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Palavra da Endesa Brasil A Endesa Brasil é uma empresa comprometida com a educação de qualidade e a cultura de crianças e adolescentes brasileiros. Esse compromisso vem sendo expresso por meio de várias ações da companhia. Uma delas é o Programa Endesa Brasil de Educação e Cultura cujo objetivo é o de contribuir na qualificação do processo de alfabetização e letramento de crianças em escolas públicas de todo o país. Em 2011, como parte do programa, mais de 3 mil escolas participaram dos “Contadores de Histórias Encantadas”. Agora, chega às suas mãos o “Teatro de Brinquedo”, uma ação educativa elaborada especialmente para professores e estudantes do Ensino Fundamental. Por meio das atividades propostas, professores e estudantes são convidados a ingressar no mundo encantador das narrativas, criando seus próprios heróis, brincando com palavras, alimentando idéias para fazer nascerem novas histórias. Mais uma vez, a Endesa Brasil reafirma sua convicção de que o investimento na educação é uma das formas de escrever o futuro em que acreditamos.

Equipe da área de Sustentabilidade Endesa Brasil

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Bem-vindos Caro professor e professora, Bem-vindos ao “Teatro de Brinquedo”. Os materiais que você tem em mãos têm o propósito de contribuir para o ensino de conteúdos ligados ao processo de alfabetização e letramento de seus alunos e alunas. O caminho proposto aqui é que você e seus alunos olhem juntos para os elementos que constituem as narrativas, percebam cada um deles nas histórias que todos conhecemos e nas histórias desenvolvidas especialmente para vocês neste projeto. Trata-se de um convite para um encontro com personagens, cenários e modos de se contar uma história. Acreditamos que desse encontro possa nascer e crescer o desejo de ler e criar histórias e que, juntos, você e seus alunos experimentem relembrar, colher e construir narrativas. Criar uma história e encontrar um modo de contá-la constitui parte importante do processo de alfabetização e letramento. As propostas que você verá aqui são como pedrinhas, colocadas uma após a outra, com a intenção de auxiliar as crianças na compreensão dos componentes necessários à construção de uma história. Nosso desejo é que seus alunos e alunas percorram, conduzidos por você, esse mundo mágico e irremediavelmente humano das histórias encantadas. Boa travessia!

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pra você se localizar

Índice Núcleo 1

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Afinal de contas, quem é o herói?

08

1. Um herói e muitos caminhos

10

2. Criar personagens juntos: um herói novinho em folha

14

Núcleo 2

Travessias

20

3.Floresta, mar ou deserto? O lugar e a narrativa

22

Núcleo 3

Os elementos da narrativa: tempo, espaço e personagem

26

4. Um passo de cada vez: entendendo o percurso da narrativa

28

5. Quem vive e quem conta: personagem e narrador

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Núcleo 4

Núcleo 5

Personagens e Travessias

36

6. A missão do herói – a faísca que move a história

38

7. Todo vilão precisa de cafuné

42

8. Perigos e antídotos: um exercício criativo

46

Brincar para ler o mundo

50

9. Tem gosto de quê?

52

10. Os coletores de histórias

58

11. Ronc! Trum! Escabilulu!: os objetos mágicos

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Para você se localizar

as atividades e suas ideias-chave

Núcleo 1 Um herói e muitos caminhos

Caro professor e professora, este quadro contém o título de cada atividade e as respectivas ideias-chave que foram trabalhadas com ênfase ao longo de cada uma delas. Como você pode observar, nós “quebramos” os elementos da narrativa em pedacinhos para que eles fossem trabalhados um a um nessa proposta de trajetória.

A ideia de protagonista / exercício para a criação de um protagonista.

Criar personagens juntos: um herói novinho em folha A ideia de protagonista / a ideia de que o herói tem uma missão e faz algumas escolhas que decidem os rumos da história.

Núcleo 2 Floresta, mar ou deserto? O lugar e a narrativa

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Criação de cenários-espaço da narrativa.


Núcleo 3 Um passo de cada vez: entendendo o percurso da narativa Trabalha a ideia de protagonista / trata do conceito de enredo / define o enredo como a sequência temporal – cronológica – de eventos da narrativa.

Quem vive e quem conta: personagem e narrador O narrador e suas escolhas / a ideia de versão / uma história contada de pontos de vistas diferentes.

Núcleo 4 A missão do herói: a faísca que move a história Explora o conceito de conflito na narrativa.

Todo vilão precisa de cafuné A ideia de antagonista / propõe a criação de vilões medrosos.

Perigos e antídotos: um exercício criativo Propõe que as crianças criem perigos e antídotos / a ideia de lugar-espaço no qual a narrativa se desenrola.

Tem gosto de quê?

Núcleo 5 Os coletores de histórias Escuta de histórias / uma narrativa como forma de conhecer quem nos conta.

Propõe um exercício para aprimorar a leitura-interpretação das histórias.

Ronc! Trum! Escabilulu! Os objetos mágicos Explica o conceito de objeto mágico e propõe a criação de objetos mágicos.

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Núcleo 1

Afinal de contas, quem é o herói? Atividades relacionadas: Um herói e muitos caminhos, Criar personagens juntos: um herói novinho em folha.

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O herói é um dos personagens que vive a história, o principal, o protagonista. À medida que vive a história, o herói se transforma. O herói busca alguma coisa, ou pode acontecer dele estar distraído e de repente encontrar algo que nem busca. O herói pode ser forte ou fraco, ter dons de inteligência e beleza, ou ainda ser atrapalhado e querido. Se for o segundo caso, chamamos este personagem de anti-herói. Mas um vive dentro do outro, pois todo mundo que se transforma, tem hora que vacila. E é nessa hora que o herói se parece mais com a gente. O herói nos faz ouvir a história e emprestar nosso coração para ele, nos faz torcer por ele e lembrar as vezes em que também lutamos, ou de quando crescemos e temos que descobrir coisas novas. Ouvir uma história é ser o herói junto, emprestar seu pensamento e memória para aquele que vive a aventura narrada. É ele quem nos faz pensar: “se eu fosse ele, também faria assim!” ou “se eu fosse ele, também me apaixonaria por essa princesa linda.” O herói nos convida: venha ser herói comigo! E nós aceitamos esse convite para viver cada palavra, cada surpresa, cada batalha. O mais bonito é que, ao ouvir e contar as histórias de heróis, cada criança encontra suas próprias histórias, os sabores de seus dias, os caminhos vividos. Na história da criança, ela é o herói. Ao encontrar a história contada, a criança se transforma também. O herói é quem a gente queria ser na história, mal percebendo que, se o herói atravessa a narrativa e a gente está junto, aquele herói sempre será um pouco de nós, pois emprestamos a ele nosso coração.

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atividade

1

Um herói e muitos caminhos Escolha duas histórias para contar à classe. Sugerimos “O Príncipe e o Lobo”, que está entre as histórias deste material e “Chapeuzinho Vermelho”, que é uma história que todos conhecem. Depois de contá-las, pergunte às crianças se elas perceberam o momento no qual o herói (ou heroína) precisou escolher como levaria adiante sua missão. Aponte você esse momento em uma das histórias e pergunte às crianças se elas conseguem identificar esse momento na outra história que você contou. Depois de elas terem apontado o momento no qual o herói (ou heroína) teve que fazer suas escolhas, pergunte de que outro modo ele ou ela poderia ter agido. Apresente às crianças algumas alternativas, como por exemplo: E se o príncipe tivesse dito que estava muito doente naquele dia para ir até o Lobo? E se o príncipe tivesse pedido para seu pai ir junto e enfrentar o Lobo? E se ele tivesse dito: não vou, não vou, não vou! E se Chapeuzinho tivesse se recusado a levar os doces para a vovozinha? E se Chapeuzinho tivesse ido pelo outro caminho, como propôs sua mãe? O que poderia ter acontecido? Acolha as possibilidades trazidas pelas crianças e escolha entre as alternativas uma para desenvolver. Então, vá reinventando a história junto com elas.

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Vá fazendo um registro na lousa para que todos se lembrem por onde a história está caminhando. Não importa se a história transformada ficar mais curta. Caso a mudança na história vá por caminhos difíceis de inventar proponha a entrada de seres fantásticos para ajudar. Use como referência histórias que as crianças conheçam. Por exemplo: e se aparecesse uma fada madrinha como em Cinderela? E se aparecesse um dragão amigo?

