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black&whiteincolorfor

photographers wherever you are

edição #01 1


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vamos falar sobre fotografia como arte!

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www.bwincolor.com.br

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#01

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photographers wherever you are carta ao leitor Aqui está uma nova revista, não só por estar estreando no mercado mas por sua forma de apresentação. A BLACK & WHITE IN COLOR é a primeira revista multiplataforma no segmento de fotografia e arte.

A fotografia é uma arte com diferentes visões e definições e aqui iremos falar sobre história, mercados, fine art, design, tecnologia, lançamentos, dicas e muito mais para mostrar as diversidades da fotografia.

Em um mundo digital, onde a referência deixou de ser um ponto fixo e passou a ser uma nuvem, nada melhor do que você ter em suas mãos as informações que interessam onde quer que você esteja.

Como foi dito na primeira linha, estamos estreando e por conta disso pedimos desculpas por algum ato falho que tenhamos cometido nesta edição. Mas também pedimos que você leitor, colabore para as melhorias nas próximas edições.

Seja em seu tablet, em seu smartphone, seu laptop ou desktop, a revista BLACK & WHITE IN COLOR mantém sua forma e conteúdos intactos proporcionando a melhor leitura independente do device.

Somos a união de fotógrafos profissionais e amadores produzindo um novo canal mas além de tudo, somos apaixonados, como você, pela arte de fotografar. Boa leitura

Não estamos chegando com a pretensão de ser a melhor revista do mercado mas sim uma revista diferenciada onde profissionais, amadores ou simplesmente apaixonados pela 8º arte possam discutir os conteúdos publicados mostrando que a fotografia vai muito além do clique.

Marcello Barbusci

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os colaboradores

Beto Andrade Designer proprietário da Original Design. Vencedor do London International Advertising Awards.

Cacalo No mercado há 30 anos, um dos mais respeitados fotógrafos do mercado publicitário. Formado em comunicação visual – artes plásticas pela FAAP.

Erico Mabellini Aficcionado pela arte da fotográfica, desde a infância. Hoje, tem a satisfação de ver suas obras bem aceitas e ao mesmo tempo segue em busca de aprender sempre mais nesse seu ofício e paixão.

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#01

black&whiteincolorfor

photographers wherever you are

Otavio Costa Empresário nas áreas de produção de vídeo e interatividade. Há mais de 20 anos utilizando as mais recentes e inovadoras tecnologias na comunicação digital, produção de vídeo e multimedia interativa.

Rui Costa Profissional de TI desde 1999, apaixonado pela fotografia desde que se lembra. Em breve trocará definitivamente os teclados pelas lentes porque a vida deve ser vivida apaixonadamente. (correspondente na Europa)

Zeca Salgueiro Luthier, músico e admirador da boa arte porém a arte que se entende não a que cria dúvida sobre ser ou não ser arte.

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A FOTOGRAFIA, com filme ou sem filme? Um assunto recorrente ainda nos dias de hoje, onde o mundo trafega no digital.

test drive fujifilm X100S

marcos sêmola

instagram ou estragam?

Conheça um pouco da trajetória de um brasileiro reconhecido mundialmente como um dos mais novos nomes da STREETPHOTO.

Alfabetização fotográfica Afinal nem toda pessoa alfabetizada na escrita é um poeta ou escritor.

Amor & ódio Redes Sociais, ame e/ou odeie mas nunca faça de conta que não existem.

bwincolor shopping

Dicas interessantes para quem quer comprar bons produtos.

STREETPHOTO, do brasil para o mundo

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ascensão e queda. Um pouco da história de um dos ícones da fotografia.

inovação

fotografia no design

Passado, presente e futuro do que conhecemos e do que ainda está por vir.

Porque nem sempre a bela foto mantém o seu destaque em algumas produções?

bwincolor classificados

fineart Uma velha e recorrente discussão, Fotografia e Arte.

A galeria do leitor

Equipamentos e serviços a sua disposição atendendo o mercado nacional e internacional.

ascensão e queda bwincolor agenda

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Galeria do leitor

Nome | @endereรงo_do_facebook

Julia Li | @AliciaJuliaLee

Ricardo Jacoby | @ricardo.jacoby.9

Lu VGomes | @lu.vgomes

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#01 Michael Johnsey | @michael.w.johnsey

Ricardo Carvalho | @ricardo.carvalho.583671

Groucho Marx | @gr0uch0marx 11


Galeria do leitor

Nome | @endereรงo_do_facebook

Jose Pedroso | @joolpe

Tiago Henrique | @tiago.henrique.d

Gustavo Dragunskis | @dragunskis

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Jon Fernandez-Casta単eda | @Jontxufc Alexey Voltolino | @alexey.voltolino

Helo Von Gal | @helo.vongal 13


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P instagram ou estragam?

ara não dizerem que sou um pessimista, (“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.- Ariano Suassuna) eu admito e louvo o fato de que as facilidades trazidas pelos iPhones e afins fizeram com que a alfabetização fotográfica, que já ocorreu faz algumas décadas além mar, tivesse início no Brasil. Vejo hoje que as pessoas fotografam de tudo um pouco de seus cotidianos e vejo também que muitas vezes surgem boas imagens, a única dificuldade é manter a qualidade. Mas já é um grande passo, afinal nem toda pessoa alfabetizada na escrita é um poeta ou escritor.

Erico Mabellini erico@mabellini.fot.br

#01 Bem, voltando à interrogação que intitula o texto é um singelo jogo de letras com o qual costumo contemplar meus alunos, pois percebo um excesso de utilização desse aplicativo e outros tantos semelhantes. O hábito se tornou tão frequente que até mesmo em publicações de grande circulação observa-se a utilização de tais aparatos para ilustrar uma reportagem ou algum trabalho de publicidade. Modismos à parte eu admito que toda inovação é bem vinda, inclusive para gerar um maior interesse pela observação e produção de imagens, mas chega um ponto de saturação em que a criatividade inicia a parábola de queda e aquilo que era novo começa a cansar o olhar. fotos: Marcello Barbusci

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Concordo que uma foto realizada com um “equipamento” (reparem nas aspas) que não possua qualidade ótica ou tampouco recursos outros como um bom diafragma e velocidade possa se beneficiar de aplicativos que alterem cores e texturas, trazendo um certo ar de criatividade e/ou novidade. O que me incomoda é quando vejo fotógrafos amadores ou profissionais que estejam trabalhando com bons equipamentos fazerem uso de tais aplicativos, aí é que essa utilização constante começa a esbarrar na falta de competência técnica para a realização de uma boa imagem. Percebam que os recursos físicos básicos de uma boa câmera fotográfica não modificaram tanto desde as boas analógicas até as atuais DSLR. Por isso é que sem querer ser “out of date” eu me preocupo com o uso descuidado e desmedido de tais aplicativos, que muitas vezes conseguem estragar por completo uma imagem razoável ou boa e que indubitavelmente não irão melhorar uma foto ruim.

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www.originaldesign.com.br - 11 3368.2394

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arece estranho nos dias de hoje, falar em fotografar usando filme.

A FOTOGRAFIA, com filme ou sem filme?

Cacalo cacalo@cacalo.com

Causa estranheza fazer referência ao filme fotográfico numa época em que CCDs e CMOSes puxaram o tapete da película fotográfica. Mas tudo isso não é, senão, parte de um processo maior, e é nesse escopo que deve se concentrar o nosso entendimento. Ao aceitarmos esses aspectos vamos compreender que, se hoje captamos imagens com foto sensores de altíssima tecnologia, ontem também aplicávamos uma grande dose de conhecimento para podermos fotografar em películas de acetato e num passado mais remoto a tecnologia possível só permitia usar placas de estanho ou mesmo de vidro cobertos com emulsão fotossensível. Como vemos, os fotógrafos sempre estiveram envolvidos por uma onda de revolução tecnológica, sempre foram protagonistas dessa transformação, quando não, criadores também, pois muito deles desenvolveram ou até mesmo inventaram novos princípios. Todos nós temos parte nisso, inclusive os fotógrafos novos e completamente digitais, que usam, aplicam princípios lá do início da escola fotográfica, e acho que essa é a essência. Realmente não faz diferença nenhuma fotografar com filme, com papel fotográfico dentro de uma latinha ou com um super CCD de 80 milhões de pixels. A diferença está, e sempre estará na aplicação do conhecimento, por mais que as novas tecnologias nos tragam grandeza e facilidades na captura e processamento de imagens, é fundamental aplicarmos nosso conhecimento para criarmos um diferencial, para darmos à foto uma paternidade, um DNA nosso. É sempre bom lembrar que os avanços nas câmeras de hoje podem criar para nós facilidades aliciantes, um ambiente de indolência e podemos sim, em virtude de tantos automatismos, sucumbir para a preguiça e deixar de criar e desenvolver.

#01 Consequência, abrir mão de nossa interferência pessoal, daquele tempero... A expectativa de contar com as “features” mágicas para correções em pós-produção, a rapidez em ver um resultado pode influir significativamente em todo o nosso projeto. Hoje em dia podemos experimentar muito mais, então porque será que devemos ficar reféns do foco automático da 5D MKII, ou amarrados ao sistema de fotometria da D800, ou ao foco experto de uma Hasselblad HD5, enfim tudo isso nos ajuda, mas não nos melhora, e pior, nos convida a preguiça. Na era do filme não tínhamos essas prerrogativas, portanto, todo o processo criativo pressupunha estudo, conhecimento e aí sim vinha a experimentação, estritamente nesta ordem. Hoje, em teoria, nada disso mudou, mas será que é verdade? Pois é, aí está a diferença! Quem fotografou ou ainda o faz com filme enxerga a expressão fotográfica de um modo, e alguém que desde sempre usou uma câmera digital toda automática e deixou-se envolver, ser possuído pelos plug-ins e automatismos vê as mesmas questões de maneira completamente diferente, afetando até a estética . Que fique bem claro, NÃO SOU CONTRA O AVANÇO TECNOLÓGICO NA FOTOGRAFIA, mas acredito que ela não é simplesmente hardware e software, ela é cérebro, ela é alma, e é preciso mergulhar profundamente, sem medo e sem preguiça. Procurar sempre o novo a cada trabalho, confrontar o novo a cada dia. Nem tudo será bom só por ser novo e nem tudo será condenado por não ser novo! Acredito que ai nasce um elo de ligação bastante consistente entre o conhecimento histórico, as técnicas básicas, as formas de expressão clássicas e as ferramentas de produção contemporâneas formando um verdadeiro fotografo por traz das lentes.

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#01 Surge então, devido a aplicação de todo esse “know-how”, uma fotografia diferenciada, com alma, produto da criação e trabalho extensivo de alguém.

“As questões não são, em essência retóricas! Suas respostas são simplesmente complexas: Conhecimento, educação, seriedade, esforço e sofrimento!” Marcio Teriya Rebelo.

Quando Nièpce conseguiu fazer o primeiro registro fotográfico da história, levou oito horas de exposição, e só ele conseguia fazer aquilo, isso é criação, isso é esforço, conhecimento...

A primeira fotografia reconhecida é uma imagem produzida em 1826 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo fotossensível chamado Betume da Judeia. A imagem foi produzida com uma câmera, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luz solar. Nièpce chamou o processo de “heliografia”, gravura com a luz do Sol.

