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Neste Ano da Fé o Papa nos convida a descobrir nos SANTOS as testemunhas vivas da fé. A Família Salesiana é já uma família de santos e santas. Neste número do BS lembramos o 1º Sucessor de Dom Bosco, cuja festa celebramos no dia 29 de Outubro:

A história de ‘Miguelito’ ao lado de Dom Bosco começou quando ele tinha 9 anos. Miguel costumava ir ao Oratório de Valdocco com o seu irmão mais velho. Conhecia a Dom Bosco quando ele ia a celebrar a Eucaristia e a confessar na escola dos Irmãos de La Salle, onde ele estudava. Um dia, na rua encontraram-se. Dom Bosco agarrou-lhe a mão e fez com a sua o gesto de dividir a mão do menino em duas partes: ‘Tu e eu faremos tudo a meias’. Assim foi: partilharam a vida, a amizade, a missão, o carisma, a Congregação e, até, a santidade. Miguel Rua é o modelo do autêntico discípulo de Cristo e de Dom Bosco: a sua vida, o seu coração, o seu amor TUDO PARA JESUS, TUDO PARA DOM BOSCO, TUDO PARA OS JOVENS!

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boletim salesiano nº54


Setembro - Outubro 2013 ANO XIII - Nº 54 Queridos amigos e amigas do Boletim Salesiano: No 16 de Agosto passado, deu início o terceiro e último ano de preparação ao Bicentenário do nascimento de Dom Bosco. Este terceiro ano convida-nos a descobrir e viver a espiritualidade de Dom Bosco. Como Família Salesiana de Moçambique, encerramos o segundo ano de preparação, dedicado ao Sistema Preventivo, com um Congresso Nacional nos primeiros dias de Agosto. Estiveram presentes todas as obras e grupos salesianos de Moçambique. Na sua simplicidade foi profundo e importante este passo de Família Salesiana dado em favor dos jovens. Por isto, o BS quis dedicar especialmente este número de Setembro-Agosto a este Congresso e dar-lhe realce, para que possa continuar a estar vivo o seu espírito e ensinamentos no meio de nós. Os jovens o exigem! Os Sdb vivemos a alegria de termos mais um diácono a caminho do sacerdócio e mais dois jovens que realizaram a sua Profissão Perpétua. Dom Bosco continua a enraizar-se. As Fma tiveram a alegria de enviar mais uma jovem irmã para a missão «ad gentes» para nos lembrar este elemento missionário da nossa vocação. Nas próximas semanas a Visitadoria pensa em reavivar o seu site web, onde poderemos acompanhar mais de perto a vida salesiana em Moçambique. Mudanças que afectarão também ao BS. Continuemos a difundir o BS. É de todas e de todas! P. Rogelio Arenal sdb

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Apresentamos resumidamente a mensagem do Reitor Mor ao BS para o mês de Setembro, sobre o ‘Pequeno Tratado sobre o Sistema Preventivo’

Pus-me à mesa. Enfim, saíram nove pequenas páginas. Não era um trabalho científico; antes era um “esboço”, um condensado da minha experiência pedagógica, um canto de amor e de confiança nos jovens. Era a minha profissão de fé no valor da educação. Valores que trazia em meu coração há mais de trinta anos e que eram o específico do meu apostolado. O texto agradou porque falava a linguagem dos jovens. Procurava ser fiel a Deus (o primeiro sonho tornava-se realidade!) e aos jovens, sem recusar nada do que acreditava ser útil e válido. Sentia-me solidário com os jovens e com os olhos postos no futuro.

Ponto de partida e de referência certa era a razão. Dialogava com os jovens. Tomava conciência de seus anseios, prevenia necessidades. O jovem sempre em primeiro lugar. Escutava-o de boa vontade e com interesse sincero. Demonstrava-lhe confiança. Meu método educativo era o da verdadeira liberdade. Estava convencido de que só pode existir educação autêntica onde houver liberdade e respeito à pessoa.

simo. Oferecia a visão de um sadio humanismo integral no qual o jovem era compreendido em sua inteireza. Minha preocupação era formar consciências. Preparava os jovens para os desafios da vida. Motivava-os para o sentido do dever, do trabalho, de uma profissão honesta. Dava razões para viver com responsabilidade e alegria.

A religião era a segunda coluna do meu sistema educativo. Minha relação com Deus era a de um filho. Era um padre enamorado pela Eucaristia, pontual e paterno na escuta das confissões dos meus jovens e em infundir em seus corações a certeza do perdão e do abraço divino. Em meus contatos contínuos com eles procurava formar “bons cristãos e honestos cidadãos”. Não me cansava de indicar-lhes a santa Virgem como Imaculada e Auxiliadora. Religião era fazer de cada jovem “uma bela roupa para o Senhor”, como acontecera com Domingos Sávio. E assim o Sistema Preventivo se transfor-

mava na pedagogia da santidade juvenil.

Típica do meu modo de educar. Distintivo inconfundível da minha pedagogia. Nesta palavra, eu encerrava um estilo de amor que identificava o educador com os jovens a ponto de amar as mesmas coisas amadas por eles, a ponto de transformar a relação educativa em estilo de presença filial e fraterna, uma presença amiga e desejada, e o ambiente educativo numa “família”. Aí estava todo o amor que eu recebera de minha santa mãe, aí jorrava o espírito de família pelo qual as obras que surgiam eram chamadas de ‘casas’, aí se respirava o amor, a confiança, o respeito, o gosto de viver e trabalhar juntos, como o tinha absorvido em meu ambiente agrícola, e a cordialidade feita de simpatia, otimismo, calor humano. Um amor que transformava os educadores em “pais amorosos”. Com a graça de nosso Senhor e a assistência materna da Auxiliadora, triunfava a pedagogia do amor.

O Sistema Preventivo nada impunha; mas propunha muitís-

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Eis o resumo da mensagem do Reitor Mor ao BS para o mês de Outubro.

Certo dia quente e abafado, eu caminhava por Turim na companhia do fidelíssimo P. Rua e de outro salesiano, quando, de repente, meus olhos fixaram-se numa cena que me encheu o coração de profunda tristeza: um garotinho, talvez de 12 anos, estava tentando empurrar um carrinho cheio de tijolos pelas pedras irregulares da rua. Era um servente de pedreiro, franzino e pequeno, que, incapaz de mover o peso superior às suas forças, chorava de desespero. Afastei-me dos dois salesianos e corri até o pobre garoto, um dos muitos que, na Turim de então, que se enriquecia de tantos belos palácios, cresciam debaixo de patrões desumanos ao som de tabefes e imprecações. Impressionaram-me aquelas lágrimas que regavam o seu rosto. Aproximei-me, sorri para ele com um leve aceno de amizade e ajudei-o a empurrar aquele peso até o canteiro de obras. Todos se admiraram ao ver um padre chegar àquele local com sua veste negra; o garotinho, ao contrário, logo entendera que eu lhe queria realmente bem se me pusera ao seu lado para um gesto solidário de ajuda concreta. Gosto de recordar esse fato, um entre muitos, porque o considero como símbolo do meu grande amor pelos jovens. Amor não feito de palavras, amor que falava direto ao coração. Disso eu estava certo: o caminho que chega ao coração é aquele que convence mais e afasta qualquer resistência e possível dúvida.

