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EDITOR

– Edição 1521

28 a 30 de agosto de 2013

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EXPEDIENTE

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Uma das invenções do capeta (Para Fabio Portugal) Comecei com um uisquinho sem compromisso. Fim de expediente, dia chato no escritório, aquele drink serviria para relaxar e eu ainda chegaria à casa a tempo de jantar. Não deu nem para o começo. A sede era funda e pedi mais um. E depois outro. E mais outro. Aí apareceu um conhecido, que falou de uma cerveja belga maravilhosa, pela qual ele acabara de se apaixonar. Sabe aquela loura gelada? – ele perguntou. - Então. Aquela! E continuou como se fosse um vendedor de carros falando do último modelo da Mercedes a um aficionado: - É ela. Molhou a palavra na tal loura e prosseguiu: - É ela, só que mais gostosa, perfumada, acetinada, e desce como se fizesse um carinho na pele da gente. Só que por dentro. Decidi que tinha que conhecer a tal loura que fazia um carinho por dentro da pele. Virei o uísque de uma talagada só, chamei o garçom e lá fui trocar uns carinhos com a loura. Devia ser boa. Afinal, 9 dólares por uma garrafinha de 600 ml, tinha que ser. E era realmente muito boa.

Aí me atraquei com ela, e ela comigo. Foi amor ao primeiro gole. O calor insuportável clamava por mais dessa maravilha belga. Parece que os donos dos bares e restaurantes desligam o ar-condicionado e mandam os cozinheiros exagerarem no sal e na pimenta dos petiscos nestes dias mais quentes. Pedi a saideira e um táxi, porque não me sentia apto a dirigir até em casa. O jantar em família havia ido para as cucuias e tratei de ir logo para o quarto. O trajeto até o segundo andar fez com que eu me sentisse ligeiramente zonzo e nauseado. Despi-me - isentado do banho - e horizontalizei. Mal me deitei, a cama deu de rodar. - Que diabo é este? - perguntei a ninguém. E ela rodava como se fosse um relógio e eu o seu ponteiro. E numa velocidade de ventilador. Não sei quando parou o homem-ventilador. Mas foi uma eternidade. Acordei com a cabeça oca como um abacate, os miolos chacoalhando como se fossem a semente. Pus-me de pé, heroicamente, e arrastei o cadáver até o banheiro. Uma vez lá, deixei a ducha fria correr sobre a minha miséria. Maldito sujeito que inventou tudo isto,

pus-me a pensar. Quem inventou a ressaca inventou as piores coisas desta vida. Ele inventou o imposto de renda, o trânsito de São Paulo, a Festa de Barretos e Zezé di Camargo e Luciano. Inventou o sertanejo universitário, a broxada, a ejaculação precoce e o zero a zero no futebol. Ele inventou Galvão Bueno, o uísque paraguaio, o cecê no transporte coletivo, a calvície e o horário eleitoral na televisão. Inventou os jogos do Campeonato brasileiro às 10 da noite, principalmente às quartas-feiras. Inventou ainda a fila de banco, a repartição pública e o mau-humor das pessoas que trabalham nestes departamentos. E inventou também o gosto do boné do chapéu do maquinista do trem. O gosto do cabo de guarda-chuva. E da tábua de chiqueiro de porcos, que fica na boca quando acordamos ressaqueados, achando que um pedaço da gente prescreveu. Quem inventou a ressaca inventou um verdugo e o soltou dentro de nossas consciências para que ele nos faça jurar, a cada pileque, que nunca mais beberemos. Sim, eu juro. Eu prometo. Nunca mais eu bebo.

Edição 1521 de 28 a 30 de Agosto de 2013  

Brasileiro é acusado de estupro e outros crimes • Brasileiro pega prisão perpétua por crime em Nebraska • Condenado falsário que vendia cer...

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