A MISSÃO E O MOMENTO DA HISTÓRIA EM QUE O HERÓI ESCOLHE UM CAMINHO Na história do Príncipe e o Lobo, a missão foi dada pelo pai do príncipe. Para se tornar o novo rei, o príncipe deveria provar sua coragem, assim como tinham feito todos os outros príncipes antes dele. Para levar adiante sua missão, o príncipe escolheu um caminho: fugir e viajar em busca da sua coragem e só voltar quando se sentisse forte. Na história de Chapeuzinho Vermelho, a missão foi dada pela mãe da menina ao pedir que ela levasse a cesta de doces para a vovó doente. O momento da escolha da heroína, nesse caso, foi decidir contrariar as orientações de sua mãe e tomar outro caminho, o da floresta.

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atividade

1 Para fazer no caderno Peça para as crianças registrarem no caderno a nova história. Peça para as crianças trazerem, de lição de casa, mais uma missão e um caminho que o herói escolheu de uma história que já conheçam.

Para fazer na frente da sala Peça para um grupo de crianças encenar a história “O Príncipe e o Lobo” com o caminho narrativo original (o que está escrito no material). Peça para outro grupo encenar o novo caminho narrativo. Caso haja outros personagens no novo caminho narrativo, as crianças podem inventar novos jeitos de representá-los, usando objetos da sala de aula como giz, papel, lápis, fazendo de conta que eles são os novos personagens ou objetos.

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Atividade em 7 passos

1 2

Conte duas histórias para as crianças (nossa sugestão é “Chapeuzinho Vermelho” e “O Príncipe e o Lobo”).

Localize o momento em que o herói (ou heroína) precisou escolher como levaria adiante sua missão numa das histórias que você contou.

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Peça para as crianças localizarem o mesmo momento na outra história que você contou.

Provoque as crianças com perguntas para que elas pensem em novas alternativas para a escolha do herói (ou heroína) e quais poderiam ser seus desdobramentos.

5 6 7

Peça às crianças que criem novos caminhos para as histórias com essas novas alternativas. Peça às crianças que encenem a narrativa original. Peça às crianças que encenem a narrativa alternativa.

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atividade

2

Criar personagens juntos um herói novinho em folha

Comece contando às crianças uma história. Nossa sugestão é que você conte a história “Rei Cabeça de Galinha” ou “As velhas tecelãs”. Depois da leitura, pergunte às crianças quem é o herói da história e fale um pouco sobre um dos recursos mais comuns neste tipo de narrativa, um tipo especial de personagem, o herói, ou protagonista. Há um texto que trata especialmente deste tema no ínicio do núcleo 1. Você pode recorrer a ele, se quiser.

Pergunte, então, quais são as características de João, o herói da história “Rei Cabeça de Galinha”. Você pode fazer uma lista na lousa com as características que as crianças apontarem no personagem. Depois, peça às crianças que se lembrem de outros heróis de histórias que elas conheçam. Quais são seus heróis favoritos? Você pode ajudá-las, listando alguns também como, por exemplo, o jovem Viking do filme “Como treinar seu dragão”, ou Aladim, da Lâmpada Maravilhosa, a princesa Aurora, de “A Bela Adormecida” ou qualquer outro que você preferir. Ao lado de cada herói (ou heroína), você deve listar as características apontadas pelas crianças.

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Você pode incentivar as crianças a falarem mais e mais sobre cada um deles fazendo algumas perguntas, como por exemplo: - Quais eram os seus dons ou poderes? - O que ele era capaz de fazer? - O que ele não era capaz de fazer? - Ele já nasceu assim ou recebeu esses dons depois de ter nascido?

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atividade

2

Para fazer no caderno Peça para as crianças se dividirem em duplas e as convide para criarem um herói novinho em folha. Coloque na lousa as coisas que elas não podem deixar de responder, como por exemplo: Qual será o nome dele/dela? Ele vai ser homem, mulher, criança, bicho? Ele vai ter uma família? Ele será filho/a de quem? Onde e em que época ele/ela vai ter nascido? Ele vai morar numa casa, num castelo, num barco, num avião, numa caverna? Ele vai ter amigos? Quem serão eles? Como vai ser o lugar em que ele vive? Quais serão seus dons? Ele vai ter medo de alguma coisa? Como será o seu corpo? Será grande? Pequeno? Colorido? Bonito? Feio? E se fossemos heróis? Quem gostaríamos de ser? Que poderes mágicos teríamos? Qual seria nossa missão?

Sugira às crianças que pensem sobre dons inusitados para esses heróis como, por exemplo, dom de contar piada, dom de ser tagarela, dom de fazer barulhos estranhos, dom de pular como um sapo, dom de se transformar em pulga e outros engraçados. Que o herói seja um pouquinho de cada criança do grupo. Que cada olhar enriqueça as possibilidades dessas personagens.

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Para fazer na frente da sala Peça para as duplas irem à frente da sala apresentarem seu herói. Ao longo da apresentação, você pode pedir que elas digam quais foram as características (ou desejos) emprestados por elas para cada um deles, ou seja, o que tem delas em cada um dos heróis criados. Não se esqueça de dizer a elas que guardem muito bem seu herói porque nas próximas aulas cada herói terá uma travessia, uma missão que será criada especialmente para ele.

Atividade em 7 passos

1 2 3 4 5 6 7

Conte a história para as crianças (nossa sugestão é “Rei Cabeça de Galinha” e “As Velhas Tecelãs”). Pergunte às crianças quem é o herói de cada uma dessas histórias. Peça para as crianças dizerem quais são as características desses heróis e vá anotando na lousa. Peça para as crianças se lembrarem de seus heróis favoritos e suas respectivas características e continue anotando. Solicite que as crianças se dividam em duplas e criem heróis novinhos em folha. Ajude-as nessa criação anotando as perguntas na lousa para que elas não se esqueçam de responder. Peça às duplas que apresentem seus heróis para toda a sala.

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atividade

2 Três Desejos Os heróis são José e Maria. Começam a história sem nenhum recurso. Sua travessia começa com sua generosidade ao dividirem o alimento que tinham com a senhora. Depois recebem como dádiva a realização de três desejos. Por fim, os heróis (anti-heróis, neste caso) colocam tudo a perder. Mas é certo que pensaram sobre seus desejos e escolhas, quando tentaram controlar aquilo que desejariam, e nos fizeram ir com eles, torcer por eles, desejar junto!

O Rei Cabeça de Galinha João é o anti-herói mais simpático e bonachão! Nada dá certo para ele desde o princípio, mas há em sua travessia o amor incondicional de sua mãe que não se cansa de explicar ao filho como funciona o mundo. Mas a travessia de João é cheia de surpresas. Há em seu caminho uma princesa que precisa exatamente do que João tem de sobra: um coração de ouro, boa vontade e um jeito adorável e atrapalhado de ser. Nós, assim como ela, nos encantamos com João e sua travessia, tão torta e bonita.

A Casa do Papagaio e do Lobo Essa narrativa tem algo de muito de curioso! Duas travessias enlaçadas. Ao escolher quem será o herói, estamos deixando de fora aquele que será o vilão. Mas tanto o papagaio, quanto o lobo estão em busca da mesma coisa e agem de modo tão parecido que podemos mudar de idéia a qualquer momento da história. Uma coisa que não podemos negar é que essa história transformou os dois e nos mostrou o esforço necessário para conviver bem, assim como o pior dos dois: a coragem pequenina de enfrentar o outro e o medo gigantesco que os fez jogar tudo pelos ares e dar no pé.

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O Príncipe e o Lobo É a história de um menino que está em busca da sua coragem e precisa, para encontrá-la, resolver os desafios de crescer e transformar-se em rei. Foi preciso primeiro fugir para bem longe para depois retornar crescido pela travessia. Torcemos e aprendemos junto com ele em cada parte da história. E recebemos em troca, ao final, uma grande surpresa!

