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magazine

Edição nº1


Design Bruno Reis Joana Duarte Miriam Conceição Vanessa Duarte Vanessa Rodrigues Impressão Obigraf


Exposição

“Riso”

Entrevista a

Mário Belém Artigo

Opinião

SUBA Ramps

Silos Concurso

Lotaria à Portuguesa

Mexfest Festival

Artigo

Black Keys Concertos

Ornatos Violeta

Caldas Nice Jazz Concerto

Big Band Artigo

Tim Burton

Cinemateca Artigo

Entrevista

Balas e Bolinhos


Exposição

EXPOSIÇÃO 20 Outubro 2012 a 17 Março 2013

Lisboa Museu da Eletricidade


A Fundação EDP apresenta no Museu da Eletricidade uma grande exposição dedicada ao riso. Organizada com as Produções Fictícias, “Riso: Uma Exposição a Sério” conta com pintura, desenho, instalações, vídeo, fotografia, escultura e performances, cinema, BD, programas de televisão, espectáculos, literatura, obras de artistas nacionais e internacionais, oriundas de alguns dos mais importantes museus e colecções particulares. Comissariada por José Manuel dos Santos, João Pinharanda, Nuno Artur Silva e Nuno Crespo, este projeto parte de uma profunda investigação acerca dos dispositivos cómicos e humorísticos, tal como foram e são utilizados por diferentes protagonistas, em diferentes tempos e em diferentes áreas. “E porque nada é mais sério do que o riso, fazer uma exposição sobre este tema é, na nossa época, pensar criticamente a vida, o mundo, a sociedade”, refere José Manuel dos Santos, diretor Cultural da Fundação EDP.

Da arte à história, da literatura ao cinema, da filosofia à teologia, da política à sociologia, da psicologia à medicina, a exposição conta com também com algumas obras inéditas encomendadas pela Fundação EDP especialmente para esta exposição “Riso: Uma Exposição a Sério” é composta quase meio milhar de obras de mais de 300 artistas e ocupa todo o piso de exposições do Museu da Eletricidade. Depois de grandes exposições biográficas (Callas, Amália), temáticas (POVO/ People, LÁ FORA) e de arte moderna e contemporânea (Manuel Baptista, Vick Muniz, Julião Sarmento, Joana Vasconcelos, Edgar Martins, Vieira da Silva, Vitor Pomar, Prémio EDP Novos Artistas), apresentadas no Museu da Eletricidade, em Belém, a Fundação EDP marca a rentrée com esta exposição que tem as portas abertas ao público até 17 de Marçode 2013.

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Entrevista

“Riso: uma exposição a sério” Há mais para dizer acerca do riso do que uma simples gargalha ou um sorriso rasgado. No Museu da Electricidade mergulhou-se a fundo neste tema e o resultado é uma exposição cómica, mas onde o riso é também um caso sério. Para isso, seguiu-se uma receita complexa: obras de arte, séries de televisão, uma pitada de sátira política, um ou dois palhaços pelo meio e alguns livros à mistura. O resultado é a surpresa, ao percebermos a diversidade de coisas que nos fazem rir. A exposição é um labirinto que nos transporta para os bastidores de um teatro e que conta com cerca de 400 obras de 133 artistas. Começa com um letreiro luminoso de circo que anuncia o tema, mas logo a seguir, damos de caras com dois animados convivas de olhos em bico (quem sabe se não estarão a representar os novos donos da EDP). Os ecrãs estão por todo o lado. Exibem as séries americanas que marcaram o século XX, desde I Love Lucy, aos Simpsons, mas também as melhores paródias nacionais: com Raul Solnado, Herman José e Gato Fedorento.

Emília Nadal


Nikias Skapinakis

Demorou um ano e meio a preparar e, a par de “Povo”, é a maior exposição que já passou pelo museu. Neste caso, há uns quantos dedos das Produções Fictícias, responsáveis pelos conteúdos audiovisuais, que estão ali em peso. José Manuel dos Santos, director cultural da Fundação EDP, reconhece o óptimo timing da exposição: “Permite-nos questionar se a crise não será o resultado de um excesso de humor em que vivemos até aqui.” Manuel João Vieira

Gargalhadas de ópera não são para todos e são poucos os que conseguiram dá-las bem. Os melhores exemplos foram fechados num corredor (Don Giovanni, As Bodas de Fígaro e Fausto) e podem ser ouvidas por quem passa. Mais à frente, sexo é a piada, com um conjunto de desenhos coroado pela célebre frase da actriz Glenda Jackson: “O mais importante em representar é saber rir e chorar: quando quero rir, penso na minha vida sexual, quando quero chorar, penso na minha vida sexual.” Os recortes de jornal reúnem o melhor da sátira política, paredes meias com quadros de Paula Rego. Os gessos de Almada Negreiros ocupam um lugar de destaque, embora muitas atenções também se virem para o carrossel de cães de Joana Vasconcelos. Mas a exposição “Riso” não fica por aqui. Ainda sem data estão as visitas de alguns humoristas e um ciclo de cinema.

Bruno Pacheco

Mauro Gonçalves

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Entrevista

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lo Felicia

João Pau

João Paulo Feliciano (Caldas da Rainha 1963) Essencialmente artista visual e músico, com percurso singular no contexto português, João Paulo Feliciano tem, desde 1984, experimentado criticamente vários campos de expressão cultural, diferentes formas de criação artística- istalação, objectos, pintura, desenho, fotografia, video, luz, som , música, design gráfico, arquitectura, perfomance-, e produzindo diversas iniciativas e colaborações com outros criadores. De 1989 a 1998, integrou a banda Tina and the top Ten. Na sua atividade musical contam-se, ainda, colaborações com músicos como Rafael Toral entre outros. Em 2009 em conjunto com o seu irmão Mário Feliciano, criou a editora discográfica e produtora musical Pataca Discos. Sarcático, a pintura Stupid (Hot & Cold), 1992, reflete sobre a validade da pintura enquanto tal, numa alusção á sua temperatura mediática.


RISO: UMA EXPOSIÇÃO A SÉRIO Sara & André (Sara n.1980, Lisboa, André n. 1979, Lisboa)

20 outubro 2012 a 17 março 2013

Sara & André são uma dupla de artistas que tem assinado um corpo importante de trabalho. Ganharam notoriedade quando foram nomeados para o prémio Antecipante, em 2006. As suas obras lidam com questões de apropriação, autoria e legitimação, estabelecendo redes de interdependência direta com o trabalho de outros artistas, e exploraram, entre outros aspectos do mundo e da fama. Caixeiros (2005) parodia as práticas conceptuais dos anos 70, que procuravam expor as relações semióticas entre texto e imagem, entre significante e significado.

A entrada na exposição – que está aberta todos os dias – exceto à 2ª feira - , das 10h00 às 18h00, tem entrada gratuita. As visitas guiadas e os ateliers para crianças estão sujeitos a marcação prévia.

Museu da Eletricidade Lisboa

Sara e André

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Entrevista

Mário Belém Designer e ilustrador

Mário Belém vive actualmente em Lisboa, tem 35 anos e é possivelmente o melhor Ilustrador Freelancer e Designer português. Fez parte de um grande projeto o Thestudio que é uma agência de publicidade, ou por outras palavras mais concretas, é um atelier de comunicação que se especializa em criar imagens de impacto. Formou-se através de cursos de designer em Portugal e iniciouse como freelancer em Dezembro de 2003. É um ilustrador que possui um talento acima da média, as suas ilustrações deixam qualquer um fascinado. Iremos conhecer mais um pouco sobre Mário Belém.


Entrevista Quando é que decidiu ser ilustrador? Desde pequeno que desenho. Houve uma boa parte da minha vida que foi dedicada a fazer design gráfico, no entanto tentei sempre que possível introduzir ilustrações nos projectos de design que iam aparecendo. O feedback desta mistura de inputs foi quase sempre positivo e comecei a perceber que não existiam tantos ilustradores como isso na cena nacional, sobretudo os que existiam estavam focados em criar e manter um folio de autor com um estilo muito definido, com uma linha gráfica muito fechada. Ao mesmo tempo comecei a perceber que o que não faltava por ai eram designers muito melhores do que eu. Respondendo directamente à pergunta: só a meio de 2010 é que comecei a trabalhar apenas como ilustrador. Nessa altura saí do thestudio, uma empresa que ajudei a começar, um dos motivos principais foi para produzir apenas o que me dava prazer de fazer. Foi só nessa altura que senti que já tinha folio e volume de trabalho de ilustração suficiente para poder enfrentar o mercado sem precisar de fazer outras coisas para pagar contas.

Como caracteriza o estilo artístico das suas ilustrações? Num termo só: tutti-frutti. :) Gosto muito de variar de estilo e de formas de resolver um trabalho, já me entalei mais vezes do que gostaria de admitir por dar passos mais longos que as pernas e achar que consigo desenhar o que quiser como quiser. Tenho bastante tendência para complicar

e florear os meus desenhos. O que em termos de ilustração até é capaz de ser uma qualidade, quanto mais detalhe uma composição tem mais fascínio desperta nos olhos de quem a observa. Ultimamente tenho estado cada vez mais focado em trabalhar com paletas de cores fechadas, em vez de trabalhar com as cores todas do arco-iris. A sua infância, as suas vivências, o seu país, a geração, influenciaram a sua vertente artística? Sim, sim, sim e sim. Isto são 4 perguntas: A minha infância, sem duvida, faço parte de primeira leva de miudos que levou com desenhos animados a cores, com um massacre de cartoons por todo o lado, desde o Snoopy ao Garfield, até aquela criatura sinistra que era o Topo Giggio. Tudo isto foi importante em despertar uma vontade de fazer bonecos. As vivências fazem de nós quem somos. No meu caso ter nascido ao pé do mar, no meio do Surf, depois por ter vindo viver para Lisboa. Foram todos factores que afectaram não só o que desenhava com para quem trabalhava. Adoro Portugal e ser português. Adoro o sol, os nossos 9 meses de verão, a nossa cultura de rua, a nossa personalidade. Digo isto vezes sem conta, e acho que agora no contexto em que estamos a viver faz mais sentido ainda: nós adoramos queixar-nos, é rara a pessoa que realmente dá valor a tudo isto. Grande parte dos problemas nacionais poderiam ser resolvidos com uma postura muito simples: ter brio naquilo que se faz. Noutro aspecto, acho que temos um património visual muito

grande, desde o azulejo ao Zé Povinho. Saber reinterpretar e reutilizar esse patrimonio nos nossos trabalhos gráficos é das poucas coisas que nos vai distinguir a nível internacional. Tive a sorte de fazer parte da primeira geração a usar computadores no dia a dia, tanto a nível de internet como de software. Por outro lado tive a sorte de fazer parte da primeira geração com cultura visual, hoje em dia qualquer pessoa sabe o que é um logo, qualquer empresa tem necessidades gráficas. Quando recebe uma proposta de trabalho, que metodologia projectual usa, como começa? Começo com uma folha em branco (o terror de todos nós). Uma das coisas que faço normalmente é pesquisar outros trabalhos feitos sobre o mesmo tema, para tentar perceber quais são as armadilhas. Quando está a trabalhar costuma ouvir musica? e que género costuma ouvir? Serve-lhe como forma de inspiração? Sim, música é fundamental. Tento ouvir música que seja adequada ao ritmo de trabalho que esteja a decorrer. Faço parte da geração electrónica. Adoro descobrir música nova. Tenho alguma tendência para ouvir música melancólica. Sim a música é uma inspiração, na medida em que nos transporta para outro sitio. É fundamental tentar fazer o mesmo com os nossos trabalhos. Um bocadinho de silencio também é bom de vez em quando.

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Artigo

Monta… Respira… Desliza…Manobra…Curte... A SUBA Ramps está em linha com o espírito livre dos praticantes de Skate, Inline e BMX. Apresenta-se em vários módulos comercializados em formato kit, com acessórios que tornam a montagem de uma mini-rampa acessível a todos e possível e em qualquer lugar: na garagem, no terraço ou jardim de casa. Pensado para que os amantes dos desportos radicais possam “fazer o gosto às rodas” num spot personalizado e treinar as mais diversas manobras.

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Ter uma SUBA Ramps em casa é como ter um misto de ginásio com parque de diversões privativo, onde crianças e os adultos podem soltar a adrenalina, treinar as manobras, arriscar e progredir na sua modalidade, a cada minuto de tempo livre. É também uma boa desculpa para convidar os amigos e juntar a família para que, todos juntos, possam partilhar a emoção a cada nova manobra... e SUBA!

