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Neste Ano da Fé o Papa nos convida a descobrir nos SANTOS as testemunhas vivas da fé. A Família Salesiana é já uma família de santos e santas. Hoje, seguindo o calendário do BS

No dia 9 de Maio de 1881 falecia em Nizza Monferatto (Itália), a Ir. Maria Mazzarello, primeira Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, também primeira FMA e, junto com Dom Bosco, Co-Fundadora do Instituto FMA. ‘Main’, o nome familiar com que era chamada na sua terra natal de Mornese, encontrou-se com Dom Bosco - ‘Dom Bosco é um santo, eu o sinto!’, dizia ela às suas amigas - e, juntos, embora por caminhos diversos, souberam fazer daquele grupo de jovens raparigas mornesinas o Monumento Vivo de Gratidão à Maria Auxiliadora, até hoje!

«Fazer-se amar mais do que temer; com uma presença solícita, continua, amorosa, nem pesada nem desconfiada... Tomar por método louvar um acto bom, mais do que castigar uma falta» «As coisas que se ensinam com o exemplo ficam mais impressas no coração e fazem muito mais bem» (dos escritos de Madre Mazzarello)

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Maio - Junho 2013 ANO XIII - Nº 52 Queridos amigos e amigas do Boletim Salesiano: Novamente, entramos nas vossas comunidades e lares através desta revista tão querida por Dom Bosco. Foi e é, a sua maneira de entrar em contacto directo com cada um. Maria Auxiliadora, Mãe da Igreja, cuja festa celebraremos o próximo dia 24 de Maio, e que já está movimentando corações e actividades, é o ponto de referência central na nossa caminhada do mês. Como Dom Bosco, pedimos a Ela, que continue a ser o nosso Auxilio na fé: na Igreja, com o Papa e os Bispos, com todos os cristãos, e de maneira especial, com cada jovem e com cada membro da Família Salesiana. O tempo de Páscoa foi enriquecido, ao início, com a visita vinda de Roma para animar a Família Salesiana de Moçambique. Foi uma semana cheia e rica de significado e de encontros. Uma tarefa que não devemos abandonar e sim intensificar, pois os beneficiários serão os próprios jovens e nós próprios. Na Ascensão, celebraremos o Dia Mundial das Comunicações Salesianas. Campo da missão salesiana, tão querido por Dom Bosco, para educar e evangelizar os jovens e as classes populares. Os meios modernos de comunicação se apresentam como desafio e como instrumento para a nossa comunicação viva. Não os podemos deixar de lado, pois então, eles deixar-nos-ão fora! Maria Auxiliadora dos cristãos, rogai por nós! P. Rogelio Arenal sdb

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Mensagem do Reitor Mor para o mês de Maio de 2013, actualizando em nome de Dom Bosco, o Sistema Preventivo para nós.

reservada e séria, uma palavrinha ao ouvido dita com doçura e paciência, eram meios dos quais me servia para corrigir e delimitar possíveis comportamentos inconvenientes.

DOm BOSCO conta: AMBIENTE DE LAR Graças também à presença materna de minha mãe na antiga casa Pinardi (onde teve início a obra salesiana), havia um estilo simples de relações humanas, feito de calor paciente, compreensão e correção, em perfeito estilo de família. Com tantos em casa, a disciplina era necessária para que tudo não acabasse em confusão incontrolável. Disciplina reduzida ao mínimo, mas “acordos claros e amizade longa” como ela, em sua inata sabedoria popular, condensava as suas conclusões.

Entre os jovens aceitos, nem todos eram como Domingos Sávio. Aconteceu certo dia que um pobre assistente, talvez não muito aceito pelos mais velhos, perdeu a paciência e acabou por distribuir sonoras chapadas na tentativamente de impor-se. Criou-se, então, um clima de surda resistência que podia acabar de um momento a outro numa perigosa forma de insubordinação descontrolada. Todos esperavam que eu me pronunciasse; e o fiz depois das orações da noite, no mo-

mento do “boa-noite”. Como o rosto muito sério, passei a dizer qual era o nosso estilo de educação, manifestei a frustração provada ao saber que um deles fosse tratado tão duramente e que por sua vez tivesse cometido uma falta grave de respeito e de obediência para com quem era encarregado de manter a disciplina. Esclarecidas as coisas, terminei dizendo: “de um lado, jamais aconteçam insultos, de outro, jamais violências”. Dera o clássico golpe, um no cravo e outro na ferradura. Depois, fiz uma pausa, o meu rosto abriu-se num sorriso e retomei a minha fala: “Gostaria, pelo afeto que tenho por todos, fazer também o impossível... Lamento pela surra dada, mas, na verdade, não a posso desfazer”. Conseguira romper o gelo; todos riram, esperei que se fizesse novamente silêncio e desejei a todos o boa-noite. A experiência ensinava-me que é muito mais fácil irritar-se, a-

CASTIGO EDUCATIVO Passados muitos anos e tendo às costas uma rica experiência de bons resultados, eu podia afirmar que “com os jovens, torna-se castigo o que se faz passar como tal”. Eu queria que se entendesse que o castigo deve servir para melhorar as coisas e não piorá-las. Uma breve privação de afeto, um olhar tristonho, uma atitude mais

Há tempos eu adotara um método infalível para educar ao bem: estar sempre entre os jovens! º


meaçar, do que tentar persuadir com as boas maneiras. Era um puxar e soltar que, às vezes, cansava, mas eu sabia que certos temperamentos difíceis, rebeldes e descontrolados eu só podia vencer com a caridade, a paciência e a mansidão. Na prática, só se deixavam dobrar pela bondade, pelo coração que dialoga, que corrige com amor e delicadeza. PACIÊNCIA COM OS JOVENS Os jovens em geral erram mais por leviandade do que por malícia. E alguns educadores, levados pela pressa excessiva ou pela impaciência, cometiam erros mais graves do que as faltas dos próprios jovens. Não raramente, eu percebia que alguns que nada perdoavam aos outros eram muito sensíveis e prontos a se desculparem a si mesmos. E quando se usam dois pesos e duas medidas de forma arbitrária, os educadores acabam por cometer erros enormes. Recordava com frequência aos meus salesianos que os jovens são como “pequenos psicólogos” quan-

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do julgam seus educadores, professores e assistentes, e a forma, a tonalidade e a imprudência com que aproveitam de sua autoridade. Desejava que meus caros salesianos sempre soubessem esperar o momento oportuno para fazer a correção necessária; jamais levados pela cólera ou pela vingança. E que jamais se esquecessem de que os meninos, os jovens devem ser conquistados um por um, dia a dia, para encaminhá-los ao Senhor, porque só Ele sabe desenhar neles o rosto divino. E que os meus caros salesianos sempre levassem consigo um remédio indispensável e infalível (embora não se encontre em nenhuma farmácia): antes de dizer sim ao Senhor, os jovens querem e pretendem que outros digam sim aos seus brinquedos e aos seus sonhos.

Era o que eu definia como assistência: uma presença qualificada, jamais neutra, sempre propositiva; uma assistência que fosse acolhedora, uma presença ativa e qualificada. Um modo de estar-com-os jovens, ao lado deles.

“Estar no pátio”, para compartilhar com os jovens sonhos e esperanças, para construir com eles um futuro mais belo e digno, sem barreiras de desconfianças. O pátio, como lugar “sacro” de amizade e de encontro onde nasce a confiança solidária, onde o educador desce da cátedra, não tem mais à mão o diário de classe, onde não vale tanto pelos títulos de estudo obtidos, quanto pelo que é, pelos valores que exprime, pelos ideais que o animam.


DOM BOSCO Conta Nasci pobre, contudo pelas minhas mãos passaram somas incríveis, às quais jamais apeguei o coração. Para mim, ser pobre queria dizer ser livre, daquela liberdade verdadeira que o Senhor nos ensinara com o exemplo e as palavras. Livres, não bloqueados!

Mensagem do Reitor Mor ao BS para Junho 2013.

Ano 1867: D. Bosco abençoa uma família de benfeitores de Roma.

Pobre, como eu era, conheci e frequentei muitos ricos. Tinha uma ideia fixa que nem sempre foi compreendida, antes me suscitou um vespeiro de críticas cansativas e asfixiantes. Dizia e repito: “Não são os ricos que nos fazem a caridade, mas somos nós que a fazemos a eles, dando-lhes a oportunidade de fazer um pouco de bem”. Mais claro do que isso... Eu estava convencido de que “aos senhores, nunca há alguém que ouse dizer a verdade”. Recordo que escrevi uma cartinha que, embora em sua brevidade, conseguiu perturbar muitas vezes o sono de um rico banqueiro: “O senhor deve absolutamente salvar a sua alma, mas deve dar aos pobres tudo o que lhe for supérfluo: peço a Deus que lhe conceda esta graça extraordinária”. Escrevi milhares de cartas; a maioria para pedir ajudas dos órgãos públicos e dos benfeitores. Em todas, porém, há sempre um “obrigado”, uma palavra de gratidão sincera. Aprendera de minha mãe! Eu afirmava: “Não é possível que aquele que tenha gratidão também não tenha as demais virtudes”. Vivi pedindo e agradecendo. Mesmo se não conhecia e, por isso, jamais usei a palavra “marketing”, eu também usava

– a meu modo – esta técnica, e como! Eu me exprimia assim: “Vivemos em tempos nos quais é preciso agir. O mundo tornou-se material e, por isso, é preciso trabalhar e fazer conhecer o bem que se faz”. As ofertas recebidas, modestas ou generosas que fossem não emboloravam no cofre; os benfeitores ficavam satisfeitos ao ver para que servissem as ajudas dadas. E eram também... estimulados a continuar! Assim eu vivia e assim ensinava na minha pedagogia simples de todos os dias. Aos meninos, eu costumava repetir:

“Tenhamos compaixão dos ingratos, porque são infelizes”.

A ingratidão era para mim uma das piores formas de cegueira porque não nos permitia perceber os benefícios, os gestos de amor, os sinais da bondade paterna de Deus.