História dos Tempos de Calor e Frio Aqui o herói é uma menina, que atravessa seus domínios e conhece um reino novo. Lá, vive e conhece tanta coisa que, ao voltar, está transformada de modo irreversível. Não pode mais ser quem era e viver como vivia. A menina se transformou e tudo ao redor segue esta nova ordem. O tempo, o planeta, as saudades de sua mãe.

O Nascimento da Noite Nessa história o herói pode ser a noite que atravessava o caminho dentro do coco e, de repente, viu-se libertada, tomou os céus e aprendeu a ir e vir com o canto dos pássaros. Aqui o herói pode ser o menino que abriu o coco e seu amigo pode ser um herói também. Começam meninos, terminam a travessia transformados em pássaros. Ou, ainda, a serpente filha, que inicia a história pedindo a noite a seu pai e termina resolvendo o destino dos meninos e do equilíbrio entre o dia e a noite.

As Três Velhas Tecelãs Aqui temos outra heroína menina. Ana, que enfrenta desafios, recebe ajuda mágica e termina a história casando-se com o príncipe. Depois de tantos apuros, não importa qual dom de Ana é real. O que queremos é que a menina seja feliz com seu amor sendo exatamente quem ela é!

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Núcleo 2 Travessias Atividades relacionadas: Floresta, mar ou deserto? O lugar e a narrativa.

Travessia é um caminho. Um percurso. Um pedaço de tempo em que nos transformamos. Em palavras simples, toda história pode ser olhada como uma travessia. Grande ou pequena. Como atravessamos o dia? Como atravessamos o ano? Como atravessamos a aventura que vamos contar? Na história, como o herói passou por sua travessia? A palavra travessia está ligada a outra: a palavra atravessar. Passar por alguma coisa. Sair de um lugar e ir para outro. Mudar de lugar. Uma travessia pode ser uma viagem, uma aventura ou simplesmente um dia vivido. Basta olhar e perceber que quem faz a travessia termina diferente, transformado. O herói que começou a história de um jeito termina de outro jeito muito diferente, transformado por tudo que viveu.

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As histórias são travessias colocadas em palavras. Quem conta e quem ouve também está fazendo uma travessia. As histórias nos fazem lembrar o que já vivemos e perceber como estamos. Às vezes, até conseguimos perceber como gostaríamos de estar, o que gostaríamos de viver. Viver nos transforma, ouvir histórias também. Quando uma história chega ao fim, estamos diferentes, transformados. Algo nos moveu, nos emocionou, nos fez atravessar e chegar diferentes a um outro lugar.

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atividade

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Floresta, mar ou deserto? O lugar e a narrativa

Você pode começar essa atividade pedindo às crianças que se lembrem de algumas histórias já conhecidas por elas, como Branca de Neve, Peter Pan ou qualquer outra. Então, pergunte a elas por que Branca de Neve teve que abandonar seu reino? Depois da resposta (sua madrasta mandou matá-la por inveja de sua beleza) pergunte às crianças por onde foi que começou a jornada, a travessia de Branca de Neve. Registre na lousa (pela floresta). Leia novamente a história “O Príncipe e o Lobo” para as crianças e peça para elas indicarem em qual espaço ou cenário se dá a jornada do príncipe. Registre na lousa (a cidade mágica, o deserto, a outra cidade em festa). Então, apresente às crianças três possibilidades de cenários para travessias lembrando a elas que a jornada do herói começa como quando começamos uma viagem. Atravessar o mar Atravessar o deserto

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Atravessar a floresta escura


Que lugares o herói encontrará? Diga que pensem sobre que perigos pode haver em cada um desses lugares. Quais as possibilidades para essas travessias? Barcos, vôos, pontes... Diga que, se for necessário, elas também podem recorrer aos objetos mágicos criados ou inventar outros para ajudar na travessia. Caso você ainda não tenha feito a atividade que propõe a criação de objetos mágicos (atividade 11), explique às crianças o que são objetos mágicos.

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atividade

3

Para fazer no caderno Peça para as crianças, em duplas, construírem pequenos trechos de histórias sobre como atravessar esses lugares. Peça que leiam para a sala. Registre na lousa as possibilidades que surgirem e crie instruções para atravessar caminhos. Exemplos: para atravessar o mar faça assim, para atravessar a floresta escura sem se perder faça uso do objeto x, para atravessar um abismo, voe com um pássaro etc. Peça para todos registrarem as instruções nos cadernos.

Para fazer na frente da sala Peça para as duplas criarem um pedaço de uma história. Esse pedaço deve ter: ¬ o herói; ¬ o motivo que levou o herói a abandonar sua casa, seu reino, seu país, seu planeta; ¬ o cenário escolhido para a jornada/travessia do herói; ¬ que perigos havia nesse espaço/cenário/lugar onde o herói começou sua jornada;

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¬ com que ajuda ele contou para essa travessia.


Atividade em 7 passos

1 2

Relembre com as crianças uma história conhecida (como Branca de Neve, por exemplo).

Pergunte às crianças por que Branca de Neve teve que abandonar seu reino. Registre na lousa a resposta das crianças.

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Pergunte às crianças por onde foi que a jornada/ travessia de Branca de Neve começou. Registre na lousa a resposta.

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Leia a história “O Príncipe e o Lobo” e peça para as crianças dizerem por quais lugares o príncipe passou em sua jornada/travessia. Registre na lousa.

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Apresente às crianças três possibilidades de cenários/espaços e não se esqueça de dizer a elas que a jornada do herói começa como quando começamos uma viagem.

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Peça para que elas pensem sobre quais perigos poderia haver em cada um dess lugares e sobre possibilidades para realizar essa travessia (dê exemplos).

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Peça a elas que, em duplas, elaborem pequenos trechos de histórias sobre como atravessar esses lugares.

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Núcleo 3

Os elementos da narrativa: tempo, espaço e personagem Atividades relacionadas: Quem vive e quem conta: personagem e narrador, Um passo de cada vez: entendendo o percurso da narrativa.

Toda narrativa é composta de certos elementos, sempre presentes, mesmo que de formas muito variadas. É a combinação mais ou menos criativa desses elementos que faz a montagem da história em si, ou o que chamamos de enredo. Esses elementos são necessários à narrativa e isso significa que, se o texto for uma narrativa, eles devem estar lá, sempre. Em outros tipos de texto eles podem ou não existir, não são obrigatórios. Ensinar a seus alunos e alunas que elementos são esses significa ensinar-lhes também a preparar o texto antes mesmo de escrevê-lo, como um projeto ou pré-texto. Falar sobre as formas como estes elementos podem ser articulados para montar a história é falar também sobre a estrutura da narrativa, ou seja, seu eixo lógico, aquilo que permite que todos compreendam a história que se conta.

Tempo cronológico- “Começo, meio e fim” Nas escolas, as pessoas costumam chamar esta estrutura de “começo, meio e fim”. Realmente, a estrutura da narrativa costuma ser do tipo cronológica, ou seja, o tempo – um dos elementos da narrativa – é o critério lógico usado para organizar as ideias de que se quer falar; assim, seria mais apropriado dizer que pensamos no que aconteceu primeiro, depois e ainda depois! Os elementos da narrativa são poucos e geralmente conhecidos de todos, mesmo que não necessariamente seus alunos e alunas refiram-se a eles por seus nomes próprios, o que é bem simples de resolver.