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Design Testados por amadores e profissionais das diversas modalidades, todos os componentes e dimensões foram projetados ao pormenor para que cada rampa proporcione inúmeros momentos de diversão em segurança. Para tal, foram realizados vários estudos técnicos e resistência até se chegar à solução Kit SUBA Ramps, divisível em módulos para facilitar a assemblagem, o transporte e arrumação dos mesmos. Qualidade de construção, design apelativo, inovação no detalhe e o gozo na utilização foram os padrões que nos guiaram. Meio Ambiente

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SUBA Ramps é amiga do ambiente e o seu Design foi pensado, de raiz, para ser produzida com materiais ecológicos, duráveis e reutilizáveis. O próprio processo de produção foi também optimizado para responder, de forma sustentável, aos desafios do ambiente do presente para o futuro.

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“Rampas suba são brutais, muito fixe para curtir uma skatada, uma destas na minha garagem é que era.” Renato Trindade (skater)

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Montagem

A montagem da rampa é feita através de um processo rápido e intuitivo. O Kit inclui um conjunto de peças previamente cortadas e pré-perfuradas e os acessórios de fixação e folheto de instruções. Deverá seguir as orientações de montagem de forma a garantir a segurança necessária para a utilização do equipamento. Para facilitar o processo de assemblagem deverá utilizar uma aparafusadora.

Manutenção

As rampas são fabricadas em madeira, sem acabamentos químicos, pelo que estão mais sujeitas ao desgaste e degradação provocados por ambientes exteriores agressivos. Deverão ser armazenadas em espaços interiores ou resguardados. Na eventualidade de permaneceram temporariamente no exterior, deverá ser coberta por material adequado quando não utilizada, evitando a exposição a intempéries ou outros cenários agressivos.

Garantia

As rampas SUBA são sujeitas a um elevado controlo de qualidade. Caso o produto apresente algum defeito de fabrico, a marca responsabiliza-se pela reposição da peça em causa. Não se responsabiliza por danos provocados por má montagem ou utilização inadequada da rampa.

Segurança

Para a prática de desportos em rampas aconselha-se o uso de equipamento de protecção: capacete, protectores de cotovelos e de joelhos e luvas/WristGuard (adquirir em lojas da especialidade). As crianças devem ser supervisionadas durante a utilização das rampas. O material é inflamável, pelo que se sugerem os cuidados necessários junto a fogo.

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Opinião

SILOS CONTENTOR CRIATIVO ANTIGOS SILOS NAS CALDAS DA RAINHA PASSAM A SER VIVEIRO PARA ARTISTAS

SILOS “Contentor Criativo” surge da necessidade detectada de um espaço onde Estudantes, Criativos Empreendedores e Empresas se pudessem reunir para criar Produtos e Serviços e encontrar potenciais clientes. Este projecto procura fomentar a transdisciplinaridade cultural e criativa facilitando o acesso a espaços numa dinâmica lowcost. Esta plataforma está amplamente aberta para colaborações com qualquer forma de promoção estruturada de criatividade.


Separando o trigo do joio os autores vão mostrar que há lugar para as ervas daninhas na monocultura do design nacional e vida para além do Ikea de Loures

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Entrevista

Os antigos silos de moagem de cereais das Caldas da Rainha foram transformados num ‘viveiro de criatividade’ para artistas e designers saídos da Escola Superior de Arte e Design (ESAD) que pretendam alugar ateliês a preços baixos. “É um projecto low cost dirigido a antigos alunos da ESAD que pretendam iniciar a vida ativa alugando espaços a preços reduzidos”, disse Nicola Henriques, coordenador do projeto “Ateliês nos Silos”. Professor de educação física e aluno do curso de Design de Ambientes, na ESAD, Nicola Henriques resolveu aproveitar a ligação já existente entre a escola e a moagem, local onde em 2006 e 2007 foi realizada a exposição de finalistas. Desactivados desde 2003, os Silos da Ceres, acusam os anos de abandono e os tempos de crise que “não são propícios à venda de um edifício destas dimensões e a precisar de obras”, refere. Da ideia de “juntar a necessidade de um espaço a preços módicos” e a vontade de artistas e designers de intervirem na re-

qualificação de “um edifício icónico” nasceu o projeto que conta já com 15 dos 24 módulos alugados. Organizados em ‘open spaces’ (espaços abertos), os módulos são, no entender de Nicola Henriques “um convite à criatividade e troca de experiências” entre os participantes. Inês Milagres e Alexandre Castro são disso exemplo, partilhando um mesmo ateliê, mas desenvolvendo ideias diferentes. O meu projeto prende-se com a criação de peças de design direcionadas para a comida e ecologia” adianta Inês, apostada em desenvolver peças “ligadas ao pão, que tem tudo a ver com este espaço”. Já Alexandre, escolheu os silos para criar projetos multimédia, o primeiro dos quais o desenvolvimento de um site para divulgação de atividades culturais. Miguel Lopes, artista plástico, reservou já igualmente o espaço a partir do qual pretende dinamizar atividades culturais e “workshops de apoio aos alunos da ESAD”. Já garantida está também a instalação de

outros projetos, ligados ao design de ambientes, laboratório de vídeo e fotografia e uma oficina de serigrafia. Fora dos dois ateliês, mas integrado no projeto, funciona uma oficina de cenografia onde Marco Telmo Martins se dedica à criação de cenários para televisão, cinema, anúncios publicitários ou até corsos carnavalescos. Além dos ateliês individuais o espaço conta com áreas comuns (cozinha e zona de estar) e uma ampla zona de exposições, onde cada um dos arrendatários se compromete a organizar uma exposição por ano. “Será um espaço aberto à comunidade, já que cada um poderá expor os seus trabalhos, ou convidar outros artistas para expor” explica Nicola Henriques. Os módulos, com 13 metros quadrados, terão um custo de 75 euros mensais. Os participantes desenvolvem atualmente algumas obras de remodelação do edifício e Nicola Henriques prevê para setembro o início da atividade nos silos.


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Concurso


O concurso “Lotaria à Portuguesa” é um concurso de criatividade que pretende lançar um conjunto de extrações da Lotaria Clássica com base em obras únicas de criativos portugueses. Este destina-se a criativos, em nome individual ou organizados por grupos ou empresas, de origem portuguesa ou residentes em Portugal.

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O CONCURSO A origem da Lotaria Clássica remonta ao final do séc. XVIII, tendo sido criada com o objetivo de angariar financiamento para instituições de saúde e com fins educativos. Atualmente, a Lotaria Clássica mantém o seu carácter benemérito e representa o produto-mãe do leque de jogos explorados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, através do seu Departamento de Jogos. O concurso “Lotaria à Portuguesa” é um concurso de criatividade que pretende lançar um conjunto de extrações da Lotaria Clássica com base em obras únicas de criativos portugueses. Este destina-se a criativos, em nome individual ou organizados por grupos ou empresas, de origem portuguesa ou residentes em Portugal. As candidaturas deverão ser submetidas em formato digital através do sítio www.lotariaaportuguesa.pt mediante o preenchimento e envio do formulário de candidatura. Após a aprovação da candidatura e posterior avaliação técnica realizada pelos organizadores, o Júri selecionará as 20 melhores propostas, que serão divulgadas no referido sítio e estarão expostas no Palácio Quintela, na Rua do Alecrim, em Lisboa. O público poderá votar na sua proposta finalista favorita através do sítio da internet, das redes sociais ou no local da Exposição. As 6 propostas mais votadas serão as vencedoras do concurso. Cada um dos 6 vencedores do concurso recebe um prémio monetário no valor de 1.000 Euros, e cada uma das propostas vencedoras será reproduzida, com referência ao seu autor, na edição especial da “Lotaria à Portuguesa” composta por 6 extrações da Lotaria Clássica, a realizar durante o ano de 2013. Será ainda distinguida com uma Menção Honrosa a proposta que registar maior visibilidade (mais referências) nas redes sociais. Lisboa, 18 Outubro de 2012 – O Departamento de Jogos da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa lança hoje o concurso “Lotaria à Portuguesa”. Apelando à originalidade, esta iniciativa dirige-se a todos os criativos nacionais – das mais diferentes áreas – que estejam interessados em demonstrar o seu talento, através da ilustração de uma cautela da Lotaria Clássica. O tema da Portugalidade deverá ser o denominador comum a cada proposta, pretendendo-se assim que a riqueza do património iconográfico nacional, e as experiências geradas pela sua interpretação, sejam a matéria-prima deste desafio.

“Este projecto, assente num produto com uma longa tradição e que tem estado, desde sempre, intrinsecamente ligado à riqueza patrimonial e cultural do nosso país, visa promover a revitalização da imagem da Lotaria Clássica, zassim um novo segmento de apostadores para este jogo social”. Afirmou Fernando Paes Afonso, Vice-Provedor da SCML e Administrador Executivo do Departamento de Jogos. O período de candidaturas inicia-se hoje, 18 de Outubro, e prolonga-se até 25 de Novembro. Após esta fase, serão selecionados os 20 melhores trabalhos pelo júri do concurso, que serão revelados no dia 15 de dezembro. A votação pública no site do concurso, e nas redes sociais criadas para o efeito, decorrerá assim entre 15 de dezembro e 27 de janeiro e os trabalhos finalistas estarão expostos, para apreciação, entre 5 e 27 de janeiro no palácio Quintela, em Lisboa. Os 6 vencedores serão anunciados até 12 de Fevereiro de 2013. No site do concurso - www.lotariaaportuguesa.pt - os concorrentes podem obter toda a informação sobre o mesmo e conhecer mais aprofundadamente o júri, composto por figuras proeminentes do panorama cultural nacional e do qual se destacam: Maria João Bustorff, Salvato Telles de Menezes, Clotilde Fava, José Fonseca e Costa, Maria Margarida Montenegro e Leonel Moura. O concurso“Lotaria à Portuguesa” é igualmente apadrinhado por quatro embaixadores – Aldina Duarte, Afonso Cruz, João Noutel e Silvadesigners que, também eles, apresentaram a sua visão exclusiva da Portugalidade, através da ilustração de uma cautela da Lotaria Clássica. Regulamento integral do concurso em www.lotariaaportuguesa.pt


JÚRIS:

COMO PARTICIPAR A sua proposta terá de respeitar a imagem da fração da Lotaria Clássica. Para tal, descarregue o Modelo e o Guia de normas gráficas, que encontrará no Manual de Participação. Para submeter a sua proposta necessita de realizar os seguintes passos: 1. Descarregar Manual de Participação 2. Efetuar o registo abaixo 3. Preencher os dados do candidato / grupo 4. Fazer o upload da proposta, acompanhada de uma memória descritiva e uma pequena biografia. 5. Submeter a candidatura e aguardar a aprovação da mesma.

José Fonseca Cineasta

PRÉMIO Cada um dos 6 vencedores do concurso recebe um prémio monetário no valor de 1.000 Euros, e cada uma das propostas vencedoras será reproduzida, com referência ao seu autor, na edição especial da “Lotaria à Portuguesa” composta por 6 extrações da Lotaria Clássica, a realizar durante o ano de 2013. Os 20 finalistas serão divulgados e convidados a participar na inauguração da Exposição. Cada finalista receberá um bilhete (5 frações), correspondente a uma série da 1.ª extração da “Lotaria à Portuguesa”. Para além das propostas vencedoras, a proposta com maior visibilidade (mais referências) nas redes sociais será distinguida com uma Menção Honrosa e, também, com um bilhete (5 frações), correspondente a uma série da 1.ª extração da “Lotaria à Portuguesa”.

Clotilde Fava Artista Plástica

DÚVIDAS Quando posso candidatar-me? As candidaturas iniciam-se no dia 18 de outubro de 2012 e terminam às 24h GMT do dia 25 de novembro de 2012. Quem se pode candidatar? O concurso “Lotaria à Portuguesa” destina-se a criativos (designers, ilustradores, arquitetos, artistas plásticos, estudantes, etc..), maiores de 16 anos, em nome individual, ou organizados em grupo, e a empresas. Podem participar cidadãos portugueses ou residentes em Portugal. Existe algum custo de participação? Não, a candidatura é gratuita. É possível apresentar mais do que uma proposta? Não. Cada candidato pode apresentar apenas uma proposta. Posso candidatar-me individualmente e em grupo? Sim, desde que não seja o responsável pela proposta do grupo. Cada proposta é associada a um número de contribuinte. Como me candidato? As candidaturas devem ser submetidas em formato digital no sítio oficial do projeto, na secção “participar”. O candidato terá que efetuar o registo no sítio, preencher o respetivo formulário e, posteriormente, realizar o upload da proposta (num máximo de 2MB).