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E aqui vinha à baila a catequese feita por Mamãe Margarida quando nos ajudava a entender como Deus se manifesta nos acontecimentos da vida, alegres ou não; e ela sempre encontrava motivo suficiente para abrirnos à gratidão. A gratidão é a memória do coração, porque só o coração possui a faculdade de recordar. Quem agradece traz no coração o amor de Deus, e alegra-se com isso. Nós somos o que recordamos! Meus meninos respiravam este clima.

Foi um momento de íntima comoção aquele que experimentei certa noite, vigília do meu onomástico, quando ouvi bater à porta do meu muito simples escritório. Ao abrir, encontrei Félix Reviglio e Carlos Gastini que vinham apresentar-me seus cumprimentos; depois, ofereceram-me dois pequenos corações de prata em sinal de gratidão. Fiquei sem palavras com o presente tão eloquente que recebera; aquele gesto fazia-me entender que entrei pela estrada certa, porque esses meninos entenderam aquele bendito e esplêndido espírito de família que eu tanto estimava. E assim permaneci, nem sei por quanto tempo, a fixar aqueles dois coraçõezinhos, enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas!

Os anos que passei em Chieri, antes como estudante e depois como seminarista (10 anos maravilhosos), também foram anos de muitas renúncias e, às vezes, também de fome. O prato de macarrão que o senhor Pianta me dava pelos vários trabalhos feitos em seu bar não bastava para o estômago de um jovem saudável de dezoito anos. José Blanchard ajudava-me como podia. Sua mãe vendia frutas no mercado e, com frequência, me trazia um pouco de maçãs, castanhas e outras frutas. Certos favores, que beneficiam um estômago vazio, não são facilmente esquecidos. Muitos anos depois, eu estava em Chieri, pelo meio-dia. Conversava com alguns padres que foram meus colegas de seminário quando, junto ao muro, vi passar alguém que realmente não podia esquecer, o amigo Blanchard. Apresentei-o aos colegas padres como meu insigne benfeitor. E contei a história das frutas, de muitos anos antes. Depois, convidei-o para encontrar-se comigo em Valdocco. Este fato aconteceu em 1876. Dez anos depois, o meu amigo conseguiu enfim manter a palavra. Eu não estava passando bem. Foram mil as dificuldades na portaria, e outras na antecâmara. “Diga-lhe ao menos que Blanchard veio visitá-lo”. Reconheci a sua voz e o fiz entrar. Conversamos longamente. À hora do almoço, desculpei-me por não poder descer, mas avisei ao secretário: “Faça acomodar este meu amigo no refeitório dos Superiores, no meu lugar”. E assim, um velho senhor, todo embaraçado sentou-se, naquele dia, entre os que orientavam a jovem congregação salesiana. Era o mínimo que eu podia fazer para dizer-lhe, 50 anos depois, o meu obrigado...

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Jovens: Tenham confiança na acção de Deus! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Jovens: Apostai sobre os grandes ideais, sobre as coisas grandes. Nós, cristãos, não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, ide sempre mais além, rumo às coisas grandes.

Jovens, jogai a vida por grandes ideais! (Papa Francisco aos jovens crismandos - Roma 28.04.13)

Constato em minhas andanças por este mundo que os jovens de hoje não ambicionam tanto ‘ser’ o futuro de uma determinada realidade social e eclesial, mas ‘ter’ um futuro no qual acreditar e em cuja direção caminhar, uma esperança capaz de encher de significado o seu presente. Encontrei muitos jovens empenhados no cultivo da própria fé, comprometidos na construção de uma vida alicerçada sobre sólidos fundamentos humanos e cristãos, capazes de lutar por uma sociedade mais humana e mais justa. Encontrei também rostos juvenis marcados por feridas, contradições, problemas sociais tais como traumas familiares, violéncia com tantas e diversas faces, migrações forçadas que, na maioria das vezes, terminam na terrível frustração de seus sonhos. Infelizmente falta-lhes, em muitos casos, o conhecimento experiêncial de Deus, que mantém viva a chama da esperança. È aí que nós educadores precisamos chegar com a preventividade e ajudá-los a interrogar-se sobre as motivações que orientam suas escolhas, a não desanimar ante os desafios, mas esperar investindo as próprias forças num futuro a ser construído juntos e não ‘prefabricado’ ou, pior ainda, negado a tantos deles. O tema do CG XXIII “ser, hoje, com os jovens casa que evangeliza” - quer ser uma resposta concreta aos anseios do mundo juvenil. Acredito que reavivar em nossas comunidades educativas o espírito de Mornese seja um novo estilo de nossas comunidades que poderão colocar-se al lado das crianças, adolescentes e jovens feridos pelas situações da vida, dar-lhes vez e voz, sustentar aqueles que estão engajados em compromissos cristãos e sociais e oferecer a todos o calor de uma familia. Irmã Maria Américo Rolim (Conselheira Geral - Ámbito da Formação FMA )

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lia-as amiúde:

No dia 6 de Maio celebra-se a festa litúrgica do aluno de Dom Bosco: SÃO DOMINGO SÁVIO. Tiramos do ANS um extracto do estúdio do P. Cameroni, baseado na vida de DS escrita por D. Bosco, e onde nos traça algumas características deste modelo para os adolescentes.

“Se um colega meu, da minha idade, no mesmo lugar, exposto aos mesmos, se não maiores, perigos, teve tempo e capacidade de se manter fiel seguidor de Jesus Cristo, por que não poderei eu fazer a mesma coisa? Lembrai-vos bem que a verdadeira religião não consiste somente em palavras; é preciso passar às obras...”. Este pensamento, na história de Domingos Sávio, é tipicamente eucarístico e encontra o seu momento de graça no dia da Primeira Comunhão, visto como uma semente que, se cultivada, é fonte de vida alegre e de empenhos decididos: “Esse dia ficou-lhe para sempre gravado na memória, e podemos dizer que foi o início, ou melhor, a continuação de uma vida que poderia ser apontada como modelo de vida cristã. Alguns anos mais tarde, ao falar da sua primeira comunhão, transfigurava-se-lhe o rosto de intensa alegria: – Oh! aquele dia foi para mim o maior, o mais belo dia da minha vida! –. Escreveu algumas lembranças que conservava cuidadosamente num livro de devoção e

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1. Confessar-me-ei frequentemente e farei a comunhão todas as vezes que o confessor me der licença. 2. Quero santificar os dias festivos. 3. Os meus amigos serão Jesus e Maria. 4. Antes morrer que pecar. Tais lembranças por ele muitas vezes repetidas, foram como que a norma de suas acções até o fim da vida”. O encontro pessoal e quotidiano com Jesus na Eucaristia leva Domingos a viver o anseio apostólico que Dom Bosco difunde entre os jovenzinhos do oratório e o impele a criar a Companhia da Imaculada, viveiro da futura Congregação Salesiana. Repisando o exemplo de Joãozinho Bosco, pequeno apóstolo entre os seus colegas nos Becchi, Domingos Sávio repete-lhe o zelo e a paixão pela formação dos pequenos nas verdades da fé: “Apenas for clérigo, dizia, irei a Mondônio, reunirei todas as crianças num barracão e hei de ensinar-lhes o catecismo, contar-lhes muitos exemplos e contribuir para a sua santificação. Quantos não se descaminham por não terem quem lhes ensine a doutrina cristã”. E o que dizia, confirmava-o em seguida com fatos, pois se comprazia, tanto quanto permitiam a idade e a instrução, em dar lições de catecismo na igreja do oratório e, se alguém necessitasse duma aula particular de doutrina, dava-lha a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana, com o único fito de poder falar de coi-

sas espirituais e de lhe fazer conhecer a importância da salvação da alma”. Ponto culminante desta parábola é como Dom Bosco comunica a Domingos o seu grande anseio pela salvação das almas...: “Certo dia um colega indiscreto tentou interrompê-lo quando estava no recreio a contar um fato: Mas que tens tu com isso – disse-lhe o tal companheiro. Que tenho eu com isso? – respondeu –. Tenho muito, porque a alma dos meus colegas foi remida pelo sangue de Jesus Cristo; tenho muito, porque somos todos irmãos e, como tais, devemos amar-nos uns aos outros; tenho muito, porque Deus recomenda que nos ajudemos uns aos outros; tenho muito, porque se chego a salvar uma alma, asseguro também a salvação da minha”.


O jornalista salesiano español, Padre Javier Valiente, apresenta-nos um estudo sobre ‘Dom Bosco escritor’. É importante conhecer este trabalho ‘missionário’ de Dom Bosco neste mês em que celebramos o Dia Mundial da Comunicação Social. O artigo apareceu na separata do Boletim Salesiano nº 537, de Portugal.

Quando nos aproximamos da vida de Dom Bosco, damo-nos conta das múltiplas iniciativas que pôs em marcha para educar e evangelizar os jovens. Imaginamos o dia a dia de Dom Bosco atarefado a atender rapazes, a construir casas e colégios, a viajar em busca de dinheiro, a fundar uma congregação religiosa, a falar, pregar e confessar os seus rapazes, a escrever cartas, a fazer visitas oficiais, viagens… No meio de tantas tarefas, diríamos hoje: Dom Bosco desenvolve uma intensa atividade como escritor e editor, como um verdadeiro empresário da comunicação.

DOM BOSCO poder chegar onde ele não chega, e começa uma verdadeira empresa de comunicação. O seu projeto editorial vai estar marcado pelos grandes eixos que movem a sua vida. Num momento histórico de ataque à Igreja e ao papado, de crítica à religião, vai converter-se num publicista católico, num apologeta que com os seus escritos defende a Igreja e a fé Cristã.

Não é de estranhar que também nesse aspecto se fixasse em S. Francisco de Sales.

Poucos anos depois de ordenado sacerdote, João Bosco começa a publicar livros. Uma atividade que o acompanhará toda a sua vida e na qual porá um empenho admirável.

LIVROS EDUCATIVOS

Por que motivo se lança Dom Bosco nesta aventura?

O primeiro livro escrito por Dom Bosco foi “Traços históricos sobre a vida do clérigo Luís Comollo” (1844), de que se imprimiram 30.000 exemplares.