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Toda narrativa tem personagens, ou, pelo menos, um personagem. Personagens, é claro, são aquelas entidades que levam a história dentro de si. São seus atos que determinam os rumos da história. Um personagem pode ser qualquer coisa, de agulha de costura a fantasma, mas, como a palavra diz, ele sempre assume ares de pessoa, ou seja, ares mais ou menos humanizados. Isso acontece porque toda história é feita por seres humanos, para falar sobre problemas e questões humanas, para outros seres humanos. Para que isso seja possível, os personagens têm que permitir alguma identificação, que os humaniza. Às vezes, é claro, os personagens são mesmo seres humanos, o que torna tudo isso mais evidente. Cada personagem da história realiza atos que, como dissemos, vão se organizando cronologicamente – um depois do outro – e assim, determinando a história em si. Esta organização se desdobra justamente sobre outro dos elementos da narrativa: o tempo. Nas narrativas, em geral, o tempo tem esta organização diacrônica – uma coisa depois da outra, que nos dá a sensação de causa e efeito todo o tempo – a princesa beija o sapo e por isso ele se transforma em príncipe, por exemplo – um ato sucede o outro e, ao mesmo tempo, essa sucessão supera o anterior: em nosso exemplo, todos sabemos que a princesa beijará o sapo uma única vez e isto determinará um caminho para a história que determina que este ato não se repetirá ou, se por acaso for repetido, estará em outro contexto, como acontece nas histórias de acumulação, por exemplo. Há também um tempo sincrônico nas narrativas, mais evidente nas narrativas mais elaboradas, como os romances, e raramente percebido pelas crianças (enquanto Branca de Neve dormia em seu caixão de cristal, o príncipe vagava pela floresta encantada e os anões trabalhavam tristemente em sua mina). O tempo sincrônico, como vemos, trata de coisas que acontecem ao mesmo tempo e que são relacionadas entre si (a tristeza dos anões é causada pela ausência da princesa, que o príncipe eventualmente encontrará, apenas porque vaga pela floresta). Aliás, a ideia da floresta nos leva ao terceiro elemento da narrativa, não menos importante: o espaço ou cenário. Toda história se passa em algum lugar e este lugar é importante para o desenrolar da história e a determinação dos atos de cada personagem. Às vezes, nos contos infantis clássicos, alguns personagens são nomeados em função do cenário e de suas possibilidades, como é o caso do Caçador na história de “Chapeuzinho Vermelho” ou do Lenhador, pai de João e Maria.

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atividade

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4


Um passo de cada vez

entendendo o percurso da narrativa Toda narrativa tem um protagonista e, às vezes, um antagonista. Eles também podem ser chamados de herói e vilão, respectivamente. O protagonista, também chamado de personagem principal, é quem determina os rumos da história. São suas ações que decidem como a história se desenvolve, que caminhos ela percorrerá. Nesta atividade, você e seus alunos podem explorar essa propriedade dos protagonistas e, com isso, aprender uma das formas possíveis para se mapear o enredo de uma narrativa.

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atividade

4

Para fazer no caderno Para começar, vocês deverão construir uma tabela, que tenha as seguintes colunas: QUEM e O QUE FEZ, e muitas linhas. Com a tabela organizada, comece a ler para seus alunos e alunas a história “O Rei Cabeça de Galinha”, orientando-os a marcar na tabela, assim que possível, QUEM aparece na história e o que cada uma destas personagens faz. A cada vez que uma personagem realiza uma nova ação, é preciso marcar novamente na tabela. Ao terminarem a história, vocês terão um quadro de desenvolvimento do enredo, ou um resumo da história. Revise este quadro com seus alunos e alunas e certifique-se de que cada um deles tenha todas e as mesmas informações registradas em seus cadernos.

Para fazer na frente da sala Aqui existem duas possibilidades (provavelmente mais, até!) de explorar a idéia de protagonista e o quadro de desenvolvimento de enredo que vocês construíram juntos. A primeira é a de inverter a ordem dos eventos, aleatoriamente e, com isso, criar uma história maluca, que deverá ser representada com os bonecos num teatro de fantoches. Peça às crianças que observem que tem um boneco em particular que aparece em todas as cenas e sem o qual a história nem seria possível. Diga-lhes, então, que este é o protagonista da história ou, se vocês preferirem, o herói. A outra possibilidade é propor às crianças que escolham um dos eventos para alterar, propondo uma nova ação para o protagonista. Ele pode, por exemplo, considerar que a orientação da mãe não é tão boa assim para a nova situação e fazer algo mais apropriado. O que isso causaria à sequência de eventos da história original? Todos os eventos posteriores à alteração seriam igualmente alterados? O final da história permaneceria o mesmo? Estas novas histórias também devem ser transformadas em pequenas cenas ou roteiros que as crianças interpretam no teatro de fantoches e, depois, elas podem escolher que versão acharam mais interessante para apresentar para outras salas da escola ou no horário do intervalo.

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Atividade em 7 passos

1

Diga às crianças que toda história tem um protagonista, que também pode ser chamado de herói, e um antagonista, que também pode ser chamado de vilão e explique a diferença básica entre eles.

2

Peça às crianças que construam uma tabela com muitas linhas que tenha as seguintes colunas: QUEM e O QUE FEZ.

3

Leia a história “O Rei Cabeça de Galinha”. Oriente as crianças a marcar na tabela, conforme sua leitura, QUEM aparece na história e O QUE FAZ cada uma destas personagens que forem aparecendo na história.

4

Lembre as crianças que, a cada vez que uma personagem realiza uma nova ação, é preciso marcar novamente na tabela.

5 6

Revise o quadro e certifique-se de que todos tenham as mesmas informações.

Proponha que a ordem dos eventos seja invertida aleatoriamente para que se crie uma história maluca que seja representada com os bonecos.

7

Peça para as crianças observarem que há um boneco em particular que aparece em todas as cenas e sem o qual a história nem seria possível. Diga-lhes que esse é o protagonista, ou herói da história.

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atividade

5

Quem vive e quem conta personagem e narrador

Muitas histórias poderiam ser usadas para demonstrar a existência, relação e funcionamento destes três elementos básicos da narrativa, mas nós vamos começar com a história do Papagaio e do Lobo, porque aqui queremos que seus alunos e alunas percebam bem claramente a ideia de personagens. Diga a seus alunos que eles serão jornalistas e irão escrever uma notícia sobre uma misteriosa casa abandonada. A casa, curiosamente, é muito boa, bem construída, com uma vista sensacional, num dos melhores lugares que há. Para que eles escrevam a notícia, você vai lhes contar primeiro uma história. Lembre a seus alunos que uma reportagem deve conter, necessariamente, as seguintes informações ou responder às seguintes perguntas: Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Peça a eles que copiem essas perguntas em seus cadernos e deixem espaço entre elas para colocarem as respostas. Tudo pronto, cadernos preparados, lápis nas mãos, é hora de começar a história.

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Observe – e mostre a seus alunos e alunas caso eles não percebam – que o primeiro parágrafo da história apresenta, numa tacada só, o tempo (quando=época em que a história se passa), o cenário (onde=floresta), um dos personagens (quem=papagaio) e o conflito ou problema que moverá este personagem ao longo da primeira parte da história (por que=conseguir a casa dos sonhos para morar). É interessante notar também que nesta história o tempo tem ainda uma outra característica ou instância, que é a da duração da história – neste caso, pouco mais de um ano. É justamente a resolução deste primeiro problema que traz à história o segundo personagem e o segundo problema – o lobo, que também quer uma casa e a confusão que se instala quando os dois escolhem o mesmo lugar e dedicam-se à construção da mesma casa. A resolução do segundo problema (o acordo de convivência e os truques que cada um usa para forçar o outro a abandonar a casa), por sua vez, traz o problema final e o desfecho da história, que leva nossos personagens de volta ao problema inicial.

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atividade

5

Para fazer no caderno O trabalho de seus alunos é transformar esta narrativa no texto jornalístico que mais se aproxima deste tipo textual, a notícia. Para ajudá-los, você pode pedir de lição de casa, antes desta atividade, que as crianças tragam para a sala notícias de jornal e analisá-las com elas, respondendo às perguntas fundamentais: Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Na hora de escrever os textos, seus alunos podem redigir uma notícia sobre a história inteira, mas também podem ser agrupados e cada grupo pode escrever uma notícia, referindo-se a momentos da história. Neste caso, é interessante que você forneça para as crianças as manchetes das notícias, algo como “Casa abandonada na floresta intriga comunidade”, ou “Crescimento imobiliário na floresta”, ou ainda “Disputa por casa na floresta finalmente é resolvida”. Os textos das crianças podem ser enriquecidos por outra modalidade do texto jornalístico, a entrevista, com alguns grupos criando textos que mostrem como Lobo e Papagaio pensam e agem ao responder às perguntas de um repórter. Este é o momento ideal para explorar a ideia de personagens, elencando suas características, imaginando respostas prováveis de cada um deles para as perguntas da entrevista e discutindo respostas improváveis. Finalmente, jornais são mídias ilustradas e as crianças podem criar desenhos que façam as vezes das fotos jornalísticas, para ilustrar suas entrevistas e notícias.