A organização pode recusar a minha proposta? Sim, caso se verifiquem lacunas no preenchimento da candidatura ou caso a proposta apresente conteúdos inadequados. Quais os requisitos obrigatórios para envio das propostas? As propostas têm de obedecer ao modelo e normas descritos no Guia das Normas Gráficas da “Lotaria à Portuguesa”. Devem ainda obedecer aos requisitos de criatividade, autoria e licitude descritos no Regulamento. Como é feita a seleção das candidaturas? A seleção dos 20 finalistas é realizada pela organização e pelo respetivo Júri. As propostas mais votadas pelo público constituirão as 6 vencedoras. A proposta criativa que registar maior visibilidade (mais referências) nas redes sociais será distinguida com uma Menção Honrosa. Como posso votar? As votações podem ser feitas online, através de www.lotariaaportuguesa.pt. e na exposição dos 20 finalistas, que decorrerá no Palácio Quintela na Rua do Alecrim, em Lisboa, entre 5 e 27 de janeiro de 2013. Cada pessoa pode votar 1 vez por dia, num máximo de 3 vezes em cada proposta. Quando posso votar? A votação do público estará aberta entre 15 de dezembro de 2012 e 27 de janeiro de 2013.

Leonel Moura Artista Plástico

Maria Montenegro Diretora SCML

Salvato Menezes

delegado da Fundação D. Luís I

Maria Bustorff Silva

presidente da Espírito Santo da Cultura N

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Entrevista

inspira-te ALDINA DUARTE / fadista Nasceu em Lisboa, em 1967. Em 1992, participou no filme “Xavier”, interpretando o fado “Rua do Capelão” e, no ano seguinte, estreia-se no palco do Teatro S. Luiz, com a peça “Judite, Nome de Guerra”, de Almada Negreiros. Pouco depois, em colaboração com o encenador João Mota, cria as Noites de Fado no Teatro da Comuna e, em 1995, passa a integrar o elenco do Clube de Fado a convite do guitarrista Mário Pacheco.

AFONSO CRUZ / escritor, ilustrador, cineasta e músico Nasceu em 1971, na Figueira da Foz, e haveria, anos mais tarde, de viajar por mais de sessenta países. Escreve e, além de ilustrador, realiza filmes de animação, de publicidade ou de autor, e é um dos elementos da banda The Soaked Lamb. Fez a sua formação superior nas Belas Artes de Lisboa e no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. Desde 2007, já ilustrou três dezenas de livros para crianças, nos quais sobressai a densidade dos seus jogos cromáticos e a expressividade das suas figuras, quase sempre marcadas pela caricatura e pelo humor. Autor de quatro obras de ficção para adultos, escreveu ainda uma novela juvenil, “ Os Livros que Devoraram o Meu Pai “, vencedora do Prémio Maria Rosa Colaço em 2009.

JOÃO NOUTEL / artista plástico Nasceu no Porto, em 1971. Vive e trabalha entre o Porto e Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade Lusíada e com uma pós-graduação em Desenho e Técnicas de Impressão pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, é autor e responsável criativo de diversas publicações e projetos temáticos como “Douro - The New Generation”, apresentado em 2005 na Feira do Livro de Frankfurt. Em 2007, produziu duas edições limitadas exclusivas da série “The Invisible Soul” para o Museu de Serralves, no Porto, e no ano seguinte foi um dos artistas convidados para a primeira edição da “Portugal Brands” para The London Design Festival e um dos artistas plásticos escolhidos para o vídeo corporativo da Jason Associates. Nesse ano cria o projeto de arte pública “Voyeur – Giant the Voyeur Project”.

SILVADESIGNERS / ateliê de design A Silvadesigners é um ateliê de design de comunicação que opera na área da Cultura, pública e privada. Tem uma experiência sólida nas áreas de projeto, design e produção de livros, revistas e jornais. O ateliê é regularmente premiado nestas categorias a nível nacional e internacional e tem uma marca reconhecível na abordagem emocional da comunicação, servindo-se do humor nas suas campanhas autopromocionais. Usa a tipografia retro ou manual, como nos materiais de promoção do Teatro São Luiz e reflete com espetacularidade referências banais do quotidiano, como na marca “Sardinhas” das Festas de Lisboa. Está atento aos novos desafios tecnológicos, como na revista Adufe, que tem agora a sua versão em iPad e recria o design editorial de livros com as capas da Coleção BIS do Grupo LeYa ou em várias coleções da Imprensa Nacional.


“O FADO DE SER PORTUGUÊS” Costumo dizer que para (quase) todos os acontecimentos das nossas vidas há um fado, uma espécie de aforismo poético musicado, que declara e grava algures no dito “coração” a vida vivida; “O grande jeito da vida / É por a vida com jeito”, Fernando Pessoa.“Não forçam corações as divindades / Fados são as paixões são as vontades” , Bocage.“Os presságios do destino / Ao pé de ti nada são”, David Mourão-Ferreira.“Pode haver quem te defenda / Quem compre o teu chão sagrado / mas a tua vida não”, Pedro Homem de Mello.“Com que voz chorarei meu triste fado”, Camões. Mistério, amor, destino, paixão, acaso, esperança, sorte… O verso e o reverso das venturas e desventuras que rondam, dias e noites, a realidade e o sonho, a matéria primordial da nossa condição humana, ora frágil ora grandiosa, que nos empurra para a frente.

“PORTUGAL: QUANDO SE CHEGA AO OSSO, SÓ RESTA CONFIAR NA SORTE” Em vez de usar a imagem de um galo de Barcelos ou do Mosteiro dos Jerónimos ou de uma guitarra de fado, preferi uma abordagem mais descontraída, baseada na atualidade, que faça uso de algum humor e se insira no contexto social que estamos a viver. A ideia partiu da criação de uma frase que servisse de charneira e que pudesse ser complementada por uma ilustração, algo que não deixasse de fora o momento em que vivemos e a sorte inerente à lotaria. Também, pelo tamanho do suporte, optei por uma imagem simples, de traços espontâneos, sem uma estrutura complexa que pudesse atrapalhar a leitura e a fruição.

“LUCKY DAY WITH THE LAST NATIONAL PLAYBOY – 2012” Nesta proposta, especificamente concebida para uma extração da Lotaria Clássica, propõe-se a evocação de uma tradição social nacional - de jogo - da Lotaria Clássica. Houve por isso, neste convite, uma atenção particular à composição, para que o equilíbrio entre a componente emocional do objeto e a ideia de território não fosse comprometido. A série “National Playboy” é representativa da complexidade da vida contemporânea portuguesa, apresentada aqui com uma vertente irónica e metafórica, que pareceu pertinente para o objeto em questão. Por fim, quer pela temática proposta (“Lotaria à Portuguesa”), quer pelas possibilidades gráficas da série “National Playboy”, optou-se por uma “roupagem” simples, limpa e apelativa, de modo a permitir a clara perceção pelo público de toda a informação e conteúdo relevante do objeto.

“O DINHEIRO TRAZ FELICIDADE” Eis um provérbio popular adaptado aos nossos tempos. E que assume sem qualquer cinismo aquilo que se tornou uma esmagadora evidência: da macroeconomia de um país ou de um continente ao microuniverso da economia pessoal e doméstica, o dinheiro é fator incontornável de felicidade. A tipografia de desenho manual tem eco nas inscrições em azulejos que constituem referências da cultura popular, talismãs para um futuro que, sabemos agora, precisa de sorte mais do que nunca. A proposta revela alguns dos eixos recorrentes da comunicação gráfica e editorial do ateliê Silvadesigners: a utilização do texto como imagem, o pastiche tipográfico de inspiração tradicional e o humor. 22

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Festival


NA CHEGADA DO INVERNO, O VODAFONE MEXEFEST INSTALA-SE DE NOVO NA AVENIDA DA LIBERDADE E ZONAS ENVOLVENTES, FAZENDO A MÚSICA MEXER A CIDADE.

Bilhete único para os dois dias do Festival

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Na chegada do inverno, o Vodafone Mexefest instala-se de novo na Avenida da Liberdade e zonas envolventes, fazendo a música mexer a cidade. Mantendo o formato que já apaixonou o público lisboeta, voltou a privilegiar-se a qualidade do cartaz e alargou-se a sua área de influência, redesenhando o quadro de simbiose entre a vida urbana e as novas tendências da música nacional e internacional. Mais do que isso, a ampliação do festival verifica-se não apenas no aumento do número de espaços, mas também nas diversas iniciativas de valorização e descoberta musical promovidas em jeito de antecipação. Depois das confirmações de Brass Wires Orchestra, Django Django, Escort, Gala Drop, Michael Kiwanuka e The 2 Bears, surgem agora mais nomes no cartaz naquele que é, por excelência, o festival de inverno. No painel internacional, a oferta chega com alguns dos nomes mais aguardados pelos festivaleiros mais fiéis ao Vodafone Mexefest como Alt-J, Efterklang, Light Asylum, Madrid ou The Very Best, mas também com propostas frescas cuja aposta vai ao encontro do princípio de descoberta que tem definido o conceito do evento desde o início como Petite Noire e Trus’Me. Já a música nacional mantém o protagonismo dos anos anteriores, fazendo do Vodafone Mexefest uma espécie de plataforma de lançamento e descoberta de novos projectos e, simultaneamente, um palco de consagração de músicos mais experientes. É neste sentido que surgem as confirmações de Nicotine’s Orchestra, Noiserv, Os Quais e Soaked Lamb. Os três últimos vão protagonizar uma ligação da Música à Literatura, juntando-se ao alinhamento do festival na comemoração do 25º aniversário da Revista LER. Para mexer na música com o melhor cartaz possível, constituiu-se pela primeira vez uma Curadoria Vodafone Mexefest. A constante troca de ideias e a partilha de novas descobertas musicais entre Jwana Godinho da Música no Coração, Pedro Ramos da Radar, Isilda Sanches da Oxigénio e Joaquim Albergaria da Vodafone FM permitiram chegar a um cartaz vibrante, eclético e de extrema qualidade.

Com várias salas de espectáculo espalhadas pela Avenida e pelos Restauradores, o apoio à circulação do público é fundamental. Assim, para além dos programas de bolso distribuídos na bilheteira do Festival, nas ruas que ligam as diferentes salas haverá promotores-guias disponíveis para prestar toda a informação e garantir que ninguém se perde. A VODAFONE disponibiliza uma app para iPhone, iPad e Android que cada espectador poderá descarregar para o seu telemóvel. Esta aplicação permitirá saber a lotação das salas a cada momento, bem como outros conteúdos de interesse relacionados com o Festival, como o cartaz, informação dos artistas e horários dos concertos. O VODAFONE BUS é já um dos palcos aguardados do Festival e irá fazer continuamente o percurso Cinema São Jorge – Garagem Vodafone (Pq. Est. Marquês de Pombal) – Cinema São Jorge entre as 20h00 (primeira saída do Cinema São Jorge) e a 01h30 (última saída do Cinema São Jorge). De volta estarão também os Vodafone Shuttles que assegurarão o transporte do público entre todas as salas do festival. Outra das novidades é o Casting Vodafone Mexefest, que dará a oportunidade a novas bandas de actuarem no festival. Para participar, as bandas (sem nenhum trabalho editado) terão de submeter vídeos de actuações ao vivo ou em salas de ensaios no YouTube. As melhores serão convidadas a tocar perante o comité Vodafone FM. Os melhores desempenhos no casting passarão para uma final no Facebook onde as bandas mais votadas terão direito a tocar no Vodafone Mexefest. A inscrição é feita online no site vodafonemexefest.com de 15 a 28 de Outubro. Depois de, na sua última edição, o festival ter descido a Avenida da Liberdade rumo aos Restauradores, a grande novidade este ano, no que toca aos espaços, passa não só pelo aumento do número de salas, mas igualmente pela relocalização de grande parte do festival na parte Sul da Avenida. Assim, às Salas I e II do Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA, Cabaret Maxime, Casa do Alentejo, Igreja de São Luís dos Franceses e Sociedade de Geografia de Lisboa, juntam-se a Estação Vodafone FM (na Estação Ferroviária do Rossio), a Sala Super Bock Super Rock (Ateneu Comercial de Lisboa), o Ritz Clube, o Altis Avenida Hotel e, finalmente, o Starbucks, que servirá de ponto de partida para a programação do festival, garantindo concertos ainda durante a tarde.

Alt-J, Efterklang, Light Asylum, Madrid ou The Very Best


LITTLE BOOTS_ Com o seu álbum de estreia editado em 2009, Little Boots é uma das propostas mais frescas do novo electro-pop britânico. Por agora, a preocupação é tomar conta da costa mais ocidental da Europa e fazer com que o Vodafone Mexefest se torne oficialmente no cenário mais cor-de-rosa da electrónica feita por meninas.

TRUS’ME_ Trus’me tem estado ligado a alguns dos nomes mais aliciantes da cena electrónica britânica. De Amp Fiddler a Fudge Fingas, passando pelo inevitável Gilles Peterson, a relação que mantém com a música não é apenas a de um produtor, mas o que faz é muito mais do que escolher os discos que fazem tremer a pista. Em dezembro, passa pelo Vodafone Mexefest para aquecer o inverno lisboeta com a banda sonora perfeita.

