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Novidade

Courtney Love: música inédita Página 6

Ao vivo

Com performance energética e discurso de superação, Demi Lovato emociona público em São Paulo Página 13

AC/DC

Brian e Angus Contam tudo em sua entrevista exclusiva ao nosso reporter! Página 14

Eletrônica

DJs que dominam o mundo Página 24

Top

Os 100 maiores guitarristas de todos os tempos Página 45

Beatles

Autógrafos dos Beatles em painel do programa The Ed Sullivan Show podem render US$ 800 mil em leilão Página 49

Entrevista

Alice Cooper olha para o passado: “Eu não peço desculpas por nada” Página 4

HIstória

Estúdio pede ajuda para recuperar mesa de mixagem que gravou Ten do Pearl Jam Página 69

Especial

Jim Morrison - sexy, perigoso e imortal: por que o mito continua vivo? Página 8

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Alice Cooper olha para o passado: “Eu não peço desculpas por nada”

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BudRock

Entrevista

O astro do rock é tema do documentário Super Duper Alice Cooper, que acabou de estrear no festival Festival de Cinema de Tribeca Por Kory Grow “Nós não trouxemos a galinha”, diz Alice Cooper à Rolling Stone EUA, fazendo um gesto enfático com a mão em um hotel em Nova York. Em setembro deste ano, serão completados 45 anos desde que Alice Cooper se tornou Alice Cooper depois de encarar o público no show Toronto Rock’n’Roll Revival, enquanto abria para John Lennon. Reza a lenda que alguém jogou a ave no palco, e, pensando que ela iria voar (“Eu sou de Detroit e nunca havia pisado em uma fazenda na vida”, ele diz até hoje), jogou-a de volta para a plateia – apenas para ver o público desmembrá-la. “Quando eu percebi que as cinco primeiras fileiras eram de pessoas em cadeiras de rodas, tudo ficou ainda mais macabro”, relembra Cooper. O frontman credita a esse dia à inspiração para a persona que ele usa no palco até hoje. “Eu percebi que a plateia está louca por um vilão”, diz Cooper, que ainda se veste inteiramente de preto, incluindo as calças de couro. “Eles realmente querem um vilão – e quem melhor para interpretá-lo do que eu?”

filme acabou de estrear no Festival de Cinema de Tribeca). Com um elenco que inclui Elton John, Bernie Taupin, Johnny Rotten, Iggy Pop, a mãe de Cooper e, é claro, o próprio Cooper, Super explica como Vincent Furnier, de Detroit, se tornou o vilão que atrai fãs para o pesadelo que ele cria em cima do palco e em álbuns como Love it to Death e Billion Dollar Babies desde os anos 1960.

“Eu percebi que a plateia está louca por um vilão” O documentário, que foi feito pelas mesmas pessoas que produziram Beyond the Lighted Stage, sobre o Rush, combina animação e gravações antigas, examina como Cooper se tornou um nome familiar e como o personagem quase levou a melhor sobre ele. Fala sobre quando o cantor conheceu Salvador Dalí, as turnês cheias de álcool e até sobre o motivo de Cooper ter encontrado consolo no Cristianismo. É uma história de sobrevivência, resistência e força.

Como foi assistir a sua vida passar Cooper tem feito algumas reflexões diante dos próprios olhos? profundas nestes últimos meses, depois de É engraçado, porque eu não não vivo ter participado de um documentário sobre no passado. Eu entendo que as pessoas a vida dele, Super Duper Alice Cooper (o queiram saber como foi que tudo deu certo,

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Entrevista

como eu comecei, e é uma história interessante. Mas foi divertido voltar. Eu não peço desculpas por nada – tudo aconteceu na “Era de Ouro”, quando você podia fazer referências a Jimi Hendrix e Jim Morrison e perceber: “Eu ficava bêbado com esses caras”.

BudRock

Falando dos enforcamentos e guilhotinas que você usa no palco. Você já conseguiu antever algo perigoso demais antes de ir em frente?