O santo turinés está convencido do poder que a imprensa tem, especialmente a difusão de livros, na configuração da sociedade e da opinião pública. Está consciente do papel educativo que os livros têm, por

escritor

Além desta intencionalidade apologética, Dom Bosco escreve e publica livros com uma finalidade educativa.

A História Eclesiástica (1845) e a História Sagrada (1847) foram outros dos primeiros livros publicados pelo santo

para dar resposta à necessidade dos rapazes que, ao terminar a catequese, não tinham outros livros apropriados. Livros como O Jovem Instruído (1847), destinado à prática religiosa dos jovens em paróquias e centros religiosos; ou O Sistema métrico decimal (1849), editado para explicar de forma simples o uso desta nova norma estabelecida em 1845. A História de Itália, a História Sagrada, a Vida dos Papas, incluindo uma Biblioteca da Juventude Italiana, são outros tantos exemplos do interesse de Dom Bosco por se aproximar dos jovens através dos livros.

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IMPRENSA POLÍTICA

AS LEITURAS

Acontece, porém, que, além do interesse educativo...

CATÓLICAS

podemos descobrir na prática editorial de Dom Bosco uma mentalidade mais moderna, empenhada em encontrar instrumentos eficazes de comunicação com capacidade para criar e influenciar a opinião pública. Turim, efervescente do ponto de vista político da segunda metade do século XIX, faz com que se desenvolvam mais os jornais (diários, semanários, etc.) e que disputem um mercado mais amplo e busquem leitores entre as classes populares. Escrevendo a outro sacerdote, anima-o a comprar e a investir em jornais de orientação católica para defender os pontos de vista da Igreja, “em vez de ter saudades dos tempos passados e de se lamentar do presente”. Neste contexto político, nasce “O amigo da juventude. Jornal político-religioso”, de que Dom Bosco figura como gerente responsável. Sai em 1849, durará apenas uns meses e dele se publicam 61 números. A linha editorial baseava-se na defesa da religião, combater a informação enganosa que se difundia sobre a Igreja, favorecer a educação e a moralidade especialmente dos jovens.

No início de 1853 começa a publicar uma colecção importante no trabalho editorial de Dom Bosco, as Leituras Católicas, pensadas para um público bem preciso: artesãos, camponeses e os jovens das classes populares da cidade e do campo. Trata-se de livros de bolso que, quanto ao conteúdo, abordam temas religiosos e amenos, visando a formação religiosa e moral dos leitores. O esquema seguido, em muitos dos números – especialmente nos primeiros –, costuma ser o diálogo entre um pai e os seus filhos, sobre os temas tratados. Muitos dos protagonistas são jovens que deixando o campo vão para a cidade e ali, longe do acompanhamento da família, abandonam as práticas de piedade, os sacramentos e os costumes aprendidos em casa. As Leituras Católicas abundam em testemunhos, narrativas de exemplos a imitar de jovens que agiram de forma correta.

Embora outros clérigos participassem, Dom Bosco sente-se o único proprietário e director das Leituras Católicas. Assim explica em 1862, quando começa a imprimir os folhetos na tipografia criada no Oratório de Valdocco, “elaborei o programa, comecei a imprimir, acompanhei sempre, corrigi-as com a máxima diligência, compus e redigi cada fascículo em estilo correcto. Fui sempre responsável por tudo quanto se imprimia, fiz viagens, escrevi e mandei escrever publicidade sobre elas. A opinião pública e o próprio Santo Padre me consideram como autor das Leituras Católicas”. Para solucionar o problema da divulgação, Dom Bosco serviuse das estruturas eclesiásticas; serviu-se de co-responsáveis, encarregados de recolher as assinaturas.

Dificuldades económicas e, sobretudo, a radicalização de quem escrevia e dirigia o jornal fazem com que esta iniciativa editorial desapareça.

As Leituras Católicas constituem o núcleo central e mais importante da atividade editorial de Dom Bosco. Exemplar das Leituras Católicas

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As vidas dos seus alunos Domingos Sávio, Miguel Magone ou Francisco Besucco, inscrevem-se nesta linha.


Continuamos apresentando alguns textos da carta dos Bispos de Moçambique “SALVAGUARDAR A VIDA HUMANA”. Pela gravidade do assunto apresentamos alguns pontos que tratam do tema do aborto. Neste número do BS apresentamos e estudamos os números 14, 20-23

Sem dúvida, a mulher, jovem ou adulta, que está tentada de realizar um aborto ou é obrigada a fazê-lo, deve ser ajudada mais do que criticada. Como ajudar à mulher para que desista do aborto? Afirmam os Bispos de Moçambique na sua carta que aos «que alegam que o aborto provocado é um direito da mulher e sua legalização levaria a diminuição drástica da mortalidade materna e a promoção dos direitos da mulher», os Bispos contrapõem consequências reais e dramáticas para a mulher e que na maioria das vezes não se dizem: «A sua liberalização ou legalização por um lado vulgariza e coisifica a própria mulher; por outro lado corrompe a juventude e banaliza o sagrado poder da procriação, arrogando ao que devia ser pai ou mãe o direito de se tornar assassino do fruto das suas entranhas» «Não são poucos, comprovadamente, sobre a mulher os traumas resultantes da prática do aborto provocado e até sobre o casal...» (nº 20)

«Nós os Bispos e membros da Igreja Católica, achamos que a luta contra este drama social deve empenhar todos e passa por - um planeamento equilibrado da fecundidade,

Os Bispos nos lembram que a despenalização do aborto também tem a suas consequências negativas sobre a vida da sociedade, porque ao aprovar o aborto estamos aprovando «o desprezo pela vida», que «bem depressa acabaria por fomentar a corrupção do amor» (nº 21). É bem notório como a prática do aborto nas camadas jovens da sociedade tem vindo a vulgarizar, além de outras causas, as relações sexuais entre homem e mulher, passando a ser elas, em muitos casos, simples brincadeiras ou degenerando nos abusos sexuais, tão frequentes no nosso meio.

- um apoio decisivo às mulheres para quem a maternidade é difícil, - pela dissuasão de todos os que intervêm lateralmente no processo, frequentemente com meros fins lucrativos, - a solução dos casos difíceis terá de ser encarada política, social e moralmente e com o apoio de todos, particularmente das famílias, - um tratamento psicossocial que as ajude a enfrentar adequadamente os problemas duma gravidez indesejada». (nº 21-23)

«Pensar na despenalização do aborto é aniquilar o património cultural do povo Moçambicano que, desde sempre, apostou na defesa deste preciosíssimo tesouro da vida que lhe vem como uma bênção» (nº 14)

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Os pais e encarregados de educação também necessitam ‘aprender’ a estar e a educar os filhos. Apresentamos extractos do artigo do salesiano Bruno Ferrero, e que foi publicado em português pelo BS de Portugal Nº 535/2012. Nos permitimos a adaptação de algumas palavras para a melhor compreensão local.

É difícil controlar-se num mundo que provoca continuamente os nossos “apetites”, um mundo que parece uma mesa gigantesca cheia de coisas. A maior mudança aconteceu dentro de nós. E consiste numa maior propensão para privilegiar acima de tudo a felicidade individual. Até os mais novos são apanhados no turbilhão do divertimento generalizado. Incomodados pela roda da oferta, são muitas vezes incapazes de se concentrar, volúveis e sem sentido da medida. A pergunta do nosso tempo é: onde estão os adultos? O primeiro passo a dar consiste em compreender como é forte o condicionamento do ambiente e aprender a controlá-lo. Especialmente os pais dos préadolescentes devem ter em conta o contexto e, quando for possível, mantê-lo sob controlo, enquanto os filhos não estão em condições de o fazer eles próprios. De resto também os adultos devem aprender a “evitar as ocasiões”. O sistema preventivo não é de forma alguma permissivo, mas cria uma barreira de proteção que permite à pessoa “solidificar”. A força de vontade O autocontrolo é por natureza um enigma. Depende de muitos fatores. Costumes, dependências, impulsos, hábitos que antes eram

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considerados maus encontraram uma justificação. São considerados doenças: desde os jogos de azar, ao shopping (necessidade de gastar nas compras), à droga ao abuso do álcool, aos videojogos, à Internet. Isto significa supor que a vontade do indivíduo já não conta. É como abdicar da humanidade. O que faz de nós seres humanos é a capacidade de contrariar os nossos impulsos e de os integrar numa forma mais perfeita de comportamento.

perseguir a realização de objetivos mais importantes. Quem não tem uma meta a atingir, facilmente se deixa enredar pelas tentações. Controlar o ambiente, significa por exemplo organizar o trabalho pessoal de modo a facilitar a sua execução. Um estudo demonstrou que basta uma janela da sala de aula dar para o jardim para aumentar em 20 por cento a disciplina dos alunos. Qual é o rapaz que consegue estudar se há um televisor ligado a poucos metros de distância? O espelho mágico

Este é um preço que cada vez menos pessoas estão dispostas a pagar: o esforço. A luta pela conquista do autocontrolo é excitante precisamente por se tratar de uma luta. A força de vontade é um músculo: pode reforçar-se com o treino quotidiano. Trata-se portanto de ensinar às crianças os “bons hábitos”, tipo «conta até vinte antes de te deixar levar pela cólera, não se come fora da refeição, às nove da noite vai-se para a cama, etc.». Hoje a muitas crianças é diagnosticado um deficit de atenção ... porque, em muitos casos, nunca aprenderam a exercitar o autocontrolo. É necessário... construir uma arquitetura da escolha. Isto depende da “visão”: o autocontrolo consiste em ser capaz de ver para além do hoje, de adiar, se necessário, a gratificação imediata para

Mas o mais importante é que o autocontrolo aprende-se “com os outros”. Se alguém está a ver-nos, tendemos a comportar-nos de maneira diferente. As experiências demonstraram que basta apenas colocar um espelho num ambiente para que as pessoas se comportem melhor, por exemplo deixando o dinheiro do jornal no quiosque mesmo quando o encarregado não está. A instalação de um espelho na secção de doçaria de um supermercado fez diminuir entre as crianças em mais de 70 por cento os furtos de doces. Para as crianças, os pais são o espelho indispensável: o espelho da alma. São “o espelho mágico na parede” que diz se aquele comportamento, aquela palavra, aquela mentira servem para construir uma boa pessoa ou se, pura e simplesmente, são destrutivos. A sua aprovação ou desaprovação conta muitíssimo. Pais pouco presentes têm filhos com pouquíssima autodisciplina. A erosão da dimensão comunitária é a pior consequência da vida moderna.


