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Todos os direitos em língua portuguesa reservados por © 2009, BV Films Editora Ltda e-mail: comercial@bvfilms.com.br Rua Visconde de Itaboraí, 311 – Centro – Niterói – RJ CEP: 24.030-090 – Tel.: 21-2127-2600 www.bvfilms.com.br / www.bvmusic.com.br É expressamente proibida a reprodução deste livro, no seu todo ou em parte, por quaisquer meios, sem o devido consentimento por escrito. Text copyright ©2006 Angus Buchan, Jan Greenough, Val Waldeck. First published in South Africa 1998. This edition published in English under the title Faith Like Potatoes by Lion Hudson plc, Oxford, England Copyright ©Lion Hudson plc (Monarch Books) 2006 Editor Responsável: BV Editora Ltda. Capa e editoração: Guil Tradução: Daiane Rosa Ribeiro de Oliveira Marcus Vinicius Cardoso Revisão: Marco Antonio Coelho

ISBN: 978-85-61411-20-6 Classificação: Cristianismo 1º edição – Dezembro/2009 Impressão: Imprensa da Fé

Impresso no Brasil


Índice 1. Fé como Batatas

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2. A Estrada para Shalom

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3. Um Novo Começo

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4. Plantando para Jesus

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5. Titia Angus

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6. Uma Grande Colheita

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7. Plantando no Pó

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8. A Provisão de Deus

93

9. Os Filhos de Shalom

107

10. Deus de Milagres

121

11. O Semeador

139

12. Seguindo Adiante

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Agradecimentos A Jan Greenough e Val Waldeck por me ajudarem a colocar esta hist贸ria no papel. Yvone Ashwell, por toda a digita莽茫o. Clive Thompson, pela fotografia. Tony Collins pelo encorajamento e palavras inspiradas por Deus. A todos aqueles que caminharam com Jill e eu, e fizeram esta hist贸ria ganhar vida!


1 Fé Como Batatas

“Que se dane o El Niño!”

Eu olhei a vasta multidão reunida no King’s Park Rugby Stadium e sabia que tinha a total atenção de todos ali presentes. “Não importam os avisos sobre a aridez, o medo e a preocupação! Nós não estamos dando ouvidos às mentiras do diabo. Nós estamos ouvindo as promessas de Deus!” As pessoas olhavam para mim impressionadas. Elas vieram para Durban em Setembro de 1997, para o Encontro pela Paz realizado pelo Ministério de Shalom, e eles conheciam o tempo como só um fazendeiro conhece: eles sabiam que aquilo poderia tanto ajudá-los quanto prejudicá-los. O fenômeno El Niño acontece de cada três a sete anos. Uma corrente quente nas águas do Oceano Pacífico desperta condições raras no tempo ao redor do mundo, causando chuvas torrenciais em alguns lugares e extensos períodos de seca em outros – o sul da África em particular. Naquele ano todos os sinais diziam que o El Niño seria o mais forte em cinquenta anos, e que a seca seria, de modo correspondente, pior. Os jornais, a TV e as rádios não falavam em outra coisa. Até mesmo a União Agrícola sucumbiu ao medo.

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O Fazendeiro de Deus

“Não plantem excessivamente,” eles advertiam. “Gaste o mínimo possível. Só plantem o que tenham certeza que vai crescer. Este será um ano de muita seca, então este é o ano de consolidar.” A multidão que estava na minha frente sabia daquilo. Eles sabiam que eu era um fazendeiro também, então, eles mal conseguiam acreditar que eu estava falando sério. “Este ano nós vamos plantar batatas! Nós vamos voltar e vamos plantar toda nossa terra – cada centímetro de solo – com cereais, grãos e batatas. Nós confiaremos em Deus em nossas adversidades!” Naquela noite, enquanto voltava para casa, pensei se estava sendo precipitado. “Eu e a minha boca grande”, pensei. “Se isso não for mesmo a vontade de Deus, eu estou com um problemão.” Se eu estivesse errado, aquilo significaria a perda de toda a minha fazenda. Eu orei fervorosamente: “Guia-me, Senhor. Eu preciso de Sua direção neste momento.” Sem dúvida, eu tinha a convicção em meu coração: eu tinha que plantar dez hectares de batatas. “Está certo, Senhor. Eu farei isso”, disse. “Plantarei dez hectares”. Eu estava determinado a acreditar em Deus a qualquer custo. Era tudo ou nada. Plantar batatas é muito caro, como todo fazendeiro sabe. Somado ao custo da semente da batata, tem um fertilizante extra. Quando se planta milho, coloca-se aproximadamente de 350 a 400 kg de fertilizante por hectare, mas batatas precisam de, pelo menos, uma tonelada. A programação do spray custa aproximadamente 6,000 Rand (mais ou menos R$ 1.500). Acrescente a isso a mão de obra e você vai começar a entender que plantar batatas é um grande investimento – não é exatamente o que se resolve plantar quando se está sendo cauteloso. Os meus vizinhos fazendeiros ficaram horrorizados. “Ouça Angus”, disse um deles. “Eu ouvi dizer que você está planejando plan-