BRASS WIRES ORCHESTRA_ Os Brass Wires Orchestra acabaram por encontrar a felicidade de quem oferece ao seu público muito mais do que uma simples canção. Com influências como Beirut ou Fleet Foxes, o colectivo lisboeta desenha a sua identidade sonora à volta de um folk quase progressivo. Agora, os oito companheiros de notas e melodias preparam-se para encantar a cidade de Lisboa e levar a sua versão de folk ao Vodafone Mexefest, num concerto absolutamente imperdível.

GALA DROP_ Os portugueses Gala Drop são um caso raro de sucesso internacional, a banda de Lisboa reafirmou a sua posição de destaque no que toca à reinvenção do rock de fusão, onde as guitarras se cruzam tanto com afrobeat, como com incursões pelo psicadelismo ou pela electrónica.

DJANGO DJANGO_ Os Django Django são uma daquelas histórias de sucesso que o rock alternativo britânico nos oferece de quando em quando. Depois do álbum de estreia homónimo ter chegado no início do ano, o quarteto de Edimburgo prova que é mais que uma aposta ganha e oferece o EP “Hail Bop” no verão. Entre um psicadelismo que ainda sobrevive pelas ruas da capital escocesa e a delícia do rock alternativo, os Django Django têm apaixonado a crítica, garantido reviews imaculadas em publicações como o The Guardian ou NME.

ALT-J_ Com “An Awesome Wave”, nomeado para o Mercury Prize Award deste ano, desenganem-se os que pensam que o quarteto de Leeds anda nisto há pouco tempo: a banda juntou-se há cerca de cinco anos atrás, quando ainda todos estudavam na faculdade. A viragem chegou quando um deles escreveu uma mão cheia de canções inspiradas nas guitarradas do pai e em substâncias um tanto ou quanto alucinogénias. A estreia oficial chegou no final do ano passado, com o EP “∆” a roçar o extraordinário.

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Entrevista

ESCORT_ Afinal, a dupla de Dan Balis e Eugene Cho multiplica-se em palco, garantindo quase sempre mais de uma dezena de músicos em cima do estrado. Entre os sopros de metal e os sintetizadores, as bolas de espelhos dos Escort fazem com que o clima de dança seja imperativo em qualquer uma das suas actuações, levando o público à loucura, numa explosão de ritmo contagiante.

MADRID_ Os Madrid são o Adriano e a Marina. Conheceram-se em 2006 e reencontraram-se em São Paulo cinco anos depois. A missão de Marina e Adriano estava cumprida: tinham conseguido produzir o álbum “Madrid”, mas mais do que isso: tinham conseguido produzir a banda. Agora, a dupla prepara-se para ouvir português de sotaque cerrado ao mesmo tempo que larga o verão do outro hemisfério: os Madrid estão confirmadíssimos no Vodafone Mexefest.

THE 2 BEARS_ Podíamos facilmente dizer que a dupla é uma espécie de actividade extracurricular de Joe Goddard dos Hot Chip, mas os ursos cresceram e são hoje muito mais do que isso. Com os dois pés bem assentes na pista de dança, a dupla de Goddard e Raf Rundell apaixonou os corações mais agitados graças à sua mistura irreverente de house com uma panóplia de outros estilos orelhudos. Entre o álbum de estreia, “Be Strong”, e incontáveis remisturas para nomes como Metronomy, Santigold ou Toddla T, o duo britânico tem sido uma das grandes sensações do ano, deixando bem patente o desejo de se manter assim no futuro.

THE VERY BEST_ Os The Very Best são um dos bastiões maiores do pós-modernismo deste novo milénio, onde a palavra-chave é “fusão”. “MTMTMK”, o mais recente disco do trio de Esau Mwamwaya, Johan Karlberg e DJ Tron, é a confirmação dessa certeza. Do Malawi para Lisboa, com uma paragem por Londres, os The Very Best aterram no Vodafone Mexefest com a garantia de fazer com que o verbo dançar se torne quase um grito de guerra.

LIGHT ASYLUM_ Alojada na onda darkwave nova-iorquina, a dupla de Shannon Funchess e Bruno Coviello desenha o seu trabalho numa explosão de sintetizadores italianos.O disco homónimo da banda deixa passar cá para fora toda a sua identidade híbrida, influências como Sleigh Bells, TV On The Radio ou !!!.


BILHETES Bilhete único para os 2 dias do Festival - 40€ O bilhete é um passe único que deverá ser trocado por pulseira, pelo próprio, na bilheteira do Festival localizada no Cinema São Jorge, a partir de dia 6 de Dezembro às 13h00, e que dará acesso a todos os concertos em todas as salas, sempre de acordo com a lotação de cada uma. Ou seja, haverá sempre lugar para assistir a um concerto mas, para assistir aos mais concorridos, será conveniente chegar cedo!

LOCAIS DE VENDA: Bilheteira no local do espectáculo a partir de dia 6 de dezembro, www.ticketline. pt, Fnac, Worten, El Corte Inglês (Lisboa e Gaia), Centros Comerciais Dolce Vita (Amadora, Porto, Vila Real, Ovar, Coimbra e Funchal), Casino de Lisboa, Galerias Campo Pequeno, Abep, Estações de Correios, www.ctt.pt e Teatro BBVA Tivoli. Reservas e informações: ligue 1820 (24 horas).

HORÁRIOS DA BILHETEIRA DO FESTIVAL E TROCA DE PULSEIRAS: Dia 6 - das 13h00 às 22h00 Dia 7 - das 13h00 às 01h00 Dia 8 - das 13h00 às 01h00

ESTACIONAMENTO No que diz respeito a estacionamento, os parques mais próximos são: - Marquês de Pombal - Parque Mayer - Hotel Tivoli - Restauradores

TRANSPORTES Para evitar trânsito e tempo perdido à procura de estacionamento, aconselhamos a que se chegue ao Festival usando os Transportes Públicos, nomeadamente o Metro, sendo que haverá uma extensão do horário da Estação Avenida. Metro – Linha Azul – Estação Avenida Carris – Carreiras 36/44/702/711/732/745 Praças de Táxis – Restauradores / Teatro D. Maria II / Praça da Alegria Comboio – Estação do Rossio

Altis Avenida Hotel_ Rua 1º Dezembro, 120, 1200-360 Lisboa 21 044 00 00 O Altis Avenida Hotel é um boutique hotel de charme em Lisboa. Cabaret Maxime_ Praça da Alegria, 58, 1250 Lisboa 21 346 70 90 A sala mais carismática da Praça da Alegria abrirá portas exclusivamente para dar guarida a alguns dos concertos do Vodafone Mexefest. Casa do Alentejo_ Rua Portas de Santo Antão,58, 2715-311 Lisboa 21 346 92 31 Tornou-se o primeiro casino em Lisboa, no início do século passado. Cinema São Jorge_ Avenida da Liberdade, 175, 1250-141 Lisboa 21 310 34 00 Apesar de ser originalmente um cinema, este início de século devolveu ao São Jorge o estatuto de ser uma das mais conceituadas salas de espectáculos do coração lisboeta. Estação Vodafone FM - Estação do Rossio_ Praça D. João da Câmara, 1200-147 Lisboa Inaugurada em Maio de 1891, a Estação do Rossio é uma das mais emblemáticas estações ferroviárias da capital. Igreja de São Luís dos Franceses_ Beco de São Luis da Pena 34, 1150-336 Lisboa 91 919 46 14 Situada nas Portas de Santo Antão, é um espaço único e surpreendente. Ministerium Clube – Terreiro do Paço_ Terreiro do Paço, 1100-038 Lisboa 91 693 18 84 Recriado no interior das antigas instalações do Ministério das Finanças. Sala Super Bock Super Rock - Ateneu Comercial de Lisboa_ Rua das portas de St. Antão, nº 110, 1150-269 Lisboa 21 324 60 60 Localizado na Rua das Portas de Santo Antão. Starbucks_ Praça D. João da Câmara, 1200-147 Lisboa Localizado dentro da emblemática estação ferroviária do Rossio, o Starbucks é uma das mais reconhecidas coffee houses do mundo. Teatro Tivoli BBVA_ Avenida da Liberdade, nº 182 a 188, 1250146 Lisboa 21 357 20 25 O Teatro Tivoli é uma sala histórica, entre o cinema, o teatro, o bailado e a música, as artes que por ali passaram. N

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Artigo

THE BLACK KEYS Os Black Keys já estrearam em Portugal. Os norte-americanos actuaram no dia 27 de Novembro, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. O concerto foi anunciado no site oficial da banda. Há muito tempo que os fãs portugueses da dupla Dan Auerbach (voz e guitarra) e Patrick Carney (bateria) pediam um concerto dos Black Keys, que editou no final do ano passado o sétimo álbum de originais, o muito aclamado “El Camino”. “Lonely Boy” é o primeiro single e já se tornou um sucesso. Em 2010, ano em que chegou às lojas “Brothers”, os Black Keys conquistaram três prémios Grammy, nas categorias de Melhor Álbum de Música Alternativa, Melhor Canção com “Tighten Up”, e Melhor Gravação. Os Black Keys estão actualmente em digressão nos Estados Unidos juntamente com os britânicos Arctic Monkeys.

Black Keys já trabalham em disco novo

Banda esteve em estúdio este verão e quer começar a gravar no começo de 2013.

Os Black Keys revelaram à Rolling Stone que estiveram recentemente em estúdio, para alinhavar as primeiras ideias relativas ao seu próximo disco. “Passámos uma semana em estúdio”, explicou Dan Auerbach, referindo-se à passagem por um estúdio em Nashville, em julho. “Só quisemos organizar umas ideias e pôr as coisas a rolar”, acrescentou o vocalista e guitarrista. Os Black Keys deverão começar a gravar o sucessor de El Camino no início do próximo ano, tendo manifestado o seu desejo de terminar as sessões rapidamente. Quanto ao som do oitavo álbum dos norte-americanos, Auerbach esclarece: “Nunca sabemos o que vai acontecer. Não falamos sobre isso. Não fazemos planos. Gostamos que as coisas sejam espontâneas”. A banda também ainda não sabe se voltará a trabalhar com Danger Mouse, produtor dos seus últimos três discos. Os Black Keys tocaram no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, no dia 27 de novembro. Os bilhetes custaram entre 29 euros e 39 euros.

Brothers foi lançado a 18 de Maio de 2010, apresentando uma lista de 15 faixas. O álbum foi produzido pelos Black Keys e Mark Neill e masterizado por Tchad Blake. A Revista Rolling Stone colocou Brothers na posição número 2 nos Melhores Álbuns de 2010 e “Everlasting Light” em 11º na lista de Melhores Singles de 2010. A 14 de Dezembro de 2010, a Spin nomeiam os The Black Keys como Artista do Ano para 2010. Os The Black Keys foram nomeados para três prémios da Billboard Music Awards: Melhor Artista Alternativo, Melhor Álbum de Rock e Melhor Álbum Alternativo, para o álbum Brothers: El Camino. Os Black Keys iniciaram as gravações para o seu sétimo álbum de estúdio por volta de Março de 2011. Eles supostamente gravaram no novo estúdio de Dan em Nashville, no Tennessee. A 14 de Julho de 2011, os Black Keys, numa entrevista com a Spin revelaram que eles tinham terminado o álbum, comparando as influências sonoras a The Clash e The Cramps. O álbum foi lançado a 6 de Dezembro de 2011. A Revista Rolling Stone colocou El Camino como número 12 na lista dos 50 melhores álbuns do ano. E “Little Black Submarines” foi número 18 na lista dos 50 melhores singles. Na primeira digressão viajaram numa carrinha cinzenta com painéis laterais de madeira. Este ano, esgotaram os bilhetes para Madison Square Garden em apenas 15 minutos. Em entrevista à GQ, a 28 de março, falam dos tempos difíceis, do ponto mais baixo da carreira musical e da ascensão que o seguiu, e confessam o seu fascínio pelo hip-hop, a religião, o futebol e a tristeza. Depois de terem tocado Gold On The Ceiling no famoso talk show dos EUA, Letterman, a banda pediu ao realizador Reid Long para fazer um vídeo da faixa que ilustrasse a digressão norte-americana, onde surgem centenas de pessoas que esperam ansiosamente por um concerto em Manhattan. O cenário para Portugal, espera-se, será semelhante.


Os norte-americanos actuaram no dia 27 de Novembro, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. A banda é frequentemente comparada aos The White Stripes por ser um dueto usando apenas bateria e guitarra e ao estilo de Jimi Hendrix Experience. Robert Plant do Led Zeppelin, Josh Homme do Queens of the Stone Age, Billy Gibbons do ZZ Top e Thom Yorke e Jonny Greenwood do Radiohead são fãs da banda. O guitarrista do Metallica Kirk Hammett também afirmou que gosta de escutá-los. O baterista do Arctic Monkeys, Matt Helders pode ser visto com uma camisa dos Black Keys durante uma entrevista para a ‘’MTV’s RAW’’, além de diversas oportunidades em concertos. Os fãs portugueses já deram as boas vindas aos Black Keys no site oficial da banda: “Welcome To Portugal, land of sun, sea and great red wine. I don’t care about the IMF/EU since I know you’ll be coming to Lisbon. Cheers”.