No VII domingo de Páscoa, a liturgia celebra a Solenidade da Ascensão de Jesus e, dentro dela, a Igreja celebra a 47ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais. Bento XVI indicou um objetivo para trabalhar nesta Jornada. À luz do mandato de Jesus que envia os Apóstolos a anunciar o Evangelho, os novos Meios de Comunicação Social devem ser para nós, homens e mulheres do século XXI, os novos instrumentos com os quais anunciar também o amor de Cristo por todos.

São uma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar novas relações e formas de comunidade. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate..., que podem reforzar os laços de unidade entre as pessoas. Os contactos podem amadurecer em amizade e as conexões podem facilitar a comunhão. Nestas redes a pessoa também comunica-se a si mesma. Um ambiente onde buscar respostas para as suas questões, para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos.

Se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial.

Com respeito pelo que se diz e pelo outro, e cuidado pela privacidade. Com responsabilidade e empenho pela verdade. Não preocupados pela popularidade do que nelas dizemos e sim pela validade do que afirmamos. Cultivando formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações nobres da pessoa.

Utilizar estas novas linguagens para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria, testemunhada no modo como se comunicam ‘escolhar, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele’.

Com um cuidadoso discernimento não deixando-se levar pelo sensacionalismo.

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Queridos jovens (3ª parte):

IDE Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais .

Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.

O Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair

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de nós mesmos para «ir» e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de «sair» de vós mesmos para «ir» ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus. se Deus não existisse.

ALCANÇAI TODOS OS POVOS Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa de também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados».

Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como

A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos.

Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem excepção.


‘Internet é um ambiente de experiência real; internet é um lugar’ (Jorge Enrique Múgica) Os anúncios das companhias de celulares em Moçambique, e no mundo, já fazem propaganda do celular como um instrumento para entrar no mundo virtual/real de internet. A grande maioria dos jovens utilizam o celular como porta de entrada neste mundo. Como Família Salesiana devemos estar preocupados e interessados em saber entrar e trabalhar neste mundo para saber onde ‘estão’ os nossos filhos, os jovens. Como ‘educadores salesianos’ devemos aprender a utilizar estes instrumentos modernos para também fazer chegar aos jovens a mensagem da Boa Nova. Dom Bosco não enviaria hoje, as suas ‘Boas Noites’ e as suas ‘Palavras ao ouvido’, aos seus jovens através do celular, das redes sociais e do mundo de internet? Visita diariamente o nosso BS virtual

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O Sistema Preventivo é um sistema educativo que também pode ser aplicado pelos pais na educação dos seus filhos. Apresentamos, parcialmente, o trabalho realizado por Hélio Faria no livrinho ‘Você e o seu filho’, publicado pela Editoras Salesiana e Canção Nova, Brasil 2005. Estas ‘ideias salesianas educativas’ devem ser lidas e aplicadas no nosso contexto moçambicano. Por um lado podem fortalecer princípios educativos da nossa cultura, e por outro, podem enriquecê-la com novas ideias.

co. Como diz a Regra de Vida dos Salesianos, o Espírito Santo formou nele ‘um coração de pai e mestre’. Um coração onde todos os jovens encontram lugar.

Dom Bosco foi um dos maiores educadores do século XIX. Trabalhou em Turim, norte da Itália, e viveu a sua experiência com adolescentes e jovens em grupos mais numerosos: escolas, centros juvenis e oratórios. Os pais vivem sua experiência educativa no pequeno grupo familiar. Mas podem aprender muito das intuições pedagógícas de Dom Bos-

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Com estes dez pontos não pretendemos, é claro, transmitir a você todo o carisma nem toda a sabedoria de Dom Bosco. Queremos lhe mostrar apenas um caminho diferente de amor, para você se aproximar do seu filho ou filha. UM PENSAMENTO DE DOM BOSCO:


Quando é respeitado e estimado, o seu filho progride e amadurece. Ele sabe (ou sente) que você se interessa por ele apenas porque gosta dele.

Mesmo o filho mais ‘difícil’ traz bondade e generosidade no coração. Cabe a você procurar - e achar - essa disponibilidade inata. Ouça-o. Acredite nele.

Dom Bosco disse: ‘Se você quer ser amado por alguém, ame-o antes’. Mostre ao seu filho, claramente, que você está ao lado dele. Olhe-o nos olhos. Nós é que pertencemos aos nossos filhos e não eles a nós. Quem quer ser amado deve demonstrar que ama. E você gosta do seu filho não para que ele goste de você. Você gosta dele como Deus gosta da gente: sem cobranças, sem busca de retorno. Você gosta dele porque você se sente feliz em vê-lo crescer como pessoa humana.

O mundo de hoje é complicado, rude e competitivo. Muda todo dia. Seja sincero: quem de nós não gosta de um elogio?

Procure entender isso.

O nosso filho também.

Coloque-se no lugar do seu filho.

Ele precisa de elogio e estímulo para prosseguir no caminho certo.

Procure compreender por que ele está tão distante, tão longe de você.

Um elogio custa tão pouco para nós. Mas vale muito para o nosso filho - quando ele merecer.

Quem sabe não está desesperado, pedido, precisando de você, esperando apenas um toque seu?

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ventiva permite dar ao nosso filho uma nova alegria e um novo sentido de viver. Quem é feliz não sente necessidade de fazer o que não é direito.

Tanto quanto nós, o nosso filho é atraído por um sorriso. A alegria e o bom humor atraem os meninos como mel. Você vai ver como tudo fica mais fácil, mais gostoso e mais divertido quando nós ‘entramos na deles’.

O castigo magoa. A dor e o rancor ficam e separam você do seu filho. Principalmente quando é dado na hora errada, quando você - ou o seu filho está discutindo sobre qualquer coisa.

Ninguém melhor do que Dom Bosco entendeu isso. Ele participava dos seus jogos, das suas brincadeiras, do seu desporto. Faça isso também. Principalmente, procure gostar disso. E você vai entender por que Dom Bosco é um santo que aparece sempre sorrindo.

Pense duas, três, sete vezes, antes de castigar. Nunca com raiva. Nunca. Não temos o direito de exigir do nosso filho atitudes que não temos. Quem não é responsável não pode exigir responsabilidade. Quem não é sério não pode exigir seriedade. Quem não respeita não pode exigir respeito. E assim por diante.

No método preventivo de Dom Bosco, uma aproximação amiga com o jovem é fundamental. Evita males maiores, porque dá a oportunidade de aconselhar na hora certa, de prevenir, antes de remediar. Viva com o seu filho. Conheça os amigos dele. Procure saber aonde ele vai, com quem está. Convide-o a trazer os amigos para a sua casa. Participe amigavelmente da sua vida.

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Às vezes somos rigorosos ou rudes para esconder nossa própria fraqueza e falta de argumentos. O nosso filho vê tudo isso muito bem, talvez porque nos conheça mais do que nós a ele.

Dom Bosco, que foi um excepcional educador, sabia que ‘a força corrige o vício, mas não corrige o viciado’. No pensamento - e na sua prática - de Dom Bosco, a educação pre-

No princípio pode parecer ‘careta’, mas a religião precisa ser alimentada. Quem ama e respeita Deus, vai amar e respeitar o seu próximo. Quem for um bom cristão na certa vai ser um bom cidadão. Dom Bosco aprendeu que a confissão, a comunhão e a devoção a Nossa Senhora são valores certos e profundos. Quem se confessa e comunga com freqüência pensará muito antes de fazer qualquer coisa errada. ‘Quando se trata de educação, não se pode deixar de lado a relgião’, dizia Dom Bosco.


sionária”. No dia em que faleceu a sua mãe, Margarida, em 25.11.1856, ele foi com um aluno à igreja da Consolata rezar: “Agora, Senhora, tendes de ocupar o lugar que ficou vazio. Não podemos passar sem mãe”. O que é o Sistema Preventivo? Por que brilha nele a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora? Que efeitos produz no caminho dos jovens? O Sistema Preventivo com a voz do coração O BS de Moçambique já apresentou a alma desta forma de educar, no número 51, de Março – Abril: razão, religião e bondade.

O Sistema preventivo, uma pedagogia com Nossa Senhora Dom Bosco viu com lucidez que Nossa Senhora é indispensável no crescimento dos jovens. Deus iluminou-o por esse caminho. As narrativas de sonhos revelam uma mensagem de conforto e confiança na vida dos jovens com essa presença materna.

Dom Bosco explica: são dois os sistemas na educação da juventude, o preventivo e o repressivo. O sistemas repressivo consiste em fazer que os educandos conheçam as leis e as cumpram sujeitando-se a castigo se transgridem. O Sistema preventivo consiste em dar as orientações e acompanhar os jovens com a presença amiga dos educadores. Estes, como pais carinhosos, tornam-se guias, com bondade e carinho. Este sistema orientase para colocar os jovens a crescerem na dimensão humana e espiritual, a partir do coração. Dom Bosco aconselhava os educadores a estarem com os jovens também nos recreios, para que os alunos vissem neles os amigos. Ele dizia: “a educação é assunto de coração”. Já Saint-Exupéry sentia: “Só se vê bem com o coração”.

