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Neste Ano da Fé o Papa nos convida a descobrir nos SANTOS as testemunhas vivas da fé. A Família Salesiana é já uma família de santos e santas. Hoje, seguindo o calendário do BS italiano para 2013, apresentamos a figura do Santo da Bondade, do qual tomamos, por vontade de Dom Bosco, o nome de ‘SALESianos’ e cuja festa é o 24 de Janeiro.

SÃO FRANCISCO DE SALES: Alguém poderá perguntar: porque o Oratório foi dedicado e começou a chamar-se de São Francisco de Sales? D.Bosco, estando ainda no Colégio Eclesiástico (Convitto) já tinha no coração o pensamento de colocar todas as suas obras sob a protecção do Apóstolo do Chiablese, porque o ministério que assumiu para realizar no meio dos jovens exigia muita calma e mansidão; e por isso, queria colocar -se sob a especial protecção de um Santo, que foi um modelo perfeito da virtude da bondade. (MB II, 252).

«Deus ordena aos cristãos, que são as plantas vivas da sua Igreja, que produzam frutos de devoção (=vida de piedade), cada qual segundo a sua qualidade, o seu estado e a sua vocação.» 3 breves textos escritos por S. Francisco de Sales

«A devoção deve ser exercida de maneira diferente pelo patrão e pelo operário, pelo criado e pelo príncipe, pela viúva, a solteira ou a mulher casada; é necessário acomodar o exercício da devoção às forças, aos trabalhos e aos deveres de cada pessoa em particular».

«Ó meu Deus! que alegria teremos no Céu quando virmos o Amado (=Jesus) de nossos corações como um mar infinito, cujas águas são unicamente perfeição e bondade»

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Janeiro—Fevereiro 2013 ANO XIII - Nº 50 Queridos amigos e amigas do Boletim Salesiano: Iniciamos o ano procurando cumprir um desejo: publicar bimensalmente o Boletim Salesiano. Este exemplar faz já o numero 50. São poucos números, mas já fizeram a sua história desde que o Padre Adolfo Duro iniciara a caminhada desta revista tão querida para Dom Bosco. Agradecemos a Deus e a todos os que colaboraram para que fosse uma realidade humilde e bonita. A edição digital deste numero sai dias antes de celebrar os 125 anos da morte (dies natalis) do nosso Pai e Fundador. Mas, o olhar não fica para trás. Com todos, unidos ao seu Sucessor actual, Padre Pascual Chávez, olhamos com esperança para o bicentenário do seu nascimento: 2015! O Sistema Preventivo vai ser a ‘medula’ da nossa renovação para este ano, a todos os níveis e em todas as estruturas. Temos de tomar consciência de que o Sistema Preventivo é um enriquecimento para a cultura moçambicana, como já o foi para outras culturas. Os desafios da sociedade e da juventude necessitam a nossa resposta educativa salesiana: o Evangelho da alegria; o estilo de bondade; a vida como vocação; homens e mulheres transformadores da sociedade e criadores de Igreja, a de Jesus. O nosso pedido a Dom Bosco pela sua festa: que o seu amor pelos jovens e a sua alegria evangélica atraia muitos rapazes e raparigas do nosso extenso Moçambique, para que tenham a coragem e energia de o seguirem nas diferentes vocações salesianas para o bem dos jovens mais pobres. P. Rogelio Arenal sdb

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Começamos a apresentar as mensagens do Reitor Mor para o BS de 2013 dentro do ano dedicado ao Sistema Preventivo. Numa linguagem simpática, o P. Pascual escreve em primeira pessoa como se fosse o mesmo D. Bosco a falar connosco. Eis a mensagem de Janeiro de 2013.

1- A presença de uma mãe. Mamãe Margarida tinha apenas 29 anos quando meu pai morreu, destruído em poucos dias por uma terrível pneumonia. Mulher enérgica e corajosa, não ficou a lamentar-se; arregaçou as mangas, e assumiu o seu duplo trabalho. Doce e decisiva, fez as vezes de pai e mãe. Muitos anos depois, feito padre para os jovens, poderei afirmar como fruto da experiência concreta: "A primeira felicidade de um jovem é saber que é amado". Por isso, com meus jovens sempre fui um verdadeiro pai, com gestos concretos de amor sereno, alegre e contagiante. Eu amava os meus jovens e dava-lhes provas concretas desse afeto, entregando-me completamente à causa deles. Não aprendi nos livros esse amor forte e viril; herdei-o de minha mãe e sou-lhe reconhecido por isso.

2– O trabalho. Minha mãe era a primeira a dar-nos o exemplo. Eu sempre insistia: "Quem não se habitua ao trabalho na juventude, será sempre preguiçoso até a velhice". Na conversa familiar que tinha com meus jovens depois do jantar e das orações da noite (o célebre "boa-noite") eu insistia que "O paraíso não é feito para os preguiçosos".

3– O sentido de Deus. Minha mãe condensara o catecismo inteiro numa frase que repetia a cada instante: "Deus te vê!". Eu, à escola de uma catequista completa como era minha mãe, cresci sob o olhar de Deus.

Não um Deus-policial, frio e implacável que me 'pegava' em fragrante; mas um Deus bom e providente, que eu descobria no suceder-se das estações e aprendia a conhecer e agradecer no momento da colheita do trigo ou depois da vindima, um Deus grande, que admirava olhando para as estrelas à noite.

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4- "Raciocinemos!" Nossos velhos pronunciavam este verbo em piemontês; e quanta sabedoria eu descobria nessa palavra. Era usada para dialogar, explicar-se, chegar a uma decisão comum, tomada sem que alguém quisesse impor o próprio ponto de vista. Depois, farei do termo "razão" uma das colunas mestras do meu método educativo. A palavra "razão" será, para mim, sinônimo de diálogo, acolhida, confiança, compreensão; será transformada numa atitude de busca para que não haja rivalidade entre educadores e jovens, mas tão somente amizade e estima recíproca. Para mim, o jovem jamais será um sujeito passivo, um simples executor de ordens. Em meus contatos com os jovens, jamais farei de conta que estou escutando; eu os escutarei realmente, discutirei o ponto de vista deles, as suas razões.

5 - O gosto de trabalhar em conjunto. Por muitos anos, fui protagonista absoluto entre os meus colegas: penso nas primeiras experiências como saltimbanco nos Becchi, naquelas esplêndidas tardes de domingo; penso na popularidade adquirida entre meus colegas de escola em Chieri, a ponto de numa página autobiográfica eu poder afirmar que "era venerado pelos meus colegas como capitão de um pequeno exército". Mas, depois, compreendi que o protagonismo era de todos. Surgiu, então, a Sociedade da Alegria, um grupo simpático de estudantes no qual todos atuavam em posição de paridade. O Regulamento era composto por três brevíssimos artigos: - estar sempre alegres, - cumprir bem com os próprios deveres, - evitar tudo que não fosse digno de um bom cristão. Mais tarde surgirão as Companhias, grupos juvenis, verdadeiros laboratórios de apostolado e santidade ao alcance de todos. Dizia que elas eram "coisa de jovens" para favorecer a iniciativa deles e dar espaço à sua criatividade natural.

6- O prazer de estar juntos. Eu queria que os educadores, jovens ou idosos que fossem, estivessem sempre entre os jovens, como "pais amorosos". Não por desconfiança em relação a eles, mas justamente para caminhar com eles, construir e participar com eles. Chegarei a dizer com íntima alegria: "Entre vocês, sinto-me bem. Minha vida é justamente estar com vocês".

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Mensagem do Reitor Mor ao BS para Fevereiro 2013.

A alegria: o décimo primeiro mandamento! «Sou conhecido no mundo todo como um santo que semeou muita alegria a mãos cheias. Ou melhor, como escreveu alguém que me conhecia pessoalmente, fiz da alegria cristã “o décimo primeiro mandamento”. A experiência convenceume não ser possível um trabalho educativo sem este admirável impulso, este belo percurso a mais que é a alegria. E para que os meus jovens estivessem intimamente persuadidos disso, eu acrescentava: “Se quereis que a vossa vida seja alegre e tranquila, deveis procurar viver na graça de Deus, pois o coração do jovem que vive no pecado é como o mar em agitação contínua”. Eis porque sempre recordava que “a alegria nasce da paz do coração”. E insistia: “eu não quero outra coisa dos jovens senão que sejam bons e sempre alegres”. Há quem, às vezes, me apresente como o eterno saltimbanco dos Becchi e pense fazer-me um grande favor. Mas é uma imagem muito redutiva do meu ideal. Os jogos, as excursões, a banda de música, as representações teatrais, as festas eram um meio, não um fim. Eu tinha em mente o que escrevia abertamente aos meus jovens: “Um só é o meu desejo: ver-vos felizes no tempo e na eternidade”.

