muito mais nítida do universo e este foi o motivo da minha primeira ida até lá. Fotografar o deserto a noite é surreal. Toda aquela imensidão do céu límpido nos faz imaginar se estamos realmente sozinhos, ou não, e nos dá a oportunidade de aprimorar as mais variadas técnicas de fotografia noturna e de natureza.

Já na segunda vez, em Janeiro deste ano, coordenei um grupo de 12 fotógrafos para um Workshop em parceria com a Boom! Viagens, especialista em destinos exóticos. Nossa base foi San Pedro de Atacama, uma pequena cidade com uma riqueza histórica imensa. A cultura dos povos atacamenhos ainda é bem forte e se mostra presente na arquitetura, gastronomia e no artesanato. O grupo não poderia ter sido melhor. A integração entre os participantes se mostrou clara desde o início e se mantém até hoje, por meio de uma troca constante de conhecimento em fotografia, incluindo a participação em novos workshops organizados em parceria com a agência para outros destinos.


Acordar as 3:30h da manhã não foi problema, pois visualizar os primeiros raios de luz vermelha atingindo os cumes dos vulcões vale qualquer sacrifício. Todas as locações foram planejadas e selecionadas para o melhor aproveitamento fotográfico e contamos com uma equipe de transporte que ficou a nossa disposição para nos colocar nos melhores locais na melhor hora. Além disso, a sorte estava do nosso lado, pois nos cinco dias em que estivemos lá, fotografamos com céu limpo, parcialmente nublado e até com chuva por incrível que pareça. Fenômeno raro que juntamente com algumas garrafas de vinho chileno fecharam o Workshop com chave de ouro. Nossa próxima expedição ao Deserto de Atacama será de 19 a 25 de janeiro de 2014, com a parte terrestre a partir de US$2.590,00 por pessoa, incluindo hospedagem com café da manhã, todos os traslados, acompanhamento de fotógrafo assistente e orientações para tratamento de imagem. As vagas são limitadas. Para mais informações, acesse www.boomviagens.com.br Abraços, Cristiano Xavier – www.cristianoxavier.com


WWW.BWINCOLOR.COM.BR


L FOTÓGRAFA IMPRESSIONISTA Fototech em Pauta www.fototech.com.br

ucia Adverse é natural de Belo Horizonte, Minas Gerais. Nascida em 1967, formou-se em Design de Interiores (1999) e Fotografia (2007), ambos na Escola Panamericana de Artes em São Paulo. Em 2008, regressou sua cidade natal, onde se dedicou ao estudo da arte e suas aplicações. Desde então, possui seu próprio atelier de impressão, onde pessoalmente controla o gerenciamento de cores de suas obras e sua completa produção. Em 2010, recebe o convite do marchand Ricardo Fernandes (mineiro, radicado em Paris), para fazer parte do seleto grupo de artistas, em sua galeria, na mesma cidade. A partir de 2011, é convidada para participar de diversas exposições, feiras de artes e leilões internacionais. Em 2013, apresenta a série Universo Curvo, em uma instituição cultural luterana, o Cloître de Billetes.

Lucia Adverse, Fotógrafa Impressionista Durante um mês, o claustro “Cloître des Billettes”, datado do início do século XV, transformou-­‐se no cenário ideal para a apresentação do trabalho da fotógrafa Lucia Adverse, em Paris. A artista, nascida no Brasil em 1967, formada em Design de Interiores e Fotografia, utiliza o que foi no início um instrumento a serviço de seu trabalho, transformando-­‐se à partir de 2005 em um meio de expressão pessoal, onde a arquitetura conserva um lugar determinante. A série “Universo Curvo” é uma homenagem ao grande arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, falecido em 2012. No trabalho de Lucia Adverse um diálogo se estabelece confrontando pela primeira vez duas estéticas separadas por seis séculos, mas que contam com muitas similaridades: tanto nas abóbadas góticas, quanto nas curvas inspiradoras de Niemeyer, as formas vegetais estilizadas se unem à simplificação geométrica. Esta foi uma boa oportunidade, para rever à luz da modernidade, o único convento medieval conservado no centro de Paris. O primeiro contato que tive com o trabalho de Lucia Adverse, foi através de sua série intitulada “Entre Luz e Fusco”, fotos tiradas na Acrópole de Atenas durante a restauração do Pártenon em 2007 e que permitiram-­‐me entender a qual ponto a fotografia poderia mudar a nossa percepção do mundo. Enquanto os andaimes consternavam os visitantes vindos para admirar o monumento antigo, a artista conseguiu captar composições harmoniosas nas sombras projetadas no mármore pelas vigas metálicas. Posteriormente, escolhi também parte da série “Universo Curvo”, para ilustrar o curso intitulado “A Relação Entre o Artista e o Mundo Real na Arte Contemporânea”, ministrado por mim no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), Paris.

Foto: Juan Esteves


É importante portanto, reconhecer o valor e o papel da fotografia na História da Arte, desde o Século XIX até aos dias de hoje: o nascimento do Impressionismo deve muito à invenção do daguerreótipo, inclusive porque em 1874, foi no estúdio do fotógrafo Nadar, que Claude Monet e os seus companheiros, organizaram as suas primeiras exposições. Na época, ao invés de considerarem a fotografia como uma ameaça ao futuro da pintura, eles descobriram os fundamentos de uma nova reflexão artística. Para o impressionista, não existe portanto a representação objetiva da realidade. Toda realidade depende da interpretação dada pelo artista, prolongada pelo observador da obra. Quando a fotografia se limita à uma representação exata dos objetos situados diante da câmera fotográfica, ela não é nada mais do que uma técnica. Quando a câmera escura vira um cadinho químico, onde as imagens da realidade fundem-­‐se com o universo interior do fotógrafo, ela se torna arte. É esta última dimensão que Lucia Adverse dá aos mais humildes objetos ao seu redor. O olhar da artista sabe muito bem captar uma sombra, uma faixa monocrômica ou uma vara de metal, para escrever um poema, compor uma sequência musical, desenhar uma paisagem. Se eu me permitisse um trocadilho sobre a relação que a artista estabelece com a sua câmera fotográfica, eu falaria portanto, que Lucia Adverse torna sua objetiva, subjetiva. A série “Universo Curvo” derruba portanto, o muro que alguns erigiram entre as artes ditas figurativas e a abstração. Transpondo um terreno de esporte em um jogo de luz e fusco, de cores e de formas, a artista tira de detalhes concretos, interpretações abstratas (Composição, Sinuosa I e II) ou correspondências com outros elementos figurativos (Montanha, Areia, Praia... ). Usando o símbolo, a metáfora e a metonímia, os títulos prolongam o efeito visual, criando às vezes até mesmo efeitos sonoros (Canção, Sinfonia...), sentimentos íntimos (Apaixonada, Alegria...), revelando pessoas (Mariana) ou nos dando visão cósmica (Noite estrelada, Via Láctea, Estrela Guia...). Assim fica difícil “confinar” a arte de Lucia Adverse no domínio da fotografia. A sua relação com a luz, o espaço, a forma, o rítmo, poderia também pertencer à pintura, à escultura, à arquitetura, ou mesmo à música, à caligrafia ou à dança.

O lugar que lhe serviu de modelo foi voluntariamente guardado em segredo, sendo que o itinerário da artista de origem brasileira, mas que viaja pelo mundo, contribui a nos confundir. Nenhum detalhe nos permite situar o solo em que as fotos foram feitas ou de identificar o local com qualquer terreno parecido no mundo, bem como a Impressão de Claude Monet não nos permite reconhecer o porto de Le Havre. Temos aqui, portanto, um objeto retirado do espaço e do tempo, para ser transformado em uma obra de arte. O chão duro e granulado também se torna uma superfície que vai mudando com a luz, dependendo da interpretação da artista e do olhar dos visitantes, exatamente como a faixada da catedral, sempre renovada pela subjetividade de Monet no passado. Lucia Adverse prova que, bem como a pintura, a fotografia pode ser impressionista! Marc Soléranski Historiador de Arte e autor. Universo Curvo – Convergências Filosóficas Através de uma carreira dedicada à observação fotográfica e um trabalho detalhista, seguindo um pensamento determinado ao aperfeiçoamento do olhar, a artista brasileira Lucia Adverse (1967), imerge-se no estudo do “universo curvo”, primeiramente tratado por Einstein e interpretado na modernidade por Oscar Niemeyer. Com este novo trabalho, a fotógrafa nos apresenta uma série de grande força, baseada em pensamentos filosóficos e teóricos, vindos da antiguidade até aos dias de hoje. A palavra universo, do latim “un” (união) e “vorsum” (direção), leva-nos a crer que a natureza, esse emaranhado de forças que nos envolve, desempenha um papel de geradora e renovadora do nosso próprio sistema. Portanto, entendemos que o “Universo Curvo” é mencionado de forma poética por Oscar Niemeyer, numa convergência de idéias filosóficas e na tradução da teoria em sentimentos pessoais do arquiteto, que diz: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”.


A frase de Niemeyer, vem também ilustrar de forma metafórica, o amplo período Modernista da História brasileira, que à partir da Semana de Arte Moderna de São Paulo em 1922, muda paulatinamente a produção artística e a visão de mundo da sociedade brasileira, criando à partir desta época a identidade nacional no Brasil. É através da reflexão nas palavras de Oscar Niemeyer, que a artista Lucia Adverse se lança nesse novo trabalho fotográfico, dividindo com o arquiteto o mesmo sentimento, porém expresso através de seu olhar. Formada em Design de Interiores e Fotografia, Lucia Adverse se alimenta de um forte domínio espacial e dá asas à sua imaginação para desenvolver seu novo projeto, utilizando-se de luz e sombra. Com títulos distintos e cada qual com a sua razão, as obras nos transmitem a impressão de compartilharmos com a artista os detalhes do processo de criação e da liberdade de interpretação de seu trabalho abstrato. É com grande prazer que apresento a nova série de Lucia Adverse e sintome honrado em abrir a todos os visitantes e colecionadores o “universo curvo”, na visão desta exímia fotógrafa contemporânea. Ricardo Chaves-Fernandes Membro da A.I.C.A.

O “Universo Curvo” por Lucia Adverse O contraste entre a luz e a sombra sempre foi uma característica marcante em meu trabalho. No ano de 2011, produzi uma série de fotografias intitulada “Universo Curvo”. Durante uma viagem à França, numa certa localidade, deparei-me com uma mistura de texturas e formas causadas tanto pelo revestimento do piso local, como pelas sombras projetadas pelos arcos de aço fixados ao chão. Tais sombras iam de encontro às formas e texturas que surpreendentemente eram realçadas pela intensa cor azul do carpete instalado no local. Devido à minha formação em Design de Interiores, sempre admirei a genialidade do arquiteto Oscar Niemeyer e a maestria com que executava seus projetos curvos. Logo que fiz as primeiras capturas da série de fotografias, enxerguei as formas da Igreja São Francisco de Assis da Pampulha. Além da forma parecida, sugerida pela sombra curva, a Igreja também tem a cor azul, cor predominante por toda a série “Universo Curvo”, assim como o painel criado pelo artista Cândido Portinari. Nesse painel, São Francisco de Assis também é retratado de forma abstrata e cubista. Percebi que seria uma grande chance de homenagear tal artista por quem sempre tive admiração. É assim, ao ar livre e através de todos esses contrastes, que resgato do solo, imagens que de tão abstratas fazem uma alusão à forma curva da arquitetura de Oscar Niemeyer. Através da abstração, faço não somente uma releitura do universo da forma na arquitetura de Niemeyer, como também faço menção ao espaço sideral, aos elementos da natureza; como as montanhas de Minas, o curso sinuoso dos rios e o litoral do Brasil. Devido à sensualidade presente nas formas curvas, decidi que todas as imagens teriam títulos formados por nomes femininos. Além de títulos relacionados com os motivos mencionados anteriormente, uma das obras tem nome de mulher. A forma estilizada de um “M”, denominei de Mariana em homenagem à minha filha. A série Universo Curvo propõe uma correlação entre a fotografia, a arte e a arquitetura de Niemeyer. Essa série de fotografias foram expostas por duas vezes em Paris, sendo a primeira vez em setembro de 2011 no Espace Beaurepaire. Em maio de 2013, a fotógrafa é convidada dessa vez pela Instituição Cultural Luterana Cloître de Billetes.