Já no sonho dos nove anos João sentiu que Nossa Senhora colocou a sua mão sobre a cabeça dele, mostrando-se mãe querida, que lhe apontou a missão e o caminho. Diz o historiador Pedro Stella: “Maria Imaculada e Auxiliadora é a Senhora que Dom Bosco coloca no vértice da sua pedagogia e da sua acção sacerdotal, apostólica e mis-

Nossa Senhora é o elemento feminino, capaz de dar serenidade aos jovens. O exemplo partia do santo, que se voltava para ela com a confiança própria de um filho para com sua mãe. Assim construiu a basílica de Maria Auxiliadora em Turim. O Sistema preventivo, uma espiritualidade com Nossa Senhora A devoção a Nossa Senhora é também espiritualidade. Temos um exemplo no jovem aluno Domingos Sávio, nascido em 1842. Em Dezembro de 1854, sendo proclamado o Dogma da Imaculada Conceição, por Pio IX, Domingos colocou-se diante do altar de Nossa Senhora e renovou as promessas da primeira comunhão, entregando-se à Mãe de Jesus. A sua vida transformou-se a ponto que Dom Bosco começou a apontar por escrito o comportamento do seu aluno. No dia 9 de Maço de 1857, agonizando, dizia Domingos: “Adeus, meu querido paizinho! Ó como é lindo o que estou a ver”. E a sorrir, com o rosto iluminado, Domingos faleceu santamente. Uma síntese entre evangelização e educação, fazendo, com Nossa Senhora, o caminho para Jesus Cristo. Um tema para educadores e pais. P. António Gonçalves, sdb

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Desde o dia 7 ao 14 de Abril a Família Salesiana de Moçambique recebeu a importante visita dos Delegados da Família Salesiana enviados pelos nossos superiores de Roma, sdb e fma. Estiveram junto connosco nesta visita de conhecimento, de animação e de formação : o P. Giuseppe Casti, Delegado do Reitor Mor para os Salesianos Cooperadores e a Ir. Leslye Sandigo , Delegada da Superiora Geral Fma para os Salesianos Cooperadores. Coordenando o grupo, o P. José Alberto Pastor, mão direita do Conselheiro Geral para a Família Salesiana e Delegado Mundial para Antigos Alunos de Dom Bosco. Um dos objectivos principais da sua visita foi o de encontrar-se com as diferentes etapas iniciais formativas para meter já no coração dos futuros sdb e fma este amor pela FS. Assim, no dia 8 de Abril encontraramse na Matola com os aspirantes e pré -noviços sdb e fma. No dia 9 de Abril com as noviças fma e noviços sdb na Namaacha. No dia 12, na Visitadoria Sdb, o encontro formativo foi com os Sdb e Fma das casas do sul. Antes, no dia 10 e 11 foram encontrar-se com as Fma e Sdb de Inharrime. No sábado 13 tiveram um encontro com os conselhos dos grupos da Família Salesiana, e terminou esta semana de trabalho no domingo 14, participando muitos membros da FS do sul na Eucaristia em São José e no posterior encontro de diálogo e formação no teatro da Missão. Neste último encontro estiveram presentes representantes dos Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora, Salesianos Cooperadores, Antigos/as Alunos/as dos Sdb e das Fma, ADMAS, Voluntárias de Dom Bosco e Voluntários Com Dom Bosco. Já somos 8 grupos da FS em Moçambique. Pouco a pouco a semente vai crescendo.

Representantes de todos os grupos da FS de Moçambique no ultimo encontro «A Família Salesiana de Dom Bosco é uma comunidade carismática e espiritual formada por diversos grupos, instituídos e oficialmente reconhecidos, ligados por laços de parentesco espiritual e de afinidade apostólica» ( da Carta de Idenatidade, artº 4)

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O BS entrevistou a Irmã Maria Américo Rolim, Conselheira Geral das FMA e responsável pelo Âmbito da Formação, aproveitando a sua visita de animação à Inspectoria de São João Bosco das Fma. Pode dizer-nos qual é a sua impressão sobre as Filhas de Maria Auxiliadora em Moçambique? É pela segunda vez que venho a Moçambique e foi uma alegria retornar e poder perceber o crescimento da Inspectoria. Nestes dias fiz uma visita de animação com o enfoque particular na formação. Encontrei as Irmãs dedicadas à elaboração dos itinerários formativos a partir da formação permanente, um dos processos do programa de animação do Âmbito da Formação para este sexénio. Trata-se de uma proposta que quer favorecer o envolvimento de toda a comunidade inspetorial na reflexão e confronto, em vista da elaboração de ‘novos’ itinerarios formativos para as diferentes idades e para as fases da formação inicial. Queremos oferecer condições para qualificar a vocação da Filha de Maria Auxiliadora, para que nossas comunidades sejam, de fato, proposta vocacional para as/os jovens. Você pertence ao Conselho Geral das FMA: qual é a situação do Instituto no mundo: algumas coisas a destacar, desafios e dificuldades.

vangelização e no contexto do enfraquecimento da fé e da fragilidade nas relações interpessoais, da falta de referencias significativas e de um ambiente favorável ao crescimento dos jovens. Sentimos a urgência de deixar-nos evangelizar para que possamos evangelizar através de nossa coerência de vida, do nosso testemunho de pessoas consagradas felizes e realizadas na própria vocação, e da opção pelos mais pobres. Nesta caminho de reflexão, A Ir. Maria Américo ‘escutando’ as meninas do Colégio Mª Auxiliadora deparamo-nos com uma sociedade em contínua transformação, com a velocidade das consciente de que a missão eduinovações culturais que geram cativa salesiana tem como priorigrandes progressos científicos e dade anunciar Cristo aos jovens tecnológicos mas que provocam, no contexto em que vivemos. muitas vezes, incertezas e desoriQueremos ser para eles e com entação. eles, “casa que evangeliza” paEntre outros desafios destacamos como oportunidade de reflexão, de conversão e de evangelização: a crise econômica que atinge de modo particular os mais frágeis; o fenômeno migratório motivado sobretudo pela procura de melhores condições de vida; a política que está perdendo a consciência da sua tarefa prioritária de promover o bem comum e o desafio da comunicação que incide na mudança antropológica, com fortes repercussões no mundo das relações interpessoais.

Todo o Instituto está se preparando para o XXIII Capítulo Geral, uma Assembleia mundial que acontece a cada seis anos, para tratar dos assuntos mais importantes relativos à nossa vida, em vista da qualificação de nossa presença na Igreja e no mundo.

Vemos nestes desafios um novo chamado à conversão. Neste mundo - casa que Deus criou por amor para seus filhos e filhas - sentimonos também interpeladas, como comunidades educativas, a passarmos de consumidores exploradores a guardiães da criação.

No processo de reflexão para definir o tema – “Ser, hoje, com os jovens casa que evangeliza” – colocamo-nos no horizonte da Nova E-

Portanto, neste momento histórico, o Instituto acolhe a proposta de evangelização que a Igreja nos faz,

ra que possam fazer experiência de um modo alternativo de viver e de sonhar com um futuro de esperança. Estamos certas de que neste, hoje, como no tempo das origens, Maria nos acompanha pelos caminhos da santidade concreta e contagiante. Ela, a “Senhora dos tempos difíceis”, sustenta a nossa esperança e de confiança, sobretudo nas regiões do nosso mundo que enfrentam também a problemática do envelhecimento, com a diminuição numérica das vocações, a fragilidade vocacional e, em algumas partes, a pouca audácia no anúncio de Jesus. Sabemos que onde está Maria há futuro. Confiantes e com esperança no coração, avançamos certas de que ela nos acompanha e nos ensina, com sua sabedoria evangélica, a buscar respostas adequadas aos tempos atuais, considerando sobretudo as necessidades dos nossos jovens.

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A Ir. Ivonne Reungoat, Superiora Geral das FMA, escreveu às suas Irmãs a nova circular nº 936, que leva como título : «Maria, morada viva de Deus». O BS apresenta alguns textos da circular que nos podem ajudar a viver salesianamente o mês de Maio, o mês da Auxiliadora.

Olhemos para Maria que, com seu sim, tornou-se berço da Palavra. Ela é o primeiro tabernáculo que acolheu e abrigou Jesus; é a primeira evangelizadora que se fez missionária, indo – sem hesitação – ao encontro da prima Isabel. Decerto foi lá para se congratular com ela, mas principalmente para partilhar o assombro e a alegria por causa do mistério que levava dentro de si. Só com Isabel podia fazer isso, porque ela também abrigava em si o milagre da vida daquele que iria ser o Precursor. Um encontro divino e profundamente humano que fala também hoje, a nós, a nos doarmos reciprocamente em relações humanas verazes, autênticas, transparentes, a sermos pequenas luzes de esperança. Maria ouviu a Palavra, acolheua e obedeceu-lhe. Com ela e a seu exemplo, somos convidadas a ter a coragem de – pes-

soalmente e como comunidade - seguir sempre pela estrada que Jesus abre diante de nós, e a não ceder ao jogo duplo que o mundo oferece como via de felicidade. Maria nos orienta no caminho da luz, da esperança, da verdade da Palavra. Entreguemonos totalmente Àquela que foi a inspiradora do nosso Instituto e continua sendo Mestra e Mãe para nós. Onde Maria está, existe futuro, existe abertura a grandes horizontes que vão além das nossas programações, além das nossas fadigas individuais. Dom Bosco e Madre Mazzarello miravam o futuro com grande fé, com confiança ilimitada, com corajosa humildade. Dom Bosco já edificara em Valdocco uma Basílica, como casa de Maria. Mas não lhe bastava! Queria erguer -lhe um Monumento de pedras vivas. Daqui surgiu a ideia do Instituto, amadurecida no seu coração justamente nos anos em que aquele templo estava sendo construído e depois inaugurado. Ele, que havia experimentado a força e a ternura de Maria, em cada etapa da história da Congregação, desejaria cantar ‘in eterno’ sua gratidão a uma Mãe tão solícita e poderosa. Por isso, quis o nosso Instituto como memória viva de Maria, no tempo e no espaço. O nome do novo Instituto é símbolo de uma identidade: Filhas de Maria Auxiliadora, monumento vivo de gratidão. Se o nome exprime a identidade ma-

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riana do Instituto, em nível formativo é preciso plasmar a própria vida à imagem de Maria. Era o que Madre Mazzarello recomendava às primeiras Irmãs: “Sejam verdadeiras imagens de Maria” (Cronistória III 216). Em Mornese, Maria alimentou a interioridade, a escuta de Deus e das situações, reforçou a comunhão no verdadeiro espírito de família, intensificou o ardor missionário de tantas Irmãs.