Não perigoso demais, mas houve momentos “Spinal Tap”. Já surgiram coisas do tipo: “Vamos colocar Alice em um canhão”. À medida que você reconta essas his- E compramos um canhão, e deu certo. Eu tórias de pessoas como Hendrix e Morri- entrava no canhão, saía pela parte de trás, eles colocavam um boneco e atiravam; son, o que vem a sua mente? enquanto isso, eu já estava do outro lado O que eu aprendi com eles – tirando e saía andando. É uma ilusão, mas ficaJohn Lennon, é claro, que era um lance va ótimo. Mas nada foi muito perigoso. A muito diferente – é que eles viviam tudo ao guilhotina é uma lâmina de quase 20 quilos; extremo. Jim Morrison, Jimi Hendrix, Jaela por pouco não me pega todas as noites, nis Joplin, Keith Moon: todos eles tinham pelos últimos 40 anos. A mesma coisa com a mentalidade de “Preciso fazer agora, o enforcamento – você tem que esperar porque eu não quero estar fazendo isso aos que o cabo do piano tenha sido testado 30”. E minha mentalidade era: “Eu preciso naquela noite. Quando você tem uma cobra descobrir como separar a minha personapython de quase quatro metros no palco, lidade deste personagem, ou isso vai me 99% do tempo ela vai estar bem – mas e se matar” [risos]. Para mim, era tentar descochega uma noite que ela decide fazer outra brir como eliminar esse meio termo para coisa? Eu sempre gostei da ideia de existir poder ter uma vida minha, e Alice Cooper a possibilidade de alguma coisa acontecer. ter uma vida dele. O documentário inclui o show de Você fala sobre religião no documentáToronto no qual os fãs jogaram a galinha rio. Isso já limitou Alice, o personagem? no palco, você jogou de volta e a plateia Até hoje, existe um momento em que a desmembrou. Na apresentação, você penso: “Será que Alice faria isso?” Eu gosto estava abrindo para John Lennon. Ele te do fato de existirem coisas que Alice não disse alguma vez o que ele achou daquifaria. Alice nunca xinga; isso não é legal. lo? Existe uma elegância nele. Há músicas que Ah, ele amou aquilo. John Lennon era um eu não cantaria como Alice que eu escrevi vampiro de Hollywood. Ele era um dos que há muito tempo, coisas que eu não quero bebia. Mas era John Lennon e Yoko quando que Alice promova. eles estavam fazendo a arte deles. Então,

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eles viram aquilo como arte; Yoko e John ficaram, tipo: “Isso é ótimo”. John achou engraçado. E eu não matei a galinha. [Risos] Mesmo que eles quisessem, eu não teria matado a galinha. Mas eu percebi naquele momento o quão loucas por sangue estavam aquelas pessoas no festival paz-e-amor – e era isso o que ele era. Eles não viam problema nenhum em matar a galinha.

“John Lennon era um vampiro

Entrevista

era a coisa mais legal do mundo. Então, é, ver aqueles caras nos fez pirar. O engraçado é que a nossa banda era formada por bebedores de cerveja. Era muito estranho que as bandas com uma má reputação eram formadas por bebedores de cerveja, enquanto Mamas and the Papas, Jackson Browne e o resto estavam usando heroína. Era o oposto do que você imaginaria ser. Os caras do The Monkees sempre usavam ácido. Nós bebíamos Budweiser [risos].

Falando de estrelas do rock: tem uma cena interessante no filme, que é quando você conhece o seu empresário, Shep Gordon, no Landmark Hotel, e tromba com Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison em um quarto repleto de fumaça de maconha. Aquela cena deixou uma impressão sobre você. Você precisa se lembrar que nós éramos uma banda jovem de Arizona, e que nós conseguíamos fazer um baseado durar uma semana, porque era tudo o que tínhamos. E você entra em um quarto tão cheio de fumaça que não consegue ver a pessoa na sua frente, e quando a fumaça se dissipa [suspira]: “Olha, é o Jimi Hendrix ali.” E Shep, nosso empresário, abre uma gaveta, e tem uma gaveta [de maconha], e ele pega um punhado. “Esse é o nosso empresário. Isso vai ser demais.” Em 68, 69, essa