Paralelamente, outro francês, Daguerre, produzia com uma câmera escura efeitos visuais em um espetáculo denominado “Diorama”. Daguerre e Niépce trocaram correspondência durante alguns anos, vindo finalmente a firmarem sociedade.

Daguerreótipo

View from the Window at Le Gras, Joseph Nicéphore Niépce. 19


#01 Esse registro fotográfico traz , mantendo as relações com a tecnologia daquela época, uma bagagem de conhecimento e técnica muito grande, em um mundo sem energia. Quem tinha uma vela era rei. Conseguia tudo. Fica claro então que nada mudou, a fotografia como expressão é rigorosamente igual, é exatamente como sempre foi! Por fim, eu recomendo a todos que não avaliem una obra fotográfica pela forma como ela foi captada, mas sim pela forma como se apresenta. Pensando nisso, convidei três fotógrafos contemporâneos com grande vivencia no analógico e no digital, pedi a eles que escrevessem um pouco sobre a fotografia como expressão artística sujeita a mudanças tecnológicas e modificações do comportamento social. Qual a diferença substancial de fotografar com ou sem filme. As opiniões encerram para mim esse artigo com chave do ouro. Não deixem de ler os textos dos três fotógrafos na íntegra. Hasselblad 500 CM

“A prática e o estudo da técnica da fotografia é que podem nos fazer bons fotógrafos e não só as facilidades oferecidas pelas câmeras digitais”. Hilton Ribeiro “Por outro, os fotógrafos que realmente detém o conhecimento da técnica fotográfica possuem a possibilidade de renovar o seu formato de trabalho, seja ficando mais produtivos e ágeis ou correndo mais riscos e renovando o seu processo de criação visual” Cristiano Burmester

“Então não há solução? Outra questão não retórica! Há: Não nos deixemos cair em tentação... A facilidade e o acesso fácil às ferramentas tecnológicas necessariamente não evitam o trabalho, o estudo e a pesquisa! Então simplesmente se esforce! Seremos todos artistas? Estaremos ao lado de Cartier Bresson, Man Ray, Robert Doisneau, Alexandr Rodchenko, Weegee, Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto, Arthur Omar, Sebastião Salgado, Claudia Andujar e muitos outros a quem peço desculpas pela não citação literal, é claro que não! Mas podemos contribuir grandemente para que o Brasil se torne um pouco menos medíocre. Podemos começar pelo começo: Basta dobrar um pouco os joelhos para que as coisas sejam vistas de maneira diferente!” Marcio Teriya Rebelo

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1. Em 1969 comecei fotografar, fiz um curso na Enfoco

escola de fotografia. Câmeras totalmente manuais, nada automático. Foco, diafragma, velocidade, escolhidos pelo fotógrafo. Frequentemente usava filme pb, basicamente TriX, aí poderia escolher a exposição do filme de acordo com a qualidade da luz: mais difusa expunha menos e revelava mais; luz contrastada era o inverso revelava menos e expunha mais. Quando o filme era colorido e reversível ( slide) tínhamos outras preocupações além do foco, exposição, etc. , a cor da luz era fundamental ; colorímetros, filtros de correção de cor também eram necessários. Hoje temos as câmeras digitais de alta definição que são extraordinárias. O foco, que pode ser automático e a exposição que também pode, precisam ser corretos, o resto faz-se depois normalmente no Photoshop. Este procedimento facilitou muito a vida do fotógrafo mas não ensinou-o a fazer fotografias. A prática e o estudo da técnica da fotografia é que podem nos fazer bons fotógrafos e não só as facilidades oferecidas pelas câmeras digitais. Hilton Ribeiro

3. O óbvio ululante...

Qualquer um pode criar e realizar um projeto fotográfico, ou no popular: Tirar uma foto? Claro que sim... Todas estas fotos serão bem realizadas, ou novamente no popular: Serão boas? Claro que não! O acesso às ferramentas de produção, às informações, às referências, ao contrário do que gurus preconizavam, em absoluto proporcionaram um enriquecimento da base cultural na maioria dos casos e um aprimoramento cultural nos casos importantes (me refiro, aqui, aos famigerados formadores de opinião!) É com tristeza que devo concordar com o Jornalista Augusto Nunes, quando entrevistado à alguns dias, disse que o Brasil ( assim como o mundo - adendo meu! ) ficou mais medíocre. A reflexão, então, deve voltar-se ao processo de criação e produção fotográfico: Quais destes novos produtores foram formados na essência das linguagens técnica e abstrata da fotografia? Não necessariamente uma formação acadêmica, também esta, falha ( este é um assunto para mais e outras delongas...) mas principalmente uma formação instigada pela curiosidade e desejo pelo conhecimento!! A resposta pode estar na perigosa sensação de simplicidade ao se criar do nada em poucos segundos uma imagem bidimensional, que há algum tempo era um grande mistério... como a imagem se construia dentro da câmera?? Como, depois, em outro enigma, ela simplesmente aparecia em um papel??

2. Ao longo da transição da fotografia analógica para a

digital pude perceber que as pessoas passaram a ter mais contato com o processo de criação e produção da fotografia. Enquanto em base de filme, o fotógrafo carregava uma certa “magia” no seu trabalho, pois após o “click” o cliente ou leitor só iria ver a imagem final sem ter acesso as etapas de revelação e edição. Agora com o digital, um número grande de pessoas tem uma breve noção de que existem técnicas de pós-produção que podem alterar drasticamente as fotos. Este entendimento faz as pessoas duvidarem mais daquilo que vêem e isto diminui o valor que atribuem ao trabalho do fotógrafo. Por outro, os fotógrafos que realmente detém o conhecimento da técnica fotográfica possuem a possibilidade de renovar o seu formato de trabalho, seja ficando mais produtivos e ágeis ou correndo mais riscos e renovando o seu processo de criação visual. Cristiano Burmester

O processo de criação de uma imagem, passa, infelizmente para alguns, por caminhos tortuosos, complexos e frustrantes... Como enxergar algo novo e diferente no que todos vêem do mesmo jeito? Como traduzir suas sensações, frustrações, angustias e medos em um simples instante de frações de segundos? As questões não são, em essência retóricas! Suas respostas são simplesmente complexas: Conhecimento, educação, seriedade, esforço e sofrimento! Então não há solução? Outra questão não retórica! Há: Não nos deixemos cair em tentação... A facilidade e o acesso fácil às ferramentas tecnológicas necessariamente não evitam o trabalho, o estudo e a pesquisa! Então simplesmente se esforce! Seremos todos artistas? Estaremos ao lado de Cartier Bresson, Man Ray, Robert Doisneau, Alexandr Rodchenko, Weegee, Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto, Arthur Omar, Sebastião Salgado, Claudia Andujar e muitos outros a quem peço desculpas pela não citação literal, é claro que não! Mas podemos contribuir grandemente para que o Brasil se torne um pouco menos medíocre. Podemos começar pelo começo: Basta dobrar um pouco os joelhos para que as coisas sejam vistas de maneira diferente! Marcio Teriya Rebelo

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biagency.com.br


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TEST DRIVE

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

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FUJIFILM tem se mantido fiel ao estilo retrô das suas câmeras. E os novos modelos da série X não são somente bonitos mas também são rápidos.

Antes de falar sobre alguns detalhes técnicos e minha opinião sobre a X100S, vou colocar alguns detalhes sobre a FUJIFILM e a série X, um segmento de grande aposta da empresa. Com um faturamento de 3,9 bilhões de dólares (divisões de impressão e eletrônicos) e presença em mais de 100 países, a FUJIFILM é considerada a maior empresa de tecnologia de captação de imagem no mundo. Para a FUJIFILM Global e a divisão nacional o Brasil é colocado como mercado estratégico pois acreditam no crescimento e vislumbram um cenário econômico promissor. Hoje, a empresa alimenta no País uma cadeia produtiva com milhares de funcionários e opera com duas fábricas e um amplo portfolio de produtos que vão desde a produção de papéis consumíveis, que abastecem o Brasil e a América Latina, a divisão médica, o setor de impressão e o que mais nos interessa, o de câmeras digitais.

Todos nós sabemos que os sistemas digitais estão em evidência neste momento mas há alguns anos quando as analógicas reinavam, a marca detinha quase 50% do mercado brasileiro de filmes fotográficos. Com a revolução digital e o surgimento das câmeras digitais, a FUJIFILM se adaptou e começou a desenvolver novos produtos neste segmento. Diante de novos players e o crescimento dos smartphones, a empresa decidiu definir um nicho de mercado, que é considerado o mais promissor do mundo, o de câmeras semiprofissionais, que nos últimos três anos teve crescimento médio de 10%. Os produtos são destinados ao consumidor definido como um entusiasta pela fotografia, que gosta de clicar, que exige bons equipamentos, mas que não tem a necessidade de sistemas tão complexos e invasivos. A meta da empresa no Brasil é figurar entre os três maiores neste segmento. Com esse cenário nas mãos e para atingir essa meta, a empresa investe cada vez mais num segmento chamado de mirrorless (do inglês, sem espelho), os equipamentos compactos com a versatilidade das lentes intercambiáveis, que podem ser trocadas a qualquer momento. 23


#01 Um dos diferenciais que a FUJIFILM enfatiza é a sinergia com as demais divisões da empresa e o know how reconhecido neste setor. A FUJINON, por exemplo, é uma das maiores fabricantes de lentes do mundo e criou lentes especiais para as câmeras da FUJIFILM. Além disso, o seu histórico em fotografia resultou em sistemas mais leves e compactos.

A menina dos olhos deste momento é a série X, com um novo sensor APS-C X-Trans CMOS II desenvolvido pela própria empresa, que captura luz com mais eficiência e produz fotos mais nítidas, uma exigência do próprio consumidor. A série X, cujo o primeiro produto - a X100 - foi lançado em 2010, hoje já conta com mais de 10 itens entre lentes e câmeras. Entre os destaques a X-Pro1 com 16 megapixel e processador EXR Pro e ISO 200 a 6400, uma das câmeras mais premiadas do mundo inclusive, foi eleita a melhor em feiras internacionais como na EISA Awards e na TIPA, as principais do setor. Com tantos prêmios e qualidade reconhecida, o mercado tupiniquim está recebendo quatro novos produtos desta série: a XF1, X-E1, X100S e a X20. Novos produtos para um mercado cada vez mais exigente, principalmente os amantes da arte de fotografar. Uma das vantagens para os entusiastas pela fotografia é um portfólio premium com qualidade de imagem profissional, mas com um custo acessível, que pode ser até 50% menor do que os demais equipamentos. Outra vantagem, é a de serem leves, portáteis, menos invasivas e de fácil manuseio.