Já estamos perto de celebrar o mês de maio, mês mariano. Deixemos os esquemas de uma oração rotineira, de um conhecimento superficial da figura de Maria, e aprofundemos o seu papel na Igreja, na história da humanidade, na nossa história pessoal e comunitária. Maria Auxiliadora nos alcance do Senhor a sua benção!


co e tecnológico que tenta avançar a qualquer custo; - Os irmãos que morrem mártires em muitos lugares do mundo por testemunhar a Cristo; - A agressividade, a hostilidade e a censura em relação ao Papa e à Igreja no anúncio da mensagem do Evangelho; (1ª parte) Com este artigo quero convidar aos leitores à vida missionária. Vivemos num mundo onde os valores do poder, do ter e do prazer são objectos de adoração e de idolatria. A luta pelo poder torna as pessoas desumanas; as guerras, o ódio e as tensões ameaçam o mundo que já se encontra dividido entre ricos e pobres e divide-se cada vez mais em bandos antagónicos e inimigos que lutam para aniquilar o adversário. A agressão à vida desde a concepção até seu fim natural; a sexualidade tornou-se presa fácil e objecto de prazer despojando o ser humano de sua dignidade e intimidade. A vida em seu conjunto perde a dimensão fraternal e comunitária e tornase uma guerra onde os homens se desumanizam ao serviço de valores-objetos como o poder, o ter e o prazer. A secularização se expande cada vez mais e vai tomando conta das pessoas. O ser humano vai perdendo o sentido profundo de sua vida, sua razão de ser no mundo e tornando-se escravo de si mesmo, das leis criadas por ele mesmo e da máquina que deveria estar ao seu serviço. Estamos vivendo situações trágicas. Eis alguns exemplos: - A pobreza de milhões de pessoas, irmãs e irmãos nossos, que não conhecem outra reali-

dade a não ser o sofrimento e a exploração. - A enorme pobreza de não conhecer Cristo, um facto que, segundo Madre Teresa de Calcutá, é "a primeira pobreza dos povos", e da qual não se livra nenhum canto da terra;

- A crise económica que ainda atinge países inteiros e parece esconder os horizontes de esperança a tantas pessoas. Frente a tudo isso, nós, como cristãos, como nos situamos? Como ensina a ‘Gaudium et Spes’, o mundo apresenta motivos de tristeza, mas também há sementes de vida, verdade e amor, muitas vezes silenciosas, que as pessoas de boa vontade cultivam em todos os cantos, construindo o Reino de Deus. Cada época deve enfrentar e superar seus graves problemas. A nós corresponde enfrentar os de hoje!

- Crise da família, insubstituível célula básica de uma sociedade sadia e próspera; - O relativismo cultural e moral que faz perder o sentido da busca e da existência da verdade; - A desequilibrada e míope relação com a natureza, às vezes explorada de forma selvagem; - Os irmãos e irmãs que sofrem enfermidades; - Um desenvolvimento científi-

Estamos convencidos de que hoje faz falta fortalecer uma grande mensagem de esperança! Uma mensagem na qual todos os homens possam sentir-se unidos numa grande missão de desenvolvimento, amor e solidariedade. A grande mensagem de esperança é o próprio Cristo! A mensagem e a experiência de Cristo são o maior dom que existe. A partir dessa experiência fundadora tudo pode advir: a paz, a justiça, o amor, o crescimento humano e espiritual das pessoas e de sociedades inteiras. P. Kazembe Nk. André sdb

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O padre José Maria é Salesiano de Dom Bosco, que fez a primeira profissão em Mogofores como sdb em 1954. Como tirocinante trabalhou na casa do Estoril com os estudantes de filosofia; ordenado sacerdote em 1964 em Turim em Itália. Trabalhou como director nas casas de Arouca e Mogofores. Veio para Moçambique como missionário em 1984 e destinado para a missão da Catembe como pároco e director do noviciado. Também foi Pároco de São José de Lhanguene e Director/Pároco de Moamba. Trabalhou como Mestre de noviços em Namaacha. Em 2005, foi para Inharrime onde viveu e trabalhou como animador da comunidade cristã Maria Auxiliadora por 8 anos. Actualmente encontra-se na comunidade da Matola (aspirantado), para onde foi destinado como confessor. Cada vez se sentido mais jovem no meio dos jovens. sobre as presenças dos salesianos portugueses que já estavam aqui em Moçambique. Vim, para cá. Cheguei. Gostei – e gosto! – de quanto fazemos quer com os jovens, quer com o povo simples.

S. João Bosco, de Domingos Sávio e de tantos santos e sábios da nossa Congregação.

A Comissão: Diga-nos o seu nome completo, quando e onde nasceu. Quantos irmãos/as têm. Como conheceu os salesianos. E como nasceu a sua vocação?

Cheguei em Novembro de 1984 e não tenho marcada a data de volta, porque “quem está bem deixase estar”. Espero ficar, se e enquanto for útil.

A comissão: O que lhe parece sobre o futuro do carisma salesiano em Moçambique?

P. José Maria: Chamo-me José Maria Ribeiro. Nasci em Murça, no norte de Portugal, em 09 de Março de 1930. Família de 12 irmãos, dos quais 6 morreram em pequenos. Dos vivos somos dois padres. Das irmãs são duas religiosas consagradas nas Oblatas do Coração de Jesus, uma outra é solteira e um irmão é casado: todos felizes na vocação que escolheram.

A comissão: Quais foram e quais são as suas maiores alegrias missionárias que sentiu durantes estes anos? E dificuldades?

Sentia já em mim a vocação sacerdotal. Tinha a possibilidade de entrar no seminário diocesano de Vila Real, onde era preciso pagar uma pensão. Por sermos pobres os meus pais informaram-se de outra possibilidade: a escolha caiu sobre a casa de formação de Mogofores, que era o aspirantado salesiano. Foi lá que comecei a aprofundar o chamamento que sentia. Acho que Deus me guiou na escolha, de que nunca me arrependi. A Comissão: Padre José Maria, conte-nos como nascera a sua vocação missionária? P. José Maria: Informei-me bem

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P. José Maria: Não senti nenhuma dificuldade na adaptação. Alegrias? Causa satisfação tudo que vou fazendo, nas áreas da educação e da evangelização. As pessoas são semelhantes, aqui e na Europa. A cor da pele não é nenhuma fronteira a superar: as mentes, os corações, os sentimentos, etc, são muitos parecidos, pois toda gente deseja o bem e foge do mal, sob qualquer forma que se revistam. A comissão: Qual foi o seu trabalho como missionário? P. José Maria: Nas áreas da promoção humana, do ensino e cultura; na dimensão da fé e da evangelização. E explico por que: fiz a minha teologia em Turim à sombra dos superiores gerais da Congregação (agora em Roma) e no lugar santificado pela presença física de

Dou graças a Deus por tantos benefícios recebidos...

P. José Maria: O carisma salesiano vai dilatar-se aqui, já que a nossa missão específica deve ir direita aos jovens entre os mais pobres. E Moçambique alberga milhões de jovens, a maioria dos quais é carenciada de bens materiais e espirituais. Mãos à obra! A comissão: Quer-nos deixar uma mensagem de encorajamento missionário? P. José Maria: Evangelizemos! É “ajudar a Deus”, mesmo sabendo que só Ele converte cada um e cada uma que se abra ao seu amor. Agradeço a Deus os mais de 80 anos de vida e as tantas circunstâncias geográficas e sociais que me concedeu viver: admiro a variedade do tempo e de lugares que experimentei. Tanta gente admirável que se tem cruzado comigo!... Por tudo Deus seja louvado... Comissão de Animação Missionária - Sdb Moçambique


A RAINHA SOFIA DE ESPANHA, VISITA O ISDB No dia 10 de Abril a Rainha de Espanha, Dona Sofia, visitou em Maputo, capital de Moçambique, o Instituto Superior Dom Bosco (ISDB), cuja finalidade é preparar professores para o ensino profissional. A visita foi devida porque a Cooperação Espanhola financiou uma grande parte deste projecto educativo superior. A Rainha veio por segunda vez a Moçambique para ver 'in situ' estes projectos financiados pelo governo espanhol. Foi recebida no ISDB pelo Director Geral, Padre José Angel Rajoy e numerosos alunos e professores do Centro. A Rainha visitou vários ambientes, participou brevemente numa aula que estavam recebendo os da hotelaria e visitou a oficina de electricidade e de serralharia mecânica onde assistiu à demonstração de vários trabalhos. Em todos os lugares a Rainha demorou-se em cumprimentar e falar pessoalmente com os professores e alunos.

Jovens da Moamba peregrinam à Capela de N.S. da Veiga

Jovens de Moamba visitam os jovens do Sabiè para prepararem a JMJ2013

20 anos dos Sdb na Moamba PRIMEIRA PEDRA DA CAPELA DE CATEME (MOATIZE) A «revolução mineira» que trouxe a extracção de carvão em Moatize afectou à povoação e às comunidades cristãs, positiva e negativamente. Algumas comunidades foram trasladadas totalmente a outros lugares, por desgraça, pior que os anteriores, pois colocaram as povoações em lugares longe da água e da própria Vila de Moatize. Sempre os pobres tem de sofrer as consequências dos 'poderosos'! Entre as comunidades mudadas de lugar, está a de Xipanga, onde se encontrava a comunidade cristã de Maria Auxiliadora. Muitos deles foram levados para a nova povoação de Cateme. Só agora, após vários anos, a Comunidade de Maria Auxiliadora, vê com esperança a construção da sua nova capela. Na visita que o Provincial P. Américo realizou a Moatize , lançou a primeira pedra da nova Capela de Maria Auxiliadora.

