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Universidade de Évora I Mestrado em Arquitectura Paisagista Ordenamento da Paisagem II- Turismo e Paisagem

Sun, Sand, Sea & Bikini Bruno Santos 23129 Março de 2014 Os anos 60 são dos anos mais importantes no crescimento do nosso País, um reconhecimento internacional pelo nosso património e um abrir portas aos que o queriam visitar. Passamos de um Portugal agrícola e produtivo para um turístico, era visto como um grande potencial a explorar e prova disso é que ainda hoje Portugal é referência para umas boas “férias”. Uma costa extensa, boas praias, uma temperatura agradável em quase todo o ano, cidades com grande interesse histórico e arquitectónico atraem turistas de todo mundo. A arquitectura surge nesta fase como uma necessidade, existia uma nova procura e teríamos decerto dar uma resposta, e demos. Uma nova tipologia de construção, um crescimento muito alto em tão pouco tempo pois o turismo crescia de ano para ano e era um oportunidade económica que teríamos de potencializar. A modernidade necessária e “imposta” por um novo tipo de cliente, leva a que toda uma construção principalmente ao longo da costa, numa opinião própria pelas minhas origens, a um descaracterizar do que melhor tínhamos a oferecer, a nossa cultura tanto a nível social, arquitectónico e mesmo laboral… pois muitas artes de pesca, entre outras, foram e continuarão a perder-se com esta globalização do nosso Portugal. “Hoje é já difícil reconhecer-lhe a individualidade de povoação marítima. Ela vive do turismo e para o turismo. A sua personalidade não se encontra mais na praia dos pescadores, mas na praia de banhos, no banho marginal e no centro cosmopolita…”

(Cavaco, 1969) Surge um grande número de oportunidades; toda a nossa costa é repleta de nichos muito aliciantes para quem procurava novas e melhores fontes de rendimento o que dá azo a um êxodo de pessoas do interior para o litoral. Desponta um grande crescimento de cidades costeiras com uma construção que procurava responder, em pouco tempo, a esta migração tanto interna como externa. Hoje é fácil vermos muitos dos erros que este crescimento obrigou, mas o maior para mim, é a incapacidade de mantermos vivas algumas nossas potencialidades produtivas, pesca, indústrias da conserva e outras explorações


agrícolas como o figo, que foram perdendo importância e que quase se extinguiram ao longo dos anos.

“Hoje, a mesma região que teve 100 fábricas - além das 30 de Vila Real, sete em Tavira, cerca de 40 em Olhão, 30 em Portimão e duas em Lagos - não tem atum, nem tão pouco frota pesqueira para o capturar.” (dnoticias.pt, Março 2008)

Esta mudança, é talvez um dos aspectos importantes no decréscimo do nosso turismo, e estas formas de trabalho sempre associadas a um estilo de vida e a um grupo de personalidades muito particulares, mesmo não sendo cartaz, tornavam-se algo muito próprio que caracterizava o nosso País e com importância turística, como os ranchos folclóricos ou os pescadores a beira-mar a arranjar as redes, muito nosso, algo com um valor cultural incalculável. Toda esta mudança é fruto de oportunidades - turismo era uma grande fonte de rendimento e os mais novos procuravam potencializar esta novidade; os hotéis e os bares eram sítios onde se ganhava mais do que na pesca ou na agricultura e qualquer um queria melhorar as suas condições, daí a minha incapacidade de julgar o que qualquer um de nós procura: uma vida melhor. “O comércio tradicional sente bastante dificuldade de recrutar e reter alguns empregados, pois todos preferem os restaurantes, bares, cafés ou hotéis, onde, sem dúvida são mais bem pagos,..” (Cavaco, 1969)

Na altura foi a melhor solução encontrada para responder a toda esta novidade. Construir em altura, junto da costa, pois a praia era o que os turistas queriam ver ao acordar, e grandes aldeamentos que ofereciam uma tranquilidade que também admiravam. Hoje o grande problema do decréscimo do turismo leva a que tenhamos um número infinito de edifícios com fins turísticos que não têm uso e razão de ser, como outrora. Pessoas hoje sem trabalho, cujas empresas que se direccionavam exclusivamente para quem vinha de fora, hoje ficam a espera de quem não chega. A solução não passa por criticarmos o passado mas sim perceber que teremos de ter capacidade de olhar para ele e recuperar o que atrai os turistas e o que nos dava sustento e para assim “produzirmos” o nosso futuro de forma criativa, tornar o Pais produtivo e recuperar com o tempo os mais velhos traços da nossa personalidade.


http://www.dnoticias.pt/actualidade/pais/181400-restam-tres-fabricas-de-conservas-noalgarve, 22 de Março 2008

1969 – “Geografia e turismo no Algarve. Aspectos contemporâneos”, Finisterra Vol. IV, nº 8, pp. 216-272. Carmina Maria Mariano Cavaco

Bruno Santos

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