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Jim Morrison sexy, perigoso e imortal: 8


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Especial

Na edição de janeiro da Rolling Stone Brasil, investigamos a história do vocalista do The Doors, apresentamos uma entrevista histórica com o astro e ainda comentamos a discografia da banda Jim Morrison, se estivesse vivo hoje, teria 70 anos e pouco mais de um mês. Um dos mais notórios membros do chamado “clube dos 27”, ele definitivamente não foi feito para durar ou ter cabelos brancos e rugas. A morte não é heroica, mas a mitologia que envolve o fim do vocalista do The Doors segue reproduzida infinitamente. Cada grande astro do rock que surgiu na década de 50 e 60 deixou uma marca e modificou o panorama social para as gerações seguintes. Mas Jim Morrison foi além; no fim das contas, ele não precisava se esforçar muito para ser mais moderno do que os contemporâneos. Na edição de janeiro da Rolling Stone Brasil, você conhece todas as facetas de Morrison, lê uma entrevista histórica com o cantor e ainda conhece a discografia e a videografia do Doors.

montou uma banda de garagem. Morrison, não – virou músico por acaso. Ray Manzarek, colega dele na UCLA (Faculdade de Cinema da Califórnia), tinha uma banda iniciante chamada Rick and the Ravens. Depois do decisivo encontro na praia de Venice com Manzarek, onde Morrison mostrou ao colega algumas das poesias que havia feito, o tecladista ficou impressionado e convidou o poeta aspirante para se unir à banda. Usando a flexível e expressiva voz de barítono que aperfeiçoou ouvindo LPs de Frank Sinatra, Morrison ganhou o cargo de frontman sem muito esforço.

Assim, com Morrison se juntando a Manzarek, Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria), o som do The Doors se formou. Os elementos básicos eram imagens retiradas da poesia beat e da literatura Rebelde autêntico, o artista renegou a romântica, mais pitadas de música oriental família – dizia que os pais estavam mortos, e flamenca e jazz moderno da costa oeste. o que não era verdade. Nunca mais quis Mas o blues, paixão dos quatro integrantes, saber deles, especialmente do pai, almiran- é que dava poder à banda e sustentava a te da Marinha norte-americana. Mais preo- parede sonora. E o tempero dessa salada cupado com a poesia do que com a cultura era o ácido, a verdadeira fonte da lisergia jovem e rock and roll, a princípio ele passou californiana. longe de toda a efervescência criada pelos The Doors (março de 1967), o primeiro álBeatles e pelos Rolling Stones. Depois do bum, jogou uma luz escura no otimismo da surgimento do Fab Four, todo jovem dos contracultura. A Guerra do Vietnã, levando Estados Unidos aprendeu a tocar guitarra e potenciais fãs do The Doors a morrer do ou-

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Especial

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tro lado do mundo, fervia enquanto alguns sonhavam. Contendo imagens caóticas de incesto, destruição, violência, fim da noite e até misticismo, o Doors foi a trilha sonora para o conflito no leste da Ásia. “The End” parecia decretar que a velha geração tinha abandonado os filhos, que agora clamavam por uma amarga vingança.

Só que não havia nada de feminino ou andrógino nele. Bonito, sim, e particularmente perigoso.

No verão de 1967, o Doors era onipresente na cultura pop – ninguém conseguia escapar de ouvir “Light My Fire”. Morrison, o Rei Lagarto, um xamã dionisíaco pingando sexo, desfilava pela região de Sunset Strip No começo, Morrison jogou o jogo. trajando calças de couro negro apertadas Estudante de imagem, sabia como venque não deixavam nada para imaginação. der as feições apolíneas com as quais foi Com toda a arrogância do mundo, a banda abençoado. Ele pediu a Jay Sebring (cacontradizia o Beatles – o Fab Four dizia que beleireiro top de Los Angeles e mais tarde “precisávamos de amor”, mas Morrison e vítima da gangue de Charles Manson), que companhia clamavam em “When the Music fizesse nele um corte de cabelo chamado Is Over”: “Nos queremos o mundo e o que“Alexandre, o Grande”. Com o peito nu e remos agora”. usando apenas um colar, Morrison posou No começo, Morrison jogou o jogo. para fotos promocionais que depois seriam Estudante de imagem, sabia como venapelidadas de “O Jovem Leão”. Essas imader as feições apolíneas com as quais foi gens, feitas por Joel Brodsky, são até hoje abençoado. Ele pediu a Jay Sebring (careproduzidas e todo mundo as conhece beleireiro top de Los Angeles e mais tarde (a mais famosa delas está na capa desta vítima da gangue de Charles Manson), que edição) – há cerca de 45 anos vendem com fizesse nele um corte de cabelo chamado perfeição a ideia do jovem e sensual deus “Alexandre, o Grande”. Com o peito nu e do rock. As feições de Morrison eram tão usando apenas um colar, Morrison posou perfeitas que pareciam ter sido esculpidas.