Obras A sĂŠrie Universo Curvo ĂŠ composta de 20 fotos. Aqui, podemos admirar 6 fotos com seus respectivos nomes:

Pampulha

Noite Estrelada


Via Láctea

Interseção


Alegria

Mariana

Local e Data de Criação: Vale do Loire / 2011

Tiragem: Cada obra é impressa no total de 6 peças.

Dimensões: As obras da série Universo Curvo possuem dois tamanhos: 60x90cm ou 74x111cm.

Papel: Hahnemühle Fine Art Sugar Cane 300g/m² Impressão original produzida para as exposições no Espace Beaurepaire e Cloïtre de Billettes

Além disso, a série contém duas caixas luxo para colecionadores, tamanho A3+ (32,9cmx48,3cm), contendo as 20 peças da coleção.


C JOVENS E INOVADORES

onversar com pessoas que agregam valores para sua vida é sempre um aprendizado que levamos no decorrer de nossos dias e posso dizer isso de um bate papo com Paulo Kassab Jr e Felipe Hegg, dois jovens que fundaram uma das mais conhecidas galerias brasileiras e por que não dizer, já sendo reconhecidos mundialmente. Estou falando da Galeria Lume, fundada em 2011 com o objetivo de exibir os grandes nomes da fotografia brasileira, a Galeria Lume estabeleceu-se em pouco tempo como referência de vitalidade, conceitualismo e transgressão.

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

Nas próximas linhas coloco um resumo do bate papo que mostra um pouco do porque deste sucesso. Paulo e Felipe, qual a trajetória de vocês antes da Lume?

Felipe trabalhou como consultor de Branding e organizava exposições de artistas plásticos no Brasil. Eu trabalhei como Redator em agências de publicidade e, em 2008 fui morar em Paris para fazer um mestrado em Gestão de Arte e Cultura. Lá, trabalhei em uma empresa que prestava consultoria para Galerias de Arte, de onde surgiu a idéia da Galeria no Brasil. O que fez surgir a idéia de criar a Galeria Lume?

Trabalhei dando consultorias para algumas galerias de foto em Paris. No fim de 2010, voltei para São Paulo com a idéia de fundar uma galeria de fotografias, visto que o tema era ainda muito pouco explorado no País. Após pesquisar um pouco sobre o mercado, no começo de 2011 encontrei com o Felipe Hegg. Nós havíamos estudado juntos no colégio e, por acaso, ele estava organizando exposições de artistas plásticos. Em pouco tempo de conversa eu falei da idéia de abrir uma galeria de fotos ao Felipe, que aceitou na hora. No dia seguinte já estávamos sentados planejando a galeria. Anteriormente vocês tinham o nome Lume Photos o que fez mudar para Galeria Lume?

O Posicionamento da Galeria mudou bastante com o tempo. Inicialmente tentamos vender apenas fotografias, com tiragens um pouco maiores e valores acessíveis.

Porém, com o tempo, percebemos que esse mercado não funcionaria tão bem no Brasil, por alguns motivos claros como: alto valor de produção, impostos e custos altíssimos. Ao mesmo tempo, vimos que, cada vez mais, o público que nos procurava era de colecionadores que queriam obras de maior valor e com tiragens menores. Sendo assim, mudamos o posicionamento e decidimos abrir a Galeria, pouco a pouco, para artistas plásticos, começando com o renomado Florian Raiss. Desta forma, não fazia mais sentido nos chamarmos Lume Photos e, para manter tudo o que já havíamos conquistado, decidimos nos chamar Galeria Lume. A Lume Photos ainda existe como uma empresa a parte, com outro objetivo. Hoje, de uma certa forma, representamos a Lume Photos na Galeria.  De uns anos para cá a fotografia vem voltando a ser vista como arte, a fine art. A que vocês responsabilizam essa mudança de entendimento?

Foi uma compreensão muito tardia, mas que alguma hora tinha que acontecer. Enquanto países como França, Alemanha e Estado Unidos, já valorizavam a fotografia há muito tempo, no Brasil as pessoas ainda não sabiam como funcionava este “colecionismo” e conheciam muito pouco sobre os fotógrafos brasileiros.  O mercado foi ganhando importância com a chegada de muitas galerias e com exposições de artistas brasileiros importantes no exterior. Hoje São Paulo tem uma feira dedicada inteiramente à fotografia. Vocês hoje representam ou melhor dizendo, agenciam alguns profissionais na LUME, onde e como eles foram descobertos?

Nosso papel é pesquisar constantemente o que está sendo produzido no Brasil e no mundo. Sempre acompanhamos bienais no Brasil e exterior, procuramos ver os trabalho de artistas que venceram concursos e editais e, muitas vezes recebemos portfólios que nos surpreendem. Acredito que é um pouco de cada coisa, porém quando o artista se inscreve em editais e produz bastante, fica mais fácil de encontrar. Por isso, precisamos estar sempre atento ao que ocorre no dia-a-dia da arte.


Vocês devem ser assediados constantemente. O que faz vocês olharem de forma diferente para um artista em específico? O que chama a atenção?

Conhecimento, pesquisa conceitual, ousadia e, principalmente, criatividade. É muito raro encontrar estas 3 características em um artista. Somos assediados todos os dias por pessoas que querem expor em galerias. Tentamos sempre responder a quem nos pede ajuda, por mais que isso seja quase impossível devido à quantidade de trabalhos que recebemos. Nosso papel é ser honestos com todos e tentar mostrar um caminho dentro do mercado. Obviamente não existe um único caminho correto, muito menos uma única opinião. Muitas vezes as pessoas se ofendem com as críticas recebidas, mas não podemos falar que algo funciona só para agradar. A melhor forma de ajudar alguém é sendo sincero. Eu peço sempre para me enviarem um portfólio antes de virem à Galeria.

Da esquerda para direita: Paulo e Felipe

Quero o currículo do artista, saber onde ele expôs, quais as intenções dele no mercado de arte, etc... Eu devo isso aos meus colecionadores e dependo dos artistas para a galeria funcionar. Desde a fundação da Galeria Lume vocês participam do principal evento entre galeristas do Brasil trazendo inclusive galerias internacionais, que é o SP-Foto. O que traz de retorno participar de um evento como esse?

As feiras de arte trazem muita visibilidade à Galeria, principalmente se você costuma expor frequentemente durante o ano. É no local da feira que podemos mostrar a todos os colecionadores nossas obras mais importantes e nossas apostas, além de ser uma ótima oportunidade de negócios. 

Nas feiras de arte conseguimos conquistar mais admiradores, além de aprendermos muito com outras galerias expositoras que já estão no mercado há mais tempo.


Viver de arte neste país é algo fora dos padrões, principalmente na fotografia mas vocês estão mostrando que isso é possível através dos materiais que comercializam apesar de nem todos serem feitos por profissionais que podem se dizer somente artistas pois alguns tem outra profissão mesmo que sejam na mesma área, como fotógrafos de eventos ou jornalistas mas tem uma outra fonte de renda. Vocês acham que isso vai mudar, que isso está mudando ou em nosso país isso é um utopia?

No mundo todo o artista tem uma outra profissão ou fonte de renda. Infelizmente, apenas uma minoria consegue viver somente da arte e, mesmo estes, conseguiram isso após um longo percurso. Sem dúvida existem países que respeitam muito mais seus artistas, como a França, Alemanha, Inglaterra ente outros. Nestes locais o artista é visto como um profissional e tem melhores condições e incentivos para trabalhar. Apesar de ainda existir muito preconceito no Brasil, acho que estamos indo no caminho certo. Temos que rever nossas leis de incentivo, beneficiar realmente àqueles que estão começando e precisamos dar mais valor ao artista brasileiro.

E para fechar, o que vocês podem dizer para os que pretendem entrar nesse mercado artístico de fotografias, qual caminho eles podem trilhar, se é que essa pergunta pode ser respondida para algo que se cria de dentro para fora.

É exatamente isso. A arte é algo que se cria de dentro pra fora, ela é uma grito do artista, são as angústias, os amores, os questionamentos jogados para o mundo. O problema deixa de ser seu e passa a ser de todos. O fotógrafo deve pensar em responder algo com seu trabalho, a arte não tem obrigação com o belo, mas com o conteúdo. Na minha opinião, o melhor caminho é estudar, pesquisar, criar séries e inscrever-se em editais e prêmios. Só assim o artista consegue uma visibilidade maior.  


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UM SINGULAR EM UM PLURAL

Tiago Henrique tiagohqsilva@gmail.com

A

primeira vez que vi a fotografia acima foi na adolescência. É uma fotografia de Robert Frank tirada em 1977 que foi incluída na segunda edição de sua peculiar biografia The Lines of My Hand. A paisagem representa a vista de sua nova moradia (Nova Scotia), mas o primeiro plano é fechado por uma antiga fotografia de sua série The Americans e, no mesmo plano, aparece uma impressão em negativo de uma folha de papel com a inscrição“words” [palavras]. Não entendia direito o que ela representava e a responsável por me trazer essa imagem à memória e me fazer refletir sobre ela, depois de tanto tempo, foi minha única filha de 5 anos. Ela me fez um desenho e, como sempre procuro fazer, pedi que o explicasse, esse em especial, pois me espantei com a quantidade de detalhes. O desenho ilustrava duas meninas, que me disse ser ela e uma amiguinha, a que segurava um objeto, que logo me disse ser uma carteira, representava ela própria segurando o “dinheiro que eu havia dado para que fosse à padaria comprar pão doce para o café da tarde” – algo que fazemos quase todas as tardes. No segundo plano do desenho aparecia uma “padaria” com alguns “bolos e doces” desenhados e o “por-do-sol” ao fundo completando a composição.



O que me chamou a atenção , alem dos detalhes, foi a maneira como ela reproduziu a história criada em sua imaginação, baseada em sua experiência e sintetizou seus sentimentos transformando-os em uma imagem carregada de emoção. Então, fiquei ainda mais intrigado com a fotografia de Robert Frank. Creio que esse fotógrafo quis fornecer algumas reflexões, que todos aqueles que trabalham com a imagem deveriam se voltar (principalmente nos dias de hoje): Onde está a Imagem? Ou: O que é a Imagem? As imagens que criamos são a realidade ou a realidade é mediada pela nossa experiência? E o que ela significa? Desde o interior de grandes períodos históricos, a forma de percepção das coletividades humanas se transforma ao mesmo tempo que seu modo de existência. Diversos fatores são responsáveis por isso, mas, sobre tudo, a crescente evolução da reprodução das imagens, que ocorre, inclusive, desde a época que a fotografia ultrapassou a litografia quando esta ainda estava em seus primórdios. Temos tudo em excesso atualmente, menos tempo o que significa, basicamente, que nos tornamos incapazes de prestar atenção e que vivemos numa espécie de cegueira generalizada que nos torna incapazes, ou está nos tornando incapazes, de nos emocionarmos com as imagens.