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Viver e transmitir a alegria, uma forma de vida Desde criança, o jogo e a alegria foram para mim uma forma séria de apostolado, do que estava intimamente convencido. Para mim, a alegria era um elemento inseparável do estudo, do trabalho e da piedade. Um jovem daqueles primeiros anos recordando os anos “heroicos” assim os descrevia: “Pensando como se comia e como se dormia, admiramo-nos agora de ter podido divertir-nos, sem, contudo sofrer e sem nos lamentarmos. Mas éramos felizes, vivíamos de afeto”. Viver e transmitir a alegria constituía uma forma de vida, uma opção consciente de pedagogia em ação. Para mim, o jovem era sempre um jovem, a sua exigência profunda era a alegria, a liberdade, a diversão. Sentia como natural que eu, padre para os jovens, lhes transmitisse a boa e alegre notícia contida no Evangelho. E não o poderia fazer carrancudo e com modos frios e bruscos. Os jovens precisavam entender que para mim a alegria era uma coisa tremendamente séria! Que o pátio era a minha biblioteca, a minha cátedra onde eu era ao mesmo tempo professor e aluno. Que a alegria é lei fundamental da juventude. Eu valorizava o teatro, a música, o canto, e organizava nos mínimos detalhes as célebres excursões de outono.

Jovens construtores de esperança e de alegria Em 1847, imprimi um livro de formação cristã, O Jovem Instruído. Escrevera-o roubando muitas horas ao sono. As primeiras palavras que os meus jovens liam eram estas: “O primeiro e principal engano com que o demónio costuma afastar os jovens da virtude é fazê-los pensar que servir a nosso Senhor consista numa vida melancólica e distante de qualquer divertimento e prazer. Não é assim, caros jovens. Eu quero ensinar-vos um método de vida cristã, que possa ao mesmo tempo fazer-vos alegres e felizes, indicando-vos quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres... Esta é, justamente, a finalidade do pequeno livro, servir ao Senhor e viver alegres”. Como vedes, para mim a alegria assumia um profundo significado religioso. No meu estilo educativo havia uma combinação equilibrada de sacro e de profano, de natureza e de graça. Não me satisfazia que os jovens fossem alegres; queria que eles difundissem ao redor deles esse clima de festa, de entusiasmo, de amor à vida. Queria-os construtores de esperança e de alegria. Missionários de outros jovens mediante o apostolado da alegria. Um apostolado contagiante».

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O desenvolvimento da vocação sacerdotal de Dom Bosco caminou a par e passo com a manifestação e desenvolvimento da sua vocação de educador. Ambas as vocações se influenciaram e qualificaram reciprocamente. A vocação sacerdotal de Dom Bosco conferiu à sua vocação de educador o sentido mais profundo e a sua forma de ser; ao passo que a sua vocação de educador conferiu à sua vocação sacerdotal a especificidade e dimensão concreta. Dito por outras palavras, Dom Bosco foi sacerdote também na sua missão educativa e nas suas actividades pedagógicas; como foi também educador na sua missão sacerdotal e nas suas actividades ministeriais. Pode, pois, afirmar-se que a pedagogia de Dom Bosco foi sacerdotal e que o sacerdócio de Dom Bosco foi educativo e pedagógico. Já adulto, reconhece com muita simplicidade: “O desejo de reunir os rapazes para lhes ensinar o catecismo despertou em mim quando tinha apenas cinco anos; isto constituía o meu mais vivo anelo, parecendo-me a única coisa que tinha a fazer na terra”. Por isso, consagrou e entregou toda a sua vida à educação dos rapazes mais pobres e a fazer deles “honrados cidadãos e bons cristãos”. Refletindo sobre as origens da sua obra, Dom Bosco confessa com humildade: “Quando me entreguei a esta parcela do sagrado ministério, entendi consagrar todos os meus esforços à maior glória de Deus e ao bem das almas, e propus-me dedicar-me a formar bons cidadãos nesta terra, a fim de que depois fos-

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sem dignos cidadãos do céu. Que Deus me ajude a continuar neste propósito até ao último alento da minha vida”. Eugénio Alburquerque Frutos (Traductor: Basílio Gonçalves) Publicado no BS de Portugal nº 535 Separata, Nov/Dez 2012

«Não podemos dizer se Dom Bosco começou a pensar primeiro na santidade ou no sacerdócio. Mas a verdade é que João Bosco desde pequeno era já ambas as coisas, à sua maneira. Logo, todo o seu itinerário formativo ficou marcado pela pobreza; mas a pobreza como a entende o Evangelho. Teve que viver na pobreza e é inenarrável constatar o que significou para ele. Contudo imediatamente se deu conta que, mesmo com essas limitações, Deus queria que ele fosse sacerdote, embora nem tivesse chegado a entender ainda o que significava ser sacerdote» Cardeal Anastasio Ballestrero

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Realizou-se em Roma, do 28 de Dezembro ao dia 2 de Janeiro o 35º ENCONTRO EUROPEU de JOVENS, organizado pela Comunidade cristã de Taizé, fundada pelo grande Irmão Roger, um apóstolos dos jovens de todas as confissões cristãs e não só. O tema do encontro deste ano era: “OS JOVENS, SOIS A ESPERANÇA DE UM MUNDO ROTO”. Foram seis dias de oração, de reflexão e de vida nas paróquias, famílias e comunidades religiosas de Roma. Tiveram uma Vigília de oração com o Papa e todas as autoridades das diferentes Igrejas cristãs fizeram-se presentes com as suas respectivas mensagens. Eis algumas mensagens transmitidas:

“A juventude é também caridade, simplicidade de coração...” “A confiança dentro do cristianismo é um acto de fé, uma acto de adesão do coração, de adesão da inteligência. A fé é o fermento da nossa confiança em Deus” “A oração é um acto de fé: é um acto de reconhecer a possibiidade de ter uma relação directa com Deus...” Patriarca Bartolomé (Igr.Ortodoxa)

“É impressionante quando alguém se desvia do plano da sua vida, muda os seus projectos, é surpreendido por uma luz e a segue... E lembrai, JESUS, está sempre aí. Mostra-nos o caminho para a conversão” “Esta LUZ-JESUS dá-nos corações para uma nova solidariedade. Mostra-nos alternativas para mudar a vida actual. Podemos seguir juntos caminhos para uma vida que seja pacífica, sustentável e equitativa” Martin Junge ( Ig. Luterana)

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Chamo-me Cintia Carla de Sousa Flores, moçambicana de 23 anos de idade, estudante do segundo ano de contabilidade do Instituto Superior Dom Bosco (ISDB), residente em Maputo, bairro do Chamanculo C. Estou na Paroquia de São José a trabalhar como animadora há quase cinco anos, num grupo de aproximadamente vinte e cinco membros. Este grupo procura trazer às crianças, adolescentes e jovens dos bairros circunvizinhos (Chamanculo, Malanga e Luís Cabral) tardes recreativas aos domingos durante o período lectivo aos domingos e nas férias “Verão Bosco” de segunda a domingo; ao estilo de Dom Bosco oferecemos, grupos formativos de fé nos domingos logo após a missa, reforço das matérias, actividades manuais, música e desporto. No decorrer deste trabalho o grupo desenvolveu (sempre com a ajuda do Pe. Miguel) várias actividades que me fizeram crescer espiritualmente dentre elas destaco a Campanha de solidariedade que envolveu não só o Oratório

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pois abrangeu a comunidade Paroquial. Tivemos muita aderência na campanha, conseguimos angariar vários produtos, entre alimentos, vestuário, calçado e material escolar. Foi gratificante ver o envolvimento da comunidade, para mim, com certeza esta foi uma experiência marcante, pois, com um pouco que cada um pôde oferecer podemos ajudar muitas pessoas que vivem, apesar de não ser suficiente. No bairro a maioria dos jovens não tem muitas oportunidades, de ir a escola e obter um emprego digno, pois não tem formação. O seu refúgio tem sido em algumas actividades que na maioria são prejudiciais. No caso dos rapazes o grande problema tem sido o álcool e as drogas, uma vez que estes entregam-se completamente a estes vícios desperdiçando a sua juventude. Quanto as raparigas, estas engravidam muito cedo, algumas tentam constituir família, que por vezes tem sido infeliz; e outras com medo fazem abortos clandestinos, com ou sem o consentimento dos seus encarregados. Existe porém, um pequeno grupo que não luta contra esta

Cintia Carla de Sousa Flores,

realidade, mas oferece novos horizontes, novas perspectivas com a formação humana nas catequeses, nos grupos de vida e no oratório. Enfrentamos por vezes algumas barreiras como o desinteresse pelo assunto ou tema, mas mesmo com aqueles poucos que aderem procuramos sempre oferecer o melhor, fazer com que a informação chegue e que seja entendida. Com todo este trabalho realizado notamos que ainda é muito pouco, queremos levar a estes jovens a descobrirem a Jesus em suas vidas e a ficar com ele, outro desafio é a sua formação.


Continuamos apresentando alguns textos da carta dos Bispos de Moçambique “SALVAGUARDAR A VIDA HUMANA”, e fazendo alguns comentários que nos ajudem a fomentar em nós o cuidado pela família, como núcleo fundamental de toda sociedade e como base da Igreja doméstica.

- Afirma o documento que na nossa sociedade actual «há mais perversão sexual do que bigamia».

Neste número do BS estudamos o número 27 que trata sobre a BIGAMIA.

Os Bispos com esta ultima afirmação tocam um tema vital e grave.

Alguns legisladores do nosso país estão a propor a legalização da bigamia. Mas o que é isso?