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Fé como Batatas

tar batatas. Por favor, não faça isso... Será o seu fim. Eu vi muitas fazendas falirem. Você já está aqui há vinte anos e nós não queremos perder você. Por que você não tenta criar frangos ou alguma outra coisa?” “Eu tenho que plantar batatas”, eu respondi. “Tenho que fazer o que Deus me disse para fazer.” “Mas você nunca plantou batatas antes. Não tem experiência. Não tem irrigação. A maior seca de todos os tempos está a caminho. Não faça isso!” Eu não podia ser persuadido, embora já estivesse perto do fim da época de plantar, e eu soubesse que seria difícil encontrar a semente. Realmente planta-se batatas para colher batatas, e as que eventualmente encontramos não eram as melhores. As bolsas estavam tão podres que quando as pegamos as sementes caíram, e nós vimos que já começavam a crescer ervas, mas ainda assim, nós compramos todas que conseguimos encontrar e plantamos tudo. Seis caminhões de semente de batata foram plantadas naqueles dez hectares de terra. Nós plantamos o resto da fazenda também, com milho e grãos, mas eram as batatas que nos interessavam mais – elas representavam um grande investimento. Batatas precisam de muita água, porque elas são compostas 90% de água, e aquela seca era realmente uma provação da minha fé. Às vezes, começava a chover e nosso espírito se enchia de alegria – então, parava de chover, e tudo se tornava seco e empoeirado, e o diabo me acusava. “Você se meteu em um grande problema! Por onde o dinheiro vai entrar este ano?” Ele nunca perdia uma oportunidade de me insultar, e tivemos que caminhar pela fé a cada passo do caminho. Normalmente, em um ano de seca, os fazendeiros plantam com o mínimo de fertilizante, com o mínimo custo, com o mínimo

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O Fazendeiro de Deus

de tudo. E, é claro, eles têm um retorno mínimo também. Um de meus vizinhos plantou fava de soja, uma plantação de custo baixo que requer só um pouco de umidade, é uma boa aposta para um ano de seca. Mas ele não conseguiu lucrar muito: fava de soja também dá ao fazendeiro um retorno baixo. Faz total sentido. O Senhor diz: “Aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá com fartura” (2 Coríntios 9:6). Meus amigos Jeff, Peter e Dieter, cristãos e fazendeiros locais, sabiam muito sobre plantação de batatas, e eles vinham todos os dias até a nossa fazenda para ver a nossa plantação. Nós tratamos aquelas batatas como se fossem bebês! Nós as pulverizávamos, as mantínhamos limpas, nós demos a elas um tratamento que se dá a um Rolls-Royce. Todos olhavam maravilhados, mas nós estávamos confiando em Deus. Neste meio tempo, cristãos de toda parte do país já tinham ouvido falar sobre a minha plantação e estavam orando por ela. Eu me perguntei se eu deveria fazer alguns planos de contingência. Eu não tinha equipamento de irrigação então pedi a um fazendeiro local para me emprestar alguns canos para ligar ao meu poço, para que eu tivesse a chance de conseguir alguma reserva de água. Ele me deu doze sprays – nada suficiente para cobrir os dez hectares de terra. Eu voltei a confiar só em Deus, e Ele nunca nos deixa cair. Sempre que a terra parecia muito seca, eu conectava os canos e ligava os sprays – e a chuva caia, então eu tinha que desligar a água e pedir perdão a Deus! E aquilo aconteceu por muitas vezes: o Senhor tomou conta daquela plantação em cada segundo do processo. Aquela foi a primeira vez que eu plantei batatas, então eu não estava muito certo do que esperar. No entanto, quando começamos a colheita, os especialistas me disseram que ela era ótima. Eram as melhores batatas do país. De fato, elas eram praticamente as únicas 8


Fé como Batatas

do país, porque muitos dos fazendeiros temeram plantá-las. Havia um déficit geral, então, não tivemos problemas para vender nossas milagrosas batatas por um bom preço. Há um asilo perto da minha fazenda, e eu frequentemente vou lá fazer uma visita. E todas as vezes que eu fui visitar aquele lugar naquele ano, eles queriam saber como estava a plantação. Um dia, eu colhi umas batatas muito grandes, as lavei e as coloquei em uma sacola com alguns milhos. Quando eu acabei de pregar, eu as tirei da sacola e as coloquei em cima da mesa. “Isto é o que Jesus tem feito”, eu disse. “Esta é a maneira com que ele tem recompensado a nossa fé. Nosso Deus é o Deus do impossível, e o El Niño não tem um poder como o dele.” Muitos dos trabalhadores da nossa fazenda eram cristãos, e eles frequentemente tinham que lidar com a zombaria de seus amigos, por permanecerem firmes por Cristo. Agora eles têm uma resposta. “Onde está o El Niño que as pessoas espertas nos contam todos os dias pelo rádio?” Eles perguntavam. “Agora vocês podem ver com seus próprios olhos que nós servimos ao Deus vivo.” Aquelas batatas conquistaram a imaginação de cristãos de todo o país. Eu preguei para um grupo de pastores negros em Magaliesberg um dia, e eles disseram: “Toda vez que comermos uma batata de agora em diante, nós nos lembraremos disso: ‘Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que Ele existe e que recompensa aqueles que o buscam’” (Hebreus 11:6). Peter Marshall, grande pregador do evangelho, disse uma vez que nós precisamos de “fé como batatas” – a fé sincera, simples e real que vai nos sustentar no dia a dia de nossa vida. Sempre que pego uma batata eu me lembro daquelas palavras. É este o tipo de fé que eu quero. Quando temos fé e trabalhamos nela, Deus se revelará a nós, não importa quais sejam as circunstâncias. Deus é Rei!

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O Fazendeiro e Deus