Abrente nº 65

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Vozeiro de Primeira Linha

www.primeiralinha.org

Ano XVII • Nº 65 • Segunda jeira • Julho, agosto e setembro de 2012

Jornal comunista de debate e formaçom ideológica para promover a Independência Nacional e a Revoluçom Socialista Galega

Revoluçom Galega = Independência, Feminismo e Socialismo

Espanha é a nossa ruína Sumário 3 A degeneraçom das modernas organizaçons sindicais. Umha aproximaçom à colaboraçom obreiropatronal (IV) Daniel Lourenço Mirom

4 As indústrias de enclave na Galiza: o caso de ENCE Antia Marinho

5-6 Privatizaçom do ensino. Os perigos da Universidade Pública Miguel Cuba

7 Da escalada imperialista à necessidade da Revoluçom Miguel Urbano Rodrigues Editorial Qualquer projeto político que na Galiza se reclame de esquerda e pretenda implementar um programa transformador ao serviço dos interesses da classe obreira e das camadas populares tem que defender a plena soberania nacional. Nom é viável nem possível umha cousa sem a outra. O atraso histórico do nosso país e sobre-exploraçom da nossa classe deriva do secular submetimento a Espanha. Mas para que umha naçom seja soberana tem que ser formalmente independente. Nom é possível a soberania sem a independência. Hoje, quando o Estado espanhol em plena falência está à beira da intervençom de iure por parte do capitalismo internacional, é mais importante que nunca evitarmos que a Galiza se veja arrastada por Espanha ao abismo. A única forma de o conseguirmos é defendendo sem ambigüidades nem filigranas retóricas a independência nacional. A Galiza nom poderá sobreviver eternamente sob a cada vez maior pressom assimiladora espanhola, sob a intensificaçom da exploraçom dos seus recursos, mermadas as capacidades para decidir o seu futuro. Espanha é a nossa ruína. Qualquer força política que se reclame revolucionária, qualquer movimento social que se considere transformador e que nom parta desta premissa está condenado à integraçom na lógica sistémica e, portanto, à derrota. @s comunistas galeg@s vimos defendendo sem complexo algum, e de forma clara, que a Revoluçom Galega tem três objetivos estratégicos interligados. Libertar a Pátria da opressom nacional espanhola, do imperialismo ianque e da UE, dotando-a de um Estado plenamente livre e soberano; construir umha sociedade socialista superadora da ditadura da economia de mercado; e emancipar mais de metade da força de trabalho, as mulheres. Umha Revoluçom socialista de libertaçom nacional e antipatriarcal.

À medida que se agudiza a crise do capitalismo, e som mais visíveis as conseqüências para o povo trabalhador nos cortes e retrocessos das condiçons de vida, vai-se afrouxando o véu alienante que impossibilitava que amplos setores explorados e agredidos retirassem o que semelhava incondicional apoio e confiança nos responsáveis pola nosa exploraçom e dominaçom. O processo ainda está agora a começar. Nom avança ao ritmo desejado e necessário, pola hegemonia reformista nas direçons do movimento sindical e popular, e pola debilidade do movimento revolucionário e do partido comunista patriótico. A batalha ideológica adquire pois, nesta conjuntura, umha dimensom e importáncia capitais. Nom som horas de apresentar “prudentes” e descafeinadas alternativas a partir de maquilhagens e reforminhas do capitalismo e da dependência nacional. Há que defender sem temor algum que o futuro da Galiza e da humanidade passa por superar o capitalismo, por construir umha nova sociedade baseada em valores antagónicos dos da economia de mercado. Que o Socialismo é a única possibilidade real de evitar o caos a que nos conduzem o capitalismo e o imperialismo. Que o Comunismo é a nossa meta.

Espanha, um protetorado do imperialismo

A fraçom mais reacionária dos interesses da burguesia tivo que reconhecer nos factos o seu fracasso após meio ano de gestom do governo de Madrid. Mariano Rajói e o PP nom dérom saneado o sistema bancário nem evitado a falência dos bancos e assumem carecerem de meios próprios para superar a situaçom. Embora tenham dedicado enormes recursos e energias a ganhar tempo, a convencer os mercados da solvência espanhola, a acalmar a voracidade do Capital, nom o conseguírom. Entre a perplexidade e a ridícula arrogáncia, nom param de solicitar “ajuda” à UE, G-7 e G-20. Com a prometida esmola de mais de 100.000 milhons e euros e a cada vez mais inevitável próxima intervençom de Espanha pola troika -seguindo o caminho que já percorrêrom a Grécia, a Irlanda e Portugal, o outrora império “onde nom se punha o sol” passa a se converter, de facto, num protetorado da Comissom Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI. As decisons serám adotadas em Berlim, Bruxelas e Washington. De nada serviu o passeio de barco em maio polo rio Chicago, de Rajói com Ángela Merkel, nem as promessas de plena obediência realizadas na cimeira da UE a finais de junho. Madrid ficará esvaziado de competência reais, já para nem falarmos de Compostela, onde a sucursal autonómica da Moncloa carece de qualquer capacidade e vontade para tracejar e implementar políticas próprias. Serám a classe obreira, as mulheres e os povos oprimidos do Estado espanhol que soframos sobre a nossas costas os pacotes de permanentes medidas ultraliberais que imporá o grande capital: endurecimento da última reforma laboral, aumento do IVA, descida de salários e pensons, incremento da idade de reforma, mais cortes e privatizaçons da saúde pública, educaçom e serviços sociais, mas tam-


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