Ao desaparecer progressivamente, por várias causas, o entorno familiar onde se transmitiam os valores da vida e da família -lembramos os ritos de iniciação-, e não haver outra oferta colectiva positiva no campo do amor, da afectividade, da sexualidade, do matrimónio, se está a viver uma radical mudança, muitas vezes não positiva.

Escrevem os Bispos: «A bigamia é o acto pelo qual um homem ou mulher contrai segundo ou ulterior matrimónio, sem que se ache legitimamente dissolvido o anterior. Logo, isto envolve em si a poligamia (n.d.r.:um homem com muitas mulheres) e a poliandria (n.d.r.:uma mulher com muitos homens)»

A infidelidade desordeira fora do casal, seja no homem como na mulher, substituiu a poligamia tal como se entendia e vivia na tradição. É provável que uma das causas seja uma vivência deficiente e errada da sexualidade da pessoa assim como uma fraca ou inexistente formação para o amor nas ultimas gerações. Também, certos meios de comunicação social (através dos filmes, vídeo clips, letras de canções...) transmitem uma imagem da sexualidade que potencia mais os instintos sexuais que o amor autêntico.

Algumas considerações: - «Na proposta da despenalização da bigamia –afirmam os Bispos- transparece uma machismo camuflado em que o homem pretende enveredar pela poligamia e não o contrário; deste modo negligencia-se o principio da igualdade do género...» - Com a bigamia o valor da unidade da família fica destruído, podendo chegar a criar um tipo de «família depravada, incongruente, absurda e doentia». Será este o caminho para conseguirmos homens e mulheres felizes? Famílias felizes? Uma sociedade feliz?

Esta afirmação da escritora madeirense, católica e salesiana cooperadora, pode-se aplicar ao que estamos a falar: - Sem dúvida, o casal tem a responsabilidade de cuidar materialmente da família. - Mas, o mais importante no casal e na família, é o amor que se vive dentro dela. Éste amor é fonte de vida!

Para muitas crianças e jovens faltam modelos de pais e mães, de casais fiéis. É um triste facto, que muitíssimas crianças tem de viver com seus padrastos ou madrastas, e em muitas ocasiões, passam por essa experiência várias vezes, com todo o que isso tem de traumático. Quando elas forem adultas, tenderão a repetir os mesmos comportamentos que elas viram nas suas famílias.

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ser doutor e não saber tratar os outros como gente; não saber cumprir com a palavra dada; não se comportar bem; trair a esposa e os filhos; não ser gentil; não ser afável, etc. Deus quis que isso fosse feito antes de tudo pelos pais e, de modo especial, p e l a mãe.

Nada é tão grande neste mundo como “construir” um ser humano. As máquinas acabarão um dia, mas os nossos filhos jamais. Hoje mais do que nunca, o valor da mulher na educação e maternidade deve ser valorizado e protegido pela sociedade. A maternidade é um dom de Deus que as sociedades modernas devem proteger para manutenção da dignidade da pessoa humana. Tudo começa em casa Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. Por isso, a educação não se recebe só na escola, mas principalmente em casa. Às vezes ouve-se alguém dizer: “Ele é analfabeto, mas é muito educado”. Não adianta

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Hoje sobretudo, quando muitas mães são obrigadas a criar sozinhas os seus filhos, porque são “órfãos de pais vivos”, essa missão torna-se mais importante e árdua ainda. Nesse caso, o papel materno tem a sua importância triplicada, porque ela (a mãe), tem de desempenhar o papel do pai e dela própria. Esta é hoje a realidade da sociedade moçambicana desde o campo até a cidade. O que fazer para mudar este cenário? A Igreja nos ensina que: “Pela graça do Sacramento do matrimónio os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os seus filhos. Por isso os iniciarão desde a tenra idade nos mistérios da fé, da qual são para os filhos os primeiros arautos.(LG,11). Associá-los-ão desde a primeira infância à vida da Igreja” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2225). A arte de educar os filhosSem o carinho e a atenção da figura da mãe, a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida. O povo diz que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher, mas é preciso

não esquecer que “esta mulher”, mais do que a esposa, é a mãe. É no colo da mãe que a criança precisa aprende o que é a fé, aprende a rezar e a amar a Deus e as pessoas. É no colo que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo da mãe que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e não desprezar ninguém. É a mãe, com o seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua plantinha que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da má-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela que lhe vai ensinando a perdoar, a superar os momentos de raiva, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro. É a mãe que nas primeiras tarefas do lar lhe ensina o caminho redentor do trabalho e a responsabilidade.

Até o Filho de Deus quis precisar de uma Mãe para cumprir a Sua missão de salvar a humanidade; e Ele fez o Seu primeiro milagre nas Bodas de Caná exatamente porque Ela lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus. Gandhi dizia que “a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa”. Para isso é preciso a arte de educar, a mais difícil e mais bela de todas.

Alice Albertina, FMA


O mundo não é hoje só onde as pessoas ‘vivem fisicamente’, mas também onde as pessoas ESTÃO! Na NET estão muitos e nós também!

- 2.080 milhões de pessoas utilizam internet (das quais, 1.190 milhões são dos países em desenvolvimento, como o nosso); - Existem 5.280 milhões de pessoas com telefone celular (das quais, 3.840 milhões são dos países em desenvolvimento). (Dados de 2011)

Na ‘rede’ de internet trata-se de evangelizar não o meio, mas sim as pessoas que u t i lizam cada um dos meios sociais que se vão criando. Cada meio social, cada r e d e social, necessita de uma equipa de evangelizadores que faça presente a Cristo e à Igreja nesse meio. (Nestor Mora)

O ‘Oratório de Valdocco’ foi o ESPAÇO educativo e evangelizador de Dom Bosco. Hoje, D.Bosco, não trabalharia na NET para criar nela um espaço harmonioso, de relações e para evangelizar?

Não basta estar na NET, como todos. É necessário fazer dela um lugar de COMUNICAÇÃO autêntica, transmissora de valores, de formação e de informação construtiva.

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Dom Bosco iniciou, desde o início da Congregação, a tradição da Estreia. Era o presente ‘educativo e afectivo’ que ele dava a cada jovem e a cada salesiano ao terminar o ano como palavra de ordem para viver no novo ano. Desde então, todos os seus Sucessores repetem o gesto. O comentário oficial da Estreia, que guiará o trabalho da Família Salesiana durante todo o ano, é apresentado sempre, em primeiro lugar, desde as últimas décadas, pelo Reitor Mor às Filhas de Maria Auxiliadora, na sua Casa Geral em Roma. Só depois é que se faz extensivo a toda a Família Salesiana.

O SISTEMA

UMA SÍNTESE: ‘O Sistema Preventivo representa a síntese da sabedoria pedagógica de Dom Bosco ‘

PREVENTIVO (SP) É:

UM DESAFIO: «No contexto da sociedade de hoje, somos chamados a sermos santos educadores como Dom Bosco, entregando a nossa vida como ele, trabalhando com e pelos joven»

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UMA MENSAGEM PROFÉTICA: UMA INTUIÇÃO: ‘A bondade, como estilo educativo e, mais em geral, como estilo de vida cristã’

O SP é ‘uma experiência espiritual e educativa que se fundamenta na razão, na religião e na bondade’


UM A RESPOSTA POBRES:

AOS

Formando ‘para a sensibilidade social e politica que sempre leve a investir a própria vida como missão pelo bem da comunidade social’

ASSUMIR UMA CONSCIÊNCIA CRISTÃ:

31 Dezembro 2012: P. Pascual e Madre Ivonne FMA, no dia da apresentação do comentário à Estreia.

‘Revelar e ajudar a viver conscientemente a vocação de homem, a verdade da pessoa… O homem deve a própria existência a um dom’

MOSTRAR JOVEM:

A

JESUS

AO

‘A verdade da pessoa, que a razão percebe de modo inicial, encontra em Cristo a sua iluminação total… Jesus Cristo… abre a pessoa à plena compreensão de si e do próprio destino’

UMA MISSÃO: ‘Missão salesiana é consagração, é «predileção» pelos jovens, e esta predileção, em seu estado inicial, nós o sabemos, é um dom de Deus, mas cabe à nossa inteligência e ao nosso coração desenvolvê-la e aperfeiçoá-la

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Ver-se, aos seis anos, sem pais, maltratado pelos parentes, com mais a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais pequenos: eis infelizmente uma situação ideal para decidir-se a viver pelas ruas. Foi o que aconteceu a Patrick, que entretanto teve a sorte, grande, de achar quem lhe desse a possibilidade de voltar a sonhar. Vejamos a sua história.

lado de minha mãe; mas porque o pai não tinha com eles bons relacionamentos, em vez de levar-nos diretamente a meu avô, simplesmente descarregou-nos numa cidade vizinha, Kiganjo, encarregando-me de cuidar dos meus irmãos e de achar os meus parentes.