A televisão, as revistas, a internet, nos dão tudo pronto. A realidade é essa: o que você vê é o que é e ponto. De fato, essa abundância de imagens, na maioria das vezes, não tentam nos dizer algo, mas nos vender algo enquanto a necessidade fundamental do ser humano é que as coisas comuniquem um significado. A quem diga que o olho é a “janela da alma” e que por eles entram as imagens que reproduzimos, mas não creio que esse seja o termo correto para definir da onde vem a imagem, pois a janela não olha e sim um olho através da janela, que por sua vez seria outra janela que necessitaria de um outro olho para ver e assim por diante, de maneira que nunca chegaríamos, de fato, à alma. Bernard Stiegler, filosofo francês, disse algo que é fundamental para marcarmos o ponto de partida dessa busca: “Nunca houve imagens físicas sem a participação das imagens mentais uma vez que uma imagem, por definição é algo que é visto (e só é algo quando é visto).”

Creio que ato de ver não se limita ao visível, mas o invisível. Fica mais fácil de entender quando percebemos que a visão representa apenas uma parte de nossa percepção das coisas. De certa forma é o que chamamos de imaginação. O fotografo e filósofo esloveno Eugen Bavcar ficou cego em decorrência de dois acidentes de guerra, suas imagens são criadas através das palavras e das suas percepções. A imagem abaixo é a fotografia de sua sobrinha, Eugene diz que pediu a ela que corresse segurando um pequeno sino, que o guiava, e que não a fotografou e sim o sino. “Ver” não diz respeito somente à questão física do olho, mas antes de tudo, de perceber o objeto em suas relações com o sistema simbólico que lhe dá significado em um determinado contexto sociocultural (BARBOSA, 2002).


Contemplo minha filha desenhar por vários minutos, pois, dessa forma, percebo a maneira como ela interage com o mundo à sua volta, o que me possibilita conhece-la melhor, isto é, suas vontades, desejos, experiências… etc. Se é dessa forma, a imagem, como a criada por minha filha, é, então, o resultado de uma tríade: Visão, Emoção e Linguagem. Três elementos que nos possibilitam sermos únicos, pois nos permitem aplicar todos os códigos (conscientes ou não) que aprendemos ao longo da vida. A relação Visão/Emoção fica evidente quando nos deparamos com a Síndrome de Capgras. Psiquiatras e Neurologistas que me perdoem, mas por volta de 1923, o psiquiatra francês Joseph Capgras, foi o primeiro a escrever sobre esse raro distúrbio analisando uma paciente que achava que vários sósias tinham tomado o lugar de seus entes queridos. Aparentemente o que acontece, neste caso, é que o reconhecimento visual existe, mas não o emocional e a pessoa mergulha numa profunda contradição e é forçada a concluir que está sendo enganada. Existe até uma história de um rapaz, desconfiado que seu pai era um robô, o decapitou para achar provas de seu interior robótico. Isso reforça a ideia de que o reconhecimento, a memória visual e toda forma de percepção devem estar inseparavelmente ligadas à emoção. Quando a memória visual é desconectada da emoção que lhe corresponde me parece que uma grande crise nervosa pode ocorrer. Olhar, é um limite mediado pelas nossas experiências que, diferentemente da Emoção, é um ato de intencionalidade, porem, ambos, definem a essência dos humanos pelo fato de serem indissociáveis da Linguagem. Por exemplo, se não tivermos como descrever uma experiência , mesmo assim teremos uma palavra, ou melhor, duas: “bom” ou “ruim”. Isso porque “é evidente que as coisas do mundo humano são coisas de um universo estruturados em palavras, que os processos simbólicos dominam e governam tudo.” (LecanSeminário I – escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro : Zahar, p 59). Para tornar isso mais profundo: Raramente pensamos algo que não esteja previsto na língua! O linguista e filósofo suíço Ferdinand de Saussure, nos deixou, em sua obra Curso de linguística geral , um exemplo que faz analogia entre a

linguagem e o xadrez, onde, da mesma forma que na linguagem, não podemos incluir no xadrez uma peça que não esteja prevista no sistema de regras que constituem o jogo, ou seja, eu posso inserir qualquer peça desde que seja um peão, ou bispo, ou cavalo, rei, rainha e torre. Não posso, por exemplo, colocar um “ninja” no tabuleiro, por mais que eu tenha vontade, pois esse será estranho ao jogo e é bem possível que este perca o sentido para os jogadores. É exatamente isso que quis dizer Jacques Lecan, psicanalista francês, quando disse que os sistemas simbólicos dominam tudo, pois, numa visão estruturalista é essa imersão na linguagem que nos diferencia dos animais e permite a existência do mundo humano. Por tanto, faz um certo sentido o que o fotografo Ansel Adams disse quando afirmou que ao fazer uma imagem,“não fazemos com uma câmera apenas; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.” Isto é, se não podemos pensar fora das regras da linguagem, as emoções são consequência das experiências que significam algo para nós baseado no contexto sócio-cultural em vivemos. A relação Emoção/Linguagem para Eugene Bavicar “estão ligadas, isto é, o verbo é cego, mas é o verbo que torna visível. Sendo cego, o verbo torna visível imagens, graças aos verbos temos imagens. Atualmente as imagem se criam por si mesmas, deixaram de ser o resultado do verbo, e isso é muito grave. É preciso que aja equilíbrio entre verbo e imagem. Por exemplo: Michelangelo não viu Moisés! Não foi segui-lo ao monte Sinai! Não viu como o Decágono foi lançado sobre o bezerro de ouro. Mas leu o texto.” Por tanto, compreender a imagem é, então, importantíssimo para entendermos de fato nossa realidade, sociedade e, consequentemente, à nós mesmos. Para mim, cada vez mais, a imagem é a prova de como nos relacionamos com o mundo, seja pela fotografia, ou artes plásticas ou na maneira como editamos para uma publicação em uma revista ou jornal. Ao mesmo tempo é nossa semelhança, é a codificação de nossas emoções pessoais, é um singular em um plural baseado em nossas experiências emocionais, linguísticas/simbólicas e não apenas uma presença vazia como as imagens que nos inundam diariamente.


Quero encerrar essa reflexão com as palavras de José Saramago quando afirmou que “vivemos num mundo audiovisual onde, cada vez mais, nos sentiremos perdidos. Perdidos em primeiro lugar de nós próprios e em segundo lugar perdidos em relação com o mundo. Acabaremos por circular por aí sem saber muito bem o que somos nem para o que servimos nem que sentido tem a existência.”

José Saramago

Isso afeta, principalmente, aqueles que estão começando neste turbilhão de informações, seja fotografo ou pintor, o artista sempre ouviu que deve buscar se expressar pela sua arte. Compreender que a imagem é seu reflexo é uma boa maneira de começar buscar uma identidade artística, pois atualmente estamos preocupados em olhar como o outro, pelos olhos de outros e nosso olhar da realidade vai se sufocando até não existir mais. Isso nos dá a impressão de que nunca se viveu a Caverna de Platão como nos dias de hoje.


O THOMAS LEUTHARD

s apaixonados por fotos street conhecem Thomas Leuthard mas poucos tiveram a chance de conversar com ele. Pois bem, eu tive a oportunidade de conversar com o especialista em Candid Portrait e nas próximas linhas passarei um pouco desta interessante conversa. Thomas, conte-nos um pouco sobre sua vida. Qual é a sua principal ocupação e como você começou na fotografia de rua?

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

Meu nome é Thomas Leuthard, tenho 41 anos e eu vivo na parte alemã da Suíça entre Zurique e Lucerna. Minha principal ocupação toma 90% do meu tempo na área de TI para o governo local, onde trabalho no departamento de suporte. Decidi que não quero subir de cargo pois estou feliz com o que eu faço e eu encontrei a minha paixão, que me faz feliz. Esta paixão encontrei enquanto estava em Pequim, no Verão de 2008 trabalhando em meu emprego anterior, que foi um dos principais patrocinadores dos Jogos Olímpicos. Estava andando nas ruas da cidade e observando pessoas interessantes fazendo coisas interessantes. Foi ali que comecei a fazer pequenas séries de fotos sem entender que estava fazendo fotografia de rua. Levei quase um ano até que descobri que era isso que eu queria fazer no futuro.

Qual é a mensagem que você quer passar para as pessoas que admiram as suas fotos?

Não me siga, saia e fotografe. Todo mundo pode fazer isso. Você só precisa praticar e praticar por um bom tempo. O que te inspira quando você está nas ruas?

Eu raramente tenho um plano, quando eu saio, o que é ruim. Normalmente eu simplesmente caminho e tento ver as coisas ao meu redor. Este é um hábito ruim, especialmente para iniciantes. No futuro eu quero fazer mais projetos de trabalho. Apenas definir projetos simples que me coloquem limites e que me digam o que procurar nas ruas. Todos nós temos algumas referências que acabam influenciando nosso estilo. Quais são as suas referências?

Minha referência principal no início foi Nils Riedweg (www.photho.ch), que era um bom fotógrafo de rua antes de começar a trabalhar com fotografia profissional. Hoje eu recebo influência por boas idéias ou composições de outros fotógrafos. Às vezes eu vejo boas fotos e tento fazer coisas semelhantes.


Thomas Leuthard “Hitchcock”

Eu sei que você tem uma foto que você gosta muito e deu o nome de “Hitchcock”. Você poderia contar a história desta foto? Eu estava em Hamburgo, Alemanha com dois amigos para um fim de semana produzindo fotos street. No último dia, no caminho de volta ao hotel, estávamos esperando na estação de trem, quando eu vi este homem vestindo um terno e usando um chapéu. A luz vinha de trás e eu senti que precisava fazer essa foto. Eu fiz cerca de 30 fotos com duas câmeras (D90/GF1) e sempre com medo do trem chegar antes de eu terminar ou do homem falar algo. No final, nenhuma das duas coisas aconteceu. Felizmente a GF1 fez fotos perfeitas, enquanto as fotos da Nikon D90 estavam fora de foco, uma vez que não poderia incidir sobre a silhueta do homem. Olhando as fotos no trem que soube imediatamente que este momento tinha criado uma das minhas melhores fotos. Muitas vezes, o primeiro e último click de uma viagem são os melhores.

Quando você sai para as ruas, que tipo de equipamento você carrega na sua mochila? Eu carrego duas Olympus OM-D uma com uma lente 17 mm e a outra com uma lente de 45 mm. Levo seis baterias e 2 cartões SD de backup. Há uma caneta e alguns pequenos cartões para escrever (idéias, notas, etc.) Existem cartões de visita para dar as pessoas que querem tirar uma foto ou trocar com outros fotógrafos. Existe uma toalha para limpeza da lente e é isso aí. Que dicas você daria para quem gosta de streetphoto mas não sabe por onde começar? Leia meus dois livros, assista a alguns vídeos no YouTube e, em seguida, saia para fotografar. Fazer pequenos projetos, onde você define certas coisas para encontrar na rua. A coisa mais importante é fazer 50.000 fotos nas ruas antes que você possa até mesmo se considerar um novato. As pessoas sempre pensam que eles podem aprender street em um dia. Leva uma vida e você tem que trabalhar duro. Não há atalho para fotografia de rua. O primeiro passo é começar hoje e continuar amanhã e todos os dias de sua vida.