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Uma noite memorável Recordo com emoção, como se fosse hoje, a noite de 26 de janeiro de 1854. Após as orações, eu tinha reunido em meu pobre quarto quatro jovens (entre 16 e 20 anos) que há tempo estavam comigo. Estava para lhes propor “uma prova de exercício prático da caridade para com o próximo”. A partir daquela noite chamaram-se “salesianos” pela primeira vez. E com o olhar fixo em S. Francisco de Sales, o campeão da bondade e da mansidão evangélica, começamos. Naquela noite, nascia no meu coração a congregação salesiana. “O exercício prático da caridade”, que propusera àquele pequeno grupo não ficou no ar. Era minha proposta para os jovens. Nunca fora indiferente diante de qualquer garoto; e, por isso, estudava os melhores modos de fazer-lhes o bem e aproximá -los sempre mais do Senhor. É preciso trabalhar na perspectiva do futuro. Eis porque o preparava para ser capaz de renúncias e sacrifícios a fim de chegar a ideais elevados e no-

bres; não me contentava simplesmente com a suficiência inconsistente, mas exigia o melhor de cada um. Também porque tinha uma confiança inabalável em suas potencialidades. Uma educação personalizada Embora trabalhasse com muitos jovens, a minha pedagogia nunca era de massa, anônima, genérica. Era sempre personalizada. Eu costumava usar um caderno especial: nele, anotava o perfil de cada garoto, a sua índole, as suas reações, alguma falta leve, mas daquelas que fazem o homem prudente ficar alerta, os progressos feitos no estudo e na conduta. Servia-me desse caderno para o acompanhamento pessoal de cada jovem. Eu definira o educador como “um indivíduo consagrado ao bem de seus alunos, pronto a enfrentar qualquer contrariedade, qualquer cansaço para obter o seu fim, que é a educação cívica, moral e científica de seus alunos”.

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(ANS – Roma) – Realizou-se, na Casa Geral dos Salesianos, a VII Assembleia Geral das Voluntárias de Dom Bosco (VDB), Instituto Secular Feminino pertencente à FS. O tema sobre que se confrontaram as perto de 100 VDB presentes à Assembleia – como representantes das 1300 Voluntárias difundidas pelos cinco Continentes – é a formação permanente das consagradas. “Mulher, Quem procuras?” (Jo 20,15) é o ‘slogan’ escolhido. A Assembleia, abriu-se na Eucaristia presidida pelo Reitor-Mor dos Salesianos, P. Pascual Chávez Villanueva, após a qual se seguiu uma sua palestra de introdução. Além da reflexão sobre o tema proposto, a Assembleia teve a tarefa de eleger a nova Responsável Maior e o seu Conselho. Foi reeleita a mesma responsável, polaca, Sra. Olga Krizova . A missão das Voluntárias de Dom Bosco é serem presença testemunhante em qualquer contexto. As Voluntárias não levam vida comunitária. Vivem os três votos de pobreza, castidade e obediência na família, no trabalho, no bairro, na política, no sindicato, nas paróquias, no voluntariado, em terras de missão, no mundo da cultura e da comunicação, usando as mesmas linguagens do mundo, mas com palavras novas. Por isso as VDB não se mostram como consagradas, mas vivem em natural reserva para trabalhar com melhor eficácia, sobretudo em ambientes especialmente difíceis.

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(ANS – Tívoli) – As Salesianas Oblatas do Sagrado Coração de Jesus, VIII Grupo da FS, reunidas em seu X Capítulo Geral, elegeram terça-feira passada, 16 de julho, a nova Superiora Geral: é a Ir. Graziella Maria Benghini, até agora Secretária Geral do Instituto. “Na esteira de Dom Cognata para dar um novo impulso ao carisma oblativo com Fé, Caridade e Espírito de Serviço”: este o lema que conduziu as Salesianas Oblatas do Sagrado Coração de Jesus (SOSC) durante os trabalhos do Capítulo. A Assembleia, que se realizou em Tívoli, na Casa Geral do Instituto, fora precedida por uma semana de exercícios espirituais e se abrira no dia 1° de julho último, à presença do Bispo Diocesano, Dom Mauro Parmeggiani. Durante os trabalhos as SOSC receberam também a visita do P. Pascual Chávez, Reitor-Mor, e do seu Vigário, P. Adriano Bregolin.

Roma, Itália - 14 de agosto de 2013 - Na véspera da Solenidade da Assunção de Maria, o Reitor-Mor, padre Pascual Chávez, acompanhado pelo seu Vigário, padre Adriano Bregolin, fez uma visita ao Conselho Geral das Irmãs da Caridade de Jesus, o 10° grupo da Família Salesiana. Nesta ocasião, o Reitor-Mor expressou seus bons votos às Capitulares que se reunirão em Beppu, Japão, de 26 setembro a 31 outubro, para o Capítulo geral extraordinário.

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No mês de julho pudemos viver com intensidade o desenrolar da Jornada Mundial da Juventude. O Papa viajou a Brasil. Encontrou-se com milhares de jovens. Agora fica a saudade, mas sobretudo, as suas palavras e gestos que se apresentam como um autêntico programa de pastoral juvenil para todos os jovens e para toda a Igreja. É tempo agora de aprofundar e pôr em prática!

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Intentando relacionar os valores culturais moçambicanos com o Sistema Preventivo, o BS dialogou com o Mestre Magaia, Mestre dos Retiros de Iniciação. A entrevista completa será apresentada neste número do BS e no próximo. Uma das tarefas indicadas pelo Reitor Mor é o de ajudar a inculturar o Sistema Preventivo. Os Retiros de Iniciação dão -nos algumas dicas!