“The End” parecia decretar que a velha geração tinha abandonado os filhos”

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Especial

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Saiba mais na edição online da Bud Rock no site www.budrock.com a partir do dia 9 de maio. para fotos promocionais que depois seriam apelidadas de “O Jovem Leão”. Essas imagens, feitas por Joel Brodsky, são até hoje reproduzidas e todo mundo as conhece (a mais famosa delas está na capa desta edição) – há cerca de 45 anos vendem com perfeição a ideia do jovem e sensual deus do rock. As feições de Morrison eram tão perfeitas que pareciam ter sido esculpidas. Só que não havia nada de feminino ou andrógino nele. Bonito, sim, e particularmente perigoso. No verão de 1967, o Doors era onipresente na cultura pop – ninguém conseguia escapar de ouvir “Light My Fire”. Morrison, o Rei Lagarto, um xamã dionisíaco pingando sexo, desfilava pela região de Sunset Strip trajando calças de couro negro apertadas que não deixavam nada para imaginação. Com toda a arrogância do mundo, a banda contradizia o Beatles – o Fab Four dizia que “precisávamos de amor”, mas Morrison e companhia clamavam em “When the Music Is Over”: “Nos queremos o mundo e o queremos agora”. Como artista, Morrison tinha uma dupla reputação. Era idolatrado por fãs adolescentes, mas o material que produzia muitas vezes era proibido para menores de 18 anos. Não se considerava um astro do rock, um cantor virtuoso ou ídolo adolescente, e sim um poeta que cantava o material que

produzia. Vivia uma vida de vagabundo de luxo. Poderia ter a mansão mais luxuosa em Beverly Hills, mas, em vez disso, dormia em hotéis baratos ou no apartamento em Laurel Canyon que bancava para a namorada, Pamela Courson, com quem vivia entre tapas e beijos. Carrões e bens materiais não eram do interesse dele. Dava dinheiro e presentes a mendigos e amigos bêbados. E poetas não são poetas se não enchem a cara. Morrison nunca foi junkie. Detestava cocaína, experimentou profusamente LSD de 1965 a 1967, mas as viagens de ácido pararam quando viu que o álcool resolvia os problemas que tinha. Quando sóbrio, era um cavalheiro do sul, gentil e de fala mansa. O problema de encher a cara é que ele se tornava inconveniente e disposto a cometer mesquinharias com quem estava ao seu redor e se importava com ele. Tanto causava encrenca nos shows que chegou a ser preso em pleno palco em um show em New Haven. Costumava dizer que queria usar os métodos de provocação da trupe do Living Theater. A grande tragédia na vida de Morrison viria em 1º março de 1969, em uma apresentação no Dinner Key Auditorium em Miami (Flórida), justamente o estado onde o artista nasceu. O show começou com duas horas de atraso, devido a um desentendimento

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Especial entre os promotores do evento. Morrison entrou no palco bêbado, não concluiu nenhuma canção e entoava discursos inflamados para provocar a plateia. Em certo ponto, abaixou a calça de couro e ameaçou mostrar o pênis – por debaixo da calça ele usava uma cueca samba-canção. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu naquela fatídica noite – se Morrison expôs os genitais ou não – e nem os integrantes do Doors, nem os policiais ou o público de 10 mil pessoas conseguiram formar uma opinião definitiva. Finalmente, no encerramento da apresentação, o cantor pediu que o público tomasse conta do palco e o caos foi instaurado. Morrison, antes um dos astros mais espertos e literatos do rock, agora era um palhaço alcoólatra e inconveniente. O que ninguém percebeu é que, com um gesto extremo como esse, o astro clamava por ajuda, e não por veneração barata.