The Black Keys foi formado em 2001 e no início da carreira já era bastante ativo na cena underground de Akron, Ohio. A banda lançou seu álbum de estréia The Big Come Up em 2002 e fez muito sucesso para uma banda de rock independente. The Big Come Up bem como o álbum seguinte Thickfreakness (lançado em 2003), foram gravados no porão da casa de Patrick, sendo utilizado um gravador de fita cassete dos anos 80. O álbum gerou dois singles lançados em um EP, Leavin’ Trunk e She Said, She Said no qual ambas as músicas são regravadas de outros artistas. Leavin Trunk é um blues tradicional e She Said, She Said foi gravado originalmente pelos Beatles. I’ll Be Your Man é o tema da série americana Hung do canal HBO.

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Concerto

Numa das muitas declarações que tivemos o gosto de recolher, durante a preparação do artigo de capa da BLITZ de outubro, houve uma frase que não foi para as bancas mas nos ficou a tilintar na memória até hoje, dia do primeiro concerto dos Ornatos Violeta no Coliseu de Lisboa: “Com os Ornatos a verdade não tira férias”. Quem o disse foi um grande amigo da banda, que nos tempos anteriores ao primeiro álbum emprestava aos portuenses uma casa perto de Aveiro para as maiores tropelias. Esses tempos foram recordados esta noite uma grande, enorme, incomensurável noite - com várias músicas inéditas, escritas nesses verdes anos, e mesmo o primeiro vocalista de sempre da banda, Ricardo Almeida (“Não sabemos onde estás, mas um grande abraço, Ricardo”, disse Manel Cruz) foi lembrado na interpretação de uma canção da sua autoria (“Sacrificar”). Há humildade e generosidade neste revisitar e partilhar de um passado mais longínquo, mas há também - e voltamos à ideia inicial - uma sede de verdade muito palpável e rara. Com o Coliseu há muito esgotado, na primeira de três noites de “celebração”, os Ornatos podiam ter escolhido qualquer alinhamento e encontrado a aclamação, numa partida ganha antes do apito inicial. Mas deram o pontapé de saída com “Para Nunca Mais Mentir”: além da mensagem (a verdade, que nas letras de Manel Cruz tanto dói), trata-se de um dos temas menos imediatos de O Monstro Precisa de Amigos  e ainda um dos que mais esforço de memória exige ao vocalista, com a sua centopeia de verbos no infinitivo. Começaram pelo mais difícil, então, e quase com uma declaração de intenções, ou assim escolhemos ver - os Ornatos Violeta, em 2012 como na hora do adeus, há dez anos, não vieram para mentir (dando uns concertos funcionais e sem coração, como se podia temer), vieram para celebrar a sua música, a sua amizade e o algo mais, o algo muito maior que da mistura de tudo isso nasce.Podem ter começado pelo mais complicado, mas nada há a temer por parte de quem ainda vai a um dos próximos cinco concertos (dois em Lisboa, três no

Porto): visivelmente felizes e emocionados, Manel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Elísio Donas e Kinörm deram ao povo tudo o que o povo quis ouvir. Por um coliseu a fervilhar passaram os êxitos de O Monstro Precisa de Amigos (e não deixa de ser curioso ver canções como “Chaga”, “Dia Mau”, “Ouvi Dizer”, “O.M.E.M.”, “Pára de Olhar Para Mim” ou “Nuvem”, mais carregada do que nunca, cumprirem, depois de finda a banda, o enorme potencial que já tinham ao nascer, em 1999); a vertigem narrativa, ginasticada e sexual de Cão! ; inéditos com fartura, não só dos incluídos no disco de raridades lançado no ano passado como pérolas desconhecidas e anteriores ao primeiro disco; praticamente todas as canções-miniatura que os fãs mais apaixonados se pelam por ouvir (num dos três encores, Manel Cruz surgiu sozinho com guitarra acústica para tocar a inesquecível “Raquel”, mas foi o coro do público em perfeito delírio que acabou por se ouvir do início ao fim de uma das músicas “mascote” de Cão! ).  Anunciada há cerca de um ano, esta reunião dos Ornatos foi recebida com tanto entusiasmo pelos admiradores como por algum ceticismo por parte de outros observadores, mas ninguém que tenha estado esta noite no Coliseu poderá negar a alegria com que a banda tocou, os olhares e sorrisos de pura satisfação com que os portuenses se entregavam às canções, as canções que, de tanto e tão intensamente que foram ouvidas por nós, já não são canções, são quadros de outras vidas, polaroids de um tempo em que a palavra “futuro” só tinha uma conotação positiva, ou então aquilo que não chegámos a viver mas ao menos conhecemos bem das letras, cantadas em coro eufórico, de Manel Cruz. A energia entre a banda e, depois, entre esta e o público era de tal forma ar-

rebatadora que, a certa altura, uma fã doutorada a nosso lado exclamou, emocionada: “Eles estão a fazer amor uns com os outros!”. E, nem de propósito, foi nessa altura que os Ornatos chamaram a palco não uma estrelita do momento, não um convidado ilustre, mas um “cavalheiro” que, na plateia, pedia com um singelo cartaz para tocar com a banda a canção “Deixa Morrer”. O seu desejo foi cumprido (para estupefação do próprio João, um sorriso do tamanho do mundo com uma t-shirt dos Beatles vestida) e a canção, uma das mais belas de Monstro, seguiu com dedicatória especial para a sortuda Beatriz. Que a banda tenha deixado o admirador brilhar desta forma diz o mesmo sobre estes cinco rapazes que o facto de a equipa que acompanhou os

Ornatos no Coliseu (e em Coura) seja praticamente a mesma que com eles trabalhava antes do fim: tal como disse Henrique Amaro, no mesmo artigo da BLITZ 76, se há quem ainda corresponda à ideia romântica de banda, podem muito bem ser eles. Os anos passaram por todos, os (bons) projetos e discos sucedem-se (ainda este ano Peixe lançou o excelente Apneia , em tudo diferente do trabalho violeta), mas os Ornatos são como antigos amantes que, de regresso aos braços um do outro, descobrem que tudo faz ainda sentido. Seria de temer, por exemplo, que Manel Cruz já não encarnasse com a mesma convicção as personagens de Cão! , mas “1 Beijo = 1000” (um cartoon em forma de canção), as magníficas “Dama do Sinal” e “Mata-me Outra Vez” ou as alucinantes


Hugo Lima

“Débil Mental” (cantada em toda a sua plenitude libidinosa por uma criança de não mais de 8 anos), “Homens de Princípios” ou “Um Crime À Minha Porta” soaram tão contagiantes como sempre, portentos de adrenalina e humor, torrentes imparáveis de palavras que, na hora da verdade, ainda estão cá todas dentro, à espera do convite para saírem à rua. Mesmo nas canções que o público não conhecia e não podia conhecer, como “Gato com Dois Chifres” ou “Os Sítios onde Eu o Esqueço”, sentiu-se desejo de acompanhar e encorajar a banda, num caricato regresso a esses tempos meio cabaré, com harmónica e tudo, meio Pantera Cor-de-Rosa; nas canções por demais conhecidas, o Coliseu estremeceu sob o frenesim dos pés em festa e, como aconteceu em “Dia Mau”, a loucura generalizada apanhou os músicos de surpresa, obrigando-os a parar para, com gratidão, contemplar a tempestade ali gerada.Num concerto sem quebras de ritmo, temos dificuldade em escolher o momento mais intenso ou memorável, mas lembramos-nos que, durante “Deixa Morrer”, a tal canção em que o fã João tocou a guitarra acústica de Manel Cruz, a primeira vez que o verso “E aparece assim, acendeu-se a luz, estão vivos outra vez”foi entoado o Coliseu se uniu num bruaá sem fim, de emoção, de saudade, de agradecimento. Banhados por uma luz dourada, os Ornatos sentiram o arrepio que percorreu a sala é como o entusiasmo de músicos e fãs: àquela escala, não se pode fingir. Foi há cerca de um ano que soubemos que os Ornatos se iam reunir para alguns concertos de celebração: face ao que vimos esta noite, falar em celebração é dizer pouco.

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Paredes de Coura Havia nervosismo no ar. Junto às grades guardavam-se lugares desde há algumas horas. Nas filas seguintes também ninguém arredava pé. Contavam-se as horas. Até que cinco ex-rapazes, agora adultos, entraram em palco para os primeiros sons de Tanque. Consumava-se o maior acontecimento do EDP Paredes de Coura e, porventura, do ano musical português: os Ornatos Violeta estavam de regresso. A recepção não podia ser mais forte: a noite de sexta-feira foi, sem sombra de dúvidas, uma das mais concorridas da história do festival minhoto, o que para prenda de 20.º aniversário não está nada mau. Numa edição sem muitos nomes de peso, esse papel coube aos Ornatos, que praticamente fecharam o festival (os mais resistentes continuaram a festa no palco Vodafone FM com a disco negra dos Chromatics e Sunta Templeton). Tanque, dizíamos, foi a primeira canção do concerto dos Ornatos Violeta, cuja primeira parte seguiu na íntegra o alinhamento do segundo e último álbum do grupo, o imaculado O Monstro Precisa de Amigos (1999). Dir-se-ia que não passaram dez anos sobre a despedida: a banda tocou na perfeição os 13 temas daquele disco, do rock de O.M.E.M. (o peso dos riffs de Peixe em contraste com os sombrios teclados de Elísio Donas) à introspecção de pelúcia de Deixa morrer. Ouvi dizer teve a previsível recepção eufórica, mas, nas filas da frente, onde o PÚBLICO viu o concerto, a devoção era plena: todas as palavras, da primeira à última, eram cantadas por milhares de pessoas. E os devotos ali presentes eram, na sua maioria, adolescentes ou pós-adolescentes, o que confirma que a adoração aos Ornatos Violeta explodiu com a banda já extinta. No palco, a emoção era também evidente, com sorrisos cúmplices entre os músicos e Manel Cruz em repetidos agradecimentos ao público. “Não sei o que dizer”, confessou. Saíram do palco depois de reverem O Monstro Precisa de Amigos, mas voltaram duas vezes para apresentar canções mais obscuras – nem sombra de Cão!, o outro álbum dos Ornatos (tal ficará, certamente, para os quatro concertos nos coliseus do Porto e de Lisboa, em Outubro). Mostraram canções que podiam ter entrado em O Monstro, mas que ficaram na gaveta; foram a 1993 (“muito antes do Cão!”, lembrou Cruz) buscar uma canção que quase ninguém ouviu, A metros de si; recuperaram Tempo de nascer, incluída na compilação Tejo Beat, de 1998, velha preferência dos fãs mais conhecedores.

Regresso dos Ornatos Violeta enche Paredes de Coura. Entrevista em Paredes de Coura_ E que tipo de público acreditam que vão ter à vossa espera? Mais miúdos ou mais graúdos? Peixe - No público dos festivais há tanta gente que acaba por haver um pouco de tudo. Imagino que haja muitos miúdos, porque noto pelos meus alunos que há mWuita gente [nova] que gosta dos Ornatos, apesar de só ter conhecido a banda depois de ela ter acabado. Entre jovens e adolescentes poderá haver muito público. E vai haver uma data de cotas como nós, de certeza (risos). Acho que vai ser um reencontro, sobretudo nos coliseus mas também em Paredes de Coura - um reencontro geracional, de pessoas mais ou menos da nossa idade que acompanharam o grupo. Agora que voltaram a conviver com as canções do Monstro, deram por vocês a pensar que gostavam de mudar algumas coisas no disco? MC - Vamos reproduzir as músicas, mas será sempre da maneira que tocamos agora, e essa também é a maneira de conseguirmos pôr isto a soar. Havia músicas que [na altura] soavam um bocadinho tensas, a meu ver, mas que eram compensadas, porque essa tensão era fruto de uma energia, de uma vontade tensa, mas muito grande, de fazer as coisas. Tínhamos coisas que agora não temos e agora temos coisas que na altura não tínhamos. Aí é que as coisas têm de mudar mesmo: já não temos uma energia adolescente, mas temos uma forma diferente de usufruir dos momentos de música, que nos permite dar uma expressão às músicas que nós não tínhamos - às vezes mais calma, no sentido de [darmos] mais tempo para as coisas evoluírem numa música. [Temos] menos ansiedade, e uma interpretação um bocadinho mais dominada, que acho que é muito fixe. A sensação que eu tenho é muito boa, até porque algumas músicas me soam como nunca tinham soado.