Para fazer na frente da sala Com todo esse material, as crianças acharão muito simples e interessante montar um telejornal, com notícias sobre a casa da floresta, reportagens externas, mostrando cenas diretamente da floresta e entrevistas com os personagens. Este telejornal pode ser feito com as crianças como atores ou com o teatro de fantoches, ou até das duas maneiras. Todo o trabalho também pode ser filmado, mesmo que em pequenos filmes feitos com máquinas digitais ou celulares. Pode-se criar uma ambientação, recortando uma tela de TV em uma caixa de papelão grande e cenários para as reportagens externas, caracterizando a floresta e a casa da história. Caso as crianças sejam os atores, também podem fazer adereços e acessórios que caracterizem os personagens.

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Atividade em 7 passos

1

Diga a seus alunos que eles serão jornalistas e irão escrever uma notícia sobre uma misteriosa casa abandonada. Lembre a eles que toda notícia deve responder as seguintes perguntas: Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?

2 3 4

Diga-lhes que essa notícia tem como base uma história que eles ouvirão. Leia “A Casa do Papagaio e do Lobo”.

Alerte-os sobre o início da história, que contém as primeiras respostas para as perguntas-chave (quem, quando, onde, por quê).

5 6 7

Diga-lhes que, em duplas, eles terão que transformar essa narrativa numa notícia jornalística. Se você preferir, forneça manchetes para os grupos. Apresentem as notícias para a classe em formato de telejornal.

Observação: Para ajudá-los, você pode pedir de lição de casa, antes desta atividade, que as crianças tragam notícias de jornal e analisá-las com elas, respondendo às perguntas fundamentais.

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Núcleo 4 Personagens e Travessias Atividades relacionadas: A missão do herói: a faísca que move a história, Todo vilão precisa de cafuné, Perigos e antídotos: um exercício criativo.

As histórias são caminhos, travessias. Carregam despedidas, desafios, percalços e, muitas vezes, retornos, reencontros. As histórias são vividas por personagens. Personagens que, ao atravessarem a história, descobrem coisas sobre o mundo em que vivem e como o percebem. São aqueles que as crianças podem brincar de ser. E, ao mesmo tempo em que fazem de conta que são eles, encontram dentro de suas próprias histórias aquilo que as move. Os personagens têm poderes mágicos. As crianças têm desafios importantes e tantas vezes estão prestes a descobrir suas habilidades, acolher seus medos e encontrar coragem para crescer e ampliar suas possibilidades de ver, experimentar, dar sentido ao mundo. Nas histórias existem muitas travessias conhecidas. Atravessar uma floresta, um labirinto, fazer a travessia de um rio, de um oceano. Cada um desses lugares guarda em si um tesouro. Crescer é se readaptar ao mundo constantemente. Assim como os heróis, as crianças descobrem coisas novas sobre si próprias e assim também o professor, quando encontra a criança.

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De onde parti? Pra onde vou? Como vou transpor esse desafio? Qual desafio tenho diante de mim? Quais são os perigos que consigo supor? Quais permanecem sem nome? Depois da travessia florescem novas perguntas. O que ficou lá do outro lado? O que conquistei? O que descobri que conseguia fazer?

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atividade

6

A missão do herói a faísca que move a história

Leia para as crianças os três trechos a seguir que, como você verá, estão interrompidos no momento imediatamente anterior à apresentação do conflito. Os três trechos referemse à “Bela Adormecida”, “Chapeuzinho Vermelho” e “Branca de Neve”.

Há muito tempo, viviam num castelo um rei e uma rainha. Por mais que desejassem, o casal não conseguia ter filhos. O tempo foi passando e um dia, para a felicidade de todos, a rainha ficou grávida. Nove meses se passaram e ela deu à luz uma linda princesinha. Como tinha os cabelos claros como o sol, ela foi chamada de Aurora. Quando a criança nasceu, o rei e a rainha estavam tão felizes que resolveram dar uma grande festa no palácio real para celebrar o nascimento tão esperado. Todos os súditos do reino foram convidados. Entre eles, as fadas.

Conta-se que há muito tempo vivia perto de uma floresta uma menina de cabelos muito cacheados. Como ela gostava de sair sempre vestida com uma capinha, que fora presente de sua mãe, todos a chamavam de Chapeuzinho Vermelho. A menina, que morava com sua mãe, gostava de passar seus dias brincando com os animaizinhos que de vez em quando visitavam a aldeia. Sua mãe carinhosa, cuidava com todo o zelo de sua única filha.

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Era uma vez, num reino muito distante, uma linda princesinha. Seu nome era Branca de Neve. Sua mãe, que havia morrido prematuramente, dera esse nome à menina porque sua pele era tão alva que a fazia lembrar a neve que cai no inverno e cobre tudo de branco. Depois da morte de sua mãe, o pai se casara novamente com uma rainha muito bonita, mas que apesar de toda a sua beleza sentia muita inveja da menina. Um dia, seu pai também faleceu deixando a filha aos cuidados da rainha invejosa. A madrasta obrigava Branca de Neve a fazer todo o trabalho do castelo e a fazia usar apenas andrajos. Mesmo assim, a cada dia que passava Branca de Neve ficava ainda mais bonita. A rainha tinha um espelho mágico e, para satisfazer sua vaidade, todos os dias perguntava a ele: Espelho, espelho meu, há no mundo alguém mais bela do que eu? E o espelho sempre respondia: Não, minha rainha. Tu és a mais bela. Depois de contar esses trechos, pergunte às crianças se elas acreditam que as histórias terminam ali, que tudo o que se ouviu até então é a história toda. Diante da negativa das crianças, o professor deve perguntar a elas o que falta, como estas histórias continuam e, então, introduzir o conceito de conflito e a metáfora da faísca, apresentando-o como um problema que faz a história andar e mover os personagens de um lugar a outro, ou seja, ingressa o herói em sua travessia. Se tudo continuasse bem, a história não existiria. Diga a elas que toda história tem uma faísca. Essa faísca, que acende a história, que move a história, é chamada de conflito.

39


atividade

6 Para fazer no caderno As crianças, divididas em pequenos grupos, já criaram seus heróis ou protagonistas. É preciso agora encontrar uma missão para o herói. Por exemplo: algo acontece em seu reino ou em seu país e o faz partir. Um problema, como a necessidade de salvar seu pai ou de salvar seu povo, ou a busca por um amor, por um antídoto? Diga às crianças que elas devem pensar na história como uma fogueira. Qual será a faísca que acende a história? O que precisa ser solucionado? Ofereça uma lista de possibilidades partindo dos contos clássicos: Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida, Ali Babá, Aladim etc.

Para fazer na frente da sala Cada dupla deve, inicialmente, reapresentar seu herói e explicar qual o conflito que o atinge, qual é a faísca que acende a história daquele herói em particular. Depois disso, o professor deve solicitar às crianças que enumerem os personagens necessários à encenação da história que escreveram e fazer uma tabela com esta informação. Cada dupla deve, então, montar seu elenco particular, para encenar a história escrita com os fantoches do “Teatro de Brinquedo”. Para isso, deve convidar seus colegas a participarem da encenação, preenchendo a tabela com esta relação entre nome do amigo e personagem que ele interpretará. Alguns ensaios breves devem ser suficientes para que as histórias possam ser apresentadas para o grupo ou para outros grupos da escola. Você também pode propor às crianças que, se necessário, criem outros fantoches.

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Atividade em 7 passos

1 2 3 4

Leia para as crianças os três trechos escritos. Pergunte se elas acreditam que as histórias terminam ali. Diante da negativa, introduza a ideia de “conflito”, como sendo a faísca que move a história.

Peça para se dividirem em duplas e encontrarem uma missão para o herói que elas criaram na outra atividade (Um herói novinho em folha).

5 6 7

Diga a elas que devem criar a faísca que vai mover a história. Cada dupla deverá apresentar para a sala seu herói e o conflito que o atinge.

Solicite às crianças que enumerem todos os personagens da história criada por elas e seus respectivos intérpretes, para que elas possam fazer ensaios e apresentarem suas histórias completas para toda a sala.