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#01 Um pouco do branding da série X Para promover a série X a FUJIFILM lançou em 2010 um projeto internacional chamado X-Photographer. Filiais do mundo todo estão convocando renomados fotógrafos para testar as câmeras da série X. Esse projeto chega ao Brasil em 2013 com um upgrade. Além de mostrar seu trabalho em um portal criado para o projeto (fujifilm-x.com/photographers), a FUJIFILM no Brasil vai fazer uma exposição com os melhores cliques feitos ao longo ano. A curadoria ficou a cargo de Rosely Nakagawa e conta com um time de peso com currículo internacional: a paulista Ella Durst, que é reconhecida nas áreas da moda e publicidade. O paraense Luiz Braga, que já teve seu trabalho exposto na Photographer’s Gallery, em Londres, e participou da Bienal de Veneza. O mato grossense Marcelo Buainain que, que trabalhou para grandes revistas como Manchete, Veja, Isto É, El Paseante e do jornal Folha de S. Paulo. Além do japonês radicado no Brasil Hirosuke Kitamura que tem mostras em todo mundo e já participou com suas obras do calendário Pirelli. Para finalizar, Gilvan Barreto, que foi editor da revista Caminhos da Terra, editor de imagens do UOL e fotografou para veículos estrangeiros como National Geographic (Brasil, Alemanha e Holanda), El País (Espanha), GQ (Portugal), além de colaborar com diversas publicações nacionais.

David Cleland | UK

A série X também é foco de outras ações de branding com o apoio à escala ao cume do Everest da médica e multi atleta Karina Oliani. Além de uma parceria com a DUO.FotoClube Escola de Fotografia, comandada pelos fotógrafos e professores Ana Oliveira e Fernando Siqueira. Os profissionais tiveram seu talento reconhecido internacionalmente com obras expostas na IX Bienal Internacional de Artes de Roma em 2012, onde a foto de Fenando Siqueira “Girando entre fantasias”, também conhecida como “As Baianas”, ficou no TOP 10 entre as melhores do mundo. Fernando Siqueira | DUO.FotoClube

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#01 Detalhes Design Herdando o design da X100, a FUJIFILM apresenta a nova X100S. Com visor híbrido de maior definição, além dos novos Processador EXR II e sensor APS-C X-Trans CMOS II, de 16,3 megapixels, a FUJIFILM X100S tem a capacidade de obter imagens de alta resolução, comparáveis às capturadas pelas câmeras de formato 35mm. Corpo As extremidades superior e inferior da FUJIFILM X100S são desenvolvidas com uma liga de magnésio forte, porém leve e fundido em moldes. Sensor O recém-desenvolvido sensor APS-C X-Trans CMOS II possui a tecnologia de detecção de fase, proporcionando o Auto Foco muito rápido, em menos de 0,08 segundos. Além disso, o Processador EXR II oferece tempos de resposta surpreendentes, com um tempo de inicialização e intervalo de disparos de apenas 0,5 segundo. O atraso do obturador é de apenas 0,01 segundo, de modo que é possível capturar o instante exato que se deseja e desfrutar de uma experiência de fotografar muito interessante. Sensor Ocular Ao aproximar a câmera do seu olho, o sensor detecta a aproximação e muda automaticamente para o modo visor. Quando você afasta a câmera, o painel é transferido para a tela de LCD na parte de trás da câmera. Você pode optar por sempre exibir imagens na tela LCD ou por sempre usar o visor dependendo da sua preferência.

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1: Controle de ajuste de dioptria 2: Sensor Ocular

Controle de ajuste de dioptria Você pode alterar o foco do visor através do seletor localizado no lado esquerdo do visor ajustando de -3,0 a +1,0m-1 (dpt), tudo isso de forma confortável, mesmo para aqueles que usam óculos.

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#01 Simulação de Filme O modo Simulação de Filme nos faz voltar ao passado artístico da fotografia e repetir os consagrados filmes negativos. Exatamente da mesma maneira que escolhiamos o filme ideal para direcionar sua criatividade, este modo permitea simulação das cores do filme e as qualidades de tonalidade dos filmes coloridos. A aparência natural do PROVIA*, a tonalidade expressiva e cores vivas do Velvia** e as tonalidade suaves e a beleza da cor de pele da reprodução do ASTIA*** reproduzem de forma fiel a qualidade de cor Fujichrome que tantos fotógrafos profissionais adoravam.

Wojtek Wojtczak | Polonia | opção PROVIA

Além disso, temos também a possibilidade de trabalhar com a fotografia em preto e branco com a seleção dos filtros monocromáticos. Ainda nos filtros monocromáticos, temos o Filtro Ye e Filtro R. E para deixar os verdes mais claros e os vermelhos mais intensos temos o Filtro G. Sem contar é claro, com o filtro Sépia, uma ótima escolha ao captar uma foto especialmente memorável, como um casamento, aniversário ou outra ocasião comemorativa. E o melhor de tudo é que você já visualiza no momento da foto e não após ter clicado. Desta forma você já conhece o resultado da escolha feita.

Antonio Homem Cardoso | Portugal | opção Velvia

* PROVIA Consagrado por sua qualidade de reprodução de cores naturais (true-to-scene). A versatilidade desse modo de simulação de filme faz que ele seja a escolha ideal em todas as situações.

** Velvia Ideal para fotografar paisagens e flores. As cores vivamente saturadas e registro de cor de tonalidades expressivas que são tão reais quanto as suas memórias. *** ASTIA Capta tanto as gradações naturais dos tons da pele quanto tonalidades brilhantes de cor. Esse modo de simulação de filme é o preferido para fotografias em ambientes externos. Ed Godden | UK | opção ASTIA

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#01 Exposição Múltipla Antes considerada um erro, hoje almejada por muitos fotógrafos. Vista como uma forma artística de fotografia, a exposição múltipla caiu no gosto popular e o seu uso criativo resulta em imagens fantásticas. E aqui vem a criatividade da equipe técnica da FUJIFILM. Selecionando o modo de Exposição Múltipla pode-se tirar a primeira foto usando o OVF ou EVF. Enquanto visualiza a primeira imagem no LCD, você pode enquadrar e capturar a segunda exposição. Esta habilidade de posicionar e focar precisamente a segunda foto permite que você não só “veja” como a imagem de Exposição Múltipla irá ficar, mas também que aproveite outras possibilidades fotográficas criativas.

Marcello Barbusci | Brasil | Exposição Múltipla

Comandos A FUJIFILM X100S é uma câmera com acabamento de primeira e linhas sóbrias. Conseguiu manter o estilo retrô dentro de uma alta tecnologia, o que a coloca ao lado das grandes marcas dentro do segmento das produções fine arts trabalhadas pelos profissionais da arte de fotografar.

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1: Flash

07: Microfone esquerdo

2: Microfone direito

08 : Janela do viewfinder

3: Seletor do viewfinder

09: Suporte para alça

4: AF luz de assistência/lâmpada do timer

10: Seletor de foco

5: Lente

11: Autofalante

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6: Rosca para parafuso do tripé

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1: Janela do viewfinder

10: AEL/AFL (visualização do foco selecionado)

2: Controle de ajuste de dioptria

11 : Compartimento de conexões

3: Visualização de imagens e filmes arquivados

12: Conexão USB

4: AE (auto exposição) / Zoom +

13: Conector HDMI

5: Seletor drive de disparo / Zoom -

14: MENU completo

6: Tipo de visualização (somente viewfinder ou híbrido)

15 : Seletor de funções - 4 posições

7: Monitor de LCD

17: Seletor de opções do LCD / Botão de retorno

8: Seletor de aberturas intermediárias do diafrágma

18: Q - menu rápido de funções

16: Dial de funções (rotacionando)

9: Lâmpada indicadora de foco

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1: Anel frontal

6: Botão disparo

2: Anel de regulagem de foco

7 : Botão FN (função programável)

3: Anel de abertura de diafrágma

8: Velocidade de disparo

4: Sapata para FLASH | compatível TTL

9: Seletor de exposição

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O passado e o presente de uma cidade, unidos por um único frame. No momento em que recebi a câmera comecei a criar um cenário ao abrir a embalagem. No segurar a X100S o meu mundo se transformou em uma mistura entre o clássico retrô e o presente tecnológico. As fotos que produzi para essa matéria foram como poesia que tocam o coração e tiram a razão no ato da composição. Ao trazer a câmera na altura dos meus olhos, em uma manhã do centro antigo de São Paulo algo me mostrou que eu estava com o cenário preparado e com uma extensão da arte em minhas mãos. Era somente eu, meu coração e uma câmera. Um instante que me remeteu ao passado da fotografia onde o ato de fotografar era contemplado como uma obra de arte, que colocava o fotógrafo, naquele momento, como um maestro, o regente de uma orquestra com um único instrumento; sua câmera. Afirmar que este novo instante é o mesmo que fotografar com os velhos filmes 35mm seria uma heresia mas isso também não afirma ser algo pior, e sim um outro prazer. Prazer esse que consegue construir um novo momento onde se torna possível acreditar que neste mundo digital podemos criar a verdadeira arte. A arte da paixão e da realização pessoal sem a intervenção do pós pintura. Clássico não faz referência ao passado. Clássico é sinônimo de obra prima. Possuir uma X100S é ter a extensão da arte em suas mãos. Marcello Barbusci

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C marcos sêmola

Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

onheci Marcos Sêmola incialmente admirando seus trabalhos publicados na web. Posteriormente o adicionei no facebook para trocar algumas idéias pois sua vocação para o Street é algo sensacional e como sou apaixonado pelo este segmento na fotografia, me interesei em conversar e saber um pouco mais deste brasileiro reconhecido mundialmente por seu trabalho. Uma pessoa super acessível e com uma grande alegria de viver. Percebe-se isso claramente em sua forma de falar e em seu semblante, sempre sorridente. É por essas e outras que estamos com Marcos Sêmola em nosso primeiro número para falar um pouco de sua trajetória, suas realizações e seus objetivos. Nas próximas linhas temos Marcos Sêmola por Marcos Sêmola.

Quem é você? Marcos Sêmola, Brasileiro nascido em 1972 na cidade do Rio de Janeiro, mas também cidadão Italiano pela dupla cidadania. Profissional de tecnologia da informação, engenheiro de computação, professor de MBA, autor de livros sobre gestão de riscos da informação, síndico do edifício onde mora, pai de duas crianças lindas, adepto da vida saudável pela prática esportiva, autodidata e fotógrafo, este, amador pela simples concepção do termo. É ainda membro da ABAF – Associação Brasileira de Arte Fotográfica e da London Independent Photography.