Você tem um amigo que também faz streetphoto que é o Eric Kim. Vocês tem projetos em conjunto? Fizemos três workshops juntos em diferentes cidades, mas isso foi tudo. Ele está muito ocupado ministrando workshops e eu não vi um bom trabalho recentemente. Não tenho certeza, se ele está escondendo suas boas fotos ou se ele não as tem. Eu sempre vou fotografar para me divertir e não quero trabalhar com streetphoto para ganhar dinheiro. Quando eu faço isso por diversão, eu tenho muito mais tempo e prazer. Quando você olha o meu portfólio, pode ver que há tantas fotografias e que existe melhoria ao longo do tempo. Isso não aconteceria se eu tivesse que ministrar workshops o tempo todo. Muitos fotógrafos de street preferem usar um Leica como primeira opção em seus trabalhos. Você não usa Leica e até gravou um vídeo sobre isso. Por que você não usa Leica? Porque eu acredito fortemente que minha fotografia não ficaria melhor se eu tivesse uma Leica. Embora eu possa pagar, eu nunca vou comprar uma. Quando você sabe, como encontrar um bom motivo com uma boa luz e dominar a composição, você pode fazer esse quadro com qualquer câmera decente. A Leica não irá fazer algo melhor. Está tudo na sua cabeça. E se o seu cérebro diz Leica, você deve consultar o seu psiquiatra. Nenhuma câmera neste mundo vai fazer uma boa fotografia por si só.

Teve um momento na sua vida que você disse: “Eu estou cansado de fotografar pessoas. Estou voltando às minhas raízes e farei fotos de flores”. Isso não durou muito tempo. O que te fez mudar e o que fez você voltar? Acho que foi em 1 º de abril. Acho que consegui te pegar. Era uma piada. (risos) Mas posso dizer que há momentos em que eu quero desistir de tudo. Felizmente, esses momentos são raros e vão embora logo. Muitas vezes eu preciso de alguma motivação para ir em frente. E essa motivação pode ser um novo projeto ou apenas uma conversa com um bom amigo. Há sempre uma maneira de acabar com as dificuldades quando se tem uma grande paixão no que faz. E para encerrar, quais são os planos futuros de Thomas Leuthard? Vou publicar um novo e-book na próxima semana, mas desta vez em alemão, minha língua nativa. Estou pensando em fazer alguns tutoriais no YouTube sobre determinados temas relacionados a streetphoto. Além disso, vou viajar para um algumas cidades nos próximos 10 meses, onde espero encontrar alguns bons momentos para fotografar. Ainda estou pensando em publicar um livro com as minhas 50 melhores fotos nos últimos 5 anos com a história de como as fiz e o que aprendi com a situação.


D O PODER DA LINGUAGEM

Beto Andrade beto@originaldesign.com.br

esde a era digital observamos um crescimento exponencial de novos fotógrafos, sejam eles profissionais, amadores ou mesmo por brincadeira, para ver no que dá. Isso tem, digamos, perturbado muitos profissionais da velha guarda, aqueles que estudaram durante muitos anos, pesquisaram novas soluções e investiram pesado na fotografia em equipamentos e em conhecimento, participando de fóruns e concursos, frequentando fotoclubes, expondo e visitando exposições para melhorar seus repertórios constantemente.

para que haja interação da origem com o destino, para que a informação seja compreendida e compartilhada: a linguagem. Um salto na evolução humana que se deu com o surgimento do gene Fox P2*, responsável pela capacidade do Homem de estabelecer linguagem articulada e planejada, que vai além da linguagem involuntária, como é observada no comportamento dos animais. Muito antes disso, a estrutura cerebral (figura 1) dos homnídeos, que possibilitou este recurso, surgiu há aproximadamente 8 milhões de anos segundo a comunidade científica, como mostra a figura abaixo.

Então alguém compra uma câmera com zoom 10x, faz um curso e publica sua fan page: “Faz-se fotos em geral”, ou algo parecido. E está cada vez mais comum. Mas, vamos tentar enxergar isso por outro ângulo. Exceto aqueles que estão a fim apenas de “viver a moda”, por que esta paixão tão avassaladora pela fotografia, ou mesmo por outras manifestações artísticas? Muitas pessoas adotam como hobby a pintura, escultura, marcenaria artística, artesanato e por aí vai. Mas vamos nos restringir à fotografia, e ao que está por trás dela, voltando às origens do Homem para procurar entender um pouco melhor este fenômeno. O ser humano é obsessivo por comunicação, por sua própria natureza. Todas as relações se baseiam nela, e absolutamente nada acontece sem a transmissão de informação de uma origem a um destino, desde a palavra e gestos até as emissões de ondas com infinitas frequências presentes no rádio, na TV, nas cores, na luz, na voz humana. A comunicação é, portanto, vital para a sobrevivência de todos os seres vivos. As formigas e as abelhas, por exemplo, possuem uma organização admirável, estabelecem lideranças e administram o trabalho comunitário graças ao poder da comunicação e de sua compreensão da linguagem simplificada. E é exatamente este o recurso fundamental para que a comunicação seja possível,

Figura 1 - No emisfério esquerdo são encontradas as duas áreas responsáveis pela linguagem. A Área de Broca, (em cor de laranja), responsável pela compreensão da linguagem, e a Área de Wernicke, (em verde) responsável pelo conhecimento, interpretação e associação das informações, são conectadas por um condutor neural, o Arcuate Fasciculus.

O gene Fox P2 veio aproximadamente 6,2 milhões de anos depois na era do Homo Ergaster. O homem passou a poder, pela primeira vez, compartilhar a informação que havia apenas em sua mente. Em 1982 um grupo internacional de pesquisadores descobriu em uma caverna do Monte Carmel, no Oriente Médio, esqueletos intactos e com todas as suas estruturas ósseas preservadas, e em um deles encontrou um osso que fica na parte anterior do pescoço, abaixo do maxilar inferior que suporta a musculatura na base da língua. O Hióide, que indica a existência da câmara de fonação no Homo Ergaster, o que posteriormente possibilitou o poder da fala que supostamente surgiu com o Homem de Neandertal há 300 mil anos.

* alguns grupos de historiadores acreditam que o Fox P2 possibilitou a fala, e não a capacidade de criar e compreender linguagem.


O Homem teria então, pela primeira vez, a possibilidade de compartilhar conhecimento com uma velocidade muito maior. A origem da linguagem não pode ser encontrada concretamente nos registros fósseis, mas por indícios de atividades como a caça, o que trouxe para a ciência a idéia de que a linguagem não tenha surgido apenas a partir da anatomia humana, mas também na luta pela sobrevivência. Em uma destas pesquisas foi identificada e analisada uma atividade de caça do Homem de Neandertal, em registros encontrados em um sítio arqueológico. Nesta atividade foram encontradas evidências que o Homem formava grupos para transportar renas e extraíam o máximo possível de comida, removiam as partes macias, músculos, quebravam ossos para aproveitar o tutano amarelo rico em gordura e esmagavam as articulações para obter o tutano vermelho, além de outros processos para aproveitar todos nutrientes do animal abatido. Era como um matadouro do período paleolítico.

Ainda que representações fiéis da realidade sejam consideradas arte (e acredito dessa forma também), sua maior essência porém consiste em modificar esta realidade, trazer significado a um objeto, mostrar o que pode haver por trás do que realmente ele é, de como é visto a “olho nú”, atribuir a ele significados diversos. Uma das primeiras esculturas com representação simbólica do corpo humano que se tem registro foi descoberta na Áustria em 1908 por 3 arqueólogos daquele país, na Vila de Willendorf, onde hoje é uma área de fazendeiros e avicultores. A Vênus de Willendorf, datada de 30 mil anos atrás. (figura 2)

Toda a operação exigia um padrão de linguagem específico para o trabalho em grupo como a estocagem de alimentos, uma atividade que requer ordem, liderança e especialização. Esta organização indica o estabelecimento da linguagem cognitiva, semelhante à do Homem atual. Ferramentas e padrão de procedimentos sofisticados também indicavam a necessidade de adotar liderança e transmitir conhecimento. Para isso, o Homem deveria ter a capacidade de sintetizar e simbolizar as informações, ou o compartilhamento se tornaria impossível. A linguagem evoluiu de forma constante durante centenas de milênios, e com ela o pensamento abstrato, já observado em evidências de ornamentos criados pelos Neandertais da costa da França, sugerindo assim sua capacidade de construir representações abstratas, ainda que de forma rudimentar. Surgia então o poder ao Homem de dar significado às coisas, da criação de imagens, de compreendêlas, de associá-las ao objeto real, de imaginar algo antes de ele existir. É a base do desenvolvimento da arte, que se aprimorou continuamente pela incansável necessidade do Homem de se expressar, com mensagens cada vez mais carregadas de simbologia que ganharam personalidade em cada uma das culturas que surgiriam após a era do Neandertal, cerca de 40 mil anos atrás.

Figura 2 - Vênus de Willendorf

As formas extremamente distorcidas, sem braços e sem rosto intrigaram os arqueólogos, mas após estudos concluíram que a ausência dos braços e do rosto tinha a pretenção de valorizar os seios abundantes, o órgão genital e a gordura, que se apresentavam de forma exacerbada e representavam o calor humano, o conforto materno e a proteção, trazendo sensação de esperança aos habitantes locais, cujo clima apresentava frio rude e intenso e a paisagem coberta por neve durante grande parte do ano. Na história mais recente, por volta de 5.000 a.C., os egípcios foram o primeiro assentamento humano a utilizar imagens do corpo exaustivamente, mostrando idolatria à figura humana com um estilo peculiar, que duraria mais de 3.000 anos por uma imposição para se manter um padrão artístico. Para representar esta idolatria, as imagens do corpo humano buscavam unificar em um só desenho as áreas que consideravam mais atraentes em ângulos privilegiados, como os olhos na posição frontal em faces desenhadas em perfil, e os pés e mãos da mesma forma. (figura 3)


Figura 4 - Kritian Boy, atribuído a Kritios

Figura 3 - Arte do antigo Egito

Mas algo estava errado, e os artistas gregos interromperam o caminho da perfeição. Por que esta excelência da habilidade artística seria abandonada?

A realidade, ainda que sem os exageros da Vênus de Willendorf, mais uma vez teria sido distorcida pelo anseio do egípcio para a representação, por meio de modificações intencionais da realidade, de sua idéia de beleza humana.

As obras sempre realistas chegaram no seu limite de desafio, e não poderiam representar nada muito além do próprio corpo. Isso havia ficado monótono e maçante. “Se a arte for sempre realista, para que precisamos dela”, era o pensamento que motivou os artistas gregos a novos desafios.