BudRock foi deixado de lado e perdeu o título de homem mais odiado dos Estados Unidos. Talvez o cantor tenha achado que o fato de ser bonito prejudicasse o desejo de ser levado a sério como artista. Para sufocar o “Jovem Leão”, ele guardou as calças de couro, engordou e escondeu o rosto atrás de uma barba e óculos escuros. A Justiça norte-americana queria transformar Morrison em exemplo. Ele foi julgado, condenado, teve de pagar pesadas multas e viu sua energia esvaída em meio a idas e vindas ao tribunal. Acabou condenado a seis meses de prisão. Apelou, mas temia o dia em que seria encarcerado. Mas o Doors era uma mini-indústria, e mesmo com seu homem de frente envolto em problemas, a banda precisava produzir, gravar e se apresentar. Depois de Miami, os promotores de espetáculos achavam que Jim Morrison era uma bomba-relógio, e o número de apresentações caiu consideravelmente. Em compensação, a banda se recuperou em estúdio, lançando Morrison Hotel e gravando L.A. Woman, dois álbuns consistentes e mais focados que apontavam para dias melhores.

Na época, a própria Rolling Stone EUA achou que o episódio foi mais constrangedor do que ultrajante. Na famosa reportagem que a revista publicou na ocasião, Morrison aparecia em um pôster de “procurado” do velho oeste. A crítica e o movimento underground, que tanto incensaram Morrison perdeu a fé, se fechou para o o Doors em 1966 e 1967, agora decretavam mundo e entrou em forte depressão. Não que a banda era “peso leve”, e que Morrison não passava de um bufão cantorzinho era fácil conviver com ele, e ele próprio sabia disso. Os amigos se afastaram discretade baladas. mente. Longe de ser um mártir de alguma Poucos meses após o incidente de Miacausa ou um herói da liberdade de expresmi, apareceu Charles Manson, outro fantassão, Jim Morrison era apenas um cara perma a assombrar a contracultura. Morrison dido. Em março de 1971, foi para a França,

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BudRock

Especial

terra dos poetas e dos artistas surrealistas que tanto adorava. Nessa tentativa de recuperar a musa poética em terra estrangeira, não teve tempo de produzir muito. Mas pelo menos parecia estar mais sossegado, longe do assédio e das pressões.

mais eloquente também. Jim Morrison era assunto nas livrarias com o best-seller Ninguém Sai Vivo Daqui e na capa da Rolling Stone com a provocativa chamada “He’s Hot, He’s Sexy and He’s Dead” (Ele é Quente, Ele é Sexy, Ele está Morto). Os anos 80 foram infestados de bandas que se calcaA morte de Jim Morrison, oficialmente vam no som baseado em teclados e abuvitimado por um ataque cardíaco em 3 de savam de imagens surrealistas – de Echo julho de 1971, gerou dezenas de teorias de & the Bunnymen a The Cult, todo mundo conspiração – repassá-las aqui nem valeria queria um pedacinho do The Doors. a pena. Mas, ao morrer no apartamento em que vivia, Morrison teve o final que sempre “A poesia caótica de fim quis: o do poeta nu, morto silenciosamente do mundo do Doors foi dentro da banheira. E não deixou de ser um literalmente sepultada pelo dedo do meio para aqueles que o queriam atrás das grades e humilhado. resto da década de 70” Quando Morrison se foi, os outros três membros do The Doors teimosamente seguiram em frente. Lançaram dois álbuns que passaram despercebidos e logo encerraram as atividades. Morrison tornava tudo difícil, mas sem ele a banda perdia sua entidade. A poesia caótica de fim do mundo do Doors foi literalmente sepultada pelo resto da década de 70. Em tempos de glam, rock progressivo e disco music, a visão sinistra de Morrison não tinha espaço. Claro, muitos fãs do Doors acabaram militarando no punk, mas a visibilidade da banda e de seu carismático e complicado frontman parecia ter esgotado.