#01 Como começou na fotografia? Tudo começou em 2007, dois anos depois de ter me mudado para a Europa, mais especificamente Londres, para dirigir uma multinacional de tecnologia e fui mordido pelas belas paisagens e cenas cotidianas que a cidade londrina oferece e que se mostraram tão diferentes do que estava acostumado a ver no Rio de Janeiro. O começo foi despretensioso e com a câmera que já me acompanhava há tempos, mas sempre restrita aos registros de viagem e da família. Até que uma visão diferente sobre o que acontecia ao meu redor passou a me interessar e assim iniciei um processo de estudos e experimentos que envolveram leituras especializadas - a começar pela trilogia de Ansel Adams - passando por antigos livros de fotografia analógica que encontrava nas convidativas livrarias londrinas ao retornar do trabalho. Naturalmente achei que precisava de um equipamento novo e assim passei – felizmente bem mais rápido que a maioria dos fotógrafos – pela fase da admiração e da inquietude técnica, quando acreditava ser a câmera a principal responsável pela boa fotografia. Passado por este turbilhão e já inclinado a fotografar em preto e branco por razão até então desconhecida, me interessei em estudar a ótica e a lógica por trás da produção da imagem, o que me levou a desejar o processo analógico do filme 35mm e assim a procurar equipamentos antigos que me permitissem uma instigante experiência prática. Esta fase parece ter sido a fronteira que me ancorou de vez na fotografia em preto e branco, apesar de, vez por outra, realizar experimentos em cores sempre dessaturadas. Porém, ainda nesta época sentia a necessidade de fotografar praticamente tudo em formato vertical, portrait, e sem qualquer elemento humano no frame. Ainda sem uma explicação - talvez pela simples prática e observação - esta preferência mudou completamente e em pouco tempo já estava precisando de gente nas imagens e, desta vez, fotografando cada vez mais no formato horizontal, landscape. 32


#01 Saudosista que sou, passei a gostar da característica atemporal que normalmente a fotografia preto e branco sugere. Maximizada pelo ambiente bucólico Londrino fui mais fundo procurando filmes que me oferecessem uma plástica mais dramática, com ruído, grande range de tons de cinza e uma atmosfera de fotografia de cinema. Foi quando descobri que o que, de fato fazia, era fotografia de rua. Gostava de caminhar sem destino atento aos personagens da cidade, nas variações de sombra e luz, na dramaticidade do céu, no “plano de fundo” em que pudesse inserir um personagem que estivesse caminhando na rua sem sequer pedir que o fizesse, mas simplesmente movendo-me ao redor dele e depois em direção a ele. Conheci Henri Cartier-Bresson pelos livros e sem querer, de fato, encontrar preliminarmente referências para me espelhar, senti que já estava próximo de seu estilo – não de seu talento – e o que faço agora é continuar andando à sua sombra.

Henri Cartier-Bresson Qual é seu objetivo com a fotografia? Atualmente a fotografia representa meu hobby, uma atividade prazerosa e que me mantém longe – por algum tempo do ambiente binário da tecnologia e dos ambientes corporativos, permitindo-me ousar mais, onde não há, de fato, certo ou errado e, principalmente, onde tenho liberdade total para fazer o que quero, do jeito que quero e quando quero. É fotografia autoral pura e onde encontrei espaço para interagir com outros artistas, para conhecer outras técnicas, promover iniciativas coletivas, modelar e produzir novos projetos e ainda vencer limites geográficos e barreiras linguísticas, tornando-me um indivíduo mais acessível e globalizado. De qualquer forma, minha veia competitiva e visão de negócio que, por mais de duas décadas como gestor e profissional de tecnologia me acompanham, me fizeram também pensar em tornar o hobby sustentável capaz não só de subsidiar meus projetos e o próprio desenvolvimento da minha fotografia, mas também de mostrar minha produção, afinal, fotografia, ao meu ver, tem que ser vista.

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#01 Assim sendo, meu objetivo atual é a busca do prazer e da diversão que o hobby oferece, produzindo imagens autorais que possam divulgar a arte fotográfica e que encontrem seus próprios canais para serem vistas, admiradas e, por que não, consumidas através de galerias de arte, iniciativas publicitárias e projetos multidisciplinares. Como descreve seu estilo fotográfico? Depois de mudanças de percurso nos primeiros anos de prática fotográfica, posso dizer que busco realizar fotografias de rua que sejam dramáticas, por vezes com apelo publicitário onde há supostamente espaço para textos, em preto e branco, filme ou digital, que obrigatoriamente tenham o elemento humano e possam sugerir uma atmosfera noir, ou seja, que capture um ambiente de suspense inspirado nas raízes na cinematografia do expressionismo alemão. Significa dizer que normalmente procuro fotografar em dias de chuva, com nevoeiro ou mesmo dias de sol forte em busca do alto contraste.

Como é a sua prática de fotografia de rua? Como possuo equipamentos diferentes incluindo polaroids, lomos, filme e digital, sempre sou influenciado pela estética da minha fotografia, descrita acima, e pelas condições do local onde vou fotografar, por exemplo, se são ruas apertadas, com muita ou pouca gente, sob que condições de luz etc, antes de escolher a melhor ferramenta. De qualquer forma, em linhas gerais, saio com uma lente grande angular por gostar de estar bem próximo ao assunto, ou seja, dentro da cena. As condições de luz e principalmente o propósito estático que defini para o dia me ajudam a determinar se adotarei prioridade de abertura ou prioridade de velocidade, se uso a distância hiperfocal ou se subo ou puxo a sensibilidade do filme ou sensor. De posse da grande angular, comumente posiciono a câmera na altura do peito e caminho à procura de um personagem ou cena, e assim me desloco ao redor do alvo para encontrar uma condição de fundo ideal, sem comprometer ou para favorecer a composição quando então me aproximo muito, cerca de 1 a 2 metros e disparo sem o uso do viewfinder.

A prática dessa técnica e o conhecimento do ângulo de captura da objetiva já me permitem enxergar o frame capturado sem nem mesmo olhar o visor, mesmo que por vezes tenha que fazer um pequeno corte na fase de pós-produção. Quando o equipamento em uso é uma objetiva 50mm ou mais longa, o uso do visor passa a ser parte do processo. Ah! Gosto de amigos mas sempre fotografo só. Já sobre o comportamento que adoto na rua, mesmo respeitando os fotógrafos que fazem diferente, não interajo com o fotografado. Não peço permissão. Não anuncio, mesmo que por linguagem corporal, que irei fotografá-lo ou mesmo deixo-o explicitamente saber que já o fotografei. Procuro não interferir na cena que imaginei, enxerguei e vou capturar. O que habitualmente faço é dar um largo sorriso depois do clique e logo me distancio ou desvio o olhar para reduzir as chances de reação, questionamento ou algo parecido. Mais uma vez a prática de fotografar estranhos na rua vai nos ensinando truques e entre eles posso citar o de imaginar um enquadramento, enxergar seu personagem se aproximando, se posicionar enquadrado e esperar que ele entre no frame clicando em seguida e mantendo a câmera à postos, fazendo até outras fotos, até que o personagem saia do frame, o que dá ao fotografado a sensação de não ter sido o alvo da captura. Mesmo assim, a coisa pode não correr como planejada e para situações e que se percebe a reação negativa ou mesmo agressiva do fotografado, me preparo realizando outra imagem qualquer enquanto a pessoa se aproxima para, se questionado, mostrar-lhe uma imagem (se estiver com equipamento digital, claro) em que não apareça ou então contar-lhe uma bela história e lhe dar meu cartão de visitas com a promessa de lhe fazer chegar uma cópia da imagem. Por hora, tudo isso vem funcionando bem, sem um único caso frustrado para contar. 34


#01 Alguma palavra sobre ferramentas de trabalho? Poucas, visto que não acredito na boa fotografia dependente exclusivamente do equipamento. Em linhas gerais, cada equipamento tem uma característica, tem limitações e cabe ao fotógrafo conhecê-las para avaliar se conseguirá o resultado e a estática fotográfica que idealizou e, assim, dominá-lo para que execute a tarefa sem pensar na operação, mas sim, dedicar-se ao assunto, à luz e à composição. Gosto de lentes claras, grande angulares que podem variar de 12mm a 35mm, gosto também de lentes fixas principalmente das fantásticas objetivas 50mm que nos ensinam à cada exercício prático. Gosto de filmes com alto contraste e grãos proeminentes. Gosto de equipamentos leves e silenciosos. Gosto de straps práticos que ofereçam bom equilíbrio do equipamento e que nos deem mobilidade e ação rápida. Gosto da fotografia analógica quando tenho tempo e o local proporciona cenas mais previsíveis (por conta da luz, do movimento, dos espaços) e, do digital, quando o cenário muda e posso precisar de maior velocidade de focagem e múltiplos frames em um curto espaço de tempo.

Gosto de pensar em preto e branco, exercitar a visão também em tons de cinza e fotografar sempre em monocromático, seja filme ou digital, pois para mim o mindset já deve estar pronto antes de idealizar a imagem e clicar, por achar que não existe espaço para se mudar de ideia durante ou depois da captura feita e mesmo assim conseguir um resultado tão forte. Gosto de planejar e pensar em projetos, estéticas, assuntos com antecedência, mas também de abortá-los instantaneamente só por ter encontrado tudo diferente quando estou de fato nas ruas com a câmera nas mãos. Como voce se posiciona comercialmente, se é que o faz? Minha relação comercial com a fotografia começou relativamente cedo por puro ímpeto de superar o que parecia ser mais um desafio semelhante aos muitos que encontrara no trabalho de tecnologia há décadas. Poucos meses depois de iniciar o hobby, ainda no ano de 2007, ouvi da minha esposa que um fotógrafo profissional de Londres que conhecera em uma festa, tinha como sonho ser aceito e convidado a assinar um contrato comercial com o maior banco de imagens comerciais do mundo, a Getty Imagens.

Dito e feito. Acreditando, inocentemente, já possuir experiência e competência para tal, assumi o fato como uma missão e tratei de selecionar o que acreditava ser o melhor da minha produção para então submeter à empresa. Para minha surpresa, depois de passar pelo crivo técnico que impõe arquivos em altíssima resolução e de apenas um pequeno grupo de equipamentos homologados, e ainda ter seis das dez imagens que submeti recusadas por motivos diversos, fui convidado a substituí-las e assim assinar meu primeiro contrato comercial. Desde então venho comercializando imagens da minha produção autoral através do portal global da Getty, o que rende receita recorrente mensal e já fez minhas fotografias chegarem a mais de 15 países para os mais diversos fins publicitários, culminando com a capa de livros publicados por editora norte americana e o The Wall Street Journal.

Quando em modo filme, não gosto de medidores de luz e adoro praticar a regra de medição Sunny- f/16 onde cada erro é um acerto e um aprendizado. Assim, procuro observar e ler a luz do momento e usando referências com as quais vamos nos familiarizando com o tempo e a prática, e o processo se torna prazeroso e eficaz. Gosto do processo de revelação mesmo que este acabe sobre um scanner de negativo para então ser digitalizado e passar pelos pequenos ajustes de contraste, brilho e crop que comumente aplico através do Adobe Lightroom. 35


#01 Adicionalmente me interesso pela fotografia como expressão de arte e por isso, acredito merecer espaço ao lado de pinturas e esculturas nas galerias de arte. Assim, iniciei um movimento de expansão em que identifico galerias com perfil compatível com o meu momento fotográfico, meu estilo e meus planos. Como resultado, opero com a marchand Susi Cantarino da galeria Metara em Ipanema, Rio de Janeiro, que representa no Brasil parte da minha produção em grande formato, sobre suporte alemão de algodão museológico, pigmento mineral, assinada, com tiragem controlada e certificado de autenticidade. Enquanto isso, outras negociações estão em andamento em Nova York, Londres e Paris em modalidade similar. Mesmo com uma visão realista, apesar de influenciada pelo excesso de autoconfiança, acredito que minha produção fotográfica mereça algum espaço e visibilidade aos que procuram o que agora convencionei chamar de fotografia B&W classic-noir. Enfim, só o tempo irá dizer se estou certo ou não, mas qualquer que seja o resultado dessa história, acredito que o puro ato de pensar a fotografia já terá valido a pena.