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VISITA DA CONSELHEIRA GERAL PARA A FORMAÇÃO DAS FMA Irmã Maria Americo, ficou entre nós uma semana de 14 de abril a 22, foram dias de graça, de formação, de celebração, porque a irmã Maria veio como enviada da Madre Geral. No momento do acolhimento na Casa Provincial estiveram as aspirantes e postulantes que deram as boas -vindas cantando um canto, e ofereceram-lhe um ramo de flores e a típica capulana . As reuniões que se seguiram envolveram vários grupos: O conselho provincial, as directoras, o âmbito da formação, as junioras, as aspirantes e postulantes, as noviças A comunidade provincial reconhece o grande dom recebido, e quis expressar a sua gratidão a irmã Maria com uma festa muito simples, mas rica de significado. O obrigado ao Senhor, a Madre Yvonne, a Ir. Maria Americo, manifestou-se na oração, cujo o tema era o da “CASA”, e na festa com a presença das irmãs das casas vizinhas e das aspirantes e postulantes. Grazie, Obrigada, Tatenda, Kiossukuro, khanimambo, Inkomu, Assante... Ir. Maria

Coordenadores de Pastoral Sdb em programação

1ª Visita Canónica do P. Américo à Matola

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Celebrando o Domingo de Páscoa no Zobwè

Directoras FMA em formação


NOVO CENTRO JUVENIL Sábado, 27 de abril, em Ougadougou, capital de Burkina Fasso, foi inaugurado o Centro Sociocultural Dom Bosco. Um evento que marca uma etapa importante no desenvolvimento da obra salesiana e na radicação do carisma salesiano no País.

COADJUTORES EM FORMAÇÃO Iaundê, Camarões – 16 de abril de 2013 – Cinco salesianos provenientes da Inspetoria de Madagascar (2), da Visitadoria do Zâmbia (1) e da África Tropical Equatorial (2) estão tomando parte de um curso bienal, no Centro de Formação Interinspetorial de Salesianos Irmãos. Na foto, os Irmãos com o Diretor da Obra, P. Bienvenido García. .

MJS AO SERVIÇO DOS POBRES Toronto, Canadá – No dia 14 de março o MJS de Toronto organizou uma atividade de ajuda aos desabrigados da cidade. Os 37 participantes, entre os quais alunos e professores de seis escolas de Toronto, todos membros do MJS, prepararam comida nas estruturas da Paróquia de São Bento, para ser distribuída aos desabrigados do Centro da cidade. O dia programou também um momento de formação sobre justiça social e serviço, com partilha no fim da experiência e a Celebração Eucarística.

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DOM BOSCO EM ESLOVÁQUIA A urna de Dom Bosco chegou à Eslováquia: 19 os municípios e cidades no programa de visita, que propõe encontros e celebrações em algumas catedrais do País, na Universidade Católica e na casa de detenção de Sučany. Milhares os jovens que estão participando dos vários eventos.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL EUROPA De 12 a 14 de abril realizou-se na Casa Geral de Roma o primeiro encontro dos responsáveis e técnicos da 'Projetação' européia das escolas e dos centros de formação profissional salesianos da Europa. Do encontro, promovido pela Secretaria da Escola e Formação Profissional do Dicastério para a PJ, participaram 25 profissionais do setor, procedentes da Bósnia, GrãBretanha, Itália, Malta, Cossovo, Polônia, Espanha, Hungria.

50 ANOS DE VIDA Filipinas: Para celebrar o 50° aniversário da casa de formação “Don Bosco Canlubang”, conspícuo grupo de ‘ex-alunos’ do Centro – perto de 100 salesianos de ambas as Inspetorias filipinas – reuniramse em 1° de abril, na Casa salesiana, vivendo um dia de ação de graças e de partilha fraterna.

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Aproveitando a presença da Equipa de Animação da Família Salesiana (cfr. pag 21), o BS realizou uma entrevista aos três membros: o P. Giuseppe Casti (esq.), a Ir. Leslye e o P. José Alberto Pastor.

QUAL É O SERVIÇO DESTA EQUIPA DA FAMÍLIA SALESIANA (FS)? P. Pastor: O animador e Pai da FS é o Reitor Mor, mas o Reitor Mor delega no seu Vigário, P. Brengolim, para que seja ele quem acompanhe à FS. O Vigário do Reitor Mor, à sua volta, constituiu para este trabalho uma equipe. Nós somos parte desta equipe. Já fizemos uma experiência muito interessante nos últimos três anos de visitar todas as Regiões Salesianas. Encontramos a todos os Delegados e Delegadas da FS de todo o mundo. Esta experiência ajudou-nos a fortalecer esta equipa, que está formada por sdb e fma. Levamos uma mensagem: a primeira ronda de viagens pelo mundo foi transmitir a sensibilidade sobre o leigo e o que implica trabalhar com o leigo: que é respeitar a sua identidade, não querer que seja um religioso, mas que seja leigo. Sobretudo, também, vendo que os grupos que nós animamos dentro da FS na sua maioria são leigos: antigos e antigas alunos, salesianos cooperadores, ADMAS, Damas Salesianas, as Voluntárias de Dom Bosco… Por isso, temos de afinar a capacidade de compreender a laicidade, de respeitar a sua vocação, de deixar que sejam eles mesmos, para então ser

fiéis ao carisma salesiano no respeito à sua laicidade. E também para que também eles conheçam o carisma da consagração. Na segunda volta nos centramos mais sobre o tema da identidade da FS, à luz do documento publicado no ano 2012. Aproveitamos para trabalhar o tema da carta: a identidade de cada grupo. E o queremos fazer acentuando os encontros com os formandos, porque esse foi o pedido dos Delegados durante a primeira visita, pois é na etapa formativa dos sdb e fma que se cria essa mentalidade. Começar já desde o aspirantado a criar esta mentalidade de trabalhar juntos, projectar juntos, pensar juntos… para que depois quando tenhamos de fazer equipas seja uma coisa normal.

Somos família e trabalhamos juntos porque somos filhos dum mesmo Pai. Ir. Leslye: É a minha primeira experiência como parte desta

equipa. O objectivo é o mesmo: sentirmo-nos que somos parte da FS, e de que senão trabalhamos juntos, morremos. O facto de trabalhar juntos em equipa como parte duma mesma Família é o que nos vai salvar e vai ajudar a seguir adiante o carisma salesiano no mundo de hoje. Actualmente a FS tem um valor fundamental. A participação dos leigos é urgente, e não como necessidade, mas como valor.

Creio no trabalho juntos, no projectar e sonhar juntos. E a experiência que estou a viver me motiva para continuar adiante em acreditar que como FS temos essa responsabilidade de animar o carisma. P. Casti: Faço parte deste grupo da FS, que é de animação, isto é, a nossa tarefa principal é a de lembrar a todos os grupos da FS que temos uma alma, um coração, um espírito que nos une. E porque isto serve também de motivação para a missão salesiana. Se falta esta consciência de que temos uma alma e um único espírito,

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e é o Espírito Santo que quer fazer hoje presente a Dom Bosco, vem faltar também a paixaõ educativa, isto é, a nossa missão educativa se enfraquece. Por tanto, a primeira tarefa que temos é de reavivar o Espírito, fazer vivo o Espírito Santo que se manifesta em Dom Bosco hoje. A segunda tarefa é a de unir as forças. Se trabalhamos sozinhos é difícil enfrentar todos os desafios que a sociedade e o mundo, sobretudo o mundo juvenil, nos apresenta. São desafios enormes, não só em África, mas no mundo inteiro. Hoje nós, como queria Dom Bosco, devemos unir as forças para responder aos desafios dos jovens.

O verdadeiro rosto de Dom Bosco é a Família Salesiana. Por tanto, o verdadeiro rosto de Dom Bosco não é o de um grupo sozinho. Quando nós apresentamos, também diante das Sociedade e das autoridades civis, devemos de nos apresentar com este rosto, o da Família Salesiana. Este é uma mentalidade

que temos de criar. Até agora temos trabalhado isoladamente, cada um pela sua conta, mesmo que estejamos no mesmo território, mesmo vizinhos.

dos grupos da FS. Uma autonomia que se exprime a nível económico, a nível espiritual, a nível pastoral. A todos os níveis.

Nós devemos apresentar com um só rosto, o de Dom Bosco: trabalhar juntos, pensar juntos projectar juntos pela mesma causa e missão que são os jovens. É uma mentalidade e hábito que devemos criar. Por isso estamos a dar importância aos jovens, àqueles que estão em formação, os futuros salesianos/as, é com eles que devemos criar esta mentalidade de que o verdadeiro rosto de Dom Bosco é o rosto de uma FS.

Cada grupo da FS tem os seus superiores. E eles devem dirigir os seus grupos. O Reitor Mor é o acompanhante, o Pai que ama, que segue e vela para que o carisma salesiano se conserve nítido e claro como o espírito Santo o suscitou em Dom Bosco.

A VOSSA LEMBRANÇA P. Pastor: Compreender, e é fundamental, que:

O Reitor Mor é o Pai espiritual, o centro da Família Salesiana. Compreender quetodos os grupos giramos ao redor dele como Pai espiritual. E ele como Sucessor de Dom Bosco, respeita a autonomia de cada um

P. Casti:

A vocação do SSCC é uma verdadeira vocação, isto é, é um dom do Espírito Santo, através de Dom Bosco, ao mundo e sobretudo, aos jovens. Isto o devem compreender, de maneira especial, os sdb e as fma, porque se não entendem este dom não lho propõem aos outros, e se não o fazem empobrecem o mundo, empobrecem os jovens, de um dom que Deus quer fazer a eles através dos SSCC. È uma vocação que se exprime através de uma promessa, um compromisso público que os SSCC fazem na Igreja, diante dos outros, de ser esta presença amorosa de Deus, através de Dom Bosco, se faz aos jovens.

Ir. Leslye: Se a FS quer ser significativa no dia de hoje tem de dar o testemunho de unidade e de credibilidade.

