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VAI HAVER UMA CAPA AQUI LOL OK


Takigawa Yoshino e Fuwa Mahiro, os protagonistas de Zetsuen no Tempest


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TEMPEST Shakespare, Beethoven e um par de rapazes a tentar salvar o mundo. Eis a nova obra do estúdio BONES.

U

m triângulo amoroso é terminado sob pressão e por conseguinte a lógica de todo o mundo é desfeita em meros segundos. Pretensioso? Certamente que sim, mas, ao mesmo tempo, Zetsuen no Tempest é também uma das séries mais originais dos últimos tempos, misturando peças clássicas de William Shakespeare, como Hamlet e The Tempest, a elementos de comédia romântica e acção. Produzida pelo Studio-D do estúdio BONES e realizada por Masahiro Ando (Hanasaku Iroha, Sword of the Stranger), Zetsuen no Tempest é uma adaptação do manga homónimo, autorado por Kyou Shirodaira. A adaptação para televisão ficou a cargo da escritora Mari Okada (Hanasaku Iroha, Aquarion EVOL), e conta com música de Michiru Oshima, velha conhecida dos fãs da BONES pelo seu trabalho em séries como Fullmetal Alchemist e Bounen no Xamdou. A história segue dois grupos que, por coincidência, acabam por ter seus destinos interligados. De um lado, a maga Kusaribe Hakaze, princesa do clã Kusaribe, que após ser injustamente exilada em uma ilha deserta, utiliza o restante da sua magia para mandar uma espécie de comunicador ao oceano,

numa garrafa. Do outro, Takigawa Yoshino e Fuwa Mahiro, dois jovens normais que têm a sua vida marcada por uma súbita tragédia – a morte de Fuwa Aika, irmã de Mahiro e namorada de Yoshino. Após abandonar a sua cidade em busca de vingança, Mahiro encontra o comunicador que Hakaze lançou ao mar, e firma um contrato com a mesma. Se ele a ajudar a derrotar os seus inimigos e a salvar o mundo, a maga terá de utilizar a sua magia para encontrar o autor do crime que tirou a vida de Aika. Reunidos novamente, Mahiro e Yoshino partem em busca de respostas sobre magia, o mundo, e, é claro, sobre si mesmos.

Ser ou não ser O que acontece quando se mistura obras de Shakespeare, como Hamlet e The Tempest, a uma história de fantasia em que o futuro do mundo está em risco por conta da magia e de duas entidades divinas em forma de árvores? Algo bastante louco, certamente. Agora imagine-se essa mistura, com uma (grande) pitada de comédia romântica pelo meio. Constantemente indecisa entre ser uma tragédia ou uma comédia, Zetsuen


Mahiro e Yoshino: ambos têm a sua vida transformada após a morte de Aika

no Tempest é uma série que dificilmente pode ser explicada com palavras. No seu íntimo, talvez seja possível simplesmente descrevê-la como a história de um triângulo amoroso e as consequências de certas acções tomadas pelos integrantes do mesmo. Contudo, em lugar do comum aborrecimento de uma escola e o cotidiano de pessoas normais, temos aqui uma mescla incrível entre o mundano e o fantástico, onde até mesmo o simples facto de uma personagem possuir um interesse

Contudo, a real magia da série está no facto de que, juntas, estas partes produzem algo simplesmente único.

romântico por outra pode vir a ser a causa da destruição completa da civilização. São estes detalhes que tornam o mundo de Zetsuen no Tempest tão absurdo. Analisando cada parte individualmente, é fácil perceber que o realizador Ando fez um excelente trabalho. A acção, grandiosa, é complementada de maneira soberba pela música orquestrada, assim

4

Tenko

como composições clássicas de Beethoven. O romance e a comédia simplesmente funcionam, em grande parte graças às contribuições dos animadores para que a actuação das personagens fosse notável. Maneirismos, movimentos dignos de gran-


des momentos teatrais, todos estes estão espalhados ao longo da série, e ajudam a criar um raro carisma em várias personagens. Contudo, a real magia da série está no facto de que, juntas, estas partes produzem algo simplesmente único.

É preciso bastante atenção, e até mesmo um certo desligamento com o nosso senso comum, de modo a melhor apreciar a grande obra que Zetsuen no Tempest é.

Este surrealismo, entretanto, não é para todos. Por se tratar de uma série que faz da própria falta de lógica um ponto importante da sua narrativa, os exageros e absurdos podem não agradar àqueles que não consigam mergulhar dentro das bizarras regras deste mundo. É preciso bastante atenção, e até mesmo algum certo desligamento com o nosso senso comum, de modo a melhor apreciar a grande obra que Zetsuen no Tempest é. Ao fim e ao cabo, pode-se classificar Zetsuen no Tempest como uma série ambiciosa, e que está completamente ciente das suas qualidades. Assim, explora ao máximo a sua insanidade e o seu exagero, de modo a, acima de tudo, entreter o espectador da melhor maneira possível. Para aqueles que gostaram, por exemplo, de Code Geass, têm aqui uma série que certamente deverá vos agradar.


bleedanaindamaior