Quais foram suas principais realizações? Particularmente já foram muitas, considerando que tudo começou sem grandes aspirações e planos. Ainda enquanto morava na Europa, agora em Haia na Holanda depois de passados três anos em Londres, participei de uma exposição coletiva na principal casa de cultura da cidade. Em seguida fui convidado a expor no FotoArte2007 e assim enviei todo o material para o Brasil onde fiquei exposto na Biblioteca Nacional em Brasília. Quando retornei de vez ao Brasil, já em 2009, fui presenteado pelo interesse da Oi Futuro através do, agora amigo, Pedro Agilson, em realizar uma exposição individual intitulada Transitivo Direto que foi também coroada por uma bela entrevista de sete páginas concedida à revista Photo Magazine, atualmente a melhor revista de fotografia-arte do país. Depois disso, as coisas passaram a acontecer quase que naturalmente. Montei um portfolio online em www.s4photo.co.uk, publiquei diversos livros de fotografia on demand, experimentei a fotografia publicitária com a produção de capas de revistas, livros e jornais como o The Wall Street,

participei de inúmeros coletivos como o FotoRio2007, a Semana Fluminense de Fotografia, o ArtRio2011, varal do fotoclube RioFotográfico, o projeto Foto Escambo do amigo Hans George e o projeto multimídia Canela Lente e Pincel. Liderei o projeto mundial Worldwide PhotoWalk em 2011 no Rio, realizei minha principal exposição individual com o projeto Transitivo Direto no CCJF – Centro Cultural Justiça Federal e, mais recentemente, coordeno o projeto que idealizei para celebrar o Dia Mundial da Fotografia chamado Mosaico Minuto, e que tem a ambiciosa meta de reunir mil fotógrafos pelo mundo clicando no mesmo instante (www.facebook. com/mosaicominuto). A produção, de fato, não para, mesmo que o tempo livre seja cada vez mais escasso. Participei de uma exposição junto com outros fotógrafos internacionais em Bagdá, no Iraque pelo convite do amigo e curador Rui Palha de Portugal, em apoio à ONG Larsa Human Rights NGO, uma organização que se dedica a apoiar crianças desprotegidas e órfãos de guerra no Iraque, um organismo acreditado e apoiado pela própria ONU. Além disso, participei também das exposições coletivas do projeto Mosaico Minuto de 2011 e 2012 no CCJF e a exposição do projeto Caneta, Lente e Pincel também neste mesmo centro cultural. Participei ainda da maior exposição coletiva na Praça Paris em março de 2012, no Rio de Janeiro. Não posso esquecer que também obtive a aprovação dos projetos autorais Vulto (www.s4photo.co.uk/ vulto) e Favela Rio (www.s4photo. co.uk/favelario) pela Lei Rouanet de Incentivo Cultural e que agora estão em fase de captação para exposição e produção de livro neste ano de 2013.

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#01 Quanto às galerias de arte, orgulho-me de ter a produção fotográfica muito bem aceita por colecionadores, decoradores e admiradores da arte fotográfica, nacionais e internacionais. Enquanto escrevo essas linhas, outras ideias estão amadurecendo e algumas mais estão tomando forma em um ciclo natural de fomento à arte fotográfica. Tudo isso e muito mais pode ser visto em www.s4photo.co.uk. Alguma fotografia favorita? Sim, mas esta classificação parece ser dinâmica, o que convém chamar de “fotografia favorita do momento”. Atualmente duas fotografias me orgulham muito. A primeira feita em filme Kodak Professional Tmax 400 B&W 35mm com a minha antiga Leica IIIc fabricada em 1938 durante uma viagem de trem na Holanda. Ela reúne os principais elementos que representam meu estilo fotográfico: uma bela jovem em expressão espontânea de relaxamento em suposto trajeto de retorno do trabalho diante da janela do trem, o que acabou por favorecer a formação de alto contraste e sombras ricas em tons de cinza, cercada por detalhes da cabine que foram se perdendo na escuridão do restante da cabine. Noir puro! A segunda fotografia, feita em digital com a Nikon D200 e lente 50mm em um parque londrino, reúne não apenas elementos marcantes do meu estilo como a perspectiva, mas também carrega uma carga de oportunidade. Imaginei a composição que incluía uma velha casa na curva arborizada do parque, mas faltavam elementos humanos. Enquadrei e por alí esperei por duas dezenas de minutos aguardando surgir algum personagem interessante para compor a cena.

Da mesma forma que surgiram, desapareceram e sequer notaram a minha presença, mas foi assim que consegui esta imagem forte que é, ao mesmo tempo sombria e iluminada pelos pontos de luz adicionados pelos uniformes brancos e a sensação de movimento trazido pelas crianças. Como é de se esperar, selecionar seu melhor trabalho é um dos maiores desafios de um fotógrafo. Cada fotografia carrega uma carga de emoção e história que cercaram a cena e não estão, necessariamente, capturadas no frame, mas o fotógrafo continua enxergando. Assim, procurei primeiro 24 e agora 48 fotografias que pudessem expressar minha visão da fotografia de rua, meu gosto pessoal e o modelo estético que procuro descobrir e capturar nas minhas saídas. Estão aqui as imagens que hoje compõem meu porftolio online em www.s4photo.co.uk.

Autorais: • Transitivo Direto www.s4photo.co.uk/transitiviodireto

• CCJF www.s4photo.co.uk/ccjfpress

• Mind the Step www.s4photo.co.uk/mindthestep

• Vulto www.s4photo.co.uk/vulto

• Favela Rio www.s4photo.co.uk/favelario

• Bonde www.s4photo.co.uk/bonde

• Quatro Cantos www.s4photo.co.uk/quatrocantos

Experimentais: • Street Ballet www.s4photo.co.uk/streetballetserie

• Beach Sand www.s4photo.co.uk/beachsand

• Bhering Factory www.s4photo.co.uk/bheringfactory

Conte-nos sobre seus projetos. Posso dividir meus projetos entre autorais, experimentais, coletivos de caráter social e sem fins lucrativos que procuram fomentar a arte fotográfica e ainda os comerciais.

• Triathlon www.s4photo.co.uk/triathlon

• Ipanema www.s4photo.co.uk/ipanema

Foi quando entraram no frame cinco crianças lindas, de idades diferentes, vestidas tradicionalmente em trajeto de retorno da escola saltando pedras que estavam no caminho.

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#01 São eles: Fernando Rabelo

Markus Hartel

www.imagesvisions.blogspot.com

Editor do blog ‘Images&Visions’, um dos mais ricos e úteis repositórios sobre a história da fotografia.

Fotógrafo que vem disseminando a arte da fotografia de rua com sucesso através de uma abordagem consistente na Internet.

• Mosaico Minuto fanpage

Ivan de Almeida

www.facebook.com/mosaicominuto

http://fotografiaempalavras.wordpress.com

Ansel Adams

Coletivos e sociais sem fins lucrativos: • Caneta Lente e Pincel www.s4photo.co.uk/clppress

• Worldwide Photo Walk 2011 www.s4photo.co.uk/wwpw2011

• Mosaico Minuto 2012 www.s4photo.co.uk/mosaicominuto2012

• Mosaico Minuto 2011 www.s4photo.co.uk/mosaicominuto2011

• Mosaico Minuto 2010 www.s4photo.co.uk/mosaicominuto

Comerciais: • Getty Images www.s4photo.co.uk/gettyimages

• Metara Gallery www.semola.com.br/s4p_wip.html

Onde podemos acompanhar sua produção fotográfica? Apesar de manter canais online que se complementam e se interconectam, além da Galeria Metara que me representa em Ipanema, à Rua Teixeira de Melo 25, Rio de Janeiro, o ponto de partida deve ser através dos sequinte link, de onde todo o restante se deriva: http://about.me/marcossemola

Editor do blog ‘Fotografia em Palavras’ que com extrema competência consegue me fazer pensar na fotografia sob outra ótica e com quem dialogo e compactuo em grande sinergia. André Correa www.queimandofilme.com.br

Editor do blog ‘Queimando o Filme’ de incentivo à fotografia analógica. Rui Palha www.ruipalha.com

Fotógrafo lisboeta autor de imagens fantásticas que muito se assemelham ao meu gosto estético e prático de fotografar. Rui Pires

www.markushartel.com

www.anseladams.com

Fotógrafo e autor da trilogia: ‘A Câmera’, ‘O Negativo’ e ‘A Cópia’, que me desper tou o interesse pelo mundo da fotografia. Henri Cartier-Bresson www.henricartierbresson.org

Fotógrafo de rua que pela similaridade estética de sua produção fotográfica com meus interesses pessoais, se mantém no topo da minha lista das referências inspiradoras. Vivian Maier www.vivianmaier.com

Sua história de vida rica em experiências fotográficas a tornou uma fonte de inspiração constante.

http://ruipires.1x.com

Curador e experiente fotógrafo de médio formato responsável por imagens fascinantes em preto e branco que me inspiram.

Referências? Resisto quase que instintivamente a me agarrar a referências para explicar a minha fotografia, portanto, limito-me a dizer que observo muitas expressões de arte, mesmo fora do meu universo estético, revisito obras dos grandes mestres da fotografia clássica, especialmente em pequeno formato, preto e branco, street, mas sinto-me bem à vontade para referenciar fotógrafos e amantes da arte que, de uma forma ou de outra, têm uma rica produção fotográfica, conduzem projetos e iniciatives que merecem ser acompanhadas por terem também o legítimo interesse em fomentar a arte da fotografia.

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Alguma mensagem para os iniciantes ou mesmo fotógrafos experientes interessados em iniciar na fotografia de rua? Seria pura prepotência achar que seria capaz de orientar outros fotógrafos. Primeiro por não ter tanta experiência assim, e ainda por acreditar que cada um tem que encontrar seu próprio caminho, sua forma individual de fotografar e se sentir pleno com a sua produção. Para mim, o maior valor da prática da arte fotográfica é justamente não ter que seguir padrões, é se sentir livre para criar e ousar. É ter a certeza de que não existe, de fato, certo ou errado, mas sim uma coleção de experiências que você pode ir acumulando com o passar do tempo e assim se tornando mais maduro e completo. Agora, posso sim arriscar dez palpites ligados ao meu estilo e estética fotográfica pessoal que podem ajudar:

1. Experimente sem limites até encontrar o formato, a prática e o resultado que primeiro agrade a você. 2. Aprecie expressões artísticas das mais variadas. Isso vai ampliar sua percepção da realidade à sua volta. 3. Domine os conceitos básicos da fotografia e aprenda e manusear seu equipamento instintivamente. 4. Antecipe-se reconhecendo o terreno, imagine a composição que pretende obter e vá atrás do seu assunto. 5. Caminhe atento, procure antever um gesto, uma trajetória, uma atitude e se posicione rápido para o clique. 6. Aprenda como sua objetiva enxerga ao redor com a distância focal e se aproxime para alcançar o objetivo. 7. Esteja pronto para mais de um clique a fim de perseguir o momento chave. Tudo é muito dinâmico na rua. 8. Procure utilizar equipamentos leves, silenciosos e com suportes que ofereçam mobilidade. 9. Pós-processamento não é pecado, mas procure aprimorar o resultado sem distorcer a originalidade. 10. Em princípio deixe tudo que é regra, padrão e opinião coletiva de fora da sua intimidade fotográfica.