Maio-Junho


O jornal da Escola Profissional de Moamba, ‘A Voz do Estudante’, do mês de Abril lembrou-nos a todos o seguinte acontecimento histórico:

«No dia 19 de Março, o director da escola dirigiu uma cerimónia simbólica que deu início às festividades dos 20 anos da presença da Sociedade Salesiana na Moamba, na gestão da então Escola de Artes e Ofícios, hoje Escola Profissional de Moamba. Após a habitual entoação do Hino Nacional, todos os alunos e professores dirigiram-se ao local onde decorreu a cerimónia marcada por um plantio da árvore baptizada com o nome de “árvore dos 20 anos”, em frente da oficina de electricidade. Foi o irmão Francisco de Oliveira, o salesiano mais velho da obra, o professor Rainer Américo, representante dos professores e uma aluna do 1º ano da especialidade de Agro-pecuária, que fizeram o plantio da referida árvore. O ponto mais alto das celebrações vai acontecer no dia 16 de Agosto, aniversário do nascimento de Dom Bosco, Fundador da Sociedade de São Francisco de Sales, Filhas de Maria Auxiliadora e outros grupos desta vastíssima família, dedicada à educação.»

UMA PRESENÇA SALESIANA QUERIDA Segundo o Padre André Kalonji, Director da Comunidade Salesiana de Moamba, «as pessoas tem uma visão positiva dos sdb. Há muitos alunos que passaram por Moamba e reconhecem o trabalho feito pelos sdb e reconhecem que aquilo que eles são hoje é por causa dos sdb na Moamba. O facto de ser a única Escola Profissional na zona, marca diferença com as outras escolas. 20 anos depois quando contamos os alunos que passaram por aqui, e são muitos, e muitos trabalham em várias empresas. Acho que as pessoas são gratas pelo nosso trabalho. O mesmo afirma o Padre Arlindo Matavele, Director da Escola : «A presença salesiana é muito apreciada. Continuamos a ter um bom nome. Isso por causa dos frutos palpáveis. Há muita gente que passou por esta escola e que hoje já conseguiu ingressar na faculdade, ou conseguiu obter um emprego válido. Continuamos a receber muitos antigos alunos que vêm com saudades, vêm cumprimentar os salesianos que os acompanharam, e vêm falar da Escola daquele tempo, e de um modo geral, o eco é positivo».

DESAFIOS PARA A ESCOLA PROFISSIONAL O Director da Escola, P. Arlindo indica dois grandes desafios que tem de enfrentar a Escola, um relacionado com a pessoa dos próprios alunos e outro com os seus encarregados de educação. Ele diz: «Os grandes desafios que nós temos é o de garantir uma qualidade de ensino técnico-professional e garantir uma ‘reabilitação’ da maior parte dos jovens que vêm aqui à Escola Profissional. É necessário fazer uma mudança de mentalidade, porque a maior parte dos encarregados de educação quando mandam os seus filhos para a escola profissional é um dos últimos recursos que eles já têm. Muitos apenas conseguiram fazer a 7ª classe. Chegam aqui com muitas deficiências: não sabem ler, não sabem escrever, têm problemas sérios do cálculo. Então mandam para

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aqui para que ao menos tenham uma profissão. É a ideia que muita gente têm. Portanto, a Escola profissional não somente forma na parte profissional, apostamos numa formação integral, mesmo à parte da profissão, tem a parte teórica. Um individuo que não saber ler, que não sabe escrever, que não sabe fazer cálculos, não poderá ser um bom carpinteiro, um bom electricista, um bom agro-pecuário. Este é um primeiro grande desafio: garantir qualidade a esses alunos que já vêm deficientes, intelectualmente falando. Do lado do internato, muitos encarregados de educação enviam os seus jovens porque são difíceis lá em casa. Já trazem problemas sérios na área da afectividade, na área do acompanhamento, porque muitos são órfãos de pais e só ficaram com a avó, com a tia ou com a mãe, e a mãe tem outras ocupações, ficaram muito tempo sozinhos e com amigos de má conduta. Então mandam para cá, confiando efectivamente que a Congregação salesiana, com o seu sistema educativo, pode dar uma ajuda nisso. Então, é um grande desafio porque exige um acompanhamento mais personalizado para garantir, de facto, essa reabilitação a nível do comportamento. Isso é uma grande exigência sobretudo pelo número de assistentes e o numero de salesianos que é preciso ter, e a especialização de esses assistente, o acompanhamento na área psicológica.

OS SONHOS Todo aniversário olha para o passado e o presente, mas também lança um olhar para o futuro. Perguntamos agora ao P. Kalonki e ao P. Arlindo pelos sonhos de esta obra salesiana. O P. Kalonji nos responde que « O projecto futuro da Escola e depois de 20 anos da presença estamos a ver que aquilo que demos em 20 precissa ser ultrapasado.. Por exemplo, a nível de estudos hoje, temos de pensar no nível Médio, porque o que estamos a dar hoje é uma resposta que já foi ultrapasada. Temos de elevar o nível da nossa Escola, por várias razões: a primeira é que o nível com que os

Maio-Junho

alunos saem, tem dificuladade no mercado para ganjhar um salário digno. Depois, para evitar o éxodo da escola profissional para o ensino geral, é necessário dar o nível médio». E os sonhos do P. Arlindo, entre outros, são: «Sonho para o futuro da Escola com uma boa qualidade. Evidentemente, esta boa qualidade, não depende só de uma boa vontade. É preciso que tenhamos mais recursos. É preciso também, podemos dizer, uma profissionalização na maneira de fazer as coisas na área administrativa, não somente pedagógica, na área administrativa, que precisa de uma profissionalização, para que os poucos recursos que entram sejam utilizados racionalmente. Sonhos também de que com poucos salesianos, possamos confiar e apostar mais na formação de colaboradores leigos para que possam, mesmo na ausência dos salesianos, possam garantir a educação que sempre foi característica nossa.


A Irmã Maria Américo Rolim, Conselheira Geral das FMA deixa para os jovens que têm uma inquietação vocacional os seguintes conselhos:

Faço minhas as palavras que Papa Francisco dirigiu, neste Domingo (28/04/2013), a mais de setenta mil jovens, na Praça São Pedro, na Santa Missa do Crisma. “Jovens, arriscai a vida por grandes ideais! Permanecei firmes no caminho da fé, com uma sólida esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho Tenhamos confiança na ação de Deus! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas.”. Que mais posso dizer-vos? Empregai as vossas energias em buscar conhecer e amar Jesus, é Ele quem as chama e sem Ele é impossível discernir o sonho de Deus sobre vossas vidas. Rezai muito, escutai o Espírito Santo que fala ao vosso coração e confiai muito em Maria, primeira discípula de Jesus. Buscai uma pessoa sábia que possa acompanhar-vos no discernimento vocacional. Empenhei-vos também em conhecer esta família religiosa à qual desejais pertencer e exercitai-vos no serviço aos irmãos necessitados. E… com fé e coragem, sem medo do risco da fé, entregai-vos a Deus, como tantas irmãs e irmãos que, com alegria, seguiram e seguem também hoje os passos de Jesus.

Maria é bem-aventurada porque acreditou na Palavra do Senhor. Por ter-se deixado mover pela força da Palavra, tornou-se modelo de discipulado, de consagração. A Mãe do Senhor reconhece as maravilhas que Deus operou em sua vida. Ela é feliz porque assumiu sua verdadeira vocação; a alegria é sinal autêntico de vocação acertada. Maria foi obediente até o fim. Deus olhou para a humildade de sua serva, que se conservou pobre e humilde. Sua virgindade é sinal de fidelidade a Deus e de santidade. P. Kazembe Nk. André sdb

A Ir. Maria Américo junto às pré-noviças e aspirantes Fma da Casa formativa do Bairo do Jardim—Maputo

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A vida consagrada é um chamado a uma relação única com Cristo, que vem da imitação Dele da maneira mais radical.

Por exemplo, uma religiosa é uma mulher que combina amor tão íntimo de Cristo que, através dessa relação, torna-se capaz de ser uma mãe espiritual de pessoas nas situações mais diversas, e testemunha do absoluto de Deus. Uma Irmã pode "investir" seu coração e todo o entusiasmo para aqueles para quem rezar ou a quem ela é enviada, mediante o carisma recebido. A vocação à vida consagrada é um dom especial recebido de Deus dentro de um carisma do seguimento de Cristo casto, pobre e obediente. A pessoa consagrada é uma pessoa nomeada para uma maneira especial de seguir a Cristo e dar-lhe um coração verdadeiramente indiviso (cf. 1 Cor 7, 34). É alguém que, deixando tudo

para estar com Cristo e segui-Lo mais de perto, como consequência dá-se de si mesmo para o próximo. Desde o início da Igreja, Deus dá às pessoas assim vocacionadas um carisma como vocação. Graças aos carismas diversos e ricos, a vida espiritual e apostólica, as pessoas consagradas tornam-se sinais de presentes incomuns e tesouros que Deus colocou no meio de nós. Elas nos recordam essa presença de Deus na história e na vida e nos ilumina com a vida de pobreza, castidade e obediência. P. Kazembe Nk. André sdb

O P. Ricardo Cáceres celebra neste ano de 2013 os seus 25 anos de vida consagrada salesiana (31 Janeiro 1988-2013). Actualmente trabalha como administrador na Escola Profissional Domingos Sávio de Inharrime (Inhambane). Eis a sua mensagem para os leitores do BS:

O mais importante na vida è ser felizes, mas é preciso descobrir o que deseja o Senhor de cada um de nós, para que a nossa vocação no mundo se transforme em compromisso muito concreto ao serviço da Igreja, da sociedade e dos outros. Hoje os meios de comunicação social, apresentam uma felicidade egocêntrica, pragmática, mediática e que dá pouco espaço ao bemestar comum. Como jovens comprometidos em nossas comunidades cristãs, estamos chamados a trabalhar pela transformação da realidade e transmitir uma mensagem de alegria do Reino, vivendo a proposta de Jesus do sermão da montanha (Mt 5,1). Assim, viveremos a centralidade de nossa vida, sem perder o rumo daquilo que é essencial para nossa felicidade.

Maio-Junho


Boletim Salesiano Nº 52 Maio-Junho 2013  

Boletim Salesiano Moçambique

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