Meu nome é Patrick Ngugi Gichuhi. Nasci em 1986 de uma família muito humilde. Sou o primeiro de seis filhos: tenho três irmãos e duas irmãs. Dispunha de uma linda família que tanto cuidava de nós. Mais importante ainda: eu sonhava. Sonhava como qualquer outro rapaz que tem uma família que o possa ajudar a realizar seus sonhos. Entretanto, todos eles acabaram por se desvanecer com o passar de pouquíssimos anos... Em 1991 meus pais se separaram: é que meu pai se dedicava, como trabalho, a traficar com maconha, passando a maior parte do tempo na cadeia, em vez de tomar conta da família. Minha mãe, depois de toda uma série de esforços para convencê-lo a mudar de profissão, chegara a um ponto de não mais volta: e foi embora, deixando-nos a todos nós. Meu pai decidiu levar-nos à nossa casa de campo, em Nyeri, onde tínhamos parentes pelo

Depois de algum tempo achei quem me ajudou a encontrálos. Mas, para minha grande surpresa, eles não foram nada hospitaleiros conosco. Além disso, havia maus tratos que se repetiam…. Não nos consideravam da família: viam-nos como um peso. Por tudo isso em 1992 eu e o meu irmão menor, deixamos Nyeri e fomos a Karatina, de onde depois de poucos dias partimos para Nairóbi. Ali nos tornamos ‘meninos de rua’.

Decidimos viver, mendigar, comer, e dormir sempre na rua. Isso durou dois anos. Em 1995 fomos presos como… parqueadores abusivos e enviados a um centro para a infância, em Kabete. Depois de um ano, porque ninguém viera a interessar-se por nós, o Ministério Público me perguntou o que desejava fazer. Ouvira falar, através de alguns rapazes, de um lugar chamado ‘Dom Bosco’, onde as crianças podiam ir à escola, receber comida e rou-

pa, e, sem vacilar, disse que queria ser adotado por Dom Bosco. Fui recebido pela comunidade salesiana de Nairóbi-Kariua, uma das sedes do programa “Bosco Boys”; e retomei os estudos. De ali, graças aos meus bons resultados escolares, fui inserido no primeiro grupo que, da escola salesiana, passava às escolas públicas de grau superior, completando todos os níveis e chegando, com a graça de Deus, até conseguir o Láurea em ‘International Business Administration’ (Administração Internacional de Empresas) com especialização em Finanças. Sinto uma profunda gratidão pelos Salesianos de Dom Bosco por seu empenho e determinação em ajudar jovens como eu a dar um novo rumo à sua vida. Como a eles agradeço também a todos os benfeitores e protetores.

Mas sobretudo agradeço ao nosso bom Senhor Jesus Cristo, que me concedeu obter estes meus sucessos. No fim, de fato, não seremos julgados por quantos diplomas tivermos obtido, ou por quanto dinheiro tivermos ganho, ou por quantas coisas grandes tivermos feito; mas pelo critério “tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era forasteiro e me recebestes, estava nu e me vestistes” (Mt 25,35-36). (ANS)

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§ A Voluntária de Dom Bosco é uma mulher que opta por fazer da sua vida um dom e compromete por Cristo a sua vida no mundo e escolhe viver a sua vida segundo o espírito de DOM BOSCO. § É uma leiga que, tendo consciência da sua consagração baptismal, se compromete, a exemplo de Cristo, a viver um amor pobre, casto e obediente. § Não se afasta do mundo, nem do seu ambiente, nem do seu trabalho, nem da sua família, mas aí opera levando a plenitude da sua opção radical de amor. § Distingue-se apenas pelo testemunho de um amor libertador, desinteressado, disponível; utilizando os meios oferecidos pelo mundo, para orientar tudo e todos para Deus. § Realiza tudo isto não de forma isolada, mas em COMUNHÃO com outras irmãs VDB que compartilham a mesma opção de vida.

§ Somos leigos que DEUS consagra na Igreja para o mundo e escolhemos viver segundo o espírito de DOM BOSCO. § Seguimos uma vida segundo os CONSELHOS EVANGÉLICOS e nos comprometemos a fazer surgir em cada realidade da vida e do trabalho a mensagem do EVANGELHO. § Não esquecemos o mundo por Deus, nem Deus pelo mundo, e mantemos uma ‘discreção’ sobre a pertença ao Instituto para poder trabalhar com mais eficácia. § Vivemos a CONSAGRAÇÃO no trabalho, na qualidade profissional e nas circunstâncias ordinárias da vida, vivendo na própria familia o sós. Não vivemos em comunidade, mas nos encontramos para momentos de formação e encontros fraternos. § Participamos na vida social, cultural e políticia levando a riqueza e a plenitude dos valores cristãos. § Descobrimos a Cristo no rosto de cada HOMEM.

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Continuamos apresentando trechos do comunicado da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) intitulado “Para que a minha casa fique cheia (L 14,23)”.

1- “Nos quatro evangelhos aparece com claridade a resposta à pergunta: «de onde provém Jesus?». A sua verdadeira origem é o Pai, Deus: Jesus provém totalmente dele”.

3– O DIÁLOGO, A JUSTIÇA E A PAZ: 2- “Na profissão de fé, o Credo, Jesus é definido com diferentes nomes: Senhor, Cristo, Unigénito de Deus, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, da mesma substância que o Pai”.

«Exortamos as comunidades cristãs e a todas as pessoas de boavontade a irem para a frente na consolidação da paz...:

3- “O que é central na nossa profissão de fé: Deus é um Deus connosco”.

§ Abandonando definitivamente o recurso às armas, a qualquer tipo de violência, verbal ou física na procura da solução dos nossos problemas.

4- “Nada é impossível a Deus! Com Ele a nossa existência caminha sempre sobre um terreno seguro e está aberta a uma futuro de firme esperança”.

5- “Deus que chamou ao ser humano do nada, com a Encarnação de Jesus da vida a um novo inicio da humanidade”. Mensagens da catequese do dia 2 de Janeiro de 2013

§ cooperando de todas as maneiras na construção de um ambiente cujas bases sejam a justiça social, a verdade, a liberdade e o respeito. § ...redescobrir o diálogo justo e respeitoso, e no respeito dos direitos das pessoas e das populações...

§ Renovemos o espírito que 20 anos atrás levou as partes envolvidas a assinarem o Acordo Geral de Paz... 4– SEMINÁRIOS E PASTORAL VOCACIONAL « O Seminário Interdiocesano de Filosofia... teve 169 alunos internos e o Seminário Interdiocesano Teológico... teve 58 alunos internos. As despesas de manutenção dos seminaristas e dos edifícios são cada vez mais pesadas, pelo que contamos com a generosidade de todos os cristãos... Reforçamos as equipas de ambos seminários com mais alguns novos formadores e enviando outros para estudos de especialização... APELAMOS PARA QUE: § «a promoção vocacional seja feita no respeito e na observância da pastoral diocesana de conjunto, evitando caminhos paralelos». § «Haja um sério acompanhamento nas paróquias e nos grupos de vocacionados». § «Ajude-se o jovem no discernimento, e se respeite a liberdade do mesmo na escolha do seu futuro».

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Queridos jovens, Desejo fazer chegar a todos vós minha saudação cheia de alegria e afecto. Agora estamo-nos preparando para a próxima Jornada Mundial, que será celebrada no Rio de Janeiro, Brasil em Julho. Desejo, em primeiro lugar, renovar a vós o convite para participardes nesse importante evento. A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre àquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso

amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Vivei essa experiência de encontro com Cristo, junto com tantos outros jovens que se reunirão no Rio para o próximo encontro mundial! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa. Convido a vos preparardes para a Jornada Mundial do Rio de Janeiro, meditando desde já sobre o tema do encontro: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28,19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a Igreja e que permanece actual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora este mandato deve ressoar fortemente em vosso coração.

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Por isso me alegro que também vós, queridos jovens, sejais envolvidos neste impulso missionário de toda a Igreja: fazer conhecer Cristo é o dom mais precioso que podeis fazer aos outros. (continuará)


Ir. Carla, uma das três primeiras missionárias que chegaram à Moçambique em 1952. Ir. Carla uma das primeiras missionárias salesianas em Moçambique completa 96 anos, a sua fisionomia tem uma incrível vivacidade; seus olhos azuis são límpidos e transparentes, como sempre foi toda a sua vida extraordinariamente simples. De fato, fala-nos com simplicidade da viagem, dos primeiros contatos com a nova cultura, do trabalho realizado por mais de 76 anos de vida consagrada e 60 de vida missionária em Moçambique. Mas para ela tudo é muito normal. Tudo devia ser assim, ela não fez nada de extraordinário. Lembra-se de tantas coisas. Sente-se feliz de ter podido viver plenamente a sua vocação missionária e consagrada.

Desse modo, o funcionário encarregado dos assuntos educacionais se interessou pelo nosso colégio e nos ajudou muito. Quanto tempo ficou no colégio da Namaacha?

Como foi o seu trajeto missionário? Ir. Carla: Antes fiquei em Portugal durante seis anos. Depois, quando o governo português de Moçambique, que ainda era colônia, pediu que nós fma e os salesianos fôssemos a João de Deus para dirigir dois colégios, eu parti com mais duas Irmãs. Fomos de avião até Johanesburgo e depois chegamos a Moçambique de trem. A inspetora nos acompanhou.