Talvez em termos de mitologia póstuma, hoje Morrison tenha sido suplantado por Kurt Cobain como o grande garoto problema do rock. O líder do Nirvana e o vocalista do Doors foram verdadeiramente heróis trágicos. Morrison, em particular, praticou o conceito da húbris – tornou-se tão arrogante que desafiou a fonte de seus poderes e, no processo, foi destruído. Ele ainda está enterrado no cemitério Père Lachaise, em Paris, e todo ano a administração local toma medidas para impedir o caos e o vandalismo que cercam a lápide do cantor, que até ficaria contente com isso. E enquanto a poderosa música do The Doors passar de Em 1979, o diretor Francis Ford Coppola geração para geração e as fotos do Jovem usou “The End” de forma decisiva no épico Leão circularem, o espectro do Rei Lagarto Apocalypse Now. As memórias da Guerra estará conosco. do Vietnã estavam de volta, e seu bardo

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Entrevista de Brian e Angus para a CDN

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Budrock

ENTREVISTA

Diante a uma bandeja com sanduíches e uma taça com frutas frescas, que parecem ser ignoradas, está Angus Young tomando chá e seu colega de banda, Brian Johnson, fumando, “Eu estou tentando parar; eu sei, eu sei, isso não existe”, ele admite. Já faz quase um ano que turnê Black Ice terminou. Em retrospectiva, o que vocês acharam?

arrepios em algumas noites. Você tem que se concentrar no que você está fazendo, porque se você começar a olhar para o público, você acaba esquecendo o que tem que fazer.

Brian Johnson: Rápida. Pareceu um vento. Você nem percebe, e então de repente, estávamos dizendo adeus. Fiquei em choque por mais de duas semanas. Eu estava sentado em casa, e minha esposa ficava me olhando e dizendo: “Por que você não tira essa bunda daí e vai fazer alguma coisa? ” Eu não sabia o que fazer. Eu não sabia mais como viver uma vida normal!

Young: Em alguns shows, dá para escutar o barulho do público antes de entrar. É como se você não precisasse estar lá. Eles já estão se divertindo. E você não pode ficar falando muito com eles. Isso nunca funciona.

Johnson: Claro que sim. Eles me dão

Johnson: Oh, não. Quando sai do palco, ele está suando! Acredite em mim.

Johnson: Eu acho que se você falar muito, você começa a soar como um político ou Angus Young: Eu fiquei na cama por uma semana, mas depois peguei a guitarra e fui um líder sindical. Basta ficar de bico calado para o estúdio trabalhar com ela. E montei e começar a tocar. alguns quebra-cabeças. Fiquei viciado! Johnson: O quê?! Você deve estar brincanBrian Johnson: Eu montei um quebra-cabe- do! Nós estaríamos perdidos! Ficaríamos ça também. Só levou três dias. Fiquei muito confusos! contente, pois na caixa dizia: “de cinco a Young: Lembro quando Mick Jagger me seis anos”. perguntou: “Você acha que Malcolm tem O público da América do Sul é conheque ir pra frente e tocar? ” Então eu disse: cido por serem insanos, e aquele que “Esses passos estão enraizados nele. Esse aparece no DVD com certeza prova é o seu jeito de dançar. É isso”. isso. A resposta do público ainda sigE além disso, é o seu único exercício nifica alguma coisa após todos esses da noite. anos?