Power to you

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AGENDA CONCERTOS 7 DEZEMBRO WRAYGUNN MUSIC BOX 00H

8 DEZEMBRO BLACK BOMBAIM BRAGA 22H

8 JANEIRO ENTER SHIKARI TMN AO VIVO 21H

17 JANEIRO BILLY TALENT HARD CLUB 21H

13 FEVEREIRO SIGUR RÓS COLISEU PORTO 21H

17 FEVEREIRO CRYSTAL CASTLES TMN AO VIVO 21H


ALBUNS 2012 Lana Del Rey Born To Die Air Le Voyage Dans La Lune The xx Coexist Alt-J An Awesome Wave The Big Pink Future This

Muse The 2nd Law


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CALDAS Nice a zz

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CALDAS Nice jazz

Composto por três músicos que criaram e interpretaram ao vivo uma banda sonora para o 3º ato da peça de teatro “O Ginjal ou o Sonho das Cerejas” (encenação Mónica Calle / Casa Conveniente 2010), baseada na obra de Anton Tchekhov, o Tchekhov Trio, agora como projeto independente e com repertório alargado, salta do teatro para outros palcos, procurando manter e transmitir na música e apresentação o caráter festivo, numa constante interação com o público. O trio é formado por João Madeira (contrabaixo e percussões), Gonçalo Lopes (clarinete) e Rini Luyks (acordeão). No dia 1 de novembro, pelas 18h, é a vez de Tubab, mais um dos projetos musicais que Sérgio Carolino dirige, neste em parceria com Jorge Queijo, onde reina o improviso total e a espontaneidade. Participarão três convidados especiais: Alexandre Frazão (bateria), Mário Marques (saxofones soprano e tenor e eletrónica) e Ruben da Luz (trombone e trombone elétrico). Sérgio Carolino é um dos tubistas mais aclamados no panorama internacional, estando em constante atividade tanto como solista e professor nos mais diversos festivais de música, conservatórios e universidades um pouco por todo o mundo. No dia 2 de novembro, às 21h30, toca Maurizio Minardi, pianista, acordeonista, saxofonista. Compositor e arranjador a residir em Londres desde 2008, terminou seus estudos de piano, órgão e composição no Conservatório “Martini”, Bolonha, Itália.

Também formado em Musicologia pela Universidade Dams de Bolonha. Aperfeiçoou os seus estudos na área do Jazz em Workshops com Barry Harris, Enrico Rava, Paolo Fresu, Danilo Rea e com Simone Zanchini. Maurizio fundou, compôs, produziu e fez os arranjos para o grupo Pop eletrónico “Oz” e para o grupo de Jazz-tango Quarteto Magritte, tendo gravado vários discos , com estas e outras formações. Aclamado pela crítica em 2011 pela produção e realização do projeto Orquestral – eletrónico no disco “Works”, escreve regularmente canções para cantores populares italianos, nomeadamente para Gianni Morandi, Barbara Cola e Franz Campi, além de participar regularmente como compositor de canções para o grande festival musical de Sanremo. Tem tocado em vários festivais. O quinteto de Maria João Fura sobe a palco no dia 3, pelas 21h30, com canções originais em português que abordam o quotidiano atual com ironia, numa ambiência sonora que viaja entre a Bossa-Nova, o Blues e o Jazz, sempre num tom lusófono. Com músicos provenientes de bandas já reconhecidas como pos Terrakota, Farra Fanfarra, os Cacique 97 e a Orquestra Arte & Manha, este concerto resulta numa mistura sonora bem temperada. O quinteto é constituído por Maria João Fura (voz e guitarra), Rui Magarreiro (teclas e vozes), Vinicius de Magalhães (trombone e vozes), Janeca (contrabaixo, baixo elétrico e vozes) e Nataniel Melo (percussão). O Filipe Melo Trio anima o dia 4, às 18h00.

Este trio surge da vontade de apresentar ao público um coletivo de músicos que falam a mesma linguagem, e que aqui encontram um espaço para experimentar e compor livremente. Nesta formação, Filipe Melo conta com André Carvalho (contrabaixo) e João Rijo (bateria) - dois músicos com quem se apresentou regularmente em diversas formações. O pianista Filipe Melo nasceu em Lisboa e estudou no Hotclube de Portugal e no Berklee College of Music. Do seu percurso destaca-se, por exemplo, a colaboração com Peter Bernstein, Omer Avital, Donald Harrison Jr., Jesse Davis, Sheila Jordan, Paulinho Braga, Swingle Singers, Martin Taylor, Perico Sambeat, Herb Geller, Orquestra de Jazz do Hotclube, Orquestra Metropolitana, entre muitos outros. Haverá ainda um concerto extra no Caldas Nice Jazz, com a Big Band da Nazaré & Best Friends, no dia 10 de novembro, pelas 21h30. Depois de um percurso de 13 anos, esta formação vai enfrentar o grande desafio de gravar um CD ao vivo. Será, por isso, um concerto muito especial, também porque contará com alguns convidados que de alguma forma já colaboraram com a formação. Esta Big-Band fez concertos em Portugal, Espanha, Bélgica e Alemanha. O lançamento do primeiro CD decorreu na apresentação feita no 2º Festival Internacional de Big Band’s realizado em julho de 2003 na Nazaré.


31 Outubro 2012 | 21h30 |

Tchekhov Trio O Tchekhov Trio é composto por três músicos que criaram e interpretaram ao vivo uma banda sonora para o 3º acto da peça de teatro “O Ginjal ou o Sonho das Cerejas” (encenação Mónica Calle / Casa Conveniente 2010), baseada na obra de Anton Tchekhov. O Tchekhov Trio, agora como projecto independente e com repertório alargado, salta do teatro para outros palcos, procurando manter e transmitir na música e apresentação o carácter festivo do tal 3º acto de “O Ginjal”, numa constante interacção com o público. MÚSICOS João Madeira - Contrabaixo e percussões Gonçalo Lopes – Clarinete Rini Luyks – Acordeão

1 Novembro 2012 | 21h30 |

TUBAB TUBAB é mais um dos projectos musicais que Sérgio Carolino dirige, neste em parceria com Jorge Queijo, proporcionam-nos linguagens musicais muito originais, onde reina o improviso total e livre, a criatividade e a espontaneidade. “TUBAB é uma viagem que fica na história da improvisação do Jazz. Com musicalidade, criatividade e técnica, Sérgio e Jorge prestam homenagem a muitos dos passos evolutivos que os mais diversos artistas, tanto de tuba como na bateria e percussão, criaram ao longo das décadas.” Mas neste concerto haverá seguramente ainda mais espectativas, porque nele participarão três convidados especiais: Alexandre Frazão (bateria), Mário Marques (saxofones soprano e tenor e electrónica) e Ruben da Luz (trombone e trombone eléctrico). MÚSICOS Sérgio Carolino - tuba / lusofone Lúcifer Jorge Queijo - bateria/percussões e electrónicas

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2 Novembro 2012 | 21h30 |

Maurizio Minardi Maurizio Minardi é um pianista, acordeonista, saxofonista. Compositor e arranjador a residir em Londres desde 2008. Terminou seus estudos de piano, órgão e composição no Conservatório “Martini”, Bolonha, Itália. Também formado em Musicologia pela Universidade Dams de Bolonha. Aperfeiçoou os seus estudos na área do Jazz em Workshops com Barry Harris, Enrico Rava, Paolo Fresu, Danilo Rea e com Simone Zanchini. Maurizio fundou, compôs, produziu e fez os arranjos para o grupo Pop electrónico “Oz” e para o grupo de Jazz-tango Quarteto Magritte, tendo gravado vários discos , com estas e outras formações. Aclamado pela critica em 2011 pela produção e realização do projecto Orquestral – electrónico no disco “Works”.

3 Novembro 2012 | 21h30 |

Maria João Fura (Quinteto)

Canções originais em português que abordam o quotidiano actual com ironia, numa ambiência sonora que viaja entre a Bossa-Nova, o Blues e o Jazz, sempre num tom lusófono. Com músicos provenientes de bandas já reconhecidas como pos Terrakota, Farra Fanfarra, os Cacique 97 e a Orquestra Arte & Manha, este concerto resulta numa mistura sonora bem temperada. MUSICOS: Maria João Fura – Voz e Guitarra Rui Magarreiro – Teclas e Vozes Vinicius de Magalhães – Trombone e vozes Janeca – Contrabaixo, Baixo eléctrico e vozes Nataniel Melo – Percussão


4 Novembro 2012 | 18h00 |

Filipe Melo (Trio)

Este trio surge da vontade de apresentar ao público um colectivo de músicos que falam a mesma linguagem, e que aqui encontram um espaço para experimentar e compor livremente. Nesta formação, Filipe Melo conta com André Carvalho (contrabaixo) e João Rijo (bateria) - dois músicos com quem se apresentou regularmente em diversas formações. O pianista Filipe Melo, nasceu em Lisboa e estudou no Hotclube de Portugal e no Berklee College of Music.Do seu percurso destaca-se, por exemplo, a colaboração com Peter Bernstein, Omer Avital, Donald Harrison Jr., Jesse Davis, Sheila Jordan, Paulinho Braga, Swingle Singers, Martin Taylor, Perico Sambeat, Herb Geller, Orquestra de Jazz do Hotclube, Orquestra Metropolitana, entre muitos outros. Tocou em inúmeros festivais - Israel, Angola, Egipto, Croácia, Roménia, etc.

Bilhete 5 Concertos Caldas Nice Jazz 15.00€ Rua Dr. Leonel Sotto Mayor 2500-227 Caldas da Rainha Tel.: 262 889 650 / 262 094 081 Fax: 262 889 660 E-mail: secretariado@ccc.eu.com Apoio à Imprensa E-mail: agenda@ccc.eu.com

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Concerto

Big Band

Big Band da Nazaré & Best Friends Depois de um percurso de 13 anos, esta formação vai enfrentar o grande desafio de gravar um CD ao Vivo! Por isso, este será um concerto muito especial, também porque contará com alguns convidados que de alguma forma já colaboraram com a formação. Esta Big-Band fez Concertos em Portugal, Espanha, Bélgica e Alemanha, destacando-se a participação no Festival de Jazz de Ponte-Vedra, Festival de Música de Medina del Campo, Jazz às Quintas no CCB, Festival de Jazz da Alta Estremadura, Festival de Jazz de Aljustrel, Festival de Jazz de Portalegre, Festa do Jazz no Teatro S. Luís, nos Encontros de Jazz de Évora (com Carlos Martins como convidado), no Festival de Tomar, Palco 1º de Maio da Festa do Avante, no Hot Club de Portugal, Bflat em Matosinhos, no Festival “A Arte da Big Band”, Lisboa e no Portugal Jazz em diversas localidades. O lançamento do primeiro CD decorreu na apresentação feita no 2º Festival Internacional de Big Band’s realizado em Julho de 2003 na Nazaré, tendo como convidada a cantora Joana Rios e em 2005 no 4º Festival, um concerto com a cantora Jacinta. O segundo CD, “Filme”, editado em 2006, e o terceiro “10 Anos”, editado em 2009, são a mostra da evolução musical desta formação e têm recebido os melhores elogios da crítica especializada, tendo sido discos em destaque em alguns programas de rádio e revistas dedicadas ao jazz.

Concerto e Gravação de CD ao vivo no CCC

The Big Band: Adelino Mota – Director Alberto Valongo - Guitar track 3, 7 & 8 André Murraças - Tenor Saxophone - Solos track 6, 8 & 15 André Ramalhais – Trombone André Venâncio – Trumpet Bruno Monteiro – Drums Élio Fróis – Trombone Fábio Matias – Bass Trombone Gonçalo Justino – Guitar Gonçalo Leonardo - Doublebass track 4, 5, 9, 10 & 11 João Capinha – Tenor & Soprano Saxophone - Solos track 1, 7 & 14 Joana Rios - Vocal track 9, 10 & 11 Joaquim Pequicho – Alto Saxophone – Solo track 12 Júlia Valentim – Vocal track 4, 5, 13 & 14 Luís Guerreiro – Trumpet – Solo w/ effects track 16 Margarida Louro – Trumpet Nuno Mendes – Alto Saxophone – Solo track 3 & w/ WI on 16 Pedro Morais – Baritone Saxophone Ricardo Caldeira – Piano Rui Correia – Trombone Tiago Lopes – Electric Bass Tó-Zé Morais - Trumpet & Flugel solos track 3, 6 & 10 Vítor Guerreiro – Trumpet solo track 2 Wilson Ferreira – Tenor Saxophone Recorded LIVE at CCC Caldas da Rainha on the 10th of November 2012 Director and Producer - Adelino Mota Recording and Mastering - Marco Jung


A primeira vez ĂŠ sempre na 3.