Os artistas da Grécia antiga acreditavam que os Deuses se materializavam em corpos humanos, e dessa forma deveriam ser melhores do que os corpos reais. Quanto mais o belo era evidenciado e de certa forma exagerada, mais se pareceriam com Deuses, e templos foram erguidos com estátuas em grandes formatos para a contemplação dos peregrinos gregos. Daí veio a expressão “Deus grego”, significando o extremamente belo. Os gregos registraram então sua obsessão pelo corpo humano. Pela primeira vez na história o homem criou a imagem de si mesmo, com perfeição milimétrica de detalhes buscando reproduzir com exatidão as formas humanas, a exemplo do Kritios, ou Kritian Boy (figura 4), um marco na história da arte entalhado em mármore, e ainda assim sua pele parecendo tencionada pelos músculos e suas costas onduladas sobre sua espinha. Kritian Boy, assim como inúmeras outras esculturas, representaram o objetivo alcançado pelos gregos, a arte como uma perfeita imitação da vida.

Faltava o significado, o simbolismo, de dizer algo além do objeto. Precisavam de algo mais humano do que o humano, como bem colocado por Nigel Spivey em documentário da BBC. A perfeição se manteve, a técnica e habilidade dos artistas continuou sendo o maior instrumento de expressão artística. Mas faltava o exagero, a representação, um significado maior, como se observou na Vênus de Willendorf, mas aqui com músculos e adoração ao corpo. Vieram então os bronzes de Riace, que tomaram como base um estudo de proporções anatômicas do escultor e matemático Polyclitus, em 450 a.C. (figura 5), sendo um destes bronzes atribuído a Fidias, um dos maiores escultores da Grécia antiga, e foram esculpidos com precisão ainda maior. Porém, evidenciando músculos, exagerando os detalhes considerados mais belos e eliminando outros, uma anatomia impossível se observar no humano real.


Fotos de esporte ganharam vida e ação com ângulos raros e ousados, levando o observador a uma maior comoção pela luta do esportista, trazendo a beleza oculta do esporte, a angústia e a explosão da felicidade de forma muito mais evidente. Estas novas cenas trouxeram elementos que simbolizam as peculiaridades do esporte de forma muito mais prazerosa e eficaz. Os retratos ganharam personalidade com o fotógrafo mergulhando na essência do modelo, a relação dos dois lados da lente ganhou mais proximidade, mais cumplicidade, passando a fotografia ser, mais do que o modelo, a sua própria essência com novas representações visuais. Por meio da linguagem articulada, a fotografia aqui consegue registrar o “irregistrável”, o abstrato, o invisível. A fotografia de casamentos potencializou a emoção do momento sublime do matrimônio. Pois o casamento é basicamente isso, a emoção. Mais do que a noiva, as alianças, o altar, o padre, a festa, faltava o registro do simbolismo, da abstração, de associações mais subjetivas com o marco na vida do casal e da familia, saindo do estático e do palpável. Faltava a cobertura do bolo.

Figura 5 - Bronze de Riace, atribuído a Fidias

A imitação deu lugar à representação, ao significado, à mensagem além do concreto e palpável, e este hábito de exagerar e modificar a realidade foi seguido por Michelângelo criando corpos fa tásticos mas irreais, e artistas impressionistas evidenciando cores e luzes e expressando o que a realidade não é capaz de fazer. Esta manifestação artística transformando o real, principalmente pelo exagero, permaneceu ao longo dos séculos e se mantem até os dias de hoje, em uma busca incansável pela linguagem sofisticada e carregada de significados peculiares a cada uma das diversas culturas que surgiriam desde então. Isso nos revela uma característica fundamental do Homem, a necessidade instintiva de atribuir significado às coisas. Como nos sonhos, estudados profundamente por Carl Jung para mergulhar na simbologia das relações humanas. Este nosso poder e anseio pela linguagem me parece explicar a evolução da qualidade de alguns segmentos da fotografia.

O fotojornalismo, meio vital para a documentação dos principais acontecimentos da história, nos presenteou com as cenas intrigantes e ocultas que passam diante de nossos olhos a todo instante. Indo além do documento, deixou de ser apenas registro e passou a nos mostrar o que está por trás do nosso cotidiano, por meio do melhor uso da linguagem e mostrando cenas, pessoas e objetos de forma mais representativa e metafórica. O que, na minha opinião, melhorou sensivelmente a qualidade da informação e da compreensão dos fatos. A fotografia de paisagem urbana, antes registros da arquitetura e estrutura dos grandes centros, a rigor, nos revelou o outro lado da realidade com a presença de mais simbolismo e representações visuais sofisticadas, muito além daquela realidade estática que vemos no dia-a-dia, em nossa ânsia de vencer o tempo, de cumprir nossa agenda atribulada. Nos proporciona agora nova oportunidade de pensar em nossa relação com pessoas, objetos e com o ambiente que vivemos, de forma mais lúcida, rica e envolvente. Ao mesmo tempo que a técnica e a tecnologia avançaram, a linguagem aplicada na fotografia trouxe ganhos sem precedentes na leitura, e no nível de qualidade da mensagem que ela pretende transmitir, como se a “explicação” fosse melhor.


A mente humana pedia mais da fotografia, e os fotógrafos entenderam. Tudo estava monótono como Kritian Boy. Faltavam significados mais complexos, associações mais sutis, mais sofisticação na linguagem fotográfica, mais valor a um momento sublime e imperceptível a olho nú. Ora, a fotografia é um veículo de comunicação poderoso e se tornou um forte meio de expressão, a “escrita com a luz” como é dito. E toda expressão necessita de linguagem, e quanto mais sofisticada é a linguagem mais inteligência é aplicada e, portanto, mais valor é atribuído ao trabalho. Quem parecia saber muito bem disso era Henri Cartier-Bresson, que era capaz de aguardar um dia inteiro a espera do melhor momento, para que pudesse expressar com maior fidelidade possível o que tinha em mente.

E me arrisco em garantir que não era à toa, um dos seus grandes méritos foi buscar sair do simples registro, do comum, do estático, da leitura que para no papel. Era necessário que houvesse uma história, apenas possível com representações simbólicas sofisticadas. Sendo assim, a fotografia evoluiu e trouxe ao público mais informação, mais prazer na leitura, mais possibilidades de interpretação e, consequentemente, maior audiência. A seguir, alguns exemplos destas evoluções em trabalhos de fotógrafos que se especializaram em suas áreas de atuação.

A Foto-retrato é um campo cerrado de forças. Quatro imaginários aí e cruzam, aí se afrontam, aí se deformam. Diante da objetiva, sou ao mesmo tempo: aquele que eu me julgo, aquele que eu gostaria que me julgassem, aquele que o fotógrafo me julga, e aquele de que ele se serve para exibir sua arte. (Roland Barthes, em A Câmara Clara)


“Fotografia se faz com a alma, ao entrar naquilo que você quer transmitir na imagem” Willian Lima - Casamentos


“Eu gosto dessa desconstrução da pose e da construção de um personagem mais íntimo, mais cúmplice, mais inovador, mais revelador.” Vânia Toledo - Retratos


“Vou em busca de histórias, de momentos e instantes que não se repetem.” Jonne Roriz - Esporte


“O vidro acaba mostrando para você duas realidades.” Paulo Rubens - Fotojornalismo


“A rua é meu palco, crio uma história a cada foto, com personagens e cenários que imagino em cada instante.” Laura Mexia - Paisagem Urbana


Talvez tudo isso explique, em boa parte ao menos, a paixão de pessoas de outras áreas pela fotografia, então vale a tolerância aos muitos dos “novos fotógrafos” pela sua necessidade de manifestar emoções e suas formas de simbolizar a vida por meio da luz, o que muitos deles não podem fazer em suas planilhas Excel, em suas salas de operação ou num tribunal de Justiça, não com a expressividade e sofisticação como na fotografia. Aos novos fotógrafos, que não se preocupem tanto com a regra dos terços, ainda que tenha sua importância. O mundo está cheio de significados, de coisas ocultas, de coisas que não são o que parecem ser, e as lentes estão aí para traduzir tudo isso ao mundo através da luz. Finalizo com uma frase memorável de Mário Quintana, que pode nos servir de grande inspiração:

“A alma é essa coisa que nos pergunta se alma existe”.

Mário Quintana,


N AO MESTRE COM CARINHO

Simão Salomão simaosalomao@terra.com.br

ão podemos falar de conhecimento sem falar daqueles que nos passaram boa parte doque sabemos, bem como tudo o que desenvolvemos a partir destes conceitos.

Já se perguntou à qual escola de fotografia você partence ? Pois é, para quem está neste caminho há algum tempo, provavelmente é autodidata ou aprendeu o ofício em família, quando não, foi ser assistente e aprendeu com o mestre fotógrafo todos aqueles segredos que guardamos por tanto tempo. Daí, então, poderá dizer o que faz a partir doque aprendeu. Hoje, existe de fato a formação de fotógrafo, com cursos de graduação, pós e mestrado, que começaram lá no final dos anos 90 com o Senac abrindo o curso de Bacharelado em Fotografia (que teve sua primeira turma formada em 2002) e posteriormente em algumas outras universidades. Algo novo, que por muito tempo foi feito de uma forma um tanto informal, com escolas dos mais diversos tipos, algumas muito boas, mas efetuando um aprendizado que em alguns casos, não era reconhecido por algumas áreas profissionais. Durante a carreira, os fotógrafos iniciantes procuravam complementações à sua área de atuação mais específica, como técnicas de estúdio fotográfico, oficinas de flash, fotografia autoral, fotojornalismo, laboratório, enfim, cada curso teria uma responsabilidade com determinado setor. Mas como não havia um único curso que capacitasse o interessado na plenitude da fotografia em si, muitos cursavam alguma coisa padronizada, para garantir seu futuro, e após, vinha a se encantar com a gloriosa profissão de congelar o tempo da forma que melhor se adaptasse ao que queria, podia ou gostaria de fazer – três coisas bem diferentes umas das outras. Acredito que por conta destas características, os fotógrafos já se diferenciam e se tornam figuram míticas, emblemáticas, personas que geralmente se abstraem do comum com facilidade e desapego.