Ir. Carla: Eu fiquei 9 anos. Quando saí de lá, muitas pessoas foram ao aeroporto para se despedirem de mim. Havia todas as autoridades, civis e religiosas. Eu fui para o norte numa missão no Chiúre. Ali também pude trabalhar muito com as meninas. A missão era muito organizada, tínhamos a visita às famílias, a escola, a catequese. E depois havia o grupo das moças que se preparavam para o matrimônio. A essas eu ensinava a cozinhar, costurar, dava algumas normas básicas de higiene.

Como foram os inícios da missão em Moçambique? Ir. Carla: Éramos três Irmãs e uma voluntária e devíamos dirigir o colégio que até então tinha sido gerido por algumas senhoras. Havia perto de 150 meninas e jovens, entre 6 e 20 anos. Mas eu nunca perdi a coragem, ia assim mesmo e, quando não entendia e não sabia, simplesmente perguntava.

Ir. Carla como olha para a mulher moçambicana ontem e hoje? Ir. Carla: A mulher nem sempre desempenhou as mesmas funções na sociedade. Se em outras épocas, ela ficava cir-

cunscrita as paredes de sua casa, hoje a mulher “abandonou” o lar e foi para o mercado de trabalho objetivando compor a renda familiar. Algum tempo atrás a mulher era educada somente para exercer o papel de dona de casa, mãe e esposa. Dessa forma, ela vivia em função do homem, por isso era pouco valorizada na sociedade. Quando se criou a necessidade de a mulher enfrentar o mercado de trabalho, ela aos poucos conquistou seu espaço. Hoje a mulher exerce muitas funções. Além de dona de casa, mãe e esposa, ela tem sua profissão ou trabalho no mercado. Assim sendo, actualmente a mulher exerce todas as funções que antes eram executadas pelo homem, conquistando assim seu espaço Ir. Carla sente se feliz? Ir. Carla: Eu me sinto feliz na minha vocação missionária. O Senhor me deu muito! Tive a possibilidade de viver entre o povo de Moçambique e senti que me querem bem. Se penso no que já vivi, posso dizer que sou realmente feliz. Ir. Carla Bajetta, uma das primeiras filhas de Maria Auxiliadora . Uma Religiosa, que testemunha a fidelidade criativa , alegre e transparente para o mundo de hoje onde a palavra” fidelidade” é um desafio para as familias de hoje. Alice A. Nhamposse, FMA

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Nesta crónica quero destacar um “jovem” de 35 anos, que concluiu o curso de Carpinteiro, em 450 horas, aproximadamente.

Nascido no Gúrué, na região do chá, província da Zambézia, ali cresceu, recebeu os sacramentos de iniciação e casou canonicamente com a Margarida. Como a maioria dos jovens moçambicanos, também o Carlitos pensou que Maputo seria o “el dorado”. Meteu pés ao caminho, deixando a casa, a mulher e cinco filhos, a quem chama “as minhas flores”, e cá chegou à capital, que dista cerca de 2.000 quilómetros da sua terra. Agora já reconhece que o sonho não passou disso mesmo: um sonho e uma desilusão. Não só não pode mandar algum dinheiro para a mulher e filhos, como tem de lutar para sobreviver. Há dias fiz-me convidado, e fui fazer uma visita ao lugar onde vive (?) o Carlitos. Tive de ser guiado por ele, pelo complicado labirinto deste Bairro de Chamanculo. Sozinho seria impensável chegar lá, mesmo se a distância não é grande (uns 300 ou 400 metros). O factor segurança também tem peso, e de que maneira! Pois este “jovem” vive num anexo de 3 x 2,5, feito com chapas de zinco. Paga o equivalente a 30 euros mensais. Não tem direito, nem a água, nem a luz, nem a casa de banho. É preciso ver para crer. Em Julho, que é o tempo do frio, pediu-me um cobertor, porque dormia vestido. Agora pude ver que na verdade não tinha nada. Já lhe dei duas cadeiras. Apesar de velhas, ele com a sua habilidade, na carpintaria, transformou-as em novas. E foi nelas que nos sentámos e conversámos sobre a vida difícil que os pobres levam neste país, e que são a maioria, infelizmente. Joaquim Gomes, sdb

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os nossos olhos às possibilidades missionárias da presença chinesa na África. Dispomos ali com efeito de todas as possibilidades de proclamar o Evangelho, possibilidades de que a Igreja na China não dispõe! O Novo Testamento utiliza o termo ‘kairos’ para descrever "o tempo de graça nos desígnios de Deus», o momento em que Deus age (ver, p. ex., Mc 1,15).

Uma coisa que chama a atenção dos que visitam a África é o grande número de chineses presentes no Continente. Alguns estimam que sejam pelo menos 25 milhões os chineses na África!

rios de Dom Bosco, em nosso redor "a urgência de proclamar a Boa Nova a milhões de pessoas na África, pessoas que não foram evangelizadas" (Ecclesia in Africa, 47).

Estou convencido de que devemos responder a este tempo da visita de Deus. Foi por isso que convidei os Inspetores da Reg ião África - Ma daga sca r , durante o nosso último encontro, a discernirem quanto Deus

Urge pois suscitar o interesse por Jesus Cristo entre aqueles que ainda O não conhecem. Também para revitalizar a fé daqueles cristãos africanos que, na sua Fé, se tornaram tíbios, frouxos.

nos está a dizer, hoje, perante essa tão maciça presença chinesa. Estou certo de que uma abundante colheita nos está a esperar, se respondermos com audácia missionária a este kairos para a Igreja e para a Congregação, na África e Madagascar!

Alguns deles, especialmente jovens, vêm aos nossos centros e oratórios para brincar e jogar. Algumas vezes também para "gozar" de algumas das nossas celebrações litúrgicas. Vezes há também que se tornam centro das nossas brincadeiras. Entretanto, examinando a situação de modo mais profundo, com sensibilidade missionária, torna-se mais que evidente que muitos deles, a maioria quem sabe, nunca ouviram falar do Evangelho, de Jesus Cristo. Dois eventos: o primeiro, nos dias 5-9 de Novembro de 2012, se fizeram os Dias de Estudo sobre o primeiro anúncio de Cristo na África-Madagascar, em Adis-Abeba, Etiópia, e, o segundo, o Dia Missionário Salesiano neste ano se concentra no anúncio de Cristo na África... Feliz coincidência? Os dois eventos impelem-nos a olhar em nosso redor com o coração missionário de Dom Bosco! Vemos, com os olhos missioná-

O Papa Bento XVI tem convidado a recuperar «o fervor dos inícios da evangelização do Continente Africano" (Africae munus, 164).

P. Guillermo Basañes, SDB Conselheiro Regional para a África-Madagascar

Essa paixão missionária abre

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'Tudo o que fizestes a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes’ (v. Mt 25,40). Decidi que daria a minha vida para servir às crianças que sofrem no mundo. Havia começado a minha vocação missionária. Nasci na República Democrática do Congo. E numa família católica. Encontrei-me com Nosso Senhor pelo exemplo de minha mãe. Certo dia estávamos a passar por uma igreja. E então minha mãe me disse: "Vem, filho! Vamos saudar a Jesus que está na igreja!” Ainda não podia compreender. Mas tendo entrado na igreja, vi que minha mãe se ajoelhou e fez o sinal-da-cruz. Esse gesto me marcou para sempre. Desde aquele momento comecei a sentir a presença de Deus em minha vida.

Entre 1990-1992 a vida foi difícil... No meu povoado eram muitas as crianças abandonadas pelas ruas. Ver aquelas crianças assim, pela rua, abandonadas..., o meu coração começou a me fazer perguntas: «Por que essas crianças sofrem? Não teria sido Jesus a abandoná-las?». Mas aí a Palavra do mesmo Senhor voltou a me dizer no coração:

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Chegando ao postulantado salesiano, foi enorme a minha alegria quando o Inspetor me mandou trabalhar com crianças em dificuldades. A seguir partilhei com o meu Director o chamado missionário que sentia no peito. O director aconselhou me a expressar esse meu desejo logo ao chegar ao noviciado. Durante o noviciado o Mestre encorajou-me firmemente a cultivar essa vocação e a continuar o discernimento. Durante o Curso de Filosofia escrevi ao Reitor-Mor, P. Juan E. Vecchi. Ele aceitou o meu pedido e m andou - m e para a Inspetoria África Francófona Ocidental (AFO), que abrange sete países. Trabalhei no Togo dois anos, durante o tirocínio prático salesiano. Depois da ordenação sacerdotal fui responsável pela Casa de crianças desamparadas. E também pela Pastoral Juvenil, em Abidjan, na Costa do Marfim. Desde 2010 estou em Ouagadougou, Burkina Fasso, entre as crianças de Belleville, onde estamos começando uma nova presença salesiana.