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ENTREVISTA

Young: Malcolm é a “sala das máquinas”. E o que ele faz é único. Há muito poucos guitarristas como Malcolm no mundo. Há mais pessoas como eu: guitarristas. Muito poucos falam, “Só quero ficar aqui e tocar um bom ritmo. ” Malcolm é um solista muito bom. Não o subestime, ele pode solar e solar muito bem. No começo, quando tocávamos em bares, ele e eu revezávamos. Ele fazia um solo e eu outro. Então um dia ele me disse, “Vou me concentrar no suporte e você pode fazer todas as coisas coloridas. ”.

delas. É uma questão de escolher a melhor - e, provavelmente, por sermos irmãos, podemos facilmente dizer: “Isso é bom. Isso é uma porcaria. Isso é bom...”. Johnson: Eu acho que se você colocar uma data em algo, você se coloca sob pressão. Assim vem alguém e diz “Final de novembro” é como, ”Ah caral***”.

Vocês tocam o mesmo setlist todas as noites. Não fica chato depois de 150 shows? Young: Bom, eu tenho sorte. Tenho um poder. Sempre tive isso. Tenho uma segunda personalidade. Visto o uniforme escolar e me torno mais forte. Mais poderoso. Até a minha visão fica melhor.

Johnson: Não há como imitá-lo. Vi pessoas tentarem tocar “You Shook Me All Night Long” ou “Highway to Hell”, mas faziam tudo errado - e eram bons guitarristas. Eu não sei o que é, e obviamente eles também Johnson: Ele é o Clark Kent, po**.”. não! Brian, você estava brincando quando disse Vocês nos fizeram esperar oito anos que estaria morto em oito anos... por “Black Ice”. Não vão fazer isso de Johnson: Brincando? Eu não estava brinnovo não né? cando! Johnson: Em oito anos vamos estar todos Isso quer dizer que essa turnê exigiu mortos, companheiro! mais de vocês do que a última? Young: Promessas, promessas. Young: Bom, essas coisas acontecem com Johnson: Ha! “Oh, lá se foi mais um! ” você. Nessa turnê, tive essa coisa com a perna. Não era na coxa, não me lembro. Daqui a quanto tempo vocês pensam O médico disse que era algo com uma em fazer outro álbum? veia. Mas é engraçado, só me incomodava Young: Ainda é cedo. Mas esperamos que quando eu estava fora do palco. Quando venha mais cedo. A única fórmula de quan- subia lá, eu ficava bem. do Malcolm e eu escrevemos, é que não há Johnson: Mas isso é físico. O que você tem fórmula. Às vezes você tem muitas e muitas ideias - no nosso caso, quartos cheios que entender é que nós fazemos o que

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Budrock um jogador de futebol faz - mas não temos quase uma semana para se recuperar. E se tivéssemos, iríamos querer apenas sentar e fumar! Então, fazendo assim ficamos em forma. E desse jeito que consigo ir à academia todos os dias! Você quer se manter nesse nível. A última coisa que queremos ouvir é alguém se lamentando ao olhar pra você, dizendo: “Oh, você deveria ter visto eles antigamente. ”. A coisa é, estou me mantendo em forma, e Angus faz o mesmo que eu, mas ele tem que tocar o “banjo” ao mesmo tempo! É igual ao que eu faço - mas com uma mochila de acampar nas costas. Para ele, não é difícil. Mas todo mundo pensa que é.

ENTREVISTA

Johnson: Daqui a 20 anos vamos poder ir ao estádio nos assistir!

O 40° aniversário da banda está chegando, será em 2013. O que vamos ganhar? Johnson: Fogos de artifício! Nah, acho que a melhor coisa séria ainda estarmos de pé depois de 40 anos de banda e ainda tocando para os fãs. Eu não acho que haveria um presente melhor do que esse. Iria acabar com alguns de nariz empinado.

Mas Angus, se você perder seus joelhos ou coxas, o que você gostaria de tocar se não pudesse se mover como hoje? Young: Eu viro biônico. Vocês gostariam que a banda continuasse sem vocês? Johnson: Isso é uma questão discutível, acho que pode se dizer que sim. Young: Acho que sim, se conseguissem continuar. E você gostaria de saber se eles continuaram bem. Johnson: Bom, eu não quero ver essa me*** acontecendo. Que se fo** isso. Seria como um lápis quebrado, inútil. Young: Bom, eles têm a tecnologia agora, poderiam me colocar no telão.

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Revista BudRock 20 x 22 Andre Alonso e Bruno Barbosa  

Trabalho academico

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