41


atividade

7

Todo vilão precisa de cafuné Nesta atividade, propomos um exercício para tratar dos vilões ou os chamados “antagonistas”. Eles são chamados assim porque agem em sentido oposto, contrário ao do protagonista, ou herói da história. Você pode iniciar uma conversa perguntando às crianças quais são os vilões mais amedrontadores que elas conhecem. Lembre de alguns, como a bruxa da Branca de Neve, o gigante Sauron, do Senhor dos Anéis, Voldemort, de Harry Potter, os crocodilos que guardam castelos e outros tantos que as crianças se lembrarem. Deixe as crianças falarem sobre eles, sobre seus medos.

Proponha, então, a questão:

E se os vilões tivessem alguns medos que os tornassem inofensivos?

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43


atividade

7

Para fazer no caderno Peça para as crianças se reunirem em duplas para inventarem vilões medrosos. Pergunte às crianças quais medos elas têm e brinquem de emprestar esses medos aos vilões. Pergunte a elas se já pensaram numa bruxa da Branca de Neve com medo de que achem ela feia e não queiram ser sua amiga? Já imaginaram um vilão com medo de escuro, medo de barata? Já pensaram num vilão com saudades da mãe? Ou um crocodilo, que não aprendeu a dividir, perder a paciência com os outros crocodilos e acabar vacilando e deixando o caminho livre para o príncipe salvar a princesa? Organize uma coleção de vilões construídos pela classe. Seus nomes, seus poderes e seus medos.

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Atividade em 7 passos

1 2

Comece perguntando às crianças de quais vilões elas têm medo.

Relembre com as crianças os vilões de histórias que elas já conhecem e as deixe soltas para falar sobre eles.

3

Explique às crianças que eles são chamados de vilões ou antagonistas porque, quase sempre, agem em sentido contrário ao protagonista, ou herói.

4

Peça para as crianças se reunirem em duplas para inventarem vilões medrosos e registrarem tudo em seus cadernos.

5 6 7

Sugira que elas emprestem seus medos aos vilões e imaginem medos engraçados para eles. Organize uma coleção de vilões construídos pela classe. Seus nomes, seus poderes e seus medos. Peça para as crianças apresentarem seus vilões medrosos para toda a sala.

Para fazer na frente da sala Peça para as duplas apresentarem seus vilões medrosos para todos. Se preferirem, elas podem escolher um dos fantoches para representar o vilão (ou vilã).

45


atividade

8

Perigos e antídotos um exercício criativo

Para podermos criar uma história, um desenho, um poema, um cartaz, um roteiro ou qualquer outra coisa, nós precisamos estar alimentados. Esse “alimento” é composto por muitas coisas e pode ser “ingerido” de várias formas. Algumas delas, certamente, são – no caso de criar histórias – ouvir e ler muitas histórias prestando atenção em cada palavra, imaginando os lugares em que se passam, instigando a imaginação para construir cada cena descrita, pensando sobre as perguntas que são lançadas e, é claro, fazendo muito exercício com o objetivo de criá-las. Quanto mais alimento desse tipo nós tivermos, mais chance de criarmos histórias divertidas, vivas, brilhantes. Isso vale para qualquer pessoa, a qualquer tempo. Todo escritor, ainda que já consagrado, nunca para de se alimentar de histórias e de transformar esse alimento em novas histórias. A escola é um ótimo lugar para se conseguir esse alimento, assim como em nossa casa, com nossa família, nos livros que lemos, nos filmes que assistimos. Esta atividade propõe um exercício criativo. Esse exercício será o de inventar perigos e seus antídotos. Fazendo esses exercícios, seus alunos e alunas terão mais recursos para a criação de histórias.

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Você pode começar perguntando a eles: o que pode ser o desafio mais difícil para um herói? Apresente às crianças uma lista de eventos dramáticos da natureza como tempestades, um mar agitado, uma seca que matou toda a plantação, um tufão, uma tempestade eletromagnética no espaço, uma nevasca que cobriu de gelo a terra inteira, entre outros que as crianças se lembrem. Faça uma lista com esses perigos. Convide, então, as crianças a atribuírem características humanas aos perigos e a proporem alguns antídotos para acalmar esses perigos. Por exemplo: Como fazer para parar uma tempestade? Que tal perguntar ao céu por que ele chora e prometer ajudálo no que o deixa triste? O que deixaria o céu triste? Por que o mar estava agitado? Porque ele estava com saudades da chuva. Como acalmá-lo? Cantando pra ele uma música que fala da chuva!

47


atividade

8 Para fazer no caderno Peça para as crianças registrarem em seus cadernos os eventos da natureza e seus antídotos. Diga a elas que esse acervo poderá ser muito útil quando forem criar suas próprias histórias, inclusive para o concurso cultural do “Teatro de Brinquedo”.

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Atividade em 7 passos

1 2 3

Diga às crianças que vocês farão um exercício criativo. Pergunte a elas quais são os maiores desafios que um herói pode enfrentar.

Dê alguns exemplos, como “uma tempestade em alto mar”, “uma seca que matou toda a plantação”, “um tufão que destruiu todo o reino” etc.

4

Peça, então, para as crianças atribuírem características humanas aos perigos e proporem alguns antídotos para acalmar esses perigos.

5 6

Dê alguns exemplos.

Peça para as crianças registrarem no caderno os eventos da natureza e seus antídotos.

7

Diga a elas que esse acervo poderá ser muito útil quando forem criar suas próprias histórias.

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Núcleo 5

Brincar para ler o mundo Atividade relacionadas: Tem gosto do quê?, 1Os coletores de histórias, Ronc! Trum! Escabilulu!: os objetos mágicos.

É uma brincadeira gostosa essa de ensinar a linguagem. Ensinar gestos e sons que identificamos e atribuímos significado. A palavra brincadeira vem de brinco, anel, elo, vínculo. Brincando estamos estabelecendo vínculos para entender o mundo, desenvolvendo linguagem e sobretudo descobrindo novos sentidos e modos de viver, crescer e nos comunicar.

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A brincadeira de observar e imitar o que vemos é algo simples e intuitivo que guarda em si a semente da linguagem do teatro. A criação de histórias contadas, vividas, brincadas com o corpo todo contém as importantes perguntas: Como seria se fosse assim? Quem seria eu se fosse você? Que opções faria, que desejos, que medos teria? Dentro dessas perguntas transborda a experiência humana da empatia. Colocar-se no lugar da outra pessoa. Viver em grupo, perceber, conhecer e expressar suas necessidades suas ideias ouvir e entender outros modos de olhar para o mundo. O que eu sentiria se fosse ele? A capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa e assim experimentar a sensação de pertencimento. Estamos juntos. Isso que escolhemos para dizer é nosso.

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atividade

9

Tem gosto de quê? Um músico* disse certa vez que o que faz uma música ser bem tocada é a capacidade que alguns músicos têm de saborear cada uma das notas que eles lançam no ar quando tocam seus instrumentos. Para ele, cada nota emitida deve ser tratada cuidadosamente para que a música – que é um monte de notas juntas possa transmitir aos seus ouvintes aquilo que se deseja. Essa capacidade (ainda bem) é algo que se aprende. Essa mesma ideia serve para falarmos sobre as palavras. Toda história que lemos ou ouvimos é feita delas. No “Teatro de Brinquedo”, uma das coisas que consideramos importante é que seus

* Esse músico é Nailor Proveta, um dos maiores instrumentistas brasileiros e de quem eu tenho a honra de ser amiga.

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alunos e alunas percebam que a leitura de histórias requer alguns cuidados. Um deles é que, assim como as notas para esse músico, cada uma das palavras que emitimos ao lermos uma história para alguém deve ser cuidadosamente tratada para que possa expressar melhor as emoções que sempre estão contidas nelas. Essas emoções se revelam com toda a sua intensidade quando temperamos cada uma das palavras com entonações diferentes que podem indicar surpresa, dúvida, descontentamento, alegria, raiva, medo... Essas emoções se revelam também quando as palavras vêm acompanhadas de olhares e gestos, quando as dizemos em voz baixa ou alta, de um jeito áspero ou doce, quando saem de nossa boca rápida ou lentamente, quando as sussurramos... Nesta atividade, nossa proposta é que você e seus alunos trabalhem na interpretação das falas dos personagens e narradores das histórias a partir de um jogo.