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U

ma velha e recorrente discussão, Fotografia e Arte. A fotografia de arte contemporânea para galerias e museus.

fineart

Erico Mabellini erico@mabellini.fot.br

Dias atrás estive participando do Fórum “Fine Arts Inside” realizado pela revista “FHOX” durante a Feira “Fotografar 2013”. Muitos assuntos foram discutidos durante os três dias do fórum, mas o tema principal foi a impressão e a apresentação da fotografia dita “fine art” em galerias, haja visto que os patrocinadores do evento foram os conceituados papéis Hahnemühle e o comerciante de molduras e acessórios Molducenter. Como dito, o fórum girou em torno da fotografia que será exposta em galerias, com acabamento em papel fine art e de tiragem única ou limitada.

#01 Também houve uma certa discussão sobre fotografias vintage que possuem boa aceitação entre galerias, museus e colecionadores. Mas a grande discussão que seria “qual a fotografia que pode ser considerada artística?” continuou sem resposta em razão de sua eterna subjetividade. O que podemos entender sobre a fotografia que é bem aceita em museus e galerias é que ela tenha em primeiro lugar um apelo de criatividade que subverta um status quo ou gere uma inquietação para aqueles que a observam. A simples beleza de uma foto bem realizada tecnicamente, raramente irá fazer com que a mesma venha a fazer parte dos acervos de uma galeria ou museu. Este é o ponto crucial e que depende exclusivamente de seu autor.

foto: Erico Mabellini

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O segundo ponto que irá fazer com que a obra seja aceita como arte para galerias e museus é a sua impressão que terá de ser preferencialmente realizada e papel Fine Art impresso por um printer técnicamente certificado pelas respectivas fábricas de papeis e que a obra contenha (quando impressa em papel fine art) um certificado de durabilidade que varia de 80 a 200 anos, quando acondicionada ou exibida em locais que obedeçam as regras de conservação. Um bom relacionamento entre o fotógrafo e o seu printer é essencial para que a impressão fique de acordo com o desejado pelo artista, a boa harmonia entre artista e profissional para a escolha das provas de cores e contrastes da impressão, assim como as diversas gramaturas e texturas dos papéis fine art será a finalização do trabalho do fotógrafo. O terceiro ponto para adentrar uma galeria ou museu é que a obra esteja bem emoldurada. De pouco adianta uma impressão certificada para permanência de 200 anos se no processo de montagem forem utilizados materiais e técnicas que não garantam a integridade da obra. Muitas vezes a obra é comprometida pela utilização de materiais ácidos (que danificam as imagens com o passar do tempo) e de processos irreversíveis (como a colagem da imagem no suporte). Outras impressões Segundo os palestrantes presentes, uma apresentação bem aceita em galerias, mas que no entanto possui uma menor durabilidade, em média 08 anos, é o Metacrilato – Poly (methyl methacrylate) –

PMMA, ou Polimetacrilato de Metila, um termoplástico transparente, usado frequentemente como uma alternativa leve e resistente à quebras quando comparado ao vidro; conhecido popularmente como acrílico, às vezes é chamado de vidro acrílico. No mercado de arte brasileiro, “montagem em metacrilato” passou a ser sinônimo da técnica de siliconar fotografias embutidas entre duas placas de acrílicos cast (face-mounting), prontas para serem penduradas nas paredes, dispensando qualquer outro tipo de moldura. Processos de ampliação de filmes em papéis fotográficos como ampliações em Cybacrome, D76 e C41, também são bem aceitos por galerias, museus e colecionadores. Mesmo que sua durabilidade não seja tão grande quanto a dos papéis Fine Art. Esse mercado fotográfico de galerias tradicionais inicia com valores de aproximadamente U$ 2,000.00 a obra e pode chegar a alguns milhares de dólares. Sendo que as obras únicas e tiragens pequenas aumentam o seu valor.

A preocupação com a qualidade dos artistas, das obras e do acabamento permanecem, porém as tiragens são realizadas em maior numero e existe a possibilidade de o comprador escolher a dimensão da obra que estará adquirindo. Fazendo com que esse mercado inicie com valores de R$ 500,00, e ultrapasse os R$ 10.000,00 O termo Fine Art Muito se discutiu também o termo Fine Art. Será que o nome se aplica à fotografia artística ou é apenas um recurso de midia? Não seria mais correto chamar de Fotografia Autoral, Fotografia Conceitual ou simplesmente Fotografia? Existem termos diversos para a Pintura, a Escultura, Desenho ou Xilografia? Conheça algumas galerias brasileiras Instituto Moreira Sales http://ims.uol.com.br/

Fauna Galeria http://faunagaleria.com.br/site/artistas/

Uma característica desse mercado artístico, no caso o da fotografia, é sua capacidade intrínseca de reprodução, portanto muitas obras são comercializadas levando como documentação um certificado do artista onde estará acordado que a obra será substituída por outra caso venha a se deteriorar.

Galeria da Gávea

Galerias com um conceito de maior acessibilidade comercial Dentro deste universo de fotografia autoral ou “Fine Art”, surgiram outras galerias com um conceito mais tangível ao publico médio, em razão dos valores mais acessíveis praticados.

LumePhotos

http://www.galeriadagavea.com.br/

Doc Galeria http://docgaleria.com.br/

Fotospot http://www.fotospot.com.br

http://lumephotos.com

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www.mube.art.br

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E

u faço o texto e você “monta”.

fotografia no design

Beto Andrade beto@originaldesign.com.br

Antes de qualquer coisa, quero agradecer ao Marcello Barbusci pelo convite para escrever este artigo. Mesmo com pouca experiência em escrever para a mídia (tenho séria dificuldade em redigir), resolvi aceitar pela confiança que tenho no Marcello em anos de amizade, pela sua perseverança em criar um canal de informação de qualidade e pelo teor do tema proposto que envolve minha profissão e um hobby que é também uma paixão há 25 anos, a fotografia.

#01 Mas o que isso tem a ver com fotografia? Tudo. Certa vez tive uma experiência dolorosa com um fotógrafo, que possuia uma boa estrutura, um ótimo estúdio, equipamento de ponta, super simpatia etc. e tal, mas literalmente virou as costas para a essência do projeto de identidade visual que desenvolvi a um cliente, em determinada fase do trabalho.

O título deste artigo é muitas vezes um erro clássico no desenvolvimento de sites, folders, apresentações corporativas entre outras ações, principalmente quando o cliente possui uma empresa de assessoria de imprensa e outra de design gráfico como fornecedores, e que ainda não se conhecem. Muitas destas assessorias que produzem conteúdo e escritórios de design desprestigiam a sintonia das diversas disciplinas que envolvem comunicação, resultando em desconexão nas mensagens e um projeto sem força, com a personalidade fragilizada, deixando o expectador sem motivação ou sem compreender qual é, na verdade a essência corporativa da empresa ou de seus serviços. É quase como uma banda em que o guitarrista cria um tema e “cada um faz o seu”, e todos se encontram lá no palco no horário combinado. Assim, o baixista perde uma grande oportunidade, também, de se inspirar no desenvolvimento do trabalho do baterista, do tecladista, do trompetista, perdendo muito em conjunto, em unidade, em confiabilidade. Ok, seria uma jam session. Mas não se pode fazer jam session com o relacionamento de uma empresa com o mercado, muitas vezes envolvendo milhões de reais que, no conjunto desse tipo de falta de cuidado, podem ser afetados no médio e longo prazos, para não dizer no curto.

Tratava-se de produtos domésticos com design avançado, com matéria-prima de alta qualidade e direcionados para um público exigente. Basicamente, o padrão gráfico adotado se caracterizava pela leveza, certa vibração e modernidade, transmitindo vida e positividade, um trabalho realizado com extremo cuidado e que foi lapidado por muitas pessoas, incluindo uma agência, o marketing do cliente e diretoria, e que foi posteriormente exposto na bienal de design gráfico em 2000. Vários layouts já estavam aprovados e tomei o cuidado de mostrá-los ao fotógrafo, comentar o briefing de criação e expor detalhes para que ele se envolvesse com o projeto e para, inclusive, facilitar o seu trabalho.

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Quando cheguei no estúdio, ele já havia preparado todo o cenário com um agoniante fundo preto sob aquelas valiosas e delicadas peças com suas curvas minuciosas que, por se tratar de lançamento, eram vistas por todos como jóias raras.

Eu já fiz foto para o fotógrafo (com a câmera dele), e redator já fez design para mim, sempre respeitando limites e todos saindo ganhando com isso. Estas são situações extremas mas que ilustram como o envolvimento com o projeto pode trazer benefícios.

trato. Não importa o conteúdo, a fotografia precisa estar ajustada com o projeto gráfico, para não “sobrar”. O fotógrafo precisa conversar muito com o designer ou diretor de arte ao menos, nem que seja num boteco. Essa interação é extremamente necessária.

Como não havia tempo para refazer a preparação dos clicks, foi assim mesmo. E esse “vai assim mesmo” é particularmente horroroso para um designer gráfico que coloca o detalhe no pedestal.

Mas pode ser pior, neste caso foi um mero fundo negro. A relação fotografia x design vai muito além, e ganha mais importância quando a mensagem contida na fotografia é conceitual e se confunde com o espírito da instituição no projeto, como protagonista, influenciando diretamente na reação do consumidor e em sua persuasão para a sempre almejada aceitação da marca.

Entendo, dessa forma, que o mesmo cuidado que precisamos ter para falar, devemos ter para publicar qualquer coisa que contenha informação.

O outro ponto é que havia uma dificuldade em opinar, pois o ego se solidificava como uma barreira na tentativa de diálogos para ajustar detalhes. Um entrave relativamente comum na relação entre profissionais de criação. Até hoje esse fundo negro me “assombra” quando o lembro no mesmo universo de produtos verdes água, azuis pasteizinhos, amarelinhos, branquinhos e transparentes inseridos em um padrão gráfico que acompanhava o conceito industrial do produto. Tudo bem, o tal dark background não tirou milhões da conta do cliente, mas por que perder pontos na identidade corporativa se podemos ganhar? Por que não se integrar ao ambiente de um trabalho e cuidar de tudo que influencia em resultados?

Em semiótica, a ciência que estuda simbologias e todas as relações que envolvem comunicação, a fotografia pouco difere de um logotipo por exemplo, pois se tratam de mensagens visuais contendo seus respectivos significados. E tudo que queremos, fotógrafos, designers, cineastas, é levar a mensagem correta ao nosso expectador e em sinergia com as diversas disciplinas, quando isso for necessário, para que não hajam justamente significados diferentes – ou indesejados – de uma mesma coisa.

O objetivo é trazer ao público carisma, coerência, benefício e conforto na leitura, e assim aproximar pessoas de empresas, otimizar o dinheiro do cliente e colaborar para se obter resultados dentro de nossa competencia. Afinal, é para isso que somos pagos, e isso só é possível com a sinergia de todas as disciplinas envolvidas nos processos de comunicação.