Eu mesmo fui um errante da fotografia, como a maioria dos fotógrafos, cursei ensino técnico em mecânica e engenharia de produção, trabalhei nestas áreas para depois de mais de vinte anos assumir de vez a profissão que adoramos - e saibam, muitos dos bons fotógrafos assim o fizeram também. Sebastião Salgado era economista, Cristiano Mascaro se formou em arquitetura, mesmo curso iniciado pelo personagem ao qual quero trazer observação: Antonio Gaudério. Gaudério é um codinome similar ao do Jeca Tatu, só que dos pampas. Nascido Antonio Carlos Matos dos Santos, gaucho de Ijuí, em 1958, abandonou o curso de arquitetura para se dedicar ao Fotojornalismo. E o fez com maestria. Gaudério colecionou em sua marcante jornada diversos premios - três Vladimir Herzog, entre outros - e renome que o distinguia dos demais fotojornalistas, bem como sua carismática personalidade e presença de espírito, que renderam o apelido ao grande fotógrafo. Causos e contornos era com ele mesmo, era reconhecido no meio fotográfico como gênio e safo, altamente técnico e improvisador, mas usava de todos estes subterfúgios para criar imagens maravilhosas, críticas, sempre muito bem estudadas e compostas. Nos felizes contatos que a vida me proporcionou com este gauchesco personagem, que se iniciou através de um workshop do Gaudério na Imã Fotogaleria - uma galeria de outro amigo-fotógrafo em comum, o Egberto Nogueira - tive a oportunidade de descobrir o porque. O homem falava e podia estar te enganando ou falando a coisa mais séria do mundo, e você só descobriria a real muito tempo depois, em outra conversa, quando ele te dava o veredicto, tipo contando pra outro da roda: “Esse cabra acreditou nisso, tá vendo ?” Pois aconteceu uma comigo que não teve desfecho. É sobre a foto do guri batendo um penal, e atrás do gol um triplo outdoor gigantesco exibe os braços abertos de Cristo (Gaudério fotografou tanto o Cristo que ele o recompensou de alguma forma, como veremos) em sincronia com o gesto do goleiro. E o que eu achava incrível na foto era que, além dos elementos todos, da analogia do gesto, da proteção divina, a fé no futebol e a geometria da foto – coisas que poucos como o Gaudério conseguem colocar num único click – ainda tinha uma inscrição no outdoor: “A paixão de todos”.


foto – A paixão de todos / Antônio Gaudério

Virei pro meu mestre e falei: “Ô Gaudério, que felicidade esta inscrição aí, não é mesmo !?” E aí ele fez aquela cara de jogador de truco que blefa e você não sabe, mente e você acredita, e quando você pensa que tá entregue te bota uma carta imbatível na cara, e me retrucou com cara de espantado: “Rapaz, nem tinha percebido esta inscrição aí…” Até hoje não pude tirar a teima deste lance, que eu acredito ser troça do amigo velho, mas infelizmente ainda não sei quando poderei confirmar isso tudo. Numa ação fotográfica pela preservação dos mananciais de São Paulo em 2008, que fiz junto com o Tuca Vieira, fotojornalista e nosso amigo comum, fiquei sabendo através dele que o nosso amigo havia sofrido um acidente sério, uma queda, a qual deixou Gaudério entre a vida e a morte, em coma induzido. Foi uma barra dura de suportar para os que estavam à sua volta. Com muita sorte, força de vontade e competência medica, o intrépido gaúcho que não se entrega fácil foi se recuperando lentamente, mas trouxe deste episódio uma sequela que lhe rendeu uma terrível perda de memória. Ele não sabe bem quem foi, apesar de reconhecer algumas fotos que fez. Já colocaram uma câmera novamente em suas mãos, e as técnicas todas parecem ter-se ido com o acidente. Acreditamos que o talento ainda lhe habite.

Gaudério não se entregou, esperamos que permaneça turrão e continue se esforçando para logo mais nos presentear com as imagens sempre geniais, bem sacada e muito bem compostas que sempre enxergou no quotidiano. E que continue nos contando suas histórias, claro !! Os causos e situações são tão variados e incríveis que merecem uma publicação à parte. Recebi de sua esposa Rosimere e das filhas Ana Aurora e Maria Antonia, alguns manuscritos do próprio, nos quais ele narra diversas pautas e momentos inusitados, num estilo que mistura a brasilidade de Ariano Suassuna com a narrativa fantástica de Gabriel Garcia Marquez, como certa vez afirmava que havia fotografado o diabo, um sujeito do interior de Alagoas, que vivia nu tempo integral. Ao fotografar o sujeito com uma teleobjetiva, escondido por conta das ameaças do diferenciado ser, tinha certeza de que havia feito um “nu frontal” que, ao revelar as imagens, não encontrou o fotograma desta imagem no negativo... ...seria coisa do tinhoso?


Outra história curiosa é sobre uma pauta que recebera para fotografar o Frei Damião, hospitalizado na Escola Paulista de Medicina, numa ala cercada de seguranças. Em suas palavras, ao rondar o local, encontrou uma faxineira grávida e banguela, que propôs lhe ajudar, oferecendo à ele trajes de médico para que entrasse disfarçado na UTI do hospital. Ela comentou que iria colocar as vestes sob um colchão do vestiário dos plantonistas, para ele já se trocar por ali e passar desapercebido dos seguranças. Achou aquilo tudo uma bobagem muito grande, mas acabou por não fazer a foto, tendo que retornar alguns dias depois. Ao lembrar da faxineira, perguntou por ela, mas em todo o hospital lhe diziam que não havia nenhuma faxineira grávida por lá faziam meses... ... sem ter como seguir adiante, lembrou do que ela lhe havia dito, foi ao vestiário dos plantonistas e, ao levantar o colchão, achou ali um jaleco. Com ele, conseguiu fazer a foto tão esperada pela redação. E a faxineira, seria então um anjo banguela? E a foto? Claro, Gaudério conseguiu mais uma vez, desta feita, abençoada pelo Frei Damião...

foto: Antônio Gaudério

Como pode ver, Antonio Gaudério em suas incursões para conseguir o inpensável entrava em contato até com o sobrenatural, encarando figuras tão incríveis como opostas, de anjos até o diabo... O outra justificativa de sua genialidade estava baseada em seu lado instrutor, carregado dos vastos conhecimentos e prática do nosso metiê. No workshop que mencionei quando o conheci, ele disse pra turma a coisa que considerei a mais séria que qualquer outro fotógrafo já disse, uma analogia entre a sinuca e a fotografia (o bagual é fanático por sinuca). Iniciou a sabatina colocando uma caixa comprida sobre a mesa e, surreal, tirou dali três lances de madeira, e rosqueando as partes umas nas outras, montou um taco de sinuca, numa fineza parecida com a que se usa no cinema, e começou a discorrer ludicamente sobre algo que era mais ou menos assim:


“Fotografar é igual a jogar sinuca. Você segura bem firme o taco, dá uma batida forte e seca bem no meio da bola, e pronto, a coisa tá feita. Mas com o tempo, você vai se dando conta que se segurar o taco com menos firmeza, dar uma batida não tão rápida, menos forte, ou mesmo mirar um pouco ao lado da bola, inclinando um pouco, aí se tem um efeito que põe a bola certa na caçapa certa.” Genial, não!? Pois é, um cabra deste naipe faz muita falta. Ainda bem que ele é turrão e não se entregou, ao menos está lá, junto com a bela família que criou e da qual sempre teve muito orgulho e para a quem dedicou sempre muito carinho. Era comum nos encontrarmos no Sesc Pompéia, cada um com sua família, e ficarmos falando um pouco de fotografia e um muito da família. Era mesmo um pai e marido dedicado. Tenho vontade de ministrar este WorkShop que o Antonio Gaudério fazia, é algo que não pode se perder no tempo, pois é muita informação concentrada útil, um tesouro que está por ser redescoberto. Ainda mais em uma época em que a fotografia está sendo tratada em sua maior parte apenas como produção de visualizações instantêaneas.

foto: Antônio Gaudério

Antonio Gaudério pode ter perdido a memória, pode nos olhar por alguns minutos e não lembrar nossos nomes, o que vivemos no passado, mesmo aqueles que conviveram com ele por muito tempo. Mas não tem problema, porque nós que o conhecemos, sabemos muito bem quem ele é e o valor que carrega pela sua obra, pela persona que foi, por seu companheirismo, pela família que formou. Por isso, fica aqui uma singela homenagem ao sujeito que sempre economizou palavras sérias, sempre esbanjou causos, mas que apresentava por imagens uma visão de mundo que nos ensina com prazer, precisão e crítica como funciona a vida. Gaudério, vai firme ! Logo mais, uma sinuca ? Você começa, com todo respeito, Mestre...


foto: Ant么nio Gaud茅rio


foto: Ant么nio Gaud茅rio


foto: Ant么nio Gaud茅rio


Antonio Gaudério, Egberto Nogueira, eu e a Carla Meira, esposa do Egberto, em frente à Ímã Fotogaleria, em agosto de 2013. Foto: Ana Comparini


D DE LONDRES PARA O MUNDO

e Londres para o mundo, é assim que dou início a este material o qual entrevistei Marcus Lyon. Fotógrafo mundialmente conhecido e que está novamente no Brasil para expor seus trabalhos mais recentes na Galeria Tempo, no Rio de Janeiro, e participar do Rio Arte/2013. Abaixo, alguns momentos do nosso bate papo. Marcus, conte-nos como foi a sua trajetória até chegar na fotografia. Foi algo programado ou surgiu de repente em sua vida?

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

Ganhei uma câmera quando eu tinha 14 anos. Ela me deu uma nova perspectiva de vida. As imagens me permitiram capturar e prender os momentos e viver uma vida mais rica naquele período. Ela me conectou a mundo. Depois que saí da universidade com um diploma de ciência política, a câmera tornou-se a maneira que eu poderia mostrar a injustiça social e contar histórias sobre o mundo ao meu redor. Desde o inicio você já pensava em atuar no lado artístico, o fine art da fotografia ou esse pensamento surgiu depois?

Eu sempre criou minhas imagens para exposição. De várias formas, eu tenho trabalhado para ser um bom artista, desde o início, mas a realidade é que temos de ter uma vida econômica viável. Trabalhar com imagens por encomenda é um caminho mais seguro do que o mundo comercial de arte. No entanto, o anos trabalhados de forma cuidadosa entregando trabalhos bem feitos e dentro do orçamento fez com que retratos comerciais e imagens criativas fossem um poderoso pano de fundo para dar um salto no mercado da arte. Como você descreve o seu estilo de fotos?

Meu primeiro trabalho foi sobre questão social impulsionado em preto e branco, um clássico foto-jornalismo mas hoje eu crio trabalho conceituais, paisagens construídas em grande escala, que exploram a interface fundamental entre o homem e a natureza, na virada do século 21.

Em 1990 você fundou a Glassworks, um estúdio premiado de arte multidisciplinar que atua como uma galeria, espaço de exposições e centro de excelência. Fale um pouco do porque da criação do Glassworks e quais são os objetivos futuros do espaço.

A Glassworks continua sendo o centro de produção de todo o meu trabalho comercial e criativo. É o coração da minha prática. O seu futuro é muito mais que ser uma galeria privada e um espaço para exposições. Tenho excursões para visitas a galeria de 3 ou 4 vezes por semana quando estou em Londres. Pessoas do mundo todo procuram pela Glassworks e quando eles estão na cidade procuram a galeria para conversar, ver os materiais expostos e recolher seus trabalhos apresentados.


Você fotografou uma variada de figuras públicas como a Rainha Elizabeth II, Bill Nighy e os últimos quatro primeiros-ministros britânicos. Aqui no Brasil eu fui chamado para fotografar o Principe e a Princesa de Orange Nassaw e isso fez com que o mercado me olhasse com outros olhos. Para você, ter fotografado pessoas tão notórias te abriu algumas portas ou não influenciou em nada na sua carreira? É muito importante ter uma história. Como criadores de imagem que somos, essencialmente, contadores de histórias e, assim, ter fotografado algumas pessoas famosas é bom para chamar a atenção daqueles que estão interessados ​​em seu trabalho, mas isso não é o mais importante. As imagens que fiz de crianças de rua deixaram uma marca muito mais forte em meu coração. Retrato formal é uma habilidade que qualquer um pode praticar e para alguns de nós isso pode acabar tornando-se uma arte, mas na realidade criar imagens documentais ao mais alto nível é um processo muito mais complicado e emocional, ou seja, para mim é um proicesso mais rico. Para mostrar as realidades da condição humana é um processo muito mais profundo do que produzir um retrato esteticamente agradável.