Pode-se apresentar? Chamo-me Camaral Zulo Magaia. Nasci no dia 10 de Dezembro de 1932, em Marracuene. Sou ‘maronga’! Quantos anos leva realizando este bonito serviço dos RETIROS DE INICIAÇÃO? Em 1989 enquadrei-me como MADODA, conselheiro, desta equipa de iniciação. Em que consiste o Retiro de Iniciação? Melhor é explicar antes a origem dos Retiros de Iniciação: depois da nossa independência houve a orientação do partido que tirou a autoridade paterna na educação dos filhos. Então, os filhos começaram a não respeitar e não ouvir os seus pais. Os paroquianos da paróquia de N.S. do Amparo não estavam à vontade e, então, decidiram falar com o Padre Odilo, que era o pároco: «Senhor Padre, nós estamos muito mal com os nossos filhos e filhas. Já não nos ouvem. Já não nos obedecem. O Sr. Padre, pode-nos ajudar?» De facto, o P. Odilo conversou com o Padre Ezequiel sobre o que deviam fazer. Decidiram fazer algo, pois viram que a

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educação moral estava completamente a desaparecer. Os Padres Ezequiel e Odilo determinaram: vamos fazer Retiros de Iniciação. Isto, em 1988. Começou com um grupo de raparigas, num regime externo. As miúdas vinham de manhã, eram trazidas pelos pais. e pela noite regressavam às suas casas. A verdade é que, após de estar uma semana aqui, os pais notaram uma mudança nas suas filhas. A partir de aí, avançaram os Retiros de Iniciação. No segundo grupo meteram também rapazes. Assim até chegar ao meu tempo. Qual era a sua responsabilidade? Eu iniciei como Madoda, que é um conselheiro. Temos as Massungukates, que é uma conselheira. Depois é que passei para Mestre. O primeiro Mestre dos Retiros de Iniciação foi o Padre Ezequiel e o P. Odilo foi o formador. Este ultimo teve de sair para Beira em 1994.Mas tiveram esta preocupação: Eles, valorizando os Retiros de Iniciação e segundo aquilo que os paro-

quianos e povos diziam em geral, que era muito bom, acharam que era necessário encontrar alguém para dar continuidade a este trabalho e não abandoná-lo de qualquer maneira. Eu não era eu o único Madoda. Ninguém me chamou a atenção de que eu seria Mestre. No ano 1994, no encerramento dum retiro, exactamente aqui no Amparo, chamaram-me no meio do altar e me investiram como Mestre dos Retiros de Iniciação. Parece que eu estava a ouvir mal, pois não cabia no meu coração. Eu não tenho nada para dar. Como vou ser Mestre dos Retiros de Iniciação. Mas o padre disse: Deus é que sabe. Você é que vai ser o Mestre. Chorei como uma criança. O peso daquela responsabilidade, reconhecendo as minhas limitações, sinceramente, o que é que vou fazer aqui? Então, foi a partir deste ano, 1994, que passei a ser o Mestre dos Retiros de Iniciação, para dar continuidade a este trabalho importante para às famílias. Eu não sei se fiz bem ou fiz mal, o povo é que sabe. Mas, a verdade, é que alguma coisa consegui fazer.

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Algumas características do Mestre dos Retiros de Iniciação Nos Retiros de Iniciação não existem os nomes das pessoas: só Mestre, não se diz Mestre Magaia, nem Padre Odilo, nem Padre Ezequiel, só se diz, Formador, Madoda, Massungukate, Mestre. É em português, porque é a língua oficial, e não traduzimos à língua local. Se chama pelo serviço que a pessoa faz. Segundo na nossa cultura, o rito de iniciação é tribal. Mas o Retiro de Iniciação na Igreja não é tribal. Porque se fosse tribal, só poderíamos ensinar aqui os usos e costumes do marongas. Mas já não é assim. Nós pegamos naquilo que é positivo para uma sociedade e a família, e ensinamos aos rapazes e às meninas. Daí que utilizemos só o português. Os Retiros de Iniciação são diferentes dos retiros que fazemos na nossa Igreja Católica. Enquanto que um retiro da nossa paróquia, um catequista, um sacerdote, uma freira pode dar um retiro com 3, 30 ou 40 pessoas. Os Retiros de Iniciação já não podem ser assim. Porque é uma coordenação, é uma experiência adquirida não na faculdade, mas na experiência da vida de cada um, daquilo que cada um aprendeu dos seus pais, dos seus avós e

daquilo que aumentou na caminhada dos Retiros de Iniciação. Daí que enquadra todas as idades. Os jovens que foram iniciados há muito tempo também têm uma tarefa importante. Daí aparecem os padrinhos e as madrinhas. Tem também Madrinha Mor e Padrinho Mor, que é a chefe das madrinhas e o chefe dos padrinhos.

vamos aos valores morais dos nossos antepassados. Eles são enquadrados na Sagrada Escritura. Durante o nosso trabalho utilizamos aquilo que os nossos antepassados tinham de bom e que a Igreja aceita como papel positivo. Temos muitas leituras da Sagrada Escritura que acompanham as nossas actividades no terreno.

Nestes Retiros de Iniciação temos elementos tradicionais da cultura e elementos cristãos?

(A segunda parte da entrevista continuará no próximo número do BS nº 55, NovembroDezembro)

O segredo do Retiros de Iniciação: temos como base a Sagrada Escritura. Depois

Para este ano, já temos um próximo Retiro de Iniciação no Amparo (Matola): - Para os adolescentes será do 17 a 22 de Dezembro de 2013. - Para os jovens e adultos será do 7 ao 12 de Janeiro de 2014. A contribuição é de 1.000,00 meticais. Para fazer a inscrição é falar com o Mestre Domingos (84 422 10 43) ou com o Mestre Magaia (82 608 14 41).

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COMUNICAR é a palavra chave que fundamenta toda Comunicação Social. Na tradição salesiana, existe uma forma de COMUNICAR, influenciada pelas características do Sistema Preventivo de Dom Bosco. Colocamos neste artigo algumas destas qualidades da comunicação salesiana. Servimo-nos do trabalho realizado pelo salesiano José Luis Calvo (‘Manual de comunicación para ambientes salesiano’, de , Ed. CCS, Madrid 2010).

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D. João Carlos Nuno, Bispo Auxiliar de Maputo, esteve presente na inauguração do Congresso do Sistema Preventivo. Transcrevemos alguns dos seus pensamentos proferidos na homilia da Eucaristia. Sinto-me muito feliz por estar hoje convosco e poder partir convosco o pão da Palavra de Deus e da Eucaristia, neste acto que marca o inicio deste Congresso Nacional do Sistema Preventivo e que se enquadra no segundo ano de preparação para o bicentenário do nascimento de Dom Bosco. Certamente que se trata de um momento de singular importância para toda a Família de Dom Boco e não só, mesmo para a própria Igreja em geral.

Por isso, quero em meu nome, em nome do Sr. Arcebispo de Maputo D. Francisco Chimoio e em nome da Arquidiocese de Maputo darvos as boas vindas e endereçarvos as mais calurosas saudações. Que este Congresso seja frutuoso.

e agradeço também, aos vários Salesianos, às Filhas de Maria Auxiliadora, aos vários Cooperadores Salesianos e aos inúmeros Associados de Maria Auxiliadora que se encontram a trabalhar ou a residir nesta Igreja de Moçambique, pelo seu testemunho corajoso e gerador de santidade e de amor que representam para nossa Igreja, bem como do fiel e grandioso serviço que prestam à juventude desta Igreja e deste pais. Que o Senhor cumule a todos(as) e a cada um com aquelas graças e bênçãos de que necessita para continuar alegres, fiéis e constantes, nesse maravilhoso caminho...