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“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.” Charles Chaplin


Artigo

Tim Burton

Claro que a sua infância só podia ter sido peculiar, imaginativa. A escola difícil - um tédio. E ele sempre perdido nos seus pensamentos. Tim Burton é maravilhoso - como realizador e como artista. Assim como os seus filmes, mais os desenhos que lhes deram origem - ou vice-versa. A imagem de um Batman (Michael Keaton ) em que ninguém acreditava mas que, pela primeira vez na história de Hollywood, conseguiu ter lucro com merchandising; as mil-e-uma caras de Johnny Depp - em Eduardo Mãos de Tesoura, Charlie e a Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd; os bonecos, melhor, as personagens fortes e encantadoras e cadavéricas criadas para O Estranho Mundo de Jack ou A Noiva Cadáver. Ou os olhos esbugalhados dos heróis de Marte Ataca!. Tim Burton, 51 anos, norte-americano é, ele próprio, a figura principal da retrospectiva, que inaugurou dia 22 de Novembro, no MoMa de Nova Iorque. Fotografias, desenhos, filmes, storyboards,maquetas, bonecos, esculturas, roupas, tudo saído da sua imaginação. Tim Burton, assim se chama a mostra, organizada com a sua colaboração, tem como curadores Ron Magliozzi e Jenny He. Até 26 de Abril de 2010 estarão ao nosso alcance 700 peças que mostram que tudo é possível dentro do “estranho mundo de Burton”.

E serão exibidos 14 dos seus filmes,incluindo as primeiras curtas-metragens, bem como algumas obras que lhe serviram de inspiração: Frankenstein (1931), de James Whale, Nosferatu (1922), de F.W. Murnau, e O Gabinete do Dr. Caligari (1920),de Robert Wiene. Durante a conferência de imprensa para apresentar esta mostra, Tim Burton descreveu a experiência como uma “saída de meu próprio corpo, surreal e surpreende”. Porventura tão surpreendente como Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Histórias, um livro infantil que escreveu um dia, e que reúne 23 histórias para miúdos e graúdos, em que as personagens são heróis especiais, sem superpoderes, meros sobreviventes num mundo sem amor. Esperamos agora pela sua versão da obra de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas: Johnny Deep interpreta o Chapeleiro Louco, Anne Hathaway a Rainha Branca e Helena Bonham Carter (a sua mulher) a Rainha de Copas. E nós, fazemos de Coelho Branco... já estamos atrasados para apanhar o avião até NY.


Frankenweenie O novo filme de Tim Burton, Frankenweenie, é um objecto feito com pequenos bonecos animados em que o realizador retoma a história de um dos seus primeiros títulos, a curta-metragem homónima, rodada em 1984. Num caso como noutro, trata-se de propor uma variação insólita sobre o mito clássico de Frankenstein, gerado pelo romance de Mary Shelley publicado em 1818. Com duas diferenças importantes: primeiro, o cientista que aposta em criar vida no seu laboratório é agora uma criança solitária, na família e na escola, hiper-dotada para as ciências; além do mais, o ser “ressuscitado” no meio de relâmpagos e intricados circuitos eléctricos não é humano, mas sim... um cão! Há uma ironia desconcertante em tudo isto. De facto, o estúdio produtor, Disney, reagiu muito mal à curta-metragem original, considerando que a ambiência mais ou menos macabra (ainda que plena de humor) era inadequada para o público infantil. Mais do que isso: Tim Burton foi despedido... Agora, regressa a Frankenweenie e, de novo, com chancela da Disney! Como é óbvio, o realizador pode consumar este regresso a um dos seus temas mais queridos graças ao estatuto conquistado no interior da máquina de Hollywood.

“Um menino que ressuscita um cão; um realizador que ressuscita um filme antigo cinema.” E não apenas por ter assinado uma série de filmes mais ou menos fantásticos e de grande sucesso (Batman, Batman Regressa, Marte Ataca!, etc.). Também porque o seu trabalho, quer como realizador, quer como produtor, tem sido marcado por uma ousada e inventiva capacidade de experimentação técnica. Neste caso, o experimentalismo é paradoxalmente primitivo, uma vez que Tim Burton volta a aplicar a antiga técnica de stop motion, no essencial resultante da manipulação de figurinhas filmadas imagem a imagem, de modo a gerar a ilusão de movimento (A Noiva Cadáver, de 2005, era a sua experiência mais recente nesse domínio). Mais do que isso: respeitando a memória dos filmes antigos de Frankenstein (o primeiro, de James Whale, com Boris Karloff na figura do monstro, surgiu em 1931),Frankenweenie é uma produção a preto e branco, coisa que há muito se tornou uma raridade no catálogo dos grandes estúdios americanos. Tim Burton poderá ser definido, afinal, como um criador quer conseguiu essa admirável proeza de manter uma sistemática relação de trabalho com os estúdios de Hollywood.

“Frankenweenie é uma produção a preto e branco, coisa que há muito se tornou uma raridade no catálogo dos grandes estúdios americanos”

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Artigo

História

Apresentação A Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema é o organismo nacional, tutelado pelo Secretário de Estado da Cultura, que tem por missão a salvaguarda e a divulgação do património cinematográfico. Foi fundada no início dos anos 50 por um dos pioneiros das cinematecas europeias, Manuel Félix Ribeiro, e tornou-se uma instituição autónoma em 1980. Desde 1956, a Cinemateca é membro da Federação Internacional dos Arquivos de Filmes (FIAF), criada em 1938, com o objectivo de promover a conservação e o conhecimento do património cinematográfico, conjugando os esforços dos mais importantes arquivos do mundo, e que conta actualmente com mais de 150 afiliados de 77 países. Também em 1956, foi inaugurada a primeira sala própria da Cinemateca, dedicada à sua actividade exibidora. Em 1996, a Cinemateca abriu um moderno centro de conservação nos arredores de Lisboa, que é actualmente a base de todas as actividades de preservação, pesquisa técnica e acesso, incluindo o uso de novas tecnologias. A Cinemateca desempenhou um papel decisivo na criação e desenvolvimento da rede de instituições europeias dedicadas à preservação do património cinematográfico europeu, sendo co-fundadora da Associação Europeia de Cinematecas (ACE) e participando em diversos programas, tais como: Projecto LUMIÈRE (Programa Europeu Media I, 1991-1995, que teve sede em Lisboa); ARCHIMEDIA – Rede Europeia de Formação para a Promoção do Património Cinematográfico; «Urgent: Nitrate Can’t Wait» (programa Raphael); European Film Gateway (2008-2011).

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1948 Criação da Cinemateca Nacional, pela Lei nº 2027, integrada nos serviços do SNI. 1954 Construção dos depósitos de filmes da Cinemateca Nacional com sistema de condicionamento de ar. 1956 Entrada da Cinemateca na Federação Internacional de Arquivos de Filmes (a candidatura tinha sido apresentada dois anos antes). 1958 Início da actividade de programação da Cinemateca no Palácio Foz e abertura da Biblioteca ao público. 1971 Lei 7/71 de 7 de Janeiro, que estabelece a criação do Instituto Português de Cinema e a integração da Cinemateca Nacional no mesmo; transferência dos serviços para a Rua de S. Pedro de Alcântara; os cofres e a sala de cinema mantêm-se no Palácio Foz. 1980 Pelo Decreto-Lei nº 59/80, de 3 de Abril, a Cinemateca Portuguesa (designação que substituía a de Cinemateca Nacional) é dotada de autonomia administrativa e financeira, personalidade jurídica e património próprio. Aquisição do imóvel na Rua Barata Salgueiro para edifício-sede da Cinemateca Portuguesa. Publicação do decreto regulamentar nº 33/80, dotando a Cinemateca “dos meios e estruturas consentâneos com a missão que lhe está reservada”. Neste decreto é estabelecido que as receitas da Cinemateca correspondem a 20% das receitas orçamentais do IPC, provenientes do imposto adicional sobre espectáculos de cinema. Constituição de um grupo de trabalho proposto pelo IPC e RTP, que integra elementos da Cinemateca, para a criação do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento. A UNESCO aprova e publica a “Recomendação de Belgrado”, que chama a atenção de todos os governos do mundo para a importância da conservação das imagens em movimento.


Programação A Cinemateca ssociou-se ao projeto ANIMAR 7 numa mostra dedicada à Lanterna Mágica.

Matinés da Cinemateca Under the Red Robe 29-11-2012, 15h30 Sala Dr. Félix Ribeiro

Lançamento do Dicionário do Cinema Português 1895-1961 O Costa do Castelo

1981 Janeiro: Instalação dos serviços e pessoal da Cinemateca no novo edifício. Destruição total da sala de cinema, provocada por um incêndio devido à combustão de um rolo de uma cópia com suporte de nitrato de celulose. Projecto ANIM é transferido para a esfera de orientação da Cinemateca. 1991 Reunidos em Lisboa, representantes das principais cinematecas europeias lançam o Projecto LUMIÈRE, integrado no Programa Media da Comunidade Europeia. O projecto, que constitui a primeira iniciativa comunitária de apoio ao património cinematográfico, tem sede em Portugal e decorre até 1995, altura em que é activada a ACCE (Associação das Cinematecas da Comunidade Europeia), hoje ACE (Associação das Cinematecas Europeias). 1996 6 de Outubro: Inauguração do centro de conservação (ANIM) da Cinemateca. 1997 Decreto-Lei nº 165/97, de 28 de Junho, que consagra a natureza e o regime de funcionamento da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema. No âmbito do programa MEDIA, a UE cria o projecto ARCHIMEDIA, que reúne cinematecas, laboratórios e universidades para a formação específica dos jovens profissionais neste domínio. 2000 Durante a presidência portuguesa da UE, os peritos dos 15 estados-membros reúnem-se em Sintra para os “Estados Gerais do Património Cinematográfico Europeu : 100 anos de imagens a salvar para o futuro”, organizados pela Cinemateca. 2003 Inauguração do edifício-sede da Cinemateca, após as obras de remodelação que incluíram a construção de duas salas de cinema (“Sala Dr. Félix Ribeiro” e “Sala Luís de Pina”), o aumento do espaço para depósito de livros e arquivo fotográfico, a criação de salas museográficas e a construção de uma livraria e um restaurante. 2007 Inauguração da Cinemateca Júnior, no Palácio Foz. 2010 Construção de cinco novos cofres para arquivo de filmes em suporte safety (acetato e poliéster).

29-11-2012, 19h00 Sala Dr. Félix Ribeiro

O Cinema Marginal Brasileiro e as Suas Fronteiras O Guru e os Guris O Vampiro da Cinemateca 29-11-2012, 19h30 Sala Luís de Pina

Não o Levarás Contigo Economia e Cinema In a Lonely Place 29-11-2012, 21h30 Sala Dr. Félix Ribeiro

O Cinema Marginal Brasileiro e as Suas Fronteiras Programa de curtas-metragens de Reichenbach e Jairo Ferreira 29-11-2012, 22h00 Sala Luís de Pina

Matinés da Cinemateca Kaos 30-11-2012, 15h30 Sala Dr. Félix Ribeiro

Carta Branca José Augusto França Os Canibais 30-11-2012, 19h00 Sala Dr. Félix Ribeiro

Carta Branca José Augusto França Belarmino

fredericomalaca.blogspot.pt/

30-11-2012, 21h30 Sala Dr. Félix Ribeiro

O Cinema Marginal Brasileiro e as Suas Fronteiras Programa de curtasmetragens de Tonacci, Raulino, Candeias 30-11-2012, 22h00 Sala Luís de Pina

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Entrevista

Longe vão os tempos em que quatro amigos sem recursos se uniram para fazer uma brincadeira em vídeo. A equipa Lightbox é formada por cerca de trinta pessoas com as mais diversas valências, pessoas formadas em cinema e áreas de suporte, pessoas com anos de experiência e que recorrem às mais modernas tecnologias. Contudo, ainda são uma equipa jovem e descontraída, que leva os cães para o trabalho para não ficarem longe deles, que empresta os veículos mais estranhos que tenham para dar realismo à filmagem, que acredita no impossível e o torna realidade a cada dia. E acima de tudo são pessoas muito simpáticas que trabalham por paixão quinze a vinte horas por dia, sete dias por semana. Podem ser dez vezes mais pessoas a colaborar com o projecto do que no início, mas continuam a ser um grupo de amigos que quer fazer um filme divertido. Como pode o público exigir mais do que isso?