As cidades do mundo em desenvolvimento serão responsáveis ​​por 95% desse crescimento. Estas são as megacidades das economias do BRIC, os gigantes urbanos, Brasil, Rússia, Índia e China. As megacidades dos mercados emergentes são as que definem os espaços humanos do nosso tempo. Em Êxodo eu exploro as migrações mais importantes do início do século 21. Como a capacidade das pessoas, bens e serviços a circunavegar o planeta aumentam exponencialmente ficamos desconectados de uma visão simples da nossa identidade comum. De fato, como nossas diferenças econômicas e geo-políticos intensificam o movimento expancionistas dos ativos reais e digitais desafiam o poder do indivíduo na sociedade, o Estado e as corporações de controlar opiniões, ações e ambientes. Em Êxodo eu provoco dúvidas sobre as maiores mudanças na sociedade contemporânea através de representações em larga escala dos temas-chave que influenciam a globalização no mundo moderno.

Quem é Marcus Lyon fora do seu trabalho como fotógrafo e artista? Fora do mundo da arte Eu sou um empreendedor social determinado e um orador público ativo em ambas as questões de desenvolvimento e fotografia. No setor não comercial eu sirvo como Embaixador Fundador do Home-Start UK, como Presidente do think-tank e rede The Consortium for Street Children (defesa do Consórcio para Crianças de Rua). Marcus, você tem uma exposição aqui no Brasil, agora em Setembro, no rio de Janeiro. Este ano você já esteve aqui expondo porém em São Paulo, na Galeria Tempo. Essa exposição no Rio é a mesma que veio para São Paulo ou são outros trabalhos? Estou muito contente por trabalhar com a Galeria Tempo e com a Carolina Dias Leite no Rio de Janeiro. Em SP eu exibi algumas das imagens do BRICs e no Rio eu vou epor tanto Êxodo como BRICs. Eles estão levando meu trabalho a ArtRio 2013 e mantendo uma obra em sua galeria em Copacabana. BRICs observa cuidadosamente a urbanização maciça do mundo em desenvolvimento. No século 21, um divisor de águas foi cruzado e o mundo viu uma mudança global de moradores rurais para um novo exército de residentes urbanos. Se a tendência de urbanização em massa continuar no mesmo ritmo, a população urbana do mundo vai dobrar em 40 anos.

E para fechar pois seu que sua vida é muito corrida… … O que você poderia dizer para os novos fotógrafos ou mesmo os da antiga que pretendem voltar seu trabalho para o lado artístico da fotografia? É tudo sobre a idéia e a sua capacidade de reinventar seus processos criativos.


Marcus Lyon

Marcus Lyon


:: Museu de Arte Moderna de São Paulo - Parque Ibirapuera, portão 3 - SP - Brasil :: Horário de funcionamento: Terça a domingo e feriados das 10h às 17h30. :: Tel + 55 (11) 5085-1300 / Fax +55 (11) 5549-2342 :: www.mam.org.br


E BOCA A BOCA NA ERA DIGITAL

u postei, você curtiu, ele comentou, nós compartilhamos, essa é a nova linguagem dessa rede de pessoas! E você ou sua empresa está fazendo o que para seus negócios estarem no boca a boca da era digital?

Temos a certeza que você algum dia ao se apresentar a alguém como fotógrafo, não tenha tido como resposta, algo do tipo: “nossa, eu adoro fotografia” ou “comprei uma câmera e também adoro fotografar”, enfim, o mundo fotográfico contagia a todos!

Com a evolução da internet e principalmente das redes sociais, as coisas acontecem numa velocidade incrível e nós precisamos acompanhar isso.

Vemos muitos fotógrafos preocupados com essa situação, e muitas vezes se sentem desconfortáveis com o fato de muita gente ter um equipamento igual, similar ou até melhores ao deles. Veja, esse não é um problema, pois quanto mais as pessoas compram suas câmeras e quanto mais fotografam com seus celulares ou com suas semiprofissionais, mais elas entendem que ótimas fotografias dependem de ótimos fotógrafos. É como tentar copiar o sanduíche do Mac Donald’s (dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles no pão com gergelim), hambúrguer nós compramos em qualquer lugar, mas o sabor não será o mesmo!

Pode acreditar, é mais simples do que parece, mas o princípio de tudo é: Não tenha pressa! Robson Martins martinslux@bananafoto.com.br

Kátia Martins katiamartins@bananafoto.com.br

Se os seus negócios ainda não estão na internet ou nas redes sociais, você precisa entender alguns pontos antes de sair metendo os pés pelas mãos e acabar por entrar numa enrascada! A internet se tornou um mecanismo desafiador, pois é um instrumento que nos leva às pessoas e são elas que temos que alcançar. Agora, para entender a cabeça e o comportamento do seu público alvo, sem estarmos frente a eles é o grande desafio, o que só faz bem para os profissionais que tem foco e objetivo! Você deve se lembrar a cada dia e sempre que estiver à frente de seus negócios, que todas as iniciativas que tomar, fazem parte de uma estratégia de marketing, e suas decisões é o que vai influenciar o destino dos seus negócios daqui a 5, 10 ou 20 anos, e se pretende permanecer vivo com sua empresa, você precisa acompanhar o raciocínio do seu público e da era na qual vivemos agora. A internet, muito embora conecte centenas de milhares de pessoas todos os dias, ainda tem muito a crescer, e acredite isso é só o começo! Se você é um fotógrafo, pode se sentir privilegiado por estar nessa era, pois não nos lembramos de ter tido acesso a tanto conteúdo fotográfico como o que temos nos dias atuais com a internet.

Quando começar a ver as coisas de outro angulo, que já é a sua prática diária, tudo será esclarecido e você vai aproveitar esse grande momento e o que mais vier para o seu crescimento profissional. Nessa grandiosa era da informação, passamos a ser mais exigentes, esperamos mais das empresas e dos profissionais, afinal, o simples todos nós conseguimos fazer, basta “jogar” no google. Com a internet e as redes sociais, você pode aproveitar da sensibilidade e empolgação de seus clientes para que o boca a boca de seus negócios rendam bons negócios, sendo essa também uma maneira importante da fixação de sua marca e do seu nome. O porquê não ter pressa? Não é de um dia para o outro que os resultados vão aparecer e não será nada positivo começar publicando mil trabalhos de uma só vez sem regras e critérios.


Comece hoje falando sobre algum assunto que goste e que seja interessante para um possível cliente potencial, amanhã publicando algumas fotos de algum trabalho de forma simplificada e que consiga criar ainda mais curiosidade e entusiasmo entre seus “seguidores”. Buscar parceiros que possam fazer um link com você é algo interessante, principalmente se esse parceiro já tem alguma credibilidade no mercado onde atua, lembrando que para isso você precisa conquistar a confiança desse parceiro, procurando beneficiar para ser beneficiado.

Dê preferência a ter uma rede social voltada exclusivamente a seu trabalho, para que possa atuar na rede de forma imparcial a comentários de amigos e pessoas de seu relacionamento. Nada o impede de ter um canal pessoal e outro profissional, sendo essa a forma mais adequada. Procure manter seu canal atualizado com novidades e conteúdos interessantes, para que sejam estes curtidos, compartilhados e comentados, criando assim uma interação com seu público, seja o cliente direto, indireto ou apenas a ponte entre você e novos trabalhos. Como vê, são pequenas ações que geram grandes proporções!


E KOKEN

Rui Costa ruijscosta@gmail.com

Colunista Internacional diretamente de Portugal

xistem, de forma muito sucinta, duas formas de colocar o seu próprio site online e com isso alcançar uma faixa mais atenta e seguidora do seu trabalho do que apenas a população que pode encontrar em redes sociais, comunidades de partilha de fotos ou, como alguns livremente denominam, “site de palmadinha nas costas”. A primeira forma passa por se desprender de toda e qualquer responsabilidade que não a da criação das obras fotográficas. É o entregar de todo e qualquer aspeto da criação, alojamento, manutenção e todo o esforço associado a uma presença online nas mãos de um fornecedor de serviços. A segunda forma, mais carregada de trabalho braçal mas muito mais recompensadora em termos de resultado final, passa por instalar, alojar, configurar e sofrer todas as dores de cabeça associadas ao processo de desenvolvimento de uma plataforma exclusiva de divulgação dos seus mais preciosos trabalhos. Não fuja já! Tratarei de lhe apresentar algo que o(a) fará ter o melhor de dois mundos: controlo sobre o software mas com uma estrutura padronizada de um serviço dedicado e desenvolvido a pensar em fotógrafos e outros criativos. Escolhi por isso e para um primeiro capítulo deste enormíssimo campo, um software desenvolvido por Todd Dominey, Brad Daily e Lauren Smith, que visa uma enorme facilitação da vida de todo e qualquer fotógrafo que queira colocar o seu trabalho online. O seu nome é Koken e é uma plataforma sem pretensiosismo barato e sem necessidade de se impor ao trabalho do próprio fotógrafo. O objetivo do Koken é servir a arte e o artista e não o assumir um protagonismo maior do que o do conteúdo que alberga. O seu aspeto simples, até minimalista se quiser, mas sem qualquer espécie de dúvida altamente profissional, faz dele uma das mais interessantes e versáteis ferramentas para colocação de um portfólio online que tive oportunidade de testar até hoje. Uso desde o dia em que o vi pela primeira vez. Fiquei comple-

tamente convencido assim que o testei e não passaram 15 minutos desde esse ponto até ao momento que o instalei no meu alojamento partilhado. Pode dar uma olhada ao meu site em http://photography.ruicosta.org para que possa ficar com uma ideia mais clara do que estou para aqui a tentar vender. Mas se o aspecto do frontend apenas quase convenceu, espere até dar uma voltinha no monstro que é a zona de administração e gestão de biblioteca de imagens. Brilhante, simples, verdadeiramente dirigida para profissionais e amadores sérios. Um luxo de interface e um ambiente geral muito próximo de aplicações como o Adobe Lightroom ou o Aperture. O Koken está tão bem estruturado e tão assente no propósito de servir fotógrafos e designers que a biblioteca permite por exemplo definir conteúdo oculto, i.e., conteúdo que pode por exemplo partilhar com clientes mas que não tem que necessariamente ser exposto no seu site. Todo o conteúdo pode ser agregado por álbuns e vários álbuns poderão ser agregados em sets, ou grupos. Pode anotar trabalhos como favoritos ou colocar cada um em destaque, fazer uso da funcionalidade de drag-and-drop para ordenar todo o seu conteúdo, definir tags, categorias e mesmo fazer uso da informação IPTC de cada foto para gerar automaticamente os metadados de cada imagem. A funcionalidade de substituição de versões merece igualmente nota de destaque e serve exatamente para que não tenha o trabalho acrescido de mudar links e metadados quando substituir por exemplo uma versão mais antiga de um vídeo ou foto por algo mais recente. Apesar de crer que o até agora apontado seja suficiente para o(a) fazer olhar com atenção para esta potente ferramenta de trabalho, acredito também que gostará de saber que o Koken está também pensado para se fazer acompanhar de conteúdo textual e outro tipo de media que não apenas as suas fotos. A integração com conteúdo publicado no Flickr, Instagram, SoundCloud ou Twitter está garantida e nada ficará entre si e o blog de produção que sempre sonhou fazer acompanhar o seu portfólio.