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atividade

9

O Jogo de Temperar Palavras Em roda, ou como você preferir, proponha às crianças o Jogo de Temperar Palavras. As regras são as seguintes: 1. A classe deve ser dividida em times (dois, três ou quantos você quiser). 2. O professor cria uma sentença. Serve qualquer uma como, por exemplo, “Eu fui até o banheiro e vi a Julinha”; “Você é tão inteligente quanto o Pedro”; “Eu sonhei com você na noite passada”. 3. Cada time deve temperar essa sentença com um dos temperos propostos na lousa e, depois de temperada, um de seus integrantes deve repeti-la em voz alta para a sala. 4. O time adversário deve adivinhar qual foi o tempero usado naquela sentença. Caso o time adversário adivinhe, ganha 1 ponto e o time que temperou ganha 2. Caso ninguém reconheça o tempero, todos os times perdem 1 ponto. 5. Não vale ficar temperando sempre com o mesmo tempero. Os times devem usar temperos variados. O professor, que cuidará do placar, também colocará alguns “temperos” na lousa para que as crianças recorram a eles. Se você preferir, comece com uma lista menor para que fique mais fácil.

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TEMPEROS

Alegria Medo Surpresa Dúvida Confidência Pavor Raiva Desprezo Amor Desapontamento Ironia Saudade Segredo Travessura Maldade Malícia Rancor Esperança Irritação Carinho


a a

Para fazer no caderno Peça para seus alunos e alunas que tragam de casa uma lista de temperos que eles perceberam nas palavras ditas por suas mães, pais, avós, tios ou amigos. Peça que eles registrem a frase, o tempero e quem disse. Veja a tabela abaixo como exemplo: Frase

Tempero

Quem disse

Você quer comer alguma coisa?

Carinho

Avó

Você já fez a lição de casa?

Surpresa

Mãe

Eu vou sair e já volto.

Amor

Irmã

Você mexeu nas minhas coisas.

Desapontamento

Amigo

Para fazer na frente da sala Peça às crianças que se organizem em grupos e escolham uma das 7 histórias enviadas neste material. Cada grupo terá que representar uma delas (eles podem utilizar os fantoches ou não) para a sala. Lembre a eles durante a leitura sobre o cuidado no tempero de cada palavra ou frase. Você também pode escolher alguns trechos (selecionados na página seguinte) nos quais esses temperos são fundamentais e pedir para os grupos se alternarem em sua interpretação. A proposta é que os grupos façam “apresentações comentadas”, ou seja, que cada apresentação seja analisada pela classe. A platéia de crianças deverá se manifestar aprovando, desaprovando e argumentando sobre a qualidade das interpretações, ou seja, seus temperos.

Às vezes, quando começamos a cozinhar, colocamos muito sal ou pimenta na comida. Alerte seus alunos quando eles fizerem o mesmo com o tempero das palavras. Ou seja, não é colocando tempero demais que a comida fica boa, não é mesmo?

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atividade

9

Atividade em 7 passos

1 2 3 4

Proponha às crianças o “Jogo de Temperar Palavras”. Ensine as regras. Coloque uma lista de temperos na lousa para as crianças.

Depois de terminar o jogo, mostre a elas a tabela e peça que elas tragam como lição de casa a tabela preenchida com as frases e temperos saboreados em casa.

5

Peça para as crianças se organizarem em grupos para escolherem uma das histórias desse material para apresentá-la à classe.

6

Se você preferir, pode fornecer trechos das histórias e pedir que cada grupo se alterne na apresentação do mesmo trecho.

7

Oriente a platéia de crianças para analisar e argumentar sobre a qualidade de cada apresentação.

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Trecho de “Três Velhas Tecelãs” Ana: Rei, nem sei o que dizer! Rei: Não diga nada. Você não tem escolha. Ou melhor, seu destino tem três fios, três caminhos. No primeiro, você supera os desafios e casa-se com meu filho. No segundo, você não aceita ser desafiada e morre por me desobedecer e, no terceiro caminho, você não consegue cumprir a tarefa, fracassa e morre do mesmo jeito. Ana: desafio aceito. Ana fala para a platéia: Ai eu mato meu pai! Quem mandou ser tão exagerado, tão desajeitado com as palavras?

Trecho de “Três Desejos” Narrador: José, Maria e a senhora jantaram juntos. Depois do jantar José foi para o quarto e Maria foi até a mesa, recolheu a louça, quando escutou um barulho estranho. A louça caiu toda no chão! Que susto Maria teve! A senhora começou a dançar e rodopiar e pular pela cozinha. Maria até pensou que estava ficando maluca! Senhora: Ronc Trum Escabilulu Ronc Trum Escabilelê. Eu tava tão sozinha e encontrei vocês! Nessa casa tem amor ronc trum escabilelê, mas não tem o que comer Ronc Trum Escabilelê. De velhinha viro princesa que é pra abençoar vocês e pela janta agradecer! Trago aqui três desejos vocês podem escolher. Mas pensem bem o que pedir, pois tudo pode acontecer. Ronc Trum Escabilulu Ronc Trum Escabilelê.

57


atividade

10

Os coletores de histórias As narrativas são tão importantes que muita gente acredita que esta é uma das melhores formas de organizar a vida: transformá-la numa história, que se possa contar aos outros. Nós fazemos isso o tempo todo: quando alguém nos pergunta como foi o dia, quando contamos algo que nos aconteceu e quando tentamos explicar porque as coisas são desse jeito e não de um outro qualquer. As histórias de cada um de nós são enriquecidas com as outras histórias que ouvimos pela vida: histórias dos outros ou histórias tradicionais, como os contos clássicos e as que conhecemos na literatura. Comece esta atividade contando uma história da sua vida para seus alunos e alunas, mas não uma história qualquer: conte a história de um episódio que tenha mudado sua vida; pode ser qualquer coisa, desde que tenha esta marca de mostrar que sua vida era uma antes deste acontecimento e, depois dele, mudou para sempre. Pode ser a história de uma escolha profissional, a história do nascimento dos filhos, a de um grande amor, a de um desastre terrível ou de uma grande decepção.

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Explique a seus alunos e alunas que todos os adultos têm histórias assim para contar e que isso acontece quando a gente já está a algum tempo no mundo e vai acumulando histórias, que sempre começam nas decisões que a gente toma, nas escolhas que a gente faz numa situação ou outra. Crianças, por sua vez, raramente têm histórias desse tipo sobre si mesmas, porque poucas vezes tomam suas próprias decisões, porque alguém ainda cuida delas. Assegure-lhes que, no futuro, todos eles terão histórias deste tipo para contar.

59


atividade

10

Para fazer no caderno Explique a seus alunos e alunas que eles serão, nesta atividade, coletores de histórias, como muitos outros que vieram antes deles. O trabalho de cada um deles será entrevistar os adultos conhecidos, da família ou próximos e descobrir as histórias de momentos importantes da vida de cada um deles, aquelas histórias dos acontecimentos que mudaram a vida dos entrevistados. Converse com as crianças para formularem, juntos, a melhor forma de fazer o pedido ao adulto, que pergunta se deve fazer para que ele conte esta história. Quando tiverem a pergunta pronta, cada aluno deve copiá-la em seu caderno e, como lição de casa, pedir aos adultos que a respondam. As respostas podem ser anotadas nos cadernos das crianças, gravadas como depoimentos de voz ou ainda recontadas. Explique a seus alunos que o importante é que eles prestem muita atenção à história enquanto ela está sendo contada, que não percam um detalhe, que entendam a importância daquela história para aquela pessoa. Depois de ouvirem, podem registrar a história da forma como acharem melhor.

60


Atividade em 7 passos

1 2

Comece a atividade contando uma história que marcou profundamente sua vida.

Explique às crianças que todos os adultos têm histórias assim para contar porque quanto mais se vive, mais histórias acumulamos.

3

Explique a eles que coletarão histórias que marcaram a vida das pessoas. Essa coleta será feita a partir de entrevistas que eles realizarão com adultos conhecidos.

4

Decida com as crianças a melhor forma de fazer esse pedido ao adulto, ou seja, discutam sobre qual pergunta se deve fazer para que ele conte a história. Peça para todos copiarem a pergunta no caderno.

