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28 a 30 de agosto de 2013

Comunidade

Edição 1521 –

Empresários ajudam a manter vivo debate migratório entre congressistas Grupos de empresários mobilizaram um exército de lobistas para pressionar em defesa da reforma migratória aprovada pelo Senado em junho desse ano

S

e o congressista do Texas, Ted Poe, buscava confirmação que o fato de apoiar a reforma do sistema migratório não significaria suicídio político para conservadores como ele; provavelmente, ele a encontrou essa semana, em um restaurante especializado em frutos do mar em um subúrbio de Houston (TX). Durante uma discussão de mesa redonda, vários empresários locais informaram a Poe que não conseguem encontrar cidadãos norte-americanos suficientes para trabalhar em cozinhas, consertar calçadas e outros tipos de trabalhos menos glamorosos que mantém a 4ª maior cidade dos EUA funcionando. Um programa de trabalhadores visitantes mais amplo ajudaria bastante, segundo os empresários. Poe disse aos executivos que estava trabalhando em um projeto de lei que abordaria o problema e garantiu-lhes que seus colegas republicanos ajudariam a reforma o sistema migratório nos próximos meses. “Simplesmente não fazer nada é uma votação para manter o estado atual das coisas, que é falho”, disse Ted com relação ao sistema atual que luta para lidar com os estimados 11 milhões de residentes indocumentados nos Estados Unidos. Enquanto os legisladores retornam aos seus distritos eleitorais de origem nas últimas semanas de verão, centenas de empresários se mobilizaram sem alarde para persuadir republicanos como Poe a reconhecerem que uma reforma migratória é apoiada pela maioria do seu eleitorado, mesmo que alguns conservadores gritem que não. A estratégia de fazer pressão em silêncio adotada pelos empresários, com a decisão de vários legisladores conservadores em combater o projeto do Presidente Obama que visa reformar o sistema de saúde, parece ter diminuído o em-

Poe conquistou reputação nacional por determinar condenações pesadas, mudou de cético para defensor da reforma migratória nos últimos anos

balo do debate migratório. Os encontros realizados nas sedes das prefeituras, organizados por congressistas, ao longo de setembro, não se desintegrou e tampouco adquiriu aspecto racista, algo que muitos ativistas temiam. Como resultado, muitos eleitores a favor da reforma se mantém cautelosamente otimistas pelo fato de uma das suas principais prioridades da última década se torne realizada no próximo 1 ano e meio, mesmo que obstáculos imensos continuem a existir na Câmara dos Deputados controlada por republicanos. “Nós estamos confiantes que isso ocorra o mais breve possível”, disse Glenn Hamer, presidente da Câmara do Comércio & Indústria do Arizona. Há muito tempo, a reforma migratória tem sido prioridade para grupos de empresários, como a Câmara do Comércio,

pois as leis atuais dificultam a contratação de trabalhadores, além de expor as empresas em um verdadeiro emaranhado de regulamentações conflitantes. Grupos de empresários mobilizaram um exército de lobistas para pressionar em defesa da reforma migratória aprovada pelo Senado em junho desse ano. A proposta, apoiada por 14 dos 46 republicanos no Senado e todos 52 democratas, inclui um novo programa de vistos para trabalhadores estrangeiros, exigências para os patrões verifiquem o status migratório de seus funcionários, bilhões de dólares para segurança extra na fronteira e o período de 10 anos para a aquisição da cidadania para trabalhadores indocumentados. Entretanto, o porta-voz da Câmara dos Deputados, John Boehner, disse que seus correligionários sequer votarão na proposta do Senado. Ao invés disso, os legisladores republicanos esperam votar em uma série de pequenas leis que abordem o problema aos poucos. “Tenho receio de que, desde que ele passou a fazer parte do Congresso e a viver naquela atmosfera que alguma daquela poeira o sujou”, comentou Jeanne Hall, residente em Houston que teme que os imigrantes tirem o trabalho dos norte-americanos. Poe, um antigo juiz estadual que conquistou reputação nacional por determinar condenações pesadas, mudou de cético para defensor da reforma migratória nos últimos anos. O distrito eleitoral do legislador possui 30% de latinos, em contraste com 13% quando ele eleito a primeira vez em 2004. Ele vem argumentando que seus colegas republicanos precisam trabalhar mais duro para conquistar essa crescente fatia do eleitorado para manterem competitivos com relação aos democratas em eleições futuras. “Eu não tenho certeza de qual seja a solução. Deportalos não é a resposta, mas o extremo tampouco. Simplesmente, dizer OK anistia para todos aqui. Não podemos fazer isso, não está na pauta”, disse ele à agência de notícias Reuters.

Edição 1521 de 28 a 30 de Agosto de 2013  

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