Ao longo dessa caminhada missionária foram várias as dificuldades encontradas. Mas fazem parte da alegria de anunciar a Jesus Cristo. São as costumeiras dificuldades de adaptação à língua, ao clima... Dificuldades que não se podem comparar com as alegrias experimentadas, sendo a maior de todas a alegria de estar com o Povo da África Ocidental, tão sensível para com um ‘africano missionário na... África’. Eu também fico muito sensibilizado com o testemunho de pessoas que, mais ou menos, me dizem: «Você que é africano e deixa o seu país, seus pais, seus amigos, para vir para o meio de nós, para ficar e viver connosco. Você fazendo isso é realmente um nosso irmão, um nosso filho. Não tenha medo: nós estaremos com você nesta missão que Deus lhe confia no meio de nós». Gostaria de convidar os Salesianos jovens a não terem medo de responder ao chamado missionário que Deus lhes dirige: ‘Deus precisa de vós neste mundo; deseja que onde estiverdes sejais Suas testemunhas, mesmo nos extremos confins da Terra. Vivei a missão onde quer que estejais. Sede a página do Evangelho que atrai outros jovens à vida missionária!’ P. Albert Kabuge, missionário em Burkina Fasso


A CIDADE DE DOIS MÁRTIRES SALESIANOS DECLARA A DOM BOSCO PATRONO No dia 20 de dezembro de 2012 o Conselho Comunal de Oświęcim adotou uma resolução que nomeia São João Bosco santo Patrono da Cidade. O Instituto Dom Bosco, de Oświęcim, é o berço da Congregação salesiana na Polônia. Ali, no dia 15 de agosto de 1898, chegaram os primeiros Salesianos, tomando a seus cuidados o mosteiro dominicano que, rapidamente, foi recuperado e restaurado. E sobre as ruínas da velha Igreja de Santa Cruz levanta-se agora uma igreja dedicada a Maria Auxiliadora. Quanto ao mosteiro, é hoje uma das atrações de Oświęcim. Desde o seu início a escola salesiana de Oświęcim preparou verdadeiros especialistas profissionais em diversos misteres (mecânico, torneiro, marceneiro/carpinteiro, projetista, modelador industrial). Em 1998 recebeu um prêmio citadino por sua contribuição à formação profissional dos jovens. Entre os ex-alunos da escola salesiana de Oświęcim (cidade mais conhecida sob o sinistro nome tedesco Auschwitz) contamse dois Beatos mártires da II Guerra Mundial: P. José Kowalski e Eduardo Klinik, este também jovem do Oratório, de Poznan. Nos últimos anos foram ampliadas as atividades da escola para a aprendizagem dos Jovens, que, além da formação técnica e a profissional, podem agora receber a formação ‘colegial’. (ANS)

OS 2 CONSELHOS GERAIS (SDB—FMA) ENCONTRAM-SE EM ROMA Roma, Itália – 15 de janeiro de 2013 – Renovou-se o habitual encontro semestral dos Conselhos Gerais dos Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora. Realizado na Casa Geral SDB, Pisana, o encontro teve qual núcleo temático a nova Evangelização. O Reitor-Mor e a Madre Reungoat compartilharam com todos a experiência vivida durante a participação no recente Sínodo dos Bispos. Os dois Superiores Gerais tiveram também a oportunidade de partilhar a própria satisfação por ver que algumas sensibilidades emersas durante o Sínodo já fazem parte da ação e do estilo salesiano; e que compartilhar com os Padres sinodais dos temas da atenção à família, da proximidade aos jovens e aos pobres, requer uma constante conversão pastoral. (ANS)

EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA DOS PRÉ-NOVIÇOS DE QUÉNIA Korr, Quénia – Os pré-noviços salesianos do “Bosco Boys”, Quénia, pertencente à Inspetoria África Leste, viveram uma experiência missionária em Korr, localidade situada no deserto do “Kaisut” ao norte do país. Os pré-noviços participaram, junto com os jovens locais, da Semana do Festival Juvenil, que teve como tema “Paz e harmonia”, com celebrações eucarísticas, momentos de oração, diálogo, jogos, esporte, compartilha. É desde 1980 que os salesianos realizam a obra missionária em Korr entre as tribos Rendille e Samburu. (ANS)

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HAITI: APÓS O DRAMA, A ESPERANÇA! No dia 12 de janeiro recordou-se o terceiro aniversário do terramoto que atingiu o Haiti provocando imensas perdas humanas e o colapso das infraestruturas do País. Foram 32 segundos que semearam nos corações desolação, desespero, feridas. O P. Sylvain Ducange, Superior da Visitadoria do Haiti, oferece uma quadro de quanto se fez até agora, e confirma todo o empenho salesiano no País. A intervenção da comunidade internacional foi rapidíssima e eficaz. Graças à solicitude paterna do Reitor-Mor, que lançou um apelo imediato à solidariedade, todas as Inspetorias da Congregação se tornaram solidárias, organizando ajudas em favor da Visitadoria do Haiti, através das Procuradorias e das Ongues salesianas. Eis pois o que se fez em três anos: - Assistência aos refugiados nos campos de Thorland, Cité Soleil e Pétion-Ville. - Ajuda humanitária às pessoas afluídas às casas salesianas. - Campos de formação para a luta contra a cólera-morbo. - Atividades paraescolares, formativo-recreativas para adolescentes e jovens atingidos por traumas pós-sismo (formação de agentes sociais e atividades várias). - Retomada das atividades escolares e formativas (bolsas de estudo, material didático, salário aos professores). - Reorganização da rede da Obra das Pequenas Escolas do P. Bonhen (OPEPB) e reconstrução das escolas danificadas pelo terromoto. - Construção de salas de aula provisórias e impostação de pré-fabricados na ENAM, Fleuriot, Gressier e Cité Soleil. - Reconstrução do muro de proteção de algumas obras salesianas. - Construção de pré-fabricados para as comunidades da ENAM e de Thorland. - Novo Centro Dom Bosco, em Gressier, com escola elementar, ginasial (ou média) e um internato. - Apoio para a reinserção dos meninos de rua mediante ‘LAKAY-LAKOU’, em Porto Príncipe e em Cap Haïtien, com um novo centro de acolhida. - Reabilitação dos edifícios danificados pelo tremor de terra, em Gressier, Thorland, Pétion-Ville, Drouillard e Cap Haïtien. - Construção do Centro Escolar de Bas-Fontaine-Vila dos Repatriados, do Centro polivalente S. Francisco de Sales, do Kindergarten Soleil 4, em Cité Soleil. - Novo Modelo de Formação Profissional adaptado à realidade atual, do Haiti. - Início do canteiro-de-obras para a nova Casa Inspetorial e o Pós-noviciado, em Fleuriot. - Intercâmbio dos centros de Cap Haïtien e Fort Liberté com a escola agrícola salesiana da República Dominicana. - Nova Escola para Enfermeiros e refeitório com cozinha em Fort Liberté. - Recuperação do Centro Profissional, de Gonaïves. - Um grande salão para a promoções socioeducativas, em Gressier. - Atividades geradoras de lucro, para as famílias da Área Thorland e em Cité Soleil. - Reconstrução de um edifício (18 salas) na Escola elementar da ENAM. - Início da Escola de Futebol Dom Bosco, em Fort Liberte. - Centros de tratamento e venda de água, em Les Cayes, Fort Liberté e ENAM. - Distribuição de água com dois caminhões-pipas. ...Nós, Filhos de Dom Bosco, no Haiti, estamos convencidos de que o carisma salesiano contribui para a transformação da sociedade, criando uma mentalidade nova para forjar um novo futuro com os jovens a nós confiados. Assim continuamos a levar ao nosso país o patrimônio pedagógico herdado de Dom Bosco que, através de um sistema educativo eficaz, continuamente atualizado, encaminha cada jovem a triunfar na própria vida qual “bom cristão e honesto cidadão”. (ANS)

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ENCONTRO DAS VOLUNTÁRIAS DE DOM BOSCO Realizou-se em Maputo, dos dias 4 a 10 de Janeiro um encontro histórico para a Família Salesiana em Moçambique: o primeiro encontro das Voluntárias de Dom Bosco (sigla: VDB) de Angola e Moçambique.

A Igreja da Missão de São João Baptista de Moatize (Tete) viu-se enriquecida com duas novas imagens: a de Nossa Senhora Auxiliadora e a de São José. Tudo começou quando, faz um ano, o irmão carmelita do P. Francisco Lourenço esteve a visitá-lo na missão. Ficou comovido de tudo o que viu e tornou-se, desde Fátima, lugar onde vive, um benfeitor da Missão, aproveitando tantos peregrinos que passam por aquele santuário mariano tão famoso para procurar ajudas. Mas, teve uma ideia grande: faltava uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora na Igreja dos salesianos! Então, procurou o benfeitor. Buscou os meios para a mandar por barco. E aqui está! O que não conseguiram durante tantos anos os salesianos, foi um frade carmelita que o fez! Que Maria Auxiliadora e São José o abençoem!