(Após o comentário das leituras da liturgia do dia): Por último, quero confiar este nosso encontro à protecção materna de Nossa Senhora Auxiliadora, que nesta família é invocada e lembrada. Que Ela interceda por nós junto de seu amado Filho e nosso Senhor Jesus Cristo, para que continuemos a nossa Missão junto dos jovens. Assim seja. + João Carlos Bispo Auxiliar de Maputo

Através de cada um de vós, saúdo

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membros de vários grupos da Família Salesiana. Foi o primeiro acontecimento deste género.

No dia 1 de Agosto, no Centro Dom Bosco, das Filhas Maria Auxiliadora, no Bairro de Infulene, em Maputo, começamos a chegar de várias partes de Moçambique para participar no 1º Congresso Nacional Salesiano sobre o Sistema Preventivo (SP), e, assim, celebrarmos com toda a Família Salesiana do mundo o final do segundo ano de preparação para o Bicentenário do nascimento de D. Bosco em 2015.

Presentes, Sdb e Fma, assim como professores, monitores e animadores juvenis de todas as Casas Salesianas de Moçambique. Igualmente, participaram

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Iniciou o Congresso com a celebração Eucarística presidida pelo Bispo auxiliar de Maputo, D. João Carlos Nunes, que aproveitou para agradecer a labor que realiza a FS em Moçambique pelos jovens e pela Igreja.

Ao terminar a celebração, a Inspectora FMA, Ir. Paula Cristina Langa, deu as boas vindas oficiais a todos os grupos.

Seguidamente, o P. Américo, Inspector dos Sdb, dirigiu um pequeno discurso onde enquadrou a razão de ser do Congresso e declarou aberto o Congresso.

Ao terminar o intervalo, o orientador do Congresso, P José Angel Rajoy, apresentou o primeiro orador na pessoa do P. Manuel Leal que falou sobre os 'Elementos históricos do Sistema Preventivo'. O tema foi dividido em três partes: O contexto históricopolítico entre 1815-1870; D. Bosco e o SP; Documentos sobre o SP.

A primeira manhã terminou dividindo-se a assembleia em grupos já organizados pela Comissão do Congresso. A finalidade dos grupos era reflectir sobre o tema aplicando -o ao nosso contexto.

De tarde, a Ir. Luisa Macamo, Fma, apresentou o tema ‘Os

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principios orientadores do Sistema Preventivo', explicando mais detalhadamente a tríade 'razão, religião e amorevolezza', e utilizando terminologias actualizadas e destacando as atitudes que devem marcar o nosso ser de educadores.

Seguiu-se uma partilha de experiências salesianas apresentadas por vários Sdb e Fma, onde ouvimos os desafios, as realidades e dificuldades de obras concretas na hora de viver o SP.

Terminou a jornada com um novo trabalho de grupos, mas desta vez reunidos por zonas geográficas, onde várias perguntas nos ajudaram a partilhar a experiência real que se vive localmente e que muito ajudou os diversos educadores para o enriquecimento mútuo nesta bonita missão de ser educadores ao estilo de D. Bosco.

Terminou o encontro com um momento de oração iluminado pelas palavras dos Salmos e de Dom Bosco.

No dia 2 Agosto realizou-se o segundo dia do Congresso sobre o Sistema Preventivo (SP). Presentes 174 participantes provenientes de todas as casas salesianas de Fma e Sdb. Membros de todas as idades e com diferentes trabalhos e responsabilidades formando

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uma comunidade educativa sob a luz do Carisma Salesiano. Após a oração inicial, tivemos a primeira palestra realizada pelo senhor Manuel Rego, Director Nacional de Planificação e Desenvolvimento do Ministério de Educação, e que nos apresentou o ‘Sistema Educativo em Moçambique: realidade e desafios’. Foi uma palestra interessante pois nos colocou em sintonia com o novo sistema educativo para o período 2012-2016. Ao final da palestra alguns participantes apresentaram as suas perguntas ao orador, que também recebeu da parte dos dois Provinciais, Fma e Sdb, uma bonita estátua de Dom Bosco de lembrança.

Seguiram-se as Mesas Redondas em grupos para aprofundar o tema e aplicá-lo à nossa realidade.

De tarde, o salesiano espanhol, P. Ángel Miranda, grande colaborador com a Visitadoria Salesiana durante muitos anos, apresentou o tema: ‘Dificuldades e desafios da aplicação do Sistema Preventivo’. Desafiou-nos a entrar na nova dinâmica na realidade escolar face aos novos desafios da mentalidade da sociedade e dos próprios jovens.

Seguiu-se uma nova apresentação de experiências das obras salesianas. Desta vez foram a Escola Profissional Dom Bosco de Matundo (Tete), as presenças das Filhas de Maria Auxiliadora em Chiúre (Cabo Delgado) e Inharrime (Inhambane).

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Após o momento do intervalo, houve uma nova sessão de trabalho em grupos para responder às perguntas que nos deixou o P. Angel Miranda.

Às 17,30, todos aqueles que puderam e quiseram participaram na Eucaristia neste dia de hoje, em que celebrávamos o salesiano Beato Augusto Czartorisky.

No dia 3 de Agosto iniciou o ultimo dia do Congresso sobre o Sistema Preventivo.

Após a oração inicial, o moderador do Congresso, P. José Angel, convidou-nos a fazer um trabalho em grupos, reunidos por zonas de origem, para sintetizar todo o material recebido e ouvido para que possamos traçar as linhas de acção e continuidade para o futuro nas nossas realidades concretas.

Os participantes foram convidados, igualmente, a realizar a própria auto-avaliação do Congresso que possa ajudar à realização de futuros congressos.

Realizou-se depois a Eucaristia final de agradecimento presidida pelo Inspector, P. Américo Chaquisse, concelebrada por todos os sacerdotes presentes, onde o sonho dos 9 anos de Dom Bosco nos fez ‘sonhar salesiana e moçambicanamente’.

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A seguir, foi o momento solene da entrega do diploma de participação. Os dois Provinciais, Sdb e Fma, alternaram-se na entrega dos diplomas e duma medalha de Dom Bosco.

As palavras de agradecimento pelo Congresso realizadas pela Inspectora Ir. Paula Langa e as palavras para o futuro ditas pelo Provincial P. Américo encerraram este 1º Congresso.

da Família Salesiana e dos jovens em Moçambique.