A exposição do trabalho é essencial mas também é hoje sabido que um diário de produção, textos sobre equipamentos, experiências e inspiração, são um magnífico suplemento vitamínico para qualquer portfólio. Pode encontrar o meu blog modelo “suplemento vitamínico” em http://fxposure.ruicosta.org embora tenha que confessar que não estou a fazer uso do Koken para o efeito. Wordpress foi a ferramenta escolhida. Também na versão instalada em servidor próprio. Lá voltaremos noutro número. Quanto ao aspeto final do seu site, tem, para já, 8 opções diferentes em termos de temas. Poderá testar cada um deles em http://bit.ly/demokoken. Todos os temas são responsivos, i.e., adaptam-se perfeitamente a todos os dispositivos de visualização, sejam eles as 30 polegadas do seu monitor ou o seu pequeno smartphone. Não tem que se preocupar se as suas fotos ficam bem ou mal em determinado ecrã. Só tem que se preocupar mesmo com a qualidade da própria foto mas, quanto a isso, o Koken não pode fazer nada mesmo. Caso seja utilizador do Adobe Lightroom, tem igualmente à sua disposição um muito útil plugin de sincronização que pode e deve colocar a uso. Por ultimo mas nem por isso menos importante: o preço. Gratuito! Leu bem, não é brincadeira minha, não há taxas escondidas nem truques na manga. Se pensou que estava a trabalhar para a comissão de 10% com este artigo, desengane-se. Não há como.

O Koken está disponível para download. É só puxar, fazer o upload para o seu webhost e dar início à instalação. Pode efetuar o download e ler as – brevíssimas – instruções de instalação em http://bit.ly/instalarkoken. Bem sei que o facto de Koken ter que ser instalado em um alojamento próprio poderá dar a alguns dos leitores a sensação de ser coisa para gente da tecnologia, esses geeks com demasiado tempo livre. Nada poderia estar mais longe da verdade. Um alojamento em serviços como o HostGator ou GoDaddy custa uns míseros dólares mensais. O processo de configuração de contas é muito simples e qualquer utilizador que saiba ler deverá conseguir chegar ao fim do processo sem problemas. Para que fique com a certeza de que acredito no que estou a escrever coloco a minha conta no Facebook à sua disposição para responder a qualquer dúvida relativamente a este assunto. Passe por http://bit.ly/ruiphotos e envie uma mensagem caso queira esclarecer algum ponto relativo ao uso ou instalação do Koken. Já que falamos nisso, a página do Koken (www.facebook.com/kokencms) é um bom ponto de partida para ir estando a par de todas as novidades que vão surgindo em torno desta plataforma de publicação e gestão de conteúdos. O Koken encontra-se presentemente na versão 0.9.3 e sempre que exista uma atualização disponível basta um clique na zona de administração para colocar tudo em dia. Tudo simples, Koken works! Até à próxima.


C CAIU NA REDE É...

Otavio Costa otavio@flyview.com.br

aiu na rede é... … foto!

Não, não quero dizer que qualquer imagem produzida, da forma que for, por quem quer que seja, em qualquer situação, seja digna de ser considerada boa fotografia, ou até mesmo arte. Ainda mais em uma revista em que muitos procuram uma qualidade especial na captura dos raios de luz para a produção de uma imagem única.

Hoje qualquer celular tem câmeras digitais extremamente sofisicadas, capazes de permitir que mesmo alguém que não tem conhecimentos técnicos faça imagens surpreendentes. Algumas privilegiam a facilidade de uso, outras a capacidade de se fotografar com muito pouca luz, entre outras facilidades. A topo de linha do mercado, a câmera do Nokia Lumia 1020, praticamente “fotografa sozinha”, dando ao seu dono a chance de corrigir a foto que nem mesmo imaginava que tinha tirado.

Mas sou obrigado a reconhecer que vivemos em um mundo em que não é possível imaginar estar distante de alguma câmera por mais do que alguns metros, ou por alguns poucos minutos. Do micro ao macro, no interior do corpo humano, ou fora do planeta Terra, fotografias são produzidas a todo instante pelos mais variados equipamentos. As câmeras não estão mais apenas nas mãos das pessoas. São câmeras de segurança, câmeras indiscretas, fixadas em todos os tipos de veículos, penduradas em “drones”, ou até “de carona” em algum animal. A verdade é que não é mais possível imaginar algo que não possa ou não esteja sendo fotografado a qualquer momento. Sim, um Big Brother da vida real. Mas afinal, o que é uma máquina fotográfica? Para alguns, algo que permite registrar a luz e descrever um instante de realidade. Para outros, um instrumento que permite a um fotógrafo registrar sua especial visão das coisas de maneira a poder mostrar, para os outros, o que só os seus olhos são capazes de enxergar. Seja como for, tais instrumentos não param de evoluir. Em 2010, um dos primeiros equipamentos produzidos comercialmente para isso, um “daguerreótipo” criado em 1839, foi leiloado em Viena, Áustria por mais de 730 mil euros. E era pouco mais do que uma caixa de madeira com um orifício dotado de um dispositivo que permitia controlar a entrada de luz em seu interior.

Com um conjunto ótico de seis lentes e um sensor de alta qualidade de 41 MP, a câmera do Lumia 1020 produz simultanemanete duas imagens para cada “clique” do usuário. Uma de resolução mais “modesta” (5 MP), que é o que o usuário “pensa” que fotografou – e que já resolve para a maior parte das situações - e outra de 30 e tantos megapixels que permite dar zoom digital (sem perda aparente de qualidade) e modificar completamente o enquadramaneto da imagem salvando uma nova versão de 5 MP da imagem fotografada. Para o usuário, a impressão é de que ele apenas “corrigiu” ou melhorou sua imagem original, mas na verdade a câmera deu uma mãozinha “emprestando” a foto que ela fez para “remendar” a que o usuário tinha feito.


Enfim, a criatividade da indústria é tão grande que eu não me surpreenderia se, em breve, as câmeras profissionais passassem a adotar um ou outro recurso desenvolvido para as câmeras dos fotógrafos amadores. E isso até que seria bem legal, pois quem diz que bons fotógrafos não podem surgir no meio daqueles que inicialmente não tem nenhuma pretensão de serem artistas? Assim, quando gente como Steve Jobs simplifica a tecnologia com o intuito de massificar seu alcance, a própria arte pode dar saltos de qualidade por tabela. Parece “viagem”? Pois é, mas ele não foi, nem de longe, o primeiro a pensar assim. Já em 1932 o alemão-letão Walter Zapp, que morava na Estônia, concebeu uma máquina, extremamente compacta, capaz de permitir que “qualquer um” com poucos conhecimentos técnicos fosse capaz de fotografar. Em 1936 surgiu o primeiro protótipo da Minox, que foi produzida na Letônia entre 1937 e 1943. Depois da segunda guerra, a produção foi retomada em 1948 na Alemanha.

Brincadeiras à parte, é da natureza humana imaginar e produzir tecnologias que revolucionam hábitos e causam reações inesperadas. Basta ver que muitas das invenções dos tempos da internet podem ser recebidas com festa em certas partes do mundo e como ameaça em outras. O Google Street View, por exemplo, traz a imagem de cada parte do mundo às nossas telas eletrônicas, onde quer que estejamos. Mas na Alemanha, em 2010, o serviço foi lançado com as fachadas de mais de 250 mil casas e estabelecimentos “embaçadas/ desfocadas” para preservar a privacidade de seus donos, a pedido dos mesmos.

Mas a Minox, também por ser mais cara do que a intenção inicial, nunca se tornou popular de verdade, embora tenha sido símbolo de status e sinônimo de câmera de “espiões”. Aliás por falar de espiões, talvez nem mesmo os smartphones sejam uma invenção do século 21. Afinal, o não muito inteligente agente 86, Maxuell Smart, pode ter sido um dos precursores do nosso tempo ao usar seu “estranho” sapatofone, como símbolo de tecnologia do futuro.

Parece um contra-senso, mas ainda tem muita gente que se preocupa com a privacidade que, cá pra nós, nos mundos de hoje, com câmeras nos óculos, ou até nos recém-lançados relógios da Samsung (Smart Gear), não existe mais há muito tempo. Afinal,

caiu na rede... é público.


serviรงos produtos peรงas compra venda troca classificados


A CRÔNICA TÁ NO SANGUE

classe D está migrando para a classe C, abrindo novas e inéditas oportunidades de negócios. Sem falar na ascensão gradual de todas as classes. Mas, e se a sua clientela fosse, literalmente, morrendo?

Zeca Salgueiro

Semana passada fui, como de costume, doar sangue no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Lá chegando passei por todo o procedimento padrão (mesmo sendo doador regular, com medalhinha e tudo); teste de coagulação, entrevista e, por fim, coleta. Todo o processo não demorou mais que meia hora. A coleta em si me tomou não mais do que sete minutos (!).

Tudo isso, é claro, se você, seus amigos e familiares se dispuserem a perder 30 minutos da sua vida a cada três meses. Além, é claro, de todo um programa de concientização de grande alcance para que mais gente fique sabendo disso. É incrível o quanto se gasta para fazer uma propaganda mentirosa da Petrobrás (dizendo que já estamos extraindo do pré-sal), e quase nada dirigido a esse assunto. Fora doação de órgãos etc. Enfim, longe de ser um guru dos investimentos, eu acho que vale a pena investir seu tempo nesses clientes em potencial.

zecasalgueiro@gmail.com

Enquanto estava lá reparei nas cadeiras vazias na sala de coleta. A sala tinha 24 cadeiras e, no momento em que eu estava doando sangue, só havia 3 pessoas. Comecei a conversar com o enfermeiro que me atendia, extremamente solícito, e perguntei se aquele quadro era o normal, e ele respondeu que sim. Eram 13:10h e até aquele momento eles tinham coletado sangue de 90 voluntários, e ele completou dizendo que até o fim do dia seriam no máximo uns 220 ou 250. Agora a matemática do lucro: Em 15 minutos 24 pessoas podem doar sangue, o que em uma hora fariam o total de 96 doadores/hora. O hospital atende 10 horas por dia, o que potencialmente chegaria a 960 coletas/dia. Uma bolsa de sangue pode salvar até 3 pessoas (clientes em potencial), então: 960 x 3 = 2880 clientes em potencial salvos. Por dia! São 86.400 clientes salvos por mês e 31.363.200 por ano, já que o posto de coleta funciona aos sábados, domingos e feriados, fechando apenas no Natal e ano Novo. Quantas vendas, hein?

Abraço e sangue nos olhos!


Foto: Rui Palha

Foto: Rui Palha


BWINCOLOR EDIÇÃO #04 NOVEMBRO | 2013

ISSN: ISSN 2318-194X BLACK&WHITEINCOLOR é uma publicação

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ENTREVISTA COM: RUI PALHA “A fotografia faz parte integrante do meu espaço...é descobrir, é captar, dando vazão ao que o coração sente e vê num determinado momento, é estar na rua, experimentando, conhecendo, aprendendo e, essencialmente, praticando a liberdade de ser, de estar, de viver, de pensar... ” NÃO PERCA NA PRÓXIMA EDIÇÃO DA BLACK&WHITEINCOLOR


já estamos trabalhando na próxima edição

BLACK&WHITE IN COLOR #03  

Thomas Leuthard, Liz Krause, Marcus Lyon, Galeria LUME, Lucia Adverse, Koken, Antonio Gaudério, Atacama, um singular em um plural, o poder d...