5

Lembre às crianças que eles devem prestar muita atenção à história que esse adulto contar. Diga que elas não podem perder nenhum detalhe. Diga que, depois de ouvirem, podem registrar a história da forma como acharem melhor.

6 7

Organize com as crianças um sarau de contação de histórias. Proponha que as histórias sejam ilustradas e que esses desenhos sejam expostos.

61


atividade

10

Para fazer na frente da sala Com tantas histórias interessantes em mãos, vocês podem organizar um pequeno sarau de contação de histórias. Explique às crianças que contar uma história é algo que envolve quem conta, mas também envolve quem escuta e que, por isso, alguns aspectos são muito importantes. O tom de voz com que se conta deve ser audível, é claro, mas, mais do que isso, deve ser parte do conteúdo da história, com variações que mostrem características de personagens, sinalizem os momentos de tensão ou clímax da história, que criem mistério ou suspense, que mostrem a reconciliação de que os finais de história são capazes. O contato visual entre o contador e os ouvintes também é importante: o olhar que se interrompe e fixa em momentos de clímax, ou o olhar que circula pela audiência, enquanto a voz silencia para criar um momento de suspense. As crianças poderão usar artefatos e adereços, se quiserem, para contar estas histórias, pois devem coletar histórias de todos os tipos: engraçadas, trágicas, verdadeiras etc. É importante, entretanto, que todos lembrem que estas são histórias reais e não contos de fadas. Isso determina que nada na história pode ser mudado, porque o que aconteceu, aconteceu da maneira como foi contado e não há qualquer possibilidade de mudar isso. Esta é, aliás, a marca das histórias de vida: todas elas pertencem necessariamente ao passado e, por isso, são intocáveis. Quando ouvimos uma história retirada da literatura, como os contos clássicos, é comum que pensemos, proponhamos ou até alteremos a história de forma que as decisões do protagonista pareçam mais sábias, ou mais engraçadas, ou tenham o poder de abreviar o sofrimento e levá-lo mais rapidamente ao desfecho redentor da história. Cada criança deve, portanto, escolher uma das histórias que coletou para contar a seus colegas.

62


Os colegas, por sua vez, devem, depois de ouvir a história, propor uma ilustração para ela. Aquele que coletou, trouxe e contou a história deve escolher entre todas as ilustrações aquela que, em sua opinião, melhor retrata a história contada. Uma vez que todas as crianças tenham contado suas histórias e escolhido as ilustrações que lhes cabem, vocês podem organizar uma exposição destes desenhos, na parede da própria sala de aula ou em algum lugar mais público, como os corredores da escola. Seria muito bonito se vocês pudessem, então, convidar os adultos que forneceram as histórias originais para vir à exposição.

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atividade

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Ronc! Trum! Escabilulu! os objetos mágicos

Muitas histórias têm, em seu enredo, um objeto mágico, às vezes um personagem mágico, como as fadas madrinhas ou animais mágicos que ajudam o personagem protagonista a desenrolar o enredo ou, em outras palavras, a fazer sua travessia. Estes objetos ou personagens são ligados ao conflito da narrativa, ou seja, ao problema que deve ser resolvido pelos personagens para que a narrativa encontre seu clímax e seja, então, finalizada. Há alguns objetos clássicos, como as varinhas e potes mágicos e é com esse tipo de objeto que essa atividade deve começar. Traga para a sala de aula alguns objetos e explique que você, ao longo de sua vida como professor ou professora, foi recolhendo estes objetos das histórias que contou a seus alunos e alunas. Explique que cada um deles é um objeto mágico, que tem um poder muito específico. Certifique-se de que, entre os objetos que você trouxe, alguns sejam mais tradicionais e comuns nas histórias conhecidas pelas crianças e outros sejam inusitados e surpreendentes. Em uma roda, convide as crianças a explorar cada objeto, descobrir quais são suas características, seu uso convencional e qual deve ser seu poder mágico. Faça com as crianças uma lista com o nome dos objetos, o uso convencional que costumamos dar a cada um deles e os poderes mágicos que as crianças lhe atribuíram. O importante aqui é acolher as sugestões das crianças.

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Por exemplo, se você traz um pequeno travesseiro ou almofada, a lógica pode lhe atribuir o poder de adormecer por cem anos quem quer que repouse a cabeça sobre ele. Se você achar necessário, relembre nessa conversa os objetos mágicos das histórias conhecidas pelas crianças, como, por exemplo, o tapete mágico de Aladim, a capa da invisibilidade de Harry Potter, o cogumelo de Alice que a fazia crescer e diminuir no País das Maravilhas, o espelho que podia responder às perguntas da madrasta de Branca de Neve e outros tantos.

65


atividade

11

Para fazer no caderno Peça para as crianças criarem, então, seus próprios objetos mágicos e registrarem essa pequena lista no caderno, ilustrando cada um dos objetos, bem como seu poder mágico. Peça a elas que não se esqueçam de decidir como cada objeto se manifesta. Por exemplo: ele precisa ser invocado com palavras mágicas, como a porta da caverna dos ladrões, na história de Ali-Babá? Precisa ser manuseado, como a lâmpada mágica de Aladim? Fazendo dessa maneira, as crianças montarão um pré-texto para cada objeto que poderá ser muito útil na construção de suas histórias e, é claro, também para a história que concorrerá ao prêmio do concurso cultural proposto pelo “Teatro de Brinquedo”.

Para fazer na frente da sala Peça para as crianças apresentarem para a sala os objetos criados, seus poderes e maneiras de invocação. Em seguida, peça às crianças que imaginem e interpretem situações em que os objetos mágicos que criaram seriam especialmente úteis. Cada situação imaginada pode ser interpretada com os bonecos do teatro de brinquedos ou sem eles, caso as crianças preferirem. O desafio final pode ser a criação de uma história coletiva em que todos os objetos criados pelas crianças tenham uma participação. Essa história coletiva pode ser construída numa roda, em que uma criança começa e, à medida que achem que faça sentido, cada criança apresenta sua contribuição.

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Atividade em 7 passos

1 2

Traga para a classe alguns “objetos mágicos” e apresente-os às crianças.

Diga às crianças que você recolheu esses objetos das histórias que você contou a todos os seus alunos e alunas até então.

3

Em roda, espalhe esses objetos e convide as crianças para explorar cada um deles dizendo quais são os seus usos convencionais e os poderes mágicos que elas acreditam que os objetos tenham. Não se esqueça de solicitar as relações lógicas necessárias.

4 5 6

Peça para as crianças se dividirem em duplas e criarem seus próprios objetos mágicos. Além do desenho, peça que elas não se esqueçam de escrever como é que os objetos se manifestam.

Peça para as duplas apresentarem seus objetos, seus poderes e suas maneiras de invocação para todos, na frente da sala.

7

Para finalizar a atividade, você pode solicitar a criação de uma história coletiva, numa roda.

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Créditos Lei de Incentivo à Cultura – PRONAC 095562

Patrocínio Endesa Brasil: Ampla, Coelce, Endesa Cachoeira, Endesa Cien e Endesa Fortaleza Coordenação: área de Sustentabilidade Endesa Brasil

Equipe La Fabbrica Idealização e coordenação geral: La Fabbrica Comunicação e Marketing Diretora de projetos: Fabiana Marchezi Diretor administrativo: Mauro Mantica Relacionamento institucional: Elaine Marin Coordenação geral: Rita Kerder Assistente de coordenação: Sabrina Lopes Central de relacionamento: Laura Bing, Ana Luisa Torres

Materiais Didáticos Criação e redação de conteúdos: Fabiana Marchezi, Lilian Ana P. Faversani e Kiara Terra Texto das histórias: Kiara Terra Ilustrações: Fúlvia Marchezi Projeto gráfico: Bárbara Scodelario Fantoches: Papo de Pano (NM 300/2002 - Segurança de Brinquedos - Inmetro) e Cinco Marias (NM 300/2002 - Segurança de Brinquedos - Inmetro)

Nosso agradecimento à Fábrica Ideias para Crianças.


5 Número ISBN – 978-85-64439-03-0


Idealização: La Fabbrica Comunicação e Marketing

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Teatro de Brinquedo