Seguiu-se o almoço e as despedidas, levando cada um na sua bagagem, sonhos educativos e salesianos para enriquecer a sua pessoa e o seu trabalho educativo-pastoral. *********

Das presenças FMA: Um grupo de jovens da obra de Inharrime fechou juvenilmente e com alegria este acontecimento singular e de importância histórica para a presença

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135 participantes Das presenças SDB: 82 participantes

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O BS interrogou ao P. José Angel Rajoy, Coordenador do Congresso, sobre as suas impressões:

Primeiro, satisfação e alegria porque se conseguiu fazer este Congresso, apesar das muitas ocupações e do tempo. É difícil trabalhar com muitas coisas ao mesmo tempo. Se conseguiu. Há um ambiente agradável. Os temas são de interesse e os grupos estão trabalhando também com o desejo de implementar e de viver o Sistema Preventivo. Podemos estar contentes. A metodologia do Congresso foi respeitada, pois era isso o

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que queríamos: que houvesse alguma conferência, algumas experiências daquilo que fazemos, e logo o trabalho em grupos que era para interiorizar o que se falava nas conferências e para logo ver como se vai aplicar o que se falou. Era sensibilizar às pessoas sobre este Sistema para que eles busquem a maneira de o implementar. Nós, há 20 anos começamos a semear isto em Moamba, São Jose... Se tu vês agora nenhum dos professores que estavam connosco ao inicio estão aqui agora, mas o que foi semeado por diversos salesianos/as ao longo deste anos, nas diversas obras, começa a dar fruto e começa a sentir-se como um grande rio

que aumenta cada vez mais o seu caudal. E isto é importante. Está sendo interessante o esforço de FS, Sdb e Fma. Há que começar a envolver mais aos jovens. Vejo com satisfação que muitos salesianos cooperadores estão presentes, haverá que envolvê-los muito mais. Um sonho para o futuro: que consigamos reflectir e publicar, mais sistematicamente aquilo que fazemos, de tal maneira que a experiência que estamos vivendo possa ser dada a conhecer fora e que os nossos antigos alunos, alguns deles são professores, comecem a aplicar o SP em obras que não são nossas.

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A Ir. Paula Langa, Provincial das Filhas de Maria Auxiliadora também ofereceu aos leitores do BS as suas impressões:

participantes são leigos, adultos e jovens. Como considera que eles têm vivido esta experiência, por aquilo que tem falado, visto e ouvido?

Para mim foi uma experiência marcante, um mergulho em carisma salesiano vivido aqui em Moçambique. Foi uma experiência muito bonita, primeira, como Família Salesiana, que fazemos aqui em Moçambique, mas ao mesmo tempo, que nos oferece amplos horizontes, porque vamos percebendo que se vai consolidando a experiência, o carisma em Moçambique.

- Eu vi que o viveram com muita esperança. As expectativas eram altas, porque foram preparando-se nas próprias realidades, como escolas, internatos, oratórios. Vinham já preparados para viver três dias de experiência salesiana, de aprofundamento do sistema preventivo. O que vi é que tomaram a sério o trabalho, porque nos momentos de grupo, de reflexão, via-se o protagonismo destes leigos comprometidos, destes jovens, na maneira como reflectiam, davam as suas propostas, dentro daquilo que é a realidade concreta onde vivem, dia a dia, a experiência salesiana, a experiência do sistema preventivo. Foi um momento, em que também, sentiram-se co-responsáveis na dinâmica, no caminho do aprofundamento do sistema preventivo.

E o facto de também termos tido a presença das comunidades educativas dos nossos ambientes educativos foi significativo, porque é um sinal de que o carisma vai entrando nas nossas realidades e inculturando-se também, porque isto percebe-se também naquelas pinceladas típicas moçambicanas que se vão percebendo na vivência do carisma, na vivência do sistema preventivo. BS: Praticamente, o 80% dos

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BS: O futuro deste Congresso?

- Tem futuro. Porque quando se pensa juntos, quando se projecta juntos, o caminho é aberto. A grandeza deste Congresso foi o facto de ter sido assumido como Família Salesiana, duma maneira particular, os Salesianos de Dom Bosco e as Filhas de Maria Auxiliadora que sentaram-se, reflectiram, projectaram e pensaram em conjunto, envolvendo logicamente os outros grupos da Família Salesiana. Isto nos oferece um futuro, uma esperança. Porque não é a iniciativa duma pessoa, mas é a Família Salesiana que vai sentindo que, para podermos ir à frente, para podermos ter esperança, para podermos ser significativos nesta realidade, é necessário colaborarmos, é necessário trabalharmos como Família. O facto de termos sentado e elaborado a proposta como Família Salesiana, isso da garantia de continuidade, garantia de futuro, e também com perspectiva de, no próximo Congresso, mesmo na equipa de trabalho, estarem envolvidos os leigos comprometidos.

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A Ir. Carolina, directora do colégio Maria Auxiliadora de Namaacha e membro da Comissão organizadora do Congresso, deixou também aos leitores do BS o seu pensamento sobre o Congresso:

Para mim, o Congresso é positivo, desde a sua preparação, participação, a seriedade do trabalho das várias comunidades educativas dos nossos ambientes, tanto das FMA como dos SDB. Realmente sinto que estamos a dar os passos, poucos, mas significativos. É nesta linha que se deve trabalhar, no trabalho em conjunto. Hoje, ninguém trabalha sozinhos. Unindo as forças mais uma vez. Quem sabe se nos servirá o Congresso para

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realizar este trabalho em conjunto, principalmente na formação dos nossos educadores e colaboradores. BS: Desde a parte organizativa, conseguiu-se o programado? Acho que atingimos aquilo que nós esperávamos. Até agora, tem alguma coisa a melhorar, é o primeiro encontro assim grande, um Congresso de três dias. Há algumas coisas que só, quem estava dentro, sabe que alguma coisa falhou. Mas o que tínhamos projectado está -se a cumprir na íntegra.

local sobre o Sistema Preventivo. Os que estiveram aqui, sim receberam a mensagem. BS: Qual é o sonho para o futuro? Para mim, realizarmos mais um Congresso. Não será anualmente! Precisamos de tempo para nos encontrar a equipa organizativa, avaliarmos, já propor alguma coisa para o segundo Congresso.

BS: Se conseguiu transmitir aos leigos presentes o objetivo pretendido com o Congresso?

No 2015 será obrigatório realizar um Congresso. Tem que ser mesmo! Temos que fazer um esforço para que seja uma realidade. Mas, se começamos a pensar desde já, podemos conseguir isso: projectar, fazer alguma coisa localmente cada ano.

Claro, mas isso também requer um trabalho que se faz a nível

É possível fazermos uma coisa assim!