Nas fotografias, o P. Lourenço apresentando as imagens à comunidade paroquial

Para participar e animar tão importante encontro vieram do Conselho Geral duas VDB: a Conselheira Geral para a África e a Ecónoma Geral. O encontro realizou-se no Instituto Superior Dom Bosco. De Angola participaram duas VDB já com a Profissão Religiosa e 3 aspirantes. Foram acompanhadas pelo Padre Gino, assistente eclesiástico das VDB em Angola. De parte de Moçambique, participaram duas aspirantes e foram acompanhadas pelo P. António Tallón, em nome do P. Leal, actualmente ausente de Moçambique. No dia 8 de Janeiro o grupo se transladou ao Centro de Espiritualidade ‘Emaús’ de Matola onde fizeram uma manhã de retiro animado pelo P. Rogelio. De tarde houve uma Eucaristia importante, presidida pelo Provincial P. Américo. Nela, a Conselheira Geral para África das VDB recebeu a passagem para o segundo ano de aspirantado de duas jovens angolanas e a entrada no primeiro ano de aspirantado de uma jovem angolana e duas moçambicanas. Também esteve presente uma candidato moçambicano a Voluntário Com Dom Bosco (CDB). Agradecemos a Deus este encontro no nosso país e rezamos para que estas vocações de ‘leigos/as consagrados/as’ cresça em ambos países.

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ESTÁGIO VOCACIONAL NA MATOLA

I l u s t r e s ‘graduados’ da Escola das FMA de Chiúre. Junto às crianças a Ir. Apoline, directora da Comunidade.

Os ecónomos e contabilistas da Visitadoria reuniram-se durante dois encontros para analizar o trabalho realizado e programar o novo ano de 2013.

Mais um ano, realizou-se na casa do Aspirantado salesiano de Matola o estágio vocacional, dos dias 19 de Janeiro a 2 de Fevereiro. O estagio está dirigido para aqueles jovens que fizeram o pedido para entrar no aspirantado. São dias que permitem o conhecimento entre os candidatos e com os salesianos da comunidade do aspirantado. Realizam -se encontros formativos pelas manhãs e diversas actividades durante a tarde (desporto, trabalho...) que ajudam a introduzir-se no ambiente da nova casa. Durante o estágio os aspirantes participam nas Primeiras Profissões dos Salesianos na Namaacha no mesmo dia de São João Bosco, dia 31 de Janeiro. O estágio termina no dia 2 de Fevereiro com uma manhã de retiro e fazem a entrada oficial no aspirantado na Eucaristia presidida pelo Provincial. Este ano de 2013 os novos aspirantes são 10: 7 da província de Tete, 1 da província da Zambezia (Mocuba) e 1 da província de Cabo Delgado (Chiúre).

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A Ir. Petra (FMA) cumpriu no passado 6 de Janeiro, 80 anos de idade. Continua vivo o seu entusiasmo e o cuidado pelos pobres.

PARABÉNS!


Aproveitando o encontro, em Moçambique, durante a primeira semana de Janeiro de 2013, das VDB (Voluntárias de Dom Bosco) de Angola e Moçambique, o BS realizou pequenas entrevistas a duas delas. A primeira entrevista foi realizada a uma Conselheira Geral das VDB, vinda de Itália. A segunda entrevista foi realizada a uma VDB africana, já de Votos Perpétuos. Para respeitar a ‘reserva’ própria das VDB (por motivos pastorais, as VDB não se apresentam em publico como tais), indicaremos a primeira com o nome de ‘VDB-A’ e a segunda entrevista com o nome de ‘VDB-E’, e evitaremos referências concretas das suas pessoas.

Falamos com VDB-A. Ela é Voluntária desde o ano de 2003, já com Votos Perpétuos e é a primeira VDB do seu país. Fala-nos da tua experiência viva de ser VDB no teu país, um país africano. É uma experiência não muito fácil por causa da ‘reserva’. No nosso contexto africano a nossa vocação não é muito aceite. As pessoas olham para nós com muitas interrogações. A pergunta é: porque é que não se casam? Porque é que não se faz irmã religiosa?. Mas, eu estou bem, sou feliz. A minha família sabe. A minha mãe me apoia nesta escolha. (Fora do microfone ela nos disse que o seu pai não chegou a saber, porque ele teria ficado tão contente que diria a toda a gente, então para evitar isso, foi bom não lhe informar e não prejudicar o ‘anonimato’ das VDB). Qual pensas que é a novidade que uma VDB traz para a Igreja e a Sociedade do teu país? O testemunho de vida. A novidade é estar ali. Não se distin-

pistas, e apresentar as várias modalidades de consagração aos jovens e às jovens, então aí podem escolher. Ou, as outras pessoas podem fazer por nós, como os sdb, as fma e outras pessoas que conheçam os Institutos Seculares. Como vês o mundo dos jovens no teu país?

guir dos outros, nem pela roupa. Viver com os outros. Mas, sabendo que eu sou uma CONSAGRADA.

É um mundo de sonhos, de fantasias, mas também de desafios. Os jovens de hoje procuram, querem alcançar metas cada vez mais altas. Há muitos jovens que já se preocupam muito com a formação, querem estudar. Mas também há aqueles que ainda andam por aí, a passear…

Cada VDB vive do seu próprio trabalho. Qual é o trabalho que tu realizas?

No campo da evangelização dos jovens, como está o teu país?

Eu sou professora. Dou aulas de língua.

Está a caminhar. Precisa crescer muito. Ainda há muito trabalho por se fazer. Os jovens são inconstantes. Há vezes que vêm nas actividades da Igreja, mas há muitos também que se furtam, que não querem saber nada da Igreja.

E tens algum trabalho pastoral concreto? Na minha diocese eu sou a Coordenadora Diocesana da Pastoral Juvenil. É um trabalho bem salesiano. E o Bispo sabe? Sim, ele sabe que sou consagrada. Como vês a realidade das VDB em África e no teu pais? Têm futuro? Em crescimento. Está a crescer. Têm futuro. Basta que as jovens conheçam. É uma vocação que não se conhece muito. Mas se as jovens conhecem, as VDB têm futuro. Como se faz a pastoral vocacional das VDB?

Uma mensagem para jovens de Moçambique:

os

Bem, que tenham como centro das próprias vidas Jesus. Que busquem, neste Ano da Fé, que procurem buscar mais , conhecer cada vez mais a Jesus Cristo. O Papa oferece um manual próprio para os jovens para o conhecimento de Jesus Cristo, que é o Youcat. Que estudem. Que conheçam bem, cada vez mais, e que se tornem cada vez mais, grandes amigos de Jesus.

Nós, como VDB não podemos aparecer. Mas, podemos dar

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Falamos com VDB-E. Ela é natural do sul de Itália. O que está a fazer nestes dias em Moçambique? Tenho vindo como Conselheira Geral do Instituto das Voluntárias de Dom Bosco a acompanhar à outra Conselheira encarregada da África. Estamos a fazer um encontro com as jovens Voluntárias de Moçambique juntamente com as jovens Voluntárias de Angola que quiseram encontrar-se aqui neste lugar, para experimentar um encontro de formação, de fraternidade, e para renovar os próprios compromissos no Instituto.

Instituto e a todas as irmãs que me fizeram crescer de tantas maneiras. Qual era o seu trabalho na sociedade? Comecei a trabalhar muito jovem para ajudar à minha família. Fiz trabalhos diversos. Depois tive um trabalho mais estável na Livraria Salesiana da minha cidade onde trabalhei 34 anos. Já estou reformada desde faz 10 anos. Agora estou dedicada a outras coisas. Também o Instituto me chamou para dar as minhas energias e experiências no serviço actual.

Desde quando é você VDB?

E a sua experiência pastoral?

Toda a vida vivi, posso dizer, entre as VDB . Tive uma vocação muito jovem, entre os 15 e 16 anos. Quando tive 18 anos me aceitaram no grupo. Em 2012 celebrei os 50 anos da minha Primeira Consagração no Instituto.

Um trabalho muito bonito que tenho feito desde jovem tem sido o trabalho com os não videntes (cegos). Era um grupo eclesial de não videntes e os acompanhei durante muitos anos. Tem sido catequese, cultura, passeios. Eles depois cresceram, os tenho encontrado noutras situações e agora tenho com eles contactos pessoais com alguns deles.

O que pensa da sua vocação de 50 anos de VDB? Olha, tem sido uma vida que eu tenho vivido na plenitude da consciência de pertencer ao Senhor. E isto deu-me uma grande alegria e uma grande força para enfrentar toda a realidade da vida, que nem sempre é fácil, que leva consigo tantas experiencias de sofrimento, de provas, seja na família, no trabalho. Mas, com a graça do Senhor tenho vivido na alegria. E estou muito, muito agradecida ao Senhor pela sua chamada. Agradecida ao

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Tive outras responsabilidades que me empenharam bastante. Uma VDB: como sente, como vive Dom Bosco’? Vivi a salesianidade porque estudei nas Fma. Tenho nascido próprio no Instituto das Irmãs. Olhava estas mulheres que se dedicavam totalmente ao Senhor. Eu queria fazer assim como elas. E a coisa bonita que aprendi delas foi a

F. Rinaldi: Fundador das VDB oração. Buscar dialogar com o Senhor. Encontrar-me com Ele, busca-lo, falar-lhe. Depois esta experiencia cresceu com a familiaridade, com as pessoas da FS, no ambiente de trabalho, que particularmente era frequentado por sdb, fma, jovens, leigos… Penso que Dom Bosco está no coração e caminha connosco. E depois, o Beato Filipe Rinaldi, nosso bom Pai… Qual é o contributo da VDB na sociedade? Olha, especialmente a nossa vocação pode dar tanto como testemunho. Num mundo onde se quer fazer de menos a Deus. A nossa presença, a nossa coerência de viver em Deus, de viver um vida cristã, fiel, comprometida, cheia de fé, leva à gente algo de diferente, que temos necessidade de Deus. Uma mensagem para jovens de Moçambique:

os

Queridos jovens: deixai-vos atrair por Jesus, o Cristo. É um grande amigo que não vos abandonará nunca. Que responderá à todas as vossas perguntas. Que vos fará felizes, mesmo que a vossa vida nem sempre seja fácil.