Desse modo, a fotografia tem uma missão de absoluta relevância no design gráfico, desde sua qualidade técnica até sua sintonia com o ambiente onde está inserida, seja de uma peça industrial, uma paisagem ou um re-

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#01

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O inovação

Otavio Costa otavio@flyview.com.br

#01 tempo não para... mas também não passa... não chega nunca... e quando vem, já ficou pra traz.

O mal do curioso, como eu, daquele que está sempre querendo entender as coisas e descobrir algo mais sobre elas, é que, sempre que encontra uma resposta, formula uma nova pergunta, ou várias. E, nem bem chegou aonde queria, já está atrasado para o novo destino, que acabou de descobrir que é o novo lugar onde realmente quer chegar. Ou seja, a velha história do futuro que não chega nunca, pois, quando se realiza, já ficou velho e não interessa mais. Na tecnologia geralmente é assim. Não costumamos ter muito tempo para apreciar os recursos de uma ferramenta mais nova, ou melhor que a anterior, pois logo já percebemos o que ainda falta, ou o que poderá vir a ser melhor ainda. No mundo da imagem e da comunicação não é diferente. Com os recursos digitais, desde a criação/captação das imagens, até a edição e processamento das mesmas, não temos mais limites e sempre encontramos novidades. Não faz tanto tempo assim, só se falava em MegaPixels, ou em vídeo Full HD, depois o 3D, o 2K e o 4K... Embora tudo isso tenha uma razão de ser, no fundo, estamos sempre falando de comunicação (ou arte... para quem pode). Ou seja, muito mais importante do que os recursos é a aplicação dos mesmos para fins objetivos.

A verdade é que nem sempre é fácil entender quando um problema é realmente um problema. E, sempre que nos apaixonamos demais por tecnologias fantásticas e futuristas, estamos correndo um grande risco de ter uma solução para uma necessidade que não existe, ou que não é identificada pelo público. E isso é sempre um risco quando se investe em algo muito diferente do que já existe. Não é porque algo é tecnicamente viável e supostamente superior ao que existe, que isso será reconhecido como tal e se tornará um sucesso. Muitos produtos são lançados no mercado com especificações objetivas superiores às dos seus concorrentes ou antecessores (mais memória, mais velocidade, mais definição, menos peso... etc, etc, etc.) e fracassam mesmo assim. Enfim, existe sempre muito de intangível e subjetivo em qualquer produto. Mas às vezes surge um produto que se torna unanimidade, como a famosa calculadora financeira HP-12c. Lançada há mais de 30 anos, ainda hoje não foi superada no mercado, apesar de ser vendida a um preço relativamente salgado e com tecnologia supostamente ultrapassada. Porém, a história mostra que ela cumpre, com louvor e, sobretudo, com simplicidade, todas as necessidades de um grande número de pessoas, por um preço considerado justo por elas.

O Wikipedia diz que tecnologia “envolve o conhecimento técnico e científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento”. Ou ainda, como prefiro: “Tecnologia é a aplicação de recursos para a resolução de problemas”.

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Isso não é tarefa fácil, mas, bem mais recentemente, aconteceu, ou está acontecendo, algo parecido no mercado de vídeo e foto. Não, não estou falando da revolução da produção de vídeo com as lentes fotográficas das câmeras de custo relativamente baixo (Canon 5D ou menos). Estou falando da GoPro. Hoje na terceira geração, a Hero3 oferece tantos recursos, com tamanha simplicidade, confiabilidade e baixo custo que tornou-se a câmera de vídeo mais vendida do planeta. Não é pra menos. Ela é super leve, de operação muito simples, capaz de gravar imagens em 4k, fazer super slow, time lapse e, tudo isso nas condições mais adversas de frio e calor.

Foi usada no salto recorde de 40 mil metros de altura, do Felix Baugartner e debaixo d´água em tubos de mega ondas dos surfistas no Havaí. Reconheço que não tenho o talento especial do seu criador, que praticamente definiu, conscientemente, esse mercado, mas torço pelo sucesso de iniciativas como a do Google Glass. Os protótipos já estão nas mãos de alguns poucos milhares de privilegiados desenvolvedores que pagaram US$ 1500,00 por um brinquedo desses e espero que, em breve, a gente comece a experimentar situações que por mais absurdas que pareçam hoje, podem ajudar a redefinir nosso futuro.

Bom, mas isso é assunto para outro dia, assim como outros fenômenos que já estão começando a fazer parte do nosso dia a dia, tais como a segunda tela, máquinas realmente inteligentes e outros. Mas falando de passado, presente e futuro da tecnologia, me lembro da minha bisavó, nascida no século XIX, que andou de diligência, em um mundo sem luz elétrica e viu o homem ir a Lua. Morreu com 104 anos, mas imagino que nós, mesmo se vivermos muito menos do que ela, poderemos ver “progressos” bem mais impressionantes.

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#01

BWINcolor agenda

exposições, eventos, worshops, cursos...

SÃO PAULO | SP Fotos de usuários do Instagram postadas em dezembro de 2012 e janeiro de 2013 são expóstas na Pinacoteca de São Paulo. Data: até 30 de junho de 2013 Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo Informações: 11 3324-1000

www.pinacoteca.org.br

SÃO PAULO | SP O fotógrafo frânces Laurent Chehere registrou a arquitetura dos bairros Belleville e Ménilmontant, em Paris, para mais tarde fazer montagens que resultaram na esposição de 11 imagens manipuladas. Data: até 21 de junho de 2013 Local: Galeria Lume Informações: 11 3704-6268

www.galerialume.com.br

Londres | UK Sebastião Salgado: Genesis O projeto Genesis revela extraordinárias imagens de paisagens, fauna e comunidades remotas deste renomado fotógrafo. Data: até 8 de setembro de 2013 Local: Natural History Museum of London Informações: +44 (0)20 7942 5000

www.nhm.ac.uk

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Este espaço foi preparado para os organizadores de exposições, workshops, cursos e eventos. envie a sua agenda para

photo image brasil Data: 28 a 30 de agostode 2013 EXPO CENTER NORTE- São Paulo Tel.: (11) 3060-4891

www.photoimagebrasil.br.br OMICron escola de fotografia Curso: Descondicionamento do olhar Carga horária: 16 h Data: a consultar Valor: Matrícula R$50,00 + R$700,00

Instituto Moreira Salles – São Paulo Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis Tel.: (11) 3825-2560

ims.uol.com.br

Encontros MuBE | Luis Castañón ACÚMULO INURBANO Data: 25/05/2013 | 10:00 - 12:00 MuBE– São Paulo Avenida Europa, 218 - São Paulo Tel.: (11) 2594-2601

www.mube.art.br

www.fullframe.com.br

www.omicronestudio.com.br

techimage Curso: Fotógrafo Profissional Carga horária: 73 h Data: a consultar Valor: R$ 3.990,00 em até 6 vezes sem acréscimo

WORKSHOP DE FOTOGRAFIA com Adriano Gambarini Curso: São Luiz do Paraitinga Data: de 19 a 23 de junho de 2013 Valor: a consultar R. Clodomiro Amazonas, 1158 - cj 62/63 Vila Olímpia - São Paulo - SP

ateliê da imagem Curso: Construção de Portifólios Carga horária: 24 h Data: início 04 de junho de 2013 Valor: R$650,00 em até 3 vezes de R$ 240,00

coralis Curso: Calibração Fotográfica de A a Z Carga horária: 8 h Data: 18 de junho de 2013 Valor: R$538,00

centro europeu Curso: Básico de fotografia Carga horária: 320 h Data: a consultar Valor: a consultar

SENAC SP Curso: Fotojornalismo Digital Carga horária: 60 h Data: 06/08/2013 até 24/09/2013 Valor: R$ 1.151,00 em até 5x

Instituto internacional de fotografia Curso: Moda e Book em Externa Carga horária: 18 h e 30 Data: a consultar Valor: R$ 890,00

bwincolor@barbusciinteractive.com.br

Raphael e Emygdio: dois modernos no Engenho de Dentro Exposição de 10 de abril a 7 de julho de 2013

ESCOLA DE FOTOGRAFIA FULLFRAME Curso: Preto e Branco digital Carga horária: 12 h Data: a consultar Valor: 4 parcelas de R$ 169,00

www.latitudes.com.br

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A ascensão e queda.

#01 história da Yashica Fundada em 1949 com apenas $ 566,00, em Nagano – Japão com o nome deYashima.

Uma nova linha de câmeras é lançada, agora com o nome Yashica/Contax, projetadas com lentes Carl Zeiss.

Em 1957 criou uma subsidiária em Nova York chamada Yashima Yashica Inc juntamente com a Tomioka Ópticos, para gerenciar os esforços de marketing nos EUA. No mesmo ano lançou uma série de câmeras populares, TLR, de nome Matic Yashica. Uma câmera que usava filme 8mm.

Em 1977 a Yashica começa a fazer frente as marcas Nikon, Canon e Minolta com seus modelos FR para um mercado de câmeras semi-profissionais SLR.

Em 1958 mudou seu nome para Yashica Company Ltd quando comprou a empresa Câmera Nicca Ltd. Marcello Barbusci marcello@barbusci.com.br

1959 foi o ano onde a Yashica lançou sua 35mm Silgle Lens Reflex (SLR), uma câmera com a diafragma automático. Vamos pular para 1973 pois os anos que antecederam esse período só tiveram sucessos. Bom, neste ano, a Yashica inicia uma parceria com a Carl Zeiss em um projeto chamado de Top Secret 130 para produzir uma nova 35mm SLR com obturador eletrônico que teve seu nome batizado de Contax.

Agora chegamos em 1979, quando a Yashica lança seu modelo FX3-Super. Uma câmera 35mm SLR mais barata para atingir ao público iniciante. Um modelo com foco manual, corpo Yashica que também aceitava as lentes Carl Zeiss. Um modelo que seguiu até 2002. Em 1983 a Yashica foi comprada pela Kyocera, uma empresa gigante no segmento de cerâmica. Depois da venda, todas as câmeras foram comercializadas pela Kyocera. Em 1985, a empresa estava enfrentando intensa concorrência no mercado de outros fabricantes, especialmente Minolta, que havia introduzido um preço competitivo com um modelo avançado de câmera de 35mm SLR autofoco. A Yashica finalmente lançou sua própria linha de autofocu 35 milímetros que foi superfaturada e mal comercializada em comparação com a concorrência.

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Em 2005 a Kyocera suspendeu a produção das Contax e Yashica e em 2008 vendeu os direitos para o grupo MF Jebsen Group, sediado em Hong Kong. Este passou os direitos de uso para sua subsidiária JNC Datum Tech e desde então não ouvimos mais falar da Yashica por aqui a não ser dos apaixonados pela marca e querem reviver os velhos tempos. O que é o meu caso. Ao lado estou colocando algumas fotos produzidas com filme PB Kodak Professional BW 400 CN e com filme Kodacolor ASA 400 Em quase 2 anos na fotografia, foram meus primeiros cliques com uma câmera analógica trabalhando com foco manual em STREET. Minha analógica? Uma Yahica FX3 Super – 2000 com lente 50mm 1.9. O que posso dizer sobre a sensação? Um prazer que só quem clica com filme pode explicar. Espero que gostem.