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O BS quis ouvir as opiniões doutros participantes no Congresso: Catarina da Conceição, professora do Centro de Formação Profissional Dom Bosco, do Bom Pastor do Jardim (Maputo):

- Foi muito bom, proveitoso, uma coisa muito interessante que vai-nos a ajudar a viver este Sistema nas nossas Escolas. Gostei da maneira como devemos de lidar com os jovens, a nossa presença no meio deles, é muito importante. Às vezes ficam sozinhos e conversam duma maneira...e não tem ninguém para intervir e, então, a presença nossa, como educadora, é muito importante. Glória Vaz, adjunta pedagógica da Escola Primaria Completa Dom Bosco, de Cachoeira (Moatize-Tete):

- Para mim o Sistema Preventivo é bem-vindo para incentivar as crianças e os colegas que não estão aqui. Gostei muito destas Jornadas porque me vai ajudar a mim para a educação dos jovens e das crianças. Como Cooperadora, ajudou-me muito e vai-me ajudar para o crescimento. Jovem Mateus Manuel, de Chiúre, que representa os jovens animadores do Oratório de Chiúre (Cabo Delgado):

- Estou a gostar muito. Gostei muito de ouvir falar da ‘amorevolezza’, porque é uma parte importante para nós animadores do Oratório: devemos sair, amar as crianças, os oratorianos, mostrar o carinho para elas. Peter Sebastião, animador

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do Oratório e formador dos adolescentes das FMA de Pemba :

- Gostei dos temas mais focantes, pois são importantes para a formação humana. Sou animador e preciso disto para me enriquecer e ajudar assim mais aos meus irmãos. O Sistema Preventivo é muito útil para todos os jovens. Antonio Novela, Monitor de carpintaria do Centro de Formação Profissional de Matola:

- Achei interessante estas Jornadas sobre o SP. São umas jornadas valiosas, válidas e que creio que vão ser frutíferas. Uma sugestão seria de convidar à comunidade salesiana a procurar mecanismos para reter as pessoas que estamos a participar nestas jornadas que são valiosas. Espero que sejam frutíferas. Se perdemos amanhã, as pessoas que estão a participar hoje... O que me atrai e sempre me atraiu, é a maneira de como deve ser implantado o Sistema Preventivo nos diferentes ambientes, com as diferentes pessoas e como fazer conhecer a estas pessoas os pilares deste sistema: o amor, a razão e a religião. António da Costa, do colégio Maria Auxiliadora de Namaacha e Professor de educação visual

A perspectiva está a ser positiva. Estamos a colher boas experiências. O SP é uma ferramenta útil porque ajuda o próprio aluno ao desenvolvimento, em todos os sentidos, tanto no físico, como no intelectual e espiritual.

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Terminamos este dossiê especial sobre o Congresso, com as palavras entre sacadas do discurso de conclusão proferidas pelo Inspector Salesiano, Padre Américo R. Chaquisse.

Caríssimos irmãos e irmãs, membros da Família Salesiana, queridos jovens, caros congressistas: Concluímos, hoje, a etapa dum percurso. Colhemos um fruto que leva consigo muitas sementes de vida e de esperança. São estímulos que devem ajudar-nos a avançar com optimismo e alegria na participação no projecto da educação integral da criança e do jovem de Moçambique. Depois deste Congresso a nossa postura e empenho no projecto educativo devem ser galvanizados nos ambientes onde atuaremos. Devemos ser multiplicadores capazes de envolver mais pessoas na prática e vivência do Sistema Preventivo.

Nestes três dias realizamos uma longa viagem na história e no tempo colhendo os elementos do passado para com o olhar no presente e no futuro, traduzirmos os elementos do Sistema Preventivo para cada um de nós e assim revitalizar o nosso modo de actuar salesianamente no meio dos jovens e nos diversos ambientes educativos. Deste modo, o tema do Congreso, Sistema Preventivo: Dom Bosco ontem, nós hoje, norteará o nosso empenho e vontade de sermos Dom Bosco hoje, para os jovens de hoje. É o que devemos ser e praticar, com entusiasmo renovado nos nossos ambientes e na nossa acção educativa para e com os jovens.

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Percorrendo as conferências feitas apercebemo-nos que os tempos mudaram. Até se falou de novos paradigmas, da necessidade de romper com um certo modo de vr a realidade no passado. Também vimos uma continuidade. É sempre um problema educativo continuo em busca da melhor maneira de estar com o aluno, para ajudá-lo a crescer, a ser protagonista da própria vida. Não tenhamos medo de começar e continuar a agir à maneira salesiana. Devemos criar uma nova mentalidade. A escola não se faz duma só maneira. O modelo educativo que nos é proposto e somos chamados a pôr em prática é muito bom, devemos divulgá-lo e praticá-lo nos diferentes lugares.

Devemos continuar na busca de ter o coração e a mente de Dom Bosco sempre ‘visionário’, procurando constantemente o bem dos jovens, oferecendo muitas propostas educativas para fazer crescer no coração de cada um deles o sentido da esperança, otimismo, alegria, trabalho, capacidade de comprometer-se com o bem e abrirse aos valores da vida e abrirse à transcendência. Assim seremos educadores com valores capazes de investir a nossa vida trabalhando com e para os jovens. Para isso é importante a capacidade de amar o que os jovens amam, respeitá-los e fazer-se amar por eles.

viva que acabamos de acender para todo o país. Com o Congresso tomamos consciência da vastidão que é este movimento salesiano aqui em Moçambique no âmbito da educação. Somos uma Família que de vários modos contribuímos com o nosso saber, modo de agir para a educação das novas gerações. Cultivemos mais a interação entre as nossas presenças. Moçambique está inculturando o carisma salesiano. É um empenho, um compromisso de cada um de não desperdiçarmos o tesouro educativo que nos é confiado. Contribuamos ao sistema educativo moçambicano sem receio de apresentar a nossa proposta educativa para que ela passe a ser um património do sistema educativo de Moçambique e da nossa cultura. Levemos a alegria e a esperança que a verdadeira educação suscita em cada um de nós. Muito obrigado. Assim, declaro encerrados os trabalhos deste Congresso.

Não deixemos apagar a chama

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Mais um ano, o nº 21, concluiu a edição do Voluntariado salesiano de Espanha que, capitaneado em todos esses anos pelo P. Angel Miranda, tem ajudado à nossa Visitadoria no campo educativo e técnico profissional. Este ano o grupo, além do P. Angel, estava integrado por 4 salesianos coadjutores, 1 salesiano cooperador. Vários deles já repetem doutros anos. Também participaram dois casais, trabalhadores duma empresa que colabora com a ONG salesiana ‘Jóvenes y desarrollo’. O grande trabalho salesiano, técnico e pedagógico, foi concentrado este ano no trabalho directo com os alunos do Instituto Superior Dom Bosco: jovens que estão a se preparar para ser professores no mundo da educação profissional, nas áreas de electricidade e mecânica geral. Aplicando a metodologia de ‘aprender fazendo’, os salesianos levaram os próprios jovens a aprenderem novas técnicas, a melhorar as conhecidas e a realizar trabalhos que vão melhorar os seus locais de estudo e trabalho nas oficinas do Instituto. De facto, colocaram tornos e fresadoras, vindas de Moamba. Arranjaram as máquinas e ficaram prontas para trabalhar. Os electricistas apetrecharam as oficinas com a sua especialidade e os soldadores equiparam a oficina dos electricistas com o seu trabalho: mesas, estantes, escritório do professor. No dia 19 de Agosto, foi o momento de fazer resumo de todo o trabalho e no ambiente via-se a amizade criada entre os salesianos e os jovens, fruto do ensino recebido. A alegria foi a melhor maneira de lhes agradecer este serviço. Alguns alunos apresentaram os trabalhos realizados. O P. Angel Miranda apresentou a história fotográfica deste curso e o Director Geral do ISDB, P. José Angel Rajoy encerrou o curso. Os voluntários salesianos entregaram os diplomas aos seus jovens alunos e alunas. Khanimambo! Que Dom Bosco vos abençoe!