Realizou-se no Salesianum, junto da Casa Geral dos SDB em Roma, do 17 ao 20 de Janeiro, a 31ª edição dos Dias de Espiritualidade Salesiana. Cada ano, à luz da Estreia do Reitor Mor, reúnem-se representantes de todo o mundo e do mundo salesiano para reflectir, aprofundar e experimentar em vivo a mensagem do Sucessor de Dom Bosco. Neste ano, a Estreia do Reitor-Mor, dedicada à pedagogia de Dom Bosco, foi aprofundada pela contribuição de espertos e de jovens, e iluminada pela apresentação de experiências pessoais e de algumas boas práticas de pedagogia salesiana. Nesta 31ª edição participaram representantes de 31 Congregações, Associações e Grupos Laicais fundados por Dom Bosco ou que se inspiram no seu carisma. Os Dias de Espiritualidade Salesiana são coordenados pelos vários responsáveis e animadores membros da Consultoria mundial da Família Salesiana. Pode-se dizer que, cada ano começa com este tradicional encontro de Família, que ao mesmo tempo vai aprofundando a realidade da Família Salesiana e fortalecendo os seus laços de união carismática. Apresentamos extractos de algumas experiências comunicadas.

SISTEMA PREVENTIVO E DIREITOS HUMANOS (Carola Carazzone)

São muitíssimos os pontos de contacto, de sinergia e de reciprocidade vital entre Sistema Preventivo e promoção e protecção dos direitos humanos.

HONESTOS CIDADÃOS O desafio para nós hoje – e é um desafio que diz respeito a todas as obras salesianas: escolas, oratórios, paróquias, e não certamente apenas as obras que se ocupam de marginalização – é educar os jovens para uma participação activa, livre e significativa, para a solidariedade, para a responsabilidade e para o compromisso individual e social pela dignidade da pessoa humana, pela justiça, pelo desenvolvimento humano, pela construção de um mundo – possível – mais justo e mais habitável...

AMBIENTE EDUCATIVO O ambiente educativo é fundamental e deve ser coerente com o respeito, a promoção, a protecção e a plena realização dos princípios e dos valores que se proclamam. Nisto Dom Bosco foi mestre para qualquer educador, mesmo fora do nosso ambiente salesiano.

Numa época de regulamentos, de muitos níveis de autoridade, de punições, de profundas discriminações e exclusão, Dom Bosco pôs em evidência a espontaneidade, a familiaridade, o carinho, a prevenção, a participação activa e significativa do educando na relação com o educador e com o ambiente educativo. É o clima humano, o espírito, o ambiente que se respira na obra salesiana e que constitui um dos elementos essenciais do Sistema Preventivo de Dom Bosco, aquilo que o torna válido em todos os contextos culturais e religiosos, como demonstra uma experiência consolidada na Ásia e na África, onde a maioria dos nossos alunos, pais e colaboradores não são cristãos, mas encontram na escola salesiana uma atmosfera familiar de respeito, dignidade, partilha, solidariedade que os faz sentir à sua vontade, em casa.

A MELHOR JUVENTUDE

Perspectiva Pedagógica (Alessandro D’Avenia)

Para falar dos rapazes é necessário conhecê-los e escutá-los. Não na televisão, mas em carne e osso. Desde que dou aulas, sempre notei uma certa diferença entre os rapazes que encontrava na aula e os que via nos media.

TESTEMUNHAS Só em contacto com a busca da verdade as forças de um rapaz se libertam, a liberdade é posta em ação. Não uso efeitos especiais, só as palavras. E a palavra que querem ouvir não é a que dá soluções, essa não a escutam, mas a palavra que é pronunciada de olhos a brilhar, a palavra vivida, a palavra que procura a verdade e a ama sem esconder o cansaço e o insucesso. Estes rapazes precisam de pessoas que mostrem não ter medo de viver, ainda que a vida meta medo e não há que escondê-lo. Só assim começam a gerar a vida e se sentem estimulados a fazê -lo, na idade em que descobrem que o seu corpo é feito para a gerar. Mas de tal manei-

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ra anestesiámos a verdade e tão virtual tornámos a realidade, que as verdades mais evidentes como o corpo, o amor, o sexo, a dor, a morte, a felicidade, Deus… se tornam alegorias idealizadas, prisioneiras de interpretações pré-fabricadas ainda antes de ser vividas, e isto vale também no âmbito católico.

BUSCANDO SENTIDO Escutei confidências desesperadas de rapazes que não conseguiam encontrar um adulto a quem pedir ajuda. Parece-me ter de lidar com uma geração que foi biologicamente gerada, mas não culturalmente e, portanto, está privada de uma ordem simbólica e narrativa que lhe permita interpretar experiências e emoções. Se falta o sentido, perdem-se os significados. Dor sem significado, vida sem significado, sexo sem significado… Eis o que eles procuram: uma capacidade de leitura da realidade que, se vem a faltar, oscila entre instabilidade das emoções (quanto mais fortes são, mais vivo me sinto) e dependência do mais forte, do “todos fazem assim” (conformismo). Ambas as atitudes abrem um poço de dor nos seus corações, uma prisão interior de tédio e de incerteza. A medida alta do quotidiano de que falava o beato Karol foi posta de parte. O critério de felicidade está reduzido ao sucesso e não à capacidade de sonhar a vida que foi dada, de aceitar e transformar o destino que temos numa vida pessoal, vivendo para a busca da verdade, do bem e da beleza no espaço permitido pelos nossos limites e capacidades.

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Janeiro, mês de Dom Bosco, mês em que alguns jovens de Angola e Moçambique, oferecem as suas vidas ao Senhor no caminho de São João Bosco, Pai e Mestre da Juventude. No dia 24 de Janeiro, festa de São Francisco de Sales, duas jovens dizem SIM a Jesus no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. No dia 31 de Janeiro, festa de Dom Bosco, no Noviciado de Namaacha, 7 jovens oferecem as suas vidas a Cristo como Salesianos de Dom Bosco. Eis os seus testemunhos:

EMÍLIA RAQUEL DE SOUSA

ROSALINA ANTÓNIO MBEVE

Nasci em Maputo. Fui baptizada um ano depois. Na minha paróquia, S. Francisco de Assis do Infulene, tive os primeiros contactos com a espiritualidade de D. Bosco e Madre Mazzarello através da acção das Irmãs salesianas, no oratório e na catequese. Fui apreciando, conhecendo e interiorizando melhor essa espiritualidade. Depois pedi para fazer a experiência da vivência dessa espiritualidade como vocacionada interna. Depois de alguns anos de estudo, aprofundamento e assimilação vital, a pesar das dificuldades, que também fazem parte da nossa vida, com a profissão religiosa quero oferecer alegremente a minha a Deus para ser sinal do seu amor preveniente para os jovens. Cara/o jovem, procure sempre dar a Deus o seu lugar na tua vida.

Sou natural da província de Tete, distrito de Angónia, localidade de Ulóngué. Nasci no dia 19 de Julho de 1986. Eu quero ser Filha de Maria Auxiliadora, para testemunhar Cristo aos jovens. Ser como dom Bosco e Madre Mazzarello, que se doaram sem limites para salvar muitos jovens da sua pobreza tanto material como espiritual. Estou muito feliz por ser membro desta grande família. Convido cada jovem a não ter medo de dar a sua resposta, quando sentir o chamado do Senhor.

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PEDRO PENA

ARSÉNIO MUHANGO

CRISTOVÃO FONSECA L. B.

AVELINO DOS SANTOS

LUVUNDO CAPALO MUME

JOSÉ NHAMBONGE

KIESSE PAUO DE SOUSA

Nascí em Kuanza-Norte, Angola. Tenho 24 anos de idade. A Profissão Religiosa salesiana é uma entrega total e generosa que eu faço de mim mesmo a Deus, devido ao chamamento que Ele próprio faz, seja para o Sacerdote, como para o Leigo Consagrado, que entre nós Salesianos chamamos de Coadjutor. A alegria e a paz que me vem de Deus é que me levam a entregar e gastar a minha vida pelos jovens. São estes sentimentos que Deus colocou no meu coração e no meu pensamento, a fim de eu dedicar toda a minha vida no trabalho pela salvação da minha alma e pela salvação dos jovens. Assim estou motivado a fazer os Votos de Obediência, Pobreza e Castidade, e a viver como Salesiano Coadjutor, para responder à vontade de Deus a meu respeito, e assim escolhi seguir os passos de Jesus e viver como Ele para anunciar o Reino de Deus aos jovens (Marcos 16,15)».

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Boletim Salesiano Moçambique Nº 50 2013  

Revista da Família Salesiana

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