De onde é que vem o nome Balas & Bolinhos? Sinceramente já não me lembro como saiu o nome… mas a construção do mesmo lembro-me perfeitamente… Balas porque era um filme sobre criminosos e como não havia dinheiro para dar tiros e partir coisas, as balas que eles lançavam eram as barbaridades que diziam pela boca e bolinhos em honra a esse “icon” da sociedade portuguesa, esse “porta-chaves” da gastronomia nacional, o celebre Bolinho de Bacalhau! De que trata o Balas & Bolinhos: o regresso? É de uma caça a um tesouro com toda a aventura inerente a o que é procurar um tesouro, digamos que é uma versão mais trabalhosa e suja do que registar um boletim de totoloto! A ideia da sequela é recente, ou já vem desde que terminaste de filmar a 1ª obra? No dia em que terminei a montagem do primeiro Balas, decidi acrescentar a palavra “Continua?”. Porque de facto, achei que tinha ali um filme que respirava comédia, adorei as personagens, as situações, mas também tinha a consciência que era

BALAS & BOLINHOS “As balas que eles lançavam eram as barbaridades que diziam pela boca”

o primeiro e que enfermava de alguns problemas porque eu sou o meu mais devastador e implacável critico. Mas no entanto, sempre considerei o primeiro balas como uma tentativa séria de produzir fora do sistema de financiamento do estado. Mas também só avançaria para a sequela se houvesse dois pontos essenciais: primeiro um argumento que suportasse a vinda da quadrilha e segundo um suporte técnico-financeiro que permitisse uma nova abordagem ao filme. Quando os elementos se conjugaram partimos para a sequela, aquela que é a primeira do cinema português. Quais as principais diferenças entre o primeiro e o segundo filme? Há uma diferença enorme.O regresso têm melhor imagem e som, melhor representação, mais argumento, o primeiro será sempre o primeiro, irreverente e inovador. Gosto de ambos. Recebeste algum apoio financeiro? Recebi muito apoio, daquele tipo “Força! Tu consegues!!!!”. Daquele apoio em euros não recebemos praticamente nada; 2000 euros do IPJ que deu para comprar uma caixas de palitos (um “gajo” via-se aflito com os bocados de pizza nos dentes, era essencial ter palitos!) e o resto foi a AACV e o Luís Ismael que se atravessaram.


Estamos na era dos “remakes”. Imagina que os americanos compravam os direitos de realizar um remake do Balas & Bolinhos. Quem gostarias de ver a protagonizar o filme? Primeiro de tudo, exigia logo que eles retirassem as tropas do Iraque sem isso, não havia Buletts&Cookies para ninguém. No mínimo, quantos prémios de cinema esperas ganhar com o filme? Já tenho umas prateleiras lá em casa livres, vai ser desde os globos de ouro até aos Óscares isso já está tudo controlado e se calhar vou ter mesmo que desimpedir a gaveta das cuecas para alguns prémios que não estou à espera. Se o filme se transformar num “Blockbuster”, achas que o vosso elenco vai aguentar a pressão dos paparazzi, escapar às drogas e ao jogo ilegal em casinos do “underground” nortenho? Já sei que depois do balas o regresso, a critica portuguesa, implacável como é, nos vai bater tanto que creio que vou mesmo meter-me nas drogas, no álcool e claro no sexo, muito sexo, para depois aparecer na “Maria” ou na “Nova Gente” a pedir perdão e a renunciar a este “tipo” de cinema e prometer a todos que me vou portar bem. Quanto aos meus colegas de aventura, vai ser os descalabro total. Ainda hoje não sei porque é que eles se meteram nestes filmes, mas eles vão ter que sofrer, porque cinema “deste” em Portugal, não pode ser! Além disso, é muita acção para os olhos dos portugueses, habituados a planos de três minutos e mais, para que de facto entendam o que significa “aquele plano”, porque toda gente sabe que os portugueses são “burros”, é quase um facto cientifico.

Costuma-se dizer que não há duas sem três. Haverá um terceiro Balas & Bolinhos? Tudo tem a ver com uma razão forte para voltarmos a estar juntos, a história, o argumento. Sem isso, não haverá o Balas 3.

Balas & Bolinhos 3 Com estreia marcada para Setembro o que se pode esperar deste Balas & Bolinhos 3 que seja o mais inesperado? É a oportunidade de testemunhar do amadurecimento do projecto. Verificar que estas personagens estão mais definidas e acima de tudo, que mantivemos a linha e a postura dos dois filmes anteriores. Temos por isso, muitas surpresas e momentos surpreendentes. Qual a melhor lembrança que tens da rodagem deste filme? E a pior? Voltar a filmar uma longa metragem é sempre a sensação que ultrapassa todas as outras. É sempre bom criar um filme que passei um ano e meio a escrever. Adorei voltar a “pegar” nestas personagens tão divertidas sabendo que este era o filme da sua despedida. Por isso, não me preocupo com as más recordações, tudo o que é mau é simplesmente para aprender e depois esquecer. O projecto “Balas” é demasiado divertido para me preocupar e recordar vibrações negativas. Como foi trabalhar com algumas das figuras mais conhecidas da comédia à portuguesa? Procuro sempre pessoas que não sejam preconceituosas e tenham uma visão abrangente do seu trabalho. Um Actor/iz tem a obrigação de se colocar em situações difíceis. De encarnar personagens que sejam desafios memoráveis. Estes a actores ao aceitar participar num filme como o Balas, demonstraram que têm uma visão bem definida e arejada do seu trabalho. Enriqueceram o filme e tornaram as suas personagens inesquecíveis. Sendo este o terceiro filme de uma saga de sucesso, qual é o teu maior receio em relação à reacção do público? Sei que nunca se pode agradar a todos por isso, não tenho receios. Fiz o meu melhor. Se me tivesse de convencer agora que este filme é imperdível em cinco palavras que dizias? Filme cómico Made in Portugal.

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Filmes do MĂŞs


Conviction Costuma dizer-se que o pior de tudo é ser tarde demais. Mas ainda se pode piorar mais: é levar com um composto químico na veia, uma combinação de tiopentato de sódio, de brometo de pancurônio e cloreto de potássio. A pena de morte por injeção letal existe em 36 dos 50 estados americanos. A primeira sorte do protagonista desta história verídica dos anos 80 é ela passar-se em Massachusetts, estado em que a pena de morte não é admitida no sistema penal. A segunda sorte é a de ter tido uma irmã persistente, que, apesar da pouca escolaridade, conseguiu licenciar-se em Direito só para, 18 anos depois, livrá-lo da prisão perpétua, a que estava condenado por homicídio de primeiro grau. A terceira sorte do homem foi o poder de absolvição do ADN, que já pôs fora de grades 254 inocentes, injustamente condenados. E isto é basicamente o que interessa reter no filme do ator e realizador Tony Goldwin. De resto, já vimos este filme dezenas de vezes. Tudo muito esquemático, correctinho e honestinho. E estes dois diminutivos até servem, neste caso, para sugerir uma tela abreviada à dimensão televisiva. Haveria, porventura, uns laivos de “interesse” no facto do preso não ter de facto “interesse” nenhum. Nem a mãe, nem os amigos, nem a mulher, a ex-namorada e a filha, nem os sobrinhos ou o cunhado demonstram ter algum “interesse” nele. Pior: nem o espetador. Exceto a irmã, que parece gostar e até achar graça a um tipo arruaceiro, um bocado boçal e semi-analfabeto (Sam Rockwell). Em nome dos velhos tempos, em que eram miúdos negligenciados, arrobavam casas, roubavam doces e eram encarcerados em reformatórios. Mas mesmo assim este tópico não consegue força suficiente. Outro potencial do filme é ser protagonizado por Hiilary Swank, uma das raras actrizes duplamente oscarizadas - a primeira por Os Homens não Choram (1999) e a segunda por Million Dollar Baby (2005).

Lawless Já vimos muitos filmes passados nos EUA dos anos 30, nos tempos das lei seca e da grande depressão, em que gangsters e Al Capones, prosperavam à conta do contrabando e da corrupção policial, e faziam opulentas e muito loucas festas. Já viemos assistindo (faz quase um género) a obras de época em que a empatia se dirige automaticamente para os “bons gatunos”, como o clássico Bonnie and Clyde e o mais recente Inimigo Público - ambos coincidem na época, na circunstância de os vilões estarem um bocadinho mais próximo da lei do que os heróis e na excelente banda sonora. Este filme também tem uma excelente banda sonora (assinada por Nick Cave, também autor do guião) e é, mais uma vez a história da América, dos bons e dos maus e da lei da bala. E da dinamite. Só que aqui conta-se uma vertente menos explorada: não a dos grandes gangsters, não a dos fora-da-lei com estilo, mas a dos pacóvios das montanhas, aqueles que, durante a lei seca, tinham destilarias clandestinas e fabricavam o mais letal das aguardentes, a partir do que estivesse ao seu alcance: nabo, beterraba ou maçã. E que tanto podia servir-se num copo como num depósito de gasolina. Marchava tudo. Estes eram aqueles que usavam suspensórios e chapéu, palhinha na boca e ficavam a assistir às festas alcoolizadas pelas frestas das portas dos fundos. A história de três irmãos (que ao que parece existiram mesmo) que se julgavam invencíveis e defendiam a sua negociata até às últimas consequências, nem que para isso tivessem de levar um balázio (vernáculo de faroeste), umas facadas ou uma carga de dinamite. O filme tem as várias modalidades de violência - até aquela que quase se tornava cómica nos livros de Lucky Luke, mas que aqui se demonstrava ser uma medonha tortura de morte lenta: a cobertura de alcatrão quente com penas.

007 - Skyfall Uma peça de teatro torna-se num excelente ponto de partida para discorrer sobre Skyfall, o novo filme da saga 007, que se encontra num mundo que se entretém entre o passado e o futuro sem necessidade de cortina entre actores e público. Teria Sam Mendes isto em mente quando aceitou ser o novo realizador de uma obra inserida num universo tão preciso quanto comercial? Creio que sim. Sam Mendes apostou e ganhou. Sam Mendes, um homem do Teatro, mostrou que teatro e cinema são duas artes com tantos pontos de contacto quantos aqueles que quisermos ver. A saga 007 ganha agora novos contornos, através de um “episódio” mais real, mais verosímil e repleto de contradições que o transformam numa obra ímpar e simbólica: a que comemora os 50 anos deste herói. Skyfall respira muito da estrutura dramática e profundidade de caracterização de Silva, o vilão criado pelo fantástico Javier Bardem, cuja interpretação arrebata o espectador, respeitando-o e temendo-o simultaneamente. Confesso que o meu coração ainda palpita por Le Chifre, o vilão de Casino Royale, pelo seu minimalismo e contenção que desembocam numa cena de tortura masculinamente perturbante que se inscreve por direito próprio na história da saga, mas Silva (uma personagem criada por Ian Flemming) é poderosíssimo e um concorrrente de peso aos vilões mais emblemáticos. Silva, incrivelmente frio e metódico e simultaneamente emocional e freudiano, possui um desejo de vingança calculada ao pormenor, que faz M. entrar em confronto com escolhas passadas, conduzindo esta luta num cruzamento constante entre a loucura real e a fingida, deambulando entre o sofrimento e a raiva opressiva, num misto de Hamlet e Hannibal Lecter.

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FILME PREMIADO SOBRE O ALTO MINHO ESTREIA NO PORTO “Alto do Minho”, um filme documental “sobre identidade, espetáculo e etnografia do Alto Minho” vai ser exibido esta quinta-feira, às 22 horas, no cinema Passos Manuel, no Porto.

ROLLING STONES FESTEJAM 50 ANOS COM 20 MIL PESSOAS Os “The Rolling Stones” celebraram 50 anos de carreira perante 20 mil pessoas, em Londres. No primeiro de cinco concertos, contaram com o antigo baixista Bill Wyman e o antigo guitarrista Mick Taylor e com as participações da cantora Mary J. Blige e do guitarrista Jeff Beck.

PRIMEIRA CONFIRMAÇÃO PARA O FESTIVAL PAREDES DE COURA O festival Paredes de Courajá tem a primeira banda do cartaz de 2013 confirmada. Trata-se do duo francês Justice, que atuará no dia 17 de Agosto.

ARQUITETO SOUTO MOURA JÁ TEM DUAS TORRES PROJECTADAS PARA A CHINA O arquiteto português Eduardo Souto Moura já projetou duas torres de 120 metros para Zhengzhou, no centro da China, e quer agora “explorar”as oportunidades que o Oriente está a proporcionar ao seu setor.


VANDALISMO NO IADE No passado dia 7 de Novembro no IADE creative University, em Lisboa, um grupo de três rapazes vandalizou as instalações, considera-se ter sido uma grande “ideia”, mas também houve, quem manifestasse preocupaçãocom as condições de segurança do edifício do IADE. Acontece que naquela noite houve uma suposta falha de energia e os alarmes não dispararm. Surgem romores que esta acção só foi possível de se concretizar, porque recebeu apoios de alguém que conhece muito bem o edifício, proporcionando os meios adequados para que a mesma pudesse ocorrer. Agora em questão fica a fragilidade em questões de segurança que o edifíciodo IADE parece ostentar.

O REALIZADOR DE KIDS DISPONIBILIZA FILME EM EXCLUSIVO NA INTERNET Larry Clark regressa ao cinema sete anos depois de Wassup Rockers. Mas o vencedor do Festival de Roma, Marfa Girl, foi lançado em Novembro em exclusivo na Internet.

ELIZABETH PRICE GANHA O PRÉMIO TURNER COM UM FILME “ATERRADOR” O nome da vencedora foi anunciado ao início da noite de segunda-feira pelo actor Jude Law na Tate Britain, o museu londrino onde o trabalho dos quatro finalistas está exposto desde 2 de Outubro.


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