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A Escola Profissional São Domingos Sávio de Inharrime, organizou para os seus alunos um dia de deserto onde, fora da escola, tiveram momentos para a reflexão pessoal e de grupo

A obra salesiana das Filhas de Maria Auxiliadora no Chiúre (Cabo Delgado) celebrou com alegria a festa do nosso Pai Dom Bosco

No ultimo fim de semana de Agosto, realizou-se na Escola Profissional Dom Bosco de Matundo, o 1º Fórum Juvenil dos jovens das presenças salesianas da Província de Tete.

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Deu inicio mais uma nova fase do projecto de desenvolvimento rural na Missão de Moatize financiado pela ONG salesiana da Áustria

No Centro Salesiano de Formação Profissional de Matola, deram inicio os cursos do segundo semestre de electricidade e soldadura. Na fotografia, os alunos do turno da manhã

No Centro Juvenil de Namaacha, realizou-se um encontro de formação para a preparação dos novos animadores do Centro

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A relíquia de Dom Bosco continua a sua peregrinação no mundo, preparando os nossos corações para o início do Bicentenário aos 14 de Agosto de 2014. Na foto no Lìbano.

A Comissão para a PJ, da Conferência das Inspetorias e das Visitadorias da ÁfricaMadagascar (CIVAM), reuniu-se, de 14 a 17 de Setembro, em Adis-Abeba, Etiópia, para a sua reunião anual. O encontro revestiu caráter especial, porque é a última do sexênio. Serviu por isso para avaliar os progressos na PJ, em todas as Inspetorias e Visitadorias da Região no período 2008-2014.

O 16 de Agosto, o Reitor Mor deu início no Colle Dom Bosco, lugar do nascimento do nosso Fundador, o 3º ano de preparação ao Bicentenário. Presentes no acontecimento, os jovens participantes do Fórum do MJS de Itália

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Um numeroso grupo de jovens alemães prepararam-se durante um tempo na Procura missionária salesiana de Alemanha, para depois irem realizar o seu voluntariado em várias partes do mundo

No ‘Don Bosco College’ , de Kurla (India), os alunos da escola, participaram nos cursos de panificadores que ofereceu a associação alemã “German Baker Association”

De 6 a 8 de setembro, mais de 600 adolescentes e jovens, procedentes de várias obras salesianas da Inspetoria do México-Guadalajara, deram mais um passo na preparação ao Bicentenário de nascimento de Dom Bosco, participando no ‘CampoBosco 2013’

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No dia 08 de Setembro de 2013, sob a presidência de Ir. Paula Cristina Langa, provincial, demos início ao Capitulo Provincial, 26 irmãs e 9 leigos. Estiveram também connosco durante amanhã, o Sr. Pe. Américo Chaquisse, superior dos SDB, que presidiu a Eucaristia de abertura, a Ir. Ester Lucas, Superiora provincial das Filhas da Caridade de S. Vincente de Paulo, Ir. Rozalia Jadwiga, Superiora das irmãs Servas do Espirito Santo, que nos iluminaram desenvolvendo o tema sobre: “A evangelização no contexto moçambicano à luz da orientação do sínodo da evangelização e dos documentos dos bispos em Moçambique” e “Consciência profética da vida consagrada nas situações de fronteira em Moçambique”, respectivamente. Todos tomamos este momento capitular como oportunidade para crescermos e para verificarmos o nosso modo de viver o carisma a fim de tornarmos mais legível a identidade de FMA, assim como a necessidade de construir a nossa casa sobre a Rocha firme e voltar as origens carismáticas.

A Primeira Dama de Moçambique visitando a Escola Fma de Chiúre

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Sobe o olhar de Maria Auxiliadora, Mãe e mestra do nosso Instituto deu-se inicio aos trabalhos planificados, com confiança, e firme desejo de retomar juntas caminhos audazes perante os desafios da sociedade de hoje para o bem dos jovens.

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Como é tradição desde Dom Bosco, cada ano, a Basílica de Maria Auxiliadora acolherá a expedição missionária onde Sdb, Fma e leigos da FS receberão a cruz e o mandato missionário (Domingo 29 de Setembro). O Reitor Mor fortalece a nossa Visitadoria de Maria Auxiliadora de Moçambique com 4 novos missionários. Agradecemos a sua generosidade. Desde já, dizemos a eles: Bem-vindos!

Joseph

P. Anton

Van Xuan Tran

Grm

Do Vietname

Da Slovénia

Vicent Tien Nam Nguyen

P. Jorge Bento

Do Vietname

De Portugal

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de Albânia, de Roménia, que caem na prostituição. Europa, sim, hoje é terra de missão. E como é uma emergência, donde o Instituto está agora a nascer , onde tem energias novas, precisa ir sustentar as origens do carisma. É justo que as primeiras Inspectorias, onde as energias físicas estão a diminuir, então precisa que onde o Instituto nasce vai dar a força nova, uma nova mentalidade, mudar os prejuízos que dizem que Europa não é terra de missão, que diz que Europa não precisa. Mas é necessário, porque é ali onde todas as línguas, cores, nações estão todas cheias na Europa. Ir. Julieta, quantos anos de ‘missionária ad gentes’ na Europa? Este vai ser o 7º ano da bela experiência missionária na Europa, nas raízes do Instituto, ali onde Dom Bosco começou a trabalhar com os meninos da rua, esses que limpavam chaminés. Hoje, também, as próprias filhas estamos a trabalhar com 12 nações do mundo, procurando reavivar onde nasceu a presença missionária. É uma presença que tem sentido de gratidão, donde saíram os primeiros que levaram o espírito salesiano, e como onde a semente nasce, às vezes, necessita receber as energias novas onde o espírito está a crescer. Este é o caso do nosso Moçambique: recebeu, e agora como gratidão está a

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responder com o pouco que tem aí nas raízes do Instituto.

Qual é o teu trabalho concreto missionário?

Missionária na Europa, não é um pouco estranho? É verdade que hoje Europa precisa receber missionários?

Estamos a trabalhar mesmo em Turim, na zona de Porta Palazzo, que é a praça de mercado mais grande de Europa, ali onde Dom Bosco começou também a receber e acompanhar muitos rapazes.