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C Amor & ódio

Rui Costa ruijscosta@gmail.com Colunista Internacional Diretamente de Portugal

omecemos pelo início: as redes sociais não são a salvação para o mundo, não são a fonte de todos os seus problemas e a melhor forma de lidar com elas não é uma dose de sorte misturada com magia negra. Está longe de ser um meio absolutamente controlável mas também não é um animal selvagem que sempre estará longe de uma razoável domesticação. As redes sociais existem desde que o homem comunica em grupo e a verdade é que se não souber como interagir com a pessoa que está sentada ao seu lado durante aquele workshop fantástico que está participando, dificilmente será capaz de compreender como lidar com as «modernas» redes sociais, aquelas que popularizaram o termo e que incluem referências como Facebook, Twitter, Google+, 500px, Flickr, Pinterest ou mesmo Instagram, isto, apenas para tocar nas redes que nós - ocidentais sabemos explorar. Redes sociais são diálogos. São comunicação e interação dinâmica. Nunca se esqueça da palavra mágica: «diálogo». Tudo o anteriormente colocado se aplica sem problema ao utilizador indiferenciado. Passando ao específico, ao segmento particular ou ao utilizador exclusivamente interessado na exploração de um determinado tema, as coisas complicam-se um pouco.

#01 Se é fácil abrir caminho à comunicação com um tema que interessa ao ouvinte - seguindo as passadas do marketing atual - mais difícil é abrir caminho a essa relação tocando apenas em um tema. Num assunto que interessa, principal e especialmente a si próprio. Há temas que «toda» a gente «domina»; política, religião e futebol são apenas os três maiores, mas «especialização no generalizado» é coisa que não falta no mundo da rede. Há que encontrar o meio termo. Há que saber como tocar no que lhe interessa sem esquecer que os seus clientes não são - a esmagadora maioria das vezes - os seus colegas fotógrafos que tão bem entendem as suas valências e as suas lacunas, mas sim, um destinatário que aprecia a beleza e a qualidade numa matriz mais emocional, mais imediata. Não tem nada de errado com isso! É só uma forma diferente de avaliar um trabalho; provavelmente até mais sincera. Mas a este assunto voltaremos mais tarde, neste texto ou mesmo num número posterior da revista. Há tanto para explorar neste campo das redes sociais para fotógrafos que seria necessário um livro e não apenas uma coluna para explorar este assunto. Na verdade até há... muitos! Alguns bastante bons como «The Linked Photographers’ Guide to Online Marketing and Social Media» de Rosh Sillars, o «The Linked Photographers’ Guide to Online Marketing and Social Media» da Wiley Desktop Editions, o «Google+ for Photographers» de Colby Brown ou mesmo «From Snapshots to Social Media - The Changing Picture of Domestic Photography» editado pela Springer. Se tiver oportunidade dê uma boa olhada a cada um deles antes de se aventurar na rede. Há muita coisa boa para explorar mas há também muitos aspectos relacionados com direitos de autor ou mesmo com a incorreta avaliação do seu desempenho que podem ser altamente contra-producentes e mesmo direcionar os seus esforços pelo caminho errado.

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Porque são as redes sociais algo que nunca deve desconsiderar? O melhor argumento assenta essencialmente na força dos números. Não apenas o número absoluto de utilizadores que só numa rede como o Facebook excede o bilião (mil milhões para os leitores de Portugal) como principalmente os números que definem a tendência. O número de utilizadores cresce num ritmo que nem a despesa pública se lhe consegue comparar e a verdade é que o utilizador começa a valer por dois ou por três. Comunicações móveis sólidas e o aumento brutal do tempo gasto em rede, transformaram o utilizador naquilo que as marcas (e você, enquanto fotógrafo, é uma marca) sempre desejaram: um utilizador sempre ligado, seja onde for, pronto a receber os seus conteúdos. Depois há a questão do «está fora, está esquecido». Bem sei que é preciso diferenciar para vencer, mas diferenciar não é estar fora das redes sociais, diferenciar é estar lá - porque é lá que também estão alguns dos seus clientes - e ter uma oferta que se distinga dos demais. Seja uma distinção clássica de qualidade ou variantes que incluem uma melhor relação de custo/benefício para o seu cliente. Estar lá é absolutamente obrigatório a não ser que você já seja um profissional de tal forma famoso que o mundo faça o seu trabalho por si, partilhando e impulsionando o seu trabalho através da rede. Há muito mais em favor das redes sociais, claro. Lá voltaremos

Porque são as redes sociais algo a que deve medir bem o pulso antes de saltar? A primeira coisa que deve perceber é que apesar de poder controlar algumas das variáveis da comunicação nas redes sociais, você jamais poderá aspirar a ter o controle sobre tudo o que colocar nessas mesmas redes. Aliás, não é esse o propósito da comunicação nesse meio. Perceba isso antes de ter algum dissabor mais profundo. O conteúdo, depois de publicado, tem um vida própria que muito dificilmente estará debaixo da sua capacidade de domínio e controle. Quero com isto dizer que, apesar de poder aplicar diversos tipos de ação e estratégias para a disseminação dos seus conteúdos, a verdade é que nunca se trata de uma disseminação verdadeiramente moderada pelo criador do conteúdo. Caiu na rede, o conteúdo «é de todos». Isto leva-nos ao segundo ponto: os direitos de autor. O «é de todos», felizmente na maioria dos casos, é mais uma força de expressão do que uma afirmação provida de sustento. Antes de avançar com a publicação dos seus trabalhos em redes sociais perca algum tempo para ler e comparar os pontos que você aceita ao se registar em cada um destes sites. Há diferenças - digo eu, cruciais - entre sites como o Facebook ou o Google+, isto apenas para referir dois sites de maior uso para a comunidade fotográfica. Por vezes nem se trata da questão dos direitos autorais na sua vertente mais direta mas sim a impossibilidade de eliminar definitivamente conteúdos, impedir sub-licenciamentos, perpetuidade do acordo e irrevogabilidade do mesmo. Este assunto merecerá igualmente um novo artigo no futuro, exclusivamente dedicado ao tema.

Por agora, para terceiro e último ponto (que o texto vai longo e o editor não perdoa), há que avaliar as suas hipóteses de fazer dinheiro através destes sites. Vender em redes sociais pode ser complicado, especialmente se o seu produto for de uma vertente não tão chegada aos assuntos que o utilizador comum procura em plataformas como o Facebook. Redes sociais generalistas como o Facebook ou Google+ apresentam boas hipóteses para fotografia de casamentos, retrato ou eventos. Paisagem, natureza ou aventura, nem tanto. Existem provavelmente locais melhores para a venda dos seus trabalhos. Por outro lado, as redes exclusivamente dedicadas à fotografia têm na sua maioria... adivinhou... fotógrafos. Dificilmente fará muito negócio. Entenda as redes sociais como um excelente veículo promocional do seu trabalho e uma ótima ferramenta para iniciar um diálogo com os seus potenciais clientes mas nem tanto como um balcão avançado de vendas. Para isso exploraremos outras oportunidades, em outros artigos. Enfim... redes sociais são o bom e o mau, o quente e o frio. É natural que ao longo do seu percurso sinta fazer parte de uma relação baseada em amor e ódio, num dilema que fará que por vezes se sinta feliz por ter iniciado a sua viagem nestas plataformas e que por outras se sinta capaz de apagar todas as suas contas, fechar até a conta do Gmail e ir completamente old school. Redes Sociais, ame e/ou odeie mas nunca faça de conta que não existem.

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O

k, todos querem o sucesso; e alguns até alcançam. Outros obtém o sucesso e a fama... mas qual o segredo? Escollhas certas?

crônica enganos

Zeca Salgueiro zecasalgueiro@gmail.com

Quando alguém vê uma pessoa que “deu certo”, logo pensa: “esse acertou!”. Ledo engano, pois a vida não é feita de acertos, mas sim de enganos. É. A vida é feita de erros crassos e uma sequência inevitável de enganos e acasos. Quer ver? Imagine se Isaac newton tivesse tirado uma soneca debaixo de uma árvore que não desse frutos. A maçã não cairia em sua cabeça e não teríamos a Lei da Gravidade. Pior, se ele estivesse debaixo de um pé de jaca, não teríamos nem o próprio Newton! Outra: se ao invés de Alexander Fleming a empregada dele tivesse achado os restos de uma experiência com bolor, ela teria jogado tudo fora, com nojo, claro, e não teríamos a penicilina. Mais uma: Charles Goodyear deixou cair enxofre no cozimento da borracha e descobriu que ela vulcanizava (nada a ver com Spok, de Star Trek). Se ele simplesmente acertasse na receita, o pneu não seria viável. É meu amigo, até com você os enganos funcionam. Por exemplo, você acha que escolheu a sua namorada, esposa etc., certo? Péééé! Errou. Ela escolheu você. Assim como você acha que escolheu sua casa, sua mobília, onde pôr a TV e até o que vestir... tadinho de você. Outro engano clássico. Elas escolhem tudo isso e manipulam tudo e a todos para nos darem a impressão de que somos importantes.

Você aceita se casar com ela. Ótimo. Você aposta que terá sua liberdade mesmo dentro da instituição do casamento. Lindo. Você acha que vai jogar futebol aos sábados de manhã. Boa! Você acha que ela vai continuar gostosa pro resto da vida; melhor, de bom humor... Ah, irmão, quantos enganos. Seu emprego então, nem se fala. Você pensa que gosta disso e acha que é bom no que faz, mas na última reunião seu chefe te elogiou por um erro. É lógico que ele não sabia que você tinha errado, você simplesmente esqueceu de mandar um boleto de cobrança pro maior cliente da firma e seu chefe gostou do “voto de confiança” dado ao cliente. Por mais que você se esforce pra tomar as decisões corretas, elas são uma cadeia de lutas e vitórias da emoção sobre a razão. Duvida? Veja o seu time de futebol, por exemplo. Ele ganha todos os títulos que disputa? Não. Você fica tranquilo nas finais? Não. Você acha normal uma pessoa subir a escadaria da Penha de joelhos com a bandeira do Olaria envolta nos ombros, pedindo por uma vitória contra o Barcelona? Óbvio que não. Mas o cara de joelhos na escadaria é você. E não adianta seus filhos te puxarem pelos pés escada abaixo, dizendo que isso é loucura, que o Barça é mais forte e que você tem setenta anos, pelo amor de Deus! Você acredita. Então, pela lógica, eu acho que a vida não é feita de acertos e sim, de enganos. Mas eu posso estar enganado!

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Distribuição da revista oficial em: www.issuu.com/bwincolor Canal de distribuição de revistas digitais interativas FOTO CAPA Marcello Barbusci

Entrevista com RENATO PAES | Especialista em fotos com celular Dezoito anos de experiência como cinegrafista e editor de filme e vídeo, há cinco anos também como diretor de fotografia, há 11 anos como freelancer. Experência anterior em sonoplastia, fotografia still, produção de filmes institucionais, comerciais, produção musical e iluminação. Alguns clientes: Rede Globo, Canvas 24p Filmes, Moviola Produções, Comtacti Comunicação, Módulos, FremantleMedia Brasil, Digerati, NegritaTV, entre outros.

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