Isso, o iniciaram os nossos fundadores. Nós temos de estar abertas às realidade onde se encontra o homem, o HOMEM com palavras grandes, onde se encontra o ser humano. Com a riqueza e a pobreza da globalização, a Europa não é a Europa que conhecemos nos anos passados. A Europa também tornou-se um mundo aberto onde muitos chegam para melhorar as condições de vida, onde outros chegam por causa de situações de família, caso de muitas meninas de Nigéria,

Praticamente, o que nós estamos a fazer: Aprendemos que o SP, hoje, parte do Evangelho do samaritano. Então, estar no meio deles, escutar, para recuperar a dignidade humana, para levar a Ressurreição da divindade de Deus que está escondida dentro de tantas situações, de tantos problemas desta gente que chega ali, não só os emigrantes, mas também tantas realidades de pessoas italianas que estão a viver

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momentos de crise económica, crise de valores e crise das raízes de fé. Então, praticamente, nós estamos a trabalhar com muitas religiões, diálogo inter-religioso, estamos a fazer experiência de laboratório, para depois ajudar a cada um reconhecer Deus em quem habita, e cada um viver e professar a sua fé. Muitas das vezes dizemos: o que podemos fazer? Partindo de cuidar a dignidade, aquilo que dizia Dom Bosco: ‘Bons cristãos e Bons cidadãos’. Elas nos ajudam a reavivar a nossa fé. Depois uma pessoa diz: já percebi que sou uma pessoa amada por Deus, quero fazer o curso catecumenato, quero baptizar, quero casar… Aqui estão as sementes do Verbo que no início são difíceis de ver. É uma missão que não se fecha às pessoas nos nossos espaços estreitos. É uma missão aberta no meio da gente para fazer nascer e desenvolver as sementes do Verbo. É uma riqueza. É uma nova missão, que se percebe e se vive com outra lógica. Chegas a Deus se tu partes do homem.

destinos. Então, aprender a dar passos de coisas que nunca fizemos, mas para dar dignidade às pessoas tivemos também que levantar a voz, gritar as injustiças que vimos também a fazer contra essas pessoas que chegam. Uma das dificuldades é essa: não reconhecer que a pessoa tem o direito de ser respeitada, de ser acolhida, de ser chamada com o próprio nome, com os seus documentos. Outra coisa, é que com a crise económica que se está a viver, as dificuldades de encontrar trabalho, é também uma grande aventura. Aprender que não somos auto-suficientes, que conhecemos tudo, para chegar a dar peixe, possibilidades às pessoas poderem fazer estrada, para conseguir trabalho, para ser respeitadas, essa é uma grande escola: trabalhar em comunhão com as pessoas de boa vontade, para dar dignidade, para resgatar as pessoas, para serem pessoas que colaboram onde chegaram, não como pessoas que se aproveitam. Se está a revelar que quem chega é sempre uma riqueza: tem muito para

dar, e muito para receber. É uma lição que estamos a receber. É uma síntese do Pai Nosso que rezamos. Estás feliz da tua vocação missionária ‘ad gentes’? Estou feliz porque percebi a aventura dos primeiros missionários, que com coragem saíram para trazer-nos a riqueza carismática, que é a riqueza mais querida do coração de Deus: amai até ao último respiro, fazei o bem a todos e aos jovens, fazei o bem a todas as fases evolutivas. É uma grande experiência. É uma riqueza. Não estou a dar nada. Mas estou aprender a viver, a descobrir quanto é grande o amor de Deus quando se da gratuitamente, e quando se semeia, pouco ou muito, e quando se da esperança e fé nas verdades que nem a morte nem o sofrimento podem destruir, porque Deus ama eternamente. Onde estivermos, o pouco que fizemos, faz o bem, que Deus multiplica.

Que dificuldades enfrentais nesta tarefa missionária? Tratando do país da Itália, as dificuldades para os registos de certificados, as cartas de residência. Onde chegam esses refugiados, emigrantes e jovens prostitutas, levam muito tempo para ser identificados, então muitos vivem clandestinos. Estamos a trabalhar em rede, em colaboração com o governo, com a Igreja, com a pastoral de emigrantes, e aprendemos também que sozinhos é difícil encontrar estradas para que estas pessoas não vivam sempre como clan-

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Noviça Julia Sussu Salimanda Angolana de 2º ano Quero ser Filha de Maria Auxiliadora para seguir mais de perto Jesus Cristo nas pegadas de Dom Bosco e de Madre Mazzarello, que se doaram sem limites para salvar muitos jovens; quero testemunhar Cristo aos jovens.

Noviça Juvenância Anissa Luciano Talhada Moçambicana do 1º ano

Noviça Digna Pedro Manhenze Moçambicana do 1º ano

Quero ser irmã, Filha de Maria Auxiliadora para dar resposta à vocação a que Deus me chama: dar testemunho da minha adesão à Jesus Cristo na Igreja e na sociedade, segundo o carisma de Dom Bosco e de Madre Mazzarello respondendo às necessidades das jovens mais pobres.

Sou Digna. Senti o chamado do Senhor e depois de ter feito o ensino secundário, pedi às irmãs Filhas de Maria Auxiliadora para fazer parte desta família. Quero oferecer alegremente a minha vida a Deus e ser sinal do seu amor para aos jovens especialmente às jovens mais pobres.

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No dia 18 de Agosto foi festa para a Visitadoria ‘Maria Auxiliadora’ dos Sdb de Moçambique: dois jovens salesianos, Dionísio Massinga e Benedito Simone realizavam a sua entrega definitiva ao Senhor e aos jovens com a PROFISSÃO PERPÉTUA. Benedito no momento da sua Profissão Dionísio no momento da sua Profissão

As famílias dando os seus conselhos e oferecendo os seus filhos a Deus e à Congregação

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«Obviamente, vivi este esplêndido evento eclesial com os meus irmãos e irmãs, com os jovens, como Salesiano, como Reitor-Mor, procurando entender melhor como este novo momento eclesial deve ser acolhido, traduzido e vivido em nossa Congregação Salesiana. E, sem excessivas pretensões, devo dizer que o caminho que estamos a trilhar em preparação ao bicentenário do nascimento de nosso amado Pai e Fundador Dom Bosco, e, de modo especial, o mesmo CG 27, com o seu urgente tema “Testemunhas da radicalidade evangélica”, se encontram em perfeita sintonia com este apelo a Cristo, ao seu Evangelho, à simplicidade, à pobreza e à humildade. Com esta minha carta, convido a todos, salesianos e jovens, a retomarem todas as intervenções do Santo Padre, para assumirem e trazerem para a vida as suas orientações espirituais e pastorais como tarefa prioritária não só da Pastoral Juvenil, mas também como parte da caminhada para o bicentenário. Enquanto continuamos a rezar pelo Papa Francisco, como Ele mesmo pede insistentemente, e em todos os lugares, confiemos a Maria Imaculada Auxiliadora a Igreja e a nossa querida Congregação, para que possa estar à altura do que o Senhor e os jovens esperam de nós. Com afeto, em Dom Bosco»

P. Pascual Chávez V.,SDB

(Textos tirados da carta enviada pelo Reitor Mor aos Sdb no dia 29 de Julho, após a JMJ2013)

bs sete out nº 54 2013  
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